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A definição de traqueotomia, diferentemente de traqueostomia, corresponde à simples abertura da traqueia para qualquer intervenção cirúrgica. Esses dois termos são muito utilizados indistintamente. A traqueostomia é uma fístula que se abre entre a traqueia e a pele, comunicando-as. A traqueostomia consiste em método cirúrgico eletivo que também pode ser de urgência, para acesso à via respiratória superior por meio de abertura da traqueia. A traqueostomia aberta ou convencional é o método cirúrgico clássico, no qual se realiza a abertura por planos, dissecando-se desde a pele até a traqueia. Normalmente é realizado em centro cirúrgico, mas também pode ser feito no leito da unidade de terapia intensiva (UTI), desde que se disponha de condições técnicas adequadas. ANATOMIA CIRÚRGICA: A traqueia inicia ao nível da cartilagem cricoide e termina na bifuracação brônquica. Possui 18 a 22 anéis de cartilagem incompletos A laringe é composta por um esqueleto cartilaginoso rígido, que possui três cartilagens principais diretamente envolvidas nas funções respiratória e vocal: cartilagem tireoide, a cartilagem cricoide e um par de cartilagens aritenoides. A membrana/ligamen cricotireóidea faz a ligação da borda inferior da cartilagem tireoide à cartilagem cricoide. Traqueostomia Técnica cirúrgica O espaço subglótico inicia-se abaixo das cordas vocais e se estende até a margem inferior da cartilagem cricoide, sendo circundado pela cartilagem cricoide. A traqueia é palpável na maioria das pessoas e se estende da cartilagem cricoide até a carina. Sua irrigação é feita principalmente pela artéria tireóidea inferior, que também tem papel importante na irrigação do esôfago, mas também é irrigada pela artéria tireóidea superior, artérias brônquicas, torácicas, subclávias e tronco braquiocefálico. É importante lembrar que esses vasos penetram a traqueia pela sua margem lateral; portanto, deve-se evitar a dissecção dessa região durante o procedimento cirúrgico. Durante o procedimento, as estruturas visualizadas, em ordem de aparição, serão: pele, tecido subcutâneo,os músculos platisma e pré-tireóideos (músculos esterno-hióideo e esterno-tireóideo), veias jugulares anteriores, istmo da glândula tireoide, vasos tireoidianos, tecidos gordurosos, os linfonodos e a fáscia traqueal. TIPOS DE TRAQUEOSTOMIA: Pode ser lateral ou terminal. A terminal/permanente geralmente é feita após a ressecção da laringe para reestabelecer um estoma em região cervical anterior ou mediastinal. A lateral é feita por introdução de cânula na via aérea, por acesso cervical anterior, podendo ser feita pelo método aberto (dissecção dos planos anatômicos) ou por técnica percutânea (por meio de fio guia) INDICAÇÕES Ruy garcia: Obstrução de via aérea, suporte respiratório, tosse ineficaz (geralmente associada a broncoplegia e baixa capacidade respiratória, proteção de broncoaspiração e apnéia obstrutiva do sono (se for por causa mecânica objetiva obter suporte ventilatório por respirador mecânico). Indicada em caso de necessidade de suporte ventilatório, obstrução de vias aéreas e necessidade de limpar a via área. Indicado em caso de: 1.Obstrução de vias aéreas: → • Infecções: Em casos de epiglotite, laringotraqueobronquite, difteria, entre ou tras, nas quais não se pode realizar a intubação através de broncoscópio → Qualquer fator que gere obstrução da via aérea, como edema de via aérea e via aérea de alto risco em causa de trauma laríngeo agudo (como queimadura) e cirurgia maxilofacial. Mas, geralmente indica-se a cricotireoidostomia. → Anomalias congênita que causa obstrução da traqueia → Trauma em crianças (cricotireoidostomia não é indicada, pois é difícil de realizar a visualização correta). → Infecções de via área que gerem edema que impossibilitem IOT. → Neoplasia na via aérea, como esôfago, que obstrua a passagem. → Paciente que possuem broncoconstrição crônica que precisam de suporte. 2.Limpeza de vias aéreas: Necessária em pacientes com pneumonia, bronquiectasias e aspiração crônica por enfermidades neurológicas que afetam a função da laringe 3.Suporte ventilatório: → intubação prolongada-após 5/7 dias e tem indicação de continuidade, devendo alterar para via aérea cirúrgica. → Quando paciente será intubado e precisa de via aérea definitiva, sabidamente por mais de 14 dias. Observação: A traqueostomia pode beneficiar pacientes por . um maior conforto, maior facilidade na aspiração de secreções, redução da resistência de vias aéreas, maior mobilidade do paciente, acesso à via aérea mais seguro, possibilidade de articular a fala e de se alimentar por via oral e menor necessidade de sedação. Essas vantagens podem resultar em um desmame mais rápido e com menos complicações. Beneficiados: Consequências desfavoráveis: Ausência de umificação e aquecimento do ar inspirado, quebra da barreira antimicrobiana natural, transtornos da deglutição. A cricotireoidostomia cirúrgica recai como a primeira escolha, por ser de mais fácil execução em comparação à tireoidostomia. O procedimento é contraindicado em pacientes com fratura de laringe e menores de 12 anos. CONTRAINDICAÇÕES → Distúrbios hematológicos e de coagulação. Mas, estudos mostraram que pode ser feito com segurança em caso de neutropenia grave ou trombocitopenia. → Infecções em região do pescoço ou aberrações anatômicas → Insuficiência respiratória grave com hipoxemia refratária e hipercapnia/hipercabia (aumento de CO2 quando a ventilação alveolar cai ou não consegue se elevar adequadamente, que pode causar acidose metabólica) podem ser consideradas contraindicações relativas. CUIDADOS: A ferida da traqueostomia deve ser objeto de curativod frequentes, trocando-se as gazes sujas de secreção. Deve-se aspirar secreções retirando-se sonda com movimentos rotat[órios delicados → A cânula deve ser trocada com a periodicidade de sete a dez dias, diminuindo a intensidade de colonização. → Deve-se atentar também ao posicionamento das garras de fixação dos elementos que acoplam a cânula ao circuto do respirador, pois a má distribuição do peso pode deixá-la em posição forçada contra a parede traqueal anterior (em ponta) ou na parede traqueal posterior. Esse comportamento contribui para erosões e fístulas. Pacientes que precisam de um alto nível de sedação para permanecer com o tubo traqueal; Aqueles com lesões neurológicas graves; Aqueles com mecânica respiratória limítrofe, na qual a redução da resistência das vias aéreas pode reduzir a sobrecarga dos músculos respiratórios; Aqueles que podem apresentar benefícios psicológicos em se comunicar melhor, ter maior mobilidade e alimentar-se por via oral. → Pressão do balonete menor que 20 mmHg COMPLICAÇÕES: O tempo de permanência da traqueostomia é o principal fator nas suas complicações. INTRAOPERATÓRIAS: • Sangramento: É uma das complicações mais comuns, pois a região é muito vascularizada. Geralmente ocorre nas veias jugulares anteriores ou nos vasos do istmo da tireoide e são facilmente controlados com ligaduras ou eletrocauterização. • Bradicardia, hipotensão ou parada cardíaca: Podem ocorrer pela proximidade do nervo vago. Quando se perceberem anormalidades na frequência cardíaca ou na pressão, o anestesista deve ser avisado da manipulação dessa região, a fim de se preparar para o uso de medicações para sanar o problema. • Falso trajeto na traqueia e ao seu redor: Nesses casos, é importante ter boa visualização do orifício da traqueostomia e calcular corretamente o calibre da cânula a ser usada. Em crianças, esse tipo de complicação é mais frequente, pois é difícil mensurar o calibre da traqueia e a abertura que será realizada. Recomenda-se ter em mãos cânulas de diversos calibres. • Lesão do nervo laríngeo recorrente: Se a lesão for unilateral o paciente só vai perceber quando apresentar disfonia e realizar laringoscopia. Se o comprometimento for bilateral e a paralisia em abdução, o paciente não vai conseguir ficar livre da cânula de traqueostomia.→Lesão da parede posterior da traqueia, com penetração do esôfago: Acontece quando se utiliza bisturi de ponta muito comprida, como o número 11. Se, no momento da incisão na traqueia, penetra-se de maneira intempestiva na cartila gem, pode-se até romper a parede posterior que faz limite com o esôfago. • Obstrução brônquica por secreções ou sangue: Não é incomum que no momento em que se penetra na traqueia, a mucosa interna comece a sangrar e quando desinsufla-se o balonete da cânula de intubação orotraqueal, as secreções que estão represadas acima dessa região desçam em direção ao pulmão. Deve-se fazer aspiração no momento da abertura da traqueia e imediatamente colocar a cânula de traqueostomia e insuflar o balonete, para impedir que o sangue che gue aos pulmões e que o paciente possa ser ventilado. • Pneumotórax e pneumomediastino: Pneumomediastino pode ocorrer em decor rência de um mau posicionamento da cânula que leva à dissecção de ar através do tecido conjuntivo mediastinal. Pneumotórax pode ocorrer por lesão direta da cúpula pleural ou ruptura de uma bolha pulmonar. • Embolia aérea por perfuração de grandes vasos: Algumas vezes não se percebe e causa-se uma perfuração nas veias jugulares e esta “aspira” um pouco de ar, que, em grande quantidade, pode ocasionar esta complicação. IMEDIATAS: Sangramento: Maior causa de complicação no período pós-operatório precoce. Sangramentos pequenos podem ser controlados com a elevação da cabeceira do leito, troca dos curativos e compressão local. Sangramentos maiores devem ser tratados em ambiente cirúrgico, para uma adequada revisão da hemostasia, com ligadura dos vasos sangrantes. • Ar intersticial: Enfisema subcutâneo, pneumomediastino, pneumoperitônio, pneumopericárdio, pneumotórax e pulmão colabado. Normalmente, quando a quantidade de ar for muito grande, é necessário fazer a drenagem dessas regi ões e, no caso do pulmão colabado, será necessário fazer ventilação com pres são positiva, até que este volte a ter sua insuflação normal. • Infecção: A traqueostomia é urna ferida contaminada, colonizada principalmen te por microrganismos da flora hospitalar como Pseudomonas e Escherichia coli. Os pacientes internados em UTI têm maior possibilidade de adquirir essas infecções e é necessário que se colha material para cultura e antibiograma. • Desposicionamento: Em alguns casos de troca de cânulas, essa complicação pode acontecer em razão da malácia das cartilagens, da inabilidade do pesso al do serviço ou da falta de exposição adequada. Pode ser evitada com uma fixação adequada e há uma facilidade maior no manejo quando são passados fios de reparo na parede da traqueia. • Obstrução: Por coágulos, muco ou quando a ponta da cânula está contra a traqueia. É importante que, após realizar a cirurgia, seja indicada a inalação ou nebulização contínua para fluidificar as secreções e seja feita a aspiração. • Balonete rolo ou com defeito: É importante que a cânula seja testada antes da realização da cirurgia, pois sua troca nas primeiras horas de pós-operatório é difícil e arriscada. • Intubação seletiva: A incisão muito baixa na região da traqueia, ou cânula muito longa, pode ser a razão desse problema. Puxar um pouco a cânula e fazer um coxim com gazes pode ser o bastante para sua resolução ou, em último caso, trocar a cânula. TARDIAS • Estenoso no local do procedimento como no balonete, ponta da cânula ou região de abertura traqueal. • Fístula traqueoesofágica: Ocorre tanto na incisão como na colocação da cânula. Há uma lesão na parede posterior da traqueia, que ocasionará a formação da fístula. • Fístula: Pode ocorrer em pacientes que permanecem com a traqueostomia por tempo prolongado. Nesses casos, realiza-se a ressecção e a cicatrização ocor re por segunda intenção. PREPARAÇÃO: Identificação do médico e paciente, explicação do procedimento (como é feito e possíveis complicações), solicitar autorização, preparar material, posicionar paciente. O paciente deve estar em decúbito dorsal, com coxim sob os ombros e extensão cervical. OBS: A hiperextensão do pescoço não é indicada em casos de traumatismos raquimedulares e fratura de base de crânio. A hiperextensão cervical é importante na traqueostomia por alguns motivos: 1. Melhor exposição da região anterior do pescoço: A hiperextensão cervical eleva a região da traqueia, deixando-a mais acessível e exposta para a realização da incisão cirúrgica. Isso facilita a visualização e o acesso à traqueia durante o procedimento. 2. Alinhamento adequado das vias aéreas: A hiperextensão posiciona a cabeça e o pescoço em uma angulação que alinha melhor a traqueia, boca e nariz, permitindo uma via aérea mais direta para a inserção da cânula de traqueostomia. MATERIAIS: → Luvas estereis, avental estéril, campos cirúrgicos, anestésico local, caixa de pequenos procedimentos, fio de sutura, seringa de 10 e 20ml, clorexidina, cânulas traqueais que vai com cuff(7 para mulheres e 8 para homens), gaze para limpeza e promover hemostasia e fixação. CÂNULAS Geralmente de natureza plástica, sintética ou metálica. Os balonetes devem ser macios, com alta complacência para se adaptarem à anatomia da traquéia. Nos adultos, geralmente se usa cânulas de 7-10. PROCEDIMENTO 3. Maior espaço de trabalho: O pescoço hiperextendido cria mais espaço entre a pele e a traqueia, facilitando a dissecção dos planos teciduais até alcançar a traqueia durante a cirurgia. 1. Paramentação 2. Determinar local de incisão. Localizar cartilagem cricóide, tireóide e fúrcula esternal. A incisão é medial a fúrcula esternal e cartilagem cricóide. 3. Incisiosar. A incisão pode ser vertical ou horizontal, sendo esta a preferida em cirurgias eletivas, para melhor resultado estético. A vertical é usada em situações de urgência e emergência, pois o campo é maior e tem menor sangramento. 4. Dissecção dos planos:Pele e subcutâneo. Músculos como o Plastima → depois os Pré-traqueais (esterno-tireoideo e esterno-hióideo) → afastar istmo da tireoide para cima → fáscia pré-traqueal → anestesia ao encontrar a traqueia, em traqueia e lúmen para evitar reflexos → incisão em anéis traqueais(entre 1°-2°, chamando-se de traqueostomia alta /3°-4, uma traqueostomia média e abaixo do 4° é traqueostomia baixa; a melhor é a média, pois a alta traz mais risco de estenose de traqueia)em H, U, T, circular, ou só horizontal e vertical. 5. Inserir a cânula traqueal: Retirar tubo orotraqueal, se estiver usando, de forma parcial para manter a via aérea, aspirar secreções no lúmen, sutura da traqueia com tecido subcutâneo (para facilitar trocas de cânula ou a reintrodução de uma cânula nos primeiros dias de traqueostomia, quando ainda não há trajeto estabalecido, mantendo percurso), colocar tubo e insuflar cuff, checar o posicionamento e eficácia do tubo (ativar ventilação mecânica e avaliar se tem bom volume corrente e boa ventilação, evidenciando colocação efetiva), terminar de retirar tubo orotraqueal. 6. A ferida é fechada com pontos esparsos, deixando espaço em torno à cânula, para evitar escapar ar e, consequentemente, complicações precoces, como enfisema subcutâneo, abscesso periostômico ou celulite. 7. Fixar tubo endotraqueal. Colocar gaze embaixo das abas do tubo, e amarrar os cadarços em pescoço. Havendo dúvida quanto ao correto posicionamento da cânula, ou nos casos de dificuldade de realização da traqueostomia, deve-se realizar uma radiografia de tórax e pescoço. Pressão balonete sempre abaixo de 20 mmHg. → Isso ocorre porque a pressão de perfusão capilar é de aproximadamente 20 mmHg. Logo, uma pressão no balonete superior a 20 mmHg pode comprometer a irrigação mucosa e também da própria cartilagem. Cuidado com limpeza e curtativo, suporte de fixação para não pesar e lesar tecidos. É a via através do qual o médico cirurgião vai abordar um determinado órgão ou região que necessita de tratamento cirúrgico. Lembrando: Requisitos para um bom acesso cirúrgico:V Vias de acesso em cirurgia 1. TOMIA: Incisão, abertura de parede ou órgão. 2. ECTOMIA: Retirar um órgão parcial ou totalmente. 3. STOMIA: Comunicar um órgão tubular ou oco com o exterior. Extensão suficiente Boa visibilidade do campo operatório Bordas nítidas, favorecendo cicatrização estética Atravessar os tecidos respeitando a anatomia Acompanhar as linhas de força da pele Não comprometer grandes vasos e nervos. Vias de acesso à região cervical Cervicotomia: incisão na região cervical, em y ou só no formato da curva. PARÓTIDA: Via de acesso em Y, posterior ao conduto auditivo externo, 2 cm acima da apófise mastóide, descendo até o ângulo da mandíbula. Relaciona-se com o nervo auricular e o facial. SUMAXILAR: Ponta da mastóide ao mento, à altura do osso hióide. Permite identificar veia jugular, areria e veia facial, ramos mandibular do facial e canal de Warthon. CISTOS BRANQUIAIS: Relacionam-se com anomalias, as fendas branquiais. Anomalias da primeira fenda localizam-se na região pré-auricular ou em terço médio da mandíbula. A via de acesso é semelhante ao da parótida, relaciona-se intimamente ao nervo facial e à gl. As anomalias de 2 e 3 fendas estão na borda inferior do ECM, relacionados a carótida, nervos espinhal e hipoglosso. A dissecção dessa anomalia deve ser feita cuidadosamente. CISTOS TIREOGLOSSOS: Patologia congênita mais comum, devido persistência do canal tireoglosso, podendo ser preenchido por secreção salivar (visto que apresenta conexão com o fora me cecum), tornando-se assim um cisto , revestido por epitélio. Situam-se na linha média cervical, na projeção do osso hióide e estão relacionados à base da língua. Para acesso, relaizar incisão transversa sobre o cisto, dissecando pedículo, seccionando segmento o osso hióide e alcançando-se a base da língua. Apreende-se o cisto por divulsão romba. Complicações: queloide, cicatriz hipertrófica, recorrência e infecção TIREÓIDE E PARATIREOIDE: Via de acesso transversa em colar. > 2 dedos acima da fúrucla esternal, descolando-se os retalhos para cima até o osso hióide e para baixo até fúrcula esternal. Em caso de neoplasia pode-se precisar de dissecções radicais, podendo prolongar para borda anterior do ECM → dissecção de linfonodos. Em raras ocasiões de bócio mediastínicos precisa-se associar esternotomia. A-Incisão em colar. B- Prolongamento lateral superior da incisão acompanhando borda do ECM usada linfadenectomias cervicais. LESÕES TRAUMÁTICAS CERVICAIS: A divisão do pescoço em zonas permite ao cirurgião avaliar a gravidade das lesões, conforme o seu sítio anatômico. Zona I – da clavícula à cartilagem cricóide Zona II – da cartilagem cricóide ao ângulo da mandíbula Zona III – ângulo da mandíbula à base do crânio. As zonas I e III são mais complexas e azona II parece de melhor resolução. A depender do local, pode-se realizar incisões transversais com prolongamentos superiores, inferiores e laterais, com esternotomia ou cleidotomia, permitindo acesso a estruturas vasculares nobres. Vias de acesso ao tórax Toracotomia: incisão. Compreende a ultrapassagem do gradil costoesternal com penetração nas estruturas intratorácicas. Logo, a abertura do espaço pleural não está incluída, pois é extratorácica. Para evitar toracotomia com grandes secções musculares, que gerariam transtornos dolorosos no pós operatório, a videotoracoscopia apresenta vantagem sobre a cirurgia aberta. -Utilizada em urgência -Incisão no 4ª, 5ª ou 6ª espaço intercostal. Pode ser prolongada conforme necessidade -É mais estética, permite bom acesso ao hilo pulmonar com facilidade e em menor tempo. - Não facilita bom cesso ao lobo inferior do pulmão esquerdo. Mas, causa menor transtorno funcional. 2.TORACOTOMIA LATERAL -Antero-lateral e póstero-lateral. -Facilita a lobectomia inferior -Permite acesso às estruturas mediastinais e amplo acesso ao hemitórax -A postero-lateral permite amplo acesso à cavidade torácica. 3.TORACOTOMIA POSTERIOR Permite acesso as cavidades residuais da tuberculose associadas a toracoplastias. Toracostomia : Comunicação com o meio externo. Esternotomia: Acesso ao mediastino. Caráter eletivo para cirurgias cardíacas. 1. TORACOTOMIA ANTERIOR -Incoveniente de posicionar paciente em decúbito ventral. -Divide-se em paravertrbral (tumores neurológicos) e interescápulo-vertebral (empiemas e toracoplastias apicais). 4.TORACOTOMIA AXILAR: -Vertical ou transversal. Causa menor trauma → menor dor. -Usada em cirurgia vídeo-assistida e doença bolhosa pulmonar do ápice -Pode ser acompanhada ou não de ressecção de arco costal -Tem limite de exposição, log não é indicada para pneumonectomia, remoção de todo um pulmão. 5.ESTERNOTOMIA: -Caráter eletivo em cirurgias cardíacas. Não indicado para trauma instável, pois demora na abertura do esterno com serra de Gigli ou faca de Lebsche. -Acesso ao mediastino -Cirurgia de revascularização do miocárdio: Pontes de safena -Não permite fazer no trauma, pois o esterno é seccionado (serrado) na esternotomia. 6.TORACOTOMIA COMBINADA COM ACESSO ABDOMINAL Permite exploração simultânea da cavidade abdominal e torácica. Vias de acesso ao abdome: Deve-se escolher a via de acesso que melhorar se adequa a execução do propósito cirúrgico. As incisões devem respeitar planos anatômicos, preservando, sempre que possível, musculatura, inervação. Se for por trauma de arma de fogo ou arma branca é mediana. O umigo é o parâmetro. Pode ser mediana supra-umbilical, mediana infra-umbilical, paramediana, transversa, McBurney. 1.LONGITUDINAL: As medianas são usadas em exploração de urgência, pois são de rápido acesso e permitem visão ampla da cavidade. São adequadas para exploração e exigem pouca hemostasia. Exige fechamento com fio não-absorvível, pois tem fechamento demorado.Pode ser supra e/ou infra umbilicais. -Quando prolongadas: contornar umbigo pela esquerda para não seccionar ligamento redondo. -Pararretais comprometem inervação do reto muscular e transretais longitudinais sacrificam apenas parte da inervação. 2.TRANSVERSAL Limitam-se quanto à visualizaçã do campo operatório, sangram mais e exigem fechamento com vários planos de sutura. Podem cruzar linha média do abdome, podem ser prolongadas lateralmente ou restringir-se a um quadrante. Cirurgia: adrenal, pâncreas, fígado, tumores renais ⤷ Muito utilizada em cirurgia pediátrica – permite melhor campo operatório, segurança no fechamento, apresentar menor índice de complicação pós-operatória e por oferecer resultado estético melhor. Desvantagens: ⤷ Exigem hemostasia minuciosa, porque seccionam músculo, vasos e nervos. ⤷ Transtornos motores e sensitivos na parede abdominal (lesão nervosa). -Além dela a Küstner e Cherney são usadas para operação pélvica. -Para apendicectomia também se usa Davis e McBurney ⤷ Abertura dos músculos oblíquo externo, obliquo interno e transverso, por divulsão e secção parcial (se necessário). ⤷ Abertura do peritônio. 3.OBLÍQUAS: -Tentam preservar inervação abdominal, em alguns casos acompanham trajeto nervoso. Como McBurney, Kocher, Clairmont,Leclerc. -Kocher e Clairmont são usadas para exploração de vias biliares em pacientes obesos. COMPLICAÇÕES DA LAPAROTOMIA: Incisão de Pfannenstiel:Incisão arqueada, na pele e aponeurose, divulsionando musculatura. Usada em cirurgia ginecológica e urológica. Incisã de Elliot-Babcock (apendicectomia): Incisão na fossa ilíaca direita, iniciando-se na borda lateral do musculo reto e terminando a 2 cm da espinha ilíaca antero-superior. Hematomas Vantagens da videolaparoscopia: Menos dor, melhor recuperação, ↓ trauma, maior preservação de resposta imunológica, menor taxa de infecção . Desvantagens da videolaparoscopia → Laparoscopia - minimamente invasivo por videocirurgia. -Laparotomia :abertura da cavidade abdominal p/exploração. ↳ laparoscopia & Iaparotomiadiferenciam-se por meio do equipamento, técnica de dissecção, ressecção e sutura. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA VIDEOCIRURGIA Sistemas óticos: - laparoscópio: endoscópio rígido. Onde tudo começou. Hoje possui diferentes diâmetros, permitindo uso inclusive na pediatria. - angulação variável para lente (0°a 75%) -As óticas sem angulação proporcionam visão frontal (0°) e as anguladas a oblíqua, facilitando visualização de regiões, como cavidade pélvica e hiato esofagiano. Seromas Infecções de parede Hérnia incisional Eventração Evisceração V ID E OC I RU RG I A Videoimagem e iluminação: Laparoscópio tem entrada lateral ligada a fonte de luz por cabo de fibra óptica, a qual transmite luminosidade para dentro da cavidade abdominal. -Grau de luminosidade varia de acordo com o diâmetro do cabo entre 3,5 m - 6mm - Lâmpada de xenon L 175 watts p/ procedimentos de rotina e 300 watts para procedimentos complexos, como um que possa apresentar sangramento extenso. - P/ laparoscópio de menor diâmetro usa-se maior potencia -A imagem intracavitária é transmitida para um monitor através de uma microcâmera na porção proximal do laparoscópio . Para avaliar uma boa microcâmera deve atentar à resolução, sensibilidade e número e qualidade das saídas de vídeo Insuflação cavitária Para realizar procedimento videocirúrgico deve-se realizar a criação de espaço entre peritônio parietal e vísceras abdominais -Isso pode ser feito por introdução de gases no espaço intraperitonial (pneumoperitonio) ou suspendendo mecanicamente a parede abdominal. A primeira é mais indicada, ficando a suspensão para momentos em que a insuflação não pode ser feita, como em caso de insuficiência cardíaca. - Gás padrão para pneumoperitônio : CO₂ possui excelente solubilidade em plasma, não é inflamável e possui estabilidade química. → O ON é uma alternativa, pois não ocasiona alterações acido-básicas, possui efeitos hemodinâmicos discretos e propriedades anestésicas. A insuflação inicial deve ser lenta (2L/min) para evitar distensão aguda do diafragma, a qual está associada a dor escapular pós-operatória, pela irritação do nervo frênico. Durante o procedimento a pressão intra-abdominal pode variar entre 12 a 16 mmHg. Técnica e instrumental videocirúrgico: -Procedimentos realizados sob anestesia geral, para controle ventilatório ideal, evitando hipercabia e acidose respiratória. Promove também relaxamento muscular, auxiliando na criação do pneumoperitônio. -Geralmente inicia por incisão na cicatriz umbilical com a agulha de Veress. Depois conecta-se mangueira de CO2 e insufla cavidade peritoneal. → O acesso fechado ou por punção é contraindicado para paciente com incisão abdominal prévia ou com quadro de distensão abdominal, pois pode ocorrer lesão. Preferencialmente realiza-se acesso aberto, incionando aponeurose e introduzindo trocarte sob visão direta. Depois sutura em bolsa em torno do trocarte. → Os trocartes são cânulas por onde serão inseridos os instrumentos e o laparoscópio. Após introdção do laparoscópio deve- se realizar inventário de cavidade abdominal minuciosamente. -A introdução de outros trocartes é feito e forma direta,a depender do procedimento. → A mais usada é colecistectomia O material básico consiste em pinças de dissecção e preensão, tesouras, instrumentos de cauterização e grampeadores. Hemostasia: eletrocauterização, energia ultra-sônica e desnaturação protéica; Para isso: espátulas, pinças com gancho (hook) e bipolares de pressão. Pode-se usar grampos e fios de sutura também. Em relação aos fios de sutura, podem ser usados nós previamente confecionados (endloop) ou suturas deslizantes extracórporeas. CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS - Coagulopatia severa -Distensão abdominal severa - Insuficiência cardiopulmonar grave RELATIVAS - Operação abdominal prévia - Peritonite difusa (desde que seja possível uma drenagem de todos os focos sépticos) - Hérnia Encarcerada (risco de isquemia devido à pressão intracavitária elevada). - Distensão abdominal moderada Tesouras curvas Clipadores Pinças de Maryland Porta agulha Afastador em leque Pinça de Mixter Pinça babcock, pode ser usada como afastador Pinça de preensão com dente Pinça de preensão sem dente Também há uso de afastadores, conforme necessidade. Para essa mesma finalidade pode-se usar pinça babcock e clampes intestinais laparoscópicos. Irrigação e aspiração cavitárias são feitas por cânulas específicas. Obs: Solução fisiológica e de ringer lactanto devem ser aquecidas para evitar resfriamento e embaçamento da ótica e para prevenir hipotermia peroperatória. -Insuficiência cardiopulmonar moderada (Deve aumentar monitoração e diminui pressão intracavitária). COMPLICAÇÕES Perfuração visceral ou de vasos com agulha de Veress e trocartes. Introdução inadequada de CO2 em visceras ocas, vasos e parede abdiminal Efeitos adversos de pneuperitônio como arritmias, hipotensão, pneumotoráx Sangramento pós-operatório Fístulas entéricas e biliares Enifsema subcutâneo, celulite, sangramento pequeno (mais frequentes)