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O que são fluidos? O que é a Mecânica dos Fluidos? Introdução à Mecânica dos Fluidos Contexto histórico: - As civilizações antigas tiveram conhecimentos suficientes para resolver certos problemas de escoamento. Navios a vela com remos e sistemas de irrigação eram conhecidos em tempos pré-históricos. - Os gregos produziram informações quantitativas. Arquimedes e Heron de Alexandria postularam a lei do paralelogramo para a soma de vetores no século III a.C. - Arquimedes (285-212 a.C.) formulou as leis para a flutuação de corpos e as aplicou a corpos flutuantes e submersos (empuxo), incluindo uma forma de cálculo diferencial como parte da análise. Contexto histórico: - Os romanos construíram grandes sistemas de aquedutos no século IV a.C., mas não deixaram registros que nos mostrem qualquer conhecimento quantitativo dos princípios de projeto. - Passaram-se longos tempos sem registros de evidências de avanços fundamentais na análise de escoamentos, como por exemplo, projetos em navios, canais e condutores de água. - Leonardo da Vinci (1452-1519) foi um excelente experimentalista e formulou a equação da conservação da massa em escoamento permanente unidimensional. Contexto histórico: - Galileu Galilei (1562-1642) estimulou, indiretamente, a experimentação em Hidráulica e revisou o conceito aristotélico de vácuo. - Evangelista Torricelli (1608 – 1647) relacionou a altura barométrica com o peso da atmosfera e a forma do jato de líquido com a trajetória relativa de uma queda livre. - Blaise Pascal (1623-1662) esclareceu o princípio de funcionamento do barômetro, da prensa hidráulica e da transmissibilidade de pressão. Contexto histórico: - O francês Edme Mariotte (1620-1684) construiu o primeiro túnel de vento e com ele testou modelos. - Isaac Newton (1642-1727) postulou suas leis do movimento e a lei da viscosidade dos fluidos lineares, que agora são chamados de newtonianos. Primeiro a teoria levou à hipótese de um fluido “perfeito” ou isento de atrito, e os matemáticos do século XVIII (Daniel Bernoulli, Leonhard Euler, Jean d’Alembert, Joseph-Louis Lagrange e Pierre- Simon Laplace) produziram muitas soluções belas de problemas de escoamento sem atrito. As hipóteses de fluido perfeito têm aplicação muito limitada na prática. Contexto histórico: - Henri de Pitot (1695-1771) construiu um dispositivo duplo tubo para indicar a velocidade nos escoamentos de água a partir da diferença entre a altura de duas colunas de líquidos (Tubo de Pitot). - Euler (1707-1783) desenvolveu as equações diferenciais de movimento e sua forma integral, conhecida por equação de Bernoulli (Daniel Bernoulli, 1700-1782). Introduziu o conceito de cavitação e descreveu o princípio de operação das máquinas centrífugas. - D’Alembert (1717-1783) as utilizou para mostrar seu famoso paradoxo: um corpo imerso em um fluido sem atrito tem arrasto nulo (O paradoxo de D’Alembert). Contexto histórico: - Giovanni Venturi (1746-1822) realizou testes de vários bocais (particularmente as contrações e expansões cônicas). - Louis Marie Henri Navier (1785-1836) estendeu as equações do movimento para incluir as forças moleculares. Contexto histórico: - Foi desenvolvida, por engenheiros, a ciência chamada hidráulica, baseada quase que integralmente em experimentos, pois as teorias eram consideradas totalmente não realísticas. - Experimentalistas como Chézy, Pitot, Borda, Weber, Francis, Hagen (1797-1884), Poiseuille (1799- 1869), Darcy (1803-1858), Manning (1816-1897), Bazin e Weisbach (1806-1871) produziram dados sobre uma variedade de escoamentos em canais abertos, resistência de embarcações, escoamentos em tubos, ondas e turbinas. Contexto histórico: - A teoria do escoamento viscoso foi disponibilizada, mas não explorada, desde que Navier (1785-1836) e Stokes (1819-1903) acrescentaram com sucesso termos viscosos Newtonianos às equações de movimento, tornando-a mais completa para variados estudos de escoamento. - Ernst Mach (1838-1916) é um dos pioneiros da Aerodinâmica Supersônica. Contexto histórico: - No final do século XIX, finalmente começou a unificação entre a hidráulica experimental e a hidrodinâmica teórica. William Froude (1810-1879) e seu filho Robert Froude (1846-1924) desenvolveram leis para teste de modelos. - Lord Rayleigh (1842-1919) propôs a técnica da análise dimensional; e Osborne Reynolds (1842-1912) publicou em 1883, o clássico experimento em um tubo que mostrou a importância do adimensional número de Reynolds (Re), entre outros experimentos originais em muitos campos de escoamento. Contexto histórico: - Em 1904, o engenheiro alemão, Ludwig Prandtl (1875-1953), publicou o que talvez tenha sido o mais importante artigo já escrito sobre mecânica dos fluidos. Prandtl observou que os escoamentos de fluidos com baixa viscosidade, podem ser divididos em duas camadas (origem da camada limite): uma camada viscosa delgada e outra, não viscosa. Importância de estudar mecânica dos fluidos: - Projeto aerodinâmico de meios de transporte; - Hidrodinâmica - navios e submarinos; - Projetos de máquinas de fluxos (propulsão...); - Energia Eólica; - Exploração de Petróleo (risers, dutos); - Forças aerodinâmicas em edifícios e pontes; - Corpo Humano (circulação, respiração); - Esporte (bolas, projetos de bicicletas, natação) Definição. Como um fluido se comporta? Um fluido é uma substância que se deforma continuamente sob a aplicação de qualquer tensão de cisalhamento (tangencial). Ou seja, o fluido não resiste a uma tensão de cisalhamento. Já o sólido pode resistir. O fluido assume o formato de seu recipiente. FASE LÍQUIDA (moléculas menos espaçadas) GASOSA (moléculas mais espaçadas) Comportamento de um sólido e um fluido sob a ação de uma tensão de cisalhamento constante. Na experiência com um fluido entre as placas, delimita-se um elemento fluido conforme mostrado pelas linhas cheias da figura. A deformação aumenta continuamente em um fluido. Não há deslizamento. Um fluido é uma substância incapaz de suportar tensão de cisalhamento quando em repouso. Leis básicas: As leis básicas aplicáveis a qualquer fluido, são: A –A conservação da massa; B –A segunda lei de Newton para o movimento; C – O princípio da quantidade de movimento angular; D –A primeira lei da termodinâmica; E –A segunda lei da termodinâmica. Em alguns casos podem ser necessárias equações adicionais, na forma de equações de estado ou outras de caráter constitutivo, que descrevam o comportamento das propriedades físicas sob determinadas condições. p RT= Métodos de Análise: O primeiro passo na resolução de um problema é definir o sistema que você está tentando analisar. Na mecânica básica, fez-se uso intenso do diagrama de corpo livre. Na termodinâmica, consideram-se os sistemas fechado ou aberto. Nesta disciplina, empregamos os termos sistema e volume de controle. Sistema e volume de controle: Um sistema é definido como uma quantidade de massa fixa e identificável; as fronteiras do sistema separam-no do ambiente. As fronteiras do sistema podem ser fixas ou móveis; contudo, não há transferência de massa na mesma. Na mecânica dos fluidos, diferente de mecânica dos sólidos, nos preocupamos com o escoamento de fluidos. Nesse caso é mais difícil focalizar a atenção numa quantidade de massa fixa identificável. Por isso é mais conveniente fazer uma análise de um volume do espaço através do qual o fluido escoa. Daí o método do volume de controle. O volume de controle pode não permanecer parado. Enfoque diferencial versus enfoque integral: A solução das equações diferencias do movimento provê um meio de determinar o comportamento detalhado (ponto a ponto do fluido). Porém, muitas vezes estamos interessados no comportamento de um dispositivo. Neste caso é mais apropriado empregar a formulação integral das leis básicas. Estas são mais fáceis de serem tratadas analiticamente. Métodos de Descrição (Lagrangeano x Euleriano)Quando for fácil acompanhar elementos de massa identificáveis (por exemplo, na mecânica da partícula), utilizaremos um método de descrição que segue a partícula. Isso às vezes, é mencionado como método de descrição lagrangeano. Particularmente, com a análise de volume de controle, convém usar o método de descrição de campo, ou euleriano, que focaliza a atenção sobre as propriedades de um escoamento num determinado ponto do espaço como função do tempo. Dimensões e unidades Sistemas de dimensões: Qualquer equação válida que relacione quantidades físicas deve ser dimensionalmente homogênea; cada termo da equação deve ter as mesmas dimensões. O comprimento e o tempo são dimensões primárias em todos os sistemas dimensionais de uso corrente. Em alguns deles, a massa é tomada como uma dimensão primária. Noutros, a força é selecionada com tal; um terceiro sistema escolhe tanto a força como a massa. Temos, assim, três sistemas básicos de dimensões correspondendo aos diferentes modos de especificar as dimensões primárias. F ma= Três Sistemas Básicos de Dimensões: a) Massa (M), comprimento (L), tempo (t), temperatura (T). b) Força (F), comprimento (L), tempo (t), temperatura (T). c) Força (F), massa (M), comprimento (L), tempo (t), temperatura (T). Sistemas de Unidades sistema SI (MLtT) – massa (kg), comprimento (m), tempo (s) e temperatura (K). A força é uma dimensão secundária e o newton (sua unidade) é definida da segunda lei de Newton. sistema Métrico Absoluto (MLtT) – massa (g), comprimento (cm), tempo (s) e temperatura (K). A força (dina) é uma dimensão secundária definida pela segunda lei de Newton. 21N = 1kg.m/s 21 dina = 1g.cm/s sistema de unidades Gravitacional britânico (FLtT) – força (lbf), comprimento (pé), tempo (s) e temperatura (ºR). A massa (slug) é uma dimensão secundária definida pela segunda lei de Newton. sistema de unidades inglês Técnico ou de Engenharia (FMLtT) – força (lbf), massa (lbm), comprimento (pé), tempo (s) e temperatura (ºR). 21 slug = 1 lbf.s /pé 2 2 1 lbm 32,2 pé/s 1 lbf = ou 32,2 pé.lbm/lbf.s c c g g = Referências 1. FOX, Robert W., MCDONALD, Alan T. Introdução à Mecânica dos Fluidos. São Paulo: LTC, 2006. 2. WHITE. F. M., Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Mc Graw Hill. 6º Edição. 3. MUNSON. B. R., et al; Fundamentos da Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Editora Edgar Blucher. 6º Edição. Slide 1: Introdução à Mecânica dos Fluidos Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26