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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Tal princípio que garante a ampla acessibilidade tem por objeti-
vo proporcionar iguais oportunidades de disputar, por meio de con-
curso público, o preenchimento em cargos ou empregos públicos 
na Administração Direta ou Indireta.
Requisito de inscrição e requisitos de cargos
Nas regras gerais constantes nos editais de concursos públicos 
é vedada a inclusão de cláusulas discriminatórias entre brasileiros 
natos e naturalizados, salvo para preenchimento de cargos específi-
cos mencionados no artigo 12, § 3º da Constituição Federal. 
Artigo 12.
[...]
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa. 
Ademais, em decorrência do mandamento constitucional do 
artigo 7º, XXX, em princípio não seria admissível restrições de con-
crrencia em concurso público por motivos de idade ou sexo para 
a regular admissão em cargos e empregos públicos, no entanto, o 
mencionado artigo constitucional prevê a possibilidade de se insti-
tuírem requisitos específicos e diferenciados de admissão quando 
a natureza do cargo assim exigir. Exemplo: Teste de Aptidão Física 
– TAF - permite exigência sequência de exercícios fisicos diferencia-
dos entre homens e mulheres.
Quanto aos requisitos específicos para investidura em cargos 
públicos, a Lei 8.112/90, em seu artigo 5º assim determina:
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo pú-
blico:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
 IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
Ainda em homenagem ao Princípio da Acessibilidade aos car-
gos e empregos públicos, o texto constitucional determina que a lei 
deverá reservar percentual do total das vagas a serem preenchidas por 
concurso público de cargos e empregos públicos para as pessoas porta-
doras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão.
Invalidação do concurso
Conforme mencionado, os concursos públicos devem ser rea-
lizados previamente para o preenchimento de cargos e empregos 
públicos, devendo para tanto dispensar tratamento impessoal e 
igualitário entre os interessados, sendo certo que a ausência desse 
tratamento causaria fraude a ordem constitucional de realização de 
concurso público.
Neste contexto, são inválidas as disposições constantes em edi-
tais ou normas de admissão em cargos e empregos públicos que 
desvirtuam as finalidades da realização do concurso público.
Caso se identifique qualquer norma ou cláusula constante em 
edital que inviabilize ou dificulte a ampla participação daqueles que 
preencham os requisitos mínimos ou então que direcione, de qual-
quer forma, com o objetivo de beneficiar ou prejudicar alguém em 
concurso público poderá acarretar na invalidação de todo o certa-
me.
O direito à revisão judicial de provas e exames seletivos à luz 
dos tribunais pátrios
O controle judicial dos atos administrativos é preceito básico 
do Estado de Direito com status de garantia constitucional, nos ter-
mos do que estabelece o artigo 5º, XXXV da Constituição Federal 
de 1988.
Art. 5º
[...]
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão 
ou ameaça a direito;
Esta, inclusive, se configura em função típica do Poder Judi-
ciário, exercer o controle legal dos atos editados pela ente estatal, 
como forma de controle externo da Administração Pública.
Neste contexto, ainda é complexa a discussão sobre a legiti-
midade do Poder Judiciário exercer revisão judicial de questões e 
resultados em provas de concurso público.
É crescente a demanda de candidatos que buscam na tutela do 
Poder Judiciário a revisão de resultados de concursos públicos, atri-
buindo as bancas organizadoras, entre outros argumentos, a carên-
cia de razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e transparência 
durante a realização do certame.
A jurisprudência dos nossos Tribunais tem-se orientado no sen-
tido de que só são passíveis de reexame judicial as questões cuja 
impugnação se funda na ilegalidade da avaliação ou dos graus con-
feridos pelos examinadores ou ainda a ausência de impessoalidade 
dedicada nas provas com privilégios exorbitantes a determinados 
candidatos, com a exclusão arbitrária de outros.
Nos Estados de Direito, em que vige o princípio da legalidade, 
não há espaço para arbitrariedades estatais, ao impor a Ordem Jurí-
dica, não ficando de toda sorte excluída da apreciação judicial toda 
lesão ou ameaça a direito, inclusive quanto ao possível reexame 
judicial de atos praticados durante os concursos públicos ou pro-
cessos de seleção.
Da investidura do servidor público
A investidura em cargo público, mesmo nos casos em que o 
cargo não é vitalício ou em comissão, terá que ser necessariamente 
efetivo. 
Embora em menor escala que nos cargos vitalícios, os cargos 
efetivos também proporcionam segurança a seus titulares; a perda 
do cargo, segundo art. 41, §1º da Constituição Federal, só poderá 
ocorrer, quando estáveis, se houver sentença judicial ou processo 
administrativo em que se lhes faculte ampla defesa, e agora tam-
bém em virtude de avaliação negativa de desempenho durante o 
período de estágio probatório.
Isso lhe garante que, uma vez legalmente investido em cargo 
público passa a ser representante do Estado nas manifestações 
proferidas durante o exercício do cargo, e assim, passa a gozar de 
prerrogativas especiais (típicas de direito público) com o objetivo de 
satisfazer as demandas coletivas.
Estágio experimental, estágio probatório e Estabilidade
O instituto da Estabilidade corresponde à proteção ao ocupan-
te do cargo, garantindo, não de forma absoluta, a permanência no 
Serviço Público, o que permite a execução regular de suas ativida-
des, visando exclusivamente o alcance do interesse coletivo.
No entanto, para se conquistar a estabilidade prevista constitu-
cionalmente é necessário superar a etapa de estágio experimental 
ou também chamada de estágio probatório, que pressupõe a reali-
zação de avaliação de desempenho e transpor o período de 3 (três) 
anos de efetivo desempenho da função.
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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A Avaliação de Desempenho é uma importante ferramenta de 
Gestão de Pessoas que corresponde a uma análise sistemática do 
desempenho do profissional em função das atividades que realiza, 
das metas estabelecidas, dos resultados alcançados e do seu poten-
cial de desenvolvimento.
PODERES ADMINISTRATIVOS. HIERÁRQUICO, DISCI-
PLINAR, REGULAMENTAR E DE POLÍCIA. USO E ABUSO 
DO PODER
O poder administrativo representa uma prerrogativa especial 
de direito público (conjunto de normas que disciplina a atividade 
estatal) outorgada aos agentes do Estado, no qual o administrador 
público para exercer suas funções necessita ser dotado de alguns 
poderes. 
Esses poderes podem ser definidos como instrumentos que 
possibilitam à Administração cumprir com sua finalidade, contudo, 
devem ser utilizados dentro das normas e princípios legais que o 
regem.
Vale ressaltar que o administrador tem obrigação de zelar pelo 
dever de agir, de probidade, de prestar contas e o dever de pautar 
seus serviços com eficiência. 
PODER HIERÁRQUICO
A Administração Pública é dotada de prerrogativa especial de 
organizar e escalonar seus órgãos e agentes de forma hierarquiza-
da, ou seja, existe um escalonamento de poderes entre as pessoas 
e órgãos internamente na estrutura estatal 
É pelo poder hierárquico que, por exemplo, um servidor está 
obrigado a cumprir ordem emanada de seu superior desde que não 
sejam manifestamente ilegais. É também esse poder que autoriza a 
delegação, a avocação, etc.
A lei é quem define as atribuições dos órgãos administrativos,bem como cargos e funções, de forma que haja harmonia e unidade 
de direção. Percebam que o poder hierárquico vincula o superior e 
o subordinado dentro do quadro da Administração Pública.
Compete ainda a Administração Pública:
a) editar atos normativos (resoluções, portarias, instruções), 
que tenham como objetivo ordenar a atuação dos órgãos subordi-
nados, pois refere-se a atos normativos que geram efeitos internos 
e não devem ser confundidas com os regulamentos, por serem de-
correntes de relação hierarquizada, não se estendendo a pessoas 
estranhas;
b) dar ordens aos subordinados, com o dever de obediência, 
salvo para os manifestamente ilegais;
c) controlar a atividade dos órgãos inferiores, com o objetivo de 
verificar a legalidade de seus atos e o cumprimento de suas obriga-
ções, permitindo anular os atos ilegais ou revogar os inconvenien-
tes, seja ex. officio (realiza algo em razão do cargo sem nenhuma 
provocação) ou por provocação dos interessados, através dos re-
cursos hierárquicos;
d) avocar atribuições, caso não sejam de competência exclusiva 
do órgão subordinado;
e) delegação de atribuições que não lhe sejam privativas.
A relação hierárquica é acessória da organização administrati-
va, permitindo a distribuição de competências dentro da organiza-
ção administrativa para melhor funcionamento das atividades exe-
cutadas pela Administração Pública.
PODER DISCIPLINAR
O Poder Disciplinar decorre do poder punitivo do Estado de-
corrente de infração administrativa cometida por seus agentes ou 
por terceiros que mantenham vínculo com a Administração Pública.
Não se pode confundir o Poder Disciplinar com o Poder Hierár-
quico, sendo que um decorre do outro. Para que a Administração 
possa se organizar e manter relação de hierarquia e subordinação é 
necessário que haja a possibilidade de aplicar sanções aos agentes 
que agem de forma ilegal. 
A aplicação de sanções para o agente que infringiu norma de 
caráter funcional é exercício do poder disciplinar. Não se trata aqui 
de sanções penais e sim de penalidades administrativas como ad-
vertência, suspensão, demissão, entre outras.
Estão sujeitos às penalidades os agentes públicos quando pra-
ticarem infração funcional, que é aquela que se relaciona com a 
atividade desenvolvida pelo agente.
É necessário que a decisão de aplicar ou não a sanção seja 
motivada e precedida de processo administrativo competente que 
garanta a ampla defesa e o contraditório ao acusado, evitando me-
didas arbitrárias e sumárias da Administração Pública na aplicação 
da pena.
PODER REGULAMENTAR 
É o poder que tem os chefes do Poder Executivo de criar e edi-
tar regulamentos, de dar ordens e de editar decretos, com a finali-
dade de garantir a fiel execução à lei, sendo, portanto, privativa dos 
Chefes do Executivo e, em princípio, indelegável.
Podemos dizer então que esse poder resulta em normas inter-
nas da Administração. Como exemplo temos a seguinte disposição 
constitucional (art. 84, IV, CF/88):
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 
[...]
IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como 
expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.
A função do poder regulamentar é estabelecer detalhes e os 
procedimentos a serem adotados quanto ao modo de aplicação de 
dispositivos legais expedidos pelo Poder Legislativo, dando maior 
clareza aos comandos gerais de caráter abstratos presentes na lei.
- Os atos gerais são os atos como o próprio nome diz, geram 
efeitos para todos (erga omnes); e
- O caráter abstrato é aquele onde há uma relação entre a cir-
cunstância ou atividade que poderá ocorrer e a norma regulamen-
tadora que disciplina eventual atividade.
Cabe destacar que as agências reguladoras são legalmente 
dotadas de competência para estabelecer regras disciplinando os 
respectivos setores de atuação. É o denominado poder normativo 
das agências.
Tal poder normativo tem sua legitimidade condicionada ao 
cumprimento do princípio da legalidade na medida em que os atos 
normativos expedidos pelas agências ocupam posição de inferiori-
dade em relação à lei dentro da estrutura do ordenamento jurídico.
PODER DE POLÍCIA
É certo que o cidadão possui garantias e liberdades individuais 
e coletivas com previsão constitucional, no entanto, sua utilização 
deve respeitar a ordem coletiva e o bem estar social.
Neste contexto, o poder de polícia é uma prerrogativa confe-
rida à Administração Pública para condicionar, restringir e limitar 
o exercício de direitos e atividades dos particulares em nome dos 
interesses da coletividade. 
Possui base legal prevista no Código Tributário Nacional, o qual 
conceitua o Poder de Polícia:
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Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administra-
ção pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou li-
berdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de 
interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos 
costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de 
atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização 
do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à proprie-
dade e aos direitos individuais ou coletivos.
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de 
polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites 
da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se 
de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou des-
vio de poder.
Os meios de atuação da Administração no exercício do poder 
de polícia compreendem os atos normativos que estabelecem limi-
tações ao exercício de direitos e atividades individuais e os atos ad-
ministrativos consubstanciados em medidas preventivas e repressi-
vas, dotados de coercibilidade.
A competência surge como limite para o exercício do poder de 
polícia. Quando o órgão não for competente, o ato não será consi-
derado válido.
O limite do poder de atuação do poder de polícia não poderá 
divorciar-se das leis e fins em que são previstos, ou seja, deve-se 
condicionar o exercício de direitos individuais em nome da coleti-
vidade. 
Limites
Mesmo que o ato de polícia seja discricionário, a lei impõe al-
guns limites quanto à competência, à forma, aos fins ou ao objeto.
Em relação aos fins, o poder de polícia só deve ser exercido 
para atender ao interesse público. A autoridade que fugir a esta re-
gra incidirá em desvio de poder e acarretará a nulidade do ato com 
todas as consequências nas esferas civil, penal e administrativa. 
Dessa forma, o fundamento do poder de polícia é a predomi-
nância do interesse público sobre o particular, logo, torna-se escuso 
qualquer benefício em detrimento do interesse público.
Atributos do poder de polícia
Os atributos do poder de polícia, busca-se garantir a sua execu-
ção e a prioridade do interesse público. São eles: discricionarieda-
de, autoexecutoriedade e coercibilidade.
- Discricionariedade: a Administração Pública goza de liberdade 
para estabelecer, de acordo com sua conveniência e oportunidade, 
quais serão os limites impostos ao exercício dos direitos individuais 
e as sanções aplicáveis nesses casos. Também confere a liberdade 
de fixar as condições para o exercício de determinado direito.
No entanto, a partir do momento em que são fixados esses li-
mites, com suas posteriores sanções, a Administração será obrigada 
a cumpri-las, ficando dessa maneira obrigada a praticar seus atos 
vinculados.
- Autoexecutoriedade: Não é necessário que o Poder Judiciário 
intervenha na atuação da Administração Pública. No entanto, essa 
liberdade não é absoluta, pois compete ao Poder Judiciário o con-
trole desse ato. 
Somente será permitida a autoexecutoriedade quando esta for 
prevista em lei, além de seu uso para situações emergenciais, em 
que será necessária a atuação da Administração Pública.
Vale lembrar que a administração pública pode executar, por 
seus próprios meios, suas decisões, não precisando de autorizaçãojudicial.
- Coercibilidade: Limita-se ao princípio da proporcionalidade, 
na medida que for necessária será permitido o uso da força par 
cumprimento dos atos. A coercibilidade é um atributo que torna 
obrigatório o ato praticado no exercício do poder de polícia, inde-
pendentemente da vontade do administrado.
Uso e Abuso De Poder
Sempre que a Administração extrapolar os limites dos poderes 
aqui expostos, estará cometendo uma ilegalidade. A ilegalidade traduz 
o abuso de poder que, por sua vez, pode ser punido judicialmente.
O abuso de poder pode gerar prejuízos a terceiros, caso em que 
a Administração será responsabilizada. Todos os Poderes Públicos 
estão obrigados a respeitar os princípios e as normas constitucio-
nais, qualquer lesão ou ameaça, outorga ao lesado a possibilidade 
do ingresso ao Poder Judiciário.
A responsabilidade do Estado se traduz numa obrigação, atri-
buída ao Poder Público, de compor os danos patrimoniais causados 
a terceiros por seus agentes públicos tanto no exercício das suas 
atribuições quanto agindo nessa qualidade.
Desvio de Poder
O desvio significa o afastamento, a mudança de direção da que fora 
anteriormente determinada. Este tipo de ato é praticado por autoridade 
competente, que no momento em que pratica tal ato, distinto do que é 
visado pela norma legal de agir, acaba insurgindo no desvio de poder.
Segundo Cretella Júnior:
“o fim de todo ato administrativo, discricionário ou não, é o 
interesse público. O fim do ato administrativo é assegurar a ordem 
da Administração, que restaria anarquizada e comprometida se o 
fim fosse privado ou particular”.
Não ser refere as situações que estejam eivadas de má-fé, mas 
sim quando a intenção do agente encontra-se viciada, podendo 
existir desvio de poder, sem que exista má-fé. É a junção da vontade 
de satisfação pessoal com inadequada finalidade do ato que pode-
ria ser praticado.
Essa mudança de finalidade, de acordo com a doutrina, pode 
ocorrer nas seguintes modalidades: 
a. quando o agente busca uma finalidade alheia ao interesse 
público; 
b. quando o agente público visa uma finalidade que, no entan-
to, não é o fim pré-determinado pela lei que enseja validade ao 
ato administrativo e, por conseguinte, quando o agente busca uma 
finalidade, seja alheia ao interesse público ou à categoria deste que 
o ato se revestiu, por meio de omissão.
LICITAÇÃO. PRINCÍPIOS. CONTRATAÇÃO DIRETA: 
DISPENSA E INEXIGIBILIDADE. MODALIDADES.TIPOS.
PROCEDIMENTO
NOÇÕES GERAIS
Os contratos administrativos são os instrumentos jurídicos ce-
lebrado pela Administração Pública, com base em normas de direito 
público, com o propósito de satisfazer as necessidades de interesse 
público, previsto na Lei 8.666/93 (Licitações e Contratos). 
Os contratos administrativos serão formais, consensuais, co-
mutativos e, em regra, intuitu personae (em razão da pessoa). As 
normas gerais sobre contrato de trabalho são de competência da 
União, podendo os Estados, Distrito Federal e Municípios legislarem 
supletivamente.
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Para Celso Antônio Bandeira de Mello, mesmo reconhecendo 
que a doutrina majoritária aceita a designação “contrato adminis-
trativo”, assim o define “são relações convencionais que por força 
de lei, de cláusulas contratuais ou do objeto da relação jurídica si-
tuem a Administração em posição peculiar em prol da satisfação do 
bem comum”.
Princípios, elementos, características, formalização, prazo
Princípio da autonomia da vontade: é a liberdade de contra-
tação. A liberdade contratual confere às partes a criação de um 
contrato de acordo com as suas necessidades, como acontece nos 
contratos atípicos ou nos típicos, que consiste em usar modelos 
previstos em lei
Princípio da supremacia da ordem pública: primeiramente de-
vemos saber o que significa interesse público.
Por interesse entende-se que corresponde a uma porção de 
coletividade, que destina-se ao interesse de um grupo social como 
um todo. É esse interesse que leva ao princípio do interesse público.
Podemos utilizar este princípio tanto no momento da elabora-
ção da lei quanto à sua execução em concreto pela administração 
pública. Desta forma, permite-se que exista o bem estar social para 
atender o interesse da coletividade.
Princípio da força obrigatória: entende-se que o contrato é lei 
entre as partes, fazendo com que seja válido e eficaz para ser cum-
prido por ambas as partes, que é o caso do pacta sunt servant.
É a base do direito contratual, devendo o ordenamento con-
ferir à parte instrumentos judiciários que obrigue o contratante a 
cumprir o contrato ou a indenizar as partes. 
Pela intangibilidade do contrato, ninguém pode alterar unila-
teralmente o contrato, nem sequer o juiz. Isso ocorre em virtude 
de terem as partes contratadas de livre e espontânea vontade e, 
submetido a sua vontade à restrição do cumprimento contratual, 
no entanto, em se tratando de contratos administrativos regidos 
pelas ordens de direito público, há exceções legais que garantem a 
alteração unilateral do contrato.
Princípio da boa-fé contratual: para se chegar a perfeição do 
contrato, é preciso que exista boa- fé das partes contratantes, an-
tes, depois e durante o contrato, verificando se essa boa fé está 
sendo descumprida.
Para tanto, deve-se observar as circunstâncias que foi celebra-
do o contrato, como o nível de escolaridade entre os contratantes, 
o momento histórico e econômico.
Este princípio não está expresso na Constituição, por isso, com-
pete ao juiz analisar o comportamento dos contratantes.
Características
a) Presença do Poder Público: o Poder Público tem que estar 
presente no contrato.
b) formal: tem várias formalidades previstas pela lei;
c) consensual: é aquele que se aperfeiçoa na manifestação de 
vontade. O que vem depois é a execução do contrato (exemplo: 
contrato de compra e venda). O contrato consensual já existe desde 
o momento da manifestação de vontade. O contrato administrativo 
se aperfeiçoa no momento da manifestação de vontade. Isso é di-
ferente do contrato real, que só se aperfeiçoa a partir do momento 
em que há a entrega do bem (exemplo: contrato de empréstimo).
d) Comutativo: é aquele que tem prestação e contraprestação 
equivalentes e preestabelecidas. O contrato comutativo é diferente 
do contrato aleatório. O contrato administrativo deve ser comuta-
tivo: prestação e contraprestação equivalentes e preestabelecidas.
e) Personalíssimo: leva em consideração as qualidades pessoais 
do contrato. A subcontratação não autorizada pela Administração 
dá causa à rescisão contratual (artigo 78 da Lei 8666). Assim, pela 
letra da lei, em regra não é possível subcontratação, salvo se houver 
autorização expressa da Administração a esse respeito. 
Para que a administração autorize, a doutrina majoritária elen-
ca mais 2 (dois) requisitos, a saber: 
1) a subcontratada deve preencher os mesmos requisitos, as 
mesmas condições exigidas na licitação; 
2) a subcontratação deve ser parcial – não é admitida a sub-
contratação total do contrato, pois se for possível a subcontrata-
ção total estar-se-ia desestimulando as empresas a participarem da 
concorrência, podendo optar por aguardar o vencedor e assumir o 
contrato como subcontratada.
f) Adesão: uma das partes tem o monopólio da situação, ou 
seja, define as regras. À outra parte só resta a opção de aderir ou 
não.
O licitante, quando vem para a licitação, já sabe que o contrato 
é anexo do edital. Ele não poderá discutir as cláusulas contratuais. 
Deverá aceitá-las na forma em que foram elaboradas. O monopó-
lio da situação está nas mãos da Administração. Não há debate de 
cláusula contratual.
g) bilateral: trata-se de acordo de vontades que prevê obriga-
ções e direitos de ambas as partes.
Formalização
Para que um contrato seja válido e eficaz ele não pode ser feito 
de qualquer maneira, deverá respeitar algumas peculiaridades que, 
formalmente, devem seguir em seu corpo de texto. Seguem abaixo 
as formalidades para que sejafirmado um contrato:
a) Procedimento Administrativo Próprio: é o procedimento de 
licitação, que pode ser substituído pelo procedimento de justifica-
ção (artigo 26 da Lei 8666).
b) Forma Escrita: o contrato administrativo deve ser formali-
zado por escrito (regra). O artigo 60, parágrafo único da Lei 8666 
estabelece que é nulo e de nenhum efeito o contrato verbal, salvo o 
de pronta entrega, pronto pagamento ou até R$4.000,00 (exceção).
c) Publicação: o contrato administrativo deve ser publicado 
(artigo 61, parágrafo único, 8666). Não se publica a íntegra do con-
trato, mas apenas um resumo do mesmo (extrato do contrato), do-
cumento este que contém as principais informações do contrato.
Por previsão expressa da lei, a publicação é condição de eficá-
cia do contrato. O contrato não publicado é válido, mas não tem 
eficácia.
A publicação é um dever da Administração. É esta quem deve 
providenciar a publicação do contrato administrativo.
d) Instrumento de Contrato: instrumento de contrato é o docu-
mento que define os parâmetros da relação. 
Será obrigatório quando o valor do contrato for correspon-
dente à concorrência ou à tomada de preços. Se a hipótese for de 
dispensa ou inexigibilidade de licitação (contratação direta) e o valor 
do contrato for da concorrência ou da tomada, será obrigatório o ins-
trumento de contrato. O critério único, portanto, é o valor do contrato. 
Será facultativo quando o valor do contrato for correspondente ao con-
vite, desde que possa se fazer de outra forma. O critério, portanto, é o 
valor do convite e a possibilidade de se praticar de outra forma. 
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Prazo
Todo contrato administrativo deve ter um prazo determinado 
e extingue-se normalmente ao final desse prazo. A regra é que os 
contratos têm sua duração limitada em 12 meses, ou seja, um exer-
cício financeiro. Porém, a lei prevê as seguintes exceções, em que é 
possível a adoção de prazo mais dilatados:
a) contratos relativos a projetos incluídos no plano plurianual – 
o prazo será aquele previsto na lei que aprovou o plano, atendendo 
ao limite de quatro anos; 
b) serviços de execução contínua – limite de 60 meses, poden-
do ser estendido por mais 12 meses;
c) aluguel e utilização de materiais de informática – limite de 
48 meses.
As concessões de serviços públicos não estão vinculadas aos 
créditos orçamentários anuais, pois exigem prazos mais dilatados 
para que o contratado recupere seu investimento. Requer-se ape-
nas que o contrato seja firmado por tempo determinado.
Os prazos contratuais podem ser prorrogados nas seguintes si-
tuações:
a) alteração do projeto ou especificações, pela Administração;
b) superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estra-
nho à vontade das partes, que altere fundamentalmente as condi-
ções de execução do contrato;
c) interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo 
de trabalho por ordem e no interesse da Administração;
d) aumento das quantidades inicialmente previstas no contra-
to, nos limites permitidos na Lei;
e) impedimento de execução do contrato por fato ou ato de 
terceiro reconhecido pela Administração em documento contem-
porâneo à sua ocorrência;
f) omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, 
inclusive quanto aos pagamentos previstos de que resulte, direta-
mente, impedimento ou retardamento na execução do contrato, 
sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis.
Alteração, revisão, prorrogação, renovação, reajuste contra-
tual, execução e inexecução, cláusulas exorbitantes, anulação, re-
vogação, extinção e consequências.
Alteração
A Administração Pública tem o dever de zelar pela eficiência 
dos serviços públicos e, muitas vezes, celebrado um contrato de 
acordo com determinados padrões, posteriormente se observa que 
estes não mais servem ao interesse público, quer no plano dos pró-
prios interesses, quer no plano das técnicas empregadas. 
Essa alteração não pode sofrer resistência do particular contra-
tado, desde que o Poder Público observe uma cláusula correlata, 
qual seja, o Equilíbrio Econômico-financeiro do contrato. 
Assim, a Administração Pública deve, em defesa do interesse 
público e desde que assegurada a ampla defesa, no processo admi-
nistrativo, promover a alteração do contrato, ainda que discordante 
o contratado.
Por óbvio, a possibilidade de alteração do que fora pactuado 
sempre se sujeita à existência de justa causa, presente na modifi-
cação da necessidade coletiva, ou do interesse público. Ao parti-
cular restará, se caso, eventual indenização pelos danos que vier a 
suportar.
A lei autoriza que a Administração realize modificação unila-
teral no objeto do contrato para melhor adequação às finalidades 
de interesse público. A alteração pode consistir na modificação do 
projeto ou em acréscimo e diminuição na quantidade do objeto. 
Desse modo, as alterações unilaterais podem ser modificações qua-
litativas ou quantitativas.
- Qualitativas: Alterações qualitativas são autorizadas quan-
do houver modificação do projeto ou das especificações para me-
lhor adequação técnica aos seus objetivos (art. 65, I, a, da Lei n. 
8.666/93), desde que não haja descaracterização do objeto descrito 
no edital licitatório. Ou seja, quando ocorrer modificação do proje-
to ou das especificações para melhor adequação técnica;
- Quantitativas: Já as alterações quantitativas são possíveis 
quando necessária a modificação do valor contratual em decorrên-
cia de acréscimo ou diminuição na quantidade do seu objeto, nos 
limites permitidos em lei (art. 65, I, b, da Lei n. 8.666/93).
A alteração unilateral do contrato exige mudança na remune-
ração do contratado, ensejando direito ao reequilíbrio econômico-
-financeiro.
Constituem cláusulas exorbitantes porque podem ser impostas 
à revelia da concordância do contratado.
Revisão do contrato
Os contratos administrativos podem ser alterados por decisão 
unilateral da Administração ou por acordo entre as partes.
Tendo em vista que as hipóteses de alteração são taxativas, 
qualquer alteração fora dessas hipóteses será nula. Estas alterações 
devem vir acompanhadas das razões e fundamentos que lhe deram 
origem (art. 65 da Lei 8666/93).
 
Hipóteses de alteração unilateral pela Administração (rol taxa-
tivo):
- Quando houver modificações do projeto ou das especifica-
ções, para melhor adequação técnica aos seus objetivos (art. 65, 
I, “a” da Lei 8666/93): Esta hipótese não pode ser confundida com 
alteração do objeto, pois seria uma fraude à licitação.
- Quando necessária a modificação do valor contratual em de-
corrência de acréscimo ou diminuição quantitativa do objeto, nos 
limites permitidos pela lei (art. 65, I, “b” da Lei 8666/93).
O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições 
contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, 
serviços ou compras, até 25% do valor inicial atualizado do contrato 
e, no caso particular de reforma de prédios ou de equipamentos, 
até o limite de 50% para os seus acréscimos (art. 65, § 1.º da Lei 
8666/93).
A elevação das quantidades além desses limites representa 
fraude à licitação, não sendo admitida nem mesmo com a con-
cordância do contratado. Entretanto, as supressões resultantes 
de acordo celebrado podem ser estabelecidas (art. 65, § 2.º da Lei 
8666/93).
Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os 
encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, por 
aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial (art. 65, § 6.º 
da Lei 8666/93). Teoria da Imprevisão também está presente nas 
alterações unilaterais.
 
Hipóteses de alteração por acordo das partes (rol taxativo):
- Quando conveniente a substituição da garantia da execução 
(art. 65, II, “a” da Lei 8.666/93).
- Quando necessária a modificação do regime de execução da 
obra ou serviço bem como do modo de fornecimento, em face de 
verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais origi-
nários (art. 65, II, “b” da Lei 8.666/93).- Quando necessária modificação da forma de pagamento, por 
imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial 
atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação ao 
cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contrapresta-
ção de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço (art. 
65, II, “c” da Lei 8.666/93). Exemplo: Resolvem mudar a data de 
pagamento, pois “cai” no feriado.

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