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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO 44 Tal princípio que garante a ampla acessibilidade tem por objeti- vo proporcionar iguais oportunidades de disputar, por meio de con- curso público, o preenchimento em cargos ou empregos públicos na Administração Direta ou Indireta. Requisito de inscrição e requisitos de cargos Nas regras gerais constantes nos editais de concursos públicos é vedada a inclusão de cláusulas discriminatórias entre brasileiros natos e naturalizados, salvo para preenchimento de cargos específi- cos mencionados no artigo 12, § 3º da Constituição Federal. Artigo 12. [...] § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa. Ademais, em decorrência do mandamento constitucional do artigo 7º, XXX, em princípio não seria admissível restrições de con- crrencia em concurso público por motivos de idade ou sexo para a regular admissão em cargos e empregos públicos, no entanto, o mencionado artigo constitucional prevê a possibilidade de se insti- tuírem requisitos específicos e diferenciados de admissão quando a natureza do cargo assim exigir. Exemplo: Teste de Aptidão Física – TAF - permite exigência sequência de exercícios fisicos diferencia- dos entre homens e mulheres. Quanto aos requisitos específicos para investidura em cargos públicos, a Lei 8.112/90, em seu artigo 5º assim determina: Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo pú- blico: I - a nacionalidade brasileira; II - o gozo dos direitos políticos; III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; V - a idade mínima de dezoito anos; VI - aptidão física e mental. Ainda em homenagem ao Princípio da Acessibilidade aos car- gos e empregos públicos, o texto constitucional determina que a lei deverá reservar percentual do total das vagas a serem preenchidas por concurso público de cargos e empregos públicos para as pessoas porta- doras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão. Invalidação do concurso Conforme mencionado, os concursos públicos devem ser rea- lizados previamente para o preenchimento de cargos e empregos públicos, devendo para tanto dispensar tratamento impessoal e igualitário entre os interessados, sendo certo que a ausência desse tratamento causaria fraude a ordem constitucional de realização de concurso público. Neste contexto, são inválidas as disposições constantes em edi- tais ou normas de admissão em cargos e empregos públicos que desvirtuam as finalidades da realização do concurso público. Caso se identifique qualquer norma ou cláusula constante em edital que inviabilize ou dificulte a ampla participação daqueles que preencham os requisitos mínimos ou então que direcione, de qual- quer forma, com o objetivo de beneficiar ou prejudicar alguém em concurso público poderá acarretar na invalidação de todo o certa- me. O direito à revisão judicial de provas e exames seletivos à luz dos tribunais pátrios O controle judicial dos atos administrativos é preceito básico do Estado de Direito com status de garantia constitucional, nos ter- mos do que estabelece o artigo 5º, XXXV da Constituição Federal de 1988. Art. 5º [...] XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; Esta, inclusive, se configura em função típica do Poder Judi- ciário, exercer o controle legal dos atos editados pela ente estatal, como forma de controle externo da Administração Pública. Neste contexto, ainda é complexa a discussão sobre a legiti- midade do Poder Judiciário exercer revisão judicial de questões e resultados em provas de concurso público. É crescente a demanda de candidatos que buscam na tutela do Poder Judiciário a revisão de resultados de concursos públicos, atri- buindo as bancas organizadoras, entre outros argumentos, a carên- cia de razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e transparência durante a realização do certame. A jurisprudência dos nossos Tribunais tem-se orientado no sen- tido de que só são passíveis de reexame judicial as questões cuja impugnação se funda na ilegalidade da avaliação ou dos graus con- feridos pelos examinadores ou ainda a ausência de impessoalidade dedicada nas provas com privilégios exorbitantes a determinados candidatos, com a exclusão arbitrária de outros. Nos Estados de Direito, em que vige o princípio da legalidade, não há espaço para arbitrariedades estatais, ao impor a Ordem Jurí- dica, não ficando de toda sorte excluída da apreciação judicial toda lesão ou ameaça a direito, inclusive quanto ao possível reexame judicial de atos praticados durante os concursos públicos ou pro- cessos de seleção. Da investidura do servidor público A investidura em cargo público, mesmo nos casos em que o cargo não é vitalício ou em comissão, terá que ser necessariamente efetivo. Embora em menor escala que nos cargos vitalícios, os cargos efetivos também proporcionam segurança a seus titulares; a perda do cargo, segundo art. 41, §1º da Constituição Federal, só poderá ocorrer, quando estáveis, se houver sentença judicial ou processo administrativo em que se lhes faculte ampla defesa, e agora tam- bém em virtude de avaliação negativa de desempenho durante o período de estágio probatório. Isso lhe garante que, uma vez legalmente investido em cargo público passa a ser representante do Estado nas manifestações proferidas durante o exercício do cargo, e assim, passa a gozar de prerrogativas especiais (típicas de direito público) com o objetivo de satisfazer as demandas coletivas. Estágio experimental, estágio probatório e Estabilidade O instituto da Estabilidade corresponde à proteção ao ocupan- te do cargo, garantindo, não de forma absoluta, a permanência no Serviço Público, o que permite a execução regular de suas ativida- des, visando exclusivamente o alcance do interesse coletivo. No entanto, para se conquistar a estabilidade prevista constitu- cionalmente é necessário superar a etapa de estágio experimental ou também chamada de estágio probatório, que pressupõe a reali- zação de avaliação de desempenho e transpor o período de 3 (três) anos de efetivo desempenho da função. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO 45 A Avaliação de Desempenho é uma importante ferramenta de Gestão de Pessoas que corresponde a uma análise sistemática do desempenho do profissional em função das atividades que realiza, das metas estabelecidas, dos resultados alcançados e do seu poten- cial de desenvolvimento. PODERES ADMINISTRATIVOS. HIERÁRQUICO, DISCI- PLINAR, REGULAMENTAR E DE POLÍCIA. USO E ABUSO DO PODER O poder administrativo representa uma prerrogativa especial de direito público (conjunto de normas que disciplina a atividade estatal) outorgada aos agentes do Estado, no qual o administrador público para exercer suas funções necessita ser dotado de alguns poderes. Esses poderes podem ser definidos como instrumentos que possibilitam à Administração cumprir com sua finalidade, contudo, devem ser utilizados dentro das normas e princípios legais que o regem. Vale ressaltar que o administrador tem obrigação de zelar pelo dever de agir, de probidade, de prestar contas e o dever de pautar seus serviços com eficiência. PODER HIERÁRQUICO A Administração Pública é dotada de prerrogativa especial de organizar e escalonar seus órgãos e agentes de forma hierarquiza- da, ou seja, existe um escalonamento de poderes entre as pessoas e órgãos internamente na estrutura estatal É pelo poder hierárquico que, por exemplo, um servidor está obrigado a cumprir ordem emanada de seu superior desde que não sejam manifestamente ilegais. É também esse poder que autoriza a delegação, a avocação, etc. A lei é quem define as atribuições dos órgãos administrativos,bem como cargos e funções, de forma que haja harmonia e unidade de direção. Percebam que o poder hierárquico vincula o superior e o subordinado dentro do quadro da Administração Pública. Compete ainda a Administração Pública: a) editar atos normativos (resoluções, portarias, instruções), que tenham como objetivo ordenar a atuação dos órgãos subordi- nados, pois refere-se a atos normativos que geram efeitos internos e não devem ser confundidas com os regulamentos, por serem de- correntes de relação hierarquizada, não se estendendo a pessoas estranhas; b) dar ordens aos subordinados, com o dever de obediência, salvo para os manifestamente ilegais; c) controlar a atividade dos órgãos inferiores, com o objetivo de verificar a legalidade de seus atos e o cumprimento de suas obriga- ções, permitindo anular os atos ilegais ou revogar os inconvenien- tes, seja ex. officio (realiza algo em razão do cargo sem nenhuma provocação) ou por provocação dos interessados, através dos re- cursos hierárquicos; d) avocar atribuições, caso não sejam de competência exclusiva do órgão subordinado; e) delegação de atribuições que não lhe sejam privativas. A relação hierárquica é acessória da organização administrati- va, permitindo a distribuição de competências dentro da organiza- ção administrativa para melhor funcionamento das atividades exe- cutadas pela Administração Pública. PODER DISCIPLINAR O Poder Disciplinar decorre do poder punitivo do Estado de- corrente de infração administrativa cometida por seus agentes ou por terceiros que mantenham vínculo com a Administração Pública. Não se pode confundir o Poder Disciplinar com o Poder Hierár- quico, sendo que um decorre do outro. Para que a Administração possa se organizar e manter relação de hierarquia e subordinação é necessário que haja a possibilidade de aplicar sanções aos agentes que agem de forma ilegal. A aplicação de sanções para o agente que infringiu norma de caráter funcional é exercício do poder disciplinar. Não se trata aqui de sanções penais e sim de penalidades administrativas como ad- vertência, suspensão, demissão, entre outras. Estão sujeitos às penalidades os agentes públicos quando pra- ticarem infração funcional, que é aquela que se relaciona com a atividade desenvolvida pelo agente. É necessário que a decisão de aplicar ou não a sanção seja motivada e precedida de processo administrativo competente que garanta a ampla defesa e o contraditório ao acusado, evitando me- didas arbitrárias e sumárias da Administração Pública na aplicação da pena. PODER REGULAMENTAR É o poder que tem os chefes do Poder Executivo de criar e edi- tar regulamentos, de dar ordens e de editar decretos, com a finali- dade de garantir a fiel execução à lei, sendo, portanto, privativa dos Chefes do Executivo e, em princípio, indelegável. Podemos dizer então que esse poder resulta em normas inter- nas da Administração. Como exemplo temos a seguinte disposição constitucional (art. 84, IV, CF/88): Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. A função do poder regulamentar é estabelecer detalhes e os procedimentos a serem adotados quanto ao modo de aplicação de dispositivos legais expedidos pelo Poder Legislativo, dando maior clareza aos comandos gerais de caráter abstratos presentes na lei. - Os atos gerais são os atos como o próprio nome diz, geram efeitos para todos (erga omnes); e - O caráter abstrato é aquele onde há uma relação entre a cir- cunstância ou atividade que poderá ocorrer e a norma regulamen- tadora que disciplina eventual atividade. Cabe destacar que as agências reguladoras são legalmente dotadas de competência para estabelecer regras disciplinando os respectivos setores de atuação. É o denominado poder normativo das agências. Tal poder normativo tem sua legitimidade condicionada ao cumprimento do princípio da legalidade na medida em que os atos normativos expedidos pelas agências ocupam posição de inferiori- dade em relação à lei dentro da estrutura do ordenamento jurídico. PODER DE POLÍCIA É certo que o cidadão possui garantias e liberdades individuais e coletivas com previsão constitucional, no entanto, sua utilização deve respeitar a ordem coletiva e o bem estar social. Neste contexto, o poder de polícia é uma prerrogativa confe- rida à Administração Pública para condicionar, restringir e limitar o exercício de direitos e atividades dos particulares em nome dos interesses da coletividade. Possui base legal prevista no Código Tributário Nacional, o qual conceitua o Poder de Polícia: NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO 46 Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administra- ção pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou li- berdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à proprie- dade e aos direitos individuais ou coletivos. Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou des- vio de poder. Os meios de atuação da Administração no exercício do poder de polícia compreendem os atos normativos que estabelecem limi- tações ao exercício de direitos e atividades individuais e os atos ad- ministrativos consubstanciados em medidas preventivas e repressi- vas, dotados de coercibilidade. A competência surge como limite para o exercício do poder de polícia. Quando o órgão não for competente, o ato não será consi- derado válido. O limite do poder de atuação do poder de polícia não poderá divorciar-se das leis e fins em que são previstos, ou seja, deve-se condicionar o exercício de direitos individuais em nome da coleti- vidade. Limites Mesmo que o ato de polícia seja discricionário, a lei impõe al- guns limites quanto à competência, à forma, aos fins ou ao objeto. Em relação aos fins, o poder de polícia só deve ser exercido para atender ao interesse público. A autoridade que fugir a esta re- gra incidirá em desvio de poder e acarretará a nulidade do ato com todas as consequências nas esferas civil, penal e administrativa. Dessa forma, o fundamento do poder de polícia é a predomi- nância do interesse público sobre o particular, logo, torna-se escuso qualquer benefício em detrimento do interesse público. Atributos do poder de polícia Os atributos do poder de polícia, busca-se garantir a sua execu- ção e a prioridade do interesse público. São eles: discricionarieda- de, autoexecutoriedade e coercibilidade. - Discricionariedade: a Administração Pública goza de liberdade para estabelecer, de acordo com sua conveniência e oportunidade, quais serão os limites impostos ao exercício dos direitos individuais e as sanções aplicáveis nesses casos. Também confere a liberdade de fixar as condições para o exercício de determinado direito. No entanto, a partir do momento em que são fixados esses li- mites, com suas posteriores sanções, a Administração será obrigada a cumpri-las, ficando dessa maneira obrigada a praticar seus atos vinculados. - Autoexecutoriedade: Não é necessário que o Poder Judiciário intervenha na atuação da Administração Pública. No entanto, essa liberdade não é absoluta, pois compete ao Poder Judiciário o con- trole desse ato. Somente será permitida a autoexecutoriedade quando esta for prevista em lei, além de seu uso para situações emergenciais, em que será necessária a atuação da Administração Pública. Vale lembrar que a administração pública pode executar, por seus próprios meios, suas decisões, não precisando de autorizaçãojudicial. - Coercibilidade: Limita-se ao princípio da proporcionalidade, na medida que for necessária será permitido o uso da força par cumprimento dos atos. A coercibilidade é um atributo que torna obrigatório o ato praticado no exercício do poder de polícia, inde- pendentemente da vontade do administrado. Uso e Abuso De Poder Sempre que a Administração extrapolar os limites dos poderes aqui expostos, estará cometendo uma ilegalidade. A ilegalidade traduz o abuso de poder que, por sua vez, pode ser punido judicialmente. O abuso de poder pode gerar prejuízos a terceiros, caso em que a Administração será responsabilizada. Todos os Poderes Públicos estão obrigados a respeitar os princípios e as normas constitucio- nais, qualquer lesão ou ameaça, outorga ao lesado a possibilidade do ingresso ao Poder Judiciário. A responsabilidade do Estado se traduz numa obrigação, atri- buída ao Poder Público, de compor os danos patrimoniais causados a terceiros por seus agentes públicos tanto no exercício das suas atribuições quanto agindo nessa qualidade. Desvio de Poder O desvio significa o afastamento, a mudança de direção da que fora anteriormente determinada. Este tipo de ato é praticado por autoridade competente, que no momento em que pratica tal ato, distinto do que é visado pela norma legal de agir, acaba insurgindo no desvio de poder. Segundo Cretella Júnior: “o fim de todo ato administrativo, discricionário ou não, é o interesse público. O fim do ato administrativo é assegurar a ordem da Administração, que restaria anarquizada e comprometida se o fim fosse privado ou particular”. Não ser refere as situações que estejam eivadas de má-fé, mas sim quando a intenção do agente encontra-se viciada, podendo existir desvio de poder, sem que exista má-fé. É a junção da vontade de satisfação pessoal com inadequada finalidade do ato que pode- ria ser praticado. Essa mudança de finalidade, de acordo com a doutrina, pode ocorrer nas seguintes modalidades: a. quando o agente busca uma finalidade alheia ao interesse público; b. quando o agente público visa uma finalidade que, no entan- to, não é o fim pré-determinado pela lei que enseja validade ao ato administrativo e, por conseguinte, quando o agente busca uma finalidade, seja alheia ao interesse público ou à categoria deste que o ato se revestiu, por meio de omissão. LICITAÇÃO. PRINCÍPIOS. CONTRATAÇÃO DIRETA: DISPENSA E INEXIGIBILIDADE. MODALIDADES.TIPOS. PROCEDIMENTO NOÇÕES GERAIS Os contratos administrativos são os instrumentos jurídicos ce- lebrado pela Administração Pública, com base em normas de direito público, com o propósito de satisfazer as necessidades de interesse público, previsto na Lei 8.666/93 (Licitações e Contratos). Os contratos administrativos serão formais, consensuais, co- mutativos e, em regra, intuitu personae (em razão da pessoa). As normas gerais sobre contrato de trabalho são de competência da União, podendo os Estados, Distrito Federal e Municípios legislarem supletivamente. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO 47 Para Celso Antônio Bandeira de Mello, mesmo reconhecendo que a doutrina majoritária aceita a designação “contrato adminis- trativo”, assim o define “são relações convencionais que por força de lei, de cláusulas contratuais ou do objeto da relação jurídica si- tuem a Administração em posição peculiar em prol da satisfação do bem comum”. Princípios, elementos, características, formalização, prazo Princípio da autonomia da vontade: é a liberdade de contra- tação. A liberdade contratual confere às partes a criação de um contrato de acordo com as suas necessidades, como acontece nos contratos atípicos ou nos típicos, que consiste em usar modelos previstos em lei Princípio da supremacia da ordem pública: primeiramente de- vemos saber o que significa interesse público. Por interesse entende-se que corresponde a uma porção de coletividade, que destina-se ao interesse de um grupo social como um todo. É esse interesse que leva ao princípio do interesse público. Podemos utilizar este princípio tanto no momento da elabora- ção da lei quanto à sua execução em concreto pela administração pública. Desta forma, permite-se que exista o bem estar social para atender o interesse da coletividade. Princípio da força obrigatória: entende-se que o contrato é lei entre as partes, fazendo com que seja válido e eficaz para ser cum- prido por ambas as partes, que é o caso do pacta sunt servant. É a base do direito contratual, devendo o ordenamento con- ferir à parte instrumentos judiciários que obrigue o contratante a cumprir o contrato ou a indenizar as partes. Pela intangibilidade do contrato, ninguém pode alterar unila- teralmente o contrato, nem sequer o juiz. Isso ocorre em virtude de terem as partes contratadas de livre e espontânea vontade e, submetido a sua vontade à restrição do cumprimento contratual, no entanto, em se tratando de contratos administrativos regidos pelas ordens de direito público, há exceções legais que garantem a alteração unilateral do contrato. Princípio da boa-fé contratual: para se chegar a perfeição do contrato, é preciso que exista boa- fé das partes contratantes, an- tes, depois e durante o contrato, verificando se essa boa fé está sendo descumprida. Para tanto, deve-se observar as circunstâncias que foi celebra- do o contrato, como o nível de escolaridade entre os contratantes, o momento histórico e econômico. Este princípio não está expresso na Constituição, por isso, com- pete ao juiz analisar o comportamento dos contratantes. Características a) Presença do Poder Público: o Poder Público tem que estar presente no contrato. b) formal: tem várias formalidades previstas pela lei; c) consensual: é aquele que se aperfeiçoa na manifestação de vontade. O que vem depois é a execução do contrato (exemplo: contrato de compra e venda). O contrato consensual já existe desde o momento da manifestação de vontade. O contrato administrativo se aperfeiçoa no momento da manifestação de vontade. Isso é di- ferente do contrato real, que só se aperfeiçoa a partir do momento em que há a entrega do bem (exemplo: contrato de empréstimo). d) Comutativo: é aquele que tem prestação e contraprestação equivalentes e preestabelecidas. O contrato comutativo é diferente do contrato aleatório. O contrato administrativo deve ser comuta- tivo: prestação e contraprestação equivalentes e preestabelecidas. e) Personalíssimo: leva em consideração as qualidades pessoais do contrato. A subcontratação não autorizada pela Administração dá causa à rescisão contratual (artigo 78 da Lei 8666). Assim, pela letra da lei, em regra não é possível subcontratação, salvo se houver autorização expressa da Administração a esse respeito. Para que a administração autorize, a doutrina majoritária elen- ca mais 2 (dois) requisitos, a saber: 1) a subcontratada deve preencher os mesmos requisitos, as mesmas condições exigidas na licitação; 2) a subcontratação deve ser parcial – não é admitida a sub- contratação total do contrato, pois se for possível a subcontrata- ção total estar-se-ia desestimulando as empresas a participarem da concorrência, podendo optar por aguardar o vencedor e assumir o contrato como subcontratada. f) Adesão: uma das partes tem o monopólio da situação, ou seja, define as regras. À outra parte só resta a opção de aderir ou não. O licitante, quando vem para a licitação, já sabe que o contrato é anexo do edital. Ele não poderá discutir as cláusulas contratuais. Deverá aceitá-las na forma em que foram elaboradas. O monopó- lio da situação está nas mãos da Administração. Não há debate de cláusula contratual. g) bilateral: trata-se de acordo de vontades que prevê obriga- ções e direitos de ambas as partes. Formalização Para que um contrato seja válido e eficaz ele não pode ser feito de qualquer maneira, deverá respeitar algumas peculiaridades que, formalmente, devem seguir em seu corpo de texto. Seguem abaixo as formalidades para que sejafirmado um contrato: a) Procedimento Administrativo Próprio: é o procedimento de licitação, que pode ser substituído pelo procedimento de justifica- ção (artigo 26 da Lei 8666). b) Forma Escrita: o contrato administrativo deve ser formali- zado por escrito (regra). O artigo 60, parágrafo único da Lei 8666 estabelece que é nulo e de nenhum efeito o contrato verbal, salvo o de pronta entrega, pronto pagamento ou até R$4.000,00 (exceção). c) Publicação: o contrato administrativo deve ser publicado (artigo 61, parágrafo único, 8666). Não se publica a íntegra do con- trato, mas apenas um resumo do mesmo (extrato do contrato), do- cumento este que contém as principais informações do contrato. Por previsão expressa da lei, a publicação é condição de eficá- cia do contrato. O contrato não publicado é válido, mas não tem eficácia. A publicação é um dever da Administração. É esta quem deve providenciar a publicação do contrato administrativo. d) Instrumento de Contrato: instrumento de contrato é o docu- mento que define os parâmetros da relação. Será obrigatório quando o valor do contrato for correspon- dente à concorrência ou à tomada de preços. Se a hipótese for de dispensa ou inexigibilidade de licitação (contratação direta) e o valor do contrato for da concorrência ou da tomada, será obrigatório o ins- trumento de contrato. O critério único, portanto, é o valor do contrato. Será facultativo quando o valor do contrato for correspondente ao con- vite, desde que possa se fazer de outra forma. O critério, portanto, é o valor do convite e a possibilidade de se praticar de outra forma. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO 48 Prazo Todo contrato administrativo deve ter um prazo determinado e extingue-se normalmente ao final desse prazo. A regra é que os contratos têm sua duração limitada em 12 meses, ou seja, um exer- cício financeiro. Porém, a lei prevê as seguintes exceções, em que é possível a adoção de prazo mais dilatados: a) contratos relativos a projetos incluídos no plano plurianual – o prazo será aquele previsto na lei que aprovou o plano, atendendo ao limite de quatro anos; b) serviços de execução contínua – limite de 60 meses, poden- do ser estendido por mais 12 meses; c) aluguel e utilização de materiais de informática – limite de 48 meses. As concessões de serviços públicos não estão vinculadas aos créditos orçamentários anuais, pois exigem prazos mais dilatados para que o contratado recupere seu investimento. Requer-se ape- nas que o contrato seja firmado por tempo determinado. Os prazos contratuais podem ser prorrogados nas seguintes si- tuações: a) alteração do projeto ou especificações, pela Administração; b) superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estra- nho à vontade das partes, que altere fundamentalmente as condi- ções de execução do contrato; c) interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por ordem e no interesse da Administração; d) aumento das quantidades inicialmente previstas no contra- to, nos limites permitidos na Lei; e) impedimento de execução do contrato por fato ou ato de terceiro reconhecido pela Administração em documento contem- porâneo à sua ocorrência; f) omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, inclusive quanto aos pagamentos previstos de que resulte, direta- mente, impedimento ou retardamento na execução do contrato, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis. Alteração, revisão, prorrogação, renovação, reajuste contra- tual, execução e inexecução, cláusulas exorbitantes, anulação, re- vogação, extinção e consequências. Alteração A Administração Pública tem o dever de zelar pela eficiência dos serviços públicos e, muitas vezes, celebrado um contrato de acordo com determinados padrões, posteriormente se observa que estes não mais servem ao interesse público, quer no plano dos pró- prios interesses, quer no plano das técnicas empregadas. Essa alteração não pode sofrer resistência do particular contra- tado, desde que o Poder Público observe uma cláusula correlata, qual seja, o Equilíbrio Econômico-financeiro do contrato. Assim, a Administração Pública deve, em defesa do interesse público e desde que assegurada a ampla defesa, no processo admi- nistrativo, promover a alteração do contrato, ainda que discordante o contratado. Por óbvio, a possibilidade de alteração do que fora pactuado sempre se sujeita à existência de justa causa, presente na modifi- cação da necessidade coletiva, ou do interesse público. Ao parti- cular restará, se caso, eventual indenização pelos danos que vier a suportar. A lei autoriza que a Administração realize modificação unila- teral no objeto do contrato para melhor adequação às finalidades de interesse público. A alteração pode consistir na modificação do projeto ou em acréscimo e diminuição na quantidade do objeto. Desse modo, as alterações unilaterais podem ser modificações qua- litativas ou quantitativas. - Qualitativas: Alterações qualitativas são autorizadas quan- do houver modificação do projeto ou das especificações para me- lhor adequação técnica aos seus objetivos (art. 65, I, a, da Lei n. 8.666/93), desde que não haja descaracterização do objeto descrito no edital licitatório. Ou seja, quando ocorrer modificação do proje- to ou das especificações para melhor adequação técnica; - Quantitativas: Já as alterações quantitativas são possíveis quando necessária a modificação do valor contratual em decorrên- cia de acréscimo ou diminuição na quantidade do seu objeto, nos limites permitidos em lei (art. 65, I, b, da Lei n. 8.666/93). A alteração unilateral do contrato exige mudança na remune- ração do contratado, ensejando direito ao reequilíbrio econômico- -financeiro. Constituem cláusulas exorbitantes porque podem ser impostas à revelia da concordância do contratado. Revisão do contrato Os contratos administrativos podem ser alterados por decisão unilateral da Administração ou por acordo entre as partes. Tendo em vista que as hipóteses de alteração são taxativas, qualquer alteração fora dessas hipóteses será nula. Estas alterações devem vir acompanhadas das razões e fundamentos que lhe deram origem (art. 65 da Lei 8666/93). Hipóteses de alteração unilateral pela Administração (rol taxa- tivo): - Quando houver modificações do projeto ou das especifica- ções, para melhor adequação técnica aos seus objetivos (art. 65, I, “a” da Lei 8666/93): Esta hipótese não pode ser confundida com alteração do objeto, pois seria uma fraude à licitação. - Quando necessária a modificação do valor contratual em de- corrência de acréscimo ou diminuição quantitativa do objeto, nos limites permitidos pela lei (art. 65, I, “b” da Lei 8666/93). O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% do valor inicial atualizado do contrato e, no caso particular de reforma de prédios ou de equipamentos, até o limite de 50% para os seus acréscimos (art. 65, § 1.º da Lei 8666/93). A elevação das quantidades além desses limites representa fraude à licitação, não sendo admitida nem mesmo com a con- cordância do contratado. Entretanto, as supressões resultantes de acordo celebrado podem ser estabelecidas (art. 65, § 2.º da Lei 8666/93). Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial (art. 65, § 6.º da Lei 8666/93). Teoria da Imprevisão também está presente nas alterações unilaterais. Hipóteses de alteração por acordo das partes (rol taxativo): - Quando conveniente a substituição da garantia da execução (art. 65, II, “a” da Lei 8.666/93). - Quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço bem como do modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais origi- nários (art. 65, II, “b” da Lei 8.666/93).- Quando necessária modificação da forma de pagamento, por imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contrapresta- ção de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço (art. 65, II, “c” da Lei 8.666/93). Exemplo: Resolvem mudar a data de pagamento, pois “cai” no feriado.