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1. Hidrocarbonetos com Ligação Tripla (Alcinos):
Definição: Hidrocarbonetos com uma ligação tripla entre dois átomos de carbono, chamados de alcinos. O
acetileno (HC≡CH) é o mais simples.
Alcinos Monossubstituídos: Têm a ligação tripla na extremidade da cadeia (RC≡CH).
Alcinos Dissubstituídos: A ligação tripla é interna (RC≡CR’).
Acidez: A principal característica dos alcinos, especialmente os terminais, é sua acidez, sendo mais ácidos do que outros
hidrocarbonetos. Esse comportamento tem utilidade na síntese química.
2. Fontes de Alcinos:
Produção de Acetileno: Inicialmente obtido do carbeto de cálcio, formado a partir da reação de calcário e coque a altas
temperaturas. Também pode ser produzido pela desidrogenação do etileno em temperaturas superiores a 1.150°C.
Ácidos Graxos Acetilênicos: Presentes em mais de mil produtos naturais, como o ácido estearólico e tarírico, que
possuem ligações triplas.
Biossíntese de Ácidos Graxos Acetilênicos: Realizada em plantas por enzimas chamadas acetilenases, que oxidam
compostos com ligações duplas para formar compostos com ligações triplas.
3. Nomenclatura:
Regras IUPAC: O sufixo "-ano" nos hidrocarbonetos é substituído por "-ino" para alcinos. A posição da ligação
tripla é indicada por um número. Se houver uma ligação dupla, ela recebe o número mais baixo possível,
precedendo a ligação tripla.
Exemplo: O composto vinilacetileno é nomeado como but-1-en-3-ino.
4. Propriedades Físicas:
Semelhança com Outros Hidrocarbonetos: Os alcinos compartilham com os alcanos e alcenos propriedades de baixa
densidade e baixa solubilidade em água, além de pontos de ebulição ligeiramente mais altos.
5. Estrutura e Ligação nos Alcinos (Hibridização sp):
Geometria Linear: A ligação tripla do acetileno é linear, com distâncias características de 120 pm para a ligação
carbono-carbono e 106 pm para a ligação carbono-hidrogênio.
Tensão Angular: A geometria linear dos alcinos limita a formação de cicloalcinos estáveis. O ciclo-nonino é o menor
cicloalcino estável conhecido.
Hibridização: O carbono em alcinos está hibridizado em sp, o que resulta em ligações mais fortes e curtas. A acidez e a
força das ligações são explicadas pela contribuição do orbital s para a hibridização.
6. Exemplos de Substâncias com Alcinos:
Dinemicina A: Um composto com ligações duplas e triplas usado em terapias anticâncer.
Histrionicotoxina: Alcaloide acetilênico presente em rãs dendrobatídeas que se alimentam de formigas, que obtêm os
precursores do alcaloide das plantas.
Alcinos 
Acidez do Acetileno e Alcinos Terminais
A acidez de compostos como o acetileno e os alcinos terminais está relacionada ao caráter s do orbital do carbono que
carrega a carga negativa no íon, o que influencia sua basicidade. A ordem de acidez dos hidrocarbonetos segue o aumento
do caráter s no orbital do carbono: alcanos (sp³), alcenos (sp²) e alcinos (sp).
No caso do acetileno (HC≡CH), o íon acetileto (HC≡C⁻) é formado com 50% de caráter s. Isso torna o acetileno mais ácido
que outros hidrocarbonetos, mas ainda muito mais fraco do que água ou álcoois.
Alcinos terminais, como o acetileno e outros com a estrutura R-C≡CH, exibem acidez semelhante devido ao caráter s do
carbono terminal. A ionização do acetileno forma o íon acetileto, que é uma base forte, mas a reação com água ou álcoois é
limitada devido à sua fraqueza ácida.
Preparação de Alcinos pela Alquilação de Acetileno e Alcinos Terminais
 A alquilação do acetileno envolve duas etapas principais:
O acetileno é convertido em sua base conjugada, o acetileto de sódio (HC≡CNa), reagindo com amideto de sódio
(NaNH₂).
1.
O acetileto de sódio é então tratado com haletos de alquila, resultando na formação de alcinos substituídos.2.
Exemplo de reação:
 HC≡CH + NaNH₂ → HC≡CNa (acetileto de sódio)
 HC≡CNa + RX → HC≡CR + NaX
A reação ocorre por um mecanismo de substituição nucleofílica SN2. O acetileto de sódio é altamente nucleofílico e reage
preferencialmente com haletos de metila e haletos de alquila primários.
Preparação de Alcinos por Reações de Eliminação
 A preparação de alcinos pode ser realizada através de desidro-halogenação de di-haleto geminal ou vicinal. Quando
tratados com amideto de sódio (NaNH₂) em amônia líquida, esses compostos perdem dois átomos de halogênio, formando
alcinos.
Exemplo de dupla desidro-halogenação de um di-haleto geminal:
 R-CH₂-CH₂X + NaNH₂ → R-C≡CH + NaX + NH₃
 Outro exemplo com di-haleto vicinal:
 R-CH₂-CHX + NaNH₂ → R-C≡CH + NaX + NH₃
Hidrogenação Catalítica de Alcinos:1.
Catalisadores como ródio, níquel, paládio ou platina são usados para adicionar hidrogênio à ligação tripla
dos alcinos, convertendo-os em alcanos.
O calor de hidrogenação de um alcino é maior do que o de um alceno, porque a adição do primeiro mol
de H2 (da ligação tripla para a dupla) é mais exotérmica.
A hidrogenação de alcinos pode ser feita de maneira controlada para obter alceno cis usando o
catalisador Lindlar, que desativa parcialmente o catalisador e evita a formação de estereoisômeros trans.
Redução de Alcinos por Metal-Amônia:1.
Esse processo converte alcinos em alcenos trans usando metais como lítio, sódio ou potássio em amônia
líquida.
A reação resulta em uma estereoquímica diferente da hidrogenação, produzindo alceno trans (ao
contrário da hidrogenação que gera alceno cis).
O mecanismo envolve a formação de radicais e ânions alcenila, sendo a configuração final E/Z
determinada pela estabilidade dos ânions formados.
1. Adição de Haletos de Hidrogênio (HX) a Alcinos
Segue a regra de Markovnikov: o hidrogênio se liga ao carbono com mais hidrogênios, e o halogênio (X) ao
carbono com menos hidrogênios.
Mecanismo AdE3 (adição eletrofílica termolecular): ocorre em uma única etapa sem formação de carbocátion,
pois os cátions vinílicos são instáveis.
Com excesso de HX, forma-se um di-haleto geminal (dois halogênios no mesmo carbono).
O HBr pode reagir por mecanismo radicalar na presença de peróxidos, seguindo a regra anti-Markovnikov.
2. Hidratação de Alcinos
Forma um enol, que sofre tautomerismo ceto-enol, resultando em cetonas (ou aldeídos, no caso do acetileno).
Catalisadores: H₂SO₄ aquoso com Hg²⁺ (sulfato de mercúrio ou óxido de mercúrio).
A hidratação de alcinos internos gera cetonas, enquanto a do acetileno gera um aldeído.
3. Adição de Halogênios (X₂) a Alcinos
Adição de Cl₂ ou Br₂ forma di-haloalcenos intermediários e tetra-haloalcanos no excesso do halogênio.
A adição ocorre com estereoquímica anti (os halogênios se adicionam em lados opostos da molécula).
4. Ozonólise de Alcinos
Corta a ligação tripla e forma ácidos carboxílicos.
Usada no passado para determinar estruturas, mas hoje substituída por espectroscopia.

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