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N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 287 Direito de informação Instrumento de natureza administrativa, derivado do princípio da publicidade da atuação da administra- ção pública, o qual tem como objetivo a atuação trans- parente em decorrência da própria indisponibilidade do interesse público, disciplinado nos incisos XXXIII e LXXII do art. 5º da CF e Lei 9507/1997 que regula o direito de acesso a informações e disciplina o rito pro- cessual do habeas data. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse parti- cular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabi- lidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja impres- cindível à segurança da sociedade e do Estado; Direito de certidão O Estado é obrigado a fornecer as informações solicitadas, com exceção nas hipóteses de proteção por sigilo. Caso haja uma violação desse direito, que é líquido e certo, o remédio constitucional cabível é o mandado de segurança, tema também abordados no título Garantias Constitucionais. O direito de certidão tem previsão no inciso XXXIV, “b” do art. 5º da CF, e assegura a todos, independente do pagamento de taxas, o seguinte: XXXIV - são a todos assegurados, independente- mente do pagamento de taxas: [...] b) a obtenção de certidões em repartições públi- cas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Importante frisar aqui que, conforme entendi- mento dos Tribunais, já se consolidou o entendimen- to no sentido de que não se exige do administrado a demonstração da finalidade específica do pedido. Direito adquirido, coisa julgada e ato jurídico perfeito Assim prevê o inciso XXXVI do art. 5º da CF: “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico per- feito e a coisa julgada”. Entenda: Direito adquirido é aquele direito que cumpriu todos os requisitos previstos em lei, como por exem- plo, o homem que cumpriu todos os requisitos exi- gidos para concessão da aposentadoria por idade, conforme determina o art. 201, § 7º, I da CF, tem o direito adquirido para requerer seu benefício. § 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, obser- vado tempo mínimo de contribuição; Ato jurídico perfeito é o ato já realizado, confor- me a lei vigente ao tempo que se realizou, pois nes- te caso já cumpriu todos os requisitos conforme a lei vigente na época, tornando-se, portanto, completo. Coisa julgada ocorre no âmbito do processo judi- cial, decisão judicial a qual não cabe mais recurso, tor- nando-a imutável e indiscutível. Júri popular A nossa carta magna reconhece no seu inciso XXX- VIII a instituição do júri, que é visto como uma prerro- gativa democrática do cidadão, e que exige que o réu deve ser julgado pelos seus semelhantes. O tribunal é composto por um juiz togado e vinte cinco jurados que serão sorteados dentre os alistados. XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; Destarte, a competência mencionada na alínea “d” não é absoluta, pois não abrange os crimes pratica- dos contra a vida perpetrados por detentores de foro especial por prerrogativa de função, que deverão ser julgados por tribunais específicos conforme previsto na Constituição. Ainda, o foro especial por prerrogativa de fun- ção se refere ao órgão competente para julgar ações penais contra certas autoridades públicas, levando-se em conta o cargo ou a função que elas ocupam, de modo a proteger a função e a coisa pública, ou seja, por ligar-se à função e não à pessoa, essa forma de determinar o órgão julgador competente não acompa- nha a pessoa após o fim do exercício do cargo. Princípio da legalidade penal e da retroatividade da lei Princípio da legalidade penal, com previsão no inciso XXXIX do art. 5º da CF, também chamado de princípio da reserva legal, refere-se à aplicação do princípio da legalidade, de forma mais específica no âmbito do direito penal. Nesse sentido, crime será a conduta delituosa pre- vista exclusivamente em lei, da mesma forma que a cominação da pena, a qual não é admissível à configu- ração de crime baseado nos costumes. XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; Princípio da retroatividade da lei tem previsão no inciso XL do art. 5º da CF, o qual consiste em analisar um fato passado à luz de um direito presente, esta- belece que os fatos sejam apreciados com base na lei em vigor no tempo do crime. Assim, a lei aplicável é a lei do tempo do crime, ou seja, na regra geral, as nor- mas penais não retroagem, salvo se trouxerem algum tipo de benefício para o réu. XL - a lei penal não retroagirá, salvo para benefi- ciar o réu; Cuidado, aqui tem um exemplo de exceção da exceção: Crimes praticados durante a vigência de lei tempo- rária ou excepcional não podem ser beneficiados pela retroatividade da lei mais benéfica. Entenda: Lei excepcional é a lei criada para regular fatos ocorridos dentro de uma situação irregular, a qual perde seus efeitos após findar situação irregular que a motivou. 288 Lei temporária vigorou até extinguir o prazo de duração fixado pelo legislador, por exemplo, uma lei que fixa a tabela de preços de artigos de consumo. Crimes O legislador originário também se preocupou em mencionar e observar crimes de tortura, tráfico ilíci- to de drogas, terrorismo e a ação de grupos armados contra ordem constitucional. XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; Entenda. A pena de reclusão é a pena prevista para os casos mais graves, o qual o regime inicial será fechado, em prisão de segurança máxima. XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tor- tura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; Crimes hediondos são aqueles que a legislação entende que geram maior reprovação por parte da sociedade, assim merecem uma rigidez maior. Não são necessariamente crimes cometidos com alto grau de violência ou crueldade, mas sim os crimes previs- tos expressamente no art. 1º da Lei 8.072/90. O homicídio qualificado é o primeiro mencionado na legislação, ou seja, quando praticado em circuns- tância que revele perversidade – por exemplo, se o crime é praticado por motivo fútil ou torpe. Bem como, o homicídio praticado por grupo de extermínio também está no rol dos crimes hediondos, mesmo que cometido por uma só pessoa do grupo. XLIV - constitui crime inafiançável e impres- critível a ação de grupos armados, civis ou mili- tares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; Entenda: prescrição é a perda do direito de punir do Estado pelo seu não exercício em determinado lap- so de tempo. Em 2015, duas leis incluíram, no rol de cri- mes hediondos, o assassinato de policiais e o feminicídio. Em 2019 houve alterações na legislação penal e pro- cessual diante da aprovação da Lei nº 13.964, também chamada de Pacote Anticrime, nessa oportunidade hou- ve a inclusão de crimes no rol dos crimes hediondos. Veja quais foram os crimes incluídos: II – roubo: a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V); b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); III – extorsão qualificada pela restrição da liber- dade da vítima,ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º); IX – furto qualificado pelo emprego de explo- sivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-A). III – o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; IV – o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; V – o crime de organização criminosa, quando direcionado; Fique atento com os artigos mencionados acima e as novidades legislativas, são temas preferidos de bancas examinadoras. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS É importante não confundir direitos fundamentais com garantias fundamentais. Os direitos fundamen- tais são vantagens, proteção em favor das pessoas, como por exemplo o direito de informação. Já as garantias fundamentais são instrumentos processuais para defesa daqueles direitos, conhecidos como ações ou remédios constitucionais, como por exemplo: habeas data, habeas corpus, Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e a Ação Popular, conforme veremos a seguir. Habeas corpus Tem como objetivo proteger o direito de ir e vir, ou seja, sempre que alguém sofrer ou se achar amea- çado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, está fundamentado no art. 5º, LXVIII da CF e art. 647 a 667 do CPP, Pode ser habeas corpus preventivo para evitar uma futura violação à liberdade, ou habeas corpus repressivo, o qual busca o fim de uma coação já cometida. Importante frisar também que não existe a necessidade de um advogado para entrar com a ação. z Sujeito ativo (impetrante): qualquer pessoa. z Vítima (paciente): qualquer pessoa, brasileiro ou estrangeiro. z Sujeito passivo (coator): autoridade ou agen- te público que cometeu ilegalidade ou abuso de poder contra particular. Habeas corpus também pode ser impetrado por estrangeiro (desde que na língua portuguesa) contra particular. Não cabe habeas corpus contra punição disciplinar militar, salvo se imposta pela autoridade competente. Destacamos a seguir algumas Súmulas importan- tes do STF sobre o tema: Súmula 395: Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas, por não estar mais em causa à liberdade de locomoção. Súmula 431: É nulo o julgamento de recurso crimi- nal, na segunda instância, sem prévia intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus. Súmula 692: Não se conhece de habeas corpus con- tra omissão de relator de extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito. N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 289 Súmula 693: Não cabe habeas corpus contra deci- são condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. Súmula 694: Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de per- da de patente ou de função pública. Súmula 695: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. Habeas data Com previsão no art. 5º, LXXII da CF e Lei 9507/1997 que regula o direito de acesso às informações, e disci- plina o rito processual do habeas data, tem o objetivo de acessar e retificar informações do impetrante que estão em um órgão público ou de caráter público14, como por exemplo: entidade privada de caráter públi- co = SPC/SERASA. Note que, neste caso, precisa ser demonstrado que foram solicitadas as informações em um primeiro momento, ou seja, precisa-se esgotar a via administrativa. A doutrina e jurisprudência admitem que cônju- ge, ascendente, descendente ou irmão podem impe- trar habeas data em favor de terceiro, caso este esteja incapacitado ou ausente. Mandado de Segurança Agora passaremos a análise do mandado de segu- rança, sendo que este pode ser individual ou coletivo, vejamos: Mandado de Segurança Individual Previsto no art. 5º LXIX da CF e Lei 12.016/2009, tem o objetivo de proteger direito líquido e certo (requerido no prazo de 120 dias do conhecimento da lesão), devidamente comprovado com provas docu- mentais, não há prova testemunhal nem pericial. Tem caráter subsidiário, ou seja, quando não for caso de habeas corpus e nem habeas data. Cabível quando existe abuso ou ilegalidade de autoridade pública. A súmula 625 do STF dispõe que, “Controvérsia sobre matéria de direito não impede con- cessão de mandado de segurança”, ou seja, caso houver dúvida a respeito de interpretação da lei não impede o deferimento do mandado de segurança. Não cabe Mandado de segurança nos seguintes casos: z Atos meramente informativos; z Atos que transitaram em julgado; z Ato administrativo que comporte recurso com efeito suspensivo; e z Ato judicial em fase recursal. Cuidado! Referente aos atos que transitaram em julgado hoje, a jurisprudência entende por uma possí- vel mitigação da súmula 268 do STF. Vejamos: “No entanto, sendo a impetração do mandado de segurança anterior ao trânsito em julga- do da decisão questionada, mesmo que venha a acontecer, posteriormente, não poderá ser invocado o seu não cabimento ou a sua perda de objeto, mas preenchidas as demais exigências 14 Caso a banca da sua prova for a FGV, esta entende que o habeas data é uma ação personalíssima. jurídico-processuais, deverá ter seu mérito aprecia- do”. (EDcl no MS 22.157/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salo- mão, julgado em 14.03.2019, DJe 11.06.2019) z Agente ativo: Pessoa física ou jurídica. Agentes políticos podem ser sujeitos ativo ou passivo. z Agente passivo: autoridade, pessoa física revesti- da de poder público. União, Estados e DF ingres- sarão como litisconsortes necessários, por meio de seus procuradores, no caso do município através de seu Prefeito. z Liminar: cabimento conforme art. 7º, III da Lei 12.016/2009, o juiz poderá determinar a suspensão do ato (que causou a violação do direito), desde que exista motivo relevante, vejamos: Art. 7° Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo facul- tado exigir do impetrante caução, fiança ou depósi- to, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. Mandado de Segurança Coletivo Previsto no art. 5º, LXX da CF e no art. 21 da Lei 12.016/2009, tem o objetivo de proteger certo grupo de pessoas (corporativo). Os requisitos e o prazo deca- dencial são os mesmos do Mandado de Segurança individual. z Agente ativo: Partido político com representação no Congresso Nacional; ou organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente cons- tituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa de seus membros ou associados, deve demonstrar pertinência temática. z Agente passivo: autoridade coatora. z Liminar: cabimento conforme art. 7º, III e art. 22§2º da Lei 12.016/2009. Basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”. Súmulas importantes do STF sobre o tema: Súmula 629 do STF: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula 630 do STF: A entidade de classe tem legi- timação para o mandado de segurança ainda quan- do a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. Mandado de Injunção Tem previsão no art. 5º, LXXI da CF e Lei 13.300/2016 (lei do MS), não tem lei específica própria, devem ser observadas as normas da lei do Mandado de Seguran- ça, conforme prevê o art. 24, parágrafo único da lei 8.038/1990. Art. 24 [...] Parágrafo único - No mandado de injunção e no habeas data, serão observadas, no que couber, as normas do mandado de segurança, enquanto não editada legislaçãoespecífica. 290 z Aplicabilidade: falta de uma norma regulamen- tadora de direito, liberdade constitucional e das prerrogativas inerentes a nacionalidade, sobera- nia e cidadania. Buscar o exercício do direito para uma pessoa ou certo grupo de pessoas. Exemplo: Conseguir se aposentar ou exercer o direito de greve. z Agente ativo: Qualquer pessoa. z Liminar: Mandado de Injunção não tem liminar. Ação Popular É um direito fundamental e individual de todo cidadão, fundamentada no art. 5º, LXXIII e regulado pela lei 4.717/1965, e tem como objetivo a proteção do patrimônio público (erário), histórico, cultural, do meio ambiente e da moralidade administrativa, como é o caso das obras superfaturadas. Ação popular pode ter duas formas, a preventiva que é ajuizada antes da consumação dos efeitos do ato, e repressiva, que visa corrigir os atos danosos consumados. z Agente ativo: Qualquer cidadão brasileiro. Se este abandonar ação, outro cidadão poderá assumir. O Ministério Público não pode propor, mas pode assumir andamento e dar execução a decisão da ação popular (legitimidade extraordinária ou superveniente). z Agente passivo: administrador da entidade que lesionou. Lei 4.717/1965 Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou adminis- tradores que houverem autorizado, aprovado, rati- ficado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e con- tra os beneficiários diretos do mesmo. (grifo nosso) Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para plei- tear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou funda- ções para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cen- to do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incor- poradas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. z Liminar: Basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”. Súmula 101 do STF: O mandado de segurança não substitui a ação popular. Súmula 365 do STF: Pessoa jurídica não tem legiti- midade para propor ação popular. A Ação popular é isenta de custas judiciais e do ônus de sucumbência. Sobre o tema, vejamos também art. 5º, §4º da Lei 4.717/1965: Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. § 4º Na defesa do patrimônio público caberá à sus- pensão liminar do ato lesivo impugnado. Ainda, é possível requerer a condenação por per- das e danos dos responsáveis pela lesão. Sendo que cabe a todos os cidadãos a fiscalização da vida públi- ca, auxiliando o Estado na boa gestão da vida pública. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais tem previsão no art. 6º ao 11º da Constituição, e também podem ser encontrados no título VIII da Constituição Federal, que trata da ordem social. São direitos que pertencem à segunda geração dos direitos fundamentais, ou seja, da dimensão que tra- ta dos direitos da democracia e informação, e alguns doutrinadores também os chamam de liberdades positivas, quando o Estado precisa deixar de ser omis- so com o objetivo de assegurar uma compensação resultante da desigualdade entre as pessoas. Os direitos sociais exigem uma atuação do Estado em face da desigualdade social e tem aplicabilidade imediata. Nesse sentido, com o objetivo de garantir a igualdade formal (ou também chamada de igualdade jurídica, conforme prevê na CF/88, significa que todos devem ser tratados da mesma forma). Ainda, a Constituição dividiu os direitos sociais em três espécies: a) Direitos sociais destinados a toda sociedade; (Art. 6º da CF) b) Direitos sociais para os trabalhadores; (Art.7° da CF) c) Direitos sociais coletivos dos trabalhadores. (Art. 8º ao 11º da CF) Direitos sociais destinados a toda sociedade Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a prote- ção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Direitos garantidos para toda sociedade brasileira, com exceção, por exemplo, da previdência social, que neste caso só terá benefício quem for contribuinte e preencher todos os requisitos legais exigidos. Direito à propriedade x direito à moradia Na sua prova, cuidado! Direito de propriedade é um direito individual, conforme já estudado neste material, já o direito à moradia é um direito social, localizado no caput do art. 6º da CF/88. Direito à segurança, localizado no art. 5º (direi- to individual) e art. 6º (direito social), entenda a diferença: