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N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 311 Coordenação A coordenação tem como objetivo a organização da administração pública, ou seja, objetiva evitar a dupli- cidade de atuação pelos órgãos da administração. Diante disto, as atividades da Administração Federal e, especialmente, a execução dos planos e programas de governo, serão objeto de permanente coordenação (art. 8º Decreto-lei 200/67). Bem como, a coordenação será exercida em todos os níveis da administração, com a realização sistemáti- ca de reuniões e com a participação das chefias subor- dinadas e a instituição e funcionamento de comissões de coordenação em cada nível administrativo. Exemplo, O Ministério do Exército administra os negócios do Exército, o Ministério da Aeronáutica administra os negócios da Aeronáutica e o Ministério da Marinha administra os negócios da Marinha de Guerra. Descentralização A descentralização é a delegação de ativida- des, mas sem o Estado deixar de fiscalizar, atuando indiretamente. O decreto em estudo prevê que a descentralização deve ser posta em prática em três planos principais (art. 10), quais sejam: a) dentro dos quadros da Administração Federal, distin- guindo-se claramente o nível de direção do de execução; b) da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estejam devidamente aparelha- das e mediante convênio; c) da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões. Sendo que a aplicação dessa possibilidade está con- dicionada, em qualquer caso, aos ditames do interesse público e às conveniências da segurança nacional. Exemplo: as Autarquias Federais que são res- ponsáveis pela fiscalização e regulamentação de ati- vidades ligadas à telecomunicação, energia elétrica e petróleo. (Ex.: ANATEL, ANEEL, ANP) e Fundações que são entidades que executam atividades sociais (pesquisa/saúde/ensino) sem fins lucrativos (Ex.: FUNASA, FUNAI etc.); Delegação de competência É um instrumento de descentralização administrati- va, com o objetivo de assegurar maior rapidez e objetivi- dade às decisões, situando-as na proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a atender (art. 11 Decreto-lei 200/67), ou seja, um órgão administrativo poderá dele- gar parte de sua competência a outros órgãos, ainda que estes não sejam hierarquicamente subordinados. Ainda, o ato de delegação deverá indicar com pre- cisão a autoridade delegante, a autoridade delegada e as atribuições objeto de delegação. Exemplo: em 1996 por meio da Lei nº 9.277/1996, a União delegou aos Estados a administração de rodo- vias e exploração de trechos de rodovias, ou obras rodoviárias federais. São indelegáveis atos normativos, decisões em recur- sos administrativos e matérias de competência exclusiva. Controle O controle deve ser feito pela chefia por meio de auditorias e também pelo sistema de controle interno. Conforme consagra o art. 13 do mencionado decre- to, o controle das atividades da Administração Federal deverá ser exercido em todos os níveis e em todos os órgãos, compreendendo, particularmente, o contro- le da execução dos programas e da observância das normas que governam a atividade específica do órgão controlado, o controle, pelos órgãos próprios de cada sistema, da observância das normas gerais que regu- lam o exercício das atividades auxiliares e o controle da aplicação dos dinheiros públicos e da guarda dos bens da União pelos órgãos próprios do sistema de contabilidade e auditoria. Exemplo: o Tribunal de contas da União que tem como função realizar inspeções e auditorias de natu- reza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Pode- res Legislativo, Executivo e Judiciário. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) De acordo com os prin- cípios e valores que regem a administração pública, o servidor público. a) deverá zelar pelo princípio da supremacia do interesse público, que veda, ao servidor, o questionamento da validade do ato a ser praticado. b) deverá impor a penalidade cabível àquele que deixar de observar a legislação aplicável a um caso concreto, sendo irrelevante a comprovada boa-fé demonstrada pelo particular. c) deverá zelar pelos princípios que regem a adminis- tração pública e deles não poderá se afastar, sob pena de eventual responsabilização criminal, civil e administrativa. d) poderá afastar o comando da lei diante de uma injustiça. e) poderá deixar de entregar documentos sigilosos soli- citados pelas autoridades competentes que possam comprometer a administração pública e o interesse público. O agente público deve observar os princípios admi- nistrativos explícitos do art. 37 da CF e também os princípios implícitos da Administração Pública, sen- do que a não observância do mesmo resultará em responsabilização criminal, civil e administrativa. Resposta: Letra C. 2. (FCC – 2020) De acordo com o artigo 37 da Constitui- ção Federal de 1988, os princípios da Administração pública da a) moralidade e publicidade devem ser obedecidas por uma autarquia estadual. b) legalidade e universalidade devem ser obedecidas por uma assembleia legislativa estadual. c) eficiência e competência devem ser obedecidas por empresas públicas estaduais. d) exclusividade e impessoalidade devem ser obe- decidas por instituições sem fins lucrativos não governamentais. 312 e) prudência e eficiência devem ser obedecidas pelos órgãos da administração direta estadual. Conforme art. 37 da CF/88 a Administração pública indi- reta também deve obediência aos princípios da mora- lidade e publicidade conforme caput do art. 37 da CF. Resposta: Letra A. 3. (VUNESP – 2018) Nos termos da Constituição Fede- ral, invalidada por sentença judicial a demissão do ser- vidor estável, a) ele não será reintegrado e deverá aguardar decisão sobre as providências que serão adotadas em rela- ção ao eventual ocupante da vaga, o qual necessitará ser dispensado após a conclusão do devido processo administrativo, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório. b) ele não será reintegrado e deverá aguardar decisão sobre as providências que serão adotadas em relação ao eventual ocupante da vaga, o qual necessitará ser exonerado, dispensando-se a instauração de processo administrativo. c) será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem com direito à indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. d) será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem sem direito à indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. e) será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, não poderá ser reconduzido ao cargo de ori- gem, devendo permanecer em situação de disponibili- dade até o surgimento de novo cargo, assegurando-se o direito à indenização. Após o estágio probatório, o servidor público só per- derá o cargo em virtude de sentença que, transitada em julgado, mediante processo administrativo em que lhe seja assegurado ampla defesa ou mediante procedimento de avaliação periódica de desempe- nho, assegurada ampla defesa. Ainda, conforme art. 41, § 2º da CF, caso seja invalidada a decisão por sentença judicial será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. Resposta: Letra D. 4. (FGV – 2018) A Constituição da República de 1988 estabelece que o servidor público estável só perderá o cargo nas hipóteses lá elencadas, dentre elas, em virtude de: a) sentença judicial recorrível, em que tenham sido asse- gurados o contraditório e a ampla defesa; b) procedimento de avaliação periódica de desempenho,na forma de lei complementar, assegurada a ampla defesa; c) sindicância sumária disciplinar, em que tenham sido assegurados o contraditório e a ampla defesa; d) processo administrativo de que tenha resultado con- denação por ato de improbidade administrativa aplica- da pelo chefe do Poder Executivo; e) inquérito policial do qual tenha resultado relatório final assinado pelo Delegado de Polícia apontando prática de crime. A alternativa (b) está em consonância com o art. 41, § 1º, III da CF: O servidor público somente perde- rá o cargo diante de três hipóteses, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, mediante processo administrativo em que lhe seja assegu- rada ampla defesa ou mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. Resposta: Letra B. 5. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Considerando a jurispru- dência do STF a respeito do direito de greve dos servi- dores públicos, julgue o item seguinte. Os servidores públicos, sejam eles civis ou militares, possuem direito a greve. ( ) CERTO ( ) ERRADO Aos militares é proibida a sindicalização e greve, conforme art. 142, §3º, IV da CF. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal já se posicionou sobre o tema, vejamos: “O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública” (STF. ARE 654.432, rel. p/ o ac. min. Alexandre de Moraes, j. 5-4-2017, P, DJE de 11-6-2018). Resposta: Errado. PODER EXECUTIVO ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DOS MINISTROS DE ESTADO A teoria criada por Montesquieu determina a com- posição e divisão do Estado. Ela objetiva que cada poder seja independente e harmônico entre si, como forma de dividir as funções do Estado, entre poder executivo, poder legislativo e poder judiciário, a esse entendimento chamamos de Teoria da Separação dos Poderes. O poder legislativo tem o poder de fazer emendas, alterar e revogar leis, já o poder executivo, função de administrar o Estado, e por fim, o poder judiciário é quem tem a função jurisdicional, por exemplo, a apli- cação do Direito em um caso concreto, através de um processo judicial. LEGISLATIVO EXECUTIVO JUDICIÁRIO Elabora as leis Administra o Estado Aplica as leis Senadores e Deputados; Federais; Deputados Estaduais; Vereadores. Presidente da República; Governadores do Estado; Prefeitos. Supremo Tribunal Federal; Tribunais; Juízes. A seguir iniciaremos o estudo específico de cada um dos poderes. N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 313 PODER EXECUTIVO O poder executivo está consagrado no art. 76 a 91 da Constituição e tem como função a solução e admi- nistração de casos concretos e individualizados, de acordo com as leis gerais e abstratas elaboradas pelo legislativo, ou seja, tem a função típica de adminis- trar e gerenciar o Estado. Entretanto, também pode exercer funções legislativas através das medidas pro- visórias e leis delegadas. Federal Conforme já abordado anteriormente, o nosso país é regido pelo sistema presidencialista, em que as fun- ções de chefe de Estado estão na figura do Presiden- te da República, conforme o art. 76 da CF. No âmbito Federal, o Poder Executivo é representado pelo Pre- sidente da República com o auxílio dos Ministros de Estado. Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presi- dente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. O Presidente da República e seu vice têm um man- dato de quatro anos e são eleitos pelo sistema majori- tário absoluto. Majoritário absoluto: ganha a eleição o candida- to que conseguir a maioria de votos (o primeiro núme- ro inteiro, depois da metade do total) avaliados em 1° ou em 2° turno. 1° Turno: realizado no 1° domingo de outubro; 2° Turno: último domingo de outubro. Bem como, conforme art.14, § 3° VI, a da CF/88, o Presidente da República deve ter a idade mínima de 35 anos e ser brasileiro nato (art. 12 § 3°, I da CF/88). Art. 14 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice- -Presidente da República e Senador; (grifo nosso) A Constituição consolidou o direito do povo para eleger seus representantes, pelo sufrágio universal e voto secreto. Por conseguinte, ainda se tratando do art. 14, esse consagra que é possível uma reeleição para um perío- do subsequente. Entretanto, atualmente não é mais possível um terceiro mandato seguido. Sobre esse aspecto, é importante frisar que a reeleição não é uma cláusula pétrea, podendo ser retirada da Constituição. § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos man- datos poderão ser reeleitos para um único perío- do subsequente. O art. 12, § 3°da CF relaciona os cargos privativos de brasileiro nato: § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa. Estadual e Distrital No âmbito estadual, o chefe do Executivo é o Gover- nador do respectivo Estado membro, com mandato de quatro anos, também eleito pelo sistema majoritário absoluto, e tem como auxiliar direto os secretários esta- duais e, no Distrito Federal, os secretários distritais. O Governador de estado deve ser cidadão brasilei- ro, com idade mínima de 30 anos, conforme determi- na o art. 14, § 3º, VI, b da CF/88. VI - a idade mínima de: b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; Municipal No âmbito municipal, o Poder Executivo é coman- dado pelo Prefeito, o qual deve ser cidadão brasileiro e, conforme art. 14 § 3°, VI, da CF, deve ter idade míni- ma de 21 anos. O mandato é de quatro anos, contando com o auxílio dos secretários municipais. Eleito pelo sistema majoritário absoluto, para município com mais de 200 mil eleitores, e sistema majoritário simples ou relativo, para municípios com até 200 mil eleitores. Majoritário simples ou relativo: ganha a eleição o candidato que conseguir a maioria dos votos válidos, ou seja, ganha o mais votado em um só turno. Exemplo: 100.000 votos válidos. Realizado no 1° domingo de outubro. Cuidado! Se houver empate, ganha o mais idoso. Sistema também usado para eleição de Senadores. Município com mais de 200 mil eleitores Município com até 200 mil eleitores Sistema de eleição majoritá- rio absoluto Sistema de eleição majoritá- rio simples ou relativo PODER EXEUTIVO FEDERAL ESTADUAL MUNICIPAL Presidente da República + Vice = Mandato de quatro anos. Auxiliar direto: Ministros do Estado. Sistema de elei- ção majoritário absolutO. Governador do Esta- do + Vice = Mandato de quatro anos. Auxiliar direto: Es- tados - Secretários Estaduais. Distrito Federal: Se- cretários Distritais. Sistema de eleição majoritário absoluto. Prefeito + Vice = Mandato de quatro anos. Auxiliar direto: Secretários Municipais. Sistema de eleição majoritário abso- luto, para município com mais de 200 mil eleitores. Sistema de eleição majo- ritário simples ou relativo, para município com até 200 mil eleitores. 314 Ordem de substituição ou sucessão Presidencial O Presidente será eleito com um Vice-Presidente, companheiro de chapa. A eleição do Presidente impli- ca na eleição do Vice com ele registrado. O Vice-Presidente temfunção de auxiliar o Presidente sempre que convocado para missões especiais, bem como, no caso de impedimento, o substituirá (art. 79 da CF). Ainda, conforme determina o art. 80 da CF, em caso de impedimento concomitante do Presidente e do Vice, ou vacância dos respectivos cargos, serão chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribu- nal Federal, sucessivamente, nessa ordem. ORDEM DE SUBSTITUIÇÃO OU SUCESSÃO PRESIDENCIAL Temporário Definitivo Presidente da Câmara dos Deputados Presidente do Senado Federal Presidente do STF Vice-Presidente Definitivamente ou temporário - interinamente Conforme consagra o art. 81 da CF, vagando os car- gos de Presidente e Vice, far-se-á eleição noventa dias para complementar o mandato, depois de aberta a última vaga. Ainda, caso ocorra à vacância nos últi- mos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita em trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional. Importante atentar que o dispositivo em comento só é aplicado se não houver definitivamente Presiden- te e nem Vice-Presidente. Linha do tempo da sucessão Presidencial: Eleição Direta Primeiros 2 ANOS Eleição Indireta Últimos 2 ANOS Eleição direta até 90 dias da última vaga Eleição Indireta feita pelo Congresso Nacional, em até 30 dias da última vaga Nos dois casos, serão eleitos novo Presidente e novo Vice-Presidente para completar o mandato, cha- mado como mandato tampão. É possível eleição indireta nas demais esferas fede- rativas (ex.: Governador - Prefeito) Crimes de responsabilidade Os crimes de responsabilidade têm previsão nos arts. 85 e 52 da CF, bem como na Lei 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento, por exemplo, o Presidente da República cometeu improbidade admi- nistrativa ou não obedeceu a decisão do STF. A lei 1.079/1950 foi recepcionada pela ADPF 378 (estudaremos o que é uma ADPF no tópico Controle de Constitucionalidade). ADPF 378teve por objeto central analisar a compatibi- lidade do rito de impeachment de Presidente da República, previsto na Lei nº 1.079/1950 com a Constituição de 1988. O crime de responsabilidade trata-se de um ilícito político administrativo definido em lei especial fede- ral, que podem ser cometidos no desempenho de suas funções, e como consequência pode resultar no impe- dimento para o exercício de suas funções públicas. Trata-se de um resultado obtido através do processo de impeachment. O art. 85 da CF dispõe sobre crimes de responsa- bilidade, ou seja, os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especial- mente, contra a existência da União, livre exercício do Ministério Público e dos Poderes constitucionais dos Estados e DF, direitos políticos, individuais e sociais, segurança interna do país, probidade na administra- ção, lei orçamentária, cumprimento das leis e deci- sões judiciais. Qualquer cidadão é legitimado ativo para pro- por a acusação contra o Presidente da República na Câmara dos Deputados pela prática de crime de responsabilidade. Art. 85 São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União; II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - a segurança interna do País; V - a probidade na administração; VI - a lei orçamentária; VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais. Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de proces- so e julgamento. Crimes comuns cometidos pelo Presidente da República Os crimes comuns cometidos pelo Presidente da República abrangem todas as infrações penais, por exemplo, caso o Presidente da República venha a cometer crime de homicídio. Sendo que, dependerá de autorização pela Câmara dos Deputados, que aprovará o recebimento ou não da denúncia pelo Supremo Tribunal Federal. Importante lembrar que o Presidente não dispõe da imunidade material, a qual somente se estende aos membros do Poder Legislativo, ou seja, o Presi- dente não é inviolável por suas palavras e opiniões, mesmo que no exercício de suas funções. Processo de impeachment O processo de impeachment é previsto na Consti- tuição Federal nos arts. 86, 52 e na Lei nº 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento.