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Cefaleia Um sistema de classificação desenvolvido pela International Headache Society caracteriza a cefaleia como primária e secundária. É difícil estabelecer o diagnóstico e a classificação da cefaleia. Isso exige histórico e exame físico completo para excluir causas secundárias. ● O HISTÓRICO DEVE INCLUIR Fatores precipitantes de cefaleia (Como ingestão de alimentos e aditivos alimentares, perda de refeições e associação ao período menstrual.) Um histórico cuidadoso da medicação Diário de cefaleia (no qual a pessoa deve fazer um registro da ocorrência de cefaleia e de eventos simultâneos ou anteriores para que seja possível identificar fatores que contribuam para sua manifestação.) Compreender a classificação, sinais de alarme e Avaliação Inicial das Cefaleias primárias A cefaleia primária é um tipo de cefaleia em que a dor de cabeça é o próprio distúrbio, sem uma causa subjacente identificável. CONCEITO PRIMÁRIA São aquelas em que a cefaleia e suas manifestações associadas constituem o distúrbio em si. Frequentemente resulta em considerável incapacidade e redução da qualidade de vida do paciente SECUNDÁRIAS São aquelas causadas por distúrbios exógenos. A cefaleia secundária leve, como a observada em associação a infecções do trato respiratório superior, é comum, mas raramente preocupante. CLASSIFICAÇÃO AVALIAÇÃO INICIAL DAS CEFALEIAS A história clínica constitui o dado mais importante para o diagnóstico das cefaleias. Dados pregressos de vida, antecedentes familiares e o interrogatório sobre os diversos aparelhos são elementos fundamentais para se estabelecer o diagnóstico Deve ser analisado as características como: LOCALIZAÇÃO IRRADIAÇÃO CÁRATER DURAÇÃO EVOLUÇÃO INTENSÍDADE FREQUENCIA FATOR DE MELHORA FATOR DE PIORA FATORES ASSOCIADOS SINAIS DE ALARME Sinais e fatores de alarme que indiquem a possibilidade de cefaleia secundária implicam a execução de exames subsidiários, e isso fundamental nas unidades de emergência A enxaqueca é um distúrbio hereditário de dor de cabeça que se mostra tipicamente unilateral, moderado a intenso, que piora com a atividade física, está associado a náuseas e/ou vômito e é acompanhado por fotofobia e fonofobia. Apreender acerca da etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento Sintomas prodrômicos afetando o humor, o apetite ou a cognição ocorrem em muitos pacientes. Considera-se que na enxaqueca ocorra um episódio de depressão da atividade elétrica, que se propaga pelo córtex em todas as direções, fenômeno que ficou conhecido como Depressão Alastrante (DA). Alterações genéticas dos canais de cálcio provocam estado de hiperexcitabilidade que torna o SNC mais suscetível a estímulos externos (luminosos, alimentares, entre outros) e internos (estresse). Isso leva ao aparecimento da DA. A passagem da DA, portanto, ativa o sistema trigeminovascular na periferia e no tronco cerebral, onde são liberados neurotransmissores vasoativos que interagem com substâncias vaso reguladoras presentes no sangue e/ou no vaso fazendo a dilatação dos vasos arteriais cranianos sensíveis a dor, induzindo o extravasamento do plasma e de neurotransmissores, formando a inflamação neurogênica e fazendo surgir a dor. O chamado sistema trigêmeo vascular constitui o substrato anatomofuncional sobre o qual a crise enxaquecosa se desenvolve, incluindo vasos (sobretudo artérias), e estruturas trigeminais centrais e periféricas. ENXAQUECA A cefaleia ocorre a qualquer momento e persiste por 4 a 72 horas, podendo ocorrer com ou sem aura (um sintoma neurológico focal que pode ser visual, sensorial ou motor). Auras visuais podem mostrar características positivas (fotopsia) e negativas (escotomas). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A enxaqueca é caracterizada por crises recorrentes que podem incluir até cinco fases (nem sempre todas estão presentes): Sintomas premonitórios: Podem ocorrer horas ou dias antes da cefaleia. Incluem irritabilidade, raciocínio e memorização mais lentos, desânimo e avidez por certos alimentos. 1. Aura: Complexo de sintomas neurológicos que se desenvolvem gradualmente (em pelo menos 5 minutos) e duram até 60 minutos. A aura típica é um distúrbio visual com pontos fosfenos, perda ou distorção de parte do campo visual. Pode ser acompanhada por parestesia unilateral e/ou disfasia. 2. Cefaleia: Dor de forte intensidade, latejante/pulsátil, piora com atividades diárias. A duração varia de 4 a 72 horas. A dor é unilateral em dois terços das crises, mudando de lado entre as crises. 3. Sintomas associados: Náuseas e/ou vômitos, fotofobia, fonofobia, osmofobia, alodinia e vertigem. 4. Fase de recuperação: Período de exaustão onde alguns pacientes precisam de repouso para completa recuperação. Apresentam cansaço, exaustão e dificuldade de concentração. 5. FISIOPATOLOGIA Características da enxaqueca: Dor: Descrita como pulsátil, latejante ou em pontadas. As crises são frequentemente incapacitantes ou moderadas, raramente leves. Movimentação: Piora marcante dos sintomas com movimentação; pacientes preferem ficar deitados e evitar esforços. Náuseas e vômitos: Frequentemente acompanham as crises devido à gastroparesia, que também diminui a absorção de medicamentos. Ambiente: Pacientes procuram ambientes escuros e silenciosos para evitar som e luz, que intensificam o desconforto (foto e fonofobia). Osmofobia: Aversão a determinadas fragrâncias é comum. DIAGNÓSTICO TRATAMENTO Os critérios diagnósticos para a migrânea Existem várias formas de migrânea que foram definidas: migrânea com e sem aura, migrânea episódica e migrânea crônica. O diagnóstico de enxaqueca baseia-se na anamnese e no exame neurológico normal. O diagnóstico diferencial inclui principalmente a cefaleia tipo tensional, mas a maioria das cefaleias moderadas a intensas são enxaquecas. Caso a cefaleia for típica de enxaqueca e os achados no exame neurológico estiverem normais, não há necessidade de estudos complementares Tratamento não farmacológico A migrânea pode ser controlada, em parte, por abordagens não farmacológicas, como identificar e evitar deflagradores específicos da cefaleia. É fundamental manter um estilo de vida regular, com dieta saudável, exercícios, padrões de sono rotineiros, evitar excesso de cafeína e álcool, e reduzir o estresse (por meio de biofeedback, meditação ou ioga). Essas modificações no estilo de vida são eficazes para reduzir a frequência das cefaleias e oferecem uma abordagem simples e custo-efetiva para o manejo da migrânea. Se essas medidas não forem suficientes, são necessárias intervenções farmacológicas abortivas (OUIS et al., 2018). Tratamento farmacológico O tratamento da enxaqueca é dividido em tratamento da crise aguda e prevenção de ataques subsequentes (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). Tratamento da crise aguda Tratamento Agudo Mais Eficaz: Uso de analgésicos inespecíficos para crises leves e terapia mais agressiva quando necessário. Medicamentos Comuns: Crises leves: Paracetamol (650-1.000 mg) AINEs: Ácido acetilsalicílico (250-1.000 mg), ibuprofeno (1.000-1.200 mg), naproxeno (500-825 mg), diclofenaco (50 mg), cetoprofeno (75 mg). Crises moderadas a graves: Triptanas: Sumatriptana, zolmitriptana, rizatriptana, almotriptana, naratriptana, frovatriptana, eletriptana. Ergotamina: Di-hidroergotamina, tartarato de ergotamina. Isometepteno. Combinação naproxeno + sumatriptana pode ser mais eficaz.Casos com Náuseas e Vômitos: Pode ser necessário o uso de via retal ou injetável. 🚨 ATENÇÃO: O tratamento deve ser individualizado, sem abordagem única para todos. Ajustes frequentes no tratamento podem ser necessários para um alívio eficaz com poucos efeitos colaterais. Estratégia de Tratamento: Adaptar o tratamento ao tipo de cefaleia reduz a incapacidade e o uso excessivo de medicamentos. Evitar o uso abusivo de analgésicos e opioides, pois podem causar cefaleia crônica diária. Iniciar o tratamento o quanto antes melhora os resultados. Contraindicações: Os agonistas de serotonina devem ser evitados emindivíduos com: Anormalidades cardiocirculatórias ou cerebrovasculares. Vasculopatias periféricas. Insuficiência renal ou hepática. Hipertensão arterial grave. Hipertireoidismo. Porfíria. Durante a gestação. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) Os efeitos colaterais importantes dos AINE consistem em dispepsia e irritação gastrintestinal, bem como efeitos cardiovasculares e renais potenciais (particularmente com uso frequente ou a longo prazo) (OUIS et al., 2018). Triptanos (agonistas de receptor da serotonina 5 HT1B/D Os agonistas de serotonina são uma classe de medicamentos utilizados no tratamento da enxaqueca e incluem fármacos como as triptanas e os alcaloides do ergot. Existem duas hipóteses principais para explicar como esses fármacos funcionam: Mecanismo de Ação Inibição da Liberação de Peptídeos Vasodilatadores: As triptanas, os alcaloides do ergot e os antidepressivos podem ativar os receptores 5-HT1D/1B nas terminações pré- sinápticas do nervo trigêmeo. Essa ativação inibe a liberação de peptídeos que causam vasodilatação, reduzindo assim a dor associada à enxaqueca. Ações Vasoconstritoras: Os agonistas 5-HT diretos, como as triptanas e os alcaloides do ergot, podem causar vasoconstrição dos vasos sanguíneos. Isso pode impedir a vasodilatação e o estiramento das terminações de dor, que são processos frequentemente implicados na gênese da enxaqueca. Tratamento preventivo O tratamento preventivo é recomendado quando as cefaleias interferirem nas atividades em três ou mais dias por mês, se mostrarem intensas ou prolongadas ou a enxaqueca for complicada por eventos, como um infarto cerebral (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). As drogas reconhecidamente mais eficazes na profilaxia da enxaqueca são: (MARTINS et al., 2016). • Betabloqueadores: propranolol (40 a 120 mg/dia), metoprolol (50 a 200 mg/dia), atenolol (50 a 100 mg/dia), nadolol, timolol, pindolol. • Antagonistas da serotonina (bloqueadores 5-HT2): metisergida (3 a 6 mg/dia), pizotifeno (1 a 2 mg/dia). • Bloqueadores de canais de cálcio: flunarizina (5 a 10 mg/dia), verapamil (80 a 480 mg/dia). Antidepressivos tricíclicos: amitriptilina (12,5 a 100 mg/dia), nortriptilina, imipramina e outros. • Antidepressivos IMAO (uso muito restrito atualmente). • Antiepilépticos: topiramato (25 a 200 mg/dia), valproato de sódio/divalproato (500 a 1.500 mg/dia), gabapentina (300 a 1.600 mg/dia). • Neurolépticos: clorpromazina 5 a 50 mg/dia CEFALEIA EM SALVA A cefaleia em salvas é um tipo relativamente incomum de dor de cabeça que se manifesta com mais frequência em pacientes do sexo masculino do que feminino e, tipicamente, se inicia na terceira década de vida. Esse tipo de cefaleia tende a ocorrer em grupos, ou salvas, por períodos de semanas ou meses, seguido por um período de remissão longo, sem dores de cabeça. A cefaleia em salvas é um tipo de cefaleia neurovascular primária que tipicamente inclui dor intensa, implacável e unilateral. A cefaleia em salvas se apresenta na forma de dores de cabeça em salvas breves, muito graves, unilaterais, não latejantes, que duram 15 minutos a 3 horas (GREENBERG et al., 2014). Diferentes das cefaleias enxaquecosas, as cefaleias em salvas sempre são unilaterais e costumam recorrer no mesmo lado em um mesmo paciente. Elas geralmente ocorrem à noite, despertando o paciente do sono, e recorrem durante o dia, com frequência na mesma hora (periodicidade circadiana), por um período de salvas de semanas a meses (GREENBERG et al., 2014). Os mecanismos fisiopatológicos subjacentes à cefaleia em salvas não são completamente conhecidos, embora recentemente tenha sido observado que a hereditariedade, por meio de um gene autossômico dominante, tenha algum papel na patogênese da cefaleia em salvas. Os mecanismos fisiopatológicos mais prováveis incluem a ação combinada de fatores vasculares, neurogênicos, metabólicos e humorais. Acredita- se que a ativação do sistema vascular do nervo trigêmeo e os reflexos autônomos parassimpáticos cranianos possam explicar a dor e os sintomas autônomos. Acredita-se também que o hipotálamo desempenhe um papel fundamental. O possível papel dos centros de regulação do hipotálamo anterior está implicado pela observação de alterações biológicas circadianas e distúrbios neuroendócrinos (p. ex., alterações no cortisol, na prolactina e na testosterona) tanto nos períodos ativos quanto durante a remissão clínica. Ressonâncias magnéticas revelam artérias intracranianas dilatadas no lado doloroso. Crê-se que a perda de tônus vascular resulte de um defeito na inervação simpática perivascular. FISIOPATOLOGIA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A cefaleia pode começar como uma sensação de queimação sobre a região lateral do nariz ou como uma pressão atrás do olho. Congestão ocular ipsilateral, lacrimejamento, congestão nasal e síndrome de Horner comumente estão associados com a crise (GREENBERG et al., 2014). Os ataques ocorrem de 1 a 8 vezes/dia, sendo geralmente descrita como dor excruciante perfurante ou “penetrante”, que persiste por 15 minutos a 2 horas. Podem coexistir sintomas da enxaqueca, incluindo fotofobia unilateral, fonofobia e raramente uma aura. Diferentemente dos pacientes com enxaqueca, que, em geral, tentam descansar, os pacientes com cefaleia em salvas caminham de forma inquieta e não conseguem sentar ou deitar (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). Os critérios diagnósticos para cefaleia em salvas incluem dor forte unilateral orbitária, supraorbitária ou temporal, que persiste por 15 a 180 minutos com pelo menos um dos seguintes: hiperemia conjuntiva ipsilateral ou lacrimejamento, congestão nasal ou rinorreia, edema palpebral, transpiração facial e na testa, miose com ou sem semiptose, inquietação ou agitação. Não existe outra causa do distúrbio (SANARFLIX). Um exame de imagem como ressonância magnética é indicado para todos os pacientes nos primeiros sintomas de cefaleias em salvas ou outras cefalalgias autônomas trigeminais, pois elas podem ser o resultado de infecção, malformações vasculares, dissecação da carótida ou neoplasia, especialmente um tumor da hipófise. No diagnóstico diferencial, outras possibilidades incluem enxaqueca, cefaleia hípnica (cefaleias raras de curta duração exclusivamente durante o sono nos idosos) e neuralgia do trigêmeo (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). Tratamento agudo TRATAMENTO Existem medicamentos abortivos (agudos) e terapias preventivas que podem ser utilizados durante um episódio de salvas (OUIS et al., 2018). DIAGNOSTICO As crises de cefaleia em salvas rapidamente alcançam um pico, de modo que é necessário um tratamento de início rápido. Muitos pacientes com cefaleia em salvas aguda respondem muito bem à inalação de oxigênio. Pode ser administrado como oxigênio a 100%, 10 a 12 ℓ /min, por 15 a 20 min no início da crise. A sumatriptana, na dose de 6 mg SC, tem início rápido e habitualmente diminui a duração de uma crise para 10 a 15 min; não há evidências de taquifilaxia. A sumatriptana (20 mg) e a zolmitriptana (5 mg) em spray nasal também são efetivas na cefaleia em salvas aguda. A sumatriptana oral não é efetiva para prevenção ou tratamento agudo da cefaleia em salvas (OUIS et al., 2018). O tratamento preventivo da cefaleia em salvas varia conforme a duração dos episódios. Para pacientes com episódios prolongados ou cefaleia crônica, é essencial o uso de medicamentos seguros para administração a longo prazo. Já em episódios mais curtos, o uso de glicocorticoides por um período limitado pode ser eficaz. Um ciclo de 10 dias de prednisona, iniciando com 60 mg diários por 7 dias, seguido de redução gradual da dose, pode ajudar a interromper o ciclo. O lítio (400-800 mg/dia) também se mostra útil para a forma crônica da doença. Entre os tratamentos preventivos, muitos especialistas consideram o verapamil a primeira escolha para pacientes com episódios prolongados ou crônicos. Apesar de ser mais eficaz que o lítio, alguns pacientes precisam de doses significativamente mais altas do que as utilizadas em distúrbios cardíacos. A doseinicial varia entre 40 e 80 mg, duas vezes ao dia, podendo chegar a 960 mg/dia. No entanto, o verapamil pode causar constipação, edema nos membros inferiores e riscos cardiovasculares, exigindo monitoramento rigoroso com ECG. Cerca de 20% dos pacientes apresentam alterações no ECG, mesmo com doses baixas (240 mg/dia), que podem piorar com o tempo. Tratamento preventivo Terapia de neuroestimulação Quando os tratamentos médicos fracassam na cefaleia em salvas crônica, pode-se considerar o uso de estratégias de neuroestimulação. A estimulação cerebral profunda da região da substância cinzenta hipotalâmica posterior demonstrou ter sucesso em uma proporção substancial de pacientes; todavia, em virtude de sua morbidade e possível mortalidade, não é recomendada antes do uso de abordagens menos invasivas. Foram também relatados resultados favoráveis com a abordagem menos invasiva de estimulação do nervo occipital e estimulação do gânglio pterigopalatino, bem como com um estimulador do nervo vagal não invasivo (OUIS et al., 2018). Cefaleia tensional é o termo usado para descrever cefaleia recorrente crônica, de causa desconhecida e que não apresenta características de enxaqueca ou das demais síndromes de cefaleia (GREENBERG et al., 2014). A cefaleia tensional é definida como dor holocraniana leve ou moderada sem náuseas ou vômitos. Os pacientes podem manifestar fotofobia ou fonofobia, mas não ambas, e a cefaleia não piora com a atividade física (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). A cefaleia do tipo tensional (CTT) constitui a cefaleia primária mais comum, embora os pacientes raramente procurem a clínica devido ao baixo nível de incapacidade associada (OUIS et al., 2018). Os mecanismos precisos da cefaleia tensional não são conhecidos e as hipóteses de causalidade são contraditórias. Uma teoria popular é que a cefaleia tensional resulta da tensão sustentada de músculos do couro cabeludo e pescoço; entretanto, algumas pesquisas não conseguiram encontrar uma correlação entre a contração muscular e a cefaleia tensional. Acredita-se que a cefaleia do tipo enxaqueca possa sofrer uma transformação gradual em cefaleia tensional crônica. A cefaleia tensional também pode ser causada por disfunção oromandibular, estresse psicogênico, ansiedade, depressão e estresse muscular. Também pode resultar do uso excessivo de analgésicos ou cafeína. CEFALEIA TENSIONAL MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS OBS: A biopatologia da cefaleia tensional é menos compreendida que a de outros tipos de cefaleia, havendo aumento da sensibilidade miofascial, especialmente nos casos crônicos. Os fatores genéticos são incertos. As cefaleias de enxaqueca e tipo tensional coexistem em geral; embora estas não sejam causadas por emoção ou contração muscular, os gatilhos de uma cefaleia desse tipo são similares àqueles associados à enxaqueca: esforço, fadiga e falta de sono. As comorbidades em pacientes com cefaleia tipo tensional incluem depressão e ansiedade em mais de 50% dos indivíduos. FISIOPATOLOGIA A cefaleia em pressão, holocraniana, de leve a moderada intensidade, podendo beneficiar-se com atividade física, aparece geralmente no fim do dia, durando de 30 minutos a sete dias. Pode haver foto e/ou fonofobia, mas náuseas e vômitos estão ausentes. O exame neurológico é normal, hipertonia e hiperestesia da musculatura pericraniana podem estar presentes. ● Sua crise é de fraca ou moderada intensidade, com sensação de aperto ou pressão e, na maioria das vezes, é bilateral. Pode ser frontal, occipital ou holocraniana. A dor pode melhorar com atividades físicas. Surge, em geral, no final da tarde, relaciona-se com estresse físico (cansaço, exagero de atividade física, especialmente no calor e sob o sol), muscular (posicionamento do pescoço no sono ou no trabalho) ou emocional. Por vezes, há hiperestesia e hipertonia da musculatura pericraniana que pode ser percebida com a palpação cuidadosa. DIAGNÓSTICO As cefaleias que podem ser diagnosticadas de maneira incorreta como tensional incluem enxaqueca, hemicrania contínua, cefaleia nova e persistente desde o início e cefaleias causadas por tumores cerebrais, por pressão intracraniana alta ou baixa, ou por arterite de células gigantes. Uma anamnese cuidadosa é o melhor meio de diferenciar os outros tipos de cefaleia. TRATAMENTO Os fármacos usados para o tratamento da cefaleia tensional incluem muitos dos agentes usados para a enxaqueca Cefaleia tensional é o termo usado para descrever cefaleia recorrente crônica, de causa desconhecida e que não apresenta características de enxaqueca ou das demais síndromes de cefaleia (GREENBERG et al., 2014). A cefaleia tensional é definida como dor holocraniana leve ou moderada sem náuseas ou vômitos. Os pacientes podem manifestar fotofobia ou fonofobia, mas não ambas, e a cefaleia não piora com a atividade física (GOLDMAN; SCHAFER, 2022). A cefaleia do tipo tensional (CTT) constitui a cefaleia primária mais comum, embora os pacientes raramente procurem a clínica devido ao baixo nível de incapacidade associada (OUIS et al., 2018). As crises agudas podem responder ao ácido acetilsalicílico, fármacos esteroides, paracetamol, anti-inflamatórios ergotamina não ou di- hidroergotamina. Para o tratamento profilático, a amitriptilina ou a imipramina com frequência são eficazes, e o propanolol é útil em alguns casos. (NEUROLOGIACLÍNICA) O tratamento sintomático da cefaleia tipo tensão deve ser realizado com analgésicos simples ou AINEs. A associação com cafeína aumenta a eficácia analgésica. Os relaxantes musculares não apresentam evidência de eficácia para essa condição. A amitriptilina é a droga de escolha para o tratamento profilático da cefaleia do tipo tensão. Embora muitos pacientes respondam a benzodiazepínicos como diazepam, 5 a 30 mg/dia por via oral, ou clordiazepóxido, 10 a 75 mg/dia por via oral, esses fármacos devem ser usados com parcimônia em decorrência de seu potencial de adicção. Psicoterapia, fisioterapia e técnicas de relaxamento podem fornecer benefício adicional em casos selecionados.(NEUROLOGIACLÍNICA) O tratamento pode visar ao controle da cefaleia aguda ou à profilaxia. Na fase aguda, os AINH (ibuprofeno, naproxeno, cetoprofeno, cetarolaco, indometacina, dipirona) são os agentes de preferência. Os inibidores específicos da cicloxigenase-2 (celecoxibe, parecem ser também eficazes. rofecoxibe, parecoxibe) O tratamento profilático consiste no uso de antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, clomipramina, maprotilina, mianserina, venlafaxina). Essa medida alivia a cefaleia em 80% dos casos após o quarto mês de tratamento, ocasião em que pode ser tentada a retirada progressivamente. Técnicas de biofeedback com eletromiografia e relaxamento, intervenções cognitivo comportamentais, programas de manejo do estresse, demedicina física, incluindo técnicas de adequação da postura e de ergonomia, massoterapia, estimulação elétrica transcutânea, aplicação de frio ou calor, alongamento, fisioterapia e reabilitação da mastigação podem também proporcionar efeito satisfatório.