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ÍNDICE 01 02 03 MÓDULO MÓDULO MÓDULO Introdução aos exames laboratoriais Hemograma Completo Perfil Lipídico ÍNDICE 04 05 06 MÓDULO MÓDULO MÓDULO Glicemia Função Hepática e Renal Exames hormonais ÍNDICE 07 08 Bônus MÓDULO MÓDULO MÓDULO Exames de Nutrientes Conclusões e Aplicações Práticas Exercícios Perguntas e respostas 01 MÓDULO Introdução aos Exames Laboratoriais - Importância dos exames laboratoriais na prática nutricional - Interpretação básica de resultados - Quando solicitar exames laboratoriais Importância dos Exames Laboratoriais na Prática Nutricional Os exames laboratoriais são ferramentas fundamentais para o nutricionista, auxiliando na avaliação do estado de saúde do paciente, na identificação de deficiências ou excessos nutricionais e no monitoramento de doenças crônicas, como diabetes, dislipidemias e doenças renais. 1.1 Através dos exames, o nutricionista consegue obter informações objetivas que complementam a avaliação clínica e dietética. Essa integração de dados permite personalizar condutas, garantindo maior precisão no diagnóstico nutricional e na prescrição de intervenções dietéticas. Principais Benefícios: - Avaliar o estado nutricional de forma mais detalhada - Detectar precocemente deficiências ou condições clínicas que podem comprometer a saúde - Monitorar a eficácia das intervenções nutricionais - Melhorar a comunicação com outros profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos) Interpretação básica de resultados A interpretação de exames laboratoriais requer conhecimento dos valores de referência e das variações individuais. Cada exame possui uma faixa de normalidade, mas é importante considerar fatores como idade, sexo, histórico clínico e uso de medicamentos. 1.2 Exemplo de interpretação: - Hemoglobina: Valor normal entre 12-16 g/dL (mulheres) e 13,5-17,5 g/dL (homens). Valores abaixo podem indicar anemia, enquanto valores acima podem sugerir desidratação ou doenças hematológicas. É importante lembrar que um resultado fora da faixa de referência não indica, isoladamente, um problema de saúde, devendo ser analisado no contexto clínico do paciente. Quando Solicitar Exames Laboratoriais Embora os exames laboratoriais sejam comumente solicitados por médicos, o nutricionista deve saber quando é relevante sugerir ao paciente que faça determinados exames, seja para avaliação de uma queixa específica, seja para monitoramento preventivo. A solicitação pode ser feita de acordo com as seguintes situações: 1.3 Avaliação inicial: Para compreender o estado nutricional global do paciente, especialmente em casos de alterações de peso, fadiga, ou quando há suspeita de deficiência nutricional (ex. ferro, vitamina B12). Acompanhamento de condições crônicas: Pacientes com diabetes, hipertensão, ou dislipidemias devem realizar exames regularmente para verificar a eficácia do tratamento nutricional. Acompanhamento de intervenções dietéticas: Em planos nutricionais mais rigorosos, como dietas restritivas ou suplementação de micronutrientes, é importante monitorar as alterações no estado nutricional do paciente. Pré e pós-cirurgias: Pacientes em preparação para cirurgias, especialmente as bariátricas, devem ser avaliados para possíveis deficiências nutricionais que podem impactar na recuperação. Tipos de Exames Laboratoriais mais Utilizados na Nutrição 1.4 1. Hemograma: - Avalia as células sanguíneas, incluindo hemácias, leucócitos e plaquetas. Útil para diagnosticar anemias, infecções e distúrbios hematológicos. 2. Perfil Lipídico: - Inclui colesterol total, HDL, LDL, VLDL e triglicerídeos. Avalia o risco cardiovascular e o impacto da dieta no metabolismo lipídico. 3. Exames de Glicemia: - Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c). Utilizados para monitorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes ou resistência à insulina. 4. Função Hepática: - Exames como ALT, AST e bilirrubinas. Avaliam a saúde do fígado e podem indicar sobrecarga hepática, especialmente em casos de alcoolismo ou doenças hepáticas relacionadas à alimentação. Tipos de Exames Laboratoriais mais Utilizados na Nutrição 1.4 5. Função Renal: - Ureia e creatinina. Indicadores importantes para monitorar a função dos rins, especialmente em pacientes com doenças crônicas ou uso de suplementos proteicos. 6. Exames Hormonais: - Incluem TSH, T3, T4 e cortisol. Avaliam o funcionamento da tireoide e as respostas ao estresse, que podem interferir no metabolismo e nas necessidades nutricionais. 7. Dosagens de Vitaminas e Minerais: - Incluem vitamina D, B12, ácido fólico, cálcio, ferro, zinco e magnésio. Úteis para identificar deficiências nutricionais e ajustar intervenções dietéticas ou suplementações. Esses exames são comumente solicitados tanto em ambiente clínico quanto hospitalar e permitem ao nutricionista ajustar condutas para promover a saúde ou tratar condições específicas. A periodicidade dos exames laboratoriais depende das condições de saúde e das necessidades individuais do paciente. Em geral: Pacientes saudáveis: exames anuais ou bienais, para monitoramento preventivo. Pacientes com condições crônicas: exames podem ser feitos a cada 3-6 meses, dependendo do controle da condição (ex. diabetes, dislipidemias). Pacientes em situações específicas: como gestantes, idosos, esportistas ou pacientes bariátricos, a frequência pode ser maior, com exames trimestrais ou semestrais. Frequência de Realização dos Exames 1.5 A regularidade dos exames laboratoriais não segue uma fórmula única. Ela deve ser ajustada de acordo com a evolução clínica do paciente e as metas nutricionais, garantindo que as decisões sejam sempre baseadas em dados atualizados. Para um diagnóstico nutricional preciso, os exames laboratoriais devem ser analisados em conjunto com a avaliação clínica e dietética. A anamnese detalhada, hábitos alimentares, sinais clínicos e a composição corporal são essenciais para uma interpretação adequada dos exames. Exemplo prático: Um paciente com fadiga e queda de cabelo pode apresentar níveis de ferritina baixos no exame laboratorial. No entanto, apenas o exame não é suficiente para o diagnóstico de anemia, sendo necessário correlacionar com outros dados clínicos e exames complementares, como hemoglobina e hematócrito. O impacto de fatores externos, como medicamentos, hábitos de vida e condições inflamatórias, deve ser levado em consideração para evitar diagnósticos errôneos. Integração dos Exames com a Avaliação Nutricional 1.6 2 MÓDULO Hemograma Completo - O que é o Hemograma Completo? - Componentes do Hemograma - Interpretação dos resultados -Causas Comuns de Alterações no Hemograma -Importância do Hemograma na Prática Nutricional -Estudo de Caso Prático O que é o Hemograma Completo? 2.1 O hemograma completo é um exame laboratorial fundamental que avalia a quantidade e a qualidade das células sanguíneas. Ele fornece informações essenciais sobre a saúde geral do paciente, permitindo a identificação de diversas condições, como anemias, infecções e distúrbios hematológicos. Componentes do Hemograma Completo 2.2 O hemograma inclui vários parâmetros importantes, entre os quais destacam-se: 1. Hemácias (Eritrócitos): - Quantidade e morfologia das células vermelhas do sangue. Importante para a avaliação da capacidade de transporte de oxigênio. 2. Hemoglobina: - Proteína responsável pelo transporte de oxigênio. Valores normais: - Mulheres: 12-16 g/dL - Homens: 13,5-17,5 g/dL 3. Hematócrito: - Porcentagem do volume de sangue ocupado por hemácias. Valores normais: - Mulheres: 37-47% - Homens: 40-54% 4. Leucócitos (Glóbulos Brancos): - Avalia o número total de leucócitos e a contagem diferencial (neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos, basófilos). Reflete a resposta imunológica do organismo. 5. Plaquetas: - Avalia a quantidade de plaquetas, que são fundamentais para a coagulação sanguínea. Valores normais: 150.000-450.000/mm³ Dica: Visualizeuma “Equipe de Futebol” onde cada posição representa um componente. Por exemplo, os goleiros (glóbulos brancos) protegem a equipe contra infecções, os atacantes (plaquetas) ajudam a parar o sangramento, enquanto os meias (hemoglobina e hematócrito) garantem a nutrição e oxigenação, fazendo a conexão entre o ataque e a defesa. Componentes do Hemograma Completo 2.3 Interpretação dos Resultados 2.4 A interpretação do hemograma deve considerar os valores de referência e o contexto clínico do paciente. Anemia: Pode ser identificada por hemoglobina e hematócrito baixos. As causas podem incluir deficiências nutricionais (ferro, vitamina B12), hemorragias ou doenças crônicas. Leucocitose ou Leucopenia: Alterações no número de leucócitos podem indicar infecções, inflamações, reações alérgicas ou imunossupressão. Trombocitopenia ou Trombocitose: Valores anormais de plaquetas podem sugerir problemas de coagulação, hemorragias ou condições hematológicas. Dica: Sempre que possível, compare os resultados laboratoriais com exames anteriores do mesmo paciente. Isso pode ajudar a identificar tendências ou mudanças significativas no estado de saúde, permitindo ajustes mais eficazes nas intervenções nutricionais. Causas Comuns de Alterações no Hemograma 2.5 As alterações nos resultados do hemograma podem estar relacionadas a diversos fatores, incluindo: Deficiências nutricionais: Baixos níveis de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico. Doenças crônicas: Diabetes, doenças autoimunes ou infecções crônicas. Uso de medicamentos: Antiinflamatórios, quimioterápicos e anticoagulantes podem influenciar a contagem de células sanguíneas. Estilo de vida: Sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo podem impactar a saúde hematológica. O hemograma completo é uma ferramenta valiosa para o nutricionista, pois permite: - Identificar e monitorar anemias, que podem resultar de deficiências nutricionais. - Avaliar o estado imunológico do paciente, importante em casos de doenças inflamatórias ou infecciosas. - Planejar intervenções dietéticas personalizadas, como suplementação de ferro ou vitaminas, com base nas deficiências identificadas. Importância do Hemograma na Prática Nutricional 2.6 Dica: Ao revisar os resultados do hemograma, sempre faça anotações sobre os componentes que estão fora dos limites normais e considere discutir esses achados com o paciente. Isso não apenas demonstra um cuidado personalizado, mas também permite que você elabore um plano alimentar focado em corrigir essas anormalidades, promovendo uma maior adesão e engajamento do paciente. Paciente: Maria, 32 anos, apresenta fadiga e palidez. Exames: - Hemoglobina: 10 g/dL (abaixo do normal) - Hematócrito: 30% (abaixo do normal) - Leucócitos: 7.000/mm³ (normal) - Plaquetas: 200.000/mm³ (normal) Interpretação: Os resultados sugerem anemia. Considerando a história clínica e a dieta de Maria, uma avaliação adicional da ingestão de ferro e vitamina B12 é necessária. A intervenção pode incluir orientações dietéticas e a consideração de suplementação. Estudo de Caso Prático2.7 3 MÓDULO Perfil lipídico -O que é o Perfil Lipídico? - Componentes do Perfil Lipídico - Interpretação dos Resultados -Fatores que Influenciam o Perfil Lipídico -Importância do Perfil Lipídico na Prática Nutricional -Estudo de Caso Prático O que é o Perfil Lipídico? 3.1 O perfil lipídico é um conjunto de exames laboratoriais que avalia a quantidade e a qualidade das lipoproteínas e dos lipídios no sangue. Esses exames são cruciais para determinar o risco cardiovascular e monitorar a saúde metabólica dos pacientes. Componentes do Perfil Lipídico 3.2 Um perfil lipídico típico inclui as seguintes medições: 1. Colesterol Total: - Medida da quantidade total de colesterol no sangue. Valores desejáveis: abaixo de 200 mg/dL. 2. Lipoproteína de Baixa Densidade (LDL): - Considerado "colesterol ruim", pois altos níveis estão associados ao aumento do risco de doenças cardíacas. Valores desejáveis: abaixo de 100 mg/dL. 3. Lipoproteína de Alta Densidade (HDL): - Conhecido como "colesterol bom", já que ajuda a remover o colesterol das artérias. Valores desejáveis: acima de 60 mg/dL. 4. Triglicerídeos: - Tipo de gordura encontrada no sangue, que também pode influenciar o risco cardiovascular. Valores desejáveis: abaixo de 150 mg/dL. 5. Lipoproteínas de Muito Baixa Densidade (VLDL): - Normalmente calculado e menos discutido, mas também é considerado na avaliação do risco cardiovascular. Macete para ajudar a memorizar a diferença entre HDL e LDL: Macete: “H e L” (Herói e Vilão) • H (HDL): “Héroi do Coração” Função: Transporta o colesterol das artérias de volta para o fígado, ajudando a prevenir doenças cardíacas. • L (LDL): “Ladrão do Coração” Função: Transporta colesterol para as células, mas em excesso pode se acumular nas artérias, aumentando o risco de doenças cardíacas. O HDL é o “herói” que protege o coração, enquanto o LDL é o “ladrão” que pode causar problemas. Lembre-se: quanto mais HDL e menos LDL, melhor para a saúde cardiovascular! Componentes do Perfil Lipídico 3.2 Interpretação dos Resultados 3.3 A interpretação do perfil lipídico deve ser feita de forma integrada, levando em consideração fatores como idade, sexo, histórico familiar e condições clínicas do paciente. Níveis Elevados de LDL: Indicam maior risco cardiovascular e podem exigir intervenções dietéticas e farmacológicas. Níveis Baixos de HDL: Associados a um aumento do risco de doenças cardíacas. Triglicerídeos Elevados: Podem ser causados por dietas ricas em carboidratos, excesso de peso e condições como diabetes tipo 2. Fatores que Influenciam o Perfil Lipídico 3.4 Diversos fatores podem afetar os níveis lipídicos, incluindo: Dieta: Consumo excessivo de gorduras saturadas, trans e açúcares pode elevar os níveis de LDL e triglicerídeos. Exercício físico: A prática regular pode aumentar os níveis de HDL. Peso Corporal: O sobrepeso e a obesidade estão associados a níveis elevados de LDL e triglicerídeos. Genética: Condições hereditárias, como hipercolesterolemia familiar, podem afetar os níveis lipídicos independentemente do estilo de vida. Importância do Perfil Lipídico na Prática Nutricional 3.5 O perfil lipídico é uma ferramenta importante para nutricionistas, pois permite: - Avaliar o risco cardiovascular de forma objetiva. - Identificar pacientes que se beneficiariam de intervenções dietéticas, como a adoção de uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3, fibras e gorduras saudáveis. - Monitorar a eficácia de mudanças no estilo de vida e intervenções dietéticas. Paciente: João, 45 anos, apresenta histórico familiar de doenças cardíacas e está acima do peso. Exames: - Colesterol Total: 240 mg/dL (elevado) - LDL: 160 mg/dL (elevado) - HDL: 35 mg/dL (baixo) - Triglicerídeos: 200 mg/dL (elevado) Interpretação: Os resultados indicam que João está em risco aumentado de doenças cardiovasculares. Recomenda-se uma intervenção que inclua orientações dietéticas para reduzir a ingestão de gorduras saturadas e aumentar o consumo de fibras e gorduras saudáveis, além de incentivo à prática regular de atividade física. Estudo de Caso Prático3.6 4 MÓDULO Exames de Glicemia e Hemoglobina Glicada -O que são os Exames de Glicemia? - Hemoglobina Glicada (HbA1c) - Interpretação dos Resultados -Fatores que Influenciam os Níveis de Glicose -Importância dos Exames de Glicemia na Prática Nutricional -Estudo de Caso Prático O que são os Exames de Glicemia? 4.1 Os exames de glicemia são fundamentais para avaliar a quantidade de glicose no sangue, permitindo o diagnóstico e o monitoramento do diabetes mellitus e de outras condições relacionadas à glicose. Os principais tipos de exames incluem: 1. Glicemia de Jejum: - Medida da glicose no sangue após um período de jejum (normalmente 8-12 horas). Valores normais: abaixo de 100 mg/dL. 2. Glicemia Pós-Prandial: - Medida da glicose 2 horas após a ingestão de uma refeição. Valoresnormais: abaixo de 140 mg/dL. 3. Curva Glicêmica: - Avalia a resposta glicêmica do paciente após a ingestão de uma solução de glicose (geralmente 75 g). Valores de referência: menos de 140 mg/dL após 2 horas indica um metabolismo glicêmico normal. O que são os Exames de Glicemia? 4.1 4. Teste de Tolerância à Glicose (TTG) - avalia a capacidade do corpo de metabolizar a glicose, identificando anormalidades na glicose sanguínea após a ingestão de uma solução açucarada. Valores normais: • Glicose em jejum: Normal:função endócrina do organismo, ajudando a identificar distúrbios metabólicos, problemas de crescimento, infertilidade e condições que afetam o peso corporal. Os principais hormônios a serem avaliados incluem: 1. Insulina: - Produzida pelo pâncreas, regula a glicose no sangue. - Níveis elevados podem indicar resistência à insulina ou diabetes tipo 2. Valores normais em jejum: 2,6-24,9 µU/mL. 2. Hormônio Tireoidiano (TSH, T3 e T4): - TSH (Hormônio Estimulante da Tireóide): Indica a função da glândula tireoide. Valores normais: 0,4-4,0 mUI/L. - T3 e T4 (Triiodotironina e Tiroxina): Hormônios que regulam o metabolismo. T3: 80-200 ng/dL. T4: 4,5-12,5 µg/dL. Importância dos Exames Hormonais 6.1 3. Cortisol: - Hormônio do estresse, produzido pelas glândulas adrenais. - Níveis elevados podem indicar síndrome de Cushing, enquanto níveis baixos podem estar associados à doença de Addison. Valores normais (cortisol matinal): 6-23 µg/dL. 4. Hormônios Sexuais (Estrogênio, Progesterona e Testosterona): - Estrogênio: Hormônio sexual feminino, envolvido em várias funções reprodutivas. Valores normais variam com a fase do ciclo menstrual. - Progesterona: Importante para a ovulação e gravidez. Valores normais: 1-20 ng/mL (dependendo da fase do ciclo). - Testosterona: Hormônio sexual masculino, mas também presente em mulheres. Valores normais: - Homens: 300-1.000 ng/dL - Mulheres: 15-70 ng/dL. A interpretação dos resultados hormonais deve considerar o contexto clínico do paciente. Alterações na Insulina: Podem indicar resistência à insulina ou diabetes tipo 2, exigindo intervenções nutricionais para controle glicêmico. Hipotireoidismo: Níveis elevados de TSH e baixos de T3/T4 podem indicar a necessidade de intervenções dietéticas e possíveis suplementações. Hipertireoidismo: Níveis baixos de TSH e elevados de T3/T4 exigem monitoramento e intervenções adequadas. Desregulações Hormonais: Alterações nos hormônios sexuais podem afetar o metabolismo, a saúde óssea e a função reprodutiva. Dica: “Hipo é Lento, Hiper é Rápido” 1. Hipotireoidismo (Hipo - Lento): • Lento: metabolismo mais devagar. Isso leva a sintomas como: Cansaço, frio, ganho de peso, pele seca. 2. Hipertiroidismo (Hiper - Rápido): • Rápido: metabolismo é acelerado. Isso resulta em sintomas como: Aumento de energia, calor, perda de peso, palpitações e aumento da frequência cardíaca. Interpretação dos Resultados 6.2 Diversos fatores podem impactar os níveis hormonais: Estilo de Vida: Dieta, atividade física, sono e estresse têm um papel importante na regulação hormonal. Medicações: Alguns medicamentos podem interferir na produção ou na atividade dos hormônios. Condições Médicas: Doenças endócrinas, obesidade e síndrome dos ovários policísticos (SOP) podem alterar a produção hormonal. Fatores que Influenciam os Níveis Hormonais 6.3 Dica: a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição complexa que envolve alterações hormonais e metabólicas, e a nutrição desempenha um papel fundamental no manejo dos sintomas. Uma alimentação equilibrada pode ajudar a controlar a resistência à insulina, comum em pacientes com SOP, além de contribuir para a regulação dos níveis de andrógenos e melhorar a qualidade de vida. Priorizar alimentos ricos em fibras, gorduras saudáveis e com baixo índice glicêmico, aliado a uma abordagem anti-inflamatória, pode auxiliar na perda de peso e no controle dos sintomas hormonais. Importância dos Exames Hormonais na Prática Nutricional 6.4 Os exames hormonais são fundamentais para nutricionistas, pois permitem: - Entender distúrbios metabólicos que afetam o peso e a saúde geral. - Planejar intervenções nutricionais personalizadas, levando em consideração as necessidades hormonais do paciente. - Monitorar o impacto de mudanças na dieta sobre os níveis hormonais. Paciente: Laura, 35 anos, queixa-se de fadiga, ganho de peso e irregularidades menstruais. Exames: - Insulina: 30 µU/mL (elevada) - TSH: 6,5 mUI/L (elevada) - T3: 70 ng/dL (baixo) - Testosterona: 50 ng/dL (normal) Interpretação: Os resultados sugerem resistência à insulina e hipotireoidismo. Recomenda-se uma avaliação dietética para redução da ingestão de carboidratos refinados, aumento da ingestão de fibras e possíveis orientações para tratamento do hipotireoidismo. Estudo de Caso Prático 6.5 7 MÓDULO Exames de Nutrientes - Importância dos Exames de Nutrientes - Principais Nutrientes Avaliados -Interpretação dos resultados - Fatores que Influenciam o Status Nutricional -Importância dos Exames de Nutrientes na Prática Nutricional -Estudo de Caso Prático Importância dos Exames de Nutrientes 7.1 Os exames de nutrientes são essenciais para avaliar o status nutricional do paciente, identificando deficiências ou excessos que podem impactar a saúde geral. Esses exames ajudam na elaboração de intervenções dietéticas personalizadas e no monitoramento de condições específicas. Principais Nutrientes Avaliados 7.2 Os principais nutrientes a serem avaliados incluem: 1. Vitamina D: - Essencial para a saúde óssea e função imunológica. Valores normais: 20-50 ng/mL. - Deficiências podem levar a osteoporose e doenças autoimunes. 2. Cálcio: - Importante para a saúde óssea, função muscular e sinalização celular. Valores normais de cálcio total: 8,5-10,5 mg/dL. - Deficiências podem causar osteoporose e fraqueza muscular. 3. Ferro: - Essencial para a produção de hemoglobina e transporte de oxigênio. Valores normais: - Homens: 80-180 µg/dL - Mulheres: 60-160 µg/dL. - Deficiências podem levar à anemia ferropriva. Principais Nutrientes Avaliados 7.2 4. Zinco: - Importante para a função imunológica e cicatrização de feridas. Valores normais: 70-120 µg/dL. - Deficiências podem causar comprometimento imunológico e problemas de crescimento. 5. Vitaminas do Complexo B (B12 e Folato): - Vitamina B12: Essencial para a produção de glóbulos vermelhos e função neurológica. Valores normais: 200-900 pg/mL. - Ácido Fólico (Folato): Importante para a síntese de DNA e divisão celular. Valores normais: 3-17 ng/mL. 6. Sódio: - Regula equilíbrio líquidos, função muscular e nervosa; diretamente relacionado com pressão arterial. alterações podem levar a hiponatremia e hipernatremia. Valores normais: 135-145 mEq/L. - Comumente avaliado em pacientes com desequilíbrios hídricos, doenças renais ou uso de diuréticos. 7. Potássio: - Essencial para contração muscular, incluindo músculo cardíaco, e para condução nervosa. Alterações podem levar a hipocalemia e a hipercalemia. Valores normais: 3.5-5.0 mEq/L. -comumente avaliado em condições como doença renal, distúrbios hormonais e em pacientes em uso de diurético. Principais Nutrientes Avaliados 7.2 Dica: Hiponatremia: pode causar confusão mental, convulsões e coma. Hipernatremia: geralmente associado a desidratação. Hipocalemia: pode causar fraqueza muscular e arritmias.. Hipercalemia: aumenta risco de parada cardíaca. Interpretação dos Resultados 7.3 A interpretação dos resultados dos exames de nutrientes deve ser feita em conjunto com o histórico clínico e a dieta do paciente. Deficiências Nutricionais: Podem levar a uma série de problemas de saúde, como: anemia ferropriva: deficiência de ferro. escorbuto: deficiência vitamina C. raquitismo: deficiência vitamina D. beri-beri: deficiência vitamina B1 (tiamina). pellagra: deficiência vitamina B3. cegueira noturna: deficiência vitamina A. anemia megaloblástica: deficiência ácido fólico. anemia perniciosa: deficiência vitamina B12. bócio: deficiência iodo. Excessos Nutricionais: Podem ocorrer em casos de suplementação inadequada ou consumo excessivo de alimentos ricos em certos nutrientes, levando a toxicidade (por exemplo, excesso de vitamina D ou ferro). Fatores que Influenciam o Status Nutricional 7.4 Vários fatores podem impactar o status nutricional do paciente: Dieta: Consumo inadequado de alimentos ricos em nutrientesessenciais. Absorção: Problemas gastrointestinais podem afetar a absorção de nutrientes (ex.: doença celíaca, gastrite). Metabolismo: Condições metabólicas podem alterar a necessidade de nutrientes. Uso de Medicamentos: Alguns medicamentos podem interferir na absorção ou metabolismo de nutrientes. Importância dos Exames de Nutrientes na Prática Nutricionall 7.5 Os exames de nutrientes são fundamentais para nutricionistas, pois permitem: - Avaliar o estado nutricional de pacientes em risco de deficiências. -Planejar intervenções dietéticas adequadas, personalizando a dieta para atender às necessidades individuais. - Monitorar a eficácia de intervenções dietéticas e suplementações. Paciente: Fernanda, 28 anos, vegetariana, queixando-se de fadiga e queda de cabelo. Exames: - Vitamina D: 15 ng/mL (deficiente) - Ferro: 40 µg/dL (normal) - Vitamina B12: 180 pg/mL (deficiente) - Folato: 6 ng/mL (normal) Interpretação: Fernanda apresenta deficiências de vitamina D e B12, o que pode estar contribuindo para sua fadiga e queda de cabelo. Recomenda-se a introdução de fontes de vitamina D na dieta (como exposição ao sol e alimentos fortificados) e suplementação de vitamina B12. Estudo de Caso Prático7.6 8 MÓDULO Conclusões e Aplicações Práticas - Importância da Avaliação Nutricional - Interpretação Integrada dos Exames -Interpretação dos resultados - Planejamento de Intervenções Nutricionais -Monitoramento e Acompanhamento -Estudos de Caso: Aplicações Práticas Importância da Avaliação Nutricional 8.1 A avaliação nutricional é uma ferramenta essencial para identificar deficiências, excessos e disfunções metabólicas. Através dos exames laboratoriais discutidos nos módulos anteriores, os nutricionistas podem obter uma visão abrangente do estado de saúde de seus pacientes. Isso permite a elaboração de planos de intervenção personalizados que visam melhorar a saúde e prevenir doenças. Interpretação Integrada dos Exames 8.2 A interpretação dos resultados laboratoriais deve ser holística, levando em consideração: Histórico Clínico: Entender a condição médica do paciente, histórico familiar e sintomas relatados. Dieta e Estilo de Vida: Avaliar os hábitos alimentares, atividade física, consumo de álcool e uso de medicamentos. Avaliação Física: Realizar medições antropométricas e outras avaliações para uma análise mais completa. Importante: ideal é suplementar apenas os nutrientes que estão em níveis insuficientes. Cada pessoa tem necessidades nutricionais diferentes, e suplementar de forma direcionada evita o consumo excessivo de vitaminas e minerais, o que pode causar toxicidade. Focar nas deficiências específicas torna o tratamento mais eficaz e reduz o risco de interações negativas entre nutrientes. Multivitamínicos podem ser indicados em casos de dietas muito restritivas, durante a gestação, lactação ou na terceira idade, mas mesmo nessas situações o uso deve ser avaliado por um profissional. Planejamento de Intervenções Nutricionais 8.3 Com base nos resultados dos exames e na avaliação integrada, o nutricionista pode: Definir Metas Nutricionais: Estabelecer objetivos claros e alcançáveis, como aumento de certos nutrientes ou perda de peso. Criar Planos Alimentares Personalizados: Elaborar dietas que atendam às necessidades nutricionais específicas do paciente, levando em conta suas preferências alimentares e restrições. Recomendar Suplementações: Quando necessário, indicar suplementos vitamínicos ou minerais para corrigir deficiências identificadas. Monitoramento e Acompanhamento 8.4 O acompanhamento regular é crucial para avaliar a eficácia das intervenções nutricionais. Isso pode incluir: - Reavaliação de Exames: Repetir exames laboratoriais após um período determinado para verificar se houve melhoria no estado nutricional. - Feedback Contínuo: Manter um diálogo aberto com o paciente, ajustando o plano conforme necessário e abordando quaisquer dificuldades que possam surgir. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Caso 1: Paciente: João, 42 anos, sexo masculino. Histórico Clínico: João, com histórico de hipertensão e diagnóstico recente de gastrite, procurou atendimento nutricional devido a cansaço, fraqueza muscular e dores de cabeça frequentes. Ele relatou uma dieta irregular, com alta ingestão de alimentos processados e pobre em frutas, vegetais e proteínas magras. Exames Laboratoriais: • Hemoglobina: 11.2 g/dL (Valor de referência: 13.0-17.0 g/dL) • Ferritina: 12 ng/mL (Valor de referência: 30-300 ng/mL) • Ácido Fólico: 2.8 ng/mL (Valor de referência: 5-20 ng/mL) • Zinco: 65 mcg/dL (Valor de referência: 70-120 mcg/dL) • Magnésio: 1.6 mg/dL (Valor de referência: 1.7-2.2 mg/dL) • Sódio: 136 mEq/L (Valor de referência: 135-145 mEq/L) • Potássio: 3.2 mEq/L (Valor de referência: 3.5-5.0 mEq/L) Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Interpretação dos Exames: 1. Anemia Ferropriva: A hemoglobina baixa, juntamente com a ferritina reduzida, sugere anemia por deficiência de ferro, o que está relacionado ao cansaço e à fraqueza muscular relatados pelo paciente. 2. Deficiência de Ácido Fólico: Os níveis baixos de ácido fólico são consistentes com a dieta inadequada e podem estar contribuindo para a anemia megaloblástica, além de piorar os sintomas de fadiga. 3. Deficiência de Zinco: O zinco abaixo do normal pode prejudicar a imunidade e o processo de cicatrização, o que pode ser relevante para o tratamento da gastrite. 4. Hipomagnesemia: O magnésio levemente baixo pode estar associado à fraqueza muscular e contribuir para a hipertensão mal controlada. 5. Hipocalemia: O potássio abaixo do normal pode estar relacionado ao uso de anti-hipertensivos (como diuréticos) e agravar sintomas de cãibras e fraqueza muscular. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Plano de Ação e Intervenção Nutricional: 1. Suplementação e Modificação da Dieta: • Ferro: Iniciar suplementação com sulfato ferroso (300 mg/dia) e aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro, como carnes magras, feijões e vegetais de folhas escuras. Orientar o consumo de fontes de vitamina C (laranja, acerola) junto às refeições para aumentar a absorção do ferro não-heme. • Ácido Fólico: Suplementação com ácido fólico (5 mg/dia) por 4 meses, associado à ingestão de alimentos ricos em folato, como vegetais verdes, leguminosas e cereais fortificados. • Zinco: Iniciar suplementação de zinco (15 mg/dia) e incentivar o consumo de alimentos fontes como carnes, frutos do mar, grãos integrais e sementes. • Magnésio: Suplementação de magnésio (300 mg/dia) e aumento da ingestão de alimentos ricos no mineral, como castanhas, sementes, leguminosas e vegetais de folhas escuras. • Potássio: Aumentar a ingestão de alimentos ricos em potássio, como bananas, batatas, abacates e folhas verdes. Monitorar o uso de diuréticos. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 2. Monitoramento e Ajustes: • Repetir exames laboratoriais de ferritina, hemoglobina, zinco, magnésio e potássio após 3 meses de intervenção para avaliar a resposta ao tratamento. • Avaliação regular dos sintomas clínicos e ajustes na suplementação conforme necessário. 3. Educação Nutricional: • Orientar sobre a importância de uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes essenciais e adequada à condição de saúde, com ênfase na redução de alimentos ultraprocessados. • Implementar estratégias para adesão ao plano alimentar, incluindo dicas práticas para organização de refeições e substituição de alimentos. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Caso 2 Paciente: Maria, 58 anos, sexo feminino. Histórico Clínico: Maria tem histórico de hipertensão controlada por medicação, mas nas últimas semanas relatou episódios de diarreia, náusea e perda de apetite. Ela procurou atendimento nutricional devido à perda de peso e sensação de fraqueza generalizada. Sua alimentação nos últimos dias tem sido limitada, com baixa ingestão de líquidos e eletrólitos. Além disso, relatou cãibras frequentes nas pernas. Exames Laboratoriais: •Sódio: 130 mEq/L (Valor de referência: 135-145 mEq/L) • Potássio: 3.0 mEq/L (Valor de referência: 3.5-5.0 mEq/L) • Magnésio: 1.5 mg/dL (Valor de referência: 1.7-2.2 mg/dL) • Ferro: 50 mcg/dL (Valor de referência: 50-150 mcg/dL) • Albumina Sérica: 3.2 g/dL (Valor de referência: 3.5-5.0 g/dL) Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Interpretação dos Exames: 1. Hiponatremia: O nível de sódio abaixo do normal sugere desidratação e possível perda de sódio devido aos episódios de diarreia, agravado pela baixa ingestão de líquidos. 2. Hipocalemia: O potássio reduzido pode estar relacionado à perda através do trato gastrointestinal e contribuir para as cãibras e fraqueza muscular que a paciente relatou. 3. Hipomagnesemia: O magnésio baixo pode estar exacerbando a sensação de fraqueza e cãibras musculares, especialmente em combinação com os baixos níveis de potássio. 4. Nível Baixo de Ferro: O ferro no limite inferior do normal pode indicar uma leve deficiência que, somada à baixa ingestão alimentar recente, contribui para o quadro de fadiga. 5. Albumina Baixa: Indicativo de estado nutricional comprometido, provavelmente causado pela baixa ingestão de proteínas devido à náusea e perda de apetite. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Plano de Ação e Intervenção Nutricional: 1. Reidratação e Correção de Eletrólitos: • Sódio e Potássio: A paciente deve ser orientada a ingerir líquidos ricos em eletrólitos, como soluções de reidratação oral, e consumir alimentos ricos em potássio, como bananas, laranjas e batatas. Monitorar o uso de diuréticos que podem piorar o desequilíbrio de eletrólitos. • Magnésio: Introduzir uma suplementação de magnésio (300 mg/dia) para corrigir os níveis e evitar cãibras musculares recorrentes. Também incentivar o consumo de alimentos como amêndoas, espinafre e sementes. 2. Suplementação e Alimentação para Deficiência de Ferro e Proteínas: • Ferro: Embora os níveis estejam apenas no limite inferior, considerar a suplementação leve com ferro oral (30 mg/dia) para evitar o progresso da deficiência, especialmente se a paciente não conseguir aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro a curto prazo. Priorizar alimentos como carnes magras, feijão e lentilhas. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 • Albumina e Estado Nutricional: A paciente deve aumentar a ingestão de proteínas através de alimentos de fácil digestão e preparados leves, como caldos de frango, ovos cozidos e suplementos nutricionais líquidos, para melhorar os níveis de albumina. 3. Recuperação Nutricional Gradual: • Reintrodução de Alimentos: Implementar uma dieta progressiva que comece com alimentos leves e de fácil digestão, como purês de vegetais, caldos ricos em nutrientes e fontes de carboidratos simples como arroz e batata. • Acompanhamento da Tolerância Alimentar: Gradualmente reintroduzir proteínas e fibras à medida que os sintomas digestivos melhorem, com foco em aumentar o teor proteico e a variedade alimentar. 4. Monitoramento e Reavaliação: • Repetir os exames de sódio, potássio e magnésio em 2 semanas para verificar a recuperação dos eletrólitos. • Reavaliar os níveis de albumina e ferro após 1 mês de intervenção para ajustar a suplementação conforme a resposta do organismo. • Avaliar a perda de peso e a condição nutricional com a continuidade da reidratação e reintrodução alimentar. Estudos de Caso: Aplicações Práticas 8.5 Caso 3 Paciente: Carlos, 49 anos, sexo masculino. Histórico Clínico: Carlos foi diagnosticado com síndrome metabólica, apresentando obesidade abdominal, hipertensão e dislipidemia. Tem histórico familiar de DM tipo 2 e está em tratamento com medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes. Recentemente, começou a sentir cansaço constante e dores nas articulações, além de ter dificuldade para controlar o peso, apesar de seguir uma dieta sem acompanhamento nutricional. Exames Laboratoriais: • Glicemia Jejum: 118 mg/dL (Valor de referência: 40 mg/dL) • Triglicerídeos: 220 mg/dL (Valor de referência:Embora possam observar resultados de exames alterados, essa interpretação deve ser feita dentro do contexto da nutrição e não como uma conclusão clínica sobre a presença de uma doença. - Encaminhamento: Quando um nutricionista identifica resultados laboratoriais que sugerem uma condição médica (ex.: anemia, diabetes), a conduta ética e profissional é encaminhar o paciente para um médico. O profissional de saúde responsável pelo diagnóstico deve ser um médico qualificado, que pode realizar uma avaliação abrangente e fornecer um diagnóstico preciso. BÔNUS CONTEÚDO Exercícios práticos - Exercício diabetes - Exercício anemia ferropriva -Exercício hipertensão - Exercício doença renal crônica -Perguntas e respostas Exercícios práticos Estudo de Caso 1: Paciente com Diabetes Tipo 2 Descrição do Paciente: - Nome: João - Idade: 54 anos - Queixa: Aumento de peso, fadiga e níveis elevados de glicose no sangue. Resultados de Exames: - Glicemia de jejum: 130 mg/dL - HbA1c: 7,5% - Perfil lipídico: colesterol total 220 mg/dL, LDL 140 mg/dL, HDL 40 mg/dL. Perguntas para Discussão: - Quais intervenções nutricionais você recomendaria? - Que exames adicionais poderiam ser úteis para monitorar a saúde do João? - Como você abordaria o aumento da adesão ao plano alimentar proposto? Exercícios práticos Estudo de Caso 2: Paciente com Anemia Ferropriva Descrição do Paciente: - Nome: Maria - Idade: 30 anos - Queixa: Fadiga intensa, palidez e queda de cabelo. Resultados de Exames: - Hemoglobina: 10 g/dL - Ferro sérico: 25 µg/dL - Ferritina: 15 ng/mL - Capacidade total de ligação do ferro (TIBC): 400 µg/dL. Perguntas para Discussão: - Quais são os principais fatores dietéticos que você abordaria para ajudar Maria? - Que fontes de ferro e outros nutrientes você recomendaria incluir na dieta? - Como você monitoraria a eficácia das intervenções? Exercícios práticos Estudo de Caso 4: Paciente com Doença Renal Crônica Descrição do Paciente: - Nome: Ana - Idade: 45 anos - Queixa: Inchaço nas pernas e fadiga. Resultados de Exames: - Creatinina: 2,5 mg/dL - Taxa de filtração glomerular (TFG): 45 mL/min. - Potássio: 5,5 mEq/L. Perguntas para Discussão: - Quais seriam as principais considerações dietéticas para Ana? - Como você abordaria a questão do controle de potássio em sua dieta? - Que tipo de monitoramento contínuo você recomendaria? Exercícios práticos - Respostas Estudo de Caso 1: Paciente com Diabetes Tipo 2 Intervenções Nutricionais: - Adotar uma dieta equilibrada: Focar em carboidratos de boa qualidade, como grãos integrais, legumes e vegetais. - Aumentar a ingestão de fibras: Incentivar o consumo de frutas, verduras e grãos, que ajudam no controle glicêmico. - Reduzir a ingestão de açúcares e gorduras saturadas: Limitar alimentos processados e ricos em açúcar. - Controlar porções: Ajudar João a entender porções adequadas para evitar excessos calóricos. Exames Adicionais: - Monitorar frequentemente a glicemia capilar para avaliar a resposta ao tratamento. - Considerar a avaliação de hemoglobina glicada (HbA1c) a cada 3-6 meses para monitorar o controle a longo prazo. Adesão ao Plano Alimentar: - Educação nutricional: Explicar a relação entre alimentos e controle glicêmico. - Registro alimentar: Incentivar o registro dos alimentos consumidos no dia para rastreamento da dieta e aprendizado sobre a alimentação. - Apoio contínuo: Oferecer consultas regulares para reforçar o plano e ajustar conforme necessário. Exercícios práticos - Respostas Estudo de Caso 2: Paciente com Anemia Ferropriva Fatores Dietéticos: - Aumentar a ingestão de ferro: Recomendar alimentos ricos em ferro heme (carnes vermelhas, frango, peixe) e ferro não heme (leguminosas, espinafre, nozes). - Incluir alimentos ricos em vitamina C: Como laranja, morango, kiwi e pimentões, para melhorar a absorção de ferro. Fontes de Ferro: - Carnes: Focar em cortes magros de carne vermelha e aves. - Leguminosas: Feijões, lentilhas e grão-de-bico. - Vegetais verdes: Espinafre, couve e brócolis. Monitoramento da Eficácia: - Repetir exames de hemoglobina e ferritina: Após 2-3 meses de intervenção, para avaliar a resposta ao tratamento. - Acompanhamento regular: Verificar a adesão ao plano e ajustar conforme necessário. Exercícios práticos - Respostas Estudo de Caso 3: Paciente com Hipertensão Recomendações Nutricionais: - Dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension): Incentivar o aumento do consumo de frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura. - Reduzir o sódio: Limitar a ingestão a menos de 2.300 mg por dia (ou 1.500 mg para aqueles que já têm hipertensão). - Aumentar a ingestão de potássio: Consumir mais alimentos ricos em potássio, como bananas, batatas, abacates e feijões. Mudanças no Estilo de Vida: - Atividade física: Recomendar a prática de exercícios físicos com profissional de educação física habilitado. - Controle do estresse: Práticas como yoga ou meditação para ajudar a reduzir a pressão arterial. Impacto da Redução de Sódio: - Diminuição da pressão arterial: Menor ingestão de sódio pode resultar em uma redução significativa na pressão arterial. - Melhora na saúde cardiovascular: A longo prazo, isso pode reduzir o risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. Exercícios práticos - Respostas Estudo de Caso 4: Paciente com Doença Renal Crônica Considerações Dietéticas: - Reduzir a ingestão de proteínas: Controlar a quantidade de proteína na dieta, evitando excessos que possam sobrecarregar os rins. - Limitar potássio: Considerar a restrição de alimentos ricos em potássio (ex.: bananas, laranjas, batatas) e monitorar os níveis. Controle de Potássio: - Fontes baixas em potássio: Sugerir alimentos como maçãs, peras, cenouras e arroz, que têm menor teor de potássio. - Cozimento adequado: Encorajar o cozimento de vegetais, que pode ajudar a reduzir o teor de potássio. Monitoramento Contínuo: - Exames regulares: Reavaliar os níveis de creatinina, potássio e TFG a cada 1-3 meses. - Consulta com um nefrologista: sempre para uma gestão abrangente da doença renal. Perguntas e Respostas 1. Qual a frequência ideal para solicitar exames laboratoriais em consultas nutricionais? Resposta: Depende do estado de saúde do paciente. Em consultas de rotina, pode ser indicado a cada seis meses a um ano, mas em casos específicos, como pacientes com doenças crônicas, a frequência pode ser maior. 2. O que o nutricionista deve observar primeiro em um hemograma completo? Resposta: O hemograma completo fornece várias informações importantes, mas o nutricionista pode começar observando os níveis de hemoglobina, hematócrito e os índices eritrocitários para avaliar possíveis anemias. 3. Qual a importância da avaliação da glicemia de jejum e hemoglobina glicada? Resposta: A glicemia de jejum avalia os níveis de açúcar no sangue em curto prazo, enquanto a hemoglobina glicada reflete o controle glicêmico dos últimos três meses, essencial para acompanhar a saúde metabólica do paciente. 4. Qual a diferença entre colesterol total, LDL e HDL nos exames? Resposta: O colesterol total inclui todas as lipoproteínas, mas o LDL (colesterol “ruim”) está relacionado ao risco cardiovascular, enquanto o HDL (colesterol “bom”) ajuda na remoção do excesso de colesterol das artérias. Perguntas e Respostas 5. Quais exames são mais indicados para avaliar a função renal em um paciente? Resposta: A creatinina sérica, o clearance de creatinina e a ureia são os principais exames para avaliar a função renal. A dosagem de eletrólitos, como sódio e potássio, também pode ser útil. 6. Exames de vitaminas e minerais devem ser solicitados com frequência? Resposta: Não necessariamente. Geralmente, esses exames são solicitados quando há sinais clínicos de deficiência, condições que aumentem o risco de baixa ingestão ou absorção, ou em populações de risco, como gestantes ou idosos. 7. Como interpretar níveis baixos de albumina no exame de sangue? Resposta: Níveis baixos de albumina podem indicar desnutrição,mas também podem estar associados a doenças inflamatórias ou hepáticas. O contexto clínico é fundamental para a interpretação. Perguntas e Respostas 8. Qual a relação entre a avaliação do perfil lipídico e o risco cardiovascular? Resposta: O perfil lipídico, que inclui colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, é crucial na avaliação do risco cardiovascular. Níveis elevados de LDL e triglicerídeos, e baixos níveis de HDL, aumentam o risco de doenças cardíacas. 9. Como o estado nutricional pode afetar os resultados dos exames laboratoriais? Resposta: Deficiências nutricionais podem alterar os níveis de vários marcadores laboratoriais, como anemia por deficiência de ferro ou alterações nos níveis de proteína devido à desnutrição. É importante interpretar os resultados em conjunto com a avaliação do estado nutricional do paciente. 10. Quando é necessário solicitar um exame de glicose pós-prandial? Resposta: O exame de glicose pós-prandial é indicado em casos onde há suspeita de diabetes, para avaliar a resposta glicêmica a uma refeição, ou para monitorar o controle glicêmico em pacientes já diagnosticados. Perguntas e Respostas 11. O que são marcadores inflamatórios e por que são importantes na nutrição? Resposta: Marcadores inflamatórios, como PCR (proteína C- reativa), ajudam a avaliar a presença de inflamação no corpo, que pode impactar o estado nutricional e a resposta ao tratamento. A inflamação crônica pode levar a alterações no metabolismo e na absorção de nutrientes. 12. Qual a importância da avaliação dos eletrólitos em exames laboratoriais? Resposta: A avaliação dos eletrólitos (como sódio, potássio, cálcio e magnésio) é fundamental, pois desequilíbrios podem afetar várias funções corporais, incluindo a função cardíaca e muscular, e podem ser consequência de desidratação, dieta inadequada ou condições clínicas. 13. Como o estado de hidratação do paciente pode influenciar os resultados laboratoriais? Resposta: A desidratação pode concentrar substâncias no sangue, alterando os níveis de creatinina e ureia, por exemplo. Em contrapartida, a hiperidratação pode diluir esses marcadores, levando a interpretações errôneas. Perguntas e Respostas 14. Quais são os principais exames laboratoriais para avaliar a deficiência de micronutrientes? Resposta: Os exames de sangue para avaliação de micronutrientes incluem dosagens de ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, ácido fólico e zinco. A escolha dos exames depende dos sintomas e do histórico dietético do paciente. 15. Como as condições de saúde do paciente afetam a interpretação dos exames? Resposta: Condições como doenças crônicas, infecções ou processos inflamatórios podem alterar os resultados dos exames. É importante considerar o histórico clínico e os sintomas do paciente ao interpretar os dados laboratoriais. Mensagem Final Agradeço a você, leitor, por dedicar seu tempo a explorar este ebook sobre exames laboratoriais aplicados à nutrição. Espero que as informações apresentadas tenham contribuído para ampliar seu conhecimento e aprimorar suas práticas profissionais. Lembre-se de que a nutrição é uma área em constante evolução, e a interpretação adequada dos exames laboratoriais é fundamental para oferecer um atendimento de qualidade e personalizado aos seus pacientes. Que este material sirva como um guia prático e uma fonte de inspiração para suas futuras consultas. Vamos juntos continuar a jornada de aprendizado e crescimento na nutrição! @nutricaodadepressao