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3 1. INTRODUÇÃO Antes de Peter Safar e James Elam 1960, a abordagem para a paragem pulmonar e cardíaca não estava bem definida e o foco estava mais na recuperação do coração e menos na respiração. Safar e Elam, em 1960, desenvolveram e popularizaram a técnica de ressuscitação boca-a-boca, que foi um avanço crucial. Eles caracterizaram a paragem cardiorrespiratória como um estado em que a circulação sanguínea e a respiração falham, colocando em risco imediato a vida do paciente. Embora a OMS não tenha um relatório específico exclusivamente sobre a PCR extra- hospitalar global, o World Health Estatísticas 2018 trouxe informações sobre as principais causas de morte, que incluem doenças cardiovasculares, as quais são frequentemente responsáveis pelas paragens cardiopulmonares. Em 2020, a American Heart Association (AHA) publicou um estudo que indicava que, globalmente, cerca de 350.000 casos de paragem cardíaca extra-hospitalar aconteciam por ano nos Estados Unidos, com uma taxa de sobrevivência muito baixa sem intervenção imediata. Além disso, a OMS reconhece a paragem cardiopulmonar como uma emergência médica globalmente relevante, dada sua alta mortalidade e impacto significativo na saúde pública. As doenças cardiovasculares (DCV) são uma das principais causas de morte em Angola. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros estudos realizados sobre a saúde pública no país, as DCV estão entre as principais causas de morte, o que implica que a paragem cardiorrespiratória, muitas vezes consequência de condições como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral, seja uma realidade significativa. Em 2016, a OMS indicou que as doenças cardiovasculares eram responsáveis por cerca de 15% das mortes em Angola. Embora esses dados não se concentrem exclusivamente na PCR extra-hospitalar, é razoável inferir que uma boa parte das mortes de origem cardiovascular no país possa estar associada a paragens cardiorrespiratórias fora do ambiente hospitalar. Dados exactos sobre o número de paragens cardiopulmonar extra-hospitalares em Angola são escassos. Muitas vezes, os estudos epidemiológicos realizados no país carecem 4 de dados detalhados sobre situações de emergência e ressuscitação. Isso se deve, em parte,à infra-estrutura de saúde limitada e à ausência de registros sistemáticos de emergências médicas fora do ambiente hospitalar. 5 1.1 FORMULAÇÃO DE PROBLEMA Visto que pouco se tem falado sobre paragem cardiopulmonar, surgiu-nos a ideia de abordarmos o tema, a fim de alargamos os nossos conhecimentos sobre a doença que é um problema de distribuição mundial que tem impactado o quotidiano em diferentes dimensões e complexidade é uma doença que além de afectar a saúde, afecta também a economia. A paragem cardiopulmonar tem levado muitos indivíduos a morte, com essa situação surgiu-nos a seguinte inquietação: Quais são as Práticas e atitudes dos estudantes da 12ª classe de Enfermagem em relação aos sinais de paragem cardiopulmonar em ambiente extra-hospitalar no Instituto Técnico Privado De Saúde Zion, no I Trimestre de 2025? 6 1.2. JUSTIFICATIVA Este estudo visa destacar a importância da educação e capacitação em primeiros socorros, promovendo a preparação dos estudantes para agir de maneira rápida e eficaz diante de emergências. Isso pode impactar positivamente as taxas de sobrevivência em casos de PCR extra-hospitalar. Perante essa situação preocupante, sentimo-nos incentivados a abordar este tema para aprofundarmos os conhecimentos técnicos e científicos sobre Práticas e atitude dos estudantes da 12ª classe de Enfermagem Instituto Técnico Privado De Saúde Zion. em relação aos sinais de paragem cardiopulmonar em ambiente extra-hospitalar no, seus factores de riscos, consequências, sinais e sintomas no I Trimestre de 2025. 7 1.3 OBJECTIVOS 1.4 Objectivo Geral Avaliar o nível de conhecimento, práticas e atitudes dos estudantes em relação aos sinais de paragem cardiopulmonar em ambiente extra-hospitalar. 1.5 Objectivos específicos ❖ Identificar o grau de conhecimento teórico sobre sinais e sintomas de PCR entre os estudantes. ❖ Avaliar a capacidade prática de resposta dos estudantes diante de uma situação simulada de PCR. ❖ Analisar as atitudes dos estudantes quanto à prontidão e confiança para agir em situações de emergência. ❖ Investigar se os estudantes já receberam treinamento formal em Suporte Básico de Vida (SBV). ❖ Propor estratégias de capacitação e treinamento para melhorar as respostas diante de PCR. 8 2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. Conceito Paragem cardiopulmonar é uma interrupção súbita da função cardíaca e respiratória, o que leva à cessação do fornecimento de oxigénio ao cérebro e outros órgãos vitais. (S.S. SRINIVASAN E P. SRINIVASAN 2015). Paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar (PCR extra-hospitalar) como um evento em que uma pessoa apresenta paragem cardíaca fora do ambiente hospitalar, ou seja, em locais como a residência, vias públicas, ambientes de trabalho, entre outros. (AMERICAN HEART ASSOCIATION 2020). A AHA enfatiza que a PCR extra-hospitalar tem uma taxa de sobrevivência significativamente mais baixa, o que torna essencial a intervenção precoce para aumentar as chances de sobrevida, como o início imediato de manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e o uso de desfibriladores externos automáticos (DEA), caso disponíveis. A AHA também ressalta que a resposta eficaz e rápida à PCR, incluindo a chamada imediata para serviços de emergência médica (SAMU) e a realização de RCP de alta qualidade, é crucial para melhorar os desfechos e as chances de recuperação. (AMERICAN HEART ASSOCIATION 2020). Paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar envolve a ocorrência de um evento súbito de paragem cardíaca fora de ambientes hospitalares, como em casa, em locais públicos ou no trabalho, e que o tempo de resposta inicial é crucial para melhorar as chances de sobrevivência (ERIKSON, 2010). 2.2. Fisiopatologia da paragem cardiopulmonar A fisiopatologia da paragem cardiopulmonar (PCR) extra-hospitalar tem sido amplamente discutida na literatura científica. A fisiopatologia da paragem cardiopulmonar como um evento causado, frequentemente por um problema subjacente, como doença coronária, arritmias cardíacas (principalmente fibrilação ventricular) ou insuficiência respiratória, em muitos casos resultante de afogamento ou trauma. Eles destacaram a importância da rápida restauração do fluxo sanguíneo e ventilação para reverter os danos cerebrais e cardíacos causados pela falta 9 ação. (ZUERCHER ET AL. 2013). de oxigénio a fisiopatologia relacionada ao colapso hemodinâmico, que muitas vezes resulta da falha na função cardíaca. A perda do débito cardíaco durante a PCR leva a hipoxia e acidose, prejudicando ainda mais o funcionamento do coração e do cérebro. (NOLAN ET AL. 2008) Peberdy Et al. (2003): colaboradores dividiram a PCR em dois tipos principais, com base na causa subjacente: A fisiopatologia da paragem cardiopulmonar (PCR) com ênfase na isquemia miocárdica e na evolução para arritmias fatais. Eles explicaram que a PCR frequentemente é desencadeada por distúrbios eléctricos cardíacos e, uma vez iniciada, pode resultar em dano irreversível aos órgãos vitais devido à falta de oxigenação. (LINDNER ET AL. 2004). A fisiopatologia da paragem cardiopulmonar, enfatizando a sequência de eventos que incluem a falha da função ventricular esquerda e a consequência da falta de perfusão cerebral. Eles sugerem que, para melhorar a sobrevida, é necessário restaurar rapidamente a circulação e a ventilação. (PEBERDY ET AL. 2003). 2.3. Classificação de paragem cardiopulmonar extra-hospitalar A paragem cardiopulmonar (PCR)extra-hospitalar é frequentemente classificada de acordo com vários critérios, incluindo a causa, o ritmo inicial, e a resposta ao tratamento. 2.3.1.Classificação com base no ritmo cardíaco Nolan Et al. (2008) colaboradores propuseram uma classificação baseada no ritmo de parada, que é um dos principais factores determinantes no prognóstico de sobrevida e recuperação da paragem cardiopulmonar (PCR). Eles dividiram as paragens em: Paragem com ritmo desfibrável (principalmente fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso). Paragem com ritmo não desfibrável (assistolia e actividade eléctrica sem pulso). Paragem com ritmo indeterminado (casos onde não se sabe o ritmo inicialantes da desfibrilação). 2.3.2.Classificação com base na causa PCR primária: Causada por uma condição cardíaca, como infarto do miocárdio ou arritmias cardíacas. PCR secundária: Causada por uma condição não cardíaca, como afogamento, trauma, intoxicação ou insuficiência respiratória. Paragem cardiorrespiratória em locais públicos: A resposta imediata e a presença de desfibriladores externos automáticos (DEA) são factores importantes para a chance de sobrevivência. A PCR geralmente é de origem cardíaca, com a presença de arritmias (NOLAN ET AL 2005). Paragem cardiorrespiratória domiciliar: A PCR é frequentemente associada a doenças crónicas, como insuficiência cardíaca ou complicações de doenças respiratórias. A reanimação pode ser atrasada devido à falta de testemunhas ou conhecimento de primeiros socorros, resultando em um prognóstico geralmente mais desfavorável (NOLAN ET AL 2005). 2.3.3. Classificação com base a reanimação Reanimação básica (suporte básico de vida - SBV): Focada em compressões torácicas e ventilação. O objectivo é fornecer uma resposta inicial rápida até a chegada da ajuda avançada, como a ambulância ou equipe médica (CUMMINS ET AL 1991). Reanimação avançada (suporte avançado de vida - SAV): Envolve o uso de tecnologias como desfibriladores, medicamentos, intubação e outros procedimentos médicos realizados por profissionais treinados (CUMMINS ET AL 1991). Classificação de sucesso da reanimação: Avalia o retorno à circulação espontânea e a sobrevivência a longo prazo após a intervenção. (CUMMINS ET AL 1991). 2.3.4. Causas de paragem cardiopulmonar extra-hospitalar As causas mais comuns de paragem cardiopulmonar fora do ambiente hospitalar, com base em estudos amplamente reconhecidos, (JONAH A. L. L. H. ANDERSEN). Doenças cardíacas: As doenças cardíacas são a principal causa de PCR extra 10 hospitalar. O infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e a arritmia cardíaca (como fibrilação ventricular) são responsáveis pela maioria dos casos. Acidente vascular cerebral (AVC): Embora menos comum, um AVC grave pode levar à paragem cardiorrespiratória. Afogamento: Afogamentos são uma causa significativa de PCR extra-hospitalar, principalmente em crianças. Trauma físico: Acidentes automobilísticos, quedas e outros tipos de trauma podem causar paragem cardiorrespiratória devido a danos físicos graves ao coração ou ao sistema nervoso central. Intoxicações: O uso excessivo de drogas, como opiáceos, ou a ingestão de substâncias tóxicas podem resultar em PCR devido a depressão respiratória ou cardiovascular. Doenças respiratórias: Condições como asma grave ou broncoespasmo podem levar à paragem cardiorrespiratória se não tratadas adequadamente. 2.4. Sinais e sintomas da paragem cardiopulmonar extra-hospitalar Perda súbita de consciência: A PCR geralmente se manifesta de forma abrupta, sem aviso, com perda de consciência imediata (DEAKIN ET AL 2017). Ausência de respiração ou respiração anormal (gasping): A vítima pode apresentar uma respiração irregular e superficial ou cessar a respiração completamente (DEAKIN ET AL 2017). Ausência de pulso: A ausência de pulso central (carotídeo ou femoral) deve ser confirmada rapidamente (DEAKIN ET AL 2017). Cianose: Pode ocorrer quando a oxigenação sanguínea está severamente comprometida. Dilatação pupilar: Indicativo de diminuição da perfusão cerebral (DEAKIN ET AL 2017). 2.5. Diagnostico da paragem cardiopulmonar extra-hospitalar Colapso abrupto e perda de consciência: A PCR é frequentemente precedida por um colapso súbito da vítima, com perda de consciência sem qualquer sinal de alerta, (PERKINSET AL 2004). 11 Ausência de respiração: A vítima não apresenta respiração ou demonstra uma respiração ineficaz (gasping), (PERKINS ET AL 2004). Ausência de pulso: A falta de pulso carotídeo é um dos sinais mais claros para o diagnóstico de paragem cardiopulmonar (PCR), (PERKINS ET AL 2004). Cianose e dilatação pupilar: A falta de oxigenação leva à cianose (coloração azulada) e pupilas dilatadas, (PERKINS ET AL 2004). 12 13 2.6. Tratamento da paragem cardiopulmonar extra-hospitalar Ressuscitação Cardiopulmonar é o tratamento emergenciais de suporte básico de vida para paragem cardiopulmonar extra-hospitalar, com foco nas compressões torácicas contínuas e a ventilação em situações de paragem cardiopulmonar. A ênfase estava no uso de desfibriladores automáticos externos (DAE), capacitando a população leiga a realizar paragem cardiopulmonar e desfibrilação em tempo hábil, (AMERICAN HEART ASSOCIATION – 2015). 2.7. Prevenção da paragem cardiopulmonar extra-hospitalar Estratégias preventivas para a paragem cardiopulmonar, foco é na redução dos factores de risco cardiovascular e em estratégias para identificar indivíduos em risco de eventos cardíacos súbitos (KELLERMANN ET AL 2017). Journal of the American college of cardiology em 2017 discutiu a importância de intervenções de saúde pública, como a promoção de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), afogamento, trauma físico, intoxicações, doenças respiratórias, alimentos processados, gorduras trans, gordura animal, alimentos estimulantes, álcool, drogas e estilo de vida saudável para prevenir a paragem cardiopulmon 13 13 3. METODOLOGIA 3.1 Tipo de estudo: será feito um estudo descritivo, analítico observacional transversal de abordagem qualiquantitativa. Características gerais do campo de estudo: O estudo será realizado no Instituto Técnico Privado De Saúde Zion localizado no município do Kilamba Kiaxi de frente a Shoprite do Palanca. 3.2 Universo da pesquisa: O nosso estudo será constituído pelos alunos da 12ª classe do curso de Enfermagem do Instituto Técnico Privado De Saúde Zion. 3.3 Amostra: a nossa amostra será constituída por 50 alunos da 12ª classe do curso de Enfermagem do Instituto Técnico Privado De Saúde Zion. 3.4 Critério de inclusão: serão incluídos todos alunos da 12ª classe do curso de Enfermagem do Instituto Técnico Privado De Saúde Zion. 3.5 Critério de exclusão: serão excluídos os inquéritos mal preenchidos e todos alunos da 12ª classe do curso de Enfermagem do Instituto Técnico Privado De Saúde Zion que se negaram a participar do estudo. 3.6 Variáveis 3.6.1 Sociodemográfica: (Género, Estado civil, Morada e Idade). Outras variáveis: (conhecimento sobre paragem cardiopulmonar, sinais indicativos de PCR, atitude que se deve ser tomada ao presenciar uma PCR, práticas e habilidades, atitudes e opiniões,). 3.7 Aspectos Éticos: será solicitado por escrito uma autorização da Direcção do Instituto Técnico Privado De Saúde Zion. 3.8 Recolha de Dados: Após a recolha de dados, os conceitos serão processados no programa informático Windows 10, utilizado Microsoft Word para estrutura do texto. 14 14 4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ❖ PETER, Safar e James Elam. Marcadores médicos cardiologista (Dissertação). Serviços de saúde: s.n, 1960. ❖ World Health Statistics.Médico cardiologista (Dissertação) relatador da OMSque compila dados sobre saúde e cardiopulmonar: s.n 2018. ❖ (S.S. Srinivasan e P. Srinivasan-estados unidos em 2015) (American Heart Association estados unidos em 2020) conceituaram a paragem cardiopulmonar extra-hospitalar. ❖ (Anders Erikson 2010) (Zuercher et al. 2013) (Lindner et al. 2004). (Peberdy E t al. 2003) (Anders Erickson 2010) contribuíram sobre a fisiopatologia da paragem cardiopulmonar. ❖ (Nolan Et al. 2008) (Peberdy Et al. 2003) (Cummings Et al 1991) contribuíram sobre a classificação da paragem cardiopulmonar. ❖ (Jonah, A AndersenDeakin Parkings sobre as causas, sinais e sintomas e diagnostico da paragem cardiopulmonar. 2004 ❖ (American Heart Association – 2015) (Kellermann et al 2017) (Journal of the American college of cardiology em 2017) 15 15