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Relatório técnico sobre enucleação ocular em bovinos: define a cirurgia, apresenta importância econômico‑sanitária, indicações (glaucoma crônico, ruptura do nervo óptico, infecções severas, neoplasias, traumatismos), contraindicações (infecções sistêmicas, neoplasias invasivas) e descreve abordagens cirúrgicas.

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Gabryella Romany 
João Eduardo Nicaretta 
Cirurgia em grandes animais 
Relatório técnico 
 
Enucleação ocular em bovinos 
 
Introdução 
 A enucleação é a cirurgia radical mais comum em clinica tanto de 
pequenos a grandes animais, que consiste na remoção do globo ocular como 
um todo, incluindo o revestimento fibroso interno. É recomendada em casos de 
perfurações oculares, ruptura do nervo óptico, neoplasias, traumatismos severos 
e glaucomas crônicos incontroláveis (RAHAL et al., 2000; GELLAT, 2003; 
BOJRAB, 2005). 
 A enucleação ocular é uma intervenção eficaz para tratar condições 
oculares graves em bovinos, proporcionando alívio da dor e melhorando a 
qualidade de vida do animal. No entanto, é fundamental um diagnóstico precoce 
e a execução adequada da técnica para reduzir o risco de recidivas e 
complicações pós-operatórias (FERREIRA et al., 2018) 
Importância 
 O procedimento é essencial para tratar neoplasias oculares, como o 
carcinoma de células escamosas, que é uma das principais causas de 
enucleação em bovinos essa neoplasia tem alta incidência em animais de pele 
clara e expostos à radiação solar intensa. Também é indicada em casos de 
panoftalmite, glaucoma crônico e endoftalmite, que podem causar dor intensa e 
perda irreversível da visão. 
 Animais expostos a incômodos e dores podem apresentar perca de 
apetite e emagrecimento o que gera perda econômica para o produtor. A 
remoção do olho afetado pode reverter esse quadro. 
 A enucleação pode evitar a eutanásia precoce de bovinos produtivos, em 
animais de corte a retirada do olho doente pode garantir que o animal chegue ao 
abate com melhor condição corpórea. Bovinos de leite, esse produtor vai 
conseguir que esse animal continue produzindo leite, sem perca econômica. Já 
que a perda de animais devido a infecções graves ou tumores pode impactar 
negativamente a produção. 
 Algumas infecções oculares podem ser altamente contagiosas, como a 
ceratoconjuntivite infecciosa bovina, também conhecida como olho rosa. Em 
casos assim a enucleação é necessária para evitar a contaminação do restante 
do rebanho. 
 Quando se trata sobre bem estar animal evitar o sofrimento do mesmo é 
necessário, a enucleação se encaixa em um procedimento cirúrgico para 
recuperar o bem estar do animal. 
 
 
 
 
 Indicações 
 
 Glaucomas crônicos incontroláveis: Casos de glaucoma que não 
respondem ao tratamento clínico e causam dor intensa e cegueira são 
candidatos à enucleação para melhorar a qualidade de vida do animal. 
 Ruptura do nervo óptico: Danos ao nervo óptico que resultam em perda 
permanente da visão e dor, podem ser tratados com enucleação para aliviar o 
desconforto do animal 
 Infecções oculares severas: Condições como panoftalmite e endoftalmite, 
que envolvem infecção generalizada das estruturas oculares, podem requerer 
enucleação para controlar a infecção e evitar sua disseminação. 
 Neoplasias oculares: Tumores como o carcinoma de células escamosas 
podem afetar estruturas oculares e perioculares, sendo a enucleação 
recomendada para remover a massa tumoral e prevenir metástases. 
 Traumatismos Graves: Lesões traumáticas que resultam em perfurações 
oculares irreparáveis ou danos extensos ao globo ocular podem necessitar de 
enucleação para aliviar a dor e prevenir infecções secundárias. 
 
Contraindicações 
 
 Infecções sistêmicas ativas: A presença de infecções sistêmicas não 
controladas pode aumentar o risco de complicações no pós-operatório. É 
essencial estabilizar a condição geral do animal antes de proceder com a 
cirurgia. 
 Neoplasias extensas ou invasivas: Quando o tumor ocular se estende além 
do globo ocular, invadindo estruturas adjacentes, a enucleação isolada pode não 
ser suficiente. Nesses casos, procedimentos mais abrangentes, como a 
exenteração orbitária (remoção de todo o conteúdo da órbita), podem ser 
necessários para garantir a completa remoção do tecido neoplásico. 
 
Abordagens 
 
 Enucleação transpalpebral: Possui a vantagem de prevenir a contaminação 
da órbita. Inicialmente é feita a tarsorrafia no paciente (sutura das pálpebras), 
com fio inabsorvível. Em seguida, inicia-se a incisão elíptica ao redor da margem 
da pálpebra, e divulsiona-se o tecido subcutâneo, preservando o saco 
conjuntival. A conjuntiva não deve ser rompida, pois o objetivo é manter a lesão 
isolada dentro do saco conjuntival. 
 Enucleação transconjuntival: Possui a vantagem de ser uma técnica mais 
rápida e que causa menor perda tecidual e hemorragia para o paciente. A técnica 
permite manter a margem palpebral e possibilita a utilização de prótese no pós-
operatório. No início, é necessário fazer uma cantotomia para melhorar a 
exposição do globo ocular e da conjuntiva. A incisão deve ser de 5 mm a partir 
do limbo. 
 
 
 
 
Materiais e instrumentais utilizados 
 
• Materiais de assepsia: solução antisséptica, clorexidina e iodopovidona 
• Luvas estéreis 
• Campo cirúrgico 
• Cabo de bisturi e lâmina de bisturi para incisão na pele e nos tecidos 
• Pinça anatômica para manipulação e tração dos tecidos. 
• Pinça hemostática (Kelly, Crile ou Halsted-Mosquito) para controle de 
sangramento durante a dissecção. 
• Tesoura de Mayo e Metzembaum. Corte de tecidos mais densos (Mayo) 
e tecidos delicados (Metzembaum). 
• Afastador de Farabeuf fazer exposição do campo cirúrgico. 
• Porta-agulha Mayo-Hegar para sutura dos tecidos. 
• Agulhas curvas e fio de sutura (nylon ou categute 0 a 2-0) para 
fechamento das camadas cirúrgicas. 
• Gazes estéreis absorção de sangue e secreções. 
 
Preparação cirúrgica 
 
 O animal, deve ser contido em um brete, com a cabeça amarrada de lado. 
Antes de administrar o bloqueio retro bulbar, se faz a tricotomia do pelos laterais 
aos olhos e faz a preparação asséptica do local da cirurgia. Aplica-se anestesia 
local por infiltração dos tecidos retro bulbares. O bloqueio retro bulbar em quatro 
pontos é injetado através das pálpebras, tanto dorsal como ventralmente, e nos 
cantos medial e lateral (HENDRICKSON, 2010). 
 
 
 
 
Analgesia 
 
 Normalmente essa cirurgia pode ser realizada com uma aplicação de 
Xilazina na dose de 0,2 mg/kg, respeitando-se jejum prévio. Essa tranquilização 
é necessária. Já que a cirurgia traz um desconforto para o animal, desconforto 
que a anestesia local não consegue sozinha diminuir (MASSONE, 2008). 
 É realizado o bloqueio retro bulbar com lidocaína, é quando o anestésico 
local é depositado em quatro pontos, dorsal, ventral, lateral e medial ao globo 
ocular, atravessando a conjuntiva. Ponto de injeção tem a necessidade lateral 
de atravessar a crista palpebral medial, durante a injeção ventral, deve ser 
direcionado ligeiramente nasal para evitar o nervo óptico (HERNANDEZ, 2009). 
 
 Fonte: Hendrickson (2010) bloqueio 
 retrobulbar em 4 pontos 
 
➢ Direciona uma agulha de forma ligeiramente curva para o ápice da órbita, 
onde os nervos estão localizados. Aplica-se cerca de 40 ml de anestésico 
local dividido em 10 ml para cada local. Midríase é um indicativo de 
bloqueio ocular (HENDRICKSON, 2010). 
 
 
 
 
 
Técnica cirúrgica transpalpebral 
 
➢ Após a preparação cirúrgica, as pálpebras do paciente são presas com 
pinças de campo fechadas para minimizar a contaminação do campo 
cirúrgico existe a alternativa recomendada, que é suturá-las, unindo-se, 
e deixar nas extremidades fios de sutura longos. A sutura proporciona 
uma vedação melhor para os restos necróticos que as pinças de campo. 
Com esses métodos, os instrumentos ou as extremidades da sutura 
podem ser usados para fazer tração sobre o olho durante a cirurgia 
(HENDRICKSON, 2010). 
➢ Faz-se uma incisão transpalpebral em torno da órbita,deixando o máximo 
de tecido normal possível. A incisão em geral tem 1 cm, a partir da 
margem da palpebral (HENDRICKSON, 2010). 
 
 
 Fonte: Hendrickson (2010) 
 Sutura das pálpebras e incisão transpalpebral em torno da órbita 
 
 
➢ A incisão ventral e a dissecação são subsequentes. Usa-se uma tesoura 
romba em um ângulo de 360° em torno da órbita, continuando para baixo 
até o aspecto caudal da órbita, mas evitando penetrar através da 
conjuntiva palpebral (HENDRICKSON, 2010). 
 
 Fonte: Hendrickson (2010). 
 Dissecção com um cortante em um ângulo de 360° 
 
➢ Todos os músculos, o tecido adiposo, a glândula lacrimal e a fáscia são 
removidos, junto com as pálpebras e o globo ocular. Se a indicação para 
enucleação for neoplasia, é preciso assegurar de que todo o tecido 
neoplásico tenha sido removido. Se o olho enucleado for traumatismo 
irreparável, o cirurgião pode tentar deixar algum tecido retrobulbar, para 
reduzir a quantidade de espaço morto e hemorragia intraoperatória 
(HENDRICKSON, 2010). 
 
 Fonte: Hendrickson (2010). 
 Haste óptica e seu suprimento sanguíneo alcançados 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
➢ O fechamento consiste em uma camada de pontos 22 simples 
interrompidas ou contínuos na pele com fio sintético inabsorvível, que são 
retirados 2 a 3 semanas depois. Caso haja infecções, alguns pontos 
cutâneos podem ser removidos para permitir a drenagem 
(HENDRICKSON, 2010). 
 
 Fonte: Hendrickson (2010) 
 Fechamento com uma camada de simples continuo 
 
 
Complicações 
 
 As complicações desse procedimento incluem hemorragia extensa da 
artéria óptica, o que pode requerer ligadura, infecção e deiscência, 
recorrência da doença e convulsões devido a injeção inadvertida de 
lidocaína na reflexão meníngea do nervo óptico ao fazer o bloqueio 
retrobulbar (HENDRICKSON, 2010). 
 
Pós-operatório 
 
O pós-operatório da enucleação em bovinos requer cuidados específicos 
para evitar infecções e promover a cicatrização adequada. O Manejo pós-
operatório inclui a administração de antibióticos sistêmicos e anti-
inflamatórios para reduzir o risco de infecções secundárias e minimizar a 
dor. Além disso, recomenda-se a limpeza diária da cavidade ocular com 
solução antisséptica e a aplicação de curativos quando necessário (Silva 
et al. 2020) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Técnica cirúrgica transconjuntival 
 
É uma técnica de enucleação, porém é frequentemente utilizada na 
clínica em pequenos animais, pouco se utiliza esse procedimento em 
animais de grande porte. 
 
➢ Na enucleação transconjuntival, é realizado cantotomia lateral de 1 a 2 
centímetros de extensão, para exposição mais adequada do globo ocular 
(SLATTER, 1998). É realizada incisão da conjuntiva perilimbar, dissecção 
junto ao globo e desinserção de todos os músculos extraoculares. A 
rotação medial do globo ocular expõe o nervo óptico, o qual deve ser 
pinçado e transfixado para posterior secção. De acordo com Gellat (2003), 
possíveis hemorragias no local devem ser controladas com ligaduras ou 
esponjas cirúrgicas. A terceira pálpebra e o tarso palpebral também são 
removidos antes da sutura da pele (SLATTER, 1998, CUNHA, 2008). 
➢ A glândula lacrimal geralmente não é removida (GELLAT, 2003), e a fáscia 
bulbar e a conjuntiva são suturadas com fio absorvível 4-0 em padrão 
contínuo. As pálpebras são fechadas com pontos separados utilizando-se 
fio monofilamentar não absorvível (BOJRAB, 2005; CUNHA, 2008). 
 
Complicações 
 
Hemorragias são as complicações pós-operatórias mais comuns neste tipo 
de cirurgia ocular (RAHAL et al., 1996), ocasionando inflamação da região 
cirúrgica com secreção serosa drenando da sutura (GELLAT, 2003). 
 
Pós-operatório 
 
No pós-operatório de enucleação é imprescindível a administração sistêmica 
de antibiótico, anti-inflamatório e analgésico, além de curativos locais 
 
Conclusão 
 
O sucesso do procedimento está diretamente relacionado ao controle 
adequado da dor e à prevenção de complicações, como abscessos e 
deiscência da ferida cirúrgica (SOUZA et al., 2019). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
• HERNANDEZ A., L.M. “Oftalmologia bovina”, 2009. 
• HENDRICKSON, D.A., Técnicas cirúrgicas em grandes animais, 3. ed. Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 276-278-279. 
• Enucleação: você conhece esse procedimento? | VET Profissional. 
Vetprofissional.com.br. 
• Lemes, B. N. (2017). Enucleação em bovino: Relato de caso. Trabalho de 
Conclusão de Curso, Universidade de Rio Verde. Disponível em: 
https://www.unirv.edu.br/conteudos/fckfiles/files/TCC%20BEATRIZ%20N
OLETO%20LEMES%20(2).pdf 
• Goes, A. C. S., & Risseti, R. M. (2012). Enucleação do globo ocular direito 
em novilha Jersey: Relato de caso. In: Anais do Simpósio Sul de Medicina 
Veterinária. Universidade Federal da Fronteira Sul. Disponível em: 
https://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/Mgjyt8XHrg
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