Prévia do material em texto
A MÚSICA SERTANEJA DE RAIZ COMO UMA DAS VERTENTES DA IDENTIDADE GOIANA Trabalho de final de curso apresentado ao Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Sul – Morrinhos como exigência parcial à obtenção do título de Licenciatura Plena em História. Discente: Ana Claudia Alves dos Santos Orientador: Prof. Me. Eron Meneses de Amorim APRESENTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO ● A música sertaneja de raiz/ Documento histórico; ● Capaz de evidenciar um tempo em transformação; ● Sujeito caracteriza-se pela contradição dos mundos rural e urbano que se contrapõem; ● Sentimento e ressentimento expresso nas músicas; ● Representa sua ausência e a não identificação com a cidade; ● Pesquisa bibliográfica e historiográfica ESCOLHA DO TEMA 2 OBJETIVO ● O objetivo deste estudo é analisar a música sertaneja de raiz no contexto Goiano com o intuito de compreender como esta compõe a identidade cultural e social na reflexão sobre a representação do sujeito caipira, identificando suas representações presentes na música brasileira. 3 CAPÍTULO 1 A ORIGEM DA MÚSICA SERTANEJA 1.1 As raízes históricas da música caipira de raiz ● O primeiro passo para o surgimento da música sertaneja de raiz foi dado pelos portugueses; ● Trouxeram a viola para o Brasil; ● Introduzido no país pelos jesuítas; ● Divertir os índios e facilitar a catequização; ● A fusão dos elementos da cultura indígena e portuguesa e, mais tarde da africana originou a música sertaneja de raiz . ESCOLHA DO TEMA 4 5 ● O caipira é dividido em três etnias: caipira branco, caipira negro e caipira caboclo; ● Inspirou Monteiro Lobato a criar o Jeca Tatu; ● Passa o tempo a caçar, a pescar, a dormir, a fumar e a beber cachaça; ● Cinema brasileiro, através do personagem Mazzaropi; ● É vestido de forma “brega”, “jacu”, “desajeitado”, “mau vestido”, “de comportamento rústico”; ● Chico Bento, personagem da literatura infanto juvenil, criado por Maurício de Sousa. 6 7 ● Cururu e Cateretê: Originários como os primeiros estilos da música caipira; ● Recortado: Com raízes indígenas e influências africanas; ● Toada: Conhecida por sua expressão melodiosa; ● Pagode: Criado e popularizado pelo violeiro Tião Carreiro, combina recorte mineiro e catira; ● Moda de Viola: Tradicional e romanceada forma de cantar na música caipira. Evolução da Música Caipira 8 9 ● Moda de Viola: Tornou-se a expressão cultural mais característica do caipira; ● Décadas de 1930 a 1960: Propagação dos pensamentos caipiras através da canção foi fundamental para o reconhecimento da música sertaneja; ● Festivais de MPB: Festivais da época ajudaram na difusão da música caipira; ● Difusão nos Centros Urbanos e Interior: Enquanto a música caipira se difundia nos grandes centros, alcançava grande público no interior do país; ● Consumidores Rurais e Periféricos: Número significativo de camponeses e moradores das periferias eram consumidores das velhas modas-de-viola e dos pagodes animados por Tião Carreiro. Propagação e Reconhecimento da Música Caipira 10 1.2. Da música caipira de raiz à música sertaneja atual ● Década de 1920: A música sertaneja de raiz ganha visibilidade.; ● Primeiras Duplas: O surgimento das primeiras duplas impulsiona o gênero; ● Primeira Gravação (1929): Cornélio Pires grava a primeira música caipira, já sendo um sucesso e se apresentando com outros violeiros; ● 1924, “Turma do Caipira Cornélio Pires”; ● Entre 1929 a 1930 surgiram inúmeros compositores e duplas, que produziram um vasto repertório identificado atualmente como a música sertaneja de “raiz” . Desenvolvimento da Música Sertaneja Brasileira na Década de 1920 11 Foto representativa da Turma do Cornélio Pires, em que Cornélio, ao centro, sentado, está rodeado com as primeiras duplas do universo caipira lançadas por ele. Mudança na Música Caipira com Cornélio Pires 12 ● Até o final da década de 1930, verifica-se que a música sertaneja seguiu uma trajetória repleta de transformações; ● Anos 40: Tonico e Tinoco, marcou o cenário musical da época; ● 1947 - Chico Mineiro. Mudança na Música Caipira com Cornélio Pires 13 Tinoco e Tonico em cena. Simulando a gravação da moda de viola Padecimento. Chico Mineiro – Tonico e Tinoco. Foto de Alvarenga e Ranchinho, interpretando a canção Torpedeamento, no ano de 1943. Mudança na Música Caipira com Cornélio Pires 14 ● Popularização da música sertaneja nos anos 70 e 80: impulsionada pela disseminação da televisão e pela exibição de programas musicais na TV Tupi; ● O impulsionamento da música sertaneja ocorre de fato na década de 1980; ● Milionário e José Rico e Trio Parada Dura; ● Sertanejo modernizado: Chitãozinho e Xororó - Fio de cabelo; ● Cenário de progresso e desenvolvimento econômico: João Paulo e Daniel, Leandro e Leonardo, Chrystian e Ralf, Gian e Giovani, Rick e Renner, Bruno e Marrone, Rio Negro e Solimões, Zezé di Camargo e Luciano. Popularização da música sertaneja nos anos 70 e 80 15 Chitãozinho e Xororó na capa do LP, Somos Apaixonados, de 1982. Popularização da música sertaneja nos anos 70 e 80 16 ● Movimento de resgate da música sertaneja de raiz nas universidades nos anos 90: Nas universidades dos anos 90, surge um movimento dedicado ao resgate da música sertaneja brasileira de raiz; ● Conhecidos como novos caipiras, esses artistas se preocupam com a preservação da arte musical rural, reintroduzindo a viola e reinterpretando antigas modas para promover o gênero; ● Almir Sater – Neocaipiras; ● Anos 80 e 90 foi marcado pelo advento de novas tecnologias na área Fonográfica. Popularização da música sertaneja nos anos 70 e 80 17 Almir Sater, um dos neocaipiras. Capa do disco: O violeiro canta. Popularização da música sertaneja nos anos 70 e 80 18 1.3. A música sertaneja no cenário goiano ● Goiás: surgimento das modas de viola, violão e sanfona; ● Festas e a musicalidade sertaneja; ● Canções sertanejas: enaltece a vida de peão e do lavrador, como também do urbano, com elementos modernos; ● Transformação e modernização do campo surgiram outros dois momentos da música sertaneja: o romântico e o universitário; ● O estilo aderiu ritmos mais acelerados, com uso intenso de falsetes, trazendo também temas mais jovens em suas letras; ●“Um dos maiores exemplos do sertanejo dessa década é a dupla de Goiânia, Zezé di Camargo e Luciano”, que caracteriza o segundo momento da música sertaneja como romântico, 1991, com a música É o amor. Cenário Goiano 19 Álbum de estúdio de Zezé Di Camargo & Luciano de Junho de 1992. CAPÍTULO 2 A RELAÇÃO CAMPO/CIDADE NA MÚSICA SERTANEJA DE RAIZ COMO ELEMENTO DE MEMÓRIA 2.1. O lugar como espaço de relação de memória na música sertaneja de raiz ● Valorização do homem do interior e pode ser compreendido através das memórias dos cenários; ● As canções evocam memória, lembranças para quem as ouve; ● Período histórico. 21 ● Temas: natureza (terra, rios, céu, água, sol, chuva, vento, peixes, aves, gado), festa (viola, cachaça, dança), amor (romântico, idealização da mulher), religiosidade (romarias, santos da devoção popular), questões sociais (liberdade, fome, seca, luta pela terra, ecologia); ● Paixão pela natureza: que está presente em todo o cancioneiro caipira; ● Louva-se a terra, o canto dos pássaros, a beleza dos campos, o luar na serra, os pores-do-sol, a mansidão dos regatos, as campinas verdes; ● Contraposição do campo x cidade: lugar de paz e de felicidade, contra o estresse e a correria da cidade. Cenário Goiano 23 2.2. Um olhar da música sertaneja de raiz através da identidade e memória ● Processo de modernização: as estruturas são (re) analisadas; ● Desenvolvimento da cultura urbana, opondo-se às linhas artificiais da cidade, à paisagem natural, transformando o campo em um bem perdido, que incorpora facilmente os sentimentos de frustração. ● O campo, ou pelo menos o que restou dele, revestido pela memória, é o lugar protetor e distante do perigo, constitui-se em um centro paradisíaco; ● Identificação,individual e/ou coletiva. Cenário Goiano 25 2.3. O êxodo rural e a influência na música sertaneja de raiz ● Cultura urbana como padrão de modernidade: A cultura urbana foi estabelecida como o padrão a ser seguido para ser considerado "moderno“; ● Decadência da zona rural: A zona rural experimentou um período de decadência significativa; ● Migração para as cidades: Muitos caipiras se viram obrigados a migrar para as cidades em busca de novas oportunidades de sobrevivência - êxodo rural. Êxodo rural 27 “Saudade da minha terra”, composta por Goiá e Belmonte: “De que me adianta viver na cidade/Se a felicidade não me acompanhar (...). Lá pro meu sertão eu quero voltar (...). Por Nossa Senhora, meu sertão querido/Vivo arrependido por ter te deixado/ Essa nova vida aqui na cidade/De tanta saudade eu tenho chorado (...). Tô aqui cantando, de longe escutando/Alguém está chorando com o rádio ligado/Que saudade imensa do campo e do mato (...). Eu vivo hoje em dia sem ter alegria/O mundo judia, mas também me ensina (...). Eu preciso ir pra ver tudo ali/Foi lá que eu nasci, lá quero morrer”. Êxodo rural 29 CAPÍTULO 3 REFLEXÕES SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES ESTÉTICAS NA MÚSICA SERTANEJA NO CONTEXTO GOIANO 3.1. As transformações na música sertaneja no contexto goiano ● Com o progresso de Goiás e o avanço da modernização em nível nacional - Goiânia; ● Goiás: berço de algumas das mais emblemáticas e influentes duplas sertanejas do Brasil - Zezé Di Camargo & Luciano, Jorge e Mateus, João Neto & Frederico; ● Goianápolis: Leandro e Leonardo; ● No contexto das cidades pequenas surgem grupos de musicalidade sertaneja com o objetivo de manter a tradição, mas eles também se rendem aos estilos contemporâneos. 30 3.2. O Sertanejo Universitário e suas origens: o novo nicho para a música sertaneja ● “Sertanejo universitário”: caracterizada por músicas com estruturas simples e letras com temas de assimilação fácil; ● Manifestações culturais os desejos dos jovens: de se divertirem; ● Roupagem mais moderna: nova geração de estudantes universitários; ● O interior de Goiás é um celeiro fértil para o surgimento de talentosas duplas sertanejas, que muitas vezes trazem consigo a essência e a autenticidade da vida rural; ● João Lucas & Marcelo, Hugo & Tiago, Matheus & Kauan. 32 Matheus & Kauan 3.3. Um olhar feminino na música sertaneja: o Feminejo ● Movimento Feminejo: é uma tendência musical que ganhou destaque no Brasil nos últimos anos, especialmente na música sertaneja; ● Protagonismo das mulheres: tanto como intérpretes quanto como compositoras; ● Marília Mendonça, Maiara & Maraisa, Simone & Simaria, Naiara Azevedo: quinta fase na história da música sertaneja; ● Aparece em 2011 com a cantora Naiara Azevedo; ● Evolução significativa na música sertaneja brasileira: dando voz e espaço para as mulheres expressarem suas experiências e emoções através da música, enquanto desafiam estereótipos de gênero e promovem a inclusão e a diversidade no cenário musical. 34 Marília Mendonça, Maiara e Maraisa, Simone e Simaria, Naiara Azevedo e Lauana Prado. Sofrência e empoderamento feminino: Marília, Maiara & Maraisa lançam o álbum “Patroas 35%”. CONCLUSÃO ● Vertentes da identidade goiana por meio da análise a partir de uma perspectiva histórica capaz de evidenciar um tempo em transformação, relatando a identidade do homem do campo que saiu para cidade, discorrendo sobre seus valores, costumes, hábitos e crenças; ● A música caipira, como foi primeiramente denominada o gênero sertanejo de raiz, integra a cultura do campo e o estilo de vida interiorano, passando por vários movimentos, fases e transformações. 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERREIRA, Cristiane da Silva. Ethos discursivo e Cenas de enunciação em letras de música de raiz. 2008. 122 f. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008. GONÇALVES, Meire Lisboa Santos. A música sertaneja brasileira de raiz: da memória à representação cultural. 2018. 193 f. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2018. GREGOLIM JUNIOR, Luiz Manoel. Presença do sagrado na música caipira de raiz brasileira: análise de composições de Tião Carreiro e Pardinho. 2011. 60 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2011. MENDES, Enoi Miranda Barbosa. Música caipira — origens e atualidade — a representação do homem do campo nas letras das canções sertanejas. 2007. 83 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras. Teoria Literária e Crítica da Cultura. Departamento de Letras, Artes e Cultura. Universidade Federal de São João Del-Rei, 2007. MIRANDA, Ana Cristina Dutra de. O sentimento e o ressentimento na música raiz: Uma análise de três canções interpretadas pela dupla Pedro Bento e Zé da Estrada. Revista Humanidades e Inovação, v. 8, n. 36, p. 234-247, 2021. NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira: da roça ao rodeio. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2005. REIS, Luiz Otávio Silva et al. A evolução do estilo musical sertanejo nos dias atuais: do caipira ao universitário. Social Evolution, v. 3, n. 2, p. 1-11, 2019. PERES, Antônia Sandra Emília Pereira; DA SILVA, Daniele Costa. A produção simbólica da mulher nas canções do “Feminejo”. Revista Homem, Espaço e Tempo, v. 13, n. 1, p. 141-160, 2019. OBRIGADA A TODOS! image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image51.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image46.jpeg image47.jpeg image48.jpeg image49.jpeg image50.jpeg image52.jpeg image53.jpeg image54.jpeg image55.jpeg image56.jpeg image1.jpg