Prévia do material em texto
5. A APLICAÇÃO DO ETNOCENTRISMO O etnocentrismo é concebido como sendo o uso da própria cultura como base de explicação ou de descrição da cultura de outros grupos étnicos ou povos. Há termos relacionados com o etnocentrismo e que são estudados pela Antropologia, tais como: Etnicidade, Etnogénese e Tolerância Étnica. A Etnicidade tem como base um sentimento colectivo de identidade. Implica identificar-se, afirmar-se como grupo étnico, sentir-se parte dele. Serve como elemento de inclusão e de exclusão A Etnogénese é o processo de afirmação, revitalização e autoconsciência da identidade étnica de um grupo humano, numa situação de confronto das diferenças socio-culturais para com outros gruposA África oferece exemplos concretos de práticas etnocêntricas extremas, como o genocídio que resultou no confronto entre os Hutu e os Tutsi. Contudo, a mesma África oferece múltiplos exemplos de convivência entre diferentes grupos étnicos, já que, geralmente, muitos países têm mais do que uma etnia, resultante da formação histórica desses países Nesse caso tem se a Tolerância Étnica, um processo que se manifesta no reconhecimento das diferenças culturais mas convivendo num mesmo espaço. Contudo, a Antropologia, do ponto de vista humanístico, deve servir para melhorar a convivência e construir uma sociedade democraticamente justa.Neste uso positivo das diferenças culturais estaríamos a falar do relativismo cultural O Relativismo Cultural afirma que uma cultura deve ser estudada e compreendida em termos dos seus próprios significados e valores, e que nenhuma crença ou prática cultural pode ser entendida separada do seu sistema ou contexto cultural. O comportamento, numa cultura particular, não pode ser julgado com os padrões de outra cultura. O Relativismo Cultural é tanto uma teoria antropológica como uma atitude e uma prática antropológica, uma forma de lidar com os outros, respeitando a diversidade. Assim, nenhuma cultura, ou grupo social é mais importante que o outro A linguagem antropológica é baseada no multicultural, isto é, no reconhecimento da existência de diversas culturas, cada uma é importante dentro no seu território É o Relativismo Cultural. Entretanto, nessa perspectiva do Relativismo Cultural ético, há e deve haver limites válidos para toda a humanidade. Que não se tolerem aspectos imundos. (Ex. mutilação de clítoris nas mulheres, frequente na África Sahariana). Existe, por isso, uma referência moral e valores internacionais e humanos de justiça e moralidade que nos fazem mais humanos. Mas também o Relativismo Cultural mais extremo equivale à eliminação de toda a regulamentação do comportamento humano e pode cair no risco de justificar e/ou permitir a violência. É por causa disso que existem por exemplo documentos normativos como, “A Carta dos Direitos Humanos”. Neste caso, poderíamos afirmar como fundamentos antropológicos da cultura:O carácter local de toda a cultura, isto é, aplicada a uma certa realidade social; A equivalência de todas as culturas, sendo que nenhum ser humano é mais cultural que o outro. Assim, tudo o que é etnocentrista, elitista, o ocidentalismo, acaba sendo banal; A cultura diz respeito a todas as manifestações humanas.