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HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Fernanda Eliza Toscani Burigo 
 
 
2 
INTRODUÇÃO À EMBRIOLOGIA 
CONVERSA INICIAL 
O estudo da embriologia amplia os horizontes, permitindo a compreensão 
e a maturação de conceitos importantes da Biologia. No entanto, para elucidação 
dos extraordinários e complexos eventos da embriologia, faz-se necessária a 
abrangência do início de todo processo de desenvolvimento embrionário, o qual 
se dá antes da fecundação. 
Assim, neste primeiro momento, vamos abordar as estruturas e funções 
dos sistemas reprodutores masculino e feminino, descrevendo os hormônios 
envolvidos no ciclo reprodutivo, e vamos delinear o processo da gametogênese 
e suas peculiaridades, culminando com o evento da fecundação. 
Sobre os sistemas reprodutores – também denominados de sistema 
genital, uma vez que suas funções não se referem apenas à reprodução – serão 
destacados os órgãos que os compõem, assim como as suas respectivas 
funções. É possível compreender que, apesar de não ser essencial para a 
sobrevivência do organismo, é fundamental para a sobrevivência da espécie. 
Além disso, podemos perceber que ambos apresentam estruturas internas e 
externas, sendo influenciados diretamente pela ação de hormônios específicos, 
os quais agem diretamente no desenvolvimento e amadurecimento sexual, além 
de atuarem diretamente sobre a formação dos gametas – processo conhecido 
por gametogênese. 
Sobre esse processo, é válido reconhecer a importância da meiose para 
os seres vivos, resgatando conhecimentos anteriores e compreendendo o papel 
dessa divisão na variabilidade genética. A partir da formação dos gametas será 
possível relatar a fecundação – processo exclusivo da reprodução sexuada, no 
qual a fusão de gametas possibilita a formação uma única célula (célula-ovo ou 
zigoto), a qual dará origem a um novo ser. 
Por fim, serão sugeridas a leitura e a pesquisa sobre a incidência dos 
gêmeos na população, como forma de discutirmos esse processo diferencial e 
muito instigante na Biologia. 
• Objetivo geral: Descrever anatômica e fisiologicamente os órgãos dos 
sistemas reprodutores masculino e feminino, os hormônios relacionados 
ao ciclo reprodutivo, bem como a formação de gametas. 
 
 
3 
• Objetivos específicos: 
• Identificar os órgãos do sistema reprodutor masculino e suas funções; 
• Identificar os órgãos do sistema reprodutor feminino e suas funções; 
• Ordenar os principais hormônios sexuais responsáveis pelas 
mudanças corporais e organização dos ciclos reprodutivos; 
• Reconhecer a gametogênese como um processo de divisão celular 
fundamental para a fecundação e o aumento da variabilidade genética; 
• Destacar as principais etapas da formação dos gametas; 
• Reconhecer o processo de origem dos gêmeos univitelinos e bivitelinos 
na população. 
TEMA 1 – SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO 
O sistema reprodutor masculino é constituído por diversas estruturas – 
externas e internas – relacionadas à produção e à maturação dos gametas 
(espermatozoides), sua transferência para o sistema genital feminino (pelo coito 
ou cópula) e secreção de hormônios para o desenvolvimento dos caracteres 
secundários masculinos e da libido. 
As estruturas do sistema genital masculino, conforme demonstram as 
Figuras 1 e 2, compreendem: 
• Gônadas – os testículos são estruturas externas, constituídas por duas 
porções: as células intersticiais (ou células de Leydig), as quais são 
responsáveis pela produção de hormônios sexuais – entre eles a 
testosterona, responsável pela manifestação dos caracteres secundários, 
e os túbulos seminíferos, que produzem os gametas (os 
espermatozoides). Os testículos se alojam em uma bolsa especial, 
denominada bolsa escrotal ou escroto, que auxilia na manutenção da 
temperatura ideal para a gametogênese. 
• Ductos – transportam os espermatozoides; são constituídos pelos 
epidídimos, ductos deferentes, ductos ejaculatórios e a uretra. Os 
primeiros servem de local para armazenamento e maturação dos 
espermatozoides; pelos ductos deferentes, os espermatozoides são 
transportados até o ducto ejaculatório; é o canal deferente que sofre 
incisão no processo de vasectomia, não alterando em nada a produção 
de sêmen. O ducto ejaculatório faz a ligação entre o ducto deferente e as 
 
 
4 
glândulas anexas (explicadas a seguir), recebendo os espermatozoides e 
secreções que formarão o líquido seminal. Por fim, a uretra – canal que 
passa pelo interior do pênis – é comum aos sistemas genital e excretor, 
uma vez que é responsável pela eliminação do sêmen e da urina. Importa 
ressaltar que os dois fluidos não podem ser eliminados simultaneamente. 
• Glândulas anexas – produzem substâncias que vão compor o sêmen, 
juntamente com os espermatozoides. Incluem a próstata, a vesícula 
seminal e a glândula bulbouretral. A próstata produz um líquido alcalino, 
a fim de neutralizar o pH ácido da vagina, auxiliando a mobilidade e 
funcionalidade dos espermatozoides. A vesícula seminal também secreta 
um líquido viscoso e alcalino, contendo nutrientes, que se mistura ao 
líquido prostático a fim de formar o sêmen. A glândula bulbouretral, por 
sua vez, libera um fluido, o qual auxilia na lubrificação da uretra e da 
porção terminal do pênis. 
• Pênis – órgão copulatório, responsável pela introdução dos gametas 
masculinos no sistema reprodutor feminino, também sendo responsável 
pela eliminação da urina (excreção). É formado pela uretra e por tecidos 
eréteis (que aumentam de tamanho quando se enchem de sangue), o 
corpo cavernoso e o corpo esponjoso. O primeiro é constituído por 
músculos lisos e fibras elásticas e colágenas, sendo constituído por duas 
colunas de tecido, localizadas dorsalmente; já o segundo, representado 
por uma coluna ventral atravessada pela uretra, é repleto de glândulas 
secretoras de muco e se incha como uma esponja durante a ereção. Na 
porção terminal, o corpo esponjoso expande-se e forma a glande, também 
conhecida como cabeça do pênis, com inúmeras terminações nervosas e 
grande sensibilidade. Revestindo o pênis, há uma pele fina e mais 
pigmentada, que se dobra e se projeta sobre a glande, denominada 
prepúcio. A fimose é o excesso de prepúcio – a qual dificulta a exposição 
da glande e provoca dor – é uma indicação da necessidade de remoção 
cirúrgica do prepúcio, processo denominado circuncisão. 
 
 
 
5 
Figura 1 – Vista lateral do sistema genital masculino 
 
Crédito: Logika600/Shutterstock. 
 
 
 
6 
Figura 2 – Vista frontal do sistema genital masculino 
 
Crédito: Graphicsrf/Shutterstock. 
TEMA 2 – SISTEMA REPRODUTOR FEMININO 
O sistema reprodutor feminino, assim como o masculino, é composto por 
estruturas internas e externas; além de funções similares às do sistema 
masculino, como a produção de gametas e hormônios responsáveis pela 
maturação e liberação destes e dos caracteres secundários; apresenta órgãos 
relacionados à fertilização e implantação do embrião para a gestação e o parto. 
Além disso, é responsável pelo desenvolvimento das glândulas mamárias, aptas 
a secretarem leite para nutrir o recém-nascido. 
As estruturas do sistema genital feminino, conforme demonstram as 
Figuras 3 e 4, compreendem: 
• Gônadas/ovários – são estruturas responsáveis pela produção e 
maturação dos gametas, ovócitos ou óvulos, e também pela secreção de 
hormônios sexuais, o estrógeno e a progesterona, que ao serem 
secretados contribuem para o desenvolvimento dos caracteres 
secundários e também para o ciclo reprodutivo, tornando a mulher 
 
 
7 
biologicamente apta à reprodução. Os ovários são constituídos por 
diversos folículos, os quais atuam como pequenas bolsas que armazenam 
os gametas maduros que se rompem a cada ovulação, liberando o ovócito 
secundário nas tubas uterinas. Sua estrutura interna e o processo de 
ovulação serão detalhados no Tema3. 
• Tubas uterinas – estabelecem a conexão entre os ovários e o útero, 
atuando na captação do gameta após a ovulação, através de estruturas 
filamentosas com aspecto de franjas denominadas fímbrias e o 
conduzindo para a fecundação ou eliminação. É um órgão oco, constituído 
por músculo liso e repleto de células ciliadas. Na tuba uterina ocorre a 
fecundação. 
• Útero – órgão oco, em formato de pera e constituído por músculo liso, 
revestido por uma camada proeminente de células – o endométrio (ou 
parede uterina); é responsável por receber o blastocisto, alojá-lo, permitir 
sua fixação na parede uterina – processo conhecido por nidação – e 
propiciar seu desenvolvimento e nutrição. Caso não haja fecundação, o 
endométrio descama, rompendo microvasos sanguíneos e provocando a 
menstruação. As contrações musculares do útero desempenham papel 
fundamental no parto, auxiliando a “expulsar” o bebê. Sem gravidez, as 
contrações caracterizam as cólicas menstruais. A partir da base ou colo 
do útero, projeta-se a vagina. 
• Vagina (ou canal vaginal) – é um tubo muscular oco, variando entre 6,5 e 
12,5 cm de comprimento. É responsável por receber o pênis durante o ato 
sexual, conduzir a secreção menstrual para o exterior e sua dilatação 
permite a passagem do bebê durante o parto natural. É um canal rico em 
terminações nervosas e glândulas, que produzem secreções que são 
aumentadas com o estímulo sexual. Seu pH é ácido, a fim de evitar a 
proliferação de microrganismos, mas possui uma flora natural repleta de 
fungos e bactérias. No limiar da vagina com a vulva encontra-se o hímen, 
membrana elástica que normalmente se rompe com a primeira relação 
sexual. 
• Vulva ou pudendo – refere-se ao conjunto de estruturas externas do 
sistema genital feminino. Formado por: lábios maiores, lábios menores e 
clitóris. Os lábios, formados por dobras de tecido adiposo, têm a função 
de proteção: os menores protegem as aberturas da vagina e uretra, 
 
 
8 
enquanto os maiores protegem os menores. Já o clitóris, formado pela 
junção dos pequenos lábios na região superior da vulva, é uma região 
riquíssima em terminações nervosas e vasos sanguíneos, sendo um 
órgão erétil quando excitado. 
Figura 3 – Vista externa do sistema genital feminino 
 
Crédito: Marochkina Anastasiia/Shutterstock. 
 
 
 
9 
Figura 4 – Vista frontal/interna do sistema genital feminino 
 
Crédito: Macrovector/Shutterstock. 
TEMA 3 – HORMÔNIOS SEXUAIS E CICLO REPRODUTIVO 
A maturação sexual e a produção de gametas são ações totalmente 
controladas pelo Sistema Nervoso e Endócrino, sendo dependentes de 
hormônios especiais, os quais atuam sobre os aparelhos reprodutores. A 
hipófise, importante glândula do Sistema Endócrino, secreta os hormônios 
gonadotróficos – LH e FSH – que possuem ação direta sobre as gônadas. Estas, 
por sua vez, também secretam hormônios específicos, responsáveis pelos 
caracteres secundários e amadurecimento dos gametas. A atividade hormonal 
diverge em vários pontos entre homens e mulheres, conforme abordaremos a 
seguir. 
 
 
 
 
10 
3.1 Regulação hormonal masculina 
O hormônio luteinizante (LH) secretado pela adeno-hipófise atua sobre os 
testículos, estimulando a produção de testosterona pelas células de Leydig ainda 
durante o desenvolvimento embrionário, tendo seus níveis aumentados com a 
puberdade. Esse aumento promove o crescimento dos órgãos sexuais, o 
desenvolvimento dos caracteres secundários (como barba e engrossamento da 
voz) e a formação dos gametas, processo denominado espermatogênese. Já o 
hormônio folículo estimulante (FSH), também secretado pela adeno-hipófise, 
estimula diretamente a produção dos espermatozoides, sendo regulado por 
outro hormônio, em um complexo processo de ativação/inibição. É válido 
ressaltar que a secreção de hormônios pelos homens é contínua e perdura por 
quase toda vida. 
3.2 Regulação hormonal feminina 
A regulação hormonal feminina é bem mais complexa e cíclica, se 
relacionando diretamente com a ovulação e a menstruação. Tentaremos abordar 
de forma resumida e simplificada esse processo. 
Na mulher também estão envolvidos os hormônios LH e FSH, atuando no 
ciclo ovariano, de maturação dos gametas. O FSH estimula o desenvolvimento 
dos folículos ovarianos, permitindo a produção de estrogênio, que atua na 
maturação dos folículos e, em altas concentrações, estimula a secreção de LH, 
a ruptura do folículo ovariano e, consequentemente, a ovulação, liberando o 
ovócito II. Esse processo ocorre, geralmente, 14 dias após o início do ciclo 
menstrual, ou seja, 14 dias após o início da menstruação a mulher estará 
ovulando. Os vestígios de células foliculares no ovário transformam-se em corpo 
lúteo, o qual produz estrogênio e progesterona. Sem fecundação, esse 
componente se desintegra, atrofiando. Esse processo causa a desagregação do 
endométrio e a redução abrupta da concentração dos hormônios, caracterizando 
a fase menstrual. Uma nova secreção de FSH pela hipófise estimula o 
crescimento de novos folículos no ovário, iniciando um novo ciclo (ver Figuras 5 
e 6). Caso haja fecundação, aumenta a secreção de progesterona, hormônio 
relacionado ao espessamento do endométrio, a fim de favorecer a nidação 
(fixação do embrião no útero). Diferentemente dos homens, as mulheres 
apresentam uma queda brusca na produção hormonal, caracterizando o fim do 
 
 
11 
seu ciclo reprodutivo. A partir desse momento, afirma-se que a mulher está na 
menopausa. 
Figura 5 – Ovulação – da produção do folículo à eliminação do gameta 
 
Crédito: Ody_Stocker/Shutterstock. 
Figura 6 – Ciclo menstrual 
 
Crédito: Lokika600/Shutterstock. 
 
 
 
12 
TEMA 4 – GAMETOGÊNESE E FECUNDAÇÃO 
4.1 Introdução 
Gametogênese é o processo pelo qual os gametas são produzidos nos 
organismos dotados de reprodução sexuada. Nos animais, acontece nas 
gônadas (ovários e testículos), as quais também produzem os hormônios 
sexuais, diferenciando os machos das fêmeas. Um evento fundamental para a 
ocorrência da gametogênese é a meiose, divisão celular que reduz à metade a 
quantidade de cromossomos das células, originando células haploides 
(gametas) e com variabilidade genética (crossing over). Na fecundação, a fusão 
de dois gametas haploides reconstitui o número diploide característico de cada 
espécie. A gametogênese masculina é chamada espermatogênese e a 
gametogênese feminina denomina-se ovogênese ou ovulogênese. 
4.2 Espermatogênese 
De acordo com Paoli (2014), a espermatogênese divide-se em quatro 
fases, conforme descrito a seguir e que podemos observar na Figura 7: 
• Fase de proliferação ou de multiplicação – Inicia-se na vida intrauterina, 
alongando-se por praticamente toda a vida. As células primordiais dos 
testículos, diploides, aumentam em quantidade por mitoses consecutivas, 
formando as espermatogônias. 
• Fase de crescimento – Um pequeno aumento no volume do citoplasma 
das espermatogônias formam os espermatócitos primários ou 
espermatócitos I, também diploides. 
• Fase de maturação – Relaciona-se ao período de ocorrência da meiose. 
Depois da primeira divisão meiótica, cada espermatócito I origina dois 
espermatócitos secundários ou espermatócitos II. Como resultam da 
primeira divisão da meiose, já são haploides, embora possuam 
cromossomos duplicados. Com a ocorrência da segunda divisão meiótica, 
os espermatócitos II geram quatro espermátides haploides. 
• Espermiogênese – É o processo que transforma as espermátides em 
espermatozoides, perdendo quase todo o citoplasma. Ocorre a fusão das 
vesículas do complexo de Golgi, formando o acrossomo, localizado na 
extremidade anterior dos espermatozoides (cabeça). O acrossomo 
 
 
13 
contém enzimas que perfuram as membranas do óvulo, na fecundação. 
Os centríolos migram para a região posterior ao núcleo, atuando na 
formação do flagelo, estrutura responsável pela movimentação dosespermatozoides. Uma grande quantidade de mitocôndrias, que são 
responsáveis pela respiração celular e pela produção de ATP, concentra-
se na região entre a cabeça e o flagelo, conhecida como peça 
intermediária (ver Figura 8). 
Figura 7 – Etapas da espermatogênese 
 
Crédito: Emre Terim/Shutterstock. 
 
 
 
14 
Figura 8 – Espermiogênese – a formação do espermatozoide 
 
Crédito: Svetlana Verbinskaya/Shutterstock. 
4.3 Ovogênese ou ovulogênese 
De acordo com Paoli (2014), a ovogênese, diferentemente da 
espermatogênese, é dividida em três etapas, conforme descrição a seguir e 
observada na Figura 9. 
• Fase de multiplicação ou de proliferação: ocorrem mitoses sucessivas, 
quando as células germinativas aumentam em quantidade e originam as 
ovogônias. Tal fase termina por volta do final do primeiro trimestre da 
gestação. Assim, quando uma menina nasce, já tem em seus ovários 
cerca de 400 mil folículos. É uma quantidade limitada, ao contrário dos 
homens, que produzem espermatogônias durante quase toda a vida. 
• Fase de crescimento: assim que são produzidas, as ovogônias iniciam a 
primeira divisão da meiose, interrompida na prófase I; ocorre o 
crescimento, com aumento do citoplasma e acúmulo de substâncias 
nutritivas (vitelo). Terminada a fase de crescimento, as ovogônias passam 
a ser chamadas de ovócitos primários ou ovócitos I. Nas mulheres essa 
fase perdura até a puberdade, quando a menina inicia a sua maturidade 
sexual. 
 
 
15 
• Fase de maturação: Inicia-se quando a menina alcança a maturidade 
sexual, por volta de 11 a 15 anos de idade. Nessa fase, o ovócito I 
completa a primeira divisão da meiose originando duas células. Uma não 
recebe citoplasma e se desintegra a seguir: é o primeiro corpúsculo (ou 
glóbulo) polar. A outra célula, grande e rica em vitelo, é o ovócito 
secundário ou ovócito II. Ao sofrer a segunda divisão da meiose, origina 
o segundo corpúsculo polar e o óvulo, gameta feminino, célula volumosa 
e repleta de vitelo. 
Uma observação importante: na gametogênese feminina, a meiose ocorre 
de forma desigual, uma vez que não reparte igualmente o citoplasma entre as 
células-filhas. Isso permite que o óvulo formado seja rico em substâncias 
nutritivas, o vitelo. 
Na maioria das fêmeas de mamíferos, a segunda divisão da meiose só 
acontece caso o gameta seja fecundado. Assim sendo, o verdadeiro gameta é o 
ovócito II, pois é ele que vai se unir com o espermatozoide, completando a 
segunda etapa da divisão. 
Figura 9 – Etapas da ovogênese 
 
Fonte: adaptado de Só Biologia, 2008. 
https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Citologia2/nucleo16.php
 
 
16 
4.4 Fecundação 
A fecundação ou fertilização é o processo no qual o espermatozoide 
chega ao ovócito II, rompe suas membranas, possibilitando a fusão dos núcleos 
haploides. O ovócito é envolto por duas camadas: a zona pelúcida e a corona 
radiata, visível na Figura 10. A primeira é constituída por proteínas e 
polissacarídeos, no entanto, a segunda se constitui de uma camada de células 
granulares. 
A fecundação ocorre nas tubas uterinas e pode ser dividida em três 
etapas: penetração na corona radiata (espermatozoides passam livremente pela 
camada de células), penetração na zona pelúcida (o acrossomo do 
espermatozoide libera enzimas digestivas, entrando em contato com a 
membrana plasmática do ovócito; quando isso ocorre, a zona pelúcida se 
modifica, bloqueando a entrada de outro espermatozoide) e fusão entre as 
membranas plasmáticas do ovócito e do espermatozoide (em que se permite a 
entrada do espermatozoide no ovócito, que completa a segunda etapa da meiose 
– ver Figuras 11 e 12). Os núcleos feminino e masculino se unem, originando a 
célula ovo ou zigoto. A partir desse momento, terá início o desenvolvimento 
embrionário. 
Figura 10 – Estrutura do ovócito II 
 
Crédito: Sakurra/Shutterstock. 
 
 
17 
 
Figura 11 – Etapas da fecundação 
 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
Figura 12 – Transformações no gameta feminino após fecundação 
 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
 
 
18 
 
TEMA 5 – LEITURA: A INCIDÊNCIA DOS GÊMEOS NA POPULAÇÃO 
De acordo com o Projeto Registro Brasileiro de Gêmeos (RBG, S.d.), 
As taxas de natalidade de gêmeos monozigóticos (MZ) são 
consistentes entre todas as raças (cerca de 4 a cada 1000 
nascimentos), mas a incidência de gêmeos dizigóticos (DZ) varia entre 
as raças (8 a cada 1000 nascimentos entre os caucasianos, 16 a cada 
1000 nascimentos entre as pessoas de ascendência africana, e 4 a 
cada 1000 nascimentos entre os asiáticos). A predisposição genética 
ou característica herdada à geminação DZ existe em algumas famílias, 
mas a consistência de geminação MZ entre todas as populações 
sugere que essa é uma ocorrência aleatória que não é influenciada por 
genes. Um aumento dramático no número de gêmeos DZ, trigêmeos e 
quadrigêmeos tem ocorrido devido aos novos tratamentos para a 
infertilidade disponíveis. A maioria dos tratamentos para infertilidade, 
desenvolvidos a partir da década de 70 envolve o uso de hormônios 
para estimular a ovulação de mais de um ovo. Em tratamentos em que 
os óvulos maduros são colhidos e fertilizados fora do corpo da mulher, 
como é o caso na fertilização in vitro, dois ou mais embriões são 
rotineiramente transferidos de volta para dentro do útero de modo a 
aumentar as probabilidades de que pelo menos um embrião se 
transforme numa gravidez bem-sucedida. Surpreendentemente, o 
tratamento com tecnologias de reprodução assistida também parece 
aumentar a taxa de geminação MZ, mas os pesquisadores ainda não 
entendem o motivo. 
Em publicação de 2011, o jornal Estadão noticiou que o nascimento de 
gêmeos teria aumentado em 17% na última década, atribuindo tal crescimento à 
popularização dos métodos de reprodução assistida. Leia em: 
. Acesso em: 30 jul. 2019. 
 
Saiba mais 
Para obter mais informações sobre os gêmeos, consulte os materiais a 
seguir: 
. Acesso em: 17 mar. 
2023. 
. Acesso em: 17 mar. 
2023. 
 
 
 
 
19 
 
NA PRÁTICA 
Precisamos saber quais as estruturas que compõem os sistemas genitais 
feminino e masculino. Assim, pesquise imagens referentes a esses sistemas, 
indicando suas partes principais. 
A fim de compreendermos melhor a gametogênese feminina e masculina, 
elabore um quadro comparativo, indicando as principais diferenças entre a 
espermatogênese e a ovogênese. 
Como biólogos e professores, é necessário saber abordar e relatar as 
doenças envolvidas com o processo reprodutivo. É importante conhecer para 
prevenir! Pesquise em livros, revistas e na internet sobre as principais doenças 
relacionadas ao Sistema Genital, suas características, profilaxia e tratamentos. 
Não é necessário que seja somente sobre as Doenças Sexualmente 
Transmissíveis (DSTs). 
Quando se fala em sexualidade, um tema bastante discutido é a gravidez, 
em especial, a gravidez precoce. E você: sabe quais os principais métodos 
contraceptivos? Organize uma tabela, citando as vantagens e desvantagens de 
cada um. Se possível, crie pequenos modelos, que possam ser usados como 
exemplos de cada método. 
 
FINALIZANDO 
Em primeiro lugar, abordamos as diferenças entre os sistemas 
reprodutores masculino e feminino, destacando os principais órgãos 
constituintes e suas respectivas funções: 
 
 
20 
 
Figura 13 – Diferenças entre os sistemas reprodutores masculino e feminino 
 
Crédito: Vectormine/Shutterstock. 
 Então, destacamos como ocorre e quais as principais etapas da 
Gametogênese e os hormônios relacionados ao ciclo Reprodutivo. 
Figura 14 – Principais etapas da gametogênese 
 
Crédito: Sakurra/Shutterstock. 
Em seguida, destacamos o processo de fecundação.21 
 
Figura 15 – Processo de fecundação 
 
Crédito: Sashkin/Shutterstock. 
E, por fim, aprendemos um pouco mais sobre o aumento da incidência 
de gêmeos, em leitura de artigos específicos. 
Desta maneira, em nossa aula abordamos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMAS REPRODUTORES
REGULAÇÃO HORMONAL
GAMETOGÊNESE
FECUNDAÇÃO
INCIDÊNCIA DE GÊMEOS
 
 
22 
 
REFERÊNCIAS 
FERNÁNDEZ, C. G., GARCIA, S. M. L. G. Embriologia. 3. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2012. 
BECKER, R. O. et al. Anatomia humana. Porto Alegre: SAGAH, 2018 
LIPPINCOTT, I. et al. Anatomia e fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2013. 
LOPES, S.; ROSSO, S. Biologia. São Paulo: Saraiva, 2005. 
PAOLI, S. de. Citologia e embriologia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 
2014. 
REGISTRO BRASILEIRO DE GÊMEOS. Gêmeos. Disponível em: 
. Acesso em: 2 ago. 2019. 
SADLER, T. W. Langman: embriologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2017. 
ZIERI, R. Anatomia humana. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.

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