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História da Terapia 
Comportamental 
Embora o termo terapia 
comportamental dê a impressão de um tipo 
específico de intervenção clínica, não 
existe um único modelo de terapia 
comportamental. Logo, pode-se considerar 
a terapia comportamental como um campo 
mais amplo. Por exemplo: Psicoterapia 
funcional analítica, a FAP; Terapia da 
aceitação e compromisso, a ACT; 
Terapia cognitiva. 
As gerações das TCs 
O campo das terapias 
comportamentais é, portanto, composto por 
terapias que utilizam intervenções mais ou 
menos fundamentadas na filosofia do 
behaviorismo. Para que seja possível 
entender melhor esse retrospecto histórico, 
é fundamental para entender as três 
gerações das terapias comportamentais. 
• A primeira delas data da década 
de 40, que foi caracterizada pela 
modificação do comportamento. Isso se dá 
porque era muito utilizada as técnicas do 
behaviorismo para a mudança do 
comportamento. 
• A segunda geração data da 
década de 60, em que tem como 
característica principal a revolução 
cognitivo-comportamental, em que são 
apresentadas técnicas de modificação de 
pensamentos e crenças distorcidas. 
• E, por fim, tem-se a terceira 
geração, que data da década de 80, que se 
caracteriza pelo retorno ao behaviorismo, a 
importância do contexto e o foco na 
relação terapêutica. 
A primeira onda, ou primeira 
geração, caracterizou-se, portanto, pela 
modificação do comportamento. Na 
década de 40, os behavioristas radicais 
realizavam intervenções fundamentadas 
nos conhecimentos teóricos do 
behaviorismo radical e empíricos da 
análise experimental. 
Essa geração tinha uma insatisfação 
com o modelo de psicoterapia tradicional 
vigente. Era um período em que havia 
uma forte influência psicanalítica, o 
método introspectivo, e baixa 
comprovação científica da eficácia desses 
tratamentos. Os profissionais dessa 
geração aplicavam técnicas de 
modificação do comportamento em 
ambientes específicos, como escolas, 
hospitais psiquiátricos e penitenciárias. 
Em 1953, Lindsley, Skinner e 
Solomon fizeram a primeira 
referência ao termo terapia 
comportamental, que se referia à 
utilização dos procedimentos que 
envolviam o condicionamento 
operante junto a pacientes de 
instituições. 
A segunda geração data do final 
da década de 50, em que surge o modelo 
cognitivo comportamental de Albert Ellis. 
Já na década de 60, surge a terapia 
cognitiva de Aaron Beck, baseada no 
modelo cognitivo. Na década de 70, tem-se 
o grande estopim da terapia cognitivo 
comportamental, que ficou conhecida 
como revolução cognitiva. 
Ainda existiam os terapeutas da 
modificação do comportamento, mas 
surgiram inúmeros terapeutas que 
passaram a incorporar conceitos teóricos 
de outras abordagens cognitivas na sua 
atuação clínica. O foco de atuação dos 
terapeutas dessa geração era o 
atendimento de pacientes adultos em 
terapia face-a-face em consultório. 
A principal diferença entre o 
modelo cognitivo e o modelo 
behaviorista é o tratamento dado aos 
eventos privados. 
A principal crítica que os 
cognitivistas faziam era, segundo eles, a 
análise do comportamento dava grande 
ênfase nas variáveis ambientais e 
desconsiderava os eventos privados como 
mediadores de qualquer ação dos 
indivíduos. Logo, a atuação clínica passou 
a ter a necessidade de ser complementada 
com outros modelos teóricos. 
A partir dessa argumentação, os 
terapeutas cognitivo comportamentais 
privilegiaram o desenvolvimento de 
estratégias de alteração de pensamentos, 
ao invés de intervir diretamente nas 
contingências externas relacionadas ao 
comportamento focalizado, o que se tornou 
característica marcante para a distinção 
entre terapias cognitivo comportamentais e 
outras abordagens clínicas 
comportamentais. 
A definição de terapia cognitivo 
comportamental compõe alguns elementos, 
como, por exemplo: 
• Psicoterapia breve; 
• Estruturada; 
• Orientada para o presente; 
• Para a solução de problemas e 
para a modificação de comportamentos e 
pensamentos disfuncionais. 
Essa terapia é baseada no modelo 
que afirma que os transtornos psicológicos 
envolvem pensamentos disfuncionais. Os 
pensamentos negativos, portanto, não são 
apenas sintomas, dada essa visão. Eles 
mantêm o quadro depressivo, pois contém 
distorções que afetam o modo de sentir da 
pessoa. 
Os objetivos da terapia cognitivo 
comportamental são proporcionar à 
pessoa um novo hábito de pensar, 
ampliando sua consciência e ajudando-a 
a interpretar a realidade de modo realista 
e justo. Em outras palavras, o grande 
objetivo é a modificação dos esquemas 
cognitivos. 
Enfoques que influenciaram as terapias 
comportamentais contemporâneas 
Alguns enfoques que influenciaram 
as terapias comportamentais 
contemporâneas. Foram as aplicações 
terapêuticas derivadas do: 
• Condicionamento respondente; 
• Condicionamento operante, da 
teoria da aprendizagem social; 
• Modificação do comportamento 
cognitivo. 
O enfoque respondente foi 
resultante da transição gradual dos achados 
e conceitos derivados da pesquisa 
experimental para aplicações clínicas. O 
estudo mais famoso foi o experimento 
feito com o pequeno Albert, no qual 
Watson e Rayner demonstraram que 
estímulos neutros poderiam passar a eliciar 
reações de medo. Esse estudo contribuiu 
levantando evidências de como as fobias 
são criadas ou ainda como elas podem ser 
tratadas e eliminadas. 
O estudo de Jones foi outro 
importante avanço para o desenvolvimento 
da terapia comportamental. Nele foram 
testadas sete técnicas anteriormente 
sugeridas por Watson e Rayner para 
eliminar reações emocionais de medo em 
crianças institucionalizadas. Com isso, 
houve a demonstração da eficácia do 
tratamento do medo a partir de uma 
abordagem direta do comportamento. 
No final dos anos 40, Volpe 
desenvolveu uma técnica para tratamento 
da ansiedade, a conhecida 
dessensibilização sistemática. Essa técnica 
envolvia inicialmente a exposição do 
indivíduo a um estímulo descrito pelo 
mesmo como eliciador de ansiedade, em 
associação com o estado de relaxamento 
que deveria inibir essa reação emocional na 
presença daquele estímulo. O enfoque 
respondente foi predominante na terapia 
até a década de 50, quando a análise de 
problemas comportamentais era restrita a 
um modelo explicativo do tipo estímulo 
resposta. 
O enfoque operante 
As técnicas operantes foram mais 
difundidas nos Estados Unidos, onde 
algumas universidades americanas 
tornaram-se centros para pesquisas em 
condicionamento operante. Uma das 
principais técnicas foi a economia de 
fichas, que era um sistema de 
reforçamento para alterar comportamentos 
de pacientes psicóticos, reduzindo a 
frequência de vários comportamentos 
inadequados. 
Essa era uma estratégia viável para 
ser aplicada em larga escala em ambientes 
planejados, como escolas e organizações. 
Apesar da evolução da terapia 
comportamental com a aplicação clínica 
dos princípios operantes, a ênfase numa 
intervenção direta nas contingências de 
reforçamento parece ter contribuído para 
que os eventos privados ficassem em 
segundo plano. 
Enfoque da teoria da 
aprendizagem social 
Ferster manifestou sua preocupação 
com a necessidade do desenvolvimento de 
habilidades pessoais do terapeuta para que 
a aplicação de técnicas comportamentais 
tivesse êxito. 
A partir da década de 60, os 
terapeutas comportamentais começaram a 
se preocupar com temas como a relação 
terapeuta-cliente, a queixa relatada pelo 
cliente, a aceitação de evidências clínicas 
e a valorização dos eventos privados. 
Bandura critica a terapia comportamental 
por um suposto determinismo ambiental 
excessivo, embora estivesse fazendo 
referência ao modelo respondente. Com a 
teoria da aprendizagem social como base, 
ele desenvolveu o conceito de 
aprendizagem vicariante ou por 
observação, no qual o indivíduo aprende 
uma resposta a partir da observação de sua 
emissãopor outra pessoa. 
Enfoque da modificação do 
comportamento cognitivo 
Alguns teóricos afirmavam que o 
modelo de condicionamento respondente 
era insuficiente para uma psicoterapia 
efetiva. Dessa forma, no final dos anos 60, 
predominava uma avaliação paradoxal da 
terapia comportamental. Ao mesmo tempo 
que havia um interesse geral pelas suas 
técnicas, existia um desinteresse ou 
insatisfação dos novos terapeutas 
comportamentais pela teoria behaviorista. 
Tal situação tornou-se então 
propícia para a inserção de outras teorias e 
técnicas no campo da terapia 
comportamental, gerando distintos 
modelos de análise, intervenção e 
propostas para a adoção de um “ecletismo 
teórico”. A terapia, portanto, estava 
fragmentada. Em meio ao ambiente de 
indefinições, alguns terapeutas 
interessados na maior valorização dos 
aspectos cognitivos no processo 
psicoterápico podem-se citar Albert Ellis, 
Aaron Beck, 
Michael Mahoney e Donald 
Meischenbaum, que desenvolveram de 
forma independente novas abordagens 
terapêuticas. 
Semelhanças das terapias 
cognitivo comportamentais 
Apesar de terem sido desenvolvidas 
várias abordagens terapêuticas, existiam 
algumas semelhanças das terapias 
cognitivo-comportamentais que estavam 
sendo desenvolvidas. Uma delas era: a 
atividade cognitiva afeta o 
comportamento. Essa afirmação resgata a 
ideia de que alterações cognitivas 
levariam a alterações comportamentais. 
A segunda é: a atividade cognitiva 
pode ser monitorada e alterada, que diz 
respeito ao fato da pessoa ter acesso direto 
às suas próprias cognições e, portanto, ser 
capaz de alterá las. 
A terceira, a mudança de 
comportamento almejada pode ser 
afetada pela mudança cognitiva. O que 
eles queriam dizer era que, além da 
mudança nas contingências de 
reforçamento, as alterações ao nível 
cognitivo funcionariam como métodos 
alternativos para se efetuar mudanças 
comportamentais. 
TCC x TAC 
A principal crítica dos cognitivistas 
era a grande ênfase nas variáveis 
ambientais e o fato de desconsiderar os 
eventos privados. 
Essas críticas surgiram pelos 
seguintes motivos: 
• O primeiro deles, algumas 
considerações que o Skinner 
havia dado davam um certo 
valor secundário aos 
eventos privados. 
• A segunda, a ampla tradição 
da pesquisa básica da 
aprendizagem animal não 
requeria o estudo da 
subjetividade, ou seja, dos 
eventos privados. 
• E a terceira era que o tipo de 
população atendida pelos 
primeiros terapeutas 
comportamentais 
demandava uma 
intervenção mais 
diretamente voltada para a 
mudança das contingências 
ambientais. 
Não tinha surgido ainda na TAC, 
em termos históricos, a necessidade de 
uma preocupação de intervir em 
pensamentos, sentimentos, memórias, 
sentimentos de eu ou self, os eventos 
privados. 
Enquanto os cognitivistas atendiam 
em consultório pessoas com essas 
demandas e produziam inúmeras 
evidências científicas de sua eficácia. O 
surgimento das terapias 
cognitivo-comportamental contribuiu para 
intensificar as discussões sobre a 
necessidade de elaboração e 
desenvolvimento de um modelo de 
intervenção comportamental referente aos 
eventos privados. 
Então veio o questionamento: Os 
princípios da análise do comportamento 
são suficientes para embasar uma prática 
clínica eficaz e coerente com o 
behaviorismo radical frente a 
verbalizações do cliente que parecem 
descrever algum estado ou processo 
privado? 
Terceira geração das TCs 
E com isso surge a terceira onda 
ou terceira geração da terapia 
comportamental, que se caracterizou pelo 
retorno ao behaviorismo radical, a 
importância do contexto e da relação 
terapêutica. Se vê então um novo modelo 
de terapia: 
• Uma terapia verbal que considera 
a subjetividade (ontogenia), porém mantém 
coerência com a análise do 
comportamento. Quando leva em 
consideração o modelo de seleção pelas 
consequências. 
• A ideia monista, ou seja, do 
homem como um todo, não mais mente, 
cognição e comportamento. 
• A perspectiva relacional, não há 
uma ênfase no ambiente e sim uma relação 
entre ambiente e organismo. 
Na terceira onda, os eventos 
privados podem fazer parte de relações de 
controle do comportamento, mas não são 
a causa do comportamento. 
O relato de pensamentos e 
sentimentos por parte do cliente é de 
extrema importância para que o terapeuta 
tenha condições de avaliar o efeito das 
contingências que controlaram e ou 
controlam esses relatos, estabelecendo uma 
análise funcional mais rica e completa do 
comportamento em foco. 
Quando o terapeuta pergunta ao seu 
cliente sobre pensamentos, sentimentos e 
emoções, ele não faz para intervir 
diretamente sobre eles, porque eles são 
produto de contingências e de interações. 
O terapeuta pergunta para conhecer as 
contingências em vigor. 
Eventos privados, nesse sentido, 
são meios através dos quais o analista do 
comportamento pode descobrir e investigar 
seu verdadeiro material de trabalho, as 
contingências ambientais externas ao 
indivíduo, que podem ser efetivamente 
modificadas. 
Exemplos: 
Agora vejamos dois breves 
exemplos e quais seriam as interpretações 
pela TCC e pela TAC. Pensemos em um 
atleta que após uma derrota pensa: “nunca 
mais vou conseguir um patrocínio”. De 
maneira bem resumida, a TCC pode 
interpretar isso como um pensamento 
disfuncional do tipo generalização. 
Já a TAC, como um pensamento 
dando pista de qual contingência aversiva 
estava em vigor. Esse pensamento é 
mantido por reforçamento, senão ele não 
existiria. Ou seja, relatar esse pensamento, 
já que não é possível ver ele ocorrendo 
dentro da pessoa, pode produzir 
reforçadores, como atenção e cuidado. 
Vejamos um segundo exemplo: 
Um atleta pensa, “fiquei tão nervoso na 
hora do jogo que senti tontura e até achei 
que ia desmaiar”. Na TCC, podemos 
interpretar esse pensamento disfuncional e 
categorizá-lo como catastrofização. 
Já na TAC, esse pensamento 
também dá pista de uma contingência 
aversiva em vigor. A tontura, nesse caso, 
pode ter sido eliciada, mas também pode 
envolver reforçadores do tipo cuidado, 
atenção, fuga e esquiva de situações 
consideradas pelo atleta como aversivas. 
Conclusão 
Não se pode dizer que existe um 
modelo de psicoterapia certo ou errado. 
Nem a TCC, nem a TAC estão certas ou 
erradas. Na TCC, o pensamento, evento 
privado, causa o comportamento. O papel 
do terapeuta é ensinar novas formas de 
pensar. Já na TAC, o pensamento é 
resultante de interações com o ambiente. 
Afetam o comportamento, mas não são 
a causa dele. O papel do terapeuta não é 
mudar a forma de pensar, mas sim levar o 
cliente a mudar a contingência. 
Referência bibliográfica 
Barbosa, J. I. C., & Borba, A. 
(2010). O surgimento das terapias 
cognitivo comportamentais e suas 
consequências para o desenvolvimento de 
uma abordagem clínica 
analítico-comportamental dos eventos 
privados. Revista Brasileira de Terapia 
comportamental e cognitiva, 12(1), 60-79.

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