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Importância e modernização portuária brasileira Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os benefícios conquistados pela economia brasileira com a abertura dos portos. Descrever a situação do subsetor portuário e a sua importância para o setor de transportes e para a economia brasileira. Comparar a evolução da modernização portuária desde a sua abertura, em 1808, até o momento atual. Introdução Neste capítulo, você vai conhecer quais foram os benefícios conquistados com a abertura dos portos brasileiros, podendo explorar assuntos rele- vantes sobre a história portuária do Brasil. Nesse estudo você também reconhecerá e descreverá a importância do subsetor portuário para os transportes e a economia do Brasil, que criou novas modalidades de transportes e controle aquaviários, trazendo uma revolução ao setor da logística portuária. Por fim, você vai analisar comparações sobre a evolução e a modernização portuária do país, partindo da abertura dos portos em 1808 até o cenário atual. Benefícios conquistados pela economia brasileira com a abertura dos portos Em 28 de janeiro de 1808, Dom João VI ordenou que os portos brasileiros fossem abertos às nações amigas, tornando esse dia uma das datas mais simbólicas do nosso calendário por se tratar de um marco de grande rele- vância para a história do Brasil — principalmente pelo fato de determinar um dos momentos mais importantes para a economia brasileira. Os portos Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 1 27/02/2018 11:51:12 brasileiros têm uma grande ligação com o comércio exterior. Esse sistema passou por grandes mudanças na década de 1980, por ser conhecido como uma operação cara e inefi ciente, que contribuía, de alguma forma, para a perda de competitividade dos nossos produtos e serviços oferecidos ao co- mércio internacional. Também nesse período houve a abertura da economia brasileira, associada ao fenômeno da globalização, que trouxe uma nova ordem dos elementos que fazem parte desse sistema, devido à intensifi cação do fl uxo de comércio em escala mundial. Para melhor entendermos os benefícios conquistados pela economia bra- sileira com a abertura dos portos em 1808, precisamos saber a origem e os conceitos de alguns acontecimentos fundamentais para que essa mudança acontecesse. Dentre eles, podemos citar a globalização e a logística empresarial, principais elementos impulsionadores da economia brasileira e os maiores beneficiados com essa ação. A logística tem raízes profundas, desde a Antiguidade, na área militar. O exército da população persa teve o primeiro contato com essa operação ao utilizar uma marinha em grande escala. Na expedição de Xerxes ao encontro dos gregos em 481 a.C., foram utilizados mais de três mil navios de transporte para sustentar o exército formado pelos persianos. Além disso, uma das grandes lendas da logística é a história de Alexandre, o Grande, da Macedônia, que levou seu império a diversos países, incluindo Grécia, Pérsia e Índia, durando 13 anos, até a sua morte, aos 33 anos, em 323 a.C. Fatores e operações logísticas importantes puderam ser observadas nessa época, como: a inclusão da logística no seu planejamento estratégico; detalhado conhecimento dos exércitos inimigos, dos terrenos de batalha e dos períodos de fortes intempéries; inovadora incorporação de novas tecnologias de armamentos; desenvolvimento de alianças; centralização de todas as decisões; equipe especialmente treinada; engenheiros, que estudavam como reduzir a resistência das cidades que seriam atacadas; contramestres, que operacionalizavam o melhor sistema logístico exis- tente naquela época, seguindo à frente dos exércitos com a missão de comprar todos os suprimentos necessários e de montar armazéns avançados no trajeto; um exército com aproximadamente 35 mil homens; Importância e modernização portuária brasileira2 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 2 27/02/2018 11:51:12 um consumo diário aproximado de 100 toneladas de alimentos e 300 mil litros de água; carregava suprimentos para mais ou menos 10 dias; deslocamento médio aproximado de 32 quilômetros por dia, sendo que os outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 ou 17 quilômetros por dia, dependendo do carro de boi para o transporte dos alimentos. Por meio desse contexto, a evolução da logística se tornou uma estraté- gia fundamental e indispensável para qualquer país que queira vencer na competitividade global, principalmente quando se trata do transporte de mercadorias, o qual é considerado um dos maiores custos logísticos gera- dos dentro do sistema brasileiro. A logística só começou a ganhar um grau maior de importância a partir das décadas de 1970 e 80, quando passaram a ser implementadas diversas técnicas, mostrando a eficácia das práticas da logística industrial. Atualmente, essa área é responsável pelo planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo de produtos, financeiro e de informações, cuidando do armazenamento de insumos, materiais em processo e produtos acabados, desde o produtor primário, origem dos insu- mos, até a entrega dos bens de consumo ao cliente final, objetivando atender as necessidades do consumidor. A abertura dos portos também trouxe grandes benefícios para o trans- porte de produtos internacionais, facilitando a integração entre os países, quebrando barreiras econômicas e levando, anos mais tarde, ao fenômeno da globalização. A globalização pode ser definida como: a integração eco- nômica, financeira e comercial intensa entre vários países do mundo. O resultado é uma interação e um intercâmbio maior entre os membros que abriram as suas fronteiras, para a circulação tanto de mercadorias como de pessoas e de informações. Historiadores e estudiosos explicam que a abertura dos portos de 1808 foi um tratado econômico assinado entre Portugal e Inglaterra no contexto das Guerras Napoleônicas e promulgado por D. João VI. Foi o primeiro decreto emitido pelo príncipe regente de Portugal após sua chegada ao Brasil, juntamente com a família real portuguesa. Esse decreto possibilitou que as colônias portuguesas na América estabelecessem relações comerciais com outras nações europeias, abrindo os portos às nações amigas de Portugal. Vantagens e desvantagens competitivas vindas com a assinatura desse do- cumento estão no Quadro 1, a seguir. 3Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 3 27/02/2018 11:51:12 Fonte: Fernandes ([201?], não paginado). Vantagens Desvantagens Foi o primeiro passo do processo de independência do Brasil (1822). Vantagens dadas aos comerciantes britânicos no comércio com o Brasil fizeram aumentar a dependência do nosso país com relação à Grã-Bretanha. Fim do exclusivo ou pacto colonial. A entrada de produtos britânicos dificultou a abertura de indústrias brasileiras. Revogação do Alvará de 1785, que proibia a instalação de manufaturas nas colônias portuguesas. Maior concorrência com os produtos britânicos, que possuíam vantagens alfandegárias, entre outras. Criação dos primeiros núcleos manufatureiros na região. Entrada no Brasil de diversos tipos de produtos britânicos. Fundação do Banco do Brasil. Aumento do consumismo, devido à entrada de produtos sem relação com as necessidades dos consumidores brasileiros. Criação do primeiro jornal de grande circulação, a Gazeta do Rio de Janeiro. Brasil consumia mais do que exportava. Criação da Biblioteca Real Portuguesa no Brasil. As taxas impostas pelos acordos comerciais eram mais favoráveis à Inglaterra, que era também um país mais adiantado, em processo de industrialização, e precisava importar muito menos. Assinatura de outro tratado econômico, denominado de Tratado de Cooperação e Amizade, ampliando a possibilidade de o Brasil estabelecer relações comerciais com outras nações do mundo. O país contraiudívidas por importar mais do que exportar, precisando pedir empréstimos. Quadro 1. Vantagens e desvantagens geradas com a abertura dos portos brasileiros. Importância e modernização portuária brasileira4 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 4 27/02/2018 11:51:12 O importante a saber é que o tratado foi um grande modificador das rela- ções econômicas estabelecidas entre o Brasil e as demais nações europeias, conduzindo o país a uma emancipação lenta e gradual para a conquista de novos mercados e expertise em processos logísticos voltados às operações portuárias. Atualmente, os portos são vistos como os principais portais para a exportação e importação de mercadorias. Muitos países os utilizam como ferramentas estratégicas para a exportação de bens devido à capacidade de carga dos navios ser favorável ao transporte de grandes volumes. Situação do subsetor portuário brasileiro A abertura dos portos e os tratados alavancaram as conquistas econômicas do Brasil, fazendo dele um dos mercados mais livres do mundo. Em 1822, D. Pedro I declarou-se pela independência do país, desatrelando-o de Portugal. Atualmente, verifi camos que o sistema de transporte brasileiro, principalmente o hidroviário marítimo, apresenta impacto bastante positivo para economia regional e nacional, sendo um fator impulsionador do desenvolvimento. Tam- bém sabemos que esse transporte é fundamental no deslocamento de grandes quantidades de mercadorias, com alto ganho de escala nesse tipo de operação, inquestionavelmente na circulação de bens internacionais. O transporte marí- timo se tornou essencial para as importações e exportações brasileiras, gerando repercussões macroeconômicas positivas e acelerando a reprodução do capital. O Brasil atualmente ainda é carente quando se trata de melhorias para o setor portuário, principalmente em termos de gestão administrativa e ope- racional. O relatório de Competitividade Global 2014/2015, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, avaliou a qualidade da infraestrutura portuária de 144 países. Nele, o Brasil foi classificado na 122ª posição, ficando à frente apenas de Venezuela e Bolívia, em relação aos países da América do Sul, demonstrando, assim, a carência de mudanças que tragam melhorias a curto prazo para o país. De acordo com a Secretaria Nacional de Portos, Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (2015), no Sistema Portuário Nacional existem 37 portos públicos organizados no país. Nessa categoria, encontram-se os portos com administração exercida pela União, caso das Companhias Docas de São Paulo, ou delegada a municípios, estados ou consórcios públicos. A área desses portos 5Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 5 27/02/2018 11:51:12 é delimitada por ato do Poder Executivo segundo art. 2º da Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013. É importante ressaltar que a Secretaria de Portos (SEP) usa como classificação de porto marítimo ou fluvial o tipo de navegação longo curso ou interior, e não por localização geográfica. Por exemplo, o Porto de Manaus é geograficamente fluvial (rio), entretanto, na classificação da SEP, é considerado marítimo por receber embarcações de linhas oceânicas. Para aplicação do disposto no art. 65 da Lei, a SEP e o Ministério dos Transportes emitiram em conjunto uma portaria interministerial, aprovando a relação de 122 portos fluviais que passam a ser classificados como Ins- talações Portuárias Públicas de Pequeno Porte e, portanto, passam para as competências do Ministério dos Transportes e DNIT. Nesse levantamento, foram consideradas como IP4 as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte. Os demais portos fluviais não definidos como IP4, continuam sendo apenas portos fluviais, segundo a SEP (2015). Conforme disposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), no anexo da Resolução n° 2.969, são 235 instalações portuárias, públicas e privadas, tanto marítimas quanto fluviais. Na relação não aparece nenhum terminal classificado como porto lacustre. Excluindo-se dessa relação os portos públicos fluviais definidos na Portaria Interministerial 24 como sendo IP4, restam, portanto, 39 portos fluviais públicos nas competências da SEP. A situação do sistema portuário brasileiro pode ser compreendida por meio da SEP. Sabemos que, dos portos organizados, ainda fazem parte da competência da SEP/PR 39 portos fluviais e a estrutura brasileira portuária está configurada por: portos fluviais sob as competências da SEP, portos organizados delegados e portos públicos administrados por Companhia Docas, a saber, nos Quadros 2, 3 e 4. Importância e modernização portuária brasileira6 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 6 27/02/2018 11:51:13 Portos fluviais sob as competências da SEP Quantidade Nome Estado 1 Cruzeiro do Sul AC 2 Porto Acre AC 3 Porto Walter AC 4 Ibotirama BA 5 Corumbá MS 6 *Ladário MS 7 Mundo Novo MS 8 Cáceres MT 9 Almeirim PA 10 Altamira PA 11 Gurupá PA 12 Itaituba PA 13 Juruti PA 14 Monte Alegre PA 15 Óbidos PA 16 Oriximiná PA 17 Porto de Moz PA 18 Prainha PA 19 Senador José Porfírio PA 20 Vitória de Xingu PA 21 Santa Terezinha PR Quadro 2. Portos fluviais sob as competências da SEP. (Continua) 7Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 7 27/02/2018 11:51:13 Fonte: Mesquita (2015, não paginado). Portos fluviais sob as competências da SEP Quantidade Nome Estado 22 Terra Roxa PR 23 Porto Velho RO 24 Estrela RS 25 Cachoeira do Sul RS 26 Charqueadas RS 27 Jaguarão RS 28 Santa Vitória do Palmar RS 29 Anhembi SP 30 Jaú SP 31 Panorama SP 32 Pederneiras SP 33 Terminal Floresta SP 34 Terminal São Miguel SP 35 Terminal Fazenda São Joaquim SP 36 Eclusa Tietê Montante SP 37 Usina Diamante SP 38 Usina Pioneiros SP 39 São Pedro SP Quadro 2. Portos fluviais sob as competências da SEP. (Continuação) Importância e modernização portuária brasileira8 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 8 27/02/2018 11:51:13 Fonte: Mesquita (2015, não paginado). Portos organizados delegados Porto Estado Autoridade portuária Tipo Porto de Suape PE SDEC–PE Marítimo Porto de Imbituba SC SCPAR Marítimo Porto de São Franc. Sul SC APSFS Marítimo Porto de Itaqui MA EMAP Marítimo Porto de Cabedelo PB DOCAS–PB Marítimo Porto do Recife PE PORTO DO RECIFE S.A. Marítimo Porto de São Sebastião SP DERSA Marítimo Porto de Antonina PR APPA Marítimo Porto de Paranaguá PR APPA Marítimo Porto de Pelotas RS SPH Marítimo Porto de Porto Alegre RS SPH Marítimo Porto de Estrela RS SPH Fluvial Porto de Cachoeira do Sul RS SPH Fluvial Porto de Rio Grande RS SUPRG Marítimo Porto de Porto Velho RO SOPH-RO Fluvial Porto de Itajaí SC ADHOC Marítimo Porto de Macapá AP CDSA Marítimo Porto do Forno RJ COMAP Marítimo Quadro 3. Portos organizados delegados. 9Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 9 27/02/2018 11:51:13 Fonte: Mesquita (2015, não paginado). Portos públicos Porto Estado Autoridade Portuária Porto de Manaus AM CODOMAR Porto de Laguna SC CODESP Porto de Santos SP CODESP Porto de Angra dos Reis RJ CDRJ Porto de Itaguaí RJ CDRJ Porto do Rio de Janeiro RJ CDRJ Porto de Niterói RJ CDRJ Porto de Vitória ES CODESA Porto de Barra do Riacho ES CODESA Porto de Ilhéus BA CODEBA Porto de Aratu BA CODEBA Porto de Salvador BA CODEBA Porto de Maceió AL CODERN Porto de Natal RN CODERN Porto de Areia Branca RN CODERN Porto de Fortaleza CE CDC Porto de Vila do Conde PA CDP Porto de Belém PA CDP Porto de Santarém PA CDP Quadro 4. Portos públicos administrados por Companhia Docas. Dos portos públicos brasileiros, podemos verificar, na Figura 1, a distri- buição geográfica dos 34 principais portos. Importância e modernização portuária brasileira10 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 10 27/02/2018 11:51:13 Figura 1. Principais portos públicos brasileiros. Fonte: Defensea (2018, não paginado). Para conhecera base jurídica que ampara as tomadas de decisões dos integrantes da SEP e explorar a história dos portos brasileiros e a legislação histórica, leis e decretos criados, acesse o link ou código a seguir. https://goo.gl/QbcdWh 11Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 11 27/02/2018 11:51:14 https://goo.gl/QbcdWh A importância do sistema portuário para o setor de transportes e a economia brasileira Conforme a DefenSea Consultoria (2015), a indústria marítima brasileira teve grandes transformações em suas estruturas nas últimas décadas, alavancando de forma perceptível as suas atividades. Essa mudança é consequência da atuação direta do Governo Federal. A construção naval no país foi subs- tancialmente revigorada, principalmente no âmbito da indústria petrolífera, impulsionada pela descoberta de reservas consideráveis de petróleo e gás. O Brasil, devido a essas situações, passou a construir mais navios para operar no território nacional e internacional, maximizando de forma signifi cativa o tráfego de embarcações nos portos brasileiros. Cabe destacar também como foi expressiva a participação do setor portuário para a economia brasileira nos últimos tempos. O comércio exterior teve quase a totalidade das movimentações de mercadorias exportadas e importadas pelo país nos portos. O registro de aproximadamente 95,9% do total exportado e 88,7% das importações foram feitas pelos portos em 2011, mensurando e indicando a relevância do modal de transporte marítimo no Brasil. A navegação marítima sob a ótica dos modais de transporte vem se destacando cada vez mais. Melhorias como: redução do índice de poluição do meio ambiente, minimização dos custos para o transporte de cargas, sendo essas deslocadas em grandes quantidades e por longas distâncias, vem trazendo benefícios e conquistas significativas para o transporte brasileiro. É sabido que o modal marítimo em outros países, principalmente nos de- senvolvidos, é considerado o preferencial para realização das exportações e importações de produtos, aumentando a relevância para os seus portos na cadeia logística mundial. O Brasil, nesse aspecto, pode ser considerado um país privilegiado, pois dispomos de uma faixa litorânea bastante extensa, com 7.367 km, além disso, temos vias navegáveis interiores importantes, o que reforça ainda mais capacidade que temos e o enorme potencial para a utilização do transporte marítimo de cargas e passageiros. Como exemplo desse importante modal brasileiro, no informativo semestral 1/2014 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), foi citado o expressivo crescimento da cabotagem, a qual vem apresentando um crescimento contínuo de 17,3% na tonelagem de cargas transportadas pelo modal marítimo entre 2010 e 2014, atingindo melhorias diretamente ligadas às exportações e importações de mercadorias. (ANTAQ, 2012). Relata a Superintendência da Navegação Marítima e de Apoio que a via marítima é o principal meio utilizado para o transporte de mercadorias do Importância e modernização portuária brasileira12 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 12 27/02/2018 11:51:14 comércio exterior brasileiro. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 2012, a tonelagem exportada por essa via representou 96% do total, enquanto que a importada alcançou 89%, desempenho semelhante ao ano anterior. Ao analisar o fluxo comercial por valor (US$ FOB), percebemos que a participação se manteve estável nos dois últimos anos, sendo que, em 2012, 84% do montante exportado e 75% do importado utilizaram o transporte marítimo (SNM/Antaq, 2012). Para melhor entendermos esse crescimento, na Figura 2 os gráficos ilustram esta evolução (ANTAQ, 2012). Figura 2. Evolução das exportações e importações no período de 2008 a 2012. Fonte: (ANTAQ, 2012, p. 2). As zonas portuárias apresentam muitas características importantes para o transporte de bens, tanto dentro do território brasileiro quanto para o exterior. Dentre elas, podemos citar: transporte de bens importantes à sociedade, como alimentos (princi- palmente cereais); rompimento de barreiras (mares, lagos, rios, etc.), permitindo o escoa- mento da produção e serviços, garantindo a manutenção da economia; transporte de cargas em grandes volumes, diferenciando-se do transporte aéreo, que não apresenta a mesma capacidade; custo dos portos menor que o de outros meios, com algumas exceções referentes ao turismo (como cruzeiros); são uma das principais portas de entrada e saída das riquezas de um país; são locais nos quais se realizam atividades aduaneiras (relativas à Receita Federal no que diz respeito aos trâmites de mercadoria na importação ou exportação), alfandegárias, comerciais, entre outras; 13Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 13 27/02/2018 11:51:14 podem ser considerados pontos estratégicos da segurança nacional (militarismo) e principal interface da cadeia logística com a sociedade; podem ser considerados pontos de transição entre os modos terrestre e aquaviários, já que cargas e passageiros precisam ser transportados por outros modos de locomoção; como parte do processo de globalização, podem promover a integração entre nações e seus diferentes bens; pela grande capacidade de volume transportado, podem ser considerados indutores do crescimento econômico; zonas portuárias apresentam grande importância na manutenção da balança comercial de um país (AZEREDO, [2013]). O Brasil atualmente é um grande produtor de commodities, ou seja, de mercadorias, principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidas em larga escala e comercializadas em nível mundial. As commodities são produzidas por diferentes produtores e possuem características uniformes. Geralmente são produtos que podem ser estocados por um determinado perí- odo de tempo, a fim de esperar o momento certo de suas vendas, aguardando uma alta da demanda internacional sem que haja perda de qualidade. Outro ponto importante das commodities é a de serem um item que não passa por processo industrial, de transformação, ou seja, são geralmente matérias- -primas importadas ou exportadas para a produção de produtos acabados. Existem quatro tipos de commodities: Commodities agrícolas: soja, suco de laranja congelado, trigo, algodão, borracha, café, etc. Commodities minerais: minério de ferro, alumínio, petróleo, ouro, níquel, prata, etc. Commodities financeiras: moedas negociadas em vários mercados, títulos públicos de governos federais, etc. Commodities ambientais: créditos de carbono. Como dito, o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities, uma grande opção de geração de riquezas para o país. As principais com- modities produzidas e exportadas por nosso país são: petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro, soja e alumínio. O transporte dessas matérias- -primas pode ser feito por meio da utilização de dutoviários, aquaviários, rodoviários e ferroviários, sendo esses os principais modais de transporte Importância e modernização portuária brasileira14 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 14 27/02/2018 11:51:14 utilizados no transporte de grãos no Brasil. Dependendo da região geográ- fica, o transporte aquaviário é o mais indicado na movimentação dessas mercadorias, com o fim de disponibilizá-las para a exportação. Confira no link mais informações sobre o transporte ma- rítimo, o longo curso, a cabotagem, a frota mercante de bandeira brasileira, a regulação, os acordos internacionais, a outorga, o afretamento de embarcações e os gastos com afretamentos. https://goo.gl/9feRGv Evolução da modernização portuária da abertura ao momento atual Atualmente o Brasil conta com uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis e um setor portuário que movimenta cerca de 700 milhões de toneladas anualmente. Dentro desse número estão as mais diversas mercadorias.O modal aquaviário do país responde sozinho por mais de 90% das exporta- ções, quando que, em 1808, ano em que foram abertos os portos para as nações amigas, o Brasil era visto apenas como um grande importador de mercadorias britânicas, das quais, algumas eram compradas sem haver uma relação de consumo necessária. Enfi m, percebemos que esse processo de abertura conduziu o país a um caminho que é muito utilizado pelos países desenvolvidos, deixando cada vez mais evidente a necessidade de se investir nesse tipo de transporte, prezando pela qualidade do serviço prestado e pela adoção da fi losofi a da melhoria contínua dos processos e operações. Informa a Secretaria Nacional de Portos (MESQUITA, 2015, não paginado) que o Brasil de hoje está formado por uma estrutura portuária com: Porto organizado — bem público construído e aparelhado para aten- der a necessidades de navegação, de movimentação de passageiros ou de movimentação e armazenagem de mercadorias e cujo tráfego e operações portuárias estejam sob jurisdição de autoridade portuária; 15Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 15 27/02/2018 11:51:15 https://goo.gl/9feRGv Portos marítimos — aqueles aptos a receber linhas de navegação oceânicas, tanto em navegação de longo curso (internacionais) como em navegação de cabotagem (domésticas), independentemente da sua localização geográfica; Portos fluviais — aqueles que recebem linhas de navegação oriundas e destinadas a outros portos dentro da mesma região hidrográfica, ou com comunicação por águas interiores; Portos lacustres — aqueles que recebem embarcações de linhas dentro de lagos, em reservatórios restritos, sem comunicação com outras bacias; Área do porto organizado — área delimitada por ato do Poder Exe- cutivo que compreende as instalações portuárias e a infraestrutura de proteção e de acesso ao porto organizado; Instalação portuária — instalação localizada dentro ou fora da área do porto organizado e utilizada em movimentação de passageiros, em movimentação ou armazenagem de mercadorias, destinadas ou provenientes de transporte aquaviário; Terminal de uso privado — instalação portuária explorada mediante autorização e localizada fora da área do porto organizado; Estação de transbordo de cargas — instalação portuária explorada mediante autorização, localizada fora da área do porto organizado e utilizada exclusivamente para operação de transbordo de mercadorias em embarcações de navegação interior ou cabotagem; Instalação portuária pública de pequeno porte — instalação portuária explorada mediante autorização, localizada fora do porto organizado e utilizada em movimentação de passageiros ou mercadorias em em- barcações de navegação interior; Instalação portuária de turismo — instalação portuária explorada mediante arrendamento ou autorização e utilizada em embarque, desem- barque e trânsito de passageiros, tripulantes e bagagens, e de insumos para o provimento e abastecimento de embarcações de turismo; Delegação — transferência, mediante convênio, da administração e da exploração do porto organizado para municípios ou Estados, ou a consórcio público, nos termos da Lei nº 9.277, de 10 de maio de 1996; Navegação de cabotagem — realizada entre portos brasileiros, uti- lizando exclusivamente a via marítima ou a via marítima e as vias interiores (Lei nº 10.893, de 13 de julho de 2004); Importância e modernização portuária brasileira16 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 16 27/02/2018 11:51:15 Navegação interior (fluvial e lacustre) — realizada entre portos bra- sileiros usando exclusivamente as vias interiores (Lei nº 10.893/04); e Navegação de longo curso — realizada entre portos brasileiros e portos estrangeiros, sejam marítimos, fluviais ou lacustres (Lei nº 10.893/04). Dos portos organizados, no total 18 estabelecimentos, localizados em vários Estados brasileiros, com navegações marítimas e fluviais, recebem os cuidados de sete Companhias Docas (autoridades portuárias), como informa a Secretaria Nacional de Portos: Companhia Docas do Pará (CDP): Portos de Belém, Santarém, Vila do Conde, Altamira, Itaituba e Óbidos, além do Terminal Portuário do Outeiro e Terminal de Miramar. Companhia Docas do Ceará (CDC): Porto de Fortaleza. Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern): Portos de Natal e Maceió, além do Terminal Salineiro de Areia Branca (porto delegado à Codern). Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba): Portos de Salvador, Ilhéus e Aratu. Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa): Portos de Vitória e Barra do Riacho e Capuaba. Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ): Portos do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis e Itaguaí. Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp): Porto de Santos e Porto de Laguna. O cenário brasileiro se depara com estudos que indicam portos que necessitam ser vistos como pontos estratégicos para a evolução do país e da economia. Nesse sentido, o Centro de Excelência em Transportes (Centran), do Ministério da Defesa, é um dos pilares do Plano Nacional de Logística de Transporte (PNLT), que visa integrar as ações do Governo Federal para investimentos estratégicos em infraestrutura logística. Os portos considera- dos estratégicos para a evolução da economia brasileira, fundamentais para o desenvolvimento do setor logístico do país, foram elencados com base em critérios técnicos, e são os seguintes: Suape (PE), Itaqui (MA), Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Itaguaí (RJ) e Santos (SP). 17Importância e modernização portuária brasileira Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 17 27/02/2018 11:51:15 Não devemos deixar de citar as atribuições e competência da SEP, que é responsável pela formulação de políticas e diretrizes para o fomento do setor, além da execução de medidas, programas e projetos de apoio ao desen- volvimento da infraestrutura portuária, com investimentos orçamentários e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Compete ainda à SEP a participação no planejamento estratégico e a aprovação dos planos de outorgas, tudo isso visando assegurar segurança e eficiência ao transporte aquaviário de cargas e de passageiros no país (SOUZA, 2009). Conforme descrito no artigo de Thiago Azeredo ([2013]), a classificação quanto à localização se refere a um determinado espaço em que se implanta a estrutura portuária. Cabe ressaltar que a localização de um sistema por- tuário é definida por diversas motivações; a principal delas é integrar os sistemas de transporte, o transporte terrestre, ferroviário e aéreo. Além disso, outro importante ponto de análise para a instalação é a busca na redução do custo do transporte. Existem três tipos de localização, sob a perspectiva de Degrassi (2001): portos marítimos, costeiros ou litorâneos: referem-se aos que estão localizados em contato com o mar e podem ser subdivididos em portos naturais, portos de mar aberto e portos abrigados; portos lacustres: estão localizados em contato com lagos e o com mar por canais de navegação; portos hidroviários: localizados em rios. Confira os três grandes momentos na história portuária do Brasil na ótica de alguns historiadores no link ou código a seguir. https://goo.gl/hAA4T1 Importância e modernização portuária brasileira18 Cap_2_Logistica_Portuaria.indd 18 27/02/2018 11:51:16 https://goo.gl/hAA4T1 ANTAQ. Panorama da navegação marítima e de apoio. 2012. Disponível em: . Acesso em: 20 jan. 2018. AZEREDO, Thiago Azeredo,. Portos brasileiros: zonas portuárias são responsáveis pelo escoamento de bens pelo Brasil. [2013]. Disponível em: . Acesso em: 21 jan. 2018. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013. Dispõe sobre a exploração direta e indireta pela União de portose instalações portuárias e sobre as atividades desempenhadas pelos operadores portuários; altera as Leis nos 5.025, de 10 de junho de 1966, 10.233, de 5 de junho de 2001, 10.683, de 28 de maio de 2003, 9.719, de 27 de novembro de 1998, e 8.213, de 24 de julho de 1991; revoga as Leis nos 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, e 11.610, de 12 de dezembro de 2007, e dispositivos das Leis nos 11.314, de 3 de julho de 2006, e 11.518, de 5 de setembro de 2007; e dá outras providências. Diário oficial [da] república federativa do Brasil, 2013. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2018. DEFENSEA. A situação portuária no Brasil: implementação de sistemas de controle de tráfego marítimo e de melhorias na segurança física das instalações. 2015. Disponível em:. Acesso em: 19 jan. 2018. DEFENSEA. Principais portos públicos brasileiros. 2018. Disponível em: . Acesso em: 20 de jan. 2018. FERNANDES, Fernando Roque. 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