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Conceito de saúde pública e saúde 
coletiva
Apresentação
A saúde pública e a saúde coletiva surgiram, na história da humanidade, conforme o contexto 
histórico e alguns fatores como epidemias, avanços da medicina, avanços científicos sobre 
determinantes de saúde, importância do acesso à saúde para toda a população, entre outros. 
Também no Brasil, o contexto histórico de saúde da população associado aos avanços da medicina 
e o conhecimento sobre determinantes de saúde contribuíram para o surgimento dessas duas áreas 
e são fatores que permanecem mantendo a evolução ativa da saúde pública e coletiva.
Muitos autores consideram saúde pública e saúde coletiva como sinônimos. No entanto, apesar de 
estarem interligadas, são duas áreas distintas dentro da saúde. A saúde pública está relacionada à 
saúde das pessoas e das comunidades dentro do sistema público de saúde. A saúde coletiva trata 
de questões mais amplas, com abordagens críticas e delineamentos políticos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar os conceitos e as particularidades da saúde 
pública e da saúde coletiva, as influências do meio ambiente na saúde da população pela visão da 
saúde pública e da coletiva, dados de doenças comuns em determinadas regiões, formas de atuação 
da saúde coletiva, entre outras informações importantes sobre o tema.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Conceituar saúde pública e saúde coletiva.•
Relacionar meio ambiente e saúde coletiva.•
Identificar os distintos focos de atuação da saúde coletiva.•
Infográfico
A saúde tem uma conformação complexa quando analisada de modo aprofundado. Apesar de sua 
fonte ser a ausência de doença, as formas de atuar para que se atinja esse propósito são inúmeras, 
considerando a imensidão de situações de doenças. Dentro da saúde da população como um todo, 
há três áreas principais de atuação: a saúde coletiva, a saúde pública e o Sistema Único de Saúde 
(SUS) .
Neste Infográfico, você vai compreender algumas diferenças fundamentais sobre saúde para 
possibilitar a distinção das atividades dessas áreas na prática.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/2d540417-9ede-4aa8-a7f9-f4af3f815601/4cb2bcd1-6a05-4b38-9750-161b7c0e20c8.jpg
Conteúdo do livro
O Brasil tem uma enorme diversidade na sua população, com realidades culturais, políticas, 
socioeconômicas e educacionais bem distintas em todo o seu território, que refletem nas condições 
de saúde de sua população. Isso ocorre devido a questões da estruturação do país, mas outras 
distinções são em decorrência de fatores como origem, diversidade de etnias, climas e vegetações 
ao longo da extensão de território.
Quando se pensa em ações de saúde, a expressão “saúde pública” vem em mente ou, então, “saúde 
coletiva”. Ambas são bases necessárias para o desenvolvimento de ações que sejam efetivamente 
resolutivas em prol da saúde da população. Apesar de essas expressões serem comumente 
utilizadas como sinônimos, trata-se de coisas diferentes.
No capítulo Conceito de saúde pública e saúde coletiva, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai conhecer mais sobre saúde pública e saúde coletiva, suas similaridades e 
distinções, além de saber quais são seus agentes, objetivos e contextos e qual é sua abrangência.
Boa leitura.
REALIDADE 
SOCIOECONÔMICA 
E POLÍTICA 
BRASILEIRA
Jaíza Gomes 
Duarte Lopes
Revisão técnica:
Luciana Bernadete de Oliveira
Graduada em Ciências Políticas e Econômicas
Especialista em Administração Financeira
Mestre em Desenvolvimento Econômico Regional
Lilian Martins
Especialista em Controladoria e Planejamento Tributário
Gisele Lozada
Graduada em Administração de Empresas
Especialista em Controladoria e Finanças
Alexsander Canaparro da Silva
Bacharel em Administração de Empresas
MBA em Marketing Práticas Avançadas
MBA em Comércio Exterior e Internacional
Mestre em Administração
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
R429 Realidade socioeconômica e política brasileira [recurso 
eletrônico ] / Daniele Fernandes da Silva... et al.; [revisão 
técnica: Luciana Bernadete de Oliveira... et al.]. – Porto 
Alegre: SAGAH, 2018.
ISBN 978-85-9502-450-2
1. Economia. I. Silva, Daniele Fernandes da.
CDU 338
Conceito de saúde pública 
e saúde coletiva
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Conceituar saúde pública e saúde coletiva.
  Relacionar meio ambiente e saúde coletiva.
  Identificar os distintos focos de atuação da saúde coletiva.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar sobre saúde pública e coletiva, seus 
conceitos e diferenças, com um destaque para a saúde coletiva. Também 
irá compreender qual é a relação do meio ambiente com a saúde coletiva 
a partir do conceito amplo de meio ambiente e como eles interagem 
entre si. Por fim, você vai saber onde a saúde coletiva pode e deve atuar 
e como os profissionais da saúde podem atuar dentro da saúde coletiva.
O que é saúde pública e saúde coletiva? 
Saúde é sempre um tema muito debatido na sociedade, pois é um assunto que 
faz parte da vida de todos nós. A saúde é essencial para a proteção da vida 
humana, mas a promoção da saúde dos indivíduos vai muito além de tratar 
as doenças das pessoas: promover a saúde envolve, também, a prevenção 
de doenças. A prevenção implica aspectos comumente ligados à saúde, mas 
também aspectos sociais. Essa visão mais ampla do que é saúde é a base para 
a constituição da saúde coletiva. A seguir, vamos estudar os conceitos de 
saúde pública e de saúde coletiva.
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Saúde pública 
Apesar de muito semelhantes e muitas vezes confundidas, saúde pública 
e saúde coletiva não são a mesma coisa: têm origens, projetos e compro-
missos diferentes.
Saúde pública se refere às intervenções e aos serviços prestados para 
combater doenças ou outras situações que ponham a saúde da população em 
risco. O Estado é o principal responsável por materializar a saúde pública, 
ou seja, promover políticas visando o desenvolvimento do bem-estar e a 
saúde da população.
A promoção de saúde pública, no entanto, vai mais além do que o Estado 
pode fazer: a sociedade civil, por meio de ações para desenvolver a cidadania, 
também contribui para a construção da saúde pública, e importantes elementos 
do capital social contribuem para a formação de uma cultura na sociedade 
que entenda a saúde como valor social.
Winslow (apud SOUZA, 2014, p. 15) define saúde pública como:
[...] a ciência e a arte de prevenir a doença, prolongar a vida, promover a 
saúde física e a eficiência através dos esforços da comunidade organizada 
para o saneamento do meio ambiente, o controle das infecções comunitárias, 
a educação dos indivíduos nos princípios de higiene pessoal, a organização 
dos serviços médicos e de enfermagem para o diagnóstico precoce e o tra-
tamento preventivo da doença e o desenvolvimento da máquina social que 
assegurará a cada indivíduo na comunidade um padrão de vida adequado 
para a manutenção da saúde.
Com base nesse entendimento Wislow (apud LECHOPIER, 2015, p. 209) 
descreve os meios para alcançar os objetivos da saúde pública. São eles: 
  sanitarização do ambiente; 
  controle das infecções transmissíveis; 
  educação individual da higiene pessoal; 
  organização de serviços médicos e de enfermagem para o diagnóstico 
precoce e o tratamento preventivo de doenças; 
  construção da maquinaria social para assegurar a todos um padrão de 
vida adequado para a manutenção da saúde.
A saúde pública, portanto, é uma ação coletiva entre o Estado e a sociedade 
para preservar e aperfeiçoar a saúde dos indivíduos. Muitas vezes, a saúde 
Conceito de saúde pública e saúde coletiva2
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pública é tratada como sinônimo das ações de saúde promovidas pelo Estado, 
mas ela envolve ações não estatais também e nem todas as ações de saúde 
promovidas pelo Estado são matérias de saúde pública apenas. Nesse sentido, 
a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) (ORGANIZAÇÃO..., 2018) 
define 11 funções atuais essenciais da saúde pública na América:
1. monitoramento, avaliação e análise da situação de saúde;
2. vigilância da saúde pública, pesquisa e controle de riscos e danos à 
saúde pública;
3. promoção da saúde;
4. participação dos cidadãos na saúde;
5. desenvolvimento de políticas e capacidade de planejamento e gestão 
institucional da saúde pública; 
6. fortalecimento da capacidade institucional de regulação e fiscalização 
em questões de saúde pública;
7. avaliação e promoção do acesso equitativo aos serviços de saúde 
essenciais;
8. desenvolvimento e treinamento de recursos humanos para a saúde 
pública;
9. garantia da melhoria da qualidade dos serviços de saúde individuais 
e coletivos;
10. pesquisa em saúde pública;
11. redução do impacto de emergências e desastres na saúde.
Saúde coletiva
A saúde coletiva no Brasil é formada a partir do movimento sanitarista latino-
-americano e da corrente da reforma sanitária no país, que ocorreram entre 1960 
e 1970. Nessa época, foram criados programas para expandir o atendimento 
médico às zonas rurais e periféricas urbanas; também foram criados, nos 
cursos de medicina, departamentos de medicina preventiva.
A saúde coletiva é formada por elementos das políticas de saúde pública 
e de ciências sociais. A saúde coletiva tem um olhar econômico, social e 
ambiental sobre as possíveis proliferações de doenças nas regiões, agindo 
preventivamente para combatê-las. Utilizando dados sociais, econômicos e 
sobre a propagação de doenças, a saúde coletiva age na prevenção das causas 
de epidemias. As formas de prevenção adotadas devem levar em consideração 
as particularidades de cada região.
3Conceito de saúde pública e saúde coletiva
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Souza (2014, p. 11) define saúde coletiva como:
[...] uma área do saber que toma como objeto as necessidades sociais de saúde 
(e não apenas as doenças, os agravos ou os riscos), entendendo a situação 
de saúde como um processo social (o processo saúde-doença) relacionado 
à estrutura da sociedade e concebendo as ações de atenção à saúde como 
práticas simultaneamente técnicas e sociais.
Quanto ao campo de conhecimento, Paim e Almeida (1998, p. 309) têm a 
seguinte visão sobre saúde coletiva:
[...] a saúde coletiva contribui com o estudo do fenômeno saúde/doença em 
populações enquanto processo social; investiga a produção e distribuição 
das doenças na sociedade como processos de produção e reprodução social; 
analisa as práticas de saúde (processo de trabalho) na sua articulação com 
as demais práticas sociais; procura compreender, enfim, as formas com que 
a sociedade identifica suas necessidades e problemas de saúde, busca sua 
explicação e se organiza para enfrentá-los.
Pode parecer que não há diferença entre a saúde coletiva e a saúde 
pública, mas é importante enfatizar que a saúde coletiva tem como objeto 
de estudo as necessidades da saúde, enquanto que a saúde pública tem 
como objeto de estudo os problemas de saúde. Mas qual a diferença entre 
problemas e necessidades de saúde? Os problemas de saúde dizem respeito 
aos aspectos de combate à doença e longevidade; já as necessidades da 
saúde, além disso, também abrangem os aspectos de melhoria na qualidade 
de vida, liberdade humana e busca pela felicidade (SOUZA, 2014, p. 17 e 
18). A saúde coletiva é um elemento social importante e a sua promoção 
está diretamente ligada ao conceito de políticas públicas e popularização 
da vida social.
Outra forma de verificar a diferença entre saúde pública e coletiva 
é sob a ótica dos meios de trabalhos utilizados por ambas. Para Souza 
(2014, p. 18), o instrumento de trabalho da saúde pública é a epidemiologia 
tradicional, ou seja, a concepção biologista da saúde, e o instrumento da 
saúde coletiva é:
[...] a epidemiologia social ou crítica que, aliada às ciências sociais, prioriza o 
estudo da determinação social e das desigualdades em saúde, o planejamento 
estratégico e comunicativo e a gestão democrática. Além disso, abre-se às 
contribuições de todos os saberes - científicos e populares - que podem orientar 
Conceito de saúde pública e saúde coletiva4
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a elevação da consciência sanitária e a realização de intervenções intersetoriais 
sobre os determinantes estruturais da saúde. Assim, os movimentos como 
promoção da saúde, cidades saudáveis, políticas públicas saudáveis, saúde 
em todas as políticas compõem as estratégias da Saúde Coletiva.
Podemos afirmar, aqui, que a saúde pública é uma forma de saúde coletiva, 
ou seja, a saúde coletiva é um aspecto mais amplo da saúde. Atualmente, a 
saúde pública envolve um planejamento nacional e mais recursos do Estado. 
Já a saúde coletiva deve ser planejada de forma regional, de acordo com a 
realidade local, e atuar estrategicamente na prevenção.
Meio ambiente e saúde coletiva
Antes de entendermos a relação da saúde coletiva com o meio ambiente, é 
fundamental defi nir o que é meio ambiente, porque muitas vezes relaciona-
mos essa palavra apenas às fl orestas e aos rios afastados da urbanização. No 
entanto, meio ambiente é tudo aquilo que está à nossa volta, é o lugar do qual 
fazemos parte. Ou seja, o ambiente, seja rural ou urbano, é meio ambiente.
A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938, de 31 de agosto 
de 1981) no artigo 3, define meio ambiente como “o conjunto de condições, 
leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, 
abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
As dimensões do meio ambiente seriam tanto os patrimônios naturais (fauna, 
flora, recursos minerais, recursos hídricos) e sua relação direta e indireta com 
os seres vivos e humanos quanto os patrimônios artificiais construídos pelos 
seres humanos e toda a sua infraestrutura relacionada, como a construção 
de uma cidade e seu devido saneamento básico, rodovias, serviços médico-
-hospitalares, sem esquecer a cultura humana que perpassa por esses ambientes 
diferentes (OLIVEIRA; CASTRO, 2013, p. 6).
Com esse entendimento sobre o meio ambiente, podemos compreender 
a sua relação com a saúde coletiva. Os seres humanos fazem parte do meio 
ambiente e as modificações no meio ambiente afetam o bem-estar e a saúde 
dos seres humanos, assim como as modificações humanas alteram o meio 
ambiente. Dessa forma, as condições sanitárias, como parte do ambiente em 
que o homem vive, afetam a saúde humana.
A saúde coletiva, como mencionado, atua na prevenção das epidemias; 
para intervir na prevenção de doenças, é necessário que atue, também, na área 
sanitária, ou seja, na higiene. Por isso, na década de 1980, no Brasil, a luta 
5Conceito de saúde pública e saúde coletiva
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pela saúde coletiva fica entrelaçada com a busca pela Reforma Sanitária. Ao 
longo dos anos, esses dois assuntos foram estrategicamente separados, mas 
ainda estão fortemente ligados.
A higiene em volta do ambiente onde as pessoas moram é um fator 
extremamente importante para a prevenção de doenças. A saúde é afetada 
pela poluição e pela destruição da água, do ar e do solo, assim como por 
péssimas condições de moradia e inexistência de saneamento básico. Essas 
condições são encontradas nas grandes regiões urbanas, principalmente 
nas favelas e nos cortiços. Para assegurar a saúde, a habitação das pessoas 
precisa ser saudável.
[...] a habitação é considerada como um agente da saúde de seus moradores e 
relaciona-se com o território geográfico e social onde se assenta, os materiaisusados para sua construção, a segurança e qualidade dos elementos combina-
dos, o processo construtivo, a composição espacial, a qualidade dos acaba-
mentos, o contexto global do entorno (comunicações, energia, vizinhança) e 
a educação em saúde e ambiente de seus moradores sobre estilos e condições 
de vida saudável. Do ponto de vista do ambiente como determinante da saúde, 
a habitação se constitui em um espaço de construção e desenvolvimento da 
saúde da família. (AZEREDO et al., 2007, p. 744).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório, em 2014, 
no qual afirma, com base em estudos, que a cada 1 dólar investido em água 
e saneamento básico, é possível economizar 4,3 dólares em saúde no mundo. 
Segundo a empresa Terra Ambiental, o não tratamento do esgoto pode ocasio-
nar doenças como febre tifoide, cólera, hepatite A e leptospirose. No Brasil, 
segundo o IBGE, em 2013, 60,9% das residências tinham banheiro e esgoto 
sanitário por rede geral de esgoto, ou seja, 39,1% dos domicílios brasileiros 
ainda não têm saneamento básico (ONU, 2014).
O economista Eduardo Giannetti fala sobre desigualdade 
no Brasil e como a falta de saneamento básico pode afetar 
a saúde das pessoas e as suas condições de desenvolvi-
mento educacional. Assista ao vídeo no link ou código a 
seguir (HEMEG, 2011).
https://goo.gl/iTUEGS 
Conceito de saúde pública e saúde coletiva6
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A poluição e a degradação da água e do solo são causadas por diversos 
fatores, e um dos principais é o despejo de resíduos químicos, como mer-
cúrio e enxofre, pelas indústrias de mineração, que podem causar graves 
danos à saúde da população inserida no meio ambiente afetado. Outro 
fator do meio ambiente que afeta a saúde da população são os alimentos 
transgênicos e o uso excessivo de agrotóxicos na produção dos alimentos. 
Existem sérios indícios de que os alimentos transgênicos afetam a saúde 
dos consumidores, diminuindo a expectativa de vida e aumentando as 
chances de desenvolver câncer.
Os resíduos sólidos jogados nas ruas e avenidas das áreas urbanas 
também são causas de problemas na saúde coletiva. Esses resíduos acumu-
lados prejudicam a rede de drenagem das ruas, o que provoca inundações 
e aumenta o risco de epidemias, como a leptospirose. Em 2011, houve o 
famoso caso de deslizamento de terras nos municípios de Nova Friburgo, 
Petrópolis, São José do Vale do Rio Preto e Teresópolis; nesse mesmo 
período, foi registrado um significativo aumento no número de internações 
por causa da leptospirose, o número chegou a quase 20 internações em 
fevereiro de 2011 – sendo que a média registrada para esse mês era menor 
que cinco internações.
Quando esses resíduos estão acumulados em terrenos abandonados, tornam-
-se redutos de larvas do mosquito aedes egpypti, que transmite dengue, zika, 
febre chikungunya e febre amarela. No Brasil, em 2013, 12,9% da população 
afirmou ter tido dengue, ou seja, 25,8 milhões de pessoas.
Como você pode perceber, a maioria das causas ambientas menciona-
das até agora que afetam a saúde das pessoas são causas que atingem a 
população mais pobre. Por isso, podemos considerar que a desigualdade, a 
exclusão social e a marginalização de indivíduos são as condições que mais 
causam impactos na saúde humana. Infelizmente, essas são as condições 
em que vivem milhares de brasileiros e milhares de pessoas ao redor do 
mundo nos países em desenvolvimento.
As condições básicas de vida a que todos os seres humanos têm direito (saúde, 
segurança, trabalho, educação, moradia etc.), dependem diretamente de um 
meio ambiente saudável (Johnston, 1995). Os elevados índices de morbidade 
e mortalidade nos países em desenvolvimento, com os conhecimentos de 
prevenção que se têm, poderiam ser reduzidos quase aos níveis dos países 
desenvolvidos. As causas dos atuais excessos de doenças nos países em de-
senvolvimento são, na sua maioria, originárias do meio ambiente e poderiam 
essencialmente ser evitadas (DOLL, 1992; MENDES, 1988 apud FERREIRA; 
ANJOS, 2001, p. 695).
7Conceito de saúde pública e saúde coletiva
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A melhoria na distribuição de renda, que envolve fatores políticos, econô-
micos e sociais, proporcionaria uma melhoria na saúde da população.
O Índice de Gini é um índice que mede a desigualdade. É medido de 0 a 1: quanto 
mais próximo de 0, mais igual é a distribuição da renda no país; quanto mais próximo 
de 1, mais desigual é a distribuição de renda na sociedade.
Em 2016, segundo IBGE, o Índice de Gini no Brasil foi igual a 0,525. Segundo a Se-
cretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em 2015, 5% dos brasileiros 
concentravam 28% da renda bruta do país. 
Focos de atuação da saúde coletiva
A saúde coletiva, por representar um conceito mais amplo de saúde, tem vários 
focos de atuação, ou seja, existem várias áreas de atuação da saúde coletiva. 
No geral, ela atua na promoção, proteção e recuperação da saúde.
A promoção da saúde atua no diagnóstico, reconhecimento e tratamento 
das doenças e de aspectos que afetem a qualidade de vida da população, 
assim como no desenvolvimento e elaboração de tecnologias voltadas para 
os diversos aspectos da saúde, como cultura, educação e cuidado. Já a 
proteção da saúde atua no diagnóstico, reconhecimento e tratamento dos 
fatores que causam a desigualdade e a vulnerabilidade social, no controle 
de doenças, na vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental e na redução 
de riscos. Combater a desigualdade e a vulnerabilidade social é uma difícil 
tarefa e deve incluir todas os suportes sociais e estatais, mas também a 
participação do próprio individuo, que também deve ser um agente atuante 
em relação à sua saúde.
A recuperação da saúde atua na parte institucional, na gestão e no planeja-
mento das clínicas, hospitais, nos processos de acolhimento, nos programas e 
sistemas assistenciais e de apoio psicológico e de toda a rede de saúde.
A saúde coletiva atua em diversas áreas para assegurar a promoção da 
saúde em todos seus aspectos. Nos estudos e pesquisas acadêmicas desen-
volvidas para tentar compreender as dimensões em que a saúde coletiva 
Conceito de saúde pública e saúde coletiva8
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deve atuar, também se tem entendido que a saúde coletiva exige uma trans-
disciplinaridade, ou seja, a união de várias disciplinas para se chegar ao 
conhecimento. A respeito desse assunto, observe o que escrevem Sánchez 
e Bertolozzi (2007, p. 322):
A abordagem na perspectiva da determinação social da saúde-doença e que o 
modelo de vulnerabilidade apresentado incorpora aponta para a necessidade 
da transdisciplinaridade, o que é fundamental quando se trata de problemas 
ou de necessidades de saúde, na medida em que a complexidade do objeto da 
saúde requer diferentes aportes teórico-metodológicos, sob pena de reduzir 
as ações a “tarefas” pontuais, de caráter emergencial, que não modificam a 
estrutura da teia de causalidade.
Uma outra forma de ver os focos de atuação da saúde coletiva é a partir da 
análise da forma como os profissionais que atuam nela podem exercer suas 
atividades. Regis e Batista (2015, p. 835) descrevem como deve ser a atuação 
do enfermeiro na saúde coletiva:
[...] desenvolver atividades gerenciais e contribuir com a consolidação da 
estratégia da saúde da família. É competência do enfermeiro, ainda, promover 
atividades educativas e ações que garantam a integralidade do ser humano 
na atenção à saúde. Evidencia-se a importante contribuição da saúde coletiva 
para o empoderamento de enfermeiros dentro do atual contexto brasileiro 
e mundial. A saúde coletiva configura-se como uma nova perspectiva de 
saberes e práticas: as possibilidades teóricas são ampliadas para além da 
enfermagem centrada em procedimentos e no corpo biológico; a autonomia 
e o trabalho em equiperessignificam a prática dos enfermeiros e atributos 
como comprometimento social e visão crítica e reflexiva são identificados 
não só como características do ser humano-cidadão, mas também do ser 
humano-profissional enfermeiro.
O nutricionista é um profissional que também pode atuar na saúde coletiva, 
promovendo a segurança alimentar como uma forma de prevenir doenças de 
uma pessoa ou de um determinado grupo da população; por exemplo, ele pode 
trabalhar no combate à obesidade em um caso específico ou com campanhas 
educativas junto a grupos de crianças em escolas.
9Conceito de saúde pública e saúde coletiva
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Segundo a OMS, 213 milhões de crianças e adolescentes no mundo estavam com 
sobrepeso. As taxas de obesidade infantil continuam crescendo em países de baixa 
e média renda. As tendências estatísticas preveem um futuro de uma geração inteira 
de crianças e adolescentes obesos e com maior propensão a desenvolver doenças 
como a diabete. Por isso é tão importante a atuação de nutricionistas na orientação 
de crianças e adolescentes e dos responsáveis (ORGANIZAÇÃO..., 2017). 
O fisioterapeuta pode atuar na saúde coletiva, tanto desenvolvendo seu 
trabalho no atendimento de reabilitação quanto na orientação postural, que é 
um importante aliado na prevenção de diversas doenças. Bispo Júnior (2010, 
p. 1633) descreve a importância da orientação postural e indica como deve 
ser construída essa orientação nas comunidades:
A questão da postura deve ser difundida em âmbito coletivo não apenas como 
questão estética, mas como atitude corporal inerente a uma vida saudável e 
fator preventivo para diversas doenças. No âmbito da atenção básica, o fisio-
terapeuta deve atuar preferencialmente com grupos populacionais, orientando 
sobre as posturas mais adequadas para cada grupo ou para cada situação. A 
prática da educação em saúde não deve e não pode ser entendida como ação 
vertical e unidirecional, do profissional que sabe para a população que não 
sabe. O processo de educação e orientação postural deve ser construído cole-
tivamente, levando-se em consideração quais os hábitos, costumes e crenças 
com poder de influência na postura daquela comunidade.
O psicólogo saindo das práticas individuais de consultórios pode ampliar 
sua contribuição para o campo coletivo. Esse profissional pode atuar no 
acolhimento e cuidado com os usuários das redes de saúde pública, suas 
famílias e os profissionais que atuam nela. Os profissionais citados aqui são 
apenas exemplos para que você possa compreender melhor como se atua 
e trabalha na saúde coletiva. Há, no entanto, diversos outros profissionais 
que também podem colaborar com as áreas da saúde coletiva, pois, como 
já vimos, ela integra vários focos de atuação dentro da saúde, economia 
e sociedade.
Conceito de saúde pública e saúde coletiva10
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Leituras recomendadas
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