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1
Assistência em 
Enfermagem em 
Oncologia Clínica: 
Emergências 
e Unidade de 
Terapia Intensiva
2
3
Sumário
Emergências oncológicas 
 Emergências e tipos de emergências oncológicas 
 Emergências metabólicas 
 Hipercalcemia 
 Tratamento 
 Síndrome de Lise Tumoral (SLT) 
 Hiponatremia 
 Sinais, sintomas e tratamento 
 Emergências neurológicas 
 Compressão da medula espinhal (CME) 
 Metástases cerebrais e aumento da pressão intracraniana 
 Emergências cardiovasculares 
 Derrame pericárdico maligno 
 Síndrome da veia cava superior (SVCS) 
 Emergências hematológicas Hiperviscosidade devida a 
disproteinemia (gamopatiamonoclonal) 
 Emergências respiratórias 
 Obstrução da via aérea 
 Complicações infecciosas 
 Neutropenia febril 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
6
7
10
10
12
13
17
18
19
19
21
23
23
24
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27
29
29
4
Sumário
Oncologia na unidade de terapia intensiva 
 Enfermagem em UTI oncológica 
 Humanizando a assistência ao cliente oncológico 
Controle de infecção em oncologia 
 Precaução de contato: por que e quando usar? 
 Atividades educativas em saúde 
Cuidados paliativos e a dor 
 Os cuidados paliativos e a assistência de enfermagem ao 
paciente terminal 
 O paciente terminal e seus familiares 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
33
39
41
44
50
54
57
61
64
66
5
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
6
@faculdadelibano_
1
Emergências 
oncológicas
7
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: Emergências e Unidade 
de Terapia Intensiva
Capitulo 1
Emergências oncológicas
Muitas das situações de alto risco podem ser prevenidas, se efetivamente diagnosticadas 
e prontamente reconhecidas e tratadas. Algumas têm um início insidioso e levam meses 
a desenvolver-se, enquanto outras manifestam-se em horas, causando resultados 
devastadores como paralisia e morte. 
Várias síndromes clínicas podem ser evidenciadas antes de ocorrer uma emergência, 
daí a necessidade de uma análise dirigida do doente, incluindo uma monitorização 
específica.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer as emergências 
oncológicas, alguns aspectos do câncer em unidades de terapia 
intensiva, controle de infecção na oncologia e os cuidados paliativos e 
a dor. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
Emergências e tipos de emergências oncológicas
Definição
Emergência: Situação de urgência extrema, a situação que coloca em 
risco a vida do indivíduo em um período de tempo de minutos a poucas 
horas. Emergência oncológica: condição aguda que é causada pelo 
cancro ou pelo seu tratamento, requerendo uma rápida intervenção 
para evitar a morte ou dano permanente severo.
8
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
Importante
Atendimento em serviços de urgência e emergência: requer preparo, o 
profissional deve estar qualificado para tal atendimento e, se assim não 
estiver, deve ser previamente treinado.
9
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
Os doentes estão em risco de várias emergências ameaçadoras de vida. Podem ser 
classificados como:
• Estruturais e obstrutivas (exemplo: síndrome da veia cava superior, compressão 
medular, aumento da pressão intracraniana, obstrução da via aérea etc.)
• Metabólicos ou hormonais (exemplo: hipercalcemia, secreção inapropriada da 
hormona antidiurética)
• Relacionado ao tratamento (exemplo: Síndrome de Lise Tumoral, reação anafilática 
relacionada aos agentes terapêuticos).
FIGURA 1
Principais emergências oncológicas
FONTE
Fortes (2011).
10
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
Emergências metabólicas
Hipercalcemia
Definição
A hipercalcemia é uma das principais e mais comuns emergências 
oncológicas. A incidência varia muito e pode ocorrer em até 30% dos 
doentes com cancro no decurso da sua doença. Pode ser o modo 
de apresentação do cancro, mas é mais comum em doentes com o 
diagnóstico estabelecido. Pode ocorrer tanto em tumores sólidos como 
hematológicos, porém, é mais frequente em cancros da mama, pulmão, 
linfomas e mielomas múltiplo.
A hipercalcemia associada a tumores pode ser dividida em 3 tipos:
• Hipercalcemia humoral maligna, por produção de substâncias análogas à 
paratormona.
• Destruição óssea com libertação de citocinas ativadoras dos osteoclastos.
• Produção tumoral de análogos de vitamina D.
Hipercalcemia mediada por PTHrP é o principal mecanismo, responsável por 80% dos 
casos. O PTHrP funciona como o PTH, causando um aumento da reabsorção de cálcio 
dos ossos e aumentando a retenção renal de cálcio. Os tumores mais frequentemente 
associados à produção de PTHrP são os de histologia escamosa como pulmão, esôfago, 
cabeça e pescoço.
 
O carcinoma do ovário, do endométrio e renal também podem produzir hipercalcemia 
por meio deste mecanismo. Tumores que produzem PTH e não PTHrP são raros.
As citocinas secretadas (fator de necrose tumoral, interleucina 1, interleucina 6, proteína 1 
inflamatória dos macrófagos e linfotoxina) podem estimular os macrófagos a diferenciar 
em osteoclastos, resultando assim na destruição óssea e hipercalcemia.
11
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
Os linfomas são as neoplasias que mais frequentemente produzem forma ativa da 
vitamina D, pois levam a um aumento da reabsorção óssea e absorção intestinal do 
cálcio, levando a hipercalcemia.
A hipercalcemia severa é sinal de pior prognóstico, principalmente se associada a 
níveis aumentados de PTHrP.15,16. Tumores que metastizam para o osso podem levar 
à ativação celular osteolítica local e produzir hipercalcemia. Exemplos comuns são o 
cancro da mama, o mieloma múltiplo e os linfomas.
Os mais comuns são obstipação, letargia, dor abdominal e poliúria. Intervalo QT 
encurtado e arritmias podem ocorrer assim como insuficiência renal aguda, coma e 
morte se medidas de correção não forem tomadas. 
O doente está muitas vezes hipovolêmico devido a perda excessiva de líquidos e 
dificuldade na sua ingestão. O melhor método para diagnóstico da hipercalcemia é o 
doseamento do nível sérico de cálcio ionizado.
Os níveis de PTHrP são úteis na compreensão do mecanismo da hipercalcemia e 
avaliação do prognóstico e resposta aos bifosfonatos.
Os bifosfonatos podem ser utilizados para prevenir a hipercalcemia e efeitos esqueléticos 
adversos em doentes com doença metastática óssea.
Nota
Hiperprodução de análogos de vitamina D, (cal- citriol): mecanismo 
comum da hipercalcemia em linfomas, principalmente na doença 
de Hodgkin e doenças granulomatosas não malignas, por exem- plo,mais medidas foram traçadas, objetivando a segurança na assistência em 
saúde e, desta vez, foram resultantes da análise de eventos adversos como sentinelas 
reportadas voluntariamente, desde 1995, à instituição credenciadora Joint Comission, 
nos EUA. A partir destes, definiu-se Seis Metas Internacionais, sendo a Meta 5 voltada 
para reduzir os riscos de infecções associadas aos cuidados de saúde.
Em 2007 o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomendou a substituição 
do termo infecção hospitalar por infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), por 
se considerar todo o contexto de cuidados em saúde, visando hospitais, ambulatórios, 
hospital-dia, assistência domiciliar e clínicas.
Em 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a data de 5 de maio para 
instalação da Campanha Mundial de higiene das mãos. O objetivo desta campanha 
foi convidar os países membros e os serviços de saúde a promoverem iniciativas sobre 
a temática higiene das mãos, destinadas tantos aos profissionais como aos cidadãos. 
Dessa forma, foi lançado pela OMS o guideline para a higienização das mãos em serviços 
de saúde.
Devido à importância da temática e a necessidade de seu controle, em 2010, a 
Organização Mundial de saúde (OMS) lançou o terceiro desafio global, objetivando a 
segurança do paciente pautado na contenção da resistência bacteriana.
Em 2011, a resistência bacteriana foi tema do Dia Mundial de Saúde, proposto pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS), chamando a atenção para o desafio da 
Importante
As inúmeras campanhas contribuíram para disseminar as práticas de 
prevenção de infecções, tais como respiratórias, cirúrgicas, associadas 
a cateteres venosos centrais, infecções por estafilococos resistentes a 
meticilina.
50
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
implementação de ações imediatas de controle da disseminação dos microrganismos 
resistentes, objetivando minimizar a progressiva limitação de opções terapêuticas para 
o tratamento dessas cepas.
Em 2016, a OMS mais uma vez lançou Diretrizes Globais voltadas para a questão das IRAS, 
porém, com foco na Prevenção da Infecção do Sítio Cirúrgico.
Precaução de contato: por que e quando usar?
Os agentes infecciosos podem chegar até o paciente por meio de três principais vias: 
contato, gotículas e aérea. No entanto, a transmissão por meio do contato se constitui 
como importante veículo de propagação de microrganismos no ambiente de cuidado 
à saúde.
Pode ser dividida em dois grupos:
• Transmissão de contato direto: envolve contato direto com a superfície corporal e a 
transferência física de microrganismos entre uma pessoa colonizada ou infectada 
por um hospedeiro suscetível. As mãos desempenham importante papel neste 
mecanismo.
• Transmissão de contato indireto: envolve contato de um hospedeiro suscetível com 
objetos contaminados: instrumentos, roupas ou luvas contaminadas que não foram 
trocadas entre pacientes. Com o avanço do conhecimento científico, medidas têm 
sido preconizadas por organizações internacionais e nacionais, a fim de controlar a 
propagação de microrganismos. Dentre elas, destacam-se: a adesão de profissionais 
de saúde às medidas como higienização das mãos (HM), o uso de equipamentos de 
Você Sabia?
Estas se justificam por resultados de pesquisas que mostraram 
incidência acumulada de ISC de 11,8 por 100 pacientes submetidos a 
procedimentos cirúrgicos. Com isso, foi publicado um guia global com 
novas recomendações para prevenir infecções em centros cirúrgicos. 
Sendo assim, o país vem desenvolvendo ações de promoção e prevenção 
de infecções em serviços de saúde.
51
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
proteção individual (EPI), a identificação e o estabelecimento de precauções relativas 
aos pacientes colonizados por microrganismos resistentes.
Em 1987, o Center for Disease Control and Prevention (CDC) lançou as recomendações 
denominadas Precauções Universais (PU), por meio de um manual que objetivava a 
prevenção do risco de transmissão do HIV e vírus da Hepatite B entre os profissionais da 
saúde.
Em 1996, as mesmas passaram a ser chamadas de Precauções Padrão (PP). Com a 
identificação de novos agentes patogênicos nos ambientes de cuidado, aliado à 
questões das várias possibilidades de transmissão e resistências aos antimicrobianos, 
tornou-se necessária a elaboração de novas recomendações.
Em 2007, o Center for Disease Control and Prevention (CDC) estabeleceu diretrizes acerca 
de isolamentos e precauções, a serem estabelecidas, a fim de prevenir a propagação 
de microrganismos em instituições de saúde.
A precaução padrão (PP) como a base para a prevenção da transmissão durante o 
atendimento nos diversos espaços de cuidado e a importância da implementação 
das precauções baseada em transmissão. Estas últimas são baseadas nas vias de 
transmissão por contato, gotículas e aerossóis.
Você Sabia?
As medidas denominadas Precaução de Contato (PC) são indicadas em 
situações especiais, sendo instituída a todos que venham estabelecer 
contato direto ou indireto com pacientes colonizados ou infectados 
por microrganismos resistentes e outros microrganismos ou doenças 
infecto-contagiosas de importância epidemiológica.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
Conjunto de medidas que devem ser aplicadas aos pacientes com indicação de 
isolamento nas instituições de saúde:
• Higienização das mãos - antes e após o contato com o paciente; após cada troca 
de luvas.
• Uso de luvas e avental - usar luvas limpas, não- estéreis, sempre que for manusear 
o paciente, cateteres, sondas, circuito e equipamento ventilatório e superfícies e 
artigos próximos; coloque-os imediatamente antes do contato com o paciente 
ou as superfícies e retire-os logo após o uso; removê-los antes de sair do quarto/ 
enfermaria/leito e higienizar as mãos; usar avental limpo.
FIGURA 1
Carteira de trabalho
FONTE
Freepik
53
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
• Quarto privativo - Caso não haja possibilidade de quarto privativo: Priorizar pacientes 
que possam facilitar transmissão (por exemplo: pacientes incontinentes) em quarto 
privativo; fazer corte de pacientes.
• Se houver necessidade de colocar um paciente com necessidade de isolamento 
com outro sem necessidade.
Importante
Evitar colocar o paciente em precaução de contato com pacientes 
que tenham maior risco de complicações ou que possam facilitar 
a transmissão (exemplo: imunossuprimidos, feridas abertas, longa 
permanência). Assegurar que haja distância mínima de um metro entre 
as camas. Colocar cortinas de separação para minimizar o contato e 
garantir privacidade. Prover a necessidade de higienização das mãos 
entre os pacientes, mesmo que ambos estejam em precaução de 
contato.
• Artigos e equipamentos: deverão ser exclusivos para cada paciente; limpos 
regularmente se apresentar sujidade e devem ser desinfetados ou esterilizados após 
alta do paciente.
• Ambiente: itens com os quais o paciente teve contato e superfícies ambientais 
devem ser submetidos a desinfecção com álcool a 70% (ou produto compatível com 
a natureza da superfície) a cada plantão.
• Visitante e acompanhante: reduzida e restrita. Deverão, obrigatoriamente, ser instruídos 
por escrito e verbalmente com recomendações quanto às restrições de locomoção 
sua e do paciente; higienização das mãos e limpeza de todos os objetos e pertences 
pessoais do portador. Utilizar a mesma paramentação para os profissionais de saúde. 
Não sair do quarto com avental. Não se alimentar no quarto de isolamento.
• Transporte do paciente limitado: Quando for indispensável, as precauçõesdeverão 
ser cumpridas em todo o trajeto a ser percorrido, incluindo o elevador; este deve 
ser exclusivo ao transporte do paciente; utilizar luvas para auxiliar na locomoção, 
mas, com o cuidado de não tocar em superfícies com as mãos calçadas; as macas, 
cadeiras e outros utilizados, assim como os locais onde o paciente teve contato 
54
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
devem ser desinfetados com solução alcoólica a 70% ou conforme a recomendação 
do fabricante para os materiais.
Outro fato que deve ser considerado está relacionado ao tempo de permanência do 
paciente em precaução de isolamento. Dessa forma, após ser identificada a colonização 
do paciente por bactérias resistentes, as medidas de precauções devem ser mantidas 
até a alta hospitalar ou nas reinternações em curtos intervalos de tempo.
Atividades educativas em saúde
A educação é um processo permanente que pode influenciar no processo de reflexão e 
transformação das práticas vigentes nos serviços por meio da complementação e/ou 
aquisição de novos conhecimentos. 
Esta pode ser uma alternativa para a educação dos trabalhadores da saúde, entretanto, 
é uma área que requer empenho para o aprimoramento de métodos educativos que 
atinjam com eficácia a equipe multiprofissional. 
Assim sendo, para promover o desenvolvimento do processo de trabalho é preciso criar 
estratégias de educação que encorajem a participação dos trabalhadores da área da 
saúde e assim, possibilitem a capacitação profissional.
Importante
Encontra-se na literatura uma variedade de expressões para as 
atividades educativas em saúde, sendo as mais frequentes: treinamento 
em serviço, educação no trabalho, educação em serviço, educação 
continuada, educação permanente.
Os estudos de educação continuada e permanente podem ser instrumentos 
importantes na promoção do desenvolvimento pessoal e profissional. É relevante 
destacar que educação permanente, educação continuada e/ou educação em serviço 
55
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
são processos que se caracterizam pela continuidade das ações educativas, ainda que 
se fundamentem em princípios metodológicos diferentes, e quando implementadas em 
conjunto, possibilitam a transformação profissional por meio do desenvolvimento de 
habilidades e competências e assim, fortalecem o processo de trabalho.
Em 1978, a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) conceitua a educação 
continuada como um processo permanente que se inicia após a formação básica e 
tem como intuito atualizar e melhorar a capacidade de uma pessoa ou grupo, frente 
à evolução técnico-científica e às necessidades sociais. Posteriormente, em 1982 a 
Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua a educação continuada como um 
processo que inclui as experiências posteriores ao aprendizado inicial, que ajudam o 
profissional a aprender competências importantes para o seu trabalho.
Alguns estudos apontam a educação continuada como um ponto importante e 
decisivo da qualidade de assistência de enfermagem e a conceitua como um processo 
de atualização técnico-científica contínuo que oferece ao profissional a reflexão da 
profissão e de suas práticas, que promovem o desenvolvimento pessoal e elevam a 
autoestima, permitindo a experimentação da autonomia no desempenho profissional. 
Considera-se ainda como uma estratégia capaz de assegurar a manutenção da 
competência da equipe de enfermagem em relação aos cuidados oferecidos aos 
clientes. A Educação Permanente em Saúde (EPS) está baseada na evolução conceitual 
do campo da educação, incluindo elementos da pedagogia crítica e construtivista. 
As discussões acerca da EPS tiveram origem na década de 1980, por iniciativa da 
Organização Pan-Americana (OPA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) com foco 
no desenvolvimento dos Recursos Humanos na Saúde. Neste sentido, abrigaria além da 
educação em serviço, a compreensão no âmbito da formação técnica, de graduação e 
de pós-graduação; da organização do trabalho; da interação com as redes de gestão 
e de serviços de saúde e do controle social no setor.
Esta política traz como proposta constituir o Sistema Único de Saúde (SUS) em uma 
rede-escola, modificando o pensamento do ensino transmitido de modo unidirecional, 
dos detentores do conhecimento para os trabalhadores de saúde, mas, considerando o 
espaço concreto de trabalho como um local de ensino-aprendizagem compartilhado. 
Além disso, a educação permanente em saúde se configura como uma estratégia que 
56
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
viabiliza as transformações do trabalho na saúde para que este seja local de atuação 
crítica, reflexiva, propositiva, compromissada e tecnicamente competente. No Brasil, a 
EPS foi regulamentada em 2003 pela resolução 335 do Conselho Nacional de Saúde 
(CNS) que aprovou a “Política de Educação e Desenvolvimento para o SUS: Caminhos 
para Educação Permanente em Saúde”.
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que a falta de recursos materiais e humanos especializados, 
aliado ao desconhecimento por parte da comunidade científica das 
formas de contágio, as más condições de higiene e a inexistência 
de saneamento básico permitia que as doenças transmitidas por 
microrganismos se disseminassem rápido entre os enfermos. Deve 
ter compreendido que há diversas classes de agentes infeciosos que 
podem causar infecções, incluindo bactérias, vírus, fungos, parasitas 
e príons, e que os agentes infecciosos podem chegar até o paciente 
por meio de três principais vias: contato, gotículas e aérea. Deve ter 
aprendido também que a educação é um processo permanente que 
pode influenciar no processo de reflexão e transformação das práticas 
vigentes nos serviços pela complementação e/ou aquisição de novos 
conhecimentos.
57
@faculdadelibano_
4
Cuidados 
paliativos 
e a dor
58
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: Emergências e Unidade 
de Terapia Intensiva
Capitulo 4
Cuidados paliativos e a dor
De acordo com seu mecanismo fisiopatológico a dor pode ser dividida em:
• Dor nociceptiva: compreende uma dor somática e visceral, ocorre diretamente por 
estímulos químicos ou físicos de terminações nervosas; é o resultado normalmente 
de danos teciduais mais comuns e situações inflamatórias, traumáticas e invasivas 
ou até mesmo isquêmicas.
• Dor neuropática: Resultado de alguma injúria a um nervo, ou de função nervosa 
anormal em qualquer ponto ao longo das linhas de transmissão neuronal dos tecidos 
mais periféricos ao SNC.
• Dor mista ou simpaticomimética: Muitas vezes inespecíficas diferenciada pelo relato 
de irradiação arterial, normalmente necessitando de diagnóstico diferencial por 
bloqueio anestésico, se caracterizando por uma dor compressiva.
• Dor psicogênica: Existe quando nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático pode 
ser identificado e há sintomas psicológicos suficientes para estabelecer cri- térios 
de distúrbios dolorosos somatoforme, depressão ou outros diagnósticos associados 
com queixas de dor.
Objetivos
Dor: experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano 
tecidual presente ou potencial ou descrita em tais termos. A partir do 
momento em que se considera a lesão dos tecidos provocados pela 
neoplasia uma agressão, se expressa à dor do câncer como a pior das 
dores, pelo fato de ser contínua e de grande intensidade, além de ser 
acompanhada do fator emocional.
Você Sabia?
A dor possui uma escala de intensidade.
59
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia IntensivaCuidados paliativos e a dor Capitulo 4
Seguindo esta escala, temos:
• Dor leve: Está no primeiro degrau da “escada analgésica” da OMS (Organização 
Mundial de Saúde); estas provocam um leve desconforto, sendo tratadas com AINEs 
(antiinflamatórios não esteroidais).
• Dor moderada: Segundo degrau; caracterizada também como dor aguda, 
normalmente de início súbito com duração de 3 a 6 meses; está relacionada a 
lesões traumáticas, infecciosas ou inflamatórias. Servindo de alerta de que algo 
está errado no funcionamento do corpo. Provoca alterações nos sinais vitais: pulso, 
pressão arterial, respiração como também no comportamento. O paciente pode 
se apresentar agitado e ansioso. Tratados com opioides fracos e em alguns casos, 
medicações adjuvantes.
• Dor intensa: Ocupa o terceiro degrau, chamada dor insuportável, já considerada 
como dor crônica; com duração de mais de seis meses, causando alterações 
fisiopatológicas. O indivíduo perde mobilidade, comprometendo o sistema 
musculoesquelético, este entra em desuso; entra em depressão imunológica, ficando 
suscetível às doenças oportunistas; sofre com alteração do sono, do apetite etc., tendo 
que usar vários medicamentos. Dado a complexidade do problema, dificilmente 
uma única abordagem será eficiente. Neste caso, de dor intensa, severa, crônica, 
opioides fortes associados à medicação adjuvantes, que não são primariamente 
analgésicos, mas que auxiliam bem nesse desempenho e melhoram os outros 
sintomas desencadeados pela dor.
Importante
É imprescindível salientar que a dor é particular a cada sujeito, desse 
modo, uma mesma ação pode gerar distintos graus de dor de um sujeito 
para outro, no mais, esta não deve ser desconsiderada.
A forma com que cada indivíduo reage à dor varia extraordinariamente, em parte pela 
capacidade do próprio cérebro de controlar o grau de chegada de sinais dolorosos para 
o sistema nervoso, ativando o sistema de controle da dor, chamado centro analgésico, 
que pode bloquear tipos de dor como os agudo-rápidos ou os lento-crônicos.
60
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
A dor incomoda e gera ansiedade. É muito importante que a equipe de enfermagem 
valorize as queixas do paciente em relação a ela, tendo como regra fundamental no 
cuidado desse paciente a noção de que toda dor é real, independentemente de sua 
causa. 
Tomando com válida essa noção, podemos definir dor como qualquer sofrimento 
corporal alegado pelo paciente, com existência real desde que ele o expresse. Para 
ajudá-lo, deve-se procurar reduzir sua ansiedade ao nível mais baixo possível, pois 
quanto maior for a ansiedade do paciente, mais intensa pode ser sua percepção da dor.
Nesse sentido, é essencial a interação enfermagem-paciente, em uma demonstração 
de atenção e respeito pelos sentimentos do enfermo. Em oncologia é importante 
avaliar a dor referida pelo paciente, sua intensidade e duração, medicando-o segundo 
prescrição médica.
TABELA 2
Terapia farmacológica no tratamento da dor
FONTE
Elaborado pela autora (2023).
A cada dia, cerca de 9 milhões de pessoas no mundo sofrem a experiência de dor 
relacionada ao câncer. Mas uma estatística mais importante é que mais 90% podem 
61
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
ter alívio dessa dor por meio de tratamento adequado. Quem sente dor relacionada ao 
câncer aos seus tratamentos tem o direito de receber tratamento adequado.
Durante muito tempo, a importância do tratamento da dor relacionada ao câncer foi 
subestimada. A dor era vista como algo para ser suportada, como uma consequência 
inevitável do processo da doença. 
No entanto, pesquisas dão grandes evidências de que, na grande maioria dos casos, a 
dor pode ser controlada. O controle da dor significa tratá-la de forma agressiva para 
prover o máximo grau de alívio possível. Geralmente, isto significa tratamento com 
medicamentos e outros métodos, eventualmente até cirurgia.
Os cuidados paliativos e a assistência de enfermagem ao paciente 
terminal
Os cuidados paliativos são desenvolvidos por uma série de profissionais da saúde com o 
intuito de promover resultados positivos para o paciente; que se voltam para o assunto 
relacionado à qualidade de vida dos pacientes.
Nota
Na estratégia, há possibilidade de técnicas que melhoram a qualidade 
de vida, como terapia psicológica, técnicas de relaxamento e outras 
técnicas que não requerem medicação.
Importante
Dentre os cuidados paliativos ou também chamados terapia de suporte, 
além do manejo da dor, faz-se necessário cuidar de outras manifestações 
ligadas a doença que acometem o paciente.
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Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
São eles:
• Alopecia: queda de cabelo, com opções de tratamento ainda limitadas. Nesse 
cenário, a atuação da equipe multidisciplinar em especial médicos, farmacêuticos e 
psicólogos poderá ter excelentes resultados na aceitação do paciente.
• Estomatites: inflamação da mucosa oral. Muito frequente e debilitante, pois 
compromete a nutrição do paciente; o farmacêutico pode ajudar com fármacos e 
recomendações sobre profilaxia.
• Diarreias: é uma das mais complicadas, pois traz um desequilíbrio eletrolítico e 
desidratação. Esta pode ser causada tanto pelo tratamento como por processos 
imunológicos infecciosos da própria doença.
• Náuseas e vômitos: são assustadores e desagradáveis; pois podem levar o paciente 
a desistir do tratamento, sendo, portanto, , pertinente promover uma terapia com 
antieméticos eficientes.
• Constipação: Surge devido efeito neurotóxico que afetam a musculatura do trato 
gastrointestinal, diminuindo a perístase ou parando o íleo.
FIGURA 8
A constipação deve ser 
identificada pela equipe de 
enfermagem
FONTE
Freepik (2022).
• Anorexia: É uma diminuição ou perda de apetite, que pode ser causada por 
agentes quimioterápicos. É importante salientar que as doses de quimioterápicos 
são calculadas em função do peso do doente, por isso tornam – se necessários a 
pesagem e o cálculo das doses a cada sessão de tratamento, que deve ser reduzida 
no caso da perda de peso e desnutrição grave.
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Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
Ações paliativas no cuidado com paciente oncológico Garantir conforto ao paciente.
• Avaliar a dor do paciente, onde, quanto tempo está sentindo.
• Sempre que possível incentivar medidas terapêuticas (massagens) para a diminuição 
da dor.
• Verificar se o colchão e travesseiro estão adequados.
• Alternar o decúbito conforme necessário.
• Dar banho de leito ou aspersão, mantendo a higiene oral.
• Sempre administrar, se possível, medicamentos orais e conforme prescrição medica.
• Lembrar sempre que o último sentido que o paciente perde é a audição, por isso, não 
ter discussões na frente do paciente, evitar comentários sobre a doença e estado do 
mesmo.
• Observar estados de humor do paciente.
• Cuidar no descarte de materiais em local próprio e evitando infecções cruzadas, 
assim como uso de máscaras, luvas apropriadas e higienização das mãos.
• Urticária: Tal reação é um indicativo de hipersensibilidade ao agente quimioterápico, 
podendo ser de forma local ou generalizada, observa o comportamento da pele; 
podendo, nesse sentido, ser necessária a descontinuidade do tratamento.
FIGURA 9
A urticária deve ser 
identificada pela equipe 
de enfermagem
FONTE
Freepik
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Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
O paciente terminal e seus familiares
O paciente terminal é aquele que se encontra incapacitado de desenvolver suas 
atividades físicas, de manter um relacionamento com as pessoas que o rodeiam e 
cuja morteé aguardada a qualquer momento. Apresenta dificuldade para ingestão de 
alimentos, confusão mental ou coma.
A equipe de enfermagem precisa manter atitude de respeito e solidariedade para com 
o paciente e seus familiares, providenciando os meios necessários para que ele seja 
mantido em ambiente calmo, tranquilo, arejado e em condições de conforto no leito.
A morte significa perda, separação daqueles que amamos, significa enfrentar o 
desconhecido. Todos a tememos, mas ela nada mais é do que uma batalha com a vida, 
pela qual temos de passar sozinhos e sempre perdemos. Contudo, é parte integrante da 
vida, tão natural e previsível como nascer.
Você Sabia?
Tempos atrás, as pessoas morriam em casa, rodeadas pela família; 
podiam se despedir de seus entes queridos beijá-los, dizer suas últimas 
vontades. As crianças rodeavam o doente, despediam-se dele, viam-no 
morrer e aprendiam assim a enfrentar a sua própria morte, dando maior 
valor à vida.
Um doente terminal passa por uma série de estágios psicológicos distintos até estar 
pronto para enfrentar a morte. São eles:
• Choque: Quando uma pessoa, em sua vida normal, se defronta com a iminência da 
própria morte, fica como que fora de si, assumindo um comportamento estranho e 
dedicando-se a atividades fúteis, como se nada de anormal estivesse acontecendo.
• Depressão: estágio mais longo e difícil de ser enfrentado. O paciente pode buscar o 
isolamento e, em sua solidão, preocupar-se com as pessoas que ama e se questionar 
sobre o que será delas quando ele estiver partido.
• Regateio: fase em que o paciente tenta fazer pactos consigo mesmo, com a morte 
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Cuidados paliativos e a dor Capitulo 4
e com Deus, prometendo coisas que, talvez, antes do diagnóstico, não valorizasse 
muito, como ser um pai melhor e dedicar mais tempo ao lar e à família, caso seja 
curado.
• Aceitação: o paciente agonizante aceita a situação; torna-se mais acessível e 
compreensivo, seguindo as instruções médicas e aceitando a ajuda da equipe de 
enfermagem.
• Terminal: O paciente não mais se comunica; lentamente vai entrando em estado de 
semiconsciência e quase não reage a estímulos.
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que as emergências oncológicas e os procedimentos 
necessários em cada momento desta fase são realmente muito 
importantes para o cuidado do paciente. Aprendeu a reconhecer a 
abordagem da oncologia nas unidades de terapia, visando à assistência 
de enfermagem. Estudamos também a prevenção e o controle 
de infecção em oncologia, visando os cuidados de enfermagem e 
concluímos nossa unidade conhecendo os cuidados paliativos e a dor, 
o relacionando-os com os cuidados de enfermagem.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Referências
BRUNNER; SUDARTH. Tratado de Enfermagem médico-cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2009.
SANDRA, I. B.-T. et al. Guideline for Isolations Precaution. Centers for disease control and 
prevention, 2007. Disponível em: https:// jamanetwork.com/journals/jamasurgery/article-
abstract/2623725. Acesso em: 07 fev. 2023.
PIMENTA, C. et al. Dor e cuidados paliativos: enfermagem, medicina e psicologia. Barueri: 
Manole, 2006.
MURAD, M. Oncologia: Bases Clínicas do Tratamento. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 
1995.
SCHWARTSMNN G. et al. Oncologia Clínica: princípios e prática. Porto Alegre: Ed. Artes 
Médicas, 1991.
GATES, A. Segredos em enfermagem oncológica: respostas necessárias ao dia a dia. 
3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
HERCOS, T. et al. O trabalho dos profissionais de enfermagem em unidades de terapia 
intensiva na assistência ao paciente oncológico. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 60, 
n. 1, p. 51- 58, 2014.
67
	Emergências oncológicas
	Emergências e tipos de emergências oncológicas
	Emergências metabólicas
	Hipercalcemia
	Tratamento
	Síndrome de Lise Tumoral (SLT)
	Hiponatremia
	Sinais, sintomas e tratamento
	Emergências neurológicas
	Compressão da medula espinhal (CME)
	Metástases cerebrais e aumento da pressão intracraniana
	Emergências cardiovasculares
	Derrame pericárdico maligno
	Síndrome da veia cava superior (SVCS)
	Emergências hematológicas Hiperviscosidade devida a disproteinemia (gamopatiamonoclonal)
	Emergências respiratórias
	Obstrução da via aérea
	Complicações infecciosas
	Neutropenia febril
	Oncologia na unidade de terapia intensiva
	Enfermagem em UTI oncológica
	Humanizando a assistência ao cliente oncológico
	Controle de infecção em oncologia
	Precaução de contato: por que e quando usar?
	Atividades educativas em saúde
	Cuidados paliativos e a dor
	Os cuidados paliativos e a assistência de enfermagem ao paciente terminal
	O paciente terminal e seus familiares
	Referênciasa sarcoidose. Aproximadamente 15 % dos doentes com cancro e 
hipercalcemia têm tumores com hiperprodução da forma ativa da 
vitamina D.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Tratamento
Deve abordar os vários mecanismos da hipercalcemia. A melhor forma é reduzir ou 
eliminar a doença de base. Hipercalcemia sintomática não tratada constitui uma 
ameaça à vida e requer intervenção imediata.
As componentes chaves são:
1. Reidratação para facilitar a calciurese.
2. Inibição da reabsorção óssea.
3. Tratamento da causa subjacente.
A hidratação deve ser corrigida com soro fisiológico, geralmente na razão 200 a 500 mL/
hora, dependendo do nível de desidratação, severidade da hipercalcemia, função renal 
e cardiovascular do doente e depois ajustado para manter um débito urinário entre 100 
a 150 mL/h. 
Uma vez atingida a reposição do volume intravascular, os diuréticos de ansa podem ser 
utilizados para facilitar a excreção de cálcio. Diuréticos tiazídicos devem ser evitados, 
porque agravam a hipercalcemia.
Uma diurese forçada com um diurético de ansa, a furosemida, é uma estratégia muito 
usada e recomendada por muitos manuais de texto adultos e pediátricos. Contudo, 
uma revisão recente sugere uma base de evidência limitada para esta abordagem. 
Deve ser reservada para casos de sobrecarga de volume no contexto de reidratação 
excessiva com soro fisiológico.
Os bifosfonatos são os principais agentes no tratamento da hipercalcemia. Bloqueiam 
a reabsorção óssea osteoclástica e têm revolucionado o tratamento da hipercalcemia 
da doença maligna.
• O pamidronato ou o ácido zoledrónico: controlam a hipercalcemia na maior parte 
dos casos.
• Calcitonina: regulador natural da homeostasia do cálcio secretado pelas células 
parafoliculares C da tiroide. Inibe a reabsorção óssea e promove a excreção renal 
de cálcio e fosfato. Pode ser usada nas primeiras 12 a 24 horas, mas o seu efeito é 
modesto e ocorre taquifilaxia. Pode ser útil nos casos severos que requerem uma 
descida imediata do cálcio (doentes com convulsões ou arritmias).
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Emergências oncológicas Capitulo 1
• Corticoides: inibem a conversão mediada pela alfa-1-hidroxilase da 
25-hidroxivitamina D3 a calcitriol. Hipercalcemia mediada por calcitriol associada a 
LH e LNH podem responder a corticoterapia. A dose ótima é desconhecida, contudo, 
a hidrocortisona 200-300 mg endovenoso durante 3-5 dias pode ser usado. O nitrato 
de gálio, originalmente desenvolvido como um agente antitumoral, inibe a atividade 
osteoclástica e aumenta a cristalização das hidroxiapatites, reduzindo a solubilidade 
mineral óssea. Induz normocalcemia em 70-80% dos doentes e tem sido observada 
uma eficácia superior comparada à calcitonina, etidronato e mais recentemente ao 
pamidronato. A sua utilidade é limitada pela necessidade de administração contínua 
durante 5 dias, nefrotoxicidade e pequeno número de doentes.
Síndrome de Lise Tumoral (SLT)
Definição
Emergência oncológica ameaçadora de vida caracterizada por 
anormalidades metabólicas: hiperuricemia, hiperfosfatemia, 
hipercalemia e hipocalcemia. Resulta da libertação rápida de 
metabolitos intracelulares (ácidos nucleicos, proteínas, fósforo e 
potássio) a partir de células malignas lisadas.
Está muitas vezes associado ao linfoma não Hodgkin (LNH), particularmente o linfoma 
de Burkitt e leucemias (LMA e LLA), após o início da quimioterapia. Estas alterações 
metabólicas predispõem a toxicidades clínicas como insuficiência renal, arritmias 
cardíacas, convulsões, complicações neurológicas e morte súbita. 
A principal causa de morte nestes doentes são arritmias relacionadas a distúrbios 
eletrolíticos e insuficiência renal.
A precipitação de cristais de ácido úrico pode ocorrer em vários órgãos, incluindo o 
rim (causando insuficiência renal), sistema de condução cardíaca (causando arritmias) 
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Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
e as junções articulares (causando episódios agudos de gota). A hipercalemia severa 
aguda pode causar arritmia ameaçadora de vida.
Os sinais e sintomas da SLT estão relacionados com as alterações eletrolíticas subjacente 
e não são específicas desta síndrome. As alterações metabólicas podem ocorrer 
individualmente ou simultaneamente.
A hipercalemia pode resultar em arritmia cardíaca letal, hiperfosfatemia e a hiperuricemia 
em insuficiência renal aguda devido a precipitação de cristais de ácido úrico ou de 
fosfato de cálcio nos túbulos renais. A hipocalcemia pode causar cãibras musculares, 
arritmia cardíaca e tetania.
As complicações resultantes do SLT podem comprometer o uso da posterior quimioterapia 
e ter um impacto na mobilidade e mortalidade. Um eletrocardiograma deve ser 
obtido em todos os doentes com anormalidades eletrolíticas para excluir arritmias e 
anormalidades da condução.
É essencial minimizar ou eliminar os fatores de risco associados ao SLT agudo, evitar 
a administração de agentes nefrotóxicos, corrigir a depleção de volume, controlar 
terapêuticas existentes que podem contribuir para distúrbios eletrolíticos e evitar 
fármacos que bloqueiam a reabsorção tubular de ácido úrico.
Está indicada medições dos eletrólitos séricos, ácido úrico, fósforo, cálcio, e creatinina 
intervalar durante 3 a 4 dias após o início da quimioterapia em doentes de alto risco. 
Outras monitorizações são opcionais e dependem da condição clínica do doente.
Importante
Em doentes de alto risco a hidratação deve ser iniciada 24 a 48 horas 
antes da quimioterapia e continuada durante o tratamento com 
alopurinol profilático.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Alopurinol: Previne a formação de ácido úrico por meio da inibição da xantina oxidase. 
A dose padrão diária é de 300-900 mg. Em doentes com insuficiência renal deve ser 
reduzida a dose em relação à clearance da creatinina, e em doentes em hemodiálise 
uma redução até 50%.
Rasburicase: Forma recombinante do urato oxidase, é ativa na prevenção do 
desenvolvimento da hiperuricemia em doentes de alto risco de SLT e pode ser um bom 
substituto do alopurinol.
 
Atua catalisando a reação enzimática do ácido úrico a alantoína, um metabolito que é 
5 a dez vezes mais solúvel na urina do que o ácido úrico.
Doentes com baixo risco de SLT: devem ser monitorizados para o desenvolvimento do SLT 
e complicações; devem receber uma hidratação normal e nenhuma profilaxia para a 
hiperuricemia, exceto nos casos de sinais de alterações metabólicas, doença volumosa 
e/ou avançada e/ou doença altamente proliferativa, em que o alopurinol deve ser 
adicionado. Recomendação nível B.
Doentes com risco intermediário: devem ser monitorizados para SLT e complicações, 
hidratação aumentada (3L/m²/dia) e administração de alopurinol (100-300mg, por via 
oral, 8/8horas diariamente) sem necessidade de alcalinização. Recomendação nível B.
Doentes de alto risco: devem ter uma monitorização apertada, hidratação aumentada 
(3L/m²/dia), a menos que haja evidência de insuficiência renal e oligúria, e rasburicase 
(0.1-0.02 mg/kg) em dose e repetida somente se clinicamente necessário.
Nota
ATENCÃO: A diálise está recomendada nos casos de hiperfosfatemia 
severa (> 10.2mg/dL) com hipocalcemia sintomática, hipercalemia 
persistente, azotemia, hiperuricemia, oligoanúria ou acidose refratária 
ou sobrecarga de volume.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Uma vez assegurada uma boa hidratação os diuréticos de ansa podem ser utilizados 
cautelosamente se necessário para aumentar o débito urinário. A hiperfosfatemia é 
tratada restringindo a ingestão de fosfato e com o uso dequelantes de fosfato oral 
(exemplo: hidróxido de alumínio) e em casos extremos, a diálise.
A hipercalemia é tratada com o gluconato de cálcio, insulina e dextrose, e sulfonato 
poliestereno de sódio associado a uma hidratação e diurese adequada. O gluconato 
de cálcio e bicarbonato de sódio devem ser usados em adição à insulina, dextrose e 
sulfonato polistereno de sódio em hipercalemia severa e hipercalemia associada a 
distúrbios de condução. Doentes com hipercalemia e insuficiência renal ou sobrecarga 
de volume necessitam de hemodiálise.
A diálise está indicada nos casos severos, incluindo doentes com insuficiência renal 
oligúrica, insuficiência cardíaca congestiva, ou hipercalemia severa e em doentes que 
não respondem à terapêutica médica.
 
Importante
A SLT é melhor tratada proativamente, antecipando a sua ocorrência e 
tomando medidas de profilaxia. Doentes com SLT estabelecida necessitam 
de internamento hospitalar e podem precisar de monitorização cardíaca. 
A alcalinização da urina pode ser benéfica, porque o ácido úrico é mais 
solúvel na urina alcalina, mas a solubilidade da xantina e da hipoxantina 
diminui com a alcalinização da uri- na, podendo precipitar nos túbulos 
renais se utilizada alopurinol.
Importante
A hipocalcemia não necessita de ser tratada, a menos que sintomática.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
A SIADH no doente com cancro pode ser provocada pelo próprio tumor ou pela 
quimioterapia usada no seu tratamento. Vários tipos de tumores podem produzir 
hormona antidiurética (ADH), mas é mais frequente no carcinoma de pequenas células 
do pulmão. 
Outros tipos de tumores do pulmão, duodenais, pancreáticos, genitourinários, e cabeça 
e pescoço também podem produzir ADH ectópica. Casos mais raros de SIADH têm sido 
reportados em linfomas, sarcomas e timomas.
Certos quimioterápicos, como a cisplatina, ifosfamida e vincristina podem estimular a 
produção excessiva de ADH ou aumentar a sua atividade. O péptideo tipo vasopressina 
produzida pelos tumores leva a um excesso de reabsorção renal de água, com expansão 
de volume plasmático e consequente redução da secreção de aldosterona e perda 
Hiponatremia
Definição
Distúrbio metabólico mais comum em doentes hospitalizados, incluindo 
doentes com cancro. A causa é multifatorial, sendo a síndrome de 
secreção inapropriada da hormona antidiurética (SIADH) a causa mais 
comum no doente com cancro.
A hiponatremia pode ser classificada como ligeira se o nível de sódio estiver entre os 135 
e 131 mmol/L, moderada entre os 130 e 126 mmol/L, e severa se menor que 125 mmol/L.
Importante
Hiponatremia severa pode ser ameaçadora de vida, especialmente se 
o início é agudo.
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progressiva de sal na urina. Assim, a patogénese da hiponatremia na SIADH envolve 
retenção de água (hiponatremia dilucional) e a perda de sódio na urina.
Sinais, sintomas e tratamento
Os sinais e sintomas estão relacionados com a severidade e rapidez da sua instalação. 
Hiponatremia ligeira manifesta-se como cansaço excessivo, dificuldade na concentração 
e memória, cefaleias e cãibras musculares. Hiponatremia severa pode manifestar-se 
com sintomas neurológicos difusos incluindo confusão, alucinações, convulsões, coma 
e morte.
O tratamento definitivo reside na remoção da causa subjacente. Se a hiponatremia for 
assintomática, é apropriado pesquisar a causa antes de iniciar o tratamento. Muitas 
vezes, é possível remover a causa nos doentes com cancro pela ressecção do tumor ou 
descontinuação do agente quimioterápico responsável.
Em caso de sintomatologia severa, o sódio sérico deve ser reposto usando cautelosamente 
uma solução salina hipertónica a 3%. A correção rápida da hiponatremia, especialmente 
se de longa duração pode resultar em mielinose pontina central (MPC), uma condição 
neurológica debilitante que se manifesta vários dias mais tarde. É caracterizado por 
quadriparésia espástica, paralisia pseudobulbar, coma e morte.
Se o doente tem sintomas neurológicos a adição de furosemida intravenosa a cada 4 
horas aumenta a excreção de água livre quando soluções salinas são administradas. 
O uso de furosemida para induzir a diurese é atualmente considerado controverso e é 
recomendado que não seja utilizada com a solução salina a 3%. A maioria dos doentes 
melhora só com a restrição hídrica, contudo, a adesão pode ser fraca porque o ADH 
também estimula a sede.
A hipomagnesemia pode estar associada à hiponatremia na nefropatia perdedora de 
sódio devido à cisplatina. Esta é tratada com magnésio oral ou parentérico, dependendo 
da severidade do distúrbio.
 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Emergências neurológicas
Compressão da medula espinhal (CME)
Aproximadamente 10% dos doentes com compressão da medula espinhal, esta é a 
primeira manifestação da doença. Por outro lado, cerca de 2,5-6% dos doentes com 
cancro apresentam compressão da medula espinhal durante a evolução da sua 
doença, 2,62,63 5-10% de todos os doentes cancro.
É um problema relativamente comum e uma verdadeira emergência oncológica. 
O diagnóstico precoce é extremamente importante para prevenir compromissos 
neurológicos futuros e a qualidade de vida.
A compressão é mais frequente quando a doença metastiza para a coluna com a 
sua destruição e subsequente progressão para o espaço epidural e compressão da 
medula espinal. Raramente os tumores metastizam diretamente para o tecido epidural 
ou intradural. Todos os tipos de tumores têm o potencial de causar CME, mas a mama, a 
próstata e o pulmão são responsáveis por aproximadamente 15 a 20% cada um; 
O LNH, o carcinoma renal e o mieloma são responsáveis por 5 a 10% cada. A sobrevivência 
após o diagnóstico de CME é curta, principalmente se a paralisia estiver presente ou não 
houver resposta terapêutica eficaz. O estado neurológico no momento do diagnóstico 
e o tempo de desenvolvimento dos sintomas são importantes fatores de prognóstico.
O resultado funcional é melhor se o desenvolvimento dos sintomas for lento. A compressão 
da medula espinhal não é imediatamente ameaçadora de vida, a menos que envolva o 
nível C3 ou superior, mas pode levar a morbilidade profunda e permanente. A paraplegia 
ou perda do controle esfincteriano ou ambos não só diminuem a qualidade de vida do 
doente como predispõem a complicações posteriores como a trombose venosa, úlcera 
de decúbito e a obstrução urinária.
A CME frequentemente ocorre por tumor metastático que atinge os corpos vertebrais via 
disseminação hematogênica com erosão secundária para o espaço epidural, causando 
compressão da medula espinhal. 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Aproximadamente 15% dos casos ocorre quando a lesão paravertebral dissemina para 
o canal espinhal por meio do buraco intervertebral e comprime diretamente a medula 
espinhal. Este mecanismo é mais frequente em neuroblastomas e linfomas.
Lesões metastáticas podem também causar CME por destruição do osso cortical com 
destruição vertebral e deslocação de fragmentos ósseos para o espaço epidural. Em 
casos raros as metástases ocorrem diretamente na medula espinhal e meninges.
Compressão aguda causa oclusão do plexo venoso epidural, comprometendo a barreira 
hemática da medula espinhal, resultando em inflamação e edema vasogênico. Nesta 
fase, a lesão medular pode muitas vezes ser revertida por corticosteroides. Quando o 
fluxo arterial é prejudicado devido a compressão, resulta isquemia, enfarte e danos 
irreversíveis da medula. Múltiplos mediadores inflamatórios e citocinas podem aumentar 
o edema e a isquemia e finalmente, resultar em lesão neuronal irreversível.
Ador nas costas é o sintoma primário e precoce da CME e ocorre em cerca de 90% 
dos casos. Em 80% de todos os casos de CME existe um diagnóstico prévio de doença 
maligna, 72 embora em 5 a 15% dos casos a CME é a apresentação inicial da malignidade. 
A dor pode estar presente meses antes da compressão ser diagnosticada ou outros 
sinais neurológicos surgirem. 
Pode aumentar durante a noite, não aliviar com os analgésicos comuns e agrava-se 
com a posição deitada ou com manobras que aumentam a pressão do espaço epidural, 
tais como tosse, espirro ou esforços.
A natureza da dor pode variar com o local, e ser radicular ou referida. O local mais 
comum de CME é a coluna torácica, seguida da região lombo sacral e, mais raro, a 
coluna cervical. Múltiplos níveis estão envolvidos em mais de metade dos doentes. O 
cancro da mama e pulmão tendem a metastizar mais frequentemente para a medula 
torácica, enquanto que os carcinomas pélvicos e do cólon tendem a metastizar para 
a coluna lombo sagrada. Outros sintomas na apresentação incluem fraqueza motora, 
défices sensoriais e disfunção autonômica.
Na síndrome da cauda equina os doentes apresentam-se com sensibilidade diminuída 
nas nádegas, face posterior das coxas e região perineal e podem também apresentar 
retenção urinária e incontinência.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
A severidade da CME pode ser graduada de acordo com vários sistemas. Um dos mais 
utilizados é o sistema de graduação de Frankel, que classifica cada caso em uma de 5 
categorias:
1. Paraplegia completa.
2. Somente alteração da função sensorial.
3. Não deambulação.
4. Deambulação.
5. Sem sinais ou sintomas neurológicos.
O índice de Barthel também inclui a avaliação da função vesical e intestinal.
 
Dor óssea nas costas em um doente com cancro conhecido deve ser considerada em 
risco de CME até prova em contrário. A maioria dos doentes tem alterações no RX da 
coluna, como destruição óssea, perda do pedículo, colapso vertebral ou massas do 
tecido mole paravertebral.
A CME tem um mau prognóstico, com uma expectativa de vida de 3 meses ou menos, no 
entanto, a qualidade de vida durante este tempo pode ser melhorada pelos cuidados de 
saúde especializados. O objetivo do tratamento é a preservação da função neurológica 
e alívio da dor. O tratamento deve ser iniciado logo que possível, de preferência após 
obtenção de estudos de imagem.
Quando existe uma grande instabilidade da medula, sintomas rapidamente progressivos, 
sintomas progressivos durante a radioterapia ou quando é necessário tecido para 
diagnóstico, o doente deve ser avaliado por cirurgião experiente em cirurgia da coluna.
Metástases cerebrais e aumento da pressão intracraniana
Ocorrem em um quarto dos doentes que morrem de cancro. A incidência varia com o tipo 
de tumor, sendo o cancro do pulmão o mais comum, seguido da mama e melanoma. 
Cancro do pulmão e melanoma tendem a apresentar-se com lesões múltiplas, enquanto 
tumores da mama, cólon e renais tendem a apresentar-se com lesões únicas. Estas 
lesões acarretam défices neurológicos, convulsões e aumento da pressão intracraniana 
(PIC).
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Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Emergências oncológicas Capitulo 1
Doentes não tratados têm uma sobrevivência média global de 4 semanas. As metástases 
cerebrais originam-se da disseminação hematogênica do tumor e a sua distribuição 
no cérebro está de acordo com o fluxo sanguíneo regional. A principal causa de 
aumento da PIC é o edema cerebral. O edema vasogênico ocorre quando a barreira 
hematoencefálica é quebrada pelo tumor.
Os sintomas variam significativamente e dependem da localização e o tipo de lesões. A 
apresentação mais comum é o início subagudo de cefaleias em aproximadamente 50% 
dos casos, podem ocorrer também déficits neurológicos e convulsões, incluindo estado 
epilético, alterações neurocognitivas ou uma combinação destas. 
Geralmente surgem sinuosamente durante dias a semanas, podendo ser agudos 
na presença de hemorragia dentro das lesões, que ocorre mais frequentemente no 
melanoma, coriocarcinoma, carcinoma renal e da tiroide.
As lesões metastáticas tornam-se uma emergência oncológica na presença do 
aumento da PIC e estado epilético. Sintomas da PIC aumentada incluem cefaleias, 
náusea e vômito. 
As cefaleias tendem a agravar no início da manhã e na posição supina. A detecção de 
edema da papila no exame físico indica aumento da PIC. A tríade de sinais referidos 
como resposta de Cushing (hipertensão com pressão de pulso elevada, bradicardia 
e frequência respiratória elevada) é um efeito tardio e necessita de ser avaliado 
rapidamente.
A RM com contraste é o exame diagnóstico mais sensível e específico. A TC pode ser usada 
se a RM está contraindicada ou não disponível, mas é menos sensível, especialmente se 
o tumor for pequeno ou localizado na fossa posterior. 
O tratamento apropriado baseia-se no alívio dos sintomas e em alguns doentes 
selecionados, tratamento agressivo dirigido ás metástases.
Nas crises convulsivas os anticonvulsivantes de nova geração não indutores enzimáticos 
(levetiracetam, a lacosamida e a pregabalina) são melhor tolerados e têm menos riscos 
de interações farmacológicas. Nos casos de estado epiléptico, o tratamento consiste em 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
lorazepam, fenitoína ou fosfenitoína. O edema vasogênico e aumento da PIC é tratado 
com corticosteroides, geralmente a dexametasona que é o esteroide mais solúvel.
Os corticosteroides parecem restaurar a permeabilidade capilar e reduzir o edema 
peritumoral e, assim, a compressão cerebral local, aliviando os sintomas. O seu efeito é 
observado em menos de 24 horas, mas o efeito completo só é atingido ao fim de vários 
dias. Não existe um consenso na dose, habitualmente varia entre 10 a 24 mg de bólus 
intravenoso, seguido de 4 mg cada 6 horas.
Uma vez controlado, o doente com tratamento sintomático deve ser planeado e o 
tratamento direcionado à lesão metastática. Modalidades de tratamento definitivas 
incluem a radioterapia cerebral total, cirurgia ou radiocirurgia estereotática. Geralmente 
melhora a sobrevivência média em 3 a 6 meses, comparado com 1 a 2 meses, só com 
cuidados de suporte.
Emergências cardiovasculares
Derrame pericárdico maligno
Doentes com cancro podem desenvolver derrame pericárdico como resultado de 
metástases, ou extensão direta do tumor ao pericárdio e como consequência do 
tratamento.
Em doentes com cancro, dois mecanismos podem levar à acumulação de líquido no 
espaço pericárdico, obstrução da drenagem linfática ou excesso de secreção de líquidos 
a partir de implantes tumorais nas superfícies pericárdicas. Os derrames pequenos 
são, na sua maioria, assintomáticos. Os sintomas incluem dispneia, tosse, dor torácica, 
disfagia, soluços e rouquidão.
A tríade clássica de Beck do tamponamento cardíaco (distensão venosa do pescoço, 
precórdio silencioso e hipotensão) é raramente vista nas doenças malignas, dada a 
acumulação subaguda dos líquidos na maioria das vezes. Os doentes tipicamente têm 
dispneia, desconforto torácico e pulso paradoxal.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Derrames malignos sintomáticos podem ser tratados cirurgicamente para paliação dos 
sintomas, por meio da colocação de um dreno pericárdico percutâneo ou por ressecção 
do pericárdio.
Síndrome da veia cava superior (SVCS)
Facilmente comprimida por tumores do pulmão, estruturas mediastínicas, ou gânglios 
linfáticos. As neoplasias são a principal causa do SVCS, mas, à medida que mais 
dispositivos de acesso venoso central são usados, os trombos intrínsecos estão a tornar- 
se em uma causa importante do SVCS.
Esta síndrome, embora consideradauma emergência oncológica clássica, raramente 
causa ameaça à vida no imediato. É considerada uma verdadeira emergência 
oncológica, se tiver sintomas neurológicos presentes. A sua presença é um indicador de 
pior prognóstico. 
A principal neoplasia associada ao SVCS é o cancro do pulmão, responsável por 60 a 85 
% dos casos. É estimado que 2 a 4 % dos doentes com cancro do pulmão desenvolverão 
SVCS, e 10% dos doentes com SCLC desenvolverão SVCS. O segundo cancro mais vezes 
associado ao SVCS é o LNH, responsável por cerca de 10 % dos casos.
O SVCS ocorre por obstrução da VCS por compressão extrínseca, invasão tumoral ou 
trombo, resultando na incapacidade da drenagem venosa da cabeça, pescoço e 
extremidades superiores. Se a oclusão ocorrer gradualmente, desenvolvem-se colaterais 
que podem mitigar os sintomas. 
Embora incomum, a oclusão súbita é uma verdadeira emergência e pode levar a 
um aumento rápido na pressão intracraniana com edema cerebral. No entanto, 
o seu desenvolvimento é maioritariamente insidioso, permitindo mecanismos de 
compensação.
As manifestações clínicas dependem do grau de hipertensão venosa, atraso no tempo 
circulatório, desenvolvimento de vias colaterais, sinais e sintomas da causa subjacente 
e do grau e rapidez de instalação da obstrução.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
O início do SVCS é geralmente insidioso, mas pode ocorrer rapidamente se a causa 
subjacente for um tumor de crescimento rápido ou trombose. 
Os sintomas mais comuns são dispneia, edema facial e tosse não produtiva que se agrava 
com a inclinação para a frente. Os sinais comuns são, distensão venosa do pescoço e da 
parede torácica, edema facial com facis plétora e edema das extremidades superiores.
O edema causado pelo SVCS pode ser significativo e comprometer a laringe e faringe, 
causando dispneia, estridor e disfagia. O diagnóstico é principalmente clínico, e pode 
ser confirmado por TC, RM e mediastinoscopia. 
A TC permite a visualização da anatomia torácica, o tamanho e a localização do tumor 
em relação à VCS, a traqueia e o coração. Permite determinar a extensão da oclusão, 
existência de circulação colateral, presença e grau de formação de trombos. A RM pode 
ser utilizada e fornece um maior detalhe das estruturas mediastínicas em múltiplos 
planos. Tem uma sensibilidade de 96% na detecção da obstrução da VCS.
Importante
A mediastinoscopia é realizada quando é necessário estabelecer um 
diagnóstico histológico e os procedimentos menos invasivos não tiveram 
sucesso.
Quando a doença primária é o carcinoma de pequenas células do pulmão, LNH ou 
tumores de células germinativas. O objetivo do tratamento é a cura. 
É recomendado, se o doente se apresentar com SVCS sem um diagnóstico tecidular 
prévio de malignidade, que todos os esforços sejam feitos no sentido de obter uma 
biopsia e diagnóstico histológico antes de efetuar qualquer tratamento. Se existir uma 
verdadeira emergência, pode ser colocado um stent na VCS.
Medidas iniciais incluem a oxigenoterapia suplementar, diuréticos, elevação da cabeça 
e corticosteroides para aliviar os sintomas até se obter um diagnóstico histológico e 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
terapêutica específica da causa subjacente. A colocação de um stent na VCS é eficaz 
e viável no alívio dos sintomas. A radioterapia é um tratamento padrão nos tumores 
sensíveis, mas pode levar semanas para obter efeito.
Quimioterapia e corticoterapia podem ser usadas em tumores sensíveis. Quando 
o SVCS está associado ao uso de cateter venoso central, a sua remoção deve ser 
combinada com a anticoagulação para prevenir a embolização. Neste contexto, se a 
síndrome for detectada precocemente, pode ser tratado com sucesso com agentes 
fibrinolíticos sem a remoção do cateter.
Emergências hematológicas Hiperviscosidade devida a 
disproteinemia (gamopatiamonoclonal)
A síndrome da hiperviscosidade (SHV) ocorre como resultado do aumento da 
viscosidade do sangue e acarreta efeitos adversos na perfusão dos tecidos. Pode 
ocorrer, secundariamente, uma variedade de malignidades, incluindo gamopatias 
monoclonais, como a macroglobulinemia de Waldenstrom (MW), mieloma múltiplo e 
leucemias agudas. A principal causa de SHV devido a disproteinemia é a MW, que ocorre 
em cerca de 30% destes doentes.
No sangue normal, o principal determinante da viscosidade sanguínea é o hematócrito, 
com a concentração sérica das proteínas, desempenhando um papel menor. Nos 
casos de SHV, quantidades excessivas de imunoglobulinas (Igs) circulantes são 
produzidas. Estas proteínas são maioritariamente intravasculares e à medida que a 
concentração aumenta formam agregados que se ligam à água por meio do seu 
conteúdo de carboidrato. 
Este processo aumenta a pressão osmótica e aumenta a resistência do fluxo sanguíneo. 
As Igs são catiónicas e diminuem as forças repulsivas entre os eritrócitos aniônicos, 
levando à formação de rouleaux e maleabilidade necessária para migrar por meio da 
microvasculatura.
A tríade clássica de sintomas inclui alterações neurológicas, visuais e hemorrágicas, 
contudo, não é necessária a presença de todos para se estabelecer o diagnóstico. As 
manifestações neurológicas incluem cefaleias, alterações do estado mental, vertigens, 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
ataxia ou parestesias. A hiponatremia e a hipercalcemia estão muitas vezes presentes. 
Alterações visuais são secundárias a alterações vasculares.
A hemorragia das mucosas também é comum no SHV e pode manifestar-se no trato 
gastrointestinal, gengival, útero ou causar epistáxis. Outras consequências clínicas 
incluem a insuficiência cardíaca congestiva, a necrose tubular aguda isquêmica, o edema 
pulmonar com disfunção multiorgânica e morte, se não for tratado adequadamente.
O exame físico e história clínica são importantes, assim como os estudos laboratoriais, 
incluindo os eletrolíticos, viscosidade sérica, cultura de sangue periférico e níveis de 
Igs. O estudo diagnóstico deve excluir outras causas dos sintomas presentes e varia, 
dependendo com a sua apresentação. Uma viscosidade sérica >5 cP é sugestivo de SHV.
O essencial da terapêutica é a plasmaferese, que é a maneira mais rápida e efetiva em 
reduzir a viscosidade do plasma. 
É especialmente rápido nos casos relacionados com a IgM, porque a maioria é 
intravascular. Nos casos de IgA ou IgG podem ser necessárias várias sessões para atingir 
o mesmo resultado. Se a plasmaferese não estiver disponível, a hidratação e flebotomia 
(100 a 200 mL do sangue) é usada para reduzir os sintomas agudos. A disproteinemia 
subjacente deve ser avaliada e tratada na medida em que estas terapêuticas não 
resolvem a doença subjacente.
A transfusão de glóbulos rubros deve ser evitada, a menos que crítico, até se reduzir 
a viscosidade sérica e melhorar a perfusão capilar, porque esta pode aumentar a 
viscosidade sanguínea, agravando o SHV.
Emergências respiratórias
Obstrução da via aérea
Obstrução da via aérea de causa maligna é causada por tumores localmente 
avançados a partir da árvore traqueobrônquica ou de lesões metastáticas mediastínicas 
ou vias aéreas major. Os carcinomas broncogênicos primários são a principal causa de 
obstrução maligna da via aérea e cerca de 30% dos doentes com tumores primários do 
pulmão desenvolverão durante a sua evolução obstrução da via aérea.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
A obstrução da via aérea não parece afetar negativamente a sobrevida global dos 
doentes com tumores broncogênicos. Um reconhecimento e tratamento atempado 
levam a uma melhoria da qualidade de vida, com cerca de 95% dos doentes reportando 
umadiminuição da dispneia.
Os cancros primários do pulmão são a principal causa de obstrução maligna da via 
aérea, mas outros tumores locais como os da tiroide, esófago, primários do mediastino 
(tímicos, linfoma, células germinativas) e tumores raros como o carcinoide pulmonar 
ou carcinoma adenocístico podem ser a causa. Lesões metastáticas para a árvore 
brônquica, gânglios linfáticos ou estruturas mediastínicas provêm maioritariamente do 
pulmão, da mama, tiroide, cólon, sarcoma e melanoma.
Os sintomas não são específicos e incluem dispneia, hemoptise e tosse. Muitas vezes 
são atribuídos a exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, infecções, 
bronquite ou doença cardíaca. Os achados no exame físico também são inespecíficos 
e incluem estridor, espirro ou apagamento dos sons respiratórios.
Importante
O objetivo primário e urgente do tratamento é o estabelecimento de 
uma via aérea patente para permitir uma troca gasosa adequada.
A broncoscopia rígida permite a abertura rápida da via aérea e pode obter tecido 
para diagnóstico, no caso de apresentação de novo. Permite também a colocação de 
stents auto expansivas metálicas que são úteis nos casos de compressão extrínseca ou 
controle de hemorragia. 
A broncoscopia flexível também pode ser usada para colocar certos stents, remover 
secreções ou tumor e obter tecido para diagnóstico. Dilatação da via aérea 
(broncoplastia) pode ser feita, mas o efeito deste na compressão maligna da via aérea 
tende a ser transitório, e uma outra forma de controlo tumoral mais definitivo deve ser 
tomado como a radioterapia ou a quimioterapia.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
Os stents são o tratamento de escolha no alívio da obstrução aguda da via aérea 
em doentes com compressão tumoral extrínseca ou fístulas traqueoesofágicas. As 
complicações ocorrem em cerca de 15% dos doentes e incluem crescimento tumoral no 
seu interior, migração do stent, retenção de secreções, desenvolvimento de tecido de 
granulação excessivo e raramente perfurações.
Complicações infecciosas
Neutropenia febril
As infecções nos doentes com cancro são comuns e uma causa significativa de 
morbilidade e mortalidade, especialmente em doentes com leucemia submetidas a 
quimioterapia. A febre é definida como uma única determinação de temperatura oral 
superior a 38.3ºC ou uma temperatura sustentada de 38ºC durante mais de uma hora. 
Considera-se neutropenia uma contagem absoluta de neutrófilos inferior a 1.0x109/L. 
Uma contagem de neutrófilos inferior 0.5 x 109/L é considerado neutropenia severa.
A neutropenia febril é uma das principais complicações associadas ao tratamento 
do cancro. Esta condição contribui para 50% das mortes que ocorrem associadas a 
leucemia, linfomas e tumores sólidos. A maioria dos episódios de neutropenia febril 
ocorre em doentes sob quimioterapia. Menos comum em doentes com leucemias 
agudas, síndromes mielodisplásicos ou outras doenças podem apresentar-se de novo 
com neutropenia febril.
O risco de desenvolver neutropenia febril depende da profundidade e duração do nadir 
dos neutrófilos (ocorre em média 5 a 10 dias após a última dose de quimioterapia) e do 
tipo intensidade e duração do regime quimioterápico, assim como das comorbilidades 
e complicações como mucosites. 
Os regimes usados para tratar leucemias e linfomas produzem uma neutropenia 
mais profunda e duradoura. Múltiplas bactérias gram-positivas e gram-negativas 
podem causar infecções em doentes neutropénicos, mas, frequentemente, nenhum 
agente é cultivado. Os bacilos entéricos gram-negativos têm sido as bactérias mais 
frequentemente cultivadas a partir da corrente sanguínea destes doentes. Agentes 
gram-positivos têm vindo a assumir maior importância.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
A febre é habitualmente o único sintoma. Infecções comuns podem apresentar-se 
atipicamente devido à falta de neutrófilos. Infecções da pele podem manifestar-se 
como um rash ou eritema subtil. Doentes com meningite podem não se apresentar com 
os achados físicos típicos como a rigidez da nuca e as infecções do trato urinário podem 
ser assintomáticas. Devido à neutropenia profunda, os doentes podem ter infecções 
pulmonares sem infiltrados e infecções urinárias sem piúria.
O exame físico completo é importante no diagnóstico. A cavidade oral deve ser examinada 
cuidadosamente pesquisando eritema e úlceras mucosas. Todos os locais de inserção 
dos cateteres devem ser examinados pesquisando eritemas, sensibilidade e exsudados 
purulentos. A zona perianal deve ser inspecionada e palpada cuidadosamente. O toque 
retal ou qualquer outra manipulação retal deve ser desencorajada.
Devem ser obtidos exames culturais logo que possível. Uma hemocultura deve ser obtida 
a partir do sangue venoso periférico e outra do cateter central. Amostras urinárias e da 
expectoração (se houver tosse produtiva) devem ser obtidas para cultura. Amostras de 
fezes e LCR devem ser obtidas apenas se houver suspeita de infecção nestes locais.
Uma vez a neutropenia febril diagnosticada, a instituição da terapêutica não deve ser 
adiada. Antibióticos de largo espectro devem ser usados até ser obtida os resultados 
das culturas.
Os antibióticos mais usados são:
1. Em monoterapia: cefipima, ceftazidima, carbapenemo, piperacilina/tazobactam.
2. Terapia dupla: aminoglicosídeos mais um dos seguintes fármacos: piperacilina, 
cefipima ou ceftazidima e carbapenemo.
Doentes com febre, mas sem outros sintomas devem ser tratados mesmo se o exame 
físico e os estudos laboratoriais e radiográficos iniciais não mostrarem evidência de 
infecção.
O uso de antibiótico de largo espectro que cubra os gram-negativos é essencial e 
em certas circunstâncias um fármacoativo contra agentes gram-positivos (exemplo: 
vancomicina) é recomendado. Tais circunstâncias incluem colonização com bactérias 
gram-positivas, suspeita de infecção de um cateter venoso central ou outro dispositivo 
ou sépsis severa. Cobertura de gram-positivos deve também ser considerada na 
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Emergências oncológicas Capitulo 1
suspeita de infecção da pele, rotura severa das mucosas ou quando já foi feita profilaxia 
antibiótica prévia contra agentes gram-negativos.
Antifúngicos e antivíricos habitualmente não são necessários como parte inicial do 
tratamento. Se não houver melhoria clínica após 3 dias de tratamento, pondera-se 
o uso de antifúngicos. Em certas situações sociais está contraindicado o tratamento 
ambulatório, como a não adesão, a incapacidade de se cuidar, falta de cuidadores, 
telefone ou ainda de transporte adequado.
O uso de fatores de crescimento dos leucócitos nestes doentes, quando estabilizados, 
reduz a duração da hospitalização e o tempo de recuperação, mas estas reduções são 
mínimas. O efeito dos fatores de crescimento mieloide na mortalidade relacionada a 
infecções é incerto.
Os mais comuns são: L-asparaginase, taxanos e derivados da platina. A maioria dos 
casos apresenta dispneia, urticária, angioedema, hipotensão ou broncoespasmo. 
Outras manifestações são a dor abdominal e torácica, obstrução da via aérea superior. 
O edema laríngeo, seguido de hipotensão é a principal causa de morte nas reações 
alérgicas.
Fatores de risco para reações alérgicas são: tipos de fármacos, exposição prévia, 
administração intravenosa e história pessoal de alergia. Reações anafiláticas à 
L-asparaginase ocorre em 10% dos doentes. A principal forma de prevenção das reações 
é o prolongamento da infusão e a profilaxia com anti- histamínicos e corticoides.
Os três principais princípios no tratamento das reações alérgicas (anafiláticas): o 
reconhecimento precoce, a manutenção da via aérea e o suporte hemodinâmico. O 
Nota
Monoterapia com um antibiótico de largoespectro parece ser tão 
efetiva quanto a dupla cobertura de gram-negativos e está associada, 
há menos efeitos adversos.
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Emergências oncológicas Capitulo 1
tratamento agudo da anafilaxia deve iniciar-se com a remoção do fármaco responsável. 
A avaliação imediata da via aérea e administração da epinefrina subcutânea, 
dependendo da severidade. Líquidos intravenosos devem ser administrados nos casos 
com hipotensão.
Glicocorticoides e anti-histamínicos devem ser adicionados. Se desenvolver hipotensão 
resistente, pode ser necessário tratamento em unidade de cuidados intensivos.
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
deve ter aprendido que a situação de urgência extrema, a situação 
que coloca em risco a vida do indivíduo em um período de tempo de 
minutos a poucas horas e que a emergência oncológica é considerada 
quanto condição aguda, que é causada pelo cancro ou pelo seu 
tratamento, requerendo uma rápida intervenção para evitar a morte 
ou dano permanente severo. Deve ter compreendido que os doentes 
estão em risco de várias emergências ameaçadoras de vida. Podem ser 
classificados como: estruturais e obstrutivas, metabólicos ou hormonais 
e quanto ao tratamento. Estas podem ainda ser de cunho metabólico, 
neurológico, hematológico, respiratório e infeccioso.
33
@faculdadelibano_
2
Oncologia 
na unidade 
de terapia 
intensiva
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: Emergências e Unidade 
de Terapia Intensiva
Capitulo 2
Oncologia na unidade de 
terapia intensiva
A oncologia é uma especialidade voltada para a saúde que envolve alto nível de 
estresse, tendo em vista que envolve circunstâncias que fazem os indivíduos estar em 
contato direto com a morte, necessidade de intervenções de alta complexidade e 
cuidados paliativos, assim como a atenção da família como um todo, formando uma 
rede desafiadora para os profissionais da saúde que atuam no setor (HERCOS et al., 
2014). O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) do Ministério da 
Saúde (MS) aponta que em média 520 mil novos casos de câncer são diagnosticados 
por ano no território brasileiro (HERCOS et al., 2014).
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer melhor a 
oncologia na unidade de terapia intensiva. Isto será fundamental para 
o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá. Avante!
FIGURA 2
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é uma instituição que 
cobre todo o território brasileiro
FONTE
INCA (s.d.)
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Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Esse quantitativo nos envolve em alguns questionamentos:
• Cerca de % de indivíduos acometidos por doença crônica evoluem para óbito.
• Necessitam de assistência especializada por meses ou ano para maior probabilidade 
de:
• Diagnóstico precoce.
• Melhor tratamento.
• Maior chance de cura.
• Menores índices de óbito.
Atualmente as inovações tecnológicas que abrangem o cuidado com o paciente 
portador de câncer permite a ampliação do controle da patologia, assim como a cura, 
contudo, tratamento como a quimioterapia e cirurgia oncológica são de teor mais 
agressivo, implicam diretamente na maior necessidade de uso de leitos de unidade de 
terapia intensiva (UTI) (HERCOS et al., 2014).
A equipe de enfermagem que atua no setor intensivista deve ser fomentada de 
conhecimento técnico-científico, além de ser capaz de lidar com algumas situações, 
tendo em vista que estes profissionais estão propensos ao acometimento do Burnout 
(HERCOS et al., 2014).
Normalmente as situações da UTI envolvem:
• Dor.
• Sofrimento.
• Estresse.
• Perda.
Você Sabia?
O Burnout surge como resposta fisiológica em meio a exposição de alto 
e contínuo estresse, assim como situações falhas e/ou insuficientes 
associadas ao trabalho, desenvolvido por recorrente pressão emocional, 
atrelada ao sujeito por um amplo período de tempo.
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Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Nos últimos anos, avanços nos cuidados dos pacientes com câncer possibilitaram 
maior probabilidade de controle ou cura da doença. Estudos têm demonstrado que os 
avanços recentes nos cuidados intensivos se traduziram na redução da mortalidade de 
pacientes críticos com câncer, mesmo em populações de maior risco como pacientes 
com sepse ou submetidos à ventilação mecânica.
Tem-se que salientar que a assistência ao paciente crítico é desenvolvida por equipe 
interdisciplinar, e, atualmente, maiores percentuais de pacientes oncológicos são 
admitidos no setor intensivo, o que aponta que a assistência necessita de maior aporte 
tecnológico e habilidades técnica-científicas, assim como condições psicológicas 
(HERCOS et al., 2014).
Entretanto, a internação na UTI de pacientes com câncer com complicações agudas 
graves ainda é motivo de controvérsia entre os intensivistas e os oncologistas, uma vez 
que o seu prognóstico é frequentemente considerado ruim a priori.
Uma avaliação ideal do mérito da internação de paciente com câncer na UTI necessita de 
complexa interação de fatores clínicos relacionados à complicação aguda, à neoplasia 
subjacente e às preferências e valores do paciente e seus familiares.
Assim sendo, critérios atuais de admissão de pacientes oncológicos à UTI devem ser 
reavaliados. Chama-se a atenção de que o grupo de pacientes não oncológicos 
possuem mortalidade semelhante à dos pacientes oncológicos, mortalidade esta que 
pode ser considerada elevada em se tratando de intervenções cirúrgicas eletivas.
Importante
Embora se ache que os profissionais necessitam compreender e lidar 
bem como a morte, estes são pessoas como todas as outras, as perdas 
recorrentes de pacientes, especialmente na UTI, podem impactar 
significativamente o profissional de saúde, podendo gerar algum 
transtorno/síndrome, como a síndrome de Burnout.
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Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Um evidente preconceito à admissão de pacientes oncológicos, confirmado por 
estudos que demonstram que pacientes com prognósticos semelhantes (DPOC grave, 
insuficiência cardíaca classe IV-NYHA, cirróticos) possuem menor probabilidade de 
recusa de admissão na UTI e suporte terapêutico intensivo quando comparados a 
pacientes oncológicos de prognóstico semelhante. 
Outro aspecto a ser considerado é o das diferenças de subgrupos de pacientes 
oncológicos. Raras são as recusas para internar de pacientes em pós-operatório de 
intervenção cirúrgica eletiva.
A gravidade das disfunções orgânicas, o comprometimento da capacidade funcional 
(performance status) e o estado da neoplasia (estadiamento e fase da doença) 
são os principais determinantes do seu prognóstico e devem ser consideradas na 
discussão, propriedades da admissão a UTI. Mostra-se fundamental expandir o 
conhecimento sobre o prognóstico dos pacientes com câncer que necessitam de 
cuidados intensivos.
FIGURA 3
A gravidade das disfunções 
é que elenca o indicativo de 
intenção na UTI
FONTE
Freepik (2022).
O conhecimento das características aAssociadas com o prognóstico pode ajudar os 
profissionais de saúde em discussões sobre os pacientes e no seu aconselhamento e 
de seus familiares.
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Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
As recomendações que derivam da opinião de especialistas e que têm sido empregadas 
em centros de referência com UTI oncológicassugerem sempre admitir a UTI pacientes 
em que haja dúvida acerca do prognóstico. Nestes casos, tratamentos com suporte 
pleno e agressivo por um tempo preestabelecido (em geral de aproximadamente cinco 
dias) em discussão com familiares, oncologistas e outros especialistas assistentes são 
empregados.
Passado esse período, o paciente é reavaliado e a evolução das alterações fisiológicas 
agudas e disfunções orgânicas presentes à admissão deverão nortear a decisão cobre 
o nível de suporte a ser mantido.
Somente com a solidificação de novos conhecimentos e atualização dos nossos 
conceitos sobre os pacientes críticos com câncer pode-se evitar que os cuidados 
intensivos deixem de ser oferecidos aos pacientes que deles possam beneficiar-se.
O aporte e fundamentação teórica, assim como as experiências e busca por novos 
conhecimentos práticos, bem como as constantes inovações e atualizações são 
imprescindíveis para que o paciente receba assistência adequada e eficaz.
FIGURA 4
As inovações 
tecnológicas auxiliam 
na melhor assistência
FONTE
Freepik (2022).
39
Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Enfermagem em UTI oncológica
A assistência a pessoas portadoras de câncer avançado sem possibilidades de cura na 
Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é um grande desafio. 
Pode-se considerar que as repercussões da multidimensionalidade de fatores inerentes 
ao adoecimento por câncer e a finitude humana para o trabalho da equipe de saúde e 
da enfermagem são motivadores à investigação e ao debate, visando uma prática de 
qualidade.
As UTIs foram criadas com a finalidade de prestar assistência aos clientes que necessitam 
de suporte fisiológico e monitorização intensiva para suprir falhas orgânicas agudas 
reversíveis. No entanto, frequentemente, verifica-se que mais de um terço dos clientes 
com câncer em estágio avançado ou terminal são admitidos nessas unidades, e destes 
60% morrem após a admissão.
FIGURA 5
A UTI é o setor 
hospitalar voltado 
para os cuidados 
intensivos
FONTE
Freepik (2022).
Diversos fatores podem influenciar na admissão e/ou permanência de clientes com 
câncer avançado e/ou em fase terminal nas UTIs.
Dentre eles destacam-se:
• Utilização de escores prognósticos não específicos para a avaliação dos clientes 
oncológicos à admissão, o que pode subestimar o risco de morte nos mesmos.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
• Alteração de prognóstico após a hospitalização na UTI.
• Falta de espaço físico para alocar pessoas com neoplasia avançada em detrimento 
do número reduzido de serviços de cuidados paliativos.
• Questões socioculturais.
FIGURA 6
As questões socioculturais são 
uma das maiores influências de 
admissão/ permanência dos 
indivíduos na UTI
FONTE
Freepik (2022).
Abordagem inadequada acerca da temática da finitude humana e da atenção paliativa 
junto aos profissionais de saúde em processo de formação, além daqueles que estão 
exercendo suas atividades profissionais no campo prático.
A complicação clínica que mais acomete paciente oncológicos, os fazendo necessitar de 
cuidados da UTI é a sepse, aponta-se que sua incidência seja de cerca de quatro vezes 
maior em pacientes portadores de câncer quando comparados a outros pacientes sem 
tal doença (DALLA VALLE; GARCIA, 2018).
Você Sabia?
A sepse pode ser decorrente de qualquer tipo de infecção e em qualquer 
sítio fisiológico, desde uma infecção neurológica até a geniturinária, 
quando não tratada, acaba por evoluir para a sepse.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Pacientes oncológicos possuem aspectos clínicos e fisiopatológicos peculiares, estes 
várias vezes precisam de suportes intensivos no decurso da doença. As constantes 
inovações nos cuidados intensivos diminuíram significativamente os índices de 
mortalidade em pacientes com quadros séptico e /ou submetidos a ventilação mecânica 
(DALLA VALLE; GARCIA, 2018).
Humanizando a assistência ao cliente oncológico
É necessário entender que as necessidades do paciente são provenientes de experiências 
subjetivas, expressas de maneiras distintas, e dependentes de contexto cultural e a 
cultura na qual se encontram inseridos.
O profissional necessita expandir seu ouvir para com o paciente e visualiza-lo para a 
mais que a sua palavra, assim, faz-se necessário que haja entendimento de como o 
câncer e o tratamento causam alterações ao paciente, repercutindo em implicações 
única, embora de igual complexidade e significado (MARINHO; DOMINGUES; OLÁRIO, 2016).
A assistência de enfermagem a estes pacientes estende-se para além dos 
conhecimentos práticos e teóricos, os enfermeiros necessitam considerar dimensões 
emocionais, físicas, espirituais e sociais dos pacientes que necessitam dos seus cuidados, 
como uma patologia de grau de cronicidade, com necessidades constantes e previveis 
(MARINHO; DOMINGUES; OLÁRIO, 2016).
A assistência humanizada ao paciente com câncer consiste:
• No emprego de atitudes que originem espaços que permitam a todos verbalizar seus 
sentimentos e valorizá-los.
• Identificar áreas potencialmente problemáticas.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
Auxiliá-los a identificar fontes de ajuda, que podem estar dentro ou fora da própria 
família.
• Fornecer informações e esclarecer suas percepções.
• Ajudá-los na busca de soluções dos problemas relacionados ao tratamento.
• Instrumentalizá-los para que tomem decisões sobre o tratamento proposto. 
• Levar ao desempenho de ações de autocuidado, dentro de suas possibilidades.
Entre as múltiplas ações de saúde necessárias para propiciar cuidados que privilegiem, 
dentre outros, os aspectos psicológicos, estão: a disponibilidade, a atitude de aceitação 
e de escuta.
FIGURA 7
A anamnese e avaliação de 
enfermagem possibilitam que 
sejam identificados potenciais 
problemas
FONTE
Freepik (2022).
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que a oncologia é uma especialidade voltada para a 
saúde que envolve alto nível de estresse, tendo em vista que envolve 
circunstâncias que fazem os indivíduos estar em contato direto com a 
morte, necessidade de intervenções de alta complexidade e cuidados 
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Oncologia na unidade 
de terapia intensiva
Capitulo 2
paliativos, assim como a atenção da família como um todo, formando 
uma rede desafiadora para os profissionais da saúde que atuam no 
setor. Deve ter compreendido que a gravidade das disfunções orgânicas, 
o comprometimento da capacidade funcional e o estado da pessoa. 
Estes são os principais determinantes do seu prognóstico e devem ser 
consideradas na discussão, propriedades da admissão a UTI. Assim como 
deve ter aprendido que é necessário entender que as necessidades 
do paciente são provenientes de experiências subjetivas, expressas de 
maneiras distintas e dependentes de contexto cultural e da cultura na 
qual se encontram inseridos.
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@faculdadelibano_
3
Controle de 
infecção em 
oncologia
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: Emergências e Unidade 
de Terapia Intensiva
Capitulo 3
Controle de infecção em 
oncologia
A humanidade sempre foi acometida por complicações infecciosas. A falta de 
recursos materiais e humanos especializados, aliado ao desconhecimento por parte 
da comunidade científica das formas de contágio, as más condições de higiene 
e à inexistênciade saneamento básico permitia que as doenças transmitidas por 
microrganismos se disseminassem rápido entre os enfermos.
Ao longo dos séculos, consideramos oportuno descrever as contribuições de Ignaz Phillip 
Semmelweis, Florence Nightingale e Joseph Lister que foram de grande relevância para 
a prevenção de infecções.
• Ignaz Phillip Semmelweis (1847): Supôs, que o fato dos estudantes de medicina e 
médicos se deslocarem da sala de autópsia para a sala de obstetrícia poderiam 
carrear “partículas cadavéricas” e estas estarem relacionadas à infecção puerperal. 
E, então, instituiu a lavagem das mãos com solução clorada após as autópsias e antes 
de examinar as puérperas contribuindo para a redução das taxas de mortalidade de 
12,2 para 1,2%.
• Florence Nightganle (1854): reformulou a assistência dos doentes nos campos de 
batalha na Guerra da Crimeia. Introduziu uma série de medidas para organizar a 
enfermaria, como higiene pessoal de cada paciente, separação dos doentes, utensílios 
para uso pessoal, instalação de cozinha, preparo da dieta indicada, lavanderia e 
desentupimento de esgotos”. Essas medidas contribuíram para reduzir a mortalidade 
dos soldados feridos de 40% para 2%.
• 
Objetivos
Ao final deste capítulo, você conhecerá um pouco mais sobre o 
reconhecimento, a prevenção e o controle de infecção em oncologia, 
visando os cuidados de enfermagem. Pronto? Então vamos lá!
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
• Joseph Lister: originou as técnicas de assepsia ao utilizar compressas cirúrgicas 
banhadas em fenol e borrifar a sala de operações com ácido carbólico, obtendo bons 
resultados quanto a manutenção das incisões cirúrgicas livres de contaminação. 
Estudos apontam que a mortalidade pós-amputação caiu de 46% para 15% após os 
experimentos de Lister.
• Infecção hospitalar: aquela adquirida após a admissão do paciente e que se 
manifeste durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a 
internação ou procedimentos hospitalares.
O diagnóstico da mesma deverá valorizar as seguintes informações:
• Evidência clínica, a partir da observação direta do paciente ou da análise do prontuário.
• Resultados de exames laboratoriais, em especial os microbiológicos, a pesquisa de 
antígenos, anticorpos e métodos de visualização.
• Evidências de estudos com exame de imagem.
• Endoscopia.
• Biópsia e outros.
 
Várias classes de agentes infeciosos podem causar infecções, incluindo bactérias, 
vírus, fungos, parasitas e príons. A propagação destes microrganismos nos ambientes 
de cuidado à saúde requer três elementos: fontes ou reservatórios de microrganismos, 
hospedeiro suscetível e os modos de transmissão.
Importante
Os agentes infecciosos são provenientes de fontes humanas e fontes 
ambientais. Os reservatórios humanos envolvem pacientes, profissionais 
de saúde, familiares e visitantes. Os mesmos podem estar colonizados 
ou infectados por microrganismos patogênicos de forma assintomática 
ou sintomática.
A maioria das infecções resulta do desequilíbrio dos mecanismos de defesa do 
hospedeiro no momento da exposição ao agente infeccioso. Além disso, outros fatores 
como interação e dose infectante do patógeno, devem ser levados em consideração, 
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
visto que, os microrganismos predominantes em infecções hospitalares têm baixa 
virulência em condições normais.
Os fatores de risco para as IRAS são geralmente categorizados em três áreas: iatrogênicas, 
organizacionais ou relacionadas a pacientes:
• Os fatores de risco iatrogênicos incluem os procedimentos invasivos (exemplo: 
intubação, cateteres vasculares, cateteres urinários) e uso de antimicrobianos.
• Os fatores de risco organizacionais incluem sistema de ar condicionado contaminado, 
sistema de água contaminado, recursos humanos insuficientes (exemplo: relação 
enfermeiro-paciente) e desenho físico do serviço (exemplo: leitos muito próximos).
• São apontados como fatores de riscos endógenos ao hospedeiro: idade, 
doenças de base (exemplo: HIV), variedade de medicamentos que alteram a 
flora normal (antimicrobianos, inibidores da secreção gástrica, corticosteroides, 
drogas antirrejeição, agentes antineoplásicos e imunossupressores), tratamento 
radioterápico, estado nutricional, presença de doença crônica, tempo prolongado 
de internação em instituições de saúde, uso de dispositivos de longa permanência, 
como cateteres, tubos endotraqueais e implantes sintéticos, entre outros.
Pacientes colonizados são aqueles que portam o microrganismo na pele e/ou superfície 
e/ou secreções e/ou excreções sem apresentar sinal e/ou sintoma de infecção. 
Já os pacientes infectados são aqueles que apresentam síndrome infecciosa de 
qualquer topografia (pneumonia, infecção de trato urinário, infecção de corrente 
sanguínea, meningite etc.) com verificação do microrganismo em cultura de líquido 
estéril (sangue, LCR, urina etc.) ou em cultura de secreções não estéreis que preencham 
critérios quanti-qualitativos de infecção, segundo critérios definidos pela ANVISA.
Importante
As principais fontes de disseminação das infecções em ambientes de 
cuidado à saúde são os pacientes colonizados ou infectados e, ainda, 
que os dispositivos médicos, equipamentos e mãos dos profissionais de 
saúde podem se contaminar e disseminar patógenos.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
A resistência do microrganismo consiste em um fenômeno genético responsável em 
decodificar diferentes mecanismos bioquímicos que impedem a ação das drogas 
antimicrobianas. Dessa forma, desenvolve-se a resistência bacteriana a determinadas 
opções terapêuticas, geralmente, duas ou mais classes de antimicrobianos empregados 
no tratamento de determinada infecção. 
É importante salientar que a colonização ou infecção com microrganismos resistentes 
nem sempre significa agravamento clínico do paciente, porém, o aspecto negativo 
pode estar relacionado à limitação terapêutica, caso haja necessidade de tratamento.
Desde o ano 2000, a Organização Mundial da saúde (OMS), junto a organizações 
governamentais e não governamentais, iniciou campanhas mundiais, a fim de alertar os 
Países Membros para a importância do desenvolvimento de estratégias que visassem à 
segurança do paciente e qualidade do cuidado. No entanto, já nas primeiras campanhas 
vemos a ênfase dada para a prevenção das infecções relacionadas à assistência à 
saúde (IRAS) dentre outras. 
Em 2004, com a criação da Aliança Mundial da Saúde foram lançados três Desafios 
Globais, objetivando desenvolver ações para a minimização de riscos em todos os 
países. O primeiro deles, em 2005, tinha como foco a prevenção e redução de IRAS com 
o tema Uma Assistência Limpa é Uma Assistência mais Segura. O terceiro, em 2011, mais 
uma vez se voltou para a questão das infecções e focou a prevenção da resistência 
bacteriana relacionada ao emprego de antimicrobianos.
Você Sabia?
Nas últimas décadas, um novo alerta surge na saúde pública e se 
refere à emergência de microrganismos patogênicos que, associado 
a outros fatores, pode propiciar o aumento da resistência bacteriana 
nos ambientes de cuidado. O problema está sendo evidenciado tanto 
em países desenvolvidos como em desenvolvimento e necessita de 
atenção imediata e globalizada. No entanto, a gravidade e extensão 
das infecções por esses patógenos variam de acordo com a população 
afetada e a instituição em que são encontrados.
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Assistência em Enfermagem em Oncologia Clínica: 
Emergências e Unidade de Terapia Intensiva
Controle de infecção em oncologia Capitulo 3
As campanhas tinham como foco os hospitais dos Estados Unidos, mas mobilizaram 
hospitais do mundo todo, incluindo o Brasil.
Em 2006,