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Parasitologia Profº Marcelo Moraes PARASITOLOGIA Título da disciplina INTRODUÇÃO À PARASITOLOGIA Introdução ao conceito de parasitismo Parasito é um ser vivo que encontra no outro seu nicho ecológico. Para entender o parasitismo, é importante compreender os conceitos de: Habitat Ecossistema Nicho ecológico É fundamental considerar o ambiente e as interações ao estudar um organismo. Desequilíbrios ecológicos podem afetar a harmonia entre espécies. O coronavírus SARS-CoV-2 tem origem possivelmente relacionada a morcegos, em um ambiente afetado por ações humanas em Wuhan, China. Introdução ao conceito de parasitismo Formas de associação entre os seres vivos Organismos estabelecem relações na natureza: Intraespecíficas Interespecíficas A simbiose é uma forma de associação entre espécies, sendo classificadas em: Parasitismo Mutualismo Comensalismo Formigas são exemplos de organismos que estabelecem relações intraespecíficas. Introdução ao conceito de parasitismo Principais formas de associação entre parasitos e seus hospedeiros. Introdução ao conceito de parasitismo Os parasitas podem afetar o desenvolvimento, produção de hormônios, reprodução e comportamento de seus hospedeiros. O impacto do parasitismo pode ser positivo, negativo ou neutro, dependendo da relação evolutiva entre parasita e hospedeiro. O protozoário Opalina ranarum. Formas de associação entre os seres vivos Fatores limitantes para o crescimento dos organismos Para a sobrevivência e reprodução de uma espécie, condições ideais são essenciais. Organismos podem tolerar variações qualitativas e quantitativas de elementos necessários para o desenvolvimento. Elementos físicos limitantes incluem temperatura, disponibilidade de água, umidade e biodisponibilidade de elementos químicos fundamentais. O Pantanal e seus períodos de seca e chuva. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Os principais parasitas estudados pela Parasitologia são: Protozoários Reino Protista. Metazoários Nematoda e Platyhelminthes (platelmintos). Arthropoda (artrópodes) Reino Animalia, todos contidos no domínio Eukarya. A classificação taxonômica, uma importante ferramenta de identificação dos parasitas é baseada em fatores morfológicos, genéticos, bioquímicos e fenotípicos. Nessa classificação, são adotadas algumas terminologias que têm importância na descrição e localização zoológica do parasito. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores O domínio Eukarya é dividido em seis subclassificações chamadas de supergrupos. Dentro desses subgrupos apenas alguns possuem parasitas capazes de infectar os humanos: Excavata Amoebozoa Chromalveolata Opisthokonta Relações filogenéticas entre os grupos de parasitos de humanos. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Excavata Fornicata (subdivisão Eopharyngia) Parabasalia (subdivisão Trichomonadida) Heterolobosea (subdivisão Vahlkampfiidae) Euglenozoa (subdivisão Kinetoplastea) Excavata: Giardia duodenalis. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Amoebozoa Hartmannella (divisão Tubilinea) Acanthamoeba (divisão Acanthamoebidae) Entamoebidae Mastigamoebidae Amoebozoa. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Mastigamoebidae Apicomplexaella Ciliophora Chromalveolata: Plasmodium spp. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Reino Animalia Reino Fungi Grupos de metazoários Opisthokonta Reino fungi. Principais grupos de protozoários e metazoários parasitos do homem e seus vetores Opisthokonta No reino Animalia, os parasitos do homem e seus vetores apresentam como principais filos de interesse os: Platyhelminthes Nemathelminthes Arthropoda Mollusca Políticas públicas de saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses Parasitos intestinais são comuns em humanos e um grave problema de saúde. No Brasil, várias doenças parasitárias são endêmicas e negligenciadas, relacionadas a condições sanitárias precárias. Desigualdade social atrasa políticas de combate às parasitoses. O conceito de saúde não é relacionado à ausência de doença, mas à manutenção e melhora do próprio estado de saúde física e psicossocial do indivíduo. Exemplo de condições sanitárias precárias. Políticas públicas de saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses A Constituição de 1988 adota um modelo de seguridade social para a saúde norteada por três diretrizes: Descentralização Atendimento integral Participação da comunidade Sistema Único de Saúde. Políticas públicas de saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses No Artigo 196, a Constituição define “a saúde como um direito de todos e dever do Estado” e o Artigo 198 dispõe sobre a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Promulgação da Constituição. 1988 Lei Orgânica da Saúde 8.142/90. 1990 Lei Orgânica da Saúde 8.080/90. 1990 Políticas públicas de saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses Programa de Agentes Comunitários de Saúde. 1991 Programa Saúde da Família. 1994 Plano Nacional de Vigilância e Controle das Enteroparasitoses. 2005 Ciclos parasitários O ciclo biológico de um parasito compreende os mecanismos, as etapas e os fenômenos aos quais ele é submetido ao longo de suas fases de vida, passando por um ou mais hospedeiros. A complexa série de acontecimentos físicos, químicos e bioquímicos é ordenada por fatores ambientais e genéticos, dependendo das características fisiológicas e biológicas de cada grupo de parasito. Esquema do ciclo biológico de um parasito. Ciclos parasitários A amebíase enquanto doença é causada pela Entamoeba histolytica ou por variedades semelhantes. Existem outras espécies, como a E. coli, E. hartmani, Endolimax nana que não parecem causar nenhum processo patogênico. Ainda não são claros os mecanismos, mas o parasitismo intestinal por E. histolytica pode desencadear uma forte ação patogênica, levando ao quadro de amebíase. Parasito intestinal Entamoeba histolytica presente nas fezes humanas. Infecção parasitária não é o mesmo que doença parasitária. Ciclos parasitários Em seu ciclo de vida, os parasitos podem infectar mais de um hospedeiro, causando ou não dano ao mesmo. O ponto de vista evolutivo, não é interessante para o parasito levar o seu hospedeiro à morte. Relações de parasitismo que resultam em infecção grave são, em sua maioria, provocadas por relações evolutivas mais recentes. Os hospedeiros se dividem em 5 características: Hospedeiro natural Hospedeiro terminal Hospedeiro definitivo Hospedeiro intermediário Hospedeiro de transporte Ciclos parasitários Zoonose é o grupo de doenças transmitidas ao homem por animais, como a raiva, a febre maculosa e a toxoplasmose. Alguns animais são hospedeiros naturais e sua alta carga parasitária atua como fonte de infecção para outros animais, incluindo o homem. Os morcegos são reservatórios de diversos parasitos como novas espécies de Leishmania e Trypanosoma. Classificação dos parasitas Ciclo biológico do Trypanosoma cruzi. Classificação quanto a quantidade de hospedeiros que infectam, em relação ao tipo de ciclo biológico e o grau de especificidade parasitária. Alguns parasitos podem pertencer a mais de uma classificação. Eurixenos Estenoxenos Monoxenos Heteroxenos Classificação dos parasitas Classificações dos parasitismos. Parasitismo facultativo Parasitismo obrigatório Parasitismo proteliano Parasitismo errático Endoparasitismo Ectoparasitismo Principais tipos de habitat dos parasitos O sistema digestivo abriga grande parte dos parasitos que costumamos estudar, mas outros órgãos podem ser parasitados transitoriamente ou definitivamente. O sistema digestivo. Principais tipos de habitat dos parasitos Encontramos duas espécies principais de protozoários: Entamoeba gengivalis e Trichomonastenax. Cavidade bucal Nenhuma espécie de parasita permanentemente é encontrada, mas devido à proteção conferida pela resistente casca ou cutícula, os ovos de parasitos conseguem resistir ao ambiente ácido. Esôfago e estômago Sítio de desencistamento de protozoários e eclosão de ovos de helmintos. São ainda encontrados ambientando Ancilostoma duodenale, Giardia dudenalis e Necator americanus. Intestino delgado - Duodeno Principais tipos de habitat dos parasitos Encontramos a Giardia duodenalis, Taenia solium, Taenia saginata, Necator americanus, Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis, entre outros. Intestino delgado – Jejuno e Íleo Ao longo dos segmentos, é possível encontrar helmintos e protozoários fixados na mucosa. No sigmoide e no reto espécies como Entamoeba histolytica, Schistosoma mansoni, Schistosoma japonicum, além de ovos e cistos que serão eliminados nas fezes. Intestino grosso Principais tipos de habitat dos parasitos Fígado e vias biliares Sistema fagocítico mononuclear Sangue e linfa Parasitismo e processos patológicos As múltiplas interações entre parasitos e hospedeiros, baseadas nas relações ecológicas e metabólicas, podem resultar no desenvolvimento de mecanismos nocivos para um ou para ambos os organismos. Patogenicidade Denomina-se de patogênicos os parasitos capazes de estimular ou causar dano (doença) no hospedeiro. Convencionalmente, chama-se de não patogênicos os parasitos que não causam doenças. Virulência O conceito de virulência relaciona-se com o grau de dano que o parasito pode provocar em determinado hospedeiro. Parasitismo e processos patológicos Cada parasito possui um mecanismo próprio de invasão ou penetração do hospedeiro, mas podemos dividi-los em ativos ou passivos. Mecanismos parasitários de invasão do hospedeiro É importante ressaltar que, para entrar no organismo, os parasitas têm que ser capazes de passar por todos os mecanismos de defesa inicial do organismo. Os danos gerados podem ser: Diretos Indiretos Parasitismo e processos patológicos Mecanismos parasitários de invasão do hospedeiro Tipos de ações causadas pela presença de parasitos: Obstrutivas Compressivas Destrutivas Tóxicas Pungitiva Alergizante Espoliativas Enzimáticas Todos esses mecanismos levam a uma inflamação, que constitui o principal mecanismo de lesão tecidual observado nas doenças parasitárias. Esquema de inflamação crônica granulomatosa induzida por ovos de S. mansoni. image1.jpg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.png image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.png image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg