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FACULDADE DE DIREITO UNIARAXÁ - 2025
DIREITO PENAL – 1º PERÍODO – NOTURNO (TURMA XLI)
Professor: Vinícius Ramalho Lima
INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL
TEORIA DA NORMA E TEORIA DO CRIME
"Era só mais uma dura / Resquício de ditadura / Mostrando a mentalidade / de quem se sente autoridade / neste tribunal de rua” O Rappa - 1999
TEORIA DA NORMA
 INTRODUÇÃO:
 O ser humano tem, por natureza, a característica de viver em sociedade, aglomerado, junto de outros indivíduos, o que faz para atingir e preservar seus objetivos comuns (bem comum). 
 Essa convivência em coletividade e as experiências oriundas das diversas formas de interação social levaram os seres humanos a elegerem alguns bens e valores como sendo essenciais para a sua existência e sobrevivência, além de promoverem o progresso social, devendo eles serem garantidos e protegidos por todo o corpo social. 
 A vida, a liberdade, a paz, a dignidade, o patrimônio e a saúde são exemplos de bens e valores materiais, intangíveis, que, ao mesmo tempo em que são pressupostos da existência humana, constituem a sua própria essência. É tudo aquilo de que o ser humano não pode dispor para viver dignamente e com bem-estar físico e mental.
 De outro lado, também é certo que o ser humano, impelido pela busca pela dignidade e bem-estar, e motivado por diversos fatores internos (instinto de sobrevivência, maldade, ganância, patologias etc), acaba por se comportar de variadas formas que lesionam ou ameaçam causar lesão aos bens e valores de outrem. 
 Dessa forma, visando a pacificação social, as diversas sociedades adotaram padrões de comportamento (normas) que transmitem as tradições e os valores do grupo social, determinando quais as condutas são aceitáveis em dada comunidade e quais aquelas que, dado ao risco de provocarem lesão ou perigo de lesão relevante e intolerável aos diversos bens e valores, devem ser proibidas e desestimuladas.
 Estes padrões de comportamento são extraídos da experiência dos indivíduos, da cultura e dos usos e costumes da sociedade e representam os anseios da maioria. 
 “O fato social que contrariar o ordenamento jurídico constitui um ilícito jurídico, cuja modalidade mais grave é o ilícito penal, que lesa os bens mais importantes para os membros da sociedade”[footnoteRef:0] [0: BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Editora Saraiva, 2006, p. 39.] 
 CONCEITO DE DIREITO: 
 Conjunto de normas, princípios e regras que regulam a vida em sociedade, estabelecendo direitos e deveres para as pessoas e instituições (modelos de conduta). Visa a garantia da ordem, da justiça e a resolução de conflitos. 
 “Conjunto de normas/leis estabelecidas por um poder soberano, que disciplinam a vida social de um povo” (Dicionário Aurélio).
 “A manutenção da paz social, que propicia a regular convivência humana em sociedade, demanda a existência de normas destinadas a estabelecer diretrizes que, impostas aos indivíduos, determinam ou proíbem determinados comportamentos. Quando violadas as regras de condutas, surge para o Estado o poder (dever) de aplicar as sanções civis e/ou penais”[footnoteRef:1]. [1: CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Vol. Único. 4ª Edição. Ed. Juspodium, 2016, pg. 32.
] 
DIREITO PENAL: 
 “Nessa tarefa (controle social) atuam vários ramos do Direito, cada qual com sua medida sancionadora capazes de inibir novos atos contrários à ordem social. Todavia, temos condutas que, por atentarem (de forma relevante e intolerável) contra bens jurídicos especialmente tutelados, determinam reação mais severa por parte do Estado, que passa a cominar sanções de caráter penal, regradas pelo Direito Penal”[footnoteRef:2]. [2: CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Vol. Único. 4ª Edição. Ed. Juspodium, 2016, pg. 32.] 
 “É o corpo de normas jurídicas voltadas à fixação dos limites do poder punitivo do Estado, instituindo infrações penais e as sanções correspondentes, bem como regras atinentes à sua aplicação”[footnoteRef:3]. [3: NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado, 9ª Edição, Ed. Revista dos Tribunais, 2008.] 
 “A vida em sociedade exige um complexo de normas disciplinadoras que estabeleça as regras indispensáveis ao convívio entre os indivíduos que a compõem. O conjunto dessas regras denominado direito positivo, que deve ser obedecido e cumprido por todos os integrantes do grupo social, prevê as consequências e sanções aos que violarem seus preceitos. À reunião das normas jurídicas pelas quais o Estado proíbe determinadas condutas, sob a ameaça de sanção penal, estabelecendo ainda os princípios gerais e os pressupostos para a aplicação das penas e das medidas de segurança, dá-se o nome de Direito Penal”[footnoteRef:4]. [4: MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal – Parte Geral. 20ª Edição, Ed. Atlas, 2003, pg. 21.] 
 “Falar de Direito Penal é falar, de alguma forma, de violência. No entanto, modernamente, sustenta-se que a criminalidade é um fenômeno social normal. Durkheim afirma que o delito não ocorre somente na maioria das sociedades de uma ou outra espécie, mas sim em todas as sociedades constituídas pelo ser humano. Assim, para Durkheim, o delito não é só um fenômeno social normal como também cumpre outra função importante, qual seja, a de manter aberto o canal de transformações de que a sociedade precisa. Sob um outro prisma, pode-se concordar, pelo menos em parte, com Durkheim: as relações humanas são contaminadas pela violência, necessitando de normas que as regulem. E o fato social que contrariar o ordenamento jurídico constitui um ilícito jurídico, cuja modalidade mais grave é o ilícito penal, que lesa os bens mais importantes dos membros da sociedade”[footnoteRef:5]. [5: BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. 25ª Edição. Ed. Saraiva, 2019. Pág. 39.] 
 Direito Penal – instrumento de perseguição e punição aos inimigos do sistema jurídico (estados autoritários) ou instrumento de controle social de comportamentos desviados legitimado por meio do consenso democrático existente entre os cidadãos (estados democráticos). 
 O Direito Penal deve respeitar os direitos e garantias fundamentais do cidadão, previstos na CR/88, e visar a exclusiva proteção de bens jurídicos essenciais para a harmonia e o progresso dos cidadãos. 
ASPECTOS DO DIREITO PENAL[footnoteRef:6]: [6: CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Vol. Único. 4ª Edição. Ed. Juspodium, 2016, pág. 31.] 
 “O Direito Penal apresenta-se, por um lado, como um conjunto de normas jurídicas que tem por objetivo a determinação das infrações de natureza penal e suas sanções correspondentes – penas e medidas de segurança. Por outro lado, apresenta-se como um conjunto de valorações e princípios que orientam a própria aplicação e interpretação das normas penais”[footnoteRef:7]. [7: BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. 25ª Edição. Ed. Saraiva, 2019. Pág. 39.
] 
 - aspecto formal ou estático: conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais (crime ou contravenção), define seus agentes e fixa sanções (pena ou medida de segurança) a serem-lhe aplicadas.
 - aspecto material: são comportamentos considerados altamente reprováveis ou danosos ao organismo social, afetando bens jurídicos indispensáveis à sua própria conservação e progresso (nesse sentido, Luiz Régis Prado). 
 - aspecto sociológico ou dinâmico: é instrumento de controle social de comportamentos desviados (ao lado dos outros ramos, como Constitucional, Civil, Administrativo, Comercial, Tributário, Processual etc.), visando assegurar a necessária disciplina social, bem como a convivência harmônica dos membros do grupo. 
DENOMINAÇÕES: Ex.: Direito Penal, Direito Criminal, Ciências Penais, Direito Penal Objetivo, Direito Penal subjetivo etc.
 - Direito Penal Objetivo (jus poenale): conjunto de leis penais em vigor em determinado país, devendo observar a legalidade.
- Direito Penal Subjetivo: (jus puniendi): refere-se ao direito depunir do Estado, ou seja, a capacidade que o Estado tem de produzir e fazer cumprir suas normas”.
	
	CIÊNCIAS PENAIS
	
	Direito Penal
	Criminologia
	Política Criminal
	Finalidade
	Analisando Fatos humanos indesejados, define quais devem ser rotulados como infrações penais, anunciando as respectivas sanções.
	Ciência empírica que estuda o crime, a pessoa do criminoso, da vítima e o comportamento da sociedade. 
	Trabalha as estratégias e meios de controle social da criminalidade. 
	Objeto
	O crime enquanto norma.
	O crime enquanto fato.
	O crime enquanto valor. 
	Exemplo
	O Direito Penal define o crime de homicídio.
	A Criminologia estuda o fenômeno do homicídio, o agente homicida, a vítima e o comportamento da sociedade.
	A Política Criminal estuda formas de diminuir o homicídio. 
TEORIA DA NORMA:
 Norma é o conjunto de regras e princípios que orienta comportamentos humanos dentro de uma sociedade. Ela estabelece critérios que devem ser seguidos por todos para garantir a ordem e a disciplina do corpo social.
 As normas funcionam como modelos ou padrões que determinam o que é aceitável ou esperado em determinadas situações e servem como referência que orientam comportamentos e garantem a coesão da sociedade.
 Ex.: Normas jurídicas, técnicas, religiosas, morais etc.
NORMA JURÍDICA
 Neste contexto, as normas jurídicas são padrões de comportamento aceitáveis e esperados, estabelecidos pelo Estado, que tem por objetivo definir os direitos e os deveres de cada indivíduo, regulamentando o comportamento destes. São o alicerce do sistema legal e garantem a ordem social.
 “É uma manifestação de autoridade que expressa preceito obrigatório imposto, ou reconhecido como tal, pelo Estado, destinado a reger as relações jurídicas entre as pessoas e entre elas e o Estado”[footnoteRef:8]. [8: https://www.congressonacional.leg.br/legislacao-e-publicacoes/glossario-legislativo/legislativo/termo/norma_juridica.] 
Características: 
1) Imperatividade: posta pelo Estado de forma obrigatória com a previsão de sanção em caso de descumprimento;
2) Generalidade: Aplicáveis a todos os indivíduos, sem distinção (derivada da Isonomia);
3) Abstração: Preveem situações hipotéticas, abstratas, dirigidas ao futuro, dada a impossibilidade de a norma contemplar, com precisão e anterioridade, todas as situações que deve regular;
4) Impessoalidade: Disciplinam fatos, independentemente de quem os realizou;
NORMAS = PRINCÍPIOS + REGRAS 
 Norma é gênero dos quais as regras e os princípios são espécies. 
Diferenças básicas entre princípios e regras[footnoteRef:9]: [9: LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. Ed. Saraiva, 2011.] 
Generalidade: Princípios são normas que possuem grau de generalidade maior que as regras.
Mandatos de otimização: Princípios são normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida possível, dentro das possibilidades jurídicas e reais existentes. Podem ser cumpridos em diferentes graus.
As regras só podem ser cumpridas ou não (regra do tudo ou nada). As regras contêm determinações (definitivas) no âmbito de fático e juridicamente possível.
Exemplos:
Princípio: Liberdade religiosa
Regra: Todo preso tem direito a exercer a sua religião.
Princípio: Direito à vida
Regra: Matar alguém com cominação de pena.
Princípio: Direito à propriedade
Regra: Crime de furto, roubo, receptação etc.
Definições[footnoteRef:10]: [10: LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. Ed. Saraiva, 2011, p. 139.] 
 Regras: relatos descritivos de condutas a partir dos quais, mediante subsunção, havendo enquadramento do fato à previsão aberta, chega-se à conclusão. Diante do conflito de regras, apenas uma prevalece dentro da ideia do tudo ou nada. A “...regra somente deixará de incidir sobre a hipótese do fato que contempla se for inválida, se houve outra mais específica ou se não estiver em vigor” (ou seja, acrescente-se, critérios hierárquico, da especialidade ou cronológico).
 São normas que são sempre ou satisfeitas ou não satisfeitas. Se uma regra vale, então, deve se fazer exatamente aquilo que ela exige; nem mais, nem menos. Regras contêm, portanto, determinações no âmbito daquilo que é fática e juridicamente possível. Isso significa que a distinção entre regras e princípios é uma distinção qualitativa, e não uma distinção de grau. Toda norma é uma regra ou um princípio.
 Princípios: a previsão dos relatos se dá de maneira mais abstrata, sem se determinar a conduta correta, já que cada caso concreto deverá ser analisado para que o intérprete dê o exato peso entre os eventuais princípios em choque (colisão). Assim, a aplicação dos princípios “não será no esquema do tudo ou nada, mas graduada à vista de circunstâncias representadas por outras normas ou por situações de fato” Destaca-se, assim, a técnica da ponderação e do balanceamento, sendo, portanto, os princípios valorativos ou finalísticos.
 São normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes. Princípios são, por conseguinte, mandamentos de otimização, que são caracterizados por poderem ser satisfeitos em graus variados e pelo fato de que a medida decida de sua satisfação não depende somente das possibilidades fáticas, mas também das possibilidades jurídicas. O âmbito das possibilidades jurídicas é determinado pelos princípios e regras colidentes.
Em resumo:
Quanto ao grau de abstração: Princípios são mais abstratos que as regras. Se aplicam a um grupo indefinido de hipóteses. As regras são abstratas, porém dirigidas a reger determinado fato. 
Quanto à aplicação ao caso concreto: “os princípios, por serem vagos e indeterminados, carecem de mediações concretizadoras (do juiz, do legislador), enquanto as regras são susceptíveis de aplicação direta”.
As normas jurídicas penais têm por finalidade a proteção de bens jurídicos.
NORMA JURÍDICA PENAL:
 É um preceito jurídico que proíbe ou impõe condutas visando a proteção de bens jurídicos essências e indispensáveis à vida coletiva, estabelecendo uma sansão em caso da sua não observância.
 NORMA PENAL: o que a diferencia das demais normas impostas coativamente pelo Estado é a espécie de consequência jurídica que traz consigo (pena e medida de segurança). Por isso, deve ser aplicada de forma subsidiária e racional à preservação daqueles bens de maior significação e relevo, quando lesados ou submetidos ao risco de serem lesados como consequência de comportamentos indesejados. (P. Intervenção Mínima)[footnoteRef:11]. [11: CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. 4ª Edição. Ed. Juspodium, 2016.] 
FONTES DE DIREITO PENAL: De onde se origina, qual a procedência do Direito Penal.
São divididas em dois grupos: Fontes Materiais e Fontes formais.
FONTE MATERIAL: diz respeito ao órgão autorizado a cria8.çr o Direito Penal
Art. 22, I, CR/88 – União 
FONTE FORMAL: Se refere à forma como o Direito Penal se manifesta, é exteriorizado. Divide-se em imediatas e mediatas.
Fontes Formais Imediatas: (doutrina moderna)
 - Lei: único instrumento capaz de criar infrações penais (crime e contravenção penal) e estabelecer sanções (pena e medida de segurança) por força do princípio da Reserva Legal (lei ordinária ou complementar).
 - Constituição: revela o Direito Penal estabelecendo parâmetros para a intervenção penal (mandados de criminalização vinculam o legislador ordinário, obrigando a proteção de certos bens e interesses. – CR/88 art 5º, XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7º, X,art. 225, §3º, art. 227, §4º) 
- Tratados e convenções internacionais de direitos humanos: possuem caráter vinculante. Se aprovado pelo Congresso Nacional com quórum de emenda constitucional (Art. 5º, §3º) tem status de norma constitucional. Se com o quórum simples, status de norma infraconstitucional supralegal (art. 5º, §2º)
Não criam crimes ou cominam penas.
 - Jurisprudência: Súmulas vinculantes e definição do tempo e espaço para a configuração do crime continuado. 
 - Princípios:
 - Complementos da norma penalem branco:
Fonte formal mediata: Doutrina
Fonte informal do Direito Penal: Costumes. Não criam crime, não cominam pena, e, em regra, não revogam infrações penais, mas auxiliam na interpretação das leis penais, conferindo definição a algumas expressões de acordo com o padrão de comportamento da sociedade.
CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO DA LEI PENAL:
1) Exclusividade: Princípio da legalidade e da reserva legal.
2) Imperatividade: imposta a todos, independentemente da vontade individual;
3) Generalidade: Todos devem acatar a lei, mesmo os inimputáveis.
4) Impessoalidade: dirigem-se abstratamente a fatos futuros e não a pessoas.
CLASSIFICAÇÃO DAS LEIS PENAIS:
1) L. P. Incriminadora: Servem para descrever o comportamento proibido e impor sanção no caso de ser praticado.
Contém um preceito primário (definição da conduta criminosa) e um preceito secundário (sanção penal aplicável).
2) L. P. Não Incriminadora: lei penal em sentido amplo. Não cria condutas puníveis nem comina sansões. 
2.1) Permissivas Justificantes: afasta a ilicitude (ex. art. 25, CP).
2.2) Permissivas exculpantes: afasta a culpabilidade (ex. art. 28, §1º, CP).
3) Explicativas: Esclarecer ou explicar conceitos (Art. 327, CP).
4) Complementares: fornecem princípios gerais (art. 5º, CP).
5) De extensão ou integrativa: viabiliza a tipicidade de alguns fatos. (ex. art. 29, CP, art. 14, inciso II, CP).
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: Buscar o significado.
SUJEITO –MODO - RESULTADO
Formas de Interpretação:
1) Quanto ao sujeito (origem): autêntica (legislativa), doutrinária (científica) e jurisprudencial.
1.1) Autêntica: contextual (mesma lei que conceitua) ou posterior (lei distinta e posterior)
1.2) Doutrinária: estudiosos. Não é de observância obrigatória. (Ex. Exposição de Motivos do CP)
1.3) Jurisprudencial: significado dado às leis pelos tribunais. Podem ter caráter vinculante (art. 103-A, CR/88)
2) Quanto ao modo: gramatical (filológica ou literal), teleológica, histórica, sistemática, progressiva e lógica (racional):
2.1) Gramatical: considera o sentido literal das palavras;
2.2) Teleológica: busca a vontade/intenção da lei;
2.3) Histórica: indaga a origem da lei, identificando os fundamentos da sua criação.
2.4) Sistemática: interpretação em conjunto com a legislação do qual faz parte e com os princípios gerais de direito.
2.5) Progressiva: busca o significado legal de acordo com o progresso da ciência.
2.6) Lógica: se baseia na razão. Utiliza métodos dedutivos, indutivos e da dialética.
3) Quanto ao resultado: interpretação declaratória, restritiva e extensiva.
3.1) Declaratória: a letra da lei corresponde exatamente à intenção do legislador.
3.2) Restritiva: a interpretação reduz o alcance das palavras da lei para alcançar a vontade do legislador.
3.3) extensiva: Amplia-se o alcance das palavras da lei para corresponder à vontade do legislador. 
OBS.: É possível interpretação extensiva em prejuízo do réu? Ex.: conceito de arma.
3 correntes (SIM, NÃO (in dubio pro reo) e EM ALGUNS CASOS. 
OBS.: Interpretação Extensiva x Interpretação Analógica: Na IA (intra legem), a lei detalha todas as situações que quer regular e, posteriormente, permite que o intérprete complete a lei com casos semelhantes. (Ex. qualificadora do motivo torpe). FÓRMULA CASUÍSTICA seguida de FÓRMULA GENÉRICA.
OBS.: Interpretação extensiva = IA + IE em sentido estrito.
OBS.: Interpretação analógica X ANALOGIA (forma de integração – decorre de uma lacuna, inexistência de lei).
Em regra, a ANALOGIA é vedada no Direito Penal em razão do princípio da reserva legal. 
Exceção: analogia in bonam partem e efetiva existência de lacuna a ser preenchida. (ex.: Analogia para o companheiro nas causa de isenção de pena dos crimes patrimoniais art. 181, CP).
OBS.: Analogia in legis e in iuris.
4) Interpretação sui generis: exofórica e endofórica.
4.1) Exofórica: significado da norma interpretada não está no ordenamento normativo. (Ex. a palavra “tipo”, art. 20, CP, tem seu significado extraída da doutrina.
4.2) Endofórica: o significado da norma interpretada vem do ordenamento jurpidico, ainda que seja encontrado em lei diversa daquela que se interpreta (norma penam em branco).
5) Interpretação conforme à CR/88: a Constituição deve informar e conformar as normas que lhe são inferiores. Confronta-se a norma legal e a Constituição, fazendo-se juízo da validade da norma.
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL
 O doutrinador Rogério Sanches da Cunha propõe uma divisão dos princípios em grupos, de acordo com a finalidade de cada um deles: 
1) PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A MISSÃO FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL: 
1.1) PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DE BENS JURÍDICOS: O direito Penal não tem como finalidade a proteção de pessoas ou coisas, mas, sim, de bens jurídicos.
CONCEITO DE BEM JURÍDICO: 
 O autor Rogério Sanches da Cunha, citando Luiz Regis Prado, define bem jurídico como “um ente material ou imaterial haurido do contexto social, de titularidade individual ou metaindividual reputado como essencial para a coexistência e o desenvolvimento do homem em sociedade e, por isso, jurídico-penalmente protegido. Deve estar sempre em compasso com o quadro axiológico vazado na Constituição e com o princípio do Estado Democrático e Social de Direito. A ideia de bem jurídico fundamenta a ilicitude material, ao mesmo tempo em que legitima a intervenção penal legalizada”.
 Portanto, o Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos orienta o Estado-legislador a criar normas penais para proteger de lesão e de perigo de lesão os valores tidos como fundamentais para a coexistência e o desenvolvimento social. Assim, o legislador somente deve etiquetar como injusto penal aquelas condutas que causem risco ou dano aos bens jurídicos (bem jurídico tutelado).
 A partir de uma concepção democrática do Estado, serve o DP para a proteção de bens jurídicos essenciais, servindo como instrumento de controle social “limitado e legitimado por meio do consenso alcançado entre os cidadãos de uma determinada sociedade”. 
BEM = é tudo aquilo que pode proporcionar ao indivíduo alguma satisfação. São os valores materiais ou imateriais que podem ser objeto de uma relação de direito. Bens são coisas úteis e de expressão econômica, suscetíveis de apropriação.
JURÍDICO = Porque é previsto, disciplinado e protegido pelo direito.
 “BEM representa tudo quanto satisfaça uma necessidade humana ou do agrupamento, despertando interesse individual ou coletivo a ele endereçado. Quando esse bem ingressa ao mundo do Direito, que o regulamenta e disciplina por meio de suas prescrições legais, recebe a denominação de bem jurídico. Se esta disciplina legal é, porém, feita a título de proteção, preservação e garantia do bem e é procedida dentro do ordenamento jurídico pelo Direito Penal, surge a figura do bem jurídico tutelado. (CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Vol. Único. 4ª Edição. Ed. Juspodium, 2016, pág. 162)
 No direito penal, refere-se a valores específicos que a sociedade elegeu como de fundamental importância. Devido a essa importância, os bens jurídicos servem de base material para a tipificação de tipos penais. 
 Exemplos: direito à vida, à liberdade, à honra, à propriedade, etc. 
 É com base nos bens jurídicos que os crimes são elencados no Código Penal: crimes contra a vida, contra a honra, contra o patrimônio, etc. 
 "Bem individual, que é, concomitantemente, bem social protegido pela ordem jurídica, sendo punido aquele que atentar contra ele, por ser fundamental ao indivíduo e à sociedade". (DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. 3 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. vol. A-C. pag. 438.)
Exs.: honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima, a sexualidade, a saúde, o lazer e a integridade física são os bens juridicamente tutelados inerentes à pessoa física.
BEM JURÍDICO: T. Pessoal do Bem Jurídico: 
 “Bem jurídico deve ser concebido como um interesse humano concreto, necessitando de proteção pelo Direito Penal. Isto é, comobens dos homens, imprescindíveis para a sua sobrevivência em sociedade, como a vida, a saúde, a liberdade ou a propriedade. Sob essa perspectiva, os bens jurídicos coletivos (por exemplo a paz pública ou a saúde pública) somente serão admitidos como objeto de proteção pelo Direito Penal, na medida em que possam ser funcionais ao indivíduo. Dessa forma, o Direito Penal abarcaria essencialmente delitos de resultado e delitos de perigo que representassem uma grave ameaça para a incolumidade de bens jurídicos individuais, operando como um limite claro e preciso do âmbito de incidência do poder punitivo do Estado”. (BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. 25ª Edição. Ed. Saraiva, 2019. Pág. 48)
“(...) O legislador está vinculado a só erigir à categoria de bem jurídico valores concretos que impliquem na efetiva proteção da pessoa humana ou que tornem possível, ou assegurem sua participação nos destinos democráticos do Estado e da vida social. CUNHA, pág. 69
1.2) Princípio da intervenção mínima: O controle social feito pelo Direito atua regulando, fiscalizando e sancionando comportamentos humanos considerados indesejáveis. Esse controle é feito por todos os ramos do Direito agindo em conjunto. Assim, o Direito Penal somente deve agir quando as demais áreas do sistema normativo falharem nessa missão (caráter subsidiário) e em casos de relevante e intolerante lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado (caráter fragmentário)
Ex.: ato ilícito deve ser indenizado (Direito Civil), multas de trânsito (embriaguez) e da vigilância sanitária (Administrativo), cobrança de impostos (Tributário).
O r. Princípio é destinado especialmente ao legislador, no momento da criação da norma. 
BITTENCOURT: O princípio “orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelarem-se suficientes para a tutela desse bem, sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada foram suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais”.
 Como exemplo, o r. princípio impede a criminalização de características pessoais, de comportamentos relegados exclusivamente ao campo da moral, os pensamentos, as pequenas condutas (crimes de bagatela). 
BIBLIOGRAFIA:
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal – Parte Geral. Editora Juspodium, 2016.
GRECO, Rogério. Código Penal Comentado. Editora Impetus, 2009.
MIRABETE, Júlio Fabrini. Manual de Direito Penal – Parte Especial. Editora Atlas, 2005.
BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Editora Saraiva, 2006.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. Editora RT, 2009.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. Ed. Saraiva, 2011.

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