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Vânia Aparecida Borges Weitzel
Fabrício Pelizer de Almeida
Complexos agroindustriais
© 2012 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Universidade de Uberaba.
Universidade de Uberaba
Reitor: 
Marcelo Palmério
Pró-Reitora de Ensino Superior:
Inara Barbosa Pena Elias
Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância:
Fernando César Marra e Silva
Assessoria Técnica:
Ymiracy N. Sousa Polak
Produção de Material Didático:
• Comissão Central de Produção
• Subcomissão de Produção
Editoração:
Supervisão de Editoração
Equipe de Diagramação e Arte
Capa:
Toninho Cartoon
Edição:
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário
Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE
 Weitzel, Vânia Aparecida Borges 
A439c Complexos agroindustriais / Vânia Aparecida Borges Weitzel, 
 Fabrício Pelizer de Almeida. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2012
 136 p. : il.
 
 ISBN 978-85-7777-464-7
 
 1. Agroindústria. 2. Agronegócio. I. Almeida, Fabrício Pelizer de. II. 
Universidade de Uberaba. III. Título 
 
 CDD 338.1 
Sobre os autores
Vânia Aparecida Borges Weitzel
Especialista em Assessoria Organizacional com ênfase em Gestão 
de Empresas pelas Faculdades Integradas de Uberaba (FAZU), e 
em Educação Superior a Distância pela Universidade de Uberaba 
(Uniube). Graduada em Processos Gerenciais, pela Universidade 
de Uberaba (Uniube). Consultora em Comunicação e Assessoria 
Organizacional em Agronegócios. Coordenadora de Marketing e 
Comunicação Social da Valmont do Brasil. Professora do curso 
de pós-graduação em Marketing e Comércio de Produtos Agrope-
cuários da Universidade de Uberaba (Uniube), e professora dos 
cursos de graduação em Processos Gerenciais, Gestão de Agro-
negócios, Recursos Humanos e Tecnologia em Produção Sucroal-
cooleira dessa mesma universidade.
Fabrício Pelizer de Almeida
Especialista em Matemática e Estatística e Gestão de Agronegócios 
pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Engenheiro Agrôno-
mo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Consultor do 
mercado de grãos. Engenheiro Agrônomo Pleno, Staff – Fomento 
Frangos e Perus da SADIA de Uberlândia. Responsável Técnico de 
Produção em Fruticultura da Fazenda Marimbondo e Laje. 
Sumário
Apresentação ............................................................................. VII
Capítulo 1 Compreendendo o agronegócio brasileiro ...................1
1.1 O agronegócio no Brasil – a grande alavanca para a prosperidade .............6
1.2 O Complexo agroindustrial brasileiro ..........................................................10
1.3 As cadeias produtivas do CAI no Brasil.......................................................14
1.3.1 Estudo dos três elos mais importantes da cadeia produtiva ...............18
1.3.2 Cadeia produtiva à montante – “antes da porteira” (ou setor I) ..........19
1.3.3 Cadeia produtiva no núcleo da produção agrícola – “dentro da porteira” 
 (ou setor II) ..........................................................................................22
1.3.4 Cadeia produtiva à jusante – “depois da porteira” (ou setor III) ..........25
Capítulo 2 Os indicadores e o dimensionamento dos complexos 
 agroindustriais de origem vegetal.............................31
2.1 Entendendo indicadores e o dimensionamento dos complexos agroindustriais 
 de origem vegetal .................................................................................................33
2.1.1 Segmentação do mercado agroindustrial ...........................................33
2.1.2 Segmentação produtiva e dimensionamento das atividades 
 agroalimentares ..................................................................................36
2.2 O CAI e seus componentes.........................................................................42
2.2.1 Dimensionamento do CAI brasileiro ....................................................44
2.3 Impactos intersetoriais do CAI.....................................................................55
Capítulo 3 Fronteiras de produção, segmentação e papéis dos 
 principais atores nas atividades agroalimentares......61
3.1 Fronteiras de produção, segmentação e papéis dos principais atores nas 
 atividades agroalimentares ..............................................................................64
3.1.1 Segmentação de mercado .................................................................65
3.1.2 Setor II – Atividade Agrícola ...............................................................77
3.1.3 Setor III – Atividade Agroindustrial .....................................................83
Capítulo 4 As principais cadeias de grãos, plantas ornamentais e 
 medicinais, frutas e bebidas .......................................91
4.1 Identificando, caracterizando e simulando as principais cadeias de grãos, 
 plantas ornamentais e medicinais, frutas e bebidas....................................93
4.2 Caracterização e simulação nas cadeias de grãos .....................................97
4.3 Caracterização e simulação nas cadeias de plantas medicinais e 
 ornamentais ..................................................................................................114
4.4 Caracterização e simulação nas cadeias de frutas e bebidas .................. 119
Apresentação
Prezado(a) aluno(a).
Para que possamos manter um ritmo de estudo que nos permita 
compreender o agronegócio de forma sistêmica, iniciaremos nos-
sas reflexões abordando alguns aspectos relativos à cadeia produ-
tiva: “antes, dentro e fora da porteira”.
Ao longo de nossas considerações, buscaremos conceitos e defi-
nições que possam nos esclarecer sobre as inúmeras facetas do 
agronegócio brasileiro; tão amplo, que nos permite cognominar 
este estudo de Complexos agroindustriais. Esperamos que você 
aprecie nossas considerações e que as utilize como ponto de par-
tida para maiores reflexões em torno do assunto.
No Capítulo 1, “Compreendendo o agronegócio brasileiro”, fare-
mos uma abordagem introdutória ao tema procurando justificar a 
formação dos complexos agroindustriais formados por setores in-
terligados: a atividade produtiva (compreendendo a agricultura e a 
pecuária) e a atividade industrial.
No Capítulo 2, “Entendendo os indicadores e o dimensionamento 
dos complexos agroindustriais de origem vegetal”, apresentaremos 
os conceitos e definições básicas para compreensão das cadeias 
produtivas. Nesse capítulo, serão abordados os princípios meto-
dológicos de estudo, caracterização e segmentação dos setores 
produtivos, dando ênfase para os produtos de origem vegetal.
VIII UNIUBE
No Capítulo 3, “Fronteiras de produção, segmentação e papéis dos 
principais atores nas atividades agroalimentares”, estudaremos as 
fronteiras agrícolas de produção e conheceremos as particularida-
des e características da regionalização produtiva, a forma como 
se dão os processos de segmentação das cadeias produtivas e a 
análise dos principais setores enfatizando os setores de insumos, 
produção agrícola e a agroindústria.
Você estudará ainda, o agronegócio brasileiro e como se formam 
as cadeias produtivas; onde se localizam e como interage cada ator 
em seus mais diferentes elos; aprenderá a identificar e a utilizar as 
políticas específicas e interventoras nos processos agroindustriais,bruto), enquanto que o setor de 
máquinas e equipamentos contribui com um Valor Adicionado para 
agropecuária em torno de R$ 1,55 bi (IBGE, 2005). 
46 UNIUBE
Esse setor é pouco intensivo em mão de obra. Estima-se que em-
preguem 480 mil pessoas em atividades relacionadas com o CAI, re-
presentando pouco mais de 2% sobre o pessoal ocupado em toda a 
extensão da cadeia produtiva. O Valor de Produção por trabalhador 
gira em torno de R$ 724 milhões refletindo a intensidade de capital e 
a produtividade do trabalho.
De modo geral, o SETOR I é definido como propulsor da cadeia pro-
dutiva, considerando a possibilidade de especificação de insumos em 
função do segmento produtivo, atividade local junto aos agropolos 
que são estruturas modernas de produção, que absorvem, geogra-
ficamente, alto grau de especialização da produção agropecuária, e 
relativa proximidade quanto à agroindústria, armazenamentos e dis-
tribuição e principalmente grau tecnológico aplicado. Nesse aspecto, 
entende-se que é o alvo de negociação no primeiro estágio de trans-
ferência insumo-produto na cadeia produtiva e receptor de um grande 
volume de financiamentos, dado às parcerias com instituições públi-
cas e privadas de acesso ao crédito.
Na visão macroeconômica, esse conjunto de empresas exerce um pa-
pel importante na consolidação do grau de abertura econômica, que 
se refere ao percentual de participação de uma determinada econo-
mia local no montante negociado em um período em escala global, 
totalizando volume importado e exportado, ou seja, potencializa as 
relações de comércio exterior à medida que tais tecnologias são inse-
ridas nas cadeias produtivas agroindustriais domésticas. Dentre elas, 
destacam-se a Petrobrás (segundo a divisão agrícola – ureia e com-
bustíveis, em geral), a Bunge Fertilizantes (sulfatos, nitratos, cloreto 
de potássio e fósforo), a Caterpilar (máquinas e implementos, peças, 
motores), Basf e Syngenta (moléculas, ingrediente ativo, substâncias 
farmacêuticas), conforme a Tabela 1. 
 UNIUBE 47
Geralmente essas empresas são beneficiadas pelo acordo de draw-
-back, conceituado como um regime de desoneração de impostos na 
importação vinculada a um compromisso de exportação. Dessa for-
ma, parte delas participa ativamente de atividades exportadoras na 
própria cadeia produtiva, como é o caso da Bunge Alimentos S.A.
Identificando os principais produtos importados (Tabela 2), destacam-
-se os combustíveis (que abastecem as indústrias de insumos, logísti-
ca, tratores e máquinas agrícolas) com 10,6%; as máquinas, peças e 
circuitos de processamento e informação (12,0%) e matérias-primas 
(para defensivos e fertilizantes) com 6,47%. Em geral, a participação 
desse grupo é cerca de 30% do montante de produtos absorvidos.
Tabela 1: Principais empresas importadoras relacionadas ao agronegócio (2004/2005)
Fonte: Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Ordem Discriminação
2005
U$ 
milhões
Part 
%
2004
U$ 
milhões
Part 
%
Var. %
(05/04)
2004 2005 Total Geral 73551 100,0 62835 100,0 17,1
1 1
Petrobrás Petróleo 
Brasileiro S.A.
8177 11,12 7123 11,34 14,8
5 11 Bunge Fertilizantes S.A. 665 0,9 734 1,17 - 9,4
12 12 Caterpilar Brasil Ltda. 600 0,82 482 0,77 24,5
18 15 Basf. S.A. 532 0,72 452 0,72 17,8
11 17
Syngenta Proteção 
de Cultivos Ltda
499 0,68 489 0,78 2,1
24 18 Cotia Trading 486 0,66 308 0,49 57,4
48 UNIUBE
Tabela 2: Principais produtos importados relacionados às cadeias vegetais (2005). Em 
U$ milhões
Discriminação
2005
US$ milhões
Participação (%)
Total geral 73551 100,0
Combustíveis 7845 10,66
Máquinas e implementos 4772 6,48
Máquinas e processadores 2940 3,99
Rolamentos e engrenagens 1130 1,53
Matéria-prima para defensivos 2329 3,16
Matéria-prima para fertilizantes 2433 3,30
Trigo em grãos 649 0,88
Total - agronegócio 22098 30,04
Fonte: Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
2.2.1.2 Fase II do CAI: o setor agropecuário
O SETOR II brasileiro, denominado como setor produtivo agrícola, 
compreende todas as etapas e segmentos relacionados à atividade 
agropecuária nas Unidades de Produção (UP). 
A Unidade de Produção (UP) é a firma de produção agropecuá-
ria “entendida como a área de terra onde a produção é realizada” 
(ALENCAR, 1990). 
De modo geral, pode-se atribuir a esse setor, a base da cadeia 
produtiva dado o foco dos diversos outros agentes (e anexos) que 
direcionam políticas (em linhas gerais) no sentido de prover estra-
tégias de coordenação inclusive desse setor (Figura 6).
Portanto, pode-se identificar quatro principais papéis atribuídos 
ao setor agrícola, caracterizando a dinâmica estrutural e comer-
 UNIUBE 49
cial das cadeias produtivas em geral. Primeiro, como comprador 
de insumos e alvo de serviços, pesquisas e assistência técnica 
público-privadas, de modo que o aporte tecnológico da cadeia ou 
sequenciamento produtivo são medidos através de índices técni-
cos aplicados no setor rural. Segundo, como agente de comercia-
lização dos produtos, de acordo com as regras de mercado, es-
tratégias de negociação e flutuações dos indexadores (contratos 
particulares, moedas, títulos, insumos).
O terceiro papel aplica-se à captação de recursos, créditos e sujei-
ção às políticas aplicadas pelo Estado. O quarto, aliado ainda à co-
mercialização da safra, refere-se à opção de repasse à agroindústria 
para fins de processamento, ou armazenamento como estratégia de 
escoamento e distribuição.
Figura 6: Detalhe de um esquema do setor agropecuário – setor a montante.
Do ponto de vista do dimensionamento do Setor II, o Valor da Pro-
dução da atividade agropecuária, tem se mantido estável, retratan-
do um cenário de profundas transformações, destacando cadeias 
de produção vegetal emergente e em franco avanço tecnológico 
(além de algumas tradicionais) como a cana-de-açúcar (R$ 2,5 bi), 
soja em grão (R$ 1,28 bi) e a celulose (R$ 4,8 bi).
O Consumo Intermediário da Agropecuária, isto é, o que se absorve 
de insumos para a produção do setor, representam 34,7% do Valor 
da Produção setorial. Em se tratando de adversidade do mercado, 
o setor de máquinas e equipamentos (-38,45%) e adubos (-11,0%) 
50 UNIUBE
são bastante afetados, sugerindo menor absorção de tecnologia 
por parte do Setor II. Já o setor de defensivos (16,4%) manteve a 
expectativa de produção (Tabela 3).
Tabela 3: Brasil: Indicadores da produção agroindustrial – 2005 (Base: 2004 = 100)
Fonte: Adaptado de IBGE (2005).
Setores Jan-Dez
Total da Agricultura 96,00
Produtos Industriais Derivados da Agricultura 98,96
Cana-de-Açúcar 96,37
Celulose 104,35
Fumo 98,35
Soja 98,72
Laranja 95,84
Trigo 102,98
Arroz 105,64
Milho 84,65
Produtos Industriais Utilizados pela Agricultura 79,47
Adubos e Fertilizantes 89,08
Máquinas e Equipamentos 61,55
Total da Pecuária 103,70
Produtos Industriais Derivados da Pecuária 102,92
Aves 103,00
Bovinos, Suínos e Outras Reses 100,79
Leite 106,25
Couros e Peles e Produtos Similares 100,91
Produtos Industriais Utilizados pela Pecuária 106,85
Rações, Suplementos Vitamínicos ou Semelhante 106,38
Produtos Veterinários, Dosados 109,18
Inseticidas, Herbicidas e Outros Defensivos P/Uso Agropecuário 116,24
Desdobramento da Madeira 94,88
Total da Agroindústria 99,06
Obs.: Os totais incluem produtos não discriminados na tabela. 
 UNIUBE 51
Considerando os diversos segmentos produtivos e papéis desem-
penhados em ambientes de negociação distintos, as Unidades de 
Produção também podem ser distintas quanto ao modelo de ges-
tão aplicado, os aspectos relacionados ao produto e, principalmen-
te, à medida da eficiência da própria atividade. Tais indicadores são 
constantemente abordados no Setor II, principalmente em cadeias 
produtivas competitivas, agroexportadoras (especialidades ou 
commodities) ou que, em geral, atendam mercados consumidores 
específicos e sofisticados.
Um dos principais indicadores é o relativo à produção propriamen-
te dita, relacionando custo versus benefício. Sabendo-se quehá 
diversos recursos na propriedade rural (pessoas, máquinas, terra, 
capital, benfeitorias), a expectativa se dá numa visão macro (quan-
to é necessário produzir para justificar a utilização de todos os 
bens) e numa perspectiva pontual (quanto posso tornar a atividade 
atual mais rentável). A primeira resolve uma questão da proprieda-
de, contabilizada com o fechamento da comercialização, enquanto 
que a segunda refere-se à medidas realizadas diariamente na exe-
cução de qualquer atividade de rotina.
Em toda e qualquer situação, o produtor rural (ou o ator referencial) 
que está devidamente inserido nesse contexto de cadeias agroin-
dustriais, planeja, organiza, controla, gerencia e registra tais ações, 
convivendo com um cenário de alto risco (mercado, clima), repleto 
de variáveis (RH, aporte tecnológico, custos) e ruídos (incertezas, 
despreparo). 
2.2.1.3 Fase 3 do CAI: o setor agroindustrial
Entende-se por Setor III brasileiro, as atividades relativas os proces-
sos agroindustriais. No conceito usado por Lauschner (1993), 
52 UNIUBE
é, em sentido amplo, a unidade de produção que 
transforma produtos agropecuários em bens finais 
de consumo ou de uso intermediário e, em sentido 
restrito, é a unidade que por um lado transforma 
produto agropecuário, o mínimo de 25% do total 
dos insumos utilizados.
No Brasil, setores com grande potencial para dinamização das expor-
tações são pertencentes, por exemplo, ao complexo da soja, citros, 
carnes, madeiras, café, açúcar e frutas (NUNES e CONTINI, 2000).
Didaticamente, o setor agroindustrial exerce um papel de recepção 
dos produtos in natura e, por definição, com baixo valor agregado, 
e, por fim, torna-o prontamente disponível ao consumo, ou para 
uma etapa industrial a seguir (Figura 7).
Figura 7: Detalhe de um esquema do Setor I, II e III.
Algumas atividades são destacadas quanto à fase agroindustrial, se-
gundo o tipo de produto, estratégia de mercado e acordos comerciais 
com clientes. De modo geral, as etapas são beneficiamento, proces-
samento e distribuição. O beneficiamento diz respeito aos procedi-
mentos de (I) recebimento da matéria-prima, (II) seleção dos materiais 
de acordo com os padrões mínimos, (III) classificação conforme o 
atendimento das especificações, tal como um parâmetro de remune-
ração, (IV) armazenamento segundo a definição do negócio. Nesse 
caso, se a prioridade é a comercialização in natura (via exportação), 
o passo seguinte é distribuição, caso contrário, com o atendimento da 
demanda industrial, esse material é direcionado ao processamento.
 UNIUBE 53
O processamento é a etapa relacionada com a transformação (parcial 
ou total) do produto, podendo adicionar ou agregar valor. Em qualquer 
estratégia (in natura ou processado) o armazenamento (estrutura es-
tática) a distribuição e escoamento da produção são importantes ativi-
dades, considerando as especificações de produto, modais de trans-
porte, aporte tecnológico e mercado consumidor direcionado.
O papel da agroindústria, em linhas gerais é prover o entendimento do 
mercado consumidor, suas tendências e necessidades e decodificar a 
cadeia produtiva, de modo que os atores do processo (Setor I, Setor 
II e Setor III) apresentem um comportamento competitivo, conside-
rando o ambiente de negócios em que as atividades estão inseridas. 
De acordo com a Tabela 4, com exceção para o setor de vestuário, 
calçados e artigos de couro, a atividade agroindustrial esboça um pa-
norama de crescimento do Valor da Produção inclusive maior que 
a média idas indústrias gerais, como é o caso de papel e celulose 
(18,4%;20,6%) em relação ao ano-base 2002.
Tabela 4: Brasil: Indicadores de produção industrial por seções e atividades (2005/2006)
Fonte: Adaptado de IBGE (2005).
Seções e Atividades de Indústria 2005 2006
Indústria Geral 111,8 114,3
Indústrias Extrativas 120,4 127,1
Indústria de Transformação 111,4 113,6
Alimentos 103,5 105,4
Bebidas 108,2 113,4
Fumo 108,5 111,3
Têxtil 103,1 105,8
Vestuário e acessórios 84,9 82,5
Calçados e artigos de couro 90,1 87,8
Madeira 108,6 103,0
Celulose, papel e produtos de papel 118,4 120,6
Refino de petróleo e álcool 101,6 104,9
Farmacêutica 106,3 110,4
Borracha e plástico 102,9 105,2
Índice Base Fixa Mensal (Número-Índice) Base: Média de 2002 = 100
54 UNIUBE
No entanto, como já foi citado, o setor de vestuários e calçados, em 
geral, projeta um fraco desempenho na produção, em função da per-
da de competitividade com outros mercados (China, principalmente) 
e dificuldades nas articulações na própria cadeia produtiva (política, 
sanitária, econômica).
Em se tratando de Pessoal Ocupado (PO), somente os setores agro-
alimentares e especificamente o de celulose, também reforçaram tal 
índice, inclusive na média salarial. Nas demais atividades, apesar do 
incremento produtivo (1996-2001), a remuneração ainda é baixa con-
siderando a quantidade de pessoas empregadas (Tabela 5).
Tabela 5: Brasil: Variáveis por agrupamento de classes industriais (1996-2001)
Agrupamentos de 
classes de indústrias
1996 2001
Pessoal 
ocupado
Salários VTI
Pessoal 
ocupado
Salários VTI
(mil 
pessoas)
(milhões de reais)
(mil 
pessoas)
(milhões de reais)
Indústria geral 5056 47566 160439 5367 62868 292606
Agroindústria restrita 770 5772 23856 781 6919 40447
Alimentos 433 2935 13103 491 3712 22240
Fumo 21 259 1751 16 286 2515
Beneficiamento 
de fibras têxteis 4 26 100 4 31 164
Curtimento de couro 34 187 483 33 234 1022
Desdobramento 
da madeira 72 219 609 90 430 1291
Celulose 12 219 1073 9 265 2936
Produção de álcool 106 682 2396 44 352 2008
Química 31 606 2674 34 832 5257
Máquinas 58 638 1668 61 777 3013
Fonte: Adaptado de IBGE (2001).
 UNIUBE 55
2.3 Impactos intersetoriais do CAI
A importância do complexo agroindustrial reside, também, em sua 
capacidade de impulsionar outros setores. Como já foi dito ante-
riormente, existe forte relação entre os setores fornecedores de 
insumos, a atividade agropecuária e o setor agroindustrial, em se 
tratando de insumo – produto e mercados. Portanto, na Figura 8 é 
possível observar a variedade de atividades econômicas que de-
pendem de insumos da agropecuária para realizarem sua própria 
produção. A leitura que se faz é a seguinte: para cada 1000 unida-
des de demanda final dos setores agroindustriais (indústria do café, 
têxtil etc.) é requerido que a agropecuária produza x unidades para 
atender àquela demanda.
Na Figura 9, está quantificada tal relação numa perspectiva simulató-
ria. Essa compreensão da proposta de relações econômicas e a sua 
quantificação são de vital importância para a percepção da importân-
cia que o CAI exerce sobre a economia brasileira como um todo, além 
de subsidiar intervenções e ações coordenadoras nos diversos am-
bientes produtivos.
Figura 8: Relações intersetoriais do CAI brasileiro.
Fonte: Adaptado de Nunes e Contini (1998).
56 UNIUBE
Figura 9: Simulação das relações intersetoriais do CAI brasileiro.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Resumo
O complexo agroindustrial é dividido em elos ou cadeias. Cada uma 
destas partes irá estudar um conjunto específico de empresas, indús-
trias, prestadores de serviços e instituições de pesquisas, responsá-
veis pela produção, distribuição, armazenamento, processamento e 
comercialização dos produtos agropecuários.
Complexo Agroindustrial (CAI) é uma estrutura econômica secciona-
da em três grandes fases, mas deve ser visto numa dimensão única. 
Tomando a agropecuária como referência, colocada no centro do pro-
cesso, as três fases se compõem: a 1ª fase, à montante da agropecu-
ária; a 2a fase, que é a agropecuária; e a 3a fase, que é a comercializa-
ção ou fase a jusante da agropecuária.
De modo geral, a análise da cadeia produtiva numa leitura sistêmica, 
remete à identificação dos atores, seus respectivos papéis, coordena-
Indústria 
do café
 UNIUBE 57
Atividades
Atividade 1
Marque a alternativa correta.
a) ( ) O Setor I fornece insumos para o setor agropecuário, sendo 
por definiçãoexportador de matérias-primas e maquinários;
b) ( ) O Setor III pode ser definido como um conjunto de empre-
sas agroindustriais que invariavelmente obtêm um desem-
penho econômico acima da média industrial brasileira.
c) ( ) O Setor II é, por definição, o conjunto de atividades agrope-
cuárias desempenhadas a partir da absorção de tecnologia 
e insumos, resultando na escala de bens primários e de bai-
xo valor adicionado.
d) ( ) O Estado e o Mercado Financeiro, no caso das cadeias 
agroindustriais são exclusos por não exercerem regulação 
nos processos produtivos.
Atividade 2
Qual o enfoque dado na definição de CSA (Commodity System Ap-
proach) quanto à mudança de perfil da atividade agrícola moderna.
Atividade 3
Quais mudanças ocorreram na conjuntura político-econômica seto-
rial no país, com a inserção da “visão sistêmica”.
ção e orientação das atividades na segmentação insumo-produto e, 
finalmente, o consumidor. Portanto, o dimensionamento estrutural dos 
CAIs de origem vegetal, perpassa pela compreensão de indicadores 
(preços mínimos, relações de troca) aplicados a cada setor da cadeia 
em evidência.
58 UNIUBE
Atividade 4
Defina os quatro subsetores apresentados no conceito de filière 
(visão sistêmica) exemplificando atores participantes.
Atividade 5
Marque V para verdadeiro ou F para falso.
( ) A completa inter-relação entre setores produtivos é restrita à 
cadeia produtiva relacionada ao seu insumo principal;
( ) A competitividade dos CAIs brasileiros é uma tendência funda-
mentada historicamente, ou seja, desde a organização fundiá-
ria colonial;
( ) A agroindústria é o setor responsável pela transformação total 
ou parcial de um produto agropecuário em um bem de consu-
mo final;
( ) Exatamente no setor agropecuário é onde ocorrem as princi-
pais reflexões sobre a tomada de decisão, tal como um ponto 
de partida na sustentação da competitividade.
Referências
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- O Agribusiness Brasileiro, São Paulo: Agroceres, 1990. 238p.
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KAGEYAMA, A..; e outros (Editores). O novo padrão agrícola 
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Agribusiness europeu. São Paulo, Pioneira, 1996, p.1-15.
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das contas nacionais no Brasil. Campinas, SP: 1998. Tese 
(Doutorado) - Universidade Estadual de Campinas. 
____. Dimensão do Complexo Agroindustrial Brasileiro. Artigos 
da Associação Brasileira de Agribusiness, ABAG, outubro de 2000.
SILVA, J. G. da. A nova dinâmica da agricultura brasileira. 
Campinas, Instituto de Economia, Unicamp, 1996.
Fabrício Pelizer de Almeida
Vânia Aparecida Borges Weitzel
Introdução
Fronteiras de produção, 
segmentação e papéis 
dos principais atores nas 
atividades agroalimentares
Capítulo
3
Contando com seus 8.514.877 km2, o Brasil é o país de ter-
ritório mais extenso da América do Sul, o terceiro das Améri-
cas e o quinto do mundo, na classificação em que a Rússia, 
com (17.098.242 km2) ocupa a 1ª posição, seguida do Cana-
dá (9.984.670 km2), da China (9.640.011 km2) e os Estados 
Unidos (9.629.091 km2). (REBOUÇAS, 2010).
O litoral brasileiro é banhado pelo Oceano Atlântico, ten-
do 9198 km de extensão, com inúmeras reentrâncias com 
praias, falésias, mangues, dunas, recifes, baías, restingas 
etc. Praticamente o ano todo o litoral brasileiro possui condi-
ções favoráveis à navegação.
Assim, ele possui um imenso espaço geográfico diferencia-
do. A imensa diversidade de relevos, fauna, flora e clima, 
numa natureza bastante diversificada, aglutina num mesmo 
espaço territorial lugares muito quentes e secos com vegeta-
ção pobre e escassa; lugares quentes e úmidos com vegetal 
florestal e grandes rios; e, lugares frios caracterizados por 
florestas de pinheiros.
62 UNIUBE
Entretanto, estes não são os únicos motivos responsáveis pela 
divisão do espaço territorial. Existe também outro motivo além 
da variedade de paisagens que é a própria sociedade: a ação 
do homem, suas culturas diferentes que diferenciam o espaço 
geográfico em si, tanto quanto as paisagens que ocupam.
Em nosso país, algumas destas áreas foram ocupadas pela 
economia moderna e acabaram modificadas pela ação social 
dos seus ocupantes que criaram cidades, construíram pontes, 
rodovias, ferrovias e indústrias. Em outras regiões, as pessoas 
acabaram dedicando-se mais à produção agrícola e pecuária.
Estas opções ou aptidões por determinado tipo de produção 
(agrícola ou industrial) aliados às características geográficas 
de cada região é o ponto de partida para nossos estudos.
O termo fronteira é bastante dinâmico, mas, pode-se afirmar 
que foi, através da dilatação das fronteiras que se iniciou todo 
o processo de povoamento, ocupação e desenvolvimento do 
nosso país.
No caso da região Sul, por exemplo, as atividades agrícolas tive-
ram seu início no litoral, bem antes da chegada dos imigrantes 
europeus. Após o século XIX houve um grande fluxo de imigran-
tes europeus, sobretudo, italianos, poloneses, alemães, entre 
outras nacionalidades. Esses colonos receberam glebas de ter-
ra, onde desenvolveram principalmente as policulturas, a mão de 
obra usada era a familiar. Culturas com característica de clima 
subtropical como o trigo e a uva tinham como destino o abasteci-
mento do mercado local. 
Recentemente houve muitas mudanças na configuração do es-
paço agrário sulista, em diversos casos as policulturas deram 
lugar às monoculturas. A principal cultura responsável por esse 
processo é a soja. A produção deixou de ser destinada ao mer-
SAIBA MAIS
 UNIUBE 63
cado regional para se tornar produtos de exportação. Além disso, 
as propriedades que anteriormente eram de pequeno e médio 
porte, tornaram-se grandes latifúndios, uma vez que grandes fa-
zendeiros e empresas agrícolas compraram as glebas de terra 
dos descendentes dos colonos, promovendo assim a concentra-
ção fundiária na região. O trabalho deixou de ser predominante-
mente familiar para ser mecanizado.
Esse processo conduziu um elevado número de trabalhadores e 
ex-proprietários de terras a migrar em direção às cidades, pro-
movendo assim o fenômeno migratório denominado de êxodo ru-
ral, sem contar o grande número de migrantes sulistas que foram 
para outras regiões do Brasil, como o Centro-Oeste e o Norte, 
promovendo a expansão da fronteira agrícola do país. Mesmo 
com os problemas apontados, a região Sul continua desempe-
nhando um grande papel na produção agrícola, pelo menos 70% 
do trigo e da soja do Brasil são oriundos dessa parte do país, 
além da produção de uva que responde por 65% do que é produ-
zido nacionalmente, incluindo cerca de 50% do milho e do arroz 
(FREITAS, 2011).
Objetivos
Ao final destes estudos, esperamos que você seja capaz de:
• definir o perfil das principais fronteirasde produção;
• delinear a segmentação das atividades relacionadas às 
cadeias produtivas e os principais segmentos produti-
vos numa abordagem contextual;
• propor uma abordagem crítica de políticas e ações co-
ordenadoras nos processos agroindustriais;
• reconhecer e inferir sobre os papéis dos diversos ato-
res nas cadeias agroindustriais;
• expor segmentos e setores produtivos na proposta de 
uma leitura sistêmica dos complexos agroindustriais.
64 UNIUBE
Esquema
3.1 Fronteiras de produção, segmentação e papéis dos princi-
pais atores nas atividades agroalimentares
3.1 Fronteiras de produção, segmentação e papéis dos 
principais atores nas atividades agroalimentares
Conforme já estudamos, as cadeias produtivas são ilustradas numa 
perspectiva de relações intersetoriais, sugerindo que há intenso flu-
xo de valor (informações, tecnologia, insumos) entre os diversos 
atores do processo. Na Figura 1, reforçamos o contexto de cadeia 
produtiva, ressaltando os setores envolvidos, bem como a matriz 
insumo-produto, abrindo precedentes para o estudo segmentado e 
análise setorial.
Figura 1: Detalhe de um esquema do Setor I, II e III e anexos.
 UNIUBE 65
3.1.1 Segmentação de mercado
3.1.1.1 Setor I – Insumos para agricultura
A partir da segmentação de mercado, ou seja, a caracterização de 
produtos, e potencial de atendimento conforme perfil do cliente, é pos-
sível traçar modelos de fronteiras de produção. Nessa perspectiva, 
a proposta textual é de discutir cada negócio que compõe a matriz-
-produto nas principais cadeias produtivas de origem vegetal, iden-
tificando atores e representantes, histórico produtivo, expectativa de 
alinhamento quanto às mudanças ocorridas nas vias produtivas e co-
merciais.
Pesquisa e assistência técnica
Prioritariamente, cabe uma ressalva ao papel da pesquisa e da as-
sistência técnica, desenvolvidas pelo Estado (governo) e pela inicia-
tiva privada, com objetivos próprios e os mais diversos, que resultam 
no objetivo maior, que é o aumento da eficiência produtiva. De acor-
do com Lício (1998), a agricultura brasileira desenvolveu-se até me-
ados de 1980, em parte por meio da importação e adaptação pouco 
proveitosa de tecnologias desenvolvidas em outros países.
Vale ressaltar, em se tratando de assistência técnica, o papel da 
extinta EMBRATER (Empresa Brasileira de Assistência Técnica e 
Extensão Rural) de difusão do conhecimento técnico às pequenas 
propriedades e promover o desenvolvimento sustentável das comu-
nidades rurais. Desse modo, parece indissociável a presença do Es-
tado na delimitação temporal das fronteiras agrícolas até 1986. 
A partir de 1991, quando a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesqui-
sa Agropecuária) assumiu as funções da extinta EMBRATER, ao mes-
mo tempo em que as EMATERs (Empresas de Assistência Técnica e 
66 UNIUBE
Extensão Rural) consolidavam as suas participações nos estados, o 
governo passou a priorizar a pesquisa, repassando à iniciativa privada 
a assistência técnica de modo efetivo (PORTILHO, 1998).
Relativo à pesquisa gerada pelo setor público no Brasil, Pinazza e 
Alimandro (1999), afirmam que o grande empecilho consiste na fal-
ta de fundos sistematizados, contínuos e crescentes destinados à 
pesquisa agropecuária. Países como Estados Unidos, Austrália, Ho-
landa, Canadá, e Reino Unido investem em pesquisa agropecuária 
acima de 3% de seu PIB agrícola.
Tanto a Fase I quanto a Fase II são consumidoras de pesquisa ao 
nível de campo e mercado, desenvolvida pelo Estado ou por empre-
sas particulares. Nessa última, enquadram-se pesquisas referentes 
ao mercado de defensivos, sementes, máquinas e implementos, ra-
ções, medicamentos e fertilizantes, entre outros. Destaca-se tam-
bém, nesse momento, a intervenção de agências de marketing e 
propaganda, no sentido mensurar a aceitação de mercado e propos-
ta de novos produtos. Estas últimas, com forte presença nos princi-
pais agropolos, aprimorou suas atividades a partir da década de 90. 
No caso da pesquisa gerada junto às empresas estatais (EMBRAPA), 
institutos de pesquisa (IAC, IAPAR) e universidades (UNESP, UFLA, 
UFV), percebe-se maior acessibilidade aos dados, exceto na evidên-
cia de convênios particulares. Dessa forma, a pesquisa no país possui 
um enfoque comercial, voltado à melhoria de produtos e avaliação de 
resultados, como também uma conotação ampla no sentido de dispor 
ao produtor rural novos materiais genéticos, atestado de eficiência das 
marcas comerciais e recomendação de boas práticas.
 UNIUBE 67
Sementes e mudas
A indústria de sementes no Brasil iniciou suas atividades por volta 
de 1940, e se desenvolveu a partir de 1965 com o advento das exi-
gências quanto ao uso de sementes melhoradas para a obtenção 
do crédito rural. Em 1975, quando o governo suspendeu essa nor-
mativa, a indústria sofreu um expressivo declínio, recuperando-se 
totalmente a partir de 1985, com o avanço das áreas de grãos e assi-
milação pelos produtores de técnicas eficientes de produção (plantio 
direto, tratamento de sementes, herbicidas pré-emergentes). 
Na década de 80, com o avanço de áreas no centro-oeste e o forta-
lecimento do acesso ao crédito, a produção de sementes no Brasil 
cresceu cerca de 23,0%. No entanto, no início da década seguinte, 
o setor apresentou queda voltando à mesma faixa, em torno de 1,4 
mi de toneladas, mantendo-se estável nos últimos anos (Figura 2).
Figura 2: Brasil: Produção de sementes das principais culturas (milhões de 
toneladas).
Fonte: Adaptado de ABRASEM (2006).
68 UNIUBE
Em se tratando de comercialização em função do nível tecnológico 
empregado, a relação entre sementes-grãos, fiscalizadas e certifi-
cada/básica (são materiais obtidos da reprodução da semente ge-
nética, garantida a fiscalização do campo de produção e certifica-
ção pelo Ministério da Agricultura (MAPA), segundo a ABRASEM 
(2006)), quanto ao indicador de preço mínimo praticado, é altamente 
significativa. No caso da semente de soja, por exemplo, a variação 
gira em torno de 57% no preço, enquanto que no algodão e no milho 
esse percentual é de 76% e 84%, respectivamente (Tabela 1). 
Tais diferenças remetem à justificativa de diferenças nas diversas 
regiões produtoras em função do aporte tecnológico empregado. 
Entende-se que o indicador em questão define agropolos que op-
tam por materiais certificados (cerca de 95%), enquanto que regiões 
agrícolas mais pobres, ou recentemente afetadas por crises econô-
micas adquirem materiais de baixo potencial produtivo.
Produto /
Safra
Início da 
Operação Grãos Fiscalizada Certificada/
Básica
2004/05 2005/06 2004/05 2005/06 2004/05 2005/06 2004/05 2005/06
Algodão fev/05 fev/06 0,16 0,16 0,65 0,65 0,69 0,69
Amendoim dez/04 dez/05 0,64 0,64 2,05 2,05 2,41 2,41
Arroz 
Longo 
Fino
fev/05 fev/06 0,40 0,40 0,77 0,77 0,83 0,83
Arroz 
Longo fev/05 fev/06 0,19 0,19 0,51 0,51 0,55 0,55
Feijão 
Anão nov/04 nov/05 0,78 0,78 1,32 1,32 1,50 1,50
Girassol nov/04 nov/05 0,29 0,29 8,49 8,49 9,98 9,98
Juta/Malva fev/05 fev/06 0,00 0,00 3,98 4,31 – –
Milho 
Híbrido fev/05 fev/06 0,22 0,22 1,34 1,34 1,39 1,39
Tabela 1: Brasil: Preços Mínimos de Sementes, em R$/kg
 UNIUBE 69
Fonte: Adaptado de CONAB (2006).
Milho 
Variedade fev/05 fev/06 0,22 0,22 0,73 0,73 0,77 0,77
Soja fev/05 fev/06 0,23 0,23 0,50 0,50 0,54 0,54
Sorgo 
Híbrido fev/05 fev/06 0,16 0,16 1,16 1,16 1,19 1,19
Sorgo 
Variedade fev/05 fev/06 0,16 0,16 0,56 0,56 0,59 0,59
Cevada jul/05 – 0,28 – 0,40 – 0,43 –
Trigo jun/05 – 0,33 – 0,85 – 0,92 –
Triticale jul/05 – 0,22 – 0,37 – 0,40 –
Atualmente, a produção se desenvolve com poucas firmas de gran-
de porte que detêm a pesquisa (melhoramento genético, transge-
nia) e mantêm campos de produção de sementes em parceria com 
grandes produtores rurais. Com isso, é possível realizar in loco dias 
de campo e avaliações de materiais com maior potencial produtivo. 
Evidentemente, o objetivo dessas empresas é o de sustentar a ativi-
dade agrícola altamente tecnificada. 
Defensivosagrícolas
O segmento de produção e venda de defensivos agrícolas no país, 
está relacionado com o incremento tecnológico sugerido nos últimos 
anos. Anterior à década de 90, gama de produtos comercializados 
era bastante restrita, não ultrapassando US$ 1,0 bi em receita. A 
partir de 93 (aqui serão consideradas as classes de acordo com a 
especificidade de controle: herbicidas – plantas daninhas, fungicidas 
– doenças causadas por fungos, inseticida – pragas, acaricida – áca-
ros), coincidindo com o período de abertura comercial e mudanças 
no perfil econômico e comercial brasileiro, as vendas de defensivos 
aumentaram consideravelmente, aliadas à proposta de importação 
de novas moléculas e ingredientes ativos (Figura 3).
70 UNIUBE
Figura 3: Vendas de defensivos agrícolas no Brasil.
Fonte: Adaptado de SINDAG (2006).
Dentre as principais culturas que movimentam o mercado de defen-
sivos, destacam-se, de acordo com a figura 4 e 5, soja (50%), al-
godão (10%), milho e cana (7,0% cada). Os herbicidas (40,0%) e 
fungicidas (31%) são os produtos de maior volume comercializado.
Figura 4: Venda de defensivos agrícolas, por classe – 2004.
Fonte: Adaptado de SINDAG (2004).
 UNIUBE 71
Apesar de um aquecimento no segmento após 95, nos últimos 2 anos, 
o compasso de crescimento tem demonstrado um perfil de retroação, 
no sentido do volume de vendas e, principalmente, na quantidade de 
produtos comerciais (Tabela 2) e moléculas importadas (Figura 6). Tal 
variação negativa no total de importação dos produtos (-22,05%), prin-
cipalmente fungicidas (-32,66%), remete a uma profunda análise das 
principais cadeias produtivas, no sentido de dimensionar momentos de 
“depressão” na produção, sabendo-se que, nos últimos anos, há uma 
forte tendência de aumento na ocorrência de problemas fitossanitários.
Tabela 2: Importação de defensivos agrícolas no Brasil
Classes
Quantidade (em mil kg/l) Variação percentual
2001 2002 2003 2004 2005 05/01 05/02 05/03 05/04
Total 76.454 64.355 100.384 164.833 128.491 68,06 99,66 28,00 -22,05
Herbicidas 44.619 33.641 57.181 98.257 76.961 72,48 128,77 34,59 -21,67
Fungicidas 9.527 11.181 18.771 31.496 21.209 122,62 89,69 12,99 -32,66
Inseticidas 17.310 14.816 21.358 31.571 28.057 62,09 89,38 31,36 -11,13
Acaricidas 4.233 4.094 2.388 2.482 1.760 -58,42 -57,01 -26,31 -29,09
Outros 765 623 686 1.027 503 -34,22 -19,17 -26,61 -50,99
Figura 5: Venda de defensivos agrícolas, por cultura – 2004.
Fonte: Adaptado de SINDAG (2004).
Fonte: Adaptado de SINDAG (2006).
72 UNIUBE
Figura 6: Importações – ingredientes ativos.
Fonte: Adaptado de SINDAG (2006).
Algumas causas podem evidenciar tal comportamento, a saber, (I) a 
crise produtiva do setor rural brasileiro, seguida pelas baixas cotações 
das principais commodities, (II) irregularidade no uso de defensivos 
agrícolas, dado o alto custo de aquisição, (III) relativa fase estacionária 
da produção de grãos nacional, após franca expansão, apesar da di-
minuição de área em algumas culturas e (IV) cortes profundos no uso 
desta tecnologia em algumas regiões. 
Essa conjectura de crise no setor rural é o reflexo da controversa po-
lítica cambial do governo, que em determinado período de aquisição 
dos produtos em 2005, manteve a cotação do dólar desvalorizada 
frente ao real (R$ 3,00 – R$ 3,15), e, logo em seguida, no primeiro 
semestre de 2006, permitiu a franca valorização da moeda estran-
geira em relação à nacional, coincidindo com os meses de intensa 
comercialização. Portanto, a expectativa de manutenção do cenário 
anterior (crescimento de 38,8%), não foi confirmada, uma vez que as 
importações e vendas internas de defensivos decresceram significa-
tivamente, (- 23,8%), conforme Figura 7.
 UNIUBE 73
Figura 7: Venda de fertilizantes no Brasil (1988 – 2005).
Fonte: Adaptado de ANDA (2006).
Fertilizantes
No caso das empresas que comercializam fertilizantes, as vendas 
nos últimos 18 anos evoluíram gradativamente, principalmente com 
o “salto de produção”, a partir de 2000, dado o grau de avanço nas 
exportações das principais commodities. Tal crescimento (cerca de 
28,0%, entre 2000 e 2004) é proporcional à expectativa de avanço 
de áreas, condições favoráveis de comercialização e, principalmen-
te, necessidade de incremento tecnológico (Figura 8).
No entanto, via de regra para os principais insumos, o ano agrícola 
2005/2006 representou uma queda de 11,3% em comparação ao 
ano anterior, com destaque para os percentuais baixos no segundo 
trimestre. Isso se deve a quatro fatores fundamentais: (I) baixa liqui-
dez na venda da safra no período (II) pouca adesão de produtores ao 
plantio de safrinha ou em área irrigadas, (III) indefinição de política 
agrícola do governo, referente ao crédito e custeio e, finalmente, (IV) 
um sensível aumento dos índices de troca nos últimos 2 anos nas 
principais culturas (Tabela 3). O resultado desse conjunto de fatores, 
(Tabela 4 e 5) é um cenário de retração do negócio, tanto em importa-
ção (-24,0%) quanto em produção (-8,5%).
74 UNIUBE
Tabela 3: Brasil: Relação de troca de fertilizantes e produtos agrícolas (2002/2005)
Unidade 2002 2003 2004 2005
Algodão c/ caroço 15 kg 42,3 33,4 37,1 39,6
Arroz em casca Saco de 60 kg 21,3 18,4 20,4 22,8
Batata Inglesa Saco de 60 kg 11,6 12,7 16,9 11,4
Café Arábica Saco de 60 kg 4,0 3,7 3,6 2,5
Cana-de-açúcar Saco de 60 kg 18,4 20,4 26,7 21,5
Feijão Saco de 60 kg 5,2 5,7 8,1 5,9
Laranja Saco de 60 kg 39,3 45,5 63,8 52,6
Milho Saco de 60 kg 30,8 32,7 41,7 37,4
Soja Saco de 60 kg 15,6 15,5 17,3 19,8
Trigo Saco de 60 kg 21,5 21,7 29,3 28,8
Fonte: Adaptado de ANDA (2006).
Máquinas e implementos agrícolas
A difusão do uso de máquinas no Brasil ocorreu paralelamente ao 
processo de industrialização da agricultura, pós-65. Até então, o 
número desses equipamentos era insignificante. Com o advento do 
plantio direto e fortes incentivos governamentais, o salto nas ven-
das quadruplicou em 6 anos, (Figura 8) principalmente na modali-
dade de tratores de rodas (78,0%). Nessa época, com a abertura 
das importações tecnológicas, o país dispôs das primeiras colhei-
tadeiras, cerca de 5.315, em 1976.
 UNIUBE 75
Figura 8 : Brasil: cenário do setor de máquinas agrícolas (1960-2005).
Fonte: Adaptado de ANFAVEA (2006).
Nos anos seguintes, o setor experimentou ciclos (de aproximada-
mente 4 anos cada) de vendas, influenciados por dois fatores impor-
tantes como (I) a política de importação do governo, sustentada pelo 
comportamento cambial, taxa de juros e taxas nesse tipo de transa-
ção e (II) cenário de comercialização das principais commodities, ou 
seja, em função do retorno e receita dos produtores rurais em um 
determinado período.
Somente após 2000, a diferença entre o produzido x comercializado 
(mercado doméstico), definiu um cenário de exportação acima dos 
níveis praticados historicamente, até que, em 2005, as exportações 
superaram as vendas internas dos produtos. Isso se deve ao cres-
cente aporte tecnológico da indústria de máquinas nacional e a crise 
setorial no campo.
Tais afirmações são confirmadas na verificação do impacto desses 
equipamentos na relação de troca por produtos agrícolas nos últimos 
anos, conforme a Tabela 4. No caso da soja (sc/60 kg), por exemplo, 
essa relação aumentou em 52,7% comparando com 2002.
76 UNIUBE
Tabela 4: Brasil: Relação de troca de máquinas e produtos agrícolas, (2000/2005)
Fonte: Adaptado de CONAB (2005).
Uma forte tendência nos principais polos de produção e distribuição de 
insumos é a oligopolização do mercado, ou seja, há um intenso con-
trole de matéria-prima, exclusão de firmas de menor porte e extensão, 
e, principalmente, a concorrência acirrada entre grandes multinacio-
nais. Esse parece ser o cenário no qual a maioria dos atores do Setor 
I estão inseridos, a saber, empresas de fertilizantes, defensivos (PINA-
ZZA e ALIMANDRO, 1999) e máquinas agrícolas (MULLER, 1986).
Período
Produtos
Arroz 
sequeiro 
(sc 60 kg)
Arroz 
irrigado 
(sc 50 kg)
Milho(sc 60 kg)
Soja 
(sc 60 kg)
Trigo 
(sc 60 kg)
Médias anuais
2000 9.436 8.384 11.244 7.037 9.056
2001 8.693 8.001 16.025 6.543 8.729
2002 7.667 7.203 10.604 4.972 6.507
2003 6.532 6.217 14.987 6.177 8.539
2004 7.496 8.392 18.639 7.692 11.837
Dados mensais
NOV/2004 8.419 9.245 21.463 9.815 13.947
DEZ/2004 9.026 9.658 22.780 10.019 14.441
JAN/2005 9.451 10.786 22.276 9.950 14.798
FEV/2005 10.138 11.343 21.770 10.784 15.187
MAR/2005 9.780 11.203 18.537 9.210 14.077
ABR/2005 10.362 11.145 18.233 10.153 12.929
MAI/2005 11.867 12.102 18.316 10.518 13.430
JUN/2005 12.227 13.267 18.091 9.885 14.264
JUL/2005 12.333 13.727 18.441 10.050 14.833
AGO/2005 12.335 13.388 19.316 10.508 14.840
SET/2005 12.586 14.193 19.870 11.258 15.885
OUT/2005 12.832 14.976 21.926 11.634 16.577
NOV/2005 12.832 15.265 24.445 11.890 16.805
Média NOV 
(2001/2005) 8.235 8.853 16.998 7.381 11.123
 UNIUBE 77
3.1.2 Setor II – Atividade Agrícola
Conforme Muller (1986), Alves (1988), Carvalho (1992), Lauschner 
(1993), Marques e Aguiar (1993), a estrutura da produção agrícola (UP) 
pode ser estratificada em dois módulos. O primeiro é relacionado ao 
modelo capitalizado e empresarial, focado em produtos exportáveis e 
matérias-primas agroindustriais em grande escala. O segundo grupo é 
identificado por pequenos produtores de bens de subsistência (Tabela 5).
Tabela 5: Brasil: Percentuais da produção advindos dos estratos até 100 ha e mais de 
100 ha
Produtos 100 ha (patronal) Mercado relevante
Algodão 44,5 55,6 Externo
Amendoim 76,3 23,7 Interno
Arroz 29,1 70,9 Externo
Batata 63,2 36,8 Interno
Cacau 55,9 44,1 Externo
Café 54,3 45,7 Externo
Cana 12,0 88,0 Externo
Cebola 93,5 6,5 Interno
Feijão 71,0 29,0 Interno
Fumo 98,4 1,6 Externo
Laranja 37,5 62,5 Externo
Mandioca 85,0 15,0 Interno
Milho 44,4 55,5 Interno
Soja 25,1 75,0 Externo
Sisal 82,0 18,0 Interno
Tomate 67,3 32,7 Interno
Trigo 45,4 54,6 Externo
Uva 90,7 9,4 Interno
Fonte: Adaptado de Silva (1996).
78 UNIUBE
No entanto, alguns instrumentos de minimização dos riscos de mer-
cados, referentes aos pequenos produtores, são amplamente difun-
didos no setor. Podem ser citadas as integrações verticais, nego-
ciação conjunta (via cooperativa, associação), contratos temporários 
de fornecimento de produtos, entre outros. De modo geral, esses 
anexos são possibilidades interventoras voltadas à comercialização 
dos produtos in natura ou artesanalmente processados, não impe-
dindo um eventual atrelamento desses atores ao Setor III, captados 
facilmente em um planejamento estratégico.
Na perspectiva geográfica, as UPs alusivas ao modelo empresarial, 
são determinantes na distribuição estratégicas das empresas do Se-
tor I e Setor III, ou seja, à medida que são delimitadas as fronteiras 
de produção agrícola, o planejamento de insumos para o campo e o 
abastecimento agroindustrial também são alocados territorialmente, 
de modo que a vocação produtiva e o perfil dos atores do Setor II 
são fundamentais para a configuração espacial das diversas indús-
trias no país (Figura 9).
Figura 9: Brasil: regionalização produtiva.
 UNIUBE 79
De acordo com a Figura 9, são identificados 5 regiões com perfis di-
ferenciados quanto ao modo de produção, negócio principal da ativi-
dade rural, proximidade das indústrias de insumos e, finalmente, ca-
pacidade de escoamento da produção, de acordo com os mercados 
consumidores. Lembrando que, em se tratando de cadeia produtiva, 
o reconhecimento das especificidades regionais é fundamental para 
atribuir potencial produtivo, definir planos agrícolas por produto, ca-
racterísticas aplicadas de linhas de créditos e foco de estudos e in-
vestimentos financeiros.
Região 1 – SUL
A região Sul do Brasil é formada essencialmente por pequenas e 
médias UPs, voltadas para a produção de grãos como (milho, soja, 
trigo) e frutas temperadas (uva, pêssego, maçã), conforme apresen-
tado na Tabela 6. O primeiro grupo é voltado para exportação (com 
exceção do trigo), sendo que os demais são para o abastecimento 
interno. Há forte presença da mão de obra familiar (fruticultura), com 
ampla adesão de tecnologia, (transgenia e plantio direto).
Historicamente, a região é marcada por colonos italianos, alemães e 
portugueses que, além das inovações técnicas aplicadas à produção 
agropecuária, influenciaram na organização da classe em sindica-
tos, associações e principalmente o cooperativismo. Talvez por isso a 
grande concentração de empresas de insumos como sementes, fer-
tilizantes, defensivos e maquinários (principalmente RS e PR), desde 
os anos 60.
As principais ameaças identificadas na região, estão relacionadas 
ao intenso comércio de sementes e defensivos ilegais (podendo 
comprometer índices de produtividade), questões agrárias (invasões 
de terra e de empresas voltadas à atividade de reflorestamento) e 
problemas climáticos (que comprometem o potencial produtivo das 
principais lavouras).
80 UNIUBE
Tabela 6: Brasil: Comparativo de área, produtividade e produção de grãos – selecionados
Fonte: Adaptado de CONAB (2006).
Região 2 – SUDESTE
O perfil da região sudeste pode ser segmentado em três principais po-
los de produção: o primeiro, baseado na citricultura nacional agroex-
portadora, principalmente no interior de São Paulo; o segundo, focado 
na cafeicultura diferenciada em três extratos – sul de Minas, triângulo 
mineiro e oeste paulista – com especial representatividade junto à ex-
portação; e, por último, uma fração produtora de grãos (soja, milho, 
feijão, arroz), fibras (algodão) e com forte expectativa de substituição 
por cana-de-açúcar, abrangendo o triângulo mineiro, alto paranaíba, 
noroeste de Minas e paulista.
Nesse contexto, pode-se inferir quatro características importantes 
sobre o modo de produção. A primeira, refere-se à representativi-
dade agroeconômica da região, e ao suporte para a expansão da 
fronteira agrícola no centro-oeste; a segunda, refere-se ao desafio 
logístico por integrar diferentes regiões produtoras, apesar da ca-
Região/
UF
Área (em mil ha) Média (em kg/ha) Produção (em mil t)
04/05 05/06 Var % 04/05 05/06 Var % 04/05 05/06 Var %
Norte 1.937,9 1.706,5 (11,9) 2.164 2.062 (4,7) 4.193,9 3.519,7 (16,1)
Nordeste 7.953,1 7.941,4 (0,1) 1.263 1.241 (1,7) 10.046,7 9.856,6 (1,9)
Centro-
oeste 15.648,4 14.368,2 (8,2) 2.691 2.758 2,5 42.110,8 39.622,1 (5,9)
Sudeste 5.690,3 5.440,5 (4,4) 3.048 2.906 (4,7) 17.343,1 15.811,2 (8,8)
Sul 17.838,5 17.799,9 (0,2) 2.254 2.873 27,5 40.203,5 51.140,3 27,2
Brasil 49.068,2 47.256,5 (3,7) 2.321 2.538 9,3 113.890,1 119.949,9 5,3
 UNIUBE 81
pacidade de escoamento deficitária; terceiro, quanto á conotação 
política das entidades rurais e agrárias. O quarto item, talvez o di-
ferencial organizacional da região, é a concentração de agroindús-
trias de grande porte próxima aos polos de produção.
Região 3 – CENTRO OESTE
Na região centro-oeste, nos últimos anos, observa-se uma sensível 
queda na produção de grãos, principalmente em relação aos impac-
tos comerciais das commodities, sabendo-se que esse polo produti-
vo, é essencialmente voltado à produção de grãos e fibras.
Observa-se que a grande maioria dos atores que compõem o Se-
tor II, nessa região, possuem traços de gestão e organização do 
modo produtivo, semelhante ao encontrado na região sul do país. 
Na verdade, esses indivíduos migraram para o centro-oeste devido: 
à prática do plantio direto, como uma alternativa conservacionista e 
potencializadora do solo, possibilitando a adaptações edafoclimáti-
cas das culturas de grãos; ao baixo preço da terra nessas regiões, 
como um mecanismo de incentivo à exploração dessas áreas em 
curto espaço de tempo e ao suporte da pesquisa agropecuária, 
que colaborou no desenvolvimento de variedades próprias para as 
condições da região.
Apesar do aporte tecnológico e da representatividade produtiva da 
região (33% da safra brasileira de grãos), há discussões em torno 
de algumas ameaças, que perpassa custo de produção, capacidadeestática (e consequente, estratégia comercial), o desafio logístico, 
e baixas cotações das principais commodities em relação a outras 
praças e anos anteriores.
82 UNIUBE
Região 4 – NORDESTE
A região nordeste tem como principal característica a produção de 
frutas, (destacando as de mesa), tais como, uva, pêssego, manga, 
melão, dentre outras. O propulsor desse perfil é a possibilidade 
de se desenvolver a atividade agrícola irrigada (São Francisco e 
afluentes), em solos arenosos, com um fotoperíodo médio anual 
elevado.
Em se tratando de grãos, a produção ainda é incipiente, restrita ao 
oeste baiano e nos outros estados de forma esparsa. A predomi-
nância ainda é do modo familiar e caracterizada num sentido de 
subsistência, baixo aporte tecnológico e consequentemente baixa 
produtividade.
Região 5 – NORTE
O traçado agrícola da região norte perpassa por dois tópicos rele-
vantes. O primeiro é fundamentado nas questões ambientais, focado 
na região amazônica. Essa parece ser a discussão mais importante 
e ainda polarizada, até que seja definido um plano de exploração 
sustentável do espaço. Nesse caso, há um avanço significativo das 
áreas de pecuária e grãos às custas de conflitos, desmatamento e 
queimadas (TO, PA, AM, RR, RO), dado o atrativo preço da terra 
nesses locais.
A segunda referência é a de exploração sustentável das áreas de 
florestas, com atividades de silvicultura e extração de substâncias 
com finalidade farmacêutica. 
 UNIUBE 83
3.1.3 Setor III – Atividade Agroindustrial
No contexto produtivo da economia brasileira, a agroindústria pos-
sui importante papel de caracterização do bem exportável. Aliás, no 
conceito usado por Lauschner (1993), “é, em sentido amplo, a uni-
dade de produção que transforma produtos agropecuários em bens 
finais de consumo ou de uso intermediário e, em sentido restrito, 
é a unidade que, por um lado, transforma produto agropecuário, o 
mínimo de 25% do total dos insumos utilizados”. Destacam-se, no 
país, setores com grande dinamismo comercial, como por exemplo, 
o complexo-soja, citros, carnes, madeiras, café, açúcar e frutas (NU-
NES E CONSTINI, 2000).
Inicialmente, a atividade agroindustrial possui três pilares básicos 
(beneficiamento, processamento e distribuição), que correspondem 
à comercialização in natura, o processamento mínimo (PMP), total 
(PTP), estocagem e distribuição (potencial estático e logístico). Na 
Figura 10, é possível observar as relações entre as etapas da ativi-
dade agroindustrial, os possíveis escoamentos do produto e formas 
de distribuição junto ao mercado consumidor.
Figura 10: Detalhe de uma atividade agroindustrial.
84 UNIUBE
Um dos principais “gargalos” da agroindústria está relacionado à lo-
gística, mensurado na capacidade de atendimento da variável tem-
po (por exemplo, através do índice de satisfação do cliente, ISC = p 
(t, v, q, c), sendo: p (produto), t (tempo), v (volume), q (qualidade), 
c (custo)), no conjunto de atribuições do produto para o cliente. No 
entanto, a diversificação de bens produzidos tanto para o mercado 
doméstico quanto para o externo, denotam a viabilidade de investi-
mentos no setor, tanto em caráter de expansão quanto de possibi-
lidades de agregação de valor.
De um modo geral, a sobrevivência das cadeias produtivas é men-
suradA também pela sinalização de fatores da agroindústria. Desde 
investimentos, ampliação de mercados, estoques, configuração de 
estratégias de produto, competitividade e, principalmente, capaci-
dade de adequação dos segmentos produtivos em função das es-
pecificações do consumidor (sanidade, características do produto, 
restrições de insumos).
Prezados alunos, ao final deste capítulo, selecionamos para vocês três 
artigos de especial interesse para complementação de seus conheci-
mentos. São eles:
• A importância do agronegócio familiar no Brasil, de Joaquim 
J. M. Guilhoto e outros autores, publicado na Revista de Econo-
mia e Sociologia Rural, que pode ser visualizado através do link: 
;
• A desconcentração regional do agronegócio brasileiro, de 
José Luiz Parré e Joaquim J. M. Guilhoto, publicado na Revista 
Brasileira de Economia, que pode ser visualizado através do link: 
;
INDICAÇÃO DE LEITURA
 UNIUBE 85
•	 Segments of competition in south Brazilian wineries, de Mar-
celo Miele e outros autores, publicado na Revista Scientia Agrico-
la, que pode ser visualizado através do link: .
Resumo
Nesse capítulo, estudamos uma abordagem sobre as fronteiras de 
produção, segmentação dos processos e os papéis desempenhados 
pelos principais atores nas cadeias produtivas. Essa reflexão nos re-
meteu à uma análise das relações entre setores, agentes ou anexos 
à cadeia que, por sua vez, apontam para um conjunto de ações coor-
denadoras e interventoras no processo produtivo, de modo a garantir 
a competitividade do produto final. 
Abordamos aspectos relacionados A índices agropecuários, carac-
terização setorial, segmentação produtiva, na perspectiva dinâmica 
e funcional dos complexos agroindustrial, em destaque os produtos 
de origem vegetal. 
Com isto, tivemos um entendimento conceitual de indicadores e 
do dimensionamento das cadeias produtivas, como requisito para 
definição de modelos de gestão e verificação de oportunidades no 
cenário produtivo.
86 UNIUBE
Atividades
Atividade 1
Marque a alternativa incorreta.
a) ( ) O papel da assistência técnica e pesquisa é o de propor 
inovação tecnológica A campo e informações técnico-geren-
ciais;
b) ( ) Apesar da expansão das áreas agrícolas no país, o segmen-
to produtivo de sementes não registrou forte tendência de 
crescimento a partir de 95;
c) ( ) A expectativa de crescimento no volume de vendas de se-
mentes, defensivos e maquinários no curto prazo, indepen-
de do cenário comercial das principais culturas;
d) ( ) As variáveis cambiais são fundamentais para avaliação de 
comportamento das vendas de insumos do Setor I para o 
Setor II.
Atividade 2
Qual a relevância da estratificação das culturas praticadas em fun-
ção da dimensão e do modelo gerencial implantado nas Unidades 
de Produção?
Atividade 3
Marque a alternativa correta.
a) ( ) A principal fatia de vendas das indústrias de defensivos con-
centra-se por produto, nos fungicidas e inseticidas (54%) e 
por cultura, no complexo-soja (50%);
 UNIUBE 87
Atividade 4
Caracterize as regiões produtoras brasileiras quanto: 
• à abrangência de estados, modelo gerencial das UP’s, produtos/
culturas principais;
• aos polos agroindustriais, mão de obra ocupada, atendimento 
do mercado consumidor.
Sugestão: proponha um quadro para elucidar melhor as diferenças 
e organizar a resposta.
b) ( ) A baixa liquidez na venda da safra, pouca adesão de pro-
dutores ao plantio de áreas irrigadas, indefinição de política 
agrícola do governo e aumento dos índices de troca nos úl-
timos 2 anos são fatores que justificam queda na aquisição 
de fertilizantes por parte dos produtores;
c) ( ) O descolamento da curva de produção e venda de máqui-
nas agrícolas a partir de 2003, refere-se ao abarrotamento 
tecnológico no campo aliado à necessidade de exportação 
do setor;
d) ( ) Há pouca evidência de parcerias público-privadas no seg-
mento de pesquisas agrícolas.
Atividade 5
De acordo com a Figura 10, aponte 3 possíveis “gargalos” comuns 
nas etapas agroindustriais, quanto ao atendimento do mercado con-
sumidor e justifique.
88 UNIUBE
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Fabrício Pelizer de Almeida
Vânia Aparecida Borges Weitzel
Introdução
As principais cadeias 
de grãos, plantas 
ornamentais e medicinais, 
frutas e bebidas
Capítulo
4
Até aqui, estudamos como se formam as cadeias produtivas; 
onde se localizam e como interage cada ator em seus mais di-
ferentes elos; aprendemos a identificar e a utilizar as políticas 
específicas e interventoras nos processos agroindustriais, tanto 
quanto a definir o perfil das principais fronteiras de produção. 
Desta forma, passamos a compreender o complexo agroindus-
trial como um espaço de representação das relações entre a 
indústria, a agricultura, o comércio e os serviços em geral, tor-
nando-se um dos agentes de mudanças do setor agropecuário 
brasileiro.
Não podemos nos esquecer que em todo este processo sem-
pre houve participação do Estado – através do crédito rural e 
de apoio financeiro rural, das indústrias – no desenvolvimento 
de novas tecnologias, além dos pequenos, médios e grandes 
proprietários usuários de todos estes mecanismos.
Portanto, o complexo agroindustrial representa uma perfeita in-
tegração de capital que são investidos na agricultura e pecuária 
brasileira, tornando o campo um excelente negócio para inves-
timentos.
92 UNIUBE
Objetivos
Ao final destes estudos, esperamos que você seja capaz de:
• identificar a composição setorial de cadeias produtivas;
• elucidar a organização dos atores e segmentos e suas 
possíveis inter-relações;
• delinear a segmentação das atividades relacionadas às 
cadeias produtivas e os principais segmentos produti-
vos numa abordagem contextual;
• propor uma abordagem crítica de políticas e ações co-
ordenadoras particularmente, nos processos agroin-
dustriais relacionados a grãos, frutas, plantas ornamen-
tais e bebidas.
Esta etapa representa um avanço na proposta de construção 
das cadeias produtivas, a partir do que já se estudou nos ca-
pítulos anteriores. É sempre bom lembrar que qualquer que 
seja a análise que se faça sobre complexo agroindustrial, esta 
sempre deverá ser realizada sob uma perspectiva sistêmica.
Este capítulo, que se divide em duas partes, traz algumas 
cadeias produtivas importantes para a economia de nosso 
país.
Através destes estudos, poderemos vislumbrar como se 
comportam os atores envolvidos, os ambientes e os cenários 
onde os negócios se desenrolam. Ele também irá nos mos-
trar como se formam algumas cadeias produtivas no Brasil, 
como por exemplo, a da madeira, têxtil, papel e celulose, 
além da cadeia do biocombustível.
 UNIUBE 93
4.1 As principais cadeias de grãos, plantas ornamentais e 
medicinais, frutas e bebidas
4.2 Caracterização e simulação nas cadeias de grãos
4.3 Caracterização e simulação nas cadeias de plantas 
medicinais e ornamentais
4.5 Caracterização e simulação nas cadeias de frutas e 
bebidas
Esquema
4.1 As principais cadeias de grãos, plantas 
ornamentais e medicinais, frutas e bebidas
No estudo de cadeias produtivas em geral, alguns termos são de-
masiadamente importantes, no sentido de conferir aos processos o 
alinhamento nas especificações do mercado e respectivas ações es-
tratégicas. Dentre os principais, destaca-se a capacidade de propor 
práticas de coordenação da qualidade (dos processos e produtos), 
competitividade em ambientes altamente sofisticados (aportetecno-
lógico, eficiência produtiva, compartilhamento de informações e da-
dos) e consistência quanto à gestão de conflitos e cenários.
Como exemplo de práticas de coordenação da qualidade aplicado a 
toda extensão da cadeia produtiva, Toledo et al. (2004) esboça algu-
mas premissas e indicativos que aferem a sustentabilidade dos pro-
cessos (Figura 1).
94 UNIUBE
Figura 1: Encadeamento das informações, modelagem e atuação nos processos. 
Portanto, nessa perspectiva, determinados produtos merecem rele-
vância quanto aos modelos gestores aplicados e relacionado com as 
expectativas de mercado (cliente, atacadista, auditores e varejistas). 
Dentre eles, o segmento de grãos (soja, milho, trigo), olerícolas (to-
mate, batata, cebola, cenoura), frutícolas (laranja, manga, banana, 
maracujá) e plantas ornamentais e medicinais. 
Em se tratando de grãos, a experiência deve ser pautada na compe-
titividade do produto frente a mercados com forte presença de con-
correntes. É o caso da soja, por exemplo, que convive com alguns 
fatores determinantes, dentre eles:
• a projeção da safra norte-americana, maior produtor de soja no 
mundo, e assim conviver com as variáveis (outros produtos como 
milho, trigo, petróleo) e riscos de mercado;
• eventuais conflitos entre os principais atores inseridos no comple-
xo produtivo (produtores-Estado-agroindústria), inclusive quanto 
ao desafio de se agregar valor ao produto (soja em grãos) expor-
tável, como forma de garantir sobrevivência;
Performace
 UNIUBE 95
A seguir vamos trabalhar grupos de produtos (ou cadeias), identifican-
do fatores determinantes nos processos, caracterizando e simulando 
possíveis arranjos produtivos e ambientes nos quais estão inseridos. 
Para Toledo (2004), a prática de coordenação da qualidade ao longo 
da cadeia de produção deve apresentar: 
(A montante)
• relações de parceria entre a indústria e seus fornecedores, para 
garantia da qualidade na cadeia;
• incentivos e ações fornecidas pela indústria para melhorar a quali-
dade dos produtos recebidos dos fornecedores, tais como: inves-
timentos em treinamento, assistência técnica, ações conjuntas de 
melhoria, pagamento por qualidade, financiamentos de recursos 
de produção etc.;
• envolvimento do fornecedor no processo de desenvolvimento de 
novos produtos;
• adoção compartilhada de sistemáticas de gestão da qualidade 
para garantir a consistência na padronização dos produtos;
• diagnóstico conjunto da qualidade (auditorias da qualidade reali-
zadas no fornecedor);
• a necessidade de se aprimorar o relacionamento com os princi-
pais compradores, no sentido de viabilizar transformações estru-
turais na cadeia produtiva (transgenia, política agrícola, crédito, 
infraestrutura) e na própria relação comercial (Câmara/Fórum da 
Soja, Bolsa da Soja – China);
• a vocação gerencial-produtiva de determinadas regiões, devido 
ao aporte tecnológico adquirido, capacidade de negociação (e 
escala) e conhecimento estratégico para posicionamento do pro-
duto no mercado.
96 UNIUBE
• elaboração conjunta de planos de ações de melhorias;
• acompanhamento das melhorias implantadas; e
• medição e análise de indicadores de desempenho em qualidade 
(redução de custos de falhas e de refugos, melhoria na qualidade 
do produto e na satisfação dos clientes etc.).
(A jusante)
• ações de exigências e orientações para preservação da qualida-
de do produto final, tais como treinamentos, visando assegurar a 
forma adequada de manuseio, armazenagem, transporte e expo-
sição do produto final;
• incentivos fornecidos pela indústria para o distribuidor em termos 
de desconto nos preços, melhores prazos de pagamento, trata-
mento preferencial, em função da preservação da qualidade do 
produto;
• obtenção de feedback de informações dos clientes com relação à 
qualidade do produto e dos serviços oferecidos;
• premiação por serviços prestados pelo distribuidor;
• levantamento e formulação das necessidades específicas dos 
clientes;
• envolvimento do cliente no processo de desenvolvimento de no-
vos produtos;
• adoção compartilhada de práticas de gestão da qualidade para 
garantir a consistência na padronização dos produtos;
• diagnóstico conjunto da qualidade (auditorias realizadas nos dis-
tribuidores e varejistas);
• elaboração conjunta de planos de ações de melhorias;
• acompanhamento das melhorias realizadas; e
• medição das melhorias por meio de indicadores de desempe-
nho (sobre preservação da qualidade, perdas, satisfação dos 
clientes etc.).
 UNIUBE 97
4.2 Caracterização e simulação nas cadeias de grãos
De modo geral, as cadeias produtivas são caracterizadas:
• pela organização sistêmica (e setorial) dos atores;
• na definição dos papéis – produtores, Estado, agroindústria – 
para atribuições dos produtos para o mercado consumidor;
• pela semelhança dos instrumentos de coordenação – PGPM, 
contratos para comercialização de grãos, planos de safra – e efe-
tividade dessas políticas na definição dos cenários produtivos;
• pelas deficiências (ou ameaças) singulares às cadeias agroex-
portadoras, de modo a intervir no delineamento competitivo dos 
produtos finais.
Tomando por base cenários e a análise das falhas de coordenação 
nas transações – calcadas na necessidade de suprir bens públicos 
e coletivos, incentivos e controles – pode-se apontar nove interven-
ções de política pública e privada (neste último caso, com o apoio 
de associações de interesse privado), visando aumentar a eficiên-
cia das cadeias produtivas de grãos e promover adaptabilidade de 
longo prazo a fim de resguardar sua posição competitiva.
As intervenções de política pública e privada são:
• política de comércio externo;
• política de informação;
• melhoria da infraestrutura de transportes, portuária e de arma-
zenagem;
• política tecnológica;
• política de financiamento do CAI;
98 UNIUBE
• política de comercialização agrícola;
• diferenciação dos produtos do CAI;
• política fiscal;
• conservação do solo e de recursos naturais.
A seguir, detalharemos cada uma destas políticas.
Política de comércio externo: abarca ações voltadas para redu-
zir o protecionismo no comércio internacional dos grãos (principal-
mente soja), com o monitoramento das práticas de comércio e a 
representação dos interesses dos atores nos fóruns internacionais.
Desse modo, atribui-se ao Estado às representações de classe (e 
nos últimos anos) às câmaras setoriais, o papel de negociadores 
frente aos outros mercados no sentido de prover sustentabilidade 
da produção agrícola nacional, contribuir para efetividade das po-
líticas internas de manutenção dos índices de produtividade, esto-
ques, suprimentos e abastecimento das cadeias adjacentes, ga-
rantir equidade quanto à formação de preço nas praças nacionais, 
o valor na relação insumo-produto (estrategicamente para estabi-
lizar as relações de troca) e competitividade das commodities (es-
pecialmente grãos) no mercado externo (reconhecido os entraves 
dos subsídios agrícolas praticados pelos EUA e Europa) e mercado 
interno (especialmente quanto ao arroz, feijão, trigo e milho) que 
sofrem pressões de ofertas e preços de países do Mercosul (Ar-
gentina, Paraguai) e EUA.
 UNIUBE 99
Os subsídios comerciais/agrícolas são a quantidade de dinheiro paga 
aos fazendeiros por unidade que eles produzem ou exportam. Eles têm o 
efeito de fazer com que a produção seja mais barata.
Por isso, fazem com que os fazendeiros se tornem mais competitivos e 
tendem a aumentar a produção. São pagos, no geral, pelo contribuinte, 
via departamentos do governo ou associações de comércio.
Na Europa, por exemplo, os subsídios chegam até os agricultores atra-
vés da Política Agrícola Comum (PAC).
EXPLICANDO MELHOR
Política de informação: consiste na coordenação do suprimento de 
informação gerada dentro e fora dos limites das cadeias produtivas, 
bem como na preparação (banco de dados) e divulgação de informa-
ções úteis para o planejamento das atividades de diversos segmen-tos (ou setores) das cadeias. 
O objetivo é conferir aos atores a postura de tomadores de decisão 
nos negócios de grãos, refletindo sobre aspectos exógenos (ambien-
te organizacional e institucional) onde estão inseridos os complexos 
produtivos. Podem ser entendidos, ainda, como um conjunto de fa-
tores (posicionamentos, desempenho econômico, ações políticas, 
acordos socioambientais). Os aspectos endógenos (firmas, relações 
intrassetoriais, ajustes de procedimentos para cumprimento de es-
pecificações de contrato) são conceituados na esfera dos processos 
produtivos e são específicos à cadeia (ou valor).
Ao mesmo tempo (os aspectos exógenos e endógenos), são decodi-
ficados em informações (de fácil comunicação) e que, por definição, 
desencadeiam a modelagem de cenário (medida a performance das 
resultantes e projeções – consequências) e, finalmente, ações efetivas. 
Assim, quanto maior o nível de especialização na tomada de decisão 
100 UNIUBE
(devido ao alinhamento das informações e modelagem de processos), 
também maior a inserção do conglomerado na esfera competitiva e 
sustentável nos mercados nacionais e internacionais. 
Surge, então, a noção de polos agroindustriais (que são reconhecidos 
como complexos agroindustriais dado o entrelace de informações, 
valores e insumo-produto) expostos como redes de relacionamento 
(clientes, fornecedores, instituições).
A concepção de complexo agroindustrial avança nesta questão ao 
incorporar a dimensão tecnológica nestas relações, de forma que o 
elemento tecnológico é fundamental para criar e modificar a ação dos 
complexos agroindustriais. São as relações técnicas que vêm defi-
nindo processos de produção, estabelecendo que agroindústrias se 
articulem entre si.
Melhoria da infraestrutura de transportes, portuária e de armaze-
nagem: envolve o provimento de bens e serviços necessários para a 
manutenção dos estoques e fluxos de mercadorias no mercado interno 
e externo. Talvez esse tópico seja um dos principais “gargalos” para a 
sustentação competitiva dos processos domésticos (veja a Tabela 1), 
visto que o país possui uma capacidade estática insuficiente para o 
aporte tecnológico de produção e demanda dos APLs graneleiros (veja 
a Tabela 2); uma malha rodoviária, em geral, com baixo potencial de es-
coamento e flexibilidade (custos, veículos, acondicionamento), estran-
gulamento dos modais de transporte com baixo investimento na diversi-
ficação e exploração de recursos, por exemplo, hídricos, e, finalmente, 
o forte descompasso entre desenvolvimento econômico e a precária 
estrutura portuária.
 UNIUBE 101
Tabela 1: Comparação da receita líquida na exportação de soja em grão – R$/t (2005)
Fonte: Adaptado de ABIOVE (2005).
Itens analisados Brasil Estados Unidos Argentina
Cotação “F.O.B” porto 450,00 450,00 450,00
Frete médio até porto 56,00 15,00 20,00
Despesas portuárias 18,00 4,00 6,00
Impostos – – 11,00
Receita líquida 376 431 424
Tabela 2: Brasil: Total da Capacidade Estática por regiões (2007)
Fonte: Adaptado de CONAB (2007).
Regiões
Convencionais Graneis Totais
Quanti-
dade
Capaci-
dade
Quanti-
dade
Capaci-
dade
Quanti-
dade
Capaci-
dade
Centro-
Oeste 1317 6.072.100 2561 36.392.190 3878 42.464.290
Nordeste 655 2.026.330 445 4.961.040 1100 6.987.370
Norte 360 1.223.220 120 1.076.810 480 2.300.030
Sudeste 1848 8.518.120 859 11.932.230 2707 20.450.350
Sul 3352 9.152.860 5044 42.046.630 8396 51.199.490
Total 
Brasil 7532 26.992.630 9029 96.408.900 16561 123.401.530
É a mensuração da estrutura armazenadora (convencional e grane-
leira) em determinada região. Atualmente, com a safra brasileira de 
grãos em torno de 130,5 milhões de toneladas, a de açúcar próximo 
a 31,5 milhões de toneladas e a de café beneficiado em torno de 32,0 
milhões de toneladas (CONAB, 2007) somando-se a viabilidade de 
60% da capacidade estática são, aproximadamente, 65 milhões de to-
neladas (40% da produção) possíveis para estocagem – 108 milhões 
de toneladas x 60% de viabilidade (IBRALOG, 2007).
102 UNIUBE
Arranjos Produtivos Locais são aglomerações de empresas localiza-
das em um mesmo território, que apresentam especialização produ-
tiva e mantêm algum vínculo de articulação, interação, cooperação e 
aprendizagem entre si e com outros atores locais, tais como governo, 
associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa 
(SEBRAE, 2007).
Política tecnológica: a LPC (Lei de Proteção de Cultivares) é um 
aspecto central da política tecnológica para as cadeias produtivas de 
grãos. Além da própria lei, essa política envolve o monitoramento e os 
mecanismos para forçar seu cumprimento. Inclui também as ações 
voltadas para orientar a pesquisa genética para produtos com elevado 
potencial de mercado. 
Além disso, deve estar associada à capacitação de produtores, por 
meio de transferência de tecnologia com forte presença de cooperati-
vas e indústrias de insumos e educação básica suprida pelo Estado.
O enfoque de tal política baseia-se na necessidade de aprimoramento 
de materiais produtivos, tais como os OGMs (Organismos Genetica-
mente Modificados) que aferem vantagens competitivas à produção 
agrícola graneleira (custo de produção, ganhos em produtividade, va-
lores nutricionais).
Percebe-se que há forte presença de empresas do Setor I no senti-
do de promover tais tecnologias (vantagens produtivas), pressionar a 
liberação efetiva para aplicação extensiva em diversas culturas e fo-
mentar pesquisas, campos de testes e parcerias com órgãos federais.
Desse modo, a LPC pode ser entendida também como um instrumen-
to regulatório à medida que envolve interesses políticos diversos e 
caracteriza a formação e absorção da tecnologia de ponta pelos CAI’s, 
em geral.
 UNIUBE 103
Política de financiamento do CAI: pertencem a essa política o de-
lineamento de mecanismos de financiamento sob enfoque de parce-
ria entre as cadeias produtivas e o setor financeiro e os mecanismos 
de gestão do risco da atividade agrícola.
Principalmente, em se tratando de políticas de financiamento, alguns 
fatores são relevantes, à medida que se desenvolvem novas frontei-
ras a arranjos produtivos, tais como o grau de risco das atividades 
agrícolas, inversamente proporcional à política do governo para o 
setor, definições estratégicas de comercialização dos grãos e aporte 
tecnológico para as culturas; a presença efetiva do setor financeiro 
no financiamento das atividades agroindustriais e o perfil do produ-
tor rural (bem como a rede de parcerias entre os atores) no reco-
nhecimento das vantagens competitivas – de acordo com a linha de 
financiamento – e alinhamento dessas diretrizes com a gestão dos 
processos agroindustriais.
Política de comercialização agrícola: envolve basicamente um 
maior suprimento de informações sobre preços, além do aumento da 
eficiência nos instrumentos de gestão de riscos e de financiamento. 
Além disso, deve ser entendido na perspectiva de prolongamento 
das redes (atores, modalidades) de relacionamento e prováveis ni-
chos para promoção dos produtos.
Diferenciação dos produtos do CAI: essa política reúne ações 
necessárias para a produção de grãos e farelos diferenciados por 
meio das características (teores de óleo e proteína, características 
de ácidos graxos etc.) valorizadas pelo mercado, envolvendo, den-
tre outras ações, a redefinição dos padrões de classificação atuais, 
investimentos em infraestrutura qualitativa adequada à classificação 
do grão e o desenvolvimento de novos usos industriais para a soja.
104 UNIUBE
A leitura desse item alinha-se com a perspectiva de que as principais 
alternativas para o consumo de produtos derivados de grãos são 
apontadas pelo próprio mercado consumidor, ou seja, há necessi-
dade de um enfoque de todos os atores da cadeia produtiva para 
reconhecer tais demandas e recompor estratégias de processos (es-
pecificações fabris, técnicas a campo) e produtos (utilização de insu-
mos, caracterização dos produtos a cada processo, implementaçãotanto quanto a definir o perfil das principais fronteiras de produção.
Desta forma, você passará a compreender o complexo agroindus-
trial como um espaço de representação das relações entre indústria, 
agricultura, comércio e serviços em geral, tornando-se um dos agen-
tes de mudanças do setor agropecuário brasileiro.
Não podemos nos esquecer que em todos estes processos sempre 
haverá a participação do Estado – através do crédito rural e de apoio 
financeiro rural, das indústrias – no desenvolvimento de novas tec-
nologias, além dos pequenos, médios e grandes proprietários usuá-
rios de todos estes mecanismos.
Portanto, o complexo agroindustrial representa uma perfeita integra-
ção de capitais que são investidos na agricultura e pecuária brasilei-
ra, tornando o campo um excelente negócio para investimentos.
É sempre bom lembrar que independente da análise que se faça dos 
complexos agroindustriais, ela sempre deverá ser realizada sob uma 
perspectiva sistêmica. 
 UNIUBE IX
No Capítulo 4, “Identificando, caracterizando e simulando as principais 
cadeias de grãos, plantas ornamentais e medicinais, frutas e bebidas”, 
traremos algumas abordagens importantes sobre este segmento.
Através destes estudos, poderemos vislumbrar como se comportam 
os atores envolvidos, os ambientes e os cenários onde os negócios 
se desenrolam. Ele também irá nos mostrar como se formam algu-
mas cadeias produtivas; por exemplo: a cadeia produtiva da madei-
ra, têxtil, papel e celulose, além da cadeia do biocombustível, muito 
importante no cenário nacional.
Esperamos que você aprecie este trabalho e possa torná-lo como 
uma referência para estudos mais aprofundados do imenso complexo 
agroindustrial do Brasil.
Bons estudos!
Vânia Aparecida Borges Weitzel
Introdução
Compreendendo o 
agronegócio brasileiro
Capítulo
1
As recentes pesquisas das Organizações das Nações Unidas 
para a Agricultura e Alimentação (FAO) apontam o Brasil como 
o grande celeiro mundial, com capacidade para produzir a maio-
ria dos alimentos a serem consumidos pela população mundial, 
que de 6 bilhões de pessoas passará a 9,2 bilhões até o ano 
de 2050. De fato, um país com proporções continentais, com 
clima diversificado, solo fértil, extensa área de terra agricultável 
disponível, energia solar em abundância e possuidor de 2/3 da 
área total do maior manancial de água doce subterrânea trans-
fronteiriço do mundo, o Aquífero Guarani, só poderia ser assim 
considerado.
Na Figura 1, apresentamos uma área no município de Uberaba 
sendo preparada para cultivo de soja, este que é uma das mais 
importantes commodities produzidas no Brasil.
Figura 1: Preparação de área para o 
plantio de soja na cidade de Uberaba-MG.
2 UNIUBE
O Brasil não tem só condições necessárias para produzir co-
mida para o mundo, como também dispõe das maiores reser-
vas de água doce, minério e petróleo. Este imenso “continen-
te” ainda terá, também, condições de ser o maior fornecedor 
de biocombustíveis deste planeta. 
O país, dono da maior área 
agricultável do mundo, com 
uma área disponível que equi-
vale ao tamanho de mais de 
30 países europeus juntos, se 
consolidou como o maior pro-
dutor de commodities agro-
pecuárias graças à pesquisas 
e desenvolvimentos empre-
gando, na agricultura e pecu-
ária, as melhores tecnologias 
disponíveis. 
Na pesquisa realizada pela FAO, o Brasil, com seus 800 mi-
lhões de hectares de área total, não ocupa nem 50 milhões 
de hectares com áreas destinadas à produção, enquanto os 
Estados Unidos não possuem mais um hectare, sequer, dis-
ponível para aumentar a área plantada. Hoje, o Brasil ainda 
possui mais 90 milhões de área disponível para a agricul-
tura e pecuária e mais de 16 milhões de hectares de áreas 
degradadas que podem ser recuperadas e disponibilizadas 
para o cultivo e produção. Ou seja, o Brasil tem capacidade 
para abastecer o planeta com grãos (soja e milho) e carne 
(bovinos, suínos e aves).
Commodities
Commodity (ou commodities, 
no plural) é um termo de língua 
inglesa que significa mercadoria 
e é utilizado nas transações 
comerciais de produtos de 
origem primária nas bolsas 
de mercadorias. Usada como 
referência aos produtos de base 
em estado bruto (matérias-
primas) ou com pequeno grau 
de industrialização, de qualidade 
quase uniforme, produzidos 
em grandes quantidades e por 
diferentes produtores. Estes 
produtos “in natura”, cultivados 
ou de extração mineral, podem 
ser estocados por determinado 
período sem perda significativa 
de qualidade.
 UNIUBE 3
Em recente trabalho apresentado na Revista Única (on-line) 
por Ricardo Amorim, economista brasileiro radicado nos Esta-
dos Unidos, ele explica que Xangai terá, até 2020, 40 milhões 
de habitantes morando nos grandes centros, a maioria, fruto 
do êxodo rural que já vem acontecendo na China. Dados como 
este garantem ao Brasil fornecimento certo aos países asiáti-
cos. De fato, a China teve grande contribuição na estabilização 
econômica do país, graças às grandes aquisições de nossas 
commodities. Basta lembrar que o Brasil saiu de uma condição 
de grande credor da dívida externa, a país que empresta dinhei-
ro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) (AMORIM, 2010).
A cadeia produtiva envolvendo to-
dos os elos atuantes neste cenário 
torna-se cada vez mais fortalecida, 
aumentando as divisas do país e en-
fatizando a importância dos atores e 
players deste vasto negócio.
Todavia, o produtor rural continua 
cada vez mais endividado, sem po-
líticas agrícolas que defendam seus 
interesses, marginalizado pela so-
ciedade que não conhece os percal-
ços imensos que enfrenta para po-
der plantar, colher, criar e produzir.
Apesar de todas as dificuldades, a vocação para produzir ali-
mentos fala mais alto, e, não obstante todos os problemas 
que orbitam “dentro da porteira”, o homem do campo continua 
sua jornada de tombar o solo, arar o chão, jogar a semente e 
colher os frutos que produz tão apaixonadamente.
Cadeia produtiva
Pode ser definida como 
o conjunto de atividades 
que se articulam 
progressivamente, 
desde os insumos 
básicos até o produto 
final, incluindo a 
distribuição e a 
comercialização, como 
se fossem verdadeiros 
elos de uma corrente 
ou cadeia.
Players
Conjunto de empresas 
que se relacionam ou 
competem entre si num 
mesmo tipo de negócio.
4 UNIUBE
Não temos a pretensão de esgotar 
um assunto tão extenso; até por 
que somente se começou a falar 
e a pesquisar sobre os agronegó-
cios a muito pouco tempo. Basta 
lembrar, que só em 1957 que os 
professores Ray Goldberg e John 
Davis, da Universidade de Harvard, 
constataram que “as atividades ru-
rais e aquelas ligadas a elas não 
poderiam viver isoladas”, criando 
um primeiro conceito para descre-
ver o conjunto de operações que envolviam seus estudos 
em torno do agribusiness americano.
Para que possamos manter um ritmo de estudo que nos 
permita compreender o agronegócio de forma sistêmica, ini-
ciaremos nossas reflexões abordando alguns aspectos da 
imensa cadeia produtiva: “antes, dentro e fora da porteira”.
Ao longo de todas nossas considerações, inevitavelmente bus-
caremos conceitos e definições que possam nos esclarecer so-
bre as inúmeras facetas do complexo agronegócio brasileiro.
Esperamos que você aprecie nossas considerações e que 
as utilize como ponto de partida para maiores reflexões em 
torno do assunto. 
Bons estudos!
Agronegócio
Resume toda a 
atividade econômica 
envolvida com a 
produção, estocagem, 
transformação, 
distribuição e 
comercialização de 
alimentos, fibras 
industriais, biomassa, 
fertilizantes e 
defensivos. Importante 
frisar o foco na gestão, 
fator fundamental 
para o sucesso e 
desenvolvimento do 
agronegócio.
 UNIUBE 5
1.1 O agronegócio no Brasil – a grande alavanca para a 
prosperidade
1.2 O complexo agroindustrial brasileiro
1.3 As cadeias produtivas do CAI no Brasil
Ao final destes estudos, esperamos que você seja capaz de:
• conhecer o agronegócio brasileiro e suas implica-
çõesde diferenciação do produto final).
Política fiscal: envolve esforços voltados para modificar a atual estru-
tura de impostos, especialmente o ICMS, no sentido de eliminar dis-
torções no comércio interestadual. Também pode ser entendido como 
um “gargalo”, principalmente quando se refere à estratégia para a for-
mação de APLs altamente competitivos e tecnificados. Isso porque 
inibe a expansão dos CAIs graneleiros, na extensão interestadual; ex-
põe a irregularidade competitiva entre os Estados, devido à política 
fiscal praticada e, consequentemente, regula o potencial competitivo 
das cadeias produtivas, principalmente na distribuição espacial dos 
atores junto aos polos produtores.
Conservação do solo e de recursos naturais: essa política abarca 
as normas de utilização da terra e da água, principalmente em áre-
as de fronteira. De modo geral, são relacionados à essa prática, à 
caracterização ambiental e sustentabilidade das Ups, agroindústrias 
e indústrias de insumos agrícolas, sabendo-se que estão inseridas 
no contexto socioambiental local (cidades, modelo de urbanização).
A projeção para as cadeias de grãos é que se incorpore nos modelos 
de produção, a certificação internacional, conferindo sustentabilidade 
ambiental (por exemplo Nature’s Choice, EurepGap) nos processos e 
alinhamento da qualidade no produto final (APPCC). 
APPCC é análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle: Mapea-
mento e gestão de riscos para a qualidade dos processos e produtos.
 UNIUBE 105
Identificação e Modelagem das Cadeias Produtivas de Grãos
Os agropolos são os principais arranjos identificados nas cadeias de 
grãos, dado o perfil tecnificado, empresarial e agroexportador desse 
modelo. Obviamente, essa é uma tendência geral, sem menosprezar 
o perfil particular das regiões norte/nordeste (mão de obra familiar, 
atividade de subsistência em pequenas áreas pouco tecnificadas) e o 
papel socioeconômico promovido nesse polo (representando cerca de 
10% da produção nacional de grãos). 
O avanço no montante da safra nacional (2006/2007) deve-se prin-
cipalmente à boa cotação dos grãos no ano anterior (em relação à 
safra passada); à expectativa de aumento na demanda de alguns 
produtos (milho, soja) tanto para biocombustíveis, quanto para ra-
ções e consumo humano e uma provável competição de áreas com 
a cana-de-açúcar (queda na oferta); e às condições climáticas favo-
ráveis nas principais regiões produtoras; e, por último, à capacidade 
gerencial das UPs empresariais, no sentido de inserir tecnologia (va-
riedades cultivadas, insumos, estocagem) apesar da diminuição (no 
geral) da área cultivada (Tabela 3). 
A Tesco Corporate é a principal gerenciadora de certificações interna-
cionais, inclusive para processos agroindustriais. Detém o selo Nature’s 
Choice (produção-integrada na gerência de fazenda, com ajustes dos 
padrões ambientais e especifica exigências da forma, do tamanho, do 
gosto, da variedade e da vida útil) e o EurepGap (baseado nos regula-
mentos gerais, os pontos de controle, os critérios da conformidade e a 
lista de verificação de EurepGAP). São 7.600 propriedades rurais em 
41 países. Foram realizadas 3400 auditorias em 60 países e são fun-
damentais para colocação de produtos nas grandes redes varejistas da 
Europa (TESCO CORPORTAE, 2007).
106 UNIUBE
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108 UNIUBE
A caracterização do aporte tecnológico e produtivo da cadeia de grãos 
remete à modelagem dos processos, que condiciona um entendimen-
to das principais relações, transferências, atuações (estrangulamento, 
vantagens) e ambiente no qual toda a cadeia está inserida. Desse 
modo, aplica-se tal metodologia de estudo à cadeia de grãos, no sen-
tido de prover o reconhecimento e aplicação das políticas discutidas 
anteriormente.
A modelagem de processo possibilita uma visão minuciosa dos pro-
cessos das organizações agroindustriaise é capaz de promover a 
melhoria da eficiência administrativa e a criação de uma memória or-
ganizacional. Pode ser compreendida como uma elucidação gráfica e 
sistêmica dos processos, atores e interrelações.
A Figura 2 demonstra uma possível modelagem para as cadeias pro-
dutivas de grãos, sendo que cada um dos segmentos do CAI é repre-
sentado por “caixas” interligadas por transações sucessivas T1, T2 
etc. A linha pontilhada representa o recorte que será realizado para 
fins analíticos, indicando os segmentos do CAI que receberão maior 
destaque neste estudo.
Figura 2: Modelagem da cadeia produtiva da soja (aplicado também para demais 
grãos).
Tradings
Indústria de 
derivados de 
óleo
 UNIUBE 109
Estão incluídos na análise os seguintes segmentos e transações do CAI:
• indústria de insumos agrícolas: representando a indústria de 
fertilizantes, defensivos, máquinas etc. De forma geral, tal seg-
mento é comum aos CAIs de outras commodities, todavia existe 
a indústria de sementes (genética), que é específica ao CAI sob 
estudo e, portanto, deve ser considerada em análises também 
específicas. Tal indústria relaciona-se diretamente com a produ-
ção agrícola (transação T1);
• produção: representa o segmento agrícola propriamente dito, 
transacionando “para trás” com a indústria de insumos (T1) e 
“para frente” com indústrias esmagadoras (T2), tradings (T3), co-
operativas (T4) e outros intermediários (corretores, armazenado-
res etc.) (T5);
• “Originadores”: este neologismo tem sido aplicado para descre-
ver tradings, cooperativas, corretoras e armazenadores, em con-
tato direto com produtores no processo de aquisição, armazena-
gem e distribuição de matérias-primas;
Na maioria dos casos, o estágio de “originação” encontra-se vertical-
mente integrado ao de esmagamento (T8). 
Tradings assumem função peculiar neste grupo, pois atuam coorde-
nando a transferência física de produtos no mercado internacional. 
Transacionam com produtores/cooperativas de forma a adquirir maté-
ria-prima (T3) e efetuar vendas para o mercado externo (T9), podendo 
atuar também como prestadoras de serviço para indústrias esmaga-
doras (T7) e cooperativas (T6) nas suas vendas internacionais (T9), 
embora muitas destas organizações apresentem departamentos in-
ternos de trading.
Corretoras e armazenadores, por sua vez, atuam mais fortemente 
como prestadoras de serviços a indústrias esmagadoras e até mesmo 
tradings na formação de lotes de matéria prima para venda, originários 
do segmento produtivo (via T5).
110 UNIUBE
• indústria esmagadora, refinadoras e produtores de deriva-
dos de óleo: 1 tonelada de soja produz, aproximadamente, 0,78 
toneladas de farelo e 0,19 toneladas de óleo. Parte do farelo é 
exportado pelas indústrias, seja por meio de tradings (T7) ou di-
retamente, por meio de departamentos comerciais internos das 
mesmas. A transação T11 representa a possibilidade de impor-
tação de soja em grãos em regime de drawback;
O regime aduaneiro especial de drawback, instituído em 1966, pelo 
Decreto Lei nº 37, de 21/11/66, consiste na suspensão, isenção ou 
restituição de tributos incidentes sobre insumos importados para 
utilização em produto exportado. O mecanismo funciona como um 
incentivo às exportações, pois reduz os custos de produção de 
produtos exportáveis, tornando-os mais competitivos no mercado 
internacional (MF, 2007).
O farelo interno remanescente é vendido para a indústria de rações 
(T12), muitas vezes integrada verticalmente à indústria de carnes e 
até mesmo, em alguns casos, à indústria processadora de soja. No 
caso do óleo, o seu processamento a partir da soja segue basica-
mente as seguintes etapas: esmagamento, degomagem e refino (en-
volvendo por sua vez os estágios de neutralização, branqueamento 
e desodorização), sendo que o óleo parcialmente refinado pode ser 
transformado por meio de hidrogenação em produtos mais elabora-
dos, como margarinas, maionese e gorduras vegetais (Figura 3). 
Tais produtos, incluindo o óleo de soja refinado, são mais fortemente 
direcionados ao mercado interno, por meio de distribuidores ataca-
distas e varejistas (T17). Algumas indústrias apresentam todos estes 
estágios na sua planta industrial, e, portanto, neste caso, a transação 
com o segmento de derivados de óleo (T10) se dá internamente à 
firma (integração vertical). 
 UNIUBE 111
Produtos processados podem também ser direcionados a outras in-
dústrias (T15), como por exemplo: óleo e gorduras para a indústria de 
alimentos em geral, indústria química e farmacêutica; lecitina de soja 
(obtida a partir de fosfolipídios do óleo) para a indústria de alimentos, 
como chocolates, margarinas, biscoitos, suplementos dietéticos etc., 
sendo também direcionada para outras indústrias, como a química e 
farmacêutica; óleo para fins energéticos (o chamado “biodiesel”), e 
assim por diante.
• distribuidores: representados pelos segmentos atacadista e 
varejista, sendo comuns a muitos outros CAIs. Efetuam a ponte 
entre a indústria esmagadora e de derivados de soja (transação 
T17) e os consumidores finais (T18), recebendo também indire-
tamente outros produtos de soja por meio da indústria de rações/
carnes (T14) e de outras indústrias em geral (T16);
• consumidores finais: envolvem tanto compradores industriais 
nas vendas externas de tradings e indústrias processadoras, 
quanto consumidores finais de derivados de óleo e carnes no 
mercado interno.
Figura 3: Processo tecnológico na indústria de esmagamento 
e derivados de óleos de soja.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
112 UNIUBE
Produtos:
•	 commodities para mercado externo: trata-se de produtos me-
nos diferenciados e comercializados em grandes volumes no 
mercado internacional, destacando-se o farelo de soja, a soja 
em grãos e o óleo bruto e refinado;
•	 commodities para o mercado interno: destacando-se a soja 
em grãos, o farelo direcionado para a indústria de rações/carnes 
e o óleo bruto e refinado direcionados para posterior reproces-
samento;
• produtos de maior valor agregado para o mercado inter-
no: trata-se de produtos mais elaborados oriundos do óleo, ge-
ralmente com maior grau de diferenciação (marca), como por 
exemplo, margarinas, halvarinas, cremes vegetais, maioneses, 
molhos prontos (salad dressings) etc;
• outros produtos: trata-se de usos alternativos a partir da soja 
com mercado de menor dimensão e/ou ainda pouco definido, 
como por exemplo, a lecitina, a soja para alimentação humana 
(molhos, bebidas etc.), a farinha de soja, o óleo para fins ener-
géticos (“biodiesel”) etc.
Haddad (1999) sugere para o RS, uma modelagem de produção gra-
neleira (especialmente milho) destacando os níveis de capital empre-
gado na atividade agrícola (na perspectiva contábil) e, posteriormente, 
dois produtos distintos: grão seco e silagem (Figura 4). 
Desse modo, destacam-se estrangulamentos para as cadeias de 
produção de grãos:
• a elevada incidência de impostos e juros que interferem direta-
mente na formação do capital de giro, ou seja, a delimitação dos 
custos financeiros para investimento na atividade;
 UNIUBE 113
• o perfil do produtor de grãos, quanto à comercialização da safra: 
limitação quanto à armazenagem (custos de estocagem, especu-
lação ao longo da entressafra, tecnologia empregada) e qualida-
de de grãos;
• tendência para concentração de capital nas agroindústrias, ou 
seja, pouca equidade quanto ao valor adquirido. Isso se deve a 
aquisição de produtos de baixo valor agregado (in natura), inclusi-
ve com baixa qualidade e preços favoráveis (alguns períodos do 
ano) e ainda à adição e agregação de valor, em diversas transa-
ções (alimentação humana, ração animal).
Figura 4: Modelagem da cadeia produtiva de grãos 
(especialmente milho)
Fonte: Acervo EAD-UNIUBE.
114 UNIUBE
Ainda são relatadas oportunidades para a cadeia produtiva de grãos:
• fomentar a diferenciação de valor por qualidade de produto, para 
processamentos agroindustriais específicos;
• adicionar determinados grãosem diversos outros produtos indus-
trializados (na fase posterior à agroindustrial, tal como uma etapa 
de industrialização específica);
• identificação e investimentos em novos nichos de mercado no 
sentido de fomentar o consumo de produtos derivados com alto 
valor agregado;
• estimular cooperativas e produtores rurais a adicionar valor à pro-
dução (aplicação de defensivos, fertilização do solo, espaçamen-
to de plantas, colheita, beneficiamento), inclusive em grandes 
áreas, a tecnologia de armazenagem, com intuito de aprimorar os 
ganhos em escala na safra;
• propor uma agenda com ações políticas práticas, envolvendo im-
postos, taxas e juros, em toda a extensão da cadeia produtiva 
(insumos, atividade agrícola e principalmente, na promoção dos 
produtos ao mercado consumidor – agroindústria).
4.3 Caracterização e simulação nas cadeias de plantas 
medicinais e ornamentais
Algumas diretrizes são fundamentais para fomentar a cadeia produti-
va de plantas medicinais, dado o potencial produtivo e comercial dos 
produtos fitoterápicos. O objetivo é atribuir à cadeia um perfil profissio-
nal e abrangente de modo a organizar os atores envolvidos em torno 
das oportunidades de escala e principalmente exportação. 
Um dos passos importantes é a criação do Programa de Plantas Me-
dicinais do Mercosul (PlamSur), ligado às Nações Unidas que contrata 
projetos (alvo de recursos específicos) da região Sul do Brasil para a 
 UNIUBE 115
produção de plantas medicinais. Um dos focos do programa é a Asso-
ciação Estadual de Cooperação Agrícola que reúne assentados da 
reforma agrária de Santa Catarina e mantém projetos pilotos com 
plantas medicinais (BRASIL, 2006).
Conforme BRASIL (2006), além disso, outros fatores são relevantes, 
tais como:
• regulamentar o cultivo; o manejo sustentável; a 
produção, a distribuição, e o uso de plantas me-
dicinais e fitoterápicos, considerando as expe-
riências da sociedade civil nas suas diferentes 
formas de organização;
• promover a Formação técnico-científica e capa-
citação no setor de plantas medicinais e fitote-
rápicos;
• incentivar a formação e capacitação de recur-
sos humanos para o desenvolvimento de pes-
quisas, tecnologias e inovação em plantas me-
dicinais e fitoterápicos;
• estabelecer estratégias de comunicação para 
divulgação do setor plantas medicinais e fitote-
rápicos;
• fomentar pesquisa, desenvolvimento tecnológi-
co e inovação com base na biodiversidade bra-
sileira, abrangendo espécies vegetais nativas e 
exóticas adaptadas, priorizando as necessida-
des epidemiológicas da população;
• promover a interação entre o setor público e 
a iniciativa privada, universidades, centros de 
pesquisa e Organizações Não Governamentais 
na área de plantas medicinais e desenvolvimen-
to de fitoterápicos;
• apoiar a implantação de plataformas tecnológi-
cas piloto para o desenvolvimento integrado de 
cultivo de plantas medicinais e produção de fito-
terápicos;
116 UNIUBE
• incentivar a incorporação racional de novas tec-
nologias no processo de produção de plantas 
medicinais e fitoterápicos;
• garantir e promover a segurança, a eficácia e 
a qualidade no acesso a plantas medicinais e 
fitoterápicos;
• promover e reconhecer as práticas populares de 
uso de plantas medicinais e remédios caseiros;
• promover a adoção de boas práticas de cultivo 
e manipulação de plantas medicinais e de ma-
nipulação e produção de fitoterápicos, segundo 
legislação específica;
• promover o uso sustentável da biodiversidade 
e a repartição dos benefícios derivados do uso 
dos conhecimentos tradicionais associados e 
do patrimônio genético;
• promover a inclusão da agricultura familiar nas 
cadeias e nos arranjos produtivos das plantas 
medicinais, insumos e fitoterápicos; 
• estimular a produção de fitoterápicos em escala 
industrial;
• estabelecer uma política intersetorial para o de-
senvolvimento socioeconômico na área de plan-
tas medicinais e fitoterápicos;
• incrementar as exportações de fitoterápicos e 
insumos relacionados, priorizando aqueles de 
maior valor agregado;
• estabelecer mecanismos de incentivo para a in-
serção da cadeia produtiva de fitoterápicos no 
processo de fortalecimento da indústria farma-
cêutica nacional.
 UNIUBE 117
A cadeia produtiva de Flores e Plantas Ornamentais vem nos últimos 
anos se destacando expressivamente no cenário econômico brasilei-
ro. Tal destaque se dá principalmente no que tange à estrutura de mer-
cado, à diversificação de espécies e variedades, à difusão de novas 
tecnologias de produção, à profissionalização dos agentes da cadeia, 
bem como na sua integração.
Segundo Anefalos (2003), além dos tradicionais países produtores 
de flores e plantas ornamentais como Holanda, Itália, Dinamarca e 
Japão; o mercado mundial está se expandindo como um todo. Atu-
almente, os principais países exportadores são: Holanda, Colômbia, 
Dinamarca, Itália, Israel, Bélgica, Costa Rica, Canadá, EUA, Quênia, 
Alemanha, entre outros. As condições de produção do País, dotado 
de diversidade de solo e clima, permitem o cultivo de um infinito nú-
mero de espécies e conferem aos produtos brasileiros oportunida-
des de abrir espaços e de se firmar no mercado internacional.
O segmento no Brasil, que vem crescendo como um todo numa média 
de 20% a.a, (TANIO e SIMÕES, 2005). De acordo com o SEBRAE 
(2007), as perspectivas apontam para uma exportação do setor em 
torno de 80 milhões de dólares em 2007, ou seja, um aumento de 
515% desde 2000. 
Mesmo apresentando excelentes resultados e ótimas perspectivas, 
este segmento ainda apresenta grande potencial a ser explorado, 
principalmente na fase de cultivo a campo (Figura 5). Existem algu-
mas restrições para que se eleve a pequena participação brasileira no 
mercado internacional, podendo-se citar entre elas a não adequação 
de padrões de qualidade, problemas relacionados à questão fitossani-
tária e de ordem tributária, principalmente a falta de uma infraestrutura 
logística adequada para escoamento da produção a nível competitivo 
e ainda a tímida estruturação da sua cadeia de suprimentos.
118 UNIUBE
Figura 5: Cadeia de Flores e Plantas Ornamentais. 
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
A exigência do mercado consumidor por produtos de qualidade e de 
maior valor agregado, juntamente com os efeitos da globalização, 
concorre para uma necessidade de mudança na forma em que as 
cadeias produtivas vêm operando. Tal mudança converge para uma 
nova abordagem, voltada à de cadeias de suprimentos e a especifi-
cação logística dos produtos finais (Figura 6).
Figura 6: Cadeia de Flores e Plantas ornamentais para exportação no Brasil.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
 UNIUBE 119
4.4 Caracterização e simulação nas cadeias de frutas 
e bebidas
O complexo agroindustrial de frutas possui inegável potencial expor-
tador. No entanto, ainda apresenta um comportamento de expansão-
-amadurecimento, absorvendo estratégias comerciais consistentes. 
Inicialmente, algumas observações merecem destaque:
• existe uma razoável especialização geográfica nas vendas de fru-
tas processadas, pois 73% dos países (61 em 84) realizam mais 
de 40% de suas importações de uma só empresa brasileira;
• aparentemente, não há complementaridade entre as vendas de 
sucos e de polpas e as de frutas frescas, pois dentre as 20 maio-
res exportadoras de sucos e polpas (80% das vendas), somente 
quatro também realizam exportações de frutas frescas.
Dessa forma, o planejamento estratégico sugere ações específi-
cas para cada produto (in natura x processadas), de acordo com 
as particularidades regionais (vocação, caracterização de mão de 
obra, nível tecnológico empregado), reconhecido à tendência imi-
nente das vendas de frutas processadas. 
De modo geral, as políticas devem abranger as demandas das princi-
pais agroexportadoras (diminuição dos entraves tributários e logísticos 
e promoção dos produtos em feiras internacionais), além de prover, 
junto à pequenos produtores e associações oportunidades de produ-ção em escala, expansão e tecnificação (materiais genéticos, irriga-
ção, assistência técnica, crédito e nichos específicos – certificação e 
orgânicos).
Ao mesmo tempo, há expectativas de expansão do consumo de frutas 
no mercado interno, principalmente com o nível de diversificação de 
produtos desenvolvidos pela agroindústria (e indústrias de agregação 
de valor). De acordo com a Figura 7, os próprios canais de distribuição 
e a promoção imposta pelo comércio varejista (valorização dos horti-
fruti, exposição de imagem e aspectos qualitativos – frescor, padroni-
zação, sabor). 
120 UNIUBE
Figura 7: Cadeia Produtiva de Frutas.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Um dos principais instrumentos para coordenação da fruticultura de 
mesa, inclusive sob o enfoque competitivo, é o PIF (Programa Integra-
do de Frutas) promovido e implantado pelo Estado, como instrumen-
to de promoção do produto no mercado internacional, intervindo nos 
processos produtivos. Desse modo, algumas prerrogativas sugeridas 
pelo CAI-frutas (mesa) são abordadas na perspectiva de competitivi-
dade (padronização, certificação, shelf-life).
Produção Integrada de Frutas - PIF é um Programa de Avaliação da 
Conformidade voluntário, desenvolvido pelo Inmetro em conjunto com 
o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que 
gera frutas de alta qualidade, priorizando a sustentabilidade, a aplica-
ção de recursos naturais, a substituição de insumos poluentes, o mo-
nitoramento dos procedimentos e a rastreabilidade de todo o proces-
so do programa, tornando-o economicamente viável, ambientalmente 
correto e socialmente justo. O principal objetivo da PIF é substituir 
 UNIUBE 121
as práticas convencionais onerosas por um processo que possibilite: 
diminuição dos custos de produção, melhoria da qualidade, redução 
dos danos ambientais e aumento do grau de credibilidade e confiabili-
dade do consumidor em relação às frutas brasileiras.
PIF Significa “tempo de prateleira”, ou seja, o período de armazena-
mento em que produtos com alta qualidade inicial permanecem ade-
quados para o consumo.
Somando-se a esse instrumento, com enfoque na abertura, conquis-
ta e manutenção de novos mercados para a colocação de grandes 
quantidades de sucos e de polpas de frutas tropicais são necessárias 
duas ações simultâneas:
• na esfera produtiva: reestruturação organizacional do setor pro-
dutivo, viabilizando a introdução de novos métodos produtivos (o 
que exige o aumento das atividades de pesquisa científica e de 
extensão rural), de novas tecnologias pré e pós-colheita, assim 
como apoio à formação de consórcios de empresas exportado-
ras, tanto para as atividades diretamente comerciais (pesquisas 
de mercado, identificação de padrões de consumo etc.), como 
para as atividades de distribuição física internacional (serviços 
de logística, pós-processamentos dos produtos nos mercados de 
destino etc.);
• na esfera comercial: apoiar estratégias de inserção industrial de 
empresas brasileiras nos mercados internacionais, tanto diretas, 
como indiretamente (através de associações com empresas lo-
cais), de forma a conseguir a colocação permanente dos produtos 
brasileiros, o que permitirá formular estratégias para consolidar as 
marcas identificadas como “Produzido no Brasil”.
122 UNIUBE
Resumo
Nesse capítulo, avançamos na proposta de modelagem de cadeias 
produtivas, com a intenção de aplicar os conhecimentos já adquiridos 
em roteiros anteriores (Administração e Complexos Agroindustriais) 
na perspectiva de uma análise sistêmica. 
Dessa forma, esse material corrobora a caracterização de cadeias 
produtivas de origem vegetal especificamente, destacando os atores 
participantes, os ambientes e cenários de negócios, instrumentos de 
coordenação e intervenção e, principalmente, o foco no consumidor 
final bem como as modalidades de transferência (insumo-produto) à 
cada etapa. 
O texto destacou algumas cadeias principais que permeiam o cenário 
econômico, na condição de simulação para reconhecimento do com-
portamento do produto e elaboração de estudos estratégicos.
Atividades
Atividade 1
Defina os principais tópicos para a caracterização das cadeias pro-
dutivas brasileiras.
Atividade 2
Marque a alternativa correta:
a) ( ) Uma das principais características dos mercados de grãos é 
a baixa competitividade (quanto à presença de concorrentes);
 UNIUBE 123
Atividade 3
Aponte os principais fatores determinantes à competitividade da soja 
brasileira e atores envolvidos.
Atividade 4
Liste e comente 3 (três) práticas de coordenação da qualidade no sen-
tido cliente-fornecedor e, ainda, 3 (três) no sentido fornecedor-cliente.
b) ( ) A capacidade de propor práticas de coordenação da quali-
dade, empenho na competitividade em ambientes altamente 
sofisticados e consistência quanto à gestão de conflitos e ce-
nários são fundamentais para o alinhamento com as tendên-
cias de mercado;
c) ( ) A noção de Qualidade, aplicada às cadeias produtivas, prece-
de à proposta de coordenação dos processos;
d) ( ) A prática da Qualidade nos processos agroindustriais, pro-
põe diferenciação de colocação dos produtos no mercado, 
sem necessariamente sugerir sustentabilidade.
Atividade 5
Marque V ou F
( ) A Política de comércio externo abarca ações voltadas para 
reduzir o protecionismo no comércio internacional dos grãos 
(principalmente soja), como o monitoramento das práticas de 
comércio e a representação dos interesses dos atores nos fó-
runs internacionais;
124 UNIUBE
Referências
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Brasileiro de Flores e Plantas Ornamentais. Agric. 
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CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível 
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HADDAD. P.R. A Competitividade do agronegócio e o 
desenvolvimento regional no Brasil: estudo de clusters. 
CNPq – Embrapa, Brasília, DF, 1999.
( ) Os subsídios agrícolas são a quantidade de dinheiro paga aos 
fazendeiros por unidade que eles produzem ou exportam. São 
praticados principalmente em países como Brasil, Argentina e 
México;
( ) As políticas de informação, apesar de auxiliarem na coordena-
ção dos processos agroindustriais, não interferem diretamente 
na tomada de decisão desses negócios;
( ) A tecnologia é o elemento determinante da formação [e trans-
formação] dos complexos agroindustriais, principalmente na 
dimensão das relações intersetoriais.
 UNIUBE 125
IBRALOG. Instituto Brasileiro de Logística, Desafios de Logística 
para o Agronegócio, Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2007. 
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TOLEDO, J. C. et al. Coordenação da Qualidade em Cadeias de 
Produção: Estrutura e Métodospara Cadeias Agroalimentares. Revista 
Gestão e Produção. São Carlos, v.11, n.3, p. 355-372, set.-dez. 2004.econômicas, políticas e sociais;
• desenvolver uma visão crítica no que diz respeito 
ao agronegócio e às políticas públicas a ele relacio-
nadas;
• identificar as oportunidades e ameaças de cada elo 
da cadeia produtiva, bem como as fragilidades exis-
tentes em cada segmento e propor soluções para a 
retomada de seu crescimento;
• reconhecer a importância do segmento e a necessi-
dade de uma maior profissionalização no setor;
• assessorar o empresário rural na tomada de deci-
são no que referir-se à análises da cadeia produtiva 
e suas oportunidades de negócio.
Objetivos
Esquema
6 UNIUBE
Há mais de 12.000 a.C., na África, o homem sobrevivia graças à caça 
de grandes animais que alimentava todo o clã. Por este motivo, os 
povos tinham como característica mais marcante desta era o fato de 
serem nômades, pois, todas as vezes que a caça ficava escassa na-
quela região, irremediavelmente, se viam na necessidade de busca-
rem outro local onde tivesse mais caça disponível.
Isto permaneceu até que estes homens primitivos descobriram algu-
mas raízes e folhas comestíveis e aprenderam a cultivá-las, ao mesmo 
tempo em que aprenderam a domesticar alguns animais, dando início 
à agricultura primitiva – que significava não somente o ato de cultivar 
plantas, mas, também de criar animais para seu sustento. Portanto, 
é um erro algumas classificações que tratam a agricultura totalmente 
isolada de pecuária.
Usualmente, percebe-se na literatura a expressão agropecuária para 
designar atividades de agricultura e pecuária. Mas, o uso isolado da 
palavra agricultura é o suficiente para caracterizar todas as atividades 
de cultivo do solo e o criatório de animais tendo como objetivo a pro-
dução de alimentos.
SAIBA MAIS
O Agronegócio não é uma invenção brasileira. O conceito do negó-
cio não foi realizado por nenhum pesquisador brasileiro, mas por 
dois professores americanos de Harvard. Mas, ninguém pode negar 
que o Brasil é a maior referência em agronegócio do mundo!
E, não é só pela aptidão natural deste povo para o trato com a terra, 
com o gado e com as florestas. Deus foi generoso ao dotar este país 
com 877 milhões de hectares de terra, das quais 354,8 são terras 
aráveis, das quais mais de 100 milhões de hectares ainda estão dis-
poníveis para a agricultura e pecuária.
1.1 O agronegócio no Brasil – a grande alavanca para 
a prosperidade
 UNIUBE 7
Na Figura 2, a seguir, utilizamos como exemplo da domesticação de 
animais uma pintura rupestre encontrada na Serra da Capivara, no 
município de São Raimundo Nonato/PI.
Figura 2: Demonstração do cotidiano de clã pré-histórico 
domesticando animais na Serra da Capivara – Piauí.
Um antigo slogan da Manah, que hoje pertence à Bunge Fertili-
zantes, criado na década de 1940, que parodiava um conto do es-
critor que mais se dedicou aos temas rurais e bucólicos, Monteiro 
Lobato, fortalecia o adágio de que “neste país, se adubando, dá”, 
conforme demonstrado na Figura 3. Mas, por muito tempo, sequer 
era preciso plantar ou mesmo adubar, pois, por décadas e décadas 
os portugueses quitaram parte de sua dívida externa e encheram 
seus cofres de tesouros, graças ao extrativismo oriundo das para-
gens brasileiras.
8 UNIUBE
Slogan da Manah nos anos 1980 Slogan da Manah nos anos 2000
Figura 3: “Adubando, dá”. Dois momentos do slogan da Manah, que era muito
repetido pelos homens do campo.
Fonte: Manah.
A agropecuária sempre esteve à frente da construção, desenvol-
vimento e manutenção econômica deste país. E, nos últimos dez 
anos, esta foi a atividade que mais cresceu no país. A participação 
da atividade no Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma 
em valores monetários de todos os bens e serviços produzidos, no 
período compreendido entre os anos de 2000 a 2010, aponta um 
crescimento anual de 3,67%, enquanto o PIB global do Brasil mos-
tra um crescimento médio anual de 3,59%, conforme demonstrado 
no Quadro 1 (AGRO-CIM, 2011).
Quadro 1: Demonstrativo do crescimento do PIB brasileiro
Fonte: Adaptado de AGRO-CIM (2011).
Crescimento do PIB no Brasil no período de 2000 a 2010 (média anual) %
Crescimento do PIB do Agronegócio 3,67
Crescimento do PIB dos demais seguimentos econômicos do país 3,59
Os motivos de um crescimento tão acentuado da agropecuária na úl-
tima década, estão relacionados, principalmente, às grandes trans-
formações pelas quais passou e passa o setor, e que se seguem 
desde a valorização das commodities (que exerceram um impor-
tante papel neste desempenho), passando por uma boa conjuntura 
 UNIUBE 9
econômica, fortalecimento e estabilização da moeda nacional, até 
a incorporação de modernas tecnologias pelos produtores rurais. 
Por outro lado, as insipientes políticas agrícolas existentes são insu-
ficientes para proteger e assegurar resultados favoráveis ao produtor 
rural; as constantes e inúmeras intempéries climáticas que destroem 
lavouras e pastagens, e uma estrutura logística arcaica e sucateada, 
acabam minando todas as possibilidades de enriquecimento que são 
naturais num negócio tão promissor quanto o agronegócio. É neces-
sário o engajamento de todos os setores do complexo agroindustrial 
a fim de exigir que o governo assegure o necessário e efetivo apoio 
ao produtor rural, pois, quando este perde, todos os elos à jusante 
também saem perdendo.
Hoje, a produção agropecuária do Brasil está entre as mais ricas do 
mundo. Segundo o Plano Agrícola (MAPA, 2011), a safra 2010/2011 
transportará o país a mais um novo recorde na produção de grãos 
com mais de 161 milhões de toneladas. Este resultado, segundo o 
Plano Agrícola para 2011, está acima da safra do ano anterior, com 
um percentual de 8,2%, tendo um aumento de 3,8% na área plan-
tada e 4,2% na produtividade. Resultados como estes, é que co-
locam o Brasil entre os mais competitivos do mundo, endossando 
o prognóstico das Organizações das Nações Unidas, que o veem 
como celeiro capaz de atender à demandas cada vez maiores por 
alimentos. A exemplificar, os bons resultados da colheita de soja 
em Uberlândia/MG, como representado na Figura 4.
Segundo o Plano Agrícola de 2011, o país também é um dos princi-
pais fornecedores de proteína animal no mercado internacional de 
alimentos, destinando o excedente de sua produção a 215 países 
do planeta. Além disto, a cada ano aumenta o número de lavou-
ras com desempenho superior no que diz respeito ao aumento no 
10 UNIUBE
Valor Bruto da Produção (VBP) de vá-
rias commodities, como, por exemplo, a 
soja – reflexo de um relacionamento sau-
dável entre os diversos elos das cadeias 
produtivas do agronegócio brasileiro, e 
que resulta no aumento da rentabilidade 
líquida do setor.
Valor Bruto da Produção
Representa toda a 
receita bruta gerada na 
agropecuária, ou seja, e 
resultado da multiplicação 
do preço dos produtos 
pela respectiva 
quantidade produzida.
Figura 4: Colheita de soja na região de Uberlândia – MG.
Todos estes fatores aliados às diversas ações governamentais re-
lacionadas à uma produção agropecuária sustentável, consolidado 
pelo Programa de Agricultura de Baixo Carbono, e, que é parte das 
exigências do mercado internacional, colocaram o Brasil na pole 
position da produção agrícola mundial.
1.2 O Complexo agroindustrial brasileiro
No final da década de 1950, logo após a Segunda Guerra Mundial, 
o desempenho apresentado pelas atividades rurais do Brasil, base-
ado no processo de modernização, foi de tamanha importância que 
 UNIUBE 11
colocou o assunto entre os mais importantes. O país sai de uma 
era em que prevalecia somente a agricultura baseada em práticas 
tradicionais de cultivo, onde não se concebia a ideia de agricultura 
moderna, baseada na introdução de novas tecnologias, para uma 
nova época, onde a adequação à modernidade deixava de ser um 
“modismo” para tornar-se uma necessidade.
Neste período, observa-se a introdução do uso de máquinas de be-
neficiamento de arroz, tanto quanto dos moinhos (mais) modernos 
de trigo no Rio Grande doSul. Ao mesmo tempo, verifica-se a im-
plantação dos “sofisticados” engenhos a vapor e das usinas de açú-
car na área de cultivo da cana-de-açúcar do Nordeste brasileiro.
Na década de 1970, verifica-se uma efetiva transformação na agri-
cultura, graças à implantação da política de modernização do setor, 
instalado pelo regime militar. A “agricultura capitalista” como ficou 
conhecida passa a dar considerável importância às exportações de 
produtos agropecuários (commodities) e dos produtos agroindus-
triais, resultado do processamento dos primeiros.
Nesta fase, mesmo com a relutância dos grandes latifundiários às 
tentativas de transformações no arcaico modelo fundiário existente 
no país, passa a prevalecer a ideia de “atividade empresarial” no 
campo, contra o que se denominava de “tradições” por parte destes 
grandes proprietários. A terra passa a valer pelo que produz e não 
por sua extensão. Nota-se também, neste período, o investimento de 
capital de diferentes origens, fugindo do que era considerado ape-
nas como o capital de origem agrária (PALMEIRA e LEITE, 1998).
Com o incentivo do governo militar à modernização da agricultura, 
verifica-se, a partir desta década:
12 UNIUBE
• investimentos governamentais em infraestrutura de transporte, 
com abertura de rodovias federais, via Plano de Integração Na-
cional (PIN), facilitando o escoamento da produção agrícola;
• acesso à terra e ao crédito ao produtor através do Programa de 
Redistribuição de Terras e Estímulo à Agroindústria do Norte e 
Nordeste (PROTERRA);
• instalação dos Programas de Desenvolvimento do Centro-Oeste 
(PRODOESTE) e do Programa de Desenvolvimento dos Cerra-
dos (POLOCENTRO), favorecendo a agricultura e pecuária desta 
região, que sai da era do extrativismo para a agricultura comercial;
• fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - 
Embrapa.
Em 7 de dezembro de 1972, o então presidente da República, Emílio 
Garrastazu Médici, sancionou a Lei nº 5.881, que autorizava o Poder 
Executivo a instituir empresa pública, sob a denominação de Empresa 
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministé-
rio da Agricultura.
O artigo 7º estabelecia um prazo de 60 dias para a expedição dos 
estatutos e determinava que o decreto fixasse a data de instalação da 
empresa.
O Decreto nº 72.020, datado de 28 de março de 1973, aprovou os esta-
tutos da Empresa e determinou sua instalação em 20 dias (MAPA, 2008).
SAIBA MAIS
Por volta de 1980 e até meados da década de 1990, vários teóri-
cos começaram a substituir a palavra agribusiness por agronegócio 
e a substituir a expressão agricultura moderna ou capitalista por 
agroindústria. Inevitavelmente, surge a preocupação com a orga-
nização dos complexos agroindustriais do Brasil, como forma de 
estabelecer o lugar de destaque deste setor na economia do país 
(GRAZIANO da SILVA, 1991; KAGEYAMA et al., 1990). 
 UNIUBE 13
Complexos agroindustriais
Para entendermos o que é e como funciona os Complexos Agroin-
dustriais é necessário nos lembrarmos que a agropecuária brasileira 
foi de vital importância no contexto histórico da ocupação do territó-
rio e na delineação espacial do país. Além de ter muito contribuído, 
tanto quanto contribui, através da exportação de commodities para o 
crescimento das reservas cambiais, à sua própria mudança a nível de 
modernização e à construção de um sólido complexo agroindustrial 
no Brasil.
SAIBA MAIS
O que estes autores tinham em comum, era a preocupação em for-
malizar a integração entre a agricultura e a indústria, unindo a indus-
trialização de insumos fornecidos para a produção agropecuária à 
industrialização dos produtos gerados por ela numa única cadeia: a 
cadeia produtiva do agronegócio (GRAZIANO da SILVA, 1995).
Alguns teóricos enfatizam que os produtores rurais consideraram 
que a modernização no setor – que valorizava a ideia do agrone-
gócio em detrimento da “tradição” secular da agricultura - tirava a 
importância da área agrícola em si e ressaltava o valor do lado “in-
dustrial”, que passou a ser abordado como referência de um con-
junto de atividades do grupo que o controla e de suas formas de 
gerenciamento (HEREDIA, PALMEIRA, LEITE, 2010).
Entretanto, foi graças à conjunção “intersetorial” da agricultura e da 
indústria – que, segundo os próprios autores não feriu a proprieda-
de do setor agrícola – que se verificou uma maior adesão política e 
propiciou a análise das funções econômicas e produtivas do setor, 
podendo avaliar sua importância na economia do país.
14 UNIUBE
Formam-se os Complexos Agroindustriais do Brasil. E, são estes 
complexos agroindustriais, formados por diferentes players, que 
deram subsídios para se levantar uma série de questões de nature-
za social, econômica, política, tecnológica, geográfica, entre outras 
discussões.
1.3 As cadeias produtivas do CAI no Brasil
Revendo os estudos dos professores Ray Goldberg e John Davis, 
da Universidade de Harvard (1957), percebemos que só foi possí-
vel eles chegarem ao conceito de agronegócio após estudarem pro-
fundamente as transformações e reestruturações da agricultura nos 
Estados Unidos, quando eles verificaram que havia muito mais que 
simples atividade rural centrada no campo, e, que aquele negócio 
envolvia uma série de atividades, pessoas e interesses que iam mui-
to além do simples “semear-plantar-colher”. 
O agronegócio não é somente “as operações de produção nas uni-
dades agrícolas”; ele também engloba “a soma total das operações 
de produção e distribuição de suprimentos agrícolas”; era ainda, “o 
armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrí-
colas e itens produzidos com eles”. Era todo um complexo.
Morvan, outro estudioso do assunto, 
observou a existência de diversos 
elos em todos os tipos de produção, 
e, a isto, deu o nome de Filière ou 
“Cadeia de Produção”, estabelecendo 
o seguinte conceito:
Filière
A abordagem de filière é uma 
ferramenta de análise de 
uma grande parte da Escola 
Francesa de Economia 
Industrial; é um instrumento 
que sugere a imagem de 
atos sucessivos, de estados 
a percorrer, de um modo 
de percurso obrigatório 
para atender um certo alvo 
(MORVAN, 1991).
 UNIUBE 15
A cadeia de produção é um conjunto de relações 
comerciais e financeiras que estabelecem, entre to-
dos os estados de transformação, um fluxo de troca, 
situado de montante a jusante, entre fornecedores 
e clientes. A cadeia de produção é um conjunto de 
ações econômicas que presidem à valorização dos 
meios de Produção e asseguram a articulação das 
operações (MORVAN, 1991, p. 243-275).
Apesar da complexidade e grandeza do assunto a ser estudado, 
buscamos caracterizar, sistematizar e, deste modo, compreender 
não só os complexos agropecuários em si, mas a própria moderni-
zação do campo. 
Para que isto se torne possível, vamos fazer nossos estudos por par-
tes. Que tal se começarmos a compreender que é “cadeia produtiva” 
e o que ela engloba?
De um lado, nós temos os fornecedores de bens e serviços à 
agricultura; de outro lado, nós temos os produtores agrícolas; 
mas, em outra ponta, ainda aparecem os armazéns, os dis-
tribuidores, as indústrias de transformação e processamento, 
até o consumidor final. Não podemos esquecer também, que 
participam desta estrutura, os agentes que coordenam estes 
complexos, tais como órgãos governamentais, instituições 
financeiras, prestadores de serviços, entre outras entidades.
Todos estes “atores” imprimem o dinamismo ao agronegócio e se or-
ganizam em cadeias que transitam do mercado de insumos e fatores 
de produção, passam pela unidade agrícola produtiva, circulam pelo 
armazenamento, processamento e transformação, são distribuídos 
e chegam às mãos do consumidor final.
16 UNIUBE
Figura 5: Elos de uma corrente, representando os diferentes agentes 
de uma cadeia produtiva, mostrando que cada elo depende um do 
outro.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Estes elos, por sua vez, recebem os seguintes nomes:
• Cadeia produtiva a montante– conhecida como “antes da porteira”;
• Núcleo da cadeia produtiva – conhecida como “dentro da porteira”;
• Cadeia produtiva a jusante – conhecida como “fora da porteira”.
A Figura 6 ilustra a sequência destes elos e nos dá a ideia do se-
quenciamento de um em relação ao outro, formando o que conhe-
cemos como Agronegócio.
Figura 6: Sequenciamento dos principais elos da cadeia produtiva 
agroindustrial.
Desta forma, percebemos que o complexo agroindustrial se divide em 
partes como se fossem elos de uma corrente, conforme demonstrado 
na Figura 5, organizando seus agentes de acordo com a posição em 
que se encontram em cada parte da cadeia produtiva.
Antes
Dentro
Depois
Assim, as cadeias produtivas compreendem os processos que se dão 
“antes da porteira” (ou a montante) da propriedade (tais como: crédi-
tos, insumos, maquinários, pesquisas etc.); os que ocorrem “dentro da 
 UNIUBE 17
porteira” (no nível da produção agrícola) e os que se efetivam “depois 
da porteira” (ou a jusante), a exemplo da industrialização, distribuição 
e comercialização dos produtos obtidos. 
Para um entendimento maior, a cadeia produtiva envolve, além das 
relações comerciais e financeiras, a análise dos seguintes ambien-
tes, conforme ilustrado na Figura 7:
• ambiente político; 
• ambiente institucional (sistema legal; fatores socioculturais, nor-
mas e regulamentações, concorrência); 
• ambiente organizacional (cooperativas, associações, alianças, 
parcerias etc.); 
• ambiente tecnológico; 
• ambiente cultural; 
• ambiente educacional.
Figura 7: Ambientes que influenciam na produção 
agropecuária.
18 UNIUBE
Todos estes ambientes influenciam diretamente nas decisões de 
produção. Existe um número muito grande de empresas, pessoas, 
instituições e órgãos governamentais envolvidos nas determina-
ções da produção agrícola. Estas empresas, agentes e instituições 
estão todos fora da fazenda, e não mais no seu interior, portanto, a 
montante ou a jusante da unidade de produção agrícola.
Também, é importante lembrar que, embora estas instituições, in-
dústrias e empresas de serviços influenciam diretamente as deci-
sões do que produzir, como produzir e quanto produzir, nem sem-
pre o núcleo de produção agrícola consegue influenciar de maneira 
direta nas decisões de qualquer destes agentes, talvez, porque o 
produtor rural, apesar de “carregar” a economia do Brasil em suas 
costas, ainda não conseguiu se organizar em cooperativas, sindi-
catos e associações fortalecidas e sérias, capazes de formar políti-
cas agrícolas eficazes e que defendam os interesses da classe junto 
aos formadores de opinião e tomadores de decisão.
Também, podemos supor que as fatias mais generosas dos lucros 
deste fantástico negócio não se destinam aos produtores rurais, mas 
ficam nas mãos de todos os demais envolvidos, uma vez que por in-
tegrarem uma classe desorganizada, não conseguem defender seus 
próprios interesses.
1.3.1 Estudo dos três elos mais importantes da cadeia produtiva
A cadeia produtiva vegetal pode ser visualizada como a ligação e a 
inter-relação de vários agentes interessados em ofertar ao mercado 
as mesmas commodities, que podem ser in natura ou processadas. 
O SEBRAE propõe uma metodologia em que se visualizam cinco 
segmentos, demonstrados na Figura 8.
 UNIUBE 19
Figura 8: Diagrama esquemático de uma cadeia produtiva.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
.)
.)
No capítulo seguinte, você terá oportunidade de aprofundar seus co-
nhecimentos no estudo dos complexos agroindustriais e seus com-
ponentes.
Agora, para compreendermos cada parte deste imenso quebra-cadeia, 
vamos conhecer um pouco da cadeia produtiva a montante, ou “antes 
da porteira”.
1.3.2 Cadeia produtiva a montante – “antes da porteira” (ou 
setor I):
As empresas que produzem e fornecem insumos e serviços auxi-
liaram o produtor rural na sua arte de produzir e, na maioria das 
vezes, são essenciais para a atividade agrícola. Estas empresas 
localizam-se “antes da porteira”, portanto, a montante do núcleo 
produtivo.
20 UNIUBE
Neste elo, encontram-se as seguintes agentes:
• pesquisa e desenvolvimento;
• insumos agropecuários;
• recursos financeiros;
• assistência técnica;
• máquinas e implementos agrícolas.
Se considerarmos como exemplo a cadeia produtiva da soja, pode-
mos exemplificar cada um destes agentes da seguinte forma:
Pesquisa e desenvolvimento: todas as pesquisas realizadas nas 
universidades e empresas privadas, buscando a erradicação de al-
gumas doenças e pragas da soja, além de estudos realizados no 
desenvolvimento de novas espécies, mais resistentes às doenças 
e com maiores teores de proteínas. Incluem-se também, as pesqui-
sas com organismos geneticamente modificados, em especial, a 
soja transgênica.
Insumos agropecuários: incluem-se as empresas de adubos, fer-
tilizantes e corretivos agrícolas; as empresas de defensivos, herbici-
das etc. Aqui, também, entram as sementes melhoradas, produtos 
agronômicos etc. Além disto, fornecedores de óleo diesel, óleos e 
lubrificantes para máquinas e veículos, materiais de construção, ma-
deireiras, arames e outros materiais, constam também desta lista.
Recursos financeiros: aqui entram os financiamentos de custeio 
agrícola, recursos para aquisição de áreas, aquisição de máquinas 
e implementos agrícolas etc. Instituições como o Banco do Brasil, 
maior incentivador do agronegócio no Brasil, além de outras insti-
tuições que financiam o custeio da lavoura, a aquisição de terras e 
máquinas e a própria comercialização da safra.
 UNIUBE 21
Assistência técnica: as empresas fornecedoras de insumos para 
a produção agrícola, geralmente têm como valor agregado de seus 
serviços, o fornecimento de assistência técnica especializada que 
faz o acompanhamento da produção para o produtor rural. É uma 
forma de fidelizar o cliente e que se constitui em atraente serviço 
para o produtor rural, que tem disponível a prestação de serviços de 
engenheiros agrônomos, topógrafos etc. Além da assistência técnica 
oferecida pelos fornecedores de insumos e máquinas agrícolas, é 
importante frisar a atividade de outros prestadores de serviços, tais 
como, engenheiros ambientais, engenheiros de segurança do traba-
lho, engenheiros civis, gestores de diversas áreas etc.
Máquinas e implementos agrícolas: todos os fabricantes de má-
quinas voltadas para a agricultura. Empresas, como a New Holland, 
John Deere, Valtra etc., além das indústrias de implementos agríco-
las. Além de máquinas e tratores, entram, aqui também, as empre-
sas de irrigação e todos os outros equipamentos essenciais para 
a produção. Fornecedores de ensiladeiras, enfardadeiras, e outros 
equipamentos, também fazem parte deste rol de empresas.
Podemos, esquematizar a cadeia produtiva a montante, “antes da 
porteira”, para o nosso exemplo de cultivo de soja, conforme de-
monstrado na Figura 9.
Figura 9: Esquema da cadeia produtiva a montante.
(a montante)
22 UNIUBE
1.3.3 Cadeia produtiva no núcleo da produção agrícola – 
“dentro da porteira” (ou setor II)
Se o setor I, ou setor a montante ou ainda “antes da porteira” é de 
incomensurável importância para o agronegócio, pois fornece todos 
os insumos necessários para a viabilidade da produção agrícola e 
pecuária, é no setor II, ou “dentro da porteira” que tudo acontece!
É neste setor que se localiza o recurso natural, o produtor rural e 
a mão de obra necessária para que o agronegócio brasileiro seja 
possível.
A agricultura, pecuária, reflorestamento são importantes atividades 
relacionadas com os processos agrícolas e pecuários, representa-
dos principalmente pelos produtores agrícolas e suas unidades de 
produção.
O produtor rural depende dos produtos e insumos fornecidos pelas 
empresas que se encontram “antes da porteira”, como por exemplo:
• os fertilizantes e defensivos agrícolas que corrigirão e protege-
rão suas lavouras;
• as vacinas, vermífugos e outros medicamentos necessários à 
sanidade de seus rebanhos;
• as máquinas e implementosagrícolas utilizados na preparação 
do solo, garantindo agilidade no plantio de suas culturas;
• o recurso financeiro que garantirá o custeio, investimento ou 
comercialização de sua safra;
• a assistência técnica que auxiliará na análise de cenários de 
seu negócio;
• as pesquisas e inovações tecnológicas que garantirão a produ-
tividade, minimização de custos e melhoramento genético de 
seus produtos.
 UNIUBE 23
Contudo, de nada adiantaria nenhum dos setores citados anterior-
mente, se o produtor rural optasse por não produzir. Por isto, ele, o 
“homem do campo” é a figura central de todo este processo, embora, 
quase sempre, fique com a menor fatia deste milionário negócio, e 
termine, na maioria das vezes, cada vez mais endividado e pobre.
É “dentro da porteira” ou no núcleo da produção agrícola que encon-
tramos:
• plantio (convencional, plantio direto, lavouras consorciadas, la-
vouras irrigadas etc.);
• mão de obra utilizada no processo produtivo;
• eventos, tais como leilões agropecuários, dias de campo e ou-
tros eventos que acontecem “dentro da porteira” e que visam 
promover a produção.
O agronegócio brasileiro alavancado pela combinação de uma de-
manda cada vez maior, preços cada vez mais elevados e profissio-
nalização do setor, bate recordes sobre recordes de participação 
no PIB do setor produtivo. Contudo, o produtor rural é obrigado a 
deduzir de seus parcos lucros todas as ameaças inerentes ao seu 
negócio, e que não divide com os setores a montante ou a jusante 
da porteira.
Entre as inúmeras ameaças enfrentadas pelo produtor rural “dentro 
da porteira” estão:
• questões de ordem climática, tais como: estiagem, excesso de 
chuvas, enchentes, veranicos etc.;
• altos custos dos principais insumos, por exemplo, os adubos 
químicos;
• subsídios agrícolas praticados por outros países e pouco com-
batidos pela Organização Mundial do Comércio colocando os 
produtos brasileiros em desvantagem competitiva;
24 UNIUBE
• pouca qualificação ou ausência de capacitação dos profissio-
nais que atuam no processo produtivo;
• emprego insuficiente das diversas tecnologias disponíveis para 
benefício do processo produtivo;
• aspectos jurídicos do agronegócio, principalmente, aqueles re-
lacionados às questões agrárias e ambientais.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo produtor rural 
para viabilizar os recordes brasileiros, consolidando o país como 
celeiro do mundo, “dentro da porteira” ele é eficiente e consegue 
vencer intempéries, crises econômicas e várias outras ameaças, 
saindo vencedor e entregando safras cada vez maiores nas mes-
mas áreas das safras anteriores.
Entretanto, ele perde toda sua eficiência e lucratividade quando car-
rega os caminhões destinando suas commodities aos armazéns, 
processamento ou distribuição. Ou seja, o produtor rural não con-
segue caminhar “fora da porteira” com a mesma eficácia com que 
consegue “tirar leite de pedra” dentro da propriedade rural.
Assim, o ideal é que, através de uma gestão estratégica dos negó-
cios rurais, o produtor rural passe a promover o crescimento verti-
cal de sua propriedade, integrando alguns elos da cadeia produtiva 
dentro do Núcleo de produção, tais como:
• aproveitamento de resíduos e dejetos para elaboração de ener-
gia e fertilizantes orgânicos que possam ser utilizados em suas 
lavouras;
• instituição de marca para seus produtos, comercializando parte 
das commodities como produtos com valor agregado, em que 
ele possa absorver parte do lucro que perde a jusante;
• construção de armazéns onde possa deixar sua produção até o 
momento certo de comercializá-las;
• aquisição de caminhões que minimizem os custos com logística.
 UNIUBE 25
Muito sensato supor que estas e outras medidas estão longe do al-
cance da maioria dos produtores rurais do Brasil, onde mais de 80% 
das propriedades pertencem a pequenos produtores e cuja produ-
ção caracteriza-se por agricultura familiar. Mas, se pensarmos em 
associativismo, cooperativismo e alianças entre produtores de uma 
mesma região, esta solução torna-se viável e prática.
1.3.4 Cadeia produtiva a jusante – “depois da porteira” (ou 
setor III):
As empresas que estão fora da porteira ou a jusante, são todas 
aquelas que dependem da produção agrícola para sobreviver. Se as 
empresas a montante dependem do homem do campo como agente 
essencial à sua sobrevivência, as empresas a montante dependem 
do produto que ele gera para poderem sobreviver.
Entre estas empresas, estão aquelas que servem de “apoio” como 
as organizações ligadas aos processos logísticos: transporte, emba-
lagem, armazenamento, distribuição.
Conta-se, também, entre as empresas do setor III, as agroindústrias 
ou indústrias de beneficiamento, que podem ser divididas em duas 
áreas:
• as indústrias pertencentes aos sistemas agroindustriais alimen-
tares;
• indústrias de transformação de 1ª, 2ª ou 3ª transformação, como 
no caso da soja (farelo de soja, óleo de soja, lecitina etc.);
• as indústrias pertencentes aos sistemas agroindustriais não ali-
mentares;
• indústrias têxteis, de celulose, couro e peles etc.
26 UNIUBE
Além destas empresas, neste setor, encontram-se as empresas de 
negociação, tais como as corretoras, bolsas de valores e armazéns. 
As vendas dos produtos, tanto no mercado interno, passando pelas 
exportações até chegar ao consumidor final, são realizadas pelas 
empresas que se encontram no setor III.
É neste elo da cadeia produtiva que os preços são determinados 
pelo mercado, baseados na lei de procura e oferta. As bolsas de va-
lores operam nos quatro cantos do mundo, dinamizando o processo 
de quem deseja o produto e quem tem para vender controlando os 
preços que oscilam de acordo com os eventos, conforme demons-
trado na Figura 10.
Figura 10: Esquema de formação de preços de acordo com a oferta e demanda
de produtos.
Mesmo sendo o produtor rural a peça mais importante desta corren-
te, ele é que menos se beneficia do que produz. Tem como agravante 
o fato de ser “mal visto” pela sociedade, que o considera responsá-
vel pelos altos custos dos produtos primários, pelo desmatamento, 
aquecimento global etc.
 UNIUBE 27
Resumo
Ainda que o agronegócio seja uma das mais importantes e significa-
tivas atividades para a economia do Brasil, muito pouco se tem feito 
para aproveitar os seus resultados, já que o país exporta commodi-
ties, enquanto deveria exportar produtos industrializados. Embora a 
atividade seja altamente rentável, os produtores rurais são os que 
menos lucram, uma vez que o setor ainda peca pela desunião, de-
sorganização e falta de políticas agrícolas que o favoreçam.
O mercado internacional caracteriza-se por exigências cada vez maio-
res e a adequação das propriedades rurais às normas para atendi-
mento a este mercado passa pelo processo organizacional, priorizan-
do capacitação de mão de obra, entre outras coisas.
Entretanto, não basta o país ser identificado como um dos maiores 
produtores de alimento do planeta. Existem muitas ameaças que 
rondam o agronegócio brasileiro e que, se não forem enfrentadas e 
corrigidas, poderão contribuir para a decadência deste negócio tão 
próspero.
Atividades
Atividade 1
Qual a importância do Agronegócio no PIB do Brasil? Baseado em 
sua resposta, quais são as perspectivas de mercado para quem está 
se preparando para entrar neste mercado?
Atividade 2
Cite os três principais elos da cadeia produtiva que compõem o com-
plexo agroindustrial brasileiro e suas principais características.
28 UNIUBE
Atividade 3
Crie uma cadeia produtiva para a soja, baseado no que você apren-
deu neste capítulo, com um mínimo de cinco elementos para cada 
elo da cadeia.
Setor 1: Montante
Antes da porteira
Setor 2: Núcleo
Dentro da porteira
Setor 3: Jusante
Fora da porteira
Atividade 4
Leia o texto a seguir:
A exploração pecuária no Brasil fundamenta-se 
quase que exclusivamente na utilização de pasta-
gens como fonte de alimento. Dos 147 milhões de 
hectares de pastagens existentesem 1972, 72,7% 
eram naturais e o restante cultivadas). Entretanto, 
este quadro tem sido modificado de modo grada-
tivo pela crescente formação de pastagens culti-
vadas, às custas da abertura de áreas de mata e 
cerrado (EMBRAPA, 1980). 
Agora, responda: O texto traz duas palavras-chave: pecuária e pasta-
gens. Em que elo da cadeia produtiva estão estes dois elementos e 
por quê?
Atividade 5
Existem vários recursos do governo destinados à produção agríco-
la, tanto para custeio, quanto para investimentos e comercialização. 
Entre os inúmeros programas governamentais, existe o PRONAF.
 UNIUBE 29
Pesquise sobre o assunto e responda:
• para quem ele se destina?
• quais são os valores que são liberados por linha de crédito e 
qual o juro anual cobrado para este tipo de financiamento?
Referências
AGROCIM. Centro de Inteligência em Mercados. Disponível em: 
. Acesso em: 10 out. 2011.
AMORIM, R. REVISTA ÚNICA ON LINE de 14 de maio de 
2010. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2011.
Cabeceiras do Piauí. Disponível em: . Acesso em: 10 out. 2011.
DAVIS, J. H e Goldberg, R. A. A concept of agribusiness. 
Boston: Harvard University. 1957. 135 p.
EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A 
expansão da pecuária e a indústria de sementes no Brasil. In: 
_______. As sementes de espécies forrageiras tropicais no 
Brasil. Circular Técnica n. 4, Campo Grande, MS, 1980.
GRAZIANO da SILVA, J. Complexos agroindustriais e 
outros complexos. Reforma Agrária, 1991. 21 (3): 5-34.
GRAZIANO da SILVA, J. A industrialização e a urbanização da 
agricultura brasileira. In: Seade, Brasil. São Paulo, Seade, 1995.
30 UNIUBE
HEREDIA B., PALMEIRA M., LEITE, S. P. Sociedade 
e economia do agronegócio no Brasil. Revista 
Brasileira de Ciências Sociais, v. 25, n. 74, 2010.
MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. História 
da Embrapa. Brasília, 2008. Disponível em: . Acesso em: 1 jul. 2011.
Manah. Disponível em: . Acesso em: 10 out. 2011.
MEGIDO, J.L. T. e XAVIER, C. Marketing & 
Agribusiness. São Paulo: Atlas, 1998.
Metodologia do Programa SEBRAE: Cadeias Produtivas 
Agroindustriais. Brasília: SEBRAE/NA, 2000, 56 p.
MORVAN, Y. Filières de production. In: Fondements d`Economic 
Industrielle. Paris: Econômica, 1991. Pag. 243-275.
PALMEIRA, M. e LEITE, S. Debates econômicos, processos 
sociais e lutas políticas. In: Costa, L. F. e Santos, R. N. (orgs.). 
Política e reforma agrária. Rio de Janeiro, Mauad, 1998.
SERRA DA CAPIVARA. Piauí, 2011. Disponível no site: . Acesso em: 1 jul. 2011.
Fabrício Pelizer de Almeida
Vânia Aparecida Borges Weitzel
Introdução
Os indicadores e o 
dimensionamento dos 
complexos agroindustriais 
de origem vegetal
Capítulo
2
Para justificar a formação dos complexos agroindustriais, é 
necessário que existam, pelo menos, dois setores interliga-
dos: a atividade produtiva (agricultura e pecuária) e a ativida-
de industrial. No que diz respeito às indústrias de insumos e 
às indústrias de transformação (ou processadoras), já vimos 
que elas estão a montante ou a jusante do núcleo produtivo, 
sendo que as indústrias de transformação têm uma ação mais 
direta com a agricultura.
Cada complexo agroindustrial ou cada cadeia produtiva é 
mais ou menos integrada ao elo seguinte, numa relação inter-
setorial que o torna dependente do comportamento dos atores 
e players envolvidos.
Conforme Silva (1993) ressalta, complexos agroindustriais 
mais completos são os que estão “fora da porteira” ou a jusan-
te, e que estão envolvidos com a distribuição, armazenamen-
to, comercialização e transporte dos produtos. Este mesmo 
autor diz que os CAIs incompletos, só apresentam relações 
para frente, isto é, com as indústrias processadoras.
32 UNIUBE
Nessa etapa de estudos dos complexos agroindustriais brasi-
leiros, vamos discutir aspectos fundamentais para a compre-
ensão dos arranjos produtivos, setores e atores que, de algu-
ma, forma exercem papéis variados na dinâmica funcional das 
cadeias produtivas.
O Capítulo 2, seguindo a proposta de trabalho, apresenta con-
ceitos e definições básicas para a compreensão didática das 
cadeias produtivas. Aqui, abordaremos princípios metodológi-
cos de estudo, caracterização e segmentação dos setores pro-
dutivos; em destaque, os produtos de origem vegetal. 
Objetivos
Ao final destes estudos, esperamos que você seja capaz de:
• compreender o papel dos indicadores socioeconômi-
cos na caracterização das cadeias produtivas;
• dimensionar a expansão dos complexos agroindus-
triais e distinguir fronteiras de negócios;
• identificar atores e respectivos papéis relacionados 
ao conjunto de atividades agroalimentares;
• expor segmentos e setores produtivos na proposta 
de uma leitura sistêmica dos complexos agroindus-
triais.
Esquema
2.1 Os indicadores e o dimensionamento dos complexos 
agroindustriais de origem vegetal
2.2 O CAI e seus componentes
2.3 Impactos intersetoriais do CAI
 UNIUBE 33
2.1 Os indicadores e o dimensionamento dos 
complexos agroindustriais de origem vegetal
2.1.1 Segmentação do mercado agroindustrial
Você viu que o complexo agroindustrial é dividido em elos ou ca-
deias. Cada uma destas partes irá estudar um conjunto específico 
de empresas, indústrias, prestadores de serviços e instituições de 
pesquisas, responsáveis pela produção, distribuição, armazenamen-
to, processamento e comercialização dos produtos agropecuários.
Para nos ajudar ainda mais na compreensão destes elos ou ca-
deias, vamos ver como cada empresa, serviço ou negócio se esta-
belece nestes elos e torna toda a cadeia dinâmica. Para isto, temos 
que segmentar o mercado.
Você já ouviu falar em segmentação de mercado?
Ao falarmos em segmentação de mercado, precisamos, antes de tudo, 
entender o que são os mercados dos quais estamos falando. Uma em-
presa conseguirá vender seus produtos aos seus clientes se forem ob-
servados alguns requisitos básicos: 
• deve existir alguém com uma necessidade que seja satisfeita 
com a compra deste produto; 
• a pessoa deve ter condições para comprar o produto; 
• deve existir condições para que a compra seja efetivada.
Segmentar um mercado significa escolher um grupo de consumi-
dores, com necessidades parecidas, para o qual a empresa poderá 
dispor seus produtos. O processo de segmentação requer que se-
jam identificados os fatores que afetam as decisões de compras dos 
consumidores. 
34 UNIUBE
Portanto, concluímos que: segmentar o mercado significa dividir um 
mercado em grupos de compradores potenciais que tenham seme-
lhantes necessidades e desejos, percepções de valores ou compor-
tamentos parecidos para compra.
Os mercados se diferem de várias formas, quanto aos desejos, re-
cursos, localidades, atitudes de compra e práticas de compra, enfim 
os mercados podem ser segmentados de várias maneiras. 
Quando uma empresa segmenta o mercado, torna-se mais fácil sa-
tisfazer suas necessidades e desejos, pois o composto de marketing 
será desenvolvido às necessidades específicas daquele segmento. 
Agora, quando se trata de desenvolver um composto dirigido a gran-
des mercados, formado por consumidores com diferentes necessi-
dades, o trabalho fica bem mais difícil. Por esta razão que a segmen-
tação do mercado facilita a empresa desenvolver e comercializar 
produtos que se aproximem mais à satisfação das necessidades de 
seus consumidores.
Imagine o gráfico de pizza como sendo o Mercado de Grãos no Brasil, 
nele cada fatia é um tipo de grão (café, soja, milho,feijão, arroz etc.). 
A cada fatia, dá-se o nome de segmentação do total de grãos pro-
duzidos no Brasil.
IMPORTANTE!
Figura 1: Exemplo de segmentação de mercado.
 UNIUBE 35
Ao se falar em agricultura, estamos generalizando tudo que se pro-
duz no campo. Então, vamos dividir a agricultura em:
• grãos;
• reflorestamento;
• produção de sementes;
• canavieira.
Mas, ainda assim, se falarmos somente em agricultura de grãos, o 
assunto ficará muito complexo, pois dentro da agricultura especiali-
zada em grãos, temos os produtores que optam por produzir:
• soja;
• milho;
• café;
• trigo.
Por isto, vamos usar como exemplo somente a cultura da soja.
Você percebeu o que acabamos de fazer? Nós dividimos a produ-
ção agrícola, portanto, nós a segmentamos. Mas, mesmo dentro de 
uma determinada cultura, nós ainda podemos segmentá-la. A soja, 
por exemplo, tem dois mercados: o mercado de soja transgênica e 
o mercado de soja comum.
Viu como é simples?
Da mesma forma, podemos segmentar o complexo agroindustrial em 
diversos elos ou partes. Segmentando o mercado, teremos mais facili-
dade em estudar cada uma das cadeias e sua relação com um conjunto 
específico de empresas, indústrias, prestadores de serviços e institui-
ções de pesquisas, responsáveis pela produção, distribuição, armazena-
mento, processamento e comercialização dos produtos agropecuários.
PONTO CHAVE
36 UNIUBE
Para ampliar ainda mais seus conhecimentos, prossiga para o es-
tudo do item a seguir. Estas leituras irão lhe ajudar a compreender 
melhor o agronegócio brasileiro e você, com certeza, sentirá orgulho 
de ser um gestor deste fantástico negócio.
2.1.2 Segmentação produtiva e dimensionamento das atividades 
agroalimentares
A evolução econômica, sobretudo com os avanços tecnológicos, 
transformou a fisionomia das propriedades rurais, principalmente 
nos últimos 50 anos. Alterações na composição social do meio, sal-
tos nos índices de produtividade agropecuária e rearranjo no modo 
produtivo, em geral. 
Dessa forma, a propriedade rural perdeu gradativamente sua autossu-
ficiência, na medida em que depende de insumos e serviços, especia-
lizando-se em determinadas atividades. Logicamente, há precedentes 
para a geração de excedentes de produtos, que, por definição, neces-
sitam ser alocados para diversos mercados em canais de comerciali-
zação. Apesar dessa visível modernização na agricultura, o processo 
de transformação no sentido de escala econômica e inserção desse 
segmento no ambiente de mercado, perpassa por estágios de espe-
cialização e industrialização na agricultura, em torno do excedente de 
produção.
O enfoque do agronegócio é essencial para retratar tais transforma-
ções verificadas na agricultura brasileira, nas últimas décadas, período 
no qual o setor primário deixou de ser um mero provedor de alimentos 
in natura e consumidor de seus próprios produtos, para ser uma ativi-
dade, integrada aos setores industriais e de serviços. De modo amplo 
na perspectiva conceitual, corrobora com a elucidação da definição de 
complexos (ou sistemas) agroindustriais (commodity system ap-
proach – CSA), proposta por Davis e Goldberg (ARAÚJO et al. 1990):
 UNIUBE 37
A soma total das operações de produção e dis-
tribuição de suprimentos agrícolas; as operações 
de produção nas unidades agrícolas; e o armaze-
namento, processamento e distribuição dos pro-
dutos agrícolas e itens produzidos com eles. [...] 
Inclui ainda, as instituições que afetam e coorde-
nam os estágios sucessivos de transformação do 
produto, tais como governo, associações e mer-
cados futuros.
Hoje, os principais insumos da agropecuária, tais como fertilizantes, 
defensivos, rações, combustíveis e outros, e a maquinaria utilizada 
(tratores, colheitadeiras e outros equipamentos), são predominan-
temente provenientes de setores industriais especializados em pro-
dutos para a agropecuária. Da mesma forma, conforme Figura 2, os 
produtos de origem agropecuária destinam-se, crescentemente, às 
agroindústrias especializadas no processamento de matérias-primas 
e de alimentos industrializados, consumidos no mercado interno ur-
bano e exportador (ARAÚJO, 1990). Vale ressaltar, ainda, a inserção 
dos serviços de apoio na reorientação dos sistemas produtivos.
Figura 2: Esquematização de um sistema agroindustrial.
Fonte: Adaptado de Araújo et al. (1990, p. 209).
38 UNIUBE
No entanto, na perspectiva do entendimento de complexos de bens, 
serviços e infraestrutura, não há como limitar o ambiente de negocia-
ção na esfera local, numa caracterização geográfica ou de processo. 
A delimitação das fronteiras agroindustriais inclui as tendências do 
mercado consumidor, bem como seu perfil. Neves e Spers (1996, p.5) 
observam que: 
Nesta ótica, os produtores e demais integrantes 
do sistema, seja das empresas de insumos, pro-
cessamento ou distribuição, passam a olhar não 
só os seus clientes e consumidores próximos, 
mas também os consumidores finais, com suas 
tendências, o mercado e sua evolução, os produ-
tos derivados do processamento, etc. [...] A visão 
sistêmica permite uma compreensão melhor do 
funcionamento da atividade agropecuária, sendo 
fator indispensável para que as autoridades públi-
cas e agentes econômicos privados, ou seja, os 
chamados tomadores de decisão tenham possibi-
lidades de formular políticas com precisão, justiça 
e maior probabilidade de acerto. 
As vias de produção e comercialização são, de modo geral, amplas 
no sentido da extensa gama de produtos, atores e setores envolvi-
dos e principalmente nas formas de distribuição e consumo. Deve-
-se considerar ainda que essa transferência de produtos e serviços 
é altamente dinâmica, na proporção em que os agentes que per-
meiam tal ambiente são caracterizados como distintos quanto às 
relações de interdependência e complementaridade. A ideia nessa 
ótica fornece subsídios para a compreensão de estruturas flexíveis, 
com diversas possibilidades de intervenção e definições estratégi-
cas, retratadas como cadeias produtivas (Figura 3).
Nessa perspectiva, a Escola Francesa de Organização Industrial, em 
1960, caracterizada pela ênfase nos processos industriais, interdepen-
dência e métodos, aplica o conceito de filière [cadeia] às atividades 
agroindustriais. Morvan (1985 apud Araújo 1990) define filière como:
 UNIUBE 39
Uma sequência de operações que conduzem à 
produção de bens, cuja articulação é amplamen-
te influenciada pelas possibilidades tecnológicas e 
definida pelas estratégias dos agentes. Estes pos-
suem relações interdependentes e complementa-
res, determinados pelas forças hierárquicas.
De modo sistêmico, o setor agroalimentar nas sociedades industria-
lizadas compreende quatro subsetores, de acordo com a referência 
teórica: 
• o das empresas que fornecem à agricultura serviços e meios 
de produção (crédito, assistência técnica, fertilizantes, plantas, 
defensivos, alimentos para animais, máquinas agrícolas etc.), 
chamado de “indústrias a montante”; 
• o agropecuário propriamente dito, de acordo com suas especifi-
cações, caracterização e segmentações produtivas;
• o das indústrias agrícolas de transformação e alimentícias, cha-
mado de “indústria a jusante”;
• o de distribuição de alimentos.
Destaca-se a importância de analisar os fluxos e encadeamentos por 
produtos dentro de cada um desses subsetores, por meio da noção 
de cadeia agroalimentar: itinerários seguidos por um determinado 
produto dentro do sistema de produção-transformação-distribuição e 
aos diferentes fluxos que a eles estão ligados. 
Portanto, o estudo de cadeia comporta dois aspectos fundamentais: 
sua identificação (o produto, seus itinerários, agentes e operações) e 
a análise dos mecanismos de regulação (estrutura de funcionamen-
to dos mercados, intervenção do Estado etc.) (Silva, 1996: p.68).
40 UNIUBE
Figura 3: Esquematização de um sistema agroindustrial.
Fonte: Adaptado de Neves e Spers (1996).
Do ponto de vista conceitual na análise de filière, é possívelefetuar 
a descrição de toda a cadeia, reconhecendo os papéis de atores na 
estruturação do modelo, a segmentação e os modos de integração 
e as políticas setoriais, além de compreender, segundo Leontief 
(1983), a matriz insumo-produto para cada produto específico na 
cadeia em estudo. 
Neves e Spers (1996), fundamentados no estudo de Y. Morvan 
(1985), apontam quatro situações em que a análise de cadeia pode 
ser empregada. Primeiro como mecanismo de descrição técnico-
-econômica descreve o caminho para a produção do bem final, o 
fluxo de inovações tecnológicas e o ritmo de difusão do progresso 
técnico, a natureza dos mercados e os aspectos dos consumido-
res. Segundo, como modalidade de análise do sistema produti-
vo, permite desmontagem do sistema. Terceiro, como método de 
análise de estratégias sugere que o sucesso das firmas é função 
de estratégias clássicas e estratégias de cadeias. E, por último, 
 UNIUBE 41
como sugestão de análise alinhada com desempenho superior de 
agentes que a compõem, comparando com as diversas estratégias 
clássicas da economia de escala, tais como, integrações vertical e 
horizontal, domínio da produção e comercialização, considerações 
físicas e diversificação (Figura 4).
Figura 4: Segmentação da agricultura.
Fonte: Adaptado de Kageyama et al. (1990, p. 186).
Explicitamente, conforme as situações já apontadas, têm-se a pre-
ocupação de gerar articulações entre os agentes que constituem a 
cadeia, tirar proveito da integração de operações, adequação de flu-
xos e redução de estoques, das vantagens comerciais advindas da 
criação de mercados cativos, conhecimento das relações entre os 
agentes, utilização de barreiras à entrada, proteção contra penetra-
ção estrangeira e domínio de nós estratégicos da mesma. 
42 UNIUBE
O quarto tópico sugere a análise de cadeia como instrumento de po-
lítica industrial uma vez que, quando organizada, é um forte grupo de 
pressão. Suas estratégias consideram impactos a jusante e a montan-
te, enfocando a qualidade e seus desdobramentos a longo prazo, esti-
mulando a articulação entre Estado, os agentes da cadeia, os agentes 
externos e as atividades de formação, informação e pesquisa.
De modo geral, a análise da cadeia produtiva numa leitura sistêmica, 
remete à identificação dos atores, seus respectivos papéis, coorde-
nação e orientação das atividades na segmentação insumo-produto 
e, finalmente, o consumidor. Portanto, o dimensionamento estrutural 
dos CAIs de origem vegetal, perpassa pela compreensão de indica-
dores (preços mínimos, relações de troca) aplicados à cada setor da 
cadeia em evidência.
2.2 O CAI e seus componentes
Conforme discutido anteriormente, existem especificações estruturais 
que diferenciam as cadeias produtivas, tanto em abrangência comer-
cial, volume de negócios, e dimensão geográfica. Significa que, ape-
sar de didaticamente o conceito agrupado por atividades ser idêntico, 
na realidade, assumem proporções e papéis bastante diferenciados. 
Em geral, o complexo agroindustrial (CAI) é uma estrutura econômica 
seccionada em três grandes fases, mas deve ser visto numa dimen-
são única. Tomando a agropecuária como referência, colocada no 
centro do processo, as três fases se compõem da seguinte maneira:
• a 1ª fase, a montante da agropecuária;
• a 2a fase, que é a agropecuária;
• a 3a fase, que é a comercialização ou fase a jusante da agro-
pecuária.
 UNIUBE 43
Fase I ou Setor I consiste no conjunto de indústrias e comércios, 
relacionados com a produção e distribuição de recursos de produção 
para as atividades agrícolas (produção de sementes, fertilizantes, 
defensivos, combustíveis, medicamentos, vacinas, rações, tratores, 
arados, grades, cultivadores etc.), situadas a montante da agrope-
cuária.
Fase II ou Setor II é a agropecuária: são as atividades relacionadas 
com os processos agrícolas e pecuários, representados principalmen-
te pelos produtores agrícolas e suas unidades de produção.
Finalmente, a Fase III ou Setor III, é representada pelo conjunto a 
jusante da agropecuária. São as diversas instituições e empresas co-
merciais, indústrias, armazenadoras, transportadoras, instituições de 
apoio, governo e outros, envolvidos no processo de levar o produto 
agrícola da unidade de produção até o consumidor final, na forma, no 
lugar, no tempo e em condições de posse desejadas por ele.
• CAIs completos
Entende-se como CAIs completos, o pleno ajuste (ou soldagem) das 
relações comerciais entre os setores produtivos, ou seja, forte inter-
dependência em cada fase da matriz insumo-produto. Essa relação 
tende a ser intensa à medida da expansão das atividades da cadeia 
produtiva e da própria escala de produção, principalmente nas bases 
agroindustriais. É o que se verifica nos CAIs da soja, algodão, cana-
-de-açúcar e integrações verticais (geralmente regidas por contrato) 
tal como a avicultura (milho-rações-aves-frigorífico).
• CAIs incompletos
Apesar de mantidas as especificidades nas relações setoriais à ju-
sante (agricultura-indústria), não são idênticas às relações à mon-
44 UNIUBE
tante (insumos), ou seja, o setor de insumos e máquinas é referido 
como genérico quanto à oferta de produto, sem a noção de soldagem 
e foco comercial estratégico. É o caso das oleaginosas (girassol, 
amendoim), parte dos hortifruti (tomate, uva) e grãos (milho, ervilha). 
• Atividades agrícolas modernizadas
Podem ser definidas como um conjunto de atividades moderniza-
das que dependem do fornecimento de máquinas e insumos (não 
específicos) e, principalmente, sem configurar uma sequência usual 
de aproximação da atividade agroindustrial. Nesse caso, apesar de 
não caracterizado um CAI propriamente dito, as empresas de em-
balagem e classificação representam um papel fundamental (seme-
lhante ao da agroindústria) no sentido de adicionar valor ao produto, 
conforme especificação de mercado. São incluídos nesse grupo o 
feijão (SP, GO), arroz (GO, MG, TO) e olerícolas (cebola, alho). 
• Atividades agrícolas artesanais e de subsistência
Aqui são relacionadas atividades sustentadas por bases artesanais 
quanto ao modo de produção, e numa relação do homem com a estru-
tura fundiária fundamentada na subsistência. É o caso da mandioca, 
banana, feijão e milho (em regiões pouco desenvolvidas). 
2.2.1 Dimensionamento do CAI brasileiro 
As fronteiras de atuação dos setores do CAI brasileiro permeiam por 
diversos ambientes de negócios e, portanto, são avaliadas sob dife-
rentes perspectivas quanto ao dimensionamento. Segundo Araújo et 
al. (1990), alguns índices são fundamentais para o delineamento das 
cadeias produtivas numa perspectiva econômica, a saber, o Valor da 
Produção (VP), do Consumo Intermediário (CI), do Valor Adicionado 
(VA) e Pessoal Ocupado (PO).
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2.2.1.1 Fase I do CAI: o setor de insumos e serviços para a 
agricultura
Em se tratando de insumos, entende-se (em um primeiro momen-
to) que estes englobam todo e qualquer fornecimento de recursos 
técnicos e próprios à produção (máquinas, equipamentos, fertili-
zantes, defensivos), que se alinhem à demanda da atividade agrí-
cola. De acordo com a Figura 5, o SETOR I ou FASE I das cadeias 
agroindustriais são, por definição, um conjunto de empresas com 
amplo perfil importador de matéria-prima (moléculas, insumos pri-
mários, tecnologia e equipamentos) para transformação e produ-
ção de insumos para o SETOR II ou FASE II. 
Figura 5: Detalhe de um esquema do setor à montante.
O Valor da Produção do SETOR I brasileiro nos últimos anos, tem re-
gistrado entre R$ 2,5 e 3,0 bilhões, destacando-se a indústria química 
(adubos e defensivos, com 56,2%) e do refino de petróleo (óleo die-
sel, com 17,4%.), como as principais fornecedoras de insumos para 
a agricultura. Estima-se que 65% desse montante (cerca de R$ 1,95 
bi), refere-se ao Consumo Intermediário, principalmente quando se 
trata de produtos químicos: matérias-primas para fertilizantes e defen-
sivos e para o refino do petróleo (óleo

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