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Direito Processual Penal I
Lei Processual Penal no Tempo
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade 
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Em outras palavras, a Lei Processual Penal é aplicada desde a sua entrada em 
vigor, não afetando os atos processuais até então realizados sob a vigência da lei 
anterior, pois a Lei Processual Penal não retroage. 
Observação: Tem aplicabilidade imediata só que respeita a situação jurídica já 
existente.
Exemplo prático:
• Imagine que uma denúncia foi recebida antes da vigência de uma nova lei. 
• Nesse caso, a nova lei não pode ser aplicada retroativamente, preservando a
validade dos atos realizados sob a lei anterior.
Principio do Contraditório e Ampla Defesa
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em 
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a 
ela inerentes; 
O princípio do contraditório é um princípio fundamental do processo judicial que 
garante que as partes envolvidas tenham a oportunidade de se manifestarem e 
defenderem os seus interesses.
O que significa o contraditório? O contraditório é o direito de resposta. 
Exemplo: 
Apresentação de provas: O princípio do contraditório é aplicado em diversas 
situações processuais, como na apresentação de provas, na defesa técnica e na 
participação do acusado. 
Quando uma das partes apresenta uma nova prova, a outra deve ser notificada e ter
a oportunidade de contestá-la.
Defesa técnica: Mesmo que o acusado não apresente defesa, ele tem direito à 
defesa técnica.
O acusado tem direito de acesso aos autos integrais do processo, incluindo 
eventuais depoimentos que o mencionem.
Participação do acusado: O acusado tem direito de assistir às audiências.
O acusado tem direito de se pronunciar sobre as atuações ou condutas processuais 
realizadas pela contraparte.
Ampla Defesa
O que significa a ampla defesa? A ampla defesa é o direito de utilizar todos os 
meios de defesa admitidos em Direito. 
A ampla defesa manifesta-se por meio da defesa técnica, exercida por um 
advogado ou defensor público, e a autodefesa, exercida pelo próprio acusado. 
Defesa técnica
A defesa técnica é exercida por um profissional com capacidade postulatória, que 
a exerce no melhor interesse do réu no âmbito do processo criminal.
Autodefesa
A autodefesa é aquela realizada pelo próprio acusado nos momentos processuais 
em que tem a possibilidade de se manifestar.
OBSERVAÇÃO: O princípio do contraditório e ampla defesa não se aplica a 
inquérito policial. Não há se falar em contraditório e ampla defesa em sede de 
inquérito policial, tendo em vista sua natureza inquisitorial. Com efeito, "não é 
assegurado ao investigado o exercício do contraditório no âmbito de inquérito 
policial.
Características do inquérito policial
Conceito
O inquérito policial, como procedimento investigatório no Direito Processual 
Penal, possui características distintas que orientam sua condução e eficácia. 
Fundamentais para a compreensão do processo penal brasileiro, estas 
características delineiam o modo como as investigações são realizadas e 
processadas antes da formalização de uma ação penal.
• Procedimento Escrito: Todas as ações realizadas durante o inquérito são 
documentadas por escrito e validadas pela autoridade policial. Isso inclui 
depoimentos, testemunhos, reconhecimentos, acareações e todas as 
diligências efetuadas (Art. 9º do CPP).
• Oficiosidade: O inquérito policial é iniciado de ofício pela autoridade 
policial, independentemente de provocação, sempre que há conhecimento 
da prática de um delito, exceto em casos de ação penal pública 
condicionada à representação ou delitos de ação penal privada (Art. 5º, I do
CPP).
• Oficialidade: A investigação deve ser realizada por agentes públicos, sem 
delegação a particulares, sendo atribuição das polícias federal e civil, 
exceto em casos de crimes militares (Art. 144, §§ 1º e 4º da CF).
• Discricionariedade: O delegado de polícia tem autonomia para determinar
as diligências necessárias ao esclarecimento dos fatos, embora essa 
discricionariedade não deva ser confundida com arbitrariedade, devendo 
sempre respeitar as normas constitucionais e infraconstitucionais 
aplicáveis.
• Inquisitorial: O inquérito policial possui natureza inquisitiva, voltada à 
obtenção de elementos que suportem o oferecimento de denúncia ou 
queixa-crime, sem as garantias do contraditório e da ampla defesa, exceto 
em casos específicos como o inquérito para expulsão de estrangeiro pela 
polícia federal.
• Indisponibilidade: Uma vez instaurado, o inquérito policial não pode ser 
arquivado pela autoridade policial por iniciativa própria. Deve sempre ser 
concluído e enviado a juízo (Art. 17 do CPP).
• Sigiloso: O inquérito pode ser mantido em sigilo para garantir a eficácia 
das investigações, embora o sigilo não se aplique ao juiz e ao Ministério 
Público, e o advogado tenha direito ao acesso aos elementos de prova 
documentados, conforme a Súmula Vinculante 14 do STF.
Observação: O arquivamento do inquérito policial somente se dará por decisão 
da autoridade judiciária. É ato do juiz, que determinará o arquivamento de forma 
motivada somente se houver pedido do Ministério Público que é o titular da ação
penal pública.
Ação Penal: Ação penal é um procedimento judicial que visa punir a pessoa que 
cometeu um crime ou contravenção. Pode ser pública ou privada.
A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente declara-a privativa do 
ofendido. Posto isso, o processo penal somente poderá iniciar por denúncia do 
Ministério Público ou por queixa do ofendido, ou representante legal, nos 
crimes de iniciativa privada. 
1) Ação penal pública: É a regra geral do sistema penal brasileiro, no qual os 
delitos são objeto de acusação pública - o Estado que detém o jus puniendi - 
formulada pelo Ministério Público estadual ou federal, através da denúncia, que 
deverá conter todos os requisitos do art. 41 do CPP. 
Ação pública incondicionada: A Autoridade Policial, assim que tomar 
conhecimento de um fato criminoso (independente se por meio da vítima ou por 
outra pessoa), é obrigada a instaurar inquérito. Após a instauração do inquérito e 
encerramento das investigações, o Ministério Pública poderá ofertar ou não a 
denúncia, mas em momento algum é necessário que a vítima represente contra
o acusado ou manifeste interesse em denunciá-lo, por isso incondicionada. 
Ação pública condicionada à representação da vítima: O Ministério Público 
também é o autor dessa ação penal, a diferença é que obrigatoriamente a vítima 
(ou seu representante legal) deve fazer a representação (ou requisição do 
Ministro da Justiça, quando a lei exigir, em crimes contra a honra do 
Presidente da República) 
2) Ação penal privada: o particular - vítima - é titular da pretensão acusatória e 
exerce o seu direito de ação dentro de 6 (seis) meses a partir da data em que soube
quem foi o autor do crime. A ação penal de iniciativa privada será exercida pelo 
ofendido ou seu representante legal através da queixa-crime, sendo necessária a 
contratação de um advogado com poderes especiais para propor a queixa, ou 
a procura da Defensoria Pública/Núcleos Jurídicos competentes para tal ato.
Observação: Uma ação penal pública, jamais será uma ação penal privada, 
por mais que seja uma ação penal pública subsidiaria da privada.
A extinção da punibilidade: O artigo 107 do Código Penal Brasileiro prevê as 
hipóteses de extinção da punibilidade. É a situação em que o Estado não pode 
mais punir alguém por um crime. Isso acontece quando não é possível aplicar uma
pena ou sanção ao autor do crime.
A extinção da punibilidadepode ocorrer por diversas causas, como:
• Anistia, graça ou indulto 
• Morte do agente 
• Abolitio criminis 
• Prescrição penal 
• Decadência e perempção 
• Renúncia ao direito de queixa e perdão do ofendido 
• Retratação do agente e perdão judicial 
• Cumprimento da pena 
Com a extinção da punibilidade, o Estado perde a autoridade de penalizar o 
indivíduo pelo ato ilícito cometido.
Observação: Anistia, Graça, Indulto – Perdão do executivo, todas as vezes que 
relacionar extinção de punibilidade a anistia, graça, indulto marcar como 
verdadeiro. 
Prescrição da Pretensão Punitiva (PPP)
A prescrição da pretensão punitiva diz respeito ao tempo em que o Estado tem 
para iniciar o processo criminal e buscar a aplicação da pena ao acusado. A 
prescrição nesse contexto funciona como uma espécie de limite temporal para a 
persecução penal, evitando que o Estado mantenha uma ameaça de punição 
indefinidamente sobre um indivíduo.
Ela é considerada antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, por isso, 
observa a pena máxima abstratamente cominada ao delito (art. 109, caput, do CP).
Prescrição da Pretensão Executória (PPE)
De outro modo, a prescrição da pretensão executiva ocorre após a condenação 
definitiva, quando há uma sentença transitada em julgado, e o Estado busca 
efetivar a pena imposta ao condenado. É importante ressaltar que a pena precisa 
ser executada em tempo adequado, garantindo que o seu cumprimento seja útil e 
justo.
Para o cômputo da PPE leva-se em consideração a pena em concreto, fixada na 
sentença penal (art. 110 do CP). É importante dizer que essa espécie de prescrição 
opera apenas em relação à pena, subsistindo os demais efeitos penais e extrapenais
da condenação.
A prescrição penal intercorrente é uma modalidade de prescrição que ocorre 
entre a publicação da sentença condenatória e o trânsito em julgado.
Como funciona 
• O prazo prescricional é calculado com base na pena aplicada na sentença
• A contagem do prazo começa a partir da data da sentença
• A prescrição intercorrente está prevista no artigo 110, § 1.º, do Código 
Penal
Na prescrição intercorrente, leva-se em consideração a pena fixada na sentença 
para saber o prazo prescricional (com base no artigo 109). No nosso caso da pena 
de 01 (um) ano, o prazo prescricional será de 04 (quatro) anos. Desse modo, caso 
haja transcorrido 04 (quatro) anos entre a sentença condenatória e o seu trânsito 
em julgado, extinta estará a pretensão punitiva do Estado.

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