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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES 
NATANE DE CASSIA DA SILVA DELFINO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O papel do biomédico na prevenção, diagnóstico e monitoramento 
de doenças transmissíveis emergentes 
The biomedical role in the prevention, diagnosis and monitoring of 
emerging communicable diseases 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mogi das Cruzes, SP 
2022 
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES 
NATANE DE CASSIA DA SILVA DELFINO 11182500846 
 
 
 
 
 
 
 
 
O papel do biomédico na prevenção, diagnóstico e monitoramento 
de doenças transmissíveis emergentes 
The biomedical role in the prevention, diagnosis and monitoring of 
emerging communicable diseases 
 
Trabalho de conclusão de curso apresentado 
ao curso de Biomedicina da Universidade de 
Mogi das cruzes, como parte dos requisitos 
para obtenção do título de Bacharel em 
biomedicina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Professor(a). Orientador(a): Dra Katia Cristina Ugolini Mugnol 
 
 
 
Mogi das Cruzes, SP 
2022 
 
 
Agradecimentos 
 
Agradeço à minha avó Maria Aparecida (em memória), que lutou tanto por mim 
e era o seu maior sonho que eu fosse estudar em Mogi. Aos meus avós Conceição e 
Ildefonso por acreditarem em meus sonhos. As minhas amigas, em especial Cauana 
que me apresentou o curso de Biomedicina, Taiane, Marina, Débora e Emily que me 
ajudaram a me sentir mais confiante e deram apoio moral ao longo da graduação. 
Agradeço também as minhas amigas e professores da universidade de Mogi das 
cruzes que contribuíram para que eu chegasse ao final da graduação. Em especial, 
um agradecimento à minha querida orientadora Katia Mugnol, pela dedicação, 
compreensão, amizade e por ter me dado todo o suporte necessário para a 
elaboração do artigo. Por fim, agradeço aos membros da banca professor Mauricio e 
professora Elen. 
Sem vocês nada disso teria sido possível. E obrigada a todos que contribuíram 
de alguma forma, ou torceram para que eu concluísse a minha graduação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O papel do biomédico na prevenção, diagnóstico e monitoramento de doenças 
transmissíveis emergentes 
The biomedical role in the prevention, diagnosis and monitoring of emerging 
communicable diseases 
 
Resumo: A biomedicina é a ciência que estuda as patologias humanas, suas causas e os meios para 
tratá-las. O profissional biomédico é responsável pela identificação, classificação e estudo de 
microrganismos causadores de enfermidades e por desenvolver tecnologias e produzir medicamentos 
e vacinas para combatê-las. Atua em diferentes áreas, tendo 35 habilitações possíveis, como, por 
exemplo, análises clínicas, microbiologia, saúde pública, biologia molecular, informática em saúde, 
gestão de tecnologias em saúde, entre outras. 
O presente artigo é uma revisão bibliográfica do tipo narrativa que visa trazer informações sobre o 
papel do biomédico na conscientização e prevenção da COVID-19, dengue e sífilis, doenças 
transmissíveis de alta incidência atualmente na população brasileira, bem como descrever as novas 
tecnologias disponíveis para o monitoramento e diagnóstico rápido dessas patologias. Destaque foi 
dado à biomédicos e pesquisadores que contribuíram com o avanço da ciência biomédica como o 
sequenciamento do genoma do vírus da COVID-19, a produção de vacinas, o isolamento e cultivo do 
coronavírus em laboratório para ampliar a aplicação de testes diagnósticos e aos biossensores e testes 
imunocromatográficos rápidos, ferramentas que aceleram o processo de diagnóstico e tratamento, 
além de serem vantajosos e de baixo custo. 
Dessa forma, demonstra-se a importância da biomedicina e do profissional biomédico nos tempos 
atuais, quando a sociedade enfrenta problemas de saúde com novas epidemias de doenças 
emergentes e também a persistência de doenças negligenciadas. 
 
Palavras- chave: Biomédico; Covid-19; Dengue; Diagnóstico rápido; Sífilis. 
 
Abstract: Biomedicine is the science that studies human pathologies, their causes and the means to 
treat them. The biomedical professional is responsible for identifying, classifying and studying disease-
causing microorganisms and for developing technologies and producing drugs and vaccines to combat 
them. It works in different areas, with 35 possible qualifications, such as clinical analysis, microbiology, 
public health, molecular biology, health informatics, health technology management, among others. 
This article is a narrative-type bibliographic review that aims to bring information about the role of the 
biomedical doctor in the awareness and prevention of COVID-19, dengue and syphilis, communicable 
diseases of high incidence currently in the Brazilian population, as well as describing the new 
technologies available for the monitoring and rapid diagnosis of these pathologies. Emphasis was given 
to biomedics and researchers who contributed to the advancement of biomedical science such as 
sequencing the genome of the COVID-19 virus, producing vaccines, isolating and culturing the 
coronavirus in the laboratory to expand the application of diagnostic tests and biosensors. and rapid 
immunochromatographic tests, tools that accelerate the process of diagnosis and treatment, in addition 
to being advantageous and low cost. 
In this way, the importance of biomedicine and the biomedical professional in current times is 
demonstrated, when society faces health problems with new epidemics of emerging diseases and also 
the persistence of neglected diseases. 
 
Keywords: Biomedical; Covid-19; Dengue; Quick diagnosis; Syphilis. 
 
 
Introdução 
 
Em 1966 surgiu o curso de Biomedicina no Brasil, com o principal objetivo de 
formar profissionais biomédicos capacitados para atuarem como docentes 
 
 
especializados nas disciplinas essenciais nas escolas de medicina e odontologia, além 
de auxiliarem pesquisas nas áreas de ciências básicas, aplicadas e científicas (CFBM, 
2020). 
Os Conselhos Federal e Regionais de Biomedicina (CFBM) / (CRBM) foram 
criados pela lei 6.684. de 3 de setembro de 1979 com o objetivo de orientar, disciplinar 
e fiscalizar o exercício do biomédico, sendo assim, buscou difundir a profissão em 
todos os Estados da Federação (CRBM1, 1983). 
Atualmente, a Biomedicina consagrou-se como uma das principais profissões na 
área da saúde do País, com aproximadamente 100 (cem) mil profissionais biomédicos 
ocupando cargos e funções em diversas especialidades, atuando principalmente no 
segmento de patologia clínica- análises clínicas (CRBM1, 2021) 
Além das análises clínicas, o Ministério da Educação (MEC), amparado no 
parecer CNE/CES 104, de 13 de março de 2002, publicou a Resolução CNE/CES nº 
23, de 18 de fevereiro de 2003, que institui as diretrizes curriculares para o curso de 
Biomedicina. Na definição, “o biomédico é o egresso/profissional com formação 
generalista, humanista, crítica e reflexiva, para atuar em todos os níveis de atenção à 
saúde, com base no rigor científico e intelectual, dentro dos mais altos padrões de 
qualidade e dos princípios da ética/bioética” (CRBM1, 2021). 
Com base nos documentos do MEC, o CFBM passou a sistematizar as 
habilitações, com o estágio obrigatório supervisionado na graduação, de 500 horas 
mínimas por área, ou após a graduação, o biomédico irá realizar cursos de 
especialização, não bastando apenas o diploma/certificado do curso (CRBM1, 2021). 
A figura 1 apresenta, de forma resumida, as habilitações do biomédico, conforme 
documento do CRBM primeiraregião (CRBM 1) atualizado em 2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: Habilitações biomédicas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em 1º de novembro de 2021, o CFBM publicou a resolução nº 341, que 
autoriza o biomédico a atuar como responsável técnico na atividade de biotecnologia 
(CFBM, 2021). Em 4 de abril de 2022, o CFBM publicou a resolução nº 346, 
atualizando as atribuições e a denominação da habilitação de informática da saúde 
(CFBM, 2022). Em 07 de abril de 2022, com amparo no inciso II do artigo 10 da lei 
federal 6.684/79, através do Art. 1º, estabelece-se a competência do biomédico para 
solicitação de exames laboratoriais nas seguintes atividades e habilitações: 
fitoterapia, medicina tradicional chinesa, ozonioterapia, perfusão extracorpórea, 
aconselhamento genético, biomedicina estética e fisiologia do esporte (CFBM, 2022). 
Os biomédicos são, portanto, profissionais com uma gama bastante ampla de 
áreas possíveis de atuação, o que não os exime da responsabilidade fundamental 
que é trabalhar em prol da saúde e do bem-estar das pessoas. Portanto, qualquer que 
seja a área de escolha, é preciso que se mantenham na frente de combate de 
doenças que frequentemente acometem a população brasileira e alertas àquelas 
emergentes, que podem trazer prejuízos importantes à saúde pública. Este 
posicionamento é o que motivou o presente trabalho. 
 
Objetivo 
 
Objetivo geral 
 
 
 
Fonte :CRBM 1. (2021) relação das habilitações do biomédico 
 
Figura 1: Habilitações biomédicas 
Fonte: CRBM (2021). Relação das habilitações do biomédico 
 
 
 Demonstrar, por meio de revisão bibliográfica do tipo narrativa, o papel do 
profissional biomédico no estudo e no combate de doenças transmissíveis 
emergentes ou negligenciadas no Brasil. 
 
Objetivos específicos 
 
Descrever o papel do biomédico no diagnóstico, controle e prevenção de 
doenças transmissíveis de alta incidência no Brasil. 
Descrever a contribuição do biomédico no desenvolvimento e na aplicação de 
novas tecnologias para o diagnóstico rápido da COVID-19, da dengue e da sífilis 
adquirida. 
 
 Metodologia 
 
 O presente trabalho é uma revisão bibliográfica do tipo narrativa que envolveu a 
pesquisa de literatura científica para resposta aos objetivos traçados. Para essa 
pesquisa utilizou-se como bases de dados: Google Acadêmico, SciELO (Scientific 
Electronic Library Online), PUBMED, biblioteca virtual da FAPESP, jornal (USP) e 
biblioteca online da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 
 Foram consideradas publicações técnicas e científicas divulgadas entre os 
anos de 2014 e 2022, utilizando-se os seguintes termos de busca: história da 
biomedicina, habilitações biomédicas, biomédico nas doenças emergentes, biomédico 
na pandemia de COVID-19, biomédico no diagnóstico da dengue, o papel do 
biomédico no diagnóstico da sífilis e os respectivos termos em inglês. 
 Foram encontrados 50 artigos e publicações com base nos termos utilizados. 
Destes foram selecionados os 29 que permitiriam reflexões e discussões sobre a 
temática proposta, a fim de evidenciar a importância do biomédico no 
acompanhamento de doenças transmissíveis de alta incidência no brasil atualmente. 
 
Desenvolvimento e discussão 
 
Doenças transmissíveis emergentes 
 
 
 
Desde 1980, o mundo enfrenta diversas ondas epidêmicas de doenças 
emergentes. A partir do século XXI, essas patologias causaram uma preocupação em 
nível global, devido aos seus impactos econômicos e de saúde em países com 
recursos limitados (SABIN et al., 2020). 
Com o passar dos anos, se torna mais difícil impedir o surgimento de novas 
patogenias devido à interconexão entre humanos, animais e o meio ambiente, porém 
é possível reduzir seus impactos e disseminação através da implementação de 
melhorias nos sistemas de alerta precoce, controle e prevenção eficazes. Estratégias 
importantes envolvem também o desenvolvimento de tecnologias para o diagnóstico, 
tratamentos e vacinas para responder a quaisquer ameaças (SABIN et al., 2020). 
 A biomedicina exerce um papel de extrema importância na saúde pública 
brasileira, sendo assim, cabe ao profissional biomédico por meio de diversas áreas de 
atuação com mais de trinta habilitações, desenvolver atividades que possibilitem um 
bem-estar à população, conscientização e prevenção de doenças. Participa também 
da evolução das tecnologias científicas laboratoriais para o diagnóstico, 
monitoramento e tratamento de determinadas patologias transmissíveis com grande 
potencial de expansão atualmente no Brasil (SILVA et al., 2014). 
 
O papel da ciência biomédica no enfrentamento das doenças transmissíveis 
emergentes 
 
COVID-19 
 
 Em 2019 houve a descoberta de um novo vírus de alerta mundial, denominado 
(SARS-COV-2), sendo a variação de um coronavírus preexistente, que causa uma 
doença infecciosa com manifestações predominantemente respiratórias. (ROLLAND et 
al., 2021). 
 As suas formas de contágio são através de gotícula de saliva, espirro, tosse, 
catarro, contato pessoal próximo ou contato com superfícies contaminadas seguido de 
contato com a boca, nariz ou olhos (ROLLAND et al., 2021). 
 No Brasil, o primeiro caso de COVID-19 foi confirmado em fevereiro de 2020 e o 
primeiro óbito em março do mesmo ano. Em janeiro de 2021, o Brasil ocupava a 
terceira posição entre os países com o maior número de casos confirmados no mundo 
(8.638.249) e a segunda em número de óbitos (212.831), sendo declarada pelo país 
emergência de saúde pública (FARIA et al., 2021). 
 
 
Desde o surgimento da COVID-19, a ciência biomédica tem se apresentado 
como uma das possíveis áreas de combate à propagação do vírus, na sua detecção, 
bem como no acompanhamento, evolução e cura da doença, tudo isso por meio da 
nanotecnologia, engenharia de vacinas, produtos farmacêuticos, dispositivos 
biomédicos, computação, bioimagem entre outros (LEDEZMA et al., 2020). 
Em 2020, a biomédica Jaqueline Góes de Jesus e uma equipe de cientistas 
coordenados por Ester Cerdeira Sabino, participaram do sequenciamento do genoma 
do vírus SARS-COV-2 novo coronavírus. A equipe de investigação do instituto Adolfo 
Lutz recebeu as amostras do primeiro paciente brasileiro infectado no dia 26 de 
fevereiro de 2020 e Jaqueline e sua equipe realizaram o sequenciamento do genoma 
do vírus em apenas 48 horas (CNS, 2021). 
A pesquisa de Jaqueline auxiliou em diversos estudos cujo objetivo é descobrir 
possível tratamento ou cura, uma vez que o sequenciamento do genoma pôde revelar 
quais proteínas alimentam o vírus, quais mutações ele sofre e de que forma atua no 
sistema imunológico humano, informações essenciais para a produção de 
medicamentos e vacinas (CNS, 2021). 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “as vacinas salvam 
milhões de vidas todos os anos “, a partir do treinamento e preparo das defesas 
naturais do organismo. O sistema imunológico tende a reconhecer e combater os 
vírus e bactérias que atacam um organismo, estando mais preparados para isso se o 
indivíduo for previamente vacinado contra as doenças causadas por esses antes 
(JÚNIOR, et al., 2021). Da mesma forma que para outras doenças, as vacinas se 
tornaram um importante instrumento na batalha contra a COVID-19 (JÚNIOR et al., 
2021). 
A Universidade de Oxford, na Inglaterra, em 2020, contou com a contribuição 
da biomédica baiana Alessandra Silva Coley para a produção de uma vacina contra a 
COVID-19. A Universidade chegou a aplicar testes em 10 mil voluntáriosno Reino 
Unido e no Brasil cerca de dois mil voluntários foram imunizados nos estados do Rio 
de Janeiro e São Paulo, no mesmo ano (G1, 2020). 
No Brasil, a vacinação contra a COVID-19 teve início em 17 de janeiro de 2021, 
com a aplicação da vacina CoronaVac, produzida a partir de uma parceria entre o 
Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac BioNTech (JÚNIOR et al., 2021). 
Também no ano de 2020, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas 
da Universidade de São Paulo (ICB-USP), conseguiram isolar e cultivar em 
 
 
laboratório o coronavírus SARS-COV-2 obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros 
diagnosticados com a doença no hospital Israelita Albert Einstein. A seguir, na figura 
2, é possível visualizar uma célula humana não infectada à esquerda e uma célula 
humana infectada à direita onde o coronavírus multiplica-se na célula cultivada em 
laboratório (ALISSON; FAPESP, 2020). 
 
 
Figura 2: Células humanas 
 
Fonte: À esquerda uma célula humana não infectada; à direita, o coronavírus multiplicando-se em célula cultivada em 
laboratório/Divulgação ICB 2020. 
 
Os vírus foram levados para grupos de pesquisa e laboratórios clínicos 
públicos e privados em todo o Brasil com o objetivo de ampliar a capacidade de 
realizações de testes diagnósticos e avançar em estudos sobre a causa e propagação 
da doença. Dessa forma, a disponibilização de amostras desse vírus cultivados em 
células iria permitir aos laboratórios clínicos terem um controle positivo para validar os 
testes de diagnósticos, de modo a assegurar que realmente funcionassem, visto que 
a falta de amostras para serem usadas como controles positivos na época era um dos 
fatores que limitavam o diagnóstico de coronavírus no Brasil (ALISSON; FAPESP, 
2020). 
Eles foram distribuídos inativados para os laboratórios clínicos, ou seja, sem a 
capacidade de infectar células e em temperatura ambiente em alíquotas com mais ou 
menos 1 mililitro (ml) em volume. O ácido nucleico dos vírus, presente nessas 
amostras, foi extraído e usado como controle positivo em exames baseados na 
técnica conhecida como PCR (reação em cadeia da polimerase). Essa técnica 
permite amplificar o genoma do vírus em uma amostra clínica, aumentando em 
 
 
milhões o número de cópias do RNA do coronavírus. Dessa forma, é possível detectá-
lo e quantificá-lo em uma amostra clínica. O PCR permite realizar o diagnóstico em 
até quatro horas (ALISSON; FAPESP, 2020). 
Os biossensores são uma tecnologia aplicável a testes diagnósticos e 
fornecem resultados em alguns minutos. São componentes de dispositivos analíticos 
utilizados para a detecção de uma substância biológica (RASMI et al., 2021). Essa 
tecnologia requer um menor volume de amostra comparada aos ensaios 
convencionais e permite o controle preciso e a manipulação de fluidos, além de 
melhorar a interação entre reagentes de ensaio e biomarcadores de destino, 
possibilitando uma menor duração do ensaio e fornecendo a leitura rápida (RASMI et 
al., 2021). Portanto, devido à alta demanda por testes rápidos na pandemia de 
COVID-19, os biossensores se demonstram úteis para o diagnóstico precoce da 
doença, sendo crucial na prevenção de complicações graves e fundamental para a 
implementação de medidas contra a disseminação adicional da doença (RASMI et al., 
2021) 
 Um dispositivo biomédico portátil foi criado por pesquisadores brasileiros em 
2020 que detecta o coronavírus em tempo real. O equipamento usa biossensores 
avançados com nano compósitos de óxido de grafeno para detectar o SARS-COV-2, 
como indicado na figura 3. Além de ajudar no monitoramento da COVID-19 no Brasil, 
poderá ser útil no diagnóstico de outras doenças (JORNAL DA USP, 2020). 
 
Figura 3: Aparelho biossensor 
 
Fonte: Biossensor e interface de bancada que estão sendo utilizados para o desenvolvimento da plataforma GRAPH 
Covid-19 – Foto: Divulgação 2020. 
 
O dispositivo biomédico GRAPH COVID-19, desenvolvido na Biosíntesis, 
empresa de pesquisa, desenvolvimento e inovação USP/IPEN-cietec é uma 
 
 
plataforma de Diagnostic on a chip baseada na tecnologia inovadora de biossensores 
como descrito acima. Uma das vantagens é que a plataforma de diagnóstico GRAPH 
utiliza baixo volume de amostra biológica, como, por exemplo, uma gota de sangue e 
é capaz de detectar e monitorar diversas doenças, tendo como prioridade testar a 
infecção por SARS-COV-2, como demonstra a figura 4. Além disso, o dispositivo terá 
produção nacional, possibilitando alta escala de produção para atender rapidamente à 
demanda diagnostica em todo o País (JORNAL DA USP, 2020). 
Atualmente, a chegada de biossensores como plataforma diagnóstica no setor 
clínico é uma evolução tecnológica, com grandes vantagens, tendo em vista que eles 
chegam para substituir os testes rápidos importados por imunocromatografia (método 
de baixa exatidão). Os biossensores avançados associados a nanocompósitos de 
óxido de grafeno podem ser utilizados para o diagnóstico em tempo real e para o 
monitoramento de diversas doenças como a dengue também. O GRAPH, é o método 
mais rápido disponível no mercado, com resultados em menos de um minuto, não 
necessita de laboratórios de biossegurança, o dispositivo é totalmente portátil e não 
necessita de um ponto de energia, internet ou estrutura laboratorial. Dessa forma, ele 
é um equipamento que trouxe muitos benefícios ao monitoramento da pandemia no 
Brasil, e o SUS foi o principal foco de atuação desta tecnologia (JORNAL DA USP, 
2020). 
 
Figura 4: Dispositivo GRAPH Covid-19 
 
Fonte: Diagrama de funcionamento do GRAPH Covid-19 – Foto: Divulgação 2020 
 
 
 
 
 
Dengue 
 
 Apesar de tanto desenvolvimento no cenário da saúde brasileira, têm-se 
observado infecções e doenças que reemergiram após um período de declínio, como 
é o caso da dengue (SILVA; VENTURA; JUNIOR, 2015). 
Muito mais antiga do que a COVID-19, ela também é uma preocupação de 
saúde pública. É uma doença transmitida por um vetor, o mosquito Aedes aegypti e é 
considerada uma infecção de difícil distinção da COVID-19, pois ambas compartilham 
manifestações clínicas semelhantes (RABIU et al., 2021). 
Além disso, o mosquito Aedes aegypti também pode transmitir as patologias 
Zika e Chikungunya e apresentam sintomas bem parecidos. Por essa razão, o 
diagnóstico clínico não é o suficiente para distinguir uma da outra, sendo necessário 
realizar testes laboratoriais que detectam qual o tipo de vírus está infectando o 
paciente e dessa forma contribuir na ativação de medidas públicas de controle em 
possíveis surtos ou epidemias (BIOEMFOCO, 2019). 
Ela é caracterizada como um grande problema de saúde no Brasil desde sua 
identificação, em 1845. O clima tropical brasileiro, com altas temperaturas e 
condições úmidas, proporciona um ambiente favorável para o desenvolvimento do 
vetor da dengue. Como resultado das condições climáticas e do tamanho da 
população, o país registrou três epidemias explosivas, em 2002, 2008 e 2010 e após 
o último ano houve uma queda significativa no número de casos da doença. Porém, 
em 2019 os casos voltaram a aumentar no Brasil, ultrapassando dois milhões de 
novas infecções em um ano (RABIU et al., 2021). 
O diagnóstico laboratorial da dengue se dá a partir do isolamento do vírus, da 
detecção do antígeno viral ou ácido ribonucleico (RNA) ou da detecção de anticorpos 
presentes no soro do paciente. Os testes sorológicos, entretanto, não são capazes de 
diagnosticar o estado microvascular (extravasamento de plasma), sendo uma das 
principais alterações fisiopatológicas na infecção por dengue (IBRAHIM et al., 2015). 
A engenharia biomédica (BME), a fim de superar algumas dificuldades nos 
métodos convencionais de diagnóstico de infecção pelo vírus da dengue, propõe 
ferramentas não invasivas para diagnosticar e classificar a gravidade da doença 
(IBRAHIM, et al.,2015). Uma dessas ferramentas éo lab-on-paper, como exemplo o 
dispositivo GRAPH, descrito na seção acima, que pode ser traduzida como plataforma 
de diagnóstico baseada em papel. É um método de baixo custo desenvolvido para 
 
 
implementar o diagnóstico no ponto atendimento do paciente e os dispositivos são 
fáceis de manipular, descartáveis e podem ser utilizados para uma ampla gama de 
diagnósticos biomédicos (IBRAHIM et al., 2015) 
Em 2016, a biomédica e doutora brasileira Ticiane Henriques Santa Rita 
pesquisadora do setor de pesquisa e desenvolvimento do Sabin Medicina 
Diagnóstica, foi premiada pela criação do teste diagnóstico que diferencia Zika, 
dengue e Chikungunya (REVISTA DO BIOMÉDICO, 2020). 
A vantagem do teste é que ele permite diagnosticar a doença ainda na fase 
aguda, enquanto o vírus está se replicando, a fim de prevenir complicações 
(REVISTA DO BIOMÉDICO, 2020). 
 
Sífilis 
 
 Destacava-se também a sífilis, uma infecção que reemergiu nos últimos anos, 
com a propagação de casos principalmente entre os jovens, devido ao aumento da 
liberdade sexual, associação ao vírus HIV, tratamentos inadequados nas atenções 
primárias e a não adesão ao preservativo nas relações sexuais (FREITAS et al., 
2021). 
 Ela é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum e a sua principal via de 
transmissão é através de contato sexual sem o uso de preservativos (LIDIANE et al., 
2021). 
 No Brasil, estudos nacionais do Sistema de Informações de Agravos de 
Notificação (SINAN) registraram 75,8 casos de sífilis adquirida por 100.000 
habitantes, sendo que o maior crescimento se concentrou na população entre 20 e 29 
anos entre os anos 2010 e 2018. Os dados demonstram que se tornou uma das ISTs 
mais recorrentes entre jovens adultos no país (LIDIANE et al., 2021). 
 O diagnóstico da sífilis baseia-se em testes para a detecção direta do patógeno ou 
em testes imunológicos. A detecção direta do Treponema pallidum inclui testes de 
microscopia e de amplificação de ácido nucleico, que são vantajosos por permitirem o 
diagnóstico de casos positivos de uma a três semanas antes dos testes imunológicos 
(GASPAR et al., 2021). Os testes imunológicos são os de maior utilização no 
diagnóstico da sífilis. Eles detectam anticorpos em amostras de sangue total, soro ou 
plasma (GASPAR et al., 2021). 
 
 
 A partir da pesquisa biomédica é possível abordar áreas inexploradas sobre a 
história natural da doença, através de uma descrição completa das respostas imunes 
ao Treponema pallidum. Dessa forma, será possível produzir testes diagnósticos de 
melhor qualidade e de resposta mais rápida, desenvolver antimicrobianos mais 
eficazes e uma vacina capaz de proteger os indivíduos da infecção (KERSH; 
LUKEHART, 2018). 
 As plataformas de diagnóstico baseadas em papel, como o descrito anteriormente 
envolve testes que possibilitam a execução, obtenção e interpretação dos resultados 
de forma ágil e barata e que podem ser realizados com amostra de sangue, soro ou 
plasma e no local onde o paciente se encontra, sem necessidade de encaminhamento 
da amostra ao laboratório (HACHUL et al.,2019). É uma forma importante de teste em 
situações clínicas em que usualmente ocorrem atrasos nos diagnósticos ou os 
pacientes não retornam ao atendimento (HACHUL et al., 2019). 
 Em setembro de 2019, o Instituto Biomédico da Universidade Federal 
Fluminense realizou uma ação extramuros sobre ISTs. O principal objetivo foi que os 
alunos e os professores de curso de biomedicina realizassem testes rápidos de sífilis, 
além de conscientizar e educar a população quanto aos riscos da doença e as suas 
formas de prevenção (UFF, 2019). 
 
Conclusão 
 
 A partir do material pesquisado, demonstra-se a importância da biomedicina e do 
profissional biomédico nos tempos atuais, onde a sociedade enfrenta problemas de 
saúde com novas epidemias de doenças emergentes e também de doenças 
negligenciadas que comprometem o bem-estar da população, como a COVID-19, 
dengue e sífilis. 
 Nesse contexto, o biomédico por meio de sua ampla habilitação, atua em estudos 
e pesquisas que podem fornecer dados desde o diagnóstico até a descoberta científica 
para a cura e prevenção dessas patologias na população em geral, com o 
desenvolvimento de vacinas, testes sorológicos e testes rápidos, assim como a 
produção de ferramentas como os biossensores que aceleram o processo de 
diagnóstico e o tratamento, além de serem vantajosos, de baixo custo e relevantes em 
cenários epidêmicos. 
 
 
 Dessa forma, a biomedicina é o suporte que a saúde pública brasileira necessita 
para que se tenha segurança no campo da descoberta cientifica, prevenção, 
monitoramento e diagnósticos de patologias que acercam a humanidade. 
 
Referências 
ALISSON, Elton; Agência FAPESP. Pesquisadores da USP produzem coronavírus 
em laboratório. 2020. Disponível em: https://agencia.fapesp.br/pesquisadores-da-
usp-produzem-coronavirus-em-laboratorio/32692/. Acesso em: 04 de novembro de 
2022. 
 
BIOEMFOCO. Por que é tão difícil diferenciar a Zika, dengue ou Chikungunya. 
Saúde em foco, 2019. Disponível em: https://bioemfoco.com.br/noticia/dificil-
diferenciar-zika-dengue-chikungunya/. Acesso em: 05 de novembro de 2022. 
 
CNS, Conselho nacional de saúde. Jacqueline Goes de Jesus, cientista que 
mapeou o genoma do coronavírus, é homenageada pelo CNS. 2021. Disponível 
em: http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/2251-jaqueline-goes-de-jesus-
cientista-que-mapeou-o-genoma-do-coronavirus-e-homenageada-pelo-cns. 
Acesso em: 04 de novembro de 2022. 
 
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