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Parasitologia 
Aula notável mestre – Tricomoníase 
Oque é? 
- É uma das ISTs curáveis mais comum! 
- Vulvovaginite causada por um protozoário flagelado, Trichomonas vaginalis. 
Epidemiologia da Tricomoníase 
- Estimativas de 156 milhões de novos casos todos os anos, na população de 15 a 49 
anos; 
- Incidência depende de idade, atividade sexual, número de parceiros, presença de 
outras IST, fase do ciclo menstrual, diagnóstico e condições socioeconômicas: 
- Incomum na infância por conta do baixo pH: 
- Se detectada em criança, verificar a possibilidade de abuso sexual e outras fontes de 
infecção, que não sexual 
- Prevalência nos homens é prevalente devido à ação tridemonicida de secreções 
prostáticas. 
Uma rápida história 
"Trichomonas é espécie patogênica e foi descrita pela primeira vez em 1836 pelo 
médico francês Alfred Donné, que isolou o protozoário de uma mulher com vaginite” 
Outros pesquisadores, Marchand (1894), Miura (1894) e Dock (1896) encontraram o 
parasito na uretra de um homem. 
Morfologia de T. vaginalis 
- É um parasito polimórfico 
- Formas elipsoides, ovais ou esféricas; 
- Condições físico-químicas influenciam no formato (pH, temperatura, força iônica, 
tensão de oxigênio): 
- Possui alta plasticidade celular 
- Forma pseudópodes 
- Captura alimentos e se fixa em partículas sólidas; 
- Assim como os outros tricomonadídeos, não possui forma cística, apenas trofozoítica. 
 
 
 
Ciclo biológico de transmissão 
- Transmissão sexual; 
- Habita no trato Genito urinário da mulher ou do homem; 
- O parasito pode sobreviver até uma semana no prepúcio do homem após relação 
com a mulher infectada; 
- Pode ser levado a vina pela ejaculação; 
- Multiplicação por divisão binária. 
Ciclo biológico e transmissão 
Apesar de não haver cistos, alguns autores relatam estruturas arredondadas e imóveis 
com flagelos internos (pseudocistos). 
Fique de olho 
Formação de estruturas semelhantes a cistos (CLS – Cyst Like Structure): 
Verificaram encistamento e desencistamento; 
Esféricos, imóveis e resistentes (detergente): 
CLS permaneceu viável em água clorada de piscina; 
 Esfregaços vaginais humanos apresentaram ambas as formas. 
Ciclo biológico e transmissão 
- Fraca transmissão através de fômites 
- Objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos 
infecciosos. 
- Casos raros durante o parto 
Um problema de saúde pública 
- A tricomoniase e a intecção sexua ransmissível (IST) não viral mais prevalente no 
mundo! 
- Facilita a transmissão do HIV; 
- Associada à baixo peso ao nascer, morte neonatal, nascimento prematuro e 
natimortos; 
- Predispõe mulheres à doença inflamatória pélvica, câncer cervical e infertilidade 
(risco 2x maior) 
- Importante causa de infertilidade em homens ou mulheres. 
Fisiologia do Trichomonas vaginalis 
- Parasito anaeróbio facultativo: 
- Reprodução por fissão binária: 
- Crescimento em pH de 5 a 7,5; 
- pH vaginal varia de 3,5 a 4,5. 
- Suporta temperaturas entre 20 e 40°C; 
- Fontes de energia: glicose, frutose, maltose, glicogênio e amido; 
- Mantém glicogênio em reserva. 
- Hidrogenossomos possuem enzimas Piruvato Ferredoxina-oxidorredutase 
- Converte o piruvato em acetato para liberação de ATP. 
- Proteínas de adesão 
- Proteases; 
- Lipofostoglicano 
- Adesão 
- Aumento de mediadores inflamatórios 
- Exossomos 
- Vesículas importantes para interação parasito-parasito e parasito-hospedeiro: 
- Modulação da resposta imune 
Aspectos imunológicos 
Não está claro ainda se existe resposta imune adquirida para tricomoníase humana: 
- 90% das mulheres com vaginite possuem IgG anti-Trichomonas; 
- Agressiva resposta imune celular, com inflamação do epitélio vaginal e exocérvice em 
mulheres ou na uretra dos homens; 
- Infiltração leucocitária: 
- Linfócitos T CD4 e macrófagos 
- HIV infecta essas células 
- Aumento na secreção de citocinas como IL-1, IL-6, IL-8 e IL-10. 
Patogenia da tricomoníase 
Aumento do pH 
 Redução de Lactobacillus acidophilus; 
Formação de pseudópodes 
Contato com leucócitos: 
Interação requer componentes da superfície do parasito, células do hospedeiro e 
componentes solúveis nas secreções vaginais; 
Aderência e citotoxicidade 
Fatores de virulência: adesinas, cisteínas, 
integrinas, cell-detaching fator (CDF) e glicosidases; 
Cisteína proteinases citotóxicas emolíticas, com capacidade de degrado 
IgA, IgM e IgA na vagina. 
Durante a menstruação: 
 Número de organismos na vagina diminui; 
Fatores de virulência mediados pelo Fe aumentam os sintomas no período: 
 Nutrlentes essenciais. 
Resistência 
Fe contribui para a resistência da T. vaginalis; 
O parasito pode se auto-revestir com proteinas plasmáticas do hospedeiro. 
Sintomas em mulheres 
Pode ser assintomática ou ficar na fase aguda; 
Período de incubação de 3-20 dias: 
 Exocérvice suscetível à infecção (raramente endocérvice); 
 Não causa corrimento endocervical purulento; 
Vaginite com corrimento vaginal abundante de cor amarelo esverdeado, bolhoso, com 
odor fetido e que é frequente pos-menstruação. 
Prurido e irritação vulvovaginal de intensidade variável; 
• Dispaurenia de introito; 
• Disúria; 
• Poliúria; 
• Desconforto nos genitais externos; 
• Mais sintomática durante a gravidez ou entre mulheres que utilizam anticoncepcional 
oral; 
• Sinusorragia. 
Sem complicações sérias na maioria dos 
casos 
• Facilita a transmissão de outros agentes 
• Doença Inflamatória Pélvica 
• Vaginose bacteriana 
• Dor abdominal baixa 
• Na gravidez 
• Rotura prematura das membranas 
Sintomas em homens 
Geralmente assintomáticos 
• Transmissão involuntária recorrente 
• Sintomáticos 
• Uretrite com fluxo leitoso ou purulento. 
• Leve sensação de prurido na uretra: 
• Pela manhã, antes da passagem da urina, pode ser observado corrimento claro, 
viscoso e pouco abundante, com desconforto ao urinar. 
Prostatite; 
• Balanospotite; 
• Cistite; 
• O parasito pode se localizar na uretra, na próstata, bexiga ou vesícula seminal; 
• Resposta inflamatória crônica contribui para doenças prostáticas 
• Hiperplasia prostática benigna 
GOSNELL et al. (2015) 
• PVHIV, 29 anos 
• Lesões ulceradas no pênis 
Diagnóstico da tricomoníase 
O diagnóstico da tricomoníase nunca pode ser apenas clínico, pois é facilmente 
confundida com outras ISTs; 
• Clínico 
• Cérvice com aspecto de morango = 2% dos casos 
Corrimento espumoso 20% dos caso 
• 78% das mulheres não seriam diagnosticadas; 
Laboratorial 
• Observação do parasito por microscopia. 
• Homem 
• Coleta pela manhã, sem ter urinado no dia e sem ter utilizado nenhum tricomonicida 
por 15 dias: 
• O parasito é mais encontrado no sêmen do que na urina 
(Masturbacao). 
Mulher 
• Higiene vaginal de 18 a 24h antes e sem utilizar tricomonicidas nem cremes: 
• Coleta com swab de algodão; 
• Papanicolau. 
Trophozoites in saline preparation 
• Como o parasito é suscetível à desidratação, o material coletado deve ser colocado 
em meios isotônicos para transporte. 
Microbiológico 
• Exame a fresco 
• Gota do conteúdo vaginal + Soro fisiológico em uma lâmina 
• Movimento observado 
• Grande número de leucócitos 
• Quase sempre 
• pH > 5,0 
• Teste das aminas positivo 
• Cultura pode ser solicitada (Meios Diamond, Trichosel e InPouch TV) 
Imunológico 
• ELISA 
• Não substitui os parasitológicos microscopia e cultura dos parasitos), mas ajuda à 
completa-los quando negativos. 
Teste de Whiff * 
• Teste de aminas 
• Eficaz para auxiliar o diagnóstico de vaginites e vaginose bacteriana: 
• Baseia-se na presença de aminas originadas da microbiota anaeróbia vaginal; 
Tratamento 
Homens e mulheres devem ser tratados com ou sem sintomas; 
• Nitroimidazol -> Metronidazol; | 
•Ja existem cepas resistentes. 
• Tinidazol, Nimorazol, Camidazol, Secnidazol; 
• Gestantes 
* Quando sintomáticas ou quando assintomáticas, se o médico recomendar 
Profilaxia 
-Sexo seguro;• Uso de preservativos; 
• Abstinência sexual com pessoas infectadas (?) 
• Limitação pelo tratamento de parceiros sintomáticos ou assintomáticos.

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