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Saúde do Adulto
- Enfermagem
Vanessa Gutterres Silva
I - ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO CLIENTE 
COM PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS
 1.1.Enfermidades Crônicas:
 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): 
É uma pneumopatia caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é 
totalmente reversível. A limitação do fluxo aéreo geralmente é progressiva, 
resulta de uma lesão pulmonar de caráter inflamatório, com predomínio de 
obstrução de vias aéreas inferiores. Está associada a uma resposta inflamatória 
nos pulmões estimulada por irritantes. 
- Asma, 
- Enfisema, 
- Bronquite, 
- Bronquiectasia
Fisiopatologia
 Na DPOC, a limitação do fluxo aéreo é progressiva e está associada a uma 
resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos. A 
resposta inflamatória ocorre por toda a via aérea, parênquima e vasculatura
pulmonar. 
 Por causa da inflamação crônica e das tentativas do corpo para repará-la, 
ocorre o estreitamento nas pequenas vias aéreas periféricas. Com o passar do 
tempo, esse processo de lesão-e-reparação provoca a formação de tecido 
cicatricial e o estreitamento da luz da via aérea. A obstrução de fluxo de ar 
também pode ser decorrente da destruição do parênquima, como se observa 
com o enfisema, uma doença dos alvéolos ou unidades de troca gasosa.
Além da inflamação, os processos relacionados com os 
desequilíbrios das proteinases e antiproteinases no pulmão podem 
ser responsáveis pela limitação do fluxo de ar. Quando ativadas 
pela inflamação crônica, as proteinases e outras substâncias 
podem ser liberadas, lesionando o parênquima do pulmão. As 
alterações parenquimatosas também podem ser consequências 
da inflamação e de fatores ambientais ou genéticos (ex 
Deficiência de alfa1-antitripsina – inibidor enzimático que protege 
o parênquima pulmonar contra a lesão).
No início da evolução da DPOC, a resposta inflamatória causa 
alterações da vasculatura pulmonar que se caracterizam por 
espessamento da parede vascular. Essas alterações podem 
acontecer devido à exposição à fumaça de cigarro, ou como 
uma consequência da liberação de mediadores inflamatórios.
Além do tabagismo as principais causas, 
agravantes e fatores de risco são:
 Poluição atmosférica;
 Fumaça de lenha (fogão, lareiras, queimadas);
 Alérgenos;
 Sequela de tuberculose;
 Substâncias químicas inaladas no trabalho;
 B-bloqueadores;
 Opiáceos;
 Pneumoconioses (Silicose, Cádmio, Carvão mineral);
 Infecção;
 Deficiência de alfa1-antitripsina;
 Insuficiência cardíaca;
 Tromboembolismo pulmonar;
 Pneumotórax.
Asma
 É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca a hiper-
responsividade dessas vias, edema da mucosa e produção de muco.
 Sintomas: tosse (com ou sem produção de muco), opressão torácica, sibilância
e dispneia;
 Reversível de maneira espontânea ou com tratamento;
 Doença crônica mais comum da infância, porém ocorre em qualquer idade;
 A alergia é o mais forte fator predisponente. Os alérgenos comuns podem ser 
sazonais (gramíneas e pólen) ou perenes (mofo, poeira, baratas, ou pelos de 
animais).
 Deflagradores e exarcerbações: Exposição crônica aos irritantes das vias 
aéreas (poluentes do ar, frio, calor, mudanças climáticas, odores ou perfumes 
fortes, fumo), exercício, estresse e perturbações emocionais, sinusite com 
gotejamento posterior, medicamentos, infecções virais do trato respiratório e 
refluxo gastroesofágico. 
 Complicações: estado asmático, falência respiratória, pneumonia e 
atelectasia (colapso total ou parcial do pulmão ou do lóbulo pulmonar). A 
obstrução da via aérea resulta em hipoxemia, exigindo administração de O2 e 
monitorização de oximetria de pulso e gasometria arterial.
Asma
 Terapia farmacológica: 
❖ Drogas utilizadas nas crises agudas:
Beta 2 agonista de ação curta: Salbutamol, Fenoterol, Terbutalina
Anticolinérgico: Ipratrópio
❖ Drogas na crise aguda refratária:
Corticóide sistêmico: Prednisolona ou prednisona oral ou metilprednisolona EV ou 
hidrocortisona EV
Xantinas: Aminofilina EV ou VO
❖ Drogas profiláticas de manutenção:
Corticóide tópico inalatório: beclometasona, budesonida, flunisolida ou triancinolona.
Cromonas: Cromoglicato ou nedocromil
Beta 2 agonista de ação prolongada: formoterol ou salmeterol
Modificadores de leucotrieno: montelucaste ou zafirlucaste
Xantinas: teofilina de liberação lenta
Corticoterapia Sistêmica oral prolongada: prednisona
Cuidados de Enfermagem
 Histórico de reações alérgicas, medicamentos;
 Avaliação do estado respiratório do paciente, monitorando a intensidade 
dos sintomas, sons respiratórios, oximetria de pulso e sinais vitais;
 Fornecer a nebulização e a terapia com oxigênio conforme a prescrição;
 Administração de medicamentos, conforme prescrição médica, 
monitorando a resposta;
 Incentivar a ingestão de líquidos para liquefazer as secreções (evitar 
líquidos gelados, o que pode provocar broncoespasmo)
 Hidratação venosa, conforme prescrição, de acordo com a necessidade 
do paciente;
 Instruir o paciente sobre o posicionamento para facilitar a respiração 
(sentar ereto, deitar em posição de Fowler).
 Orientar quanto a necessidade de acompanhamento ambulatorial e o 
tratamento correto.
Bronquite Crônica
 É a inflamação brônquica definida pela presença de 
tosse produtiva, com aumento da secreção brônquica 
e expectoração de catarro, na maioria dos dias, 
durante pelo menos 3 meses seguidos e que se repete 
por 2 anos consecutivos. A inflamação brônquica 
crônica de vias aéreas com hipersecreção de catarro, 
disfunção mucociliar, hiper-reatividade brônquica, 
evolui com perda progressiva de função respiratória.
 A fumaça ou outros poluentes ambientais irritam as vias aéreas. Essa irritação 
constante faz com que aumente o número das glândulas secretoras de muco e das 
células caliciformes, a função ciliar é reduzida e mais muco é produzido. As paredes 
brônquicas tornam-se espessadas, a luz brônquica é estreitada e o muco pode 
tamponar a via aérea. Os alvéolos adjacentes aos bronquíolos podem ficar 
lesionados e fibrosados, resultando em função alterada dos macrófagos alveolares. 
Isso é significativo porque os macrófagos desempenham um papel importante na 
destruição de partículas estranhas, inclusive bactérias. Como resultado, o paciente 
fica mais suscetível à infecção respiratória.
Enfisema
 É geralmente o resultado da evolução da bronquite crônica 
com progressão do processo inflamatório e degenerativo com 
rupturas e destruição dos septos interalveolares, fibrose, 
colapso, deformação, hiperinsuflação, distensão alveolar e 
pulmonar. Se manifesta principalmente por dispneia e 
hipoxemia progressivas.
É o estágio terminal de um processo que evolui lentamente durante 
muitos anos. Quando as paredes dos alvéolos são destruídas (um processo 
acelerado por infecções recorrentes), a área da superfície alveolar em 
contato direto com os capilares pulmonares diminui continuamente, 
gerando um aumento de espaço morto (a área pulmonar onde não pode 
ocorrer nenhuma troca gasosa) e prejuízo na difusão de oxigênio, o que 
leva a hipoxemia.
Nos estágios mais avançados da doença, a eliminação de dióxido de 
carbono fica prejudicada, resultando em elevação da pressão de dióxido 
de carbono no sangue arterial (hipercapnia) e consequentemente 
acidose respiratória. À medida que os paredes alveolares continuam a se 
romper, o leito capilar pulmonar é reduzido.
Ocorre o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar, forçando o ventrículo 
direito a manter uma pressão arterial mais elevada na artéria pulmonar. A 
hipoxemia pode aumentar ainda mais a pressão arterial pulmonar. Dessa 
maneira, a insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) é uma das 
complicações do enfisema.
Características físicas
Enfisema – Panlobular (panacinar)
 Fenotipo enfisematoso, perda de 
peso
 Destruição dos bronquíolos e 
alvéolos
 História de dispneia a longo prazo,acentuada aos esforços
 Pouco escarro
 Crises pouco frequentes
 Hiperinsuflação
 Uso de musculatura acessória 
(tórax em barril)
 Respiração com lábio semi serrado
Enfisema – Centrilobular (centroacinar)
 Fenótipo bronquítico
 História de tosse e escarro de 
longo prazo e frequente
 Crises frequentes
 Menor grau de dispneia
 Hipoxemia crônica
 Hipertensão pulmonar (cor 
pulmonale – alteração na 
estrutura e no funcionamento do 
ventrículo direito, causada por 
uma doença pulmonar).
Manifestações clínicas
Caracteriza-se por três sintomas primários: tosse, 
produção de escarro e dispneia aos esforços
Complicações:
 Insuficiência e falência respiratória;
 Pneumonia;
 Atelectasia;
 Pneumotórax;
Cor pulmonale
Bonquiectasia
 É uma dilatação crônica e irreversível dos bronquíolos e brônquicos 
causada por inflamação e destruição das paredes bronquiolares. O 
escarro se acumula e obstrui os bronquíolos. A depuração deficiente 
das via aéreas resulta em tosse intensa, a qual dilata 
permanentemente os brônquios. Em geral, esse distúrbio afeta os 
lobos pulmonares inferiores e pode progredir para atelectasia, fibrose 
e insuficiência respiratória.
 É causada por infecções pulmonares; obstrução brônquica, 
aspiração de corpos estranhos, vômitos ou material a partir do trato 
respiratório superior e distúrbios imunológicos.
 As complicações incluem supuração progressiva, hemorragia 
pulmonar importante, enfisema e insuficiência respiratória crônica.
Tratamento
 Redução do risco (cessação do tabagismo) para interromper a progressão e preservar a 
capacidade pulmonar;
 Terapia farmacológica – Broncodilatadores (Salbutamol, Ipratrópio, Aminofilina), 
Corticosteróides (Budesonida), outros ( vacina pneumocócica, antibióticos, mucolíticos, 
antitussígenos);
 Terapia com oxigênio em fluxo baixo para corrigir a hipoxemia grave de maneira 
controlada e minimizar a retenção de dióxido de carbono;
❖ Alerta: Normalmente, os níveis de dióxido de carbono no sangue estimulam a respiração. 
Contudo, nos pacientes com DPOC, o dióxido de carbono cronicamente elevado prejudica 
esse mecanismo, de modo que os baixos níveis de O2 no sangue estimulam a respiração. 
Fornecer uma alta concentração de O2 pode remover o estímulo hipóxico, levando a 
hipoventilação, descompensação respiratória e ao desenvolvimento de acidose 
respiratória;
 Tratamento cirúrgico (bulectomia, redução de volume pulmonar e transplante);
 Fisioterapia torácica, incluindo a drenagem postural e reeducação da respiração.
Exames diagnósticos
 Provas de função respiratória, para demonstrar a 
obstrução do fluxo aéreo;
 Radiografia de tórax para detectar a hiperinsuflação, 
diafragma achatado, espaço retroesternal aumentado, 
traçados vasculares diminuídos;
Gasometria arterial;
 Ensaio da alfa 1-antitripsina para detectar essa causa 
específica do enfisema;
 Amostras e culturas de escarro para identificar os 
patógenos.
Processo de Enfermagem
 Histórico
Envolve obter informações sobre os sintomas atuais, bem como as manifestações prévias da 
doença.
❖ Sinais e sintomas de bronquite crônica (início é insidioso):
a) Tosse produtiva durante, pelo menos, 3 meses no intervalo de 1 ano por 2 anos sucessivos;
b) Escarro espesso e gelatinoso (maiores quantidades produzidas durante as infecções 
superpostas);
c) Dispnéia e sibilância à medida que a doença progride;
❖ Sinais e sintomas de enfisema (gradual no início e continuamente progressivo):
a) Dispnéia, tolerância diminuída ao exercício;
b) Tosse (pode ser mínima com produção de escarro discreta, exceto na infecção respiratória);
c) Diâmetro ântero-posterior do tórax aumentado (tórax em barril) com achatamento do 
diafragma (devido ao aprisionamento de ar)
• Há quanto tempo o paciente apresenta dificuldade respiratória?
• O esforço aumenta a dispneia? Que tipo de esforço?
• Quais são os limites de tolerância do paciente para o exercício?
• Em que períodos do dia o paciente se queixa mais de fadiga e 
falta de ar?
• Que hábitos alimentares e de sono foram afetados?
• O que o paciente sabe a respeito da sua doença e sua 
condição?
• Qual é a história de tabagismo do paciente?
• Existe exposição ocupacional ao fumo e a outros poluentes?
• Quais são os eventos deflagradores (esforço, odores fortes, poeira, 
exposição a animais?
Inspeção e achados do exame
 Que posição o paciente assume durante a entrevista?
 Quais as frequências de pulso e respiratórias?
 Qual é o caráter das respirações? Com ou sem esforço?
 Pode completar uma frase sem precisar respirar?
 Leva um período longo para expirar? (expiração prolongada)?
 Existe cianose central?
 As veias cervicais do paciente estão ingurgitadas?
 O paciente apresenta edema periférico?
 Apresenta tosse?
 Qual é a coloração, quantidade e consistência do escarro?
 Existe baqueteamento dos dedos?
 Que tipo de sons respiratórios são ouvidos(limpo, diminuído ou abafado, estertores, sibilos)? Descrever e 
documentar achados e localizações
 Qual é o estado sensorial do paciente?
 Existe comprometimento da memória de curto ou longo prazo?
 O paciente encontra-se apreensivo?
Diagnósticos de Enfermagem
 Com base nos dados do histórico , os principais diagnósticos de enfermagem 
do paciente podem incluir os seguintes:
 Troca gasosa prejudicada e eliminação traqueobrônquica ineficaz devido à 
inalação crônica de toxinas;
 Troca gasosa prejudicada relacionada à desigualdade ventilação-perfusão;
 Eliminação traqueobrônquica ineficaz relacionada à broncoconstrição, 
produção de muco aumentada, tosse ineficaz, infecção broncopulmonar e 
outras complicações;
 Padrão respiratório ineficaz relacionado à falta de ar, muco, broncoconstrição
e irritantes da via aérea;
 Intolerância à atividade devido à fadiga, padrões respiratórios ineficazes e 
hipoxemia; 
Diagnósticos de Enfermagem
 Défcit de conhecimento das estratégias de 
autocuidado a serem realizadas em casa;
 Estratégias ineficazes de resolução individual 
relacionadas com a socialização reduzida, ansiedade, 
depressão, menor nível de atividade e incapacidade 
de trabalhar
Prescrições de Enfermagem
 Promover a cessação do tabagismo;
Melhorar a troca gasosa;
Melhorar a tolerância à atividade;
Monitorar para efeitos adversos dos broncodilatadores (tremor, 
taquicardia, arritmias cardíacas, estimulação do sistema 
nervoso central, hipertensão);
Monitorar a saturação de oxigênio em repouso e com 
atividade;
 Estimular as estratégias de autocuidado.

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