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ZOO 302 - Fisiologia da Produção ENDOCRINOLOGIA Prova 1 O sistema endócrino e nervoso são os dois principais sistemas que coordenam as várias funções de órgãos e estão funcionalmente integrados. A conexão entre os dois sistemas é na maioria das vezes estabelecida no hipotálamo. Comparação entre os sistemas endócrino e nervoso As principais funções do sistema nervoso são: a motilidade muscular, regulação das glândulas exócrinas e coordenar o intelecto. Já o sistema endócrino, regula a taxa e qualidade das reações metabólicas. O SN desencadeia respostas ultrarrápidas e localizadas, enquanto a regulação do sistema endócrino é lenta, podendo durar minutos (ejeção do leite pela ocitocina), horas, dias ou meses. O SN estabelece conexões diretas por “redes de distribuição” dentro do órgão efetor. Diferentemente, o sistema endócrino abrange todas as células corporais com os hormônios dissolvidos no líquido que as circunda. O SN trabalha por intermédio de sinais elétricos, e o sistema endócrino por meio de mensageiros químicos chamados de receptores hormonais específicos nas células. Hormônio Embora a principal fonte de hormônio seja geralmente uma glândula bem definida, nem sempre isso acontece. Por exemplo, o trato gastrointestinal (TGI) contém diferentes tipos de células que secretam hormônios, como a gastrina, o PIG, o PIV e a CCK. Além disso, a placenta secreta quase todos os tipos de hormônios, o tecido adiposo libera leptina, os leucócitos produzem interleucinas e interferons, e os rins secretam eritropoetina, entre outros exemplos. Também é importante destacar que os hormônios nem sempre precisam ser transportados pelo sangue até as células-alvo. Eles podem se difundir pelo líquido extracelular. Os hormônios não atuam apenas como estimuladores de processos, mas também podem inibir determinadas funções. É responsável pela manutenção da homeostase e tem por objetivo uma resposta biológica. Amplificação do sinal O processo de amplificação das cascatas enzimáticas é um mecanismo chave na sinalização hormonal. Funções do sistema endócrino • Regulação do metabolismo de carboidratos e outros metabólitos, como insulina e glucagon; • Adaptação ao estresse (catecolaminas e glicorticoides); • Regulação do crescimento e da maturação (GH); • Regulação da função reprodutiva (Hormônios gonadais) • Regulação do equilíbrio hidroeletrolítico, secretando ADH e aldosterona; • Controle do metabolismo de cálcio e fosforo (PHT, Calcitonina e vitamina D3); • Modulação das funções digestivas; • Regulação da taxa metabólica e calorigênese Mecanismo de comunicação intercelular O hormônio é um mensageiro químico que coordena a atividade de diferentes células, sintetizados por glândulas endócrinas, neurônios, células endócrinas em tecidos não endócrinos, que podem ou não entrar na circulação sanguínea em pequenas quantidades para serem carreadas até o tecido – alvo, o qual possuem receptores específicos para cada hormônio. Podem também serem sintetizados por um tecido e carreados no sangue até o outro tecido – alvo Os mecanismos de comunicação intercelular de hormônios envolvem diferentes formas de sinalização, que variam de acordo com a distância entre a célula emissora (produtora do hormônio) e a célula alvo, além do meio de transporte utilizado. • Hormônios Endócrinos: São hormônios que são liberados por glândulas endócrinas diretamente na corrente sanguínea e viajam longas distâncias até atingirem suas células-alvo. • Hormônios Neuroendócrinos: São liberados por células nervosas especializadas, conhecidas como neurônios neuroendócrinos, que secretam hormônios no sangue em vez de neurotransmissores em sinapses. • Hormônios Neurócrinos: Similar aos hormônios neuroendócrinos, os hormônios neurócrinos são liberados por neurônios diretamente em células-alvo adjacentes, mas através de sinapses. Nesse caso, a liberação não é no sangue, mas na fenda sináptica. • Hormônios Parácrinos: São hormônios liberados por uma célula que atuam localmente em células vizinhas, sem entrar na corrente sanguínea. Eles se difundem através do fluido extracelular. • Hormônios Autócrinos: Nesse tipo de comunicação, a célula que secreta o hormônio também possui os receptores para ele, sendo assim a própria célula-alvo. O hormônio afeta a própria célula produtora. • Hormônios Intrácrinos: Os hormônios intrácrinos são produzidos dentro da célula e atuam dentro dessa mesma célula, sem ser secretados para o meio extracelular. • Junções de Intervalo (Gap Junctions): São conexões diretas entre células adjacentes que permitem a passagem de íons, pequenas moléculas e sinais diretamente de uma célula para outra, sem necessidade de hormônios. Isso possibilita uma comunicação rápida e coordenada. Organização do sistema endócrino É composto por nove glândulas endócrinas bem definidas: pineal, hipotálamo, hipófise, tireoide, paratireoide, pâncreas, suprarrenais, testículos e ovários. Regulação da liberação de hormônios Hormônio da tireoide: Retroalimentação negativa É um mecanismo onde o aumento de um hormônio ou produto final inibe a liberação do hormônio que estimulou sua produção. A adenohipófise secreta o TSH (hormônio estimulante da tireoide), que estimula a tireoide a liberar hormônios tireoidianos. Quando os níveis desses hormônios aumentam, eles sinalizam para a adenohipófise reduzir a produção de TSH, regulando os níveis de hormônio tireoidiano no corpo. Este mecanismo mantém o equilíbrio homeostático, prevenindo excessos de hormônios. Circuito ovariano – Retroalimentação positiva Neste mecanismo, o aumento de um hormônio ou produto final estimula ainda mais a liberação do hormônio original, criando um ciclo de amplificação. O estradiol liberado pelos ovários estimula o hipotálamo e a hipófise a secretarem mais LH (hormônio luteinizante), que, por sua vez, promove ainda mais liberação de estradiol. Esse processo leva à ovulação. Esse mecanismo geralmente é curto e ocorre em eventos específicos, como o ciclo menstrual. Circuito testicular O testículo além de desenvolver espermatozoides, também secreta testosterona e inibina. Do mesmo modo em que ocorre a secreção de GnRH no circuito ovariano, o hormônio liberador de gonadotropina é secretado do hipotálamo para a hipófise intermediado pelo sistema porta hipofisário, com o objetivo de estimular a secreção de FSH (estimula a formação de espermatozoides) e LH (estimula secreção de testosterona). Circuito do hormônio de crescimento Estimula o crescimento de ossos, promove o equilíbrio nitrogenado positivo e efeito lipolítico. O GHRH (hormônio de liberação do hormônio do crescimento) no hipotálamo, estimula a secreção de GH pelos somatotropos. O hormônio de liberação do crescimento e o hormônio inibidor do crescimento trabalham na retroalimentação, estimulando ou inibindo a secreção de GH. Circuito da prolactina O hormônio de liberação da prolactina (PRH) estimula a secreção de prolactina (PRL) nos lactotropos, intermediado pelo sistema porta hipofisário. A liberação de prolactina pelos lactotropos pode ocorrer sem estimulação por parte do PRH. O excesso de prolactina estimula a secreção do hormônio inibidor da prolactina. Circuito da ocitocina Responsável por estimular a contração dos ductos mamários e provocar a ejeção do leite e estimular as contrações uterinas durante o parto e coito. Os neurônios do hipotálamo sintetizam a ocitocina (e ADH) que percorre através de longos axônios até a neuro-hipófise, onde é secretada no sangue. Um reflexo neuroendócrino estimula a secreção de ocitocina que tem seus receptores localizados no teto. A amamentação ou ordenha propaga pulsos aferentes para o hipotálamo, que estimula a síntese e liberação de ocitocina.Retroalimentação pelo produto – Cálcio e glicose A liberação do hormônio é regulada pelo efeito do produto que ele influência, mantendo o equilíbrio dos níveis de uma substância específica no corpo. A paratireoide secreta o PTH (hormônio paratireoideo), que atua nos ossos para liberar cálcio (Ca²⁺). Quando os níveis de cálcio no sangue aumentam, isso inibe a liberação de PTH, mantendo a concentração adequada de cálcio. Esse mecanismo regula níveis específicos de substâncias, como cálcio, glicose, etc., no organismo. Síntese de hormônio Hormônios Proteicos São os maiores e mais complexos hormônios, sendo sintetizados como pré-pró-hormônio na forma inativada no RER e processados no complexo de Golgi. A síntese de hormônios proteicos segue um processo semelhante à produção de outras proteínas no corpo, ocorrendo principalmente nas células das glândulas endócrinas. Esse processo envolve diversas etapas que ocorrem no núcleo, citoplasma e estruturas celulares especializadas, como o retículo endoplasmático e o aparelho de Golgi. Abaixo estão as etapas principais: 1. Transcrição do DNA em mRNA: No núcleo, o gene que codifica o hormônio proteico é ativado no DNA da célula. Uma enzima chamada RNA polimerase transcreve a sequência de DNA correspondente em mRNA (RNA mensageiro), uma cópia da informação genética que será usada para produzir a proteína. 2. Modificação e Processamento da Proteína: A cadeia polipeptídica formada inicialmente é um pré-pró- hormônio, uma forma inativa do hormônio. Esse pré- pró-hormônio é transportado para o retículo endoplasmático rugoso (RER), onde começa a sofrer modificações pós-tradução, como a remoção da sequência sinal, ou seja, a parte “pré” da cadeia. Depois, o pró-hormônio passa pelo aparelho de Golgi, onde é processado e acondicionado em vesículas secretoras sendo transformados em dois fragmentos: Pró + Hormônio. 3. Armazenamento e Secreção: Após o processamento no Golgi, as vesículas contendo o hormônio ativo migram para a membrana plasmática da célula. A secreção ocorre por exocitose, um processo em que as vesículas se fundem à membrana da célula, liberando o hormônio no espaço extracelular, onde ele entra na corrente sanguínea ou atua diretamente em células próximas, dependendo do tipo de sinalização (endócrina, parácrina, etc.). 4. Transporte e Ação: Uma vez secretado, o hormônio proteico circula pelo corpo e se liga a receptores específicos nas células-alvo, onde desencadeia suas funções biológicas. Diferente de hormônios esteroides, que podem atravessar diretamente a membrana celular, os hormônios proteicos se ligam a receptores na superfície da célula, ativando segundos mensageiros dentro da célula para exercer seus efeitos. Catecolaminas e hormônios da tireoide: São sintetizados a partir da tirosina. Melatonina: Tem como precursor o triptofano. Prostaglandinas: São sintetizadas a partir de ácidos graxos da membrana celular. Esteroidais: Sintetizados a partir do colesterol. Mecanismo de ação hormonal: Interação hormônio – receptor O primeiro sinal é a ligação do hormônio ao receptor, uma proteína especifica na célula – alvo, com o objetivo de gerar uma resposta biológica. O tecido alvo só é sensível a um hormônio caso expresse o receptor especifico para tal hormônio. O receptor sofre alterações alostéricas, mudando sua conformação. Quanta maior a afinidade e especificidade do receptor pelo hormônio, maior será a resposta. Receptores de membrana – Hormônios hidrossolúveis Os hormônios peptídicos e as catecolaminas não podem penetrar as membranas plasmáticas das células, portanto, seus receptores se localizam na membrana plasmática das células alvo. A união do hormônio a seu receptor específico causa uma mudança conformacional na proteína receptora levando à geração de segundos mensageiros. O hormônio transportado pelo sangue, se liga ao seu receptor na membrana, que muda sua conformação. Ao mudar sua conformação, a proteína G formada por três subunidades (α, β e γ), percebe a mudança e desprende a subunidade α ligada ao GDP. A subunidade α – GDP se desloca desde o receptor até uma molécula de Adenil-ciclase. A Adenil-ciclase é uma proteína integral da membrana e possui seu sítio ativo do lado citossólico. A Adenil-ciclase promove a transformação de ATP em cAMP. Essa conversão é um gatilho para que a cascata de eventos, ou seja, as reações enzimáticas aconteçam. Dentro da célula, o cAMP se une a uma proteína-quinase dependente de cAMP (proteína-quinase A). Ela é composta por duas subunidades inibitórias e duas subunidades catalíticas. A ação do cAMP é separar as subunidades inibitórias para produzir duas subunidades catalíticas (2C) ativas. Após separadas, as unidades catalíticas da proteína-quinase A ativada fosforilam proteínas pré-existentes específicas que fazem a resposta biológica do hormônio. Esse mecanismo acontece de forma rápida, pois não há alteração gênica e síntese proteica, entretanto o efeito é de curta a média duração. Receptores Intracelulares – Esteroidais e da tireoide Alguns hormônios, como os esteroides, hormônios tireoidianos e o metabólito da vitamina D3 (1,25-dihidroxi- colecalciferol), atuam através de receptores nucleares. Esses hormônios, cuja molécula é lipofílica, atravessam a membrana plasmática por difusão simples e entram no citosol alcançando diretamente o núcleo. O hormônio, transportado via sanguínea por uma proteína transportadora, passa pela membrana e, dentro dela, se liga ao seu receptor. O receptor desses hormônios possui uma subunidade aceptora ligada a uma proteína do choque térmico (HSP90). Após a ligação do hormônio ao seu receptor, ocorre a mudança de conformação que desliga a proteína HSP90 e transloca o complexo hormônio – receptor até o núcleo. Dentro do núcleo, o aceptor do complexo hormônio – receptor se liga a regiões específicas do DNA que promove a transcrição do RNAm no RER que faz a transdução da síntese de proteína que dará a resposta biológica. É uma resposta mais demorada, pois é necessário sintetizar proteínas enzimáticas, mas seu efeito é de longa duração. Os receptores intracelulares podem estar no citoplasma ou no núcleo. No citoplasma encontram-se receptores para hormônios glicocorticoides, mineralocorticoides e androgênios. Já no núcleo, os receptores são para os hormônios tireoidianos, estrógeno e progesterona, ácido retinóico e vitamina D3. Transporte de hormônio no sangue Vários hormônios são transportados dissolvidos no plasma, enquanto outros encontram-se ligados a proteínas transportadoras, como as albuminas O transporte hormonal ligado a proteínas é importante para lipossolúveis como esteroides e hormônios da tireoide. O GH e a prolactina são hidrossolúveis, entretanto precisam de proteínas carreadoras globulinas. Características gerais Hormônios que atuam via 2º mensageiro AMPc • Glucagon • Vasopressina (ADH) • Tireotropina (TSH) • ACTH • LH • FSH • Gonadotrofina coriônica • Hormônio paratireoideo • Calcitonina • LHRH • TRH • Secretina Substratos para proteínas quinase dependentes de AMPc • Lipase (regulação da lipólise) • Fosforilase b quinase (glicogenólise) • Colesterol ester hidrolase (esteroidogênese) • Frutose 1,6-difosfatase (gliconeogênese) Enzimas inativadas por fosforilação pela proteína quinase • Piruvato quinase (glicólise e gliconeogênese) • Glicogênio sintase • 3 – Hidróxi – 3 – mertilglutaril – coA redutase (biossíntese de colesterol) Função do AMPc em diferentes células – alvo • Célula da tireoide – síntese de T3 e T4 • Célula adrenocortical – secreção de hormônios • Célula epitelial dos túbulos renais – aumentar a permeabilidade à água Guanosina – Monofosfato cíclico (GMPc) Atua como segundo mensageiro, de forma semelhanteao AMPc, em especial em células do epitélio intestinal, coração, vasos sanguíneos, cérebro e dutos renais. No rim e no intestino o GMPc muda o transporte de íons e retenção de água. No coração, causa a diminuição da contração e no cérebro está envolvido com o desenvolvimento e função nervosa. Pode agir em oposição ao AMPc (teoria yin-yang). Por exemplo, a ativação de proteínas quinases dependentes de AMPc relaxa a musculatura lisa, enquanto a ativação de quinases dependentes de GMPc contrai a musculatura. Em vez da adenilcilase – no caso do AMPc – o GMPc tem ação pela enzima guanilciclase. No mesmo sentido, as ações do GMPc sao mediadas por proteínas quinases G, ao passo que o AMPc usa a proteína quinase A. Cálcio – calmodulina como segundo mensageiro O cálcio ionizado (Ca2+) é importante na regulação de processos celulares. Além de atuar na contração muscular, coagulação sanguínea, participar da atividade de varias enzimas, na excitabilidade das membranas nervosas e nos processos de exocitose, ele também atua em algumas células como segundo mensageiro hormonal. A [Ca2+] no exterior da célula é maior que no lado interior. A sua entrada só acontece por estímulos neurais ou hormonais. A ação do cálcio é regulada pela calmodulina, uma proteína de baixo peso molecular. A calmodulina possui 4 sítios de ligação ao cálcio, e quando estão ocupados a mudança conformacional na calmodulina ocorre. O hormônio ao ligar-se em seu receptor, a membrana despolariza e abre os canais de cálcio. A união Ca- calmodulina é semelhante a união da AMPc com a proteína quinase A. Quando aumenta a concentração de cálcio no interior da célula, os íons se unem a calmodulina, muda sua conformação e a ativa. Ativada, ela pode associar-se a proteínas que sofreram modificações na sua atividade. Fosfolipase C O hormônio ligado em seu receptor na membrana catalisa a troca de um GTP por um GDP na proteína G ativando-a. A proteína G ativa estimula a enzima fosfolipase C da membrana a hidrolisar o lipídeo fosfatidilinositol-4,5- difosfato em diacilglicerol (DAG) e inositol-1,4,5-trifosfato (ITP). O ITP estimula a saída de cálcio das organelas e o DAG ativa uma proteína quinase C a fosforilar proteínas modificando suas atividades. Os hormônios que atuam via 2° mensageiro fosfolipase C são: GNRH, GHRH, Ocitocina e TRH. Termino da ação hormonal Após os hormônios interagirem com receptores, eles se ligam, produzem vesículas na membrana e endocitose. Os receptores podem ser degradados por enzimas lisossômicas ou ser reciclados. O hormônio na superfície celular pode ser degradado por enzimas séricas. Regulação de receptores Modulação negativa (down-regulation) A regulação promove a diminuição da síntese de novos receptores, aumentando a degradação dos já existentes ou inativando-os. Eles podem ser inativados no fígado e excretado por ele ou pelos rins, excretados intactos na urina e fezes ou endocitados, sendo degradados no lisossomo. Modulação positiva (up-regulation) Nesse caso, há um aumento no numero e afinidade dos receptores, ampliando a sensibilidade e resposta do tecido alvo. Interação hormonal no eixo hipotálamo – hipófise – glândulas Hipotálamo Influencia ingestão de alimentos, consumo de energia, peso corporal, ingestão de líquido e equilíbrio hídrico, pressão arterial, temperatura corporal, ciclo do sono, reprodução... Ele é o centro de integração final de informações geradas em diferentes regiões do organismo e tem por objetivo a homeostasia e controle das funções orgânicas. Ele está localizado na área do diencéfalo localizada abaixo do terceiro ventrículo e acima da eminência média. Eixo Hipotalâmico – Hipofisário O hipotálamo é composto de vários núcleos: preóptico (PO), supraquiasmático (SCH), área anterior (AH), paraventricular (PV), supra-óptico (SO), quiasma óptico (OC), dorsomedial (DM), posterior (PH), ventromedial (VM) e arqueado (AR). A hipófise, ou também chamada de pituitária, é constituída de várias partes importantes. Pars nervosa: Parte posterior da hipófise, também chamada de neuro-hipófise, constituída de tecido nervoso, que armazena e libera hormônios produzidos no hipotálamo, como a ocitocina e o hormônio antidiurético (ADH). Pars distalis: Parte anterior da hipófise, ou adenohipófise, que secreta vários hormônios, incluindo hormônio do crescimento (GH), prolactina (PRL), ACTH, FSH, LH e TSH. Pars tuberalis: Não possui atividade hormonal. Pars intermedia: Região intermediária que secreta melanotropina (hormônio estimulador de melanócitos) em algumas espécies. Eminência média: Parte do hipotálamo que faz a conexão com a hipófise, onde ocorrem a liberação e o controle dos hormônios hipotalâmicos. Plexos capilares: O plexo capilar primário é localizado na eminência média e leva substancias dos núcleos hipotalâmicos até o plexo capilar secundário da adenohipófise Interação hormonal no eixo hipotálamo – hipófise – glândulas Esse eixo permite a comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema endócrino. Hormônio de liberação da Tireotropina (TRH) É secretado pelo núcleo paraventricular do hipotálamo e vai atuar nos tireotrofos da adenohipófise para secretar TSH e estimular a tireoide a produzir e secretar T3 e T4. Também atua nos lactotropos para secretar prolactina e estimular a glândula mamária a produzir leite. Hormônio de liberação de gonadotrofinas (GnRH) É secretado pela parte anterior, medial e pré-ópticas dos núcleos hipotalâmicos para atuar nos gonadotropos da adenohipófise que secreta FSH e LH para atuar no seu tecido alvo que são as gônadas (ovários e testículos) e produzir e secretar estradiol e progesterona nos ovários e testosterona no testículo. Hormônio de liberação da corticotrofina (CRH) É secretado pelo núcleo paraventricular do hipotálamo e vai atuar nos corticotropos da adenohipófise para secretar o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) que estimula a córtex da adrenal a produzir e secretar cortisol, cortisona e corticosterona. Hormônio de liberação do GH É secretado pelo núcleo arqueado do hipotálamo e vai atuar nos somatotropos da adenohipófise para secretar o hormônio do crescimento (GH) ou somatotropina e estimular o fígado, ossos, músculo e tecido adiposo a produzir e secretar o fator de crescimento semelhante a insulina (IGF-1) e somatomedinas. Somatostatinas ou Hormônio de inibição do GH É secretado pelo núcleo paraventricular do hipotálamo e vai atuar nos somatotropos da adenohipófise para inibir o hormônio de crescimento (GH). Dopamina (PIH) É secretado pelo núcleo arqueado do hipotálamo e vai atuar nos lactotropos da adenohipófise para inibir a secreção de prolactina. Neurônios do hipotálamo Os núcleos paraventricular e supra-óptico do hipotálamo possui neurônios chamados de magnocelulares. Esse tipo de neurônio possui o axônio longo e desmielinizado, ou seja, sem a bainha de mielina. Os neurônios magnocelulares secretam os hormônios ocitocina, vasopressina e neurofisinas diretamente na neurohipófise, onde são liberados na corrente sanguínea. Os demais núcleos possuem neurônios com corpos celulares do tipo parvocelular que são curtos e mielizados. As terminações nervosas desses neurônios terminam na eminência média no plexo sanguíneo primário. O plexo sanguíneo primário leva os fatores liberados ou inibidores dos hormônios até o plexo secundário na adenohipófise que libera os hormônios na corrente sanguínea. Hipófise A neurohipófise é constituída de tecido nervoso e neurônios secretores. Ela armazena a ocitocina e ADH produzidos pelo hipotálamo. Adenohipófise é composta de tecido glandular com células endócrinas subdividida em pars distalis e pars intermedia. Secreta prolactina, GH, ACTH, TSH, FSH e LH. Hormônioshipofisários e seus órgãos alvos Hormônios da adenohipófise ACTH O hormônio adrenocorticotrófico tem como precursor a pró- opiomelanocortina (POMC). A POMC é clivada em intermediário do ACTH + β – lipotrofina. O intermediário do ACTH produz o ACTH + fragmento e a β – lipotrofina produz - lipotrofina + β – endorfina. Hormônio do crescimento (somatotrofina e GH): É liberado de forma pulsátil e sua secreção é aumentada pelo sono, estresse, hormônios sexuais, fome, atividade física e hipoglicemia. O controle da secreção do hormônio de crescimento (GH) acontece da seguinte forma: O hipotálamo controla a liberação de GH pela adenohipófise através de dois hormônios principais: GHRH (Hormônio Liberador de GH) que estimula a adenohipófise a liberar GH, e a somatostatina (SRIF) que inibe a secreção de GH pela adenohipófise. Uma vez liberado, o GH atua nos tecidos-alvo, estimulando a produção de somatomedinas, que são fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF). Estes IGFs promovem o crescimento dos tecidos. As somatomedinas (IGF) podem inibir tanto a secreção de GHRH quanto a própria liberação de GH pela adenohipófise, atuando como parte de um mecanismo de feedback negativo para regular os níveis de GH. Prolactina Importante para a lactogênese. O hipotálamo controla a liberação de prolactina pela adenohipófise através de dois hormônios principais: TRH que estimula a adenohipófise a liberar prolactina, e a dopamina que inibe a secreção pela adenohipófise. A adenohipófise produz e secreta prolactina em resposta ao estímulo do TRH, enquanto a dopamina atua para inibir essa secreção. Uma vez liberado, a prolactina atua nas glândulas mamárias. Hormônios da neurohipófise A liberação de hormônios pela neurohipófise está sob controle nervoso direto. Os dois hormônios produzidos pelo hipotálamo e armazenados na hipófise são a ocitocina e vasopressina, que são carreadas até a haste hipofisária. São secretados nos capilares por exocitose. A ocitocina e a vasopressina são rapidamente depurados da circulação sanguínea pelos rins, e em menor parte, pelo fígado e cérebro. Ocitocina ➢ Ejeção do leite Quando o animal suga o teto, os receptores sensoriais são ativados, enviando sinais nervosos para o cérebro. Esses sinais são transmitidos ao hipotálamo através de vias nervosas, estimulando os núcleos supra-óptico e paraventricular, que são responsáveis pela produção de ocitocina. A ocitocina, produzida no hipotálamo, é armazenada e liberada pela neuro-hipófise na corrente sanguínea. A ocitocina chega aos alvéolos das glândulas mamárias, onde estimula as células mioepiteliais (células musculares lisas) a se contraírem, levando à ejeção do leite dos alvéolos para os ductos lactíferos e para fora do mamilo. A prolactina é importante para a produção contínua de leite, enquanto o papel do ACTH está relacionado com a resposta ao estresse e a regulação hormonal, mas não diretamente com a ejeção do leite. Além disso, a ocitocina é responsável pela contração uterina no parto, condução dos espermatozoides ate o oviduto e contenção de hemorragia pós-parto. Vasopressina (VP) A secreção é aumentada por hiperosmolaridade, hipovolemia estresse e estímulos emocionais. A vasopressina transportada no sangue encontra seu receptor na membrana e se liga a ele. Ao ligar-se, o receptor muda sua conformação. A proteína G percebe a mudança e desprende a subunidade α ligada ao GDP. A subunidade α – GDP se desloca até a Adenil-ciclase que transforma ATP em cAMP. O cAMP se une a subunidade inibitória da proteína-quinase A. Com a PKA ativada, ela fosforila proteínas pré-existentes. A proteína fosforilada abre os poros de aquaporinas presentes na membrana. Com os poros abertos, a passagem de água é liberada. A água se transloca até o sangue diminuindo a diurese e aumentando a retenção de água. Mecanismo de retroalimentação do controle hormonal Feedback de alça longa Ocorre quando o hormônio liberado pelo órgão-alvo age sobre o hipotálamo ou sobre a hipófise para inibir ou estimular a secreção de hormônios. Feedback de Alça Curta Ocorre quando o hormônio secretado pela hipófise age diretamente sobre o hipotálamo para regular sua própria secreção. Feedback de Alça Ultracurta Os fatores hipofisiotrópicos inibem suas próprias células produtoras.