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CBI of Miami 1 
 
 
 
CBI of Miami 2 
 
 
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CBI of Miami 3 
 
 
Ensinando Habilidades I 
Aída Brito 
 
O comportamento é tudo o que nós fazemos, toda ação humana é 
comportamento. Estas ações podem ocorrer dentro de nós, no interior de 
nosso corpo, ou fora de nós, de modo que outras pessoas possam ver. Quando 
o comportamento ocorre dentro de nós, o chamamos de “privado” ou 
“encoberto” ou ainda descrevemos que é o “comportamento dentro da pele” e 
quando ele é visível por outra pessoa, então o chamamos de “público” mesmo 
que ninguém o esteja vendo em certo momento. 
Os comportamentos também são divididos entre comportamento 
respondentes, que são aqueles eliciados (produzidos automaticamente) por um 
estímulo, como a marteladinha próxima ao joelho que produz o reflexo patelar, 
uma elevação do é e o escuro, que produz a dilatação da pupila e há também o 
comportamento operante, que é aquele que nasce da variabilidade 
comportamental humana (e não dos comportamentos selecionados na história 
da espécie, e que produzem uma alteração no ambiente, fazendo com que esta 
alteração no ambiente, por sua vez, também altera o comportamento do 
indivíduo, de modo a torna-lo mais ou menos provável no futuro. 
A intervenção baseada em ABA parte da premissa fundamental de 
diminuir comportamentos que estão em excesso e ampliar comportamentos 
que estão em déficit. Os comportamentos em excesso são aqueles que trazem 
prejuízos aos indivíduos e que chamamos de “inadequados” e os em déficit são 
aqueles que beneficiariam o indivíduo se presentes em seu repertório, seja por 
um contexto de vida, seja porque o comportamento é esperado para a idade 
(marcos do desenvolvimento). 
Os comportamentos adequados, quando aparecem, são seguidos de 
consequências específicas, programadas pelo Analista do Comportamento, par 
aumentar a quantidade de sua emissão no futuro. Ou seja, aquela pessoa que 
implementa a intervenção baseada em ABA consequência os comportamentos 
adequados do atendido de forma a reforçá-los e fazer com que sejam 
aprendidos e isso não se dá de maneira aleatória, mas cuidadosamente 
planejada pelo Analista do Comportamento, que já descreveu quais são os 
CBI of Miami 4 
 
 
comportamentos em déficit deste indivíduo, quais são seus reforçadores e 
quais são os objetivos da intervenção. 
Esses comportamentos operantes são fruto da história do indivíduo, 
história que nunca se repete, que é sempre ímpar e que se estabelece no 
percurso que cada um de nós estabelece com o ambiente a nosso redor, com 
nossos pais, com nosso quarto, nossos brinquedos, os programas que 
assistimos ou não, as tarefas que fazemos ou não e como cada um de nós, 
dentro de nossa singularidade, reagimos a estes elementos contextuais 
descritos e muitos outros. 
Como dito, esta história operante é sempre particular, mas é verdade que 
pessoas com desenvolvimento típico não são assim chamadas de modo 
aleatório, há um motivo para isso, é porque seu processo de aprendizado, de 
relação com o mundo, isto é, seus comportamentos, estão dentro de uma 
média da espécie, o que faz com que sejam mais adaptativos ao mundo em 
que vivemos, que foi organizado, claramente, para este desenvolvimento que é 
mais comumente encontrado. 
No entanto, quando falamos em “desenvolvimento atípico”, do qual o 
Transtorno do Espectro Autista – TEA e a Deficiência Intelectual – DI são 
exemplos recorrentes, estamos falando de uma forma diferente de 
sensibilidade ao mundo, de organismos com características inusuais e que se 
relacionam com o mundo de uma forma profundamente diferente, de modo que 
seus comportamentos também são profundamente diferentes e menos 
adaptativos, porque o mundo não foi desenhado para suas necessidades. 
Nossa tarefa é reorganizar o mundo a seu redor, de modo a lhes estimular 
de uma maneira apropriada a suas necessidades, para que eles possam ter um 
aprendizado que possa ser mais adaptativo, melhorando, portanto, sua 
qualidade de vida em seu contexto natural. Antes de uma divisão entre 
comportamento operante e respondente, é preciso lembrar o que é 
comportamento, é uma relação entre ambiente e organismo e nosso papel é 
modificá-lo de maneira positiva ao indivíduo e isso não se dá pela imposição, 
mas justamente por novos arranjos no ambiente do atendido. 
É importante notar que essa mudança de comportamento não deve ser 
alcançada simplesmente no ambiente de intervenção, seja na clínica ou na 
CBI of Miami 5 
 
 
escola, o correto é que a mudança ocorra no contexto de vida do indivíduo em 
que seu déficit ou excesso traz prejuízo à qualidade de vida deste indivíduo e 
que foi justamente o que motivou a queixa e a procura da intervenção. 
Por exemplo, uma criança que se autoagride dando tapas no próprio 
rosto, enquanto chora copiosamente durante grande parte do dia, todos os 
dias, é uma criança que com certeza precisa de uma intervenção baseada em 
ABA que parta de suas necessidades e de uma avaliação pormenorizada para 
a redução deste comportamento autolesivo e estigmatizando perante a 
comunidade e que ainda o impede de aprender enquanto engajado nesta 
atividade. 
Digamos que em uma avaliação individualizada também se verifique que 
esta criança também não saiba pedir comida de maneira apropriada, apesar de 
ser uma criança que fala, ela fica agitada quando está com fome, mas não 
verbaliza sua necessidade. 
É claro que haverá uma série de coisas a se considerar com esta ou 
qualquer criança, mas para efeitos didáticos, digamos que tenhamos somente 
estas duas questões, um excesso comportamental (se bater no rosto) e um 
déficit comportamental (pedir comida vocalmente de maneira apropriada), para 
os quais haveria a elaboração de estratégias de ensino, mas o que cabe dizer 
aqui é que não adianta que o atendido emita o comportamento de pedir para 
comer de maneira apropriada “Me dê o almoço, por favor!” e deixe de se 
autoagredir DURANTE O PERÍODO EM QUE ESTÁ NA CLÍNICA ou no 
contexto da intervenção somente, é preciso que no contexto natural de sua 
vida, nos ambientes em que antes ele se batia, não se bata mais, nos 
ambientes em que ficava com fome sem pedir sua comida, agora o peça.

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