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24 agosto/setembro 2010 Onco& Dor oncológica: conceitualização e tratamento farmacológico I. Considerações iniciais DOR ONCOLÓGICA” É UMA EXPRESSÃO UTI- LIZADA PARA CARACTERIZAR A DOR, NA MAIO- RIA DAS VEZES DE MÚLTIPLAS ETIOLOGIAS QUE se somam e se potencializam, de um paciente com câncer, e que pode ou não estar diretamente relacionada com a doença de base e sua evolução. Em 2009, a International Association for the Study of Pain (IASP) ressaltou a importância do conhecimento das estratégias para controle da dor pelo médico da atenção primária.1 A dor, sintoma mais estudado em todas as faixas etárias, ainda re - presenta um grande desafio para a maioria dos médicos, podendo chegar à opiofobia, talvez pelo treinamento pouco eficaz ou ausente durante sua formação acadêmica. Uma vez que a abordagem não farmacológica da dor não é tema deste artigo, alerto de que o sucesso do tratamento da dor depende de uma abordagem multidisciplinar, sendo igualmente fun- damentais o fisioterapeuta, o enfermeiro, o psicó - logo, o terapeuta ocupacional, o nutricionista, o voluntário, o representante espiritual, o assistente social e todos os que verdadeiramente praticam o Cuidado, na essência de seu significado. II. Desfazendo mitos Além da falha no treinamento médico básico, o tratamento da dor do paciente com câncer torna- se ainda mais complicado pelos mitos e precon- ceitos que o cercam: “Morfina é para paciente terminal e seu uso significa que a morte está pró - xima”, “Dor muito intensa deve ser tratada por via parenteral”, “O uso regular de opioides leva à de- pendência e, secundariamente, ao abuso”, “Opioi - des são contraindicados quando há história de drogadição, assim como em pacientes renais crônicos”, “Metadona só deve ser prescrita por es- pecialistas”, “Agora que iniciamos o opioide, vamos suspender todas as medicações para a dor”, “Morfina deprime a respiração e encurta a vida” e, finalmente, o tão famoso quanto fol- clórico dito popular: “Melhor vivo com dor do que morto sem dor” (...) III. Dados epidemiológicos Embora menos de 15% dos pacientes com doença não metastática relatem dor, 80% ou mais dos pa- cientes com câncer disseminado experimentam dor que exige tratamento.2 A maioria dos pa- cientes referidos para controle de sintoma rela- cionado ao câncer tem pelo menos dois locais anatomicamente distintos de dor, e mais de 40% têm quatro ou mais locais.3 A dor oncológica associada à participação direta do tumor ocorre em 65% a 85% dos pacientes com câncer avançado,4 enquanto a terapia do câncer é responsável pela dor em 15% a 25% dos que re- cebem quimioterapia, cirurgia ou radiação.5 A dor causada por problemas não relacionados direta- mente ao câncer afeta de 3% a 10% dos pacientes. Trabalhos mostram, porém, que a dor pode ser completamente aliviada em 80% a 90% dos pa- cientes, e um nível aceitável de alívio pode ser al- cançado na maioria dos restantes.6,7 Pacientes idosos são frequentemente subtrata- dos e sub-representados em trabalhos científicos. A “Qualidade de Vida relacionada à Saúde” (HRQoL) é considerada um dos end-points mais difíceis em oncogeriatria, cuja população apre- senta limitações metodológicas como o uso de ins trumentos não validados, dificuldade com questionários e alta incidência de demência e ou - tras comorbidades. dor Adriana Thomaz * Médica responsável pelo serviço de Dor e Medicina Paliativa do CENTRON – Centro de Tratamento Oncológico; médica especializada em psico- oncologia e terapia do luto no CLINICOOP; membro da AAHPM, IASP, IPOS, IAHPC e ANCP (*) “ D iv ul ga çã o Onco& agosto/setembro 2010 25 IV. Compreendendo a dor A partir de 1986, a dor foi conceituada pela Or- ganização Mundial de Saúde (OMS) como uma “Experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano presente ou potencial, ou des - crita em termos de tal dano” – ou seja, a dor é uma experiência individual. Dessa forma, basta presumir ou pensar que vai doer, para doer de fato. Tal afirmação nos leva a uma reflexão pro- funda quando se trata da dor de um paciente com câncer, cujo diagnóstico é uma “experiência emo- cional desagradável associada a um dano tecidual potencial”. A dor é classificada como o quinto sinal vital e seu controle é� um direito humano. Emoção, câncer e dor Todo estado emocional pode ter influência direta na percepção da dor como sofrimento. Há uma variação no limiar de dor relacionada diretamente ao estado de humor, explicado pelo entendimento do termo nocicepção, usado para descrever o processo neural de codificação e processamento de estímulos nocivos. “Nocicepção” e “dor” são diferentes. Nocicepção é uma sensação (como a tátil, olfativa etc.), e dor é a percepção dessa sen- sação. A nocicepção pode não ser percebida se a atenção estiver voltada para outra situação. Du- rante o espetáculo de dança, os pés apertados dentro da sapatilha da bailarina podem não “doer”, já que a atenção (importante componente da percepção) está totalmente voltada para a dança, enquanto, de forma analógica, durante a quimioterapia, o paciente pode sentir sua dor de forma mais intensa. São considerados fatores de risco para a de- pressão em pacientes com câncer avançado: gênero, idade, história anterior de depressão, apoio social e condição funcional. Quanto ao gênero, sabe-se que mulheres são mais sujeitas à depressão do que homens, apresentando o dobro de incidência em relação a eles. Segundo Plumb, Holland (1981) e Chochinov, citados por Chochinov e Breitbart (2000),8 homens têm diagnóstico de depressão se - vera com mais frequência. Aspectos existenciais como a espiritualidade – sentido de vida –, o grau de resiliência e as perdas sofridas influenciam o es- tado emocional e, portanto, a dor. Dor total Não é raro nos depararmos com uma dor que “não responde ao tratamento”, ainda que otimizado e dentro dos padrões considerados de excelência. Na década de 1960, o conceito de Dor Total, desen- volvido por Cicely Saunders, tornou compreensível a dor outrora considerada intratável. Esse conceito compreende a dor no seu componente físico, psi- cológico, social e espiritual. V. Classificação neurofisiológica da dor É baseada nos mecanismos desencadeantes e di- vide-se em: nociceptiva, neuropática e complexa ou mista. 1. Dor nociceptiva Resultado da ativação de nociceptores (fibras A- delta e C). a. Somática Desencadeada ou exacerbada pelo movimento e aliviada pelo repouso, de loca lização precisa. Exemplos: dores ósseas e musculoesqueléticas, ulcerações de pele, linfoadenopatias. b. Visceral Provocada por distensão de víscera oca, de carac- terística opressiva, constritiva ou em cólicas, de difícil localização, acompa nhada ou não de náuseas, vômitos e sudorese. Pode ser à distância, chamada de dor referida. Exemplo: dorsalgia relacio nada ao câncer de pâncreas. 2. Dor neuropática Relacionada a uma disfunção do sistema nervoso central ou periférico. Persistente ou episódica, aguda ou crônica, pode não estar associada a qualquer lesão detectável. É des crita como queimação, ardor, ferroadas, choques e pode ser acompanhada ou não de parestesia e alodínia (es- tímulos que não ge rariam dor são percebidos como dolorosos). Exemplos: neuralgia pós-her- pética e neuropatia periférica pós-quimioterapia. 3. Dor complexa ou mista Encontrada em pacientes com tumores cujo cresci- mento provoca inflamação e compres são, originando dor com padrões complexos, exigindo, quase sempre, a associação de drogas para o seu controle. VI. Avaliação da dor A avaliação precisa da dor do câncer é fundamen- tal para identificar a etiologia subjacente e traçar o plano terapêutico, conforme as diretrizes pu - blicadas pela IASP:9 1. Registre as medicações tomadas atualmente, assim como aquelas usadas no passado, incluindo a eficácia e o efeito adverso. 2. Incorpore uma abordagem psicossocial na ava liação, incluindo a determinação dos objetivos de cuidados do paciente e da família. 3. Use um diário de dor para seguir a eficácia das terapias epara avaliar mudanças na dor. 4. Requisite uma avaliação diagnóstica (por exem plo, RMN, TC, testes laboratoriais) quando, e somente se, contribuir para o plano do tratamento. 5. Avalie a presença de outros sintomas, pois a dor é bastante correlacionada com a fadiga, a cons tipação, os distúrbios do humor e outros. História da dor * Localização * Intensidade * Qualidade * Temporalidade * Fatores de agravamento e alívio * Significado da dor * Sofrimento ou conflito existencial * Fatores culturais e espirituais * Medicação utilizada e seus resultados, obser- vando, inclusive, se há alguma manifestação de simpatia, medo ou rejeição a determinada droga (nesse contexto, interessa, e muito, o que o paciente acredita que possa melhorar sua dor ou agravá-la). É necessário redobrar a atenção nos idosos frágeis, nas demências e nas alterações cognitivo- comportamentais resultantes de tumores cerebrais, quando não apenas sinais indiretos de dor – como taquicardia, elevação da pressão arterial, taquipnéia e fácies de dor – têm importância, mas quan do são igualmente relevantes as alterações de hu mor, o com- portamento, o padrão do sono e a inapetência, su - gerindo uma dor não controlada. Escalas unidimensionais para avaliação da dor (Figura 1) * Escala de avaliação numérica (mais usadas: 0 a 10 e 0 a 4). No caso do uso da escala de 0 a 10, sempre explicar ao paciente que “0” é nenhuma dor e “10” o máximo da dor, a dor mais intensa de todas. * Escala verbal (“nenhuma dor”, “dor leve”, “dor moderada”, “dor severa”) * Escala analógica visual: nenhuma dor - dor severa * Escala de Faces (base na escala de Wong- Baker) VII. Princípios básicos para o tratamento da dor (OMS) 1. Pela boca: Sempre que possível, a via oral deve ser privilegiada. 2. Pelo relógio: As doses prescritas devem ser regulares, “com ou sem dor”, no momento da tomada, oferecendo-se ainda, no caso dos opi- oides, a dose de resgate, em caso de dor episódica ou incidental. 3. Pela escada (Figura 2): Observar a hierarquia das drogas analgésicas e suas associações com drogas adjuvantes. 4. Para o indivíduo: A subjetividade e a veraci- dade da dor precisam ser respeitadas para o con- trole da dor daquela pessoa. 5. Uso de adjuvantes 6. Atenção aos detalhes Figura 1 Exemplo de Escala Unidimensional para Avaliação da Dor (“régua de dor”) 26 agosto/setembro 2010 Onco& “A dor na�o controlada mascara a gravidade do caso, tira as forc�as do paciente para lutar pelos seus dias de vida e rouba o prazer de suas relac�o�es pessoais. Tratar a dor na�o e� so� sublime e prazeroso, mas essencial para que se estabelec�a uma relac�a�o de confianc�a entre o paciente, sua família, o me�dico e a equipe (...)” Maciel MGS, 2004 Onco& agosto/setembro 2010 27 Figura 2 Adaptação da “Escada Analgésica” da OMS (WHO’s Pain Relief Ladder) “A mão que prescreve opioide prescreve laxativos” (anônimo) VIII. Terapêutica farmacológica 1. Não opioides Indicados para a dor leve ou como adjuvante em qualquer degrau da escada analgésica (Figura 2). Têm efeito teto (o aumento da dose acima de de- terminado ní�vel não produz um maior efeito analgé�sico) e o uso concomitante ao opioide pode ser bastante positivo pelo efeito dose-excedente (dose-sparing effect), permitindo o uso de menores doses de opioides. a. Analgé�sicos simples * Dipirona: Inicialmente pode ser usada sem asso - ciações, de 4/4 h a 6/6 h, de 500 mg a 1 g/dose. * Paracetamol: Indicação semelhante à dipirona, de 6/6 h a 8/8 h, de 500 mg a 750 mg/dose. Limitar a dose diária a 6 g. Atenção à hepatotoxicidade. b. AINH Indicado na dor de origem inflamatória do tipo somática – na linfadenopatia e nas metástases ósseas e cutâneas; do tipo visceral – na distensão da cápsula hepática; ou do tipo neuropática – na compressão medular. Atenção aos efeitos cola - terais. Considerar o uso de “protetores” gástricos. É desa conselhado em idosos. 2. Adjuvantes Sa�o drogas cuja indicação primária não é a anal- gesia. São conhecidas como coanalgé� sicas e usadas em combinação com outras drogas, em todos os degraus da escada analgésica. a. Antidepressivos Os mais indicados são os tricí�clicos (TCAs): 12,5- 25 mg/dia. Atenção ao idoso. A venlafaxina (ISRSNs) pode ser uma boa opção neste caso: 37,5-75 mg/dia, assim como a duloxetina (ISRSNs), 30-60 mg/dia. b. Anticonvulsivantes Carbamazepina é indicada na dor lancinante; gaba pentina e pré-gabalina na dor neuropática e pó� s-herpé� tica, principalmente. c. Corticosteroides Ação sobre o edema associado à inflamação e ao cres cimento tumoral, que causam compressã�o nervosa ou infiltração de plexos nervosos, além de serem úteis na cefaleia pelo aumento da pressão intracraniana e na dor ó� ssea. Dexameta- sona e prednisona principalmente.10 d. Neurolé�pticos Ação sobre a afetividade e no sistema de modu- lação da dor, alterando sua percepção. Têm efeito antiemé � tico. Haloperidol, clorpromazina e levo - mepromazina são os mais utilizados. e. Bifosfonatos Indicados principalmente nas dores ósseas. f. Psicoestimulantes, ansiolíticos, sedativos, indutores do sono e miorrelaxantes. 3. Opioides São derivados do ópio e classificados em naturais ou sintéticos, fracos ou fortes, e são antagonizados pela naloxona. Recomenda-se usar apenas um opioi de de cada vez, escolhido por sua intensidade e tempo de ação, comodidade de via de adminis- tração, efeitos adicionais e colaterais, segundo a OMS. As doses iniciais devem ser as mais baixas doses com resultados, e os ajustes devem seguir uma progressão, chamada “Titulação de Opioides”. Se descontinuados abruptamente, podem gerar abs tinência. A substituição deve respeitar a equi - potência analgésica. Especial atenção deve ser dada à constipação intestinal, que deve ser tratada pro- filaticamente através do estímulo à deambulação e exercícios físicos, quando possível, associado a boa ingesta hídrica e laxativos do tipo estimulantes e não absorvíveis, em uso regular. Casos refratários podem necessitar de enema (fosfato de sódio via retal) ou enteroclisma.11 A metilnaltrexona foi re- centemente aprovada para constipação induzida por opioides e está disponível em apresentação in- jetável (SC) 20 mg/ml. 28 agosto/setembro 2010 Onco& a. Opioides fracos * Codeína Opioide natural. Prescrever a cada 4 horas. Possui apresentação isolada (comprimidos de 7,5, 30 ou 60 mg) ou associada ao paracetamol ou ao di- clofenaco. Solução oral com 3 mg/ml. A partir de 360 mg/dia, sugere-se a substituição por um opi- oide forte. É antitussígeno e obstipante. Codeína oral 100 mg ´ 10 mg Morfina oral * Tramadol Opioide sintético. Deve ser prescrito a cada 6 horas. Tem metabolização hepática, fazendo com que as apresentações orais tenham biodisponibi - lidade cerca de duas vezes maior que a parenteral. Pode ser usado por via subcutânea de forma in- termitente ou contínua.12 Atenção ao uso en- dovenoso, pois pode diminuir o limiar convulsivo em pacientes predispostos. Disponível em solução oral de 50 ou 100 mg/ml, comprimido de libe - ração imediata de 50 e 100 mg, comprimido de liberação lenta (12 horas) de 100 mg e cápsula de 50 mg, ou ainda comprimido de 37,5 mg, asso - ciado a 325 mg de paracetamol. Também disponível na forma injetável – ampolas de 50 e 100 mg e em supositórios de 100 mg via retal. A dose diária não deve exceder 400 mg. Tramadol oral 50 mg ´ 10 mg Morfina oral Tramadol parenteral 100 mg ́ 10 mg Morfina oral b. Opioides fortes * Morfina Droga mais usada para dor moderada a severa cuja meia-vida é de 2 a 4 horas –prescrita, por- tanto, a cada 4 horas, qualquer que seja a via, oral ou parenteral (IV ou SC). A exceção está apenas nas apresentações de liberação lenta – a cada 12 horas, ou sob a forma de dripping (IV ou SC). Seu custo é baixo e é bastante segura se respeitados os intervalos e o ajuste das doses. A pouca infor- mação sobre as vantagens do uso e os mitos já des critos são as principais razões para a chamada opiofobia. Está disponível sob a forma de solução oral e comprimidosde liberação imediata, con- tendo respectivamente 10 mg/ml e 10 e 30 mg, além das cápsulas de liberação cronometrada para uso a cada 12 horas com 30, 60 e 100 mg (esta apresentação não deve ser usada por sonda en- teral). A ampola de 2 ml contém 1 mg/ml e a de 1 ml contém 10 mg/ml e podem ser usadas IV ou SC de forma intermitente (a cada quatro horas) ou contínua em 24 horas.12 A prescrição de doses analgésicas de resgate deve ser de 1/6 a 1/10 da dose diária e sempre documentada, para ser in- corporada ou não, à dose diária de acordo com a frequência do seu uso. Sedação e depressão res- piratória são raras no paciente bem conduzido. A via subcutânea é possível e especialmente útil em cuidados paliativos.13 Morfina oral 10 mg ´ 3 mg Morfina subcutânea * Fentanil transdérmico Opioide sintético de ação semelhante à morfina, administrado por via transdérmica ao longo de 72 horas, traduzindo-se numa posologia confortável especialmente nos casos de disfagia, oclusões gas- trointestinais com ou sem sonda nasoenteral e in- suficiências renal ou hepática graves. Os adesivos de 2,5, 5,0, 7,5 e 10 mg liberam, respectivamente, 25, 50, 75 ou 100 mcg do medicamento a cada hora e devem ser prescritos em dose equipotente ao total de morfina oral usado em 72 horas. * Oxicodona Opioide sintético com boa disponibilidade por uso oral e poucos efeitos colaterais, porém de alto custo. Disponível no Brasil em apresentações de 10, 20 ou 40 mg para uso a cada 12 horas pela dupla camada de liberação, uma imediata e uma lenta. Não amassar ou partir os comprimidos. Contraindicada na insuficiência hepática. Oxicodona oral 5 mg ´ 10 mg Morfina oral * Metadona Opioide sintético de uso especialmente indicado para dor neuropática e dores severas. Boa biodisponibilidade para uso oral, mas a meia-vida imprevisível impõe sua utilização cuidadosa (citações variam muito de 8-58h e até 12-96h). Está disponível sob a forma de comprimidos de 5 e 10 mg e solução injetável 10 mg/ml. Quando administrada oralmente, a metadona tem aproxi- madamente a metade da potência da adminis- tração parenteral e pode ser usada por via subcutânea.13 Pode ser usada nas insuficiências renal e hepática. Atenção em pacientes demen - Onco& agosto/setembro 2010 29 Referências 1. www.iasp-pain.org//AM/Template. cfm? Section=Home [acesso em 20/07/2010]. 2.Haugen DF, Hjermstad MJ, Hagen N, Caraceni A, Kaasa S; European Palliative Care Research Collaborative (EPCRC). Assessment and classification of cancer break- through pain: a systematic literature review. Pain 2010; 149(3):476-482. 3. Twycross RG, Fairfield S. 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Pharmacological Management of Persistent Pain in Older Persons - AGS Panel on Pharmacological Manage- ment of Persistent Pain in Older Persons - Guideline Re - commendations. Texto completo disponível em: www. americangeriatrics. org/education/final_recommendations.pdf. 15. Academia Nacional de Cuidados Paliativos www. paliativo.org.br/Boletins.asp?BoletimAtivo=20 [acesso em 22/07/2010]. 16. www.crmdf.org.br/files/outros/novo .pdf [acesso em 23/07/2010]. 17. www.cicelysaundersfoundation.org/ [acesso em 25/07/2010]. (*) AAHPM – American Academy of Hospice and Pallia- tive Medicine; IASP – International Association for the Study of Pain; IPOS – International Psycho-Oncology So- ciety; IAHPC – International Association for Hospice & Palliative Care; ANCP – Academia Nacional de Cuidados Paliativos Para saber *“Declaração e Compromisso Conjunto sobre Cuidados Palia- tivos e Tratamento da Dor como Direitos Humanos”1 *“Código de Ética Médica” (novo) *Cicely Saunders Institute www.cicelysaundersfoundation.org ciados. Náusea é sinal de alerta para intoxicação. Titular com cautela. Metadona oral 1 a 2 mg ´ 10 mg Morfina oral * Hidromorfona Opioide sintético semelhante à morfina, porém com menos efeitos colaterais e posologia mais cô- moda. Pode ser usada na insuficiência renal. No Brasil é de uso recente e encontrada em apresen- tação oral, a cada 24 horas. Hidromorfona oral 1,5 a 2 mg ́ 10 mg Morfina oral IX. Algumas considerações finais para o tratamento da dor do idoso Guideline da AGS (American Geriatrics Society)14 (2009, tradução livre) Qualidade alta de evidência, recomendação forte: * Acetaminofeno deve ser considerado como ini- cial e contínuo na dor persistente, particular- mente musculoesquelética, pela sua efetividade e bom perfil de segurança. * AINH e inibidores seletivos da COX-2: usar em indivíduos altamente selecionados e com extrema precaução. * Todos os pacientes com dor neuropática são candidatos a analgésicos adjuvantes.