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1 1 Durante uma discussão pelo excessivo ciúme demonstrado pelo marido, Clarissa disse a José que não queria mais viver com ele. Tomado de raiva e paixão, José, com intenção homicida, apropriou-se de uma faca na cozinha e desferiu dois golpes contra a mulher. Vendo-a caída ao solo, sangrando, arrependeu-se da reação emotiva, especialmente porque Clarissa, mesmo ferida e ofegante, repetia que o amava e o perdoava por tudo. José então socorreu a esposa e a levou até o hospital, onde ela, recebendo atendimento médico e intervenção cirúrgica (haja vista a primeira facada haver transfixado o pulmão da vítima), sobreviveu. Recuperada, Clarissa perdoou José, segundo suas próprias palavras registradas em carta, mas saiu de casa e foi morar com os 5 (cinco) filhos na casa da mãe (que, inclusive, levou os fatos praticados pelo genro ao conhecimento da polícia). José, desde então, caiu em depressão profunda e sucumbiu ao alcoolismo. Quanto à responsabilidade penal de José pelos fatos, é correto afirmar que ele responderá: A) Apenas pelas lesões causadas na vítima, configurada hipótese de arrependimento eficaz. B) Por homicídio tentado, descaracterizada a violência doméstica em razão do perdão da ofendida. C) Por feminicídio tentado, atenuado pelo arrependimento posterior, sendo irrelevante o perdão da ofendida. D) Por feminicídio tentado, mas poderá receber o perdão judicial, tendo em vista as consequências da infração. 2 Cléber e Davi possuem um inimigo em comum, qual seja, Evandro. Em determinado dia, sem prévio ajuste, ambos portando arma de fogo de igual calibre e munições idênticas, escondem-se, em diferentes locais, próximo ao trabalho de Evandro, esperando o momento em que este chegue ao trabalho para, enfim, eliminar a vida dele. Quando Evandro chega ao local, Cléber e Davi atiram simultaneamente em sua direção, sendo Evandro atingido e vindo a falecer. Posteriormente, o exame pericial concluiu que Evandro foi morto por um único disparo de arma de fogo, sendo que os demais tiros não o atingiram, todavia, o laudo não conseguiu identificar de qual arma de fogo partiu o tiro que eliminou a vida de Evandro. Considerando o caso hipotético narrado, assinale a alternativa correta. A) Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria desconhecida. Cléber e Davi respondem por homicídio consumado. B) Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria desconhecida. Cléber e Davi respondem por tentativa de homicídio. C) Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria incerta. Cléber e Davi respondem por homicídio consumado. D) Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria incerta. Cléber e Davi respondem por tentativa de homicídio. 3 No mês de Outubro do ano de 2019, Clóvis iniciou a execução de um crime de extorsão mediante sequestro, a restrição da liberdade da vítima teve uma duração maior que 60 dias. Entretanto, no mês de Novembro do mesmo ano, entrou em vigor lei penal que aumentou a pena do crime de extorsão mediante sequestro. A vítima só obteve a liberdade em janeiro de 2020, quando o Clóvis finalmente conseguiu a vantagem financeira indevida. Oferecida a denúncia em face de Clóvis, é correto afirmar que a condenação será com base: A) Na lei em vigor no mês de Outubro de 2019, pois foi o momento que o crime teve sua consumação. B) Na lei em vigor em Outubro de 2019, por ser aplicável o princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. C) Na inovação legislativa, porque o crime imputado somente foi consumado quando aconteceu a obtenção de vantagem financeira indevida. D) Na inovação legislativa, ainda que mais gravosa, em razão da natureza do crime imputado. 4 Samuel sofre de sonambulismo desde quando criança e é apaixonado por Sabrina, sua esposa. Certa noite, durante o sono profundo e em estado de inconsciência, Samuel vai até a cozinha e pega uma faca. Nesse momento, ao perceber que Samuel não estava na cama, Sabrina vai até a cozinha e toca em seu ombro para levá-lo de volta. Ocorre que, ainda sonâmbulo, Samuel desfere dois golpes com a faca em sua esposa, atingindo de forma fatal. Samuel retorna para cama e continua o seu sono. Levando em consideração a hipótese narrada, é correto afirmar que Samuel: A) Deve responder por homicídio culposo, sendo aplicável o perdão judicial. B) Deve responder por homicídio doloso, praticado com dolo eventual. C) Deve responder por delito de homicídio preterdoloso. D) Não deve responder por crime, por ausência de voluntariedade no movimento. 5 Mauro guarda em seu guarda-roupas um saco contendo quase 1 kg de cocaína. A sacola está em sua casa desde 23 de julho 2006. Ocorre que, em 08 de outubro do mesmo ano, entrou em vigor uma lei mais severa, punindo as condutas do art. 33 da lei de drogas de forma mais gravosa. Mauro continuava guardando a mesma quantidade de entorpecente, até que em 09 de outubro de 2006, com mandado de busca e apreensão, a polícia ingressa em sua casa e localiza a droga. De acordo com o estudo sobre a lei penal no tempo, é correto afirmar que: A) A lei posterior que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos crimes permanentes e continuados, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. B) Mauro poderá ser punido pela lei mais grave, uma vez que se trata de crime permanente, de modo que a lei mais grave poderá ser aplicada enquanto não cessada a permanência. C) Como a retroatividade penal da lei mais benéfica não é princípio automático e absoluto, a defesa de Mauro precisa alegar que o Código Penal adota a teoria da ubiquidade, para buscar a aplicação da lei penal mais benéfica. D) De acordo com entendimento sumulado, deve ser aplicada a lei que vigia no dia em que se iniciou sua conduta, independente se mais grave ou mais benéfica ao agente. 6 Mévio e Tício, previamente ajustados, subtraíram no interior de uma residência bens avaliados no total de 800 reais. Mévio é primário e Tício é reincidente. De acordo com o STJ, a figura do furto privilegiado: A) aplica-se aos dois sujeitos, diante do pequeno valor da coisa. B) não aplica-se para nenhum dos sujeitos, pois não cabe o furto privilegiado para furto qualificado de ordem objetiva. C) aplica-se somente para Mévio diante da sua primariedade, do pequeno valor da coisa e da qualificadora ser de ordem objetiva. D) aplica-se somente para Mévio diante de sua primariedade e do pequeno valor da coisa, não sendo relevante a qualificadora ser de ordem objetiva. 2 7 Ricardo é caminhoneiro e estacionou seu caminhão em um posto de gasolina para tomar um café na conveniência mais próxima. Poucos minutos dele retornar ao caminhão, Roberval se escondeu entre as rodas e debaixo do caminhão para se esconder da polícia, sem que Ricardo pudesse imaginar. Quando Ricardo começou a dirigir, a roupa de Roberval ficou presa entre as rodas, arrastando-o e causando sérias lesões físicas. No momento em que um pedestre consegue avisar, imediatamente o caminhoneiro para e socorre Roberval. Sobre a conduta de Ricardo, trata-se de caso de exclusão: A) da imputabilidade B) de ilicitude C) do dolo por erro de proibição D) do dolo por erro de tipo 8 André de 29 anos, através de um site propagador de instigação ao suicídio, foi procurado por dois irmãos, Lais de 13 anos e Lucas de 12 anos, para orientação de suicídio indolor. André, através de mensagens no chat do próprio site, recomendou a utilização de veneno de extrema letalidade. Os irmãos ingeriram juntos a substância. Lais morreu imediatamente, já Lucas ficou hospitalizado por 40 dias, ficando paraplégico permanentemente. Com base nas informações acima, é correto afirmar que André deverá ser penalmente responsabilizado pelo crime de: A) Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação consumada em face de Lais e namodalidade tentada em face de Lucas. B) Homicídio contra a vida de Lais e lesão corporal gravíssima em face de Lucas. C) Homicídio contra a vida de Lais e lesão corporal grave em face de Lucas. D) Homicídio contra a vida de Lais e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação consumada em face de Lucas. 9 Maurício, inconformado com a participação de Gustavo e Leila, pais de sua ex-namorada Laís, no fim de seu relacionamento, decide praticar um crime de roubo na residência do rico casal. Para isso, compra cordas e elásticos, que utilizaria para amarrar as mãos das vítimas, além de um simulacro de arma de fogo. Momentos antes da prática delitiva, quando Maurício se preparava para sair de casa, Laís liga e demonstra interesse em retomar a relação, o que faz com que Maurício decida não mais ir até a casa de Gustavo e Leila, mas sim ao encontro de Laís. Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que a conduta de Maurício é: A) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar mínimo, tendo em vista que o critério a ser observado para definir o quantum de redução de pena é a gravidade do delito; B) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar máximo, já que o critério a ser observado no quantum de redução de pena é o iter criminis percorrido; C) atípica, em razão de não ter sido iniciada a execução; D) atípica, em razão do arrependimento eficaz. 10 Nas lições de Miguel Reale Júnior (Teoria do delito), se a não consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do agente torna típica a conduta tentada, funcionando o artigo 14, inciso II, do Código Penal como autêntica norma de extensão temporal do tipo penal, deve-se, pela mesma ratio, ter por atípica a tentativa quando o resultado não se concretiza em decorrência da vontade do próprio agente. Sob essa visão, independentemente da importância político-criminal desses institutos, a não punição da desistência voluntária e do arrependimento eficaz emana da atipicidade da conduta como modalidade tentada. Sobre a desistência voluntária e o arrependimento eficaz, assinale a alternativa correta. A) A desistência voluntária e o arrependimento eficaz podem ocorrer tanto nas hipóteses de crime falho quanto nos casos de tentativa imperfeita. B) Uma vez reconhecido o arrependimento eficaz ou a desistência voluntária, o agente até poderá responder criminalmente pelos atos já praticados, mas não poderá ser responsabilizado pela tentativa do resultado que visava a alcançar antes de abandonar seu dolo inicial. C) A desistência voluntária e o arrependimento eficaz possuem efeitos equivalentes, pois ambos funcionam como causa de atipicidade da conduta. A diferença entre os institutos consiste no momento de sua manifestação, pois enquanto a desistência voluntária deve ocorrer antes de o resultado típico se consumar, o arrependimento eficaz pode ser reconhecido mesmo após a consumação do crime. D) Na desistência voluntária, o agente, após esgotar os meios executórios que tinha à sua disposição, pratica uma nova conduta para impedir o advento do resultado, razão pela qual ele somente responderá penalmente pelos atos até então praticados. 11 Nos termos do Código de Processo Penal, ficam, entre os dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, suspensos o curso dos prazos processuais penais e vedadas a realização de audiências e de sessões de julgamento nos processos: A) regidos pelo Estatuto do Idoso; B) que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas prisões; C) regidos pela Lei Maria da Penha; D) que possuam medidas consideradas urgentes, mediante despacho fundamentado do juízo competente 12 Laryssa, durante as festividades de ano novo, foi presa em flagrante por crime de tráfico de drogas ilícitas. Em razão de não haver policiais suficientes na Delegacia, Laryssa não foi encaminhada para a realização da audiência de custódia. O Delegado plantonista, assim, remeteu os autos do flagrante ao Ministério Público, que requereu a prisão preventiva de Laryssa. O magistrado, desconsiderando a ausência da audiência de custória, deu provimento ao requerimento ministerial e determinou o recolhimento provisório de Laryssa. Com base no entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que: A) a prisão deve ser relaxada em razão da não realização da audiência de custódia, sem motivação idônea, em 24 (horas) da prisão. B) não realização de audiência de custódia no prazo legal acarretará, não só a nulidade da prisão preventiva, como a automática nulidade de todos os atos processuais produzidos. C) A ausência de realização de audiência de custódia é irregularidade que não conduz à automática revogação da prisão preventiva, cabendo ao juízo da causa promover análise acerca da presença dos requisitos autorizadores da medida extrema. D) não realização da audiência de custódia acarretará na nulidade da prisão preventiva decretada, a qual não poderá mais ser decretada no curso da persecução penal, mas não implicará da anulação dos demais atos. 3 13 Com relação à citação do acusado, assinale a alternativa correta conforme o Código de Processo Penal. A) Se o acusado, citado por pessoalmente, não comparecer, nem constituir advogado, ficará suspenso o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. B) O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo. C) O dia designado para funcionário público comparecer em juízo, como vítima, será notificado assim a ele como ao chefe de sua repartição. D) Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, sem a suspensão do prazo prescricional até o seu cumprimento. 14 Em relação às garantias constitucionais do processo penal, é correto afirmar que: A) após a prisão preventiva, o delegado deve entregar nota de culpa ao preso. B) a materialização do direito à informação sobre a prisão se dá na realização da audiência de custódia. C) o preso tem direito à identificação dos responsáveis por seu interrogatório policial. D) deixar de identificar-se por ocasião da prisão dá causa à nulidade, mas não configura crime. 15 Durante o trâmite de inquérito policial para apurar crime contra o patrimônio, supostamente cometido por organização criminosa, o advogado de Laryssa entrou em contato com a autoridade policial, afirmando que a investigada deseja realizar acordo de colaboração premiada. Após historiar os fatos de que tem conhecimento, durante as rodadas de negociação, a investigada aponta as provas que possui. O acordo é formalizado e submetido ao Ministério Público, que o endossa e encaminha ao Poder Judiciário. O magistrado competente, após a adoção dos protocolos necessários, homologa o acordo. Enquanto a investigação tem prosseguimento, agora com a colaboração direta de Laryssa, o Promotor de Justiça atenta que há processo em curso na Vara Criminal, em que a colaboradora pode servir como testemunha, pugnando por sua oitiva, o que é deferido pelo Juízo. No dia aprazado, a colaboradora não comparece, em que pese devidamente intimada. O Ministério Público postula a condução coercitiva dela. Diante deste cenário, assinale a afirmativa correta. A) A condução coercitiva foi totalmente extirpada do ordenamento jurídico, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade por violação da garantia contra a autoincriminação. B) A colaboradora, na condição de testemunha,não pode ser conduzida coercitivamente, diante da garantia contra a autoincriminação. C) A condução coercitiva era reservada aos investigados e réus, não tendo previsão de sua aplicação para testemunhas, informantes ou peritos. D) A colaboradora pode ser conduzida coercitivamente, podendo deixar de responder a perguntas que possam incriminá-la. 16 Ronaldo, vereador na cidade de Arapiraca/AL, incorreu na prática de crime tributário tipificado na Lei nº 8.137/90, consubstanciada em fraude tributária consistente na redução de ICMS devido ao Estado de Pernambuco, praticado no âmbito de uma filial de uma de suas empresas, situada em Comarca de Petrolina/PE. A sede da empresa de Ronaldo é localizada na cidade de Delmiro Gouveia/AL, onde consta ainda pedido de recuperação judicial deferido pela Vara Única da localidade. A competência para o processo e o julgamento do crime tributário será A) de uma das Varas Criminais da Comarca de Petrolina/PE. B) do Tribunal de Justiça de Alagoas, em razão da prerrogativa de foro. C) de uma das Varas Criminais da Comarca de Arapiraca/AL. D) na Vara Única da Comarca de Delmiro Gouveia/AL. 17 Durante interrogatório, Alik, processada criminalmente pelo crime de roubo, negou a autoria delitiva mas confessou ter praticado o crime de furto em outras oportunidades. Verificando a ausência de suporte probatório mínimo, o MP requereu o arquivamento do inquérito policial relativo ao delito de roubo, o que foi acatado pelo juízo. Posteriormente, outro membro do Ministério Público, reexaminando os autos, requisitou a instauração de novo inquérito contra Alik pelo crime de roubo. Sobre essa situação, assinale a alternativa correta: A) após seu arquivamento, o inquérito poderá ser desarquivado a qualquer momento para possibilitar novas investigações, desde que haja concordância do Ministério Público. B) o inquérito em curso poderá ser avocado por superior por motivo de interesse público. C) o inquérito poderá ser instaurado por requisição do Ministério Público, a depender da análise de conveniência e oportunidade do delegado de polícia. D) nos casos de ação penal privada e ação penal pública condicionada poderá ser instaurado o inquérito mesmo sem a representação da vítima ou seu representante legal, desde que se trate de crime hediondo. 18 No que diz respeito à ação penal pública condicionada à requisição do ministro da Justiça, assinale a opção correta. Alternativas: A) A requisição está sujeita ao prazo decadencial de seis meses, contado do dia em que o ministro da Justiça vier a saber quem é o autor do crime. B) A requisição do ministro da Justiça impõe ao Ministério Público o dever de ofertar denúncia. C) A definição jurídica do fato delituoso feita pelo ministro da Justiça, na requisição, vincula o juiz criminal que irá julgar a causa. D) A requisição do ministro da justiça, na ação penal pública condicionada, é condição de procedibilidade. 4 19 Quando o juiz competente é regularmente comunicado sobre a prisão em flagrante de um suposto autor de homicídio doloso, constata que todos os requisitos para o flagrante estiveram presentes e decide manter a prisão, porém omite fundamentação sobre as hipóteses autorizadoras da prisão preventiva: A) a prisão é legal, afinal, para a autoridade judicial competente foi resultado de um flagrante formalmente correto. B) a prisão é legal mas o juiz pratica crime de abuso de autoridade se tiver agido com dolo. C) a prisão é ilegal e pode ser anulada. D) a prisão é legal e poderá perdurar enquanto a defesa ou mesmo o Ministério Público não requererem a liberdade provisória, ocasião em que o juiz poderá concluir não estarem presentes os requisitos para a prisão preventiva. 20 Renata terminou um relacionamento que mantivera com André por cerca de dois anos. Inconformado com a separação, André passou a ameaçar Renata por ligações telefônicas e mensagens de aplicativo, dizendo que a mataria se a encontrasse com outro. Sentindo-se intimidada, Renata comunicou o fato à Delegacia de Polícia, que instaurou inquérito para apurar o crime de ameaça. Não conseguindo obter provas do crime, a autoridade policial pleiteou, então, ao Poder Judiciário a interceptação das comunicações telefônicas e telemáticas mantidas entre o investigado e a vítima. Nessa situação hipotética, deve o juiz A) indeferi-lo, pois que não se admite a interceptação de comunicações telefônicas para prova do fato investigado. B) indeferi-lo, por não haver indícios razoáveis de autoria, restando tão somente a palavra de uma das partes contra a outra. C) deferi-lo, dada a existência de indícios razoáveis de autoria. D) deferi-lo, a contrário senso, por inexistir outro meio de obtenção de prova do crime. GABARITO – DIREITO PENAL 5 Questão 01 Gabarito: A Tanto na desistência voluntária, quanto no arrependimento eficaz, o agente abandona o seu dolo inicial. Dessa feita, afasta-se a possibilidade de responsabilização pelo delito iniciado, respondendo o agente apenas pelo resultado dos atos já praticados. No caso da questão, José, após realizar a execução com intenção homicida, arrepende-se e evita a consumação (morte), configurando o chamado arrependimento eficaz (artigo 15, do Código Penal). Por consequência, como o dolo inicial (homicida) fora abandonado, o agente responderá apenas pelo resultado dos atos já praticados (lesões corporais). Questão 02 Gabarito: D Para responder a presente questão é necessário rememorar os requisitos do concurso de agentes. Então, vamos lá! 1 – Pluralidade de agentes culpáveis; 2 – Relevância causal da conduta; 3 – Vínculo subjetivo entre os agentes; 4 – Unidade de infração; 5 – Existência de fato punível. Note que o item 3 foi propositalmente destacado. Isso para demonstrar que, no caso da questão, é justamente o requisito ausente e, conforme sabemos, o concurso de pessoas deve respeitar, cumulativamente, todos os requisitos acima. Assim, não há concurso de pessoas entre Cléber e Davi, posto que um não sabe da intenção do outro (ausência de liame subjetivo). No caso, temos a chamada autoria incerta, uma vez que a perícia não conseguiu concluir se o disparo fatal partiu de Cléber ou se partiu de Davi. Dessa forma, a dúvida deve beneficiar ambos os agentes (in dubio pro reo), devendo Cléber e Davi responder por homicídio na modalidade tentada. Questão 03 Gabarito: D Trata-se de crime Permanente. O momento da consumação se prolonga no tempo por vontade do agente. Na extorsão mediante sequestro: O crime se consuma com a privação da liberdade da vítima independentemente da obtenção da vantagem pretendida pelo agente. O crime é permanente, pois a consumação se prolonga enquanto perdurar a privação da liberdade da vítima. Súmula 711 A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Detalhes adicionais: I) Nesse caso, o recebimento da vantagem é um mero exaurimento, tendo em vista que o crime de extorsão mediante sequestro consuma-se com a privação da liberdade da vítima. II) Estamos diante de uma Extorsão mediante sequestro em sua forma qualificada, pois o sequestro durou mais de 24 h Questão 04 Gabarito: D São causas de exclusão da conduta: a) Caso fortuito ou de força maior: segundo o Código Civil, há o caso fortuito ou de força maior quando uma determinada ação gera consequências imprevisíveis, impossíveis de evitar ou impedir. b) Involuntariedade: é a incapacidade de o agente dirigir sua conduta de acordo com uma finalidade predeterminada. São casos de involuntariedade: (1) Estado de inconsciência completa, como o sonambulismo e a hipnose; (2) Movimentos reflexos: nos atos reflexos o movimento é apenas um sintomade reação automática do organismo a um estímulo externo. c) Coação física irresistível (vis absoluta): ocorre nas situações em que o agente, em razão de força física externa, é impossibilitado de determinar seus movimentos de acordo com sua vontade. Questão 05 Gabarito: B Trata-se de uma questão hipotética de sucessão de leis envolvendo a lei de drogas, mas que o foco é a Aplicação da Lei Penal, especialmente no que se refere a retroatividade da lei penal benéfica. Já revisou os 1o ao 12 do Código Penal? Sugiro a leitura, mesmo que tenha acertado a questão. Importante revisar também o conceito de crime permanente e crime continuado. Vamos aos comentários: A) INCORRETA. A alternativa buscou confundir o entendimento do parágrafo único do art. 2o do código penal, que trata do princípio da retroatividade penal da lei mais benéfica: “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.” O dispositivo não fala especificamente sobre os crimes permanentes e continuados, pois não tratam-se de fatos anteriores enquanto estiverem em vigência. B) CORRETA. É o entendimento da súmula 711 do STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.” Em outras palavras, a súmula diz que independente da lei ser mais benéfica ou mais gravosa, será aplicada aquela que estiver em vigência quando houver a cessação do delito. Como a lei antes de encerrar o crime (quando a polícia apreendeu) era mais gravosa, ela será aplicada. Cuidado! A súmula não diz que é sempre para aplicar a lei mais gravosa, apenas diz que MESMO que a lei for mais gravosa, será aplicada no encerramento do crime se estiver vigente. “E se fosse o contrário, prof? Se quando Mauro iniciou o armazenamento tivesse uma lei mais severa e antes da polícia apreender a lei fosse mais benéfica?” Você já sabe a resposta, aplica-se sempre a última lei que estava em vigência na época antes de encerrar o crime. C) INCORRETA. Sempre importante lembrar de desconfiar quando a questão dizer que “princípio é absoluto”. O código penal utiliza a teoria da ubiquidade para o lugar do crime, nos termos do art. 6o, CP. Não trata-se de aplicação de teoria da atividade, ubiquidade ou resultado, que se referem ao tempo e local do crime. A retroatividade penal benéfica é um princípio fundamental previsto na Constituição Federal e por questão de política criminal é possível ser aplicada em benefício do Réu. D) INCORRETA. A questão está incorreta, pois não é aplicada a lei de quando o agente iniciou a conduta quando houver sucessão de leis em casos de crimes permanentes e continuados, por força da súmula 711, STF. https://youtu.be/_f9vKbPIC0Q https://youtu.be/nsVgNuJHkiM https://youtu.be/zATuwvj2Bgk https://youtu.be/KH6eapudD4k https://youtu.be/oekpfMHBW0k GABARITO – DIREITO PENAL 6 Questão 06 Gabarito: C Diante da qualificadora “concurso de duas ou mais pessoas”, que é de ordem objetiva, e considerando o art. 155, §2º, CP, bem como a súmula 511, STJ. São requisitos para o furto privilegiado: criminoso primário + coisa de pequeno valor (até um salário mínimo), que tem como consequência: diminuição de pena, substituição de pena ou aplicação apenas da pena de multa. Se o furto for qualificado, exige a súmula 511, STJ que a qualificadora seja de ordem OBJETIVA. Para o STJ são de ordem SUBJETIVAS, e portanto, não sabe o furto privilegiado: abuso de confiança e, segundo os mais recentes entendimentos (embora ainda controverso), o furto mediante fraude. Questão 07 Gabarito: D A) INCORRETA. São causas legais de exclusão da imputabilidade: doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, embriaguez completa e involuntária, decorrente de caso fortuito ou força maior, dependência ou intoxicação involuntária decorrente do consumo de drogas ilícitas e menoridade penal. Como podemos perceber, não é o caso da questão. B) INCORRETA. São causas legais de exclusão da ilicitude: legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular do direito. Também não se enquadra para gabarito da questão. C) INCORRETA. O art. 21 prevê: “O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de 1/6 a 1/3.” No erro de proibição o sujeito sabe o que está fazendo, mas acredita que o seu comportamento é lícito. Como podemos observar, o caminhoneiro não sabia que havia alguém escondido no caminhão, por isso que não há que se falar em erro de proibição. D) CORRETA. O art. 20 prevê: “O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.” Essa é a melhor resposta. O caminhoneiro tinha uma falsa percepção da realidade. Não sabia o que estava acontecendo. Por isso que exclui o dolo, pois o erro de tipo SEMPRE vai excluir o dolo. “Professora, mas ele poderá responder a título de culpa?” Sim, dependendo do processo... Mas a questão não quer saber disso. Cuidado pra não ir além e se confundir. A questão apenas quer saber se você sabe que o erro de tipo SEMPRE exclui o dolo. Questão 08 Gabarito: B Para resolver essa questão é importante lembrar que para caracterizar o crime do art. 122, CP, a vítima precisa ter discernimento suficiente. O código penal, de modo geral, entende que o menor de 14 anos é considerado vulnerável, a exemplo do art. 217-A, no qual o estupro vai ser considerado independente se o menor de 14 anos aceitar ou não a prática sexual. Além disso, o próprio art. 122, CP no §6oe §7o, deixa claro que quando a vítima for menor de 14 anos e houver lesão gravíssima ou morte, será remetido para o art. 129, §2o e 121. Questão 09 Gabarito: B A alternativa B explica perfeitamente a consequência da incidência dos institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. De fato, tanto na desistência voluntária, quanto no arrependimento eficaz, o agente abandona o seu dolo inicial. Dessa feita, afasta-se a possibilidade de responsabilização pelo delito iniciado, respondendo o agente apenas pelo resultado dos atos já praticados. Assim, por exemplo, o indivíduo que, com a intenção de matar, desfere golpes de faca em outrem, mas desiste de prosseguir na execução (desistência voluntária) ou evita a consumação (arrependimento eficaz), deverá responder apenas por lesão corporal (resultado dos atos praticados), não havendo se falar em crime de homicídio tentado, uma vez que o dolo inicial (intenção de matar) fora abandonado. Questão 10 Gabarito: C Não podemos negar que Maurício cogitou a prática de roubo contra Gustavo e Leila. Maurício, inclusive, iniciou a preparação, comprando cordas e elásticos a fim de amarrar as mãos das vítimas. Contudo, o cogitado crime de roubo não teve sua execução ao menos iniciada, não havendo se falar nem mesmo em tentativa. Assim, Maurício não poderá ser responsabilizado, uma vez que o crime de roubo não teve sua execução iniciada, sendo apenas cogitado e preparado. https://youtu.be/ffC73rzoRP4 https://youtu.be/BcAVOdOKSQk https://youtu.be/LH_-HwYe12k https://youtu.be/SqjpB7xiYV4 https://youtu.be/ITgztp4e3L0 GABARITO – DIREITO PROCESSUAL PENAL 7 Questão 11 Gabaito: A A questão exigiu o conhecimento dos casos previstos no art. 798-A do Código de Processo Penal, incluído pela Lei nº 14.365, de 2022: Art. 798-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, salvo nos seguintes casos: I - que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas prisões; II - nos procedimentos regidos pela Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Mariada Penha); III - nas medidas consideradas urgentes, mediante despacho fundamentado do juízo competente. Parágrafo único. Durante o período a que se refere o caput deste artigo, fica vedada a realização de audiências e de sessões de julgamento, salvo nas hipóteses dos incisos I, II e III do caput deste artigo. Conforme o citado artigo, ficam suspensos os prazos e vedadas a realizações de audiências em todos os processos penais exceto os citados nos incisos I a III (alternativas B, C e D da questão). Assim, ao menos conforme a lei, um processo penal regido pelo Estatuto do Idoso ficaria suspenso. Questão 12 Gabarito: C Importante frisar que a questão exigiu o conhecimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto. O dispositivo do Código de Processo Penal que regula a situação apresentada é o art. 310, § 4º, incluído pela Lei nº 13.964/2019: “Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido no caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva.” Contudo, o citado dispositivo, desde 2020, está suspenso por decisão do Ministro Luiz Fux ressaltou que o termo "motivação idônea", que excepciona a ilegalidade da prisão, é excessivamente abstrato e não fornece baliza interpretativa segura para aplicação do dispositivo. A decisão de Fux permanece em vigor até que o plenário do Supremo julgue o mérito (ADIns 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305). O julgamento, porém, permanece sem data marcada. Seguindo esse entendimento, as duas turmas do STF vem decidindo que: A ausência de realização de audiência de custódia é irregularidade que não conduz à automática revogação da prisão preventiva, cabendo ao juízo da causa promover análise acerca da presença dos requisitos autorizadores da medida extrema. (STF. 2a Turma. HC 198896 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 14/06/2021). A falta de audiência de custódia constitui irregularidade, não afastando a prisão preventiva, no caso de estarem atendidos os requisitos do art. 312 do CPP e observados direitos e garantias versados na Constituição Federal. (STF. 1ª Turma. HC 202260 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 30/08/2021) Vejam a literalidade do CPP, que também pode ser exigida na prova: Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: I - relaxar a prisão ilegal; ou II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. § 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato em qualquer das condições constantes dos incisos I, II ou III do caput do art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento obrigatório a todos os atos processuais, sob pena de revogação. § 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização criminosa armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá denegar a liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares. § 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da audiência de custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá administrativa, civil e penalmente pela omissão. § 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido no caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva. Questão 13 Gabarito: B A questão demanda conhecimento de diversos artigos previstos no Código de Processo Penal relacionados à citação. O gabarito está baseado no art. 367 do CPP: O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo. Vejamos os erros das demais alternativas: Alternativa A: Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. Em relação às provas consideradas urgentes, lembrem-se desta Súmula do STJ: Súmula 455: A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. Alternativa C: Art. 359. O dia designado para funcionário público comparecer em juízo, como acusado, será notificado assim a ele como ao chefe de sua repartição. Alternativa D: Art. 368. Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. https://youtu.be/UU4elc106gM https://youtu.be/bxHXtdH9Fk0 https://youtu.be/kKtlk7-Yepo GABARITO – DIREITO PROCESSUAL PENAL 8 Questão 14 Gabarito: C A) ERRADA. A nota de culpa é elaborada para o caso de prisão em flagrante (vide art. 306, § 2º do CPP). B) ERRADA. A materialização do direito à informação sobre a identificação da autoridade policial responsável pela prisão ou interrogatório se dá, num primeiro momento, na emissão da nota de culpa e, num segundo, na realização da audiência de custódia. C) CERTA. É uma garantia constitucional, prevista no rol de direitos e garantias individuais: Art. 5°, LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; D) ERRADA. Trata-se também de crime de abuso de autoridade (Lei nº 13.869/2019): Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função. Questão 15 Gabarito: D Atenção, pois o corréu não pode ser testemunha ou informante, pois não presta compromisso, nem tem o dever de dizer a verdade, com exceção para o caso de corréu colaborador ou delator. No caso da Lei de Organizações Criminosas, há expressamente essa menção: Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados: (...) § 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado, o colaborador poderá ser ouvido em juízo a requerimento das partes ou por iniciativa da autoridade judicial. (...) § 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará,na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade. No recente julgamento das ADPFs 395 e 444, o STF entendeu pela inconstitucionalidade da utilização da condução coercitiva de réu/investigado para fins de interrogatório policial/judicial. Por outro lado, no que tange às testemunhas, o entendimento é o inverso; é justamente no sentido de que as testemunhas estão obrigadas a comparecer em audiência para serem inquiridas, pois diferentemente do que ocorre com o interrogatório do acusado, que é simultaneamente meio de prova e meio de defesa, a inquirição das testemunhas é exclusivamente um meio probatório. O que significa dizer que a presença delas em audiência é imprescindível para o esclarecimento dos fatos – até mesmo porque elas não podem faltar com a verdade, sob pena de incidirem no crime de falso testemunho (art. 342, CP). Questão 16 Gabarito: A A questão em nenhum momento demonstrou que o pedido de recuperação judicial se deu em razão do crime contra a ordem tributária decorrente na redução de ICMS, mas sim ressaltou de modo genérico que havia, concomitantemente, um pedido de recuperação judicial da referida empresa. Como a questão não trata de crime falimentar (o que atrai o juízo universal da falência ou recuperação - art. 183 da Lei 11.101/2005), a competência para o processo e julgamento do réu é regulada pelo artigo 69 do CPP, pois não há previsão diferenciada da competência na Lei nº 8.137/90 (Crimes Contra a Ordem Tributária): : CPP, Art. 69. Determinará a competência jurisdicional: I - o lugar da infração. Por fim, é importante considerar que a jurisprudência do STF (RHC 181895 AgR), não admite a previsão de prerrogativa de foro para os Vereadores no âmbito da Constituição Estadual. No caso analisado, assim como a inviolabilidade ou imunidade material – de que ora não se discute e que foi estendida, em termos, aos vereadores pela Constituição Federal (CF, art. 29, IV) – e a prerrogativa de sigilo – de que cogita o §6º do art. 102, cuja extensão aos vereadores se questiona -, são matéria de direito penal, as imunidades processuais são tema de Processo Penal: porque se compreendem substancialmente em áreas de competência legislativa exclusiva da União (art. 22, I), afora e acima da lei federal, só a Constituição da República pode dispor a respeito. Silente a Constituição Federal sobre prerrogativas processuais penais dos integrantes das Câmaras Municipais, plausível é a conclusão de que não se deixou espaço à inserção de normas constitucionais locais. Questão 17 Gabarito: B A alternativa cobrou o teor do artigo 2º, §4º, da Lei 12.830/13. Vejamos o erro das demais: A) ERRADA: A reabertura do inquérito independe de concordância do Ministério Público (art. 18, CPP). C) ERRADA: se requisitado pelo juiz ou Ministério Público, o inquérito deverá ser instaurado sem análise de conveniência ou oportunidade. D) ERRADA: prazo de conclusão do inquérito varia de acordo com a legislação, sem contar a possibilidade de prorrogação, quando o réu estiver solto. https://youtu.be/Pw_5w1kG058 https://youtu.be/WfhNa0d1dik https://youtu.be/kIV_jkxc-7M https://youtu.be/DCn48zyKUDU GABARITO – DIREITO PROCESSUAL PENAL 9 Questão 18 Gabarito: D Aponta a doutrina que em determinados ilícitos penais, entendeu o legislador ser pertinente que o Ministro da Justiça avalie a conveniência política de ser iniciada a ação penal pelo Ministério Público. Trata-se de uma condição de procedibilidade da ação penal. É o que ocorre quando um estrangeiro pratica crime contra brasileiro fora do território nacional (art. 7º, § 3º, b, do CP) ou quando é cometido crime contra a honra do Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro (art. 145, parágrafo único, do CP). Nesses casos, somente se presente a requisição é que poderá ser oferecida a denúncia. A existência da requisição, entretanto, não vincula o Ministério Público, que, apesar dela, pode promover o arquivamento do feito, uma vez que a Constituição Federal, em seu art. 127, § 1º, assegura independência funcional e livre convencimento aos membros do Ministério Público, possuindo seus integrantes total autonomia na formação da “opinio delicti”. Ademais, os magistrados também não ficam vinculados à requisição. Questão 19 Gabarito: C No caso, a decisão sempre deve ser motivada e fundamentada, sob pena da declaração de sua nulidade. Sobre o ponto é importante destacar os requisitos incorporados ao CPP pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), com origem no CPC/15: Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre motivada e fundamentada. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. § 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Questão 20 Gabarito: A Conforme o art. 2º, III, da Lei 9.296/96, não poderá haver interceptação telefônica quando o fato investigado (ameaça) constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção (vide artigo 147 do Código Penal). Por outro lado, é importante lembrar que, conforme o Superior Tribunal de Justiça, é legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido com detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão (STF. Jurisprudência em teses. Edição 117 — janeiro de 2019). https://youtu.be/3AHNIMNX2sI https://youtu.be/kCbMiCbEpY8 https://youtu.be/fom8BCsCu58 https://www.vilacacursos.com.br/questoes-da-oab https://www.instagram.com/vilacacursos https://www.youtube.com/@vilaca.cursos?sub_confirmation=1 vilacacursos.com.br https://www.vilacacursos.com.br/