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NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 25 
Professor: Guilherme de Souza Dias Andrade – e-mail: guilhermediasjf@gmail.com 
GRADUAÇÃO 
 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA 
DISCIPLINA: Fitopatologia II 
 
 
3.0 – PRINCIPAIS FITOPATOLOGIAS 
 
3.1. INTRODUÇÃO 
 Conforme já previamente trabalhado, o desenvolvimento de uma determinada 
fitopatologia decorre e uma interação entre o hospedeiro, um agente causal e de um 
ambiente propício para o desenvolvimento do parasita em seu hospedeiro. Para a 
classificação das fitopatologias, poder-se-ia utilizar como parâmetro os hospedeiros 
ou os agentes causais das mesmas. Contudo, vale ressaltar que em ambos os ca-
sos, há problemas de ordem prática e/ou acadêmica. Vejamos a seguir. 
 Quando consideramos os hospedeiros como parâmetro de classificação de 
patologias, podemos separá-las com base nos grupos de plantas que são acometi-
dos. Por exemplo, patologias de hortaliças, de arroz, de cafeeiro, etc. Entretanto, ao 
fazermos desta forma, estaríamos aproximando patologias com diferentes agentes 
causais, com estratégias preventivas, por vezes, distintas. O mesmo problema é ob-
servado quando, ainda considerando apenas os hospedeiros, agrupássemos as pa-
tologias quanto à parte infectada (e.g. partes aéreas, doenças de raízes). Neste ca-
so, incorreríamos no mesmo problema já supracitado, com a aproximação de agen-
tes causadores distintos para doenças semelhantes. 
 Outra abordagem que poderia ser realizada seria utilizarmos os patógenos 
como referência. Neste caso, agrupar-se-iam as doenças causadas por vírus, doen-
ças causadas por fungos, e assim sucessivamente. O problema nesta abordagem se 
dá nos sintomas apresentados pelas plantas no transcorrer de cada patogenia. Por 
exemplo, poderíamos aproximar dois patógenos próximos – taxonomicamente - po-
rém com diferentes efeitos nas plantas. Seria este o caso de unirmos bactérias que 
acarretam murchas (e.g. Rastonia solanacearum) com a bactéria causadora da po-
dridão (e.g. Erwinia carotovora). O problema de ordem prática nesta abordagem 
também está no fato de que diferentes patógenos requerem diferentes estratégias 
de controle, haja vista a especificidade do efeito que os patógenos imprimem em 
seus hospedeiros. 
 
AULA 3 
 
 
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3.2. CLASSIFICAÇÃO DE PATOLOGIAS SEGUNDO PROCESSOS FISIOLÓGI-
COS 
 Conforme discutido no tópico anterior, há diferentes formas de classificarmos 
as fitopatologias. Entretanto, frequentemente incorre-se em agrupar patologias que 
não detêm um elo comum prático. Levando-se em consideração que o desenvolvi-
mento de patologias resulta em alterações de ordem fisiológica, George L. McNew 
propôs, em 1960, um sistema de classificação que leva em consideração principal-
mente os aspectos fisiológicos afetados pelos fitopatógenos. 
 Os aspectos fisiológicos, de acordo com sua proposta, foram organizados de 
modo cronológico, considerando o ciclo de vida vegetal. Resumidamente, os pro-
cessos foram agrupados da seguinte forma: 
 
I. Acúmulo de nutrientes em órgãos de armazenamento para o desenvol-
vimento do embrião; 
II. Desenvolvimento dos tecidos embrionários à custa dos nutrientes ar-
mazenados; 
III. Absorção de água e elementos minerais a partir de um substrato; 
IV. Transporte de água e sais minerais a partir de um sistema vascular; 
V. Fotossíntese; 
VI. Utilização, pela planta, dos produtos elaborados a partir da fotossínte-
se. 
 
Com base nestes processos fisiológicos, McNew agrupou também 6 grupos 
de doenças, baseando-se nos processos supracitados. 
 
Grupo I: Doenças que destroem os órgãos de armazenamento 
Grupo II: Doenças que causam danos em plântulas 
Grupo III: Doenças que danificam as raízes 
Grupo IV: Doenças que atacam o sistema vascular 
Grupo V: Doenças que interferem na fotossíntese 
Grupo VI: Doenças que alteram o aproveitamento das substâncias fotossinte-
tizadas 
 
 
 
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Este sistema cronológico leva em consideração as etapas necessárias para o 
desenvolvimento da semente até o indivíduo adulto. Esta classificação se mostra 
bastante conveniente porque, apesar de diferentes patógenos poderem atuar em um 
mesmo hospedeiro ou sobre o mesmo processo vital, o modo de ação em relação 
ao hospedeiro envolve processos que se assemelham. 
Ademais, o sistema de classificação das patologias proposto por McNew 
permite a ordenação dos agentes causais de uma determinada doença de acordo 
com a sua agressividade, parasitismo e especificidade (Figura 1). 
A relação da agressividade de um patógeno sobre o seu hospedeiro, o que se 
observa é que os patógenos dos grupos I e II apresentam uma elevada capacidade 
destrutiva, resultando na morte do órgão ou tecido da planta atacada. São organis-
mos saprofíticos, muitas das vezes, que necessitam deste mecanismo para a poste-
rior colonização do hospedeiro. No que tange a evolução do parasitismo, os grupos 
V e VI apresentam-se como mais evoluídos, pois conseguem conviver com seus 
hospedeiros por um período mais longo, retirando deles os nutrientes sem, contudo, 
resultar na morte do tecido do hospedeiro. A especificidade do parasita também so-
be dos grupos I e II para os grupos V e VI. 
 
 
Figura 1: Grupos de doenças com os graus de agressividade, evolução do parasitismo e a 
especificidade. 
 
Fonte: Amorim e colaboradores, 2011 
 
 
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3.3. PODRIDÃO DE ÓRGAOS DE RESERVA 
As doenças presentes no grupo I acometem toda e qualquer estrutura consi-
derada como de reserva. Isto implica em doenças que acometem sementes, frutos, 
tubérculos e raízes. Elas podem ser classificadas como podridão seca ou podridão 
mole. Os agentes causais tipicamente são saprofíticos, podendo ser inoculado nas 
estruturas de armazenamento na pré- ou na pós-colheita. 
 
3.3.1. Sintomatologia 
As podridões secas estão mais atreladas, mas não são exclusivas, a semen-
tes. Inicialmente, frutos podem apresentar manchas circundadas por um tecido en-
charcado. Posteriormente, durante o desenvolvimento do parasita, pode-se observar 
a desidratação da estrutura, resultando em um processo de mumificação dos frutos. 
As podridões moles acometem principalmente as estruturas mais suculen-
tas, tais como tubérculos, frutos, bulbos e raízes. Inicialmente, os primeiros sintomas 
são manchas de aspecto encharcado, deprimidas e descoloridas (Figura 2). Quando 
são causadas por fungos, pode-se observar a formação de uma massa cotonosa na 
superfície das lesões, como resultado do desenvolvimento das hifas do parasita. 
Durante o processo de colonização, o parasita produz e libera enzimas pecto-
líticas, provocando a morte celular e tecidual. A desorganização celular mostra-se 
como encharcamento do tecido, enquanto a morte celular pode ser visualizada pelo 
surgimento de manchas escuras. 
Figura 2: Fruto com podridão-mole e formação inicial de micélio e esporângios do 
fungo na superfície da lesão 
 
Fonte: Bernardo Ueno 
(https://www.cnpuv.embrapa.br/uzum/pessego/pod_mole.html) 
 
 
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3.3.2. Etiologia 
Podridões podem ser causadas por agentes fúngicos e/ou bacterianos. São 
favorecidos por temperaturas mais elevadas (25 – 30ºC) e elevada umidade. Dentre 
os diversos agentes, podemos destacar o Rhizopus spp., Penicillium spp., e a Erwi-
nia spp. 
 
3.3.3. Relação hospedeiro-parasita 
As doenças do grupo I decorrem, inicialmente, da sobrevivência dos patóge-
nos em restos de culturas contaminadas, ou mesmo em massas mortas mantidas no 
solo. No caso das podridões causadas por fungos, o início do ciclo se dá com a 
germinação de aplanósporos, podendo ser dispersos pelo ar. Ao ser depositado so-
bre as plantas, o parasita pode penetrar o hospedeiro a partir de ferimentos, ferimen-
tos estes que podem ter diferentes origens. Ao penetrar, as hifas começam a se de-
senvolver, e para obterem os nutrientes, os fungos produzirão enzimas que digerirão 
a lamela média do tecido, comprometendo a estrutura tecidual. Além da lamela mé-
dia, a parede celular também é atacada pelo fungo, resultando no extravasamento 
do conteúdo celular, o que resulta no aspecto encharcado apresentado pelo hospe-
deiro. Com a deterioração do tecido do hospedeiro, novas feridas podem se formar, 
facilitando a exposição das estruturas reprodutivas do fungo e, posterior colonização 
de novas partes da planta (ciclo secundário). 
A despeito da grande diferença entre os agentes causais, a podridão bacteri-
ana apresenta diversas semelhanças com a causada por agentes fúngicos. Assim 
como no primeiro caso, as podridões causadas por bactérias se iniciam a partir de 
uma fonte de inóculo que lhe garanta sobrevivência. Frequentemente, estas fontes 
podem ser encontradas em locais de armazenamento ou mesmo em massas de ma-
téria morta no ambiente de cultivo. A disseminação também pode ser feito a partir do 
manuseio, através de respingos de água, bem como sistema de irrigação, e até 
mesmo por insetos. Uma vez depositado na superfície suculenta do hospedeiro, a 
bactéria irá penetrar o tecido a partir de ferimentos causados por insetos, manuseio 
ou abrasões ocorridas no próprio campo. O desenvolvimento da doença é seme-
lhante ao que se observa na infecção fúngica. As bactérias produzem enzimas que 
resultam na desorganização tecidual decorrente da deterioração da lamela média, e 
 
 
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posterior deterioração da parede celular. A progressão da doença é concomitante à 
reprodução bacteriana. Em estágios mais avançados, pode-se observar a ruptura do 
tecido epidérmico do órgão, o que permite a liberação de uma massa liquefeita, re-
pleta de talos bacterianos. Esta massa pode atuar como fonte de inóculo a depender 
do sistema de armazenamento ou mesmo como fonte para que se tenha início ao 
ciclo secundário em outros órgãos da planta. 
 
3.3.4. Controle 
 Os aspectos primeiros que devem ser observados são: temperatura e umi-
dade. Os patógenos se desenvolvem preferencialmente em condições muito úmidas 
(70 – 90%) e em temperaturas mais elevadas (25 – 30ºC). Outro fator que não deve 
ser negligenciado é o cuidado no manuseio, principalmente das estruturas suculen-
tas. Em relação ao plantio, recomenda-se que o solo apresente boa drenagem, para 
evitar o acúmulo de umidade na região das raízes, promovendo o desenvolvimento 
da doença. 
Cuidados durante a colheita também são recomendados, para que se evite o 
ferimento de tubérculos, frutos ou mesmo de raízes. Orienta-se a colheita em tempe-
raturas mais amenas. No caso de raízes e tubérculos, orienta-se também a secagem 
ao natural e rápida, para que se evite a propagação do patógeno. 
Quanto ao armazenamento, deve-se atentar, novamente, ao microclima que 
pode ser formado. Além do controle da temperatura e da umidade, recomenda-se 
também o uso de desinfetantes anteriormente a acomodação da colheita. Inspeções 
periódicas também são altamente recomendadas para retirar produtos acometidos 
pela podridão, reduzindo as chances de um espalhamento pós-colheita. 
 
3.4. TOMBAMENTO OU DAMPING OFF 
 Neste segundo grupo de fitopatogenia acomete tecidos jovens, pós-
germinação, ainda dependente dos nutrientes de reserva presente na semente. A 
relevância deste grupo de doença decorre do fato de ela afetar, inicialmente, o esta-
belecimento da cultura, haja vista que ela acomete as plantas logo nos estágios ini-
ciais do desenvolvimento vegetal. 
 
 
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 O tombamento, também referido como damping off pode ocorrer antes da 
emergência da planta (damping off pré-emergência) ou após a germinação da se-
mente (damping off pós-colheita). 
 Os agentes causais mais comuns a causarem o damping off são fungos para-
sitas facultativos saprofíticos. Conforme discutido anteriormente, este grupo de pa-
tógenos não é específico a um hospedeiro, podendo afetar diferentes culturas, como 
as olerícolas e culturas lenhosas. Vale destacar também as doenças deste grupo 
são encontradas em diferentes climas também. 
 
3.4.1. Sintomatologia 
 Os sintomas podem ser observados antes ou após a emergência das plântu-
las no solo. Quando a planta ainda está no solo, pode-se observar que os tecidos 
primários perdem a rigidez característica, escurecem e tendem ao apodrecimento. 
Ainda considerando os tecidos jovens, pode-se observar a presença de manchas 
encharcadas, que pode rapidamente evoluir para a destruição dos tecidos tenros por 
completo. No caso de plântulas que emergem do solo, os sintomas podem ser ob-
servados no caulículo, bem próximo à região do colo da planta (Figura 3). Os sinto-
mas também se assemelham ao de podridão, com o surgimento, nestas regiões, de 
manchar de aspecto encharcado e escurecido, que rapidamente pode evoluir para 
uma depressão também escurecida. O enfraquecimento da estrutura leva ao tom-
bamento da plântula, sendo esta posteriormente decomposta pelo fungo. Vale des-
tacar que as raízes também podem ser atacadas pelo parasita. Outro ponto digno de 
nota é que no campo, o tombamento ocorre em reboleiras, locais onde a concentra-
ção de plantas doentes é mais alta. 
 
3.4.2. Etiologia 
 Os agentes causais mais comuns do damping off são os fungos e cromistas, 
sendo o gênero Pythium o mais relevante. Outro grupo bastante relevante é o gêne-
ro Rhizoctonia. Outros agentes também podem acarretar podridão de sementes, 
como as bactérias Xanthomonas e Pseudomonas. 
 
3.4.3. Relação hospedeiro-parasita 
 
 
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 A doença se inicia, no ciclo primário, a partir da sobrevivência do inóculo. 
Como os patógenos frequentemente são parasitas facultativos saprofíticos, é co-
mum serem encontrados no solo, desenvolvendo-se sobre a matéria orgânica em 
decomposição no solo. Logo, destaca-se a importância que restos de culturas têm 
sobre o desenvolvimento do damping off. Como os agentes etiológicos desta patolo-
gia apresentam a capacidade de desenvolver esporos, oósporos, zoósporos, espo-
rângios, dentre outras estruturas, nota-se que eles apresentam, mesmo sob condi-
ções adversas, capacidade dese manterem ativos. 
 A disseminação parasitária pode ocorrer ativa ou passivamente. No caso de 
zoósporos, como eles apresentam flagelos, podem se locomover por pequenas dis-
tâncias, bastando um meio aquoso para que o deslocamento possa ocorrer. Contu-
do, dadas as dimensões da estrutura, a disseminação passiva se mostra mais efici-
ente. A água também pode atuar de modo passivo, carregando inóculos a longas 
distâncias pelo efeito de enxurrada ou na forma de respingos. A aração também po-
de ser um fator que facilita o processo de disseminação patogênica. 
 O processo de infecção e colonização se dá quando a semente ou plântula 
entra em contato com solo contaminado. O parasita pode entrar a partir de ferimen-
tos causados a estas estruturas ou mesmo diretamente, atacando a plântula pós-
germinação ou a própria semente. 
 Dentre as condições que podem favorecer o desenvolvimento da patogenia é, 
sem dúvidas, o alto grau de umidade do solo. Outro fator que pode favorecer o de-
senvolvimento dos fungos parasitas é a temperatura mais amena (15 – 20ºC). 
 
3.4.4. Controle 
O controle deste tipo de doença passa, principalmente pelo manejo da cultu-
ra, promovendo a rápida germinação das sementes e desenvolvimento posterior da 
plântula. Outro fator que se pode ser utilizado é o tratamento térmico ou químico de 
sementes, bem como a rotação de cultura, sempre visando a diminuição do inóculo 
inicial no ambiente. Em relação ao ambiente, o que se sugere é o plantio em local 
não propenso a inundações, com boa drenagem, visando redução na umidade do 
solo, o que também retarda o desenvolvimento dos fungos. A profundidade do plan-
tio também pode auxiliar na prevenção do damping off, haja vista que quanto mais 
 
 
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rapidamente a plântula se desenvolver, mais rapidamente ela não ficará sujeita ao 
ataque do patógeno. 
 
 
3.5. PODRIDÕES DE RAIZ E COLO 
As doenças agrupadas no Grupo III acometem principalmente o sistema radi-
cular e, a depender do caso, o colo das plantas. Os danos causados neste tipo de 
patogenia comprometem a função do sistema radicular, comprometendo a absorção 
de água e nutrientes pela planta. 
Nestes casos, em havendo o comprometimento do sistema radicular, plantas 
acometidas por doenças deste tipo apresentam sintomas reflexos em outras partes 
da planta. O sintoma primeiro que pode ser observado nestas plantas é a murcha 
das folhas. Entretanto, amarelecimento, deficiência mineral, seca e até mesmo a 
morte de ramos ou da planta podem ser constatados. Como o primeiro sintoma que 
é evidenciado é a murcha das folhas, deve-se atentar na investigação das raízes e 
radicelas, buscando por sinais de escurecimento, como forma de diagnosticar o pro-
blema. 
Os patógenos causadores da podridão da raiz e colo podem atacar as plantas 
em diferentes estágios de vida, sendo que plantas mais jovens, por apresentarem 
Figura 3: Tombamento da caulículo do tomateiro 
 
Fonte: https://revistacultivar.com.br/artigos/doenca-grave-na-producao-de-mudas-
tombamento-causa-perdas-no-tomateiro 
 
 
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menos resistência, podem apresentar uma evolução da patogenia de modo mais 
agressivo, enquanto que plantas mais velhas dificilmente evoluem para morte, ainda 
que tenham a sua produtividade sensivelmente reduzida. 
Dentre as diferentes culturas que podem ser acometidas por esta patogenia, 
destacam-se a podridão de raízes de feijoeiro (Fusarium solani f. sp. phaseoli) e a 
murcha do amendoim (Sclerotium rolfsii). 
3.5.1. Sintomatologia 
Os sintomas iniciais podem ser notados nas raízes mais jovens, sendo que a 
progressão para as raízes mais velhas é esperada, caso a doença não seja contida. 
Destaca-se que o escurecimento observado ele é gradual, isto é, começa-se com 
um leve marrom-avermelhado, e progride até marrom escuro ou totalmente negro 
(Figura 4). Em um processo semelhante ao da podridão mole, na podridão de raízes 
também há um processo de decomposição da estrutura. 
Na podridão de colo, as lesões se apresentarão logo acima ou logo abaixo da 
linha do solo. As lesões são mais deprimidas, podendo ser observado a presença de 
fungos no local. Ressalta-se, entretanto, que este indicativo não é obrigatório. Caso 
a estrutura acometida seja um caule jovem, pode-se desenvolver um processo de 
tombamento posterior. No caso de caules lenhosos, o que se pode observar a medi-
da que a doença progride é um processo de fendilhamento e escamamento, o que 
pode levar a infecções secundárias na planta. 
No campo, quando este se encontra infectado, as podridões ocorrem em re-
boleiras. Outro padrão que pode ser observado é um padrão em linha, quando uma 
planta infectada se encontra em linha de irrigação com outras. Isto porque a água 
pode atuar como agente de disseminação do patógeno. 
O diagnóstico deste grupo de doença se inicia a partir dos sintomas reflexos. 
Murchas, queda foliar, queda do fruto, sintomas de deficiência nutricional, ou mesmo 
a morte da planta indica um problema no sistema radicular. Nestes casos, deve-se 
observar tal sistema, em busca de indícios característicos de podridão. 
 
3.5.2. Etiologia 
Os fungos e os cromistas também são os principais agentes causadores de 
podridão de raízes e colo. Dentre os gêneros de cromistas patogênicos, o Pythium e 
o Phytophthora são principais. Já dentre os fungos, temos os gêneros Rhizoctonia e 
 
 
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a Fusarium solani. Estes patógenos são parasitas facultativos, vivendo na matéria 
orgânica presente no solo. Assim como os patógenos do Grupo I, aqui, não temos a 
especificidade como uma característica marcante, sendo que todos os patógenos 
aqui agrupados irão acarretar uma destruição rápida do tecido do hospedeiro. Como 
não apresentam especificidade, estes patógenos podem atacar diferentes culturas, 
tais como hortaliças, ornamentais, frutíferas, dentre outras. A sua distribuição é bas-
tante ampla, podendo ocorrer em solos de ambientes temperado, subtropical ou 
mesmo tropical. 
 
3.5.3. Relação hospedeiro-parasita 
Conforme apresentado no item anterior, o agente causal mais importante são 
fungos que habitam o solo. Há também aqueles que são classificados como invaso-
res do solo. Os agentes causais são conhecidos por apresentarem uma fase parasi-
tária, onde eles irão infectar o sistema radicular das plantas, e uma fase saprofítica, 
correspondente a fase de sobrevivência, que é quando o agente causal sobrevive a 
partir da matéria orgânica presente no solo. Eles apresentam diversas estruturas de 
resistência, o que lhes confere a capacidade de permanecer por longos períodos no 
solo. Podem-se citar os clamidiósporos, escleródio, zoósporo, esporângio e oósporo. 
A disseminação de tais estruturas pode ocorrer de modo ativo ou passivo. De 
modo semelhante ao que acontece com os agentes causais do tombamento, aqui 
também pode-se observar que zoósporos apresentam a capacidade de se deslocar 
em meio aquoso. Porém, a disseminação passiva também aqui é a mais eficiente, 
possibilitando o transporte de inóculo para áreas mais distantes. Este transporte po-
de ocorrer por meio de água (enxurrada ou irrigação), métodos de trabalhono solo 
(aração), ou mesmo através do transporte de mudas e sementes infectadas. 
A semeadura e o plantio de mudas em solos contaminados podem favorecer 
a germinação do patógeno e seu posterior desenvolvimento, iniciando um processo 
de infecção. A penetração do patógeno em seu hospedeiro pode ser direta, a partir 
da ação das hifas dos fungos, ou através de ferimentos de natureza diversa, como 
abrasões, feridas causadas por outros animais ou mesmo pelo homem. Durante o 
processo de colonização, as hifas crescem intra- e intercelularmente. 
As condições ambientais que melhor favorecem o desenvolvimento desses 
patógenos são, também, temperatura e umidade. Solos bastante úmidos são o ideal. 
 
 
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Em relação à temperatura, pode-se observar espécies que se adaptaram ao clima 
ameno (15-20ºC) ou temperaturas mais elevadas (25-35ºC). 
 
3.5.4. Controle 
Como estas doenças têm seus agentes causadores presentes no solo, ela é 
de difícil controle. O emprego de variedades resistentes não é tão eficaz, principal-
mente pela inespecificidade que os patógenos apresentam. 
Aqui, um fator importantíssimo a ser levado em consideração é a redução da 
umidade do solo. Ou seja, a drenagem local deve ser constantemente avaliada, 
bem como se deve evitar processos de inundação. Outro método de controle muito 
empregado é a realização de rotação de cultura, bem como o tratamento químico do 
solo onde ocorrerá a semeadura. Processos físicos, como a solarização, também 
pode se mostrar eficiente para determinadas culturas. 
 
Figura 4: Detalhe do sistema radicular atacado pela podridão de raiz causada por Pythium spp.; As 
raízes originais da muda estão necrosadas (bem escuras), e as raízes novas e finas apresentam 
início de escurecimento, indicando danos de necrose pelo ataque do fungo 
 
Fonte: Bernardo Ueno (http://www.cnpuv.embrapa.br/uzum/morango/pod_raiz.html) 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
 
AGRIOS, G.N. Plant Pathology. New Yorkm Elsevier Academic Press, 2005. 
AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M. & BERGAMIN FILHO, A. eds. Manual de Fitopato-
logia. Volume 1 - Princípios e Conceitos. 4ª Edição. Editora Agronômica Ceres Ltda. 
São Paulo. 2011. 704p. 
BRUEHL, G.W. Soilbourne Plant Pathogens. New York, MacMillan, 1987. 
MICHEREFF, S. J.; ANDRADE, D.E.G.T.; MENEZES, M. Ecologia e Manejo de Pa-
tógenos Radiculares em Solos Tropicais. Recife, UFRPE, 2005. 
MICHEREFF, S. J. Fundamentos de Fitopatologia. Recife: Universidade Federal Ru-
ral de Pernambuco – UFRPE, 2001. 172 p.

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