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Texto sobre "Igreja Simples" que propõe eliminar programas para um discipulado claro, integrado e sem entulhos. Apresenta argumentos bíblicos e culturais e inclui quadro comparativo entre igreja complexa e igreja simples (características, propósito, pastor, liderança).

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A Revolução do Simples 
Por Guenji Ymayuki 
Adaptado de: Rainer, Thom S. e Geiger, Eric, Simple Church. 
Muitos pastores vivem o drama de estarem sobrecarregados com 
excesso de compromissos e programações da igreja e, ao mesmo tempo, 
frustrados em não sentir que vidas são efetivamente transformadas por não 
conseguirem alcançar modelos ideais de ministério e de igreja. 
Os autores do livro “Igreja Simples” propõe não uma nova programação 
a competir por uma brecha no calendário cheio de um pastor, mas uma 
eliminação delas, a fim de obter um processo de discipulado simples. A tese do 
livro é que, baseada em pesquisas com igrejas norte-americanas, há uma forte 
correlação entre uma igreja vibrante/viva e a simplicidade do seu processo de 
discipulado. 
O mundo dos negócios tem buscado a eficiência na simplicidade; por 
exemplo, a tela limpa do iPod ou o minimalismo do Google, em contraste com 
páginas carregadas do YAHOO! ou MSN. Entretanto, a proposta não é a igreja 
imitar a cultura, cuja complexidade maior, em realidade, tem produzido uma 
geração sobrecarregada de informações e que anseia pela simplicidade. 
“Precisamente porque as coisas são tão intensas e fora de controle é que as 
pessoas respondem ao simples. A sobrecarga e a complexidade da vida tornam 
o simples uma qualidade a desejar”. Ao contrário, esta percepção é 
intuitivamente partilhada pelas igrejas simples e vibrantes, pois é a maneira 
como Deus trabalha. Jesus revolucionou ao sumarizar 613 leis judaicas em 
apenas duas (Mt 22:37-40). Ele limpou duas vezes o Templo de entulhos. 
Entulhos que impedem as pessoas de terem um encontro com a simples e 
poderosa mensagem de Cristo. 
Muitas igrejas são como fariseus, sepulcros caiados. Pastores admitem 
que suas igrejas sobrecarregadas estão sem vida. Falta direcionamento ao 
calendário entulhado de atividades, que tem tido cada vez menos impacto. 
Freqüentemente, uma grande quantidade de atividades não produz mudança 
de vida, mas apenas a impressão de que algo está acontecendo, como se 
houvesse vida. Muitos líderes de igreja sofrem de esquizofrenia espiritual – falta 
identidade. Renunciaram ao modelo de simplicidade bíblica em favor de 
diferentes métodos e filosofias, muitas vezes conflitantes entre si. 
A palavra “simples”, porém, não significa “fácil”. Um ministério sempre 
será complicado e difícil, pois as pessoas são complicadas e difíceis. A liderança 
local é sempre desafiadora. Mas a estratégia de igreja não precisa ser 
necessariamente complicada. Como líder de igreja, o pastor deve ser um 
projetista – arquitetar oportunidades de crescimento espiritual dos membros – 
e não um executor de programas – que focam apenas num programa de cada 
vez. O objetivo deste é fazer de cada programa o melhor. O foco daquele, ao 
contrário, é o resultado final, num quadro mais amplo do conjunto das 
atividades. Como construtor experimentado, Paulo exorta os líderes de igreja a 
projetar um ambiente que proporcione mudança de vida (I Co 3:10). Para se 
ter um processo simples de discipulado, ele deve ser claro, deve mover 
naturalmente pessoas à maturidade, deve estar plenamente integrado à sua 
igreja e deve estar livre de entulhos que o podem cercar, eliminando-se 
sistematicamente atividades desnecessárias. 
Uma Comparação 
Da ampla amostra de igrejas, escolheram-se duas representativas a fim 
de confrontá-las. 
 Igreja Complexa Igreja Simples 
Características Sólida reputação na comunidade; 
Equipe talentosa e carismática; 
Movido a grandes eventos, como 
Programa de Natal; 
“Estabilização” dos números nos 
últimos 5 anos; 
Poucos membros experimentam 
crescimento em Cristo; 
Mudança de oficiais sem grandes 
tumultos; 
Há certo incômodo com a situação de 
marasmo, sem, no entanto, haver 
ruptura. 
Igreja ainda desconhecida; 
Equipe desconhecida; 
Crescimento acelerado nos últimos 
anos; 
As pessoas experimentam Cristo e 
têm permanecido na igreja; 
Os membros estão engajados em 
diversos ministérios. 
Declaração de 
propósitos 
Variadas, longas e confusas; 
Cada departamento tem a sua; 
O foco da igreja é nebuloso. 
Há apenas uma declaração de 
propósito – clara e concisa: 
“Amar a Deus, amar ao próximo 
e servir ao mundo”; 
É reforçada sistematicamente. 
Pastor Frustração implícita, apesar do esforço 
de manter controle emocional; 
Cansado das atividades da igreja; 
Percepção de que a igreja segue 
direções divergentes; 
Medo de esfriar entusiasmo isolado ao 
interferir; 
Não sabe COMO a igreja pode 
alcançar O QUE Deus pede dela. 
Ministério consistente com o 
propósito; 
O propósito é o próprio processo de 
discipulado; 
Sonho biblicamente original: fazer 
discípulos. 
Liderança Não internalizou a declaração de 
propósitos da igreja; 
Não está unida num propósito único; 
Não sabe como é o processo de 
discipulado de sua igreja – ocorre 
mais por acidente. 
Internalizou o propósito da igreja; 
Freqüentemente relembrado; 
Compromisso com a simplicidade 
do processo de discipulado. 
Programações Muitas atividades e cultos múltiplos: 8 
grandes programas semanalmente; 
Competição entre departamentos; 
Não há um claro ponto inicial do 
discipulado; 
Falta de conexão entre programas; 
A programação é um fim em si 
mesmo; 
Grandes eventos que consomem 
tempo e energia; 
Importância na tradição. 
Programa como instrumento de 
crescimento no discipulado; 
Apenas 3 grandes programas 
semanais: 
Culto semanal: ajudar a “amar a 
Deus”; 
Pequeno Grupo: ajudar a “amar o 
próximo”; 
Ministérios: ajudar a “servir ao 
mundo” 
Definição de 
Calendário 
Maior parte do tempo disputando 
datas. 
Maior parte do tempo discutindo a 
programação semanal – se ela 
está cumprindo seu propósito no 
processo de discipulado. 
Medição de 
Números 
Número de presentes em cada 
programa; 
 
Visão vertical – visão isolada. 
Número de membros que estão em 
cada estágio de crescimento no 
discipulado; 
Visão horizontal – visão colateral. 
Novas Idéias Cria-se uma nova atividade; 
 
Nova programação. 
Insere-se na programação 
existente; 
Nova oportunidade. 
Eleição de 
Oficiais 
Melhor equipe possível; 
Pressuposição: “quanto melhor, maior 
impacto”; 
Desunião; 
Choque de filosofia de trabalho, por 
mais que haja unidade teológica. 
Primeiramente comprometidos com 
o processo de discipulado; 
Convicção na importância do 
processo e liberdade e 
criatividade ao implementá-lo; 
Anúncio Muitos anúncios; 
Múltiplas opções de atividades. 
Breve; 
Basicamente atividades 
relacionadas com etapas do 
discipulado. 
 
Segundo a definição dos autores, uma Igreja Simples é “uma 
congregação projetada em torno de um processo estratégico e objetivo que 
move as pessoas através dos estágios de crescimento espiritual”. A igreja 
simples compreende que as pessoas estão em diferentes níveis na sua jornada 
espiritual, e que o crescimento espiritual é um processo. A igreja foi elaborada 
para que, em parceria com Deus, mova pessoas através dos diferentes estágios 
de transformação espiritual. Muitas igrejas, infelizmente, não foram 
estruturadas ou perderam de vista essa finalidade. 
A Pesquisa 
O trabalho de Rainer e Geiger foi dar um embasamento científico às suas 
percepções empíricas através de uma ampla pesquisa de campo. A 
constatação, a priori, foi de que nas igrejas existe uma forte correlação entre 
ser simples e ser efetivo, ou seja, aquelas que se estruturam de maneira 
simples e objetiva em torno do processo de discipulado são as que têm mais 
vitalidade. 
Foi então criada uma metodologia para se avaliar esse processo de 
discipulado. Uma vez constatado que realmente as igrejas vibrantes possuíam 
um processo simples, percebeu-se a presença consistente de quatro elementos-
chave: clareza, movimento, alinhamento e foco. 
A pesquisa foi conduzida em duas fases. Em ambas as fases, as 
amostragens de igrejas foram separadas em dois estratos: igreja vibrante/em 
crescimento,cujo parâmetro é ter registrado um crescimento no 
comparecimento ao culto de no mínimo 5% ao ano, durante os últimos três 
anos consecutivos, e igreja de comparação/sem crescimento, cujo parâmetro é 
ter tido crescimento menor que 1% no mesmo período de três anos. 
Infelizmente, a pesquisa mostrou que apenas 2% das igrejas nos EUA podem 
se classificar no primeiro estrato. 
Na primeira fase, foram escolhidas somente congregações da Igreja 
Batista do Sul. Das que retornaram resposta, 163 foram classificadas no estrato 
vibrante/em crescimento, e 153 no estrato de comparação/sem crescimento. 
Esta opção se deve ao fato de que uma avaliação dentro de uma mesma 
denominação proporciona comparações qualitativas. Outra razão é pelo fato de 
a Convenção Batista do Sul ser a maior denominação americana, o que permite 
abranger variações geográficas e culturais. Além disso, o modelo congregacio-
nal dessa denominação possibilita que cada igreja local adote modelos distintos 
de gestão. As igrejas vibrantes obtiveram sistematicamente melhor pontuação 
que as igrejas de comparação (85 x 69, respectivamente numa escala de 20 a 
120). Na segunda fase, aproximadamente 100 igrejas representativas das 
diversas igrejas evangélicas foram convidadas a participarem, obtendo-se 
igualmente 44 igrejas para cada estrato de comparação. Curiosamente, essa 
fase produziu resultados que melhor corroboram a tese da Igreja Simples (87 x 
62, respectivamente numa escala de 20 a 120). 
Essa dupla constatação reforça a necessidade de as igrejas efetuarem 
uma revolução a fim de se tornarem simples. Essa diferença de pontuação foi 
verificada também na avaliação dos quatro elementos chaves de um processo 
simples. Assim, uma definição mais detalhada seria que “Igreja Simples é 
projetada em torno de um processo estratégico e objetivo que move pessoas 
através dos estágios de crescimento espiritual. A liderança e a igreja são claras 
sobre o processo (clareza) e estão comprometidos em executá-lo. O processo 
flui logicamente (movimento) e está implementado em cada área da igreja 
(alinhamento). A igreja abandona tudo que não faz parte do processo (foco)”. 
A Reforma de Ezequias 
Segundo Reiner e Geiger, o rei Ezequias foi um revolucionário em favor 
do simples. Ele era extremamente focado em remover entulhos da vida 
espiritual. Ele trouxe o povo de Deus de volta ao Senhor através de uma 
grande reforma. Primeiramente ele removeu os lugares altos e os postes ídolos 
a Astarote (II Rs 18:4). Ele simplesmente jogou fora entulhos de deuses que 
competia pela atenção do povo. Eliminar ídolos pagãos é um ato compreensível 
e até desejado mesmo para os adoradores nominais de Deus contemporâneos 
a ele. Entretanto, o que Ezequias fez além foi algo mais radical, algo que 
muitos líderes de igreja teriam dificuldade de fazer. Ele destruiu a serpente de 
bronze de Moisés. Uma serpente que foi moldada pelo grande líder, instruído 
pelo próprio Deus. Ela representava a salvação para as pessoas mordidas pelas 
cobras peçonhentas (Nm 21: 6-8). Mas o rei se livrou da serpente porque se 
tornara um entulho; um entulho pois as pessoas passaram a adorá-la, 
desviando a atenção do Salvador real. O que era algo bom se tornara um ídolo. 
Em muitas igrejas, instrumentos originalmente criados para dar vida tornaram-
se entulhos. Programas se tornaram um fim em si mesmos. Para Ezequias, 
eliminar serpente de bronze não foi uma decisão popular, especialmente em 
meio a religiosos fincados na tradição. Assim também, reformas profundas em 
meio ao povo de Deus são difíceis. Mas o ato de Ezequias agradou a Deus, pois 
não houve rei como ele nem antes nem depois (II Rs 18:5). As igrejas 
necessitam de Ezequias modernos. 
Três Exemplos – Cristo já determinou que as portas do inferno não 
prevaleceriam sobre Sua igreja (Mt 16:18). A questão não é se vamos vencer 
ou não, mas o quanto temos prevalecido sobre o reino das trevas. Entre a 
timidez de muitas igrejas, seguem três exemplos de igrejas que têm causado 
danos sérios às portas do inferno: 
 
 Igreja Emmanuel 
Igreja Christ 
Fellowship 
Igreja Northpoint 
Característica Localizada numa cidade 
de 16.000 habitantes, no 
meio do “Cinturão da 
Bíblia” do meio-oeste 
americano. Quase todos 
da comunidade 
pertencem a uma igreja. 
Mas esta tem avançado 
com vigor, dobrando a 
presença ao culto nos 
dois últimos anos. 
Igreja multicultural com 70 
nacionalidades localizada 
em Miami, cidade resistente 
ao evangelismo. Com 89 
anos, é uma igreja de longa 
tradição. Teve apenas dois 
pastores no últimos 45 
anos. Preferência ao status-
quo. 
A igreja cresceu de um 
punhado de membros para 
1.600 em 10 anos. 
Localizado em Alpharetta, 
ao norte de Atlanta. 
Clareza Foco ao discipulado como 
um processo: 
“Conectando, Crescendo 
e Servido” 
Reduziu as várias 
declarações de propósito 
em uma: “Conectando-se a 
Deus, a outros, ao 
ministério e aos perdidos”. 
“Do Hall de Entrada à 
Cozinha” mostra o processo 
de crescimento em 
comunhão e 
comprometimento. 
Movimento Tema do culto semanal 
sincronizado com o tema 
dos Companheiros da 
Bíblia, que, por sua vez, 
está ligado aos vários 
pequenos grupos de 
serviço. 
Ajustou a programação 
semanal ao processo. O 
último passo não é um 
programa, mas um estilo 
de vida relacional. Uma 
pessoa é desencorajada a 
se tornar neófito se não 
pretende seguir o processo. 
Membros são encorajados a 
participarem de um “test-
drive” de pequeno grupo de 
6 semanas. 
É o elemento chave da 
igreja. Todos estão em 
contínuo movimento. O 
“hall de entrada” é o 
serviço de culto. “Sala de 
estar” é um programa não 
semanal. “Cozinha” é o 
pequeno grupo para 
aprofundamento no estudo 
da Bíblia. Mesmo neste 
último nível, as pessoas são 
encorajadas a se 
movimentarem. 
Alinhamento Ministérios das crianças e 
dos adolescentes seguem 
o mesmo processo. Todos 
usam a mesma 
terminologia. 
Os ministérios para 
crianças, ensino 
fundamental e ensino 
médio têm o mesmo 
processo. 
Todos os departamentos 
usam a mesma linguagem 
e se complementam para 
alcançar o mesmo objetivo. 
O processo é ilustrado por 
3 círculos concêntricos. 
Foco Ao contrário das outras 
igrejas, tem menos 
programas e eventos 
especiais. Apesar disso, 
tem crescido 
numericamente. 
Eliminaram-se programas e 
fundiram-se outras para 
maximizar o impacto do 
processo. Programa social 
aos estudantes foi 
reposicionado após o culto 
da noite de sábado. O 
programa especial de Natal 
foi absorvido na 
programação normal do 
final de semana. 
Há excelência na execução 
dos programas, pois são 
poucos. Em Northpoint, 
menos é mais. Eliminaram-
se escola cristã, cultos no 
meio da semana, 
ministérios dos homens e 
das mulheres, coral de 
crianças, apresentação de 
Páscoa e Natal e ministério 
da recreação. 
 
Analisar-se-ão em profundidade, a seguir, os quatro elementos chaves 
de um processo simples de discipulado 
Clareza: 
Clareza é a habilidade de o processo ser comunicado e compreendido 
pelas pessoas. Clareza envolve certeza, e ela elimina confusão. Clareza e 
simplicidade andam de mãos dadas. A liderança e a igreja sabem como 
estruturar a igreja para que as pessoas se movam em direção ao seu cresci-
mento espiritual. O processo (o COMO) é discutido, ensinado e ilustrado. E as 
pessoas entendem-no. A compreensão sempre precede o comprometimento. 
Além da compreensão, é necessário que as pessoas internalizem o processo. A 
liderança deve ser o primeiro a mostrar essa qualidade. 
 
 Clareza (pontuação média de 6 a 30 pontos) Diferença 
Igrejas vibrantes Igrejas de comparação 
Fase 1 (319 igrejas) 20 15 20% 
Fase 2 (88 igrejas) 20 13 29% 
 
Paulo deixou instruções específicas para os líderes de igreja como 
construtores: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, 
... com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seuserviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4:11-12). O termo “edificação” 
vem do grego oikodome, um termo usado em construção. O quadro é de 
construção de uma casa. O chamado se refere à construção de uma vida. Esta 
imagem aparece em outros trechos do Novo Testamento: “Ora, como 
recebestes de Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e 
edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações 
de graça” (Cl 2:6-7). O termo “edificados” está no particípio do presente, o que 
indica uma ação contínua. A casa sempre está sendo retocada. A aplicação é 
simples – construir vidas é uma ação contínua. É um processo. A expansão do 
reino de Deus é também comparada à edificação de uma casa em I Pedro 2:5 e 
Efésios 2:22. Em ambos os sentidos, o líder é chamado a ser um parceiro de 
Deus no grande projeto de construção de vidas, ao trazer pessoas a um 
relacionamento com Deus, fazendo-os passarem por um processo de fé. De 
acordo com o apóstolo Paulo, deve-se tomar seriamente esse papel (I Co 3:14). 
Deve-se ser cuidadoso em COMO construir. O COMO é importante. 
Como construtores, precisamos de uma planta. Sem a planta bem 
definida da casa, a construção se torna caótica. Em termos ministeriais, a 
planta representa o processo de discipulado. Um processo bem definido e claro, 
que seja compreensível a todos. Há 5 fatores chaves para se obter clareza: 
definir, ilustrar, medir, discutir e aumentar a compreensão 
a) Definir 
O processo não deve conter afirmações genéricas e ambíguas. Isso gera 
apenas confusão e frustração. Os líderes devem ter não somente o propósito (o 
O QUE) da igreja, mas devem definir o processo (o COMO). Para tanto, deve-se 
levar em conta três conceitos: 
- Determinar o tipo de discípulo que você deseja produzir em sua igreja – 
Tomando o exemplo da Igreja Simples, você quer que os seus discípulos sejam 
apaixonados por Deus, sejam conectados numa relação vibrante com as 
pessoas e sejam servos no reino de Deus. 
- Descreva esse propósito em forma de processo – Colocando numa ordem 
seqüencial, fica fácil compreender o propósito. Na Igreja Simples, a pessoa 
deve primeiro se comprometer em amar a Deus. Então ela se conecta numa 
relação vibrante com outros e, finalmente, expressa seu amor a Deus e a 
outros servindo ao mundo. Essa seqüência é importante ser ressaltada e 
mantida. 
- Decida como cada programa semanal pode tomar parte no processo – 
Programas e ministérios são o que é visível às pessoas, e não declarações de 
propósitos. Portanto, a programação é que deve refletir o processo de 
discipulado. Na Igreja Simples, o culto ajuda pessoas amarem a Deus. O 
pequeno grupo ajuda pessoas a amarem outros. E as pessoas são desafiadas a 
servir o mundo tomando parte em algum ministério. 
b) Ilustrar 
De acordo com a pesquisa, ilustrar o processo é algo vital, para que haja 
uma compreensão clara por parte dos membros. As pessoas são visuais, e 
tendem a lembrar melhor se for bem ilustrado. O processo de discipulado bem 
ilustrado deve ser visível à igreja local. O processo diz, essencialmente, “este é 
o tipo de pessoa que acreditamos que Deus está chamando a se tornar, e aqui 
está COMO Ele irá transformar-nos nesse tipo de pessoa”. É uma afirmação 
pessoal, que os membros conseguem internalizar. O processo deve estar 
cravado nas suas mentes para que eles efetivamente abracem o desafio. Deus 
é um especialista nessa obra. Não somente se comunicou por meio de palavras, 
mas recorreu a recursos visuais para impressionar os ouvintes. Usou profetas, 
como Oséias e Jeremias, para levar ilustrações vívidas a fim de tocar o coração 
do povo. O Santuário era um recurso áudio-visual didático das verdades da 
salvação. Jesus usou ilustrações como “pão da vida”, “videira”, “água da vida”, 
etc. Instituiu práticas como batismo e Santa Ceia. Quer seja diagrama ou 
metáfora, o importante é impregnar uma imagem mental nas pessoas. A 
ilustração deve ter os seguintes componentes: 
- A ilustração deve refletir o seu processo – Se há três etapas, a ilustração deve 
as ter também. 
- A ilustração deve mostrar progressão. 
- A ilustração deve ajudar a simplificar. 
c) Medir 
Para que as pessoas levem a sério o processo ministerial, ele deve ser 
medido. Vale a máxima: “o que é avaliado, é cumprido”. Se não há medição, as 
pessoas acham que tem pouca importância. Portanto, para haver um efetivo 
acompanhamento deve-se enxergar os dados de duas maneiras: 
- Aprenda a ver os números horizontalmente, e não verticalmente – Ao invés de 
olhar apenas a presença de pessoas num programa isoladamente, deve-se 
olhar a movimentação: quantos por centos dos jovens passaram do estágio 
inicial para a participação efetiva nos pequenos grupos, por exemplo. 
- Meça a participação em cada nível/estágio do seu processo – Especialmente a 
participação no último estágio, os diversos ministérios. Uma visão completa da 
realidade permite planejar e focar as orações. 
d) Discutir 
Sempre que passa o calor de uma programação especial, as coisas 
tendem retornar ao estado anterior. Entretanto, para que o processo se torne 
parte da identidade da igreja, ela precisa ser discutida, e freqüentemente. Não 
basta falar dela somente no lançamento, por meio de séries de sermão ou 
palestra. A clareza deve ser acompanhada de consistência. Portanto, requer-se 
uma discussão consistente do processo na rotina da igreja. Antes, porém, é 
necessário que faça parte da cultura da liderança. Deve fazer parte do seu 
vocabulário e tratado de maneira natural. Se o processo de discipulado não 
bate no coração da liderança de forma apaixonada, certamente haverá 
indiferença entre os membros. Primeiramente a liderança, que tem perspectiva 
mais ampla e autoridade necessária, deve enxergar o alcance do processo e 
remover obstáculos. O sentimento de que são donos do processo e, portanto, 
responsáveis por ele deve começar com a liderança. Se a discussão sobre o 
processo pertence ou não à cultura da igreja local faz toda diferença. Isso deve 
ser implantado de maneira sutil. 
- Veja tudo através da lente do seu processo simples – Avalie, decida, analise 
as atividades da igreja sempre pela lente do processo de discipulado. 
- Faça surgir comentários sobre o processo nas reuniões – A recorrência faz 
com que se torne parte do vocabulário da igreja. 
- Teste a liderança em relação ao processo – Faça de forma descontraída um 
“testezinho” desenhando o processo e deixando espaços em branco para os 
líderes responderem. Repita uma semana depois, um mês depois. 
- Faça brainstorm para descobrir novas maneiras de comunicá-la – Fatalmente 
a discussão sobre o processo se tornará “batido”, perdendo o frescor de 
novidade. Alguns mais afoitos irão buscar outras “novidades”. Ironicamente, 
quando a liderança estiver cansada de falar sobre o processo, esse é o 
momento em que as pessoas da igreja começarão a entender. Assim, quando o 
processo estiver “cansativo”, é hora de um brainstorm com a participação dos 
líderes. Novas idéias mantêm o frescor e ajudam a não perder o foco na 
execução do processo. 
e) Aumentar a compreensão 
A compreensão das pessoas não acontece de maneira fácil, num ato 
único e mágico de comunicação. Aumentar a compreensão então é um trabalho 
ainda mais duro, que precisa ser monitorado continuamente. Mas produz 
frutos. Quando os membros entendem o processo, são capazes de adotá-lo 
pessoalmente, e ocorre o movimento em direção à transformação espiritual. 
Eles se tornam naturalmente em multiplicadores, aumentando o potencial da 
igreja. Assim, para aumentar a compreensão, há três fatores críticos, em ordem 
reversa de importância: 
- Fale constantemente à congregação sobre o processo – A voz da liderança é 
apenas mais uma entre as outras que existem na vida das pessoas. Portanto, 
se o processo é importante e se se quer sobressair na mente dos indivíduos,repita e repita. Não é necessário criar ocasiões especiais para comunicar o 
assunto. Basta fazer parte naturalmente dos anúncios e mensagens regulares. 
Mencione histórias reais de pessoas que estão crescendo no discipulado. Isso 
ajuda as pessoas a compreenderem a importância do processo. 
- Compartilhe com outros a discussão sobre o processo – A abordagem sobre o 
processo deve acontecer dentro de um diálogo também. Atenção: “não basta 
falar sobre a visão ou sobre o processo de discipulado nos púlpitos. O processo 
deve ser compartilhado nas mesas de jantar e nas reuniões”. Quando as 
pessoas perceberem que o tema não é só “coisa de sermão”, entenderão a sua 
importância. 
- Viva o processo pessoalmente – Este é o item mais importante. A melhor 
maneira de ajudar as pessoas a entenderem o processo de discipulado é 
através do comportamento pessoal do pastor – vivendo e fazendo o que você 
pede às outras pessoas viverem e fazerem. Se você quer que as pessoas 
entrem em contato com indivíduos que não conhecem a Deus, comece a se 
encontrar com seus vizinhos ou a conversar com o senhor que corta o seu 
cabelo. Não seja apenas um agente de viagem. Este profissional mostra os mais 
maravilhosos destinos turísticos, mas, depois da venda, se despede com apenas 
“faça uma boa viagem”. Seja um guia turístico apaixonado pela profissão. 
Daqueles que vibram em mostrar e explicar cada ponto interessante da viagem, 
que tem prazer em instruir a melhor maneira de aproveitar a jornada, e que 
fale com conhecimento de causa, pois é prazeroso ouvir quem tem autoridade. 
Pessoas precisam de um “guia turístico” espiritual. Guie-os pela jornada da 
transformação espiritual. Assim, o processo de discipulado se tornará vivo e 
fará todo sentido a você. 
 
 
Movimento: 
Movimento são os passos seqüenciais do processo que levam as pessoas 
a se moverem para um grau maior de comprometimento. Esse é o elemento 
mais difícil de ser compreendido. A melhor maneira de ilustrá-lo seria comparar 
ao revezamento com bastão. Essa competição é definida mais na habilidade de 
a equipe passar o bastão do que na qualidade individual. O “movimento” é o 
que acontece entre as programações. É a maneira como uma pessoa é levada 
de um estágio a outro no comprometimento espiritual. A ênfase deve ser na 
fluidez. Os programas devem ser apenas instrumentos ao longo do processo de 
discipulado. Para tanto, é necessário que a liderança acompanhe o calendário 
semanal e a programação regular da igreja. Toda a programação deve estar 
colocada em forma seqüencial, na ordem lógica do processo de discipulado. 
 
 Movimento (pontuação média de 6 a 30 pontos) 
Diferença 
Igrejas vibrantes Igrejas de comparação 
Fase 1 (319 igrejas) 22 17 21% 
Fase 2 (88 igrejas) 22 16 25% 
 
Estado de congestão é muito frustrante. Quer seja o congestionamento 
na hora do pico, quer seja a congestão nasal devido à sinusite, a fluidez fica 
represada, o movimento impedido. Muitas igrejas estão congestionadas, não 
tanto por falta de membros novos, mas mais pelo fato de haver muitas pessoas 
paradas, sem mudança, sem transformação há anos. Crentes estagnados são 
sintomas de uma igreja congestionada, cheia de entulhos que não permitem o 
seu pleno desenvolvimento. Eles são a antítese do plano de Deus, que é a 
transformação contínua do crente de glória em glória (II Co 3:18). A 
transformação é Deus quem faz. O papel do líder é colocar as pessoas nos 
passos do poder transformador de Deus, estruturando um processo de 
discipulado simples, que desafie e movimente de forma natural as pessoas para 
um nível de comprometimento maior. 
Há cinco remédios para curar essa congestão espiritual, comprovados 
pela pesquisa. Se você quer que o seu processo movimente as pessoas, a sua 
programação deve ser estratégica e seqüencial, deve movimentar 
intencionalmente as pessoas, oferecer um claro “próximo passo” e prover uma 
classe para novos membros. 
a) Programação estratégica 
Para se tornar uma Igreja Simples, a liderança deve montar a 
programação estrategicamente, de acordo com o processo de discipulado, 
definido claramente e de forma simples. 
- Comece sempre a partir do processo definido – Nunca planeje a partir dos 
programas, pois a tendência acaba sendo a de ajustar o processo ao programa. 
- Escolha um programa para cada fase do seu processo – Cada departamento 
da igreja deve ter apenas um programa para cada fase. Múltiplos programas 
para cada fase do processo dividem atenção e energia. 
- Planeje o programa para atender um aspecto específico do processo – Cada 
programa deve ser distinto do outro, tendo a identidade adequada ao seu 
propósito. Garanta que ele esteja cumprindo o seu papel crucial no processo. 
Avalie e melhore o programa constantemente. 
b) Programação seqüencial 
Colocar as programações numa ordem seqüencial. Uma boa ilustração é 
o rafting. Um bom instrutor jamais colocaria um iniciante numa corredeira nível 
quatro. Primeiro, o aluno começa recebendo orientações, ouve recomendações 
e histórias que vão levá-lo a decidir experimentar a jornada. Segundo, o aluno 
conhece outros que fazem parte do bote. O guia mostra a importância do 
trabalho em equipe. Faz parte da experiência ouvir gritos de susto dos outros 
dentro do bote. Terceiro, o aluno se torna um participante ativo da jornada. No 
começo o guia fazia tudo, mas, à medida que a jornada progride para 
corredeiras mais fortes, a remada de cada um no bote contribui para o sucesso 
da jornada. Por último, quando a pessoa volta para casa, conta histórias 
emocionantes a vizinhos e amigos. Se a jornada do rafting não tivesse sido 
projetada na seqüência, poderia ser uma experiência horrível. Sem as etapas 
iniciais, o final seria traumático e provavelmente levaria à desistência na 
primeira oportunidade. Mas se o processo foi seguido corretamente, a pessoa 
certamente se tornará um entusiasta do esporte. Os idealizadores posicionaram 
estrategicamente os eventos numa seqüência lógica para que a jornada fosse 
feita prazerosamente. 
A programação seqüencial da igreja deve produzir também um 
movimento natural. 
- Ordene a seqüência da sua programação para refletir o seu processo – 
Conforme o exemplo da Igreja Simples, de acordo com o lema “amar a Deus, 
amar ao próximo e servir ao mundo”, o primeiro programa na seqüência é o 
culto semanal. O próximo na ordem lógica é o programa do pequeno grupo. No 
nível final está a estrutura dos diversos ministérios. À medida que a pessoa 
participa progressivamente dos programas, ela vai passando pelo processo de 
discipulado. 
- Estabeleça claramente um ponto de entrada no seu processo – Sem um início 
definido, o processo se torna confuso. Normalmente as pessoas começam a 
conhecer a igreja pelos cultos semanais. Se este é o ponto inicial, deve fazê-lo 
com excelência. As pessoas tomarão conhecimento sobre Deus pelas primeiras 
impressões. 
- Identifique os próximos níveis do processo – O grau de comprometimento 
requerido deve ser maior conforme progressão a um nível mais elevado. Assim, 
é natural que a participação decresça conforme avança o nível. Esse quadro 
permite captar automaticamente o grau de comprometimento da sua igreja. 
c) Movimentação intencional 
Pessoas gostam de permanecer nas suas zonas de conforto. 
Universitários, por exemplo, que adiam sua graduação para poderem continuar 
vivendo sem responsabilidades maiores refletem a síndrome do comodismo, 
que deve ser combatido por uma igreja que queira ser saudável. Como líder 
projetista de uma Igreja Simples, o foco deve estar nos movimentos entre os 
programas. Sem movimentação, o programa se torna um fim em si mesmo. 
Para tanto, deve-se considerar as seguintes sugestões: 
- Crie passos de curta duração – Esses passos não devem ser novos programas, 
mas oportunidades de curta duração que expõe a pessoa a um aspecto do 
processo que ela ainda não experimentou.Por exemplo, para promover a 
transição da etapa de culto semanal para a de pequeno grupo, a igreja pode 
realizar uma campanha de quarenta dias de crescimento espiritual. Durante 
este período, a igreja alinha todos os ensinos em torno de um mesmo tema. 
Assim, durante seis semanas, os pequenos grupos trabalham o mesmo assunto 
pregado nos cultos e todos são desafiados a se engajar em algum grupo. 
Pessoas que ainda não conhecem este formato estarão propensas a 
experimentarem por seis semanas, pois sabem que o compromisso é por tempo 
limitado. Uma vez que “pegue o gostinho”, a tendência é de os grupos 
continuarem a se reunir mesmo depois do prazo. Para mover pessoas da etapa 
de pequenos grupos para o ministério, a igreja pode desafiar todos os grupos a 
realizarem algum projeto de serviço fora da igreja. Todos os grupos, então, têm 
oportunidade de servir por um período de dois meses. Muitas pessoas são, 
assim, expostas pela primeira vez a uma situação de servir. 
- Capitalize o relacionamento – Pessoas não se progridem no processo de 
discipulado por anúncios no púlpito ou nos cartazes promocionais. Elas o fazem 
porque alguém as trouxe ao processo. Relacionamento é a ponte para o 
processo de discipulado. Crie oportunidade para estabelecer relacionamentos 
entre a liderança e os membros novos e inseguros. 
- Enfatize o “e agora?” – Nenhum programa deve ser um ponto de chegada. 
Sempre deve haver um “e agora?”. Desafie as pessoas a sempre estarem 
progredindo. Ofereça novas oportunidades de crescimento. 
- Conecte pessoas aos grupos – As pessoas permanecem na igreja quando 
estão envolvidas em algum pequeno grupo. 
d) Esclareça o “próximo passo” 
Há histórias trágicas de orfanatos na Rússia e Romênia. Nesses orfanatos 
superlotados há poucas “mães”. Por mais que a necessidade material fosse 
provida, crianças careciam do toque e da atenção afetivos. Quando os 
jornalistas visitaram pela primeira vez ficaram chocados pelo que eles não 
ouviram ou viram. Não havia choro ou risos. Uma criança de três anos não 
conseguia falar ou chorar. Sem a atenção e o toque, o crescimento normal da 
criança fora prejudicada. Infelizmente, muitas igrejas tratam os recém-
conversos da mesma maneira que esses orfanatos. Há pouca atenção e 
nutrição. Eles são colocados de lado. Normalmente não há acompanhamento. 
Eles não sabem o que fazer dentro da igreja. É essencial orientar o “próximo 
passo” do neófito. Isto faz sentido, porque os recém-conversos freqüentemente 
são os mais vocacionados missionários que a igreja possui. Eles têm a chama 
dentro delas, que outros perderam. Eles não têm os vícios e jargões da igreja e 
podem falar abertamente da graça redentora de Cristo que acabara de 
descobrir. Produzindo ou não fruto, nutrir o recém-converso é uma obrigação, 
pois são pessoas e não nomes numa lista. Eles acabaram de cruzar a linha da 
fé para adentrar num mundo novo. Como bebês espirituais, precisam de 
cuidado. 
Conforme Rainer, “novos cristãos que imediatamente se tornaram ativos 
em um pequeno grupo são cinco vezes mais propensos a permanecerem na 
igreja dentro dos próximos cinco anos do que aqueles que foram ativos 
somente nos cultos”. As estratégias podem ser: providenciar um grupo de 
recém-conversos, engajá-lo num grupo existente ou designar uma pessoa 
responsável pelo seu mentoreamento. Qualquer que seja a estratégia, tenha 
uma! O discipulado de um neófito não acontece ao acaso; deve ser intencional. 
Deve ser um dos motores da igreja. 
e) Classe para Novos Membros 
Pela observação de Rainer, “a relação entre a efetividade da assimilação 
e classe de novos membros é extraordinário. Igrejas que exigem dos 
candidatos a presença na classe de novos membros têm uma taxa de retenção 
muito maior que aquelas que não o fazem”. Tipicamente, essas classes 
discutem crenças, práticas e diretrizes da igreja. Pessoas têm assim a chance 
de entender exatamente ao que elas estão se unindo. Grandes diálogos 
ocorrem e as pessoas saem com uma ligação mais profunda com a igreja. 
Líderes deveriam aproveitar para: 
- Ensinar o processo de discipulado simples – Pessoas entenderão COMO a sua 
igreja funciona, de acordo com o processo divino. 
- Pedir o comprometimento com o processo – Esse é o único tempo que um 
líder tem exclusivamente com os novos membros. Aproveite para desafiá-los e 
também para eles trazerem outros amigos. 
No Evangelho de Lucas, vemos Jesus expondo o seu método de 
discipulado. Em Lucas 5 e 6, Jesus faz o chamado aos seus discípulos, 
provendo a cada um oportunidade de encontrar e experimentá-Lo. Em Lucas 7 
e 8, vemos Jesus provendo oportunidade para que eles cresçam na fé. Eles têm 
oportunidade de observar o mestre trabalhando na linha de frente do 
ministério. Em Lucas 9, eles são então enviados a servirem. Podemos ver o 
discipulado estratégico elaborado por Jesus, movendo os doze a um nível maior 
de compromisso e crescimento. 
Alinhamento: 
Alinhamento é o arranjo de todos os ministérios e equipes em torno de 
um mesmo processo simples de discipulado. Este deve reger as atividades de 
cada departamento. Alinhamento possibilita que o corpo da igreja se 
movimente em uma mesma direção. Evita o individualismo e a competição por 
recursos ou tempo. O desalinhamento deve ser corrigido, mesmo à custa de 
insatisfações pessoais, pois ignorá-lo acarreta sérios danos à igreja, como o que 
uma roda fora de eixo pode fazer com o conjunto do carro. 
 
 Alinhamento (pontuação média de 6 a 30 pontos) 
Diferença 
Igrejas vibrantes Igrejas de comparação 
Fase 1 (319 igrejas) 22 17 21% 
Fase 2 (88 igrejas) 22 16 25% 
 
Um time unido é capaz de derrotar as mais fortes seleções. É o milagre 
da unidade. Deus deseja também esse milagre à Sua igreja. Em Seus 
momentos finais, Jesus orou para que os Seus seguidores fossem um. Ele orou 
ao Pai, “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, 
também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 
17:21). A unidade não somente reflete o caráter de Deus, como também chama 
a atenção do mundo (cf. Jo 13:35). Paulo também exorta o mesmo. Ele desafia 
a igreja para que “penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos 
de alma, tendo o mesmo sentimento” (Fp 2:2). Unidade é algo poderoso, 
magnético, belo e impactante. Isso é a essência do alinhamento. 
A igreja deve estar unida não somente no propósito (o O QUE), mas 
também no processo (o COMO). Deve haver consenso sobre a abordagem do 
discipulado. Se se pretende maximizar a energia da igreja deve então recrutar 
pessoas baseado no comprometimento com o processo, prestar conta, 
implantar o mesmo processo em todos os lugares, unir os líderes em torno do 
processo e assegurar que novos ministérios se adéqüem a ele. 
a) Recrutar pessoas baseado no comprometimento com o processo. 
O critério para escolha de líderes na posição chave deve ser o seu 
alinhamento com a filosofia de trabalho, se está comprometido com o processo 
de discipulado. 
b) Prestar conta 
Sem prestação de conta, pessoas tendem a se desviar do foco do 
processo de discipulado. Deve-se evitar os extremos do micro-gerenciamento 
ou da negligência. O primeiro tolhe criatividade e obstrui a delegação de 
tarefas. O último provoca complacência, que acaba fragmentando a equipe. 
Muitos líderes de igreja têm receio de prestar contas. Mas isso não precisa ser 
necessariamente doloroso. Ela pode ser libertador. Pode abrir linha de 
comunicação honesta que gera discussões produtivas sobre o processo de 
discipulado. Um Plano de Ação Ministerial de cada departamento serve como 
um instrumento para acompanhar e ajustar as atividades individuais conforme 
o processo maior de discipulado. Se houver sintonia, gera-se energia, porque as 
equipes percebem que fazem parte de um todo e que todos estão se movendo 
na mesma direção. 
c) Implantar o mesmo processo em todos os lugaresNa igreja existem múltiplos grupos de pessoas. Se houver alinhamento 
na igreja, o mesmo processo de discipulado pode nortear as atividades do 
ministério das crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos adultos. Há três 
benefícios ao se adotar o mesmo processo em todos os lugares: 
- Primeiro, a compreensão aumenta – Alinhamento é uma redundância 
benéfica. Se uma pessoa compreende o processo de discipulado do adulto, 
compreende também o dos jovens. 
- Segundo, a unidade é promovida – Evita-se que a igreja tenha múltiplas 
direções para sua filosofia de trabalho. 
- Terceiro, as famílias experimentam o mesmo processo – Cada membro de 
uma mesma família podem experimentar e compreender o estágio de 
discipulado que o outro está passando. 
d) Unir os líderes em torno do processo 
A Escritura se refere à igreja como o corpo de Cristo. Quando esse corpo 
funciona corretamente, o resultado é belo. Todas as partes estão em seus 
lugares apropriados. Todas desempenham corretamente a sua parte e tem a 
noção de que fazem parte de um mesmo corpo (I Co 12:12). Se não está 
unido, há confusão. E o mundo observará isso. O processo pode prover unidade 
ao corpo por indicar uma única direção. 
Unidade não é sinônimo de uniformidade, que é “sem graça”. De fato, a 
unidade é melhor expressa em meio a diversidade. Freqüentemente, a divisão 
dentro da igreja se deve menos à diferença teológica e mais à diferença 
filosófica e de abordagem do trabalho. “Por que não fazemos dessa maneira?” 
ou “Por que não se faz mais isto?” são perguntas que refletem diferenças na 
preferência, estilo e abordagem. Um processo de discipulado simples pode ser 
um fator unificador da filosofia de trabalho. Para tanto, deve-se reforçar os 
seguintes fatos: 
- Relembrar as pessoas do processo – O dito “pessoas precisam mais ser 
relembradas do que instruídas” é verdadeiro. Pessoas tendem a esquecer do 
direcionamento da igreja. Lembrar que a igreja abraçou um processo de 
discipulado divinamente ordenado é, portanto, necessário. Todos detalhes 
importantes da igreja, como orçamento, mudança de recursos materiais, 
projeto de reconstrução, etc., devem ser avaliadas à luz do processo. 
- Ressalte as contribuições ao processo – Mostre a cada líder como eles têm 
contribuído no processo de discipulado. Caminhe pela igreja. Lembre cada 
membro que ele é parte de um processo importante. Mostre como a tarefa de 
cada um contribui para o cumprimento do propósito da igreja. 
e) Assegurar que novos ministérios se adéqüem a ele 
Para mobiliar uma casa, é mais fácil de trabalhar com um móvel novo do 
que com um já existente. É mais difícil realinhar um ministério ou equipe 
existente do que orientar um novo. Este é mais fácil de direcionar. Caso não se 
encaixe no processo, basta não permitir começar. Uma vez iniciado, entretanto, 
é mais difícil fazer o ajuste. 
Há que se fazer distinção entre ministério e programa. Programas 
tendem a ser enxugadas. Novos ministérios podem ser acrescentados. Pode ser 
por expansão de ministério – quando ela atende uma faixa etária ou estágio de 
vida, e tende a constituir um novo departamento. Como exemplo, ministério 
para jovens casais ou para estudantes universitários. É uma grande 
oportunidade de destacar a importância da simplicidade do processo de 
discipulado. Pode ser por adição de ministério – quando atende uma função 
específica dentro do processo de discipulado. Esse tipo de ministério deve 
ajudar as pessoas ao longo do processo de transformação. Como exemplo, 
ministério de recepção, de louvor. Se não está claro a sua contribuição no 
processo de discipulado, evite-o. 
Unidade: há muita coisa envolvida no jogo. 
Na história do Êxodo, Deus providenciou tudo para ter um povo unido. 
As pragas para quebrar o orgulho egípcio; a destruição do exército do faraó 
para não haver temor de perseguição; nuvem de dia e fogo de noite, maná e 
água da rocha para a jornada; a aliança no Sinai para selar compromisso 
mútuo. Entretanto, ao invés de um povo unido à agenda divina, tem-se um 
grupo de reclamadores. Em Números 13 eles estão diante da terra prometida 
por Deus. Os espias enviados não tinham a incumbência de determinar se 
deveriam entrar ou não na terra, mas apenas de explorá-la. Com exceção de 
Josué e Calebe, a malignidade do relatório dos espias se deve não aO QUE foi 
falado, mas à maneira COMO a informação foi disseminada. Como resultado, 
aquela geração fora condenada (Nm 14: 20-30). O final trágico se deve à opção 
de não se unir ao plano de Deus de um futuro glorioso. Negaram-se a confiar e 
seguir. Ao contrário, se uniram na crítica, negativismo e dissensão. E Deus 
levou a sério essa decisão. Ele sempre leva a sério a unidade. Muita coisa está 
envolvida: redenção, eternidade, transformação, etc. Unidade, portanto, é 
essencial. 
Foco: 
Foco é o compromisso em abandonar tudo o que não se encaixa no 
processo simples de discipulado. Ter foco significa muitas vezes dizer “não”. O 
foco é o elemento mais difícil de ser implantado. Requer profunda convicção e 
“estômago” para agüentar reações contrárias. Foco torna o líder impopular. 
Sem foco, entretanto, a igreja se torna entulhada, a despeito de existir um 
processo. Requer-se da liderança o comprometimento irrestrito com o foco. 
 
 
 
 Foco (pontuação média de 6 a 30 pontos) 
Diferença 
Igrejas vibrantes Igrejas de comparação 
Fase 1 (319 igrejas) 22 18 17% 
Fase 2 (88 igrejas) 22 17 21% 
 
Há algum tempo, um documentário independente de baixo custo causou 
sensação no meio cinematográfico, Super-Size Me de Morgan Spurlock. Neste 
filme o próprio produtor se submetia a uma “rigorosa” dieta à base somente do 
menu oferecido pelo McDonalds por 30 dias. O que era uma dieta dos sonhos 
de muitos, revelou-se um pesadelo ao personagem principal. Engordou quase 
10 quilos, aumentou a pressão arterial e açúcar no sangue, teve dores de 
cabeça, fadiga e indigestão. O alerta foi geral: fast food não é saudável. Na 
verdade, fast food apenas capitaliza os nossos gostos e escolhas infelizes. A 
nossa sociedade está pagando suas escolhas com a perda de saúde e 
obesidade infantil cada vez mais precoce. 
Há também uma epidemia de fast food espiritual entre os crentes 
atualmente. Gostamos de um grande menu espiritual, com muitas opções, 
servidas rapidamente. Muitas igrejas se tornaram um estabelecimento de fast 
food. Assim que surgem novas idéias elas são incorporadas no menu. Alguns 
oferecem um evento especial de forma particular e novamente o menu é 
expandido.Pessoas presumem que quanto mais programas e eventos especiais 
são oferecidos, maior é o impacto. Pesquisas mostram que a verdade é o 
oposto. Infelizmente, menus grandes não produzem igrejas vibrantes. 
Conclusão: fast food espiritual não é saudável. De fato, oferecer menu grande e 
rápido tem matado as igrejas. A resposta adequada é: mantenha-se focado no 
seu processo simples de discipulado. Diga não a tudo mais. 
Manter o foco, dizendo não, contraria a natureza de muitos pastores. É 
necessário, porém, negar com sabedoria de Deus. Deve-se lembrar que lidamos 
com pessoas que têm sentimentos. 
A Bíblia ensina o princípio do “uma coisa”. “Uma coisa peço ao Senhor, e 
a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha 
vida” (Sl 27:4). “Mas uma coisa eu faço: esquecendo-me das coisas que para 
trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, 
para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13-14). 
Para Paulo, nessa jornada espiritual tudo mais se tornou refugo diante dessa 
“uma coisa” (Fp 3:8). Para Timóteo, Paulo aconselha a se focar na sua 
transformação operada por Deus (I Tm 4:7-8). Paulo em Hebreus aconselha a 
desembaraçarmo-nos de tudo entulho para correr a carreira que está proposta, 
tendo um foco: fixar os olhos em Cristo (Hb 12:1-2). O desafio é se livrar de 
tudo que obstrui o caminhoda transformação espiritual. 
Lembre-se, somos construtores. 
Imagine-se construindo uma casa. Depois de discutir com sua família, você 
tem uma planta da casa. Mas, assim que se inicia a obra, seus filhos e sua 
esposa começam a mudar de idéia. Querem modificações na planta com a 
construção em andamento. O que você fará? Você tem um processo simples de 
discipulado, claramente definido, que promove o movimento e com os 
departamentos da igreja alinhados com ela. Mas eis que surgem pressões para 
modificar, acrescentar e acomodar o processo. O que você fará? Sem foco tudo 
isso é posto a perder. Você, como construtor, tem compromisso com o foco. 
Embora clareza, movimento e alinhamento sejam essenciais, sem foco tudo se 
torna sem sentido. Há cinco elementos essenciais para a manutenção do foco: 
eliminar programas não-essenciais, limitar acréscimos de programas, reduzir 
eventos especiais e assegurar que o processo seja fácil de comunicar e simples 
de entender. 
a) Eliminar 
Muitos agem como ratos acumuladores de entulho. Pessoas com esse 
comportamento têm problemas neurológicos. Embora isso não seja a causa dos 
acumuladores na igreja, há problemas de ordem histórica. Considerações à 
tradição e aos sentimentos dos apreciadores impedem que programas não-
essenciais sejam eliminados. O fato é que igrejas que eliminaram essas 
programações se tornaram mais focadas nos elementos mais essenciais e se 
tornaram mais vibrantes. 
Tome-se o exemplo inicial do Google. Por que os concorrentes não 
conseguem imitá-lo? Simplesmente porque, segundo Marissa Mayer, 
responsável pelo home page da Google, uma vez que se inicia uma página 
como a da YAHOO! ou MSN, não se consegue eliminar ícones facilmente sem 
que patrocinadores fiquem irados. 
É doloroso simplificar. Mas, com a provisão divina, não é impossível a 
igreja se tornar simples. Certamente será difícil e requer-se foco absoluto. 
Porém, não é impossível porque líderes são chamados para serem mordomos 
de Deus. E se foram chamados, Deus os capacita. O fundamento é que 
eliminação também é uma questão de fidelidade na mordomia. Efésios 5:15-16 
adverte, “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim 
como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus”. O “tempo” usado 
por Paulo não é chronos, tempo genérico, mas kairos, um tempo 
predeterminado, específico, mensurado e fixado. O que ele diz é que temos um 
montante específico de tempo aqui na terra. Já está estabelecido. E cada dia 
que passa se esgota, mesmo agora. Então, faça o melhor dela. Não a 
desperdice. Invista nela. Seja sábio. Seja sábio com o kairos que Deus lhe deu. 
Eliminar programas, segundo a orientação de Deus, é escolher ser mordomo 
fiel do tempo e dos recursos que Ele tem dado. Se não eliminar programas não-
essenciais, você estará desperdiçando tempo limitado das pessoas, e elas não 
têm disponibilidade de freqüentar a abundância de opções que são oferecidas. 
Se há muitas opções, energias são diluídas. Se está diluída, programas serão 
mais medíocres. Oferecer mediocridade é péssima mordomia com as coisas de 
Deus. 
b) Limitar acréscimos 
Deve-se tomar cuidado para não acrescentar programas ao processo de 
discipulado. Se o fizer, o processo se torna longo, e, quanto mais longo, menos 
pessoas serão capazes de passar por ele. 
A solução é a liderança procurar atender as necessidades por meio dos 
programas existentes, dando uma ênfase especial, ao invés de acrescentar 
outro programa. Se, por exemplo, há necessidade de enfatizar o tema da 
mordomia, pode-se usar a estrutura existente dos pequenos grupos para 
disseminar palestras sobre o assunto, fazendo menções especiais nos anúncios. 
Pode ser um motivo a mais para que pessoas que ainda não conhecem 
pequeno grupo virem a participar. A disciplina de usar os programas existentes 
permite que a liderança faça constantes promoções do processo de discipulado 
e dos programas que fazem parte dele. Não se perde tempo criando novos 
programas e evita que o processo se torne complicado. 
Aqui vale um conceito paradoxal, “menos é mais”. Travis Bradshaw da 
Universidade da Flórida conduziu uma pesquisa com a premissa contrária, “mais 
é mais”. Igrejas que oferecessem mais programas crescem mais que as que 
oferecem menos. Seu trabalho provou o contrário. Justamente as igrejas que 
ofereciam menos programações eram os que tinham maior percentual de 
crescimento. Menos é realmente mais! Menos programa significa maior foco 
naquela que é oferecida. Significa mais energia, mais recurso alocado, mais 
pessoas comparecendo e maior atenção dos participantes 
Isso não significa que devemos ignorar tudo que é novo. O novo cria 
energia, prende atenção, produz crescimento. Mas o novo não precisa ser mais 
um. Novo pode ser parte do menos que já existe. Há diferença fundamental 
entre um novo programa e uma nova opção. Limitar acréscimo se refere a novo 
programa. Nova opção é apenas uma expansão do programa que já existe. 
Esta distinção não pode ser ignorada. Acrescentar um novo pequeno grupo não 
é criar um novo programa; é prover uma outra oportunidade de alguém se 
engajar no pequeno grupo. Nova opção não compete com a programação, 
promove-a. 
c) Reduzir eventos especiais 
Canalize eventos especiais na programação existente. Normalmente a 
necessidade espiritual das pessoas é atendida de forma rápida e sem maiores 
compromissos através de eventos especiais. É mais cômodo que caminhar junto 
com as pessoas através da situação. Essas necessidades podem ser melhor 
atendidas dentro da programação existente, pois é algo contínuo e não 
temporário como eventos especiais. Por exemplo, se há preocupação sobre a 
saúde conjugal dos membros, ao invés de marcar um seminário de final de 
semana, que compete com a programação regular e que acaba tendo 
participação baixa, pode-se estabelecer pequenos grupos de curta duração 
dentro do ministério de pequenos grupos existente. O mesmo conteúdo pode 
ser ministrado enquanto as pessoas continuam a participar de uma 
programação essencial do processo de discipulado. Essa combinação traz 
também atenção à programação essencial. Mais pessoas são convidadas e 
expostas a ela. Isto aumenta a probabilidade de elas retornarem. Abaixo alguns 
exemplos de possíveis combinações: 
- Jantar especial – Pode ser colocado junto a um culto regular de noite, 
tornando-se uma noite especial, mas dentro da programação regular. 
- Programa de Natal – Ao invés de gastar energia numa data específica, poderia 
ser oferecida ao longo de diversos cultos do final de semana. Assim, mais 
pessoas teriam oportunidade de participar e a divulgação de um evento pode 
beneficiar as múltiplas ocasiões. 
- Evento Jovem – Pode ser combinada com programa regular de “entrada”. 
Se um evento não pode ser encaixado na programação regular, deve-se 
pelo menos fazer ligação com a programação regular. Por exemplo, após um 
curso “Como criar filhos”, ao final deve ter o gancho “e agora?”. A continuidade 
pode ser oferecida num grupo de discussão sobre o tema. 
d) Fácil de comunicar 
À medida que se elimina programações e se reduz eventos especiais, 
essas ações enérgicas mostram a seriedade do compromisso, chama atenção, 
força discussão e leva à compreensão do processo. Ou seja, o processo deve 
ser compreendido à medida que ocorrem mudanças. Caso contrário, haverá 
divisão. Conforme programas são eliminados, deve ser justificado à luz do 
processo simples de discipulado. Essa comunicação deve estar sempre 
presente, administrando a tensão da mudança. O processo deve ser pregado 
com convicção e de forma natural e com facilidade. 
e) Simples de compreender 
O processo deve ser simples para ser compreendido. Simples não 
somente à liderança, mas também aos ouvintes, que devem internalizá-lo. As 
pessoas estarão aptas a participarem do processo de transformação espiritual 
somente quando realmente captama mensagem. Isso é importante 
principalmente quando se deve dizer não. O não é mais fácil de aceitar quando 
as razões são claras. 
- Use linguagem simples – qualquer palavra que necessite de explicação 
adicional deve ser evitada. 
- Seja breve – No mundo sobrecarregado de informações poucas permanecem 
na mente das pessoas. Textos devem ser curtos para que sejam lidos pelas 
pessoas. 
Tornando-se Simples: 
Nos EUA, a probabilidade de a nova geração se tornar cristã é de apenas 
4%. McDonalds é mais influente que as igrejas, cada vez mais estagnadas 
espiritualmente e decrescendo numericamente. Quanto mais a igreja faz, 
menos diferença ela tem feito na sociedade. Uma das causas da perda da 
relevância é a sua complexidade. Diversas iniciativas apenas mascaram o fato 
de ela continuar no mesmo paradigma. É tempo de ação e menos discussão. É 
tempo de implantar processo simples de mover pessoas à transformação 
espiritual. 
Ser humano é resistente à mudança. Aproximadamente 600 mil 
americanos sofrem intervenção cirúrgica no coração. Esperava-se que essas 
pessoas mudassem radicalmente o hábito, largando fumo, mudando a dieta, 
reduzindo stress, etc. Entretanto, 90% deles não mudaram de hábito mesmo 
depois de dois anos da cirurgia. Ao invés de mudarem, eles escolhem morrer. 
Mudança é realmente difícil a eles. 
Da mesma forma, a maioria das igrejas prefere não mudar. 
Tragicamente, em muitas igrejas a dor da mudança é maior que a dor da 
inatividade. É difícil se tornar uma igreja simples. Em meio à rotina 
sobrecarregada, igrejas complexas não sabem COMO operar o processo 
de discipulado. 
Em Malaquias 1, Deus confronta os líderes e sacerdotes por oferecerem 
sacrifícios defeituosos a Deus. “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se 
eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito 
para comigo? – diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que 
desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? 
Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te 
havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. 
Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando 
trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal?... Tomara houvesse entre vós 
quem feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. 
Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei da vossa 
mão a oferta” (Ml 1:6-10) 
Os sacerdotes estavam apenas cumprindo o seu dever, desconsiderando 
que a Deus deve ser dado o melhor. Os sacerdotes não estavam chamando as 
pessoas a um padrão mais elevado. Na mente deles, tudo estava bem contanto 
que os sacrifícios fossem oferecidos, cumprindo com O QUE. Mas Deus se 
preocupa também com o COMO. Importa a Deus o COMO os sacerdotes O 
serviam. Os sacerdotes criaram a cultura da mediocridade e isso profanava o 
nome de Deus. Isso violava o Seu caráter, que é sobremodo excelente. 
Muitos pastores compartilham da sua frustração. Sentem a necessidade 
de tornar a igreja simples. Para haver mudança, são necessários quatro passos 
consistentes. 
Passo 1 – Projetar um Processo Simples (Clareza) – Explore inicialmente na 
sua mente como seria o processo de discipulado na sua igreja. Ainda não é o 
momento de abrir para a congregação. Aproveite essa fase para causar 
incômodo na sua igreja. Mostre que não há um processo de discipulado. Não 
tente desenhar a partir dos programas existentes. Comece com papel em 
branco. Abra a Bíblia. Permita que Deus inspire em você o tipo de discipulado 
que deve haver na sua igreja. Envolva outros líderes na discussão. Aperfeiçoe 
sua definição de discipulado. Quanto mais sucinto melhor. Então é o momento 
de pensar em COMO isto vai acontecer.Como vai ocorrer a transformação 
espiritual das pessoas. Coloque-os numa ordem seqüencial. Quanto mais claro 
for o processo de transformação espiritual às pessoas da sua igreja, mais fácil 
será a transição para o próximo passo. 
Passo 2 – Coloque seus programas chaves ao longo do processo (Movimento) 
– Uma vez desenhado o processo no papel, é hora de implantá-lo. Aqui a 
dificuldade aumenta. Escolha um programa abrangente para cada fase do seu 
processo simples. O propósito deve coincidir com a etapa. Ainda não é a hora 
de eliminar programas que não se encaixam. É hora de mudar o foco de alguns 
de seus programas. Aqui surgem as primeiras resistências à mudança. O 
primeiro programa deve ser o ponto de entrada. As demais devem elevar o 
nível de comprometimento. Deve haver uma lógica que movimente as pessoas 
pelas etapas. 
Passo 3 – Uma todos os ministérios ao redor do processo (Alinhamento) – É 
hora de ajustar o discurso e a filosofia dos departamentos. Deve haver grande 
envolvimento da liderança na discussão. Se eles estão tomando parte efetiva na 
elaboração, sua tarefa é desafiá-los a colocar em prática aquilo que eles 
concordam. 
Passo 4 – Comece a eliminar coisas fora do processo (Foco) – Aqui é que 
realmente a mudança começa a ser sentido. Pessoas se sentirão gratas por 
tomarem parte de um processo realmente significativo. Elas apreciam a 
simplicidade. Outros relutarão em abandonar certos programas. É necessário 
sabedoria para lidar com elas. Se você discute consistentemente o processo, 
elas terão interesse em discutir as alterações. Você tem que mostrar convicção 
no processo. Embora tornar-se simples seja difícil, ela compensa. A nova 
geração se beneficiará de um evangelho puro, isento de entulhos.

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