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Cidade Ano Campo Grande - MS 2021 LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS TENTATIVA DE SUICÍDIO Campo Grande - MS 2021 O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS TENTATIVA DE SUICÍDIO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Instituição Anhanguera Uniderp, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Psicologia. Orientador: Jonas Angelo Martins Ferreira. LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS TENTATIVA DE SUICÍDIO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Instituição Anhanguera Uniderp, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Psicologia. BANCA EXAMINADORA Prof(a). Ma. Giuliana Elisa dos Santos. Prof(a). Dra. Larissa Zatorre Almeida Lugo. Prof(a). Esp. Neusa Maria Sá Pessoa. Campo Grande, 08 de dezembro de 2021. Dedico este trabalho a minha amada mãe Izabel Cristina, um exemplo puro de coragem e determinação, que esteve comigo em todos os momentos, sempre me incentivando e me apoiando. AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus. Agradeço a minha mãe, que dedicou a vida aos meus estudos e de meus irmãos, onde nunca deixou nos faltar nada, para que pudéssemos apenas estudar. Ao meu irmão Teles (in memorian), que contribuiu para que pudesse descobrir minha vocação na psicologia. Ao meu irmão Jaspion, que teve bastante influencia na pessoa que sou hoje. Ao meu namorado e amigo Felipe, que sempre esteve presente durante toda minha caminhada acadêmica, contribuindo muito me ajudando nos estudos e nos estágios. Aos meus queridos colegas, Pedro, Eliane e Munira, que juntos criamos um grupo de estudo denominado “grupo do meu agrado”. “Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto”. Frida Kahlo OLIVEIRA, Looys Aparecida. O psicólogo no acolhimento de pacientes pós tentativa de suicídio. 2021. 00. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Instituição Anhanguera Uniderp, Campo Grande, 2021. RESUMO Trata-se de um trabalho de pesquisa bibliográfica, no qual mostra a importância do acolhimento psicológico a pacientes pós tentativa de suicídio e a importância da atuação do psicólogo em serviços de acolhimento, no qual é um campo amplo, porém que ainda se depara com preconceitos a respeito da profissão, a descrença de sua eficiência e as dificuldades que o profissional se depara. Tornado relevante a discussão teórica sobre a vivência do psicólogo como parte indispensável da equipe multidisciplinar em órgãos que prestam serviço da saúde, a importância do acolhimento psicológico de pacientes pós tentativas de suicídio, e como o profissional da psicologia lidam com esses pacientes na pratica. Demonstrando assim como os profissionais da psicologia no contexto multidisciplinar têm contribuído para a concretização do acolhimento e criado condições sociais e emocionais, não só para o usuário como também para o profissional da saúde, suficientes para o desenvolvimento das temáticas inseridas no processo de acolhimento e promoção da saúde. Palavras-chave: Tentativa de suicídio 1. Acolhimento Psicológico 2. equipe multidisciplinar 3. OLIVEIRA, Looys Aparecida. O psicólogo no acolhimento de pacientes pós tentativa de suicídio. 2021. 00. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Instituição Anhanguera Uniderp, Campo Grande, 2021. ABSTRACT This is a bibliographical research work, which shows the importance of psychological care for patients after a suicide attempt and the importance of the role of the psychologist in care services, in which it is a broad field, but which still faces prejudices about the profession, the disbelief of its efficiency and the difficulties that the professional might faces. The theoretical discussion on the psychologist's experience as an indispensable part of the multidisciplinary team in agencies that provide health services, the importance of psychological care for patients after suicide attempts, and how the professional of psychology deal with these patients in practice became relevant. This demonstrates how psychology professionals in the multidisciplinary context have contributed to the realization of the embracement and created social and emotional conditions, not only for the user but also for the health professional, sufficient for the development of the themes inserted in the embracement and promotion process of health. Keywords: Suicide attempt 1. Psychological Reception 2. multidisciplinary team 3. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas OMS Organização Mundial da Saúde SAPSI Serviço de Atenção Psicológica SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 6 2. SUICIDIO ............................................................................................................. 8 2.1 ENTENDER A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO A PACIENTES PÓS TENTATIVAS DE SUICÍDIO .......................................................................................................................................................... 8 2.2 O DESCASO DA FAMILIA ...................................................................................................................... 9 2.3 O PRIMEIRO CONTATO .......................................................................................................................10 3. PSIOLOGO COMO PARTE DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR........................ 11 3.1 A RELAÇÃO ENTRE OS PROFICIONAIS QUE COMPOE A EQUIPE .....................................................................12 4. TERAPEUTA E PACIENTE .................................................................................. 14 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 17 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 18 6 1. INTRODUÇÃO Todos os dias, ao redor do mundo podemos encontrar casos de pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram o ato sem sucesso. Seja qual for o motivo pelo qual desencadeou esse gatilho, é muito importante o acolhimento e suporte emocional a essa pessoa. Esse tipo de situação deve ser levado a sério, sendo assim, o mais preparado na circunstância em que envolve intenção do indivíduo em cometer autolesão, seria um profissional de saúde mental, mais especificamente o psicólogo. O profissional da psicologia é o mais capacitado para lidar com situações onde o paciente se encontra precisando de ajuda emocional, onde ele exerce a função de acolher, dar suporte emocional, fazer a ponte entre o paciente e os envolvidos, como a família e/ou equipe de atendimento medica que muitas vezes não entende os motivos ou não dão a devida importância a situação emocional do indivíduo. Tudo isso de forma humanizada e empática. Compreender todas as complexidades do ser humano está em consonância com o papel do psicólogo, fazendo dele uma peça fundamental para amparar os casos de ideação ou tentativa de suicídio. Inserir o psicólogo em qualquer instituiçãofazendo com que, necessitados de apoio emocional tenha fácil acesso a escuta terapêutica, contribui com que ele possa promover medidas que evitem o comportamento suicida e tragam uma melhor qualidade de vida. A inserção do psicólogo tira também a responsabilidade de outro profissional da saúde de fazer esse acolhimento sem preparo. O objetivo geral dessa pesquisa é compreender a importância do psicólogo para acolhimento de pessoas que tentaram suicídio. Os objetivos específicos são, entender a importância do acolhimento psicológico a pacientes pós tentativas de suicídio, conceituar a atuação do psicólogo como parte da equipe em órgãos que prestam serviço da saúde e compreender como o profissional da psicologia lida com esses pacientes na pratica. Desse modo, o trabalho se propõe a fazer uma revisão bibliográfica como trajetória metodológica, reunindo informações acerca de tentativas de suicídio, acolhimento psicológico para paciente com ideação suicida e atuação do psicólogo. Foram realizadas consultas a internet, em site de busca, tais como: Google Acadêmico, Scielo, Pepsic dentre outros. Desta forma, também foi realizada pesquisa 7 em artigos científicos, a saber: e-books, livros impressos e livros online, bem como monografias, dissertações de mestrado, teses de doutorados, em um período de 2011 a 2021. A presente pesquisa está dividida em 3 capítulos. O Capítulo I aborda entender a importância do acolhimento. O Capítulo II discute a atuação do psicólogo e sua importância em estar inserido na equipe multidisciplinar. E o capítulo III compreende a atuação do psicólogo perante o paciente com a ideação suicida. 8 2. SUICIDIO O Ato deliberado de pôr fim a própria vida, fenômeno conhecido popularmente como suicídio, vem levando organizações em todo o mundo a buscar mecanismos que minimizem a ocorrência desse fenômeno e se propondo a solucionar esse problema. As taxas de suicídio ou a tentativa desse ato vem se mostrando um dos grandes problemas de saúde pública, sem considerar o aumento dos casos no último ano, causado pela pandemia do COVID-19. Em um relatório divulgado no site da Organização mundial da saúde (OMS), onde diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus apresentou que “Apesar do progresso, uma pessoa ainda morre a cada 40 segundos por suicídio”. Dando destaque também a importância da prevenção Adhanom Ghebreyesus ressalta que “Toda morte é uma tragédia para a família, amigos e colegas. No entanto, suicídios são evitáveis. Chamamos todos os países a incorporarem estratégias comprovadas de prevenção ao suicídio em seus programas nacionais de saúde e educação de maneira sustentável”. Em uma folha informativa divulgada no site da Organização Pan-America de Saúde (OPAS) apontou que a cada ano cerca de 800 mil pessoas põem fim em suas vidas. Em 2016 o suicídio foi a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, e a quantidade de indivíduos que tentaram o ato sem sucesso tem a estimativa de ser muito maior, sem colocar em conta os casos que não são notificados. Sendo assim, se fizer uma estimativa dos dados reais, esses números de casos podem até dobrar. 2.1 ENTENDER A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO A PACIENTES PÓS TENTATIVAS DE SUICÍDIO Acolhimento é um termo e uma pratica muito presente no processo terapêutico. palavra acolhimento está relacionado ao ato ou efeito de acolher, ele então vai ser uma postura e uma atitude receptiva, humanizada e empática. Esse processo vai estabelecer um vínculo com o indivíduo em vulnerabilidade, dando a oportunidade dessa pessoa expressar seu sofrimento e sua dor. Na verdade, ouvir é um dos princípios básicos do processo de atendimento psicológico. Ser ouvido por pessoas 9 que sabem o que você está passando permite que muitas pessoas expressem e expressem o que está torturando e causando desconforto. (SAPSI, 2021). O transtorno psiquiátrico é um dos principais fatores de riscos para o suicídio. A depressão é a mais comum e a mais conhecida entre elas, mas outras doenças como esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade, abuso de álcool e drogas. Quanto maior o grau do transtorno, maior será a ideação suicida no indivíduo, levando-o acreditar que acabando com sua vida eliminara o sofrimento causado pelo transtorno. Nesses casos o acolhimento psicológico deve ser executado para cessar quaisquer comportamentos que possa levar o indivíduo por sua vida em risco. O acolhimento deve ser real, a conexão com o indivíduo não pode ser mecânica, para que possa ser compreendido de fato o sofrimento desse indivíduo e ele possa se sentir realmente acolhido. Como sugere o Serviço de Atenção Psicológica (SAPSI): O acolhimento psicológico é um tipo de intervenção psicológica que acolhe a pessoa no exato momento de sua urgência, compreendendo seu sofrimento e ajudando-a a lidar com seus recursos e limites. Desta forma, o objetivo é prestar atendimento emergencial à demanda, acompanhando a pessoa em busca do sentido de existência por meio da compreensão de seu sofrimento. (SAPSI, 2021). Quando uma pessoa se encontra de certa forma vulnerável, seja ela física ou mental, em muitos casos esses indivíduos com a ideação suicida não buscam ajuda, ou quando isso ocorre é de forma velada. Sendo assim, cabe as pessoas ao redor fazer com que esse indivíduo busque ajuda especializada, exemplo essa de atitude que pode contribuir para a melhora e bem estar desse indivíduo em situação de vulnerabilidade emocional e/ou física. Características essas encontradas em pacientes pós tentativa de suicídio. (FREITAS; BORGES, 2017). 2.2 O DESCASO DA FAMILIA Quando ocorre de o paciente não ter sucesso no atentado a própria vida, a situação muita das vezes é vista com descaso pelos familiares, com o famoso termo pejorativo “para chamar atenção” ou “quem quer se matar não avisa”, o que não é verídico. Em sua grande maioria, pacientes com ideação suicida dá indícios de sua vontade em acabar com seu sofrimento. Segundo (VIDAL;CONTIJO, 2013, p. 109) 10 “. . . toda ameaça de uma pessoa em situação de vulnerabilidade para o suicídio deve ser levada a sério, mesmo quando pareça falsa ou de caráter manipulador” Contudo, nem sempre o acolhimento a esse paciente é feito de imediato, devido a gravidade dos ferimentos auto infligidos na tentativa de pôr fim a própria vida. Sendo assim, ele é encaminhado primeiramente a algum órgão de saúde para avaliação de seu estado físico. Só após essa avaliação física, que é solicitado um profissional de saúde mental a esse paciente para avaliação de seu estado emocional. E apesar dessa solicitação ser feita com urgência, nem sempre a unidade de saúde conta com um profissional de saúde mental em plantão. (FREITAS;BORGES, 2017). 2.3 O PRIMEIRO CONTATO Durante esse primeiro contato com a equipe médica da unidade de saúde, observando o paciente com o risco mínimo de morte, devido ao método utilizado se demonstrar falho. Esse paciente acaba sendo recebido como “alguém que está ocupando o lugar de quem realmente precisa” ou a situação é vista também de forma pejorativa pelos profissionais da saúde, como “se quisesse morrer teria feito algo mais eficaz”. (FREITAS;BORGES, 2014). Ao ser recebido de forma hostil pela equipe médica, o paciente que já se encontra fragilizado pela situação ouvindo esses tipos de termos pejorativos pelos profissionais da saúde, contribuem para a piora emocional e reforçando assim a ideação suicida do paciente, fazendo com que possivelmente ele volte atentar contra si, aumentando o risco de sucesso. Segundo (VIDAL;CONTIJO, 2013, p. 109) “o modo como o profissional aborda o paciente pode influenciar como a pessoa responderá ao cuidado oferecido” Um estudo mostrou que é difícil para os profissionais que compõe a equipe medica identificar pacientes suicidas e prestarserviços de atendimento. O estudo ressalta que pelo menos 40% dos suicidas consultaram com um clinico geral no último mês, o que mostra a importância do treinamento para acolher esse paciente de uma forma mais correta e se atentar a quaisquer riscos que o paciente possa apresentar de dar continuidade no próprio ambiente de atendimento (RAMOS;FALCÃO, 2011). 11 3. PSIOLOGO COMO PARTE DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR A equipe multidisciplinar corresponde praticamente a um grupo de trabalho, que se compõe com uma formação variada de profissionais que atua em um mesmo ambiente, trabalhando no mesmo ambiente, porem a atuação é forma individual, com uma atuação fragmentada, porem com o intuito de chegar no mesmo objetivo em relação a melhora de um paciente. A seleção das especialidades e dos profissionais, varia de acordo com a demanda que o paciente traz. Devido a isso é importante que a equipe Multidisciplinar seja adaptada a cada paciente. (UNIMED, 2020). Para que o trabalho da equipe multidisciplinar funcione de maneira eficaz, é necessário que aja um excelente treinamento entre os profissionais que compõe a equipe. Em vista disso, as clinicas e hospitais estão investido cada vez mais em equipes permanentes, ou seja, um grupo de profissionais fixos. Assim, contribuindo para que relação entre esses profissionais sejam mais sincronizadas e de fácil comunicação, algo fundamental nesse trabalho. (UNIMED, 2020). Nem sempre os serviços do psicólogo são recebidos de bom grado pela equipe multidisciplinar ou até mesmo pelo próprio usuário, que não compreende o papel fundamental do profissional e a eficácia de seu trabalhando. Muitas vezes a profissão do psicólogo é tachada como “profissão que só atende louco”, assim dificultando a busca de ajuda do paciente com ideação suicida. Em relação a essa barreira e o preconceito criado em relação a essa área que é a saúde mental os autores destacam que: crescendo a cada dia e superando as dificuldades de se inserir nas equipes multidisciplinar. Apesar de fazer parte, em muitos casos, de equipes multidisciplinares, os psicólogos reclamam que muitas de suas opiniões clínicas sobre condições de pacientes não são respeitadas ou aceitas pelos outros componentes da equipe. Diante desse quadro, para que o psicólogo consiga se inserir legitimamente, precisa demonstrar a sua competência, habilidades e conhecimento na prática, ajudando a intervir nos casos que lhe são atribuídos (BORIE;ASSIS;LOPES; SANTINI, 2012). O psicólogo já se depara com vários limites institucionais em relação a sua pratica, fazendo com que ele se adequa a essas regras institucionais e suas dinâmicas diferenciadas, refletindo em sua atuação que acaba por ser limitada. Sendo esse ambiente diferente de seu consultório particular, onde o ambiente deve ser dividido com outros profissionais, é preciso preparo para lidar com as situações de dificuldades enfrentadas para que assim elas sejam contornadas de maneira mais 12 profissionalmente possível, utilizando de recurso técnicos que podem ser usados na instituição. (NUNES;ZANETTI, 2015, p. 187). Neste campo de ação, pretende-se promover e/ou restaurar a saúde física e mental dos destinatários. Em relação à cooperação com uma equipe multidisciplinar, o psicólogo tem a responsabilidade de participar da decisão sobre o comportamento que a equipe irá tomar, visando promover o apoio e a segurança do paciente e de seus familiares nas seguintes formas: Informações relacionadas à área de atuação, bem como suporte e gerenciamento de possíveis dificuldades operacionais e/ou subjetivas dos membros da equipe. (GAZOTTI&CURY, 2019). 3.1 A RELAÇÃO ENTRE OS PROFICIONAIS QUE COMPOE A EQUIPE Silva e santos (2012) em seu trabalho destacam um fator que deve ser considerado, podendo ocorrer entre a equipe multidisciplinar e assim prejudicando o bom desenvolvimento e tornando ineficaz a equipe é a disputa hierárquica, onde alguns profissionais apresenta uma autonomia técnica, fazendo com que seja levantando uma situação de poder e superioridade, criando assim autoridades desiguais entre os profissionais. com isso os autores destacam: A articulação das ações visa alinhar as diversas formas de executar o trabalho, próprio de cada especialidade, uma vez que cada uma delas tem suas especificações, atuações e seus saberes. Ainda baseado no conceito de equipe trazido por Peduzzi (1998) quanto à interação dos agentes, ela ressalta que esse conceito vai além da conexão dos saberes e de conhecimentos trazidos por cada membro, a autora pressupõe uma forma de comunicar-se na qual a equipe agregue valores e interesses (SILVIA;SANTOS, p.157, 2012). Para que o psicólogo trabalhe em hospitais, outros profissionais devem compreender seu papel para que seu trabalho possa ser realizado de forma eficiente. No entanto, a falta de conhecimento profissional da atuação psicológica não se limita à formação hospitalar, mas a toda a ciência da psicologia, a incompreensão do papel do psicólogo hospitalar e das exigências deste. Isso às vezes reduz a influência da presença do psicólogo, fazendo com que ele aja de acordo com as expectativas dos outros membros da equipe. (MORAIS;CASTRO;SOUZA, 2012). Uma de suas maiores dificuldades é o setting terapêutico, que em muitos casos são na própria sala de enfermaria, onde contém outros pacientes e outros profissionais da saúde, fazendo com que o sigilo terapêutico não se restrinja apenas ao paciente e 13 o terapeuta. De acordo com (ZANA&KOVACS, 2013) Em uma relação psicoterapêutica, a confidencialidade é essencial, pois a confidencialidade permite ao paciente falar sobre sua intimidade com segurança para garantir que seja respeitado e protegido na manutenção do sigilo. Em alguns casos, o sigilo é extinguido, assim ocorre quando se trata de suicídio. O psicólogo é uma peça fundamental não só para o paciente que se encontra nessa situação de vulnerabilidade, mas também como uma ponte de certa forma tradutora entre o paciente e a equipe medica minimizando qualquer atrito que possa ocorrer, como também aos familiares, que dependendo da situação de preocupação que esses familiares se encontram é necessário também que uma escuta seja feita com os mesmos (SALDANHA;ROSA;CRUZ, 2013). Esse momento de diálogo que o psicólogo executa com a família e a equipe de saúde, é essencial para que aja uma compreensão dessa dor psíquica desse paciente que acaba de tentar tirar a própria vida, mostrar o quão real é essa dor e até mesmo para a família criar uma atenção ao risco de novas tentativas, caso esse sofrimento não seja trabalhado de forma adequada. Algo que na pratica nem sempre ocorre, já que muitas vezes esses pacientes são liberados sem passar por uma avaliação de um profissional da saúde mental ou qualquer outro tipo de encaminhamento. (Vidal & Gontijo, 2013) O trabalho coletivo do psicólogo junto a equipe multidisciplinar, faz com que a compreensão da queixa desse paciente com ideação seja recebida de forma mais humanizada, tornando assim o ambiente de saúde mais humanizado, contribuindo para que seja possível a pratica preventiva e de tratamento (GAZOTTI&CORRY, 2019). Assim o acolhimento a esse paciente tornasse algo elaborado além do psicólogo, e o paciente possa se sentir acolhido por toda a equipe pela qual possa atende-lo. 14 4. TERAPEUTA E PACIENTE Quando o contexto é de um indivíduo que quis pôr fim a sua vida, é preciso uma forte atenção em cima dessa situação, uma escuta atenciosa e um acolhimento regado de empatia para a compreensão dos fatos. Isso é importante para poder cessar qualquer pensamento que indivíduo possa ter em dar continuidade ao que começou e com a finalidade de que esse acolhimento contribua para que o paciente aceite e de continuidade ao tratamento se assim for necessário (FREITA;BORGES, 2017). Emcaso de agitação, o profissional tende acalmar esse paciente de forma acolhedora e se disponibilizando a esse paciente de forma com que ele se sinta seguro em expor sua fragilidade. para assim iniciar a escuta de forma qualificada. Essa escuta serve como um instrumento na qual o paciente possa explicar o seu sofrimento e/ou os motivos que o levou a tentar de autoextermínio. Com isso, podemos atentar-se ao fato de que: O motivo ou motivos que levam alguém ao suicídio formam-se ao longo da sua história e se revelam nos sentidos e modos de ser que constituem a sua existência. Por isso esse fenômeno não escolhe idade, classe social, gênero ou nacionalidade (DUTRA,2011, P.153). O profissional psicólogo deve trabalhar nas diretrizes do código de ética que abrange a sua profissão. O principal ponto e a também é a base de todo atendimento psicológico é o Sigilo terapêutico, referidos no Código de Ética como os artigos, 6°, 9° e 10°. O sigilo terapêutico tem como proposito o paciente, informações e fatos relatados durante o atendimento, tornando assim obrigatoriedade do psicólogo a confidencialidade. Se caso ocorra de informar a respeito do atendimento algum membro da família responsável, como ocorre nos casos de tentativa de suicídio, deve ser oferecida apenas informações necessárias. (ZANA&KOVACS, 2013) Após a escuta, observa atentamente a gravidade dos fatos que ocorreram, observando o grau de estado mental desse paciente, o terapeuta segue fazendo uma coleta de informações sobre a ocorrência dos fatos, através dos familiares, busca as características desse paciente que sejam mais esclarecedoras sobre seu comportamento e se esse fato já ocorreu antes. Tendo em vista todas as informações coletadas a psicóloga observa se há a necessidade da realização de encaminhamento para a início ao processo psicoterapêutico. Em sua grande maioria o encaminhamento é fundamental (DAUDT et al., 2014). 15 Silva (2020) ressalta que não se deve tratar o atendido como “paciente suicida”, o paciente deve ser observado em sua totalidade e não reduzido a sua atual condição, ignorando os demais aspectos de sua vida. Dito isso, o termo no qual o mais adequando seria “paciente com comportamento suicida”. Outro aspecto importante a ser destacado é a importância da presença da família no tratamento do paciente com comportamento suicida. Não apenas com cuidados, mas também para receber assistência terapêutica já que os familiares também são afetados nessa situação. O suicídio deve ser observado como um pedido de ajuda, a pessoa que comete tal ato não deseja a morte de forma real, mas sim a morte de sua dor, a morte de seu sofrimento, para que ela possa ter uma nova vida. O suicídio também não teve ser ligado ao fato simplista, como por exemplo o rompimento de uma relação. Ele é resultado de diversos fatores, parte deles inconsciente. Pode estar relacionado até mesmo com a infância. (ZANA&KOVACS, 2013) Em casos mais severos, onde o nível de letalidade é considerado alta, tendo em vista e a possibilidade de voltar a cometer o suicídio, é sugerido ao paciente uma internação voluntaria para tratamento, em caso de negação a todas as tentativas de convencimento, é necessário ajuda da família para uma internação involuntária, onde a família busque a interdição desse paciente alegando que o mesmo esteja atentando contra a própria vida. Independente da gravidade apresentada, o paciente deverá receber apoio emocional. (DAUDT et al., 2014). Em um potencial evidente de suicídio é necessário internação ou um acompanhante integral, do qual não possibilita em momento algum que esse paciente fique sozinho. O profissional também poderá buscar ampliar a equipe de apoio para esse paciente. Introduzindo apoio familiar e trabalhando de forma multidisciplinar em conjunto com psiquiatras. O psicólogo também deve estar atento a sinais sutis que o paciente pode estar evidenciando, caso não aja essa atenção o paciente pode pegar a equipe de surpresa tentando suicídio no próprio local de atendimento, com isso o psicólogo poderá responder por negligência e má atuação da pratica profissional. (ZANA&KOVACS, 2013) Segundo os autores Vidal e Gontijo (2013) após uma tentativa de suicídio a intervenção precoce afeta de maneira essencial, já que nos primeiros meses a chance de ocorrer novas tentativas é alta. Contudo a adesão ao tratamento psicológico em relação a paciente com comportamento suicida é baixa. Seguindo a pesquisa do autor, 16 os resultados apresentados evidenciam que 60% dos indivíduos que não dão continuidade ao tratamento após a alto do serviço de emergência. O acolhimento também é uma forma de prevenção ao suicídio, mesmo após uma tentativa. O acolhimento é algo muito importante para o indivíduo que vivencia o sofrimento psíquico, fazendo com que aja a promoção da vida. A criação de um vinculo a partir da escuta também contribui para a melhora desse paciente, pois ele precisa de alguém em quem confiar. Assim o psicólogo promove uma atuação, onde o paciente possa sentir uma segurança e tranquilidade, fazendo com que o paciente se sinta à vontade em conversar sobre seus sentimentos e conflitos. (ZANA&KOVACS, 2013). 17 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pessoas vulneráveis e/ou desestabilizadas mentalmente, que num ato de desespero de sessar sua dor, acabam pelo ato autolesivo. É importante tratar das causas específicas básicas que levam uma pessoa a se matar e a desenvolver planos de ação adequados ao cenário brasileiro e à saúde pública. Em situações de emergência, o tratamento de pacientes com transtornos mentais, principalmente daqueles que tentam suicídio, deve ser seguro, oportuno e de qualidade, pois esse comportamento é um fator decisivo para o paciente aceitar e persistir no tratamento. O acolhimento é um método cuja a capacidade pode colaborar com a melhora do sistema de saúde, possibilitando aos usuários um atendimento justo e integral de caráter multidisciplinar e intersetorial. O feedback do usuário em relação ao atendimento, facilitaria a melhorar a experiência positiva, avaliando também o profissional em pratica, se eles estão tendo um bom desempenho contribuindo para a satisfação do usuário, e entender que isso é fundamental para a melhoria do serviço prestado. Profissionais de saúde, especialmente aqueles que trabalham em departamentos de emergência, muitas vezes lidam com pessoas em situações de crise e tentativas de suicídio. No entanto, esses profissionais, principalmente os médicos, não estão totalmente preparados para atender pacientes suicidas, o que pode gerar reações negativas prejudicando o processo de tratamento. isso demonstra o quanto é fundamental a inserção do trabalho do psicólogo nesse primeiro contato, tanto no acolhimento quanto para a capacitação dos outros profissionais na ausência de um psicólogo. 18 REFERÊNCIAS BORINE B.; Assis C. L.; Lopes M. S.; Santini T. O. Rev. SBPH vol.15 no.1 Rio de Janeiro jun. 2012. Estresse hospitalar em equipe multidisciplinar de hospital público do interior de Rondônia. Disponivel em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516- 08582012000100003 BRASIL. Organização Mundial da Saúde. Organização Pan-Americana de Saúde. Folha Informativa – Suicídio. 2018. 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