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Cidade 
Ano 
 
 
Campo Grande - MS 
2021 
 
LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS 
TENTATIVA DE SUICÍDIO 
 
 
 
Campo Grande - MS 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS 
TENTATIVA DE SUICÍDIO 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Instituição Anhanguera Uniderp, como requisito 
parcial para a obtenção do título de graduado 
em Psicologia. 
Orientador: Jonas Angelo Martins Ferreira. 
 
 
 
LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LOOYS APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES 
 
 
O PSICÓLOGO NO ACOLHIMENTO DE PACIENTES PÓS 
TENTATIVA DE SUICÍDIO 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Instituição Anhanguera Uniderp, como requisito 
parcial para a obtenção do título de graduado 
em Psicologia. 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
Prof(a). Ma. Giuliana Elisa dos Santos. 
 
 
Prof(a). Dra. Larissa Zatorre Almeida Lugo. 
 
 
Prof(a). Esp. Neusa Maria Sá Pessoa. 
 
 
Campo Grande, 08 de dezembro de 2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho a minha amada mãe 
Izabel Cristina, um exemplo puro de 
coragem e determinação, que esteve 
comigo em todos os momentos, sempre 
me incentivando e me apoiando. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 Agradeço, primeiramente, a Deus. 
 Agradeço a minha mãe, que dedicou a vida aos meus estudos e de meus 
irmãos, onde nunca deixou nos faltar nada, para que pudéssemos apenas estudar. 
 Ao meu irmão Teles (in memorian), que contribuiu para que pudesse descobrir 
minha vocação na psicologia. 
 Ao meu irmão Jaspion, que teve bastante influencia na pessoa que sou hoje. 
 Ao meu namorado e amigo Felipe, que sempre esteve presente durante toda 
minha caminhada acadêmica, contribuindo muito me ajudando nos estudos e nos 
estágios. 
 Aos meus queridos colegas, Pedro, Eliane e Munira, que juntos criamos um 
grupo de estudo denominado “grupo do meu agrado”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, 
mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra 
e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto”. 
Frida Kahlo 
 
 
OLIVEIRA, Looys Aparecida. O psicólogo no acolhimento de pacientes pós 
tentativa de suicídio. 2021. 00. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em 
Psicologia) – Instituição Anhanguera Uniderp, Campo Grande, 2021. 
 
RESUMO 
 
Trata-se de um trabalho de pesquisa bibliográfica, no qual mostra a importância do 
acolhimento psicológico a pacientes pós tentativa de suicídio e a importância da 
atuação do psicólogo em serviços de acolhimento, no qual é um campo amplo, porém 
que ainda se depara com preconceitos a respeito da profissão, a descrença de sua 
eficiência e as dificuldades que o profissional se depara. Tornado relevante a 
discussão teórica sobre a vivência do psicólogo como parte indispensável da equipe 
multidisciplinar em órgãos que prestam serviço da saúde, a importância do 
acolhimento psicológico de pacientes pós tentativas de suicídio, e como o profissional 
da psicologia lidam com esses pacientes na pratica. Demonstrando assim como os 
profissionais da psicologia no contexto multidisciplinar têm contribuído para a 
concretização do acolhimento e criado condições sociais e emocionais, não só para o 
usuário como também para o profissional da saúde, suficientes para o 
desenvolvimento das temáticas inseridas no processo de acolhimento e promoção da 
saúde. 
 
Palavras-chave: Tentativa de suicídio 1. Acolhimento Psicológico 2. equipe 
multidisciplinar 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OLIVEIRA, Looys Aparecida. O psicólogo no acolhimento de pacientes pós 
tentativa de suicídio. 2021. 00. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em 
Psicologia) – Instituição Anhanguera Uniderp, Campo Grande, 2021. 
 
ABSTRACT 
This is a bibliographical research work, which shows the importance of psychological 
care for patients after a suicide attempt and the importance of the role of the 
psychologist in care services, in which it is a broad field, but which still faces prejudices 
about the profession, the disbelief of its efficiency and the difficulties that the 
professional might faces. The theoretical discussion on the psychologist's experience 
as an indispensable part of the multidisciplinary team in agencies that provide health 
services, the importance of psychological care for patients after suicide attempts, and 
how the professional of psychology deal with these patients in practice became 
relevant. This demonstrates how psychology professionals in the multidisciplinary 
context have contributed to the realization of the embracement and created social and 
emotional conditions, not only for the user but also for the health professional, sufficient 
for the development of the themes inserted in the embracement and promotion process 
of health. 
 
Keywords: Suicide attempt 1. Psychological Reception 2. multidisciplinary team 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas 
OMS Organização Mundial da Saúde 
SAPSI Serviço de Atenção Psicológica 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 6 
2. SUICIDIO ............................................................................................................. 8 
2.1 ENTENDER A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO A PACIENTES PÓS TENTATIVAS DE 
SUICÍDIO .......................................................................................................................................................... 8 
2.2 O DESCASO DA FAMILIA ...................................................................................................................... 9 
2.3 O PRIMEIRO CONTATO .......................................................................................................................10 
3. PSIOLOGO COMO PARTE DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR........................ 11 
3.1 A RELAÇÃO ENTRE OS PROFICIONAIS QUE COMPOE A EQUIPE .....................................................................12 
4. TERAPEUTA E PACIENTE .................................................................................. 14 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 17 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 18 
 
6 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Todos os dias, ao redor do mundo podemos encontrar casos de pessoas que 
tiraram a própria vida ou tentaram o ato sem sucesso. Seja qual for o motivo pelo qual 
desencadeou esse gatilho, é muito importante o acolhimento e suporte emocional a 
essa pessoa. Esse tipo de situação deve ser levado a sério, sendo assim, o mais 
preparado na circunstância em que envolve intenção do indivíduo em cometer 
autolesão, seria um profissional de saúde mental, mais especificamente o psicólogo. 
O profissional da psicologia é o mais capacitado para lidar com situações onde 
o paciente se encontra precisando de ajuda emocional, onde ele exerce a função de 
acolher, dar suporte emocional, fazer a ponte entre o paciente e os envolvidos, como 
a família e/ou equipe de atendimento medica que muitas vezes não entende os 
motivos ou não dão a devida importância a situação emocional do indivíduo. Tudo isso 
de forma humanizada e empática. 
Compreender todas as complexidades do ser humano está em consonância 
com o papel do psicólogo, fazendo dele uma peça fundamental para amparar os casos 
de ideação ou tentativa de suicídio. Inserir o psicólogo em qualquer instituiçãofazendo 
com que, necessitados de apoio emocional tenha fácil acesso a escuta terapêutica, 
contribui com que ele possa promover medidas que evitem o comportamento suicida 
e tragam uma melhor qualidade de vida. A inserção do psicólogo tira também a 
responsabilidade de outro profissional da saúde de fazer esse acolhimento sem 
preparo. 
O objetivo geral dessa pesquisa é compreender a importância do psicólogo 
para acolhimento de pessoas que tentaram suicídio. Os objetivos específicos são, 
entender a importância do acolhimento psicológico a pacientes pós tentativas de 
suicídio, conceituar a atuação do psicólogo como parte da equipe em órgãos que 
prestam serviço da saúde e compreender como o profissional da psicologia lida com 
esses pacientes na pratica. 
Desse modo, o trabalho se propõe a fazer uma revisão bibliográfica como 
trajetória metodológica, reunindo informações acerca de tentativas de suicídio, 
acolhimento psicológico para paciente com ideação suicida e atuação do psicólogo. 
Foram realizadas consultas a internet, em site de busca, tais como: Google 
Acadêmico, Scielo, Pepsic dentre outros. Desta forma, também foi realizada pesquisa 
7 
 
em artigos científicos, a saber: e-books, livros impressos e livros online, bem como 
monografias, dissertações de mestrado, teses de doutorados, em um período de 2011 
a 2021. 
A presente pesquisa está dividida em 3 capítulos. O Capítulo I aborda entender 
a importância do acolhimento. O Capítulo II discute a atuação do psicólogo e sua 
importância em estar inserido na equipe multidisciplinar. E o capítulo III compreende 
a atuação do psicólogo perante o paciente com a ideação suicida. 
 
8 
 
2. SUICIDIO 
 
O Ato deliberado de pôr fim a própria vida, fenômeno conhecido popularmente 
como suicídio, vem levando organizações em todo o mundo a buscar mecanismos 
que minimizem a ocorrência desse fenômeno e se propondo a solucionar esse 
problema. As taxas de suicídio ou a tentativa desse ato vem se mostrando um dos 
grandes problemas de saúde pública, sem considerar o aumento dos casos no último 
ano, causado pela pandemia do COVID-19. 
Em um relatório divulgado no site da Organização mundial da saúde (OMS), 
onde diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus apresentou que “Apesar do 
progresso, uma pessoa ainda morre a cada 40 segundos por suicídio”. Dando 
destaque também a importância da prevenção Adhanom Ghebreyesus ressalta que 
“Toda morte é uma tragédia para a família, amigos e colegas. No entanto, suicídios 
são evitáveis. Chamamos todos os países a incorporarem estratégias comprovadas 
de prevenção ao suicídio em seus programas nacionais de saúde e educação de 
maneira sustentável”. 
 Em uma folha informativa divulgada no site da Organização Pan-America de 
Saúde (OPAS) apontou que a cada ano cerca de 800 mil pessoas põem fim em suas 
vidas. Em 2016 o suicídio foi a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, 
e a quantidade de indivíduos que tentaram o ato sem sucesso tem a estimativa de ser 
muito maior, sem colocar em conta os casos que não são notificados. Sendo assim, 
se fizer uma estimativa dos dados reais, esses números de casos podem até dobrar. 
 
2.1 ENTENDER A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO A 
PACIENTES PÓS TENTATIVAS DE SUICÍDIO 
Acolhimento é um termo e uma pratica muito presente no processo terapêutico. 
palavra acolhimento está relacionado ao ato ou efeito de acolher, ele então vai ser 
uma postura e uma atitude receptiva, humanizada e empática. Esse processo vai 
estabelecer um vínculo com o indivíduo em vulnerabilidade, dando a oportunidade 
dessa pessoa expressar seu sofrimento e sua dor. Na verdade, ouvir é um dos 
princípios básicos do processo de atendimento psicológico. Ser ouvido por pessoas 
9 
 
que sabem o que você está passando permite que muitas pessoas expressem e 
expressem o que está torturando e causando desconforto. (SAPSI, 2021). 
 
O transtorno psiquiátrico é um dos principais fatores de riscos para o suicídio. A 
depressão é a mais comum e a mais conhecida entre elas, mas outras doenças como 
esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade, abuso de álcool e 
drogas. Quanto maior o grau do transtorno, maior será a ideação suicida no indivíduo, 
levando-o acreditar que acabando com sua vida eliminara o sofrimento causado pelo 
transtorno. Nesses casos o acolhimento psicológico deve ser executado para cessar 
quaisquer comportamentos que possa levar o indivíduo por sua vida em risco. 
O acolhimento deve ser real, a conexão com o indivíduo não pode ser mecânica, 
para que possa ser compreendido de fato o sofrimento desse indivíduo e ele possa se 
sentir realmente acolhido. Como sugere o Serviço de Atenção Psicológica (SAPSI): 
 
O acolhimento psicológico é um tipo de intervenção psicológica que acolhe a 
pessoa no exato momento de sua urgência, compreendendo seu sofrimento 
e ajudando-a a lidar com seus recursos e limites. Desta forma, o objetivo é 
prestar atendimento emergencial à demanda, acompanhando a pessoa em 
busca do sentido de existência por meio da compreensão de seu sofrimento. 
(SAPSI, 2021). 
 
Quando uma pessoa se encontra de certa forma vulnerável, seja ela física ou 
mental, em muitos casos esses indivíduos com a ideação suicida não buscam ajuda, 
ou quando isso ocorre é de forma velada. Sendo assim, cabe as pessoas ao redor 
fazer com que esse indivíduo busque ajuda especializada, exemplo essa de atitude 
que pode contribuir para a melhora e bem estar desse indivíduo em situação de 
vulnerabilidade emocional e/ou física. Características essas encontradas em 
pacientes pós tentativa de suicídio. (FREITAS; BORGES, 2017). 
 
2.2 O DESCASO DA FAMILIA 
Quando ocorre de o paciente não ter sucesso no atentado a própria vida, a 
situação muita das vezes é vista com descaso pelos familiares, com o famoso termo 
pejorativo “para chamar atenção” ou “quem quer se matar não avisa”, o que não é 
verídico. Em sua grande maioria, pacientes com ideação suicida dá indícios de sua 
vontade em acabar com seu sofrimento. Segundo (VIDAL;CONTIJO, 2013, p. 109) 
10 
 
“. . . toda ameaça de uma pessoa em situação de vulnerabilidade para o suicídio deve 
ser levada a sério, mesmo quando pareça falsa ou de caráter manipulador” 
Contudo, nem sempre o acolhimento a esse paciente é feito de imediato, devido 
a gravidade dos ferimentos auto infligidos na tentativa de pôr fim a própria vida. Sendo 
assim, ele é encaminhado primeiramente a algum órgão de saúde para avaliação de 
seu estado físico. Só após essa avaliação física, que é solicitado um profissional de 
saúde mental a esse paciente para avaliação de seu estado emocional. E apesar 
dessa solicitação ser feita com urgência, nem sempre a unidade de saúde conta com 
um profissional de saúde mental em plantão. (FREITAS;BORGES, 2017). 
2.3 O PRIMEIRO CONTATO 
Durante esse primeiro contato com a equipe médica da unidade de saúde, 
observando o paciente com o risco mínimo de morte, devido ao método utilizado se 
demonstrar falho. Esse paciente acaba sendo recebido como “alguém que está 
ocupando o lugar de quem realmente precisa” ou a situação é vista também de forma 
pejorativa pelos profissionais da saúde, como “se quisesse morrer teria feito algo mais 
eficaz”. (FREITAS;BORGES, 2014). 
Ao ser recebido de forma hostil pela equipe médica, o paciente que já se 
encontra fragilizado pela situação ouvindo esses tipos de termos pejorativos pelos 
profissionais da saúde, contribuem para a piora emocional e reforçando assim a 
ideação suicida do paciente, fazendo com que possivelmente ele volte atentar contra 
si, aumentando o risco de sucesso. Segundo (VIDAL;CONTIJO, 2013, p. 109) “o modo 
como o profissional aborda o paciente pode influenciar como a pessoa responderá ao 
cuidado oferecido” 
Um estudo mostrou que é difícil para os profissionais que compõe a equipe 
medica identificar pacientes suicidas e prestarserviços de atendimento. O estudo 
ressalta que pelo menos 40% dos suicidas consultaram com um clinico geral no último 
mês, o que mostra a importância do treinamento para acolher esse paciente de uma 
forma mais correta e se atentar a quaisquer riscos que o paciente possa apresentar 
de dar continuidade no próprio ambiente de atendimento (RAMOS;FALCÃO, 2011). 
 
11 
 
3. PSIOLOGO COMO PARTE DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR 
 
A equipe multidisciplinar corresponde praticamente a um grupo de trabalho, que 
se compõe com uma formação variada de profissionais que atua em um mesmo 
ambiente, trabalhando no mesmo ambiente, porem a atuação é forma individual, com 
uma atuação fragmentada, porem com o intuito de chegar no mesmo objetivo em 
relação a melhora de um paciente. A seleção das especialidades e dos profissionais, 
varia de acordo com a demanda que o paciente traz. Devido a isso é importante que 
a equipe Multidisciplinar seja adaptada a cada paciente. (UNIMED, 2020). 
Para que o trabalho da equipe multidisciplinar funcione de maneira eficaz, é 
necessário que aja um excelente treinamento entre os profissionais que compõe a 
equipe. Em vista disso, as clinicas e hospitais estão investido cada vez mais em 
equipes permanentes, ou seja, um grupo de profissionais fixos. Assim, contribuindo 
para que relação entre esses profissionais sejam mais sincronizadas e de fácil 
comunicação, algo fundamental nesse trabalho. (UNIMED, 2020). 
Nem sempre os serviços do psicólogo são recebidos de bom grado pela equipe 
multidisciplinar ou até mesmo pelo próprio usuário, que não compreende o papel 
fundamental do profissional e a eficácia de seu trabalhando. Muitas vezes a profissão 
do psicólogo é tachada como “profissão que só atende louco”, assim dificultando a 
busca de ajuda do paciente com ideação suicida. Em relação a essa barreira e o 
preconceito criado em relação a essa área que é a saúde mental os autores destacam 
que: 
crescendo a cada dia e superando as dificuldades de se inserir nas equipes 
multidisciplinar. Apesar de fazer parte, em muitos casos, de equipes 
multidisciplinares, os psicólogos reclamam que muitas de suas opiniões 
clínicas sobre condições de pacientes não são respeitadas ou aceitas pelos 
outros componentes da equipe. Diante desse quadro, para que o psicólogo 
consiga se inserir legitimamente, precisa demonstrar a sua competência, 
habilidades e conhecimento na prática, ajudando a intervir nos casos que lhe 
são atribuídos (BORIE;ASSIS;LOPES; SANTINI, 2012). 
 
 O psicólogo já se depara com vários limites institucionais em relação a sua 
pratica, fazendo com que ele se adequa a essas regras institucionais e suas dinâmicas 
diferenciadas, refletindo em sua atuação que acaba por ser limitada. Sendo esse 
ambiente diferente de seu consultório particular, onde o ambiente deve ser dividido 
com outros profissionais, é preciso preparo para lidar com as situações de dificuldades 
enfrentadas para que assim elas sejam contornadas de maneira mais 
12 
 
profissionalmente possível, utilizando de recurso técnicos que podem ser usados na 
instituição. (NUNES;ZANETTI, 2015, p. 187). 
Neste campo de ação, pretende-se promover e/ou restaurar a saúde física e 
mental dos destinatários. Em relação à cooperação com uma equipe multidisciplinar, 
o psicólogo tem a responsabilidade de participar da decisão sobre o comportamento 
que a equipe irá tomar, visando promover o apoio e a segurança do paciente e de 
seus familiares nas seguintes formas: Informações relacionadas à área de atuação, 
bem como suporte e gerenciamento de possíveis dificuldades operacionais e/ou 
subjetivas dos membros da equipe. (GAZOTTI&CURY, 2019). 
3.1 A RELAÇÃO ENTRE OS PROFICIONAIS QUE COMPOE A EQUIPE 
Silva e santos (2012) em seu trabalho destacam um fator que deve ser 
considerado, podendo ocorrer entre a equipe multidisciplinar e assim prejudicando o 
bom desenvolvimento e tornando ineficaz a equipe é a disputa hierárquica, onde 
alguns profissionais apresenta uma autonomia técnica, fazendo com que seja 
levantando uma situação de poder e superioridade, criando assim autoridades 
desiguais entre os profissionais. com isso os autores destacam: 
A articulação das ações visa alinhar as diversas formas de executar o 
trabalho, próprio de cada especialidade, uma vez que cada uma delas tem 
suas especificações, atuações e seus saberes. Ainda baseado no conceito 
de equipe trazido por Peduzzi (1998) quanto à interação dos agentes, ela 
ressalta que esse conceito vai além da conexão dos saberes e de 
conhecimentos trazidos por cada membro, a autora pressupõe uma forma de 
comunicar-se na qual a equipe agregue valores e interesses 
(SILVIA;SANTOS, p.157, 2012). 
 
Para que o psicólogo trabalhe em hospitais, outros profissionais devem 
compreender seu papel para que seu trabalho possa ser realizado de forma eficiente. 
No entanto, a falta de conhecimento profissional da atuação psicológica não se limita 
à formação hospitalar, mas a toda a ciência da psicologia, a incompreensão do papel 
do psicólogo hospitalar e das exigências deste. Isso às vezes reduz a influência da 
presença do psicólogo, fazendo com que ele aja de acordo com as expectativas dos 
outros membros da equipe. (MORAIS;CASTRO;SOUZA, 2012). 
Uma de suas maiores dificuldades é o setting terapêutico, que em muitos casos 
são na própria sala de enfermaria, onde contém outros pacientes e outros profissionais 
da saúde, fazendo com que o sigilo terapêutico não se restrinja apenas ao paciente e 
13 
 
o terapeuta. De acordo com (ZANA&KOVACS, 2013) Em uma relação 
psicoterapêutica, a confidencialidade é essencial, pois a confidencialidade permite ao 
paciente falar sobre sua intimidade com segurança para garantir que seja respeitado 
e protegido na manutenção do sigilo. Em alguns casos, o sigilo é extinguido, assim 
ocorre quando se trata de suicídio. 
O psicólogo é uma peça fundamental não só para o paciente que se encontra 
nessa situação de vulnerabilidade, mas também como uma ponte de certa forma 
tradutora entre o paciente e a equipe medica minimizando qualquer atrito que possa 
ocorrer, como também aos familiares, que dependendo da situação de preocupação 
que esses familiares se encontram é necessário também que uma escuta seja feita 
com os mesmos (SALDANHA;ROSA;CRUZ, 2013). 
Esse momento de diálogo que o psicólogo executa com a família e a equipe de 
saúde, é essencial para que aja uma compreensão dessa dor psíquica desse paciente 
que acaba de tentar tirar a própria vida, mostrar o quão real é essa dor e até mesmo 
para a família criar uma atenção ao risco de novas tentativas, caso esse sofrimento 
não seja trabalhado de forma adequada. Algo que na pratica nem sempre ocorre, já 
que muitas vezes esses pacientes são liberados sem passar por uma avaliação de 
um profissional da saúde mental ou qualquer outro tipo de encaminhamento. (Vidal & 
Gontijo, 2013) 
O trabalho coletivo do psicólogo junto a equipe multidisciplinar, faz com que a 
compreensão da queixa desse paciente com ideação seja recebida de forma mais 
humanizada, tornando assim o ambiente de saúde mais humanizado, contribuindo 
para que seja possível a pratica preventiva e de tratamento (GAZOTTI&CORRY, 
2019). Assim o acolhimento a esse paciente tornasse algo elaborado além do 
psicólogo, e o paciente possa se sentir acolhido por toda a equipe pela qual possa 
atende-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 4. TERAPEUTA E PACIENTE 
Quando o contexto é de um indivíduo que quis pôr fim a sua vida, é preciso 
uma forte atenção em cima dessa situação, uma escuta atenciosa e um acolhimento 
regado de empatia para a compreensão dos fatos. Isso é importante para poder cessar 
qualquer pensamento que indivíduo possa ter em dar continuidade ao que começou 
e com a finalidade de que esse acolhimento contribua para que o paciente aceite e de 
continuidade ao tratamento se assim for necessário (FREITA;BORGES, 2017). 
 Emcaso de agitação, o profissional tende acalmar esse paciente de forma 
acolhedora e se disponibilizando a esse paciente de forma com que ele se sinta 
seguro em expor sua fragilidade. para assim iniciar a escuta de forma qualificada. 
Essa escuta serve como um instrumento na qual o paciente possa explicar o seu 
sofrimento e/ou os motivos que o levou a tentar de autoextermínio. Com isso, 
podemos atentar-se ao fato de que: 
 
 O motivo ou motivos que levam alguém ao suicídio formam-se ao longo da 
sua história e se revelam nos sentidos e modos de ser que constituem a sua 
existência. Por isso esse fenômeno não escolhe idade, classe social, gênero 
ou nacionalidade (DUTRA,2011, P.153). 
 
O profissional psicólogo deve trabalhar nas diretrizes do código de ética que 
abrange a sua profissão. O principal ponto e a também é a base de todo atendimento 
psicológico é o Sigilo terapêutico, referidos no Código de Ética como os artigos, 6°, 9° 
e 10°. O sigilo terapêutico tem como proposito o paciente, informações e fatos 
relatados durante o atendimento, tornando assim obrigatoriedade do psicólogo a 
confidencialidade. Se caso ocorra de informar a respeito do atendimento algum 
membro da família responsável, como ocorre nos casos de tentativa de suicídio, deve 
ser oferecida apenas informações necessárias. (ZANA&KOVACS, 2013) 
 Após a escuta, observa atentamente a gravidade dos fatos que ocorreram, 
observando o grau de estado mental desse paciente, o terapeuta segue fazendo uma 
coleta de informações sobre a ocorrência dos fatos, através dos familiares, busca as 
características desse paciente que sejam mais esclarecedoras sobre seu 
comportamento e se esse fato já ocorreu antes. Tendo em vista todas as informações 
coletadas a psicóloga observa se há a necessidade da realização de encaminhamento 
para a início ao processo psicoterapêutico. Em sua grande maioria o encaminhamento 
é fundamental (DAUDT et al., 2014). 
15 
 
Silva (2020) ressalta que não se deve tratar o atendido como “paciente suicida”, 
o paciente deve ser observado em sua totalidade e não reduzido a sua atual condição, 
ignorando os demais aspectos de sua vida. Dito isso, o termo no qual o mais 
adequando seria “paciente com comportamento suicida”. Outro aspecto importante a 
ser destacado é a importância da presença da família no tratamento do paciente com 
comportamento suicida. Não apenas com cuidados, mas também para receber 
assistência terapêutica já que os familiares também são afetados nessa situação. 
O suicídio deve ser observado como um pedido de ajuda, a pessoa que comete 
tal ato não deseja a morte de forma real, mas sim a morte de sua dor, a morte de seu 
sofrimento, para que ela possa ter uma nova vida. O suicídio também não teve ser 
ligado ao fato simplista, como por exemplo o rompimento de uma relação. Ele é 
resultado de diversos fatores, parte deles inconsciente. Pode estar relacionado até 
mesmo com a infância. (ZANA&KOVACS, 2013) 
Em casos mais severos, onde o nível de letalidade é considerado alta, tendo 
em vista e a possibilidade de voltar a cometer o suicídio, é sugerido ao paciente uma 
internação voluntaria para tratamento, em caso de negação a todas as tentativas de 
convencimento, é necessário ajuda da família para uma internação involuntária, onde 
a família busque a interdição desse paciente alegando que o mesmo esteja atentando 
contra a própria vida. Independente da gravidade apresentada, o paciente deverá 
receber apoio emocional. (DAUDT et al., 2014). 
 Em um potencial evidente de suicídio é necessário internação ou um 
acompanhante integral, do qual não possibilita em momento algum que esse paciente 
fique sozinho. O profissional também poderá buscar ampliar a equipe de apoio para 
esse paciente. Introduzindo apoio familiar e trabalhando de forma multidisciplinar em 
conjunto com psiquiatras. O psicólogo também deve estar atento a sinais sutis que o 
paciente pode estar evidenciando, caso não aja essa atenção o paciente pode pegar 
a equipe de surpresa tentando suicídio no próprio local de atendimento, com isso o 
psicólogo poderá responder por negligência e má atuação da pratica profissional. 
(ZANA&KOVACS, 2013) 
 Segundo os autores Vidal e Gontijo (2013) após uma tentativa de suicídio a 
intervenção precoce afeta de maneira essencial, já que nos primeiros meses a chance 
de ocorrer novas tentativas é alta. Contudo a adesão ao tratamento psicológico em 
relação a paciente com comportamento suicida é baixa. Seguindo a pesquisa do autor, 
16 
 
os resultados apresentados evidenciam que 60% dos indivíduos que não dão 
continuidade ao tratamento após a alto do serviço de emergência. 
 O acolhimento também é uma forma de prevenção ao suicídio, mesmo após 
uma tentativa. O acolhimento é algo muito importante para o indivíduo que vivencia o 
sofrimento psíquico, fazendo com que aja a promoção da vida. A criação de um vinculo 
a partir da escuta também contribui para a melhora desse paciente, pois ele precisa 
de alguém em quem confiar. Assim o psicólogo promove uma atuação, onde o 
paciente possa sentir uma segurança e tranquilidade, fazendo com que o paciente se 
sinta à vontade em conversar sobre seus sentimentos e conflitos. (ZANA&KOVACS, 
2013). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Pessoas vulneráveis e/ou desestabilizadas mentalmente, que num ato de 
desespero de sessar sua dor, acabam pelo ato autolesivo. É importante tratar das 
causas específicas básicas que levam uma pessoa a se matar e a desenvolver 
planos de ação adequados ao cenário brasileiro e à saúde pública. Em situações de 
emergência, o tratamento de pacientes com transtornos mentais, principalmente 
daqueles que tentam suicídio, deve ser seguro, oportuno e de qualidade, pois esse 
comportamento é um fator decisivo para o paciente aceitar e persistir no tratamento. 
O acolhimento é um método cuja a capacidade pode colaborar com a melhora 
do sistema de saúde, possibilitando aos usuários um atendimento justo e integral de 
caráter multidisciplinar e intersetorial. O feedback do usuário em relação ao 
atendimento, facilitaria a melhorar a experiência positiva, avaliando também o 
profissional em pratica, se eles estão tendo um bom desempenho contribuindo para 
a satisfação do usuário, e entender que isso é fundamental para a melhoria do 
serviço prestado. 
Profissionais de saúde, especialmente aqueles que trabalham em 
departamentos de emergência, muitas vezes lidam com pessoas em situações de 
crise e tentativas de suicídio. No entanto, esses profissionais, principalmente os 
médicos, não estão totalmente preparados para atender pacientes suicidas, o que 
pode gerar reações negativas prejudicando o processo de tratamento. isso 
demonstra o quanto é fundamental a inserção do trabalho do psicólogo nesse 
primeiro contato, tanto no acolhimento quanto para a capacitação dos outros 
profissionais na ausência de um psicólogo. 
18 
 
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