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Sistema Circulatório – Excitação e Contração A principal função do sistema circulatório é o transporte de substâncias pelo corpo. Circulação Pulmonar: faz a oxigenação do sangue através dos alvéolos pulmonares, quando o oxigênio se liga na hemácia. Células autoexcitáveis: geram seu próprio PA, o que lhe garante a capacidade de fazer a musculatura se contrair sem qualquer sinal externo (sinal miogênico). Junções comunicantes: conectam eletricamente as células musculares cardiacas umas às outras, o que faz com que ondas de despolarização se espalhem rapidamente de célula a célula, que gera uma contração quase que simultânea nas células do músculo cardiaco. Acoplamento excitação-contração cardiaco O PA se inicia no acoplamento EC, que se origina espontaneamente nas células marca-passo do coração e se propaga para as células contráteis através das junções comunicantes, que gera uma contração mais rápida que a do músculo esquelético. Um potencial de ação que entra em uma célula contrátil se move pelo sarcolema e entra nos túbulos T (1), onde abre os canais de Ca2 dependentes de voltagem tipo L na membrana das células (2). O Ca2 entra nas células através desses canais, movendo-se a favor do seu gradiente eletroquimico. A entrada de cálcio abre os canais liberadores de cálcio no reticulo sarcoplasmático (3). Esse processo do acoplamento EC no músculo cardiaco é também chamado de liberação de Ca2 - induzida pelo Ca2 (LCIC). Quando os canais liberadores de cálcio se abrem, o cálcio estocado flui para fora do reticulo sarcoplasmático e entra no citosol (4), criando uma fagulha que pode ser vista utilizando-se métodos bioquimicos especiais. A abertura múltipla de diferentes canais liberadores de cálcio se soma para criar o sinal de Ca2+ (5). A liberação de cálcio do reticulo sarcoplasmático fornece, aproximadamente 90% do Ca2+ necessário à contração muscular, sendo que os 10% restantes entram na célula a partir do liquido extracelular. O cálcio difunde-se pelo citosol para os elementos contráteis, onde se liga à troponina e inicia o ciclo de formação de pontes cruzadas e o movimento (6). A contração ocorre pelo mesmo tipo de movimento de deslizamento de filamentos que ocorre no músculo esquelético. O relaxamento no músculo cardiaco geralmente é similar ao do músculo esquelético. Com a diminuição das concentrações citoplasmáticas de Ca2+, o Ca2+ desliga-se da troponina, liberando a actina da miosina, e os filamentos contráteis deslizam de volta para sua posição relaxada (7). Como no músculo esquelético o Ca2+ é transportado de volta para o reticulo sarcoplasmático com a ajuda da Ca2+-ATPase (8). Entretanto, no músculo cardiaco, o Ca2+ também é removido de dentro da célula pelo trocador Na+-Ca2+ (NCX) (9). Um Ca2+ é movido para fora da célula contra seu gradiente eletroquimico em troca de 3 Na+ para dentro da célula a favor do seu gradiente Sistema Circulatório – Excitação e Contração eletroquimico. O sódio que entra na célula durante essa troca é removido pela Na+ -K+ -ATPase (10). A contração do músculo cardiaco pode ser graduada Uma propriedade-chave das células musculares cardiacas é a habilidade de uma única fibra muscular executar contrações graduadas, nas quais a fibra varia a quantidade de força que gera. A força gerada pelo músculo cardiaco é proporcional ao número de ligações cruzadas que estão ativas, que é determinado pela quantidade de Ca2 ligado à troponina. Ca2 = ligações cruzadas = força. Se a concentração citosólica de Ca2 está baixa, algumas ligações cruzadas não são ativadas e a força de contração é menor. Se Ca2 extracelular for adicionado à célula, mais Ca2 será liberado do reticulo sarcoplasmático. Esse Ca2 adicional se liga à troponina, aumentando a habilidade da miosina de formar as ligações cruzadas com a actina, gerando mais força. Outro fator que afeta a força de contração no músculo cardiaco é o comprimento do sarcômero no inicio da contração. Potencial de ação das células cardiacas contráteis Tanto no miocárdio autoexcitável quanto no contrátil, o Ca2+ desempenha um papel importante no potencial de ação, em contraste com os potenciais de ação do músculo esquelético e dos neurônios. No músculo cardiaco o PA entre as células miocárdicas contrateis é mais longo que o das fibras musculares esqueléticas e dos neurônios, devido à entrada de Ca2+. Fase 4: potencial de membrana em repouso. As células miocárdicas contráteis têm um potencial de repouso estável de aproximadamente - 90 mV. Fase 0: despolarização. Quando a onda de despolarização entra na célula contrátil através das junções comunicantes, o potencial de membrana torna-se mais positivo. Os canais de Na+ dependentes de voltagem se abrem, permitindo que a entrada de Na+ despolarize rapidamente a célula. O potencial de membrana Sistema Circulatório – Excitação e Contração atinge cerca de +20 mV antes de os canais de Na+ se fecharem. Fase 1: repolarização inicial. Quando os canais de Na+ se fecham, a célula começa a repolarizar. K+ deixa a célula pelos canais de K+ abertos. Fase 2: o platô. A repolarização inicial é muito breve. O PA, então, se “achata” e forma um platô (0,2 segundos) como resultado de dois eventos: diminuição na permeabilidade ao K+ e aumento na permeabilidade ao Ca2+. A presença do platô faz com que as contrações ventriculares durem até 15x MAIS que as contrações do músculo esquelético. A combinação do influxo de Ca2 com a diminuição do efluxo de K+ faz o potencial de ação se achatar e formar um platô. Os Ca2+ que entram por esses canais são fundamentais para promoverem a interação entre os filamentos de actina e miosina. Fase 3: repolarização rápida. O platô termina quando os canais de Ca2+ se fecham e a permeabilidade ao K+ aumenta mais uma vez. Os canais lentos de K+, responsáveis por essa fase, são similares aos dos neurônios: eles são ativados pela despolarização, mas são abertos lentamente. A célula retorna para seu potencial de repouso (fase 4). O potencial de ação miocárdico mais longo ajuda a impedir a contração sustentada, chamada de tétano. A prevenção do tétano no coração é importante porque o músculo cardiaco deve relaxar entre as contrações, de modo que os ventriculos possam encher-se com sangue. Periodo Refratário: periodo após um PA durante o qual um estimulo normal não pode desencadear um segundo PA. Intervalo em que não pode ser produzida uma segunda contração. Periodo de relaxamento. No músculo cardiaco, o longo potencial de ação (curva vermelha) faz o periodo refratário (fundo amarelo) e a contração (curva azul) terminarem simultaneamente. Quando um segundo potencial de ação pode ocorrer, a célula miocárdica está quase completamente relaxada. Consequentemente, não ocorre somação. Sistema Circulatório – Excitação e Contração Em contrapartida, o potencial de ação e o periodo refratário do músculo esquelético terminam justamente com o inicio da contração. Assim, o disparo de um segundo potencial de ação imediatamente após o periodo refratário causa a somação das contrações. Se uma série de potenciais de ação ocorrer em rápida sucessão, resultará em uma contração sustentada, conhecida como tétano, que seria fatal se ocorresse no músculo cardiaco. Potencial de ação das células cardiacas autoexcitáveis O que confere às células miocárdicas autoexcitáveis a capacidade única de gerar potenciais de ação espontaneamente na ausência de um sinal do sistema nervoso é seu potencial de membrana instável, o qual inicia em -60 mV e lentamente ascende em direção ao limiar. Este potencial de membrana instável é chamado de potencial marca-passo, em vez de potencial de membrana em repouso, uma vez que ele nunca permanece em um valor constante. Sempre que o potencial marca-passo depolariza até o limiar, as células autoexcitáveis disparamum potencial de ação. O potencial de membrana nas células autoexcitáveis é instável pois células autoexcitáveis contêm canais que são diferentes dos canais de outros tecidos excitáveis. os canais If, que são permeáveis tanto ao K+ quanto ao Na+, estão abertos. A velocidade na qual as células marca-passo despolarizam determinam a frequência com que o coração contrai (a frequência cardiaca), que definem todo o ritmo do coração. Célula Contrátil (99%) Células Autoexcitáveis (1%)