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FICHAMENTO COMENTADO 
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, 2000. 
 
“Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando 
conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o 
que são nossas crenças e nossos sentimentos” (p. 09). 
 
Marilena introduz o livro apresentando o conceito de atitude filosófica, que 
são os questionamentos que vão além do senso comum. A autora afirma que a 
filosofia é explorar a fundo os conhecimentos da vida cotidiana e não se limitar 
apenas a respostas simples geralmente padronizadas. 
 
“(...) O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a 
Filosofia quem as formula e busca respostas para elas” (p. 11). 
 
Em seguida, a autora levanta o questionamento, para que a filosofia? A 
filosofia anda lado a lado da ciência, pois é a própria atitude de indagar e com tal 
atitude progredir seus conhecimentos ou consertá-los, é o modo de agir e 
organizar perguntas que vão além do cotidiano, sendo intituladas essas as 
questões filosóficas. Já a razão filosófica é o ato de retomar ao pensamento na 
busca de entender a razão, objetivo e propósito daquela reflexão. 
 
“(...) A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que está 
diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos (do espírito) para vê 
-la” (p. 20). 
 
Neste capítulo, Marilena começa com os pensamentos de Pitágoras. 
Segundo ele, o filósofo não toma o conhecimento como propriedade sua, como 
algo a ser vendido, mas sim algo a ser contemplado, desejado, é avaliar as 
 
vivências e os ciclos, ansiar pelo aprendizado sem a intenção de competir com os 
outros. 
 
“São diferenças desse tipo, além de muitas outras, que nos levam a dizer 
que existe uma sabedoria chinesa, uma sabedoria hindu, uma sabedoria dos 
índios, mas não há filosofia chinesa, filosofia hindu ou filosofia indígena” (p. 21). 
 
Aqui é destacado que a filosofia é um fato grego, os filósofos gregos a 
utilizaram como modo de pensar e expressar suas ideias. Por motivos históricos e 
políticos a filosofia grega possui imensa influência para o Ocidente Europeu, ela é 
base fundamental para diversas áreas do conhecimento ocidental, e até hoje sua 
influência pode ser vista em diversas palavras de origem grega. A filosofia também 
ajudou a diferenciar o necessário do incerto, pois dispensa essa ideia de ‘destino’ 
e segue as leis que regem a Natureza onde não é possível se conhecer tudo, 
apesar do querer. 
 
“Assim, filósofos como Platão e Aristóteles afirmavam a origem oriental da 
Filosofia. Os gregos, diziam eles, povo comerciante e navegante, descobriram, 
através das viagens, a agrimensura dos egípcios (usada para medir as terras, 
após as cheias do Nilo) (...)” (p. 29). 
 
Através de suas viagens, os gregos adquiriram conhecimentos de outras 
culturas e a modificação que impuseram a tais conhecimentos originou o 
nascimento da filosofia, sendo esta sua origem oriental. Consequentemente, estes 
conhecimentos foram gerando variados tipos de ciência. 
 
“A mudança - nascer, morrer, mudar de qualidade ou de quantidade - 
chama-se movimento e o mundo está em movimento permanente” (p.41). 
 
Marilena explica de forma clara e direta que a filosofia grega possui dois 
períodos: pré-socráticos e socráticos (usando Sócrates como referência). 
 
A fase pré-socrática também é chamada de cosmológica. "Physis” é a 
origem de tudo, é o elemento primordial eterno. Nessa fase, os filósofos gregos 
afirmam que as mudanças ocorridas na Natureza podem explicar as mudanças 
ocorridas nos seres humanos, é apresentado o conceito de que tudo se transforma 
e por isso as coisas nunca desaparecem. O mundo e os seres estão em constante 
processo de transformação. 
 
“(...) O ideal da educação do Século de Péricles é a formação do cidadão. A 
Arete é a virtude cívica” (p.42) 
 
No período socrático, também chamado de antropológico, as cidades 
estavam mais desenvolvidas e Atenas se tornou o centro social. A democracia 
estava no auge de seu crescimento e pregava a igualdade de todos os homens 
perante a lei, diante disso ia se formando a figura do cidadão. O cidadão precisava 
usar da persuasão para ser ouvido nas assembleias, pois ele exerce sua 
cidadania quando discute, opina e vota. 
 
“(...) Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica, afirmando 
ser possível ensinar aos jovens tal arte para que fossem bons cidadãos” (p.43). 
 
Logo, a autora introduz os sofistas, que são os primeiros filósofos do 
período socrático, eles ensinavam aos jovens técnicas de persuasão e como 
defender suas opiniões nas assembléias. Sócrates não concordava com os 
sofistas, apenas na ideia de que a educação proposta anteriormente pelos gregos 
era antiquada, ele defendia a ideia de que antes de conhecer tudo o homem 
precisava conhecer a si mesmo. 
 
“Diante dessas duas descobertas, a Filosofia se viu forçada a reabrir a 
discussão sobre o que é e o que pode a razão, sobre o que é e o que pode a 
consciência reflexiva ou o sujeito do conhecimento (...)” (p.63). 
 
A autora cita duas descobertas que Karl Marx e Sigmund Freud fizeram em 
séculos diferentes, e que até hoje geram dúvidas/questões filosóficas. Marx 
descobriu a ideologia, que é uma força invisível que cria a ilusão de que estamos 
agindo por vontade própria quando há algo forjando nossos pensamentos e modo 
de agir. Já Freud, descobriu o inconsciente, uma espécie de poder invisível que 
controla a nossa consciência. 
 
“Em outras palavras, o ideal de cientificidade impõe às idéias critérios e 
finalidades que, quando impedidos de se concretizarem, forçam rupturas e 
mudanças teóricas profundas (...)” (p.356) 
 
Neste capítulo, Marilena apresenta o ideal científico, que baseia-se na ideia 
de prova e demonstração, com base em conceituar o objeto de conhecimento e o 
ponto onde o sujeito se encontra por meio de análise, síntese e interpretação. O 
conceito foi explicado de forma complexa, o que dificultou um pouco o 
entendimento. 
 
“Na medida em que a razão se torna instrumental, a ciência vai deixando de 
ser uma forma de acesso aos conhecimentos verdadeiros para tornar-se um 
instrumento de dominação, poder e exploração” (p.361). 
 
Em resumo, a razão instrumental baseia-se na ideia de comandar a 
Natureza a fim de transformá-la através de experimentos e controlar seus 
resultados. Esta ideia se torna cada vez maior na realidade moderna, visto que a 
ciência contemporânea não consiste apenas em conhecer as coisas, mas em 
construir dissimuladamente os resultados. Conforme a razão vai se tornando 
instrumental, a ciência vai deixando de ser uma fonte confiável de conhecimento.

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