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Anatomia dos Olhos e das Pálpebras SUMÁRIO 1. Anatomia Externa ......................................................................................................... 3 2. Órbita ............................................................................................................................. 5 3. Musculatura Periorbitária............................................................................................ 7 4. Estruturas de Sustentação .......................................................................................... 9 5. Aparelho Lacrimal ...................................................................................................... 11 6. Musculatura Extrínseca ............................................................................................ 13 7. Globo Ocular ............................................................................................................... 15 8. Vascularização ........................................................................................................... 19 9. Inervação .................................................................................................................... 22 10. Drenagem Linfática .................................................................................................. 24 Referências ..................................................................................................................... 29 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 3 1. ANATOMIA EXTERNA A anatomia externa do olho e das pálpebras corresponde às estruturas visíveis no exame clínico e desempenha um papel essencial na proteção e no funcionamento do sistema visual. Essas estruturas estão localizadas na transição entre o terço médio e o terço superior da face, onde se situam as órbitas, cavidades ósseas que abrigam e protegem os globos oculares e seus anexos. PARTES DO OLHO Glândula Lacrimal Ductos da Glândula Lacrimal Esclera Íris Pupila Pálpebra Ponto Lacrimal Superior Canal Lacrimal Superior Canal Lacrimal Inferior Saco Lacrimal Ducto Lacrimal Ponto Lacrimal Inferior Prega Semilunar Carúncula Cílios Figura 1. Anatomia Externa do Olho. Fonte: VectorMine/Shutterstock O olho é composto por múltiplas camadas e estruturas essenciais para a visão. No centro do olho está a pupila, um orifício localizado na parte central da íris. A íris, por sua vez, é a região pigmentada do olho, cuja cor varia de acordo com a genética e a concentração de melanina, podendo ser castanha, preta, azul ou verde. A pupila modula a entrada de luz para a retina, ajustando seu tamanho conforme a iluminação do ambiente, por meio da ação dos músculos esfíncter da pupila e dilatador da pupila (miose e a midríase). https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/parts-eye-labeled-vector-illustration-diagram-1668462667 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 4 A córnea é uma estrutura transparente localizada na porção anterior do olho, reco- brindo a íris e a pupila. Sua principal função é permitir a entrada de luz e contribuir com a refração da imagem. A transição entre a córnea e a esclera é chamada de limbo da córnea, região fundamental na manutenção da integridade ocular. A esclera é a camada fibrosa branca e resistente do olho, que oferece sustentação estrutural. Ela é recoberta parcialmente pela conjuntiva, uma membrana mucosa fina e transparente que se estende até a superfície interna das pálpebras. As pálpebras são estruturas móveis essenciais para a proteção ocular, pois evitam traumas, reduzem a exposição à luz intensa e distribuem o filme lacrimal sobre a cór- nea. Elas possuem camadas que incluem pele, músculo, tecido conjuntivo e conjuntiva palpebral. A sustentação das pálpebras é garantida por placas de tecido denso chamadas tarsos, sendo o tarso superior maior que o inferior. Eles contêm as glândulas tarsais (ou glândulas de Meibômio), responsáveis pela secreção de lipídios que evitam a eva- poração precoce da lágrima. A borda palpebral apresenta fileiras de cílios, que atuam como barreira protetora contra poeira e partículas estranhas. Além disso, ao longo da borda palpebral, encon- tram-se as glândulas ciliares (Zeiss e Moll), que secretam substâncias oleosas para lubrificação dos cílios e da pele adjacente. As pálpebras se encontram nas extremidades medial e lateral, formando as co- missuras palpebrais. A comissura medial abriga estruturas importantes do sistema lacrimal, como a papila lacrimal e o ponto lacrimal, que são orifícios responsáveis pela drenagem do excesso de lágrimas. A produção e drenagem lacrimal são essenciais para a lubrificação ocular e a eli- minação de resíduos. A glândula lacrimal está localizada na porção superolateral da órbita e secreta o líquido lacrimal, que se espalha pela superfície ocular durante o piscar. Esse fluido drena através dos pontos lacrimais e segue pelos canalículos lacrimais até o saco lacrimal, localizado na fossa lacrimal do osso lacrimal. A partir daí, o líquido lacrimal flui pelo ducto nasolacrimal até a cavidade nasal, justificando por que lágrimas excessivas podem resultar em coriza. Acima das pálpebras, localizam-se os supercílios, faixas de pelos cuja distribuição e espessura variam entre indivíduos. Eles auxiliam na proteção ocular ao desviar suor e outras partículas da testa para longe dos olhos. As estruturas descritas aqui não apenas desempenham funções essenciais para a visão, mas também são elementos fundamentais no exame clínico oftalmológico. Alterações nessas estruturas podem indicar patologias oftalmológicas ou sistêmicas, como ptose palpebral, blefarite, conjuntivites e alterações lacrimais. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 5 2. ÓRBITA A órbita é uma estrutura óssea fundamental para a proteção e suporte das vísceras orbitárias, incluindo o globo ocular, nervos, vasos sanguíneos e gordura periorbitária. Anatomicamente, apresenta um formato de pirâmide quadrangular com a base voltada anterolateralmente e o ápice dirigido posteromedialmente . Ossos da Órbita Osso Frontal Fissura Orbital Superior Osso Esfenóide Fissura Orbital Inferior Osso Zigomático Forame Óptico Osso Etmoide Osso Lacrimal Osso Palatino Maxila Figura 2. Ossos da órbita. Fonte: Twinkle picture/Shutterstock As paredes orbitais são compostas por sete ossos principais, que se organizam para fornecer estabilidade e proteção às estruturas oculares. Essa estrutura óssea es- tá intimamente relacionada com outras cavidades, como a cavidade nasal e os seios paranasais, tornando a órbita vulnerável a fraturas e patologias associadas. Cada órbita é formada por sete ossos: • Osso frontal: Constitui a parede superior (teto) da órbita e separa-a da fossa craniana anterior. Sua parte anterior apresenta a fossa lacrimal, onde se aloja a glândula lacrimal. • Esfenóide (asas menor e maior): A asa menor do esfenóide participa da parede superior e contém o canal óptico, permitindo a passagem do nervo óptico (NC II) e da artéria oftálmica. A asa maior contribui para a parede lateral da órbita. • Zigomático: Principal componente da parede lateral, um dos mais robustos, ofe- recendo resistência a impactos. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/anatomical-bones-orbit-2497529611 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 6 • Maxila: Forma a maior parte da parede inferior (assoalho da órbita), separando-a do seio maxilar. Possui o forame infraorbital, por onde passam vasos e nervos infraorbitais. • Etmóide: Principal osso da parede medial, extremamente fino, frequentemente chamado de "lâmina papirácea". Está separado do globo ocular apenas por uma delgada camada óssea, tornando-se vulnerável a fraturas que podem levar à co- municação entre a órbita e os seios etmoidais. • Lacrimal: Pequeno osso situado na parede medial, próximo ao canal lacrimal. Participa na formação da fossa do saco lacrimal, essencial para a drenagem das lágrimas. • Palatino: Pequena contribuição para a paredemedial posterior da órbita. A órbita é constituída por quatro paredes ósseas, cada uma desempenhando um papel essencial na proteção e sustentação das estruturas orbitárias. A parede superior (teto) é formada pelo osso frontal e pela asa menor do esfenóide, separando a órbita da fossa craniana anterior e abrigando a fossa da glândula lacrimal. A parede lateral, composta pelo zigomático e pela asa maior do esfenóide, é a mais espessa e resistente, conferindo maior proteção contra impactos laterais. Já a parede medial, constituída pela lâmina orbital do etmóide, osso lacrimal, maxila e uma pequena porção do esfenóide, é extremamente del- gada, o que a torna suscetível a fraturas e facilita a comunicação da órbita com os seios etmoidais e a cavidade nasal. Por fim, a parede inferior (assoalho da órbita), formada principalmente pela maxila, com contribuições do zigomático e do palatino, delimita o seio maxilar e apresenta a fissura orbital inferior, por onde passam vasos e nervos importantes. Figura 3. Paredes orbitárias. Fonte: acervo Sanar. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 7 Além das paredes ósseas, a órbita contém forames e fissuras que permitem a pas- sagem de estruturas neurovasculares essenciais. O canal óptico, localizado na asa menor do esfenóide, é a via de passagem do nervo óptico (NC II) e da artéria oftálmica. A fissura orbital superior, situada entre as asas maior e menor do esfenóide, permite a passagem dos nervos oculomotor (NC III), troclear (NC IV), abducente (NC VI), além de ramos do nervo oftálmico (NC V1) e da veia oftálmica superior. Já a fissura orbital inferior, localizada entre o esfenóide e a maxila, é o local de trânsito do nervo infraorbital, do nervo zigomático e dos vasos infraorbitais. Por fim, o forame infraorbital, situado na maxila, permite a passagem do nervo e vasos infraorbitais, estruturas fundamentais para a sensibilidade da face. A importância clínica da anatomia óssea da órbita é notável, principalmente devido à sua proximidade com os seios paranasais e o sistema nervoso central (SNC). Fraturas orbitais são comuns, especialmente nas paredes medial e inferior, que são mais frágeis. Fraturas "em explosão" podem comprometer o movimento ocular e a função do nervo infraorbital, causando dormência na região da bochecha e do lábio superior. A celulite orbitária, por sua vez, pode surgir devido à comunicação direta com os seios etmoidais, permitindo a disseminação de infecções. Outra condição relevante é a síndrome do ápice orbitário, caracterizada pela compressão dos nervos e vasos no ápice da órbita, resultando em dor intensa, oftalmoplegia e perda visual progressiva. Assim, embora a órbita tenha uma estrutura robusta para proteção do globo ocular, suas regiões vulne- ráveis podem predispor a complicações clínicas graves, exigindo atenção especial em casos de trauma ou infecção. 3. MUSCULATURA PERIORBITÁRIA A musculatura da região periorbitária desempenha papel essencial na proteção ocular, na movimentação das pálpebras e na expressão facial. Esses músculos são responsáveis tanto pelo controle voluntário quanto pelos movimentos reflexos que garantem a proteção do olho contra traumas e ressecamento. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 8 Músculo corrugador do supercílio Parte orbital dos músculos orbiculares do olho Parte palpebral dos músculos orbiculares do olho Figura 4. Músculos Orbitais. Fonte: acervo Sanar. O músculo corrugador do supercílio tem uma função importante na expressão facial e na regulação da exposição à luz. Ele se origina no osso frontal, próximo à glabela, e se insere na pele acima do terço médio da sobrancelha. Sua principal ação é aproximar as sobrancelhas medialmente, formando rugas verticais na testa, o que ocorre, por exemplo, em reações de preocupação ou esforço visual. O músculo orbicular do olho é um dos mais importantes da região periorbitária e tem função essencial no fechamento das pálpebras, tanto voluntário quanto reflexo. Ele se divide em duas porções: • Porção Palpebral: Localizada dentro das pálpebras, essa parte do músculo é res- ponsável pelo piscar suave e involuntário, fundamental para a dispersão da lágrima sobre a superfície ocular e a proteção contra partículas em suspensão no ar. • Porção Orbicular: Envolve toda a abertura da órbita e está associada ao fechamento vigoroso dos olhos, como ocorre em resposta a luz intensa ou dor. O músculo orbicular do olho tem grande importância clínica, pois sua disfunção pode levar a alterações no fechamento palpebral, resultando em condições como lagoftalmo, a incapacidade de fechamento completo das pálpebras, e ectrópio. Essas alterações podem comprometer a lubrificação ocular e predispor a úlceras de córnea e infecções . Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 9 O músculo levantador da pálpebra superior é essencial para a abertura dos olhos. Ele se origina na asa menor do osso esfenóide e se insere no tarso superior da pálpebra. Sua inervação ocorre pelo nervo oculomotor, e uma de suas camadas profundas, o músculo tarsal superior, recebe fibras do sistema nervoso simpático. O comprometimento dessa estrutura pode levar à ptose palpebral, que é a queda da pálpebra superior . Além dos músculos mencionados, a região periorbitária conta com músculos auxi- liares, como: • Músculo depressor do supercílio: Auxilia na movimentação das sobrancelhas, frequentemente em sinergia com o corrugador do supercílio. • Músculo frontal (parte do músculo occipitofrontal): Contribui para a elevação das sobrancelhas e a expressão de surpresa ou atenção. A integridade funcional da musculatura periorbitária é essencial para a saúde ocu- lar. O dano ao nervo facial pode resultar na incapacidade de fechamento palpebral, predispondo à exposição corneana e ao desenvolvimento de ceratite por exposição. Por outro lado, lesões do nervo oculomotor levam à ptose, dificultando a abertura dos olhos e afetando a visão . A análise anatômica e funcional desses músculos é essencial tanto para a com- preensão das expressões faciais quanto para o diagnóstico e tratamento de diversas condições oftalmológicas e neuromusculares. 4. ESTRUTURAS DE SUSTENTAÇÃO A sustentação das pálpebras e da órbita é garantida por um conjunto de estruturas ósseas, musculares e fibroelásticas que proporcionam integridade funcional ao com- plexo ocular. Essas estruturas garantem o posicionamento adequado do globo ocular, a mobilidade das pálpebras e a proteção contra traumatismos. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 10 Septo Orbitário Músculo Levantador da Pálpebra Superior Carúncula Lacrimal Canalículos Lacrimais Superior e Inferior Ligamento Palpebral Medial Pontos Lacrimais Superior e Inferior Ducto Nasolacrimal Saco Lacrimal Glândula Lacrimal, Parte Orbital Glândula Lacrimal, Parte Palpebral Pálpebra Superior Pálpebra Inferior Figura 5. Estrutura de sustentação e canal lacrimal. Fonte: burakbl/Shutterstock O septo orbital, uma continuidade do periósteo, estende-se do rebordo orbitário superior e inferior até as pálpebras, funcionando como uma barreira que separa as es- truturas profundas da órbita do tecido subcutâneo. Ele desempenha um papel crucial na contenção da gordura periorbitária, evitando que ela se projete anterior e patologi- camente, como ocorre em condições como a ptose senil e o entrópio. Além disso, o septo orbital limita a disseminação de infecções, restringindo processos inflamatórios à região pré-septal ou orbitária. Dentro da órbita, o músculo levantador da pálpebra superior desempenha papel essencial na mobilidade da pálpebra. Sua aponeurose se insere no tarso superior, con- ferindo elevação e estabilidade. O tarso superior e o tarso inferior, placas fibroelásticas densas, são os principais elementos de sustentação da pálpebra e servem como pontos de fixação para ligamentos e músculos. Os ligamentos cantais medial e lateral desempenham um papel fundamental no alinhamento das pálpebras. O ligamento cantal medialancora a pálpebra ao osso la- crimal, enquanto o ligamento cantal lateral fixa-se ao tubérculo orbitário lateral do osso zigomático. Esses ligamentos garantem a tensão necessária para manter a margem palpebral em contato com o globo ocular, prevenindo ectrópio ou entrópio. Em casos de trauma ou cirurgia, a ruptura do ligamento cantal lateral pode resultar em desalinhamento palpebral, comprometendo a função protetora do olho e levando a exposição corneana. Além disso, a fáscia orbital circunda e sustenta as estruturas intraorbitárias. A bainha do globo ocular, também chamada de cápsula de Tenon, é uma camada fibroelástica que reveste o bulbo do olho e forma uma interface deslizante entre o globo ocular e a gordura orbitária, permitindo o movimento suave do olho dentro da órbita. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/tear-device-septum-orbit-eye-2539471219 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 11 Por fim, a distribuição harmônica da gordura orbitária contribui para a manutenção da posição do globo ocular. Com o envelhecimento, pode ocorrer atrofia da gordura orbitária, levando a enoftalmia e à diminuição do suporte palpebral, resultando em ptose e aumento da exposição ocular. Dessa forma, a sustentação das pálpebras e da órbita é um processo altamente inte- grado, no qual ossos, ligamentos, músculos e tecido conjuntivo trabalham em conjunto para garantir a estabilidade estrutural e funcional da região ocular . 5. APARELHO LACRIMAL O aparelho lacrimal desempenha um papel essencial na lubrificação, proteção e manutenção da integridade ocular. Ele é composto pela glândula lacrimal, os ductos excretores, os canalículos lacrimais, o saco lacrimal e o ducto nasolacrimal, permitindo a produção, distribuição e drenagem do fluido lacrimal. Aparelho Lacrimal Glândula Lacrimal Saco Lacrimal Pontos Lacrimais Canalículos Lacrimais Ducto Nasolacrimal Cavidade Nasal Figura 6. Aparelho lacrimal. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock A glândula lacrimal encontra-se na porção superolateral da órbita, dentro da fossa lacrimal do osso frontal. Estruturalmente, divide-se em duas partes: • Porção orbital: Situada acima do septo orbital. • Porção palpebral: Posicionada abaixo do tendão do músculo levantador da pál- pebra superior . https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/lacrimal-gland-120437542 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 12 Essa glândula secreta um líquido lacrimal composto por uma solução salina fisioló- gica com enzimas bactericidas (como a lisozima) e outros componentes que lubrificam e nutrem a superfície da córnea e da conjuntiva . A produção do fluido lacrimal ocorre continuamente e é regulada pelo nervo facial (NC VII). Estímulos emocionais ou irritativos aumentam essa produção. O fluido é secretado através de 8 a 12 ductos excretores, que se abrem no fórnice conjuntival superior, permitindo que as lágrimas se espalhem sobre o olho . O movimento das lágrimas é influenciado por: • Ação da gravidade: Deslocando o fluido inferiormente. • Fechamento das pálpebras: Direciona as lágrimas da lateral para a região medial, similar ao funcionamento de um limpador de para-brisa. • Capilaridade: Auxilia na drenagem do líquido para os canalículos lacrimais . A drenagem do fluido lacrimal ocorre por meio de um sistema altamente eficiente, que direciona as lágrimas da superfície ocular até a cavidade nasal. Esse processo tem início nos pontos lacrimais, pequenas aberturas localizadas na papila lacrimal, junto ao canto medial do olho. A partir desses pontos, o fluido é conduzido pelos canalículos lacrimais, pequenos ductos que transportam as lágrimas acumuladas no lago lacrimal até o saco lacrimal, uma estrutura dilatada situada na fossa lacrimal, medial à órbita. Dali, o líquido segue pelo ducto nasolacrimal, que o conduz até o meato nasal inferior, explicando a sensação de umidade nas narinas durante o choro. Quando a produção de lágrimas ultrapassa a capacidade de drenagem, como em episódios de intensa emoção ou irritação ocular, ocorre o extravasamento do fluido pelas pálpebras, resultando no lacrimejamento visível sobre as bochechas. Além de sua função na drenagem, o fluido lacrimal é essencial para a home- ostase ocular. Ele lubrifica continuamente a córnea e a conjuntiva, garantindo a integridade da superfície ocular e prevenindo o ressecamento. Também atua na eliminação de partículas estranhas e microrganismos, protegendo contra infec- ções. Além disso, o líquido lacrimal fornece oxigênio e nutrientes para a córnea, estrutura avascular que depende desse suprimento externo. Outro aspecto crucial é a sua contribuição para a movimentação eficiente das pálpebras e a qualidade visual, uma vez que mantém a superfície ocular lisa e homogênea, evitando dis- torções na refração da luz. A regulação desse sistema é essencial para prevenir distúrbios como o olho seco, a dacriocistite (infecção do saco lacrimal) e as obs- truções do ducto nasolacrimal, que podem comprometer tanto o conforto ocular quanto a acuidade visual. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 13 6. MUSCULATURA EXTRÍNSECA A musculatura extrínseca do olho é responsável pelo controle preciso dos movimen- tos oculares, permitindo a mobilidade do globo ocular dentro da órbita e garantindo a convergência e a acomodação visual. Esses músculos possibilitam deslocamentos em três eixos principais: vertical (elevação e depressão), horizontal (adução e abdução) e rotacional (intorsão e extorsão), sendo fundamentais para a visão binocular e a manu- tenção do alinhamento visual. O olho humano possui seis músculos extrínsecos que controlam sua posição dentro da órbita: quatro músculos retos e dois músculos oblíquos. Músculos do Olho Humano Olho Direito (Vista Lateral) Olho Direito (Vista Anterior) Músculo Elevador da Pálpebra Superior Tróclea (Polia Ligamentosa) Músculo Oblíquo Superior Músculo Oblíquo Superior Músculo Reto Superior Músculo Reto Superior Músculo Reto Medial Músculo Reto Medial Músculo Reto Lateral Músculo Reto Lateral Músculo Oblíquo Inferior Músculo Oblíquo Inferior Músculo Reto InferiorMúsculo Reto Inferior Anel Tendíneo Comum Nervo Óptico Figura 7. Musculatura Extrínseca. Fonte: VectorMine/Shutterstock • Os músculos retos se originam no anel tendíneo comum, localizado na órbita posterior, e seguem trajetos relativamente retos até suas inserções na esclera: • Reto superior: eleva o olho e contribui para adução e intorsão. • Reto inferior: deprime o olho, além de contribuir para adução e extorsão. • Reto medial: aduz o olho (movimento em direção ao nariz). • Reto lateral: abduz o olho (movimento para longe da linha média). https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/eye-muscles-detailed-anatomical-description-medical-2162652879 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 14 • Os músculos oblíquos, por sua vez, têm trajetos mais complexos e são essenciais para a compensação rotacional dos movimentos oculares: • Oblíquo superior: se origina na parte medial da órbita e seu tendão passa por uma estrutura em formato de polia, a tróclea, antes de se inserir na esclera, permitindo que atue na depressão, abdução e intorsão do olho. • Oblíquo inferior: tem um percurso distinto, originando-se na parte anterior da órbita e se inserindo na região posterolateral do globo ocular, sendo responsável pela elevação, abdução e extorsão. Esses músculos funcionam em sinergia para permitir movimentos coordenados, essenciais para tarefas como acompanhar objetos em movimento e convergir os olhos durante a leitura. A inervação desses músculos é realizada por três nervos cranianos. O nervo oculo- motor (NC III) inerva a maior parte dos músculos extrínsecos, incluindo reto superior, reto inferior, reto medial e oblíquo inferior, além do levantador da pálpebra superior, que auxilia na abertura ocular. O nervo troclear (NC IV) inerva exclusivamente o oblí- quo superior, enquanto o nervo abducente (NC VI) é responsável pela inervação doreto lateral. Tabela 1. Inervação dos músculos extrínsecos do bulbo do olho. Nervo Oculomotor Nervo Troclear Nervo Abducente M. Levantador da pálpebra superior M. Oblíquo superior M. Reto lateral M. Reto superior M. Reto medial M. Reto inferior M. Oblíquo inferior Fonte: Elaborado pela autora. Os movimentos oculares resultam da ação coordenada entre os músculos extrínse- cos, garantindo deslocamentos precisos do olho para diversas direções. Os músculos retos exercem ações primárias mais intuitivas, promovendo movimentos verticais e horizontais, enquanto os oblíquos atuam em movimentos combinados e são essenciais para a estabilidade ocular. Quando os olhos estão em posição primária, os músculos reto superior e inferior promovem elevação e depressão, respectivamente, mas também contribuem para a adução e rotação do olho. Da mesma forma, os músculos oblíquos são importantes para ajustes finos de rotação, prevenindo distorções visuais ao inclinar a cabeça. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 15 O conhecimento da musculatura extrínseca do olho e sua inervação tem grande relevância clínica, sendo essencial para o diagnóstico de distúrbios neurológicos que afetam a motricidade ocular. A paralisia do nervo oculomotor (NC III) resulta em ptose palpebral, desvio lateral do olho e comprometimento da elevação, depressão e adução. A paralisia do nervo troclear (NC IV) leva a diplopia vertical, especialmente ao olhar para baixo, dificultando ações como descer escadas ou ler. Já a paralisia do nervo abducente (NC VI) impede a abdução do olho, causando estrabismo convergente e visão dupla lateral. Na prática! Avaliação da Função dos Músculos Extrínsecos A avaliação clínica da função dos músculos extrínsecos é realizada através do teste do "H", no qual o paciente acompanha o movimento do dedo do examinador em seis direções principais. Esse exame permite identificar déficits musculares específicos e direcionar o diagnóstico de possíveis neuropatias ou condições que afetam o controle motor ocular. A ação sinérgica entre os músculos de ambos os olhos é essencial para a visão binocular e o alinhamento preciso do olhar, garan- tindo que o sistema visual funcione de maneira integrada e eficiente. 7. GLOBO OCULAR O olho humano é um órgão complexo responsável pela captação e processamento dos estímulos luminosos, possibilitando a visão. Sua anatomia interna é composta por várias estruturas especializadas, que trabalham em conjunto para garantir a formação de imagens nítidas na retina e sua posterior interpretação pelo cérebro. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 16 Anatomia do Olho Humano Corpo Ciliar Pupila Cristalino Câmara Anterior Humor Vítreo Músculo Reto Medial Músculo Reto Lateral Coroide Esclera Fóvea Central Nervo Óptico Artéria Central da Retina Cabeça do Nervo Óptico Vasos Sanguíneos da Retina Retina Córnea Íris Figura 8. Anatomia do globo ocular. Fonte: Selim gdb/Shutterstock A parte anterior do olho inclui a córnea, uma membrana transparente e altamente sensível que protege o olho e auxilia na refração da luz. Logo atrás, a íris, composta por músculos lisos, regula a quantidade de luz que entra no olho ao controlar o diâmetro da pupila, a abertura central que permite a passagem da luz. A íris divide o segmento anterior do olho em duas câmaras: • Câmara anterior, localizada entre a córnea e a íris. • Câmara posterior, situada entre a íris e o cristalino. Essas câmaras contêm o humor aquoso, um líquido que nutre as estruturas avascu- lares do olho (como a córnea e o cristalino) e mantém a pressão intraocular adequada. O humor aquoso é produzido pelos processos ciliares do corpo ciliar e drenado pelo canal de Schlemm, localizado no ângulo iridocorneal. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/human-eye-anatomy-science-vector-design-2459045445 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 17 O cristalino é uma lente biconvexa que ajusta seu formato para permitir o foco de objetos próximos e distantes. Essa capacidade, chamada acomodação, é regulada pelo músculo ciliar. O cristalino é avascular e recebe seus nutrientes do humor aquoso. A cavidade posterior do olho é preenchida pelo corpo vítreo, uma substância gela- tinosa que auxilia na manutenção da forma do globo ocular e permite a passagem da luz para a retina. O globo ocular é composto por três camadas principais, cada uma com funções específicas essenciais para a proteção, nutrição e processamento dos estímulos visu- ais. A túnica fibrosa externa é a camada mais superficial e exerce um papel estrutural e protetor. Ela é formada pela esclera, uma membrana branca e opaca que confere resistência ao olho e serve como ponto de fixação para os músculos extraoculares, e pela córnea, uma estrutura transparente que atua na refração da luz, permitindo sua entrada no olho. A camada intermediária, denominada túnica vascular média ou úvea, é altamente vascularizada e responsável pelo suprimento sanguíneo das estruturas oculares inter- nas. Nela se encontra a corioide, uma rica rede de vasos sanguíneos que nutre a retina e auxilia na absorção da luz para reduzir reflexos indesejados. O corpo ciliar, localizado na porção anterior dessa camada, contém os músculos ciliares, que regulam a curva- tura do cristalino para o processo de acomodação visual, além dos processos ciliares, responsáveis pela produção do humor aquoso. Já a íris, também parte da túnica vas- cular, funciona como um diafragma ajustável que controla a entrada de luz no olho ao modificar o diâmetro da pupila. Por fim, a túnica nervosa interna, representada pela retina, é a camada sensorial do olho. A parte óptica da retina contém os fotorreceptores – cones, responsáveis pela visão de cores e detalhes finos, e bastonetes, especializados na captação de luz em ambientes de baixa luminosidade. Já a parte cega reveste o corpo ciliar e a íris, mas não possui fotorreceptores, sendo, portanto, incapaz de captar estímulos luminosos. Essa complexa organização das camadas do globo ocular garante a captação e o pro- cessamento adequado das imagens, permitindo a formação de uma percepção visual precisa e funcional. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 18 Estrutura da Retina Coróide Epitélio Pigmentar Epitélio Pigmentar Camada de Fotorreceptores Camada Nuclear Externa Camada Plexiforme Externa Camada Nuclear Interna Camada Plexiforme Interna Camada de Células Ganglionares Camada de Fibras Nervosas Bastonete Célula Horizontal Célula Bipolar Célula Amácrina Célula Ganglionar Para o Nervo Óptico Cone Retina Nervo óptico Figura 9. Estrutura da Retina. Fonte: inspiring.team/Shutterstock Na retina, destaca-se a mácula lútea, uma área responsável pela visão de alta defi- nição. No centro da mácula está a fóvea central, onde há alta concentração de cones, permitindo maior acuidade visual. O disco óptico, por onde o nervo óptico sai do olho, não possui fotorreceptores e corresponde ao "ponto cego" da visão. O nervo óptico (NC II) transporta os impulsos visuais da retina para o córtex occipital do cérebro. A vascularização do olho ocorre principalmente pela artéria oftálmica, com a artéria central da retina sendo responsável pelo suprimento sanguíneo da camada interna da retina. A drenagem venosa se dá pelas veias oftálmicas e pela veia central da retina, que desembocam no seio cavernoso. Durante a fundoscopia, é possível visualizar o fundo do olho, incluindo o disco óp- tico, a mácula e os vasos retinianos, permitindo a detecção de alterações vasculares e neurológicas. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/eye-retina-anatomy-human-vision-organ-2209889737 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 19 Figura 10. Fundoscopia normal. Fonte: Kateryna Kon/Shutterstock Essa organização estrutural sofisticada do globo ocular garante a captação eficiente dos estímulos luminosos e a formação de imagens, permitindo que o cérebro interprete os sinais visuais e proporcione a experiênciada visão. 8. VASCULARIZAÇÃO A vascularização do olho e das pálpebras destaca-se por sua complexidade e papel vital na manutenção da visão e proteção ocular. Os vasos sanguíneos responsáveis por essa irrigação derivam principalmente da artéria oftálmica, ramo da artéria carótida interna, e de ramos da artéria carótida externa, assegurando o fornecimento de oxigênio e nutrientes para as estruturas internas do globo ocular e as pálpebras. https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/normal-retina-illustration-ophthalmoscope-image-2367291119 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 20 No globo ocular, a artéria oftálmica, ao penetrar na órbita através do forame óptico, acompanha o nervo óptico e origina importantes ramificações. Entre elas, a artéria central da retina se destaca por penetrar o nervo óptico e emergir no disco óptico para suprir a retina interna. Esta artéria é classificada como uma artéria terminal, e sua obstrução pode levar à isquemia retiniana, resultando em perda de visão. As artérias ciliares posteriores curtas perfuram a esclera ao redor do nervo óptico e suprem a corioide, que nutre a camada externa avascular da retina. Já as artérias ciliares posteriores longas percorrem entre a esclera e a corioide até alcançarem o corpo ciliar e a íris, participando da formação do plexo ciliar. As artérias ciliares anteriores, derivadas dos ramos musculares da artéria oftálmica, irrigam a esclera, a íris e o corpo ciliar . Artérias do Olho Artéria Oftálmica Artéria Ciliar Posterior Curta Artéria Lacrimal Artéria caróide interna Artéria Meníngea Média Artéria Supra-Orbital Artéria Nasal Dorsal Artéria Supratroclear Artéria Ciliar Anterior Canais no Osso Zigomático Artérias Etmoidais nos Canais do Osso Etmoide Posterior Anterior Nervo Óptico Figura 11. Artérias do olho. Fonte: inspiring.team/Shutterstock A drenagem venosa do globo ocular é igualmente sofisticada. A veia central da retina acompanha sua artéria homônima e geralmente drena diretamente para o seio cavernoso, ou, alternativamente, para as veias oftálmicas. As veias vorticosas são responsáveis pela drenagem da corioide e desembocam nas veias oftálmicas superior e inferior, que se conectam ao plexo venoso pterigóideo e ao seio cavernoso. O seio venoso da esclera (Canal de Schlemm), situado na junção esclero-corneana, desempe- nha um papel crucial na drenagem do humor aquoso, sendo fundamental na regulação da pressão intraocular e prevenção de condições como o glaucoma . https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/human-eye-arteries-ophthalmic-artery-central-2267961075 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 21 Figura 12. Veias do olho. Fonte: acervo Sanar. Na porção anterior do olho, forma-se uma rede anastomótica na íris, que facilita a troca de substâncias com a câmara anterior, essencial para a nutrição da córnea. A córnea, por ser avascular, depende de difusão para sua nutrição. Esse processo ocorre a partir do humor aquoso presente na câmara anterior e através de capilares no limbo escleral, que provê renovação celular. Além disso, o filme lacrimal proporciona oxigênio e defesa antimicrobiana, fundamentais para a saúde corneana. A órbita e as pálpebras recebem suprimento sanguíneo tanto de ramos da carótida interna quanto da carótida externa, criando um sistema vascular redundante que protege contra isquemias locais. Da artéria oftálmica, derivam ramos como a artéria supraorbital, que nutre a fronte e o couro cabeludo, a artéria supratroclear, que irriga as pálpebras e a testa, e a artéria lacrimal, que fornece sangue para a glândula lacrimal, a conjuntiva e as pálpebras. Já os ramos da carótida externa, como a artéria infraorbital (proveniente da artéria maxilar) e a artéria angular (ramo terminal da facial), contribuem para a vasculari- zação das pálpebras e da região nasal, enquanto ramos das artérias temporal superficial e transversa da face formam arcos vasculares nas pálpebras superior e inferior . Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 22 A drenagem venosa da órbita e das pálpebras ocorre principalmente através das veias oftálmicas superior e inferior, que se comunicam com o seio cavernoso, facilitando a drenagem para a circulação cerebral. Essa interconexão torna possível a ocorrência de trombose do seio cavernoso a partir de infecções faciais, devido à proximidade com a "área perigosa da face" . A interligação das redes arteriais e venosas que suprem o olho e as pálpebras demonstra a importância desse sistema vascular para a oftalmologia e neurologia, enfatizando a necessidade de vigilância clínica constante para prevenir complicações como glaucoma, retinopatia isquêmica e trombose do seio cavernoso. 9. INERVAÇÃO A inervação do olho e das pálpebras envolve uma complexa rede de nervos cranianos responsáveis tanto pela motricidade quanto pela sensibilidade da região orbitária. A coordenação entre essas estruturas garante movimentos precisos do globo ocular e a manutenção da integridade do sistema visual. A motricidade ocular depende de três nervos cranianos que suprem os músculos extrínsecos do olho: • Nervo Oculomotor (NC III): É o principal responsável pela movimentação do olho, suprindo os músculos reto superior, reto inferior, reto medial e oblíquo inferior, além do levantador da pálpebra superior. Possui também uma função autonômi- ca ao transportar fibras parassimpáticas pré-ganglionares para o gânglio ciliar, que posteriormente inervam o músculo esfíncter da pupila e o músculo ciliar, fundamentais para a contração pupilar e acomodação visual . • Nervo Troclear (NC IV): Exclusivamente motor, inerva o músculo oblíquo superior, que permite a depressão e a rotação medial do olho . • Nervo Abducente (NC VI): Controla apenas o músculo reto lateral, responsável pela abdução do olho, ou seja, pelo movimento lateral do globo ocular . O nervo trigêmeo (NC V) é o principal responsável pela inervação sensitiva da órbita e das estruturas anexas. Seu ramo oftálmico (V1) se divide em três ramos principais: • Nervo Lacrimal: Fornece inervação sensitiva para a glândula lacrimal e para a conjuntiva lateral . • Nervo Frontal: Responsável pela inervação da pálpebra superior e da pele da fronte . • Nervo Nasociliar: Envia ramos para a córnea, a esclera e as pálpebras, além de participar da inervação do gânglio ciliar por meio dos nervos ciliares longos e cur- tos, que carregam fibras simpáticas e parassimpáticas para a íris e o corpo ciliar . Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 23 Nervos Motores do Olho Nervo Oculomotor (NC III) Nervo Troclear (NC IV) Nervo Abducente (NC VI) Nervos Ciliares Curtos Músculo ciliar Músculo Esfíncter da Pupila Músculo Levantador da Pálpebra Superior Músculo oblíquo superior Músculo reto superior Músculo reto lateral Músculo reto medial Músculo reto inferior Músculo oblíquo inferior Fibras motoras Óptica (II) sensorial Fibras sensoriais Gânglio Ciliar Figura 13. Inervação do olho. Fonte: Pikovit/Shutterstock O sistema nervoso autônomo regula funções involuntárias essenciais para a visão, como a acomodação do cristalino e o controle do diâmetro pupilar: • Parassimpático: Fibras originadas do núcleo de Edinger-Westphal (NC III) viajam até o gânglio ciliar, onde fazem sinapse. As fibras pós-ganglionares inervam o músculo esfíncter da pupila (responsável pela miose) e o músculo ciliar (que ajusta a curvatura do cristalino para visão de perto) . • Simpático: As fibras simpáticas pós-ganglionares originam-se do gânglio cervi- cal superior, seguem pelo plexo carotídeo interno e atingem a órbita via nervos ciliares longos e curtos. Elas inervam o músculo dilatador da pupila (responsável pela midríase) e o músculo tarsal superior, que auxilia na elevação da pálpebra . As pálpebras possuem uma inervação mista, combinando fibras motoras e sensitivas: • Nervo Oculomotor (NC III): Controla o músculo levantador da pálpebra superior, essencial para a abertura dos olhos. Sua paralisiaresulta em ptose palpebral . • Nervo Facial (NC VII): Inerva o músculo orbicular do olho, responsável pelo fecha- mento das pálpebras. Sua lesão pode impedir o piscar reflexo e causar exposição excessiva da córnea . • Nervo Trigêmeo (NC V1 e V2): Proporciona sensibilidade à pálpebra superior (via ramo oftálmico - V1) e inferior (via ramo maxilar - V2) . A inervação dos olhos e das pálpebras envolve uma interação precisa entre nervos cranianos motores e sensitivos, além de fibras autonômicas simpáticas e parassimpá- ticas. Essa complexa rede neuronal assegura não apenas os movimentos coordenados do globo ocular, mas também a proteção da córnea, a regulação da pupila e a acomo- dação visual, permitindo uma resposta eficiente a estímulos ambientais e condições luminosas variadas. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/motor-nerves-eye-anatomy-poster-abducens-2487970189 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 24 10. DRENAGEM LINFÁTICA A drenagem linfática da região orbitária e das pálpebras é essencial para a home- ostase tecidual e a defesa imunológica, garantindo a remoção de líquidos intersticiais e células do sistema imune que possam estar respondendo a processos inflamatórios ou infecciosos. Essa drenagem ocorre através de uma rede linfática complexa, que se comunica com estruturas adjacentes da face e do pescoço. A região orbitária conta com uma drenagem linfática que segue principalmente para os linfonodos pré-auriculares (parotídeos) e submandibulares, por meio de vasos que acompanham os plexos venosos. Diferentemente de outros tecidos, a órbita não contém linfonodos próprios, e a drenagem linfática ocorre por meio de trajetos conectados às estruturas palpebrais e perioculares. Sistema Linfático Facial Linfonodos Pós-Auriculares Linfonodos Pré-Auriculares Glândula Parótida Linfonodos Cervicais Posteriores Linfonodos Cervicais Profundos Linfonodos Supraclaviculares Linfonodos Faciais Linfonodos Submentonianos Linfonodos Submandibulares Linfonodos Cervicais Anteriores Figura 14. Drenagem Linfática da Face. Fonte: ORLY design/Shutterstock https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/woman-profile-facial-lymphatic-system-nodes-2327727499 Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 25 As pálpebras possuem um sistema de drenagem linfática bem estabelecido, com dois trajetos principais: • Drenagem lateral: Direciona-se para os linfonodos pré-auriculares (parotídeos), acompanhando as veias temporais superficiais. • Drenagem medial: Segue para os linfonodos submandibulares, através de canais linfáticos próximos ao canto medial do olho e ao aparelho lacrimal . O fluxo linfático das pálpebras e da região orbitária não é isolado, estando intimamen- te relacionado à drenagem linfática da face. Isso significa que processos infecciosos ou inflamatórios na face podem afetar a região orbitária e vice-versa. Além disso, essa interconexão favorece a drenagem para os linfonodos cervicais profundos, por meio de coletores linfáticos associados à veia jugular interna. Após passar pelos linfonodos pré-auriculares e submandibulares, a drenagem linfá- tica segue padrões semelhantes ao restante da face: • No lado direito, direciona-se ao ducto linfático direito. • No lado esquerdo, drena para o ducto torácico, que leva a linfa à circulação sis- têmica . A drenagem linfática eficiente da região orbitária desempenha um papel funda- mental na manutenção da função ocular e na resposta imunológica. Uma drenagem comprometida pode levar a edema periorbitário, infecções recorrentes e processos inflamatórios prolongados, como observado em condições como celulite orbitária e conjuntivites severas. Além disso, o conhecimento da drenagem linfática da órbita e das pálpebras tem importância cirúrgica, especialmente em procedimentos oftalmológicos e plásticos. Intervenções na região periorbitária, como blefaroplastias e drenagem de abscessos, devem considerar o trajeto linfático para evitar complicações como linfedema persis- tente e fibrose tecidual. Assim, a drenagem linfática dos olhos e das pálpebras é um componente essencial da homeostase local e da defesa imunológica da região orbitária. Sua conexão com os linfonodos parotídeos, submandibulares e cervicais torna essa rede altamente inte- grada ao sistema linfático da face, garantindo a remoção eficiente de fluidos e células imunológicas. O entendimento desses mecanismos é crucial tanto para a abordagem clínica quanto para intervenções cirúrgicas oftalmológicas e faciais. Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 26 Órbita: Cavidade óssea que protege o olho Músculo Levantador da Pálpebra Superior: Elevação da pálpebra (inervado pelo NC III) Globo Ocular: Estrutura esférica composta por múltiplas camadas essenciais para a visão Músculo Tarsal Superior: Auxilia na abertura da pálpebra (inervado pelo sistema simpático) MAPA MENTAL: ANATOMIA DOS OLHOS E DAS PÁLPEBRAS. Anatomia Externa Pálpebras: Estruturas móveis que protegem os olhos contra traumas e reduzem a exposição à luz Glândulas tarsais (Meibômio): Secreção de lipídios para evitar evaporação da lágrima Tarsos (superior e inferior): Estruturas de sustentação Cílios e Glândulas Ciliares (Zeiss e Moll): Proteção contra partículas e lubrificação Comissuras Palpebrais (Medial e Lateral): Cantos do olho que contêm o sistema lacrimal Limbo da córnea: Transição entre córnea e esclera Esclera: Camada fibrosa branca que dá sustentação ao olho Conjuntiva: Membrana mucosa transparente que recobre a esclera e a parte interna das pálpebras Íris e Pupila: Regulam a entrada de luz Supercílios: Proteção contra suor e partículas da testa Córnea: Estrutura transparente responsável pela refração da luz Órbita Musculatura Periorbitária Função: Proteção e suporte para o globo ocular e estruturas anexas Músculo Corrugador do Supercílio: Aproxima as sobrancelhas, formando rugas verticais Formato: Pirâmide quadrangular com base anterolateral e ápice posteromedial Músculo Orbicular do Olho Porção palpebral: Piscar suave e dispersão da lágrima Paredes Ósseas (7 ossos) Porção orbicular: Fechamento vigoroso do olho Forames e Fissuras Canal óptico → Nervo óptico (NC II) e artéria oftálmica Fissura orbital superior → NC III, IV, VI, V1 e veia oftálmica superior Fissura orbital inferior → Nervo infraorbital e zigomático Forame infraorbital → Nervo e vasos infraorbitai (continua) Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 27 Estruturas de Sustentação Septo Orbital: Barreira fibrosa que separa estruturas profundas da órbita Fáscia Orbital: Envolve e protege as estruturas intraorbitárias Ligamentos Cantais: Mantêm o alinhamento das pálpebras Medial → Fixa-se ao osso lacrimal Lateral → Fixa-se ao zigomático Cápsula de Tenon: Permite o movimento suave do olho dentro da órbita Gordura Orbitária: Mantém a posição do globo ocular e sofre alterações com o envelhecimento Aparelho Lacrimal Inervação Musculatura Extrínseca do Olho Glândula Lacrimal: Secreção de lágrimas Reto Lateral → Abdução Motora Drenagem Lacrimal Oblíquo Superior → Depressão, abdução e intorsão Pontos lacrimais → Canalículos lacrimais → Saco lacrimal → Ducto nasolacrimal → Cavidade nasal NC IV (Troclear): Movimento do oblíquo superiorNC III (Oculomotor): Movimentos oculares e controle da pupila NC VI (Abducente): Movimento do reto lateral Funções: Lubrificação, proteção contra microrganismos e remoção de partículas Oblíquo Inferior → Elevação, abdução e extorsão (continua) Reto Superior → Elevação, adução e intorsão Reto Inferior → Depressão, adução e extorsão Reto Medial → Adução Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 28 Artéria Oftálmica → Principal suprimento arterial Artéria Central da Retina: Irriga a retina interna Artérias Ciliares: Irrigam a corioide, esclera e corpo ciliar Vascularização Drenagem Venosa Veias Vorticosas → Drenam a corioideVeia Central da Retina → Drena para o seio cavernoso Veias Oftálmicas → Comunicação com o sistemavenoso cerebral Fonte: Elaborado pela autora. Sensitiva Autonômica Parassimpático → Miose (contração pupilar) e acomodação do cristalino NC V (Trigêmeo) - Ramo oftálmico (V1): Sensibilidade da córnea, órbita e pálpebras Simpático → Midríase (dilatação pupilar) e elevação da pálpebra pelo músculo tarsal superior Anatomia dos Olhos e das Pálpebras 29 REFERÊNCIAS Sabiston DC. Tratado de cirurgia. 19ª ed. Sobotta J. Atlas de anatomia humana. 21ª ed. 2000. Netter FH. Atlas interativo 3.0. Escrito por Laura Francisca Moura e revisado por Rafael Siqueira sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. Sanar Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770 1. Anatomia Externa 2. Órbita 3. Musculatura Periorbitária 4. Estruturas de Sustentação 5. Aparelho Lacrimal 6. Musculatura Extrínseca 7. Globo Ocular 8. Vascularização 9. Inervação 10. Drenagem Linfática REFERÊNCIAS