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VISÃO DE HOMEM EM GESTALT-TERAPIA Para entender a visão de Homem em Gestalt-terapia (Gt) precisamos conhecer o seguinte caminho: Humanismo → Existencialismo → Fenomenologia → Dialógica* (Será estudado no 6º semestre). O Humanismo, na Gt, é uma totalidade de: Mente + Corpo + Ambiente, diferente do Positivismo (=valorizava a razão e a lógica), o qual separava o corpo da mente e sequer mencionava o ambiente. O Positivismo foi fundado por Augusto Comte. A Psicologia Humanista não é baseada em uma única teoria mas sim em um conjunto de teorias, tais como as elaboradas por Carl Rogers, Abraham Maslow, Viktor Frankl e Jacob Levy Moreno. Todas convergiam para uma abordagem humanizadora do Homem. O Homem, na visão humanista da Gt, é capaz de se autogerir e regular-se, o que significa que sempre existirá um canal preservado para se comunicar com o outro, independentemente do sofrimento psíquico vivenciado. Além disso, as relações são paritárias, inexistindo relação de poder no processo terapêutico. Considera ainda a pessoa como o centro, respeitando a individualidade (=conceito mais amplo do ser humano) ao invés do individualismo (conceito mais restrito do ser humano). Desta forma, o Homem é integrado em corpo e mente, instâncias estas que se influenciam mutuamente. Ressalte-se que no diagnóstico a pessoa não é reduzida, pois a mesma é muito além do que diz seu psicodiagnóstico. Na visão humanista, reconhece as limitações do Homem bem como seus aspectos positivos. No processo terapêutico, todas as formas de expressão (=sentimentos, pensamento, ação, linguagem verbal, não verbal, sintoma, tom de voz, roupas) são consideradas. O aqui-agora é a valorização do tempo presente no qual fazem parte o que a pessoa vive mais o que ela pretende viver. O Homem, na visão existencialista em Gt, possui uma concepção individual e particular das quais procura-se compreendê-lo como um ser concreto nas suas circunstâncias e no seu viver, conforme se mostra a sua realidade. Traduzindo: O homem deve ser responsabilizado pelos seus atos e assumir as consequências. Algumas ponderações filosóficas acerca do Homem no Existencialismo: Segundo Sartre “a existência precede a essência”. Essa frase significa que a idiossincrasia (=essência) do homem vai sendo construída à medida que vive. Daí precisar antes existir para depois ter a sua essência configurada. Implica diretamente na quebra do determinismo psíquico E→ R (Estímulo gera Resposta). Todavia essa relação E→R pode influenciar na formação da essência do Homem, mas sem determiná-lo. Dito isso, afirmamos que o Homem é um ser de projeto, pois nunca está acabado, sendo ele um eterno vir-a-ser, que significa que sempre terá a capacidade de se transformar (=atualizar, termo usado na Gt), independentemente do terapeuta. Importante destacar que a mencionada atualização ocorre entre as sessões terapêuticas, ou seja, na vida vivida no dia a dia. A psicoterapia tem o papel de acelerar essa atualização. Sartre também disse: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós.” e “Ao ser livre e responsável o homem vive a angústia – Estar no mundo sem garantias de sucesso ou segurança.” Outro importante filósofo no Existencialismo foi Heidegger que disse: “O homem é um ser para a morte” A consequência dessa frase: A angústia que a todos alcança. A Fenomenologia na visão da GT, considera imprescindível que o terapeuta deve evitar a prjeção do conteúdo no cliente (=paciente). A respeito disso, assim diz Edmund Husserl: “A fenomenologia é um conjunto de proposições para um método de pensar, aprender e investigar o mundo, tão rigorosamente quanto possível.” Traduzindo: é a descrição da realidade sem a influência dos conteúdos próprios do observador. Valendo-se dessa ideia, a Fenomenologia possibilita que o terapeuta possa chegar o mais próximo da experiência do sujeito, tal como vivida por ele. Essa experiência é o que se denomina de fenômeno, podendo ser uma emoção, um gesto, um objeto, enfim, tudo potencialmente pode ser um fenômeno, desde que tenha sido percebido pela minha consciência, vindo dos órgãos dos sentidos, sendo esmiuçado. Na análise do fenômeno, indispensável a utilização da redução fenomenológica ou Epoché, que nada mais é suspender os próprios julgamentos, preconceitos e verdades absolutas, pois só assim conseguiremos apreender o fenômeno do nosso cliente. Um outro conceito importante é o Horizontalismo, que diz que não apenas o que acontece no setting terapêutico é importante, mas também todas as demais coisas que ocorrem fora do lugar seguro de acolhimento e conversa. Concluindo, a visão de homem na Gt é de um homem em constante atualização, devendo ser responsabilizado pelas suas escolhas e as decorrentes consequências, configurando-se assim um processo dinâmico de eterno vir-a-ser. Perguntas a serem respondidas: Qual o caminho a ser seguido para ser entender o Homem segundo a Gt? O que diferencia a visão positivista de Augusto Comte da visão Humanista da Gt? Podemos afirmar que a Psicologia Humanista é fundada em uma única teoria? Justifique sua resposta. Qual a diferença entre individualidade e individualismo para a GT? O que significa um eterno vir-a-ser? O que significa a ênfase no aqui-agora? O que se leva em consideração no processo terapêutico? O que é essência, segundo Sartre? O que é Epoché? Qual o outro nome dessa atitude? E quando utilizá-la? O que é Horizontalismo? O que é um fenômeno?