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EXAME PSÍQUICO Professoras da disciplina 2023/2 EXAME PSÍQUICO O exame psíquico ou exame do estado mental corresponde a uma das tarefas mais subjetivas dos profissionais de saúde. E ele, juntamente com o exame físico, norteará a assistência integral ao paciente. EXAME PSÍQUICO Objetivos ✓ Identificar possíveis problemas emocionais e/ou psíquicos do paciente; ✓ Contribuir com o estabelecimento dos diagnósticos, das intervenções e dos resultados de enfermagem; ✓ Irá permitir que o paciente verbalize temores e outras reações e que estabeleça aliança terapêutica com o enfermeiro (a). “Importante salientar que não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece”. Dalgalarrondo, 2019 FUNÇÕES PSÍQUICAS Componentes do Exame Psíquico ❖ Consciência ❖ Atenção ❖ Orientação ❖ Memória ❖ Percepção ou Sensopercepção ❖ Pensamento ❖ Critica ❖ Humor e Afeto ❖ Psicomotricidade ❖ Linguagem ❖ Inteligência ❖ Pragmatismo ❖ Volição CONSCIÊNCIA CONSCIÊNCIA Definição neuropsicológica: Neste sentido é empregada como estado de lucidez, vigilância, de estar desperto. Trata-se especificamente do nível de consciência/grau de clareza do sensório. Definição psicológica: É a esfera psíquica que promove integração do indivíduo ao meio ambiente. Capacidade do indivíduo entrar em contato com a realidade, perceber e conhecer seus objetos. CONSCIÊNCIA 1. Alterações quantitativas: é uma variação do nível de consciência, como por exemplo: Sonolência (oscila entre dormindo e acordado e, com algum esforço desperta e estabelece contato - não patológica). Obnubilação (↓ branda da claridade da consciência neurológica; turvação da consciência; rebaixamento da consciência em grau leve a moderado). Estupor (rebaixamento global da consciência neurológica onde é necessário provocar estímulos intensos para obter apenas reações primitivas). Coma (perda completa da consciência. É impossível qualquer atividade voluntária da consciência). CONSCIÊNCIA 2. Alterações qualitativas: é a variação na amplitude do campo da consciência, como por exemplo: Estados crepusculares: estado patológico transitório no qual uma obnubilação leve da consciência é acompanhada de relativa conservação da atividade motora coordenada, permitindo a ocorrência dos atos automáticos. Estado hipnótico: é um estado de consciência reduzida e estreitada e de atenção concentrada. A sugestionabilidade do indivíduo está aumentada e sua atenção focada ao hipnotizador. CONSCIÊNCIA 3. Síndrome psicopatógica: associada ao rebaixamento prolongado do nível de consciência Delirium: ocorre rebaixamento leve a moderado do nível de consciência, alteração da atenção, memória de fixação recente e orientação temporo - espacial, as vivências reais se confundem com vivências psicóticas. Trata-se de um quadro que oscila muito ao longo do dia. Propicia vivências como: falsas percepções, ilusões, alucinações, ideias delirantes, etc. ATENÇÃO ATENÇÃO ✓ Capacidade de direcionar ou focar a vida mental em determinados estímulos específicos. ✓ Sem a capacidade de seleção exercida pela atenção, a quantidade de informações externas e internas que chegariam à nossa mente seria tão grande que inviabilizaria qualquer atividade psíquica. Atenção Voluntária: relaciona-se a um esforço intencional, consciente, por parte do indivíduo na direção do objeto. Atenção Espontânea: consiste numa reação automática, não- consciente e não-intencional, do indivíduo aos estímulos; suscitado pelo interesse momentâneo. ATENÇÃO Tenacidade: é a capacidade de manter a atenção em determinado objeto por certo tempo (capacidade de concentração). Mobilidade da atenção: é a capacidade de, a qualquer momento, desviar a atenção de um objeto para outro. Hipoprosexia: diminuição global da atividade da atenção, afetando tanto a tenacidade como a mobilidade. Hiperprosexia: consiste em um estado de atenção exacerbada que leva o indivíduo a se dirigir aos mais diversos estímulos sensoriais, sem nenhum foco determinado. Aprosexia: consiste na abolição total da atenção por mais intensos que sejam os estímulos. ATENÇÃO Distração x Distraibilidade Distração: não considerado patológico mas, se trata de uma superconcentração ativa sobre determinado conteúdo ou objeto com inibição de todo o resto. Distraibilidade: estado patológico onde o indivíduo tem dificuldade ou incapacidade para fixar-se ou deter-se em qualquer coisa que implique esforço produtivo. A atenção é facilmente desviada. ORIENTAÇÃO ORIENTAÇÃO Capacidade de situar-se quanto a si mesmo e no tempo - espaço. Orientação autopsíquica – refere-se a própria pessoa. É aquela do indivíduo em relação a si mesmo. Orientação alopsíquica – refere-se ao mundo externo (orientação temporal; espacial; quanto as pessoas e situacional). MEMÓRIA MEMÓRIA É responsável pela fixação, armazenamento e evocação dos estímulos e vivências. Principais tipos de memória: 1. Imediata ou de curtíssimo prazo (de poucos segundos até 1 a 3 minutos) 2. Recente ou de curto prazo (de poucos minutos até 3 a 6 horas)) 3. Remota ou de longo prazo (de dias, meses até muitos anos) MEMÓRIA Alterações quantitativas da memória: são por exemplo a amnésia (incapacidade total ou parcial para recordar eventos passados) e hipermnésia (os fatos são recordados com riqueza de detalhes – (hipermnésia para memória autobiográfica). Em relação aos processos fisiopatológicos as amnésias podem ser divididas em: Psicogênicas ou dissociativas: há perda de elementos mnêmicos seletivos. Ele esquece por exemplo um evento específico de sua vida mas, lembra de todo resto. Orgânica: a perda é menos seletiva. Em geral perde-se a capacidade de memorização de fatos e eventos recentes para gradualmente a perda de conteúdos mais antigos. SENSOPERCEPÇÃO SENSOPERCEPÇÃO Sensação: fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, originados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores, estimulando-os. Percepção: entende-se a tomada de consciência, pelo indivíduo, do estímulo sensorial. SENSOPERCEPÇÃO Alterações quantitativas da sensopercepção: ❑ Hiperestesias: as sensações são aumentadas em sua intensidade ou duração. Pode ocorrer nas intoxicações por alucinógenos; em algumas formas de epilepsia e enxaqueca. ❑ Hipoestesias: as sensações são diminuídas como na depressão, o mundo é escuro, a comida é sem gosto, etc. Alterações qualitativas da sensopercepção: ❑ Ilusão: existe o objeto mas o paciente o vê de forma distorcida. As mais comuns são as visuais mas, eventualmente podem ocorrer as ilusões auditivas. ❑ Alucinação: existe uma “percepção sem objeto”. SENSOPERCEPÇÃO Tipos de Alucinação: ❑ Auditiva (muito frequente na esquizofrenia). Podem ser simples ou complexas. ❑ Visual - Também podem ser simples (fotopsias) ou complexas. Geralmente de causa orgânica. Ex.: zoopsia, liliputiana, cenográficas. ❑ Tátil (comum nos quadros de delirium tremens e esquizofrenia). ❑ Olfativa ou Fantosmias (frequente na epilepsia e esquizofrenia). ❑ Gustativa ou Fantageusias (frequente na epilepsia e esquizofrenia). ❑ Cenestésicas ou somáticas - sensações deformadas em relação ao corpo e seus órgãos. (ocorrem em especial na esquizofrenia) PENSAMENTO PENSAMENTO É a atividade do indivíduo de suceder ideias expressas em sua mente por meio da linguagem. Será avaliado indiretamente, com base no discurso do paciente. Será avaliado quanto ao curso, forma e conteúdo. Curso: é a velocidade do pensamento. Pode estar: ❑ Normal ❑ Acelerado ❑ Lentificado ❑ Fuga de ideias – salto verbal de uma ideia para outra antes que a ideia precedente tenha sido concluída. PENSAMENTOForma: está relacionada à estrutura do pensamento, à relação entre as ideias. Pode estar: ❑ Agregado ❑ Desagregado: as ideias tendem a não se encadear umas nas outras, sendo o discurso composto por frases desconexas. Perda da coerência do pensamento. ❑ Arborizado: as ideias se encadeiam, porém o pensamento tende a se distanciar do foco original, com mudanças progressivas do tema do discurso. PENSAMENTO ❑ Fuga de ideias: o paciente muda de tema do discurso mais rapidamente que na arborização. ❑ Prolixidade: incapacidade de distinguir o que é fundamental do que é acessório no discurso. Desvia-se, mas não se perde o tema. PENSAMENTO Conteúdo: diz respeito a temática do pensamento, as ideias expressas pelo paciente. Ideias Prevalentes: são conteúdos que, em função de sua carga afetiva, ocupam a maior parte do conteúdo do pensamento do indivíduo no momento do exame. Ideias Obsessivas: são pensamentos de caráter intrusivo, reconhecidas pelo próprio paciente como absurdas, porém de difícil controle. Ideias Deliróides: os conteúdos se afastam da realidade. IMPORTANTE!! Alguns autores divergem quanto a classificar os “delírios” como alterações do conteúdo do pensamento ou como alterações do juízo de realidade. Delírios: alterações patológicas dos juízos, consistem em crenças irreais não removíveis mediante argumentação lógica. De acordo com a temática delirante poderá ser, entre outros: ❑ Delírio Persecutório (a perseguição é o tema central) ❑ Delírio Místico/Religioso (crença de que está ligado a um deus ou missões religiosas) ❑ De Grandeza (ideias de superioridade extrema – riqueza, poderes especiais, conhecimentos superiores) ❑ De Ciúme (crença patológica de que o parceiro está sendo infiel) ❑ Delírio erótico (acredita que uma pessoa de destaque social está apaixonado por ele) ❑ De Autorreferência (acredita que as pessoas estão falando/rindo dele) ❑ Delírio de culpa (acredita ser culpado por tudo de ruim que acontece no mundo ou na vida das pessoas) CRÍTICA CRÍTICA Avalia-se o grau de insight do paciente, ou seja, o quanto de compreensão o mesmo apresenta em relação ao seu próprio estado mental. Pode estar: ❑ Preservada ❑ Ausente (negação completa da doença) ❑ Prejudicada (ligeira conscientização acerca do adoecimento) HUMOR E AFETO HUMOR E AFETO Humor: emoção abrangente e constante, que colore a percepção que a pessoa tem do mundo. É o estado emocional basal e difuso em que se encontra a pessoa em determinado momento. Afeto: expressão externa da resposta emocional do paciente; é o que o examinador observa como expressão facial do paciente. Basicamente o humor pode ser classificado em: ❑ Eutímico (normal); ❑ Depressivo (em geral acompanhado de desesperança e angústia); ❑ Eufórico (humor morbidamente exagerado – alegria intensa e desproporcional às circunstâncias); ❑ Disfórico (mudança repentina e transitória, pode ocorrer irritabilidade, amargura, desgosto, agressividade); ❑ Distímico (alteração básica do humor, tanto para inibição quanto exaltação); ❑ Hipertímico (humor e disposição patologicamente alterados no sentido da exaltação ou alegria). HUMOR E AFETO O afeto pode estar congruente (coerente) ou incongruente (incoerente) segundo a sintonia com o conteúdo do pensamento. Pode estar pouco móvel ou lábil segundo as variações do estado emocional durante a entrevista. PSICOMOTRICIDADE PSICOMOTRICIDADE Refere-se aos fenômenos motores exibidos pelo paciente. Pode se apresentar: ❑ Sem alteração ❑ Inquieto ❑ Agitado ❑ Lentificado Quadros de intensa agitação psicomotora são também denominados de furor. E, os quadros de extrema inibição psicomotora de estupor. PSICOMOTRICIDADE FLEXIBILIDADE CÉREA: manutenção de postura, o paciente permanece na posição em que é colocado, como um boneco de cera. CATALEPSIA: estado de rigidez muscular. ESTEREOTIPIA: repetição de um movimento complexo de maneira constante, quase mecânica e desprovida de finalidade. ECOPRAXIA: repetição imitativa do movimento, gestos ou postura de outra pessoa. TIQUE: movimento de um grupamento muscular de maneira súbita e involuntária. LINGUAGEM LINGUAGEM É o modo de comunicação que produz o conjunto de palavras de uma língua que dá origem ao discurso. Algumas alterações: ❖ Disartria (dificuldade na articulação das palavras) ❖ Afasia (perda da fala) ❖ Logorréia (aumento da velocidade da fala) ❖ Bradilalia (diminuição da velocidade da fala) ❖ Mutismo (abolição total da língua falada) ❖ Ecolalia (repetição imitativa da fala de outra pessoa) ❖ Neologismo (palavras novas criadas pelo paciente que não existem no vocabulário) INTELIGÊNCIA INTELIGÊNCIA Capacidade para aprender e utilizar de maneira apropriada o que se aprendeu. Consiste na habilidade para pensar e agir racional e logicamente. Relacionada com o vocabulário, grau de instrução e conhecimentos gerais. As principais habilidades relacionadas a inteligência são: raciocínio, planejamento, resolução de problemas, compreensão de ideias complexas, aprendizagem. INTELIGÊNCIA Alterações da Inteligência: DEMÊNCIA: acomete pessoas que tiveram desenvolvimento completo e normal da inteligência. No entanto, a partir de um dado momento há um declínio progressivo da capacidade intelectiva. OLIGOFRENIA: essa deficiência intelectiva é herdada ou adquirida precocemente no período fetal, perinatal até a primeira infância. VOLIÇÃO VOLIÇÃO É a disposição do indivíduo para uma determinada ação que é obtida por participação do mesmo em fatores sociais, culturais e de educação na nossa sociedade. HIPOBULIA: pouca vontade de realizar tarefas. ABULIA OU AVOLIÇÃO: nenhuma vontade de realizar tarefas. HIPERBULIA: esforço voluntário desmedido/exagerado para realizar uma atividade qualquer. REALIZAÇÃO DO EXAME PSÍQUICO TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO Perguntas claras e simples; Modo coerente e esquematizado, nunca interrogatório; Ideação suicida e/ou homicida abordada diretamente, sendo necessário questionar tentativas anteriores, verificação de avaliação de planos, disponibilidade de sistema de suporte; Iniciar o exame pela observação do comportamento/atitude do paciente diante do avaliador; Descrever aparência/apresentação. REFERÊNCIAS Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais – 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Nogueira, M. J. Exame das Funções Mentais: um guia. São Paulo: Lemos Editorial, 2005.