Prévia do material em texto
1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
REALIZAÇÃO
ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA
DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO
ASSESSORIA TÉCNICA
ILDEBRANDO NERES JUNIOR – 2019
SERGIO RICARDO DE MAGALHÃES SOUZA – 2018
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS – GERÊNCIA DA ESCOLA VIRTUAL
PICTORAMA DESIGN
17ª EDIÇÃO
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele,
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.
RIO DE JANEIRO
2019 – 3ª EDIÇÃO
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola Nacional de Seguros
E73r Escola Nacional de Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.
Risco e precificação de seguros de danos / Supervisão e coordenação
metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de
Ildebrando Neres Junior – 3.ed. – Rio de Janeiro : ENS, 2019.
63 p.; 28 cm
PDF: ISBN 978-85-7052-757-8
1. Risco (Seguro). 2. Seguros – Precificação. 3. Seguros – Danos.
I. Neres Junior, Ildebrando. II. Título.
0019-2339 CDU 368.025.6(072)
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
A
Escola Nacional de Seguros promove, desde 1971, diver-
sas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem
para um mercado de seguros, previdência complementar,
capitalização e resseguro cada vez mais qualificado.
Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para
profissionais que atuam nessa área, a Escola Nacional de Seguros ofe-
rece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiên-
cias com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida
trajetória acadêmica.
A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho
para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes
e a competitividade é cada vez maior.
Seja bem-vindo à Escola Nacional de Seguros.
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
INTRODUÇÃO 7
1. RISCO E PRECIFICAÇÃO 8
RISCO 9
Riscos Seguráveis 11
TRANSFERÊNCIA DE RISCOS 13
Procedimentais 13
Financiamento dos Riscos 14
SUBSCRIÇÃO DE RISCOS 15
Subscritores de Riscos 17
FIXANDO CONCEITOS 1 18
2. CARACTERÍSTICAS DE SUBSCRIÇÃO
DOS RISCOS E SEGUROS DE DANOS 20
ATORES NOS SEGUROS DE DANOS 21
FUNÇÕES DA SUBSCRIÇÃO DE RISCOS NOS SEGUROS DE DANOS 21
O Papel dos Atuários e Estatísticos na Concepção,
Subscrição e Precificação de Seguros de Danos 23
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DOS SEGUROS DE DANOS 25
CUIDADOS NA SUBSCRIÇÃO NOS SEGUROS DE DANOS 26
RISCOS QUE ENVOLVEM A GESTÃO DOS PRODUTOS 27
FIXANDO CONCEITOS 2 29
SUMÁRIO
INTERATIVO
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
3. ESTUDOS DOS RISCOS ,
PROBABILIDADES, CONSEQUÊNCIAS
E SUAS INFLUÊNCIAS NOS PRÊMIOS 31
CÁLCULO MATEMÁTICO DO RISCO 32
ESTUDO DAS PROBABILIDADES 33
PRÊMIO DE RISCO (PR) OU ESPERANÇA MATEMÁTICA (E) 36
TIPOS DE PRÊMIOS EM SEGUROS 37
Prêmio de Risco (PR) ou Prêmio Estatístico (PE) 37
Prêmio Puro 37
Prêmio Comercial 39
Prêmio Bruto 40
FORMAS DE CONTRATAÇÃO E SEUS IMPACTOS NA PRECIFICAÇÃO 40
FIXANDO CONCEITOS 3 41
4. PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 43
OBJETIVOS DA PRECIFICAÇÃO 44
COMPONENTES DO PRÊMIO DE SEGURO 45
Sinistros e Despesas de Sinistros 45
Despesas Administrativas e de Comercialização de Seguros 47
Lucro Razoável e Fundo para Contingências 48
A INFLUÊNCIA DE OUTROS FATORES NA PRECIFICAÇÃO 48
Resultados Financeiros 48
Credibilidade 48
PULVERIZAÇÃO DE RISCOS 49
MÉTODOS UTILIZADOS NA PRECIFICAÇÃO 49
Método do Prêmio Puro 49
Método do Índice de Sinistralidade 50
Método do Julgamento 50
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS NA PRECIFICAÇÃO 51
Método do Ano Apólice (Policy Year Method) 51
Método do Ano Calendário (Calendar Year Method) 52
Método do Ano Acidente (Accident Year Method) 52
Resumo 53
PRECIFICAÇÃO PREDITIVA 53
FIXANDO CONCEITOS 4 56
ESTUDOS DE CASO 58
GABARITO 62
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 63
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 7
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
O objetivo dos seguros é repor as perdas. No caso do seguro de danos,
essas perdas têm a ver com perdas por acidentes, paralisação das ativida-
des econômicas e responsabilidades.
Para que as seguradoras possam subscrever os riscos e precificá-los é
necessário que conheçam e façam uso de um aparato técnico que envolva
o conhecimento atuarial, estatístico, bem como a experiência dos subscri-
tores em análise e a avaliação de riscos.
Os corretores de seguros que se tornam especializados nos seguros de
danos devem ter em comum o conhecimento das melhores opções para
seus segurados, as quais passam pela análise dos respectivos produtos
ofertados pelas seguradoras e que podem cumprir a função de cobrir as
exposições a riscos dos seus segurados, e também por conhecer como
eles são construídos e precificados.
Não se pretende, com este manual, que os corretores de seguros estejam
aptos a precificar seguros, o que não está em suas competências, mas que
possam entender as bases conceituais e o passo a passo desse processo
e, sobretudo, que compreendam a necessidade de fornecer informações
em quantidade e qualidade adequadas aos subscritores, de forma que
possam conseguir o melhor custo-benefício para os seus segurados.
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 8
UNIDADE 101
RISCO e
PRECIFICAÇÃO
■ Analisar e avaliar as
exposições a riscos.
■ Como funciona o processo
de subscrição de riscos.
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
■ Identificar as ciências e
os atores envolvidos no
processo.
■ Quais são os principais
pilares da precificação de
seguros.
RISCO
TRANSFERÊNCIA DE RISCOS
SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
FIXANDO CONCEITOS 1
TÓPICOS
DESTA UNIDADE
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 9
UNIDADE 1
RISCO
Para as empresas, a conquista de seus objetivos tem a ver com o cum-
primento da missão e da visão que elas mesmas determinaram para si
próprias como, por exemplo, atingir resultados financeiros que permitam
remunerar os acionistas, crescer nos mercados em que decidiram traba-
lhar, obter reconhecimento dos clientes e da sociedade e até cumprir seu
papel social fundamental, que é gerar empregos.
Ao longo do caminho, há uma série de obstáculos de origem externa ou
interna que podem impedir ou dificultar a conquista desses objetivos.
Alguns podem ser gerenciados, e outros não, mas o que importa é que a
empresa deve criar formas de proteção dos mais variados tipos e controles.
Por exemplo, um dos piores obstáculos que uma empresa pode enfrentar
é perder sua reputação e para isso terá de estar, o tempo todo, alerta para
situações que em razão de sua ação ou omissão, possam acarretar essa
perda de reputação, antecipando-se e agindo no sentido de evitar esse
tipo de exposição.
Entretanto, há algumas situações acidentais e por mais que as empresas
atuem no sentido da prevenção ou mitigação de suas exposições, ainda
assim existe a possibilidade de ocorrerem eventos que podem significar
perdas patrimoniais ou até humanas, às quais as empresas deverão fazer
frente como, por exemplo, incêndios e explosões, desmoronamentos e
muitos outros, com a possibilidade de atingir pessoas dentro e fora das
instalações, podendo ser funcionários, clientes ou vizinhos, gerando, no
mínimo, a responsabilidade de indenizar.
Os bens pessoais e comerciais tais como veículos, residências, armazéns,
depósitos, entre outros, são passíveis de causar prejuízo a um terceiro,
gerando uma responsabilidade civil ao proprietário. Em alguns casos, são
10
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
situações simples e cotidianas, por exemplo, o vazamento de um aparta-
mento que acaba afetando a unidade abaixo ou uma colisão entre veículos.
São responsabilidades que geram prejuízos ao proprietário do bem causa-
dor do dano e que poderiam ser evitados com a contratação do seguro.
Algumas vezes, esses eventos impactam as pessoasde riscos mais utilizadas no mercado de seguros
são o resseguro e o cosseguro, já apresentados em outros manuais, e tam-
bém a imposição de franquias e de participações obrigatórias dos segurados,
fazendo com que eles se tornem mais ativos na gestão de seus riscos para
que não tenham de incorrer nessas participações em eventuais sinistros.
O estabelecimento de franquias e participações obrigatórias dos segurados
(P.O.S.) faz com que o segurado assuma pequenos prejuízos, eliminando
pequenos sinistros, geradores de custos administrativos para a seguradora
e que elevam os resultados estatísticos envolvidos nos cálculos dos prêmios.
MÉTODOS UTILIZADOS
NA PRECIFICAÇÃO
Serão apresentados três métodos utilizados na precificação:
■ Método do prêmio puro.
■ Método do índice de sinistralidade.
■ Método do julgamento.
— Método do Prêmio Puro
O método do prêmio puro envolve basicamente três passos:
■ Cálculo do prêmio puro.
■ Cálculo dos carregamentos (despesas administrativas, despesas
de angariação de seguros, lucro razoável e contingências).
■ Combinação do prêmio puro e dos carregamentos no prêmio por
unidade exposta.
50
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
O cálculo do prêmio puro se refere ao componente da taxa que tem como
finalidade o pagamento das perdas e, normalmente, das despesas de
sinistros, já acrescido de um carregamento estatístico. Desse modo, o prê-
mio puro e os custos dos sinistros futuros são equivalentes, conforme visto
na unidade 3.
A unidade exposta corresponde à fração da unidade de risco ganha no
período em análise.
— Método do Índice de Sinistralidade
O Método do Índice de Sinistralidade ajusta o prêmio para valores superiores
ou inferiores, refletindo as mudanças ocorridas.
Na sua forma básica, o método do índice de sinistralidade envolve a com-
paração de dois índices de sinistralidade: atual e esperado.
O índice de sinistralidade atual corresponde aos sinistros incorridos, dividi-
do pelo prêmio ganho durante determinado período de análise.
O índice de sinistralidade esperado é aquele projetado com base na expe-
riência da seguradora ou nos dados disponíveis do mercado. O cálculo des-
se índice leva em consideração a projeção dos carregamentos das despesas
administrativas, despesas de angariação de seguros, lucro razoável e contin-
gências. Por exemplo, uma seguradora com carregamentos esperados de
40% pode projetar um índice de sinistralidade de 60%, de tal modo que o
resultado de sua operação (sem retorno dos investimentos) seja de 100%.
A equação utilizada para calcular o novo preço por unidade exposta é:
Coeficiente de Ajuste = (índice de sinistralidade atual /
índice de sinistralidade esperado)
Preço por Unidade Exposta = (coeficiente de ajuste) ×
(preço por unidade exposta atual)
— Método do Julgamento
O Método de Precificação por Julgamento é o mais antigo dos três métodos
e ainda é usado pelos subscritores em algumas linhas de negócios, por exem-
plo, nos Seguros Marítimos e Seguros Aeronáuticos. Esse método é utilizado
geralmente onde não existem dados estatísticos suficientes, não sendo possí-
vel a aplicação dos métodos anteriormente explanados.
51
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
No Método do Julgamento, o subscritor utiliza sua experiência e expertise
ou procura situações semelhantes possíveis de serem comparadas.
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS
NA PRECIFICAÇÃO
Os métodos utilizados na precificação necessitam de dados estatísticos que
precisam ser coletados dentro de Métodos preestabelecidos. Por exemplo:
■ Para o Método de Precificação do Prêmio Puro, são necessários os
sinistros incorridos, unidades de exposição ganhas e carregamentos.
■ Para o Método do Índice de Sinistralidade, são necessários os
sinistros incorridos e os prêmios ganhos.
É importante analisar três métodos de coleta de dados estatísticos que pos-
suem vantagens e desvantagens. Faz-se necessário entender a metodologia
de cada um e por que os métodos podem levar a resultados diferentes.
— Método do Ano Apólice
(Policy Year Method)
Esse é o método mais preciso, pois nele ocorre a exata combinação entre
sinistros, prêmios e unidades de exposição de determinado grupo segurado.
O Método do Ano Apólice considera todas as apólices com início de vigên-
cia em um determinado período de 12 meses. Toda movimentação de prê-
mios (prêmio original, de endossos, de ajustamentos, de alterações, entre
outros) e sinistros (sinistros incorridos e despesas de regulação de sinis-
tros) é indexada às apólices do período em análise.
A principal desvantagem desse método é o tempo necessário para a cole-
ta dos dados estatísticos. Se considerarmos como período de análise o
ano 20X1 e uma apólice A com início de vigência no último dia do ano
20X1, teremos a vigência da apólice A transcorrendo no ano 20X2. Se
considerarmos o tempo necessário para eventuais avisos de sinistros da
apólice A, sua regulação e liquidação, estenderemos o tempo necessário
para a coleta dos dados estatísticos para o ano 20X3.
52
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Outra desvantagem desse método são as despesas administrativas decor-
rentes dos controles necessários para a coleta dos dados estatísticos.
Como veremos, os dados estatísticos necessários para os dois métodos
apresentados a seguir são obtidos, pelo menos em parte, dos registros
contábeis da seguradora.
— Método do Ano Calendário
(Calendar Year Method)
Trata-se do mais antigo e menos preciso método de coleta de dados para
fins estatísticos.
A principal vantagem desse método é que seus dados são baseados em
valores compilados para fins contábeis e, portanto, de fácil e rápida dispo-
nibilidade.
Os registros contábeis da seguradora não demonstram os sinistros incorri-
dos, prêmios ganhos e unidades expostas.
Embora não forneça dados exatos, esse método fornece boa estimativa
em relação aos prêmios ganhos.
O Método do Ano Calendário pode induzir a erros graves na estimativa dos
sinistros incorridos. A distorção na estimativa de sinistros incorridos de um
determinado ano ocorre em função da alteração da reserva de sinistros
que ocorreram em anos anteriores (a alteração pode ocorrer por vários
motivos, por exemplo, ações judiciais com resultado desfavorável para a
seguradora).
Outra desvantagem desse método é que os dados contábeis não contêm
informações sobre as unidades expostas, as quais deverão ser obtidas por
outros meios.
— Método do Ano Acidente
(Accident Year Method)
Esse método é uma conjugação dos outros dois anteriores, combinando
parte da exatidão do Método do Ano Apólice com a facilidade e a econo-
mia de tempo do Método do Ano Calendário.
No Método do Ano Acidente, os prêmios são calculados pelo mesmo
Método do Ano Calendário.
A diferença se encontra no cálculo dos sinistros incorridos. Eles são con-
siderados incorridos se o “acidente” ocorrer no período em análise.
Dessa forma, o Método do Ano Acidente evita a maior fonte de erro de
avaliação do Método do Ano Calendário, pois os dados dos sinistros não
53
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
são afetados pelas mudanças nas reservas de sinistros de eventos de
ocorrência anterior ao referido período de análise.
A desvantagem desse método é que os prêmios e os sinistros incorridos
não são atribuídos a um grupo específico de segurados (como ocorre no
Método do Ano Apólice).
— Resumo
Resumidamente, as diferenças entre os três métodos de coleta de dados
estatísticos apresentados são as seguintes:
a) Método do Ano Apólice:
■ necessita de base de dados estatísticos própria;
■ nesse método, são apurados resultados mais confiáveis, mas o
tempo necessário para sua coleta é mais longo.
b) Método do Ano Calendário:
■ utiliza os registros contábeis para seu cálculo;
■ os prêmios e os sinistros incorridos não refletem com exatidão o
resultado do período em análise.c) Método do Ano Acidente:
■ todos os sinistros ocorridos naquele período são alocados nesse
ano, independentemente de sua liquidação;
■ não é tão preciso como o ano apólice, mas as indicações para as
alterações de taxas são obtidas mais rapidamente e de maneira
mais simples quando comparado com o primeiro.
PRECIFICAÇÃO PREDITIVA
Trata-se de uma nova tendência que está sendo muito estudada e consiste
em utilizar dados estatísticos massivos para tomar decisões sobre preços,
individualmente. As primeiras experiências estão em curso, e o futuro nos
dirá se isso pode trazer sensíveis alterações na forma das seguradas preci-
ficarem seus riscos, mas o certo é que nada consegue parar a capacidade
do ser humano de buscar novas formas de fazer as coisas, talvez de forma
melhor e com menos recursos.
A utilização de recursos estatísticos para prever a evolução dos sinistros é
cada vez mais utilizada nos seguros de danos, a partir do crescimento das
54
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
carteiras das seguradoras, e deve produzir resultados interessantes, mais
adiante. Vale lembrar que quanto maior for a amostra estatística, menores
serão os erros, já que as informações passam a inverter a assimetria da
informação, que é um dos principais problemas da precificação.
Dentre outras características, falando de:
Integração e gestão de dados
A quantidade e a qualidade dos dados disponíveis podem deter-
minar ou não o sucesso de um processo de precificação. Dados
do perfil do cliente (demografia, preferências, histórico de sinistros
e reclamações, histórico financeiro, entre outros), dados do mer-
cado (informações da concorrência, estratégias de precificação)
e dados de outras fontes (como bureaux de créditos integrados
em tempo real) agregam valor à precificação. Gerir esses dados e
disponibilizá-los no momento certo é o primeiro passo para uma
precificação de sucesso.
Inteligência analítica em tempo real
A simples exploração e a visualização dos dados por meio de
softwares analíticos podem ajudar as seguradoras a refinar suas
análises, avaliar riscos e definir regras e políticas aplicáveis à pre-
cificação. Por outro lado, são os modelos preditivos e cálculos
atuariais que, ao permitirem prever o comportamento futuro de
um cliente e determinar suas propensões a compras (cancela-
mentos, sinistros, riscos de crédito e fraudes), reforçam o poder
da inteligência analítica sem serem limitados pelas construções
de tabelas de aplicações. Tornar toda essa inteligência disponível
para uso dinâmico e em tempo real, permitindo a personalização
e a definição do melhor preço do seguro para cada cliente, é um
grande diferencial competitivo.
Otimização de preços
Além dos diferentes tipos de dados e da inteligência analítica uti-
lizados em um processo de precificação tradicional, é possível
considerar restrições e objetivos de negócios para a partir da oti-
mização de preços, aumentar a rentabilidade de forma inteligen-
te. Embora o conceito da otimização de preços seja relativamen-
te novo no segmento de seguros no Brasil, ele tem sido usado
há alguns anos em outros segmentos de mercado e permite a
simulação de cenários em que recursos, restrições específicas de
negócio e propensões de cada cliente são considerados, de for-
ma a aumentar a precisão da precificação, ponderando objetivos
específicos e maximizando os resultados econômicos. Para uma
seguradora, é importante ter a homogeneização dos riscos, e o
processo de otimização facilita essa tarefa, avaliando as perdas e
os ganhos, em vários níveis de segmentação, a fim de evitar uma
indesejada concentração de riscos.
55
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Gestão e monitoramento dos modelos analíticos
A falta da governança dos modelos utilizados no processo de pre-
cificação pode comprometer a vantagem competitiva obtida com
a inteligência analítica. Manter em operação modelos de baixo
desempenho e que reflitam uma situação passada, pode resultar
em projeções imprecisas e induzir a erros na precificação. A visi-
bilidade e a gestão do ciclo de vida analítico, além do monitora-
mento de cada modelo de forma automatizada em um processo
unificado, asseguram que os modelos em operação estejam atua-
lizados e desempenhando conforme o esperado.
Time-to-Market
A disponibilidade de dados, de modelos analíticos atualizados e de
preços otimizados não garante o sucesso de um processo de pre-
cificação. Para responder a um mercado cada vez mais exigente,
uma plataforma de precificação deve ser suficientemente flexível
durante a configuração das regras e políticas de negócio e permitir
a agilidade necessária na efetivação de uma mudança de regra,
de forma a não comprometer a operação e atender à crescente
demanda de um mercado altamente competitivo.
Mesa de Decisão
A automatização das decisões e dos cálculos é crucial para se
obter o máximo ganho, precificando corretamente o risco. Entre-
tanto, para alguns casos, uma decisão manual é a melhor alterna-
tiva para entender corretamente à necessidade do cliente ou para
se identificar um caso anômalo. É necessário contar com uma pla-
taforma que facilite o entendimento dos casos pelos analistas, por
meio de informações cruciais, gráficos, redes de relacionamento,
links externos e georreferenciamento, além de outras funcionalida-
des para tomar a melhor decisão.
Em um segmento de mercado no qual o preço é um diferencial chave, uma
seguradora com uma plataforma de precificação que contemple esses seis
fatores certamente está à frente na busca da garantia do sucesso e da
rentabilidade de seu negócio.
56
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
FIXANDO CONCEITOS 4
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
1. Em sinistros, devemos ter em mente que, além daqueles valores que já
foram pagos, existem os valores que ainda não foram pagos, em função
dos procedimentos necessários de regulação e ___________, e aqueles
que já ocorreram e ainda não são de conhecimento da seguradora.
(a) Subscrição de riscos. (d) Ressarcimento.
(b) Inspeção de riscos. (e) Honorários de peritos.
(c) Liquidação de sinistros.
Marque a alternativa correta:
2. O Prêmio por Unidade Exposta também é chamado de:
(a) Prêmio Bruto. (d) Expectativa Matemática.
(b) Prêmio Comercial. (e) Prêmio Net.
(c) Esperança Matemática.
Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta:
3. Os componentes do prêmio de seguros são:
I) Sinistros, despesas de sinistros, desenvolvimento de sinistros e tendências.
II) Despesas administrativas e de comercialização de seguros.
III) Lucro razoável.
IV) Fundos para contingências.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente II e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
57
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
4. A____________se refere ao nível de confiança da predição dos valores
dos sinistros futuros e é, normalmente, discutida no contexto da Lei dos
Grandes Números. Segundo essa lei, quanto maior o número de unidades
de exposição similares e independentes, mais acurada será a predição das
perdas futuras.
(a) Esperança. (d) Estatística.
(b) Incerteza. (e) Probabilidade.
(c) Credibilidade.
Marque a alternativa correta:
5. No Método do Julgamento, o subscritor utiliza:
(a) Cálculos atuariais.
(b) Experiência e expertise.
(c) Cálculos estatísticos.
(d) Inferência estatística.
(e) Probabilidades.
58RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
ESTUDO DE CASO
ESTUDOS DE CASO
Caso 1
Preço de Seguros de Automóveis Dispara com a Violência Urbana
Quem compra seguros para veículos está enfrentandodificuldades com o
aumento das estatísticas de roubo e furto de veículos na cidade. De acordo
com o Bom Dia Rio, só no primeiro trimestre desse ano, o crescimento do
número de carros roubados na Zona Sul do Rio foi de 45% em comparação
ao mesmo período de 2016. Nas Zonas Norte e Oeste, o crescimento foi,
respectivamente, de 18% e 20%.
“Vamos partir do princípio de 100 veículos roubados por dia. Em média,
20% são recuperados, isso porque os carros são abandonados. Aqueles
que ficam com os criminosos são levados para o desmanche, e também
são vinculados a clones”, diz Júlio Cesar Rosa, diretor executivo da Federa-
ção Nacional de Seguros Gerais.
Segundo o Sindicato das Seguradoras, a taxa de roubos de carros com
seguro é de 8 a cada 10. E isso, segundo um diretor do sindicato, entra na
conta das seguradoras.
“A seguradora especifica de acordo com o modelo do veículo, a região e o
perfil do segurado. Os roubos explodiram e por isso, o preço dos seguros
subiu muito”, diz Roberto Santos, diretor do sindicato. Ele deu algumas dicas.
“O uso de garagem reduz substancialmente o preço do seguro, caso a
pessoa more em uma região com altos índices”, afirmou ele. Com seguro
popular e garagem, o seguro pode descer até a R$ 1.542,00, 25% a mais
do que o valor atual na maior parte das seguradoras.
Fonte: Bom Dia Rio. Disponível em:
https://g1.globo.com. Acesso em: 11 mai. 2017.
Comente a afirmação: “taxa de roubos em carros com seguro é de 8 a cada
10 carros”. Ela parece incompleta?
59RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Caso 2
Roubo a Celulares quase Dobrou em Abril em Relação ao Mesmo
Período do Ano Passado
Rio – O número de roubos de celulares em abril disparou, em comparação
com o mesmo período do ano passado. De acordo com dados do Instituto
de Segurança Pública (ISP), em abril deste ano, foram registrados 1.359
casos na cidade, contra 734 no mesmo mês de 2016, ou seja, um aumento
de cerca de 85,15%. Comparando-se os últimos dois anos, houve um salto
de 12.038, em 2015, para 19.583 casos em 2016: um aumento de 62,67%.
Foi uma noite aparentemente tranquila às vésperas do feriado de 21 de
abril deste ano para Yasmin Souza, de 24 anos, universitária e funcionária
de uma rede bancária do Rio. Até que, por volta de 4h30m, ela e duas ami-
gas decidiram ir embora. Passaram por baixo dos Arcos da Lapa e seguiam
em direção à Estação do Metrô da Cinelândia quando, ainda na Lapa, um
grupo de dez jovens armados com cacos de garrafas de cerveja, canivetes
e facas correram em direção a elas. Um deles ameaçou cortar o pescoço
de Yasmin se ela corresse. Levaram o celular Moto G4 Plus, da Motorola,
que ela havia comprado por R$ 1,5 mil, e ignoraram o iPhone 4S da amiga
por considerarem um aparelho velho.
– Reparamos que naquela noite não havia um policial do Lapa Presente
nem ninguém da Guarda Municipal. Ficamos muito amedrontadas. Uma
amiga conseguiu correr quando viu os jovens vindo em nossa direção. Me
pediram o celular e não quiseram o da minha amiga. Disseram que era
muito velho. Pegaram dela R$ 50. Ainda bem que tenho seguro e fui res-
sarcida – relatou.
Fonte: O Globo. Disponível em:
https://oglobo.globo.com. Acesso em: 09 jun. 2017
O assalto com interesse em celulares é um dos que mais cresce. Além da
oferta de seguro, que é caro, as seguradoras poderiam fazer algo para tor-
nar esse tipo de seguro mais atraente para os consumidores?
ESTUDO DE CASO
60RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Caso 3
Quanto Custa Contratar um Seguro Residencial?
Segundo um estudo feito pela FenSeg, somente 13,3% das residências bra-
sileiras estão protegidas com um seguro, enquanto, em países como Esta-
dos Unidos, Inglaterra, França e Chile, o percentual de casas seguradas já
passa de 80%.
Marcella Ewerton, coordenadora de marketing da Bidú Corretora, diz que
a baixa penetração do produto no mercado brasileiro pode estar relacio-
nada ao fato de que muitas pessoas ainda pensam que este seguro é caro.
Porém, o preço de um seguro residencial é baixo, já que é baseado no
custo de reconstrução do imóvel – o valor necessário para reconstruir todo
o imóvel em caso de algum acidente.
O cálculo é estipulado pelo próprio proprietário e não deve levar em con-
sideração variáveis como o preço do terreno e do metro quadrado em
seu bairro.
“O seguro residencial não costuma passar de 0,5% do valor de reconstru-
ção”, explica a profissional. Além disso, o preço é influenciado pelo CEP,
tipo de construção e pelas coberturas escolhidas pelo segurado.
Com o intuito de exemplificar quanto custa um seguro residencial, a cor-
retora simulou o preço em cinco localidades, para casas e apartamentos.
As coberturas escolhidas foram de incêndio, raio, explosão, fumaça, queda
de aeronave, danos elétricos, responsabilidade civil familiar, roubo e furto,
vidros, espelhos e mármores, com o valor de reconstrução de R$ 100 mil.
Preços
Em São Paulo, o seguro residencial custa, em média, R$ 412,91 para casas
e R$ 108,82 para apartamentos. Já no Rio de Janeiro, varia de R$ 261,48
para casas e R$ 106,91 para apartamentos.
De acordo com Ewerton, o investimento neste seguro para moradores das
duas cidades é importante, já que o número de roubos e furtos de residên-
cias nas regiões aumenta cada vez mais e, por isso, o produto surge como
uma alternativa para diminuir possíveis prejuízos e aumentar a tranquilida-
de dentro de casa.
Para moradores de Porto Alegre, o seguro pode variar de R$ 401,25 (casas)
e R$ 117,40 (apartamentos). “A região concentra 80% da incidência de fenô-
menos naturais. Por um preço baixo, os porto-alegrenses podem garantir
indenização para os danos causados por vendavais, tempestades e outros
fenômenos naturais”, comenta.
ESTUDO DE CASO
61RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Em Manaus, a cobertura a danos causados por fenômenos naturais tam-
bém é um fator decisivo na contratação do seguro, já que o estado é o que
mais possui incidência de raios no país.
“A cobertura para raios está incluída na cobertura básica, ou seja, qualquer
seguro cobre danos referentes à queda de raio”, explica.
Para casas, o valor do seguro na região é de R$ 437,90 e, para apartamen-
tos, é R$ 153,73.
Já para os sergipanos, os benefícios oferecidos pelo produto ocasionaram
o aumento da procura por seguro residencial na região. De acordo com a
Fenacor, de janeiro a agosto deste ano houve um aumento de 5% em rela-
ção ao mesmo período do ano anterior. No local, o valor anual do seguro é
de R$ 305,89 para casas e R$ 119,55 para apartamentos.
Segundo a executiva, a diferença dos valores de seguro para casas e apar-
tamentos ocorre, principalmente, pela menor probabilidade de ocorrer rou-
bos, furtos e arrombamentos nos apartamentos, já que na maior parte das
vezes há portarias e seguranças. Além disso, a chance de danificação da
estrutura é menor e, ainda, existe a cobertura do seguro do próprio con-
domínio, que também são fatores que proporcionam a diminuição do valor.
L.S.
Fonte: Revista Apólice. Disponível em:
https://www.revistaapolice.com.br. Acesso em: 16
nov. 2016.
Discuta a precificação de seguros residenciais para casas e apartamentos
e os fatores relacionados à expectativa de sinistros, que como vimos, tem
forte influência nos cálculos.
ESTUDO DE CASO
62
GABARITO
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
GABARITO
Fixando Conceitos
UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 UNIDADE 4
1 – B 1 – C 1 – C 1 – C
2 – A 2 – C 2 – C 2 – B
3 – C 3 – E 3 – D 3 – E
4 – C 4 – D 4 – C 4 – C
5 – D 5 – C 5 – B
6 – D 6 – D
Estudos de Caso
Caso 1
Se a taxa de roubo de veículos fosse de 8 em cada 10 carros segurados, o
prêmio de seguro para cada veículo seria inviável, economicamente, isso
considerando a vigência anual do seguro. Provavelmente, o jornalista cap-
turou apenas um trecho da informação.
Imaginemos que se tratasse de 10 veículos populares, cada um deles
valendo R$ 30.000,00.Se a frequência de roubos (sinistros) é de 8 em 10,
significaria dizer que para cada 10 veículos, teríamos, em um ano, um pre-
juízo acumulado de R$ 240.000,00, o que implicaria em um prêmio puro
de R$ 24.000,00 por veículo.
Caso 2
As seguradoras poderiam atuar com as operadoras de telefonia ou mesmo
com os fabricantes para criar recursos tecnológicos que viessem a inibir os
roubos. Uma das sugestões seria informar o número do IMEI (digite no seu
celular para testar *#06#) no momento da contratação do seguro, facilitan-
do o bloqueio e o rastreamento do mesmo.
Caso 3
Os apartamentos são menos vulneráveis a riscos como vendavais, enchen-
tes e roubos e isso faz com que a precificação resulte em prêmios mais
acessíveis. Um outro aspecto é que no caso dos apartamentos, os seguros
são realizados apenas para o conteúdo, já que o prédio estará coberto
pela apólice de seguro do condomínio.
63RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANSELL, Jake; WHARTON, Frank. Risk: analysis assessment and mana-
gement. England: John Wiley & Sons, Inc., 1992.
AZEVEDO, G. H. W. Seguros, matemática atuarial e financeira: uma
abordagem introdutória. Rio de Janeiro: Saraiva, 2008.
BERNSTEIN, Peter L. Desafio aos deuses: a fascinante história do risco.
Rio de Janeiro: Campus, 1997.
CORDEIRO FILHO, A. Cálculo atuarial aplicado. Rio de Janeiro: Atlas, 2009.
ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Introdu-
ção à atuária e precificação do seguro. Assessoria técnica de Vânia Bra-
sil Simões. 10 ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2017. p 80.
ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Teoria
geral do seguro. Assessoria técnica de Manoela Louise Assayag de Maga-
lhães Souza. 2 ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2017. p 214.
FERREIRA, P. P. Modelos de precificação e ruína para seguros de curto
prazo. Rio de Janeiro: Funenseg, 2002.
KAHNEMAN, Daniel. Estratégia do risco calculado. HSM Management.
São Paulo: Casa Educação, n. 65, nov./dez. 2007.
MANO, C. C. A.; FERREIRA, P. P. Aspectos atuariais e contábeis das provi-
sões técnicas. Rio de Janeiro: Funenseg, 2009.
MEULBROEK, L. K. Integrated risk management for the firm: a senior
manager’s guide. Boston: Harvard Business School, 2002.
SOUZA, Sergio Ricardo de Magalhães. Subscrição de riscos e precifica-
ção de seguros. Rio de Janeiro: Funenseg, 2016.
Sites
SUSEP – www.susep.gov.br
TUDO SOBRE SEGUROS – www.tudosobreseguros.org.br
www.susep.org.br
www.tudosobreseguros.org.br
ATORES NOS SEGUROS DE DANOS
FUNÇÕES DA SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
NOS SEGUROS DE DANOS
O Papel dos Atuários e Estatísticos na Concepção, Subscrição e Precificação de Seguros de Danos
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES
DOS SEGUROS DE DANOS
CUIDADOS NA SUBSCRIÇÃO
NOS SEGUROS DE DANOS
RISCOS QUE ENVOLVEM A
GESTÃO DOS PRODUTOS
Fixando Conceitos 2
ESTUDOS dos RISCOS, PROBABILIDADES, CONSEQUÊNCIAS e
suas INFLUÊNCIAS nos PRÊMIOS
CÁLCULO MATEMÁTICO
DO RISCO
ESTUDO DAS
PROBABILIDADES
PRÊMIO DE RISCO (PR) OU
ESPERANÇA MATEMÁTICA (E)
TIPOS DE PRÊMIOS EM SEGUROS
Prêmio de Risco (PR) ou Prêmio Estatístico (PE)
Prêmio Puro
Prêmio Comercial
Prêmio Bruto
FORMAS DE CONTRATAÇÃO E SEUS
IMPACTOS NA PRECIFICAÇÃO
Fixando Conceitos 3
SEGUROS de DANOS
PRECIFICAÇÃO de
OBJETIVOS DA
PRECIFICAÇÃO
COMPONENTES DO
PRÊMIO DE SEGURO
Sinistros e Despesas de Sinistros
Despesas Administrativas e de Comercialização de Seguros
Lucro Razoável e Fundo para Contingências
A INFLUÊNCIA DE OUTROS
FATORES NA PRECIFICAÇÃO
Resultados Financeiros
Credibilidade
PULVERIZAÇÃO DE RISCOS
MÉTODOS UTILIZADOS
NA PRECIFICAÇÃO
Método do Prêmio Puro
Método do Índice de Sinistralidade
Método do Julgamento
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS
NA PRECIFICAÇÃO
Método do Ano Apólice (Policy Year Method)
Método do Ano Calendário (Calendar Year Method)
Método do Ano Acidente (Accident Year Method)
Resumo
PRECIFICAÇÃO PREDITIVA
Fixando Conceitos 4
Estudos de Caso
Gabarito
Referência Bibliográfica
INTRODUÇÃO
RISCO e
PRECIFICAÇÃO
RISCO
Riscos Seguráveis
TRANSFERÊNCIA DE RISCOS
Procedimentais
Financiamento dos Riscos
SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
Subscritores de Riscos
Fixando Conceitos 1
CARACTERÍSTICAS
de SUBSCRIÇÃO dos
ATORES NOS SEGUROS DE DANOS
FUNÇÕES DA SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
NOS SEGUROS DE DANOS
O Papel dos Atuários e Estatísticos na Concepção, Subscrição e Precificação de Seguros de Danos
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES
DOS SEGUROS DE DANOS
CUIDADOS NA SUBSCRIÇÃO
NOS SEGUROS DE DANOS
RISCOS QUE ENVOLVEM A
GESTÃO DOS PRODUTOS
Fixando Conceitos 2
ESTUDOS dos RISCOS, PROBABILIDADES, CONSEQUÊNCIAS e
suas INFLUÊNCIAS nos PRÊMIOS
CÁLCULO MATEMÁTICO
DO RISCO
ESTUDO DAS
PROBABILIDADES
PRÊMIO DE RISCO (PR) OU
ESPERANÇA MATEMÁTICA (E)
TIPOS DE PRÊMIOS EM SEGUROS
Prêmio de Risco (PR) ou Prêmio Estatístico (PE)
Prêmio Puro
Prêmio Comercial
Prêmio Bruto
FORMAS DE CONTRATAÇÃO E SEUS
IMPACTOS NA PRECIFICAÇÃO
Fixando Conceitos 3
PRECIFICAÇÃO de
OBJETIVOS DA
PRECIFICAÇÃO
COMPONENTES DO
PRÊMIO DE SEGURO
Sinistros e Despesas de Sinistros
Despesas Administrativas e de Comercialização de Seguros
Lucro Razoável e Fundo para Contingências
A INFLUÊNCIA DE OUTROS
FATORES NA PRECIFICAÇÃO
Resultados Financeiros
Credibilidade
PULVERIZAÇÃO DE RISCOS
MÉTODOS UTILIZADOS
NA PRECIFICAÇÃO
Método do Prêmio Puro
Método do Índice de Sinistralidade
Método do Julgamento
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS
NA PRECIFICAÇÃO
Método do Ano Apólice (Policy Year Method)
Método do Ano Calendário (Calendar Year Method)
Método do Ano Acidente (Accident Year Method)
Resumo
PRECIFICAÇÃO PREDITIVA
Fixando Conceitos 4
Estudos de Caso
Gabarito
Referências Bibliográficasde forma significati-
va, dando origem até a falecimentos ou situações em que os ferimentos
causam lesões incapacitantes de forma definitiva ou temporária. Isso, inva-
riavelmente, denota a exposição a riscos de responsabilidade civil, a partir
de ações judiciais movidas por terceiros ou funcionários atingidos ou ainda
por suas famílias.
Outras vezes, nem é necessário que aconteça uma situação especial. As
próprias condições de trabalho podem dar origem a acidentes com as pes-
soas, havendo a possibilidade, por exemplo, de virem a falecer no percurso
entre suas casas e o local de trabalho ou de se acidentarem dentro da
empresa. Essas situações estão previstas no Seguro de Acidentes do Tra-
balho, que é gerido pelo Governo, mas que não se encerra em si mesmo,
podendo ainda caber ao empresário a responsabilidade de indenizar.
As empresas têm objetivos expressos em sua missão e em sua visão, mas
a ocorrência de acidentes pode impedir que os objetivos estratégicos
sejam atingidos.
São os riscos que impedem, portanto, que os objetivos das empresas
sejam atingidos e é por isso que elas precisam agir no sentido de se pro-
tegerem contra eles, o que passa por quatro estágios fundamentais: a per-
cepção dos riscos, a análise dos riscos, a avaliação dos riscos e a resposta
aos riscos.
Percepção dos riscos
Trata-se da etapa em que as pessoas, em relação a si mesmas, ou os admi-
nistradores de uma empresa passam a entender que há fontes de riscos
e uma série de eventos de riscos que podem ocorrer, ou seja, que são
possíveis e podem trazer prejuízos.
Exemplo: a partir do momento em que uma empresa abre suas portas ela
percebe que pode causar danos aos clientes, vizinhos ou até mesmo tran-
seuntes, ou seja, os riscos são percebidos.
Análise dos riscos
Na análise dos riscos, entende-se o porquê de sua probabilidade de ocorrên-
cia, quais fatores estão presentes e se os impactos são realmente plausíveis.
Exemplo: Quais as causas prováveis de um incêndio? Qual o impacto finan-
ceiro, caso ocorra?
11
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Avaliação dos riscos
É o estudo das próprias probabilidades e consequências, dimensionan-
do-as em todos seus aspectos e até estabelecendo prioridades para seu
tratamento.
Exemplo: Ao identificar as causas prováveis de um incêndio, a empresa
age no sentido de tratar o risco.
Resposta aos riscos
De posse desses estudos se faz um esforço para dar resposta aos riscos
por meio de planos de ação que ensejam estratégias para tentar eliminar,
prevenir ou mitigar os riscos e ainda financiá-los, por meio de retenção
financeira das perdas ou pela transferência de riscos, utilizando instrumen-
tos financeiros como os seguros, desde que isso seja possível.
— Riscos Seguráveis
Relembramos que em seguros, o risco para poder ser coberto, precisa ser
segurável, o que exige que ele tenha algumas características:
Ser possível
Para que haja possibilidade de seguro, o risco deve existir, ou seja,
deve haver um evento indesejável, uma probabilidade de ocorrên-
cia e perdas.
Ser futuro
Eventos já ocorridos até o momento da realização do contrato não
podem ser admitidos como riscos e, portanto, não são seguráveis.
Ser incerto
O risco deve ser aleatório, ou seja, não se sabe previamente quan-
do poderá ocorrer, o que também elimina a intencionalidade.
Independer da vontade das partes contratantes
O risco deve ocorrer de forma acidental e não intencional, sem que
as partes interfiram.
Ser oneroso ou resultar de sua ocorrência um prejuízo
É necessário que o contratante tenha algum interesse segurável para
que ele ou seu(s) beneficiário(s) receba(m) indenização, isto é, a ocor-
rência do risco deve comportar uma perda ou prejuízo financeiro.
12
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Ser mensurável
Se o risco não puder ser medido, a seguradora não poderá estabele-
cer um custo adequado para sua aceitação.
Com essas condições atendidas, poderíamos incluir mais duas:
Deve ser de interesse do segurador
O segurador deve querer subscrever o risco, ou seja, este deve estar
entre os demais riscos que o segurador tem como aceitáveis em seus
guidelines de subscrição.
Deve ser economicamente viável
Seu preço deve ter, ao mesmo tempo, capacidade de gerar contri-
buição para a manutenção do mútuo e apreço comercial, ser viável
para os segurados.
Além disso, o risco quando é segurável, deve cumprir três funções:
Social
O seguro oferece proteção às pessoas com relação a perdas e
danos que possam sofrer no futuro, atingindo elas próprias ou suas
propriedades ou bens. Assim, verificamos que uma pessoa que se
preocupa em resguardar a si ou seus bens contra os prováveis
riscos a que estão expostos em seu dia a dia, adotando medidas
de prevenção e contratando seguros, está sendo previdente. A
indenização auxilia a própria pessoa ou seus beneficiários a repor
as perdas materiais;
Redução da Incerteza
Na contratação do seguro, sempre há o elemento de incerteza,
seja quanto à ocorrência (se acontecerá), seja quanto à época
(quando acontecerá). Nos seguros de vida, a incerteza se refere
somente à época em que os eventos podem ocorrer. As pessoas
contratam seguros para reduzir essa incerteza. As seguradoras
medem o efeito das incertezas e o precificam, medem os riscos e
precificam os seguros, ofertando, em vários produtos, coberturas
para os riscos expostos.
Solidariedade
É uma característica que se apresenta de diversas formas em nos-
so cotidiano, mas em seguros, manifesta-se pelo mutualismo, que
é a ação solidária de grupos de pessoas sujeitas aos mesmos ris-
cos, as quais se organizam com o objetivo de prestar auxílio umas
às outras nas ocasiões em que os riscos se materializam e geram
consequências negativas. As seguradoras existem para organizar
e administrar o mutualismo.
13
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
TRANSFERÊNCIA DE RISCOS
Segundo a ISO 31000 (2009), “o tratamento de riscos envolve a seleção de
uma ou mais opções para modificar os riscos e a implementação dessas
opções. Uma vez implementado, o tratamento fornece novos controles ou
modifica os existentes”.
Desse modo, tratar os riscos envolve empreender estratégias para os fins
que se pretende atingir. Há riscos positivos e negativos, respectivamente,
quando se está pensando em perder ou em ganhar.
As estratégias para resposta ou tratamento dos riscos, quando se está com
o foco em tratar as perdas, passa por duas vertentes: procedimentais ou
financeiras. A primeira tem a ver, como vimos, com ações para eliminar,
prevenir ou mitigar os riscos. A segunda, quase sempre em associação
com a primeira, tem a ver com o financiamento dos riscos.
É importante lembrar que empresas e pessoas apresentam riscos distintos,
seja por sua ocupação (no caso de pessoas) seja pela atividade empresa-
rial (no caso das empresas), motivo pelo qual seria quase impossível deter-
minar um mesmo valor de seguro para empresas e pessoas de diferentes
perfis. Cabe ao corretor de seguros ficar atento a essas diversidades e
ofertar o seguro de acordo com o risco proposto.
— Procedimentais
Eliminar o risco
Realiza-se por meio da interferência na ocorrência do risco, com
intuito de eliminar a probabilidade de que aconteça ou suas res-
pectivas consequências, o que raramente se consegue, mas aca-
ba contribuindo para se entender melhor o risco, suas fontes, o
evento, a probabilidade e as consequências.
Prevenir o risco
A prevenção é sempre o método mais eficiente para tratar os ris-
cos, sobretudo, porque ataca as causas, reduzindo a probabilida-
de de ocorrência dos eventos e até suas consequências.
Mitigar o risco
Realiza-se atenuando os seus efeitos, por meio de uma diversi-
dade de ações para reduzir a probabilidade de ocorrência ou o
impacto das consequências.
14
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
— Financiamento dos Riscos
Reter o riscoAlgumas empresas e até mesmo pessoas têm condições financei-
ras para reter os riscos, ou parte deles, e fazer frente às possíveis
perdas. É uma espécie de autosseguro que se faz de forma volun-
tária. Quando a retenção é imposta, recebe o nome de adoção do
risco e é comum quando não se encontram condições de transfe-
rência do risco.
Transferir o risco
Há duas formas de transferência dos riscos: por meio de instru-
mento financeiros complexos, que exigem poupança e investimen-
to, e por seguros, que é o método mais usual e, quase sempre,
economicamente viável.
O processo de transferência de riscos se inicia com a tomada de decisão de
encontrar opções para transferir os riscos que não se consegue reter para o
mercado de seguros, tendo em mente que será necessário pagar por isso,
razão pela qual sempre há de se analisar os custos e os benefícios.
Dentre as vantagens em contratar seguros, estão, por exemplo:
■ Participar do mútuo, dividindo o impacto e a responsabilidade por
possíveis perdas com o segurador, que administra o mútuo em
nome de outras pessoas e empresas, as quais, da mesma forma,
resolveram aderir, o que permite pagar um prêmio proporcional-
mente pequeno, em face da exposição a riscos.
■ Ter o patrimônio pessoal ou empresarial protegido assim como a
própria pessoa, suas famílias e os funcionários.
■ O contrato de seguros estabelece tudo o que está ou não coberto,
bem como direitos e deveres das partes.
■ Acesso a serviços emergenciais e de conveniência.
■ Substituição de instrumentos bancários de garantia, em condições
muito mais acessíveis financeiramente.
■ Minimizar as preocupações financeiras por ações ou omissões
que venham causar danos morais ou materiais a terceiros.
Na intermediação do processo de transferência de riscos é fundamental
que se possa contar com um corretor de seguros devidamente habilita-
do, pois será necessário traduzir as exposições a riscos em coberturas de
seguros e ofertar às seguradoras, para que essas possam retornar com
opções de cotações de seguros e as condições para sua contratação, o
que, quase sempre, é muito complicado para as pessoas, mas consiste no
dia a dia desses profissionais.
15
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Cada aspecto visto acima se aplica a todos os riscos, de pessoas e de empresas.
Os corretores de seguros têm um papel fundamental no entendimento dos
riscos e no recolhimento de informações que possam substanciar a trans-
ferência de riscos.
SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
Como as operações das empresas são fontes de riscos e os eventos inde-
sejáveis são o incêndio, entre outros acidentes, para que se possa subscre-
ver e precificar os seguros, é necessário entender qual é a sua exposição
aos riscos, investigando a probabilidade de ocorrerem e as consequên-
cias financeiras desses riscos, de forma a analisá-los e avaliá-los para que
sejam entendidas quais são as exposições a riscos que podem gerar pre-
juízos diretos ou indiretos, perda de capacidade produtiva e ameaças à
própria sobrevivência.
Cabe ao corretor de seguros entender a demanda de cobertura dos ris-
cos da empresa e formatar um plano de seguros que possa, ao mesmo
tempo, contemplar todas as necessidades de transferência de riscos de
seus clientes, submetendo o plano ao mercado de seguros por meio de
seus canais de atendimento comerciais e, eventualmente, por meio dos
subscritores.
Há um passo a passo que é iniciado quando a oferta chega à seguradora,
onde o processo de subscrição de riscos começa para que, posteriormente,
ocorra a precificação dos seguros, que se materializa na cotação de segu-
ros. Em geral, a oferta de transferência de riscos é avaliada pelos subscri-
tores da seguradora para entender suas características, por exemplo, se:
■ o risco é segurável;
■ os valores definidos pelo segurado para cada cobertura estão
dentro dos limites da seguradora para o produto de seguro que
se está ofertando;
■ se a atividade do empreendimento ou das pessoas está entre
aquelas que a seguradora quer subscrever;
■ se há histórico de sinistros.
Os cotadores eletrônicos, acessíveis a partir dos portais das segurado-
ras, quase sempre realizam essas funções sem necessidade de contato
físico, porque possuem regras que derivam de decisões, previamente,
tomadas pelas seguradoras sobre os riscos que ela quer aceitar e em que
16
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
condições isso pode ocorrer. A investigação dessas características é rea-
lizada com base nas informações prestadas pelos corretores de seguros
sobre os riscos e as coberturas pretendidas, além de acesso eletrônico aos
seus próprios bancos de dados e às regras de subscrição.
Na sequência, a seguradora verifica se o que pode ofertar atende ao que
foi solicitado, ou seja, se o risco está em conformidade com seus objeti-
vos. Ela verifica se precisa alterar algo no que fora solicitado, sobretudo
em relação aos valores das coberturas (limitações), condições do seguro
(gerais, especiais ou particulares), necessidade de participação obrigatória
do segurado e franquias ou se fará recomendações de melhorias das con-
dições físicas ou ainda se simplesmente não deseja aceitar o risco.
Nos seguros de pessoas em geral, não se inspeciona, salvo em alguns
casos muito específicos para seguros de vida e saúde, quando a segu-
radora quer perceber in loco as condições de trabalho que podem afetar
as pessoas como, por exemplo, no caso de indústrias químicas onde há
presença de elementos notadamente nocivos à saúde (hexano, asbestos,
entre outros). Mas já é comum que os subscritores façam entrevistas com
os segurados para apurar informações e sanar dúvidas, o que ocorre a
partir da análise das propostas e das informações ali contidas e a partir da
análise da DPS – Declaração Pessoal de Saúde –, que é onde o segura-
do fornece várias informações pessoais e também sobre as condições de
saúde passadas e atuais.
Nos seguros de danos, a inspeção de riscos é um instrumento muito impor-
tante e pode ocorrer antes que a seguradora forneça a cotação ou após a
entrada da proposta de seguros, fazendo com que ela seja realizada em
até 15 dias, que é o prazo fixado na legislação para que a seguradora se
manifeste sobre a aceitação ou não dos riscos.
Os instrumentos de subscrição também incluem questionários que podem
ser de preenchimento obrigatório no momento da cotação (ou antes dela)
ou após a seguradora receber a proposta. É comum que, na inspeção de
riscos, seja verificado se as informações prestadas são fidedignas ou até
mesmo que seja ampliado o conhecimento dos riscos por meio de pergun-
tas específicas ou entrevistas.
A subscrição de riscos tem alguns pilares:
Ofertar a cobertura adequada
Significa tentar atender às necessidades dos segurados.
Manter padrões de seleção de riscos
Significa selecionar riscos que atendem aos objetivos fixados pela
seguradora.
17
UNIDADE 1
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Estabelecer padrões de preço
Os subscritores de risco mantêm o padrão de preço, garantin-
do que os riscos estejam sendo adequadamente classificados e
ajustando os preços do seguro dentro da alçada de competência
fixada para esses subscritores, nunca se esquecendo da necessi-
dade de que a arrecadação de prêmio seja suficiente para pagar
os sinistros e as despesas administrativas e comerciais, mantendo
um lucro razoável.
Manter um mercado estável
Além do preço, as coberturas que são oferecidas em um ano deve-
riam se manter disponíveis no ano seguinte.
Prestação de serviços
Além dos serviços, tradicionalmente, oferecidos aos corretores tais
como cotações de seguros, análise de novos negócios e renova-
ções, o mercado tem desenvolvido, principalmente, nos Seguros
Massificados, serviços assistenciais e emergenciais que podem
ser importantes para os segurados.
— Subscritores de Riscos
Classificam-se os subscritoresde riscos em: subscritores de linha e subs-
critores de staff.
Os subscritores de linha são responsáveis pelas operações de subscrição
no dia a dia, analisando os riscos ofertados às seguradoras e também esta-
belecendo as condições para aceitação dos riscos, ajustando, se neces-
sário, a precificação por meio de descontos ou agravamentos. Para que
possam fazer um bom trabalho de subscrição, necessitam de informações
em quantidade e qualidade adequadas.
Os subscritores de staff são responsáveis pela construção dos produtos
de seguros e dos planos de previdência, decidindo sobre os riscos que
podem ser ou não aceitos, pela construção das políticas de subscrição
(aceitação, alçadas e operações) e pelo acompanhamento dos resultados
de cada produto, corrigindo as taxas, se necessário, ao longo do tempo.
Os subscritores de linha e de staff trabalham juntos, cada um em suas
funções, para que cada produto de seguros ou plano de previdência se
mantenha com resultados positivos e atrativos para os segurados.
18
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
FIXANDO CONCEITOS 1
Marque a alternativa correta:
1. São os riscos que impedem que os objetivos das empresas sejam atin-
gidos e por isso precisam agir no sentido de se protegerem contra eles, o
que passa por quatro estágios fundamentais:.
(a) Percepção, análise, avaliação e possibilidade dos riscos.
(b) Percepção, análise, avaliação e resposta aos riscos.
(c) Percepção, incerteza, análise e resposta aos riscos.
(d) Percepção, subscrição, análise e resposta aos riscos.
(e) Percepção, subscrição, análise e possibilidade dos riscos.
Marque a alternativa correta:
2. Um dos piores obstáculos que uma empresa pode enfrentar é perder sua:
(a) Reputação. (d) Produção.
(b) Conta bancária. (e) Diretoria.
(c) Autonomia.
Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa
correta:
3. Os riscos, quando são seguráveis, devem cumprir três funções:
I) Social.
II) Redução da Incerteza.
III) Onerosa.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II e III são proposições verdadeiras.
19
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
4. Segundo a ISO 31000 (2009), “o tratamento de riscos envolve a seleção
de uma ou mais opções para modificar os riscos e a implementação dessas
opções. Uma vez implementado, o tratamento fornece novos __________
ou modifica os existentes”.
(a) riscos (b) eventos (c) controles (d) limites (e) apetites
Marque a alternativa correta:
5. Nos casos em que a seguradora decide inspecionar os riscos, após
receber a proposta, o prazo máximo para que se manifeste sobre aceitar
em definitivo os riscos será de:
(a) 7 dias (d) 15 dias
(b) 10 dias (e) 30 dias
(c) 20 dias
Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta
6. A função da subscrição de riscos é manter alguns pilares tais como:
I) Ofertar a cobertura adequada.
II) Manter um mercado instável.
III) Manter padrões de seleção de riscos.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II e III são proposições verdadeiras.
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 20
UNIDADE 202
■ Identificar os principais
atores do processo de
subscrição.
■ Realizar corretamente
a subscrição de riscos
nos seguros de danos,
considerando seus
aspectos.
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
■ Realizar corretamente a
subscrição de riscos com
base nas preocupações dos
subscritores e nos cuidados
envolvidos.
ATORES NOS SEGUROS
DE DANOS
FUNÇÕES DA SUBSCRIÇÃO
DE RISCOS NOS SEGUROS
DE DANOS
CARACTERÍSTICAS
PARTICULARES DOS
SEGUROS DE DANOS
CUIDADOS NA SUBSCRIÇÃO
NOS SEGUROS DE DANOS
RISCOS QUE ENVOLVEM A
GESTÃO DOS PRODUTOS
FIXANDO CONCEITOS 2
TÓPICOS
DESTA UNIDADE
CARACTERÍSTICAS
de SUBSCRIÇÃO dos
RISCOS e SEGUROS de DANOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 21
UNIDADE 2
ATORES NOS SEGUROS DE DANOS
Nos seguros de danos, há sempre os atores:
■ Segurado – pessoa física ou jurídica que contrata o seguro.
■ Seguradora – pessoa jurídica obrigatoriamente constituída sob
a forma de sociedade anônima, que assume a responsabilidade
pela cobertura dos riscos especificados na apólice, mediante o
recebimento do prêmio correspondente.
■ Corretor de seguros – pessoa física ou jurídica que faz a interme-
diação da contratação do seguro.
Nos seguros de garantia, há também a figura do tomador, que é um interessado
na realização do seguro, pois é garantido pela apólice.
Exemplo: no seguro-fiança locatícia, o locatário é o garantido na apólice, o loca-
dor é o segurado e a imobiliária ou administradora é a estipulante.
FUNÇÕES DA SUBSCRIÇÃO DE RISCOS
NOS SEGUROS DE DANOS
Há uma série de funções da subscrição nos seguros de danos:
Seleção de Riscos e Segurados
O processo de seleção de segurados visa evitar que proponentes
adquiram os produtos da seguradora por preços e condições que
não reflitam suas exposições a perdas, impedindo assim, uma pre-
cificação injusta.
22
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
O processo de seleção de riscos e segurados possibilita às segu-
radoras distribuir sua capacidade disponível na busca da pulveriza-
ção adequada das exposições a perdas por distribuição geográfi-
ca, classe de risco, tamanho dos riscos e ramo de negócios.
O processo de seleção é dinâmico. Cada risco aceito deve ser
monitorado para verificar se continua mantendo as condições que
geraram sua aceitação. Isso ocorre por meio do acompanhamento
de índices de sinistralidade da carteira de seguros.
Vale ressaltar que a seguradora não pode alterar as condições
contratuais, mas tem o direito de pedir todas as informações para
subscrição dos riscos e, após a emissão da apólice, acompanhá-los
ou mesmo chamar corretores e segurados para reuniões, a fim de
saber se eventuais sinistros são situações pontuais e se estão sendo
tomadas providências para que as exposições estejam sob controle.
Medidas de correção podem ser necessárias para segurados com
sinistralidade excessiva ou sujeitas à seleção adversa, que passam
por revisão de taxas para a renovação dos seguros.
O processo bem-sucedido de seleção de segurados cria progra-
mas de seguros e processos de gerenciamento de riscos que
atraem proponentes com perfil desejado para composição da car-
teira da seguradora.
Enquadramento dos Riscos
O correto enquadramento dos riscos é necessário para determinar
sua exposição a perdas e sua correta taxação. Em outras palavras,
é necessário que os segurados estejam agrupados corretamente
em classes de riscos relativos às suas atividades, que devem ter
frequência e severidade de perdas próximas, permitindo a cobran-
ça do prêmio adequado que, por sua vez, possibilite o pagamento
das perdas incorridas, das despesas operacionais e a obtenção de
lucro razoável.
Em uma mesma classe de riscos, podem ser construídas subclas-
ses de riscos para abrigar características particulares das ativida-
des. Em processos maduros, e que têm muitos itens segurados,
essas classificações se submetem também às segmentações geo-
gráficas, chamadas de região de risco. Dessa forma, por exemplo,
um determinado risco pode ter uma taxa no Rio Grande do Sul e
outra distinta no Amazonas, em face da influência dos fatores cli-
máticos. Também se aplica a avaliação das condições ambientais
e até mesmo das condições produtivas, que podem indicar expo-
sições mais agravadas.
23
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Isso mostra o quanto é desafiadorprecificar e subscrever riscos no
Brasil, pois se trata de um país geograficamente muito extenso e
com enorme variação climática
O enquadramento equivocado de riscos pode implicar a inabilida-
de de fazer frente aos sinistros e às despesas administrativas ou
à falta de condições de venda de produtos em função do preço
inferior dos produtos concorrentes.
Determinação da Cobertura Apropriada
Embora a competência da determinação da cobertura apropriada
para seus segurados seja dos corretores de seguros, o subscri-
tor de riscos pode oferecer assistência técnica nessa tarefa. Tal
assistência pode variar desde assegurar que as condições cor-
retas estejam anexas à apólice até a redação de cláusulas para
atender a riscos complexos e únicos.
Determinação do Preço Adequado
A taxação adequada deve permitir que a seguradora continue a
subscrever riscos rentáveis e que seus produtos sejam competiti-
vos com os produtos das outras seguradoras.
— O Papel dos Atuários e Estatísticos
na Concepção, Subscrição e
Precificação de Seguros de Danos
Os atuários e estatísticos são subscritores de staff, que têm papel impor-
tante nos seguros de danos, mas ainda há muita confusão em relação ao
que cada um deles faz.
O atuário é o profissional que mensura e administra os impactos finan-
ceiros de riscos futuros, e desenvolve e valida modelos financeiros para
guiar a tomada de decisões, enquanto os estatísticos são responsáveis
pela quantificação e análise de riscos, segmentação de segurados/clien-
tes, análise de provisões técnicas (reservas), provisão de sinistros e provi-
são de prêmios. Os estatísticos utilizam dados históricos (ocorridos) para
fazer seus estudos.
As definições de estatística e atuária são as seguintes:
Estatística
É a ciência que se utiliza das teorias probabilísticas, para explicar
a frequência de ocorrência de eventos tanto em estudos observa-
cionais quanto em experimentos para modelar a aleatoriedade e a
incerteza, de forma a estimar ou possibilitar a previsão de fenôme-
nos futuros, conforme o caso. A Estatística é o ramo da Matemática
24
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
responsável por métodos e técnicas de pesquisa envolvendo
experimentos, coleta de dados, processamento, representações
gráficas, análise e divulgação das informações. O crescente aper-
feiçoamento e o desenvolvimento da estatística no decorrer da
história sempre visaram à melhoria nos processos de obtenção e
recolhimento de informações, permitindo o estudo adequado de
diversos fenômenos, fatos, eventos e ocorrências nas diversas
áreas do conhecimento humano. Portanto, a estatística tem como
objetivo principal fornecer ferramentas que, ao serem utilizadas,
permitem lidarmos com situações sujeitas a incertezas.
Ciência atuarial ou atuária
Nasceu há, aproximadamente, 150 anos, na Inglaterra, com o obje-
tivo de estudar a mortalidade da população. Tais estudos, que tradi-
cionalmente eram destinados a entidades voltadas para aposenta-
doria e pensões, estenderam-se para a área de seguros no século
XX. Continuando sua expansão, nas últimas décadas, a concep-
ção de que uma empresa de seguros ou de pensões faz parte do
mercado financeiro fez crescer a necessidade de um maior treina-
mento na área administrativa e financeira, especialmente no que
tange aos riscos financeiros e econômicos. Daí a necessidade de
um profissional específico para essas atribuições: o atuário. (Texto
retirado do site do IBA – Instituto Brasileiro de Atuária.)
Portanto, podemos dizer que, enquanto os atuários trabalham com o futu-
ro, os estatísticos trabalham com o presente e o passado.
Ambos têm como ferramenta de trabalho as probabilidades, um dos fatores
que compõem o estudo dos riscos, agregam também os conceitos de incer-
teza e chance, são tão antigos quanto as civilizações que nos precederam
e encontram aplicações em diversas áreas tais como medicina, loterias e
jogos, previsão do clima, finanças e seguros.
A atuação desses profissionais em apoio às atividades diretas de subscri-
ção é fundamental, sobretudo porque eles detêm o conhecimento de con-
ceitos e métodos matemáticos avançados para a determinação de taxas
de seguro e do acompanhamento da performance dos produtos, corrigin-
do os rumos quando necessário e também no atendimento das práticas
advindas da legislação regulatória.
25
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES
DOS SEGUROS DE DANOS
As características fundamentais dos seguros de danos são:
Forma de Contratação
Podem ser contratados de duas formas: Proporcional e Não Pro-
porcional. Tanto a contratação a risco total quanto a risco relativo
são proporcionais, enquanto a contratação a risco absoluto é não
proporcional, como veremos neste manual.
Modalidades de Estruturação das Coberturas
As garantias nos seguros de danos são estruturadas em garantias
básicas e acessórias ou adicionais. Para cada uma delas, deverá
ser atribuído um valor que corresponda aos bens móveis e imóveis
em risco, segundo as características da própria cobertura (bens
não excluídos).
Nos seguros de danos, a garantia prometida não pode ultrapas-
sar o valor do interesse segurado no momento da conclusão do
contrato, sob pena deste perder o direito à garantia, além de ficar
obrigado ao prêmio vencido e sem prejuízo da ação penal que, no
caso, couber.
O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes
ou consequentes, ou seja, os estragos ocasionados para evitar o
sinistro, minorar o dano ou salvar a coisa.
Bens e Riscos
O objetivo do seguro de danos é garantir ao segurado, até o limite
máximo de garantia e de acordo com as condições do contrato, o
pagamento de indenização por prejuízos, devidamente comprova-
dos, diretamente decorrentes de perdas ou danos causados aos
bens segurados, ocorridos no local segurado, em consequência
de risco coberto. Os bens garantidos pelo seguro devem estar
especificados na apólice, segundo o endereço de risco. As especi-
ficações e as condições da apólice definirão as garantias, os bens
e riscos cobertos ou excluídos.
26
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
CUIDADOS NA SUBSCRIÇÃO
NOS SEGUROS DE DANOS
O principal custo de uma companhia seguradora é o sinistro, e isso faz com
que deva existir uma preocupação muito forte na seleção dos riscos que a
seguradora venha a assumir.
Por exemplo, no segmento de seguro de danos, não é recomendável que
uma companhia aceite riscos não padronizados, se a atividade principal a
expõe mais ao risco de perdas do que àquele que se poderia esperar. Por
exemplo, a aceitação de residências de padrão inferior ou até mesmo ris-
cos complexos, de forma massificada. Esses riscos devem ser analisados
um a um, de forma tailor made (sob medida) e precificados da mesma for-
ma, com todos os cuidados. O subscritor deve estar atento às informações
contidas no questionário de avaliação de riscos, que pode ser preenchido
pelo proponente (pessoa que deseja contratar o seguro) ou pelo corretor
de seguros, desde que as informações sejam prestadas pelo proponente.
Com base nas informações prestadas, o subscritor será capaz de identifi-
car se o empreendimento pode ser considerado um risco padrão ou não.
A subscrição de risco também passa por outras análises, que levam em conta o
risco moral, considerando informações variadas. Essas informações são impor-
tantes para a análise do risco, pois podem existir indícios ou predisposição de
fraude que, se forem, antecipadamente, identificados, certamente poderão evitar
problemas futuros. A avaliação do risco de crédito e o cruzamento de informa-
ções cadastrais com bancos de dados especializados são de suma importância
para avaliar o risco das empresas e de seus sócios, e prevenir possíveis fraudes.
A Circular SUSEP 445/2012 dispõe sobre os controles internos específicos
para a prevenção e combatedos crimes de “lavagem” ou ocultação de
bens, direitos e valores, ou os crimes que com eles possam relacionar-se, o
acompanhamento das operações realizadas e as propostas de operações
com pessoas politicamente expostas, bem como a prevenção e coibição
do financiamento ao terrorismo.
Há uma série de outros cuidados que os subscritores de riscos conhecem
bem e que fazem parte dos guias de subscrição que, em alguns casos, são
elaborados para cada uma das atividades de risco ou pelo menos para
aquelas consideradas mais agravadas.
27
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
RISCOS QUE ENVOLVEM A
GESTÃO DOS PRODUTOS
Há vários riscos que preocupam os subscritores em relação à gestão dos pro-
dutos de seguros, os quais têm a ver com fenômenos que podem alterar o que
fora previamente planejado. A ocorrência desses riscos quase sempre ocasiona
implicações nos resultados e, por isso é acompanhada de forma contínua. São
chamados de riscos de subscrição, sendo eles:
Risco de assimetria
das informações
Risco de aceitação de seleções
adversas por ausência de infor-
mações fidedignas prestadas pe-
los segurados e corretores, e não
verificadas pela subscrição.
Risco de sinistralidade
Risco de perda resultante de alter-
ações no nível, tendência ou vola-
tilidade das taxas de sinistralidade,
em que um crescimento na taxa
de sinistralidade leva a um cresci-
mento no valor das provisões.
Risco de despesas
Risco de perda resultante de
alterações no nível, tendência ou
volatilidade das despesas incor-
ridas na prestação de serviços
de contratos de seguros ou de
resseguros.
Risco de catástrofe
Risco de perda resultante de
incertezas significativas na precifi-
cação e hipóteses utilizadas no
provisionamento relacionadas a
eventos extremos ou não regu-
lares.
Isso quer dizer que, além dos riscos mais tradicionais, os subscritores devem
estar atentos também ao que ocorre no mercado, porque, por exemplo, uma cri-
se econômica pode intensificar o movimento de inadimplência, o que altera sen-
sivelmente os resultados, assim como novas legislações podem exigir maior alo-
cação de capitais e até mesmo impor aumento de taxas, em caso extremo.
Os riscos de subscrição são oriundos de uma situação econômica adversa,
que contraria tanto as expectativas da sociedade no momento da elabora-
ção de sua política de subscrição quanto as incertezas existentes na esti-
mação das provisões (Circular SUSEP 253/04).
28
UNIDADE 2
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Portanto, o controle e o monitoramento dos resultados são uma das ativi-
dades importantes que as áreas de subscrição exercem no dia a dia.
Vale lembrar que as sociedades seguradoras de seguros de danos devem
constituir as seguintes provisões técnicas, quando necessárias:
■ Provisão de Prêmios Não Ganhos (PPNG).
■ Provisão de Sinistros a Liquidar (PSL).
■ Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados (IBNR).
■ Outras Provisões Técnicas (OPT).
Todas essas provisões, que fazem parte da gestão de seguros, são conse-
quências naturais da atividade, mas seu cálculo e seu acompanhamento
exigem especialização, e, por isso essas provisões são executadas e
supervisionadas pelas áreas de subscrição de staff. É claro que todas
essas provisões devem ser previstas na composição dos prêmios, o que
também implica conhecimento de todos os detalhes da operação, das pró-
prias carteiras e dos produtos de seguros.
29
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
FIXANDO CONCEITOS 2
Marque a alternativa que preenche corretamente a lacuna:
1. A ___________ adequada deve permitir que a seguradora continue a
subscrever riscos rentáveis e que seus produtos sejam competitivos com
os produtos das outras seguradoras.
(a) Sinistralidade. (d) Análise.
(b) Cobertura. (e) Avaliação.
(c) Taxação.
Marque a alternativa correta:
2. Os seguros de danos podem ser contratados de duas formas:
(a) Simples e composta. (d) Livre ou condicionada.
(b) Direta e indireta. (e) Simples ou ampla.
(c) Proporcional e não proporcional.
Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta:
3. Dentre os riscos que podem estar envolvidos na gestão de seguros de
danos pelas seguradoras, podemos citar os de:
I) Sinistralidade.
II) Despesas.
III) Catástrofe.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II e III são proposições verdadeiras.
30
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
4. Os riscos de _______________ são oriundos de uma situação econômi-
ca adversa, que contraria tanto as expectativas da sociedade no momento
da elaboração de sua política de subscrição quanto as incertezas existen-
tes na estimação das provisões (Circular SUSEP 253/04).
(a) Incêndio. (c) Mercado. (e) Taxas de juros.
(b) Crédito. (d) Subscrição.
Marque a alternativa correta:
5. Há possibilidade de ocorrer risco de assimetria das informações quando
são aceitos seguros de:
(a) Riscos diversos. (d) Lucros cessantes.
(b) Danos. (e) Informações adversas.
(c) Seleções adversas dos segurados.
6. Com relação ao papel dos atuários e estatísticos, é correto afirmar que:
(a) O atuário é o profissional que mensura e administra os impactos de
riscos passados.
(b) Os estatísticos utilizam dados futuros para fazer seus estudos.
(c) O papel dos atuários e estatísticos são dispensáveis para a subscri-
ção de riscos.
(d) Os atuários e estatísticos são subscritores de staff.
(e) Os estatísticos desenvolvem e validam modelos financeiros.
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 31
UNIDADE 303
■ Entender como os riscos
são estudados pelas
seguradoras.
■ Saber o que são
probabilidades e como são
utilizadas para precificar
seguros.
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
■ Saber como as
consequências são medidas
e como influenciam a
precificação dos seguros.
CÁLCULO MATEMÁTICO
DO RISCO
ESTUDO DAS
PROBABILIDADES
PRÊMIO DE RISCO (PR) OU
ESPERANÇA MATEMÁTICA (E)
TIPOS DE PRÊMIOS EM SEGUROS
FORMAS DE CONTRATAÇÃO
E SEUS IMPACTOS NA
PRECIFICAÇÃO
FIXANDO CONCEITOS 4
TÓPICOS
DESTA UNIDADE
ESTUDOS dos RISCOS,
PROBABILIDADES,
CONSEQUÊNCIAS e
suas INFLUÊNCIAS nos PRÊMIOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 32
UNIDADE 3
CÁLCULO MATEMÁTICO
DO RISCO
A quantificação dos riscos é, muitas vezes, subjetiva, por ser relativamen-
te difícil atribuir valores consistentes para estimá-los. Por exemplo, valora-
ções sobre informações tais como probabilidades e consequências são,
na maioria das vezes, estimadas por pessoas com diferentes origens e
personalidades, especialistas ou não, o que remete à incerteza dos valores
estimados, em função dessas individualidades.
Diz-se que risco ou exposição ao risco significa o produto entre a proba-
bilidade de um evento indesejável (negativo) ou desejável (positivo) vir a
ocorrer e a magnitude das consequências, ou seja:
Risco = Probabilidade de Ocorrência × Magnitude das Consequências
Quase sempre, quando se está estudando a probabilidade de algum evento
ocorrer, há sempre duas ponderações a fazer: a primeira é que se trata de
uma grandeza adimensional. A segunda é que importa estimar a probabili-
dade em um determinado espaço de tempo. Desse modo, falar em probabi-
lidade no tempo não é nenhum absurdo, sobretudo em seguros, em que a
medição de riscos se faz levando em consideração o período de exposição
ao risco, que é o período de cobertura da apólice de seguro (quase sempre
um ano). Portanto, dizer que há, por exemplo, 1% de probabilidade ao ano
de um bem ser perdido é bastante razoável para nosso mercado.
Em relação às consequências, para tentar resolvero problema da subjetividade,
a solução é fugir das análises qualitativas e tentar quantificar as possíveis perdas
em termos financeiros, o que é plenamente possível para os riscos puros.
33
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Dessa forma, podemos dizer que a proteção das exposições a riscos
pode se fazer por meio da transferência de riscos ao mercado de seguros,
desde que isso seja justo e economicamente vantajoso para o segurado,
pelo princípio do mutualismo.
Exemplo
Sabendo-se que há uma probabilidade de incêndio estimada em 5% para o próximo ano e
que, ocorrendo, pode trazer uma perda de R$ 10.000,00, qual é o risco exposto?
Solução: Risco = ?
Probabilidade = 5% (0,05) ao ano Consequências = R$ 10.000,00
Substituindo, teremos:
Risco = 0,05/ano × R$ 10.000,00 = R$ 500,00, que é a exposição anual ao risco.
O exercício acima nos traz uma revelação importante, que você poderá facilmente de-
duzir. Imagine que para cobrir a exposição a risco, fosse apresentada uma cotação de
seguro no valor de R$ 1.000,00. Obviamente, o proprietário do risco declinaria a oferta,
porque seria melhor “correr o risco”, pelo menos em termos financeiros, mas se a ele
fosse apresentada uma cotação de seguro de R$ 200,00, provavelmente, perceberia
valor agregado e contrataria o seguro.
ESTUDO DAS
PROBABILIDADES
Para definir e estudar as probabilidades, é necessário recorrer a vários con-
ceitos importantes da Teoria dos Conjuntos (espaço amostral, evento, con-
junto, elemento, subconjunto, conjunto vazio) para que se possa compre-
ender seu significado e suas aplicações.
I. Espaço das Possibilidades
Denomina-se Espaço das Possibilidades ou Espaço Amostral o
conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento.
Representaremos o espaço amostral por S (de space, em inglês).
34
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Exemplos de experimentos:
LANÇAR UMA MOEDA HONESTA
uma moeda tem duas faces
S = {cara, coroa}
LANÇAR UM DADO
um dado tem seis lados
S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
LANÇAR DUAS MOEDAS
Espaço amostral permite
várias combinações possíveis
S = {(cara, coroa), (cara, cara),
(coroa, cara), (coroa, coroa)}
Em seguros, consideramos que o nosso espaço amostral é dado
pela quantidade de itens, seja ela de apólices contratadas seja de
segurados potenciais.
II. Evento
É um subconjunto de um espaço amostral, definindo um resultado
bem determinado, que se quer observar. O evento pode ser um
único ponto amostral ou uma reunião deles.
Exemplo
Lançam-se dois dados. Enumerar os seguintes eventos:
A: saída de faces iguais;
B: saída de faces cuja soma seja igual a 10;
C: saída de faces cuja soma seja menor que 2;
D: saída de faces cuja soma seja menor que 15;
E: saída de faces das quais uma é o dobro da outra.
O espaço amostral no nosso exemplo é o conjunto de resultados possíveis:
S = {(1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (1, 5), (1, 6), (2, 1), (2, 2), (2, 3), (2, 4), (2, 5), (2, 6), (3, 1), (3, 2), (3, 3), (3,4),
(3, 5), (3, 6), (4, 1), (4, 2), (4, 3), (4, 4), (4, 5), (4, 6), (5, 1), (5, 2), (5, 3), (5, 4), (5, 5), (5, 6), (6, 1), (6, 2),
(6, 3), (6, 4), (6, 5), (6, 6)}
Logo, os eventos pedidos são:
35
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Concluímos que eventos são os resultados que queremos enten-
der melhor ou obter, a partir de um conjunto de eventos possí-
veis. Os eventos são aleatórios quando não há nenhuma condição
externa que interfira diretamente.
III. Probabilidade
É um número associado à ocorrência de um evento, destinado a
medir sua possibilidade de ocorrência, compreendido no intervalo
[0,1]. Dessa forma, não existe probabilidade negativa ou maior que 1.
Em seguros, estudar as probabilidades é fundamental para que
se possa ter ideia do potencial de ocorrência dos eventos e para
poder precificá-los.
A fórmula matemática para cálculo da probabilidade é:
P = número de casos favoráveis / número de casos possíveis
Onde:
Número de casos favoráveis = eventos
Número de casos possíveis = espaço amostral
No caso dos eventos descritos no exemplo, as probabilidades de ocorrên-
cia seriam iguais a:
P(A) = 6/36 = 1/6 – evento possível
P(B) = 3/36 = 1/12 – evento possível
P(C) = 0/36 = 0 – evento impossível
P(D) = 36/36 = 1 – evento certo
P(E) = 6/36 = 1/6 – evento possível
Podemos concluir que se a probabilidade associada à ocorrência de um
evento for igual a zero, o evento é impossível, enquanto, se o resultado for
igual a um, dizemos que o evento é certo. Se o resultado estiver compreen-
dido entre zero e um, dizemos que se trata de um evento possível.
A = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (4, 4), (5, 5), (6, 6)};
B = {(4, 6), (5, 5), (6, 4)};
C = Ø (evento impossível);
D = S (evento certo);
E = {(1, 2), (2, 1), (2, 4), (3, 6), (4, 2), (6, 3)}.
36
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
PRÊMIO DE RISCO (PR) OU
ESPERANÇA MATEMÁTICA (E)
A esperança matemática (E) representa o preço matemático, que em segu-
ro, chamamos de prêmio de risco ou prêmio estatístico.
A esperança matemática é um componente importante na obtenção do
valor do prêmio ou da prestação que o segurado paga ao segurador para
que este assuma a responsabilidade pela transferência de risco. Seu valor
é dado pela multiplicação do ganho esperado pela probabilidade de ganho
e pelo fator de desconto financeiro (Vn).
PR = E = Q × p × Vn
Onde:
E = esperança matemática;
Q = ganho esperado;
p = probabilidade;
Vn = fator de desconto financeiro.
Exemplo
A probabilidade de perda de um automóvel, por sinistro, é de 8% ao ano (0,08). Saben-
do-se que esse automóvel vale R$ 40.000,00, calcule o prêmio de risco (PR) sem utilizar
o fator de desconto (desprezado).
Solução:
Prêmio de risco (prêmio para pagar sinistros) é o mesmo que esperança matemática (E).
Assim, utilizando a fórmula PR = E = p × Q × Vn, temos que:
p = 0,08
Q = R$ 40.000
Vn = 1 (desprezado)
Substituindo:
PR = E = 0,08 × 40.000 × 1 = R$ 3.200,00
Logo, o prêmio de risco é de R$ 3.200,00.
37
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
TIPOS DE PRÊMIOS EM SEGUROS
— Prêmio de Risco (PR) ou
Prêmio Estatístico (PE)
É importante entender que em seguros, olha-se para o passado a fim de
projetar o futuro, e assim o prêmio de risco poderá ser calculado utilizan-
do a frequência de sinistros (verificada em uma determinada região, em
um determinado espaço de tempo) pela quantidade de unidades expostas,
mas no dia a dia de uma seguradora, procura-se entender o que acontecerá
com essa frequência a fim de prever sua evolução posterior e assim estimar
com mais precisão a probabilidade de ocorrência de sinistros no futuro.
Como o prêmio de risco (PR) ou prêmio estatístico (PE) também pode ser
definido como esperança matemática, podemos observar o exemplo ante-
rior para ilustrar sua definição.
Um automóvel no valor de R$ 40.000,00, cuja probabilidade de perda é de
8%, teríamos um prêmio de risco no valor de R$ 3.200,00.
— Prêmio Puro
Imagine que em uma determinada região da sua cidade, as estatísticas
mostram uma frequência de sinistros de 5% e que analisando as ocorrên-
cias em si, percebe-se que aconteceu o seguinte: houve um afrouxamento
do patrulhamento policial na região, porque a crise econômica fez com que
Curiosidade
A matemática, por vezes, pode parecer complicada quando não se dá sentido prático a
ela. Em seguros, é importante conhecer o prêmio de risco para que se possa estabele-
cer as taxas a serem acrescidas de outros fatores, a fim de determinar o prêmio comer-
cial dos seguros.
Imagine que no exemplo anterior, as estatísticas do mercado de seguros de automóveis
determinaram que para uma determinada região, a probabilidade de ocorrer um assalto
em que o veículo é levado pelos assaltantes é de 8 veículos em cada 100 veículos segura-
dos. Isso significa que há uma probabilidade de ocorrência de 8% e ela incide sobre todos
os segurados. Para pagaros sinistros e não ter prejuízos, a seguradora terá de aplicar uma
taxa de 8% sobre o valor de todos os veículos segurados, a fim de poder fazer frente aos
sinistros (imaginando que todos tenham o mesmo valor, por simplificação). Isso quer dizer
que ela terá de recolher prêmios de R$ 3.200,00 de cada um dos 100 segurados.
38
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
não houvesse disponibilidade de recursos para que as viaturas circulas-
sem. Se essa situação tiver sido resolvida, é natural que a probabilidade de
ocorrência de sinistros seja menor que a frequência atual, recomendando
que haja um ajuste sobre a probabilidade a fim de que não se imponha um
prêmio de risco além do necessário para pagar os sinistros futuros.
Desse modo, teríamos um prêmio de risco ajustado (PRa), determinado
pelo produto do prêmio de risco (PR), calculado com a frequência medida
por um fator de ajuste da probabilidade.
É interessante notar que além do fator de ajuste da probabilidade, tam-
bém deve-se considerar um fator de incerteza ou de subjetividade. Quanto
maior for a incerteza, maior será o valor do fator de incerteza a ser adicio-
nado e vice-versa.
Portanto, o prêmio puro será igual a:
PP (Prêmio Puro) = PR (Prêmio de Risco) +X (1 + Carregamento Estatístico)
Onde:
Carregamento Estatístico = Fator de Ajuste da Probabilidade + Fator de
Incerteza
Analisando o exemplo anterior do automóvel, cujo prêmio de risco é de
R$ 3.200.
Caso a seguradora acredite que a probabilidade de roubo desse automó-
vel possa aumentar, ela pode acrescentar um carregamento estatístico, no
qual acrescentará um percentual ao prêmio de risco.
Acrescentando um carregamento de 5% sobre o prêmio de risco no valor
de R$ 3.200,00:
PP = PR X (1 + C)
PP = 3.200 X (1 + 0,05)
PP = 3.200 X 1,05
PP = 3.360,00
Logo, o prêmio que seria de R$ 3.200,00 passa a ser de R$ 3.360,00 por
conta do carregamento estatístico.
39
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
— Prêmio Comercial
Corresponde ao prêmio puro acrescido do carregamento para as des-
pesas da seguradora relativas à comissão de corretagem e às despesas
administrativas, incluindo uma margem para lucro.
Prêmio Comercial = Prêmio Puro / [1 – (% Comissionamento
+ % Despesas Administrativas + % Lucro)]
Exemplo
Sabendo-se que o prêmio puro de um automóvel é de R$ 3.360,00, a comissão de corre-
tagem é de 15%, o carregamento para as despesas administrativas é de 10% e o lucro é de
5%, calcule o prêmio comercial.
Solução:
Sabemos que:
Prêmio Puro: R$ 3.360,00
% Comissão de Corretagem = 15%
% Despesas Administrativas = 10%
% Lucro = 5%
Total de Carregamentos = 30%
Substituindo:
PC =
3.360,00 3.360,00 3.360,00
[1 – (0,15 + 0,10 + 0,05)] (1 – 0,30) 0,70
R$ 4.800,00 = = =
Importante
O prêmio pago se refere a todo o período de vigência do seguro. Entretanto, as segura-
doras denominam prêmio ganho somente a parcela de prêmio relativa ao período de
tempo do risco já passado.
40
UNIDADE 3
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
— Prêmio Bruto
É igual ao prêmio comercial acrescido das despesas com impostos (IOF),
que incidem diretamente sobre o prêmio comercial.
No exemplo anterior, utilizando um IOF de 7,38% (comum para os seguros
de danos), teremos:
Prêmio Bruto = Prêmio Comercial + Alíquota do IOF = R$ 4.800,00 + 7,38%
= R$ 5.154,24
FORMAS DE CONTRATAÇÃO E SEUS
IMPACTOS NA PRECIFICAÇÃO
Você já sabe que, dependendo do ramo, os seguros podem ser proporcio-
nais ou não proporcionais.
Seguros proporcionais
Na ocorrência de sinistros, caso a importância segurada seja inferior ao
valor do bem, apurado no dia do sinistro (valor em risco), o segurado
participa dos prejuízos na mesma proporção daquela insuficiência.
Seguros não proporcionais
Também chamados de seguros a Risco Absoluto, não estabele-
cem a participação do segurado nos sinistros por insuficiência de
importância segurada. Podem ser contratados a primeiro, segun-
do... enésimo Risco Absoluto.
Entenda que nos seguros proporcionais, as formas de contratação das garan-
tias básicas podem ser proporcionais, ou seja, nas formas a Risco Total (segu-
ros de riscos diversos) e a Risco Relativo (seguros patrimoniais, como os com-
preensivos). Já as garantias adicionais ou acessórias são contratadas de forma
não proporcional – geralmente a Risco Absoluto. Dessa forma, as taxas aplica-
das para as contratações não proporcionais, obviamente, são mais elevadas
que as para as contratações proporcionais.
41
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
FIXANDO CONCEITOS 3
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
1. Em relação às consequências, para tentar resolver o problema da subje-
tividade, a solução é fugir das análises ____________ e tentar quantificar
as possíveis perdas em termos financeiros, o que é plenamente possível
para os riscos puros.
(a) Quantitativas. (d) Objetivas.
(b) Empíricas. (e) Numéricas.
(c) Qualitativas.
Marque a alternativa correta:
2. O Prêmio de Risco também é chamado de:
(a) Prêmio Bruto. (d) Expectativa Matemática.
(b) Prêmio Comercial. (e) Prêmio Net.
(c) Esperança Matemática.
Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta:
3. No cálculo dos prêmios de seguros, existem alguns conceitos importan-
tes como:
I) O prêmio puro também é chamado de prêmio estatístico.
II) Carregamento Estatístico = Fator de Ajuste da Probabilidade + Fator
de Incerteza.
III) O prêmio comercial corresponde ao prêmio puro acrescido do carrega-
mento para as despesas da seguradora relativas à comissão de cor-
retagem e às despesas administrativas, incluindo uma margem para
lucro.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente II e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II e III são proposições verdadeiras.
42
FIXANDO CONCEITOS
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Marque a alternativa que preencha corretamente a lacuna:
4. Nos seguros proporcionais, as formas de contratação das garantias
básicas podem ser proporcionais, ou seja, nas formas a Risco Total (segu-
ros de riscos diversos) e a Risco Relativo (seguros patrimoniais, como os
compreensivos). Já as garantias adicionais ou acessórias são contratadas
de forma não proporcional – geralmente a __________. Desse modo, as
taxas aplicadas para as contratações não proporcionais, obviamente, são
mais elevadas que as para as contratações proporcionais.
(a) Risco Total
(b) Risco Relativo
(c) Risco Absoluto
(d) Risco Nomeado
(e) Risco Operacional
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 43
UNIDADE 404
■ Realizar a precificação
de seguros conforme
seus objetivos e os
modos utilizados pelas
seguradoras.
■ Aplicar os métodos de
precificação adequados a
cada situação.
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de
■ Há competências que
exigem vários conteúdos,
isso é comum.
OBJETIVOS DA
PRECIFICAÇÃO
COMPONENTES DO
PRÊMIO DE SEGURO
A INFLUÊNCIA DE OUTROS
FATORES NA PRECIFICAÇÃO
PULVERIZAÇÃO DE RISCOS
MÉTODOS UTILIZADOS
NA PRECIFICAÇÃO
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS
NA PRECIFICAÇÃO
PRECIFICAÇÃO PREDITIVA
FIXANDO CONCEITOS 4
TÓPICOS
DESTA UNIDADE
SEGUROS de DANOS
PRECIFICAÇÃO de
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS 44
UNIDADE 4
OBJETIVOS DA
PRECIFICAÇÃO
O objetivo básico da precificação é o desenvolvimento de taxas de seguros
que deverão cobrir adequadamente todos os sinistros e suas despesas,
além das despesas administrativas e de angariação de seguros, propician-
do ainda para a seguradora, um lucro razoável e fundos para contingências.
O processo de precificação é prospectivo, porque as taxas e condições
são desenvolvidas e fixadas antes da efetiva transferência de risco. Em
função dessa característica prospectiva, devem ser observados osseguin-
tes princípios:
Princípio 1
A precificação deve refletir as estimativas do valor dos custos futu-
ros, pois o sistema de seguros será financeiramente saudável se
a precificação propiciar arrecadação suficiente para fazer frente a
todos os custos envolvidos.
Princípio 2
A precificação deve prever todos os custos associados à transfe-
rência de riscos. Para manter a equidade entre todos segurados,
todos eles devem contribuir nos custos associados ao processo de
transferência de riscos. Devido à incerteza dos custos de transfe-
rência de um risco individual, normalmente é utilizada a experiên-
cia acumulada de riscos similares, que depois de sua consolida-
ção, será assumida como sendo o custo da transferência de risco
individual de uma determinada classe de segurados.
45
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Princípio 3
A precificação deve ser suficiente para cobrir todos os custos
associados à transferência de um risco individual.
Princípio 4
A precificação deve ter os seguintes atributos: ser razoável, não
ser excessiva, ser adequada e não ser injustamente discriminatória.
A precificação é desafiadora, porque os custos (sinistros, despesas, lucros
e contingências) não são conhecidos quando ela é desenvolvida. Os atuá-
rios utilizam diversas técnicas para compensar a incerteza inerente aos
futuros custos relacionados aos produtos de seguros.
Dessa forma, podemos afirmar que o processo de precificação é “muito mais
arte do que ciência”, sendo a avaliação e a experiência pessoal importantís-
simas para o desenvolvimento de sistemas de precificação adequados.
COMPONENTES DO
PRÊMIO DE SEGURO
Para melhor entendimento da precificação de seguros, é importante anali-
sar os componentes do prêmio de seguros, que são:
■ Sinistros, despesas de sinistros, desenvolvimento de sinistros e
tendências.
■ Despesas administrativas e de comercialização de seguros.
■ Lucro razoável.
■ Fundos para contingências.
— Sinistros e Despesas de Sinistros
Sinistros
Os sinistros são os valores pagos e os valores a serem pagos pela segura-
dora, representando geralmente o principal custo da seguradora.
Quando se fala em sinistros, devemos ter em mente que além daqueles valo-
res já pagos, existem os que ainda não foram pagos, em função dos procedi-
mentos necessários de regulação e liquidação de sinistros, e também aqueles
que já ocorreram e ainda não são de conhecimento da seguradora.
46
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Dessa forma, para fins de precificação, devemos considerar:
Sinistro incorrido = (sinistros pagos, referentes a perdas em um determi-
nado período de tempo) + (sinistros pendentes referentes a perdas em
um determinado período de tempo e que ainda serão pagos) + (sinistros
que ocorreram, mas ainda não foram avisados – IBNR – Incurred But Not
Reported).
Despesas de Sinistros
As despesas de sinistros são aquelas que decorrem do processo de regu-
lação e liquidação dos sinistros.
Elas são classificadas em despesas diretas e despesas indiretas.
Despesas diretas
São aquelas que podem ser atribuídas a um sinistro específico, como, por
exemplo, os honorários advocatícios para a defesa em uma reclamação
específica de determinado sinistro. Essas despesas diretas, normalmente,
são incorporadas ao sinistro incorrido.
Despesas indiretas
Já as despesas de sinistros indiretas não podem ser atribuídas a um sinis-
tro específico como, por exemplo, as despesas associadas ao departamen-
to de sinistros da seguradora.
Desenvolvimento dos Sinistros
Os fatores de desenvolvimento de sinistros são utilizados para ajustar as
estimativas das reservas dos sinistros incorridos. A reserva de sinistros a
liquidar (obrigação da seguradora no pagamento de sinistros que já ocor-
reram) é estabelecida no momento do aviso do sinistro à seguradora.
Quando os sinistros são pagos, esse valor é deduzido da reserva de sinis-
tros a liquidar.
Como as estimativas iniciais dos sinistros a liquidar normalmente sofrem
alterações no decorrer do processo de regulação e liquidação dos sinis-
tros, a estimativa inicial da reserva de sinistros precisa ser ajustada por
meio do fator de desenvolvimento de sinistros.
Exemplificando o desenvolvimento da reserva de sinistros, temos:
ANO 20X1 20X2 20X3 20X4 20X5
Sinistros R$ 10.000 R$ 10.500 R$ 12.000 R$ 11.500 R$ 11.500
47
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Neste caso:
Os sinistros avisados no ano 20X1 totalizaram R$ 10.000 e:
■ Sofreram alteração no decorrer do 20X1 para R$ 10.500 em 20X2.
■ Sofreram alteração no decorrer do 20X2 para R$ 12.000 em 20X3.
■ Sofreram alteração no decorrer do 20X3 para R$ 11.500 em 20X4.
■ Mantiveram o valor de R$ 11.500 a partir do ano 20X4, indicando
que todos sinistros do ano 20X1 foram regulados e liquidados, não
restando nenhuma pendência (inclusive judicial).
Tendência
Como sinistros e despesas de sinistros são compromissos futuros, são
necessários ajustes em função de mudanças como inflação, alterações na
regulação, alterações no ambiente legal, condições de segurança forneci-
das pelo Poder Público, entre outras.
A análise das tendências deve contemplar a frequência de sinistros (núme-
ro de sinistros que ocorrem em um determinado período) e a severidade
dos sinistros (valor monetário dos sinistros).
— Despesas Administrativas e de
Comercialização de Seguros
As despesas administrativas e de angariação de seguros abrangem quatro
grandes grupos, que são:
■ Despesas de comercialização – consistem, basicamente, nas comis-
sões pagas aos corretores de seguros (ou agentes).
■ Outras despesas – consistem nos custos necessários para proces-
samento e manutenção da conta (pessoas, instalações, equipa-
mentos, infraestrutura, entre outros) bem como custos de serviços
associados (inspeção de riscos, serviços de monitoramento, assis-
tência ao segurado, entre outros).
■ Impostos, em geral, nos âmbitos municipal, estadual e federal.
■ Contingências diretas da operação.
48
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
— Lucro Razoável e Fundo
para Contingências
O lucro razoável se refere ao lucro resultante das operações de subscrição
de riscos e não considera os resultados financeiros gerados pelas aplica-
ções financeiras.
O fundo para contingências se destina a cobrir as perdas que não podem
ser adequadamente previstas com base na análise dos dados como, por
exemplo, flutuações na frequência ou severidade das perdas, perdas
catastróficas, entre outras.
A INFLUÊNCIA DE OUTROS
FATORES NA PRECIFICAÇÃO
Além dos quatro componentes de prêmio já analisados, existem outros
fatores que também devem ser considerados na precificação.
— Resultados Financeiros
As seguradoras, pela característica de suas operações, são investidores
institucionais e podem obter ganhos financeiros importantes nessa opera-
ção quando o mercado assim o permite.
Existem importantes fundos administrados pela seguradora, por exemplo,
a Reserva de Prêmios Não Ganhos, a Reserva de Sinistros a Liquidar e o
IBNR.
Os ganhos financeiros advindos da administração desse volume de recur-
sos podem, eventualmente:
■ ser utilizados para compensar parcial ou totalmente o resultado
desfavorável das operações da seguradora;
■ substituir o terceiro componente do prêmio “lucro razoável e fundo
para contingências”.
— Credibilidade
A credibilidade se refere ao nível de confiança da predição dos valores dos
sinistros futuros e é normalmente discutida no contexto da Lei dos Grandes
49
UNIDADE 4
RISCO E PRECIFICAÇÃO DE SEGUROS DE DANOS
Números. Segundo essa lei, quanto maior o número de unidades de exposição
similares e independentes, mais acurada será a predição das perdas futuras.
Unidades de exposição similares ou homogêneas são aquelas que têm a
mesma expectativa de frequência de perdas e severidade de perdas.
PULVERIZAÇÃO DE RISCOS
As formas de pulverização