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EMPREENDEDORISMO UNIDADE 04 Plano Financeiro de um Empreendimento Unidade 04 | Introdução Em termos práticos, iremos estudar o comportamento do negócio em um determinado período de tempo. Neste período, o negócio terá que receber um recurso financeiro, atingir o ponto de equilíbrio, remunerar todo o capital investido e proporcionar ganhos financeiros efetivos aos seus investidores e empreendedores. Unidade 04 | Competências 1. Entender o processo de prospecção de recursos financeiros para o projeto de implantação e ciclo de vida do seu negócio. 2. Identificar e discernir sobre despesas fixas e despesas variáveis de um empreendimento. 3. Estimar e estratificar as receitas bruta e líquida de um negócio, identificando e mensurando o custo do produto. 4. Analisar a viabilidade econômica e financeira do negócio como um todo. Prospectando recursos financeiros Assim como em todo projeto, a montagem de um negócio deve seguir um cronograma rígido e objetivo. Quando se trata de dinheiro, a rigidez deve ser levada a sério, uma vez que números são frios e o mau uso e dimensionamento dos recursos financeiros é um ato imperdoável para o empreendedor que quer ter sucesso em seu projeto. Fonte: Freepik. Planejar um negócio sob o ponto de vista econômico-financeiro requer o cumprimento dos seguintes passos: • Prospecte os recursos necessários ao investimento no negócio; • Planeje as despesas fixas; • Estratifique as receitas e as despesas variáveis; • Calcule o capital inicial necessário; • Avalie os riscos; e • Desista ou empreenda! INVESTIMENTO: Podemos afirmar que investimento é a quantidade de recursos, monetários ou não, que se injeta em um projeto, visando a obtenção de algo rentável em troca. DESPESA: Despesa é a quantidade de recursos monetários que se injeta em uma operação produtiva recorrente. Quando não se tem muitos recursos financeiros para investir, há três alternativas plausíveis para não inviabilizar o empreendimento: • Tomar recurso de terceiros, como bancos; • Atrair um sócio investidor para aportar capital no negócio; ou • Transformar investimentos em despesas. Cuidado! Transformar investimento em despesa nem sempre é um bom negócio. Quando se aumenta a despesa de uma operação, reduz-se proporcionalmente a margem de lucro do negócio, perdendo competitividade. Desse modo, em algumas situações, é melhor recorrer à capital de terceiros para adquirir um ativo, desde que esse investimento consiga ser absorvido pelo empreendimento em curto espaço de tempo. Transformando despesa variável em despesa fixa Para outros tipos de negócio, em vez de transformar investimento em despesa variável, você poderá transformar despesas fixas em despesas variáveis. Um bom exemplo disso pode ser observado no caso dos cursinhos preparatórios para concursos públicos. Muitas dessas empresas preferem fazer contratos de risco com seus instrutores. Em vez de contratá-los em folha de pagamento, preferem entregar-lhes um percentual do faturamento com as inscrições dos alunos de suas turmas. O instrutor certamente ganhará mais, e a empresa minimizará os riscos no caso de turmas deficitárias. Planilhas Antes de começar a trabalhar os números de seu negócio, é importante que você já tenha seguido a cartilha do ABC, ou seja, ter realizado a pesquisa de mercado, a análise de SWOT, de ERRC, enfim, todos os passos até chegar a este ponto. Não que a construção de uma planilha de investimentos seja irreversível, até porque você poderá adaptá-la e atualizá-la durante todo o processo da análise econômico-financeira. Mas é importante que você, neste momento, já não perca muito tempo com idas e vindas nesta esteira empreendedora. Lidando com despesas e custos A diferença entre investimento e despesa está associada ao fator tempo, ou seja, o investimento em um negócio é caracterizado pelas despesas pré- operacionais, ou seja, aquelas que ocorrem antes da inauguração do empreendimento. Essa definição encontra várias objeções em algumas correntes de pensamento, que associam investimento à aquisição de patrimônio (ativos). Vamos nos debruçar sobre as despesas propriamente ditas. Como elas se classificam? Qual a diferença entre despesa e custo? Como gerenciar custos e despesas de modo a favorecer a geração de lucro para o negócio? Fonte: Freepik. DESPESAS FIXAS: São aquelas que não variam significativamente com o crescimento ou retração do negócio. DESPESAS VARIÁVEIS: São aquelas que variam de forma indexada ao crescimento ou retração do negócio. Despesas x custos Esses são dois conceitos muito próximos um do outro e, por vezes, de difícil distinção. Há inclusive muita controvérsia sobre o que pode e o que não pode ser considerado como despesa ou custo. CUSTO: O dicionário da língua portuguesa define a palavra custo como sendo o trabalho despendido na produção de bens e serviços. Devemos tomar cuidado com o que elegemos para ser despesa fixa e o que conseguimos transformar em variáveis. Os custos fixos inspiram bastante cuidado, sobretudo em negócios que envolvem serviços. Lembre-se de que as despesas fixas são sempre correntes, independentemente de quanto se fatura. Quando mal dimensionadas, essas despesas geram muita dor de cabeça no final do mês. As despesas são certas, mas as receitas são incertas! Assim sendo, se há um item de custo fixo que extrapola a sua capacidade de pagamento ou torna o risco do negócio extremamente elevado, tente transformá- lo em custo variável. O contrário também é verdadeiro, ou seja, se há um custo variável que absorve praticamente toda a sua receita, tente transformá-lo em um custo fixo. Lidando com receitas Vamos analisar os dois últimos itens para fechamento de nosso estudo de viabilidade econômico-financeira: Receita e Custo Variável. Como dissemos anteriormente, esses itens estão visceralmente relacionados, uma vez que as despesas variáveis são calculadas, na maioria das vezes, em função das receitas. E mesmo quando não estão diretamente vinculadas às receitas, estão associadas a indicadores que variam em função dessas receitas. Fonte: Freepik. Chamamos de receita tudo aquilo que é recebido, arrecadado ou apurado por um indivíduo, empresa, instituição ou pelo próprio Estado. Existe um ditado antigo e inteligente no mundo dos negócios: Apurado não é lucro. • RECEITA BRUTA: É aquela que aparece na nota fiscal, e que, na maioria das vezes, é efetivamente recebida pela empresa que presta o serviço ou que vende um produto. • RECEITA LÍQUIDA: Da receita bruta são calculados e deduzidos os impostos, o que sobra dessa conta pode ser chamado de receita líquida. • RECEITA OPERACIONAL: A receita operacional é toda aquela que é gerada a partir da operação do negócio, ou seja, as entradas advindas do serviço prestado ou da venda do produto que está devidamente qualificado no objeto social da empresa. A receita operacional pode ser bruta ou líquida, ou seja, esse conceito é não-excludente em relação aos demais vistos anteriormente. • RECEITA NÃO-OPERACIONAL: É aquela gerada indiretamente por ganhos financeiros, aplicações bancárias, locação ou sublocação de imóveis (desde que este não seja o objetivo do negócio), enfim, tudo aquilo que não está previsto no objeto social da empresa, mas que abastece o seu caixa. LUCRO: Entende-se por lucro o resultado da subtração entre as receitas e as despesas apuradas em um empreendimento. Deduzidos os custos variáveis em cima de uma venda, por exemplo, teremos o que chamamos de margem de contribuição. A margem de contribuição (MC), como diz o próprio nome, é o saldo que irá contribuir para a amortização dos custos fixos e remuneração do capital investido. Margem de contribuição (ou spread) Lembre-se! Precifique seu produto de tal maneira que, no todo, sua margem de contribuição seja o suficiente para cobrir seus custos fixos, levando em consideração a quantidade de itens que você acha que vai conseguirvender dentro de um mês típico. Viabilidade econômico- financeira Chegou a hora de juntarmos tudo o que estudamos em termos de investimentos, despesas fixas e variáveis, receitas brutas e líquidas, entre outros, para encontrarmos os indicadores de desempenho do negócio em estudo. Fonte: Freepik. Ao término de toda essa análise, precisaremos chegar aos seguintes indicadores: • Margem de contribuição do produto ou serviço a ser comercializado; • Lucro mês a mês ou ano a ano; • Ponto de equilíbrio, ou breakeven; e o • Retorno do investimento (ROI ou payback). Em resumo, de posse de tudo isso, você será capaz de encontrar as respostas para as seguintes perguntas: • Qual o capital inicial realmente necessário para se montar o negócio? • Quanto tempo levará até a receita empatar com a despesa? • Quanto tempo levará até que todo o capital injetado possa retornar ao bolso de seu investidor, e com que margem de retorno? Planilha de simulação do empreendimento Para iniciarmos a elaboração desta planilha consolidada, precisamos estabelecer um período de análise. Este período pode ser de 5, 10, 15 ou 20 anos. Dificilmente algum negócio necessitará de uma avaliação econômico-financeira em mais de 20 anos. Analogamente, não faria sentido a análise de um negócio em um período inferior a cinco anos. Evolução de receitas Não há previsão de receitas na fase de implantação do negócio, portanto, cabe a você, empreendedor, prever em quanto tempo o seu negócio estará habilitado a faturar. Assim sendo, a primeira decisão a ser tomada antes de iniciar a previsão das receitas mensais é o dimensionamento do prazo de implantação do empreendimento, também chamado de período pré-operacional. O segundo passo é replicar os itens de receita que adicionamos à planilha da margem de contribuição (construída anteriormente) em uma nova planilha. Evolução da margem de contribuição Estamos cada vez mais próximos de chegar ao lucro de nosso empreendimento. Já sabemos o quanto investiremos, quais serão as nossas despesas fixas e o quanto faturaremos a cada mês. Agora precisamos aplicar as margens de contribuição à receita líquida apurada em cada mês. Para isso, vamos recorrer à planilha de receitas desenvolvida anteriormente para chegarmos à planilha de Margens de Contribuição do negócio. Assim sendo, as planilhas que você verá a seguir são muito parecidas com as das receitas, porém, em vez de receitas brutas, as células conterão as margens de contribuição de cada produto por mês, com as margens acumuladas na última linha. IMPORTANTE Não confunda margem de contribuição com lucro. O lucro só é obtido no final, depois dos custos. Evolução dos resultados Agora que completamos todas as dimensões de nosso estudo de viabilidade econômico-financeiro, tudo o que temos a fazer é juntar essas planilhas em uma só, denominada planilha de resultados. • Receitas Líquidas – Custos Variáveis = Margens de Contribuição • Margens de Contribuição – Custos fixos – Investimento = Resultado. A Planilha de Resultados é, na realidade, a consolidação de todas as outras planilhas que elaboramos anteriormente, totalizando os resultados acumulados mês a mês do investimento, receita, despesa e lucro. Calculando o capital inicial É possível identificar algumas variáveis determinantes para o planejamento econômico-financeiro do negócio. Um item importantíssimo é o Capital Inicial necessário ao negócio. É através dessa informação que podemos decidir se teremos ou não que recorrer a capital de terceiros, como bancos de fomento ou investidores externos. Calcular o capital inicial de um negócio é um procedimento de alto risco e, quão mais preciso for o seu planejamento, menores as chances de errar. CAPITAL DE GIRO: É o valor monetário necessário para suportar o negócio enquanto esteja dando prejuízo. Já na área de comércio de bens, o capital de giro pode ser considerado como sendo a quantidade de recursos financeiros necessária para custear os estoques enquanto estes não sejam remunerados pelo cliente. Referências EQUIPE IBC. Saiba quais são as etapas do plano de negócio. Disponível em: http://bit.ly/2MkPaXi. Acesso em: 13 jan. 2021. MIRANDA, R. B., ALMEIDA, F. M., & SIMÃO, F. P. (2012). Margem de Contribuição como auxílio à Tomada de Decisão: um estudo na J. M. Serraria de Divino de São Lourenço/ES. IX SEGeT 2012 - Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Disponível em: https://bit.ly/3n0b3I2. Acesso em: 13 jan. 2021. STEPHEN, D. (jan. 2012). Curso de Excel Básico. Fonte: Youtube: https://youtu.be/F6c9R8_GBnQ; https://youtu.be/Dwh6NsEYskw; https://youtu.be/CvWe9_- vJm4; https://youtu.be/pOPP1pyirwQ. Acesso em: 13 jan. 2021. SEBRAE/SC. (2008). Gestão de Custos. Curitiba: SEBRAE/PR. Disponível em: http://bit.ly/3pMLDQ6. Acesso em: 13 jan. 2021. http://bit.ly/2MkPaXi Slide 1: EMPREENDEDORISMO Slide 2: Unidade 04 | Introdução Slide 3: Unidade 04 | Competências Slide 4: Prospectando recursos financeiros Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10: Lidando com despesas e custos Slide 11 Slide 12 Slide 13: Lidando com receitas Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17: Viabilidade econômico-financeira Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23: Referências