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Gerenciamento 
de riscos
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros–ENS.
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, 
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.
REALIZAÇÃO
ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS
DIRETORIA DE ENSINO
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO
ASSESSORIA TÉCNICA
LUIZ MACOTO SAKAMOTO - 2022/ 2021 / 2020
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO
PICTORAMA DESIGN
2022
6ª EDIÇÃO
RIO DE JANEIRO
E73g Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.
 Gerenciamento de riscos / Supervisão e coordenação metodológica da 
Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de Luiz Macoto Sakamoto. 
6.ed. -- Rio de Janeiro : ENS, 2022. 
7,92 Mb ; PDF
 1.Gerência de riscos. I. Sakamoto, Luiz Macoto. II. Título. 
 0021-2596 CDU 614.8 
A ENS,
promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contri-
buem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização 
e resseguro cada vez mais qualificado.
Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para pro-
fissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a 
você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma 
equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica.
A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o 
sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competi-
tividade é cada vez maior.
Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros.
1 Introdução à gestão de riscos 7
1.1 ISO 31000 9
1.1.1 Série (Família) ISO 31000 11
1.2 Processo de gestão de riscos – ISO 31000 12
1.3 Riscos: conceitos e evolução 14
1.4	 Classificação	de	riscos	 16
1.4.1 Riscos da operação 16
1.4.2 Riscos de mercado 19
1.5	 Gestão	de	riscos	em	instituições	financeiras	 20
1.6 Os caminhos da gestão de riscos 21
1.7 Resumo 22
Fixando conceitos 1 23
2 Gestão de riscos acidentais 25
2.1 Gestão de riscos acidentais 27
2.2	 Passo	1	–	Identificação	e	análise	das	exposições	a	perdas	 28
2.3 Passo 2 – Exame das técnicas de gestão 
de	riscos	acidentais	disponíveis	 29
2.3.1 Técnicas de controle de riscos 29
2.3.2 Técnicas de financiamento de riscos 30
2.4 Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas 32
2.5	 Passo	4	–	Implantação	das	técnicas	escolhidas	 32
2.6 Passo 5 – Monitoramento e melhoria do Programa 
de Gestão de Riscos Acidentais 32
2.7 Resumo 34
Fixando conceitos 2 35
Sumário
3	 Gestão	de	riscos	acidentais	–	patrimônio	 37
3.1 Bens da organização 38
3.1.1 Bens tangíveis 38
3.1.2 Bens intangíveis 39
3.2	 Exposição	a	perdas	 41
3.2.1 Itens expostos a perdas 41
3.2.2 Riscos que causam as perdas 44
3.2.3 Consequências financeiras das perdas 48
3.3	 Identificação	e	análise	de	riscos	 51
3.3.1 Matriz de riscos 54
3.4	 Medidas	de	controle	de	riscos	e	financiamento	de	riscos	 54
3.5 Resumo 57
Fixando conceitos 3 58
4 Gestão de riscos acidentais – 
responsabilidade	civil	 60
4.1	 Exposição	a	perdas	 63
4.1.1 Itens expostos a perdas 63
4.1.2 Riscos que causam as perdas 65
4.1.3 Consequências financeiras das perdas 70
4.2	 Identificação	e	análise	de	riscos	 71
4.2.1 Análise de riscos 74
4.2.2 Matriz de riscos 74
4.3	 Medidas	de	controle	e	financiamento	de	riscos	 75
4.4 Resumo 78
Fixando conceitos 4 80
5	 Gestão	de	riscos	de	pessoa	física	e	receita	líquida	 83
5.1	 Gestão	de	riscos	acidentais	–	pessoas	 84
5.1.1 Itens expostos a perdas 85
5.1.2 Riscos que causam perdas 86
5.1.3 Consequências financeiras das perdas 86
5.1.4 Medidas de controle e financiamento de riscos 87
5.2	 Gestão	de	riscos	acidentais	–	receita	líquida	 87
5.2.1 Item exposto a perda 88
5.2.2 Riscos que causam perdas 88
5.2.3 Consequências financeiras das perdas 90
5.2.4 Medidas de controle de riscos e financiamento de riscos 90
5.3	 Gestão	de	riscos	da	pessoa	física	 91
5.3.1 Itens expostos a perda 91
5.3.2 Riscos que causam perdas 92
5.3.3 Consequências financeiras das perdas 92
5.3.4 Morte 93
5.3.5 Aposentadoria 93
5.3.6 Invalidez 94
5.3.7 Desemprego 94
5.4 Resumo 95
Fixando conceitos 5 96
Gabarito 98
Referências	bibliográficas	 99
Anexos 100
Objetivos
Tópicos da Unidade
1.1 ISO 31000 
1.2 Processo de gestão de 
riscos – ISO 31000
1.3 Riscos: conceitos 
e evolução
1.4 Classificação de riscos
1.5 Gestão de riscos em 
instituições financeiras
1.6 Os caminhos da 
gestão de riscos
1.7 Resumo
Fixando conceitos 1
	Ø Entender a Norma ISO 31000 considerando as 
definições de riscos e o processo de gestão de 
riscos, reconhecendo as principais diretrizes e o 
seu caráter não obrigatório e internacional.
	Ø Compreender quem é o responsável pela gestão 
de riscos e o papel dos players do mercado 
segurador, reconhecendo os riscos de operação e 
os riscos do mercado.
	Ø Conhecer a evolução e o histórico da gestão de 
riscos acidentais considerando os conceitos e o 
funcionamento da área.
Introdução à 
gestão de riscos
1 
8
Os termos “gestão de riscos” e “gerência de riscos” têm sido utilizados como 
sinônimos e têm origem na tradução do inglês de Risk Management.
A gestão de riscos é um processo previsto em norma internacional que vem 
ganhando importância pelo seu amplo espectro de aplicação. Ela pode ser 
aplicada em vários segmentos econômicos, seja nos riscos acidentais, que 
são objeto de cobertura pelo mercado de seguros, seja na governança cor-
porativa das organizações, entre outros.
Na unidade 1, conheceremos a gestão de riscos de forma abrangente e 
baseada na ISO 31000. Na unidade 2, personalizaremos o processo da ISO 
31000 para Gestão de Riscos Acidentais, conhecendo seus 5 passos. Nas 
unidades 3, 4 e 5, analisaremos as exposições a perdas dos blocos patrimô-
nio, responsabilidade civil, pessoas, receita líquida e pessoa física. Cada um 
desses blocos apresenta três dimensões: itens expostos a perdas, riscos que 
causam a perdas e consequências financeiras das perdas. Por fim, veremos 
um anexo com sugestão de checklist de medidas de controle de riscos e 
financiamento de riscos.
Uma questão importante é: quem faz a gestão de riscos?
A responsabilidade da gestão de riscos é da organização. Ocorre que, como 
regra geral, a organização está focada em sua atividade-fim, que é produzir, 
distribuir produtos ou prestar serviços.
9
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Assim, o corretor de seguros, a seguradora, o corretor de resseguro ou res-
seguradoras, que diariamente estão manuseando riscos, têm mais familia-
ridade com o assunto. Esses players, além da comercialização e subscrição 
de riscos, podem oferecer a gestão de riscos como prestação de serviços, 
lembrando que a responsabilidade é sempre da organização. A prestação 
de serviços de gestão de riscos pode fazer parte dos serviços oferecidos 
(situação comumente encontrada) ou ser vendida à parte.
Uma discussão atual e importante diz respeito ao papel do corretor de segu-
ros na comercialização dos produtos.
O corretor de seguros deve conhecer tecnicamente os produtos que comer-
cializa, mas discute-se a mudança do foco de “venda de seguros” para “venda 
consultiva”.
A “venda consultiva” pode ser entendida como uma assessoria fornecida ao 
segurado na identificação e análise dos riscos acidentais a que a organização 
está sujeita. Para isso, considera-se a frequência e severidade dos riscos, as 
medidas disponíveis de mitigação de riscos e a seleção das medidas a serem 
implantadas, bem como o acompanhamento da implantação e o monitora-
mento do programa de gestão de riscos.
A “venda consultiva” corresponde à utilização do processo de gestão de 
riscos para riscos acidentais. Portanto, a “venda consultiva” e a “gestão de 
riscos acidentais” estão intimamente ligadas.
A formalização explícita do processo de gestão dos riscos acidentais nem 
sempre ocorre, mas sua técnica deve estar incorporada ao processo mentalmétodos já consagrados em literatura 
especializada. Somente para fins de ilustração, vamos citá-los:
HAZID – Hazard	Identification	–	Identificação	 
de Perigos
Envolve seções de brainstorm direcionadas por checklists 
preparados pela gestão de riscos.
What	If	Analisys	–	Análise	“O	Que	–	Se”
Por meio de brainstorm menos estruturados, busca-se a 
identificação de perigos pela resposta a “o que aconteceria” se 
“tal evento ocorresse”.
HAZOP – Hazard	and	Operability	Studies – Estudo dos Perigos 
e	Operabilidade
Muito utilizada no estudo de perigos em processo contínuos. 
No mercado de seguros, muitas vezes, é utilizada de maneira 
intuitiva, uma vez que, quando analisamos um fluxo industrial ou 
comercial identificando seus riscos, estamos utilizando o HAZOP.
Análise	Preliminar	de	Perigos
Técnica qualitativa para identificar perigos em novos projetos ou 
novas instalações.
Sumário
52
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
FMEA – Failure	Mode	and	Effect	Analisys	–	Análise	do	Modo	de	
Falha	e	Efeitos
Método de análise indutivo para estudar causas e efeitos das 
falhas.
Análise	de	Riscos
A	análise	de	riscos	envolve	o	estudo	da	frequência	e	severidade	dos	riscos	
identificados, sempre em relação aos objetivos da organização. Nos riscos 
acidentais, o objetivo é que as perdas não ocorram ou ocorram dentro de 
determinados limites.
A frequência é a quantidade de ocorrências em relação à quantidade de 
expostos ao risco.
A severidade é a consequência financeira (em R$) da ocorrência dos riscos.
Neste curso, utilizaremos análise qualitativa conforme a seguir:
	Ø Frequência: ocorrência remota, baixa, média, alta.
	Ø Severidade: consequência insignificante, significativa, severa, 
catastrófica.
Sumário
53
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Utilizando os riscos identificados anteriormente e o case padaria, temos 
como exemplo:
Risco Frequência	 Severidade
1. Incêndio Baixa Catastrófica
2. Explosão Baixa Severa
3. Fumaça Remota Significativa
4. Derrame e vazamento de sprinklers Baixa Significativa
5. Desmoronamento Remota Severa
6. Rompimento e vazamento de água Baixa Significativa
7. Impacto de veículos, queda de aeronaves, 
engenhos aeroespaciais Baixa Significativa
8. Acidentes com máquinas e equipamentos Média Significativa
9. Contaminação e deterioração de 
mercadorias Baixa Severa
10. Danos elétricos Baixa Significativa
11. Alagamento / inundação Remota Severa
12. Vendaval, furacão, ciclone, granizo Média Significativa
13. Roubo e furto qualificado Baixa Severa
14. Fidelidade de empregados Baixa Significativa
15. Tumultos Baixa Significativa
16. Cyber Risks Média Severa
Observação
A classificação de riscos (que será visualizada na matriz de 
riscos abaixo) deverá ser discutida com a organização, pois 
ela guiará os riscos que terão prioridade de tratamento pela 
gestão de riscos.
Sumário
54
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
3.3.1 
Matriz de riscos
A matriz de riscos é um recurso gráfico utilizado na gestão de riscos para 
condensar o resultado da identificação e análise de riscos, conforme a seguir:
3.4 
Medidas de controle de riscos 
e financiamento de riscos
Devemos ter em mente que os recursos disponibilizados para a gestão de 
riscos, assim como para as demais áreas da organização, são limitados.
Como consequência, o processo de gestão de riscos acidentais deverá ser 
direcionado aos riscos que podem impedir que a organização atinja seus 
objetivos.
Voltando ao nosso exemplo e analisando a matriz de riscos, temos:
Na área vermelha, risco 1 – Incêndio, risco 16 – cyber risks.
Na área amarela, risco 2 – explosão, risco 8 – acidentes com máquinas e 
equipamentos, risco 9 – contaminação e deterioração de mercadorias, ris-
co 12 – vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo, risco 13 – roubo e furto 
qualificado.
MATRIZ DE RISCOS
FREQUÊNCIA
SEVERIDADE
Insignificante Significativa Severa Catastrófica
Alta
Média 8,12 16
Baixa 4, 6, 7, 10, 14, 15 2, 9, 13 1
Remota 3 5, 11
Não serão objeto do processo da gestão de riscos.
São riscos que merecem atenção da gestão de riscos.
Obrigatoriamete, deverão ser objeto do processo de gestão de riscos.
Sumário
55
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Considerando os riscos acidentais, temos medidas de controle de riscos, que 
são medidas da organização para mitigação destes riscos, e medidas de 
financiamento de riscos, que são medidas de transferência de riscos.
As medidas de controle de riscos são:
Eliminar	a	exposição
De pouca aplicação para riscos acidentais do bloco patrimônio. 
Um exemplo de sua aplicação é mudar a organização para um 
local mais alto, eliminando o risco de alagamento/inundação.
Prevenção	de	perdas	–	loss	prevention
Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do bloco 
patrimônio, visa reduzir a frequência (evitar que ocorra).
Redução	de	perdas	–	loss reduction
Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do bloco 
patrimônio, visa reduzir a severidade (se ocorrer, diminuir sua 
severidade).
Separação
Quando possível, isolar os riscos (paredes e portas corta fogo, 
aumentar a distância de isolamento entre os riscos); tem por 
objetivo reduzir a PMP – Perda Máxima Possível.
Duplicação
Mais utilizada quando envolve sistemas de informática, mantendo 
backup dos programas e arquivos.
As medidas de financiamento de riscos são:
Retenção
As perdas são assumidas pela organização. Não é aplicável para 
os riscos situados nas áreas vermelha e amarela da matriz de 
riscos.
Transferência	por	seguros
Normalmente, a gestão de riscos aplica medidas de controle de 
riscos conjugadas com a transferência por seguros.
A seguir, as medidas de controle de riscos que podem ser desenvolvidas para 
os riscos na zona vermelha e amarela do case padaria.
Sumário
56
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Risco Prevenção de Perdas Redução de Perdas Separação Duplicação
1. Incêndio
Controle das fontes 
de calor, manutenção 
dos equipamentos, 
procedimento formais 
de segurança a 
serem seguidos pelos 
funcionários.
Sistemas protecionais 
de extintores, 
hidrantes, sprinklers, 
alarme, treinamento 
dos funcionários.
Isolamento 
de riscos para 
diminuir a PMP.
Não se aplica.
16. Cyber risks
Sistemas de bloqueio 
(firewall), treinamento 
dos funcionários, 
auditoria do sistema 
atual.
Plano de contingência 
por meio de empresa 
especializada, 
operação através de 
outro local.
Não se aplica.
Sistema backup 
dos software e 
arquivos.
2. Explosão
Manutenção periódica, 
equipamento de 
segurança para 
sobrepressão.
Contrato de 
manutenção para 
rápida substituição 
do equipamento 
danificado.
Isolamento dos 
equipamentos 
sujeitos a 
explosão.
Não se aplica.
8. Acidentes com 
máquinas e 
equipamento
Manutenção preventiva 
periódica, layout 
adequado para 
operação.
Contrato de 
manutenção para 
atendimento rápido e 
eventual substituição.
Não se aplica. Não se aplica.
9. Contaminação 
e deterioração
Manutenção 
periódica, geradores 
de eletricidade para 
uso em situações 
emergenciais.
Plano de descarte 
e substituição 
dos alimentos 
contaminados ou 
deteriorados.
Utilização 
de mais um 
equipamento de 
refrigeração.
Não se aplica.
12. Vendaval/
granizo
Manutenção adequada 
dos telhados, 
coberturas e vãos da 
estrutura.
Funcionários 
treinados para 
situação emergencial, 
removendo e 
protegendo 
mercadorias e demais 
instalações.
Não se aplica. Não se aplica.
13. Roubo/furto 
qualificado
Instalação de 
segurança física 
(grades, alarmes, 
vigilância).
Formalização de 
procedimentos 
emergenciais na 
ocorrência do 
evento (empresa de 
segurança conectada 
ao alarme, etc.).
Não se aplica. Não se aplica.
Sumário
57
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
3.5 
Resumo
O Patrimônio da organização é composto de bens tangíveis e bens intangíveis.
Os bens tangíveis são ativos concretos da organização que podem ser toca-
dos. Eles podem ser de origem natural, resultantes da exploração de recursos 
naturais ou produção do homem. Neste último caso,são criadas e construí-
das benfeitorias, que são os (1) prédios/instalações (2) maquinismos/móveis/
utensílios, (3) mercadorias/matérias-primas e são os bens da organização 
necessários para seu funcionamento. Nessa classificação, temos as indús-
trias, comércios, prestação de serviços e residências (incluindo condomínios).
O bloco patrimônio é estudado em três dimensões: dimensão 1 – itens expostos 
a perdas; dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 3 – conse-
quências financeiras das perdas.
Na “dimensão 1 – itens expostos a perdas”, temos prédios e instalações; 
maquinismos, móveis e utensílios; mercadorias e matérias-primas. Além 
desses itens, também devem ser considerados desentulho do local, despe-
sas de demolição, propriedades não danificadas, aumento dos custos de 
reconstrução ou reparação, valor do conjunto.
Na “dimensão 2 – riscos que causam perdas”, são analisados os riscos que 
causam perdas no bloco patrimonial.
Na “dimensão 3 – consequências financeiras das perdas”, é mensurado o 
impacto das perdas, devendo-se aplicar os conceitos de valoração e parâ-
metros da qualidade do risco.
O resultado da identificação e análise dos riscos (causas de perdas, frequência 
e severidade) são condensados na matriz de riscos, que serve para decidir 
quais riscos serão objeto da gestão de riscos.
Finalmente, as medidas de controle de riscos e financiamento de riscos 
deverão ser analisadas para os riscos que serão objeto da gestão de riscos.
Sumário
58
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 3
Fixando conceitos 3
Marque	a	alternativa	correta	nas	questões	abaixo:
1. A gestão de riscos acidentais é composta de vários blocos. Um dos blo-
cos é o Patrimônio, que é composto dos bens da organização. Tais bens 
compreendem:
(a) Bens tangíveis, somente.
(b) Bens intangíveis, somente.
(c) Bens que podem ser valorados fisicamente.
(d) Bens físicos.
(e) Bens tangíveis e intangíveis.
2. Na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, os bens da própria 
organização compõem os itens expostos a perdas. Esses bens são classifi-
cados em bens tangíveis e bens intangíveis. São exemplos de bens tangíveis:
(a) Marca e prédios.
(b) Mercadoria e matérias-primas
(c) Instalações e imagem da organização.
(d) Imagem da organização e marca.
(e) Maquinismos e patentes.
3. Na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, uma de suas dimen-
sões são as consequências financeiras das perdas. Para valoração dos bens, 
são necessários vários parâmetros. Um desses parâmetros é a depreciação, 
que não se aplica a:
(a) Prédios.
(b) Instalações.
(c) Mercadorias.
(d) Maquinismos.
(e) Móveis.
Sumário
59
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 3
4. Na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, existem diversos 
riscos a serem analisados. Esses riscos são identificados e analisados con-
forme sua frequência e sua severidade. Incêndio é uma causa de perdas 
importante e tem como característica:
(a) Fogo controlado.
(b) Alta frequência e alta severidade.
(c) Baixa frequência e alta severidade.
(d) Alta frequência e baixa severidade.
(e) Baixa frequência e baixa severidade.
5. Após a identificação e análise dos riscos do bloco patrimônio, são veri-
ficadas as medidas de controle de riscos e o financiamento de riscos apli-
cáveis. As medidas de controle de riscos visam mitigar a severidade e/ou 
frequência. Instalar sistema de sprinklers (chuveiros automáticos) é uma 
medida de:
(a) Financiamento de riscos.
(b) Evitar as perdas.
(c) Prevenção de perdas.
(d) Transferência contratual.
(e) Redução de perdas.
6. Na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, existem diversas 
medidas de controle de riscos cuja implantação deve ser analisada. Essas 
medidas mitigam a frequência e/ou severidade dos riscos. Instalar grades 
e cerca eletrificada para roubo/ furto qualificado é uma medida de:
(a) Prevenção de perdas.
(b) Segregação por duplicação.
(c) Segregação por separação.
(d) Redução de perdas.
(e) Evitar as perdas.
Consulte o gabarito clicando	aqui.
Sumário
Objetivos
Tópicos da Unidade
4.1 Exposição a perdas
4.2 Identificação e 
análise de riscos
4.3 Medidas de controle e 
financiamento de riscos
4.4 Resumo
Fixando conceitos 4
	Ø Conhecer a origem da responsabilidade civil, 
considerando aspectos históricos e a legislação.
	Ø Entender as exposições a perdas do bloco 
responsabilidade civil, considerando as 
dimensões: itens expostos a perdas, riscos que 
causam as perdas, consequências financeiras das 
perdas.
	Ø Compreender a diferença entre responsabilidade 
civil subjetiva e responsabilidade civil objetiva 
analisando situações práticas.
	Ø Compreender a aplicabilidade de medidas de 
controle de riscos e de financiamento de riscos 
considerando situações práticas.
Gestão de riscos 
acidentais – 
responsabilidade 
civil
4 
61
A responsabilidade civil surge em função da existência de:
	Ø Leis;
	Ø Códigos, que reúnem, em uma única lei, normas de um mesmo 
ramo do direito, por exemplo: Código Civil, Código de Defesa do 
Consumidor, etc.;
	Ø Estatutos, que regulam as relações de certas pessoas que têm 
em comum o fato de pertencerem a um território ou sociedade, 
por exemplo: Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do 
Idoso, etc.
Para a gestão de riscos acidentais, é importante conhecer a origem e a 
dinâmica da responsabilidade civil que pode ser imputada à organização.
No Código Civil Brasileiro, temos três artigos que são importantes para con-
ceituação da responsabilidade civil, que são:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência 
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito.
62
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo	único. Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou 
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do 
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do 
direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; 
e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão 
solidariamente pela reparação.
Parágrafo	único. São solidariamente responsáveis com os 
autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932.
Esses artigos levam a uma reflexão inicial, que será aprofundada no trans-
correr do curso: (1) o artigo 186 define o que é ato ilícito; (2) o artigo 927 diz 
que quem comete ato ilícito e causar dano a outrem é obrigado a repará-lo; 
(3) e o artigo 942 define que os bens do causador do dano ficam sujeitos a 
reparação do dano causado. Em linhas gerais, essa é a dinâmica da respon-
sabilidade civil.
Para exemplificar, vamos novamente usar o exemplo da padaria. Suponhamos 
que o chão ficou úmido após o trabalho de limpeza e que não houve isola-
mento da área ou aviso por meio de placas. Um cliente escorregou na área, 
caiu e quebrou o braço. Então:
1. Houve violação do direito do cliente, pois foi criada uma situação 
de perigo e o cliente não foi alertado. Portanto, a padaria 
cometeu um ato ilícito.
2. Como ela cometeu um ato ilícito e causou danos, é sua obrigação 
reparar os danos pessoais, que podem ser acrescidos de danos 
morais e danos imateriais (como exemplo, perda de receita do 
cliente da padaria, que é representante comercial).
3. Os bens da padaria ficam sujeitos à reparação dos danos, ou seja, 
ela deverá reparar os danos com recursos próprios.
Sumário
63
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Portanto, no estudo das dimensões do bloco responsabilidade civil, temos 
as seguintes conclusões:
Dimensão 3
Consequências	financeiras:	são os custos de reparação 
dos danos causados e, como veremos adiante, as custas 
judiciais envolvidas no processo.
Dimensão 2
Riscos	que	causamas	perdas:	são os atos ilícitos cometidos 
pela organização e que causam danos a outrem.
Dimensão 1
Itens	expostos	a	perdas:	os bens expostos a perdas 
na responsabilidade civil são os bens da própria 
organização, pois eles ficarão à disposição para 
reparação dos danos causados a outrem.
4.1 
Exposição a perdas
O processo de gestão de riscos acidentais é o mesmo para todos os blocos 
(patrimônio, responsabilidade civil, pessoas e receita líquida), sendo adap-
tado às características de cada um deles.
4.1.1 
Itens expostos a perdas
Conforme estudado na introdução desta unidade, o item exposto a perdas 
no bloco responsabilidade civil é o próprio patrimônio da organização, pois 
ele ficará à disposição para reparação dos danos causados a outrem quando 
cometidos atos ilícitos e houver danos.
Esse fato, que é previsto no Código Civil Brasileiro, pode gerar, indiretamente, 
procedimento equivocado para se fixar o LMI – Limite Máximo de Indenização 
de uma apólice de responsabilidade civil. A fixação do LMI para apólice de 
Responsabilidade Civil não tem critérios objetivos como estudado no Bloco 
Sumário
64
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Patrimonial (no bloco patrimonial as Consequências Financeiras da Perdas 
são medidas por meio dos parâmetros Valoração – VN, VA e Depreciação, 
e dos Parâmetros da Qualidade do Risco – PMP e DMP.
A ausência de critérios objetivos para medição das consequências financeiras 
do evento responsabilidade civil, aliada com previsão legal da disponibiliza-
ção dos bens da organização para reparação dos danos causados a outrem, 
tem induzido a contratação de seguro com LMI equivalente ao patrimônio 
líquido da organização. Embora esse critério tenha o mérito de considerar 
que, quanto maior o patrimônio líquido, maior será o nível de atividade da 
organização e, em tese, maior será sua exposição a perdas decorrente de 
Responsabilidade Civil, ele pode levar a situações como as descritas:
1. Patrimônio líquido da organização: R$ 10 milhões.
2. LMI da apólice de responsabilidade civil: R$ 10 milhões.
3. Reparação de danos causados a terceiros: R$ 30 milhões.
Nesta situação hipotética, teríamos:
	• Seguro reembolsaria R$ 10 milhões.
	• Organização responderia com seus bens no valor de R$ 10 
milhões.
	• Seriam necessários mais R$ 10 milhões para reparação dos 
danos causados.
Este assunto será novamente discutido no item consequências 
financeiras do bloco responsabilidade civil.
Outro ponto de atenção relacionado aos bens da organização é um trecho 
encontrado no artigo 942 do Código Civil Brasileiro, já mencionado, que 
determina que “se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solida-
riamente pela reparação”. Portanto, se a organização for corresponsável por 
algum dano, ela responderá solidariamente, ou seja, como ela é responsável 
solidária, e se a outra parte acionada não tiver bens suficientes, a organiza-
ção poderá ser obrigada a arcar com a totalidade da reparação dos danos.
Quando a organização responde solidariamente, pode ocorrer dela assumir 
100% da responsabilidade, independentemente do seu percentual de culpa no 
evento (caso fosse atribuído um percentual de culpa para cada participante, 
ela responderia proporcionalmente).
Sumário
65
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Voltando ao piso molhado do exemplo de nossa padaria, não adianta ela 
alegar que o ato ilícito foi cometido por uma empresa terceirizada, pois a 
organização responderá solidariamente.
Esta situação pode ser encontrada no mercado de seguros, no qual, em caso 
de demanda judicial do segurado contra o corretor de seguros, a parte que 
representa o segurado procurará trazer a seguradora para a disputa judicial, 
fazendo com que ela, que normalmente tem porte financeiro maior do que o 
corretor de seguros, seja solidária na ação judicial com o corretor de seguros.
4.1.2 
Riscos que causam as perdas
No bloco responsabilidade civil, o risco que causa perdas é cometer ato ilícito, 
sendo que conforme artigo 186 do Código Civil Brasileiro, comete ato ilícito 
“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, 
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral”.
Algumas considerações sobre o artigo 186:
	Ø A caracterização da ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência pode ser exemplificada da seguinte maneira:
	• Ação, ou seja, fazer alguma coisa, que no caso de nossa 
padaria pode ser vender um produto ou guardar o carro de um 
cliente.
	• Omissão voluntária, ou seja, deixar de fazer alguma coisa. Na 
nossa padaria, poderia se deixar de fazer a manutenção do seu 
letreiro, fazendo com que ele se desprendesse e caísse sobre 
um transeunte, causando danos ao mesmo.
	• Negligência, ou seja, deixar de adotar os procedimentos 
adequados. No caso de nossa padaria, seria a negligência de 
não secar o chão ou colocar placas de chão úmido, como já 
discutido anteriormente.
	• Imprudência, ou seja, deixar de agir prudentemente, como 
colocar mercadorias na prateleira com altura excessiva na 
nossa padaria, e quando o cliente for retirar uma mercadoria 
que ele deseja comprar, o lote vir abaixo e causar danos ao 
cliente.
Sumário
66
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
	Ø Outro ponto importantíssimo desta definição é que se deve 
“causar dano a outrem”. Portanto, se não houver dano a outrem, 
não existe ato ilícito, não existe necessidade de reparação, e, em 
última análise, não existe responsabilidade civil da organização. 
Em outras palavras, o “dano” é o elemento caracterizador mais 
importante da responsabilidade civil. A organização pode ter 
“ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência”, mas se 
não ocorrer “dano”, não se fala em responsabilidade civil.
	Ø O dano pode ser “exclusivamente moral”, ou seja, não é 
necessário que se tenha a ocorrência concomitante de dano 
material ou dano pessoal. Esta situação remete ao “assédio 
moral”, em que a “ação de assédio moral, viola o direito do 
funcionário, causando danos a ele” e caracterizando ato ilícito 
com a consequente obrigação da reparação do dano, até o 
limite dos bens da organização. Utilizando o exemplo da padaria, 
suponhamos que o gerente assedia um funcionário da cozinha 
pedindo mais produção e fazendo comentários desrespeitosos 
sobre seu trabalho em público. Embora a organização não esteja 
diretamente envolvida neste evento, ela é responsável civilmente 
pela conduta dos seus funcionários, conforme veremos no 
próximo tópico.
Sumário
67
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Danos causados por outras pessoas
O Código Civil Brasileiro gera responsabilidade civil para pessoas físicas e 
pessoas jurídicas, não somente pelos atos por elas cometidos, mas também 
por atos praticados por outras pessoas conforme artigo abaixo transcrito:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II – o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas 
condições;
III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no 
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
IV – os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por 
dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V – os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a con-
corrente quantia.
Portanto, conforme inciso III do artigo 932, a organização é responsável 
civilmente pelos atos praticados por seus empregados.
Como exemplo, na cidade de São Paulo, tivemos um caso em que o vigia, 
durante a discussão com um condômino que era médico, atirou nele e o matou. 
O vigia respondeu criminalmente, e o condomínio respondeu civilmente pelo 
dano corporal sofrido pelo médico.
Responsabilidade civil 
extracontratual
A responsabilidade civil contratual é aquela que advém de um contrato formal 
celebrado entre as partes, estabelecendo direitos,obrigações e condições 
entre as partes contratantes.
A gestão de riscos acidentais trabalha no campo da responsabilidade civil 
extracontratual, ou seja, é uma responsabilidade civil que surge em função 
de acidentes ou não conformidades dos produtos e serviços.
Sumário
68
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Responsabilidade civil subjetiva
Quando se analisa os riscos que causam perdas, é necessário que a gestão 
de riscos acidentais saiba em qual campo da responsabilidade civil se está 
atuando, se na responsabilidade civil subjetiva ou na responsabilidade civil 
objetiva.
Na responsabilidade civil subjetiva, para sua caracterização, são necessários 
quatro elementos:
1. Ação ou omissão voluntária, negligência, imprudência.
2. Culpa, que se caracteriza em causar o dano de maneira não 
intencional. Observações Importantes:
2.1 Se não se caracterizar a culpa, não existirá responsabilidade 
civil.
2.2 Caso o dano seja causado de maneira intencional, ou seja, 
com dolo, a responsabilidade, deixa de ser civil para ser 
tratado no campo da responsabilidade criminal.
2.3 Em situações de extrema negligência, o fato passa a 
ser tratado como culpa grave (embora não tenha sido 
intencional, o ato foi extremamente negligente). A culpa 
grave tem tratamento similar ao dolo (ato intencional). 
Existem exemplos na mídia em que a atuação da diretoria 
da organização foi tão negligente que mesmo acidentes 
catastróficos, embora não tenham sido causados de maneira 
intencional, passaram a ser tratados na esfera criminal.
3. Nexo causal, ou seja, existe relação entre a ação ou omissão 
culposa e o dano produzido.
4. Dano, que é o principal elemento caracterizador da 
responsabilidade civil.
Os exemplos que foram apresentados até agora são exemplos de respon-
sabilidade civil subjetiva, que se aplica à maioria dos casos.
Sumário
69
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Responsabilidade civil objetiva
A responsabilidade civil objetiva é prevista no parágrafo único do artigo 927 
do Código Civil Brasileiro, e diz que “Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a 
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem”.
Isso implica que, se previsto em lei ou jurisprudência, para caracterização da 
responsabilidade civil, prescinde-se do elemento culpa, ou seja, para carac-
terização da responsabilidade civil objetiva é necessário:
	Ø Ação ou omissão voluntária, negligência, imprudência;
	Ø Nexo causal, ou seja, existe relação entre a ação ou omissão 
culposa e o dano produzido;
	Ø Dano, que é o principal elemento caracterizador da 
responsabilidade civil.
Como exemplos de responsabilidade civil objetiva, temos:
Prevista em Lei
O Código de Defesa do Consumidor, que no seu artigo 12 diz 
que “O fabricante, o produtor, nacional ou estrangeiro, e o 
importador respondem, independentemente	da	existência	de	
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores 
por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, 
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou 
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações 
insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
Prevista	em	Jurisprudência
Entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que reconhece a 
Responsabilidade Civil Objetiva dos Hospitais, de acordo com o 
artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor.
Sumário
70
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
4.1.3 
Consequências financeiras 
das perdas
As consequências financeiras das perdas do bloco responsabilidade civil 
podem ser agrupadas em reparação	dos	danos e custos judiciais.
Reparação de danos
Os danos podem ser agrupados nos seguintes tipos:
	Ø Danos materiais (relacionados a bens materiais de terceiros que 
sofreram danos). Exemplo: roubo do carro que estava sob a 
guarda da padaria no estacionamento.
	Ø Danos imateriais (relacionados à perda de receita, lucros 
cessantes, etc.). Exemplo: o cliente que sofreu ferimentos em 
função da queda das mercadorias da prateleira é motorista de 
táxi e deixou de trabalhar enquanto se recuperava.
	Ø Danos pessoais (relacionados ao corpo e à estética). Exemplo: a 
cliente que escorregou no chão úmido teve despesas hospitalares 
e ficou com uma cicatriz no rosto.
	Ø Danos morais (relacionados a dor, sofrimento, angústia). 
Exemplo: a cliente que sofreu revista indevida após soar o alarme 
de mercadoria não paga, sofreu constrangimento e sentiu-se 
envergonhada na situação vivida perante outros clientes.
Custos de advogados 
e custas judiciais
Preferencialmente, a reparação de eventuais danos causados a terceiros 
deverá ser feita de forma amigável. Como isso nem sempre é possível, pode 
ser necessária a contratação de advogados ou utilização do corpo jurídico 
próprio da organização, o que representa custo para a organização.
A mensuração da exposição a perdas do bloco responsabilidade civil nem 
sempre é fácil e precisa, pois envolve estimar possíveis danos e custos judi-
ciais a ele associados.
Sumário
71
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Os passos sugeridos para mensuração da exposição a perdas envolvem:
1. Verificar experiência de organizações similares.
2. Analisar o próprio histórico da organização.
3. Montar cenários simulando situações que gerem danos a 
terceiros, estimando os custos de reparação e custos judiciais.
4.2 
Identificação e análise de riscos
Identificação de riscos
Já sabemos que os riscos que causam perdas no bloco responsabilidade civil 
são os atos ilícitos cometidos que geram danos a terceiros.
Como a quantidade de atos ilícitos que causam danos a outrem é grande, 
uma boa técnica é agrupá-los, o que facilita a análise (frequência e severi-
dade) e as sugestões das medidas de controle e de financiamento de riscos.
Para exemplificar o processo, vamos novamente utilizar o exemplo da padaria.
Para danos aos clientes, utilizaremos o método HAZOP, montando um fluxo 
operacional para identificarmos as causas de danos ao cliente.
Sumário
72
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Fluxo 1 – Danos aos Clientes
(1) CLIENTE ESTACIONA 
O CARRO
Danos aos 
veículos dos 
clientes por roubo, 
furto de peças, 
colisão, mau 
funcionamento da 
cancela, queda de 
objetos – Grupo 
Guarda de 
Veículos.
Assalto, sequestro 
relâmpago – 
Segurança do 
Cliente – Grupo 
Operações 
(existência, uso e 
conservação).
Acidentes: 
escorregão, 
queda de objetos, 
atropelamento – 
Grupo operações 
(existência, uso e 
conservação).
Acidentes: 
escorregão, 
queda de 
prateleira, queda 
de objetos ou 
estrutura, 
danificar a roupa 
(rasgar, 
manchar), 
alarme indevido 
de produto ou 
serviço não pago 
– Grupo 
Operações 
(existência, uso e 
conservação).
Assalto, arrastão, 
agressão por 
parte de outro 
cliente ou 
funcionário – 
Segurança do 
Cliente - Grupo 
Operações 
(existência, uso e 
conservação).
Produtos 
Impróprios: 
validade 
vencida, 
produtos 
estragados, 
produtos 
contaminados – 
Grupo Produtos.
Operação e 
segurança do 
sistema, 
vazamento de 
dados do cliente – 
Grupo Cyber Cyber 
RisksRisks.
O mesmo que (1).
(5) CLIENTE RETIRA O 
CARRO
(3) CLIENTE COMPRA 
OU CONSOME 
PRODUTOS
(4) CLIENTE PAGA 
SEU CONSUMO
(2) CLIENTE ENTRA 
NA PADARIA
OBS.: se o cliente vier a pé, não existem os itens (1) e (5).
	Ø Danos ao funcionário: assédio moral, assédio sexual, doença 
ocupacional, acidentes no interior do estabelecimento, segurança 
física do funcionário – Grupo Empregador.
	Ø Danos ao transeunte (por exemplo, por queda da marquise) – 
Grupo Operações (existência, uso e conservação).
	Ø Danos à vizinhança (por exemplo, incêndio nas instalações 
da organização que se propaga para os vizinhos) – Grupo 
Operações (existência, uso e conservação).
Sumário
73
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Condensando os artigos 186, 927 e 942 do Código Civil Brasileiro, temos que 
os atos ilícitos cometidos por ação ou omissão voluntária,negligência ou 
imprudência que violam o direito e causa dano a outrem, ainda que exclu-
sivamente moral, obriga a organização a repará-los, sendo que os bens da 
organização ficam sujeitos à reparação do dano causado. Utilizando o case 
padaria, o cometimento de atos ilícitos que geram obrigação de reparação 
podem ser agrupados em:
	Ø Operações (existência, uso e conservação);
	Ø Produtos;
	Ø Empregador;
	Ø Guarda de Veículos de Terceiros;
	Ø Cyber Risks.
Como colocado na unidade 1, na gestão de riscos, é necessário conhecer:
1. O processo de gestão de riscos;
2. A organização onde ela será aplicada.
O processo de identificação de riscos utilizado no exemplo da padaria pode ser 
aplicado a outras atividades, respeitando suas respectivas particularidades.
Complementando, existe outra fonte de responsabilidade civil a ser consi-
derada, principalmente nas organizações com capital aberto, que é a res-
ponsabilidade civil dos conselheiros e administradores (no Brasil, é comum 
utilizarmos o termo em inglês D&O – Directors and Officers). Trata-se da 
responsabilidade civil que é imputada aos conselheiros e administradores 
quando no exercício de sua função, e tem origem no artigo 158 da Lei 6.404/76 
(Lei das S.A.), conforme descrito a seguir:
“O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que 
contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; res-
ponde,	porém,	civilmente,	pelos	prejuízos	que	causar, quando proceder:
I–dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo;
II–com violação da lei ou do estatuto.
Sumário
74
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
4.2.1 
Análise de riscos
Na Análise de Riscos, utilizaremos os critérios de Frequência e Severidade 
estudados na unidade 1, cabendo as seguintes observações:
3. Cyber Risks consta no bloco patrimonial e no bloco 
responsabilidade civil, portanto, é um risco que deve ser analisado 
sob essas duas óticas.
4. A numeração dos riscos é sequencial (como no bloco patrimonial 
a numeração terminou em 16, o bloco responsabilidade civil 
começará com 17.
Risco Frequência	 Severidade
17. Operações (existência, uso e conservação) Média Severa
18. Produtos Média Severa
19. Empregador Média Significativa
20. Guarda de Veículos de Terceiros Média Significativa
4.2.2 
Matriz de riscos
MATRIZ DE RISCOS
FREQUÊNCIA
SEVERIDADE
Insignificante Significativa Severa Catastrófica
Alta
Média 8, 12, 19, 20 16, 17, 18
Baixa 4, 6, 7, 10, 14, 15 2, 9, 13 1
Remota 3 5, 11
Não serão objeto do processo da gestão de riscos.
São riscos que merecem atenção da gestão de riscos.
Obrigatoriamete, deverão ser objeto do processo de gestão de riscos.
Sumário
75
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Observação
1. Como pode ser observado, os riscos relacionados 
ao bloco responsabilidade civil situam-se na área 
vermelha e amarela, portanto, deverão ser tratados 
pela gestão de riscos.
2. O Cyber Risks (risco 16) já foi tratado no bloco 
patrimonial.
4.3 
Medidas de controle e 
financiamento de riscos
A mensuração das consequências financeiras do grupo responsabilidade 
civil é baseada em cenários que simulam a reparação dos danos (materiais, 
imateriais, pessoais e morais) acrescido dos custos judiciais. Estes cenários 
não têm a mesma precisão como as que temos no bloco patrimonial.
Assim, para diminuir esta incerteza, é importante o investimento em medidas 
de controle de riscos, que são fortemente baseadas no comportamento e 
controle da organização e de seus funcionários, e que, em geral, têm menos 
custo do que sistemas de controle de riscos do bloco patrimonial (estabelecer 
procedimentos e supervisioná-los é menos oneroso do que instalar sistema 
de sprinklers, por exemplo).
De maneira genérica, as medidas de controle de riscos aplicáveis são:
1. Eliminação	da	exposição
A eliminação da exposição é uma técnica aplicável quando 
se verifica que as técnicas de tratamento disponíveis não são 
suficientes para mitigação do risco. Por exemplo, se o potencial 
de danos ao consumidor de um produto comercializado é muito 
alto, é melhor deixar de comercializar este produto, eliminando 
sua exposição a perdas. O ponto negativo desta técnica é que 
ela deixa a organização fora da linha de negócio eliminada. Esta 
técnica não será utilizada no case padaria.
Sumário
76
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
2. Prevenção	de	perdas
Importante para a gestão de riscos acidentais do bloco 
responsabilidade civil. Normalmente, são ligadas a 
procedimentos de manutenção das instalações e equipamentos, 
bem como a procedimentos comportamentais dos funcionários e 
da organização.
3. Redução	de	perdas
Uma vez ocorrido o dano ao terceiro, é importante que a 
organização seja ágil na resolução do problema.
Nas ocorrências que envolvem responsabilidade civil, quanto 
mais tempo passar, mais os ânimos do terceiro prejudicado ficam 
exaltados.
Também devem estar previstos procedimentos a serem adotados 
pela organização e pelos funcionários.
4. Transferência	contratual
É uma técnica que envolve a transferência da atividade e da 
responsabilidade civil que seja gerada por esta atividade. 
Conforme já comentado anteriormente, a parte prejudicada 
possivelmente invocará responsabilidade solidária da 
organização. Esta técnica não será utilizada no case padaria.
Para financiamento de riscos, são aplicáveis:
1. Retenção
É uma técnica aplicável, mas exige que a organização tenha 
disponibilidade financeira que possa ser mobilizada para a 
reparação de dano causado a terceiro. Esta técnica é utilizada 
em situações específicas.
2. Transferência	por	meio	de	seguros
Normalmente, esta técnica é conjugada com prevenção de 
perdas e redução de perdas.
Especificamente para o Grupo Produtos, vamos analisar o fluxo abaixo, 
identificando as não conformidades que podem gerar produtos inadequados 
com possíveis danos a clientes no case padaria:
Sumário
77
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
(1) RECEBIMENTO DE 
MATÉRIA-PRIMA 
Matéria-prima em 
desacordo com 
especificações de 
prazo de validade e 
qualidade.
Armazenagem em 
condições 
inadequadas de 
limpeza, layout e 
temperatura. 
Matéria-prima 
com prazo de 
validade vencido.
Tempo excessivo 
de armazenagem, 
gerando perda de 
validade.
Preparação do 
produto com 
validade vencida 
ou em condições 
de limpeza e 
higiene 
inadequadas.
Estocagem das 
mercadorias em 
condições 
inadequadas de 
limpeza, layout e 
temperatura. 
Mercadorias com 
prazo de validade 
vencido.
Mercadorias em 
Exposição em 
condições 
inadequadas de 
limpeza, layout e 
temperatura. 
Mercadorias com 
prazo de validade 
vencido.
(5) MERCADORIAS EM 
EXPOSIÇÃO 
(3) PREPARAÇÃO DOS 
PRODUTOS 
(4) ESTOCAGEM DAS 
MERCADORIAS 
(2) ARMAZENAGEM DA 
MATÉRIA-PRIMA 
Case	padaria	–	Medidas	de	Controle	de	Riscos
Riscos Prevenção	de	perdas	 Redução	de	perdas
17. Operações 
(existência, uso 
e conservação)
Programa de manutenção das instalações e máquinas com 
cronograma e acompanhamento;
Procedimentos escritos dos funcionários e treinamento dos 
mesmos;
Procedimentos de segurança patrimonial com sistemas de 
vigilância (física e guardas) e treinamento dos funcionários 
para situações de emergência.
Estabelecer plano de 
ação formal a ser seguido 
em caso de reclamações 
de terceiros diretamente 
ao estabelecimento ou 
por meio de comentários 
desfavoráveis em redes 
sociais.
Este plano de ação 
deverá indicar as pessoas 
a serem acionadas em 
caso de reclamação e 
estabelecer parâmetros 
de atuação, procurando-
se resolver a situação o 
mais rápido possível.
18. Produtos
Controle formal do recebimento das matérias-primas 
verificando qualidade e prazo de validade.
Na armazenagem de matéria-prima, estocagem de 
produtos e mercadorias em exposição, estabelecer 
procedimentos formais, treinar os funcionários e 
supervisionar. Controlar o prazo de validade.
Na preparação dos produtos, estabelecer procedimentos de 
supervisão e checagem da data de validade, limpeza e higiene.
19. EmpregadorTreinamento dos funcionários na segurança patrimonial, 
processos e atendimento.
Conformidade com as leis trabalhistas, sindicatos e boas 
práticas de organizações similares.
20. Guarda de 
Veículos de 
Terceiros
Instalação de sistemas de segurança (câmeras, filmagem da 
entrada e saída).
Treinamento dos funcionários em segurança patrimonial e 
atendimento.
Sumário
78
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
4.4 
Resumo
A responsabilidade civil surge em função da existência de (1) Leis, (2) Códigos, 
que reúnem, em uma única lei, normas de um mesmo ramo do direito e (3) 
Estatutos, que regulam as relações de certas pessoas que têm em comum 
pertencerem a um território ou sociedade, etc.
No Código Civil Brasileiro, temos três artigos que são importantes para con-
ceituação da Responsabilidade Civil, que são:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou impru-
dência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito.
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, 
fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo	único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente 
de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os 
direitos de outrem.
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem 
ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um 
autor, todos responderão solidariamente pela reparação.
Parágrafo	único. São solidariamente responsáveis com os autores os coau-
tores e as pessoas designadas no art. 932.
Portanto, as dimensões da exposição a perdas do bloco responsabilidade 
civil são:
	Ø Bens expostos a perdas: os bens expostos a perdas na 
responsabilidade civil são os bens da própria organização.
	Ø Riscos que causam perdas: são os atos ilícitos cometidos pela 
organização e que causam danos a outrem.
	Ø Consequências financeiras das perdas: são os custos de 
reparação dos danos materiais, imateriais, pessoais e morais, e 
as custas judiciais envolvidas no processo.
Sumário
79
Gerenciamento de Riscos | Unidade 4
Uma consequência importante destas definições é que, se não houver dano 
a outrem, não existe ato ilícito, não existe necessidade de reparação, e, em 
última análise, não existe responsabilidade civil da organização.
Outro ponto importante é saber se exposição a perdas em análise encontra-
-se no campo da Responsabilidade Civil Subjetiva ou Objetiva, sendo que a 
Responsabilidade Civil Objetiva prescinde do elemento culpa.
Devido à grande quantidade de atos ilícitos que causam danos a outrem, uma 
boa técnica para análise dos riscos e sugestão de medidas de mitigação é 
agrupá-los, por exemplo: Operações (existência, uso e conservação), Produtos, 
Empregador, Guarda de Veículos de Terceiros, Cyber Risks, dentre outros.
As medidas de mitigação de riscos aplicáveis no bloco responsabilidade civil 
são:
	Ø Controle de riscos: eliminação da exposição, prevenção de 
perdas, redução de perdas, transferência contratual.
	Ø Financiamento de riscos: retenção, transferência por meio de 
seguros.
Sumário
80
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 4
Fixando conceitos 4
Marque	a	alternativa	correta:
1. Na gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil, é importante 
conhecer e entender a origem da responsabilidade civil nas leis, nos códigos 
e estatutos. No Código Civil Brasileiro, temos vários artigos que definem a 
responsabilidade civil. Ela surge quando, por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, viola-se o direito de outrem, cometendo-se:
(a) Ato danoso.
(b) Ato ilícito.
(c) Dano pessoal.
(d) Dano imaterial.
(e) Ato lícito.
2. A dinâmica da responsabilidade civil é encontrada no Código Civil 
Brasileiro. Nesse contexto, em determinadas situações, surge a obriga-
ção da reparação dos danos. De acordo com esse normativo legal, para a 
reparação dos danos, utiliza-se:
(a) Os bens dos terceiros.
(b) A apólice de seguros.
(c) Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem.
(d) Jurisprudência a respeito.
(e) Acordo dos advogados.
3. A gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil identifica e 
analisa os fatores geradores de responsabilidade civil. Caso eles ocorram, 
poderão ser causados diversos tipos de danos a terceiros. Um dos tipos de 
danos é o dano moral, que é:
(a) O mesmo que risco moral.
(b) Relacionado a lucros cessantes.
(c) Excluído do campo da responsabilidade civil.
(d) Objeto exclusivo da responsabilidade criminal.
(e) Relacionado a dor e angústia.
Sumário
81
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 4
4. Na gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil, suponha 
que, por descuido, uma organização deixe de realizar a limpeza adequada 
do chão molhado, que se deu em função de forte chuva. Felizmente, esse 
ato ilícito não causou nenhum dano. Nesse caso:
(a) Não existe responsabilidade civil, pois não houve danos.
(b) Só existiria responsabilidade civil se houvesse dano pessoal.
(c) Caracteriza-se responsabilidade criminal.
(d) A situação deve ser definida no campo judicial.
(e) Como houve descuido não intencional, não existe fator gerador (risco) 
de responsabilidade civil.
5. A gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil deve estar 
atenta se, em uma situação específica, é aplicada a responsabilidade civil 
subjetiva ou objetiva. A principal diferença refere-se ao elemento culpa. 
No caso do evento poluição, supondo que se aplica a responsabilidade civil 
objetiva, a responsabilidade civil caracteriza-se pela existência de:
(a) Dano, sem necessidade de culpa.
(b) Dano, com necessidade de culpa.
(c) Dano, com necessidade de dolo.
(d) Culpa, desde que haja nexo causal.
(e) Nexo causal, sem a necessidade de dano.
6. O corretor de seguros foi questionado pelo proponente sobre a diferen-
ça entre a responsabilidade civil subjetiva e objetiva, e sobre quem define 
isso. O corretor de seguros explicou que, no campo da responsabilidade 
civil objetiva, a responsabilidade civil existe, mesmo que não haja culpa. 
Quanto à definição da responsabilidade civil objetiva, o corretor explicou 
que ela advém:
(a) Exclusivamente, de leis.
(b) De definição do órgão regulador SUSEP.
(c) De contratos de resseguro.
(d) De leis e jurisprudência.
(e) Da vontade entre as partes causadora do dano e o terceiro prejudicado.
Sumário
82
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 4
7. Na gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil, após iden-
tificados e analisados os riscos, deve-se verificar as medidas de mitigação 
de riscos disponíveis. Podem ser medidas de controle de riscos ou medidas 
de financiamento de riscos. Nesse caso, podemos afirmar que o controle 
de qualidade é uma medida de:
(a) Financiamento de riscos.
(b) Transferência de riscos.
(c) Redução de perdas.
(d) Prevenção de perdas.
(e) Evitar as perdas.
8. Na gestão de riscos acidentais do bloco responsabilidade civil, tendo 
ocorrido dano ao terceiro, é importante que a organização seja ágil na 
resolução do problema. Nas ocorrências que envolvem responsabilidade 
civil, quanto mais tempo passar, mais os ânimos do terceiro prejudicado 
ficam exaltados. Agir rápido, prestando assistência ao terceiro prejudi-
cado, é uma técnica de:
(a) Redução de perdas.
(b) Seguros.
(c) Transferência contratual.
(d) Prevenção de perdas.
(e) Transferência de riscos.
Consulte o gabarito clicando	aqui.
Sumário
Objetivos
Tópicos da Unidade
5.1 Gestão de riscos 
acidentais – pessoas
5.2 Gestão de riscos acidentais 
– receita líquida
5.3 Gestão de riscos 
da pessoa física
5.4 Resumo
Fixando conceitos 5
	Ø Entender as exposições a perdas dos blocos 
pessoas e receita líquida, considerando as 
dimensões: itens expostos a perdas, riscosque 
causam as perdas, consequências financeiras das 
perdas.
	Ø Conhecer os princípios da gestão de risco de 
pessoa física, aplicando-os em situações práticas.
Gestão de riscos 
de pessoa física 
e receita líquida
5 
84
5.1 
Gestão de riscos 
acidentais – pessoas
A gestão de riscos acidentais – bloco pessoas foca nas pessoas-chave da 
organização e no impacto que sua ausência temporária ou permanente causa 
nos objetivos da organização.
Na relação abaixo, temos exemplos do que são consideradas pessoas-chave, 
cuja falta pode prejudicar a organização em atingir seus objetivos:
	Ø Um artista popular que, em função de doença, acidente ou morte, 
teve vários eventos programados cancelados.
	Ø Equipe de vendas de produto de nicho que sofre acidente aéreo, 
causando a morte dos especialistas no produto.
	Ø Equipe de projeto de novo produto a ser lançado que pede 
demissão, transferindo-se para organização concorrente.
85
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
	Ø Representante com grande credibilidade de uma instituição 
filantrópica que morre pouco antes do início da campanha de 
arrecadação de fundos.
	Ø No case de nossa padaria, temos o chefe da cozinha que é 
responsável pela alta qualidade dos produtos comercializados.
Nos dias de hoje, as organizações estão cada vez menos dependentes de 
pessoas-chave. A própria organização tem estruturas administrativas e 
organizacionais que mitigam o risco da perda de pessoas-chave.
O bloco pessoas-chave, será analisado nas três dimensões:
Dimensão 1: Itens expostos a perdas
Dimensão 2: Riscos que causam perdas
Dimensão 3: Consequências financeiras das perdas
5.1.1 
Itens expostos a perdas
Todas pessoas na organização possuem valor, pois, em tese, a contribuição 
delas nos objetivos da organização (receita, se for uma organização com fins 
lucrativos) é maior do que os gastos que se tem com ela (salários e despesas 
indiretas, se for organização com fins lucrativos).
Para simplificar o entendimento, vamos considerar uma organização com 
fins lucrativos. A contribuição dos proprietários, diretores, gerentes e fun-
cionários em geral é superior ao valor por eles recebidos.
Então, qual o critério para se definir quem são as pessoas-chave?
A identificação da pessoa-chave passa pela resposta a duas perguntas:
1. O que pode ser feito se a pessoa, repentinamente, não está mais 
disponível para a organização?
2. Qual o efeito da indisponibilidade dessa pessoa para que a 
organização atinja seus objetivos?
A primeira pergunta determina como e quando a pessoa pode ser reposta. 
As respostas possíveis são: movimentação interna, contratação externa, 
eliminação da posição ou distribuição do trabalho entre outros funcionários.
Sumário
86
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
A segunda questão indica a perda de eficiência da organização em atingir 
seus objetivos.
Dificuldade na reposição e perda de eficiência em atingir os objetivos são 
indicativos de que se trata de uma pessoa-chave, a qual deverá ser objeto 
de maior atenção da organização.
5.1.2 
Riscos que causam perdas
Os riscos que causam perdas de pessoas-chave são:
	Ø Morte, de causas naturais, doença ou acidentes.
	Ø Invalidez para o trabalho, por doença ou por acidente, podendo 
ser temporária ou permanente. Na invalidez, a severidade da 
perda tende a ser inversamente proporcional à frequência, ou 
seja, perdas severas ocorrem com menos frequência, e perdas 
leves ocorrem com mais frequência.
	Ø Aposentadoria, cujo afastamento tende a ser melhor planejado 
pela organização.
	Ø Pedido de dispensa, em que o funcionário, por sua iniciativa, 
decide deixar de colaborar com a organização.
5.1.3 
Consequências financeiras 
das perdas
As consequências financeiras estão relacionadas às dificuldades em se atingir 
os objetivos e as despesas adicionais necessárias para repor a pessoa-chave.
Usando o case padaria, o pedido de dispensa do chefe para trabalhar em 
organização concorrente acarretará perda de lucro (pela percepção dos 
clientes da perda de qualidade dos produtos e migração para o concorrente) 
e despesas adicionais para contratação de novo chefe (possivelmente com 
salário superior ao do anterior).
Sumário
87
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.1.4 
Medidas de controle e 
financiamento de riscos
Na gestão de riscos acidentais – bloco pessoas, são aplicáveis:
Controle de riscos
	Ø Prevenção de perdas: salário compatível ou acima da média de 
mercado, programa de benefícios agressivo (incluindo seguro 
saúde, seguro de vida e previdência privada). No case padaria, 
participação nas vendas dos produtos.
	Ø Redução de perdas: reduzir o período de substituição, mantendo 
contato prévio com profissionais que possam substituir a 
pessoa-chave.
	Ø Segregação por duplicação: implantar programa de treinamento 
de outros funcionários na função. No case padaria, treinar 
cozinheiros que sejam capacitados para assumir a função.
Financiamento de riscos
	Ø Retenção: até a reposição da pessoa-chave, o risco deverá ser 
temporariamente retido pela organização.
5.2 
Gestão de riscos acidentais 
– receita líquida
O bloco gestão de riscos acidentais – Receita Líquida, também será ana-
lisado por meio das três dimensões: dimensão 1 – itens expostos a perdas; 
dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 3 – consequências 
financeiras. A receita líquida é baseada no orçamento da organização e é 
calculada pela fórmula:
Receita	líquida	=	receitas	orçadas	–	despesas	orçadas
Portanto, a perda de receita líquida pode ocorrer pela pela queda de recei-
tas, pelo aumento das despesas ou ambos.
Sumário
88
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.2.1 
Item exposto a perda
No bloco receita líquida, o item exposto a perda é a própria receita líquida 
orçada.
5.2.2 
Riscos que causam perdas
Na gestão de riscos acidentais, a perda de receita líquida (diminuição das 
receitas orçadas ou aumento das despesas orçadas) é um dano emergente, 
ou seja, emerge após a ocorrência de um dano acidental.
Danos	ao	patrimônio
O acidente de um bem tangível, além de causar a perda do 
seu valor, impedirá que ele execute a função para o qual foi 
projetado, podendo provocar perda de receita e aumento das 
despesas. Utilizando o case padaria, vamos supor que ocorra 
explosão dos fornos a gás. Além dos danos materiais causados 
aos fornos, haverá paralisação da produção e consequente 
redução na venda de produtos, gerando perda de receita. Para 
retornar o mais rapidamente possível à produção, uma vez 
que a compra de um novo forno sob encomenda tem prazo de 
dois meses, poderão ser alugados fornos similares ou alugar 
instalações em concorrente para suprir a produção, gerando 
aumento das despesas.
Sumário
89
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
Outro fato importante é que a receita líquida independe do valor 
do patrimônio danificado. Suponha que, numa indústria química, 
exista um painel de controle feito sob encomenda que controla 
o processo químico. Um dano elétrico nesse equipamento pode 
paralisar o processo industrial, gerando grande perda de receita 
líquida (embora o valor do painel seja pequeno, sua inoperância 
gerará perda elevada de receita líquida).
Na receita líquida, também deve ser considerada sua 
interdependência com outras organizações. Segundo os 
resseguradores internacionais, temos dois novos riscos 
importantes, que são (1) Cyber Risks (já estudado no curso) e (2) 
lucros cessantes contingentes. Este último está associado à perda 
de receita líquida da organização decorrente de acidentes em 
outras organizações (fornecedores ou compradores). No ano de 
2011, o terremoto seguido de tsunami no Japão destruiu empresas 
que forneciam componentes para suas subsidiárias. Com a 
destruição das fábricas no Japão, empresas ao redor do mundo 
(inclusive no Brasil) diminuíram sua produção, prejudicando 
sua receita líquida. Também podemos ter a situação de um 
comprador para os produtos de uma indústria. Por exemplo, 
uma indústria de gases se localiza estrategicamenteao lado de 
petroquímica, fornecendo gases por tubulação exclusivamente 
para essa indústria. Em caso de paralisação da petroquímica 
por acidente, os gases não serão comprados, gerando perda de 
receita líquida para a fábrica de gases.
Responsabilidade	Civil
Caso seja imputada responsabilidade civil à organização, haverá 
aumento de despesas pela necessidade de reparar os danos 
causados a terceiros, acrescidos dos custos judiciais.
Também deve ser considerada a possibilidade de que, em função 
da responsabilidade civil imputada, pode haver danos à imagem 
da organização, com consequente diminuição dos seus negócios 
e, portanto, diminuição de sua receita.
Perda	de	pessoa-chave
Poderá ocorrer a perda de receita atribuída à pessoa-chave e 
aumento das despesas para contratação de nova pessoa-chave 
(quer seja pelo custo maior da nova pessoa-chave, quer seja 
pelos custos da seleção desta).
Sumário
90
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.2.3 
Consequências financeiras 
das perdas
A consequência financeira da perda de receita líquida vai depender do con-
junto dos seguintes fatores:
Duração	da	paralisação/evento
Quanto maior o período de paralisação/evento, maior será a 
perda de receita e o aumento de despesas.
Grau	da	paralisação/evento,	se	parcial	ou	total
Quanto maior o grau de paralisação ou evento, maior será a 
perda de receita e o aumento de despesas.
Redução das receitas x receitas orçadas
A diminuição das receitas em relação ao orçado causa perda da 
receita líquida.
Aumento	das	despesas	x	despesas	orçadas
O aumento das despesas em relação ao orçado causa perda de 
receita líquida.
5.2.4 
Medidas de controle de riscos 
e financiamento de riscos
As medidas de controle de riscos aplicáveis são:
Prevenção	de	perdas
As medidas de prevenção de perdas do grupo receita líquida 
são as medidas de prevenção a perdas do grupo de origem. Por 
exemplo, para receita líquida decorrente de danos ao patrimônio, 
valem as medidas de prevenção de perdas do bloco patrimônio. 
Assim também para responsabilidade civil e perda de pessoa-
chave.
Sumário
91
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
Redução	de	perdas
Para redução de perdas do bloco receita líquida, é primordial que 
exista um plano de contingência.
Em primeiro lugar, é importante que haja uma diferenciação do 
que é plano de emergência e do que é plano de contingência.
Plano de emergência estabelece as medidas a serem tomadas 
quando da ocorrência do evento. Por exemplo, no plano de 
emergência da padaria para caso de incêndio, deverá ser 
garantida a rota de fuga dos clientes e funcionários através 
de rotas demarcadas, acionamento da brigada de incêndio 
para orientar e organizar a evacuação, acionar os bombeiros, 
desligar a energia elétrica, fornecer o primeiro combate pela 
brigada própria. Já o plano de contingência é acionado após a 
emergência, estabelecendo ações e procedimentos que visem 
minimizar a perda de receita e/ou o aumento de despesas, com 
medidas que restabeleçam a operação da organização o mais 
rápido possível, quer seja no próprio local, quer seja em outro 
local.
5.3 
Gestão de riscos da pessoa física
O processo de gestão de riscos acidentais estudado até agora aplica-se a 
organizações em geral. Neste bloco, será analisado a gestão de riscos aci-
dentais da Pessoa Física. Este bloco também será analisado nas 3 dimensões: 
Dimensão 1 – itens expostos a perdas; Dimensão 2 – Riscos que causam as 
perdas; Dimensão 3 – consequências financeiras.
5.3.1 
Itens expostos a perda
Os itens expostos a perda são, entre outros, a vida da pessoa física, sua saú-
de, seu emprego e a educação dos seus dependentes.
Sumário
92
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.3.2 
Riscos que causam perdas
As pessoas físicas também são sujeitas à exposição a perdas por morte, 
invalidez, aposentadoria ou desemprego. Essas perdas podem, pelo menos 
conceitualmente, ser classificadas em perdas	previstas, perdas	normais	e	
perdas	imprevistas.
Perdas	previstas: As perdas financeiras decorrentes de aposentadoria são 
perdas previstas.
Perdas normais: São consideradas perdas normais as doenças sem gravi-
dade (resfriado, indisposição intestinal, etc.) e a perda de receita no período 
compreendido entre a mudança de emprego.
Perdas	imprevistas: As perdas imprevistas por morte, invalidez grave, períodos 
prolongados e involuntários de desemprego, ou mesmo uma aposentadoria 
não programada por doença ou acidente constituem perdas que requerem 
planejamento especial e proteção financeira.
5.3.3 
Consequências financeiras 
das perdas
Os métodos de mensuração das consequências financeiras para pessoas 
físicas tiveram origem nos anos 1900, anteriores, portanto, aos conceitos de 
gestão de riscos propriamente ditos. As consequências financeiras podem 
ser medidas por dois caminhos:
Valor das necessidades
Estima as receitas extras ou recursos financeiros necessários após 
a morte, invalidez, desemprego ou aposentadoria.
Valor da vida humana
Foca na receita ou serviços gerados pela pessoa física.
Sumário
93
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.3.4 
Morte
No evento morte, devem ser analisados dois aspectos: (1) a receita líquida 
que era obtida pelo falecido e (2) os serviços que eram providos pelo falecido 
(limpeza, manutenção, cuidador dos pais ou outros familiares incapacitados, 
aconselhamento, etc.).
Método do valor das necessidades
Devem ser analisados dois valores: (1) a receita que o falecido iria auferir e 
(2) o valor de contratação dos serviços que eram prestados pelo falecido.
Também deve ser observado que o valor das necessidades costuma aumentar 
até determinado ponto da vida da Pessoa Física, normalmente a formatu-
ra dos filhos, e tendem a diminuir a partir deste ponto. Obviamente, o valor 
das necessidades depende de análise particularizada do contexto em que a 
Pessoa Física está inserida.
Método do valor da vida humana
Neste método, assume-se que a pessoa faleça imediatamente e, então, é 
projetado o ganho que esta pessoa teria se tivesse vivido sua expectativa de 
vida normal, de acordo com uma tabela de mortalidade apropriada. Essa 
receita ganha ao longo do tempo é, então, trazida para Valor Presente. Ou 
seja, o valor do fundo constituído hoje é equivalente ao que seria ganho pela 
Pessoa Física ao longo de sua vida esperada.
Neste método, o valor da vida humana varia ao longo do tempo. Na infância, 
esse valor é muito pequeno (talvez até negativo), aumentando ao longo do 
tempo e chegando ao seu pico na meia idade da pessoa física. Ao chegar 
perto da aposentadoria, o valor diminui, pois embora possivelmente ela esteja 
no pico de ganhos, eles não serão mantidos na aposentadoria.
5.3.5 
Aposentadoria
Apesar de a aposentadoria ser um evento normalmente planejado, a queda 
de receita nesta nova fase é acompanhada da possibilidade de emergências 
financeiras, principalmente relacionadas com despesas médicas.
Sumário
94
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
Considerando a realidade atual das dificuldades da Previdência Social e do 
Sistema de Saúde Público, é importante que o planejamento da aposentado-
ria conte com a participação de um Plano de Previdência Privada, que pode 
ser aberta (aos consumidores em geral) ou fechada (fornecida para grupos 
de funcionários de determinada organização).
5.3.6 
Invalidez
A invalidez pode ser temporária ou permanente, parcial ou total. Qualquer 
que seja a situação, ela é inesperada e pode ter consequências financeiras 
muito graves, em função de:
	Ø As despesas decorrentes da invalidez se adicionam às despesas 
que existiam antes do evento. Então, é necessário receita superior 
àquela que seria preciso se a pessoa com invalidez tivesse 
falecido.
	Ø As despesas médicas com uma pessoa inválida podem atingir 
valores muito altos.
	Ø A duração da invalidez é um fator importante na medição 
das consequências financeiras. Quanto maior o tempo da 
invalidez, que pode chegar a ser permanente, maior serão as 
consequências financeiras.
5.3.7Desemprego
As consequências financeiras do desemprego têm relação direta com as 
obrigações financeiras e o período de desemprego da pessoa física.
Hoje em dia, temos produtos de seguros que garantem o pagamento do 
financiamento, de mensalidades ou das prestações por um período prede-
terminado de desemprego involuntário.
Sumário
95
Gerenciamento de Riscos | Unidade 5
5.4 
Resumo
Neste capítulo abordamos o bloco pessoas e o bloco receita líquida (de forma 
resumida), o processo de gestão de riscos e fizemos uma complementação 
sobre gestão de riscos da pessoa física.
O bloco pessoas foca nas pessoas-chave da organização e no impacto que 
sua ausência temporária ou permanente causa nos objetivos da organização.
Nos dias de hoje, as organizações estão cada vez menos dependentes de 
pessoas-chave.
O item exposto a perdas no bloco pessoas-chave é a contribuição delas para 
os objetivos da organização. Os riscos são morte, invalidez para o trabalho, 
aposentadoria e pedido de dispensa. As consequências financeiras estão 
relacionadas às dificuldades em se atingir os objetivos e as despesas adicio-
nais necessárias para repor a pessoa-chave.
O bloco receita líquida é baseado no orçamento da organização e é calcu-
lado pela fórmula:
Receita	líquida	=	receitas	orçadas	–	despesas	orçadas
O item exposto a perda do bloco receita líquida é a própria receita líquida 
orçada. Os riscos que causam perdas são decorrentes de danos ao patri-
mônio, responsabilidade civil e perda de pessoa-chave. A consequência 
financeira, que é a diminuição de receita ou aumento de despesas depende 
da duração da paralisação/evento, grau da paralisação/evento, se parcial ou 
total, redução das receitas versus receitas orçadas e aumento das despesas 
versus despesas orçadas.
Como complemento ao curso, apresentamos nesta unidade a gestão de 
riscos da pessoa física, exposições a perdas por morte, invalidez, aposen-
tadoria ou desemprego. Tais perdas podem, pelo menos conceitualmente, 
ser classificadas em perdas previstas, perdas normais e perdas imprevistas. 
As consequências financeiras podem ser medidas por dois caminhos: valor 
das necessidades e valor da vida humana.
Sumário
96
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 5
Fixando conceitos 5
Nas questões abaixo, marque a alternativa correta:
1. Na gestão de riscos acidentais, um dos blocos analisado é o de Pessoas. 
São consideradas a dificuldade na reposição de alguém e a consequente 
perda de eficiência em atingir os objetivos. Esses parâmetros são indica-
tivos de que se trata de:
(a) Diretor.
(b) Gerente.
(c) Pessoa-chave
(d) Técnico especializado.
(e) Funcionário com alto salário.
2. Na gestão de riscos acidentais, um dos blocos analisados é o de Receita 
Líquida. Nele, são verificadas as receitas e despesas após a ocorrência de 
um acidente. A perda de receita líquida pode ocorrer pelo:
(a) Aumento das receitas, mantendo as despesas estáveis.
(b) Incremento das despesas, mantendo as receitas estáveis.
(c) Falência dos concorrentes.
(d) Aumento das receitas maior do que o aumento das despesas.
(e) Diminuição das despesas menor do que o aumento das receitas.
3. Na gestão de riscos da pessoa física, utiliza-se a mesma metodologia dos 
riscos acidentais, mas adaptando para os riscos de pessoas físicas. Nessa 
personalização, são considerados os riscos aos quais a pessoa física está 
sujeita. Invalidez permanente é uma perda:
(a) Normal.
(b) Prevista.
(c) Aleatória.
(d) Imprevista.
(e) Tabulada.
Sumário
97
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 5
4. Na gestão de riscos da pessoa física, existem diversas perdas. Tais per-
das podem ser classificadas em perdas previstas, perdas normais e per-
das imprevistas. As perdas financeiras decorrentes da aposentadoria são 
perdas previstas e:
(a) Não se toma nenhuma providência com relação a elas.
(b) Fica-se na dependência exclusiva da previdência social.
(c) Fica-se na dependência dos filhos, se houver.
(d) Procura-se complementar a renda com jogos de loteria.
(e) Exigem planejamento, utilizando-se, por exemplo, previdência complementar.
Consulte o gabarito clicando	aqui.
Sumário
98
Gerenciamento de Riscos | Gabarito
Gabarito
Fixando conceitos
Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3 Unidade 4 Unidade 5
1 – D 1 – E 1 – E 1 – B 1 – C
2 – C 2 – B 2 – B 2 – C 2 – B
3 – A 3 – A 3 – C 3 – E 3 – D
4 – C 4 – A 4 – C 4 – A 4 – E
5 – A 5 – D 5 – E 5 – A
6 – E 6 – E 6 – A 6 – D
7 – D
8 – A
Sumário
99
Gerenciamento de Riscos | Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 31000 / 
Gestão	de	Riscos	–	Princípios	e	Diretrizes, 2018.
Elliott, M.W.. Risk	Financig. Insurance Institute of America, Pennsylvania, 
2000.
Head, G.L.. Essentials	of	Risk	Control. American Institute for Chartered 
Property Casualty Underwriters / Insurance Institute of America, 
Pensylvania, 1995.
Head, G.L.; Horn II, S. Essentials	of	Risk	Management. Pensylvania, 
American Institute for Chartered Property Casualty Underwriters / 
Insurance Institute of America, 2003.
Martins, Marcelo Ramos. PNV	5017	–	Considerações	sobre	Análise	de	
Confiabilidade	e	de	Riscos.	Escola Politécnica da Universidade de São 
Paulo, 2013.
Referências 
bibliográficas
Sumário
100
Gerenciamento de Riscos | AnexosSumário
Aplicações
Para melhor conhecimento e aplicação das técnicas de controle e financiamento 
de riscos acidentais, vamos verificar alguns exemplos de emprego nos grupos: 
patrimonial, responsabilidade civil, pessoas-chave, receita líquida e Pessoa Física.
Anexos
SUGESTÃO DE CHECKLIST – CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS ACIDENTAIS
(Indústria,	Comércio,	Prestação	de	Serviços,	Residencial,	Pessoa	Física)
BLOCO 
CO
N
TR
O
LE
 D
E 
RI
SC
O
S
Patrimônio Responsabilidade civil Pessoas Receita líquida Pessoa física
Ev
ita
r a
 e
xp
os
iç
ão Aplicação restrita para riscos 
com frequência e severidade 
elevados, por exemplo, no caso 
de alagamento/inundação, 
mudar a organização para 
local mais elevado.
Nos casos de frequência 
e severidade elevados, 
cessar a atividade 
de risco ou deixar de 
comercializar o produto.
Não aplicável.
Mesmas 
considerações 
do bloco 
patrimônio e 
responsabilidade 
civil.
Não aplicável.
Pr
ev
en
çã
o 
de
 p
er
da
s
Medidas que visam diminuir 
a frequência de ocorrência, 
por exemplo, no incêndio, 
implantar programa de 
manutenção, procedimentos 
de segurança (desligar a 
energia elétrica nos períodos 
de inatividade, etc.); no roubo, 
instalar grade, segurança 
patrimonial, etc. No transporte 
de mercadorias, verificar 
as condições do modal a ser 
utilizado e das rotas a serem 
seguidas, bem como de suas 
condições de segurança.
Medidas que visam 
diminuir a frequência de 
ocorrência, como, por 
exemplo, treinamento 
dos funcionários, 
procedimentos definidos 
e supervisionados, 
controle de qualidade, 
etc.
Programas 
que estimulem 
vida saudável, 
condições 
adequadas de 
trabalho.
Mesmas 
considerações 
do bloco 
patrimônio, 
responsabilidade 
civil e pessoas.
Manter boa 
qualidade de 
vida,
Acompanhamento 
periódico e 
preventivo da 
saúde.
Evitar 
comportamento 
de risco.
Re
du
çã
o 
de
 p
er
da
s
Tendo ocorrido o evento, 
são medidas que minimizem 
a severidade. Por exemplo, 
em um incêndio, a instalação 
de sistemas de extintores, 
hidrantes, sprinklers; no 
roubo, vigilância para evitar 
novos eventos enquanto a 
organização não repõe a 
segurança; no transportes de 
mercadorias, instalar iscas 
eletrônicas.
Na responsabilidade 
civil, tendo ocorrido o 
evento, são necessárias 
medidas rápidas para 
minimizar o desconforto 
do terceiro prejudicado 
e, se for o caso, fazer 
reparação pecuniária 
rapidamente e sem 
muitas discussões.
Providenciar 
rápida 
recuperação ou 
reposição da 
pessoa-chave 
afetada.
Possuir plano 
de contingência 
previamente 
definido e 
aprovado. Por 
exemplo, em 
caso de ataques 
cibernéticos, 
procedimentos 
de comunicação 
ao público e 
autoridades,acionamento de 
equipamentos 
duplicados, etc.
Redução das 
despesas 
mantendo 
compatibilidade 
com os ganhos.
Possuir fontes 
alternativas de 
receita.
101
Gerenciamento de Riscos | AnexosSumário
BLOCO 
CO
N
TR
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RI
SC
O
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gr
eg
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ão
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 e
xp
os
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r s
ep
ar
aç
ão
Aplicável quando se pretende 
diminuir a severidade por meio 
de separação. Por exemplo, no 
incêndio, utilizar dois depósitos 
ao invés de um; instalar parede 
corta-fogo para isolar partes 
de um depósito. No transporte 
de mercadorias, separar a 
carga em carregamentos 
diferentes.
Não aplicável.
Evitar o acúmulo 
de exposições, 
como, por 
exemplo, em 
caso de viagem 
de negócios, 
dividir a 
diretoria em 
vários voos.
Mesmas 
considerações 
do bloco 
patrimônio e 
pessoas.
Não aplicável.
Se
gr
eg
aç
ão
 d
as
 
ex
po
sI
çõ
es
 p
or
 
du
pl
ic
aç
ão
Aplicável principalmente nos 
sistemas de informática, no 
qual um sistema reserva pode 
ser acionado em caso de 
problemas do site principal.
Aplicável, 
principalmente no cyber 
risks, em que um sistema 
de informática reserva 
pode ser acionado 
em caso de ataque ao 
sistema principal.
Desenvolver 
e manter 
back ups das 
pessoas-chave.
Mesmas 
medidas 
dos blocos 
patrimônio, 
responsabilidade 
civil e pessoas.
Não aplicável.
Tr
an
sf
er
ên
ci
a 
co
nt
ra
tu
al
Aplicável em contratos de 
terceirização, em que os 
bens disponibilizados para 
a produção dos bens e 
serviços serão de terceiros ou 
transportes de mercadorias.
Aplicável em contratos 
de terceirização, em que 
a responsabilidade civil 
gerada pela produção 
de bens e serviços 
serão assumidos pelos 
terceiros.
Não aplicável.
Mesma 
aplicação 
dos blocos 
patrimônio e 
responsabilidade 
civil.
Não aplicável.
FI
N
A
N
CI
A
M
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TO
Re
te
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ão
D
es
pe
sa
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or
re
nt
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Pequenas perdas patrimoniais 
absorvidas pela organização, 
por exemplo, queima de 
motores de pequeno porte.
Reparações de valor 
pequeno a terceiros, 
por exemplo, roupa 
danificada na atividade 
de uma lavanderia.
Perdas de 
pequeno valor 
e curto período 
de tempo, 
por exemplo, 
afastamento 
temporário por 
resfriado.
Mesmas 
considerações 
dos blocos 
patrimônio, 
responsabilidade 
civil e pessoas.
Pequena perda 
de receita 
ou aumento 
de despesas 
em função 
de eventos 
temporários, 
por exemplo, 
desarranjo 
intestinal.
Re
se
rv
a 
se
m
 
fu
nd
os Idem despesas correntes, 
mas constituindo reserva sem 
fundos para fins de controle.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo reserva 
sem fundos para fins de 
controle.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva sem 
fundos para fins 
de controle.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva sem 
fundos para fins 
de controle.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva sem 
fundos para 
fins de controle.
Re
se
rv
a 
co
m
 
fu
nd
os Idem despesas correntes, 
mas constituindo reserva com 
fundos.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo reserva 
com fundos.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva com 
fundos.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva com 
fundos.
Idem despesas 
correntes, mas 
constituindo 
reserva com 
fundos.
102
Gerenciamento de Riscos | AnexosSumário
BLOCO 
FI
N
A
N
CI
A
M
EN
TO
Em
pr
és
tim
o
Manter linha de crédito que 
possa ser usada em caso da 
ocorrência de eventos.
Manter linha de crédito 
que possa ser usada em 
caso da ocorrência de 
eventos.
Manter linha 
de crédito que 
possa ser usada 
em caso da 
ocorrência de 
eventos.
Manter linha 
de crédito que 
possa ser usada 
em caso da 
ocorrência de 
eventos.
Manter linha 
de crédito que 
possa ser usada 
em caso da 
ocorrência de 
eventos.
Se
gu
ra
do
ra
 c
at
iv
a
Utilizável caso a organização 
tenha uma seguradora cativa 
no grupo.
Utilizável caso a 
organização tenha uma 
seguradora cativa no 
grupo.
Utilizável caso 
a organização 
tenha uma 
seguradora 
cativa no grupo.
Utilizável caso 
a organização 
tenha uma 
seguradora 
cativa no grupo.
Não aplicável.
TR
A
N
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C
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Tr
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ci
a 
co
nt
ra
tu
al
Acordo, que não seja seguros, 
com outra organização para 
reembolso em caso de evento.
Acordo, que não seja 
seguros, com outra 
organização para 
reembolso em caso de 
evento.
Acordo, que não 
seja seguros, 
com outra 
organização 
para reembolso 
em caso de 
evento.
Acordo, que não 
seja seguros, 
com outra 
organização 
para reembolso 
em caso de 
evento.
Acordo, que 
não seja 
seguros, 
com uma 
organização ou 
Pessoa Física 
para reembolso 
em caso de 
evento.
Se
gu
ro
s
Empresarial;
Riscos Nomeados (para valor 
em risco elevado);
Riscos operacionais (indústrias 
de valor em risco elevado e 
altamente protegidas);
Condomínio (comercial, 
residencial);
Residencial;
Riscos diversos (se aplicável);
Veículos, se aplicável;
Transportes, se aplicável.
Responsabilidade Civil; 
Geral (modalidades 
estabelecimentos 
comerciais e industriais 
– operações, produtos, 
empregador, garagista, 
entre outras);
Administradores e 
diretores – D&O;
Profissional (médicos, 
dentistas, engenheiros, 
arquitetos, contadores, 
corretores de seguros, 
entre outros);
Ambiental (se aplicável);
Cibernéticos;
Veículos, se aplicável;
Seguro de 
responsabilidade civil 
do transportador, se 
aplicável.
Programa de 
Benefícios, 
incluindo, 
mas não se 
limitando a 
Saúde – médica 
e odontológica, 
vida, 
previdência 
privada, 
acidentes 
pessoais.
Lucros 
Cessantes;
Lucros 
Cessantes 
Contingentes.
Vida;
Saúde médica e 
odontológica;
PGBL;
VGBL;
Acidentes 
pessoais;
Desemprego 
/ Perda de 
renda;
Educacional;
Doenças graves 
ou doença 
terminal.
	1.1	ISO 31000 
	1.2	Processo de gestão de riscos – ISO 31000
	1.3	Riscos: conceitos e evolução
	1.4	Classificação de riscos
	1.5	Gestão de riscos em instituições financeiras
	1.6	Os caminhos da gestão de riscos
	1.7	Resumo
	Fixando conceitos 1
	2.1	Gestão de riscos acidentais
	2.2	Passo 1 – Identificação e análise das exposições a perdas
	2.3	Passo 2 – Exame das técnicas de gestão de riscos acidentais disponíveis
	2.4	Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas
	2.5	Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas
	2.6	Passo 5 – Monitoramento e melhoria do Programa de Gestão de Riscos Acidentais
	2.7	Resumo
	Fixando conceitos 2
	3.1	Bens da organização
	3.2	Exposição a perdas
	3.3	Identificação e análise de riscos
	3.4	Medidas de controle de riscos e financiamento de riscos
	3.5	Resumo
	Fixando conceitos 3
	4.1	Exposição a perdas
	4.2	Identificação e análise de riscos
	4.3	Medidas de controle e financiamento de riscos
	4.4	Resumo
	Fixando conceitos 4
	5.1	Gestão de riscos acidentais – pessoas
	5.2	Gestão de riscos acidentais – receita líquida
	5.3	Gestão de riscos da pessoa física
	5.4	Resumo
	Fixando conceitos 5
	1	Introdução à gestão de riscos
	1.1	ISO 31000 
	1.1.1	Série (Família) ISO 31000
	1.2	Processo de gestão de riscos – ISO 31000
	1.3	Riscos: conceitos e evolução
	1.4	Classificação de riscos
	1.4.1	Riscos da operação
	1.4.2	Riscos de mercado
	1.5	Gestão de riscos em instituições financeiras
	1.6	Os caminhos da gestão de riscos
	1.7	Resumo
	Fixando conceitos 1
	2	Gestão de riscos acidentais
	2.1	Gestão de riscos acidentais
	2.2	Passo 1 – Identificação e análise das exposições a perdas
	2.3	Passo 2 – Exame das técnicas de gestão de riscos acidentais disponíveis
	2.3.1	Técnicas de controle de riscos
	2.3.2	Técnicas de financiamento de riscos
	2.4	Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas
	2.5	Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas
	2.6	Passo 5 – Monitoramento e melhoria do Programa de Gestão de Riscos Acidentais
	2.7	Resumo
	Fixando conceitos 2
	3	Gestão de riscos acidentais – patrimônio
	3.1	Bens da organização
	3.1.1	Bens tangíveis
	3.1.2	Bens intangíveis
	3.2	Exposição a perdas
	3.2.1	Itens expostos a perdas
	3.2.2	Riscos que causam as perdas
	3.2.3	Consequências financeiras das perdas
	3.3	Identificação e análise de riscos
	3.3.1	Matriz de riscosde uma “venda consultiva”.
1.1 
ISO 31000 
A gestão de riscos é objeto de Norma Internacional, com aplicação em todo 
mundo. Seu conhecimento é importante porque é a base da gestão de riscos.
Inicialmente, vamos conhecer dois órgãos, um internacional e outro brasileiro, 
que tratam da gestão de riscos:
1. Internacionalmente, temos a ISO – International Organization 
for Standardization, que é uma organização não governamental 
independente composta por 164 membros que representam 
vários países.
Sumário
10
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Por meio de seus membros, são recebidas contribuições de 
especialistas que compartilham conhecimento e desenvolvem 
voluntariamente, por consenso, normas internacionais que 
suportam a inovação e provêm soluções para desafios globais.
A Secretaria Central da ISO fica localizada na cidade de 
Genebra – Suíça.
2. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é o Foro 
Nacional de Normalização e representante oficial da ISO no Brasil. 
As normas brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos 
Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização 
Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais (ABNT/
CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas 
pelas partes interessadas no tema objeto da normalização.
No ano de 2009, foi publicada a ISO 31000 Risk Management – Principles 
and Guidelines, que foi traduzida integralmente para o português e publicada 
como Norma Brasileira ABNT NBR ISO 31000. Essa norma internacional e sua 
tradução para o português tiveram uma segunda edição publicada em 2018.
A ISO 31000 estabelece diretrizes para a gestão de riscos sem caráter 
mandatório. Ou seja, sua aplicação não é obrigatória, mas pelo seu caráter 
internacional, suas diretrizes são seguidas pelos países que têm represen-
tação nessa organização.
A norma, na versão brasileira, tem 23 páginas e, conforme sua orientação, a 
aplicação pode ser personalizada para qualquer organização. Seu contexto 
fornece abordagem comum para gerenciar qualquer tipo de risco, não sendo 
específico para qualquer indústria ou setor. Com essa enorme abrangência 
e o tamanho reduzido do documento, temos:
1. É uma norma genérica com aplicação universal, ou seja, qualquer 
organização ou parte dela pode se beneficiar do seu processo de 
tomada de decisão.
2. Por ser genérica, sua aplicação deve ser personalizada para o 
segmento a que se destina.
Assim, para a gestão de riscos, temos duas necessidades básicas:
1. Conhecimento do processo de gestão de riscos baseado na ISO 
31000.
2. Conhecimento da atividade em que ela será aplicada.
Sumário
11
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Nas unidades 2, 3, 4 e 5, utilizaremos os conceitos da gestão de riscos da ISO 
31000, mas personalizando-os para nosso objeto de estudo, que é a gestão 
de riscos acidentais.
1.1.1 
Série (Família) ISO 31000
A Série (ou Família) ISO 31000 contém normas relacionadas à Gestão de 
Riscos. Atualmente, temos três normas e uma em processo de elaboração. 
São elas:
ABNT NBR ISO/IEC 31010:2012
Gestão	de	Riscos	–	Técnicas	para	o	processo	de	avaliação	de	riscos
Trata-se de uma norma de apoio que fornece orientações sobre a seleção 
e aplicação de técnicas sistemáticas para o processo de avaliação de riscos.
ABNT ISO/TR 31004:2013
Guia para implementação da ABNT NBR ISO 31000 – Relatório Técnico, 
que fornece orientações para que as organizações gerenciem os riscos de 
forma eficaz.
ABNT NBR ISO 31022:2020
Gestão	de	riscos	–	Diretrizes	para	a	gestão	de	riscos	legais
Fornece diretrizes para a gestão de desafios de riscos legais enfrentados 
pelas organizações. A aplicação dessas diretrizes pode ser personalizada 
para qualquer organização e seu contexto.
Ainda	em	desenvolvimento,	a	ISO	31073	irá	tratar	do	vocabulário	especí-
fico	de	gestão	de	riscos.
Sumário
12
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
1.2 
Processo de gestão de riscos – 
ISO 31000
Na figura, temos o Processo de Gestão de Riscos conforme as diretrizes 
fixadas pela ISO 31000.
ESCOPO, CONTEXTO E 
CRITÉRIO
TRATAMENTO 
DE RISCOS
REGISTRO E RELATO
PROCESSO DE AVALIAÇÃO 
DE RISCOS
COMUNICAÇÃO 
E CONSULTA
MONITORAMENTO 
E ANÁLISE CRÍTICA 
IDENTIFICAÇÃO 
DE RISCOS
ANÁLISE 
DE RISCOS
AVALIAÇÃO 
DE RISCOS
PROCESSO DE GESTÃO 
DE RISCOS
Fonte: ISO 31000-2018.
Em uma breve análise dos componentes do processo de gestão de riscos 
baseada na ISO 31000, temos:
1. Escopo,	contexto	e	critério
Normalmente, quando falamos de gestão de riscos, fazemos 
associação aos riscos de uma organização. Isso é correto, mas 
não é completo. O processo de gestão de riscos pode ser aplicado 
nos níveis estratégico, operacional, de programas ou de projetos. 
Pense em qualquer área operacional de uma seguradora ou 
corretora de seguros. Se ela existe, é porque tem objetivos que 
colaboram com o objetivo geral da organização. Vamos pensar 
juntos? Por exemplo, uma área de emissão de documentos tem 
Sumário
13
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
como objetivos, por exemplo, emitir em um prazo máximo de 5 
dias e com erro zero. Existem vários riscos que podem prejudicar 
esses objetivos, como falhas dos sistemas, greve dos funcionários, 
incêndio nas instalações, colapso do sistema de transportes, entre 
outros. Nesse caso, cabe o processo de gestão de riscos, visando 
à mitigação dos riscos e aumentando a probabilidade de que essa 
área operacional alcance seus objetivos.
Devemos lembrar de que a ISO 31000 fornece diretrizes, para 
a gestão de riscos, com uso nos mais diversos segmentos. Sua 
aplicação exige personalização, adequando-se aos contextos 
internos e externos da organização.
2. Comunicação	e	consulta	/	monitoramento	e	análise	crítica
Embora o processo de gestão de riscos seja apresentado, 
em geral, como sequencial, ele é interativo na prática. Em 
função dessa característica, nas duas laterais da figura, temos 
“comunicação e consulta” e “monitoramento e análise crítica” 
envolvendo o processo de gestão de riscos como um todo.
3. Processo de avaliação de riscos
Este processo é composto dos passos:
3.1 Identificação dos riscos – encontrar, reconhecer e descrever 
riscos que possam ajudar ou impedir que uma organização 
alcance seus objetivos.
3.2 Análise dos riscos – consideração detalhada de incertezas, 
fontes de riscos, consequências, probabilidades, eventos, 
cenários, controles e sua eficácia.
3.3 Avaliação dos riscos – envolve a comparação dos resultados 
da análise de riscos com os critérios de risco estabelecidos 
para determinar onde é necessária ação adicional.
4. Tratamento de riscos
Fase em que são selecionadas e implementadas as opções para 
abordar os riscos.
5. Registro e relato
O processo de gestão de riscos envolve toda a organização, 
incluindo a alta direção da empresa, devendo ser devidamente 
formalizado e tendo seus resultados documentados.
Sumário
14
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
1.3 
Riscos: conceitos e evolução
Embora a palavra “risco” faça parte do nosso dia a dia, ela pode ter diversos 
significados, dependendo do contexto em que é aplicada.
É importante que o corretor de seguros tenha em mente essa variedade de signifi-
cados, pois segurados com familiaridade na área financeira, controladoria, gover-
nança corporativa e gestão de riscos estão acostumados com outras definições 
de riscos, além daquela que tradicionalmente utilizamos no mercado segurador.
Assim,	vamos	conhecer	algumas	definições	de	risco:
1. Risco como possibilidade de perda, normalmente financeira. 
Quando se vê uma placa com os dizeres “Perigo – Eletricidade 
– Risco de Morte”, o termo “risco” está se referindo ao risco 
de perda da vida (não necessariamente ligado a uma perda 
financeira). Já risco de roubo de uma carteira implica a 
possibilidade de perda financeira de valores monetários.
2. No mercado de seguros, e nas unidades 2, 3, 4 e 5, dedicadas 
à gestão de riscos acidentais, risco será sinônimo de “causa de 
perdas”. Os riscos de incêndio, alagamento, vendaval,3.4	Medidas de controle de riscos e financiamento de riscos
	3.5	Resumo
	Fixando conceitos 3
	4	Gestão de riscos acidentais – responsabilidade civil
	4.1	Exposição a perdas
	4.1.1	Itens expostos a perdas
	4.1.2	Riscos que causam as perdas
	4.1.3	Consequências financeiras das perdas
	4.2	Identificação e análise de riscos
	4.2.1	Análise de riscos
	4.2.2	Matriz de riscos
	4.3	Medidas de controle e financiamento de riscos
	4.4	Resumo
	Fixando conceitos 4
	5	Gestão de riscos de pessoa física e receita líquida
	5.1	Gestão de riscos acidentais – pessoas
	5.1.1	Itens expostos a perdas
	5.1.2	Riscos que causam perdas
	5.1.3	Consequências financeiras das perdas
	5.1.4	Medidas de controle e financiamento de riscos
	5.2	Gestão de riscos acidentais – receita líquida
	5.2.1	Item exposto a perda
	5.2.2	Riscos que causam perdas
	5.2.3	Consequências financeiras das perdas
	5.2.4	Medidas de controle de riscos e financiamento de riscos
	5.3	Gestão de riscos da pessoa física
	5.3.1	Itens expostos a perda
	5.3.2	Riscos que causam perdas
	5.3.3	Consequências financeiras das perdas
	5.3.4	Morte
	5.3.5	Aposentadoria
	5.3.6	Invalidez
	5.3.7	Desemprego
	5.4	Resumo
	Fixando conceitos 5
	Gabarito
	Referências bibliográficas
	Anexosdanos 
elétricos, queda de raio, desmoronamento etc. devem ser 
entendidos como “causas de perdas”. Essa definição de riscos 
é utilizada nas nossas condições gerais, especiais e particulares 
das apólices de seguros. “Riscos Cobertos” são as “causas de 
perdas” que encontram amparo na apólice de seguro. “Riscos 
não cobertos” ou “riscos excluídos” são as “causas de perdas” não 
abrangidas por aquele seguro.
Sumário
15
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
3. Ainda no mercado segurador, risco pode ser utilizado como 
sinônimo de “objeto segurado”. Quando se utiliza o termo 
“inspeção de riscos”, estamos verificando as condições físicas do 
objeto segurado. Quando se diz “vou ao risco” significa que estou 
me dirigindo às instalações seguradas.
4. Há algumas décadas, o mercado financeiro adotou o termo 
risco como potencial variação dos resultados esperados. 
Quando um corretor de seguros se refere ao “risco de atingir 
as metas de produção no final do mês”, ele está se referindo à 
potencial variação dos resultados esperados. Pode ser que não 
atinja as metas ou pode ser que supere as metas. Suponhamos 
que as metas sejam superadas em 50%. Embora o resultado 
tenha sido muito positivo, o risco associado a atingir as metas 
é elevado, pois existe muita variação em relação ao esperado. 
Da mesma maneira, suponha que exista certeza dos valores de 
produção ao final do mês (são seguros concretizados e já estão 
previamente acertados, não serão prospectados novos clientes). 
Nessa situação, o risco é zero, pois não haverá variação nos 
resultados esperados.
Após o ano de 2009, e conforme Norma ABNT NBR ISO 31000, temos uma 
definição normatizada de risco:
“Risco	é	o	efeito	da	incerteza	nos	objetivos.”
O referido normativo esclarece que um efeito é um desvio em relação ao 
esperado. Pode ser positivo, negativo ou ambos, e pode abordar, criar ou 
resultar em oportunidades e ameaças. Por conta dessa definição, quando a 
gestão de riscos trata de desvios que podem ser positivos, surge a possibili-
dade de identificação de novas oportunidades de negócios. Assim, a gestão 
de riscos, no seu conceito mais amplo, não se limita a mitigar as perdas, mas 
pode ser utilizada como instrumento de alavancagem de novos negócios.
Também é importante entender que a gestão de riscos não garante que os 
objetivos sejam atingidos.
Então, por que se faz gestão de riscos?
Se substituirmos, na gestão de riscos, a palavra risco por sua definição na ISO 
31000, temos que: gestão de riscos = gestão do efeito (positivo ou negativo) das 
incertezas nos objetivos. Em outras palavras, a gestão de riscos não garante 
que os objetivos sejam atingidos, mas aumenta a probabilidade de atingi-los.
Sumário
16
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
1.4 
Classificação de riscos
Os Riscos podem ser classificados de diversas maneiras, sendo que uma das 
mais comuns é a classificação em riscos	puros (em que só existe a possibilida-
de de perda ou empate) ou riscos	especulativos (quando existe possibilidade 
de perda, empate ou ganho).
A ISO 31000 não estabelece qualquer tipo de classificação de risco. No 
entanto, a literatura especializada divide os riscos, para fins de gestão de 
riscos, em riscos	de	operação e riscos de mercado.
1. Riscos	de	operação são aqueles sobre os quais a organização 
tem controle. Por exemplo, riscos acidentais são riscos de 
operação, pois a organização tem controle sobre eles.
2. Riscos de mercado são aqueles sobre os quais a organização não 
tem controle. Por exemplo, risco de variação cambial não está no 
controle da organização, mas pode influenciar nos objetivos da 
organização.
Os riscos de mercado também podem ser classificados como riscos sistêmicos, 
pois atingem a economia e as organizações como um todo. Já os riscos de ope-
ração são riscos não sistêmicos, pois têm efeito numa organização em particular.
Um ponto importante é que, embora os riscos de mercado não estejam sob 
controle direto da organização, eles podem causar impacto importante nos 
resultados da organização, devendo ser objeto do processo de gestão de 
riscos. Por exemplo, se a organização tem dívidas futuras que deverão ser 
liquidadas em moeda estrangeira e existe a preocupação que haja valori-
zação da moeda estrangeira (valorização do dólar em relação ao real), a 
organização pode constituir um hedge (operações utilizadas no mercado 
financeiro), comprando títulos atrelados à moeda estrangeira. No momento 
da quitação da dívida, se o dólar tiver se valorizado, a organização liquida os 
títulos atrelados ao dólar e terá recursos em reais suficientes para cumprir 
suas obrigações em moeda estrangeira.
1.4.1 
Riscos da operação
São riscos de origem interna à organização e que são específicos dela. Vamos 
ver alguns deles:
Sumário
17
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Risco do negócio
Possibilidade de perda ou ganho devido a variáveis econômicas e de merca-
do. Vale uma reflexão sobre os riscos de negócios, em que a incorreta iden-
tificação e análise dos riscos de negócios pode trazer consequências sérias, 
conforme exemplos a seguir:
	Ø Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendia 85% 
de todo o papel fotográfico comercializado no mundo. Com o 
surgimento das fotos e câmeras digitais, no curso de poucos anos, 
o modelo de negócios da empresa desapareceu, e eles abriram 
falência.
	Ø O Uber é apenas uma ferramenta de software. Eles não são 
proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis 
do mundo.
	Ø A Airbnb é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles 
não sejam proprietários de nenhum hotel.
	Ø A inteligência artificial já é mais eficiente do que jovens 
advogados e tem-se tornado um coadjuvante importante nos 
diagnósticos médicos.
	Ø A impressão 3D trará alterações profundas no mercado de 
manufatura de peças.
	Ø Outros tantos exemplos que estão ocorrendo no momento, entre 
os quais veículos autônomos, agricultura, reconhecimento facial e 
energia solar.
No nosso mercado de seguros, estamos imunes aos riscos de negócio? 
A chamada 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 está chegando ao nos-
so mercado com IOT (internet of things ou internet das coisas), blockchain, 
inteligência artificial etc. Essas tecnologias disruptivas devem alterar os 
padrões de comercialização, afetando os corretores de seguros. As segu-
radoras, a exemplo do que está ocorrendo com as fintechs em relação ao 
mercado bancário tradicional, poderão sofrer concorrência das insurtechs 
no modelo de compartilhamento (nos Estados Unidos, existe o caso concreto 
da Lemonade, que é uma alternativa às seguradoras tradicionais). Não se 
pode prever com exatidão como será o futuro próximo, mas podemos ter a 
certeza de que não será como no presente.
Sumário
18
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Risco financeiro
Risco de uma organização não ter capacidade de honrar suas obrigações 
financeiras.
Trazendo para o mercado segurador, seria a incapacidade financeira de 
uma seguradora cumprir com suas obrigações, como a de liquidar sinistros. 
Esse é um risco real do nosso mercado e faz parte dos riscos de solvência 
de uma seguradora.
Risco operacional
Possibilidade de perda devido ao mau funcionamento ou inoperância da 
tecnologia existente ou do sistemas de suporte.
Esse risco é muito presente tanto para corretores de seguros quanto para 
seguradoras. Lembrando que risco é o efeito da incerteza nos objetivos; 
existe risco para os corretores de seguros no objetivo de fornecer a cober-
tura adequada aos segurados, protocolar a proposta de seguro dentro do 
prazo correto, fornecer atendimento adequado etc. As seguradoras também 
têm diversos riscos operacionais, por exemplo, devolver uma proposta em 
que não tenha interesse dentro do prazo de 15 dias, solicitar cobertura de 
resseguro se necessário, qualidade dos serviços prestados, etc. No caso das 
seguradoras, o risco operacional é quantificado, como veremos nos próximos 
itens desta unidade.
Sumário
19
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1Risco de crédito
Possibilidade de perda devido ao inadimplemento dos tomadores em honrar 
as prestações devidas que foram assumidas por meio de contrato entre as 
partes.
Utilizando o exemplo do mercado segurador, após a abertura do mercado 
de resseguros, as seguradoras têm um importante risco de crédito, que é a 
recuperação de sinistros de resseguro. Esse risco, como veremos adiante, 
deverá fazer parte da gestão de riscos de uma seguradora (trata-se da gestão 
de riscos da própria seguradora, e não da gestão de riscos de segurados).
Risco acidental
Possibilidade da ocorrência de perda à organização, originada por acidente 
envolvendo diretamente o patrimônio, pela geração de responsabilidade civil, 
por perda de receita, ou por perda de recursos humanos. Tradicionalmente, 
mas não necessariamente, os riscos acidentais são aqueles que são trans-
feridos (na totalidade ou parcialmente) ao mercado segurador. A gestão de 
riscos acidentais serão objeto de estudo das unidades 2, 3, 4 e 5.
Risco da perda de reputação
Refere-se à perda real ou percebida da reputação, ou deterioração da marca.
Em época de intensa atividade das redes sociais, sabemos que a perda de 
reputação de uma marca pode levar ao fim da existência de uma organização.
1.4.2 
Riscos de mercado
São riscos de origem externa à organização com característica sistêmica 
(não atinge somente uma organização, mas setores da economia).
Risco da taxa de juros
Refere-se à possibilidade da taxa de juros diminuir ou se elevar.
Sumário
20
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Risco da taxa de câmbio
Possibilidade de variação do valor da moeda de um país em relação ao valor 
da moeda de outro país.
Risco do preço das commodities 
(mercadorias)
Possibilidade do preço das commodities – por exemplo, petróleo – aumentar 
ou diminuir.
Risco político
Possibilidade de perdas financeiras decorrentes de posturas políticas ado-
tadas no país em que se encontram investidos os ativos da organização.
Risco social
Possibilidade de perdas financeiras decorrentes de alterações no nosso con-
vívio social e, muita vezes, de alcance mundial, como o risco de pandemias 
e mudanças climáticas.
1.5 
Gestão de riscos em 
instituições financeiras
A Gestão de Riscos em Instituições Financeiras tem evoluído de maneira rápi-
da e contínua. Tal desenvolvimento é impulsionado pelos respectivos órgãos 
reguladores, pois essas instituições têm como característica a administração 
de recursos que não são próprios delas.
	Ø No caso dos bancos, eles administram recursos financeiros dos 
correntistas e investidores.
	Ø No caso das seguradoras, elas administram provisões como a 
PPNG – provisão de prêmios não ganhos e PSL –, provisão de 
sinistros a liquidar que são de propriedade dos segurados.
Sumário
21
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
Por essa característica, os órgãos reguladores têm importante papel no 
controle de tais instituições financeiras. Em outras atividades, em que os 
recursos financeiros são dos próprios acionistas, não é função do Estado o 
controle de solvência destas organizações.
Por volta dos anos 2000, tivemos escândalos financeiros de repercussão 
mundial, citando os casos do Banco Barings, Enron, WorldCom, entre outros.
Nesse contexto mundial, foram desenvolvidos pelos Órgãos Reguladores 
os acordos de Basiléia 1 e 2 para o sistema bancário, e Solvências 1 e 2 para 
mercado segurador (seguradoras e resseguradoras).
Essa é a origem da gestão de riscos que encontramos hoje nas seguradoras 
e resseguradoras, com os mecanismos de governança corporativa, com-
pliance, controles internos e auditoria interna.
1.6 
Os caminhos da gestão de riscos
O desenvolvimento da gestão de riscos como processo estruturado ocorreu 
por caminhos diferentes e convergentes, como vimos na gestão de riscos de 
instituições financeiras e veremos na gestão de riscos acidentais, contribuindo 
e sendo consolidadas na ISO 31000.
Portanto, a ISO 31000 não foi fruto de um trabalho científico em que se 
tenha descoberto a gestão de riscos; foi, antes, resultado das necessidades 
da administração dos riscos que podem prejudicar a organização ou uma 
área específica em atingir seus objetivos.
Sumário
22
Gerenciamento de Riscos | Unidade 1
1.7 
Resumo
A gestão de riscos é um processo estruturado de responsabilidade da orga-
nização, mas que pode ter consultoria (prestação de serviços gratuita ou não) 
dos players do mercado de seguros (corretores de seguros, seguradoras, 
corretores de resseguro, resseguradoras).
A gestão de riscos foi normatizada por meio da ISO 31000, cuja primeira 
edição ocorreu no ano de 2009, sendo revisada em sua segunda edição no 
ano de 2018. Essa norma tem duas características importantes: a vantagem 
de ser extremamente abrangente nos níveis estratégico, operacional, de 
programas ou de projetos, servindo para qualquer tipo de organização ou 
atividade, o que gera a desvantagem de possuir pouco detalhamento para 
uma organização ou atividade. Portanto, sua aplicação deve respeitar seus 
princípios e diretrizes, mas precisa ser personalizada para uma aplicação 
específica.
Nela, encontramos a definição de risco enquanto “efeito	das	incertezas	nos	
objetivos”. O efeito pode ser negativo (o que significa perdas), mas pode ser 
positivo (significa que a gestão de riscos pode gerar oportunidades de ganho).
Uma consequência importante das definições encontradas na ISO 31000 é 
que a gestão de riscos não garante que os objetivos sejam atingidos, mas 
aumenta o probabilidade de atingi-los.
Sob o ponto de vista da gestão de riscos, podemos ter os riscos	da	operação 
(que estão no controle da organização) e os riscos de mercado (riscos sis-
têmicos que não estão no controle direto da organização, mas que deverão 
ser identificados, analisados e, se for o caso, tratados).
Finalmente, a gestão de riscos é um processo abrangente que pode utilizar 
o seguro como uma ferramenta de financiamento de riscos por meio de 
transferência.
Sumário
23
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 1
Fixando conceitos 1
Marque	a	alternativa	correta	nas	questões	abaixo:
1. Riscos e gestão de riscos fazem parte do cotidiano no mercado de segu-
ros. Esse processo é normatizado internacionalmente por meio de normas, 
que, no Brasil, são publicadas pela ABNT. O responsável pelo programa de 
gestão de riscos de uma organização é o :
(a) Corretor de seguros.
(b) Seguradora.
(c) Resseguradora.
(d) Própria organização.
(e) Corretora de resseguros.
2. A gestão de riscos é aplicável em todas as áreas de nossa economia. Ela 
passou a ser objeto de normatização a partir de 2009, com a publicação 
da Norma ISO 31000. Nessa norma, são encontradas os princípios e as 
diretrizes da gestão de riscos, e é:
(a) De aplicação restrita no Brasil.
(b) De aplicação no mercado internacional, mas não no Brasil, pois é uma 
norma estrangeira.
(c) De aplicação internacional, inclusive no Brasil.
(d) Disponibilizada somente em inglês.
(e) Específica e detalhada para cada tipo de atividade.
3. O termo risco é utilizado de diversas maneiras no nosso dia a dia. Com a 
publicação da Norma ISO 31000, em 2009, a gestão de riscos passou a con-
tar com normativo específico. De acordo com essa Norma, risco é o efeito:
(a) Das incertezas nos objetivos.
(b) Negativo das incertezas nos objetivos.
(c) Positivo das incertezas nos objetivos.
(d) Das certezas nos objetivos.
(e) Das incertezas nos riscos acidentais.
Sumário
24
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 1
4. A gestão de riscos, na visão da ISO 31000, foca os riscos de maneira integra-
da, ou seja, considera os riscos de origem interna e externa à organização. Os 
riscos que representam o efeito das incertezas nos objetivos são divididos em 
várias categorias. A entrada de concorrentes com nova tecnologia é um risco:
(a) Sistêmico.
(b) De mercado.
(c) Do negócio.
(d) De crédito.
(e) Financeiro.
5. A gestão de riscos em instituições financeiras iniciou seudesenvolvimento 
em torno dos anos 2000, anterior à publicação da ISO 31000. Ela desenvol-
veu mecanismos de governança corporativa, compliance, controles internos 
e auditoria interna. No processo de gestão de riscos na visão da ISO 31000, 
a personalização da norma para uma atividade específica, como no caso 
instituições financeiras, ocorre na fase:
(a) Escopo, contexto e critério.
(b) Identificação de riscos.
(c) Análise de risco.
(d) Avaliação de riscos.
(e) Tratamento de riscos.
6. A normatização do processo de gestão de riscos teve início com a publi-
cação da ISO 31000. A primeira versão dessa norma ocorreu em 2009. 
Com isso, podemos afirmar que:
(a) Não existia gestão de riscos antes de 2009.
(b) Todas as normas referentes à gestão de riscos devem, obrigatoriamente, 
seguir suas diretrizes a partir de 2009.
(c) Todas as normas sobre gestão de riscos foram revogadas em 2009, 
sendo fixados prazos para sua adaptação.
(d) Foi fixado um período de adaptação das normas de gestão de riscos a 
partir de 2009 até 2018, quando ocorreu a publicação da primeira revi-
são da norma.
(e) A norma estabelece diretrizes e orientações, sendo que o alinhamento 
com a ISO 31000, a partir de 2009, não tem caráter obrigatório.
Consulte o gabarito clicando	aqui.
Sumário
Objetivos
Tópicos da Unidade
2.1 Gestão de riscos acidentais
2.2 Passo 1 – Identificação 
e análise das exposições 
a perdas
2.3 Passo 2 – Exame das 
técnicas de gestão de riscos 
acidentais disponíveis
2.4 Passo 3 – Seleção do melhor 
conjunto de técnicas
2.5 Passo 4 – Implantação 
das técnicas escolhidas
2.6 Passo 5 – Monitoramento e 
melhoria do Programa de 
Gestão de Riscos Acidentais
2.7 Resumo
Fixando conceitos 2
	Ø Entender a personalização da ISO 31000 para 
Gestão de Riscos Acidentais.
	Ø Conhecer as exposições a perdas nos seus cinco 
blocos, e cada bloco com suas três dimensões.
	Ø Aplicar os cinco passos da gestão de riscos 
acidentais.
Gestão de riscos 
acidentais
2 
26
Quando comparado aos seguros, o processo de gestão de riscos acidentais 
tem o desenvolvimento bem mais recente.
O princípio do mutualismo, que é a base dos seguros, foi desenvolvido milha-
res de anos antes de Cristo, quando as perdas dos camelos nas viagens pela 
antiga Babilônia eram divididas entre os participantes da empreitada.
O Seguro, na sua versão moderna, iniciou-se no século XVIII com as viagens 
marítimas e com a Primeira Revolução Industrial.
A força motriz da Primeira Revolução Industrial foram as máquinas a vapor, 
que para sua geração necessitavam de caldeiras, que por sua vez eram 
muito sujeitas ao evento de explosão. Surge na Inglaterra o Seguro de Boiler 
Explosion and Inspection (seguro de explosão e inspeção de caldeiras), o que 
nos nossos dias seria equivalente à combinação da técnica de prevenção de 
perdas com transferência via seguros.
Não houve evolução importante da gestão de riscos acidentais até a 2ª 
Guerra Mundial no século XX.
Se lembramos da 1ª Guerra Mundial, veremos que foi uma guerra de trin-
cheiras, onde os espaços físicos eram conquistados aos poucos.
27
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
Já a 2ª Guerra Mundial foi uma guerra com destaque para a tecnologia, que 
abrangeu desde o rápido desenvolvimento da aviação até o lançamento das 
bombas atômicas.
Ao fim desta guerra, verificou-se que os artefatos, sistemas e equipamentos 
nem sempre funcionavam como o esperado, podendo-se afirmar que existia 
risco, ou seja, existia o “efeito das incertezas nos objetivos” (ISO 31000). A 
primeira versão da ISO 31000 é de 2009, mas é importante perceber que 
ela foi fruto do desenvolvimento de vários assuntos que convergiram para 
a gestão de riscos.
A partir de então, começou a se desenvolver a gestão de riscos acidentais, 
mas com foco qualitativo (o que e como pode acontecer), mas sem enfoque 
quantitativo (quantas vezes pode ocorrer e qual a extensão da consequência 
financeira das perdas).
Em torno do ano de 1980, ocorreram dois eventos catastróficos que induziram 
a introdução da análise quantitativa na gestão de riscos acidentais. Em 1986, 
após a explosão da nave espacial Challenger, a NASA (Agência Aero Espacial 
Americana) passou a exigir a análise qualitativa de confiabilidade e dos riscos 
em suas missões espaciais e começou a desenvolver critérios quantitativos 
da análise dos riscos. Da mesma maneira, a Agência Regulatória Nuclear 
Americana (NUREG) passou a exigir análise probabilística de segurança após 
o acidente nuclear ocorrido na planta nuclear de Three Mile Island em 1979.
Assim, a gestão de riscos acidentais adquiriu o formato hoje existente, com 
análise dos riscos do ponto de vista qualitativo e quantitativo.
2.1 
Gestão de riscos acidentais
Riscos acidentais são eventos súbitos e imprevistos que causam perdas à 
organização.
Se considerarmos que o objetivo de uma organização (ou de uma de suas 
áreas) é não sofrer perdas em decorrência de acidentes, temos que estes 
eventos são efeitos (negativos) da incerteza nos objetivos.
Portanto, riscos acidentais são abrangidos pela definição de riscos da ISO 
31000, e o processo nela previsto também é aplicável, com adaptações, aos 
riscos acidentais.
A gestão de riscos acidentais é um processo composto de cinco passos, 
baseado nos preceitos da ISO 31000 e adaptado para riscos acidentais.
Sumário
28
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
2.2 
Passo 1 – Identificação e análise 
das exposições a perdas
	Ø Para identificação, as exposições a perdas acidentais são 
agrupadas nos blocos patrimonial, responsabilidade civil, 
pessoas-chave, receita líquida e Pessoa Física. Cada bloco é 
analisado em três	dimensões:	itens	expostos	a	perdas,	riscos	
que	causam	estas	perdas,	consequências	financeiras	das	
perdas.
	Ø Para análise, os riscos identificados são classificados por 
frequência e severidade.
	Ø O resultado do passo 1 – identificação e análise das exposições a 
perdas podem ser condensados na matriz de riscos.
MATRIZ DE RISCOS
FREQUÊNCIA
SEVERIDADE
Insignificante Significativa Severa Catastrófica
Alta
Média
Baixa
Remota
Não serão objeto do processo da gestão de riscos.
São riscos que merecem atenção da gestão de riscos.
Obrigatoriamete, deverão ser objeto do processo de gestão de riscos.
Sumário
29
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
2.3 
Passo 2 – Exame das 
técnicas de gestão de riscos 
acidentais disponíveis
De maneira ampla e genérica, as técnicas disponíveis são classificadas em:
1. Técnicas de controle de riscos, cujo princípio é reduzir a 
frequência e/ou severidade.
2. Técnicas de financiamento de riscos, cujo princípio é que alguém 
pague a perda (este alguém pode ser a própria organização quando 
é utilizada a técnica de Retenção, que será vista neste capítulo).
2.3.1 
Técnicas de controle de riscos
As técnicas de controle de riscos disponíveis para reduzir a frequência e/ou 
severidade são:
	Ø Evitar	a	exposição: significa eliminar a frequência e severidade. 
Sua aplicação é restrita a alguns casos específicos, por exemplo, 
mudar para um local mais alto para evitar o risco de alagamento/ 
inundação, deixar de produzir um produto para evitar o risco 
de causar danos a terceiros. Como regra geral, ao se evitar a 
exposição, a organização fica fora daquela linha de negócio ou 
produto. Esta técnica não deve ser confundida com prevenção 
de perdas ou redução de perdas, pois evitar a exposição significa 
eliminar a frequência e a severidade.
	Ø Prevenção	de	perdas: técnica muito utilizada na gestão de riscos 
acidentais que consiste em medidas que reduzam a frequência 
das perdas.
	Ø Redução	de	perdas:	técnica também muito utilizada 
conjuntamente com a prevenção de perdas, em que se busca 
diminuir a severidade da perda. Na prevenção de perdas, 
procura-se evitar que aconteça. Se acontecer, a redução de 
perdas reduz a severidade. Exemplificando, no evento Incêndio, 
Sumário
30
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
manutenção elétrica de equipamentos e procedimentosde 
segurança são medidas de prevenção de perdas (evitam que 
aconteça, ou seja, diminuem a frequência); enquanto hidrantes 
e sprinklers são medidas de redução de perdas (se acontecer, 
controlam a severidade).
	Ø Segregação	da	exposição	por	separação:	busca reduzir o 
impacto de uma perda, diminuindo a concentração de exposição 
a perda. Por exemplo, utilizando dois armazéns isolados em 
vez de concentrar todas mercadorias num único local; no caso 
de viagens aéreas, separar o grupo de executivos da mesma 
empresa em dois ou mais voos separados.
	Ø Segregação	da	exposição	por	duplicação:	muito usado em 
assuntos que envolvam informática, existindo um site reserva 
que pode ser utilizado caso ocorra algum problema no site 
principal. Esta técnica é utilizada em situações específicas, pois 
existe o custo da manutenção da função duplicada (no caso da 
informática, manutenção do site reserva que só será utilizado em 
caso de problema com o site principal).
	Ø Transferência	contratual	do	controle	de	riscos:	a 
responsabilidade do controle de riscos é transferida 
contratualmente. Por exemplo, na terceirização de um serviço 
pela organização, o contrato entre as partes prevê que as 
medidas de controle de riscos deverão ser assumidas pela parte 
terceirizada.
2.3.2 
Técnicas de financiamento de riscos
As técnicas de financiamento de riscos, nas quais alguém paga a perda, são 
divididas em retenção e transferência.
Retenção, em que a perda é paga pela própria organização, nas seguintes 
situações:
	Ø A organização assume as perdas como despesas correntes;
	Ø A organização cria uma reserva (contábil) sem fundos financeiros;
	Ø A organização cria uma reserva (contábil) com fundos financeiros;
	Ø Cria-se uma linha de crédito a ser utilizada em caso de perdas;
Sumário
31
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
	Ø Utiliza-se de seguradora cativa, que é classificada como 
retenção, pois a seguradora cativa é uma empresa que pertence 
ao mesmo grupo econômico da organização.
Transferência contratual, em que a perda é paga por outra organização:
	Ø Transferência	contratual	de financiamento de riscos, em que 
a outra parte se obriga ao pagamento de perdas no caso de 
ocorrência de algum evento. Por exemplo, existem derivativos 
relacionados ao tempo meteorológico. Nas plantações de arroz 
na Tailândia, é desejável que o índice pluviométrico se situe 
entre um mínimo e um máximo. Abaixo do mínimo e acima do 
máximo, a plantação será prejudicada. Caso isso ocorra, é feito 
pagamento ao agricultor (observe que é diferente do seguro 
agrícola, em que seria necessário medir a quebra da safra para 
cálculo da indenização). Atualmente, temos esse tipo de operação 
também abrangido pelos seguros paramétricos.
	Ø Seguros
Importante perceber que o seguro é uma das técnicas de financiamento de 
riscos por transferência. O seguro surgiu antes da gestão de riscos se tor-
nar um processo estruturado e pode ser utilizado como uma das técnicas de 
financiamento de riscos (transferência), o que não diminui sua importância.
Sumário
32
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
2.4 
Passo 3 – Seleção do melhor 
conjunto de técnicas
Tendo verificado quais técnicas de controle de riscos e financiamento de riscos 
são aplicáveis, no passo 3, seleciona-se o conjunto de técnicas a serem aplicadas.
Lembrando que os recursos financeiros da gestão de riscos acidentais são limi-
tados, deverá ser escolhido o conjunto de técnicas que propicie o melhor retorno.
Normalmente, são utilizados critérios financeiros, montando cenários, esti-
mando as perdas e os custos envolvidos nas técnicas de controle e financia-
mento de riscos. Eventualmente, podem ser utilizados critérios relacionados à 
experiência anterior e preferências dos tomadores de decisão da organização.
2.5 
Passo 4 – Implantação das 
técnicas escolhidas
É uma atividade interna da organização que envolve decisões técnicas e 
decisões gerenciais, pois existe necessidade da disseminação da cultura da 
gestão de riscos dentro da organização. A implantação das medidas sem o 
envolvimento da organização como um todo pode gerar resultados insatis-
fatórios da gestão de riscos.
2.6 
Passo 5 – Monitoramento e 
melhoria do Programa de 
Gestão de Riscos Acidentais
Neste passo, é necessário:
	Ø Garantir que o programa tenha sido corretamente implantado;
Sumário
33
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
	Ø Detectar alguma mudança no ambiente e implantar alterações, 
se necessário;
	Ø Implantar medidas de resultado e medidas de atividades da 
gestão de riscos acidentais.
Para estudarmos os riscos acidentais nas próximas unidades, dividiremos as 
exposições a perdas em cinco blocos:
Bloco 1
Patrimônio.
Bloco 2
Responsabilidade Civil.
Bloco 3
Pessoas-chave.
Bloco 4
Receita Líquida.
Bloco 5
Pessoas.
Cada um destes cinco blocos será analisado por meio de três dimensões:
Dimensão 3
Consequências financeiras das perdas.
Dimensão 2
Riscos que causam as perdas.
Dimensão 1
Itens expostos a perdas.
Terminando esta unidade, vale esclarecer alguns equívocos que encontra-
mos no nosso mercado.
Sumário
34
Gerenciamento de Riscos | Unidade 2
	Ø A gestão de riscos acidentais é um processo sequencial 
constituído de vários passos nos quais o seguro é uma das 
alternativas de financiamento de risco via transferência. O seguro 
é importante e muito utilizado na gestão de riscos acidentais, 
fazendo parte dela (e não o contrário).
	Ø Subscrição de riscos é uma atividade exclusiva da seguradora ou 
resseguradora que se constitui na aceitação, recusa ou aceitação 
com modificações dos riscos a elas oferecidos.
	Ø Inspeção de riscos é uma atividade de coleta de dados físicos do 
risco que fornece subsídios para a subscrição de riscos.
	Ø Inspeção de loss control (controle de perdas) é uma inspeção mais 
especializada que visa identificar e sugerir medidas de mitigação 
de riscos da organização.
	Ø Regulação de sinistros é uma atividade de verificação das causas 
e apuração dos prejuízos decorrentes de um sinistro.
2.7 
Resumo
A gestão de riscos acidentais, enquanto processo estruturado, teve impulso 
no século XX, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, compreen-
dendo a parte qualitativa e quantitativa.
Para instrumentalizar o processo de gestão de riscos acidentais, utiliza-
mos o conceito de exposição a perdas, por meio dos blocos Patrimônio, 
Responsabilidade civil, Pessoas-chave e Receita líquida, e cada um desses 
blocos nas dimensões itens sujeitos a perda, riscos que causam as perdas e 
consequências financeiras da perdas.
O processo de gestão de riscos acidentais é composto de cinco passos, baseado 
nos preceitos da ISO 31000 e adaptado para riscos acidentais. Seus passos são:
Passo 1 – Identificação e análise das exposições a perdas;
Passo 2 – Exame das técnicas de gestão de riscos acidentais disponíveis;
Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas;
Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas;
Passo 5 – Monitoramento e melhoria do programa de gestão de riscos acidentais.
Sumário
35
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 2
Fixando conceitos 2
1. O processo de gestão de riscos teve sua normatização em 2009 por meio 
da ISO 31000. Independentemente da normatização, seguros e gestão de 
riscos acidentais já coexistiam há muito tempo. Nesse sentido, podemos 
dizer que a Gestão de Riscos Acidentais:
(a) Iniciou sua evolução antes do surgimento do seguro.
(b) Faz parte exclusivamente do seguro.
(c) Trata apenas dos riscos de negócios da organização.
(d) Está detalhada na ISO 31000.
(e) Tem no seguro uma de suas técnicas de financiamento de riscos.
2. Conforme a ISO 31000, risco é o efeito da incerteza nos objetivos e a 
gestão de riscos acidentais é uma das aplicações da ISO 31000. Na gestão 
de riscos acidentais, o efeito é:
(a) Positivo.
(b) Negativo.
(c) Positivo ou negativo.
(d) Nem positivo nem negativo.
(e) Inexistente.
Marque a alternativa correta:
3. A gestão de riscos acidentais é um processoque visa mitigar os efeitos 
de um acidente. Ela é um processo estruturado composto de várias etapas. 
No programa de gestão de riscos acidentais:
(a) Os cinco passos deverão ser seguidos em ordem sequencial.
(b) O monitoramento é dispensável, pois é posterior à implantação do 
programa.
(c) Todas técnicas de controle e financiamento de riscos identificadas deve-
rão ser implantadas.
(d) Evitar a exposição é uma técnica perfeita e sempre deverá ser implantada.
(e) Seguro é independente e não faz parte do programa de gestão de ris-
cos acidentais.
Sumário
36
Gerenciamento de Riscos | Fixando Conceitos 2
4. Riscos acidentais são eventos súbitos e imprevistos que causam perdas à 
organização. Na gestão de riscos acidentais, temos quatro blocos. O prédio 
e conteúdo de uma organização pertencem ao bloco:
(a) Patrimônio.
(b) Responsabilidade civil.
(c) Receita líquida.
(d) Pessoas.
(e) Receita bruta.
5. Ao final da Identificação e Análise dos Riscos, temos cada risco classificado 
por frequência e severidade. Para facilidade de visualização e classificação 
dos riscos, eles são alocados em um instrumento de fácil visualização. Tal 
instrumento é denominado:
(a) Matriz de eventos.
(b) Planilha de decisão.
(c) Relatório de definição.
(d) Matriz de riscos.
(e) Relatório do conselho de administração.
6. No processo de gestão de riscos acidentais, temos vários passos a serem 
seguidos. Eles devem ser seguidos de maneira sequencial, para que seja 
garantida a efetividade do programa de gestão de riscos. Implantar medi-
das de resultado e medidas de atividades da gestão de riscos acidentais é 
encontrado no passo:
(a) Identificação e análise das exposições a perdas.
(b) Exame das técnicas de gestão de riscos disponíveis.
(c) Seleção do melhor conjunto de técnicas.
(d) Implantação das técnicas escolhidas.
(e) Monitoramento e melhoria do programa de gestão de riscos acidentais.
Consulte o gabarito clicando	aqui.
Sumário
Objetivos
Tópicos da Unidade
3.1 Bens da organização
3.2 Exposição a perdas
3.3 Identificação e 
análise de riscos
3.4 Medidas de controle de 
riscos e financiamento 
de riscos
3.5 Resumo
Fixando conceitos 3
	Ø Entender as exposições a perdas do bloco 
patrimônio, considerando as dimensões: itens 
expostos a perdas, riscos que causam as perdas, 
consequências financeiras das perdas.
	Ø Compreender o que são e quais são os bens 
tangíveis e intangíveis, analisando exemplos 
práticos.
	Ø Reconhecer medidas de controle de riscos e 
financiamento de riscos do bloco patrimônio.
Gestão de riscos 
acidentais – 
patrimônio
3 
38
3.1 
Bens da organização
O patrimônio da organização corresponde ao seu ativo e é composto de 
bens tangíveis e bens intangíveis.
3.1.1 
Bens tangíveis
Os bens tangíveis são ativos da organização que são concretos e que podem 
ser tocados. Eles podem ter:
	Ø Origem natural, ou seja, não foram produzidos pelo homem, 
mas fazem parte do patrimônio da organização. Como exemplo, 
temos terrenos, lagos, cursos d’água naturais, vegetação nativa, 
florestas naturais, etc.
39
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
	Ø Origem na exploração dos recursos naturais pelo homem, 
quer seja pela extração desses recursos (pedras preciosas, 
materiais de insumo para indústrias, petróleo, etc.), quer seja pela 
alteração do meio ambiente para fins de exploração comercial, 
como exemplo a agricultura, piscicultura, criação de animais, 
hidroelétricas, etc.
	Ø Origem na produção de produtos pelo homem, criando e 
construindo benfeitorias, classificados em:
São os bens da organização necessárias para o funcionamento 
da organização. Nessa classificação, temos indústrias, comércios, 
prestação de serviços e residências (incluindo condomínios).
3.1.2 
Bens intangíveis
Os bens intangíveis não podem ser vistos ou tocados, mas são percebidos 
como ativos da organização.
Atenção
Nesta disciplina, estudaremos a gestão de riscos acidentais – 
bloco patrimônio dos bens tangíveis produzidos pelo homem 
(indústria, comércio, prestação de serviços, residencial). 
Para fins da gestão de riscos acidentais, não serão 
considerados os bens intangíveis.
Mercadorias	/	matérias-primas
Maquinismos	/	móveis	/	utensílios
Prédios / instalações
Sumário
40
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
São bens intangíveis da organização as marcas, os valores e os princípios 
presentes na cultura organizacional, a percepção de perenidade, entre outros.
O valor de uma organização é a soma do valor dos bens tangíveis e do valor 
dos bens intangíveis. Ela corresponde ao valor que o mercado pagaria ou 
estaria disposto a pagar pela sua aquisição. Se a organização tiver capital 
aberto negociado em bolsa de valores, a variação de seu valor normalmente 
é explicada pelo valor dos ativos intangíveis, não pelo valor dos ativos tangí-
veis. Os valores dos bens tangíveis sofrem variação positiva ou negativa em 
função das condições do mercado (valor de compra e de venda), e variação 
negativa, em função da depreciação. A variação de valor dos bens tangí-
veis é, normalmente, muito menor do que as oscilações dos valores dos bens 
intangíveis.
Até 50 anos atrás, o valor da organização era muito próximo ao valor dos 
bens tangíveis. Hoje, os valores dos bens intangíveis de uma organização 
podem ultrapassar em muito o valor de seus bens tangíveis. Basta lembrar-
mos de uma rede internacional de fast food e de uma importante fabricante 
de refrigerantes. Por certo, na composição do valor da organização, o valor 
do bem intangível “marca” é muito superior ao valor das suas lojas e fábricas.
Porém, vale registrar que:
	Ø Dependendo do tipo da organização, a gestão de riscos 
acidentais – patrimônio dos bens tangíveis de origem natural – 
assume importância primordial, principalmente em indústrias que 
se dedicam à extração desses recursos. É o caso de mineradoras 
e indústrias extrativistas em geral, para quem a matéria-prima 
são os recursos de origem natural.
	Ø A gestão de riscos dos bens intangíveis, principalmente da 
“marca”, deve abranger vários itens, além dos riscos acidentais. 
A “marca” pode sofrer perda em função de vários eventos, que 
vão desde o atendimento inadequado, passando por produtos 
defeituosos, até acidentes causados aos funcionários, clientes e 
terceiros em geral.
Sumário
41
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
3.2 
Exposição a perdas
O bloco patrimônio, conforme explanado no final da Unidade 2, é entendido 
e estudado por meio de três dimensões:
Dimensão 3
Consequências financeiras das perdas.
Dimensão 2
Riscos que causam as perdas.
Dimensão 1
Itens expostos a perdas.
3.2.1 
Itens expostos a perdas
Para indústria, comércio, prestação de serviços e residencial, os itens dire-
tamente expostos a perdas são:
Prédios e instalações
Corresponde à parte das obras civis e instalações de água, luz, ar condicio-
nado, elevadores, etc. destinados a prover condições para funcionamento 
da organização.
Em alguns casos, principalmente em condomínios, é comum a dificuldade da 
separação de prédios/instalações da parte do conteúdo.
Uma maneira prática é responder a pergunta: o que fazia parte do bem 
quando as instalações foram entregues para uso da organização?
Vamos explorar uma situação prática: um médico aluga um conjunto de salas 
num prédio comercial para instalação de seu consultório. Ele realiza várias 
melhorias, tais como instalação de divisórias, revestimento de paredes, piso 
antiderrapante, etc. O prédio comercial possui cobertura securitária para o 
prédio e áreas comuns. Na eventualidade da ocorrência do evento incêndio, o 
Sumário
42
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
seguro do condomínio do prédio comercial cobrirá as obras civis e instalações 
existentes antes da locação, não cobrindo as melhorias por ele feitas (embora 
essas melhorias possam ser consideradas como incorporadas ao prédio e 
às instalações, elas não fazem parte da cobertura securitária fornecida ao 
condomínio comercial).Caso o médico deseje cobertura para as melhorias 
e o conteúdo do consultório (computadores, mesas, cadeiras, armários, 
macas, etc.), ele deverá contratar um seguro em que ele seja o beneficiário.
Maquinismos, móveis e utensílios
Maquinismos, móveis e utensílios fazem parte do conteúdo da organização. 
Esses bens pertencem à organização ou estão sob sua guarda e controle, 
podendo ser removidos ou alocados sem alterar a parte física da construção 
(prédios e instalações).
Um raciocínio prático é considerar como maquinismos, móveis e utensílios 
os bens que podem ser removidos em caso de mudança de endereço da 
organização sem alterar a estrutura física do imóvel. Voltando ao exemplo 
do consultório instalado no prédio comercial, caso o médico mude seu con-
sultório para outro local, certos itens do consultório, como computadores, 
mesas, cadeiras, armários, macas, etc. serão transferidos e, portanto, podem 
ser considerados conteúdos. Já as melhorias feitas (divisórias, revestimento 
de paredes, piso antiderrapante, etc.) serão incorporadas ao prédio e ins-
talações, não sendo consideradas conteúdos.
Mercadorias e matérias-primas
Mercadorias e matérias-primas fazem parte do conteúdo da organização, 
mas, ao contrário dos maquinismos/móveis/utensílios, têm como característica 
ficar pouco tempo sob posse e guarda da organização. As matérias-primas 
serão incorporadas aos produtos produzidos pela indústria, e as mercadorias 
são bens que serão comercializados pela indústria e comércio. Então, como 
regra geral, mercadorias e matérias-primas não fazem parte dos bens de 
organizações dedicadas à prestação de serviços ou residencial.
As mercadorias e matérias-primas a serem consideradas para fins de gestão 
de riscos no bloco patrimônio são aquelas que se encontram nas instalações 
físicas ou sob responsabilidade da organização, e também quando em trans-
porte nos vários modais – terrestre, aéreo ou fluvial.
Para visualizar os itens expostos a perdas, vamos utilizar o exemplo de uma 
padaria que utiliza o conceito de “butique de pães”. Essa organização será 
utilizada no transcorrer do curso para exemplificar diversas situações.
Sumário
43
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
	Ø Prédio e instalações: parte civil da padaria, englobando 
fundações, estrutura, alvenaria, cobertura e acabamentos, 
instalações de ar condicionado, escada rolante e elevador.
	Ø Maquinismos,	móveis	e	utensílios: fornos, máquinas de 
lavar louça, caldeiras, misturadores, geladeiras, prateleiras 
(refrigeradas ou não), motores, mesas, cadeiras, armários, 
balcões, utensílios em geral utilizados na cozinha.
	Ø Mercadorias	e	matérias-primas:	produtos comercializados 
(pães, bolos, doces, salgados, enlatados, laticínios, etc.) e insumos 
em geral (farinha, óleo, fermento, etc.)
Quando se fala em itens expostos a perdas, além de prédios/instalações, 
 mercadorias/móveis/utensílios, matérias-primas/mercadorias devem ser 
analisados outros itens que podem compor os expostos a perdas, e que são:
Desentulho do local
Como decorrência de um dano acidental, antes da reconstrução ou reposi-
ção, pode ser necessário o desentulho do local. Por exemplo, num incêndio de 
grandes proporções ocorrido em 21/05/1987 nas duas torres (Sedes 1 e 2) da 
CESP – Companhia Energética de São Paulo, localizado na Avenida Paulista, 
na cidade de São Paulo/SP, antes da reconstrução do prédio foi necessário 
desentulhar o local, incluindo a implosão de uma das torres, o que despen-
deu muitos recursos financeiros para retirada do entulho e limpeza do local.
Despesas de demolição
Trata-se de prédio/instalação que foi parcialmente danificado por um even-
to, mas cuja reconstrução ou reparação pode ser economicamente inviável, 
sendo preferível sua demolição e posterior reposição. Pode ocorrer também 
que uma estrutura, parcialmente danificada, seja condenada pela prefeitura 
local, sendo necessária sua demolição.
Propriedades não danificadas
Uma propriedade não danificada pode perder valor em função da perda 
de sua utilidade, motivada pelos danos sofrido por outra propriedade da 
organização. Alguns exemplos dessa situação:
Sumário
44
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
	Ø Mudança do zoneamento onde a organização está localizada, 
impedindo a reconstrução da parte danificada e gerando perda 
de valor da parte não danificada.
	Ø Desenvolvimento tecnológico do estado da arte do processo onde 
ocorreu a perda. Nesse caso, é possível que não haja interesse 
na retomada do processo como o existente antes do acidente, 
tornando ociosas as partes não danificadas.
	Ø Desinteresse da organização na continuidade das operações na 
unidade onde ocorreu o acidente. As partes não danificadas se 
tornarão ociosas e perderão seu valor funcional.
Aumento dos custos de 
reconstrução ou reparação
Podem ocorrer alterações do código de obras do município, exigindo alte-
rações na reconstrução ou reparação e aumentando seus custos. Com o 
aumento do valor do prédio/instalações, provavelmente ocorrerá aumento 
de impostos como o IPTU.
Valor do conjunto
Pode ocorrer que a perda de uma peça desvalorizará o conjunto como um 
todo. Por exemplo, em uma indústria automobilística, a perda de algum com-
ponente, como os pneus, ocasiona a perda temporária do valor de venda do 
automóvel como um todo. Numa confecção, a perda do estoque de zíperes 
fará com que, temporariamente, o lote da confecção como um todo perca 
valor. Embora a perda de valor do conjunto seja temporária até a reposição 
do bem faltante, isto irá gerar perda de receita da organização.
3.2.2 
Riscos que causam as perdas
São inúmeros os riscos que causam perdas no bloco patrimônio, e é importante 
que haja uma correta identificação destes riscos. A seguir, estão os principais 
riscos identificáveis no bloco patrimonial, agrupados pela origem dos riscos.
Sumário
45
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Riscos com origem na 
atividade da organização
Incêndio
É uma das principais causas de perdas das organizações. O incêndio é carac-
terizado como fogo descontrolado, pois em diversos processos industriais 
que necessitam de calor (processos a quente) é utilizada a chama controlada 
como fonte de calor, o que não caracteriza Incêndio.
Explosão
Pode ter origem em equipamentos que trabalham com pressão (como as 
caldeiras de nossa padaria) ou equipamentos em que são processadas rea-
ções químicas. Tanto explosão como implosão caracterizam-se pelo equilí-
brio súbito de pressão. Na explosão, a pressão interna é maior que a pressão 
externa e, se ocorre o reequilíbrio súbito das pressões interna e externa, temos 
a explosão (de dentro para fora). O mesmo raciocínio se aplica à implosão, 
com a diferença de que, neste caso, a pressão externa é maior que a pres-
são interna. Na ocorrência do equilíbrio súbito de pressão, ocorre a implosão 
(de fora para dentro, dando a impressão de que houve um amassamento).
Fumaça
Não é a fumaça originada de incêndio (os danos originados pela fumaça de 
incêndio fazem parte do evento incêndio), mas sim os danos causados pela fuma-
ça de desarranjos mecânicos das máquinas e equipamentos da organização.
Derrame	e	vazamento	de	água	de	chuveiros	automáticos	(sprinklers)
Os sistemas de sprinklers ficam pressurizados para rápida intervenção em 
caso de princípio de incêndio. O seu disparo acidental, sem necessidade, 
molhará os bens que se encontrarem no seu raio de ação. No nosso exemplo 
da padaria, suponha que o disparo acidental ocorre na área de armazenagem 
de matérias-prima. A consequência será a molhadura e perda deste material.
Desmoronamento
Que pode ser parcial ou total, e pode ter tanto causa interna (falta de manu-
tenção que compromete a estrutura), como por causa externa (deslizamento 
de terra que danifique a estrutura).
Sumário
46
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Rompimento	ou	vazamento	da	rede	de	água	interna	da	organização
Causa molhadura e consequente perda dos bens da organização.
Impacto	de	veículos,	queda	de	aeronaves,	engenhosaeroespaciais
Suponha que nossa padaria se encontre numa esquina movimentada, estan-
do, portanto, sujeita a impacto de veículos que atinjam a organização.
Acidentes	de	origem	súbita	e	imprevista	em	máquinas	e	equipamentos
Os acidentes podem ser de origem interna (que são caracterizados gene-
ricamente como quebra de máquinas) ou de origem externa (tombamento, 
queda de objetos, impacto de empilhadeiras, etc.).
Contaminação	e	deterioração	de	mercadorias	em	ambientes	frigorificados
A falha dos equipamentos pode ter origem interna no funcionamento ina-
dequado deles ou por origem externa, como a falta de energia elétrica por 
períodos prolongados.
Danos elétricos
É a consequência de qualquer desarranjo elétrico ou curto-circuito nas ins-
talações do prédio ou nas maquinas e equipamentos.
Sumário
47
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Riscos com origem na Natureza
Queda	de	raio,	que	pode	ocorrer:
	Ø Dentro do perímetro da organização, ocasionando danos diretos 
pela súbita variação de tensão (danificando equipamentos 
elétricos e eletrônicos) ou pelo calor gerado (causando incêndio).
	Ø Fora do perímetro da organização, que pode gerar sobretensão 
na rede elétrica, causando avarias elétricas nos equipamentos 
elétricos e eletrônicos da organização.
Observação
Os equipamentos elétricos são aqueles que geram calor 
ou trabalho. Por isso, um forno elétrico ou um motor são 
equipamentos elétricos. Já os equipamentos eletrônicos 
têm como função gerar outras funções que não seja calor 
ou trabalho. Assim, o computador é um equipamento 
eletrônico, cuja principal função é gerar informações e 
prover ferramentas de trabalho.
Alagamento e inundação
Que são danos causados por água cuja origem é externa à organização. 
Embora alagamento e inundação sejam usados como sinônimos, no alaga-
mento a fonte externa de água são rios não navegáveis. Na inundação a fonte 
externa de água são rios navegáveis. Os danos causados por fonte interna à 
organização, por exemplo, um rompimento da tubulação que alimenta a rede 
de água da organização, não são considerados alagamento ou inundação.
Vendaval,	furacão,	ciclone,	tornado,	granizo
São fenômenos da natureza que podem danificar parcial ou totalmente as 
instalações da organização.
Riscos com origem no homem
Roubo	e	furto	qualificado	de	bens,	mercadorias	e	valores
São atos praticados por elementos estranhos à organização. Os roubos são 
atos praticados com violência ou intimidação à pessoa. Já o furto qualificado 
é um ato que danifica a estrutura da organização ou que utiliza meios não 
Sumário
48
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
convencionais para acessá-la. As definições de furto qualificado variam e, 
em algumas delas, exige-se a existência de vestígios materiais inequívocos 
para caracterização de tal tipo de furto.
Infidelidade	de	empregados
São os atos lesivos à organização causados por funcionários dela. O desvio 
de verbas, as fraudes em benefício próprio constituem exemplos da infide-
lidade de empregados.
Tumultos
Caracterizam-se pela junção de pessoas que, coletivamente, praticam atos 
que danificam as propriedades da organização.
Cyber	Risks
Danos ao patrimônio da organização em função de ataques cibernéticos; é 
hoje um dos principais riscos emergentes para qualquer organização.
3.2.3 
Consequências financeiras 
das perdas
Uma vez conhecidos os itens expostos a perdas e os riscos que causam perdas, 
partimos para o estudo das consequências financeiras das perdas.
Para medir as consequências financeiras das perdas, é necessário o enten-
dimento de dois conceitos: valoração e parâmetros da qualidade do risco.
Valoração
Sabendo o que é exposto à perda e os riscos que causam esta perda, preci-
samos estabelecer como mensurá-la.
Para tanto, temos três conceitos importantes:
Valor de novo
Constitui o valor dos bens do segurado no seu estado de novo.
Sumário
49
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
No caso de prédio e instalações, é o seu valor para reconstrução 
no dia de hoje. A resposta à pergunta “quanto se gastaria para 
construir o prédio e instalações na data de hoje?” é o valor de 
novo.
No caso de maquinismos/móveis/utensílios, é o valor para 
instalação de equipamentos novos na data de hoje. A resposta 
à pergunta “quanto se gastaria para comprar na data de hoje 
novos maquinismos, móveis e utensílios?” fornece o valor de novo 
dos maquinismos/móveis/utensílios.
No caso de mercadorias e matérias-primas, é o valor de venda 
das mercadorias ou valor de compra das matérias-primas.
Valor atual
É o valor de novo menos a depreciação. O valor de novo para 
prédios/instalações ocorre no dia em que o prédio foi entregue. 
Da mesma maneira, o valor de novo dos maquinismos/móveis/
utensílios ocorre quando estes bens são comprados e instalados 
no estado de novo. Já no dia seguinte, começa o processo de 
depreciação física do bem.
Como mercadorias/matérias-primas não são bens a serem 
incorporados ao prédio ou conteúdo (matérias-primas são 
bens que serão incorporados às mercadorias para posterior 
venda), não existe depreciação a ser aplicada. Este é um dos 
motivos pelos quais o conteúdo da organização é dividido em (1) 
maquinismos/móveis/utensílios, que sofrem depreciação, e (2) 
mercadorias/matérias-primas que não sofrem depreciação.
Depreciação	física
Ocorre pelo uso, desgaste de um bem físico.
Um ponto importante é que existem vários critérios de 
depreciação, que levam a valores diferentes e, portanto, a 
valores atuais diferentes.
Os métodos de cálculo de depreciação normalmente utilizados 
são: linha reta, Ross e Ross-Heidecke.
Somente para fins de ilustração, utilizaremos o seguinte exemplo:
Valor de novo do bem: R$ 1.000.000,00
Idade	aparente:	5 anos
Vida útil: 10 anos
Valor residual (valor do bem ao final de sua vida útil): zero
Sumário
50
Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
Método de 
depreciação Depreciação	 Valor atual
Linha Reta 50,00% R$ 500.000,00
Ross 37,50% R$ 625.000,00
Ross-Heidecke 42,56% R$ 574.437,50
Observação
Duas	observações	importantes	sobre	valoração:
1. Métodos diferentes de depreciação levam a valores 
diferentes de valor atual, que são importantes para 
medição das consequências financeiras das perdas.
2. Não se deve utilizar a depreciação contábil para fins de 
valoração. Na valoração devem ser utilizados métodos 
que meçam a depreciação física.
Parâmetros da qualidade do risco
Os dois principais parâmetros para medição da qualidade do risco são PMP 
– Perda Máxima Possível e DMP – Dano Máximo Provável.
Estes parâmetros são utilizados para todos riscos analisados pela gestão de 
riscos acidentais, mas, para fins de seu entendimento, utilizaremos a causa 
de perda Incêndio.
A PMP
Perda Máxima Possível no Risco de Incêndio, de maneira 
simplificada, é a perda total do maior risco isolado. Voltando 
ao exemplo adotado da padaria, suponhamos que ela tenha 
uma matriz que constitui um risco isolado no valor de R$ 
15.000.000,00 e uma filial localizada em outro bairro com valor 
de R$ 10.000.000,00. Embora o valor em risco da padaria seja 
de R$ 25.000.000,00, e considerando que não teremos o evento 
Incêndio que atinja as duas unidades ao mesmo tempo, temos 
que a consequência financeira para o evento Incêndio será de R$ 
15.000.000,00 (PMP), e não R$ 25.000.000,00.
Sumário
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Gerenciamento de Riscos | Unidade 3
O DMP
Dano Máximo Provável é a perda esperada considerando 
os sistemas protecionais existentes (brigada, extintores, 
hidrantes, sprinklers, etc.). Embora a PMP da Matriz seja de 
R$ 15.000.000,00, considerando a atuação dos sistemas 
protecionais, temos que, através da análise de cenários, o DMP 
será de 20%, ou seja, R$ 3.000.000,00.
Do ponto de vista da gestão de riscos, quanto maior a distância do DMP para 
o PMP, melhor será a qualidade do risco. Na nossa padaria, se o DMP for 
igual ao PMP, significa que ela não dispõe de sistemas protecionais eficientes.
3.3 
Identificação e análise de riscos
Para a identificação de riscos, existem

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