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Louys Henrique Araújo Prado Conteúdo: Reprodução e nutrição de bovinos de corte (página 1 a 6) Manejo de parição e da cria (página 6 a 13) Suplementação de bovinos de corte em pastagens (página 14 a 16) Terminação de bovinos de corte em confinamento Eficiência de produção A produção de carne de qualidade está relacionada à eficiência do sistema produ vo. Isso envolve várias áreas interconectadas que precisam ser o mizadas para maximizar a rentabilidade e a sustentabilidade da a vidade. 1. Nutrição: A alimentação adequada das vacas e bezerros é essencial para garan r boa saúde, crescimento e produ vidade. Vacas bem alimentadas têm melhor condição corporal, o que reflete diretamente na capacidade de concepção e no sucesso reprodu vo. Além disso, a qualidade da nutrição impacta o ganho de peso dos bezerros e, consequentemente, a qualidade da carne que será produzida. 2. Sanidade: A saúde do rebanho é crucial. A ausência de doenças e parasitas garante que os animais a njam seu pleno potencial produ vo. Isso inclui o controle de ectoparasitas, vacinação e cuidados gerais de manejo sanitário. A sanidade do rebanho também está diretamente relacionada à eficiência reprodu va, já que problemas sanitários podem reduzir a fer lidade das vacas e o crescimento dos bezerros. 3. Reprodução: Um manejo reprodu vo eficiente é fundamental para garan r que as vacas produzam um bezerro por ano, dentro do ciclo de produção planejado. O controle da estação de monta é uma das estratégias mais importantes, pois concentra o nascimento dos bezerros em épocas favoráveis, o mizando a u lização das pastagens e garan ndo bezerros mais homogêneos. Técnicas reprodu vas, como a inseminação ar ficial, também podem ser u lizadas para melhorar a gené ca e aumentar as taxas de concepção. Manejo Reprodu vo Metas do manejo reprodu vo para alcançar uma maior eficiência na bovinocultura de corte: Reduzir a idade ao primeiro parto: 24 aestão mais abundantes e nutri vas. Isso garante que as fêmeas estejam bem alimentadas durante a lactação e a gestação, o que favorece a reprodução e a saúde dos bezerros. Disciplinar as a vidades de manejo: O estabelecimento de uma estação de monta ajuda a disciplinar as a vidades de manejo, organizando melhor as fases de cria, recria e reprodução. Isso facilita o planejamento do manejo do rebanho, pois todas as a vidades de cuidado e produção acontecem de maneira sincronizada, o que permite maior controle sobre os recursos e as metas de produção. Previsão e programação da quan dade de animais a serem comercializados: Com a estação de monta bem definida, é possível prever com mais precisão o número de bezerros que serão gerados em cada período. Isso facilita o planejamento de vendas e comercialização, ajustando o ciclo produ vo de acordo com a demanda do mercado. Por exemplo, é possível concentrar os partos em um período específico, garan ndo que os bezerros nasçam em uma época favorável para a comercialização de carne ou reposição. Estabelecimento de um período de monta é uma prá ca de fácil adoção e sem custo para o produtor: A implementação de uma estação de monta é uma medida simples e de baixo custo, já que envolve basicamente o controle sobre o período de acasalamento dos animais. A prá ca permite uma organização mais eficiente do rebanho, sem grandes inves mentos adicionais, e tem um impacto direto na produ vidade e no controle da alimentação e sanidade do rebanho. Gráfico (ciclo de nascimento, cobertura e desmama): O gráfico mostra o ciclo de produção do rebanho e como a estação de monta se alinha com o aumento da disponibilidade de forragem (época das águas). Ele demonstra a relação entre os períodos de nascimento, cobertura e desmama, o que ajuda a sincronizar o nascimento dos bezerros com a época de maior disponibilidade de nutrientes. Isso é importante porque garante que as vacas e bezerros tenham uma boa condição nutricional durante as fases crí cas, como a lactação e o crescimento. Iden ficação das fêmeas com melhor desempenho reprodu vo: A redução da estação de monta permite uma melhor iden ficação das vacas mais prolíficas, ou seja, aquelas que concebem e parem mais rapidamente dentro do ciclo reprodu vo. Isso permite que o produtor selecione as vacas mais produ vas, aquelas que parem no início da estação de partos e que desmamam bezerros mais pesados. Vacas mais prolíficas: Louys Henrique Araújo Prado Vacas mais prolíficas tendem a parir no início da estação de monta, o que resulta em bezerros mais pesados no desmame, já que eles têm mais tempo para crescer antes do desmame. Além disso, essas vacas geralmente são mais produ vas e eficientes no uso de nutrientes, o que aumenta a eficiência geral do rebanho. Critérios para seleção dos animais: O critério para selecionar os animais para reprodução deve considerar o desempenho reprodu vo. Vacas que pariram mais tarde, mesmo com as mesmas condições, são menos eficientes, pois elas demoram mais para conceber novamente e isso reduz o tempo de recuperação reprodu va e o ciclo produ vo da fazenda. As vacas que não concebem dentro do período ideal ou que parem mais para o final da época de parição devem receber maior atenção. Isso pode indicar problemas de fer lidade ou a necessidade de ajustes no manejo nutricional ou de sanidade. Descarte: O descarte de vacas que não atendem aos critérios de produ vidade e desempenho reprodu vo é essencial para manter um rebanho eficiente. Fêmeas que não conseguem conceber dentro da estação de monta ou que parem fora do período ideal devem ser removidas do rebanho, pois representam um custo sem retorno para a produção. Índices de concepção acima de 70%: O obje vo é alcançar uma taxa de concepção superior a 70%, com a meta de 21 primeiros dias da estação de monta. Isso significa que mais de 70% das fêmeas devem conceber nos primeiros 21 dias da estação de monta. É desejável que os índices de concepção fiquem acima de 90% durante os primeiros dois meses da estação. Isso é importante porque a maior parte das fêmeas deve conceber cedo, permi ndo que elas retornem ao ciclo reprodu vo de forma eficiente. Fatores que influenciam os índices de concepção: Época: A época da estação de monta deve ser determinada para garan r a melhor época de nascimento dos bezerros. Devido à sazonalidade das forragens, normalmente há uma concentração natural de nascimentos durante o período seco, o que é ideal, pois garante que as vacas tenham tempo para se recuperar antes da época das águas, quando a disponibilidade de forragem aumenta. O ideal é que os partos ocorram no final do período seco, seguido pelo aumento da forragem na estação das águas, garan ndo uma boa nutrição para o rebanho. Duração: Evitar a mudança abrupta do sistema de monta o ano inteiro para o de curta duração, pois isso pode resultar em um alto descarte de fêmeas. A duração ideal da estação de monta é de 60 a 90 dias, começando com 180 dias no primeiro ano e diminuindo 30 dias por ano. Para as novilhas, a estação de monta deve ter no máximo 45 dias, iniciando 15 a 30 dias antes das vacas adultas, para garan r melhores condições nutricionais enquanto ainda estão em crescimento. Fer lidade dos touros: A qualidade reprodu va dos touros é fundamental para o sucesso da estação de monta. A fer lidade dos touros deve ser avaliada, e eles devem estar em boas condições sicas e reprodu vas para garan r alta taxa de concepção. Condição corporal das vacas ao parto e início da estação de monta: A condição corporal das vacas no momento do parto e no início da estação de monta influencia diretamente as taxas de concepção. Vacas com boa condição corporal tendem a entrar em cio mais rapidamente e apresentam melhores resultados reprodu vos. Louys Henrique Araújo Prado Planejamento de metas: Antes de iniciar a estação de monta, é necessário realizar o planejamento de metas, selecionar ou comprar reprodutores, fazer exames nos animais e separar machos e fêmeas. Este planejamento é crucial para garan r que a estação de monta aconteça de forma eficaz. Avaliação e correção da condição corporal (ECC): No início da estação de monta, a avaliação da condição corporal (ECC) das vacas deve ser realizada. Caso seja necessário, a correção da ECC é feita para garan r que as vacas estejam em boa condição sica para engravidar. Vacas em boas condições corporais têm maior chance de conceber e de ter bezerros saudáveis. Diagnós co de gestação: Após a estação de monta, é importante realizar o diagnós co de gestação, que pode ser feito entre 30 e 45 dias após a inseminação. Isso ajuda a iden ficar as vacas que não engravidaram e permite o planejamento de ações subsequentes. Gestação: Durante a gestação, os animais eficientes devem conceber já no primeiro mês da estação de monta. Isso é um indica vo de boa fer lidade e ajuda a garan r que os partos ocorram dentro do período planejado, o que favorece o controle nutricional e de manejo. Época de parto: Após a primeira estação de monta, a época de parto tende a ser mais concentrada e a reduzir o tempo de gestação, o que facilita o manejo do rebanho. Duração da estação de monta (EM): Para a primeira estação de monta, o ideal é que ela dure entre 6 a 8 ciclos de cio, com o acompanhamento adequado das vacas em cio e a u lização de técnicas de inseminação ou acasalamento natural. Planejamento de metas: O planejamento de metas deve ser feito no início, incluindo a seleção de reprodutores, exames dos animais e organização para a separação de machos e fêmeas. Início dos partos e involução uterina: Os partos começam no início do cronograma, e a involução uterina das vacas ocorre logo após o parto, permi ndo que elas se recuperem para a próxima estação de monta. Avaliação e correção da condição corporal (ECC): A avaliação de ECCdeve ser realizada, e as vacas que precisarem de correção nutricional ou cuidado específico devem ser tratadas antes de iniciar o novo ciclo reprodu vo. Louys Henrique Araújo Prado Duração da estação de monta (EM): A estação de monta do segundo ciclo deve durar entre 5 a 7 ciclos de cio, o que garante que a maior parte das vacas sejam inseminadas ou acasaladas de forma eficiente. Diagnós co de gestação: Após a estação de monta, é essencial realizar o diagnós co de gestação para iden ficar as vacas prenhas e ajustar o manejo do rebanho. Daqui para frente...: A par r deste ponto, o ciclo reprodu vo con nua de forma mais eficiente, pois as vacas que conceberam no primeiro ciclo de monta serão seguidas conforme o cronograma reprodu vo. O manejo eficiente das novilhas visa garan r que o rebanho seja constantemente renovado com animais saudáveis e produ vos, mantendo a eficiência reprodu va e a rentabilidade da propriedade. Origem das novilhas: As novilhas devem ser oriundas do próprio rebanho, o que permite a con nuidade gené ca e o melhor controle sobre as caracterís cas desejadas para o rebanho. Reposição das vacas descartadas: O obje vo é repor as vacas descartadas com novilhas bem selecionadas e preparadas. A seleção e preparo das novilhas é uma das ações mais importantes do manejo reprodu vo, já que essas novilhas irão subs tuir as vacas que não são mais produ vas ou que apresentam problemas de saúde. Critérios de seleção: Devem ser escolhidas aquelas novilhas que não apresentem problemas feno picos como aprumos inadequados ou problemas na coluna, já que esses fatores podem afetar a saúde e a produ vidade da vaca no futuro. Obje vo: O principal obje vo do manejo das novilhas é promover a maturidade sexual mais cedo. Isso garante que as novilhas entrem em reprodução mais rápido, e que tanto a concepção quanto o parto ocorram no início do período de monta, garan ndo maior eficiência na reposição e maior produ vidade para o rebanho. MANEJO DAS NOVILHAS PARA REPOSIÇÃO Idade zootécnica: A idade zootécnica de cobrição varia conforme a raça (45 a 55% PC): Raças europeias: As novilhas devem a ngir de 8 a 10 meses. Raças zebuínas: Devem a ngir de 12 a 15 meses. Essa faixa de idade é importante para garan r que as novilhas estejam em um estágio adequado de desenvolvimento antes de serem cobertas. Cobertura: As novilhas devem ser cobertas apenas quando a ngirem de 55% a 65% do peso corporal adulto, o que corresponde a cerca de 280 a 350 kg. Isso assegura que as novilhas tenham a maturidade sica necessária para a reprodução, evitando cobrições precoces que podem comprometer a saúde da fêmea e a viabilidade da gestação. A garan a de que a fêmea a ngirá no mínimo 90% do peso adulto ao parto é fundamental para que ela tenha boa saúde e desempenho reprodu vo. Oferta de suplemento no pós-desmame: 0,4% do peso corporal (PC)/dia de suplemento é recomendado no pós-desmame. O suplemento deve ter entre 12 a 16% de proteína bruta (PB). Esse período é crucial para a recuperação nutricional das novilhas após o desmame, garan ndo que elas cresçam adequadamente antes da cobertura. Antes da cobertura: 0,5% a 1,0% do PC/dia de suplemento deve ser oferecido antes da cobertura. O suplemento deve conter entre 18% a 22% de proteína bruta (PB). Louys Henrique Araújo Prado Esse aumento na quan dade de suplemento e proteína é necessário para garan r que as novilhas a njam a maturidade sexual e estejam em boas condições nutricionais para a cobertura. Após a cobertura: Após a cobertura, a oferta de suplemento deve ser reduzida para 0,2% a 0,5% do PC/dia. A proteína bruta do suplemento deve estar entre 16% a 20% de PB. Durante a gestação, é importante manter as novilhas bem alimentadas para garan r o bom desenvolvimento da gestação e o crescimento adequado do bezerro, sem sobrecarregar o organismo da novilha. EXAMES Exames para machos e fêmeas: Tanto os machos quanto as fêmeas devem passar por exames especializados para avaliar sua ap dão reprodu va. Machos: Exames andrológicos para avaliar a fer lidade, qualidade do sêmen, e a presença de caracterís cas reprodu vas ideais para reprodução. Isso pode incluir a análise de parâmetros como a circunferência escrotal, que é um indica vo da capacidade reprodu va dos touros. Fêmeas: Exames ginecológicos para avaliar a saúde do aparelho reprodutor, presença de patologias e a condição geral da vaca para a reprodução, o que inclui a análise de ciclo estral e a condição corporal. Obje vo dos exames: O obje vo desses exames é garan r que os animais possam reproduzir de forma eficiente e saudável. A avaliação preven va permite a detecção precoce de problemas de fer lidade ou doenças reprodu vas, o que evita o descarte precoce e melhora a taxa de concepção do rebanho. Fer lidade Dos Touros Circunferência escrotal e caracterís cas do sêmen: A circunferência escrotal é um dos principais parâmetros usados para avaliar a fer lidade do touro. Ela é um indica vo do potencial reprodu vo, e varia conforme a idade do animal. O gráfico apresentado na tabela (abaixo) mostra a classificação da mo lidade espermá ca (vigor e progressividade), além da morfologia espermá ca, o que ajuda a determinar a qualidade do sêmen do touro. O sêmen de boa qualidade é essencial para garan r altas taxas de concepção. Classificação da mo lidade e morfologia espermá ca: Mo lidade espermá ca: Indica a capacidade dos espermatozoides de se mover de forma progressiva, o que é essencial para a fer lização. Classificado entre excelente e ques onável. Morfologia espermá ca: Avalia a integridade dos espermatozoides. Deformidades podem comprometer a fer lidade, e a avaliação classifica os defeitos como maiores ou totais. Avaliação da libido: Libido: A libido do touro também deve ser avaliada, pois um touro pode ser fer lmente saudável mas ter baixa libido, o que pode impactar sua eficiência na monta e diminuir o número de coberturas bem-sucedidas. Capacidade de monta: A capacidade de monta do touro é fundamental para garan r que ele consiga cobrir adequadamente as vacas durante a estação de monta. A disponibilidade e o desempenho reprodu vo são fatores importantes para manter a eficiência reprodu va do rebanho. Esses parâmetros de avaliação são cruciais para a escolha de touros que realmente contribuem para o melhoramento gené co do rebanho e para o sucesso reprodu vo na fazenda. Louys Henrique Araújo Prado Subs tuição e adaptação dos touros adquiridos: A gestão da fer lidade dos touros deve ser conduzida de forma a proporcionar tempo suficiente para subs tuição e adaptação dos touros adquiridos. Isso significa que, ao comprar novos touros para o rebanho, é importante permi r que eles se adaptem ao ambiente antes de serem colocados para acasalar com as fêmeas. Alimentação antes da época reprodu va: Para garan r que os touros estejam em boas condições reprodu vas, deve-se evitar restrições alimentares. A alimentação adequada deve ser man da pelo menos 60 dias antes da época reprodu va, para garan r que os touros estejam bem nutridos, com boa qualidade de sêmen e capacidade de realizar a monta eficientemente. Manejo de touros jovens: Touros jovens devem ser manejados junto com as novilhas, pois eles podem não ter a capacidade de realizar a monta com eficiência. Além disso, deve-se evitar a compe ção entre touros jovens e mais velhos, o que pode afetar o desempenho reprodu vo. Condição Corporal Fêmea Alta correlação entre ECC ao parto e desempenho reprodu vo pós-parto: Existe uma alta correlação entre a condição corporal das vacas ao parto e o seu desempenho reprodu vo após o parto. Ou seja, vacas com boa condição corporal ao parto têm maior chance de retornar a cilar mais rapidamente, o que resulta em um intervalo entrepartos mais curto e maior taxa de concepção. Vacas em boas ECC retornam a ciclar mais cedo: As vacas que estão em boas condições corporais (ECC elevada) após o parto tendem a retornar ao cio mais cedo, o que significa um menor período de anestro pós-parto. Isso leva a um menor período de serviço (tempo entre o parto e o serviço seguinte), o que melhora a eficiência reprodu va e reduz o tempo entre os partos. Tabela e gráfico: Tabela: A tabela mostra como a taxa de prenhez e o intervalo de parto variam de acordo com a condição corporal. Por exemplo, vacas com BCS 3 (condição corporal mais baixa) têm 43% de taxa de prenhez e um intervalo de parto de 414 dias, enquanto vacas com BCS 6 (boa condição corporal) têm 93% de taxa de prenhez e um intervalo de parto de 364 dias. Gráfico: O gráfico mostra a relação entre a condição corporal no parto e a taxa de prenhez. A taxa de prenhez aumenta significa vamente conforme a condição corporal das vacas melhora. Louys Henrique Araújo Prado Sistema de avaliação da condição corporal: O sistema de avaliação da condição corporal mais u lizado é aquele no qual a pontuação varia de 1 a 9, conforme o NRC (Na onal Research Council, 1996). A pontuação mais baixa (1 a 4) indica condição corporal baixa (vaça magra), enquanto a pontuação mais alta (8 a 9) indica condição corporal alta (vaça gorda). Momento ideal para avaliação: O momento ideal para realizar a avaliação da condição corporal é na época do desmame, que coincide com o início do período de seca. Durante esse período, é possível avaliar com mais precisão a condição das vacas, uma vez que elas não estão mais amamentando e a nutrição pode ser ajustada antes da estação de monta. Problemas associados à condição corporal: Condição corporal baixa (1 a 4): Vacas com condição corporal baixa podem apresentar falha em ciclar, falha na concepção, intervalo de parto grande, período de serviço longo, e crias pouco robustas. Condição corporal alta (8 a 9): Vacas muito gordas podem apresentar dificuldade em manter o peso corporal, possibilidade de distocia (dificuldade no parto), mobilidade prejudicada, e falha em ciclar. A Fêmeas muito magras (ECC 1 a 4): Oferta de pasto e suplemento: Para vacas muito magras, é necessário fornecer pasto de boa qualidade e suplementação com proteína bruta (PB) de 0,3% a 0,9% do peso corporal. A suplementação ajuda a aumentar a condição corporal das vacas e a garan r que elas se recuperem rapidamente para entrar no ciclo reprodu vo de maneira eficiente. Fêmeas gordas (ECC 7 a 9): Limitação do consumo: Para vacas muito gordas, a recomendação é limitar o consumo de alimentos para evitar que elas engordem ainda mais, o que pode afetar a saúde e a fer lidade. Suspensão de suplementação: A suplementação deve ser suspensa, mantendo apenas sal mineral para garan r que as vacas recebam os nutrientes essenciais sem o excesso de energia. Prender o animal por algumas horas do dia: Para controlar o consumo de pastagem, é recomendado prender as vacas durante algumas horas, especialmente à noite, quando elas têm maior tendência a consumir mais alimento. Louys Henrique Araújo Prado Sistema de Acasalamento Monta natural: A monta natural é considerada o método mais primi vo de reprodução, onde o touro é man do com as fêmeas o ano inteiro no mesmo rebanho ou lote. Esse método é baseado na maturação natural do rebanho e no comportamento de acasalamento espontâneo. Sistema extensivo de produção: A monta natural faz parte de um sistema extensivo de produção, onde as vacas e touros são criados em grandes áreas, com menos controle sobre o momento exato da reprodução e do nascimento. Nascimentos ao longo do ano: Com a monta natural, os nascimentos acontecem ao longo do ano, o que pode levar a uma falta de uniformidade nos bezerros, dificultando o manejo e a comercialização de maneira mais eficiente. Dificuldade no manejo das matrizes e crias: A gestão das fêmeas e suas crias é mais di cil nesse sistema, uma vez que a falta de sincronização dos partos e cios pode complicar o controle de alimentação, manejo sanitário e produ vidade. Fer lidade das matrizes reduzida: A fer lidade das matrizes tende a ser reduzida devido à falta de um controle reprodu vo mais rigoroso. As vacas podem não ser cobertas de maneira ideal e o intervalo entre os partos pode ser maior, resultando em uma menor taxa de concepção. Alto intervalo de partos e período de serviço: O intervalo entre os partos tende a ser maior, assim como o período de serviço (tempo necessário para a vaca voltar ao cio e conceber), o que pode afetar a eficiência reprodu va e a rentabilidade da propriedade. Monta natural controlada: Touro man do separado da fêmea: O touro não fica constantemente com as fêmeas. Ele é man do separado e só é introduzido quando a fêmea está no cio, o que ajuda a controlar melhor a reprodução. Fêmea detectada no cio e conduzida até o macho: Quando a fêmea é detectada no cio, ela é conduzida até o touro para a cópula. Esse método reduz a chance de coberturas erradas e garante que o touro só cubra as vacas no momento adequado. Vantagens do método: Menor desgaste do touro: Como o touro não fica com as fêmeas o tempo todo, o desgaste dele é reduzido, permi ndo que ele tenha mais energia para cobrir as vacas quando necessário. Geralmente um único serviço: Normalmente, apenas uma cobertura é necessária para a concepção, o que aumenta a eficiência do processo. Duas cobrições aumentam a chance de concepção: Se houver duas coberturas, com a segunda sendo realizada 12 horas após a primeira, a chance de concepção aumenta. Problemas: A principal dificuldade desse sistema está na detecção do cio, separação da fêmea e condução até o touro, pois isso requer vigilância constante e mão de obra para garan r que o processo seja eficiente e as coberturas ocorram no momento correto. Louys Henrique Araújo Prado Detecção do cio: Funcionário observa as fêmeas 2 a 3 vezes ao dia para detectar o cio. O tempo de observação recomendado é de 20 a 40 minutos por vez. A detecção eficiente do cio é essencial para garan r que as vacas sejam cobertas no momento certo, aumentando as chances de concepção. Uso de rufiões: Rufiões são machos preparados ou fêmeas androgenizadas usadas para es mular as vacas a entrarem em cio. Macho cirurgicamente preparado: Alguns rufiões machos podem ser castrados ou têm os órgãos reprodu vos modificados para que, apesar de não serem reprodutores, possam exercer a função de es mular as vacas. Fêmeas androgenizadas: Fêmeas tratadas com hormônios masculinos para exibir comportamento de touros, atuando como um es mulo adicional para que as vacas entrem no cio. Uso de buçal: O buçal é um disposi vo u lizado para controlar o comportamento das fêmeas e garan r a segurança durante o processo de detecção de cio. Ele é frequentemente usado para imobilizar a vaca ou para evitar que ela se machuque ou machuque o funcionário durante o manejo. Biotecnias Reprodu vas Técnicas aplicadas à reprodução para aumentar a eficiência: As biotécnicas reprodu vas como Inseminação Ar ficial (IA), Inseminação Ar ficial em Tempo Fixo (IATF), Fer lização In Vitro (FIV) e Transferência de Embriões (TE) são técnicas que ajudam a aumentar a eficiência reprodu va no rebanho, melhorando a taxa de concepção e permi ndo um melhor controle gené co. Antes da escolha da biotécnica: Condições do rebanho: Avaliar a saúde, a gené ca e o manejo do rebanho é crucial para a escolha da biotécnica reprodu va mais adequada. Rebanhos com boas condições de saúde e estrutura gené ca tendem a responder melhor a essas técnicas. Condições da propriedade: A infraestrutura da propriedade deve ser adequada para a implementação da biotécnica escolhida. Isso inclui o espaço, os equipamentos e osrecursos necessários. Disponibilidade de recursos para inves mentos: Algumas biotécnicas exigem um inves mento financeiro significa vo em equipamentos, mão de obra especializada e materiais (como sêmen de touros de alto valor gené co, hormônios etc.). Infraestrutura e instalações necessárias: Para técnicas como IATF e FIV, é necessário ter instalações adequadas para o manejo de animais e para o procedimento em si (como sala de inseminação, câmaras de conservação de sêmen etc.). Disponibilidade de mão de obra qualificada: A implementação de técnicas como IATF e FIV requer profissionais qualificados. A falta de mão de obra especializada pode comprometer o sucesso da técnica. Louys Henrique Araújo Prado Disponibilidade de alimentos: A nutrição é um fator fundamental para o sucesso reprodu vo. A falta de alimentos de qualidade ou a escassez de recursos alimentares pode afetar nega vamente a resposta do rebanho às biotécnicas reprodu vas. Inseminação Ar ficial – IA Deposição do sêmen: A inseminação ar ficial consiste na deposição do sêmen (puro ou diluído) diretamente no trato genital feminino. Essa técnica permite o controle sobre a reprodução e facilita a u lização de sêmen de touros com melhor gené ca. Baixa adesão no Brasil: A adesão à inseminação ar ficial no Brasil é ainda rela vamente baixa, com uma taxa de 5 a 20% dos produtores u lizando a técnica. Isso pode ser devido a desafios com custo, falta de conhecimento ou infraestrutura necessária. Vantagens da inseminação ar ficial: Melhor desempenho reprodu vo: A inseminação ar ficial pode aumentar a taxa de concepção e melhorar a eficiência do processo reprodu vo. Melhoria na gené ca: A IA permite o uso de sêmen de touros de alto valor gené co, contribuindo para a melhoria da qualidade gené ca do rebanho. Controle de doenças da esfera reprodu va: A inseminação ar ficial ajuda a evitar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis, já que o sêmen é processado e controlado em condições sanitárias. Introdução de cruzamentos industriais: A IA facilita a u lização de cruzamentos industriais, combinando raças para melhorar caracterís cas específicas do rebanho, como produção de leite ou carne. Aproveitamento do vigor híbrido/heterose: O uso de touros de diferentes raças pode resultar em vigor híbrido, ou heterose, que pode aumentar a produ vidade e resistência do rebanho. Limitações da Inseminação Ar ficial (IA): Sistema extensivo: A IA pode ser desafiadora em sistemas extensivos, onde as vacas estão dispersas em grandes áreas, dificultando o manejo e a observação constante do cio. Iden ficação correta do cio: A iden ficação precisa do cio é crucial para o sucesso da inseminação ar ficial. A falha na iden ficação do cio pode resultar em inseminações fora do período fér l, diminuindo as taxas de concepção. Problemas no manejo: O manejo inclui apartar a fêmea, conduzi-la até o touro ou o local de inseminação e garan r contenção adequada durante o procedimento. Esses processos podem ser di ceis, principalmente em sistemas de manejo mais extensivos, sem infraestrutura adequada. Além disso, a necessidade de inseminação diária (principalmente no caso de IATF) exige monitoramento constante. Custos envolvidos na implantação e manutenção: A inseminação ar ficial envolve custos com a implantação da técnica (compra de sêmen, treinamento de funcionários) e manutenção (materiais e equipamentos como pistolas de inseminação e reservatórios de sêmen). Requisitos para a Inseminação Ar ficial (IA): Caracterís cas de qualidade do sêmen: O sêmen u lizado deve ser de alta qualidade, com boa mo lidade e morfologia espermá ca, para garan r uma boa taxa de concepção. Técnica de descongelamento e própria IA: O sêmen descongelado deve ser manipulado com precisão e cuidado. A técnica de inseminação também deve ser realizada por profissionais treinados para garan r a deposição correta do sêmen. Sanidade da fêmea: A fêmea deve estar saudável e livre de doenças reprodu vas para garan r o sucesso da inseminação e uma gestação saudável. Coleta e/ou conservação do sêmen: A conservação adequada do sêmen é essencial para manter sua viabilidade durante o processo de inseminação. O sêmen deve ser armazenado e manuseado com as devidas precauções, u lizando nitrogênio líquido e equipamentos adequados. Louys Henrique Araújo Prado Momento ideal para a inseminação: O gráfico acima detalha o momento ideal para a inseminação, que deve ocorrer entre o estro (30-32 horas) e o metestro (12-36 horas), período em que a vaca está mais fér l. A inseminação realizada dentro desse intervalo tem maiores chances de sucesso, pois coincide com o momento da ovulação, quando os óvulos estão prontos para serem fer lizados. Compensando falhas na observação do cio e inseminação: Como podem ocorrer falhas na observação do cio, resultando em inseminações feitas fora do período ideal, a recomendação é que, após a inseminação, seja feito um repassamento com touros 12 horas depois. Esse repasse visa aumentar as chances de concepção, especialmente se a inseminação inicial não ocorreu no momento mais fér l da fêmea. Importância da observação do cio: A iden ficação do cio é uma das tarefas prioritárias na propriedade. As fêmeas devem ser observadas no mínimo duas vezes por dia, uma no início da manhã e outra no final da tarde. Esquema recomendado para a inseminação: Vacass observadas em estro à tarde devem ser inseminadas no início da manhã do dia seguinte. Isso garante que a inseminação ocorra durante o período mais fér l da fêmea, aumentando as chances de concepção. Resumão: Esquema Produ vo para Vacas de Corte O esquema produ vo mostrado no gráfico descreve a duração dos principais ciclos reprodu vos: Período de serviço (PS): 2,5 meses (tempo entre o desmame e o próximo ciclo reprodu vo). Gestação: 9,5 meses, o que é o tempo de gestação médio para as vacas. Lactação: A duração da lactação é de aproximadamente 7 meses, o que é o período médio entre o nascimento do bezerro e o desmame. Período de descanso (PD): 5 meses, tempo em que a vaca não está em a vidade reprodu va, sendo necessário para recuperação sica. Esse ciclo de 12 meses é crucial para garan r que a vaca pare um bezerro por ano, mantendo a eficiência reprodu va no rebanho. Estação de Monta A estação de monta é uma ferramenta zootécnica essencial para a gestão reprodu va, que visa melhorar o desempenho reprodu vo das matrizes, proporcionando condições adequadas de alimentação, manejo e comercialização. Obje vo da estação de monta: Sincronizar a reprodução das matrizes para o mizar a taxa de concepção e garan r que o bezerro nasça em uma época favorável. Fase reprodu va ideal: O período entre o parto e a inseminação deve ser de 12 meses para garan r a eficiência do ciclo de produção. Período de serviço: Idealmente, a vaca deve estar disponível para a inseminação ou para o acasalamento dentro de um período de 75 dias (2,5 meses) após o parto, o que é crucial para garan r que a vaca conceba em tempo hábil. Lactação e reprodução: Como a lactação dura 7 meses, o período de reprodução deve coincidir com o início da lactação. Embora esses momentos fisiológicos se oponham, é necessário ter uma gestão eficiente para minimizar o antagonismo entre eles. Louys Henrique Araújo Prado Introdução à Suplementação em Pastagens A suplementação nutricional é um dos pilares essenciais para o mizar a produção de carne bovina a pasto no Brasil, especialmente em regiões com forte sazonalidade forrageira, como o Centro-Oeste. Mais de 95% do rebanho brasileiro de corte é alimentado em pastagens, com o confinamento representando uma pequena parte da estratégia alimentar. Obje vo principal da suplementação: Manutenção e crescimento do rebanho durante períodos crí cos, comoa estação seca, onde a qualidade e a quan dade das pastagens diminuem significa vamente. Garan r o máximo desempenho zootécnico dos animais, evitando perdas de peso e aproveitando ao máximo a forragem disponível. A suplementação visa compensar as deficiências nutricionais das pastagens, que frequentemente carecem de proteína e minerais essenciais, especialmente em épocas de seca. Assim, o manejo nutricional adequado torna- se crucial para aumentar a eficiência produ va. Suplementação Mineral A suplementação mineral é uma prá ca obrigatória nas pastagens brasileiras, uma vez que muitas áreas apresentam deficiência de minerais, como sódio (Na), cobre (Cu), zinco (Zn) e fósforo (P). Estas deficiências têm efeitos nega vos na saúde dos animais e na sua produ vidade. Importância dos minerais: Cálcio (Ca) e Fósforo (P): Essenciais para a formação óssea e a manutenção da estrutura corporal do animal. O cálcio é um dos minerais mais abundantes nos ossos, representando cerca de 40% do peso ósseo. Magnésio (Mg): Necessário para o funcionamento adequado de enzimas, especialmente em processos metabólicos importantes como a formação de ATP. Sódio (Na): Fundamental para o equilíbrio de fluídos corporais e a função muscular. Efeito das deficiências: Animais com carência mineral frequentemente apresentam diminuição do ganho de peso, baixa taxa de concepção, e maior susce bilidade a doenças. A deficiência de fósforo afeta diretamente o desempenho reprodu vo, pois compromete a qualidade do sêmen e a fer lidade das vacas. Estratégia de Suplementação Durante a Seca A suplementação estratégica na seca é uma das prá cas mais eficazes para o mizar o desempenho dos bovinos, pois as pastagens secas têm uma redução de qualidade e quan dade. Durante este período, a disponibilidade de forragem pode cair dras camente, o que limita o consumo de nutrientes pelos animais. Diferimento de Pastagem: O diferimento de pastagens é uma técnica de manejo que visa preservar a forragem para períodos mais crí cos, como a estação seca. Consiste em re rar os animais de determinadas áreas de pastagem, permi ndo que a vegetação se recupere e acumule maior quan dade de forragem. A recomendação é que, no Brasil Central, seja feito um diferimento das pastagens entre fevereiro e março, deixando uma boa quan dade de forragem disponível para os meses secos (junho a setembro). Importância do Diferimento: Louys Henrique Araújo Prado Maximização da produção de forragem: A prá ca permite o acúmulo de matéria seca, o que garante uma maior oferta de forragem para os animais, aumentando sua ingestão de nutrientes e a qualidade do pasto durante a seca. Impacto posi vo no desempenho: Quando feito de forma eficaz, o diferimento pode resultar em ganhos de peso mais estáveis e menores perdas de peso durante a seca. Espaço de Cocho: Para garan r que todos os animais consumam a quan dade de suplemento necessária, é essencial que o espaço de cocho seja adequado, com pelo menos 6 cm por animal. Isso evita a compe ção excessiva entre os animais e assegura que todos tenham acesso igual ao suplemento. Tipos de Suplementação Durante a Seca 1. Sal Mineral com Ureia Custo baixo, ideal para manter os animais em condição estável sem grandes inves mentos. A ureia é uma excelente fonte de nitrogênio não proteico, mas seu uso exige cuidados para evitar intoxicação. A adaptação gradual do rebanho à ureia é essencial. Recomendações: Oferecer cerca de 100 g de suplemento por unidade animal (UA), com 30% de ureia. É importante garan r a mistura adequada da ureia com o sal mineral. 2. Mistura Múl pla ou Sal Proteinada A mistura proteinada tem melhor custo-bene cio quando comparado ao sal mineral com ureia, sendo recomendado para promover ganhos de peso mais expressivos. Suplemento proteico que pode proporcionar ganhos de 200 a 400 g/dia. Consumo recomendado: De 1 a 2 g/kg de peso vivo por dia. A frequência de abastecimento deve ser controlada, com ajustes feitos conforme o consumo observado para evitar desperdícios. 3. Ração de Semiconfinamento O semiconfinamento é uma alterna va eficiente para o mizar o ganho de peso dos animais na seca. Durante o semiconfinamento, os animais são alimentados com ração concentrada e pastagem, o que aumenta significa vamente o ganho de peso. A quan dade de ração fornecida varia de 0,7% a 2% do peso vivo, dependendo das condições de pastagem e dos obje vos do produtor. Semiconfinamento: Estratégia de Intensificação O semiconfinamento é uma técnica intermediária entre a suplementação a pasto e o confinamento total. Essa prá ca é indicada quando o produtor deseja intensificar a terminação dos animais sem a infraestrutura completa necessária para o confinamento. Bene cios do semiconfinamento: Menor custo de infraestrutura do que o confinamento total. Melhora os desempenhos zootécnicos em comparação com o pastoreio convencional. Permite maior flexibilidade no manejo, adaptando-se às condições locais e aos obje vos do produtor. Caracterís cas do Pasto: Para que o semiconfinamento seja eficaz, o pasto deve estar com boa quan dade de forragem, idealmente entre 4 e 6 toneladas de matéria seca/ha. Diferimento de pastagem é necessário para garan r forragem suficiente durante o período de semiconfinamento. Confinamento: Alterna va Intensiva Louys Henrique Araújo Prado O confinamento tem se mostrado uma estratégia crescente na pecuária brasileira, pois oferece vantagens como abates programados, aumento da produ vidade, e melhor acabamento de carcaça. Vantagens: Maior controle sobre a dieta e os ganhos de peso. Permite a produção de carne com alta qualidade, principalmente devido ao controle rigoroso da dieta e do manejo. Desafios no Confinamento: Requer alto inves mento em infraestrutura e alimentação, com custos que podem ser elevados. O uso de dietas concentradas aumenta o risco de desordens diges vas, como acidose ruminal e mpanismo. Manejo de Cochos e Suplementação A gestão dos cochos e do espaço alimentar é crucial para garan r que todos os animais consumam a quan dade necessária de suplemento. O monitoramento do consumo deve ser con nuo para ajustar a quan dade oferecida e evitar desperdícios. Recomendações: Fornecer pelo menos 6 cm lineares de espaço de cocho por animal. Garan r que os cochos estejam cobertos, protegendo o suplemento da umidade e de contaminantes. O fornecimento de suplemento deve ser regular e ajustado conforme a resposta dos animais e as condições da pastagem. A estratégia alimentar do rebanho é determinante para o sucesso da produção de carne bovina. A suplementação a pasto é essencial para garan r ganhos de peso sustentáveis, especialmente em períodos crí cos, como a estação seca. Os produtores devem adaptar a suplementação às condições específicas da propriedade, levando em consideração a disponibilidade de forragem, os custos de suplementação e os obje vos econômicos. O manejo adequado, aliado à escolha estratégica de suplementos, é crucial para garan r a sustentabilidade e lucra vidade da produção de carne a pasto. Boi Gordo Obje vo Aumento de peso em curto prazo: Ganho de peso rápido para o mizar a produ vidade. Acabamento de carcaça: Foco no aumento da gordura intramuscular, essencial para a qualidade da carne. Boi gordo: Resultado desejado de animais com boa quan dade de gordura, melhorando a maciez e sabor da carne. Exigências Nutricionais Aumento de exigência de energia: A dieta deve ser rica em energia para promover o ganho de peso acelerado. Diminuição da exigência de proteína: Com o foco na gordura, a necessidade de proteína é reduzida. Obje vo principal: Garan r uma carcaça bem acabada, com alto acabamento de gordura. Acabamento Classificação de Acabamento de Carcaça Ausente (1 mm) Gordura subcutânea pra camente ausente, sem camada visível de gordura. Louys Henrique Araújo Prado Escassa (1 a 3 mm) Pouca gordura visível, com camada fina de gordura na carcaça. Mediana (3 a 6 mm) Gordura moderada, camada de gordura bem distribuída, ideal para o acabamento. Uniforme (6 a 10 mm) Gordura uniforme, boa quan dade de gordura subcutânea e maior marmorização, que resulta em carne de boa qualidade. Excessiva (> 10 mm) Excesso de gordura, o que pode prejudicar a qualidade e o custo de produção. Terminação/Engorda Fase de Menor Duração Crescimento ósseo e muscular já cessaram: Nessa fase, os ossos e músculos não crescem mais. Obje vo: Depositar gordura para atender à exigência mínima do mercado, focando no acabamento de carcaça. Dificuldade de Deposição de Gordura A maior dificuldade dessa fase é justamente o depósito de gordura. Animais inteiros (não castrados) podem apresentar interferência devido à testosterona, o que dificulta o depósito adequado de gordura. Curvas de Crescimento A curva de crescimento muscular (em vermelho) acelera até a puberdade e depois se estabiliza. A deposição de gordura (em amarelo) começa a ganhar destaque após o crescimento muscular, sendo o foco na maturidade. Diagnós co do Ponto de Abate Como saber o ponto de abate? A dúvida central é como iden ficar o momento ideal de abate. Fatores-chave: Tempo de terminação Peso corporal final Louys Henrique Araújo Prado Cobertura de gordura subcutânea Melhor momento de venda e preço Ponto de Abate Ideal O ponto de abate ideal ocorre quando o animal a nge o mínimo de gordura subcutânea exigido pelo mercado (geralmente acima de 3mm) e apresenta um bom grau de marmoreio (gordura intramuscular). O marmoreio é crucial para a maciez e sabor da carne. Mensuração de Gordura de Cobertura Métodos de coleta no animal vivo: Figura 1: Local de coleta da imagem de Aole EGS (área do olho do lombo). Figura 2: Local de coleta da imagem de MAR (marmoreio), que é importante para avaliar o grau de gordura intramuscular. Iden ficação de áreas específicas para medição: 1 - Marmoreio: Gordura intramuscular, que influencia a maciez da carne. 2 - Gordura de Cobertura: Gordura subcutânea, que é fundamental para a definição da qualidade do acabamento da carcaça. 3 - Garupa: Região que também é analisada para a avaliação da condição corporal do animal. Disposi vo VetScore: Avaliação da Condição Corporal Funcionalidade do VetScore: Obje vo: Auxilia na avaliação da condição corporal do bovino, importante para determinar o ponto de abate e o momento ideal de venda. Mede a gordura subcutânea, fornecendo uma indicação clara sobre o estado nutricional do animal. Cores Indica vas: Verde (Adequada): Indica uma condição corporal ideal para o animal, adequado para o abate ou manutenção da produção. Amarelo (Alta): Significa que o animal pode ter excesso de gordura e pode estar além do ponto de abate ideal. Vermelho (Baixa): Indica que o animal tem pouca gordura ou condição corporal insuficiente, o que pode indicar necessidade de mais tempo de engorda antes do abate. Uso Prá co: O veterinário ou técnico usa o disposi vo para medir a gordura subcutânea no pescoço do animal, realizando a avaliação diretamente no campo, como mostrado nas fotos. Louys Henrique Araújo Prado Como Garan r a Deposição Adequada de Gordura na Terminação? Planejamento de Metas e Obje vos: 1. Quan dade de animais: Definir quantos animais serão engordados e abate, o que impacta diretamente a disponibilidade de recursos. 2. Disponibilidade de alimento: Planejar a alimentação para garan r que os animais tenham nutrientes suficientes para o ganho de peso adequado e acúmulo de gordura. 3. Categoria sexual (M, MC, F): A categoria sexual (machos, machos castrados e fêmeas) influencia diretamente o desempenho na terminação e no acúmulo de gordura. 4. Ganhos médios diários: Peso corporal inicial: O peso no início da terminação influencia o tempo necessário para alcançar o ponto de abate. Peso corporal final: O obje vo de peso final é crucial para determinar a duração da terminação. 5. Sistema produ vo: Pasto ou Confinamento: O po de sistema de alimentação impacta o ganho de peso e a deposição de gordura. O confinamento tende a gerar mais acúmulo de gordura de forma mais rápida. 6. Área e Mão de obra: Planejamento de espaço sico e de pessoal necessário para lidar com os animais e fornecer o manejo adequado. 7. Recursos financeiros: Avaliar os custos de alimentação, medicamentos, infraestrutura e pessoal. 8. Equipamentos e instalações: Necessidade de infraestrutura adequada para garan r o manejo adequado e eficiente da terminação. Formação de Lotes Uniformes Tamanho do Lote: O lote ideal deve ter no máximo 100 animais para garan r que todos recebam atenção adequada e o manejo seja eficaz. Peso Corporal Similar: Os animais devem ter peso corporal semelhante, com uma diferença de 30 a 50 kg entre eles. Isso garante que os animais ganhem peso de forma mais homogênea, facilitando o controle nutricional e o ponto de abate. Mesma Idade: Sempre que possível, os lotes devem ser formados por animais da mesma idade, pois isso facilita o manejo e assegura que todos a njam o ponto de abate no mesmo período. Se os animais forem de idades diferentes, eles devem ter estruturas corporais similares para evitar que os mais jovens ou mais velhos atrapalhem o desempenho do grupo. Planejamento Sanitário para Terminação de Bovinos Avaliação da Saúde do Rebanho: Antes de iniciar a terminação, é essencial avaliar as condições de saúde dos animais para evitar doenças que possam prejudicar o ganho de peso e o desempenho geral. Imunização antes de iniciar a terminação: Vacinação: Raiva: Vacinação em locais onde a doença ocorre. Carbúnculo sintomá co e gangrena gasosa: Vacinação obrigatória para evitar surtos. Febre a osa: Garan r que todos os animais estejam vacinados conforme o calendário da vacina. Vermifugação: Realizar vermifugação para combater endoparasitas (como vermes intes nais), que podem reduzir o ganho de peso e afetar a saúde geral do animal. Controle de Ectoparasitas: Louys Henrique Araújo Prado Ectoparasitas, como carrapatos e moscas, devem ser controlados para evitar que causem estresse nos animais e reduzam sua produ vidade. Castracão de Machos Obje vo da Castração: Facilitar o manejo: A castração é realizada para facilitar o manejo dos machos, tornando-os mais dóceis e com menos comportamento agressivo, o que melhora a segurança e a produ vidade. Qualidade da Carne: Carcaças de machos castrados são de melhor qualidade, com carne mais macia e melhor acabamento de gordura. Machos inteiros produzem uma carne mais rígida, com menor teor de gordura e mais di cil de ser comercializada em alguns mercados. Diferença de produção: Machos inteiros podem produzir mais de 10% a mais que os castrados, mas a carne será mais di cil e com menos gordura. Momento Ideal para Castração: Antes da puberdade (13 a 15 meses): A castração antes da puberdade ajuda a garan r uma melhor qualidade de carne e evita a agressividade dos machos. Após a puberdade (2 a 3 meses antes da terminação): Quando realizada após a puberdade, pode afetar a qualidade da carne, mas é possível minimizar danos com o manejo adequado. Terminação a Pasto É uma forma prá ca e econômica de produção de carne bovina. Requer cuidados com o manejo das pastagens para evitar atrasos produ vos. Pastagens de boa qualidade devem ter gramíneas adaptadas ao clima e com níveis adequados de proteína bruta (PB), como Brachiaria e Panicum. A oferta de pasto deve garan r disponibilidade de 50 g de MS (matéria seca) por kg de PC (peso corporal) e deveser bem manejada para obter bons resultados. Vantagens da Terminação a Pasto: Liberação das pastagens para outras categorias de animais. Melhor aproveitamento das áreas de pasto. Aumento na produção de carne por hectare. Redução de custos com reformas de pastos degradados. Confinamento: Pode ser vantajoso para maximizar a produção durante períodos de escassez de pastagem. O sistema envolve a oferta de ração balanceada, onde a dieta é predominantemente concentrada, com 45% a 85% de grãos. Requer inves mento em infraestrutura e mão de obra qualificada. Os animais no confinamento são alimentados com uma dieta rigorosamente controlada, com monitoramento constante do consumo e do desempenho. Diferenças Entre os Sistemas: A terminação a pasto é mais econômica e prá ca, mas pode ser menos eficiente em termos de ganho de peso diário. O confinamento, embora mais caro e com maiores demandas logís cas, pode ser mais eficiente para produzir carne de alta qualidade com maior controle. Nutrição e Suplementação: Louys Henrique Araújo Prado Nos dois sistemas, a nutrição desempenha um papel crucial. No pasto, é necessário garan r que os animais recebam alimentação adequada, complementada por suplementos. No confinamento, o uso de concentrados e a gestão da dieta são fundamentais para um bom desempenho. Subprodutos como farelo de soja, milho, e caroço de algodão são comuns nos dois sistemas, e a ureia é frequentemente u lizada em dietas para reduzir custos. Caracterís cas Ideais de Pastagens: Teor de Nitrogênio: As pastagens devem ter alto teor de nitrogênio (acima de 10% de proteína bruta), essencial para o desenvolvimento e crescimento saudável dos bovinos. Gramíneas Adaptadas: As melhores opções de gramíneas para pastagem devem ser adaptadas ao clima e à região. Brachiaria e Panicum são as mais comuns, pois apresentam boa produção de matéria seca (MS) por hectare e são bem aceitas pelos animais. Gestão de Pastagem: A quan dade de pasto disponível deve ser adequada para garan r que cada animal receba cerca de 50g de MS por kg de peso corporal (PC). Para isso, é importante usar a técnica do quadrado (50 x 50 cm) para medir a disponibilidade de pastagem. O número de animais por hectare (UA/ha) depende da produção de matéria seca por hectare e do po de pasto (se rotacionado ou con nuo). Estratégias de Manejo: Rotacionado: A técnica de pastagem rotacionada permite que a pastagem tenha tempo para se recuperar, garan ndo mais forragem disponível para os animais. Con nuo: No pasto con nuo, os animais permanecem em uma área sem alternância, o que pode levar ao desgaste do pasto se não for bem manejado. Desempenho da Pastagem: Teor de Nitrogênio nas pastagens é fundamental para a produção de matéria seca (MS) e para garan r o crescimento eficiente dos animais. O manejo correto da pastagem, com foco em corte adequado e controle de carga animal, influencia diretamente no ganho de peso dos bovinos e na qualidade da carne produzida. Terminação e Engorda Obje vo: Garan r ganhos diários de peso superiores a 1 kg por animal. Exigências Nutricionais: A dieta deve conter entre 20 a 24% de proteína bruta (PB), com uma oferta de forragem variando entre 0,8 a 1,0% de peso corporal (PC) e uma oferta concentrada de 1,2 a 1,5% PC. Alimentação: U lização de ingredientes como milho, soja, caroço de algodão, ureia, farelo de trigo, entre outros, com consumo diário de 3,5 a 5 kg de ração por animal. Relação Volumoso:Concentrado: A quan dade de volumoso e concentrado vai depender da produção de matéria seca e das caracterís cas do pasto. Terminação Intensiva a Pasto (TIP) Estrutura de Pastagem: U lização de piquetes de 15 a 30 ha, com uma taxa de lotação de 90 a 150 animais por área. Louys Henrique Araújo Prado Infraestrutura: Necessária alta vazão de bebedouros e cochos de 40 a 70 cm por animal, com acesso bilateral. Duração: O período de duração da terminação é de 90 a 120 dias. Consumo: O animal consome 50% de ração e 50% de pasto, com uma relação volumoso:concentrado de 50:50. Vantagens: Baixo custo operacional e fácil adaptação dos animais. Menor necessidade de infraestrutura em comparação com o confinamento. Produção o ano todo, com alta eficiência no bem-estar animal. Confinamento a Pasto Alimentação: O concentrado é fornecido no cocho no próprio pasto. A oferta de concentrado deve começar com 0,5% de PC, aumentando gradualmente até a ngir 1,8 a 2% de PC. Composição do Concentrado: A dieta deve conter 20-30% de PB e de 15-20 g/kg PC de concentrado, ajustada conforme o desempenho do animal. Bene cios: Redução do custo operacional devido ao uso de pasto como fonte de volumoso. Maior eficiência de ganho de peso nos animais. Produção de carne com carcaças maiores e bem acabadas. Resultados: Animais confinados têm maiores ganhos de peso (GMD), mas o confinamento de bovinos a pasto proporciona maior eficiência no ganho de carcaça. Confinamento Intensivo Estrutura: Sistema fechado com controle da alimentação balanceada e oferta de água constante. A lucra vidade média do confinamento gira entre 3 a 5%. U lização: É uma excelente alterna va para a compra de animais na safra e a produção/venda na entressafra. Bene cios: Redução do tempo de abate (100 a 120 dias comparado com 8 a 10 meses a pasto). Melhora na produ vidade da pastagem e economia nas reformas de pastagens. Produção de carcaças padronizadas e com bom acabamento. Maior controle sanitário, o que resulta em baixa mortalidade e maior segurança alimentar. Vantagens: Menor custo com maquinário e fácil adaptação dos animais. Redução da lotação do pasto, liberando áreas para outras a vidades como lavouras. Produção de adubo orgânico de alta qualidade. Eficiência no uso de maquinário e mão de obra. Desvantagens: Alto custo de nutrição e instalações. Necessidade de mão de obra qualificada e controle rigoroso sanitário. Aspectos de Gestão e Monitoramento Acompanhamento do Desempenho: Pesagem dos animais a cada 28 dias para avaliar o ganho de peso. Acompanhamento de doenças e sinais de briga ou dominância. Leitura de cocho para ajustar a oferta de ração conforme o consumo. Avaliação dos distúrbios metabólicos como acidose ruminal e intoxicação por ureia. Infraestrutura e Alimentação no Confinamento Localização e Drenagem: As instalações devem ser construídas em locais com boa drenagem, para evitar formação de lama e poças de água. Dimensões: O espaço mínimo por animal é de 15 a 30 m², dependendo das condições climá cas (menor para regiões secas e maior para úmidas). Equipamentos: Cochos com 1,8 a 3 metros de calçada e 1,5 metros linear por animal. Preferência por fundos arredondados para melhor distribuição da ração. Aspectos da Dieta: As dietas devem ser balanceadas em proteína bruta (PB), energia (NDT), minerais e vitaminas. A dieta pode incluir silagem de milho, sorgo, farelo de soja, milho, soja e farelo de trigo.