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Prof. Thiago Leite, Prof. Matthaus Marçal Pavanini Cardoso
15 Mineração e Meio Ambiente
Curso Interativo de Direito Ambiental para
Carreiras Jurídicas
Documento última vez atualizado em 28/06/2024 às 06:31.
15. Mineração e Meio Ambiente
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Índice
15.1) Regime Jurídico dos Minerais na Constituição Federal de 1988
15.2) Regime de Aproveitamento dos Recursos Minerais
15.3) Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais
15.4) Plano de Recuperação de Área Degradada-PRAD e Mineração em Unidades de
Conservação da Natureza
15.5) Principais Órgãos Integrantes do Sistema de Mineração
15.6) Lista de Questões
15. Mineração e Meio Ambiente
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Regime Jurídico dos Minerais na Constituição Federal de 1988
Propriedade dos Minerais - Regime de Dominialidade Pública     
Os recursos minerais são, como regra, substâncias químicas de origem inorgânica que surgem 
naturalmente na crosta terrestre. Podem ser de origem metálica, como o ouro, ferro, cobre e 
urânio ou de origem ametálica, como argila, cascalho e amianto.  
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 20, IX, adotou, desde a Constituição Federal 
Republicana de 1934, o regime de dominialidade pública restrita para esses recursos naturais. 
Vejamos o normativo: 
Art. 20. São bens da União: 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo. 
Nesse sentido, os recursos minerais são bens da União sendo o único proprietário dos 
minerais existentes no território nacional, excluindo, inclusive, os demais entes federativos. Há 
uma nítida diferenciação entre a propriedade da terra que pode ser apropriada pelo particular e 
a propriedade dos minerais nela existentes.    A propriedade mineral está adstrita ao regime de 
dominialidade pública. Os minerais, portanto, integral o patrimônio da União classificando-se 
como bens públicos dominiais. 
Cumpre advertir que não se deve confundir o regime de propriedade dos minerais com o 
regime de exploração desses recursos. Isso porque a União poderá autorizar o particular a 
desenvolver atividades de exploração ou aproveitamento desses recursos minerais. Nessa 
cadência, há autorizativo constitucional no art. 176, da CF/88: 
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia 
hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou 
aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do 
produto da lavra. 
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se 
refere o "caput" deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou 
concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis 
brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as 
condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou 
terras indígenas.       
15. Mineração e Meio Ambiente
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A Constituição Federal cria, portanto, um regime diferenciado entre a propriedade dos 
recursos minerais e a propriedade do produto da lavra, podendo esta ser adsorvida pelo 
particular até porque o desenvolvimento de uma atividade econômica não exige, 
necessariamente, que o agente seja a propriedade dos bens de produção. O STF, no 
Julgamento da ADI 3.273/DF, ratificou esse entendimento, destacando que a distinção entre 
atividade e propriedade permite que o domínio do resultado da lavra das jazidas minerais possa 
ser atribuído a terceiros pela União, sem qualquer ofensa à reserva de monopólio atribuída ao 
ente federativo.
Lavra é o conjunto de operações coordenadas com o objetivo de aproveitamento da jazida, 
desde a extração das substâncias minerais úteis que contiver até o beneficiamento destas.
Há dominialidade da propriedade dos recursos minerais pela União; mas não subsiste sobre 
a exploração econômica desses recursos, por opção constitucional, ressalvado os recursos 
minerais radioativos, que se submetem a regime de exploração próprio como visto na aula 
sobre energia. 
Reforçando esse entendimento, o art. 1.230 do Código Civil, apregoa que os recursos minerais 
não integram o patrimônio do particular superficiário, diferenciando o regime de propriedade 
do regime de aproveitamento. Vejamos: 
Art. 1.230. A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, 
os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por 
leis especiais. 
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de 
emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, 
obedecido o disposto em lei especial. 
15. Mineração e Meio Ambiente
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Competências Constitucionais em Matéria de Recursos Minerais    
A competência constitucional para legislar sobre minas, jazidas e outros recursos minerais ou 
metalurgia, é privativamente da União, nos termos do art. 22, XII, da CF/88. Vejamos: 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia. 
Não podemos esquecer que há possibilidade de os Estados legislarem sobre questões 
específicas das matérias relacionadas no art. 22, da CF/88, inclusive sobre os recursos 
minerais, desde que autorizado por Lei Complementar federal. 
A Constituição Federal também disciplinou a competência administrativa (material) comum 
quanto ao registro, fiscalização e acompanhamento do direito de pesquisa e exploração sobre 
os recursos minerais, nos termos do art. 23, XI, da CF/88: 
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: 
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XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de 
recursos hídricos e minerais em seus territórios. 
Resolveu o constituinte atribuir a obrigação de controle dessa atividade (registro, 
acompanhamento e fiscalização), reforçando a competência comum de todos os entes na 
defesa do meio ambiente, tendo em vista que a exploração/aproveitamento dos recursos 
minerais afeta sobremaneira a integridade desse patrimônio.  
Outro ponto que legitima a existência da competência administrativa comum são os interesses 
patrimoniais dos referidos entes federativos no que tange à compensação financeira pela 
exploração dos recursos minerais em seus respectivos territórios, nos termos do §1º, do art. 20, 
da CF/88. Vejamos o normativo: 
Art. 20. São bens da União: 
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos 
hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo 
território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação 
financeira por essa exploração. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 2019)   
A Emenda Constitucional n. 102/2019 incluiu a União na participação e excluiu os “órgãos da 
administração direta da União” que tinham direito à participação no resultado da exploração de 
forma expressa no referido normativo. Assim, hodiernamente, os recursos são atribuídos ao 
ente federativo União que poderá destiná-los indistintamente aos órgãos/entidades que 
materializam seu mister institucional, na efetivação de políticas públicas socioambientais.  
Cumpre lembrar também que os indígenas têm o direito de participar do resultado da lavra 
de recursos minerais desenvolvidas em suas terras, sejam homologadas ou não. Mas para 
exploração dessas áreas especialmente protegidas, cabe ao Congresso Nacional autorizar 
exploração mineral nas terras indígenas, nos termos do art. 231, §3º, da CF/88. Vejamos: 
Art. 231. Sãolegal específica autorizando tal aproveitamento (art. 23, da Lei 7.805/89), lembrando que há 
necessidade de autorização do Congresso Nacional para realização da pesquisa e da concessão 
de lavra, devendo ser assegurado aos povos indígenas a oitiva prévia quanto à necessidade de 
mineração em suas terras, bem como a participação nos resultados da lavra.  
Por outro lado, admite-se o aproveitamento mineral por PLG em faixa de fronteira, mas devem 
ser observadas outras normas como as ventiladas na Lei 6.634/1979 que regulamentou o 
regime jurídico da faixa de fronteira. Nesse sentido previu o art. 2º, que, salvo com o 
assentimento prévio do Conselho de Segurança Nacional (Hodiernamente Conselho de 
Defesa Nacional), será vedada, na faixa de fronteira, a prática dos atos referentes à instalação 
de empresas que se dedicarem às seguintes atividades de pesquisa, lavra, exploração e 
aproveitamento de recursos minerais, salvo aqueles de imediata aplicação na construção 
civil, assim classificados no Código de Mineração, conforme estudamos no regime de 
licenciamento. 
Com o advento da CF/88, foi criado o Conselho de Defesa Nacional, regulamentado pela Lei 
8.183/91 que previu como competência do CDN, nos termos do §1º, do art. 91, da CF/88, propor 
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os critérios e condições de utilização das áreas indispensáveis à segurança do território 
nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas 
com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo. 
 
 
2.4.2 - Deveres do permissionário da lavra  
O art. 9º, da Lei 7.805/89, elencou os deveres do permissionário de lavra garimpeira, dentre 
outros existentes no próprio Código de Mineração e normas correlatas. Vejamos: 
iniciar os trabalhos de extração no prazo de 90 (noventa) dias, contado da data da 
publicação do título no Diário Oficial da União, salvo motivo justificado; 
extrair somente as substâncias minerais indicadas no título; 
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comunicar imediatamente à ANM a ocorrência de qualquer outra substância mineral 
não incluída no título, sobre a qual, nos casos de substâncias e jazimentos garimpáveis, o 
titular terá direito a aditamento ao título permissionado; 
executar os trabalhos de mineração com observância das normas técnicas e 
regulamentares, baixadas pela ANM e pelo órgão ambiental competente; 
evitar o extravio das águas servidas, drenar e tratar as que possam ocasionar danos a 
terceiros; 
diligenciar no sentido de compatibilizar os trabalhos de lavra com a proteção do meio 
ambiente; 
adotar as providências exigidas pelo Poder Público; 
não suspender os trabalhos de extração por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, 
salvo motivo justificado; 
apresentar à ANM, até o dia 15 de março de cada ano, informações quantitativas da 
produção e comercialização, relativas ao ano anterior; e 
responder pelos danos causados a terceiros, resultantes, direta ou indiretamente, dos 
trabalhos de lavra. 
O Código de Mineração, em seu art. 6º-A, apresenta outros deveres anexos que devem ser 
observados por todo aquele que pratique a atividade de mineração incluindo: (1) a 
responsabilidade do minerador pela prevenção, mitigação e compensação dos impactos 
ambientais decorrentes dessa atividade, contemplando aqueles relativos ao bem-estar das 
comunidades envolvidas e ao desenvolvimento sustentável no entorno da mina; (2) a 
preservação da saúde e da segurança dos trabalhadores;  (3) a prevenção de desastres 
ambientais, incluindo a elaboração e a implantação do plano de contingência ou de 
documento correlato; bem como (4) a recuperação ambiental das áreas impactadas. 
O não atendimento dessas obrigações, gera a responsabilidade administrativa do titular da PLG 
sujeitando-o às sanções previstas no art. 63, do Código de Mineração (advertência, multa, 
caducidade do título, apreensão do minério, suspensão), com variação de multa variará de R$ 
2.000,00 (dois mil reais) a R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais), segundo a gravidade da 
infração. Em caso de reincidência, a multa é aplicada em dobro. Lembre-se que os tipos 
administrativos infracionais foram previstos no Decreto 9.406/2018, que não excluiu os 
previstos na legislação ambiental, notadamente aqueles elencados no Decreto 6.514/08, 
podendo ser aplicados cumulativamente. 
 
15. Mineração e Meio Ambiente
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Garimpagem Associativa   
A Constituição Federal de 1988 criou regras próprias para fomentar o cooperativismo mineral 
no Brasil em face dos grandes desafios que a economia globalizada apresentou para o pequeno 
mineralnegócio. Nesse sentido, o apoio estatal é fundamental para a sustentabilidade desses 
empreendimentos cabendo a ANM dar maior efetividade ao texto constitucional de forma a 
criar condições à formalização da produção e principalmente ao desenvolvimento sustentável 
de pequena mineração em nosso País, proporcionando maior inclusão social e mitigação das 
desigualdades sociais. A CF/88 previu os seguintes normativos quanto ao cooperativismo 
minerário: 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 38/60
Art. 21. Compete à União: 
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em 
forma associativa. 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na 
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante 
para o setor público e indicativo para o setor privado.            
§ 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. 
§ 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em 
conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. 
§ 4º As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou 
concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas 
onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei. 
Da análise dos dispositivos constitucionais, a Carta Política criou o dever do Estado em 
fomentar o pequeno mineralnegócio. Para isso, fixou a competência material exclusiva da 
União, por intermédio da ANM, nos termos do art. 21, XXV, da CF/88, para estabelecer as 
áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma associativa. 
Nessa linha, o §3º, do art. 174, da CF/88, definiu que cabe ao Estado favorecer a organização 
da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a 
promoção econômico-social dos garimpeiros. Visa a Carta Política efetivar o desenvolvimento 
sustentável lastreando a política pública minerária cooperativa nos pilares do desenvolvimento 
econômico, da proteção do meio ambiente e da equidade social. 
Ratificando ainda mais esse entendimento, o § 4º, do art. 174, da CF/88, definiu o regime de 
prioridade que deve ser atribuído às cooperativas na autorização ou concessão para pesquisa 
e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e 
naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, da CF/88. 
Nesse mesmo sentido, os arts. 12, e 15 da Lei 7.805/89, reforçam a necessidade de se 
estimular a garimpagem na forma associativa, reforçando o dever do Estado em favorecer a 
atividade garimpeira na modalidade de cooperativas. Vejamos: 
Art. 12. Nas áreas estabelecidas para garimpagem, os trabalhos deverão ser realizados 
preferencialmente em forma associativa, com prioridade para as cooperativas de 
garimpeiros. 
Art. 15. Cabe ao Poder Público favorecer a organização da atividade garimpeira em 
cooperativas, devendo promover o controle, a segurança, a higiene, a proteção ao meio 
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ambiente na área exploradae a prática de melhores processos de extração e tratamento. 
Lembre-se que para as cooperativas de garimpeiros não há o limite legal de 50 hectares para 
a extração dos minerais pelo regime de PLG, ficando a critério da ANM a fixação de limites. 
Alerte-se ainda que a permissão de lavra garimpeira terá como titular da outorgada o brasileiro, 
a cooperativa de garimpeiros, autorizada a funcionar como empresa de mineração. Esse título 
é pessoal e, mediante anuência da ANM, transmissível a quem satisfizer os requisitos para 
concessão da PLG. Mas não podemos esquecer que se outorgado a cooperativa de 
garimpeiros, a transferência dependerá ainda de autorização expressa da Assembleia Geral, 
por força do art. 5º, II, da 7.805/89. 
Por fim, o art. 231, em seu §7º, da CF/88, veda a aplicação das regras de favorecimento 
das cooperativas de garimpeiros elencadas no art. 174, § 3º e § 4º, quando o aproveitamento 
se der em terras indígenas.
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e 
tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à 
União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. 
§ 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º. 
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Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais
Previsão Normativa da CFEM 
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM tem berço 
constitucional sendo instituída pelo parágrafo único, do art. 20 da CF/88, com alterações da 
Emenda Constitucional n.  102/2019. Vejamos: 
Art. 20. São bens da União: 
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos 
para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, 
plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação 
financeira por essa exploração. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 102, de 2019)   
15. Mineração e Meio Ambiente
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Conforme já mencionado nesta obra, a Emenda Constitucional 102/2019 incluiu a União na 
CFEM e excluiu os “órgãos da administração direta da União” que tinham direito à participação 
no resultado da exploração de forma expressa no referido normativo. Assim, hodiernamente, os 
recursos são atribuídos ao ente federativo União que poderá destiná-los indistintamente aos 
órgãos/entidades que materializam seu mister institucional, na efetivação de políticas públicas 
socioambientais. 
No plano infraconstitucional, a Lei 7.990/89, disciplinou a compensação financeira pelo 
resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração 
de energia elétrica, de recursos minerais em seus respectivos territórios, plataforma 
continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva. 
Ao seu turno, a Lei 8.001/90, definiu os percentuais de distribuição da compensação financeira, 
sendo que o pagamento foi regulamentado pelo Decreto 01/91. Vejamos o resumo 
esquemático abaixo: 
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais é uma contraprestação 
pela utilização econômica dos recursos minerais em seus respectivos territórios, isto é, ela é 
uma contrapartida da empresa exploradora aos Municípios, Estados e União pela exploração 
dos minerais. É um pagamento pelo uso de um bem que pertence ao Estado (União), sendo 
uma contraprestação financeira pelo uso de bem público, sendo receita originária patrimonial 
dos referidos entes federativos.  
Nessa linha, compete privativamente à União, por intermédio da entidade reguladora do setor 
de mineração, hodiernamente a ANM, regular, arrecadar, fiscalizar, cobrar e distribuir a 
CFEM, nos termos do art. 2o-F, da Lei 8.001/90.  
Fatos Geradores da CFEM 
O art. 6º, da Lei 7.990/89, com alterações/inclusões trazidas pela Lei 13.540/2017, previu os 
fatos geradores que autorizam a incidência da Compensação Financeira pela Exploração de 
Recursos Minerais. Ensejam a cobrança da CFEM por ocasião:     
da primeira saída por venda de bem mineral;     
CFEM: Normas de Regência 
Constituição Federal de 1988  Art. 20, §1º  Instituiu a CFEM 
Lei Federal  Lei 7.990/89  Regulamentou a CFEM 
Lei 8.001/90  Define os percentuais da CFEM 
Decreto  Decreto 01/91  Regulamentou o pagamento da CFEM 
15. Mineração e Meio Ambiente
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do ato de arrematação, nos casos de bem mineral adquirido em hasta pública;      
do ato da primeira aquisição de bem mineral extraído sob o regime de permissão de 
lavra garimpeira; e   
do consumo de bem mineral.    
A CFEM tem a incidência autorizada quando da prática de qualquer dos atos acima 
mencionados sobre o bem mineral, sendo este definido como a substância mineral já lavrada 
após a conclusão de seu beneficiamento, quando for o caso. Esse beneficiamento, nos termos 
do §4º, II, da Lei 7.990/89, refere-se as operações que objetivem o tratamento do minério, tais 
como processos realizados por fragmentação, pulverização, classificação, concentração, 
separação magnética, flotação, homogeneização, aglomeração, aglutinação, briquetagem, 
nodulação, pelotização, ativação e desaguamento, além de secagem, desidratação, filtragem e 
levigação, ainda que exijam adição ou retirada de outras substâncias. 
Para fins de incidência da CFEM, equipare-se ao bem mineral, na hipótese de alienação ou 
consumo, os rejeitos e estéreis decorrentes da exploração de áreas objeto de direitos 
minerários que possibilitem a lavra, havendo uma redução de alíquota da CFEM de 50%, nos 
termos do §7º, da Lei 7.990/89. 
Como visto, o consumo do bem mineral também enseja a incidência da CFEM entendido este 
como a utilização de bem mineral, a qualquer título, pelo detentor ou arrendatário do direito 
minerário, assim como pela empresa controladora, controlada ou coligada, em processo que 
importe na obtenção de nova espécie.      
Base de Cálculo e Alíquota da CFEM 
A definição da base de cálculo da CFEM depende se o produto mineral for destinado à venda, 
ao consumo, à exportação, à arrematação, bem como à forma de extração. Segue esquema 
abaixo em relação às referidas hipóteses. 
Ato  Incidência  Observações 
Venda  Receita bruta da 
venda 
Deduzidos os tributos incidentes sobre sua 
comercialização.  
Consumo  Receita bruta 
calculada 
Cálculo: considerado o preço corrente do bem 
mineral, ou de seu similar, no mercado local, regional, 
nacional ou internacional, conforme o caso, ou o valor 
de referência. 
Exportação  Receita calculada  Cálculo: o preço parâmetro definido pela Secretaria da 
Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, no 
mínimo; ou o valor de referência na inexistência do 
primeiro. 
15. Mineração e Meio Ambiente
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Quanto à alíquota incidente, o art. 2º da Lei 8.001/90, com alterações produzidas pela Lei 
13.540/2017, definiu que o empreendedor deverá pagar a CFEM num percentual de até 4% 
do produto do faturamento bruto resultante da venda do produto mineral. Os valores foram 
fixados no Anexo da Lei 8.001/90, são eles: 
O ferro poderá ter a alíquota reduzida para até 2%, com o objetivo de não prejudicar a 
viabilidade econômica de jazidas com baixos desempenho e rentabilidade em razão do teor de 
ferro, da escala de produção, do pagamento de tributos e do número de empregados, mediante 
Decreto Presidencial. 
Distribuição da CFEM 
A distribuição dos recursos da CFEM é feita entre os entes federativos, nos termos do art. 2º, 
§2º, da Lei 8.001/90, com alterações produzidas pela Lei 13.540/2017, da seguinte forma:  
Hasta 
Pública 
Valor da 
arrematação 
------------- 
Extração por 
PLG 
Valor da primeira 
aquisição do bem 
mineral 
------------- 
Substância Mineral  Alíquota 
(atualizadas pela 
Lei 13.540/2017)Rochas, areias, cascalhos, saibros e demais substâncias minerais 
quando destinadas ao uso imediato na construção civil; rochas 
ornamentais; águas minerais e termais 
1% 
Ouro  1,5% 
Diamante e demais substâncias minerais  2% 
Bauxita, manganês, nióbio e sal-gema  3% 
Ferro, observadas as regras da Lei 8.001/90.  3,5% (pode ser 
reduzido até 2%) 
Entidade Beneficiária  Alíquota  Observações 
15. Mineração e Meio Ambiente
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Agência Nacional de 
Mineração 
7%  entidade reguladora do setor de mineração 
Fundo Nacional de 
Desenvolvimento 
Científico e Tecnológico 
(FNDCT) 
1%  destinado ao desenvolvimento científico e 
tecnológico do setor mineral 
Centro de Tecnologia 
Mineral (Cetem), vinculado 
ao Ministério da Ciência, 
Tecnologia, Inovações e 
Comunicações 
1,8%  para a realização de pesquisas, estudos e projetos 
de tratamento, beneficiamento e industrialização de 
bens minerais 
IBAMA  0,2%  ara atividades de proteção ambiental em regiões 
impactadas pela mineração 
Estados/DF Produtores  15%  serão destinados, preferencialmente, pelo menos 
20% de cada uma dessas parcelas para atividades 
relativas à diversificação econômica, ao 
desenvolvimento mineral sustentável e ao 
desenvolvimento científico e tecnológico 
Municípios/DF produtores  60% 
Municípios/DF afetados 
pela atividade de 
mineração (não 
produtores) 
15%  A alíquota de 15% para o Distrito Federal e os 
Municípios, quando afetados pela atividade de 
mineração e a produção não ocorrer em seus 
territórios, só poderá incidir nas seguintes 
situações:  
cortados pelas infraestruturas utilizadas para o 
transporte ferroviário ou dutoviário de 
substâncias minerais;    
afetados pelas operações portuárias e de 
embarque e desembarque de substâncias 
minerais;                   
onde se localizem as pilhas de estéril, as 
barragens de rejeitos e as instalações de 
beneficiamento de substâncias minerais, bem 
como as demais instalações previstas no plano 
de aproveitamento econômico; e          
Na inexistência de Municípios/DF afetados pela 
atividade minerária ou enquanto não editado o 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 45/60
Sujeito Passivo da CFEM 
O art. 2º-A, da Lei 8.001/90, com inclusão pela Lei 13.540/2017, previu o sujeito passivo da 
CFEM, ficando obrigado ao pagamento da retribuição as seguintes pessoas físicas e jurídicas: 
o titular de direitos minerários que exerça a atividade de mineração;              
o primeiro adquirente de bem mineral extraído sob o regime de permissão de lavra 
garimpeira;                
o adquirente de bens minerais arrematados em hasta pública; e         
a que exerça, a título oneroso ou gratuito, a atividade de exploração de recursos 
minerais com base nos direitos do titular original (devem ser registrados na ANM). 
Na hipótese de arrendamento, o arrendante de direito minerário responde subsidiariamente 
pela CFEM devida durante a vigência do contrato de arrendamento, assim como o cessionário 
e o cedente respondem solidariamente por eventual débito da CFEM relativo a período anterior 
à averbação da cessão na ANM.               
Sanções Administrativas 
A Lei 8.001/90, em seu art. 2º-C, previu as sanções administrativas relacionadas com a 
CFEM. Nesse sentido, definiu a multa com seu respectivo valor para algumas condutas 
atentatórias aos interesses dos beneficiários da CFEM. Sem excluir a possível responsabilidade 
criminal para essas condutas, vejamos o esquema abaixo: 
Decreto Presidencial, o valor dos 15%, nos termos 
do §3º, do art. 2º, da Lei 8.001/90, com alterações 
produzidas pela Lei 13.540/2017, será destinada aos 
Estados/DF onde ocorrer a produção. 
Condutas  Multa 
fornecimento de declarações ou informações 
inverídicas. 
multa será de 20% do valor apurado 
pela entidade reguladora do setor de 
mineração ou de R$ 5.000,00, o que for 
maior.    
falsificação, adulteração, inutilização, simulação 
ou alteração dos registros e da escrituração de 
livros e de outros documentos exigidos pela 
fiscalização 
multa será de 20% do valor apurado 
pela entidade reguladora do setor de 
mineração ou de R$ 5.000,00, o que for 
maior.    
recusa injustificada em apresentar os 
documentos requisitados pela entidade 
a multa será de 0,33% ao dia até o 
limite máximo de 20% do valor 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 46/60
Os créditos relacionados às multas aplicadas pela ANM vinculadas a CFEM, serão submetidos, 
por questões de segurança jurídica, aos prazos decadenciais e prescricionais, que são 
respectivamente de 10 anos e 5 anos. O art. 47, da Lei 9.636/98, disciplinou esses prazos, 
vejamos: 
reguladora  apurado pela entidade reguladora do 
setor de mineração.   
Reincidência: suspensão das atividades 
da lavra até o adimplemento e multa em 
dobro. 
apuração de CFEM menor que a devida 
segundo regulamentação da ANM 
a multa será de 30% do valor apurado 
pela ANM. 
Art. 47. O crédito originado de receita patrimonial será submetido aos seguintes prazos:   
I - decadencial de dez anos para sua constituição, mediante lançamento; e  
II - prescricional de cinco anos para sua exigência, contados do lançamento.   
§ 1º O prazo de decadência de que trata o caput conta-se do instante em que o respectivo 
crédito poderia ser constituído, a partir do conhecimento por iniciativa da União ou por 
solicitação do interessado das circunstâncias e fatos que caracterizam a hipótese de incidência 
da receita patrimonial, ficando limitada a cinco anos a cobrança de créditos relativos a 
período anterior ao conhecimento.   
§ 2º Os débitos cujos créditos foram alcançados pela prescrição serão considerados apenas 
para o efeito da caracterização da ocorrência de caducidade de que trata o parágrafo único 
do art. 101 do Decreto-Lei no 9.760, de 1946, com a redação dada pelo art. 32 desta Lei. 
Natureza Jurídica da CFEM 
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, como visto, é uma 
retribuição do particular em face do usufruto dos minerais que são bens públicos de 
propriedade/gestão da União que fica obrigada a repassar parte da parcela dos valores aos 
demais entes federativos por força da imposição constitucional do art. 20, §1º. 
A natureza jurídica da CFEM encontra na doutrina sua fonte de inspiração, tendo correntes que 
defendem ter natureza: tributária, indenizatória, receita originária, ou mesmo de preço público. 
Mas na jurisprudência, notadamente pelos precedentes da Corte Suprema, a CFEM se 
consolidou com natureza jurídica de receita originária do tipo patrimonial, afastando a 
incidência de receita derivada na modalidade de tributo. A CFEM é receita patrimonial 
originária de cada ente federativo. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 47/60
Para o STF, no julgamento da ADI 6233, de relatoria do Min. Alexandre de Morais, as rendas 
obtidas nos termos do art. 20, § 1º, da CF constituem receita patrimonial originária, cuja 
titularidade – que não se confunde com a dos recursos naturais objeto de exploração – 
pertence a cada um dos entes federados afetados pela atividade econômica.  
Destaca a Corte, que, embora sejam receitas originárias de Estados e Municípios, as suas 
condições de recolhimento e repartição são definidas por regramento da União, que tem dupla 
autoridade normativa na matéria, já que cabe a ela definir as condições (legislativas) gerais de 
exploração de minerais (art. 22, IV e XII, da CF), bem como as condições (contratuais) 
específicas da outorga dessa atividade a particulares (art. 176, parágrafo único, da CF). Nessa 
linha, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não possuem competência para definir as 
condições de recolhimento das compensações financeiras de sua titularidade, ou mesmo 
para arrecadá-las diretamente, por intermédio de seus órgãos fazendários, tendo em vista que 
a ConstituiçãoFederal atribuiu tal competência à União. 
O STF já assentou em sua jurisprudência que o Tribunal de Contas da União não é 
competente para fiscalizar, no exercício do controle externo, a transferência de recursos da 
CFEM pela União aos demais entes federativos em face de sua natureza jurídica de receita 
patrimonial originária, cabendo ao Tribunal de Contas dos respectivos entes federativos tal 
atribuição (MS 24.312/RJ). Nesse sentido, entende a Suprema Corte que esses recursos 
repassados não pertencem originariamente à União por expressa disposição Constitucional, 
funcionando como mero gestor dos interesses dos demais entes, afastando o controle externo 
pelo TCU.  
Por outro lado, o professor Romeu Thomé defende que a natureza jurídica da CFEM deve ser 
analisada em relação à cada um dos entes federativos, sendo receita patrimonial originária para 
União, por ser a proprietária dos bens minerais e, consequentemente, deve ser compensada 
pelo usufruto de seus minerais; e, para os demais entes, compensação financeira pela 
degradação ambiental da exploração mineral e pelo impacto socioeconômico do esgotamento 
da mina. Assim, devem os Estados e Municípios investirem suas receitas exclusivamente no 
desenvolvimento da infraestrutura da cidade objetivando a diversificar a economia e diminuir a 
dependência local em relação à atividade de mineração que tem prazo certo para exaurimento. 
Mas, frise-se, é posição doutrinária minoritária. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 48/60
15. Mineração e Meio Ambiente
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Plano de Recuperação de Área Degradada-PRAD e Mineração em
Unidades de Conservação da Natureza
Plano de Recuperação de Área Degradada-PRAD 
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 225, §2º, exige daquele que pratica a atividade de 
aproveitamento de recursos minerais o dever de recuperar o meio ambiente degradado. 
Vejamos o normativo: 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 50/60
Art. 225. (....) 
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente 
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma 
da lei. 
Diversas são as normas legais que exigem do poluidor, desenvolva ou não atividade minerária, 
o dever de recuperar os danos acarretados ao meio ambiente. Podemos citar a Politica 
Nacional do Meio Ambiente-PNMA, Lei 6.938/81, que, em seu art.2º, VIII, definiu como 
princípio da PNMA a recuperação de áreas degradadas; bem como o Código de Mineração, 
que, em seu art. 43-A e demais normativos correlatos, exige do titular da concessão de lavra o 
dever de recuperação do meio ambiente degradado incluindo o plano de fechamento da mina 
e o descomissionamento de todas as instalações, incluídas barragens de rejeitos. 
O Decreto 97.632/89 regulamentou a recuperação do meio ambiente natural das áreas 
degradadas por atividades minerárias. Definiu o art. 1º que os empreendimentos que se 
destinam à exploração de recursos minerais deverão, quando da apresentação do Estudo de 
Impacto Ambiental - EIA e do Relatório do Impacto Ambiental - RIMA, submeter à aprovação 
do órgão ambiental competente, Plano de Recuperação de Área Degradada - PRAD. 
O PRAD, em regra, é um plano que deve ser apresentado após a ocorrência do dano ao meio 
ambiente, como ocorre, a título de exemplo, em uma infração de desmatamento, que, após o 
término do processo administrativo ambiental sancionador, deverá o poluidor, em sendo o caso, 
apresentar ao órgão ambiental competente o respectivo PRAD para fins de aprovação.  
Por outro lado, existem hipóteses em que os danos provocados ao meio ambiente pelo 
desenvolvimento da atividade são conhecidos ou, no mínimo, mensuráveis, de sorte que a 
apresentação do PRAD passa a ser prévio, melhor dizendo, há necessidade de apresentação 
do plano antes mesmo da configuração do dano. É o caso da atividade de mineração em que 
o PRAD é submetido previamente a autoridade ambiental competente para fins de aprovação. 
Alertamos que, embora o texto normativo esteja direcionado à exigência de PRAD em casos de 
necessidade de elaboração de EIA/RIMA (desenvolvimento de atividades/empreendimentos 
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente - art. 225, §1º, IV, da 
CF/88), o PRAD é obrigatório para toda atividade que provoque ou possa provocar danos ao 
meio ambiente natural, seja ou não causadora de significativos impactos. Assim, toda obra ou 
atividade que exigir EPIA/RIMA, exigirá o PRAD. Mas isso não implica dizer que a exigência do 
PRAD pressupõe a dos instrumentos de controle preventivo mencionados. 
O Decreto 97.632/89, definiu ainda, em seu art. 2°, o conceito de degradação como sendo os 
processos resultantes dos danos ao meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem 
algumas de suas propriedades, tais como, a qualidade ou capacidade produtiva dos recursos 
ambientais, estando em consonância com a previsão do art.3º, II, da Lei da PNMA, que define a 
degradação da qualidade ambiental, como a alteração adversa das características do meio 
ambiente, sendo a poluição um tipo de degradação. 
15. Mineração e Meio Ambiente
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Por fim, a norma regulamentadora definiu, em seu art.3º, o objetivo essencial na elaboração e 
execução do PRAD, qual seja, o retorno do sítio degradado a uma forma de utilização, de 
acordo com um plano preestabelecido para o uso do solo, visando a obtenção de uma 
estabilidade do meio ambiente. Podemos dizer que esse “retorno” se enquadra melhor no 
conceito de restauração previsto no art. 2º, da Lei 9.985/00 (SNUC), no sentido de que a 
recuperação visa a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre 
degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente de sua condição original. 
Mineração em Unidades de Conservação da Natureza 
A possibilidade ou não de mineração em Unidades de Conservação-UCs da natureza depende 
do regime jurídico de criação desses espaços territoriais. As unidades de conservação -UCs 
podem ser divididas em dois grupos: unidades de proteção integral e de uso sustentável, nos 
termos do art. 7º, da Lei 9.985/00 (Lei do SNUC). 
O desenvolvimento da atividade minerária em unidades de conservação de proteção integral 
encontra obstáculo jurídico para sua efetivação, tendo em vista a natureza jurídica desses 
espaços territoriais especialmente protegidos. Isso porque as UCs de proteção integral têm por 
objetivo preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, 
como regra. Nessa linha, por impossibilidade legal, é possível inferir que há vedação implícita 
ao desenvolvimento de atividades minerais em: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque 
Nacional, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. 
Assim, qualquer pedido de concessão de lavra ou de realização de pesquisa minerária em 
unidades de conservação de proteção integral deve ser indeferido pela ANM, mesmo que 
tenha sido formulada em pedido anterior à criação da unidade de conservação. 
Quanto às unidades de conservação de uso sustentável, tendo em vista que visam 
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus 
recursos naturais, o desenvolvimento da atividade minerária é permitido, como regra. Advirta-
se apenas que a Lei 9.985/00 previu expressamente, em seu art.18, §6º, a impossibilidade da 
prática de atividade de exploração de minérios em Reservas Extrativistas. Vejamos: 
Art. 18. A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, 
cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de 
subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger 
os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos 
naturais da unidade. 
§ 6o São proibidas a exploração de recursos minerais e a caça amadorísticaou profissional. 
Nessa linha, é permitida a prática de extração de minérios na Área de Proteção Ambiental; 
Área de Relevante Interesse Ecológico; Floresta Nacional; Reserva de Fauna; Reserva de 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 52/60
Principais Órgãos Integrantes do Sistema de Mineração
Desenvolvimento Sustentável; e Reserva Particular do Patrimônio Natural, com exceção 
apenas da Reserva Extrativista por expressa determinação legal. 
A Lei do SNUC admite o uso dos recursos naturais, aí incluído os minerais, desde que em 
consonância com o Plano de Manejo da Unidade que pode ou não autorizar o desenvolvimento 
da atividade de acordo com os objetivos e zoneamentos nele definidos. 
Advirta-se que a conclusão apresentada quanto às unidades de conservação de uso sustentável 
não é tão trivial como parece transparecer. Há divergência na doutrina e recentes 
controvérsias judiciais quanto à possibilidade de mineração em unidades de conservação de 
uso sustentável. 
Destaca Romeu Thomé que a possibilidade de extração de recursos minerais em unidade de 
conservação de uso sustentável deve ser casuística, com análise de cada situação posta. Isso 
porque deve-se levar em conta diversos aspectos como a extensão da atividade minerária, os 
objetivos da UC, as regras previstas no plano de manejo, o momento de criação da unidade de 
conservação em relação à atividade mineradora, dentre outros aspectos.  
Os principais órgãos integrantes do sistema de mineração, além daqueles que já atuam na 
fiscalização e controle da produção e comercialização dos minerais vinculados a cada 
Estado/DF e Município, são o Ministério de Minas e Energia – MME; a Agência Nacional de 
Mineração- ANM, extinto Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM; e a 
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM (Serviço Geológico do Brasil). 
Ministério de Minas e Energia - MME 
O Ministério de Minas e Energia, como visto na aula que discutiu o tema energia, é órgão da 
administração pública federal direta, que tem como área de competência os seguintes pontos 
relacionados à mineração, nos termos do art. 1º, do Anexo 1, do Decreto 9.675/2019:  
políticas nacionais de geologia, de exploração e de produção de recursos minerais e 
energéticos;  
política nacional de mineração e transformação mineral;  
diretrizes para o planejamento dos setores de minas e de energia;  
políticas nacionais de sustentabilidade e de desenvolvimento econômico, social e 
ambiental dos recursos elétricos, energéticos e minerais;  
elaboração e aprovação das outorgas relativas aos setores de minas e energia;  
avaliação ambiental estratégica, quando couber, em conjunto com o Ministério do Meio 
Ambiente e demais órgãos relacionados;  
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 53/60
participação em negociações internacionais relativas aos setores de minas e energia; e  
fomento ao desenvolvimento e adoção de novas tecnologias relativas aos setores de minas 
e de energia.  
Pelo que se denota, o principal mister institucional do MME é a formulação das políticas e 
diretrizes gerais do setor mineral (e energético) para o País. 
Cumpre lembrar que o Ministro do MME tem a atribuição de outorgar o título minerário 
quando o regime de aproveitamento for por concessão de lavra, nos termos do inciso X, do art. 
1º, do Decreto 9.675/2019 e mais precisamente dos arts. 2º e 7º, do Código de Mineração. 
Art. 2º. Os regimes de aproveitamento das substâncias minerais, para efeito deste Código, 
são:  
I - regime de concessão, quando depender de portaria de concessão do Ministro de Estado de 
Minas e Energia;    
Art. 7º O aproveitamento das jazidas depende de alvará de autorização de pesquisa, do Diretor-
Geral do DNPM (ANM), e de concessão de lavra, outorgada pelo Ministro de Estado de 
Minas e Energia. 
Destaque-se ainda que o Ministro do MME, relativamente à taxa anual por hectares cobrada 
para autorização de pesquisa, tem a atribuição de estabelecer, mediante portaria, os valores, 
os prazos de recolhimento e demais critérios e condições de pagamento, nos termos do art. 
20, §1º, do Código de Mineração. Essa fixação de valor deve atender ao princípio da 
progressividade em função da substância mineral objetivada, extensão e localização da área e 
de outras condições a serem fixadas. 
A taxa anual por hectare é uma taxa obrigatória a todos os detentores de alvará de pesquisa. 
Tal taxa, foi instituída pela Lei 7.886/89.  
O pagamento é fundamental para a manutenção da higidez do título de pesquisa. A 
inadimplência enseja sanção administrativa de multa em o valor de R$3.239,26, nos termos da 
alínea "a", do inciso II, do §3º, do art. 20, do Código de Mineração. 
Reforçando as atribuições do Ministro do MME, o art. 3º, da Lei 13.575/2017, previu as 
seguintes competências: 
decidir requerimento de lavra e outorgar concessões de lavra, ressalvado o disposto no 
inciso XXXIII do caput do art. 2º desta Lei; 
declarar a caducidade e a nulidade de concessões de lavra e manifestos de mina, 
ressalvado o disposto no inciso XIX do caput do art. 2º desta Lei; e 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 54/60
conceder anuência prévia aos atos de cessão ou transferência de concessões de lavra e 
manifestos de mina, conforme estabelecido no § 3º do art. 176 da Constituição Federal, 
ressalvado o disposto no inciso XXXIII do caput do art. 2º desta Lei. 
Para consecução dessas competências, e buscando agilizar o andamento processual, todas as 
análises técnicas necessárias para subsidiar o processo decisório, deverão ser realizadas 
pela ANM, tendo em vista que a Autarquia tem a atribuição de prestar apoio técnico ao 
Ministério de Minas e Energia, nos termos do art. 2º, III, da Lei 13.575/2017. 
Agência Nacional de Mineração - ANM 
A Agência Nacional de Mineração – ANM foi criada pela Lei 13.575/2017 (conversão da MP 
791/2017) que abarcou as atribuições do extinto Departamento Nacional de Produção Mineral – 
DNPM. A ANM é integrante da Administração Pública federal indireta, submetida ao regime 
autárquico especial e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. 
A ANM tem como finalidade essencial promover a gestão dos recursos minerais da União, 
bem como a regulação e a fiscalização das atividades para o aproveitamento dos recursos 
minerais no País. A ANM é o órgão executor das políticas públicas relacionadas ao setor 
mineral, dando concretude as normas fundamentais previstas na CF/88, no Código de 
Mineração e nas demais normas correlatas. 
O art. 2º, da Lei 13.575/2017, pormenorizou as atribuições da ANM no que tange a busca pela 
efetividade das políticas públicas do setor minerário e definiu como suas atribuições:  
implementar a política nacional para as atividades de mineração; 
estabelecer normas e padrões para o aproveitamento dos recursos minerais, observadas 
as políticas de planejamento setorial definidas pelo Ministério de Minas e Energia e as 
melhores práticas da indústria de mineração; 
prestar apoio técnico ao Ministério de Minas e Energia; 
requisitar, guardar e administrar os dados e as informações sobre as atividades de 
pesquisa e lavra produzidos por titulares de direitos minerários; 
gerir os direitos e os títulos minerários para fins de aproveitamento de recursos minerais; 
estabelecer os requisitos técnicos, jurídicos, financeiros e econômicos a serem 
atendidos pelos interessados na obtenção de títulos minerários; 
estabelecer os requisitos e os critérios de julgamento dos procedimentos de 
disponibilidade de área, conforme diretrizes fixadas em atos da ANM; 
regulamentar os processos administrativos sob sua competência, notadamente os 
relacionados com a outorga de títulos minerários, com a fiscalização de atividades de 
mineração e aplicação de sanções; 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 55/60
consolidar as informações do setor mineral fornecidas pelos titulares de direitos 
minerários, cabendo-lhe a suadivulgação periódica, em prazo não superior a um ano; 
emitir o Certificado do Processo de Kimberley, de que trata a Lei nº 10.743, de 9 de 
outubro de 2003, ressalvada a competência prevista no § 2º do art. 6º da referida Lei; 
fiscalizar a atividade de mineração, podendo realizar vistorias, notificar, autuar 
infratores, adotar medidas acautelatórias como de interdição e paralisação, impor as 
sanções cabíveis, firmar termo de ajustamento de conduta, constituir e cobrar os 
créditos delas decorrentes, bem como comunicar aos órgãos competentes a eventual 
ocorrência de infração, quando for o caso; 
regular, fiscalizar, arrecadar, constituir e cobrar os créditos decorrentes: 
a) da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), de que trata a 
Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989; 
b) da taxa anual, por hectare, a que se refere o inciso II do caput do art. 20 do Decreto-Lei nº 
227, de 28 de fevereiro de 1967 (Código de Mineração); e 
c) das multas aplicadas pela ANM; 
normatizar, orientar e fiscalizar a extração e coleta de espécimes fósseis a que se refere 
o inciso III do caput do art. 10 do Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967 (Código 
de Mineração), e o Decreto-Lei nº 4.146, de 4 de março de 1942, e adotar medidas para 
promoção de sua preservação; 
mediar, conciliar e decidir os conflitos entre os agentes da atividade de mineração; 
decidir sobre direitos minerários e outros requerimentos em procedimentos 
administrativos de outorga ou de fiscalização da atividade de mineração, observado o 
disposto no art. 3º desta Lei; 
julgar o processo administrativo instaurado em função de suas decisões; 
expedir os títulos minerários e os demais atos referentes à execução da legislação 
minerária, observado o disposto no art. 3º desta Lei; 
decidir requerimentos de lavra e outorgar concessões de lavra das substâncias minerais 
de que trata o art. 1º da Lei nº 6.567, de 24 de setembro de 1978; 
declarar a caducidade dos direitos minerários, cuja outorga de concessões de lavra seja 
de sua competência; 
estabelecer as condições para o aproveitamento das substâncias minerais destinadas à 
realização de obras de responsabilidade do poder público; 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 56/60
aprovar a delimitação de áreas e declarar a utilidade pública para fins de 
desapropriação ou constituição de servidão mineral; 
estabelecer normas e exercer fiscalização, em caráter complementar, sobre controle 
ambiental, higiene e segurança das atividades de mineração, atuando em articulação com 
os demais órgãos responsáveis pelo meio ambiente e pela higiene, segurança e saúde 
ocupacional dos trabalhadores; 
definir e disciplinar os conceitos técnicos aplicáveis ao setor de mineração; 
fomentar a concorrência entre os agentes econômicos, monitorar e acompanhar as 
práticas de mercado do setor de mineração brasileiro e cooperar com os órgãos de 
defesa da concorrência, observado o disposto na Lei nº 12.529, de 30 de novembro de 
2011, e na legislação pertinente; 
regular e autorizar a execução de serviços de geologia e geofísica aplicados à atividade 
de mineração, visando ao levantamento de dados técnicos destinados à comercialização, 
em bases não exclusivas; 
estabelecer os requisitos e procedimentos para a aprovação e decidir sobre o relatório 
final de pesquisa; 
apreender, destruir, doar a instituição pública substâncias minerais e equipamentos 
encontrados ou provenientes de atividades ilegais ou promover leilão deles, conforme 
dispuser resolução da ANM, com acompanhamento de força policial sempre que 
necessário, ficando autorizado o leilão antecipado de substâncias minerais e equipamentos, 
no caso de risco de depreciação, mantido o valor apurado em depósito até o término do 
procedimento administrativo de perdimento pertinente; 
normatizar, fiscalizar e arrecadar os encargos financeiros do titular do direito minerário e 
os demais valores devidos ao poder público nos termos desta Lei, bem como constituir e 
cobrar os créditos deles decorrentes e efetuar as restituições devidas; 
normatizar e reprimir as infrações à legislação e aplicar as sanções cabíveis, observado 
o disposto nesta Lei; 
instituir o contencioso administrativo para julgar os créditos devidos à ANM em 1ª 
instância administrativa e os recursos voluntários, assim como os pedidos de restituição do 
indébito, assegurados o contraditório e a ampla defesa; 
manter o registro mineral e as averbações referentes aos títulos e aos direitos minerários; 
expedir certidões e autorizações; 
conceder anuência prévia aos atos de cessão ou transferência de concessão de lavra 
cuja outorga seja de sua competência, conforme estabelecido pelo § 3º do art. 176 da 
Constituição Federal; 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 57/60
regulamentar o compartilhamento de informações sobre a atividade de mineração entre 
órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
normatizar o sistema brasileiro de certificação de reservas e recursos minerais, no 
prazo de até um ano, contado da publicação desta Lei; 
aprovar seu regimento interno; 
regulamentar a aplicação de recursos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e 
inovação, do setor mineral. 
A fiscalização do cumprimento das normas do setor minerário, como visto acima, é de 
competência originária da ANM. Mas o § 4º, da Lei 13.575/2017, previu a possibilidade de a 
competência de fiscalização das atividades de mineração e da CFEM serem exercidas por 
meio de convênio com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que os entes 
possuam serviços técnicos e administrativos organizados e aparelhados para execução das 
atividades, conforme condições estabelecidas em ato da ANM. 
Cumpre destacar que se a ANM, no exercício de seu mister institucional,  tomar conhecimento 
de fato que possa configurar indício de infração da ordem econômica, deverá comunicar 
imediatamente o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sendo que se as 
informações decorrerem de cessão de direitos minerários que não atenda aos critérios 
previstos na legislação de defesa da concorrência brasileira, a anuência da cessão estará 
vinculada à decisão terminativa proferida pelo Cade publicada em meio oficial. 
No exercício das competências de fiscalização da ANM, poderão ser requisitados e 
examinados livros, mercadorias, arquivos ou documentos que repercutam no objeto da 
fiscalização, e poderão ser realizadas vistorias ou inspeções nas instalações dos titulares de 
direitos minerários, devendo os livros, os arquivos ou os documentos serem conservados até o 
termo final do prazo de prescrição dos créditos decorrentes das operações a que se refiram. 
Quanto à estrutura organizacional, a ANM é dirigida por uma Diretoria Geral composta por 
um Diretor -Geral e quatro Diretores cabendo ao Diretor-Geral exercer a representação da 
ANM, a presidência da Diretoria Colegiada e o comando hierárquico sobre o pessoal e os 
serviços, como também desempenhar as competências administrativas correspondentes e a 
presidência das sessões da Diretoria Colegiada, sem prejuízo das deliberações colegiadas 
para matérias definidas no regimento interno. 
Os membros da Diretoria exercerão mandatos de quatro anos, não coincidentes, permitida 
única recondução, ficando impedidos de exercer atividade ou de prestar qualquer serviço no 
setor regulado pela ANM, pelo período de seis meses, contado da data de exoneração ou do 
término de seus mandatos, assegurada a remuneração compensatória (art. 7º c/c 8º, da Lei 
13.575/2017). 
Compete à Diretoria Colegiada: exercer a administração da ANM; editar as normas sobre 
matérias de competência da ANM; e decidir, em última instância, na esfera da ANM, sobre as 
matérias de sua competência, exceto nas hipóteses em que o regulamento ou resolução da 
ANM estabelecer o Diretor-Geral como última instância recursal, sendo que as deliberações 
15. Mineração e MeioAmbiente
15. Mineração e Meio Ambiente 58/60
ocorrerão por maioria absoluta de seus membros, e caberá ao Diretor-Geral, além do voto 
ordinário, o voto de qualidade (art. 11, §1º, da Lei 13.575/2017). 
As demais estruturas organizacionais da ANM são a Procuradoria, Ouvidoria, Corregedoria, 
Auditoria e unidades administrativas. 
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM 
A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM foi criada inicialmente pelo 
Decreto-Lei n° 764/69 sendo uma sociedade de economia mista, sendo posteriormente 
transformada em empresa pública, sob a forma de sociedade por ações, vinculadas ao 
Ministério de Minas e Energia, pela Lei 8.970/94, exercendo as atribuições de Serviço 
Geológico do Brasil (nome fantasia da CPRM). 
Nos termos do art.2º, da Lei 8.970/94, são atribuições da CPRM: 
subsidiar a formulação da política mineral e geológica, participar do planejamento, da 
coordenação e executar os serviços de geologia e hidrologia de responsabilidade da 
União em todo o território nacional; 
estimular o descobrimento e o aproveitamento dos recursos minerais e hídricos do País; 
orientar, incentivar e cooperar com entidades públicas ou privadas na realização de 
pesquisas e estudos destinados ao aproveitamento dos recursos minerais e hídricos do 
País; 
elaborar sistemas de informações, cartas e mapas que traduzam o conhecimento 
geológico e hidrológico nacional, tornando-o acessível aos interessados; 
colaborar em projetos de preservação do meio ambiente, em ação complementar à dos 
órgãos competentes da administração pública federal, estadual e municipal; 
realizar pesquisas e estudos relacionados com os fenômenos naturais ligados à terra, 
tais como terremotos, deslizamentos, enchentes, secas, desertificação e outros, bem como 
os relacionados à paleontologia e geologia marinha; 
dar apoio técnico e científico aos órgãos da administração pública federal, estadual e 
municipal, no âmbito de sua área de atuação. 
O Serviço Geológico do Brasil – CPRM, resumidamente, atua na formulação do Programa de 
Geologia do Brasil desenvolvendo funções de levantamento geológico, hidrogeológicos e 
geofísicos; realizando avaliações dos recursos minerais no Brasil; gestão de informação 
geológica; bem como análises químicas dos recursos minerais e hídricos no País.  
Podemos inferir das competências atribuídas a CPRM que a empresa pública funciona como o 
depositário oficial dos dados e informações sobre geologia, recursos minerais e recursos 
hídricos do Brasil, sendo, portanto, quem administra um complexo conjunto de bases de 
dados e sistemas de informações temáticas, além de um vasto acervo documental, 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 59/60
Lista de Questões
Referências e links deste capítulo
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4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
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6fc85441d88e/
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c63f5a41106a/
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15aa691df936/
cartográfico e de imagens, que deve ser colocado à disposição de todos os interessados, sejam 
públicos ou privados, que utilizem ou explore recursos minerais ou hídricos no território 
nacional.  
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15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 60/60
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https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/0ad7431e-4d25-479d-8b37-15aa691df936/reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e 
tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo 
à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. 
§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa 
e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com 
autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes 
assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 6/60
Regime de Aproveitamento dos Recursos Minerais
Essa autorização é exclusiva do Congresso Nacional por meio de Decreto Legislativo, não 
dependendo de sanção presidencial, nos termos do art. 49, XVI, da CF/88. Eis o dispositivo: 
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a 
pesquisa e lavra de riquezas minerais. 
Aspectos Iniciais - Conceitos Fundamentais 
As regras básicas do regime de exploração/aproveitamento dos recursos minerais foram 
previstas no art. 176, da CF/88, no Decreto-Lei 227/67, Código de Mineração, com 
atualizações da Lei 13.575/2017, bem como na Lei 7.805/89 que criou o regime de permissão 
de lavra garimpeira e extingue o regime de matrícula; e na Lei 6.567/78 que criou o regime de 
aproveitamento dos recursos minerais na modalidade de licenciamento. Em 2018, foi editado o 
Decreto 9.406 que regulamentou o Código de Mineração já incorporando as inovações 
legislativas e as demais normas que regulamentaram o aproveitamento dos recursos minerais. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 7/60
O Código de Mineração estabelece, em seu art. 1º, dois fundamentos essenciais para o 
desenvolvimento da mineração no País, quais sejam, o interesse nacional e a utilidade 
pública. Assim, toda política pública a ser desenvolvida pela União e executada pela Agência 
Nacional de Mineração – ANM deverá atender ao imperativo do interesse nacional, 
considerando que os minerais são estratégicos para o desenvolvimento do País e sua 
importância nas relações internacionais com outros países, bem como deve sempre está em 
consonância com  o atendimento das necessidades públicas, não podendo ser autorizado 
qualquer tipo de exploração minerária que atente contra os princípios fundamentais da 
dignidade da pessoa humana e do meio ambiente ecologicamente equilibrado. 
Traz ainda como norma fundamental as atribuições essenciais da União e da ANM para o 
desenvolvimento da política minerária nacional. Nesse sentido, compete à União organizar a 
administração dos recursos minerais, a indústria de produção mineral e a distribuição, o 
comércio e o consumo de produtos minerais. Essa organização desses setores elementares, 
entre outros aspectos, inclui a formulação de políticas públicas para a pesquisa, a lavra, o 
beneficiamento, a comercialização e o uso dos recursos minerais. 
À Agência Nacional de Mineração – ANM, compete observar e implementar as orientações, 
as diretrizes e as políticas estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia e executar o 
disposto no Decreto-Lei nº 227/67 e nas normas complementares. A ANM, como veremos 
mais adiante, é a entidade executora das políticas públicas voltadas para a área de mineração. 
Para melhor entendimento dessas normas, é importante o conhecimento de alguns conceitos 
técnicos associado aos minerais, notadamente quanto à jazida, mina, lavra e pesquisa mineral 
previstas nas referidas legislações. Vejamos no quadro abaixo as principais definições: 
Termo  Conceito  Norma 
Jazida  toda massa individualizada de substância mineral ou fóssil, 
aflorando à superfície ou existente no interior da terra, e 
que tenha valor econômico. 
Art. 4º, do 
Código de 
Mineração. 
Art. 6º, I, do 
Decreto 
9.406/2018. 
Mina  a jazida em lavra, ainda que suspensa.  Art. 4º, do 
Código de 
Mineração. 
Art. 6º, II, do 
Decreto 
9.406/2018. 
Lavra  o conjunto de operações coordenadas com o objetivo de 
aproveitamento da jazida, desde a extração das substâncias 
Art. 10, do 
Decreto 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 8/60
Segundo o art. 6º, do Código de Mineração, classificam-se as minas, segundo a forma 
representativa do direito de lavra, em duas categorias: 
mina manifestada, a em lavra, ainda que transitoriamente suspensa a 16 de julho de 1934 e 
que tenha sido manifestada na conformidade do art. 10 do Decreto nº 24.642, de 10 de 
julho de 1934, e da Lei nº 94, de 10 de dezembro de 1935;  
mina concedida, quando o direito de lavra é outorgado pelo Ministro de Estado de Minas 
e Energia.   
As minas não correspondem apenas a área da jazida em lavra, mas também todo o aparato 
material necessário para execução das atividades de mineração. Podemos destacar como parte 
integrante da mina: 
edifícios, construções, máquinas, aparelhos e instrumentos destinados à mineração e ao 
beneficiamento do produto da lavra, desde que este seja realizado na área de concessão 
da mina: 
servidões indispensáveis ao exercício da lavra; 
minerais úteis que contiver até o beneficiamento destas. 
Essas operações incluem, entre outras, o planejamento e o 
desenvolvimento da mina, a remoção de estéril, o desmonte 
de rochas, a extração mineral, o transporte do minério 
dentro da mina, o beneficiamento e a concentração do 
minério, a deposição e o aproveitamento econômico do 
rejeito, do estéril e dos resíduos da mineração e a 
armazenagem do produto mineral. 
9.406/2018. 
Pesquisa 
Mineral 
a execução dos trabalhos necessários à definição da jazida, 
à sua avaliação e à determinação da exequibilidade de seu 
aproveitamento econômico. 
Art. 9º, do 
Decreto 
9.406/2018. 
Lavra 
Garimpeira 
o aproveitamento imediato de substância mineral 
garimpável, compreendido o material inconsolidado, 
exclusivamente nas formas aluvionar, eluvionar e coluvial, 
que, por sua natureza, seu limite espacial, sua localização e 
sua utilização econômica, possa ser lavrado, 
independentemente de trabalhos prévios de pesquisa, 
segundo os critérios estabelecidos pela ANM. 
Art. 11, do 
Decreto 
9.406/2018. 
Licenciamento  o aproveitamento das substâncias minerais a que se refere o 
art. 1º da Lei nº 6.567, de 1978 (areia, argila, carbonatos, 
cascalho, saibros etc), que, por sua natureza, seu limite 
espacial e sua utilização econômica, possa ser lavrado, 
independentemente de trabalhos prévios de pesquisa. 
Art. 12, do 
Decreto 
9.406/2018. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 9/60
animais e veículos empregados no serviço; 
materiais necessários aos trabalhos da lavra, quando dentro da área concedida; e, 
provisões necessárias aos trabalhos da lavra, para um período de 120 (cento e vinte) dias. 
 
A jazida é considerada bem imóvel, distinto do solo onde se encontra, e não abrange a 
propriedade deste o minério ou a substância mineral útil que a constitui. As jazidas minerais são 
caracterizadas: por sua rigidez locacional; por serem finitas; e por possuírem valor econômico. 
O limite subterrâneo da jazida ou da mina é o plano vertical coincidente com o perímetro 
definidor da área titulada, admitida, em caráter excepcional, a fixação de limites em 
profundidade por superfície horizontal, nos termos do art. 85, do Código de Mineração. 
Importante destacar a definição de atividade minerária ventilada no art. 6º-A, do Decreto-Lei 
227/67, como toda atividade de mineração que abrange a pesquisa, a lavra, o 
desenvolvimento da mina, o beneficiamento, a comercialização dos minérios, o 
aproveitamento de rejeitos e estéreis, incluindo o fechamento da mina. 
Assim, até o fechamento da mina fica mantida a responsabilidade do titular da concessão 
diante das obrigações fixadas no Código de Mineração, que deverá ser obrigatoriamente 
convalidado pelo órgão regulador da mineração(ANM) e pelo órgão ambiental licenciador. 
O processo de fechamento da mina pode incluir, entre outros aspectos, os seguintes: a 
recuperação ambiental da área degradada; a desmobilização das instalações e dos 
equipamentos que componham a infraestrutura do empreendimento; a aptidão e o propósito 
para o uso futuro da área; e o monitoramento e o acompanhamento dos sistemas de disposição 
de rejeitos e estéreis, da estabilidade geotécnica das áreas mineradas e das áreas de servidão, 
do comportamento do aquífero e da drenagem das águas. 
Cumpre lembrar que o exercício da atividade de mineração inclui uma série de deveres 
anexos ao titular da concessão, sendo que o aproveitamento dos recursos minerais fica adstrito 
ao atendimento dos seguintes requisitos: 
a responsabilidade do minerador pela prevenção, mitigação e compensação dos 
impactos ambientais decorrentes dessa atividade, contemplando aqueles relativos ao bem-
estar das comunidades envolvidas e ao desenvolvimento sustentável no entorno da mina;  
a preservação da saúde e da segurança dos trabalhadores;  
a prevenção de desastres ambientais, incluindo a elaboração e a implantação do plano 
de contingência ou de documento correlato; e   
a recuperação ambiental das áreas impactadas.   
Esses deveres anexos foram incluídos pela Lei 14.066/2020, que, embora já suscetíveis de 
serem exigíveis pela legislação pretérita, estão expressamente previstos no parágrafo único, do 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 10/60
art. 6º, do Código de Mineração, tornando mais evidente o dever de cuidado por parte do 
minerador em face do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores. Essa Lei é uma reação 
legislativa aos grandes desastres ocorridos no Brasil originados da exploração minerária. 
Ao seu turno, a pesquisa mineral compreende a execução dos trabalhos necessários à 
definição da jazida, à sua avaliação e à determinação da exequibilidade de seu 
aproveitamento econômico, consubstanciado , entre outros, nos seguintes trabalhos de campo 
e de laboratório: levantamentos geológicos pormenorizados da área a ser pesquisada, em 
escala conveniente; estudos dos afloramentos e suas correlações; levantamentos geofísicos e 
geoquímicos; aberturas de escavações visitáveis e execução de sondagens no corpo mineral; 
amostragens sistemáticas; análises físicas e químicas das amostras e dos testemunhos de 
sondagens; e ensaios de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais úteis, para 
obtenção de concentrados de acordo com as especificações do mercado ou para 
aproveitamento industrial. 
O objetivo da pesquisa mineral é definir, quantificar e qualificar a reserva mineral 
caracterizada pela porção de depósito mineral a partir da qual um ou mais bens minerais 
podem ser técnica e economicamente aproveitados através de um relatório de pesquisa. Nesse 
período de pesquisa, como regra, não se admite a extração de recursos minerais, exceto 
mediante autorização prévia da ANM, observada a legislação ambiental pertinente. 
Regimes de Aproveitamento  
As regras basilares para o aproveitamento/exploração dos recursos minerais vieram 
disciplinada no §§ 1º, 2º e 3º, do art. 176, da CF/88. Vejamos o normativo: 
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia 
hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou 
aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto 
da lavra. 
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se 
refere o "caput" deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou 
concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis 
brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as 
condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou 
terras indígenas.              
§ 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no 
valor que dispuser a lei. 
§ 3º A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as autorizações e 
concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou 
parcialmente, sem prévia anuência do poder concedente. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 11/60
O § 1º, do art. 176, exige para a realização da pesquisa ou da lavra minerária que a União, 
mediante autorização ou concessão, permita uma das atividades. Mas para isso, obriga que o 
regime permissivo esteja atrelado ao interesse nacional e que a atividade seja desenvolvida por 
brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração 
no País, na forma da lei. 
O §3º, do art. 176, previu também a regra para os prazos e para o direito de cessão nas 
autorizações/concessões emitidas pelo Poder Concedente. Se autorização for para pesquisa, 
deverá a União obrigatoriamente fixar prazo determinado. Para as demais 
autorizações/concessões o prazo poderá ser indeterminado, a critério da União. Quanto à 
possibilidade de cessão dos direitos advindos da concessão/autorização, a CF/88 admite tal 
possibilidade, permitindo que os direitos sejam cedidos ou transferidos, total ou parcialmente, 
desde que tenha prévia anuência do poder concedente. Isso porque a concessão de lavra é 
um bem jurídico suscetível de apreciação econômica, tendo caráter comercial de natureza 
econômico-financeira, como já sedimentado pelo STF no julgamento do RE 140.254-AgR. 
Regulamentado o dispositivo, o art. 2º, do Código de Mineração e o art. 13, do Decreto 
9.406/2018, definiram os regimes de aproveitamento dos recursos minerais. São eles: 
regime de concessão, quando depender de Portaria do Ministro de Estado de Minas e 
Energia ou quando outorgada pela ANM, se tiver por objeto as substâncias minerais de que 
trata o art. 1º da Lei nº 6.567, de 1978; 
regime de autorização, quando depender de expedição de alvará pela ANM; 
regime de licenciamento, quando depender de licença expedida em obediência a 
regulamentos administrativos locais e de registro da licença na ANM; 
regime de permissão de lavra garimpeira, quando depender de permissão expedida pela 
ANM; e 
regime de monopolização, quando, em decorrência de lei especial, depender de 
execução direta ou indireta do Poder Executivo federal. 
Esses regimes não se aplicam aos órgãos da administração direta e autárquica da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo-lhes permitida, por meio de registro de 
extração, a ser disciplinado em Resolução da ANM, a extração de substâncias minerais de 
emprego imediato na construção civil, definidas em Portaria do Ministro de Estado de Minas e 
Energia, para uso exclusivo em obras públicas por eles executadas diretamente, respeitados 
os direitos minerários em vigor nas áreas onde devam ser executadas as obras e vedada a 
comercialização. 
Não se aplicam também os citados regimes para execução de trabalhos de movimentação 
de terras e de desmonte de materiais in natura que se fizerem necessários à abertura de 
vias de transporte e a obras gerais de terraplenagem e de edificações, desde que não haja 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 12/60
comercialização das terras e dos materiais resultantes dos referidos trabalhos e ficando o 
seu aproveitamento restrito à utilização na própria obra. 
Resumidamente, vejamos os principais normativos que disciplinam cada um dos regimes: 
Regimes de Aproveitamento 
Regime de 
Autorização 
Decreto-lei 
nº 227/67 
Código de 
Mineração 
Aplica-se à fase de pesquisa mineral e objetiva o 
conhecimento da geologia e definição de depósitos 
minerais no território nacional. A ANM autoriza a 
pesquisa mineral da área sob a forma de um documento 
denominado “Alvará de Pesquisa”, a brasileiros, pessoa 
natural, firma individual ou empresas legalmente 
constituídase estabelecidas no País.  
Regime de 
Concessão 
Decreto-lei 
nº 227/67 
Código de 
Mineração 
O titular da autorização de pesquisa, aprovado o 
relatório final de pesquisa pela ANM, deverá requerer 
ao Ministro de Minas e Energia a concessão de lavra, 
instruído conforme Artigos 37 e 38 do Código de 
Mineração. A “Portaria de Lavra” é o documento que 
assegura o direito à extração, industrialização e 
comercialização do bem mineral. 
Regime de 
Licenciamento 
Lei nº 
6.567/78 
Regime especial para o aproveitamento dos recursos 
minerais de uso in natura na construção civil, corretivo 
de solo e fabricação de cerâmica vermelha: p.e.: tijolos, 
telhas etc.  
Regime de 
Permissão de 
Lavra Garimpeira 
Lei nº 
7.805/89 
Dec. nº 
98.812/90 
Regulamenta as atividades de extração de substâncias 
minerais garimpáveis. Áreas máximas de 50 ha, e 1.000 
ha para Cooperativas de Mineração. 
Regime de 
Monopolização 
 
Constituição 
Federal/88 
Código de 
Mineração 
Lei nº 
4.118/62 
Art. 177 – Constituem monopólio da União (CF-1988): 
V. a pesquisa, lavra, o enriquecimento, o 
reprocessamento, a industrialização e o comércio de 
minérios e minerais nucleares e seus derivados. 
Código de Mineração; Art. 10 – Reger-se-ão por leis 
especiais: V – regime de monopolização, ... 
A Lei nº 4.118, de 27.08.1962, “Dispõe sobre a política 
nacional de energia nuclear, cria a Comissão de Energia 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 13/60
Regime de Autorização de Pesquisa 
O regime de autorização de pesquisa foi previsto expressamente no art. 176, da CF/88, 
regulamentado nos arts. 14 e seguintes, do Decreto-Lei 227/67, bem como pelos arts. 16 a 27 
do Decreto 9.406/2018. 
Basicamente, esse processo está estruturado da seguinte forma: 
 
A autorização de pesquisa, nos termos do art. 16, do Decreto 9.406/2018, será outorgada a 
brasileiro, sociedade empresária constituída sob as leis brasileiras e com sede e administração 
no País ou a cooperativa, mediante requerimento à ANM, que deverá conter os elementos de 
instrução previsto no art. 16 do Decreto-Lei nº 227, de 1967 - Código de Mineração, e atender 
Nuclear, e dá outras providências. “Art. 1º Constituem 
monopólio da União: 
I – A pesquisa e lavra das jazidas de minérios nucleares 
localizados no território nacional; 
II – O comércio dos minérios nucleares e seus 
concentrados; dos elementos nucleares e seus 
compostos; dos materiais fósseis e férteis, dos 
radioisótopos artifi ciais e substâncias e substâncias 
radioativas das três séries naturais; dos subprodutos 
nucleares; 
III – A produção de materiais nucleares e suas 
industrializações. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 14/60
aos requisitos estabelecidos em Resolução da ANM. O interessado deverá pleitear em 
requerimento dirigido à ANM, devendo conter os seguintes elementos de instrução: 
nome, indicação da nacionalidade, do estado civil, da profissão, do domicílio e do número 
de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda, do requerente, 
pessoa natural. Em se tratando de pessoa jurídica, razão social, número do registro de seus 
atos constitutivos no Órgão de Registro de Comércio competente, endereço e número de 
inscrição no Cadastro Geral dos Contribuintes do Ministério da Fazenda;       
prova de recolhimento dos respectivos emolumentos;       
designação das substâncias a pesquisar;  
indicação da extensão superficial da área objetivada, em hectares, e do Município e Estado 
em que se situa;   
memorial descritivo da área pretendida;        
planta de situação, cuja configuração e elementos de informação serão estabelecidos em 
portaria do DNPM;  
plano dos trabalhos de pesquisa, acompanhado do orçamento e cronograma previstos para 
sua execução.    
Será indeferido de plano pela ANM, sem oneração de área, o requerimento de autorização 
de pesquisa se desacompanhado de quaisquer dos elementos listados acima. A ANM 
poderá formular exigência sobre dados complementares ou elementos necessários à 
melhor instrução do processo, devendo o interessado se manifestar em até 60 dias da 
publicação da intimação, admitindo-se a prorrogação, a critério da ANM mediante 
requerimento justificado e apresentado anteriormente ao término do prazo. 
Cumpre destacar que é admitida a desistência total ou parcial do requerimento de 
autorização de pesquisa, conforme dispuser Resolução da ANM. 
Indeferido o requerimento de autorização da pesquisa, o interessado poderá formular pedido 
de reconsideração no prazo de 60 dias. Indeferido o pedido, caberá recurso ao Ministério 
das Minas e Energia no prazo de 30 dias, contado da data de publicação do despacho no 
Diário Oficial da União. 
Adicione-se ainda que, desde a apresentação de pedido de reconsideração ou do recurso, 
ficará suspensa, até que seja obtida decisão administrativa definitiva, a tramitação de 
requerimentos supervenientes de títulos minerários que tenham por objeto toda ou parte da 
área. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 15/60
Deferida a autorização de pesquisa, esta terá forma de alvará, cujo extrato será publicado no 
Diário Oficial da União e teor transcrito em registro da ANM. 
O prazo de validade da autorização de pesquisa não será inferior a um ano, nem superior a 
três anos, a critério da ANM, consideradas as características especiais da situação da área e da 
pesquisa mineral objetivada, admitida prorrogação única, nas seguintes condições: a 
prorrogação poderá ser concedida por até igual período, com base na avaliação do 
desenvolvimento dos trabalhos; e devendo ser requerida até sessenta dias antes de o prazo 
da autorização vigente expirar e o requerimento deverá ser instruído com relatório dos 
trabalhos efetuados e justificativa do prosseguimento da pesquisa. Essa prorrogação 
independerá da expedição de novo alvará e o seu prazo será contado da data de publicação 
da decisão que a deferir no Diário Oficial da União, nos termos do §1º, do art. 21, do Decreto 
9.406/2018, ficando válida até o exaurimento dos efeitos da decisão pelo transcurso do prazo 
nela fixado. 
O regulamento do Código de Mineração autorizou ainda a possibilidade de mais de uma 
prorrogação do prazo da autorização de pesquisa, nos termos do §2º, do art. 21, 
exclusivamente nas hipóteses de impedimento de acesso à área de pesquisa ou de falta de 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 16/60
assentimento ou de licença do órgão ambiental competente, desde que o titular demonstre, 
por meio de documentos comprobatórios, que atendeu às diligências e às notificações 
promovidas no curso do processo de avaliação judicial ou determinadas pelo órgão ambiental 
competente, conforme a hipótese; e não contribuiu, por ação ou omissão, para a falta de 
ingresso na área ou de expedição do assentimento ou da licença ambiental. 
O art. 22, II, do Decreto-Lei 227/67, admite a renúncia total ou parcial à autorização de 
pesquisa, que se tornará eficaz na data do protocolo do instrumento de renúncia, com a 
desoneração da área renunciada. Essa área desonerada ficará disponível pelo prazo de 
sessenta dias, para fins de pesquisa ou lavra, conforme dispuser portaria do Ministro de Estado 
de Minas e Energia. Não aparecendo interessados a área estará livre para fins de aplicação do 
direito de prioridade. 
É possível também que o alvará seja retificado sem que haja necessariamente a alteração do 
prazo anteriormente nele fixado. Nos termos do art. 22, do Código de Mineração, só haverá 
possibilidade de mudança do prazo em caso de alteração significativa no polígono 
delimitador da área, hipótese em que será expedido alvará retificador, situação em que o 
prazo de validade da autorização de pesquisa será contado a partir da data de publicação, no 
Diário Oficial da União, do novo título. 
Por outro lado, não alterará o prazo original do alvará a retificação que resultar em redução, 
sem deslocamento, da área autorizada.Na hipótese de aumento ou de deslocamento da área, 
a ANM estabelecerá em Resolução, os critérios para fins de concessão de prazo adicional. 
Por fim, até que haja decisão do requerimento de prorrogação do prazo apresentado 
tempestivamente, a autorização de pesquisa permanecerá válida.
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 17/60
 
Exaurido o prazo para realização da pesquisa e concluído os trabalhos, o titular do alvará 
deverá apresentar relatório final dos trabalhos de pesquisa realizados (art. 22, V, do Decreto -
Lei 227/67). O titular da autorização deve submeter à aprovação do DNPM, dentro do prazo de 
vigência do alvará, ou de sua renovação, relatório circunstanciado dos trabalhos, contendo os 
estudos geológicos e tecnológicos quantificativos da jazida e demonstrativos da exequibilidade 
técnico-econômica da lavra, elaborado sob a responsabilidade técnica de profissional 
legalmente habilitado. Excepcionalmente, poderá ser dispensada a apresentação do relatório, 
na hipótese de renúncia à autorização, conforme critérios fixados em portaria da ANM, 
ficando o titular sujeito à sanção de multa. 
Encerrado o prazo de vigência da autorização ou de sua prorrogação, se o titular deixar de 
apresentar o relatório final, será dada baixa na transcrição do título de autorização de 
pesquisa e a área será declarada disponível para pesquisa, na forma prevista no art. 26 do 
Decreto-Lei nº 227/67 [1]- Código de Mineração, sem prejuízo de aplicação de sanção 
administrativa. 
Com a apresentação do relatório final pelo titular da autorização, independentemente do 
resultado da pesquisa, nasce o dever de a ANM verificar a exatidão do documento e se 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 18/60
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0227.htm#art26
manifestar conclusivamente quanto à viabilidade ou não da lavra. Nesse sentido poderá a ANM: 
aprovação do relatório, quando ficar demonstrada a existência de jazida aproveitável 
técnica e economicamente; 
não aprovação do relatório, quando ficar constatada a insuficiência dos trabalhos de 
pesquisa ou a deficiência técnica na sua elaboração, que impossibilitem a avaliação da 
jazida; 
arquivamento do relatório, quando ficar provada a inexistência de jazida aproveitável 
técnica e economicamente, passando a área a ser livre para futuro requerimento, 
inclusive com acesso do interessado ao relatório que concluiu pela referida inexistência de 
jazida; ou 
sobrestamento da decisão sobre o relatório, quando ficar caracterizada a 
impossibilidade temporária da exequibilidade técnico-econômica da lavra, conforme o 
disposto no art. 23, caput, inciso III, do Decreto-Lei nº 227/67 - Código de Mineração, seja 
pela inexistência de tecnologia adequada ao aproveitamento econômico da substância 
mineral; seja pela inexistência de mercado interno ou externo para a substância mineral. A 
ANM estabelecerá, no ato de sobrestamento, prazo para o interessado apresentar novo 
estudo da exequibilidade técnico-econômica da lavra, sob pena de arquivamento do 
relatório. 
Quando constatada a deficiência técnica na elaboração do relatório, a ANM poderá formular 
exigência a ser cumprida pelo titular do direito minerário no prazo de 60 dias, prorrogável 
por igual período, a critério da ANM, desde que o requerimento de prorrogação seja justificado 
e apresentado no prazo concedido para cumprimento da exigência. Não apresentada as 
complementações exigidas, a ANM deverá negar aprovação ao relatório final e declarar a 
área disponível para fins de direito de prioridade. 
Por fim, o art. 27, do Decreto 9.406/2018, previu a possibilidade de o titular ou os titulares das 
autorizações apresentarem plano único de pesquisa e também relatório único dos trabalhos 
executados, caso haja um conjunto de autorizações de pesquisa da mesma substância 
mineral em áreas contíguas ou próximas. 
Regime de Concessão de Lavra 
Características da Concessão de Lavra 
A concessão de lavra é o título emitido pela União que permite ao interessado o usufruto 
da jazida não havendo transferência de propriedade. É puro ato de império da União, não 
caracterizando, como regra, um direito real. Nessa linha, a concessão de lavra é ato 
autorizativo de extração e permissivo de apropriação do produto dessa lavra. 
Na concessão de lavra, a União atribui um direito ao concessionário para realização da 
atividade minerária que incide sobre um bem público, podendo ser a ele atribuído os minerais 
extraídos, concretizando uma verdadeira transferência de propriedade. Frise-se, o ato 
concessivo não atribuiu ao concessionário a propriedade da jazida, mas apenas a possibilidade 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 19/60
de seu aproveitamento, o que implica, necessariamente, no consumo dos recursos minerais e 
consequente apropriação do produto da lavra, sendo essa apropriação consectário lógico do 
uso do bem público. 
Nesse sentido, destaca Gilberto Bercovici que os recursos minerais seriam bens públicos 
exauríveis, afetados, porém alienáveis, pois teriam uma finalidade que implica em sua 
utilização, portanto, em sua alienação.  
O art. 176 da Constituição Federal consagraria, assim, uma outorga de uso privado e, no caso 
dos recursos minerais, consumativo, pois seu valor está na extração e utilização pelo 
concessionário, que passa a ser seu proprietário, para poder processá-lo e comercializá-lo. 
Cumpre advertir que a concessão de lavra prevista no §1º, do art. 176, da CF/88, não tem as 
mesmas características da concessão de uso de bens públicos em geral. Isso porque a 
concessão para lavra de recursos minerais tem características próprias como a inexistência de 
prazo certo, a desnecessidade de contrato e a dispensabilidade do processo de licitação. 
Essas caraterísticas foram fixadas em norma infralegal, tendo em vista que a CF/88 não 
disciplinou as características fundamentais do instituto da concessão de lavra. 
A primeira característica diferenciadora é que a concessão de lavra não tem prazo de duração 
fixado em lei. Assim, a concessão de lavra deve ter validade até o exaurimento da jazida. 
Isso confere uma estabilidade necessária para garantir a segurança jurídica quanto à 
necessidade de amortização dos vultosos investimentos que o setor exige. 
Outro ponto diferenciador é a inexistência de um contrato formal entre a União e o 
concessionário. Mas isso não implica dizer que não existam direitos e deveres a serem 
assumidos pelas partes, notadamente pelo concessionário. A outorga cria, nos termos do 
Código de Mineração, direitos e obrigações para as partes tendo a concessão de lavra caráter 
bilateral. Mas essa inexistência contratual é pura opção legislativa. 
Acrescente-se ainda a inexistência de procedimento licitatório para a outorga do título de 
concessão de lavra. Optou o legislador em criar um sistema próprio para garantir a participação 
e a competitividade de todos os interessados quanto ao aproveitamento dos recursos minerais. 
O Código de Mineração criou a sistemática da prioridade. Considerando que as jazidas de 
recursos minerais são desconhecidas, o regime de prioridade busca incentivar a pesquisa e a 
descoberta de recursos minerais pelo interessado e, com isso, beneficiá-lo com o direito de 
preferência na exploração minerária.  
Nessa quadra, como destaca Adriano Trindade, a licitação não é o meio desejável à atribuição 
de direitos minerários, tendo o legislador ordinário encontrado na sistemática da prioridade 
uma forma de possibilitar a dispensa de licitação em benefício do interesse público. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e MeioAmbiente 20/60
O art. 37, do Decreto-Lei 227/67 exige que na outorga da jazida para fins de concessão, seja 
necessário que ela esteja pesquisada com a respectiva aprovação do relatório de pesquisa.  
Nesse sentido, é pré-requisito para a concessão de lavra que a jazida tenha passado pela etapa 
de autorização de pesquisa devidamente aprovada. Outra condição imposta pelo normativo é a 
obrigatoriedade de que a área de lavra seja adequada à condução técnico-econômica dos 
trabalhos de extração e beneficiamento, respeitados os limites da área de pesquisa. Assim, só 
é admitida a concessão de lavra em relação as jazidas já identificadas e pesquisadas. 
 
Cumpre advertir que uma mesma empresa poderá ser beneficiada por um número 
indeterminado de concessões, tendo em vista que não há restrições quanto à quantidade, nos 
termos do parágrafo único, do art. 37, do Código de Mineração. 
Requerimento de Concessão de Lavra 
Quanto ao requerimento de concessão de lavra, o art. 28, do Decreto 9.406/2018, destaca 
que aprovado o relatório final de pesquisa, o titular terá 01 ano para requerer a concessão de 
lavra e, neste prazo, poderá negociar o seu direito minerário, havendo possibilidade de 
prorrogação do prazo, por igual período, por meio de requerimento justificado do titular, 
apresentado anteriormente ao prazo inicial ou à prorrogação em curso terminar. Exaurido o 
prazo sem que o titular ou o seu sucessor tenha requerido concessão de lavra, caducará o seu 
direito e caberá à ANM declarar, por meio de edital, a disponibilidade da jazida pesquisada, 
para fins de requerimento de concessão de lavra. 
O requerimento de autorização de lavra será dirigido ao Ministro das Minas e Energia, pelo 
titular da autorização de pesquisa, ou seu sucessor, e deverá ser instruído com os seguintes 
elementos de informação e prova (art. 38, do Decreto-Lei 227/67): 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 21/60
certidão de registro, no Departamento Nacional de Registro do Comércio, da entidade 
constituída;             
designação das substâncias minerais a lavrar, com indicação do Alvará de Pesquisa 
outorgado, e de aprovação do respectivo Relatório; 
denominação e descrição da localização do campo pretendido para a lavra, relacionando-
o, com precisão e clareza, aos vales dos rios ou córregos, constantes de mapas ou plantas 
de notória autenticidade e precisão, e estradas de ferro e rodovias, ou , ainda, a marcos 
naturais ou acidentes topográficos de inconfundível determinação; suas confrontações com 
autorização de pesquisa e concessões de lavra vizinhas, se as houver, e indicação do 
Distrito, Município, Comarca e Estado, e, ainda, nome e residência dos proprietários do 
solo ou posseiros; 
definição gráfica da área pretendida, delimitada por figura geométrica formada, 
obrigatoriamente, por segmentos de retas com orientação Norte-Sul e Leste-Oeste 
verdadeiros, com 2 (dois) de seus vértices, ou excepcionalmente 1 (um), amarrados a ponto 
fixo e inconfundível do terreno, sendo os vetores de amarração definidos por seus 
comprimentos e rumos verdadeiros, e configuradas, ainda, as propriedades territoriais por 
ela interessadas, com os nomes dos respectivos superficiários, além de planta de situação; 
servidões de que deverá gozar a mina; 
plano de aproveitamento econômico da jazida, com descrição das instalações de 
beneficiamento; 
prova de disponibilidade de fundos ou da existência de compromissos de 
financiamento, necessários para execução do plano de aproveitamento econômico e 
operação da mina. 
Poderá a ANM, no caso de insuficiência nos elementos de informação e prova referidos, 
possibilitar ao interessado o prazo de 60 dias para o cumprimento de exigências com vistas à 
melhor instrução do requerimento de concessão de lavra e para comprovar o ingresso, no 
órgão competente, da solicitação com vistas ao licenciamento ambiental. Esse prazo poderá 
ser prorrogado por até igual período, podendo inclusive, nos termos do §2º, do art. 31, do 
Decreto 9.406/2018, ser prorrogado mais de uma vez se o não cumprimento da exigência 
decorrer de causa de responsabilidade do Poder Público, a juízo da ANM, e desde que 
efetuado por meio de requerimento justificado apresentado no prazo prorrogado. Não feitas as 
complementações, o requerimento será indeferido e a área declarada disponível para lavra. 
Adiciona-se a isso a necessidade de o interessado informar à ANM, a cada 06 meses, o 
andamento da solicitação com vistas ao licenciamento ambiental devendo essa obrigação se 
prolongar até que a licença ambiental seja apresentada à ANM, demonstrando que o 
procedimento de licenciamento ambiental está em curso e que o requerente tem adotado as 
medidas necessárias para a obtenção da licença ambiental, sob pena de indeferimento do 
requerimento de lavra. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 22/60
Importante frisar que o principal documento técnico apresentado pelo requerente é o Plano 
de Aproveitamento Econômico - PAE, firmado por profissional legalmente habilitado, 
documento obrigatório do requerimento de concessão de lavra devendo conter, de um modo 
geral, a descrição das instalações de beneficiamento, indicadores relativos às reservas e 
produção, bem como o plano de fechamento da mina. 
O art. 39 do Decreto-Lei nº 227/67 exige ainda os seguintes documentos e informações: 
Memorial explicativo; 
Projetos ou anteprojetos referentes; 
a) ao método de mineração a ser adotado, fazendo referência à escala de produção prevista 
inicialmente e à sua projeção; 
b) à iluminação, ventilação, transporte, sinalização e segurança do trabalho, quando se tratar de 
lavra subterrânea; 
c) ao transporte na superfície e ao beneficiamento e aglomeração do minério; 
d) às instalações de energia, de abastecimento de água e condicionamento de ar; 
e) à higiene da mina e dos respectivos trabalhos; 
f) às moradias e suas condições de habitabilidade para todos os que residem no local da 
mineração; 
g) às instalações de captação e proteção das fontes, adução, distribuição e utilização da água, 
para as jazidas da Classe VIII. 
h) à construção de barragem de rejeitos, quando houver, ou de aumento na sua altura, 
vedada a utilização da técnica de alteamento a montante (Incluído pela Lei nº 14.066, de 
2020). 
Cumpre destacar que a Lei 14.066/2020 incluiu a necessidade de o requerente apresentar no 
PAE qual técnica de construção de barragens de rejeitos ou de aumento de sua altura, caso 
seja necessária a construção de contenção no desenvolvimento da atividade minerária. Mas a 
norma veda a técnica de criação de barragens de alteamento a montante, em face dos 
acidentes que ocorreram recentemente no Brasil que utilizavam esse sistema de barragens.  
Em sendo necessária a construção e a operação de barragens de rejeitos, o PAE deverá incluir 
o Plano de Ação de Emergência, em caráter conceitual, elaborado pelo empreendedor. 
Lembre-se ainda que a Lei 14.066/2020, incluiu o art. 43-A no Código de Mineração, 
elencando de forma mais clara outros deveres anexos que devem ser cumpridos pelo 
concessionário. Previu o normativo que o titular de concessão de lavra deverá cumprir as 
obrigações previstas no Código de Mineração e na legislação ambiental pertinente, incluídas a 
recuperação do ambiente degradado e a responsabilização civil, no caso de danos a 
terceiros decorrentes das atividades de mineração, sem prejuízo das sanções administrativas e 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 23/60
penais. A recuperação do ambiente degradado deverá abarcar, entre outros, o fechamento da 
mina e o descomissionamento de todas as instalações, incluídas barragens de rejeitos, de 
acordo com a legislação vigente.   
Embora o normativo tenha deixado mais evidentes algumas responsabilidades do 
empreendedor resultante do desenvolvimento da atividade minerária, essas obrigações civis já 
eram possíveis de serem inferidas pelas regras existentes no Código deMineração, bem como 
pelas demais legislações de proteção ambiental, notadamente pelas regras elencadas na Carta 
Política e na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81). 
Advirta-se, nos termos do art. 43, do Decreto-Lei 227/67, que a concessão de lavra pode ser 
recusada se a lavra for considerada prejudicial ao bem público ou comprometer interesses 
que superem a utilidade da exploração industrial, a juízo do Poder Concedente. Neste último 
caso, o pesquisador terá direito de receber a indenização das despesas feitas com os trabalhos 
de pesquisa, uma vez que tenha sido aprovado o Relatório.  
Sendo assim, o entendimento que prevalece atualmente é o de que a concessão de lavra tem 
natureza discricionária em face do previsto no art. 42, do Código de Mineração que permite a 
recusa da outorga quando a atividade for prejudicial ao bem público ou comprometer 
interesses que superem a utilidade da exploração industrial.  O Professor Silvia Serra entende 
que a discricionariedade, embora exista, é mitigada, tendo em vista que o desenvolvimento da 
atividade de mineração é de interesse geral. 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 24/60
 
A Concessão de Lavra 
A concessão de lavra terá título cujo extrato simplificado será publicado no Diário Oficial da 
União e teor transcrito em registro da ANM, outorgado por Portaria do Ministro de Estado de 
Minas e Energia, sendo que para alguns minerais listados pela ANM terá o título outorgado por 
Resolução da Agência. Essas substâncias foram previstas no art. 1º, da Lei 6.567/78, sendo que 
o aproveitamento delas fica adstrito à área máxima de 50 hectares. São elas: 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 25/60
I - areias, cascalhos e saibros para utilização imediata na construção civil, no preparo de 
agregados e argamassas, desde que não sejam submetidos a processo industrial de 
beneficiamento, nem se destinem como matéria-prima à indústria de 
transformação;                      
II - rochas e outras substâncias minerais, quando aparelhadas para paralelepípedos, guias, 
sarjetas, moirões e afins;          
III - argilas para indústrias diversas; (Redação dada pela Lei nº 13.975, de 2020) 
IV - rochas, quando britadas para uso imediato na construção civil e os calcários empregados 
como corretivo de solo na agricultura.   
V - rochas ornamentais e de revestimento; (Incluído pela Lei nº 13.975, de 2020) 
VI - carbonatos de cálcio e de magnésio empregados em indústrias diversas. (Incluído pela 
Lei nº 13.975, de 2020) 
Todas essas substâncias podem ser outorgadas pela ANM sem necessidade de aval do Ministro 
de Minas e Energia, em face do uso desses materiais na construção civil que deve ter um 
tratamento diferenciado para não burocratizar as políticas públicas de urbanização e moradia. 
Sendo concedida a lavra, o titular estará obrigado ao atendimento de algumas exigências e 
condicionantes, previstas no Código de Mineração, em seu art. 47 (c/c art. 34, do Decreto 
9.406/2018), além dos deveres anexos já elencadas no art. 43-A (incluído pela Lei 
14.066/2020), que, em caso de descumprimento, podem resultar na imposição das sanções 
administrativas de advertência, muta ou até mesmo na declaração de caducidade de lavra. O 
referido normativo enumerou, a título exemplificativo, as obrigações que deve assumir o 
titular da concessão de lavra. São elas: 
iniciar os trabalhos previstos no plano de aproveitamento econômico no prazo de 06 
meses, contado da data de publicação da concessão de lavra no Diário Oficial da União, 
exceto por motivo de força maior, a juízo da ANM; 
lavrar a jazida de acordo com o plano de aproveitamento econômico aprovado pela 
ANM; 
extrair somente as substâncias minerais indicadas na concessão de lavra; 
comunicar à ANM o descobrimento de qualquer outra substância mineral não incluída 
na concessão de lavra; 
executar os trabalhos de mineração com observância às normas regulamentares; 
confiar, obrigatoriamente, a responsabilidade dos trabalhos de lavra a técnico 
legalmente habilitado ao exercício da profissão; 
não dificultar ou impossibilitar, por lavra ambiciosa, o aproveitamento posterior da 
jazida; 
15. Mineração e Meio Ambiente
15. Mineração e Meio Ambiente 26/60
responder pelos danos e pelos prejuízos a terceiros que resultarem, direta ou 
indiretamente, da lavra; 
promover a segurança e a salubridade das habitações existentes no local; 
evitar o extravio das águas e drenar aquelas que possam ocasionar danos e prejuízos aos 
vizinhos; 
evitar poluição do ar ou da água que possa resultar dos trabalhos de mineração; 
proteger e conservar as fontes e utilizar as águas de acordo com os preceitos técnicos, 
quando se tratar de lavra de águas minerais; 
tomar as providências indicadas pela fiscalização da ANM e de outros órgãos e 
entidades da administração pública; 
não suspender os trabalhos de lavra sem comunicação prévia à ANM; 
não interromper os trabalhos de lavra já iniciados, por mais de 06 meses consecutivos, 
exceto por motivo de força maior comprovado; 
manter a mina em bom estado, na hipótese de suspensão temporária dos trabalhos de 
lavra, de modo a permitir a retomada das operações; 
apresentar à ANM, até o dia 15 de março de cada ano, relatório anual das atividades 
realizadas no ano anterior, de forma a consolidar as informações prestadas periodicamente, 
conforme o disposto em Resolução da ANM; 
executar e concluir adequadamente, após o término das operações e antes da extinção 
do título, o plano de fechamento de mina; e 
observar o disposto na Política Nacional de Segurança de Barragens, estabelecida 
pela                                      Lei nº 12.334/2010.  
Das obrigações listas pelo normativo, além daquelas de cunho lógico, como a necessidade de 
atender às legislações ambientais, trabalhistas e às disciplinadas no Código de Mineração e nas 
normas expedidas pela ANM, destaca-se a obrigação de o titular da lavra só poder extrair as 
substâncias minerais indicadas na concessão de lavra, mas especificamente no Plano de 
Aproveitamento Econômico – PAE. Agregado a isso, o titular ainda tem o dever de informar a 
Agência o descobrimento de qualquer outra substância mineral que só poderá ser 
aproveitada se for feito o aditamento à concessão de lavra pelo Ministro de Estado de Minas e 
Energia ou, para as substâncias minerais de que trata o art. 1º da Lei nº 6.567, de 1978, pela 
ANM. 
Cumpre lembrar que deixar de comunicar à ANM a descoberta de outra substância mineral, 
não incluída na concessão de lavra, constitui infração administrativa sujeito à sanção de multa 
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15. Mineração e Meio Ambiente 27/60
fechada de R$ 3.293,90 (três mil, duzentos e noventa e três reais e noventa centavos), nos 
termos do art. 66, do Decreto 9.406/2018. 
Outra regra proibitiva importante que deve ser observada pelo concessionário é não dificultar 
ou impossibilitar o aproveitamento posterior da jazida. Melhor dizendo, o titular incorre no que 
a doutrina chama de lavra ambiciosa, isto é, pratica atos em desacordo com o Plano de 
Aproveitamento Econômico ou mesmo visa impossibilitar o ulterior aproveitamento 
econômico da jazida. Essa conduta incide na sanção administrativa de multa de R$ 3.293,90 
(três mil, duzentos e noventa e três reais e noventa centavos) e advertência, prevista no art. 55, 
do Decreto 9.406/2018, sendo aplicada em dobro com a caducidade do direito minerário em 
caso de reincidência. 
A Lei 14.066/2020 ainda acrescentou outros deveres ao concessionário no caso de extinção ou 
caducidade da concessão minerária. Nesse sentido, previu o art. 43-A, do Código de 
Mineração, que o titular da lavra minerária fica obrigado a remover equipamentos e bens e 
arcar integralmente com os custos decorrentes dessa remoção reparar ou indenizar os danos 
resultantes de suas atividades; e praticar os atos de recuperação ambiental determinados pelos 
órgãos e entidades competentes. Paraisso, deve apresentar à entidade outorgante de direitos 
minerários o Plano de Fechamento de Mina e à autoridade licenciadora o Plano de 
Recuperação de Áreas Degradadas.
Caducidade da Concessão de Lavra 
As sanções administrativas por infrações decorrentes das autorizações de pesquisa, das 
permissões de lavra garimpeira, das concessões de lavra e do licenciamento, foram previstas 
no art. 63, do Decreto-Lei 227/67, são elas: advertência; multa, caducidade do título; multa 
diária; apreensão de minérios, bens e equipamentos e suspensão temporária, total ou parcial, 
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das atividades de mineração. Essas sanções não excluem outras previstas em normativos 
diversos, como na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). 
A caducidade é uma sanção administrativa consubstanciada na perda do direito de minerar 
por ter o titular da concessão de lavra praticado alguma das infrações listadas no Código 
de Mineração. É, dentre as penalidades no processo minerário, a mais grave sanção 
administrativa. A regra é: a conduta infracional do titular da lavra deve ser dosada 
gradativamente da advertência à caducidade. Somente o Ministro de Estado de Minas e 
Energia pode aplicar a penalidade de caducidade no caso da concessão de lavra, sendo que 
aos demais regimes, ficam a cargo da ANM. 
Os casos que autorizam a aplicação da penalidade de caducidade foram previstos 
expressamente no art. 65, do Código de Mineração. Vejamos: 
caracterização formal do abandono da jazida ou mina; 
não cumprimento dos prazos de início ou reinício dos trabalhos de pesquisa ou lavra, 
apesar de advertência e multa; 
prática deliberada dos trabalhos de pesquisa em desacordo com as condições constantes 
do título de autorização, apesar de advertência ou multa; 
prosseguimento de lavra ambiciosa ou de extração de substância não compreendida 
no Decreto de Lavra, apesar de advertência e multa; e, 
não atendimento de repetidas observações da fiscalização, caracterizado pela terceira 
reincidência, no intervalo de 1 (hum) ano, de infrações com multas. 
Aplica-se a penalidade de caducidade da concessão quando ocorrer significativa 
degradação do meio ambiente ou dos recursos hídricos, bem como danos ao patrimônio de 
pessoas ou comunidades, em razão do vazamento ou rompimento de barragem de 
mineração, por culpa ou dolo do empreendedor, sem prejuízo à imposição de multas e à 
responsabilização civil e penal do concessionário, norma incluída pela Lei 14.066/2020, como 
uma reação legislativa aos recentes acidentes que ocorreram no Brasil.  
O parágrafo único do art. 52, do Código de Mineração, previu a possibilidade de instauração de 
processo administrativo de caducidade do título minerário na hipótese de o concessionário 
praticar atividades de lavra, de beneficiamento ou de armazenamento de minérios, ou de 
disposição de estéreis ou de rejeitos em condições que resultem em graves danos à 
população ou ao meio ambiente.  
Por fim, para a decretação da caducidade da concessão de lavra, há necessidade de 
instauração de processo administrativo garantindo ao titular da lavra o direito ao 
contraditório e a ampla defesa que poderá ser instaurado de ofício ou mediante denúncia 
provocada. As regras do processo administrativo foram elencadas nos arts. 68 e 69 do Código 
de Mineração.   
15. Mineração e Meio Ambiente
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Regime de Licenciamento  
O Código de Mineração previu em seu art. 2º, II, o regime de licenciamento, quando a lavra 
dos recursos minerais depender de licença a ser expedida em obediência a regulamentos 
administrativos locais cabendo o registro da licença na ANM. 
O Decreto 9.406/2018, em seu art. 12, delimitou os minerais que serão objeto do regime de 
licenciamento, que deverá abarcar apenas o aproveitamento das substâncias minerais a que se 
refere o art. 1º da Lei nº 6.567/78, que, por sua natureza, seu limite espacial e sua utilização 
econômica, possam ser lavrados, independentemente de trabalhos prévios de pesquisa, 
sendo ratificado pelo art. 39, do mesmo normativo. 
Nessa cadência, o aproveitamento de recursos minerais sob o regime de licenciamento 
obedecerá ao disposto na Lei nº 6.567/78, e nas Resoluções expedidas pela ANM, cabendo a 
ela a outorga dos direitos de lavra. 
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As substâncias minerais que poderão ser objeto de aproveitamento pelo regime de 
licenciamento foram previstas no art. 1º, da Lei 6.567/78, sendo elas: 
I - areias, cascalhos e saibros para utilização imediata na construção civil, no preparo de 
agregados e argamassas, desde que não sejam submetidos a processo industrial de 
beneficiamento, nem se destinem como matéria-prima à indústria de 
transformação;                      
II - rochas e outras substâncias minerais, quando aparelhadas para paralelepípedos, guias, 
sarjetas, moirões e afins;          
III - argilas para indústrias diversas; (Redação dada pela Lei nº 13.975, de 2020) 
IV - rochas, quando britadas para uso imediato na construção civil e os calcários empregados 
como corretivo de solo na agricultura.   
V - rochas ornamentais e de revestimento; (Incluído pela Lei nº 13.975, de 2020) 
VI - carbonatos de cálcio e de magnésio empregados em indústrias diversas. (Incluído pela 
Lei nº 13.975, de 2020) 
A Lei 6.567/78 criou um regime especial para exploração e aproveitamento dessas substâncias 
minerais que só tem aplicabilidade para áreas de até 50 hectares, sendo o limite objetivo 
autorizativo do regime de licenciamento (parágrafo único, do art.5º). Ultrapassado o montante, 
deve ser adotado o regime de concessão de lavra, como regra. 
O aproveitamento mineral pelo regime de licenciamento é facultado exclusivamente ao 
proprietário do solo ou a quem dele tiver expressa autorização, salvo se a jazida se situar em 
imóveis pertencentes a pessoa jurídica de direito público, que dependerá de prévio 
assentimento desta, bem como no caso de habilitação ao aproveitamento da jazida, que fica 
facultada a qualquer interessado quando ocorrer o cancelamento do registro de licença, nos 
termos do art. 2º c/c o art. 10, §1º, ambos da Lei 6.567/78. 
Importante destacar que embora a Constituição Federal de 1988 tenha atribuído à União a 
dominialidade dos recursos minerais, a Lei 6.567/1978 facultou exclusivamente ao proprietário 
do solo, ou a quem dele tenha expressa autorização, a exploração de recursos minerais pelo 
regime de licenciamento, restringindo a extensão da área onerada a 50 ha. 
A 6.567/78 trouxe, principalmente em seu art. 3º, os requisitos necessários para incidência do 
regime de aproveitamento dos recursos minerais por licenciamento. São eles:  
substâncias listadas no art. 1º; 
área lavrada de até 50 hectares;  
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obtenção de licença específica expedia pela autoridade local, no município de situação da 
jazida; 
registro da licença na ANM mediante requerimento. 
Assim, o regime de licenciamento só pode cobrir uma área de até 50 hectares e a validade 
da licença expedida pela autoridade ambiental local depende de registro na ANM. Nessa 
linha, para aproveitamento de minerais como areia, cascalho, saibro, rochas, argilas e 
carbonatos de cálcio (mármores) de utilização imediata na construção civil, só podem ser 
efetivados mediante o regime de licenciamento, que independe de qualquer tipo de pesquisa 
mineral prévia, não dispensando o licenciamento ambiental. 
 Requerimento de Registro de Licença  
O requerimento de registro de licença deverá ser direcionado a ANM, com o devido 
comprovante de recolhimento das custas, devendo constar, dentre outros elementos, a 
comprovação da nacionalidade brasileira do interessado, pessoa natural, ou registro da 
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sociedade no órgão de registro de comércio de sua sede, se se tratar de pessoa jurídica, bem 
comoo memorial descritivo da área objetivada na licença. 
À autoridade municipal, incumbe o exercício do poder de polícia realizando a vigilância para 
assegurar que o aproveitamento da substância mineral só se efetive depois de apresentado ao 
órgão local competente o título de registro do licenciamento. 
O titular do direito de aproveitamento da área fica obrigado, nos termos do art. 7º, da Lei 
6.567/78, a comunicar, imediatamente, à ANM a ocorrência de qualquer substância mineral 
útil não compreendida no licenciamento, sendo que o aproveitamento de substância mineral, 
não constante do título de licenciamento, dependerá da obtenção, pelo interessado, de nova 
licença e da efetivação de sua averbação à margem do competente registro na ANM. 
A ANM, em face da descoberta da nova substância, poderá requerer que seja realizada 
pesquisa prévia para futura exploração do minério. Para isso, o titular do registro de 
licenciamento, terá o prazo de 60 dias, após intimação, para requerer a autorização de 
pesquisa, que deverá abranger as novas substâncias minerais ocorrentes, bem como as 
constantes do título de licenciamento, com a finalidade de determinar-se o potencial 
econômico da área. 
Decorrido o prazo de 60 dias, sem que haja o licenciado formulado requerimento de 
autorização de pesquisa, será determinado o cancelamento do registro da licença, pela ANM. 
Poderá ainda ser exigida, a critério da ANM, a apresentação de Plano de Aproveitamento 
Econômico - PAE da jazida, conforme regras previstas no art. 39 do Código de Mineração. 
São hipóteses de cancelamento do registro da licença, previstas no art.10, da Lei 
6.567/78:    
insuficiente produção da jazida, considerada em relação às necessidades do mercado 
consumidor; 
suspensão, sem motivo justificado, dos trabalhos de extração, por prazo superior a 6 (seis) 
meses; 
aproveitamento de substâncias minerais não abrangidas pelo licenciamento, após 
advertência. 
Publicado o ato determinativo do cancelamento do registro de licença, a habilitação ao 
aproveitamento da jazida, sob o regime de licenciamento, estará facultada a qualquer 
interessado, independentemente de autorização do proprietário do solo, observados os demais 
requisitos previstos nesta Lei, sendo vedado ao proprietário do solo, titular do licenciamento 
cujo registro haja sido cancelado, habilitar-se ao aproveitamento da jazida. Mas o vencedor é 
obrigado a pagar ao proprietário do solo renda pela ocupação do terreno e indenização 
pelos danos ocasionados ao imóvel, em decorrência do aproveitamento da jazida. 
Regime de Permissão de Lavra Garimpeira - PLG   
Características da lavra garimpeira   
15. Mineração e Meio Ambiente
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A Permissão da Lavra Garimpeira – PLG é um dos regimes de aproveitamento/exploração de 
substâncias minerais que tem por objetivo a promoção socioeconômica dos pequenos 
mineradores (garimpeiros) com proteção constitucional específica definida nos arts. 21, XXV e 
174, §§ 3º e 4º. 
Boa parte das disposições constitucionais foram disciplinadas na Lei 7.805/89, que instituiu a 
permissão de lavra garimpeira. Esse regime consiste, nos termos do art.1º, do referido 
normativo, no aproveitamento imediato de jazimento mineral que, por sua natureza, 
dimensão, localização e utilização econômica, possa ser lavrado, independentemente de 
prévios trabalhos de pesquisa, segundo critérios fixados pela ANM. 
A lavra garimpeira é um regime de aproveitamento de substâncias minerais com 
aproveitamento imediato do jazimento mineral que, por sua natureza, sobretudo seu pequeno 
volume e a distribuição irregular do bem mineral, não justificam, muitas vezes, investimento 
em trabalhos de pesquisa, tornando-se, assim, a lavra garimpeira a mais indicada. 
Assim como no regime de licenciamento há necessidade de definição dos minerais que podem 
ser submetidos as regras deste regime. O §1º, do art. 10, da Lei 7.805/89, definiu alguns desses 
minerais cabendo a ANM a definição de outros de forma a complementar a lista dessas 
substâncias. São considerados como minerais garimpáveis, dentre outros: o ouro, diamante, 
cassiterita, columbita, tantalita, volframita, nas formas aluvionar, eluvional e coluvial, scheelita, 
demais gemas, rutilo, quartzo, berilo, moscovita, espodumênio, lepidolita, feldspato e mica. 
Compete a ANM, nos termos do art.11, da Lei 7.805/89, estabelecer, mediante portaria, as 
áreas de garimpagem (denominadas de garimpo). Para definição dessas áreas a Autarquia 
minerária deve atender à alguns requisitos essenciais, sendo eles: o interesse do setor 
minerário e as razões de ordem socioambiental. 
A PLG é concedida pelo Diretor-Geral da ANM, sendo outorgada a brasileiro ou a cooperativas 
de garimpeiros, pelo prazo de até 05 anos, podendo ser sucessivamente renovada por mais 
cinco, a critério da ANM, sendo que a área permissionada não poderá exceder 50 (cinquenta) 
hectares, salvo quando outorgada a cooperativa de garimpeiros, que poderão ter PLG em 
valores de áreas que excedam o limite de 50 ha, nos termos das normas estabelecidas pela 
ANM. 
Mas o aproveitamento pelo regime da PLG exige que o titular do direito de exploração obtenha 
o licenciamento ambiental respectivo no órgão ambiental competente da localidade do 
garimpo, nos termos do art. 3º, da Lei 7.805/89, vejamos: 
Art. 3º A outorga da permissão de lavra garimpeira depende de prévio licenciamento 
ambiental concedido pelo órgão ambiental competente. 
Se ocorrer a mineração em área urbana, nos termos do art. 2º, da Lei 7.805/89, a permissão de 
lavra garimpeira depende de assentimento da autoridade administrativa local, no Município 
de situação do jazimento mineral. 
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Embora a regra para o desenvolvimento do regime de permissão de lavra garimpeira seja a 
desnecessidade de trabalhos prévios de pesquisa, nos termos do parágrafo único do art. 1º, da 
Lei 7.805/89, julgando necessário de acordo com o caso concreto, a ANM, de ofício ou por 
solicitação do permissionário, exigirá que este apresente projetos de pesquisa, no prazo de 
90 (noventa) dias, contado da data da publicação de intimação do Diário Oficial da União (art. 
6º, da Lei 7.805/89), sob pena de cancelamento da PLG ou mesmo de redução da área de 
aproveitamento minerário. 
Quanto aos regimes de lavras até aqui ventilados, a regra é a de que não se admite a execução 
simultânea de dois ou mais regimes em uma mesma área. Mas por uma questão de fomentar o 
regime de permissão de lavra minerária, notadamente na forma associativa, o art. 7º, da Lei 
7.805/89, previu a possibilidade, a critério da ANM, será admitida a permissão de lavra 
garimpeira em área de manifesto de mina ou de concessão de lavra, com autorização do 
titular, quando houver viabilidade técnica e econômica no aproveitamento por ambos os 
regimes. 
Mas o titular do manifesto de mina ou da concessão de lavra poderá recusar a pretensão de 
exploração mineral pelo garimpeiro, caso a substância mineral pretendida já esteja 
contemplada no título original. Por outro lado, sendo uma novel substância, o titular será 
intimado pela ANM para que apresente, em até 90 dias, projeto de pesquisa para efeito de 
futuro aditamento de nova substância ao título original. Exaurido o prazo, sem que tenha sido 
apresentado o projeto, poderá a ANM expedir a PLG para o interessado. 
Destaque-se ainda a possibilidade contrária: a concessão de lavra em área com PLG. Esse 
autorizativo foi expresso no art. 8º, da Lei 7.805/89, admitindo, a critério da ANM, a concessão 
de lavra em área objeto de permissão de lavra garimpeira, com autorização do titular, 
mantendo a necessidade de que fique demonstrado, por consectário lógico, a viabilidade 
técnica e econômica no aproveitamento por ambos os regimes. 
Cumpre destacar ainda que o regime de lavra garimpeira não se aplica às terras indígenas, 
que, como visto, embora seja possível a exploração minerária, ainda não há regulamentação

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