Prévia do material em texto
por motivo ligado ao exercício da profissão e, mesmo assim, com as observações indicadas no inciso IV. Ainda sobre o assunto: Imunidade profissional do advogado A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7º, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): “O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer”. artigo 7º, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): Saiba Mais Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8) na qual o Supremo Tribunal Federal, em 1994, suspendeu liminarmente a eficácia da expressão “desacato”, tendo o mérito sido julgado em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgado procedente, ou seja, o advogado não tem mais imunidade profissional em relação ao crime de desacato. V – não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar. Mais uma vez, a AMB insurgiu-se, por meio de ADI, contra a Lei nº 8.906/1994. Nesse caso, foi em relação à expressão “assim reconhecidas pela OAB”. O STF, confirmando a liminar antes concedida, julgou, nessa parte, procedente a ação, ou seja, declarou a inconstitucionalidade da expressão “assim reconhecidas pela OAB”. A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado Maior, continua valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal. VI – ingressar livremente: Com essas prerrogativas, o estatuto garante ao advogado o pleno exercício de sua atuação a fim de que ele possa representar os interesses de seus clientes de maneira eficaz. Qualquer impedimento a essas garantias deve ser entendido como ilegal e, nos casos de violações às alíneas a, b e c, como crime de abuso de autoridade, previsto no art. 3º, f, da Lei nº 4.898/1995. Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige procuração com poderes especiais. VII – permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença. Conforme o art. 6º do estatuto, não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público. Nesse mesmo sentido, esse inciso assegura ao advogado decidir a melhor maneira de ficar nos locais onde precisa estar para o exercício da advocacia, sem qualquer interferência por parte dos agentes públicos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias). Importa em desprestígio para a classe - e nenhum advogado pode a isso condescender - quando o magistrado determina o local onde o advogado deve ficar com a clara intenção de menoscabo ou em atitude arbitrária. VIII – dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada. Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação entre advogados e magistrados, e pelo fato de ser o advogado um dos figurantes essenciais à justiça, é assegurado o seu livre acesso aos magistrados. Entretanto, é razoável que, em razão de um ato processual estar sendo realizado, a autoridade judiciária solicite ao advogado que aguarde o término do aludido ato. O que não se admite é a restrição para atendê-lo somente em alguns dias da semana e em horários previamente estipulados. Comentário Para fins de prova (Exame de Ordem), é direito do advogado - e não do estagiário. IX – sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de 15 minutos, salvo se prazo maior for concedido. O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo desse inciso por ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8 proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oralmente as razões recursais “após o voto do relator”, o que contribuiria muito para a realização da justiça, uma vez que, após ouvir o voto do relator, o advogado melhoraria sua argumentação para o melhor esclarecimento das razões para os demais julgadores do órgão colegiado. Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve prever o voto do relator e preparar uma sustentação oral a mais completa e sintetizada possível. Observe que, no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, §4º), ainda consta que, no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral do advogado será após o voto do relator! X – usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas. Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo estatuto aos advogados. Trata-se da utilização da expressão “pela ordem” quando se verificar a necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma dúvida relevante que possa influir no julgamento, ou ainda como forma de defesa contra acusações ou censura que lhe forem feitas. XI – reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar para as autoridades contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. A diferença entre o inciso anterior e este é que, no primeiro, a intervenção deve ser sumária, de modo a evitar um prejuízo maior, enquanto, no último, pode-se esperar um momento mais oportuno para intervir. XII – falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo. O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado ou em pé, em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da Administração Pública, não podendo nenhum ato normativo interno estabelecer forma diversa. XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estiverem sujeitos a sigilo ou segredo de justiça, assegurada a obtenção de cópias, com possibilidade de tomar apontamentos (Redação dada pela Lei nº 13.793, de 2019). O direito ao exame dos autos e o de vista dos autos não se confundem: Direito ao exame dos autos Tal direito nada mais é do que a simples consulta dos autos no cartório. VERSUS Direito de vista É a retirada dos autos pelo advogado mediante registro em livro de carga ou em documento que declare a saída dos autos. Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvida urgente ou até mesmo para que o advogado decida se irá ou não ingressar na causa. Assim, o estatuto assegura ao advogado examiná-los em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da Administração Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo sem procuração, desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo assegurada a obtenção de cópia, além de ele poder tomar apontamentos. Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procuração explicitado nesse inciso, explica Geronimo Theml de Macedo (2009, p. 81): “aqui é fundamental ter em mente que o direito não é de retirar os autos de cartório para levá-los até a copiadora mais próxima. O direito é de obter as cópias, o que implicadizer que cada cartório judicial deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal direito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem o advogado até a copiadora”. A novidade trazida pela Lei nº 13.793/2019 foi para permitir o acesso dos advogados aos processos eletrônicos mesmo sem procuração, desde que eles não estejam sujeitos a sigilo (art. 7º, XIII, §13, do EAOAB). XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital. Este inciso foi alterado pela Lei nº 13.245/2016. Antes, em seu texto original, não constavam as expressões “em qualquer repartição policial responsável por conduzir investigação” e “investigações de qualquer natureza” (constava apenas “autos de flagrante e de inquérito policial”), bem como a questão da obtenção de cópias por meio digital, como, por exemplo, a fotografia por scanner portátil ou por aparelho de telefone celular. Comentário Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se discutia o direito de acesso do advogado aos procedimentos investigatórios nos mais variados setores, e não só em sede policial (como é o caso do procedimento investigatório criminal feito pelo Ministério Público). Para assegurar esse direito, a Lei nº 13.245/2016 também acrescentou o §12, determinando que: “A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.” Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para se ter vista e cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrência), de termos circunstanciados e de qualquer procedimento anterior à instauração do inquérito policial, como o comumente chamado procedimento de “verificação das procedências das informações” (na prática penal denominada VPI), tratado no art. 5º, §3º, do Código de Processo Penal (CPP). Afinal, se pode o mais (inquérito policial), pode o menos (VPI, registro de ocorrência ou boletim de ocorrência). Atenção É importante observar o seguinte: embora o art. 20 do CPP estabeleça que “a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade”, essa sigilosidade – característica do IP – não alcança o advogado em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7º, inciso XIV, da Lei nº 8.906/1994. Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula vinculante nº 14 com o seguinte teor: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Supremo Tribunal Federal - súmula vinculante nº 14 Nesse sentido, a Lei nº 13.245/2016 acrescentou os §§10 e 11, que esclarecem mais ainda esse tema. Vejamos: No §10, consta o seguinte: “nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV”. Isso ocorre porque, como já comentamos, o sigilo do inquérito policial não alcança o advogado. No entanto, há casos em que pode haver uma interceptação telefônica decretada pelo juiz ou a quebra de sigilo bancário. Assim, documentos e informações sigilosas são juntadas aos autos do inquérito policial. Nessa hipótese, para que o advogado tenha acesso, ele deverá ter procuração. Já o §11 atesta que, “no caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências”. Esse inciso esclareceu melhor o teor da aludida Súmula Vinculante 14. XV – ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos legais. XVI – retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias. Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam aos seguintes casos mencionados no § 1º do art. 7º: a. quando o processo estiver sob o regime do segredo de justiça; b. quando houver nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido ex officio, mediante representação ou requerimento da parte interessada; c. até o encerramento do processo ao advogado que tenha deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal e só o fizer depois de intimado. XVII – ser publicamente desagravado quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela. O estatuto tratou o desagravo público como um direito do advogado, tendo o Regulamento Geral especificado o tema nos arts. 18 e 19. O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela Ordem dos Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar uma solidariedade às ofensas sofridas pelo advogado no exercício da sua profissão, ou de cargo ou função nos órgãos da OAB, sem prejuízo das sanções penais em que incorrer o ofensor. Não raramente, os advogados são ofendidos por juízes, promotores de justiça ou delegados de polícia no desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser promovido pelo conselho competente, de ofício, a requerimento do próprio advogado ou de qualquer outra pessoa. O desagravo público, como meio de defesa dos direitos e das prerrogativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, sendo, portanto, um critério do próprio conselho. Uma vez ocorrendo a ofensa no espaço territorial da subseção a que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo pode ser promovida pela diretoria ou conselho da subseção, com representação do conselho seccional. Com razão, se o advogado foi ofendido num município distante da sede do Conselho Seccional, de nada adiantará a solenidade ser lá realizada. Atenderá melhor ao seu objetivo se ela for feita em um local mais próximo de onde ocorreu a ofensa. Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desagravo público nos casos de ofensa a conselheiro federal ou a presidente de conselho seccional, quando eles forem ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e quando a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas profissionais com repercussão nacional. Dessa forma, o Conselho Federal indica seus representantes para a sessão pública de desagravo, que será realizado na sede do conselho seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, caso em que ela acontecerá no próprio Conselho Federal. O procedimento do desagravo público é disciplinado nos parágrafos do art. 18 do Regulamento Geral. ● Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da OAB, propor ao presidente que solicite informações da pessoa ou autoridade ofensora, que serão fornecidas no prazo de 15 dias, a não ser que haja urgência ou notoriedade do fato. ● Pode o relator propor o arquivamento do pedido se: (1) a ofensa tiver natureza pessoal;(2) se não estiver ligada ao exercício profissional ou às prerrogativas gerais do advogado; ou (3) se configurar crítica de caráter doutrinário, político ou religioso. ● Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencendo-se da procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será submetido ao conselho. Em caso de acolhimento do parecer, é designada a sessão de desagravo, que será amplamente divulgada. Na sessão do desagravo público, o presidente lê a nota a ser publicada na imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registrada nos assentamentos do inscrito. Formação de sociedade Os honorários de sucumbência e o advogado empregado Advocacia e seus direitos Saiba Mais Comentário Comentário Atenção