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Rita do Carmo Polli da Silva R ita d o C a r m o Po lli d a Silva A linguística textual e a sala de aula Pelos corredores das escolas brasileiras não é raro encontrar um ou outro aluno decorando regras e conceitos gramaticais para tirar uma boa nota na prova de Língua Portuguesa. Passado esse momento, ao produzir um texto, esse mesmo aluno acaba não usando boa parte daquilo que decorou. O motivo? Ele não tem noção de que o conteúdo decorado poderia ter uma utili- dade prática, uma razão de ser! Por meio de conceitos históricos, indicações de leitura e exemplos que englobam a realidade escolar dos dias atuais – influenciada pela mídia, pela escrita vigente na internet, dentre outros aspectos –, o conteúdo presente nestas páginas sugere novas práticas para o ensino de Língua Portuguesa. Aqui, cada professor é convidado a repensar sua prática docente, de modo que possibilite aos seus alunos a verdadeira compreensão do conteúdo que lhes é ensinado, além de introduzi-los na arte de trabalhar com as palavras, os textos, os livros e a nossa língua. Série Língua Portuguesa em Foco Série Língua Portuguesa em Foco SÉ R IE LÍ N G U A P O R T U G U ES A E M F O C O SÉ R IE LÍ N G U A P O R T U G U ES A E M F O C O r i t a d o c a r m o p o l l i d a s i l v a Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Série Língua Portuguesa em Foco Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. A linguística textual e a sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 1ª edição, 2012. Foi feito o depósito legal. Informamos que é de inteira responsabilidade da autora a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser repro- duzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Ibpex. A violação dos direitos autorais é crime estabele- cido na Lei n° 9.610/1998 e punido pelo art. 184 do Código Penal. Av. Vicente Machado, 317 • 14º andar • Centro • CEP 80420-010 • Curitiba • PR • Brasil Fone: (41) 2103-7306 • www.editoraibpex.com.br • editora@editoraibpex.com.br Silva, Rita do Carmo Polli da A linguística textual e a sala de aula [livro eletrônico] / Rita do Carmo Polli da Silva. – Curitiba: Ibpex, 2012. – (Série Língua Portuguesa em Foco). 2 Mb ; PDF Bibliografia. isbn 978-85-7838-630-6 1. Análise do discurso 2. Linguística 3. Sala de aula – Direção 1. Título 11. Série. 12-15055 cdd-415 Índices para catálogo sistemático: 1. Língua textual 415 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dr. Ivo José Both (presidente); Dra. Elena Godoy; Dr. Nelson Luis Dias e Dr. Ulf Gregor Baranow • conselho editorial Lindsay Azambuja • editor-chefe Ariadne Nunes Wenger • editor-assistente Raphael Bernadelli • editor de arte/projeto gráfico Alexandre Olsemann • preparação de originais Denis Kaio Tanaami/Regiane Rosa • capa Danielle Scholtz • iconografia Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. apresentação, vii um um pouco de história, 9 dois coerência textual, 35 três coesão textual, 57 quatro demais requisitos para a construção da textualidade, 89 cinco gêneros textuais, 113 seis a linguística textual e a sala de aula, 139 considerações finais, 183 glossário, 187 referências, 191 bibliografia comentada, 197 respostas, 199 a autora, 205 sumáriosumário Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. ¶ ¶ E s t E l i v r o t E m E s t E l i v r o t E m como função primeira apresentar os funda- mentos da linguística textual. O primeiro capítulo traz um breve histórico da disciplina, que abarca desde os primeiros estudos até os mais recentes. Os demais capítulos foram organizados tomando como partida a proposta de Beaugrande e Dressler (1981), apresen- tada no final do Capítulo 1, e os trabalhos mais recentes da linguís- tica textual no Brasil. A justificativa para essa apresentação está no fato de que Beaugrande e Dressler (1981) propuseram um con- junto de sete fatores responsáveis pela noção de textualidade noção de textualidade em um texto, incluindo, entre eles, a coerência. Já Koch e Travaglia (1990) entendem que essa envolve todos os demais, ou seja, coesão, informatividade, situcionalidade, intertextualidade, intencionali- dade e aceitabilidade estão dentro da coerência. Marcuschi (1983) entende que os fatores de contextualizaçãofatores de contextualização também são responsá- veis pela construção dos sentidos, da mesma maneira também são considerados importantes para esse fim a consistênciaconsistência e a relevânrelevân-- ciacia, abordados por Giora (1985), a focalizaçãofocalização, apresentada pelos pesquisadores Koch e Travaglia (1990), e o conhecimento comconhecimento com-- partilhadopartilhado, trazido por Koch (2004). apresentaçãoapresentação Ne nh um a p ar te de sta pu blica çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. viii rita do carmo polli da silva No Capítulo 2 abordamos a coerência textual e os fatores que contribuem para sua construção apresentamos nos dois capí- tulos seguintes. O primeiro fator, a coesão textual, é abordado no Capítulo 3. Os outros elementos considerados importantes para a construção dos sentidos, para a coerência textual, podem ser observados no Capítulo 4. O Capítulo 5 abordamos a distinção entre tipos e gêneros textuais e, por último, no Capítulo 6, apresentamos alguns aspec- tos importantes a serem considerados e aproveitados em aulas de língua portuguesa a partir da linguística textual. Não tivemos a pretensão de começar e encerrar um assunto. Nosso intento aqui foi o de ministrar alguns pontos para iniciar você, leitor, na linguística textual. Com a base que contruirmos aqui, você poderá traçar novos caminhos, dependendo de seu inte- resse. Esse é o primeiro passo, mas a caminhada fica por sua conta. E, se ela vier a acontecer, a intenção inicial foi alcançada. Boa leitura. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. ## um um pouco de história dois dois coerência textualcoerência textual três três coesão textualcoesão textual quatro quatro demais requisitos para a construção da textualidadedemais requisitos para a construção da textualidade cinco cinco gêneros textuaisgêneros textuais seis seis a linguística textual e a sala de aulaa linguística textual e a sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Proponho que se veja a linguística do texto, mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos e orais. (marcuschi, 1983, p. 12) ¶ ¶ t o d a m u d a n ç a s E t o d a m u d a n ç a s E dá aos poucos, por partes. Uma criança que apenas engatinha, para andar, precisa primeiro ficar em pé, de- pois ensaiar o primeiro passo, o segundo, e assim por diante, até finalmente andar. Dificilmente ela irá sair correndo a partir do es- tágio de engatinhar, como se sempre tivesse andado. De modo geral, é assim que as mudanças ocorrem, aos poucos, por etapas. No que se refere aos conhecimentos linguísticos, no iní- cio do século XX, havia predominância da linguística estrutural Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 12 rita do carmo polli da silva saussureana*, que entendia a língua como sistema, como código, e se limitava a analisar apenas as sentenças. A intenção de estudar além da frase data da segunda metade da década de 1960 até meados da década de 1970. Nasce, nesse mo- mento, o objeto de estudo deste livro: a linguística textual, ou seja, a linguística além da frase, que tem como foco o texto. Seus primeiros movimentos ocorreram em vários países da Europa, sendo que os primeiros estudiosos apresentaram teorias distintas para o mesmo objeto de estudo. O que se tinha de homo- gêneo era apenas a ideia de que a frase era muito limitada para per- mitir um estudo satisfatório de uma língua, no resto... Distinções à parte, é possível que visualizemos essa cami- nhada a partir de três passos: fase transfrástica, as gramáticas do texto e as teorias do texto. umpontopontoum Primeiro passo – Primeiro passo – fase transfrásticafase transfrástica O primeiro passo se deu a partir de fenômenos linguísticos não passí veis de análise em um limite tão exíguo como o da frase, por isso foi chamado de transfrástico, literalmente entendido como “além da frase”. O problema é que esse processo significava sair de um * Nascido em 1887 e falecido em 1949, Ferdinand de Saussure é considerado o fundador do estruturalismo norte-americano. Foi o criador da Sociedade Linguística da América, em 1924. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 13a linguística tExtual E a sala dE aula âmbito conhecido para ir de encontro ao desconhecido, ou seja, era preciso definir o que se entendia por texto. E aí as opiniões diver- giam. Havia muitas respostas para a mesma pergunta. Alguns conceitos bastante importantes eram os de Hartmann (1968, citado por Koch, 2004), para quem o texto não passava de uma frase complexa, de um signo linguístico primário. Da mesma data, havia ainda o conceito de Harweg (1968), que entendia o texto como uma sequência pronominal ininterrupta. Nessa abordagem, inserem-se também os conceitos de Isenberg (1971), que afirmava que o texto é uma cadeia de pressuposições, e o de Bellert (1970), o qual defendia que o texto é uma cadeia coerente de enunciados. A fase transfrástica inicia a análise das possíveis relações entre as frases a partir de determinados conectivos, como em: (1) A flor daquele vaso é bonita. Ela é vermelha. Em uma linguística que visualiza o texto e não apenas a frase, temos o pronome ela não apenas como um substituto do substantivo flor, mas como conector que contribui para que o receptor/ouvinte do texto passe a construir a imagem do referente,no caso, a flor. Os estudiosos dessa fase valorizavam os elementos coesivos, ou seja, os vínculos interfrásticos. Essa linha de pesquisa estendeu o seu campo de interesse para outros fenômenos e não demorou muito para que os pesquisadores se deparassem com um problema: Se o objeto de estudo até o momento eram os conectores – termo que liga ideias contidas em frases diferentes –, o que fazer quando a relação existe sem a presença textual do conector? Vejamos o que é isso exatamente. Observe as frases a seguir: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 14 rita do carmo polli da silva (2) João não foi trabalhar na semana passada: estava doente. (3) Não tive tempo de estudar para a prova: não passei. (4) Estava frio para sair de casa: pedi uma pizza. Nesses três exemplos, não há conectores presentes textual- mente que liguem as duas partes constituintes das frases. Apesar disso, as relações argumentativas não são prejudicadas. Observe que a relação explicativa fica explícita no exemplo 2, mesmo sem uma con- junção explicativa (pois ou porque). Da mesma maneira, a conclusão não deixa de ser percebida no exemplo 3, “Não estudei, logo (por isso, portanto) não passei”, ou a relação adversativa em 4, “Não quis sair de casa, mas (porém, no entanto, todavia) pedi uma pizza”. Na época, ainda não se estudavam fenômenos que hoje estão no foco dos estudos da linguística textual, como os fenômenos reos fenômenos re-- missivos não correferenciais, as anáforas associativas e indiretas, missivos não correferenciais, as anáforas associativas e indiretas, a dêixis textuala dêixis textual* (Koch, 2004, p. 4). Por exemplo: nem se pensava em analisar, ou ainda não eram percebidas, retomadas anafóricas de grandes partes de textos, muito comuns quando do uso de pro- nomes demonstrativos, como no trecho a seguir, no qual foram gri- fados outros elementos remissivos. Repare: * Estudaremos esses fenômenos nos próximos capítulos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 15a linguística tExtual E a sala dE aula os retirantes, de volta ao nordeste os retirantes, de volta ao nordeste “A industrialização e a urbanização de São Paulo sempre atraí ramatraí ram os brasileiros do Nordeste”, observa a socióloga Dulce Maria Tourinho Baptista, docente da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “Dadas as precárias condições de vida no lugar de origem, eleseles continuam correndo atrás de uma vida melhor, alimentados pela ilu- são de que São Paulo é a resposta a seusseus desafios”, diz. Essa interpre- tação da cidade como local do emprego e da boa qualidade de vida, no entanto, começou a ruir anos atrás, fazendo com que parcela conside- rável dos migrantes passasse a observar melhor o destino de suas an- danças antes de se aventurar na direção do Sudeste. [...] Além dissodisso, outro processo vem sendo observado. Apelidado de migração de retorno, o fenômeno decorre, dentre outras coisas, da elevada taxa de desemprego amargada pelos paulistanos e dos baixos salários pagos às pessoas com pouca ou nenhuma capacitação. FontE: nítolo, 2006. Nesse momento, o centro dos estudos era a coesão textual, que, segundo os pesquisadores da época, envolvia também a coe- rência, também tida como uma propriedade do texto. Essas situações reais trouxeram alguns problemas: havia situa- ções em que era necessário considerar o conhecimento do falante para que as relações entre as partes do texto fossem entendidas. O resul- tado disso foi uma mudança de objetivo: em vez de analisar o texto no lugar da frase, passou-se a vislumbrar a necessidade de algo maior, de uma gramática do texto, tema que analisaremos na seção a seguir. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 16 rita do carmo polli da silva umpontopontodois Segundo passo – Segundo passo – as gramáticas do textoas gramáticas do texto No segundo passo, já contemporâneo à explosão das teorias chomskyanas* e sua gramática gerativa, as atenções são voltadas para o falante, aquele que está por trás do texto, por trás das frases. Quem e como é esse falante? As gramáticas textuais, apesar de terem consagrado a am- pliação do objeto de estudo, da frase para o texto, ainda o enten- diam como uma unidade acabada, uniforme e abstrata, o que era o oposto do discurso, considerado funcional e comunicativo, apesar de assumirem, ou vislumbrarem, a influência do falante/ouvinte no estudo. Muitos autores ainda divergiam nas propostas de elaboração dessa gramática textual. Um ponto em comum era considerar que o texto – termo que ainda precisava ser definido –, era uma unidade linguística mais elevada que a frase. Por ser mais elevado, permitia divisões em unidades menores. Era consenso também que todo falante nativo possui um co- nhecimento intuitivo do que venha a ser um texto, ou seja, sabe dis- tinguir um texto de um conjunto de frases desconexas. Na mesma linha, também se defendia a ideia de que esse falante/ouvinte na- tivo também é capaz de resumir, parafrasear, criar um texto a partir * Noam Chomsky nasceu na Filadélfia, em 1928, e é, há quase meio século, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Estudou e estuda os conceitos da gramática gerativa, cuja abordagem revolucionou os estudos da linguística. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 17a linguística tExtual E a sala dE aula de outro, perceber a incompletude etc. Em outras palavras, esse fa- lante/ouvinte traz consigo, sem que saiba disso, algumas capacida- des textuais, que, na terminologia de Charolles (1978, p. 43), são: a capacidade formativa, a transformativa e a qualitativa. A nomenclatura utilizada pelo linguista é, de certa forma, mnemônica, ou seja, leva-nos à sua significação. A capacidade formativa é a que nos possibilita formar textos e/ou analisá-los e classificá-los em “bons” ou “maus”. A transformativatransformativa possibilita transformar umtexto: resumindo, parafraseando, reformulando etc. A última capacidade internalizada é a de identificar tipos tex- tuais: narração, descrição, argumentação etc. Será que todo falante/ouvinte tem, de fato, essas capacidades? Partindo do princípio que isso seja real, uma gramática do texto seria justificável e deveria responder, então, às seguintes questões: • • O que faz com que um texto seja um texto? • • Que tamanho deve ter um texto, qual é o seu limite? • • Quais e quantos são os tipos de textos? Seguindo a mesma linha de raciocínio da gramática gerativa, como já dito, os linguistas que se propuseram a construir gramáti- cas do texto passaram a considerar um falante/ouvinte idealizado, não real. Não demorou muito para que as primeiras perguntas sem respostas aparecessem. As três questões anteriores, por si só, já mostravam que não seria esse o caminho: como definir, por exemplo, o que faz com que um texto seja um textotexto e não um não textonão texto? Como delimitar um tamanho? Como tipificar todos os textos possíveis de uma língua? Como não esquecer nenhum? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 18 rita do carmo polli da silva Essa falta de respostas resultou em falta de saídas e na consta- tação de que uma gramática do texto não seria melhor que a gramá- tica da frase, que já existia. Apesar disso, essas considerações todas deram aos estudiosos a possibilidade de perceberem a necessidade e de iniciarem teorias que se propunham a discutir a constituição de seu objeto de estudo, o texto, seu funcionamento e sua produção em condições de interação verbal real. Esse processo não originou apenas uma, mas várias teorias, que veremos a seguir. umpontopontotrês Terceiro passo – Terceiro passo – teorias do textoteorias do texto A gramática do texto não deu certo, no sentido de que muitas ques- tões estavam ficando sem respostas. Diante dessa situação, os estu- diosos passaram a mudar seu objetivo. Em vez de pensar em uma gramática do texto, que, a modelo da gramática da frase, já existente, deixaria mais lacunas do que esclareceria, passaram a pensar em algo que funcionasse, em vez de gramática, como teoria do texto. Esta se difere daquela no sentido de que não se preocupa em descre- ver a competência textual do falante, e sim investigar as formas dos textos, como funcionam, como são produzidos e as possibilidades de interpretação. Introduz-se nesse momento um novo elemento: o contexto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 19a linguística tExtual E a sala dE aula Esse terceiro passo revela a necessidade de se estudar o con- texto de produção textual onde o falante está inserido. A partir desse ponto, o texto já não é mais visto como algo que se fecha em si mesmo, que tem um final, mas como um processo resultante de muitas operações de comunicação que dependem do sujeito e do contexto social e nunca se finda. A ideia germinou a tal ponto que, a partir da década de 1970, a expressão gramática do texto cedeu lugar totalmente à teoria do texto e, na sequência, à noção de textualidade, posteriormente definida por Beaugrande e Dressler (1981) como uma maneira de múltipla conexão ativada toda vez que ocorrem eventos comunicativos. Em outras palavras, vale dizer que, nesse momento, os pesquisadores perceberam a importância de considerar as condições externas ao texto. As teorias do texto passaram por alguns momentos parti- culares, e os linguistas sentiram a necessidade de ir além, já que entendiam nesse momento o texto como “uma unidade básica de comunicação/interação humana” (Koch, 2004, p. 13). Esse estado dá lugar a dois momentos contíguos: um cujo objeto era a pragmá- tica e outro que tinha como centro a cognição. A percepção da pragmáticaA percepção da pragmática O contexto pragmáticocontexto pragmático visava entender a constituição, o funcio- namento, a produção e a compreensão dos textos. Nesse momento, o texto é visto como uma atividade complexa, “um instrumento de realização de intenções comunicativas e sociais do falante” (Koch, 2004, p. 14), e não como um produto acabado como até então vinha sendo entendido. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 20 rita do carmo polli da silva Algumas teorias da época tiveram importante papel nesse momento da linguística textual, como a psicologia e a filosofia da linguagem. A linguística textual, então, tinha a tarefa de mostrar que o instrumental dessas teorias se adequava ao estudo dos textos. Diversos linguistas se debruçaram sobre suas teorias e con- tribuíram de maneira irrefutável na caminhada que a linguística textual estava percorrendo. É nesse período que surgem conceitos bastante relevantes para o estudo da linguagem, pois possibilitam reanálises de algumas con- cepções tidas até o momento, como a do próprio texto e dos motivos que o leva a existir. A observação de alguns pontos é bastante im- portante nesse período, como a intencionalidade do autor ao pro- duzir um dado texto, a aceitabilidade ou recepção dos textos e a situacionalidade, que seria a pertinência, a relevância do texto em relação ao seu contexto de produção. A pragmática preocupa-se com as relações de sentido, com as intenções do falante, muitas vezes não expressas, não ditas. Sendo assim, ela passa a analisar as cir- cunstâncias, por exemplo: o que faz com que uma frase como “Você tem horas?” seja interpretada como “Que horas são?”, ou ainda que a frase “Que frio está aqui!” seja entendida como “Feche a porta (ou a janela)”, numa situação em que as pessoas estão em um ambiente onde o frio está intenso e as janelas e/ou portas estão abertas. A partir da análise pragmática é possível perceber que, às vezes, a intenção do autor é uma e a aceitabilidade outra, aborda- gem que, até então, não tinha sido objeto de estudo. Pensemos na música A Rita, de Chico Buarque, escrita em 1965, que é uma can- ção de amor. Se ela for lida tendo em vista que seu autor escreveu contra a Ditadura Militar, a leitura muda. Podemos entender que Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re itos a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 21a linguística tExtual E a sala dE aula a personagem Rita do texto é a própria Ditadura, ou seja, a inten- ção pode ter sido uma, e a aceitabilidade, outra. Se pensarmos bem, veremos que, mesmo em conversas do dia a dia, a intenção nem sempre é alcançada. Há uma série de questões inconscientes que entram em cena nas intenções e nas aceitações. Um pesquisador em particular teve grande influência na história da linguística textual: Van Dijk. Para esse linguista, a compreen são de um texto depende muito da pragmática, sem dú- vida, mas não só dela. Para ele, a coerência não se estabelece sem levar em conta a interação, bem como as crenças, os desejos, as pre- ferências, as normas e os valores dos interlocutores (Van Dijk, 1980, citado por Koch; Travaglia, 1989), ou seja, nesse momento os olha- res começam a se voltar para outro ponto. A partir daqui as teorias passam a vislumbrar fatores de ordem cognitiva na produção dos textos; em outras palavras, a pragmática não respondia a todas as questões, não abarcava tudo o que até então se entendia como ele- mento influenciador na produção textual. A percepção cognitivistaA percepção cognitivista Segundo Koch (2004, p. 21), na década de 1980, uma nova luz tocou os estudos do texto, “a partir da tomada de consciência de que todo fazer (ação) é necessariamente acompanhado de processos de ordem cognitiva, de que quem age precisa dispor de modelos men- tais”. Em outras palavras, o falante precisa acionar os conhecimen- tos de mundo que ele tem para interpretar os textos. Tudo estaria representado na mente, de modo que o falante/ouvinte teria que fazer uso de seu conhecimento cognitivo para entender os textos. Veja o seguinte diálogo entre o marido e sua esposa: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 22 rita do carmo polli da silva — Minha mãe chega às três horas – diz o marido. — Tenho dentista! — Tá! A partir desse exemplo podemos perceber que a linguística tex- tual também se importa com o contexto, mas considerando como relevante também o fator cognitivo. É a partir de conhecimentos de mundo que se interpreta que a esposa não poderá buscar a sogra ou não estará em casa quando ela chegar, pois estará em consulta. Seria pouco provável que o esposo não entendesse a mensagem e pergun- tasse que relação uma situação teria com a outra. Isso, inclusive, po- deria ser interpretado pela mulher como uma brincadeira por parte do marido, que estaria “fazendo de conta” que não entendeu. A partir dessa percepção, o conceito de texto sofre nova alte- ração, passa agora a ser o resultado de processos mentais, ou seja, as pessoas possuem certa bagagem de vida, de cultura, possuem co- nhecimentos que acessam para produzir e entender textos. Caberia à linguística textual, então, a partir desse momento, descrever como esses processos mentais ocorrem. Muitos linguistas se debruçaram sobre essa tarefa, entre eles Heinemann e Viehweger (1991), que apresentaram a teoria de que os falantes possuem quatro grupos de conhecimento: o linguísticolinguístico, o enciclopédicoenciclopédico, o interacionalinteracional e aquele que seria uma espécie de exemplário geral de textosexemplário geral de textos. O primeiro tem a ver com a gramática e o léxico da língua. É este conhecimento que permite a adequação do vocabulário ao gênero textual em questão, a opção entre uma palavra e outra etc. Refere-se à forma do texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 23a linguística tExtual E a sala dE aula O conhecimento enciclopédico é a bagagem de cada um, tudo o que se encontra em sua memória, fruto da vivência ou dos estu- dos. É ele que nos permite, por exemplo, ir além do escrito, inferir informações, preencher possíveis lacunas deixadas nos textos, hi- potetizar apenas a partir de uma manchete de jornal etc. Esse co- nhecimento engloba tanto o saber declarado, como em “O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral em 1500”, ou o saber in- tuitivo, como em “Leve sombrinha porque hoje vai chover” (após observar o céu carregado de nuvens). O que se tem é a possibili- dade de se estabelecer relação entre os conhecimentos e chegar a uma série de outros. Essas características possibilitam que o co- nhecimento enciclopédico nos forneça informações para agir em situações específicas. Por sua vez, o conhecimento interacional divide-se em três outros: o ilocucional, o comunicacional e o metacomunicativo (Koch, 2002, p. 32). O primeiro é o responsável pela identificação da intencionalidade do texto. O segundo refere-se a um conheci- mento mais amplo, ou seja, para garantir a compreensão de um texto, o locutor não deve exceder a quantidade de informações e atentar para a qualidade delas, selecionando-as previamente; deve ainda se preocupar com a maneira como vai se dirigir ao interlocu- tor , inclusive observando se a variedade linguística que utilizará é adequada ao tipo de texto e à situação. O último conhecimento interacional, o metacomunicativo, possibilita que o produtor do texto evite problemas de comunicação, de modo que ele deve ir bus- cando saná-los à medida que desconfia que possam acontecer. Isso pode ser feito utilizando, por exemplo, paráfrases, parênteses eluci- dativos, entres outros recursos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 24 rita do carmo polli da silva O último conhecimento relaciona-se com o que hoje a lin- guística textual chama de gênero, mas que na época era uma noção ainda muito precária. De grande importância nesse momento histórico são os tra- balhos de Beaugrande e Dressler (1981), os quais abordavam alguns critérios de textualidade, o que, segundo eles, é o fator responsá- vel para fazer de um conjunto de escritos um texto. Essa noção já tinha sido mencionada por Halliday e Hasan (1976, p. 2), com a nomenclatura textura, o que seria o equivalente ao que faz com que um texto funcione como uma unidade em relação ao seu contexto. Nesse momento, tinha-se a coesãocoesão como a responsável pela textua- lidade de um texto, o que não demorou muito para ser contestado por teorias que consideravam a coerênciacoerência como elemento respon- sávelpor essa mesma textualidade. Beaugrande e Dressler (1981) apresentaram um conjunto de fato- res que seriam os responsáveis pela noção de textualidade de um texto, em número de sete, a saber: coesão, coerência, informatividade, situ- cionalidade, intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade. Esses sete itens não são, que fique bem claro, critérios para se estabelecer o que seja ou não um texto. Eles são condições necessárias para que se es- tabeleça uma ação linguística, cognitiva e social nas quais eles se corre- lacionam na direção de estabelecer a conectividade entre as partes. Algum tempo depois, os próprios estudos a partir da perspec- tiva cognitivista começaram a ser questionados, pois se observava no momento a necessidade de analisar, além de tudo o que já vinha sendo visto, os aspectos sociais e culturais que estavam envolvidos na escritura de um texto. Sendo assim, alterava-se, novamente, a noção de contexto. Segundo Koch (2004, p. 32): Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 25a linguística tExtual E a sala dE aula quando das análises transfrásticas, o contexto era visto apenas como cotexto (segmentos textuais precedentes e subsequentes ao fenômeno em estudo), tendo, quando da introdução da pragmática, passado a abran- ger primeiramente a situação comunicativa e, posteriormente, o entorno sócio-histórico-cultural, representado na memória por meio de modelos cognitivos, ele passa a constituir agora a própria interação e seus sujeitos: o contexto constrói-se, em grande parte, na própria interação. Por tudo isso, hoje, a linguística textual é considerada uma disciplina interdisciplinar, haja vista toda a sua trajetória e suas re- lações intrínsecas com a análise do discurso, a pragmática, a lin- guística aplicada, a sociolinguística, entre outras. umpontopontoquatro A linguística textual no BrasilA linguística textual no Brasil Os primeiros escritos nessa linha, no Brasil, datam do final da década de 1970. Segundo Koch (1999a), esse início foi mar- cado por dois momentos. O primeiro foi a divulgação dos livros Semiótica narrativa e textual (Chabrol et al., 1977), Linguística e te- oria do texto (Schmidt, 1978) e Pragmática linguística e o ensino do português (Fonseca; Fonseca, 1977). O segundo momento foi mar- cado pelo início das pesquisas na área, que se deram na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A expansão das pesquisas só aconteceu mesmo na década de 1980, após a publicação de um artigo de Ignácio Antonio Reis, em 1981, intitulado Por uma gramática textual. Koch, em seu artigo Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 26 rita do carmo polli da silva O desenvolvimento da linguística textual no Brasil, publicado em 1999, trouxe a nova disciplina dividida em três momentos. O primeiro momento é marcado pela publicação de duas obras introdutórias desse novo ramo da linguística: Linguística de texto: o que é e como se faz (Marcuschi, 1983) e Linguística textual: introdução (Fávero; Koch, 1983). No ano seguinte a essas publicações, ocorre a primeira mesa- -redonda da área, intitulada Coerência e coesão na teoria do texto, da qual participaram Marcuschi, Neis e Koch. Como é possível perceber, já nesse momento os temas coesãocoesão e coerência coerência desper- tavam bastante interesse entre os pesquisadores. A fundamenta- ção teórica da época era firmada em Halliday e Hasan (1976) e Beaugrande e Dressler (1981). Com o passar do tempo, sucede uma alteração na preferência dos pesquisadores: da coesão para a coerência. Aos poucos os estu- diosos brasileiros começaram a dar suas contribuições a partir de uma leitura crítica que apresentavam da então atual fundamentação teórica. Ao final dos anos 1980, portanto, tínhamos uma mudança de objeto de estudo da linguística textual. Paulatinamente, os estu- diosos brasileiros passaram a fazer uma leitura crítica dessa funda- mentação teórica, acrescentando contribuições. Um bom exemplo dessa fase é o texto Linguística textual: retrospectiva e perspectivas, de Koch (1999b), no qual a autora coloca a coerência não mais ape- nas como um dos fatores de textualidade, mas sim como o macro- fator, ou o principal fator, dessa mesma textualidade. Um segundo momento da linguística textual no Brasil foi amplamente iluminado pela teoria de Halliday e Hasan, cuja ên- fase eram os trabalhos sobre coesão. Nesse segundo momento, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 27a linguística tExtual E a sala dE aula nasceram os livros A coesão textual (Koch, 1989), Texto e coerência (Koch; Travaglia, 1989) e Coerência textual (Koch; Travaglia, 1990). Contemporaneamente, o terceiro momento se apresenta in- tercambiando-se com outras áreas das ciências humanas, adotando uma perspectiva sociointeracional no estudo do texto e incluindo em seu escopo pesquisas sobre tipologia do texto, ou gêneros textuais, como mais comumente são chamados. Apesar de a linguística textual no Brasil ter tido seu princí- pio apenas dez anos após seu início na Europa, ainda não é possível que se fale em uma linguística textual brasileira. O estudos feitos até o momento são considerados pela crítica como apropriações e adapta- ções. Conforme Altman (1998, p. 25), “a literatura crítica sobre os estudos linguísticos no Brasil é uma literatura extremamente dis- persa. Não há obras de referência que possibilitem recuperar de forma segura e sistemática a produção linguística brasileira como um todo”. SínteseSíntese Neste capítulo, você pôde conhecer a trajetória da linguística tex- tual, desde seus primeiros passos até o momento em que estamos inseridos. Seu início deu-se a partir da percepção de que a frase não era suficientemente eficaz para análises do sistema linguístico. A fase transfrástica, que analisava extensões além da frase, também não demorou muito a deixar perguntas sem respostas. Na tentativa de solucionar as questões que naturalmente cresciam em complexidade, os linguistas passaram a desenvolver as gramáticas do texto, que se propunham a conceituar texto, definir Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A viola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 28 rita do carmo polli da silva tamanho, tipos etc. Esses estudos acabaram por culminar nas teorias do texto, mais amplas, que, embora fundamentadas num mesmo foco, apresentavam enfoques diferentes. Nesse período, várias foram as concepções de texto mostra- das. Por meio delas, podemos resumir essa evolução nos seguintes itens: • • frase complexa – que seguia fundamentação gramatical; • • signo complexo; • • discurso acabado; • • meio de realização da comunicação verbal; • • verbalização de operações e processos cognitivos. Nas palavras de Koch (2004, p. 11), temos uma espécie de atar de pontas dessa trajetória: A linguística textual toma, pois, como objeto particular de investiga- ção não mais a frase isolada, mas o texto, considerado a unidade bá- sica de manifestação da linguagem, visto que o homem se comunica por meio de textos e que existem diversos fenômenos linguísticos que só podem ser explicados no interior do texto. O texto é muito mais que a simples somas das frases (e palavras) que o compõem: a dife- rença entre frase e texto não é meramente de ordem quantitativa; é, sim, de ordem qualitativa. Perceba que, dessa maneira, o texto não é mais visto como anteriormente era, mas como algo mais, inacabado, uma unidade básica de comunicação que não tem tamanho delimitado, podendo ser constituído de uma única frase ou não. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 29a linguística tExtual E a sala dE aula Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . A respeito do que vimos neste capítulo, assinale (V) para verda- deiro ou (F) para falso: ( ) ( ) A linguística textual tem sua história dividida em três fases. ( ) ( ) A fase transfrástica estudava fenômenos como os remissivos não correferenciais, tal como a anáfora. ( ) ( ) Num primeiro momento, a coerência era considerada como parte da coesão textual. ( ) ( ) A fase transfrástica inicia a análise das possíveis relações entre as frases a partir de determinados conectivos, não explicando casos em que os conectivos estão implícitos. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a. a. V, V, F, F. b. b. V, F, V, V. c. c. F, V, F, V. d. d. F, F, V, F. 2 . 2 . Sobre a gramática do texto, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Depois, marque a alternativa que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) Foi contemporânea à gramática gerativa de Chomsky. ( ) ( ) Um ponto em comum entre os gramáticos do texto era considerar o texto uma unidade linguística mais elevada que a frase. ( ) ( ) Diferente da teoria chomskyana, os gramáticos do texto conside- ravam o falante/ouvinte real. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 30 rita do carmo polli da silva ( ) ( ) Os estudiosos na área tiveram dificuldade em estabelecer quais os limites de um texto e quais os tipos existentes. ( ) ( ) Depois de certo tempo, os estudiosos chegaram à conclusão de que a gramática do texto não estava sendo mais eficiente que a gra- mática da frase. Assinale agora a alternativa que apresenta a sequência correta: a. a. V, V, V, F, V. b. b. V, V, F, V, V. c. c. V, F, V, F, V. d. d. F, V, F, V, F. 3 . 3 . Sobre as teorias do texto, analise as afirmações a seguir e assinale a incorretaincorreta: a. a. Não se preocupam em descrever a competência textual do falante, e sim investigar as formas do texto, como funcionam e são produzi- dos os textos em uso, bem como as possibilidades de interpretação. b. b. Começaram a existir a partir da consciência de que as gramáticas do texto não davam conta de explicar os fenômenos que envolvem a produção textual. c. c. Dividem-se em três fases: a pragmática, a cognitiva e a da linguís- tica textual brasileira. d. d. Van Dijk foi um dos estudiosos de grande influência nessa fase. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 31a linguística tExtual E a sala dE aula 4 . 4 . Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Na sequência, mar- que a opção que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) O conhecimento enciclopédico é a bagagem de cada um, tudo o que se encontra em sua memória, fruto da vivência ou dos estudos. ( ) ( ) O conhecimento interacional divide-se em três: o primeiro é o responsável pela identificação da intencionalidade do texto, o se- gundo refere-se a um conhecimento que procura garantir a com- preensão de um texto, e o último possibilita que o produtor do texto evite problemas de comunicação. ( ) ( ) Houve um momento em que a coesão era entendida como respon- sável pela textualidade de um texto, da mesma maneira que, em outro momento, delegavam à coerência essa função. ( ) ( ) Segundo Heinemann e Viehweger, o primeiro conhecimento que o falante deve possuir para produzir um texto é o interacional. ( ) ( ) Somente após as teorias contemplarem as noções de pragmática, as questões acerca da produção e interpretação textual foram esclarecidas. a. a. F, F, V, V, F. b. b. F, V, V, V, V. c. c. V, F, F, V, V. d. d. V, V, V, F, F. 5 . 5 . Leia as afirmações a seguir e assinale a que nãonão corresponde ao que vimos no capítulo: a. a. A linguística textual brasileira é bastante influente no cenário internacional. b. b. A percepção cognitivista teve início após a pragmática. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 32 rita do carmo polli da silva c. c. Koch é uma das mais atuantes linguistas na área da linguística textual no Brasil. d. d. Beaugrande e Dressler apresentaram a coesão, a coerência, a in- formatividade, a situcionalidade, a intertextualidade, a inten- cionalidade e a aceitabilidadecomo elementos responsáveis pela textualidade de um texto. Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão Escreva dois pequenos textos estabelecendo uma linha de raciocí- nio que exponha: 1 . 1 . a trajetória das fases da linguística textual (Por que passou da fase transfrástica para as gramáticas? O que levou os pesquisadores a deixarem as construções das gramáticas e partirem para as teorias do texto?). 2 . 2 . a passagem da perspectiva pragmática para a cognitiva. (Do que a pragmática não dava conta, do que não se ocupava, o que fez com que o referencial mudasse?). Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática 1 . 1 . Estabeleça a relação existente entre as sequências que não apresen- tam conectores: a. a. Não fui para a academia durante a semana que passou: estava com gripe. b. b. A festa de aniversário de casamento de meus pais estava muito boa: todos os amigos estavam presentes. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 33a linguística tExtual E a sala dE aula c. c. O médico não compareceu para sua visita rotineira: não sei se terei alta. d. d. Não estive presente: mandei-lhe uma mensagem. e. e. Saí de lá sem saber ao certo o que acontecera: não prestei a devida atenção. 2 . 2 . Volte ao item 2.1 (“Primeiro passo – fase transfrástica”) e releia o trecho usado como exemplo de retomadas anafóricas de grandes partes de textos, analisando os de pronomes demonstrativos e ve- rificando a retomada que os pronomes estabelecem. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. um um um pouco de históriaum pouco de história ## dois coerência textual três três coesão textualcoesão textual quatro quatro demais requisitos para a construção da textualidadedemais requisitos para a construção da textualidade cinco cinco gêneros textuaisgêneros textuais seis seis a sala de aulaa sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora? (drummond de andrade, 2007, p. 106) ¶ ¶ v i m o s n o p r i m E i r o v i m o s n o p r i m E i r o capítulo que a coesão e a coerência che- garam a ser consideradas como um mesmo recurso. Vamos come- çar a entendê-las, cada uma, como um recurso distinto. Partimos do proposto por Beaugrande e Dressler (1981), que apresentam a coe rência como um dos sete fatores responsáveis pela construção dos sentidos, e Koch e Travaglia (1990), que entendem a coerên- cia como o fator que envolve todos os outros seis. Começamos aqui nosso passeio pela coerência textual, elemento extremamente res- ponsável pela construção de sentidos de um texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 38 rita do carmo polli da silva Você pode se indagar: o que é ser coerente ou incoerente? Talvez você afirme que já ouviu essas expressões e que sabe diferenciá-las, mas talvez não o consiga por escrito. Apesar de não ser simples definir mediante um conceito o que é coerência, é em busca de entender melhor o que esse termo de- signa que vamos seguir neste capítulo. doispontopontoum Então, como definir coerência?Então, como definir coerência? Observe o seguinte enunciado: (5) Eu estou com muita gripe, portanto vou trabalhar até mais tarde. Alguém poderia perguntar: “Não parece estranho?”, “Como assim?”, “Se a pessoa está doente, não deveria ir para casa mais cedo, em vez de trabalhar até mais tarde? ”. A essa estranheza aparente podemos chamar de incoerência. Partindo daí, chegamos próximo ao que pode ser aceito como definição para coerência. Se o exemplo parece incoerente, por ele chegamos ao seu oposto: à coerência. Percebe-se, então, que ela se relaciona com a possibilidade de estabelecer sentido a um texto. Segundo Koch e Travaglia (1990, p. 21), “para haver coerência é preciso que haja possibilidade de estabelecer no texto alguma forma de unidade ou relação entre seus elementos”. Observe que o sentido é algo a ser buscado. Parte-se do princí- pio de que os envolvidos em uma situação de comunicação cooperam Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 39a linguística tExtual E a sala dE aula no sentido de atribuir sentido ao texto (oral ou escrito). Quem pro- duz o enunciado preocupa-se em se fazer entender, em ser coerente, e quem o recebe, o leitor/ouvinte, esforça-se paraentender o pro- posto: é um princípio de cooperação. Partindo disso, tem-se que é pouco provável que um texto seja absolutamente incoerente. Voltemos ao exemplo (5). Imaginemos em que situação ele seria coerente. Suponhamos que seja final de mês e o Departamento de Contabilidade de uma empresa reúne-se para trabalhar na casa da chefe da seção, que está com gripe, pois só ela pode ajudá-los. O combinado era o de que, depois dos principais fechamentos, todos sairiam para uma festa na piscina de um clube próximo. Falta bem pouco para terminarem o trabalho, mas já está quase na hora da festa. Se ficarem, eles terminam, mas perdem o começo dos fes- tejos. Nesse momento a chefe diz: “Podem ir, eu estou com muita gripe, portanto vou trabalhar até mais tarde (já que não posso ir para a piscina). Assim vocês não perdem o início da festa”. Na já citada cooperação no sentido de buscar a coerência dos textos, o leitor/ouvinte ativa conhecimentos de mundo, ativa frames que lhe ajudam nessa tarefa, ao ouvir ou ler, por exemplo: (6) Maria caiu e se machucou. Deus ajuda a quem cedo madruga. Nesse caso, o leitor/ouvinte tende a unir significativamente os dois enunciados de maneira coerente. Uma das interpretações plausíveis é a de que Maria se levantou tarde, saiu correndo e aca- bou caindo e se machucando, porque Deus ajuda a quem madruga, e ela não madrugou, não se ajudou. A linguagem é uma capacidade maravilhosa e, muitas vezes, imprecisa. Há um texto de Carlos Drummond de Andrade, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 40 rita do carmo polli da silva encon trado em Silveira (1971), bastante interessante nesse sentido. Veja alguns trechos: (7) — Que pão! — Doce? de mel? de açúcar? de ló? de ló de mico? de trigo? [...] de minuto? ázimo? [...] nosso de cada dia? ganho com o suor do rosto? que o diabo amassou? — Uma uva! — Branca? preta? tinta? moscatel? isabel? maçã? japonesa? ursina? [...] Fonte: Silveira, 1971, p. 53. Busque o texto integral e observe como ele explora bem esse leque de interpretações que temos à nossa disposição a partir de um mesmo ponto. doispontopontodois A continuidade dos sentidosA continuidade dos sentidos Há casos, por exemplo, em que a coerência só é alcançada se en- tendermos o texto separando os atos de fala que o compõem. Para exemplificar, vamos reescrever aqui um enunciado já utilizado no capítulo anterior: (8) A — Minha mãe chega às três horas – disse o marido. B — Tenho dentista! C — Tá! Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 41a linguística tExtual E a sala dE aula Por que julgamos esse diálogo coerente? O que nos faz en- tendê-lo? Para atribuirmos coerência, entendemos os atos de fala de maneira isolada e, além disso, fazemos inferências, ou seja, deduções. Quando A diz “Minha mãe chega às três horas” está fazendo um pe- dido, que é perfeitamente entendido por BB como “Minha mãe chega às três horas; você pode ir buscá-la?”, e BB, quando diz que tem den- tista, na verdade, está respondendo ao pedido e justificando o porquê de não poder atendê-lo. Em CC, a justificativa é aceita. Segundo Beaugrande e Dressler (1981) e Marcuschi (1983), coerência refere-se a uma unidade de sentidos, que tem como base uma continuidade desses mesmos sentidos entre os conhecimentos que foram ativados no texto. Essa continuidade também tem a ver com a coesão: a coerência tem muita relação com a coesão. A continuidade depende dos conhecimentos acessados pelos dois usuários, o interlocutor e o leitor/ouvinte, mas não só deles. Fatores socioculturais e interpessoais também influenciam: a in- tenção por trás do texto* e os lugares sociais que as pessoas ocupam (pais/filhos, patrão/empregado, marido/mulher etc.). Veja que o texto 3, mostrado anteriormente, teria mais difi- culdade de acontecer entre um patrão e um empregado, por exem- plo, pois o segundo não se sentiria tão à vontade em não atender ao pedido a partir daquela justificativa. Agora vejamos outro exemplo: (9) O circo chegou. Foi uma festa na cidade. À noite todos foram ver o espetáculo inaugural. O picadeiro era bem grande e os palhaços * A intencionalidade será vista no próximo capítulo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 42 rita do carmo polli da silva muito engraçados. Comi algodão-doce e fiquei com medo do mágico, que fazia pessoas sumirem. O trapezista voava e o malabarista fazia malabarismos com dez malabares. Repare que as expressões grifadas ativam conhecimentos li- gados ao circo, ou seja, dão continuidade, tornando o texto coe- rente. Podemos ter continuidade e, por consequência, coerência, nos mais diversos gêneros textuais, como veremos adiante. doispontopontotrês A descontinuidade dos sentidosA descontinuidade dos sentidos Em certos momentos, a descontinuidade gera ruptura de coerência. Pense em uma simples lista, qualquer uma. Ela será incoerente se os elementos que a compõem não fizerem parte do assunto da lista, como, por exemplo, café, açúcar, leite, carne, frutas, pão, José, João etc. A descontinuidade dos elementos torna a lista incoerente como lista de compras. Nomes próprios podem figurar, por exem- plo, em uma lista de convidados, não em uma lista de compras de mercado. Outro exemplo: (10) Maria saiu do carro. O carro é azul. Azul também é a cor do céu em dia de sol. O Sol ilumina a Terra. A Terra é um planeta. Os planetas são objetos de estudos da astronomia. Astronomia não tem nada a ver com astrologia, portanto não podemos confundi-las. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 43a linguística tExtual E a sala dE aula E a Maria? O texto não começava falando dela? A descon- tinuidade aqui também quebrou o sentido. Mas há casos em que a descontinuidade é intencional, como é possível no gênero piadapiada, por exemplo: (11) A mãe de Juquinha, que estava grávida, perguntou a ele o que elepreferia ganhar: um irmãozinho ou uma imazinha. Juca respondeu: — Mamãe, se não for pedir muito, eu prefiro uma bicicleta. FontE: tadeu, 2007. Ou ainda na literatura, Machado de Assis, entre outros, foi um gênio na quebra da continuidade com o uso reiterado de digressões. Em Dom Casmurro, por exemplo, podemos ver muitas, entre elas o início propriamente dito da narrativa de Bentinho, que é iniciada no capítulo III. Ao final do II, temos o narrador falando sobre sua decisão de escrever um livro, cujo tema ainda ele não decidiu. Até que decide escrever a sua própria história: (12) Fiquei tão alegre com esta ideia, que inda agora me treme a pena na mão. [...] Desse modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo. Eia, comecemos a evocação por uma cé- lebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, mas aquela nunca se me apagou do espírito. É o que vais entender lendo.[...] Ia entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e es- condi-me atrás da porta. A casa era da Rua de Matacavalos, o mês Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 44 rita do carmo polli da silva de novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de tro- car as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam historias velhas: o ano era de 1857. Fonte: Machado de Assis, 1998. No meio de suposições, ele acaba por decidir escrever a sua própria história e o faz. Nesse contar a história, muitas vezes ele precisa fazer uma digressão para acrescentar informações, geral- mente sobre os personagens, e retorna à história principal. Algumas dessas vezes ele inclusive sugere ao leitor que pule o trecho se não quiser ler, pois sabe que a não leitura não comprometerá o entendi- mento da narrativa. Veja que a coerência em ambos os casos se estabelece na inte- ração, os usuários acabam por criar um mundo textual que existe à parte do mundo real. Sendo assim, tornam-se coerentes os contos de fada, as fábulas, a ficção científica, entre outros, textos nos quais seres fantásticos e animais falam e interagem com e como seres hu- manos sem que isso seja incoerente. Segundo Charolles (1978, p. 81), um texto deve ser coe- rente dentro de um mundo possível e é considerado bem formado quando seu sentido consegue ser recuperado pelos usuários. A coe- rência determina a possibilidade de estabelecer o sentido do texto, de modo que, muitas vezes, a falta de sentido é coerente com a in- tenção do autor. Millôr Fernandes tem um texto que exemplifica com maestria a falta de coerência (aparente) do autor: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 45a linguística tExtual E a sala dE aula (13) — Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte. — Junto com as outras? — Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia. [...] — Você trouxe tudo pra cima? — Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a se- nhora recomendou para deixar até a véspera. — Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É me- lhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite. — Está bem, vou ver como. FontE: Fernandes, 1997, p. 14-15. É um texto de humor no qual ele atribui às mulheres a ca- pacidade de se fazerem entender entre si sem que os outros as compreen dam, ou seja, a aparente falta de sentido é justamente o sentido desejado pelo autor. doispontopontoquatro Alguns tipos de incoerênciaAlguns tipos de incoerência Na tentativa de produzir bons textos, não raro, os usuários aca- bam por produzir incoerências sem perceber. Às vezes, no afã de Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 46 rita do carmo polli da silva mostrar um vocabulário rebuscado e um nível cultural e intelectual mais elevado, acabam obtendo resultados inversos. As incoerências, muitas vezes, não impedem a compreensão total do texto, embora um acúmulo delas possa tornar a interpre- tação mais difícil. Van Dijk e Kintsch (1983) falam em vários tipos de incoerência, como a sintática, a semântica, a pragmática e a es- tilística, sendo que esta última não será tratada neste capítulo, e, sim, no quinto capítulo, quando estivermos estudando sobre gê- neros textuais, haja vista tratar-se de uma ocorrência que não gera problemas de interpretação. Incoerência sintáticaIncoerência sintática Van Dijk chama de sintática a falta de coerência estabelecida pelo uso indevido dos conectores, o que resulta, no final, em uma incoe- rência semântica. Observe o exemplo: (14) Maria saiu de casa atrasada, portanto acabou chegando no horário. O uso do conector portanto pressupõe uma conclusão, que não é compatível com a informação posterior. A incoerência foi es- tabelecida pelo uso indevido da conjunção portanto, o que nos leva a duas possibilidades: ou o interlocutor a usou indevidamente e é preciso substituí-la ou falta alguma informação, o que torna o texto incompleto. No primeiro caso, podemos alcançar a coerência subs- tituindo a conjunção: (15) Maria saiu de casa atrasada, mas acabou chegando no horário. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 47a linguística tExtual E a sala dE aula E, no segundo, acrescentando um possível trecho que estava oculto, teremos a coerência sem alteração da conjunção: (16) Maria saiu de casa atrasada. Quando estava no ponto de ônibus, passou um colega de trabalho e lhe deu carona e, portanto, chegou no horário. Esse tipo de incoerência acaba sendo um problema de coesão, elemento que estudaremos no capítulo seguinte. Incoerência semânticaIncoerência semântica A incoerência semântica refere-se ao significado estabelecido entre as partes ou no todo do texto. É muito frequente, por exemplo, o uso de vocabulário indevido. Segundo Pécora (1986, p. 40), é comum o interlocutor acreditar que um bom desempenho na es- critaou na fala passe por uma grande variedade lexical, o que faz com que ele use, muitas vezes, palavras deslocadas de seus contex- tos, o que é bastante frequente em textos escolares, em vestibulares ou no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo. As contradições de sentido também representam uma incoe- rência semântica. Muitas perguntas do tipo “pegadinhas” são pro- duzidas a partir dessa incoerência, que, dependendo da atenção ou do conhecimento de mundo do leitor/ouvinte, não são percebidas. (17) Quantos animais de cada espécie Moisés levou na arca? Moisés não construiu arca, quem a fez foi Noé, não é mesmo? Moisés levou seu povo pelo deserto até a terra prometida. Se o lei- tor/ouvinte não estiver bastante atento acaba respondendo sem perceber a incoerência. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 48 rita do carmo polli da silva (18) Sua infância foi em Minas, era mineiro. Nasceu e viveu lá, no interior, em uma cidadezinha banhada pelo mar e que vivia basica- mente da pesca. Era um paraíso! Minas Gerais é um estado brasileiro que não é banhado pelo mar, portanto, não tem cidade litorânea. Se o conhecimento do lei- tor/ouvinte não for suficiente para identificar a impropriedade da informação, a incoerência acaba não sendo percebida, ou seja, ine- xiste para esse leitor/ouvinte. Quando se desrespeitam os sentidos entre os hiperônimos e os hipônimos, também temos incoerência semântica: (19) Maria jogou sua meia no chão. O calçado estava incomodando naquele dia de calor. Meia não é hipônimo de calçado, portanto existe aí uma incoe rência semântica, como também na frase a seguir: (20) O menino disse que adora mamíferos, por isso quis comprar um canário. Mamífero não é hiperônimo de canário, por isso a sequência parece incoerente. Incoerência pragmáticaIncoerência pragmática Essa incoerência tem a ver com os atos de fala, citados anterior- mente. Para cada ato de fala, espera-se um determinado resultado. No exemplo 3, já visto, o ato de fala inicial é um pedido. Imaginemos outra sequência para ele: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 49a linguística tExtual E a sala dE aula (21) — Minha mãe chega às três horas. – disse o marido. — Hoje eu comprei um CD novo, quer ouvir? Para um ato de fala do tipo pedido, segundo Koch e Travaglia (1990, p. 39), podemos ter como respostas atos de fala que nos infor- mem: atendimento, promessa, esclarecimentos, recusa, entre outros. O que vemos no exemplo 18 é uma afirmação seguida de uma oração interrogativa, que se relaciona com a afirmação que a precede, não tendo (aparentemente) relação nenhuma com o pedido inicial. Essa resposta geradora de uma aparente falta de relação, mui- tas vezes, representa uma negação do pedido inicial. Quando não se tem coragem de, explicitamente, negar um pedido, as maneiras implícitas de negá-lo são dar a impressão que não entendeu o pe- dido e/ou mudar de assunto completamente. doispontopontocinco Passos coerentesPassos coerentes Pelo que vimos até agora, podemos dizer que é por causa da coe- rência que chamamos uma sequência linguística de texto. Segundo Koch e Travaglia (1990, p. 45), isso ocorre “porque é a coerência que, através de vários fatores*, permite estabelecer relações [...] entre elementos da sequência [...], permitindo construí-la e per- cebê-la, na recepção, como constituindo uma unidade linguística * Esses vários fatores serão tratados no Capítulo 4. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 50 rita do carmo polli da silva global. [...] assim sendo, podemos dizer que a coerência dá origem à textualidade”. De acordo com o que já vimos, podemos perceber que a coesão, assunto do Capítulo 3, também faz parte da coerência, pois uma coesão mal construída gera incoerência. De acordo com Bernárdez (1982), um texto coerente se constrói em três fases, que envolvem a intenção comunicativa ou a necessidade de uma comunicação, que é o primeiro passo para que um texto exista. Sem intenção, sem que se queira, não há texto. Imaginemos, para dar sequência, que a intenção seja pedir um favorpedir um favor. Num segundo momento, estabele- cida a intenção, passa-se a planejar o que fará parte desse texto, o seu conteúdo: vai expor sua situaçãoexpor sua situação e finalizar com o pedidofinalizar com o pedido, por exemplo. Se o interlocutor se perder em sua história, ele pode es- quecer o objetivo final, e o texto torna-se incoerente em relação à intenção, mas não incoerente para quem não conhecia seu objetivo. Na última fase é que o interlocutor realizará as operações que se fizerem necessárias para alcançar o seu intento. É nessa fase que ele seleciona o vocabulário e a entonação (quando de um texto oral) mais adequados à situação. Falhas nessa fase também podem gerar incoerências. Mas, incoerências para quem? Para o interlocutor e/ou leitor/ ouvinte? Lembra que já falamos sobre a atitude de cooperação mútua que faz com que as pessoas geralmente atribuam sentidos mesmo a sequências aparentemente incoerentes? Nesse sentido, o texto será incoerente “se seu produtor não adequá-lo à situação, levando em conta a intenção comunicativa, objetivos, destinatário, regras socio- culturais, outros elementos da situação, uso dos recursos linguísticos etc. caso contrário, será coerente” (Koch e Travaglia, 1990, p. 50). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 51a linguística tExtual E a sala dE aula Há sequências visivelmente incoerentes, com incoerências se- mânticas evidentes e, mesmo assim, admitidas como textos. Pré- adolescentes gostam muito de brincar com essas incoerências, por exemplo, quando criam personagens que se enforcam em pés de couve, andam nus com a mão no bolso, são cegos e enxergam, mudos e falam, surdos e ouvem sussurros, observam o sol à meia noite, bem como um céu estrelado em noite de tempestade ou ficam cheios de poeiraem alto mar. Mesmo um texto que une várias incoerências semânticas passou pelas fases da intenção, planejamento e construção. Pode ser que o leitor e/ou ouvinte não entenda, ou compreenda além ou aquém do esperado, mas a sequência linguística sempre terá certa coerência. Desse modo, o texto incoerente em si não existe e, por extensão, não existe o não texto. SínteseSíntese Neste capítulo, vimos que a coerência é um dos fatores responsáveis pelo que chamamos de texto, e que toda extensão linguística sempre tem sua coerência, quer a percebamos ou não. Às vezes, essa coerência reside na incoerência apresentada e é o leitor/ouvinte quem deve atribuir-lhe sentido. Por isso, as in- terpretações de um determinado texto podem ser as mais diversas. Vimos que a coesão e os outros elementos, inicialmente pro- postos por Beaugrande e Dressler (1981), são, juntos, responsáveis pela coerência textual, inclusive a tipologia e os gêneros textuais têm sua relação com a coerência. Estes trazem consigo determi- nadas instruções que, quando não respeitadas, geram incoerência, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 52 rita do carmo polli da silva como visto no exemplo 5, que faz parte do gênero lista de compras lista de compras e traz elementos de uma lista de convidados, gerando uma incoe- rência. Mais detalhes sobre esses elementos advindos da coerência serão vistos nos próximos capítulos. Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . De acordo com o que vimos neste capítulo, assinale (V) para ver- dadeiro e (F) para falso: I. I. ( )( ) Coesão e coerência são itens lexicais que designam o mesmo fator, bastante importante na construção dos sentidos de um texto. II. II. ( )( ) As partes envolvidas em um processo de comunicação coope- ram no sentido de tentar dar sentido a qualquer texto. III. III. ( )( ) Mesmo um texto aparentemente bastante incoerente pode ser coerente para alguém. IV. IV. ( )( ) Na tentativa de atribuir sentido a um texto, o leitor/ouvinte lança mão de recursos como, por exemplo, seu conhecimento de mundo. V. V. ( )( ) Um bom texto é aquele que é coerente para todos. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a. a. V, V, F, V, V. b. b. F, F, V, F, V. c. c. V, F, V, V, V. d. d. V, V, V, V, V. Nenh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 53a linguística tExtual E a sala dE aula 2 . 2 . Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso, depois, analise a al- ternativa que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) A linguagem é uma capacidade maravilhosa que o ser humano tem a seu dispor, dotada de incrível precisão. ( ) ( ) Os atos de fala são, muitas vezes, interpretados de maneira isolada para que determinados enunciados se mostrem coerentes. ( ) ( ) A continuidade de sentidos é um dos fatores responsáveis pela coerên cia textual. ( ) ( ) A descontinuidade, o oposto da continuidade, é sempre um fator complicador, pois gera incoerência. ( ) ( ) A digressão, muito comum na literatura, no cinema e mesmo em nossas falas, é um tipo de descontinuidade que não gera incoe rência. a. a. F, V, V, F, V. b. b. V, F, F, V, V. c. c. F, V, V, F, V. d. d. F, V, F, V, F. 3 . 3 . Analise as afirmações a seguir e assinale a verdadeira: a. a. Partindo do princípio de que não existe texto totalmente incoe- rente para todo mundo, é possível dizer que as incoerências não prejudicam a interpretação textual. b. b. A incoerência sintática é aquela que se caracteriza pela má distri- buição das palavras em uma frase. c. c. As contradições são exemplos de incoerência semântica. d. d. As redundâncias e o uso de vocabulário indevido, apesar da deno- tação negativa que trazem consigo, não interferem na interpreta- ção dos sentidos de um texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 54 rita do carmo polli da silva 4 . 4 . Sobre os atos de falaatos de fala, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Depois, marque a opção que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) São segmentos de fala para os quais se espera uma determinada reação e/ou resposta. ( ) ( ) Para um ato de fala do tipo pedido, são esperadas respostas que acatem, neguem, discordem etc. ( ) ( ) Se obtivermos uma frase interrogativa como resposta de um ato, significa que nosso leitor/ouvinte não entendeu o pedido. ( ) ( ) Para cada ato de fala, espera-se um determinado resultado. ( ) ( ) Uma resposta aparentemente desconexa em relação ao ato de fala estabelecido pode significar uma negação tímida, implícita. a. a. V, V, F, V, V. b. b. F, V, V, V, V. c. c. V, F, F, F, V. d. d. F, V, V, F, F. 5 . 5 . Leia as afirmações a seguir e assinale a que não corresponde ao que vimos no capítulo: a. a. Um texto coerente é construído em três fases: a intenção ou necessi dade, o planejamento e a produção, ou realização, propria- mente dita. b. b. O texto incoerente em si, bem como o não texto, não existe. c. c. Quando o interlocutor se perde em sua história, esquece o objetivo final, o texto torna-se incoerente em relação à intenção, o que não impede sua total coerência para quem não conhecia tal objetivo. d. d. A coerência não interfere na possibilidade de se estabelecer sen- tido a um texto, haja vista que, muitas vezes, a falta de sentido é intencional. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 55a linguística tExtual E a sala dE aula Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questão para reflexãoQuestão para reflexão 1 . 1 . Estabeleça os atos de fala dos diálogos a seguir: a. a. Falante A — Amanhã não tenho nada para fazer à tarde! Falante B — Vou trabalhar até à noite. b. b. Falante A — A campainha! Falante B — Estou no chuveiro! Falante A — Tudo bem! Falante B — Vou demorar! Atividade aplicada: práticaAtividade aplicada: prática Leiaas sequências a seguir e atribua coerência às aparentes incoerências: a. a. No escuro da noite, o cego andava de mansinho. Por causa do sol forte ele podia analisar as atitudes de seus inimigos através das sombras. De repente, ele percebeu que o rapaz que era mudo de nascença não conseguia parar de falar, por mais que o surdo lhe pedisse que o fizesse. b. b. Joãozinho está com dor de cabeça. Dois mais dois são quatro. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. um um um pouco de históriaum pouco de história dois dois coerência textualcoerência textual ## três coesão textual quatro quatro demais requisitos para a construção da textualidadedemais requisitos para a construção da textualidade cinco cinco gêneros textuaisgêneros textuais seis seis a sala de aulaa sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Do Inquieto Oceano da Multidão [...] Agora nos encontramos e olhamos, estamos salvos, retorne em paz ao oceano, meu amor, também sou parte do oceano, meu amor, não estamos assim tão separados, olhe a imensa curvatura, a coesão de tudo tão perfeito! Quanto a mim e a você, separa-nos o mar irresistível. (Whitman, 2005) ¶ ¶ p E g a n d o o g a n c h o p E g a n d o o g a n c h o da coerência que acabamos de abordar, veremos agora os limites da coesão. Esta, como o fator anterior, é revelada através de marcas linguísticas, que lhe dão caráter sintá- tico, gramatical e semântico. Neste capítulo, vamos ver o conceito e os mecanismos coesi- vos, partindo de pontos de vistas distintos, bem como os dois tipos de coesão estabelecidos por Koch e Travaglia (1989): a referencial e a sequencial. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 60 rita do carmo polli da silva trêspontopontoum Coesão – o que é isso?Coesão – o que é isso? Já vimos que texto não é um conjunto aleatório de palavras, de fra- ses, ou mesmo de parágrafos. A palavra texto vem do latim tecere que significa “tecer”. E é exatamente isso; para termos um texto, precisamos tecer as partes que o compõem. A coesão é um meca- nismo que permite essa costuracostura. É a partir dela que a tecituratecitura do texto acontece. Veja: (22) Tudo começou em meio a uma grande confusão: estava saindo da es- cola de música quando fui confundida com outra pessoa. Mal passei pelo portão e fui agarrada por um rapaz muito forte. Ele nem quis me ouvir, porque estava convicto do que fazia. Eu me debatia e tentava gritar, quando outro rapaz chegou e deu-lhe um soco bem no meio da cara. Ele desmaiou. A confusão estava acabada: como o soco o fez parar e me olhar, o rapaz conseguiu perceber que havia se enganado, pois eu não era quem ele pensava. Essa história acabava para começar outra, dessa vez, de amor: o meu salvador acabou me convidando para tomar um refresco. Foi assim que nosso namoro começou. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 61a linguística tExtual E a sala dE aula Pense e responda: • • Tudo o quê? • • Qual portão? • • Quem não quis ouvir? • • A quem se referem os termos lhe e ele no segundo parágrafo? • • E o o no terceiro? • • Qual rapaz havia se enganado? • • Quem é o referente de ele no final do terceiro parágrafo? • • Essa história? Qual? • • Que outra história? • • Quem é o salvador? • • Assim como, o namoro começou? Você conseguiu responder a todas as perguntas? Se pôde, é porque os termos destacados, entre outros, estabele- cem relações entre partes do texto. Em outras palavras, podemos dizer que esses elementos estabelecem recursos de coesão, que são coesivos. Repare que o termo tudo, no início da história, refere-se a tudo que foi narrado, ele faz referência a elementos que estão depois dele, ou adiante no texto, e é chamado de elemento catafórico. Veja também as expressões a confusão e essa história, que se referem a elementos que já foram citados no texto, que estão, portanto, atrás deles no texto. Essa relação chama-se anafórica. Temos, então, dois movimentos: quando o referente está à frente, adiante, temos a catáfora; quando o referente se encontra antes do elemento em questão, a anáfora. Além de elementos catafóricos e anafóricos, há outros des- tacados no texto: porque, pois, quando, que não remetem a outros elementos, mas estabelecem relações específicas entre eles: porque Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 62 rita do carmo polli da silva e pois estabelecem uma relação explicativa entre as orações que ocercam; o e adiciona informações e o quando estabelece uma relação temporal entre os constituintes. Tanto os elementos que fazem referência a outros presentes no texto quanto os que estabelecem as mais diversas relações de sentido são elementos de coesão. Segundo Koch (1989, p. 18), coesão textual “diz respeito a todos os processos de sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elemen- tos que ocorrem na superfície textual”. trêspontopontodois Os mecanismos coesivosOs mecanismos coesivos Halliday e Hasan escreveram, em 1976, uma obra que se tornou clássica na área, intitulada Cohesion in english. Para eles, a coesão ocorrerá sempre que a interpretação de alguns elementos, dentro do texto, depender de outros. Esses autores dizem que a coesão pode ser estabelecida a partir da referência, da substituição, da elipse, da conjunção e a partir do léxico. Depois desse estudo clássico, outros pesquisadores propu- seram suas considerações, concordando, discordando ou acrescen- tando pareceres. Uma das maiores discussões a partir dos estudos de Halliday e Hasan se encontra na diferenciação, muito tênue, que esses pesquisadores estabelecem entre a referência e a substi- tuição. Referência para eles é a relação existente entre alguns ele- mentos da língua que não podem ser interpretados isoladamente Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 63a linguística tExtual E a sala dE aula e outros itens que são utilizados para a distribuição de sentidos que lhes falta. Essa referência pode ser encontrada, ou completada, dentro (endofórica) ou fora do texto (exofórica). Dentro do texto, ela pode ser anafórica ou catafórica, que, como já vimos, diferencia a direção dos movimentos do referente, para frente e para trás, respectivamente. Segundo os autores, a re- ferência subdivide-se em três grupos: a pessoal (estabelecida pelos pronomes pessoais e pelos possessivos), a demonstrativa (prono- mes demonstrativos e advérbios de lugar) e a comparativa (identifi- cada por meio de similaridades). A substituição, para Halliday e Hasan, é literalmente a subs- tituição de um item lexical por outro, podendo ser, inclusive, de uma oração inteira. Os autores diferenciam a referência da substi- tuição salientando que, na primeira, há uma total identidade refe- rencial entre os dois itens que estabelecem a relação de referência, e, na substituição, sempre há algumas redefinições nessa relação. Observe que, nos dois exemplos a seguir, o (23) estabelece re- lação de referência, e o (24), de substituição: (23) Essa menina fala igual a outra. (24) A menina optou por descer um ponto antes e eu também. Em (23), temos uma referência comparativa e, em (24), o item lexical também substitui a expressão optou por descer um ponto antes, só que modificada, pois o sujeito do item substituído seria eu e não a menina, ou seja, a palavra também substituiria a expressão optei por descer um ponto antes, que é referente anterior redefinido. Esse fato, então, é a redefinição estabelecida pelos autores, e esta é justamente muito criticada por vários estudiosos. A maioria Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 64 rita do carmo polli da silva deles não concorda com isso, como Kallmeyer et al. (1974), Meyer- Hermann (1976) e Brown e Yule (1983), entre outros. O argumento mais forte desses estudiosos é o fato de que a re- ferenciação também sofre redefinições ou mudanças. Peguemos como exemplo um conto de fadas, partindo do princípio de que todos co- nhecem: Branca de Neve. A expressão a princesa é substituída muitas vezes pelo pronome pessoal ela, mas no decorrer da história o ela não faz referência mais a mesma princesa. Ela já não é, na medida em que a história se desenvolve, a mesma menina de quinze anos, inocente, des- protegida que não conhece nada além dos limites do castelo onde vive. Tem-se aí uma referência, segundo os critérios de Halliday e Hasan (1976), redefinida em relação ao referente. Parece confuso? Parece mesmo, e é justamente por isso, por haver considerações semelhantes a essas, que a diferenciação estabelecida por Halliday e Hasan entre referenciação e substituição acaba caindo por terra: o referente vai evo- luindo no decorrer do texto, portanto, não é o mesmo nesse processo. O próximo item estabelecido por Halliday e Hasan (1976), a elipse, se pensarmos bem, não deixa de ser uma substituição, só que uma substituição por nada, por zero, segundo eles: (25) — Você estudou ontem? — Ø Estudei Ø . Para os autores, a elipse é um dos mecanismos de coesão que eles diferenciam da referenciação e da substituição. Mas, onde está a diferença? Por que a substituição por um nome pode ser cha- mado de substituição e por zero (quando o preenchimento fica suben- tendido) não pode? Qual é a diferença? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 65a linguística tExtual E a sala dE aula Estudos mais recentes tendem a não estabelecer um meca- nismo à parte, ou seja, se referência e substituição são, na verdade, os mesmos mecanismos e se elipse é um tipo de substituição, por dedução, a elipse está incluída na referenciação, certo? Se voltarmos, então, para os cinco mecanismos de coesão propostos por Halliday e Hasan (1976), percebemos que estudos recentes os entendem como três. Não que eles estivessem errados, de forma alguma, mas é justamente a multiplicidade dos pontos de vista que possibilitam o progresso de quaisquer estudos. Atualmente, Koch (1989) propõe que, em vez dos cinco mecanismos, que já foram reanalisados, como vimos, sejam consideradas apenas duas grandes modalidades de coesão: a remissiva (responsável pelas referências anafóricas e catafóricas) e a sequencial (responsável pela sequenciali- zação), as quais veremos na continuação. trêspontopontotrês A coesão referencialA coesão referencial A coesão referencial trata de alusões para frente e para trás da forma remissiva e, nas palavras de Koch (1989, p. 31), “é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) nela presentes ou inferíveis a partir do uni- verso textual”. A autora classifica como forma referencial ou remissiva o pri- meiro elemento e, o segundo, como elemento de referência ou re- ferente textual. Por questões didáticas, optamosaqui por apenas uma nomenclatura para cada elemento: para o primeiro elemento Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 66 rita do carmo polli da silva da referência, usaremos apenas forma remissiva e, para o segundo, sempre, referente textual. Na concepção estabelecida por Koch, esse referente textual pode ser um nome, um sintagma, um trecho de oração, uma oração inteira ou um enunciado todo. Além dessa ampla possibilidade de representação do referente, não podemos nos esquecer, como já ci- tado anteriormente, de que ele, o referente, vai se construindo e se modificando no decorrer do texto. Koch apresenta dois tipos de coesão referencial: a gramati- cal e a lexical. A coesão referencial gramatical se opõe à lexical no sentido de que ela é representada por itens gramaticais que não são nomes, enquanto a lexical é estabelecida por estes. Coesão referencial gramaticalCoesão referencial gramatical Como mencionamos, a relação de coesão, nesse caso, é estabele- cida por artigos, pronomes, numerais, alguns advérbios, expressões adverbiais de lugar, bem como pela elipse. Observe que os elemen- tos que constituem as classes citadas não têm autonomia própria, ou seja, sozinhos não passam ao leitor/ouvinte qualquer informa- ção que colabore na construção dos sentidos. Quaisquer que sejam esses elementos, a relação de coesão que eles conseguem estabelecer se dá a partir da concordância de gênero e número que apresentam. As formas gramaticais, representadas por elementos das classes acima referidas, são divididas em dois subgrupos: o das for- mas gramaticais presas e o das formas gramaticais livres. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 67a linguística tExtual E a sala dE aula As chamadas presas realmente o são, pois estão sempre liga- das a um nome* com o qual concordam em gênero e número, e as livres recebem esse nome por estarem, obviamente, livres de qual- quer ligação com nomes. Observe no quadro a seguir as formas consideradas presas (ligadas a nomes) e as livres (não ligadas a nomes): Quadro 3.1 – Coesão referencial gramatical ClassesClasses Formas pressasFormas pressas Formas livresFormas livres Artigos definidosArtigos definidos oo, , aa, , osos, , asas -x--x- Artigos indefinidosArtigos indefinidos umum, , umauma, , unsuns, , umasumas -x--x- Pronomes pessoaisPronomes pessoais -x--x- eleele, , elaela, , eleseles, , elaselas Pronomes Pronomes demonstrativosdemonstrativos esteeste, , esseesse, , aqueleaquele, , taltal esteeste, , esseesse, , aqueleaquele, , taltal,, issoisso, , istoisto, , aquiloaquilo, o, o Pronomes Pronomes possessivospossessivos meumeu, , teuteu, , seuseu, , nossonosso, , vossovosso, , deledele (o) (o) meumeu, (o) , (o) teuteu, (o) , (o) seuseu, (o) , (o) nossonosso, (o) , (o) vossovosso, , (o) (o) deledele Pronomes Pronomes indefinidosindefinidos algumalgum, , todotodo, , outrooutro, , váriosvários, , diversosdiversos etc. etc. tudotudo, , todostodos, , nenhumnenhum, , váriosvários, , cadacada umum, , cadacada qualqual etc. etc. Pronomes Pronomes interrogativosinterrogativos quêquê? ? qualqual?? quêquê? ? qualqual? ? quantoquanto?? * A palavra nome aqui está sendo empregada em oposição a verbo. Nesse sentido, o conjunto de palavras da língua poderia ser dividido em duas grandes classes: a dos nomes e a dos verbos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 68 rita do carmo polli da silva Pronome relativoPronome relativo cujocujo queque, , o qualo qual, , quemquem NumeraisNumerais cardinais e ordinaiscardinais e ordinais cardinais, ordinais, cardinais, ordinais, multiplicativos e multiplicativos e fracionáriosfracionários Antes de continuarmos apresentando outros elementos consi- derados de forma livre, vejamos alguns exemplos para que você per- ceba, na prática, o que significam as nomenclaturas presa e livre. Veja: (26) Era uma vez um reino. Esse reino tinha um rei, que tinha uma filha. O rei era bem velhinho e morreu. Ele deixou sua filha, a qual já era órfã de mãe, órfã de pai. Observe que os artigos, tanto os definidos como os inde- finidos, estão ligados a nomes: um reino, um rei, uma filha, o rei, e são, portanto, presos. O que mais aparece grifado no exemplo 26? Tem o demonstrativo esse, ligado a reino, que é um nome, portanto, nesse caso, o pronome demonstrativo esse é classificado como preso. Temos ainda os pronomes relativos que e a qual, ambos não estão ligados a nenhum nome (ligado não significa “fazendo referência a”, e sim “apenas junto”, “ao lado”). O primeiro liga-se ao verbo ter (tinha), e o segundo, ao ser (era). Se eles não estão presos a nomes, são formas livres. Temos ainda um pronome pessoal: ele, também não ligado a nenhum nome, e sim ao verbo deixar (deixou), o que o torna, também, livre. Além desses, há outros elementos considerados livres dentro da coesão referencial gramatical, são eles: os advérbios de lugar, as expressões adverbiais e a elipse. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 69a linguística tExtual E a sala dE aula Nos advérbios de lugar, como lá, aí, ali, aqui e onde, ocorre a relação livre. Por exemplo: (27) A princesa passava os dias em seu quarto, lá se sentia segura. Isso também ocorre nas expressões adverbiais de lugar ou de modo, tais como acima, abaixo, a seguir, na sequência (lembra de quan- tas vezes os usamos aqui neste texto?), dessa maneira, desse modo, dessa forma, como em: (28) A princesa achava que a maldade não levava a nada. Pena que sua madrasta não pensava desse modo. Já na elipse (zero), temos os seguintes exemplos: (29) A princesa fechou a porta. Ø Jogou-se na cama. Ø Chorou. Não se pretendeu aqui esgotar o assunto, quer com a teoria, quer com a exemplificação, mesmo porque isso não seria possível. Aqui pretendemos mostrar como se mergulha. A profundidade desse mergulho vai depender de você. Dentro dessa perspectiva,continuemos. trêspontopontoquatro Coesão referencial lexicalCoesão referencial lexical Os elementos remissivos lexicais, além de fazerem a conexão entre partes, possuem significados, ou seja, diferem dos referentes grama- ticais por essa característica: “designam referentes extralinguísti- cos” (Koch, 1989, p. 48). São eles: as nominalizações, os sinônimos, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 70 rita do carmo polli da silva os hiperônimos, os hipônimos, os nomes genéricos, entre outros. Observe alguns exemplos na ordem apresentada: (30) As meninas choraram por muito tempo. O choro durou horas. (31) As meninas choraram por muito tempo. As garotas estavam tristes. (32) As meninas não esqueciam o gato que morrera, o felino era muito meigo. (33) As meninas não esqueceram o único felino que tiveram. O gato era muito meigo. (34) O barulho indicava que um carro se aproximava. Não demorou muito e a coisa apareceu. Observe como as referências se dão por meio de itens lexicais que possuem definições. trêspontopontocinco A coesão sequencialA coesão sequencial A outra grande modalidade coesiva apresentada por Koch (1989, p. 53) é a coesão sequencial, que “diz respeito aos procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem, entre segmentos do texto (enunciados, partes de enunciados, parágrafos e sequências textuais) diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir”. A autora aqui citada esclarece que esse tipo de coesão se dá com ou sem a repetição de elementos. Segundo ela, a sequencia ção Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 71a linguística tExtual E a sala dE aula é denominada parafrástica quando se utiliza da recorrência, e frástica, quando não a utiliza. Vamos aos exemplos para que você entenda um pouco melhor cada uma delas. A sequenciação parafrásticaA sequenciação parafrástica A sequenciação parafrástica é, das duas modalidades, a que faz uso de reiterações para que o texto se desenvolva. Veremos a seguir al- guns tipos de repetições pertinentes a nosso estudo. a. a. Repetição lexical (da palavra): (35) A menina chorava, chorava, chorava... Observe que as repetições não se reduzem apenas a reprodu- ção da palavra, elas acrescentam sentido. b. b. De uma determina estrutura frasal: (36) O sol nasce todo dia. O sol nasce e esquenta os dias frios. O sol nasce e queima a pele do lavrador. O sol nasce e morre todos os dias. c. c. Através de paráfrase, que é dizer “a mesma coisa com outras palavras”: (37) As reiterações são as marcas da sequenciação parafrástica, ou seja (isto é, melhor dizendo, ou melhor, quer dizer, em outras pa- lavras...), as repetições são responsáveis pela evolução textual na modali dade parafrástica. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 72 rita do carmo polli da silva d. d. Do mesmo tempo verbal: (38) O dia estava calmo como os anteriores, andavam na praça cen- tral da cidade, procuravam o que fazer. Alguns velhinhos se encon- travam sentados em volta das poucas mesas de xadrez que haviam, outros apenas descansavam. Ficou claro? Vejamos agora a próxima. A sequenciação frásticaA sequenciação frástica Koch (1989) aponta como uns dos mecanismos responsáveis pela construção dos sentidos a coesão estabelecida pelo encadea- mento e pela manutenção temática. O encadeamento divide-se em justaposiçãojustaposição e conexãoconexão ou junçãojunção, o que corresponde à conjunçãoconjunção de Halliday e Hasan (1976), já vista anteriormente. Na justaposição, são utilizados elementos que possibilitam a sequenciação, estabelecendo relações: • • de tempo: muitos anos depois, anos antes, na semana seguinte; • • de espaço: primeiramente, na sequência; • • de introdução, mudança ou quebra de assunto: de início, final- mente, a propósito, por falar nisso, voltando ao assunto, abrindo um parênteses; • • de metacomunicação: resumindo, dessa maneira, como acabamos de ver, a hipótese acima (ou abaixo), para encerrar, para iniciar. Na conexão, na verdade, o que se tem, segundo Koch (1989, p. 68), “são as conjunções, advérbios sentenciais (também chama- dos de advérbios de texto) e outras palavras (expressões) de liga- ção que estabelecem, entre orações, enunciados ou partes do texto, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 73a linguística tExtual E a sala dE aula diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas”. A autora apresenta os mecanismos divididos em dois tipos de relações: as lógico-semânticas e as discursivas (ou argumentativas). A diferença básica entre elas é que a primeira estabelece relações ló- gico-semânticas, conectando duas orações em um único enunciado. A conexão será feita pelo conector que leve consigo o significado (a relação) que se pretende para aquele enunciado e tem relação com o conteúdo das duas orações. Já a segunda estabelece, como o pró- prio nome diz, relações discursivas ou argumentativas entre enuncia- dos e não entre orações. Dessa forma, a relação estabelecida resulta em dois enunciados distintos, em que o segundo prevalece sobre o primeiro. Mas, voltemos à primeira... Relações lógico-semânticasRelações lógico-semânticas Entre as lógico-semânticas estão as que conectam duas orações para estabelecerem relações de: • • condição: a conexão entre duas orações se dá por dois conec- tores, a primeira pelo se (ou caso) e a segunda pelo então, que pode, inclusive, estar elíptico: Se (caso) X acontecer, (então) Y também acontece: (39) Se você passar de ano, então ganhará a viagem que tanto quer. (40) Caso passe de ano, Ø ganhará a viagem que tanto quer. • • causa: conecta duas orações, uma traz uma causa, e a outra, uma consequência, sendo que, para a manutenção da relação, não importa a ordem. Exemplos: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p oder á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 74 rita do carmo polli da silva (41) João pegou gripe porque ficou na chuva. (42) João ficou na chuva, por isso pegou gripe. • • tempo: liga duas orações a partir de informações tem porais: (43) Quando você terminar, pode ir. (44) Depois que passou no vestibular, ficou metido. (45) À medida que estudava, entendia melhor a situação. (46) O professor falava enquanto ela atendia ao telefone celular. (47) Antes que eu desista, vamos embora. • • disjuntiva (ou alternativa): faz conexão entre duas relações, com o ou, que tanto pode ser exclusivo (ideia de exclusão), conforme o primeiro exemplo da sequência, como inclusivo, como no exemplo seguinte: (48) Eu vou apenas a um lugar, ao shopping ou ao parque. (Veja que é ou um ou outro.) (49) Com você eu vou ao cinema ou ao museu. (Aqui é um, o outro ou os dois lugares, tanto faz.) • • conformidade: a conexão estabelece uma relação de confor- midade entre os conteúdos das orações. (50) O rapaz agiu conforme lhe orientaram. • • modo: uma das orações deixa claro de que maneira ocorreu o fato trazido pela outra. (51) Chorando, a menina saiu da sala. (52) A menina saiu da sala chorando. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 75a linguística tExtual E a sala dE aula Relações discursivas ou argumentativasRelações discursivas ou argumentativas Retomando o que foi mencionado anteriormente, as relações dis- cursivas ou argumentativas se estabelecem entre enunciados, “por meio de encadeamentos sucessivos, sendo cada enunciado resul- tado de um ato de fala* distinto” (Koch, 1989, p. 71), em que o se- gundo encadeia-se sobre o primeiro. Esses encadeamentos podem ocorrer entre orações de um mesmo período, entre períodos ou entre parágrafos e um texto. Recebem esse nome justamente por essa característica de estabelecer relações entre as partes de um dis- curso como um todo. São ainda chamadas de relações argumentativas, pois são capazes de levar ao enunciado determinadas orientações argumentativas, como é o caso, por exemplo, da relação compara- tiva. Qual é a diferença entre as duas orações a seguir? (53) Você é tão bonita quanto a Maria. (54) Não, a Maria é que é tão bonita quanto eu. Repare que nas duas orações existe a informação de que as duas são igualmente bonitas. O que ocorre é que, na oração 53, a orientação argumentativa deixa em evidência a Maria, o que desa- grada o leitor/ouvinte, que corrige fazendo a mudança dessa orien- tação argumentativa. Quando feita a correção em 54, a evidência é o “eu”, ou seja, os enunciados são iguais do ponto de vista semântico, mas diferentes do ponto de vista argumentativo. * Recebem o nome de atos de fala as ações que se realizam no momento do próprio ato de fala. O “falar” representa a ação, por exemplo: prometer, ordenar, asseverar, pedir, ameaçar, avisar, advertir etc. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 76 rita do carmo polli da silva Se ainda não ficou bem clara a variação argumentativa, pense ainda na seguinte situação, em que o marido e a mulher estão deci- dindo o nome da loja que vão abrir: (55) O nome da loja será Rosana e Rafael Confecções. (56) Não, claro que não, será Rafael e Rosana Confecções. Entendeu a diferença? Pois então, essa é uma diferença argu- mentativa. Além da relação de comparação, é possível estabelecer as relações descritas e exemplificadas a seguir. • • Conjuntivas:Conjuntivas: ligam enunciados argumentativos construídos em direção de uma mesma conclusão. São eles: e, também, não só... mas também, tanto... como, tanto... quanto, além de, além disso etc. Veja os exemplos: (57) Não só por ser bonita Maria venceu o concurso, mas também por ser extremamente carismática. (58) João é um dos melhores alunos deste colégio: não falta às aulas, é atencioso, lê muito e tem o hábito de estudar em casa. • • Disjuntivas:Disjuntivas: unem, diferentemente do que ocorre na relação anterior, enunciados com orientações discursivas distintas: objetiva fazer o leitor/ouvinte aceitar o que está expresso no primeiro. Exemplo: (59) Há males que vem para o bem. Ou você não aprendeu nada com tudo o que aconteceu? • • Contrajuntivas:Contrajuntivas: ligam, como ocorre na relação anterior, enunciados com orientações discursivas distintas, mas, aqui, o que deve prevalecer é o enunciado antecedido pelo operador, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 77a linguística tExtual E a sala dE aula sendo exceção somente o operador embora, que impele a orien- tação argumentativa para o outro enunciado. Exemplo: (60) Embora fosse competente, não conseguia emprego fixo. Observe que a informação que se sobressai é a de que não conseguia emprego fixo. Nos demais casos o que prevalece é a in- formação introduzida pelo operador, como nos casos a seguir: (61) Era muito competente, mas não conseguia emprego. (62) Viajou o mundo todo, sempre teve tudo o que desejou, porém seu olhar era de uma profunda tristeza. • • Conclusivas:Conclusivas: são estabelecidas quando o operador introduz um enunciado de valor conclusivo em relação ao imediata- mente anterior: (63) Viajou o mundo todo. Sempre teve o que desejou. Portanto, tem alto poder aquisitivo. (64) Houve uma grande fuga no presídio da cidade. Logo, tenha cuidado. Observe que a conclusão é estabelecida não só pelos enuncia- dos explícitos, mas pelo não implícito também, que é alcançado por ser uma espécie de informação cultural ou universalmente aceita. No exemplo 63, o implícito é que, para viajar o mundo todo e para se ter tudo o que se deseja, é preciso ter dinheiro. Em 64, o implí- cito é que no presídio existem infratores de todas as espécies e que infratores são perigosos. Se eles estão soltos, cuidado! Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor izaçã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 78 rita do carmo polli da silva • • Explicativas:Explicativas: estabelece-se essa relação quando um enun- ciado tem a função de explicar o anterior. Exemplo: (65) Pelo visto não chove há muito tempo, pois as plantas estão já quase sem vida. Há ainda outras relações estabelecidas entre enunciados que também funcionam na direção de facilitar a interpretação e a cons- trução dos sentidos. Acrescente-se ao já visto as relações que: a. a. generalizam: (66) Maria está sem dinheiro para viajar; também, ela nunca tem dinheiro para nada. (aliás, na verdade, a verdade é) b. b. exemplificam: (67) Muitas pessoas vivem muito bem sozinhas, Joana é um exemplo disso. c. c. corrigem: (68) Vou à festa à noite, mãe. Isto é, se a senhora deixar. d. d. suspendem o conteúdo do primeiro enunciado: (69) Que bom! Ou isso não é bom para você? e. e. redefinem o conteúdo do primeiro: (70) Maria vive bem. Ou melhor, acho que ela vive bem. (aliás, creio) f. f. atenuam o conteúdo do primeiro: (71) Juro que faço! Quer dizer, vou tentar. (isto é, ou melhor) Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 79a linguística tExtual E a sala dE aula trêspontopontoseis Manutenção do temaManutenção do tema Em um texto, para que consigamos manter relação de sentidos den- tro de um mesmo tema, lançamos mão de palavras que pertencem ao mesmo campo semântico. Lembra do texto 4 do capítulo ante- rior? Volte lá e repare que os termos destacados fazem parte de um mesmo campo semântico em torno do tema “circo”,. Esses termos ativam inconscientemente um frame no leitor/ouvinte e outros ter- mos que se introduzam nesse contexto serão interpretados dentro desse frame ou, se muitos díspares do campo semântico circo, cha- marão a atenção para eles como algo estranho ao contexto. É o que provavelmente aconteceria se a narrativa do texto ci- tado seguisse desta forma: (72) [...] o show final ficou por conta do juiz que leu a condenação do réu. O que juiz e réu tem a ver com o tema circo? Então, veja: os frames nos permitem detectar o tema, avançar e nos mantermos dentro dele e, inclusive, criar expectativas em re- lação à continuidade ou mesmo ao final do texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 80 rita do carmo polli da silva Indicação culturalIndicação cultural Existem um livro, intitulado Evelyn: uma história real, e um filme, de mesmo nome, que demonstram bem como funcionam as relações discursivas ou argumentativas contrajuntivas. No final da história, quando a possibilidade de o pai de Evelyn ficar ou não com seus fi- lhos está sendo julgada, o juiz, ao ler o veredito, vai fazendo uso de vários operadores contrajuntivos para aumentar o suspense. Nesse momento, o réu e seus amigos ficam na torcida para que ele acres- cente um novo operador e mude a direção da sentença. Vale a pena ler o livro ou assistir ao filme. SínteseSíntese O que vimos aqui é apenas uma introdução aos conceitos de coe- são, um dos recursos mais ricos para a construção dos sentidos. Em razão do escopo do livro, não nos aprofundaremos mais no assunto, mas você deve ter bem claro que um texto é um tecido, portanto, deve ter suas tramas bem ligadas, para que a qualidade final não seja comprometida. Procuramos identificar alguns mecanismos que fazem com que um texto seja um texto, bem como examinamos algumas classes de palavras, alguns conectivos de orações e de enunciados, o que, em princípio, nos capacita para o próximo passo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 81a linguística tExtual E a sala dE aula Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . Analise as afirmações a seguir e assinale as verdadeiras: I. I. A coesão é um mecanismo que permite uma espécie de costura no texto. II. II. De acordo com os pesquisadores do assunto,a coesão pode ser es- tabelecida a partir da referência, da substituição, da elipse, da con- junção e a partir do léxico. III. III. Na frase “Vou estudar amanhã”, há uma elipse do sujeito prono minal. IV. IV. Para Halliday e Hasan, a referência e a substituição fazem alusão ao mesmo mecanismo. V. V. Para Koch (1989), existem duas grandes modalidades de coesão: a remissiva e a sequencial. Estão corretas as afirmações contidas nas alternativas: a. a. I, III, V. b. b. II, III, V. c. c. I, III, V. d. d. II, IV, V. 2 . 2 . Analise as afirmativas a seguir de acordo com o que estudamos neste capítulo. Depois, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso e marque a alternativa correspondente à sequência das respostas: ( ) ( ) Halliday e Hasan foram uns dos primeiros a escrever sobre a coesão. ( ) ( ) A coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro ou outros elementos nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 82 rita do carmo polli da silva ( ) ( ) O referente textual vai, à medida que o texto progride, modi- ficando-se. ( ) ( ) Segundo Koch, há coesão referencial do tipo gramatical e a do tipo lexical. a. a. V, F, F, F. b. b. F, F, F, V. c. c. F, V, V, F. d. d. V, V ,V ,V. 3 . 3 . Sobre a coesão gramatical, é lícito afirmar: I. I. É estabelecida relação de coesão a partir da concordância de gê- nero e número. II. II. Subdivide-se em três grupos: formas livres, presas e semipresas. III. III. Primeiro, segundo, terceiro etc. são exemplos de formas gramati- cais classificadas como presas e livres. IV. IV. Os artigos, definidos ou não, são sempre formas presas, e os pro- nomes pessoais, sempre formas livres. V. V.A classificação presopreso deve-se ao fato de o elemento estar sempre ligado a um verbo da primeira conjugação. VI. VI. Advérbios de lugar, expressões de modo e de lugar e as elipses são considerados elementos livres. Estão corretas as sentenças contidas na alternativa: a. a. I, II, III, V. b. b. I, III, IV, VI. c. c. III, IV, V, VI. d. d. Apenas as alternativas II e V. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 83a linguística tExtual E a sala dE aula 4 . 4 . Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso nas sentenças a seguir. Depois, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) Os elementos remissivos lexicais se identificam com os referentes gramaticais por designarem referentes extralinguísticos. ( ) ( ) Nominalizações, sinônimos, hiperônimos e hipônimos são exem- plos de referentes extralinguísticos. ( ) ( ) A coesão sequencial diz respeito aos procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem diversos tipos de relações se- mânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir. ( ) ( ) A sequenciação parafrástica faz uso de conjunções e junções para que o texto vá se desenvolvendo. ( ) ( ) As reiterações a partir de um mesmo tempo verbal é um exemplo de sequenciação parafrástica. ( ) ( ) A conexão possibilita a sequenciação a partir de relações de tempo, de espaço, de introdução, mudança ou quebra de assunto e de metacomunicação. a. a. F, F, V, V, V, F. b. b. F, V, V, F, V, F. c. c. V, F, F, F, F, V. d. d. V, F, V, F, V, F. 5 . 5 . Sobre as relações lógico-semânticas, responda as alternativas de acordo com a sequência a seguir: I. I. Tempo II. II. Condição III. III. Causa IV. IV. Disjunção Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 84 rita do carmo polli da silva ( ) ( ) Conecta duas orações: uma com uma causa e a outra com uma consequência, ou vice-versa. ( ) ( ) Necessita de dois conectores: o primeiro pode ser tanto o se quanto o caso e o segundo, o então. ( ) ( ) Liga duas orações a partir de informações temporais. ( ) ( ) Conecta duas relações a partir do uso do conector ou. A ordem estabelecida é: a. a. I, II, III, IV. b. b. IV, III, II, I. c. c. III, II, I, IV. d. d. IV, I, III, II. 6 . 6 . O que foi visto neste capítulo sobre as relações discursivas relações discursivas ou arar-- gumentativas gumentativas e manutenção do tema manutenção do tema nos permite afirmar: I. I. Na frase “Não só a Ana, mas também a Joana estarão prontas na hora marcada”, existe uma relação conjuntiva. II. II. Podemos dizer que na frase “Embora tenha estudado, não conse- guiu se sair bem na avaliação” há uma relação contrajuntiva. III. III. As palavras que ativamos inconscientemente durante a leitura de um texto, a partir de um mesmo campo semântico, são chamadas de frames. IV. IV. A manutenção do tema é garantida pela coesão entre os elementos que compõem o texto. V. V. As relações que generalizam, exemplificam, corrigem, suspendem, redefinem e atenuam funcionam no sentido de facilitar a interpre- tação dos textos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 85a linguística tExtual E a sala dE aula Agora, marque a alternativa que apresenta a alternativa correta: a. a. I, II, III, V. b. b. I, II, IV, V. c. c. II, III, IV, V. d. d. I, III, IV, V. Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão 1 . 1 . Responda, por escrito, as questões referentes ao texto a seguir: Tudo começou em meio a uma grande confusão: estava saindo da es- cola de música quando fui confundida com outra pessoa. Mal passei pelo portão e fui agarrada por um rapaz muito forte. Ele nem quis me ouvir, porque estava convicto do que fazia. Eu me debatia e tentava gritar, quando outro rapaz chegou e deu-lhe um soco bem no meio da cara. Ele desmaiou. A confusão estava acabada: como o soco o fez parar e me olhar, o rapaz conseguiu perceber que havia se enganado, pois eu não era quem ele pensava. Essa história acabava para começar outra, dessa vez, de amor: o meu salvador acabou me convidando para tomar um refresco. Foi assim que nosso namoro começou. • • Tudo o quê? • • Qual portão? • • Quem não quis ouvir? • • A quem se referem os termos lhe e ele no segundo pará grafo? • • E o o no terceiro? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 86 rita do carmo polli da silva • • Qual rapaz havia se enganado? • • Quem é o referente de ele no final do terceiro parágrafo? • • Essa história? Qual? • • Que outra história? • • Quem é o salvador? • • Como o namoro começou? 2 . 2 . Leia esse fragmento retirado da Revista Veja e estabeleça os referen- tes dos elementos destacados. Breve em sua casa Um aborrecimento causado pelo home theater é o emaranhado de fios conectados. Uma nova tecnologia, batizada de HDMI (sigla em inglês para High-Definition Multimedia Interface), é a solução. Esse tipo de conector substitui os cabos de áudio e vídeo convencionais, jun- tando-os em um só e acabando com a bagunça dos fios. Não se trata apenas de um cabo, mas de um novo padrão de transmissão de dados. Também não é possível comprá-lo como acessório. Ele vem de fábrica nos aparelhos. Fonte: Corrêa, 2006. Atividade aplicada: práticaAtividade aplicada: prática A partir do trecho de Dom Casmurro a seguir e dos itens destacados, produza alguns exercícios explorando as relações de coesão vistas neste capítulo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9.61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 87a linguística tExtual E a sala dE aula Não alcancei mais nada, e para o fim arrependi-meme do pedido: devia ter seguido o conselho de Capitu. EntãoEntão, como eu quisesse ir para dentro, prima Justina reteve-me alguns minutos, falando do calor e da próxima festa da Conceição, dos meus velhos oratórios, e finalmente de Capitu. Não disse mal deladela; ao contrário insinuou-meme que podia vir a ser uma uma moça bonitamoça bonita. Eu, que já aa achava lindíssima, bradaria que era a mais bela criatura do mundo, se o receio me não fizesse dis- creto. Entretanto, como prima Justina se metesse a elogiar- -lhe os modos, a gravidade, os costumes, o trabalhar para os seus, o amor que tinha a minha mãe, tudo istotudo isto me acendeu a ponto de elogiá-lala também. QuandoQuando não era com palavras, era com o gesto de aprovação que dava a cada uma das asser- ções da outra, e certamentecertamente com a felicidade que devia ilumi- nar-me a cara. Não adverti que assim confirmava a denúncia de José Dias, ouvida por elaela, à tarde, na sala de visitas, se é que também elaela não desconfiava já. Só pensei nissonisso na cama. Só entãoSó então senti que os olhos de prima Justina, quando eu fa- lava, pareciam apalpar-meme, ouvir-meme, cheirar-meme, gostar-meme, fazer o ofício de todos os sentidos. Ciúmes não podiam ser; entre um pirralho da minha idade e uma viúva quarentona não havia lugar para ciúmes. É certo que, após algum tempoapós algum tempo, modificou os elogios a Capitu, e até lhelhe fez algumas críticas, disse-me que era um pouco trêfega e olhava por baixo; mas ainda assim, não creio que fossem ciúmes. FontE: machado de assis, 1998. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. um um um pouco de históriaum pouco de história dois dois coerência textualcoerência textual três três coesão textualcoesão textual # # quatro demais requisitos para a construção da textualidade cinco cinco gêneros textuaisgêneros textuais seis seis a linguística textual e a sala de aulaa linguística textual e a sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 91a linguística tExtual E a sala dE aula Uma pedra no meio do caminho ou apenas um rastro, não importa. Estes poetas são meus. De todo o orgulho, de toda a precisão se incorporaram. Ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo. Que Neruda me dê sua gravata chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus Maiakóvski. (drummond de andrade, 2007) ¶ ¶ n E s t E c a p í t u l o , v a m o s n E s t E c a p í t u l o , v a m o s ver outros recursos necessários para a construção dos sentidos: a situcionalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade, a intertextualidade (Beaugrande; Dressler, 1981), os fatores de contextualização (Marcuschi, 1983), a consistência e a relevância (Giora, 1985), a focalização (Koch; Travaglia, 1989) e o conhecimento compartilhado (Koch, 2004). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 92 rita do carmo polli da silva Beaugrande e Dressler (1981) postularam que a coesão e a coerência estariam centradas no próprio texto, enquanto a situcio- nalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade e a intertextualidade estariam focadas nos usuários. Esse posicio- namento foi contestado, em princípio, pelo número de fatores – apenas cinco – mostrados como sendo os únicos responsáveis pela construção dos sentidos e, na sequência, pela divisão que relaciona a coerência como algo centrado somente no texto, o que não é ver- dade, como vimos no capítulo anterior. Este capítulo apresenta sucintamente todos os fatores ante- riormente mencionados como relevantes para o processo de cons- trução de sentidos. Comecemos. quatropontopontoum A situacionalidadeA situacionalidade A situacionalidade refere-se à maneira como as duas pontas, quem escreve e quem lê, entendem como a situação de ocorrência e o texto se relacionam. É o amoldamento do texto à circunstância de comuni- cação. Segundo Koch (2004, p. 40), esta deve ser analisada sob dois aspectos: partindo da situação (do externo, do momento histórico) para o texto ou o processo inverso, do texto para a situação, ou seja, como os usuários entendem as relações entre o texto e sua situação de ocorrência. É a situação em que estamos inseridos, no primeiro caso, que acaba por determinar como será o nosso texto. Os elementos ex- ternos, sejam sociais, políticos ou culturais, interferem em nossa Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 93a linguística tExtual E a sala dE aula produção. Dependendo do momento político, por exemplo, pre- cisamos evitarcertas palavras ou expressões sob pena de parecer- mos preconceituosos. Vejamos atualmente a discussão que envolve as palavras negro e preto quando estamos falando da cor da pele das pessoas. Em épocas anteriores, esses usos não causariam polêmica. Hoje, o mau uso pode nos render complicações. Na situação atual, seria politicamente corretopoliticamente correto o uso da palavra afrodescendente em vez de qualquer uma das citadas anteriormente. A situação de produção também define ou determina o grau de polidez e de formalidade que podemos imprimir ao texto. E não é só isso: a variedade linguística e o próprio tratamento que será dispensado ao assunto abordado também são determinados pela situação. Pense no seguinte exemplo: Você precisa escrever um bi- lhete para sua mãe antes de sair de casa e também escrever uma resenha para entregar na aula à noite. Dois textos, duas situa ções diferentes*. No caso do primeiro, a situação é informal, haja vista ser para a mãe, e é essa situação que permite a você o uso de um vocabulário menos rebuscado e até da variedade não padrão da lín- gua, se assim preferir, pois a relação, a situação que se estabelece entre os dois polos – emissor e receptor – permite isso. Por mais que o gênero bilhete não exija necessariamente a informalidade, esta é possível pela situação de uso. Já no segundo caso, o próprio gênero, que é resenharesenha, é mais fechado, mais formal. Além disso, existe a situação de avaliação. É ela quem determina se o grau de formalidade deve ser maior, se o vocabulário mais estudado e a variedade linguística utilizada * Nesse caso, também temos gêneros diferentes, o que veremos no próximo capítulo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 94 rita do carmo polli da silva encontram-se na norma padrão (norma culta). Não são só os gêne- ros que determinam o que pode e o que não pode em um determi- nado texto, a situação também influencia nisso. Precisamos considerar, ainda, a relação do texto para a situa- ção. Muitas vezes, textos são construídos com determinados propó- sitos, e estes não são alcançados devido à história, à compreensão de mundo, às intenções, às certezas, às expectativas, aos pontos de vista do interlocutor ou receptor daquele texto. Segundo Koch (2004), sempre é possível mediar os dois mundos: o real e o construído pelo texto. Muitas vezes, o mundo real de quem lê, somado ao mundo que o texto traz, resulta em uma interpretação que não era a pla- nejada, a almejada, mas se torna possível pela situação. Lembra do exemplo citado no Capítulo 1 – a música A Rita, de Chico Buarque? Pois é, a situação que proporcionou tantas composições desse com- positor acaba por influenciar a leitura de textos que não teriam, essencialmente, relação com ela. A mesma música serve de exemplo de um outro fator, a intencionalidadeintencionalidade, que passamos a comentar. quatropontopontodois IntencionalidadeIntencionalidade Esse recurso faz referência às intenções (ao que se pretende), explí- citas ou não, no interior dos textos. Podemos entendê-lo como um interesse do locutor em produzir um texto coerente e coeso, que satisfaça os objetivos por ele estabelecidos. Os sujeitos fazem uso de textos para atender às mais diversas intenções de comunicação: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 95a linguística tExtual E a sala dE aula avisar, chamar a atenção, avaliar, informar, confessar, liberar, cen- surar, ensinar etc. O locutor fará uso dos mais diversos recursos linguísticos para que sua intenção seja percebida, o que, muitas vezes, não acon- tece e nem sempre por culpa dele. Em outras situações, a coerência pode, aparentemente, estar comprometida, e isso pode ser uma in- tenção do locutor, que terá que ter seu texto mais profundamente analisado para que se perceba a real intenção. Imagine, por exem- plo, que o objetivo seja se autoapresentar ou apresentar um perso- nagem vítima de amnésia. A construção desse texto pode parecer, a princípio, desprovida de coerência, mas, a partir do momento que se perceber a intenção por trás do escrito, a coerência se estabelece à medida que a percepção da intencionalidade é alcançada. quatropontopontotrês AceitabilidadeAceitabilidade Esse recurso e o anterior se correlacionam. A aceitabilidade refere- -se à concordância do receptor da mensagem e está ligada à sua competência de compreensão, em outras palavras, à sua bagagem cultural, ao seu conhecimento de mundo. Dentro desse escopo, o que é inaceitável para uns pode não ser para outros. Lembra do que falamos anteriormente sobre a situacionali- dade e o emprego de alguns vocábulos? Aqui também podemos citar o léxico como exemplo de produzir, às vezes, uma não aceita- bilidade, ou um desconforto por parte do leitor/ouvinte do texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 96 rita do carmo polli da silva Há algumas palavras que parecem mais “pesadas” do que outras aparentemente sinônimas. Pense por exemplo na frase: (73) Aquela jovem moça estava prenhe novamente. A palavra prenhe, sem dúvida, é sinônima de grávida, mas o uso daquela por esta causa uma má impressão, ou pouca aceitabili- dade. Observe outra frase e imagine-a em um quadro de avisos de uma paróquia qualquer: (74) Amanhã, às 19h, a missa será na intenção dos defuntos da comunidade. Não lhe parece que o texto ficou um tanto agressivo? Essa sensação de desconforto pode ser eliminada se for observado o cri- tério da aceitabilidade. Por outro lado, um vocabulário muito re- buscado, dependendo da situação, pode prejudicar um texto em vez de torná-lo mais bonito. Essa aceitabilidade cai também, por exemplo, quando construímos frases muito longas, cheias de ora- ções intercaladas e remissões que exigem uma maior atenção por parte do leitor/ouvinte. Por isso, a aceitabilidade está tão relacio- nada à intencionalidade: se sua intenção for impressionar o leitor/ ouvinte, e este tiver capacidade para entendê-lo, a aceitabilidade será boa, caso contrário, não. A aceitabilidade também está rela- cionada às expectativas do leitor/ouvinte e depende do fato de elas terem sido satisfeitas ou não. Pensemos, ainda, por exemplo, que a intenção pode ser jus- tamente a de produzir um texto não aceitável, ou não tão aceitá- vel como se desejaria. Os desvios, que resultam em reprovaçõesou os enunciados classificados como não aceitáveis, na verdade, o são Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 97a linguística tExtual E a sala dE aula para quem? A aceitabilidade pode ser considerada a partir de al- guns níveis: das mais leves às mais severas. O não aceitável abso- luto não existe, o que pode ser inaceitável para uma pessoa pode não o ser para outras tantas. O não aceitável enfaticamente para uma pessoa, comunidade, cultura etc. pode ser aceitável em outros contextos e situações. Segundo as máximas de Grice (1975), a comunicação hu- mana, de modo geral, estabelece-se a partir de um princípio de cooperação. Em outras palavras, as pessoas tendem a aceitar as ma- nifestações linguísticas de outrem como coesas e coerentes, mesmo que aparentemente não haja coerência. A tendência é que lhe seja atribuído um sentido, seja ele qual for. quatropontopontoquatro InformatividadeInformatividade Como o próprio nome sugere, essa relação diz respeito às infor- mações veiculadas por um texto. Essas informações podem ser previsíveis ou não, redundantes ou não. Quanto mais previsível o texto, menor o grau de informatividade que ele carrega. Por outro lado, quanto maior o seu grau de informatividade, ou seja, quando o texto traz muitas informações, maior será a atenção que o leitor terá que ter para sua compreensão. No processo de tecitura dos textos, devemos sempre ter em mente o nosso interlocutor. É ele, como já mencionado, quem, de certa forma, dirige o nosso texto. Ele deve estar em nossa mente Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 98 rita do carmo polli da silva em todo o processo de produção. Se vamos escrever para adoles- centes, por exemplo, o vocabulário e o nível da informação devem ser acessíveis à faixa etária; por outro lado, se produzimos um texto sobre administração hospitalar, podemos lançar mão de ter- mos específicos da área, próprios da linguagem de administradores. Outros leitores, não familiarizados com essas expressões ou ter- mos, terão que buscar esse conhecimento para não ter sua interpre- tação comprometida. A maneira como a distribuição das informações no texto se processa também é de grande relevância, e se faz necessário um equilíbrio entre as informações novas e as já conhecidas. Os textos funcionam basicamente a partir de dois movimentos: para frente e para trás. O primeiro chama-se movimento de progressão, e o segundo, retroação. Não é produtivo um texto que não apresente nenhuma in- formação nova, que apenas repita o que já foi dito, sem nada acres- centar. Ele se torna inútil, no sentido do valor das informações veiculadas. Da mesma maneira, não é produtivo um texto que só apresente informações novas. Um texto com bom nível de infor- matividade precisa estar ancorado em informações já conhecidas e, com base nisso, ir acrescentando novas, numa progressão, num contínuo. Expõe-se uma situação e, depois, em um movimento de progressão, outras novas informações. Para elucidação de novas in- formações, muitas vezes se faz necessário o movimento para trás, a retroação, como você já pôde observar algumas vezes nesta obra. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 99a linguística tExtual E a sala dE aula quatropontopontocinco IntertextualidadeIntertextualidade A intertextualidade, um dos grandes temas de estudo da linguís- tica textual, é um recurso que estabelece contato entre textos. IntertextualIntertextual significa exatamente isso: relação entre textos, a partir de repetições, menções, paráfrases, epígrafes, paródias, comentá- rios, sobreposições etc. Sua percepção está diretamente ligada ao conhecimento de mundo e exige uma bagagem cultural relativa- mente grande, pois é preciso identificar elementos de outros tex- tos, ou outros textos propriamente ditos, quando de sua ocorrência, sob pena de não conseguir captar ou entender a totalidade do sen- tido pretendido – porque de alguns textos só se percebe o sentido se conseguirmos contrapô-los com outros. Koch (1997, p. 46), citando Barthes, afirma que “todo texto é um intertexto; outros textos estão presentes nele, em níveis va- riáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis”. Nesse sentido, também temos Costa Val (2004, p. 116), citando Bakhtin, ao afir- mar que todo e qualquer texto representa apenas um elo na grande corrente de produções que se fazem presentes no dia a dia de uma sociedade. Segundo essa autora, “Cada texto retoma textos an- teriores, reafirmando uns e contestando outros e, utilizando sua ‘matéria-prima’, se inclui nessa cadeia verbal, pedindo resposta e se propondo como ‘matéria-prima’ para outros textos futuros”. Partindo dessa afirmação, podemos perceber que não existem textos totalmente originais, há sempre uma relação intertextual por trás, que nós percebemos ou não de acordo com nossa bagagem Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 100 rita do carmo polli da silva cultural e de acordo com a intenção do interlocutor. Daí temos que essa relação intertextual pode ser estabelecida basicamente de duas maneiras: explícita ou implicitamente. Intertextualidade explícitaIntertextualidade explícita Como o próprio nome sugere, a intertextualidade explícita ocorre de maneira visível, é quando o interlocutor cita a fonte de um texto de que está fazendo uso em sua produção. Há muitos exemplos dessa relação; esse texto que você está lendo é um, bem como todos os textos acadêmicos, os quais fazem uso de muitas citações em que ancoram suas palavras e/ou conclusões. Mas nossa literatura também está repleta deles. Entre tan- tos, podemos citar o genial Machado de Assis, que tanto fez uso desse artifício em sua obra. No romance Dom Casmurro, só para pontuar, ele cita Otelo e Macbeth para que o leitor possa analisar a história do personagem-narrador à luz da tragédia shakespereana. Você já leu a Canção do exíliode Gonçalves Dias? Esse pode ser ci- tado como mais um exemplo de intertextualidade explícita, pois o poema apresenta como epígrafe um trecho de Goethe, devida- mente identificado, relacionado ao assunto do poema. Intertextualidade implícitaIntertextualidade implícita Esse tipo de intertextualidade requer, de fato, uma bagagem cultu- ral bastante grande para que possamos acessar o texto-objeto do in- tertexto. Caso isso não ocorra, a intertextualidade não é percebida Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 101a linguística tExtual E a sala dE aula e, muitas vezes, a compreensão do texto fica comprometida ou em- pobrecida. Mesmo estando implícita, a intertextualidade pode ser mais ou menos evidente, sendo que algumas são muito sutis. Anteriormente foi citada a Canção do exílio, de Gonçalves Dias, que retomo aqui para apontar outros tantos exemplos de intertex- tualidade, dessa vez implícita, mais ou menos evidente, que exige pouco ou muito conhecimento do mundo literário. Pense nos se- guintes versos do Hino Nacional: Nossos bosques têm mais vida / Nossa vida, mais amores. Observe que eles estabelecem uma relação implícita de in- tertextualidade com o poema citado. Notem que são cópia fiel de dois do poema de Gonçalves Dias, mas não há na letra qual- quer indicação disso. O que se sabe é que foi escrito por Joaquim Osório Duque Estrada. E a colaboração de Gonçalves Dias? Por isso, o processo é considerado implícito: ao leitor que não conhece o poema do nosso poeta indianista, ele passa como se não existisse. Ainda sobre a Canção do exílio, entre outros poetas que a pa- rafrasearam, podemos citar Casimiro de Abreu e Murilo Mendes com seus poemas homônimos, Oswald de Andrade (Canto de re- gresso à pátria), Carlos Drummond de Andrade (Nova canção do exí- lio) e Mário Quintana (Uma canção), entre outros. Chico Buarque de Holanda e Taiguara, famosos compositores brasileiros, também não ficaram de fora nesse processo. O primeiro compôs Sabiá, letra que começa com os seguintes versos: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 102 rita do carmo polli da silva Vou voltar / Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar / Foi lá e ainda lá / Que eu hei de ouvir cantar / Um sabiá ... E o segundo: Terra das Palmeiras: Sonhada terra das palmeiras / Onde andará teu sabiá / Terá ferido alguma asa? / Terá parado de cantar? A intertextualidade nas letras das músicas fica invisível para os que não conhecem o texto objeto do intertexto. Outro exemplo bastante conhecido é o estabelecido entre a música Monte Castelo, do grupo Legião Urbana, o poema Soneto 11, de Luis Vaz de Camões, e I Coríntios 13. A letra da música começa com o capítulo bíblico e termina com o soneto, sem se referir a nenhum deles em especial. O próprio Soneto 11 apresenta intertextualidade com o texto bíblico. Vale a pena conferir. Nossa literatura, e também a literatura universal, está in- timamente ligada com o processo de intertextualização. Na se- quência, citaremos apenas alguns exemplos de uma lista que seria infindável: Ariano Suassuna e seu livro A pedra do reino, inspirado em um fato acontecido no século XIX, em São José do Belmonte, Pernambuco; José Lins do Rego, na obra Fogo morto, apresenta a lenda do lobisomem; Monteiro Lobato, em seu Sítio do Pica-pau Amarelo, que reviveu e recontou muitas histórias de nosso fol- clore através de tantos personagens. Você já ouviu ou leu as fra- ses “Navegar é preciso. Viver não é preciso”, de Fernando Pessoa? Pois também elas são intertextos da frase “Navigare necesse: vivere non est necesse”, escrita por Plutarco, como sendo proferida pelo Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 103a linguística tExtual E a sala dE aula general romano Pompeu em uma ocasião em que alguns marinhei- ros se recusavam, por medo, a viajar durante um período de guerra. Em se tratando da intertextualidade implícita, temos duas si- tuações: o produtor da intertextualidade pode desejar que o leitor/ ouvinte reconheça o processo ou não, depende das intenções por trás do uso do recurso. Antes de passarmos para outro item, é importante que se diga que a intertextualidadeintertextualidade está presente nos mais diversos segmentos, além da música e dos trechos bíblicos, já exemplificados: na pintura, no cinema, na publicidade impressa ou não, no jornalismo etc. e a par- tir dos mais diversos gêneros textuais como clichês, provérbios etc. quatropontopontoseis Fatores de contextualizaçãoFatores de contextualização São denominados fatores de contextualização aqueles que funcionam como uma espécie de âncora do texto em uma dada situação de co- municação e são, na maioria das vezes, decisivos para a sua inter- pretação. Marcuschi (1983) subdivide-os em dois tipos básicos: o primeiro seria o que ele denomina de contextualizadores propriamente ditos, que se referem, basicamente, no caso de documentos oficiais, à data, ao local, à assinatura e ao timbre e, no caso de textos jornalís- ticos e similares, à diagramação e à localização (na página ou em ca- dernos). O outro tipo recebe a nomenclatura de prospectivos, que são aqueles que possibilitam a formação de expectativas acerca do texto que está para ser lido. Funcionam como fatores de contextua lização Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 104 rita do carmo polli da silva prospectivos os títulos (que geralmente têm o objetivo de serem su- gestivos justamente por esse motivo), os autores (se conhecidos, polê- micos, românticos, trágicos, excêntricos etc.; que instigam, ou não, a leitura de seus escritos) e o início do texto (se for do agrado do leitor/ ouvinte, abre caminho para o todo do texto ou não). quatropontopontosete Consistência e relevânciaConsistência e relevância Tanto a consistência quanto a relevância foram abordadas como re- quisitos básicos para a construção dos sentidos por Giora, em 1985. Nessesentido a consistência exige que, para haver coerência interna em um texto, os enunciados devem trazer coerência entre si, bem como ao todo da obra, ou seja, não pode haver contradição entre as afirmações apresentadas em um mesmo texto: deve haver con- sistência, em outras palavras: deve haver nexo, relação, integração, conexão. O que não se verifica em enunciados que se contradizem. O outro requisito, a relevância, também se explica por si só: os enunciados devem ser importantes em um texto, não devem ser repetitivos e tudo que for acrescentado deve ser relevante para o contexto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 105a linguística tExtual E a sala dE aula quatropontopontooito FocalizaçãoFocalização O critério da focalização centra-se, foca-se, em apenas uma parte do conhecimento tanto de interlocutor como do leitor/ouvinte. Está diretamente ligado ao conhecimento de mundo individual e ao compartilhado. Segundo Koch (2004, p. 45), a focalização permite determinar [...] o significado, no texto, de pala- vras homônimas e polissêmicas, bem como o uso adequado de certos elementos linguísticos de valor dêitico [...]. A focalização é, ainda, res- ponsável pela escolha de descrições ou expressões nominais, na cons- trução/reconstrução de referentes textuais. quatropontopontonove Conhecimento compartilhadoConhecimento compartilhado Para que a construção de sentido pretendida seja de fato a constru- ção alcançada deve ser levado em conta, ou pelo menos se tentar considerar, o conhecimento de mundo que se imagina que o leitor/ ouvinte tenha. É preciso imaginar quais conhecimentos as partes compartilham para que se defina, previamente, o que precisa ser bem explanado em um texto, ou em uma fala, e o que é possível apenas citar, pois é de conhecimento de todos os envolvidos no pro- cesso textual. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 106 rita do carmo polli da silva À página e à obra citadas, Koch salienta que, se houver uma pressuposição errônea sobre o conhecimento partilhado, o processa- mento do texto por parte do interlocutor pode ser inadequado, o que acarretará mal-entendidos e poderá finalizar abortando a possibili- dade de construção da coerência. Indicação culturalIndicação cultural Esse não é, obviamente, o único livro que poderia ter sido sugerido como leitura para você, leitor, mas é o que deixo. É de leitura agra- dabilíssima a todas as idades, apesar de, aparentemente, ser ape- nas mais uma história infantil. Estou falando O fantástico mistério de feiurinha, de Pedro Bandeira. Toda a narrativa parte do princípio de que o leitor conhece na íntegra os contos de fadas: Branca de Neve, Cinderela, A Bela Adormecida, A Bela e a Fera, Rapunzel e Chapeuzinho Vermelho. Todas as protagonistas dos contos de fadas estão juntas nessa obra. A intenção do autor é contar o que acontece depois do famoso clichê “e viveram felizes para sempre” e, se o leitor não conhece as histórias das personagens, sequer entende muitas situações narra- das entre as princesas, como o fato de a Rapunzel, por exemplo, estar sempre com dor de cabeça (o príncipe, no caso gordo e barri- gudo, vive esquecendo as chaves do palácio e pedindo que ela jogue as tranças), a Bela estar preocupada com o fato de estarem reunidas em uma noite de lua cheia (teme que o príncipe vire lobisomem), ou o motivo de a Chapeuzinho estar gorda (pois vive comendo as guloseimas da cesta que carrega) e solteirona (Casar como? Em sua história não há príncipe). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 107a linguística tExtual E a sala dE aula SínteseSíntese O que vimos neste capítulo se relacionam na prática textual: é imprescindível para o locutor ter conhecimento ou, pelo menos, pensar em quais são os conhecimentos que o leitor/ouvinte tem. Cabe a ele decidir se compõe seu texto desta ou daquela maneira, dependendo da situação e da intenção. Muitos textos só fazem sentido dentro de uma determinada situação, muitos se tornam “pesados” por terem muitas informa- ções novas, ou enfadonhos por não se manterem focados em um determinado ponto ou assunto. Quem é o meu leitor/ouvinte? Qual é a minha intenção na pro- dução desse texto/fala? Qual é a aceitabilidade que essa produção terá de acordo com a maneira como estou compondo? E se fizer diferente? Mudará a aceitabilidade? Qual o grau de intertextualidade presente? Tentarei escondê-la ou a explicitarei? Que título ela terá? Essas são algumas perguntas que, sem dúvida, mesmo de maneira inconsciente, devemos tentar responder quando da produção de um texto (oral ou escrito), pois são questões responsáveis, junto com a coesão e a coerên- cia, vistas em capítulos anteriores, pela produção de sentido. Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . Sobre a situacionalidade, não é possívelnão é possível afirmar: a. a. Deve ser analisada partindo da situação para o texto ou do texto para a situação. b. b. Dependendo do momento político e da cultura, por exemplo, de- vemos evitar o uso de certos vocábulos, entre outras situações, pois poderemos ser mal interpretados. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 108 rita do carmo polli da silva c. c. A situação de produção define o grau de polidez, a variedade lin- guística e o tratamento que será dispensado ao assunto. d. d. A mediação entre o mundo real e o mundo construído pelo texto, mencionada por Koch (1997), possibilita que as interpretações pretendidas sejam sempre alcançadas. 2 . 2 . Analise as afirmações a seguir sobre intencionalidade e aceitabili- dade e assinale (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. Depois, marque a alternativa que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) As intenções por trás de cada texto devem sempre estar expostas de maneira bastante clara para não prejudicar o entendimento. ( ) ( ) A intenção principaldo interlocutor em seu texto, qualquer que seja ele, será a de manter a coerência acima de tudo. ( ) ( ) A aceitabilidade é um dos fatores que está intimamente ligado à bagagem cultural individual. ( ) ( ) Para se construir um texto com grandes chances de aceitabilidade geral, faz-se necessário que o elaboremos lançando mão de pala- vras rebuscadas. ( ) ( ) A aceitabilidade está ligada às expectativas do leitor/ouvinte. ( ) ( ) Não existe texto totalmente rejeitado, a aceitabilidade varia de pessoa para pessoa: o que pode ser absurdo para um não o é para outros tantos, ou vice-versa. a. a. F, F, F, V, V, F. b. b. V, F, V, F, V, F. c. c. F, F, V, F, V, V. d. d. V, V, F, F, V, F. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 109a linguística tExtual E a sala dE aula 3 . 3 . Analise as afirmações a seguir e assinale a correta: a. a. Quando vamos escrever para adolescentes, devemos fazer uso de um vocabulário bastante culto para que eles já vão aprendendo a maneira correta de escrever. b. b. Um texto com bom nível de informatividade precisa estar anco- rado em informações já conhecidas e, gradativamente, ir apresen- tando novas. c. c. Para o bom entendimento de um texto, é importante que as infor- mações sejam sempre apresentadas em um contínuo, sempre para frente, na direção do final. d. d. A informatividade é um dos grandes temas de estudo da linguís- tica textual nos dias atuais, seguida pela intertextualidade. 4 . 4 . Leia as afirmações a seguir e assinale a que não corresponde ao que vimos no capítulo: a. a. Não existem textos completamente originais, pois todo texto se relaciona, de um modo ou de outro, com outros já existentes. b. b. A intertextualidade pode se dar de duas maneiras: implícita e explicitamente. c. c. A intertextualidade é um recurso utilizado como construtor de sentido apenas na área da literatura, pois envolve textos de diver- sos autores. d. d. Há interpretações que ficam empobrecidas devido à pequena ba- gagem cultural do leitor/ouvinte, que não consegue perceber as relações intertextuais necessárias para esse fim. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 110 rita do carmo polli da silva 5 . 5 . Com relação ao que vimos neste capítulo, assinale (V) para verda- deiro e (F) para falso. Depois, assinale a sentença que apresenta a sequência correta: ( ) ( ) O recurso denominado fator de contextualização considera impor- tante o título que as produções recebem, bem como o autor, por estes serem considerados espécies de âncoras do texto em uma de- terminada situação de comunicaçãosituação de comunicação. ( ) ( ) A consistênciaconsistência é um dos requisitos básicos para a construção dos sentidos, pois exige que haja coerência interna, ou seja, para haver consistência não pode haver contradição. ( ) ( ) Também importante para a construção dos sentidos é a relevânciarelevância que orienta no seguinte sentido: tudo o que for acrescentado ao texto deve integrar o mesmo assunto e, inclusive, ser relevante para o contexto. ( ) ( ) A focalização possibilita que eu interprete uma palavra a partir de um de seus significados, e não de outros devido ao contexto. ( ) ( ) O conhecimento compartilhado é relevante no sentido de que se não nos preocuparmos com o provável grau de conhecimento de nosso leitor/ouvinte corremos o risco de não sermos entendidos a. a. F, F, V, V, V. b. b. F, V, V, V, V. c. c. V, F, F, V, V. d. d. V, V, V, V, V. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 111a linguística tExtual E a sala dE aula Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questão para reflexãoQuestão para reflexão Leia o texto a seguir. De difícil entendimentoDe difícil entendimento O garçom pergunta ao cliente que entra no café: — E o senhor, toma o quê? — Tomo algumas vitaminas pela manhã, analgésicos contra minha dor nas costas e, no final de semana, um chope com amigos. —O senhor não me entendeu, o que eu quis perguntar é o que o senhor gos-ta-ria... — Ah, agora entendi! Eu adoraria ser milionário, possuir casas na praia, no campo, na cidade, rodar o mundo, não tra- balhar mais.... — O que eu desejo saber, de fato, é o que o senhor vai beber ou comer, ou beber e comer, aqui, neste estabelecimento! — Diz o garçom com certa irritação na voz. — Ah, então agora sim... eu entendi! O que é que você tem? — Eu? Nada não senhor, estou apenas um pouco chateado por- que ganho pouco, minha mulher foi embora e acabei sozinho... Agora, responda às questões a seguir: a. a. Qual é a intenção do garçom ao pronunciar de maneira soletrada a palavra gostaria? b. b. Qual é a intenção do garçom quando falou sua última resposta? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 112 rita do carmo polli da silva Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática 1 . 1 . Aponte o intertexto de cada trecho a seguir: A) Oh! Que saudade que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra Da rua São Antônio Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais! [...] Fonte: Andrade, 1971. B ) Vou-me embora de Pasárgada Sou inimigo do Rei Não tenho nada que eu quero Não tenho e nunca terei Vou-me embora de Pasárgada Aqui eu não sou feliz A existência é tão dura [...] Fonte: Fernandes, 1997. 2 . 2 . No capítulo foram citados os textos I Corintios 13, Soneto 11 e Monte castelo. Pesquise-os e aponte o tipo de intertextualidade presente, justificando sua resposta. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s auto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. um um um pouco de históriaum pouco de história dois dois coerência textualcoerência textual três três coesão textualcoesão textual quatro quatro demais requisitos para a construção da textualidadedemais requisitos para a construção da textualidade # # cinco gêneros textuais seis seis a linguística textual e a sala de aulaa linguística textual e a sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Toda palavra serve de expressão de um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte entre mim e os outros. Se ela se apóia sobre mim numa extremidade, na outra apóia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor. (Bakhtin, 2004) ¶ ¶ v i m o s a t é a q u i v i m o s a t é a q u i alguns requisitos para a construção da tex- tualidade. Neste capítulo, veremos os gêneros do discurso e a im- portância que eles têm no sentido de colaborar com essa mesma construção de sentidos que estamos vendo. Os gêneros estão em nosso dia a dia, fazem parte de nossa vida, de nossa fala, de nossa comunicação, oral ou escrita etc. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 116 rita do carmo polli da silva cincopontopontoum A comunicaçãoA comunicação Segundo Halliday e Hasan (1976), aprender uma língua é desen- volver-se na direção de tornar-se competente na utilização do nú- mero, cada vez maior, de funções da linguagem. Há autores que propõem que se leia, em vez de um número cada vez maior de fun- ções da linguagem, um número cada vez maior de gêneros textuais. Com essa habilidade o falante/ouvinte deve não só saber produzir os mais diferentes gêneros como também compreendê-los. Assim sendo, poderíamos dizer que a comunicação humana só é possível via algum gênero textual. Já pensou nisso? Quando con- versamos com nossos amigos não o fazemos da mesma maneira que conversamos com nosso patrão ou subordinados. Também nos prepa- ramos de forma diferente para ir ao supermercado do que a um con- gresso. Fomos orientados (e orientamos nossas crianças) a tratar as pessoas mais velhas de maneira sempre respeitosa etc. Resumindo: os gêneros são apreendidos no decorrer de nossa vida, pois todos, e cada um de nós, somos membros de comunidades de fala, de escrita e de comportamentos. Podemos observar que os gêneros orais são adquiridos quase que naturalmente, enquanto os escritos serão adquiridos de forma mais lenta e artificial, através da instrução formal. Dessa forma, temos que os gêneros são muitos. Estão entendidos nessa categoria todos os tipos de textos, literários ou não. Cada um deles é identificado por suas características funcionais e pelos contextos de uso. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental (Brasil, 1998, p. 21) já salientavam bem essas particularidades: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 117a linguística tExtual E a sala dE aula Todo texto se organiza dentro de determinado gênero em função das intenções comunicativas, como parte das condições de produção dos dis- cursos, as quais geram usos sociais que os determinam. Os gêneros são, portanto, determinados historicamente, constituindo formas relativa- mente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura. [...] A noção de gênero refere-se, assim, a famílias de textos que compartilham caracte- rísticas comuns, embora heterogêneas, como visão geral da ação à qual o texto se articula, tipo de suporte comunicativo, extensão, grau de litera- riedade, por exemplo, existindo em número quase ilimitado. Se os textos são organizados sempre dentro de um determi- nado gênero, devemos ter em mente a relação entre eles e a pro- dução de sentidos. Desse modo, é importante observar que deve existir uma coerência estilística em que o falante/ouvinte adapte o seu texto ao tipo ou gênero textual que está produzindo, ade- quando vocabulário, estruturas, frases etc. Como vimos, desde o nosso cumprimento mais simples, o que se dá entre nossos familia- res todas as manhãs, até uma tese de doutorado, tudo é regido por regras específicas que não devem ser esquecidas, sob pena de pro- duzirmos uma interpretação e até uma aceitação muito diferente da que pretendíamos para o nosso texto. A produção eficaz de sentidos, como já vimos, depende de uma série de fatores, de um conjunto que se soma para produzir o efeito desejado. Cada gênero textual possui características que os diferenciam ou os aproximam dos demais. Quando erramos o gênero, podemos produzir um resultado inesperado. Pense um pouco: não há assuntos que não devem ser tratados por telefone, ou mesmo por carta ou e-mail? Não há assuntos que exigem alguns Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 118 rita do carmo polli da silva gêneros mais do que outros? Imaginemos um patrão que tenha a triste tarefa de demitir um funcionário. Ele deve fazê-lo mediante um bilhete, deixado sobre a mesa desse funcionário para que ele leia assim que chegar ao trabalho? Em um casamento ou um noi- vado, é de bom tom que se peça o rompimento por telefone, carta, bilhete, e-mail, scraps etc?* Então, parece que há algo já internali-zado nos falantes/ouvintes sobre os gêneros textuais. cincopontopontodois De lá para cáDe lá para cá Como vimos, os gêneros textuais são fenômenos históricos. Grosso modo, podemos dizer que há três fases em sua delimitação temporal: 11aa em período anterior à escrita, povos que faziam uso exclu- sivamente da oralidade já tinham um conjunto limitado de gêneros que distinguiam suas interações, como nós também temos e acabamos de ver; 22a.a. com o surgimento da escrita, o número dos gêneros conheci- dos se multiplicou, passando a existir os típicos da escrita; 33aa. . no século XV, houve o início de uma intensa ampliação des- ses gêneros com a explosão da imprensa e, mais tarde, com a era da industrialização. * O humor faz uso, muitas vezes, do uso de um gênero para tratar de um assunto que pediria outro gênero textual. O humor estaria, nesses casos, nessa troca. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 119a linguística tExtual E a sala dE aula É possível que hoje estejamos vivenciando o surgimento de uma quarta delimitação, pois, na chamada era digital, com os meios eletrônicos de que dispomos (televisão, rádio, celulares, internet, mp3, 4, 5 etc.), presenciamos uma nova explosão dos gêneros tex- tuais, quer sejam orais ou escritos. Apesar de tudo que vivenciamos no presente momento his- tórico, precisamos ter bem claro que não são necessariamente as novas tecnologias, ou os novos meios de comunicação, que originam novos gêneros, e sim a intensidade de uso delas. Também é preciso que se saliente que os ditos “gêneros novos” não o são em sua essên- cia. Eles são adaptações e readaptações (reaproveitamentos) do que já existia. Pensemos no e-mail, por exemplo, que é descendente do bilhete e das cartas (comerciais ou não). Ele não coincide com ne- nhum dos dois e traz características de ambos. Da mesma maneira ocorre com a fala telefônica, que tem suas semelhanças com a fala face a face, sem deixar de ter suas especificidades. A seguir, retor- naremos a esse assunto. Diante de tantos gêneros emergentes, precisamos salientar que a antiga dicotomia oral/escrito acaba por ser uma divisão muito mais complicada de ser estabelecida. A linha que antigamente pa- recia separar tão claramente os gêneros pertencentes à oralidade dos pertencentes à escrita hoje é muito tênue. Os gêneros se con- fundem, mesclam-se em suas características, de modo que a antiga dicotomia não é mais verdadeira. Além disso, os gêneros emergen- tes, trazidos com as novas tecnologias, permitem uma mistura de elementos semióticos: em um texto escrito, eu posso agregar ima- gens, sons e efeitos especiais, o que outrora era impossível. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 120 rita do carmo polli da silva Segundo Marcuschi (2002), a linguagem dos novos gêneros está bastante diversificada, ao que ele lembra que os gêneros textuais se caracterizam pelo seu aspecto sociocomunicativo e funcional, e não exatamente pelos aspectos formal, estrutural ou linguístico. Apesar de a forma ser de extrema importância, ela não é primor- dial nos gêneros textuais, mas, em determinados casos, é exata- mente ela que define o tipo de gênero de que se está tratando. Além da forma, suportes diferentes podem nominar de maneiras dis- tintas o mesmo texto. Imaginemos, como cita o autor, um texto científico publicado em uma revista específica e o mesmo texto pu- blicado em um jornal de uma cidade qualquer. No primeiro caso, o texto seria classificado como artigo científicoartigo científico e no outro como artigo de divulgação científicaartigo de divulgação científica. Qual é a diferença? Teoricamente há diferenças bastante relevantes entre os dois, principalmente para os cientistas, pois um trabalho divulgado em uma revista da área tem um valor e o publicado em um jornal local tem outro, hierarqui- camente falando. Vejam, temos o mesmo texto e classificações dife- rentes devido ao meio de divulgação ou, em outras palavras, devido ao suporte. Se isso ocorre, podemos perceber que a determinação e/ou identificação de um gênero apenas analisando a predominância em relação à forma ou à função é bastante delicada e suscetível de erros de interpretação. Antes de tudo, tendo em vista o que acabamos de ver e, para dirimir quaisquer dúvidas que ainda existam, preci- samos tentar traçar uma diferenciação entre tipostipos e gêneros texgêneros tex-- tuaistuais. Eles não são sinônimos, consequentemente, não podem ser usados um pelo outro. O primeiro é algo previamente definido, le- vando em consideração a natureza linguística de sua composição. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 121a linguística tExtual E a sala dE aula O segundo, em número bem maior, apresenta características quase sempre definidas por seus conteúdos. Nos próximos itens, vamos explorá-los um pouco mais. cincopontopontotrês Os tipos textuaisOs tipos textuais Os tipos textuais são aqueles que foram apresentados para os estu- dantes por muito tempo como as únicas formas que os textos pode- riam ter. Hoje em dia, apesar de tudo o que se fala sobre gêneros do discurso, ainda há muitos manuais didáticos que os abordam dessa maneira. Isso quer dizer que há, ainda, livros didáticos e professo- res que entendem que existem apenas textos narrativos, descritivos e dissertativos. Tipo textual, segundo Marcuschi (2002, p. 22), é uma se- quên cia teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição e inclui justamente as categorias conhecidas de longa data: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. Para classificar um texto a partir da tipologia textual, é necessário per- ceber a predominância de um tipo textual no texto: se o que se tem é majoritariamente narrativo, ele será classificado como narrativo; se o que predomina é a descrição, será descritivo; se é a dissertação, dissertativo; e assim por diante. O conjunto de tipos é limitado e não tende a aumentar, tendência contrária do que ocorre nos gêne- ros textuais. Portanto, para o autor, tipos e gêneros textuais se diferen- ciam por suas funções, como, por exemplo, a carta, que tem uma Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia autor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 122 rita do carmo polli da silva função social e discursiva definida, e assim é classificada sempre como gênero. O autor salienta que um gênero textual pode conter, em sua estrutura, trechos de tipos textuais diversos. Continuemos com o exemplo da carta, mais especificamente, tratemos de carta pessoal, ela poderá apresentar segmentos descritivos, narrativos, injuntivos etc. Vejamos como ficaria isso a partir de um fragmento de uma carta qualquer: Curitiba, 21 de maio de 2008 Oi, querida amiga, Estou com saudades. Há dias estou estudando para um concurso que tem prova marcada para o final do mês. Não saio mais do meu quarto, só para comer e olhe lá... Meus dias estão assim: tomo café, estudo, almoço, estudo, lancho, estudo, janto, estudo...durmo e começo tudo de novo. Na semana passada retrasada fui fazer uma prova simulada. Foi muito interessante, encon- trei muitos amigos antigos que não via há algum tempo. Todos querem o mesmo que eu: passar na prova. Parece que não vai ser nada fácil. [...] Trecho descritivo Trecho narrativo Trecho injuntivo Trecho descritivo Como a carta, outros gêneros textuais nos permitem identifi- car tipos textuais distintos: romances, piadas, contos etc. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 123a linguística tExtual E a sala dE aula cincopontopontoquatro Gêneros textuaisGêneros textuais Você já reparou como, por exemplo, os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) são todos construídos a partir de uma mesma estrutura? Como as receitas culinárias ou os anúncios publicitá- rios se parecem entre si? Isso é explicado pelas características so- ciocomunicativas. Cada um deles tem uma função na sociedade e, para alcançarem seus objetivos, devem seguir a estrutura e o estilo pertinentes a cada um deles. A maioria dos gêneros, portanto, tem sua forma e função previamente definidas, com estilos e conteúdos característicos. Para nos localizarmos teoricamente, vejamos como são defi- nidos por Bakhtin e Bronckart. Para Bakhtin (1994, p. 274): Os gêneros constituem formas relativamente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura, caracterizados por três elementos: conteúdo temático, estilo e construção composicional. As intenções comunicati- vas, como parte das condições de produção dos discursos, geram usos sociais que determinam os gêneros que darão forma aos textos. Já Bronckart (2003) define gênero como unidades de produ- ção verbal (oral ou escrita), que têm por objetivo transmitir uma informação linguisticamente organizada e causa um efeito de coe- rência no destinatário. Temos então que os gêneros textuais trazem características sociocomunicativas e constituem textos empiricamente produzidos, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 124 rita do carmo polli da silva objetivando cumprir determinadas funções em circunstâncias de comunicação, com conteúdos, estilo e características funcionais próprios, tais como: cartas (comerciais e pessoais), telefonemas (co- mercial e pessoais), bilhetes, todo e qualquer tipo de reportagem, aulas, reuniões (administrativa, de condomínio, de sindicato, de con- sórcio etc.), notícias, receitas, bulas, horóscopo, lista (de compras, de lojas, de objetos, de convidados etc.), textos instrutivos, resenha, edi- tais (de concurso, de convocação etc.), piadas, conversa espontânea, e-mail, msn, blogs, Orkut, videoconferência, teleaula etc. Como é possível perceber, os gêneros são em número muito maior que os tipos textuais; são dinâmicos e se mostram em um número demasiadamente grande, o que torna impossível sua con- tagem. Devido a suas características sociocomunicativas e suas flexibilidades, além da contagem, a classificação torna-se também bastante difícil. As nomeações dos diferentes gêneros, em princípio, seguem alguns critérios, como, por exemplo: • • gêneros de transmissão: telefonemas, e-mail, chats, telegramas, telegramas fonados etc.; • • gêneros de conteúdo: lista de compras, de convidados, de itens em geral etc.; • • gêneros de propósito comunicativo: erratas, endereçamentos etc. Mas critérios desse tipo não resolvem os problemas na to- talidade, haja vista que os gêneros, como os tipos textuais, mistu- ram-se. É muito comum que eles apareçam mesclados, como, por exemplo, uma publicidade em formato de receita culinária ou de bula de remédio, um recado ou uma carta em forma de poema etc. Marcuschi (2002) nomeia essa possibilidade de intergenericidade. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 125a linguística tExtual E a sala dE aula Em outras palavras, intergenericidade é a ideia de um gênero tex- tual aparecer com o formato de outro, enquanto heterogeneidade tipológica, vista anteriormente, é a possibilidade de um gênero apresentar trechos de tipos textuais diferenciados, como o exemplo da carta em forma de poema. Devido a essa realidade, isso não é mais objeto de estudo ou preocupações para os estudiosos da área. Para eles, não importa quantos e quais são os gêneros, e sim as constituições específicas e meios de circulação deles na sociedade linguística. Por outro lado, bastante interessante também é a análise dos suportes dos gêneros textuais, pois não são neutros, conforme vimos no caso do artigo científico. cincopontopontocinco SuporteSuporte Muito se discute atualmente sobre os limites do suporte, inclusive sobre a definição do que seria exatamente um suporte quando o assunto é gênero textual. Para os limites deste livro, vamos en- tender que jornal, embalagem, revista, livro, blogs, chats, e-mails são exemplos de suporte e assumi-lo como sendo o local onde o gênero está colocado, o que torna possível a visualização do texto. Marcuschi ([200-], p. 14) parte do princípio de que o su- porte, aquilo que possibilita que tenhamos acesso aos gêneros, não é neutro, ele interfere no gênero quando um cruzamento entre ele e o texto pode fazer com que definamos um mesmo texto como pertencente a gêneros diferentes devido ao tipo de suporte que o Ne nh um a p arte de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 126 rita do carmo polli da silva contém. Pensemos na seguinte frase: “João, estive em sua casa e não te encontrei. Ligue assim que puder”. Se esse texto estiver na caixa de mensagem do celular de João, será um recado eletrônico. Caso esteja escrito em um pedaço de papel e colado em um local de fácil acesso ao João, será um bilhete. O texto é exatamente o mesmo, o que o faz ser classificado de formas distintas é o suporte. Este não pode, sob hipótese alguma, ser confundido com qualquer outro elemento que possa estar envolvido na construção do sentido do texto, como o contexto, por exemplo. Partindo da definição que aqui se tem, podemos dizer, a prin- cípio, que toda superfície pode ser admitida como suporte, mas exis- tem basicamente dois tipos deles: o convencional convencional e o incidentalincidental, cada um com suas especificidades, como podemos ver nas seções a seguir. Suportes convencionaisSuportes convencionais São chamados de convencionais os suportes tidos como tipicamente feitos ou construídos para apresentarem textos. Para exemplificar, podemos citar os seguintes: • • Livros:Livros: possuem formatos previamente definidos e atuam como suporte de um único gênero de cada vez ou de vários, de- pendendo do caso. Há vários gêneros que podem ser contem- plados em um livro, como, por exemplo, poemas, romances, contos, crônicas, fábulas, piadas, provérbios, pensamentos, receitas, instruções, horóscopos, discursos políticos, sermões etc. Há ainda o caso do livro didático, que traz muitos gêne- ros em seu interior, além dos já citados, temos ainda as expli- cações teóricas e os exercícios escolares, por exemplo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 127a linguística tExtual E a sala dE aula • • Revistas:Revistas: podem ter um cunho científico, com boletins e anais, ou não. As não científicas apresentam periodicidades variadas, geralmente entre semanal, quinzenal ou mensal e possuem um grande exemplário. Grosso modo, podemos dizer que alguns gêneros apresentados em algumas dessas re- vistas são os mesmos que constam no suporte jornal, como o horóscopo, os classificados, os recados do coração, as repor- tagens etc. Já nas revistas científicas circulam gêneros como resenhas, artigos e comunicações científicas, bibliografias, si- nopses etc. Este último tipo de revista usufrui de prestígio e status quo, que fazem com que os textos por ela veiculados se difiram de outros, mesmo muito similares, mas divulga- dos em outro suporte como, por exemplo, o jornal, como já exemplificado. • • Encartes:Encartes: esse suporte depende de outro para existir, está sempre agregado a outro, como um jornal ou uma revista, e abriga gêneros distintos, tais como publicidades, avisos, en- dereços, erratas, cupons etc. • • Faixas:Faixas: são muito usadas em festividades, privativas ou pú- blicas. Normalmente, abrigam apenas um gênero de cada vez, mas nada impede que coloquemos em uma faixa um tre- cho de poesia, uma mensagem de amor, um recado, um aviso ou até uma ameaça, não é mesmo? • • Quadro de avisos:Quadro de avisos: suporte bastante versátil, podendo acolher, inclusive, outros suportes, como jornais inteiros, revistas, en- cartes etc. Normalmente, é utilizado para textos de pequena Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 128 rita do carmo polli da silva extensão, que permitem leitura rápida. Sua versatilidade es- tende-se pela multiplicidade de gêneros que aceita: resumos, artigos, receitas, recados, bilhetes, avisos, classificados, placas, poemas, ditados populares, provérbios, contos, piadas, recortes de jornais apresentando notícias, notas de falecimentos, de ani- versário, horóscopo, reportagens, editoriais etc. Esses cinco itens não extenuam os suportes convencionais, são apenas exemplos. O outdooroutdoor, a televisãotelevisão, o rádio rádio e o telefone telefone ainda hoje representam um ponto de discussão entre os teóricos do assunto. Marcuschi ([200-], p. 14), por exemplo, já definiu outdoor, por exem- plo, como gênero, e agora o assume como suporte, que pode, inclu- sive, aceitar mais de um gênero. Para alguns, a televisão, o rádio e o telefone são meios de comunicação ou apenas serviços. Dessa forma, poderíamos incluir aí também a internet, que pode ser vista, antes de um suporte, como um meio ou mesmo um serviço. O fato é que, nesses casos, existem a televisão e o rádio, a telefonia e a internet como geradoras ou provedoras dos aparelhos, que são os transmissores. A discussão ainda não chegou a um consenso, mas podemos entender a televisão e o rádio como suportes de gêneros específicos. Uma ad- mite imagens, o outro, apenas textos orais. Particularidades à parte, pensemos no gênero notícia. O mesmo acontecimento terá textos di- ferentes em suportes diferentes (se os admitirmos como tal), como televisão, rádio, jornal e revista semanal. Na televisão, na revista e no jornal, a imagem substitui, de certa forma, um texto, diálogo, ou até uma explicação. No rádio, não há esse recurso. Mesmo sem nos estendermos, acreditamos que foi possível entender o que são considerados suportes convencionais. Vejamos na sequência, os incidentais. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 129a linguística tExtual E a sala dE aula Suportes incidentaisSuportes incidentais Também chamados de ocasionais, os suportes incidentais são aque- les que aparecem no dia a dia e são usados dependendo da necessi- dade. O que os difere dos convencionais é exatamente o fato de eles não terem sidos criados para suportar ou receber textos, mas são adaptados para esse fim. Pense em algum local não convencional em que você escreveria um texto, um recado, um aviso, um nome etc. Pensou? Entre as possibilidades pensadas, provavelmente há muros, paredes (internas ou externas, de lugares públicos ou privados), portas (principalmente de banheiros), paradade ônibus, metrô, ja- nelas dos meios de transportes de modo geral, mas não só as jane- las, não é mesmo? O veículo todo, muitas vezes. Já viu em algum carro um recadinho do tipo “Lave-me, por favor!! ”? Nem o suporte é convencional nem o meio de inscrição, que não é a caneta, o lápis ou o pincel, e, sim, os dedos. As possibilidades aí não têm limites. Existem textos nas cal- çadas, nos bancos das praças, em vasos de flores, em portões e até no ar. Já viram quão hábeis são as manobras da Esquadrilha da Fumaça, cujos aviões escrevem no céu? E pessoas com dizeres escri- tos em seus rostos, braços, costas? O corpo humano também pode ser um suporte incidental, já que seu propósito inicial não foi este: o de receber escritos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 130 rita do carmo polli da silva cincopontopontoseis Os gêneros textuais Os gêneros textuais e a era da computaçãoe a era da computação O estudo dos gêneros textuais vem da década de 1960, junto com o interesse pela linguística textual, todavia estudos sobre os gêneros advindos com a mídia eletrônica são recentes e escassos. De início, devemos deixar claro que as interações existentes na internet per- tencem ao gênero escrito, se elas representam ou tentam represen- tar a fala não importa, o fato é que, naquele local, materializam-se como escritos e é nesse formato que se apresentam. As interações na rede (internet) constituem uma escrita peculiar. Se acontece entre os adolescentes, geralmente são in- formais, menos ou não monitoradas, e tendem a priorizar a veloci- dade da escrita, o que a deixa cheia de códigos, dos quais devemos nos assenhorar se desejamos tomar parte nessa nova maneira de comunicação. Alguns dos gêneros mais utilizados são, entre outros: • • o e-mail (electronic mail): correio eletrônico que já possui for- mas de produção especificadas, aceita a informalidade e a formalidade textual, o que geralmente é definido segundo a relação entre quem envia e quem recebe; • • os scraps: recados enviados e/ou recebidos por meio do Orkut. Possui forma e estilo de produção específicos – extremamente informais, sempre; Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 131a linguística tExtual E a sala dE aula • • o chat: meio de interação que interliga um número ilimitado de pessoas ao mesmo tempo (existem também os chats priva- dos, agendados e os reservados, que são formas mais flexíveis quanto às variedades linguísticas, podendo apresentar as par- ticularidades do internetês e a escrita formal, por exemplo); • • a home page: endereço eletrônico, pessoal ou não; aceita textos formais e informais, em todos os níveis; • • weblogs e blogs: espécie de diários virtuais, são muito utilizados por adolescentes; podem apresentar agendas, anotações etc. – geralmente muito informais; • • videoconferência: similar à interação face a face, mas via in- ternet – geralmente formais. A interação de massa a partir da internet acabou por gerar, entre muitos dos usuários da rede, uma linguagem cuja escrita foge ao convencional de qualquer língua específica: o internetêsinternetês. Esse termo é um neologismo que se reporta exatamente à mensagem utilizada no meio virtual. Nessa linguagem, a paragrafação, a pon- tuação e a acentuação não coincidem com a estabelecida na língua, e as palavras sofrem mutações, que buscam suprimir ou acrescentar letras à ortografia convencional. As concordâncias nominais e ver- bais parecem que deixaram de existir e, quase na maioria das vezes, são banidas da escrita. Além da escrita particularizada, há ainda codificações que são universais como, por exemplo, os emoticons ou smiles, que são símbolos que expressam a emoção da pessoa que está fazendo uso desse meio de comunicação. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 132 rita do carmo polli da silva As risadas estão representadas por onomatopeias normais e algumas bastante anormais, como “hehehe”, “rsrsrsrsrs”, “kkkkkk” etc. Muitos estudiosos apresentam opiniões diferentes sobre os efeitos do internetês no aprendizado dos estudantes. Talvez ainda seja muito cedo para falar em consequência, mas o que deve ser lembrado é que, há algum tempo, as escolas tinham como função, entre outras, ensi- nar como se escrevia um telegrama, com as suas muitas particulari- dades, muitas abreviações e um formato predefinido*. Salvo grande engano, não acreditamos que o fato de precisar aprender a escrever abreviado tenha estragado o aprendizado dos alunos. Talvez alguém contraponha afirmando que a frequência com que escrevíamos tele- gramas (se alguém precisou, um dia, enviar um) era infinitamente menor do que a utilização que os jovens de hoje fazem dessa escrita na internet. Isso é verdade. Sendo assim, cabe ao profissional da edu- cação, que também está inserido nesse mundo informatizado, mos- trar a seus alunos que eles não devem utilizar a grafia da internet (o internetês) em outras situações. Ela é válida lá, naquele meio, fora dele, não. Cada profissional, principalmente o professor de língua portuguesa, deve deixar isso bem claro. Errada ela não é, mas lá, na internet, com quem a entende. SínteseSíntese Devemos ter bem claro que tipos e gêneros textuais são assuntos diferentes. Um com um número limitado, e outro, ilimitado. Por * Utilizamos verbos no passado por entender que esse suporte não é mais tão utilizado hoje em dia, na era do e-mail. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 133a linguística tExtual E a sala dE aula essa peculiaridade, este último é hoje uma das grandes ocupações da linguística textual, que atualmente está centrada no estudo dele. Entre os estudos, um dos mais latentes é a localização dos gêneros entre a oralidade e a escrita. Os gêneros da oralidade, es- pecificamente, no momento não estão sendo muitos explorados por estudos, nem se estabeleceu com precisão a linha quedivide o que pertence à oralidade e o que pertence à escrita, admitindo-se que ela exista. Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . Gêneros e tipos textuais se diferem por: a. a. fazerem referência a textos curtos e longos, respectivamente. b. b. pertencerem a fases diferentes da evolução da linguística textual. c. c. questões pessoais, haja vista que alguns pesquisadores preferem uma, enquanto outros, a outra. d. d. possuírem conjuntos em números diferenciados; o primeiro é ili- mitado, e o segundo, limitado. 2 . 2 . Assinale a afirmação correta: a. a. Os gêneros orais são adquiridos naturalmente, enquanto os da es- crita apenas o são via escola. b. b. Cada gênero textual possui uma característica bem específica que o define e o difere dos demais. c. c. Antes da existência da escrita, existiam gêneros distintos, mesmo tratando-se apenas de oralidade. d. d. Todo tipo de assunto pode ser apresentado a partir de qualquer gênero textual. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 134 rita do carmo polli da silva 3 . 3 . Analise as afirmações a seguir assinalando (V) para as que forem verdadeiras e (F) para as falsas. Depois, marque a alternativa que traz o conjunto de respostas na ordem correta: ( ) ( ) Revistas, encartes e jornais são exemplos de suportes textuais con- vencionais. ( ) ( ) As faixas são suportes que aceitam textos de gêneros diferenciados ao mesmo tempo. ( ) ( ) Suportes incidentais são aqueles que aceitam textos, mas não fo- ram construídos para esse fim. ( ) ( ) Incidental e ocasional são nomenclaturas diferentes que designam o mesmo tipo de suporte. ( ) ( ) Quadro de avisos é um exemplo de suporte incidental bastante versátil, pois aceita variados tipos de gêneros textuais. ( ) ( ) O tipo de suporte não interfere no gênero textual nele inserido; ele é, portanto, neutro. a. a. V, F, V, V, V, F. b. b. F, F, V, V, V, F. c. c. V, F, V, V, V, V. d. d. V, F, F, F, V, F. 4 . 4 . Analise as afirmações a seguir e assinale a que não corresponde ao que vimos neste capítulo: a. a. O suporte não deve ser confundido com o contexto ou com qual- quer outro elemento que possa estar envolvido na construção do sentido do texto. b. b. Existem alguns critérios previamente estabelecidos para nomear os gêneros textuais. Eles servem para dividi-los, por exemplo, em gêneros de transmissão, gêneros de conteúdos, entre outros, o que facilita os estudos sobre eles. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 135a linguística tExtual E a sala dE aula c. c. A internet, rede mundial de computadores, aceita todos os tipos de textos, dos extremamente formais, como teses e artigos cientí- ficos, aos muito informais e escritos em uma linguagem bastante particular, como os scraps, por exemplo. d. d. O internetês é uma variedade da língua tão boa quanto qualquer outra. O que o profissional de educação, em especial o de língua portuguesa, deve fazer é orientar os alunos no sentido de que não façam uso dela em textos nos quais ela pode não ser entendida ou aceita, ou, melhor ainda, que a utilizem somente no meio para o qual ela foi criada. 5 . 5 . Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Depois, marque a opção que apresenta as respostas na ordem correta: ( ) ( ) Scraps, e-mail, vídeo-conferência, blogs e chats são exemplos de gêneros textuais mais recentes, vindos com a era da informática. ( ) ( ) Estudos recentes têm mostrado que o uso excessivo do interne- tês prejudica a alfabetização e a aquisição da escrita dos jovens estudantes. ( ) ( ) A grande maioria dos gêneros textuais tem sua forma e função pre- viamente definidos, com estilos e conteúdos característicos, mas isso não se aplica a todos. ( ) ( ) Alguns gêneros textuais possuem a propriedade de poder apresen- tar trechos de diferentes tipos textuais. ( ) ( ) Os gêneros textuais possuem características sociocomunicativas e são textos produzidos com o objetivo de cumprir determinadas funções na comunicação, com conteúdos, estilo e características funcionais próprios. a. a. V, F, V, V, V. b. b. V, F, V, V, V. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 136 rita do carmo polli da silva c. c. V, F, V, F, V. d. d. F, F, V, V, V. Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão 1 . 1 . Leia criticamente o trecho a seguir. Análise-o e, a seguir, escreva algumas linhas sobre ele. Aprendemos a moldar nossa fala pelas formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos logo, desde as primeiras palavras, descobrir seu gênero, adivinhar seu volume, a estrutura composicional usada, pre- ver o final. Em outras palavras, desde o início somos sensíveis ao todo discursivo [...] Se os gêneros de discurso não existissem e se não tivésse- mos o domínio deles e fôssemos obrigados a inventá-los a cada vez no processo da fala, se fôssemos obrigados a construir cada um de nossos enunciados, a troca verbal seria impossível. (Bakhtin, 1994, p. 2) 2 . 2 . A partir do que vimos sobre gênero e suporte, pense em um outdoor. Você o considera gênero ou suporte? Por quê? Atividade aplicada: práticaAtividade aplicada: prática Foi solicitado a alunos da educação de jovens e adultos (EJA), matri- culados em escolas públicas do Estado do Paraná, que produzissem um discurso político como se fossem sair candidatos à Câmara Municipal de sua cidade. Um deles escreveu o seguinte texto: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 137a linguística tExtual E a sala dE aula Eu, como cidadão brasileiro e residente em Campo Mourão, vos pro- ponho a meta de trabalho, à qual eu gostaria, para que a cidade tenha em primeiro lugar uma boa educação, que posteriormente os muni- cípios possam ter competência e oportunidades de trabalho já garan- tido, atravésdo desenvolvimento industrial que a cidade pode oferecer. Na prática de esportes e lazer, existem várias formas de manter uma qualidade de vida melhor a cada cidadão, isso só ocorrerá se tomarmos iniciativa e oferecer melhores condições para que a população possa real- mente desfrutar dessas atividades, em bosques ou ginásios esportivos ade- quados para a prática dos mesmos. A saúde pública passa por cituações deseperadoras, a qual eu contesto e venho me opor, pois já ouvi muitas e muitas reclamações de mal atendimento nos postos de saúde e hospi- tais públicos, com falta de leitos, remédios e até mesmo de médicos. Mas, com o esforço de cada um, e com a mão na consciên cia, teremos uma cidade, estado ou país melhor. Só depende das nossas decisões e atitudes. A partir da leitura do texto, escreva sobre a importância da noção de gênero textual, para professores e alunos, na atividade de pro- dução de textos na escola. Aponte também as peculiaridades do gênero apresentado (discurso político), evidenciadas no texto do aluno. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. um um um pouco de históriaum pouco de história dois dois coerência textualcoerência textual três três coesão textualcoesão textual quatro quatro demais requisitos para a construção da textualidadedemais requisitos para a construção da textualidade cinco cinco gêneros textuaisgêneros textuais # # seis a linguística textual e a sala de aula Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Estudar a linguagem é pensar e refletir na concreticidade de seu uso e da difusão de ideologias, o que aponta um estudo do texto no seu contexto real desencadeado nas relações sociais e, se deve a isso um estudo da língua que não se reduza as memorizações de nomenclaturas e ao tratamento da língua como se esta fosse à parte das relações construídas entre os homens. (Bakhtin, 2004, p. 43) ¶ ¶ a s a l a d E a s a l a d E aula é o assunto deste capítulo. Apesar disso, não temos a intenção de arrolar aqui metodologias mágicas para serem utilizadas nas aulas de Língua Portuguesa. Acreditamos que a me- todologia é a soma de vários fatores que estão presentes na vida do profissional da educação, entre eles, a concepção que este tem de educação, língua e linguagem, por exemplo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 142 rita do carmo polli da silva seispontopontoum Esclarecendo alguns pontosEsclarecendo alguns pontos Se pretendemos trabalhar com uma pedagogia voltada para o de- senvolvimento de habilidades de leitura e escrita visando tornar nossos alunos capazes de se comunicarem nas mais diversas situa- ções do cotidiano, precisamos focar na linguística textual e colocar em prática o que vimos neste livro. Nosso objetivo não é tornar nosso aluno um linguista, ou um teórico da linguística. Nós, na posição de educadores e de professo- res de língua materna, precisamos saber toda a teoria e mais, sabê- -la de tal modo que possamos colocá-la em prática em nossas salas de aula sem explicitá-la. A teoria deve servir de base, de alicerce para nossas aulas, e não constituir os conteúdos delas. Independente da série em que estamos atuando, podemos trabalhar a língua materna a partir de textos. Preocupar-se com a apreensão de conceitos e com exercícios estruturais é uma prática que começou a ser questionada há muito tempo, sendo colocada em xeque na década de 1980. Da mesma maneira, não podemos, como vimos no capítulo anterior, trabalhar tendo como base a tipo- logia textual há muito abordada nas aulas de língua materna: dis- sertação, narração e descrição. Uma visão bastante ultrapassada e meramente conteudística. Em um passado não muito distante, por exemplo, apresentava-se a tipologia textual dividida de acordo com a série. Para as iniciais, era trabalhada a narração, e depois a descri- ção. A dissertação ficava para as séries finais, pois era considerada Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 143a linguística tExtual E a sala dE aula um tipo textual mais complexo e que só poderia ser trabalhado com os alunos depois que estes estivessem aptos, isto é, que já soubessem o que eram os outros dois. Não é difícil, infelizmente, observar essa divisão em alguns livros (que se dizem) didáticos. A tipologia clássica, como já vimos, não dá conta da multipli- cidade de textos com os quais todos se deparam nas comunicações diárias. Não é solicitado, em situações fora da sala de aula, que pessoas escrevam textos dissertativos, descritivos ou narrativos. As pessoas podem até escrever sobre o seu ponto de vista, sobre suas ideias e, nesse caso, teríamos um texto que provavelmente seria pre- dominantemente dissertativo. Podem, ainda, escrever um anúncio de classificado vendendo algo, o que nos dá um texto predominan- temente descritivo e pode se ver em uma situação em que se precise fazer um boletim de ocorrência, texto que terá muito de narrativo.Outro fator bastante interessante e comum nas salas de aula é o texto produzido pelo aluno, que se revela sem destinatário; o aluno, na maioria das vezes, escreve para ninguém. Ele sabe que aquilo é um treino para nada. Ele escreve para o professor, que é o destinatário sem o ser, pois, na verdade, mostra-se um corretor. As atividades de produção precisam deixar de ser esse ensaio para o nada. A redação escolar, inclusive, já é vista por alguns pesquisa- dores como um gênero textual, pois apresenta características não vistas em outros gêneros, devido a sua artificialidade. Isso ocorre porque o aluno, nas atividades de produção textual na escola, sabe que aquele texto tem por objetivo orientar o professor no processo pedagógico, pois é por meio dele que o discente vai externar seus Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 144 rita do carmo polli da silva conhecimentos ou a falta deles e que o resultado será configurado em uma nota, ou conceito. O professor de Língua Portuguesa, antes de todos, precisa entender que o trabalho com os gêneros textuais tem a finalidade principal de libertar, de mostrar que textos, os mais diversos, circu- lam por nossa sociedade e que é de grande relevância para as pessoas saberem distinguir formas e funções. O trabalho com os gêneros vai aproximar o aluno do mundo real à medida que os textos que eles produzem em sala representem esse mundo. Por mais que nem todos os textos possam, de fato, circular socialmente, os alunos es- tarão produzindo a partir de situações que simulam o real, que eles veem para todos os lados que olhem, diferente da velha conhecida redação escolar nos moldes tradicionais (para não dizer antigos). Outro ponto a ser esclarecido, antes de continuarmos, é o fato de que o desenvolvimento da tecnologia nos trouxe inúmeros recur- sos e podem nos propiciar textos com múltiplas linguagens, como vimos no capítulo anterior: verbal e visual, verbal e audiovisual, não verbal, verbal e gestual etc. Sendo assim, o professor de língua deve, inclusive, aprimorar o conceito de letramentoletramento que traz consigo. Hoje, uma pessoa letrada é aquela capaz de se fazer entender e de compreender essa multiplicidade de textos com os quais nos depa- ramos. Nosso aluno, portanto, deve ser capaz disso e somos nós que temos o dever de encaminhá-lo, de levá-lo nessa caminhada. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 145a linguística tExtual E a sala dE aula seispontopontodois Fazendo a diferençaFazendo a diferença Acreditamos, nesta obra, que todos nós, professores, em qualquer escola, estejamos presos a conteúdos seriados que já estão prontos quando chegamos ao estabelecimento de ensino. O que nos é pe- dido é que o dividamos em partes: bimestre, trimestre, semestre. Estar presos a conteúdos não significa estar preso a essa ou aquela metodologia. É possível dar conta do conteúdo que nos é imposto e passarmos bem longe da metodologia tradicional. Paula e Silva (2008) chamam a atenção para o fato de os alu- nos, em sua grande maioria, não gostarem das aulas de Língua Portuguesa, opinião que eles externam já no primeiro dia de aula, quando o professor se apresenta como tal. Veja, os alunos não che- garam à escola com essa visão, ela foi construída por professores de língua portuguesa, que, ainda hoje, insistem em ensinar nomen- claturas, conceitos e elaborar listas fáceis de decorarfáceis de decorar. Podemos dar conta de todo o conteúdo de forma mais leve, lembrando que não temos como objetivo formar novos professores de língua, nem linguistas, apenas no âmbito escolar, cidadãos proficientes em sua língua materna, cidadãos que não sejam estigmatizados por não saberem que variedade da língua usar em cada situação em que es- tiverem envolvidos*. Podemos utilizar todos os tipos de textos, o que vai depender da idade e da série dos alunos. Qualquer tema pode ser explorado, * Não vamos nos deter em muitas metodologias por não ser este o objetivo desta obra. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 146 rita do carmo polli da silva em sala de aula, a partir de textos. Quando o assunto é gramática e seu ensino, é preciso tomarmos alguns cuidados. É falaciosa qual- quer informação no sentido de que os linguistas aboliram o erro e que agora pode tudo e que a gramática não deve ser ensinada nas escolas. Muito cuidado aqui. Primeiro, a prática de longos anos de ensino gramatical mostrou que, antes de tudo, é preciso saber a língua para depois entendermos sua gramática, e não o contrário. Segundo, o aluno precisa e inclusive tem o direito de ser familiari- zado com o padrão da língua. É essa variedade que ele vai encontrar em textos de leis, em muitos meios de comunicação (orais ou escri- tos) e é ela que vai, muito provavelmente, abrir-lhe muitas portas. A linguística trouxe um conhecimento que antes não se tinha sobre as línguas, e esse conhecimento mostra novos caminhos. No caso específico da linguística textual, os gêneros se mos- tram de grande valia, pois é a partir deles que tudo pode ser viabili- zado, tanto o que vimos neste livro como o que há em tantos outros. Os textos podem e devem ser o nosso objeto de uso diário, mais do que a lousa. Através dos gêneros, podemos apresentar aos alunos textos extremamente formais e informais e explorá-los em todas as suas possibilidades, inclusive gramaticais. E aí sim, não devemos estar presos aos conteúdos, pois os textos não trazem oportuni- dades de trabalharmos pontos gramaticais na mesma ordem tra- zida por eles, nem os alunos mostrarão “problemas” de fala e/ou escrita na ordem estabelecida pelos conteúdos para cada série. A língua deve ser apresentada, discutida, estudada, analisada, na me- dida em que se fizer necessário, e isso não é igual nem entre tur- mas de uma mesma série, muito menos entre séries. Os gêneros, portanto, nos propiciam habilitar os alunos a discernirem, por Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e punid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 147a linguística tExtual E a sala dE aula exemplo, qual deles é o mais adequado em determinada interação social, o que tenderá a acontecer de forma cada vez mais eficaz, con- forme Dolz, Haller e Schneuwly (1998, p. 161): Uma proposta de ensino/aprendizagem organizada a partir de gêneros textuais permite ao professor a observação e a avaliação das capaci- dades de linguagem dos alunos; antes e durante sua realização, forne- cendo-lhe orientações mais precisas para sua intervenção didática. Para os alunos, o trabalho com gêneros constitui, por um lado, uma forma de se confrontar com situações sociais efetivas de produção e leitura de tex- tos e, por outro, uma maneira de dominá-los progressivamente. Portanto, cabe ao professor a tarefa de gerenciar meios que visem ao conhecimento de uma vasta gama de gêneros e suas possi- bilidades de leitura, à discussão de suas composições, estilos, fun- ções sociais etc. Todos os gêneros são bons para o trabalho em sala de aula. Bakhtin (1994, p. 281) apresenta uma divisão que pode nos orientar nesse sentido, para que não partamos do nada e possa- mos nos localizar no que se refere às diversas faixas etárias e sé- ries com as quais trabalhamos. Essa divisão apresenta os gêneros em dois grandes grupos: primários e secundários. Nos primeiros, estão os gêneros comuns do cotidiano da maioria das pessoas (si- tuações de interação face a face, diálogo, carta, bilhetes etc.) e, no segundo, aqueles gêneros que advêm de contextos de comunicação mais complexos (basicamente gêneros mediados pela escrita cuja forma composicional é geralmente monologizada, grupo que tende a absorver e a transmutar os gêneros primários). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 148 rita do carmo polli da silva O que precisa ser observado é que, diferentemente do traba- lho com os tipos textuais, o trabalho com os gêneros pode e deve ser feito de forma espiral, não linear, como nos apontam Dolz, Haller e Schneuwly (1998) . No ensino espiral, não vamos subindo de um tipo para outro aumentando o grau de dificuldade. Nessa proposta, o trabalho pode contemplar, por exemplo, um mesmo gênero em todas as séries, com diferentes formas de abordagem e aprofunda- mento de análises. É preciso que se tenha muito cuidado ao tratar sobre gêneros textuais em sala de aula. Precisamos capacitar nossos alunos a pro- duzirem os mais diversos gêneros, e não ensiná-los a classificar os textos em gêneros X ou Y. Isso é teoria dos gêneros, e não deve ser este o nosso objetivo. O professor deve entender a teoria para poder mencionar alguns dos gêneros existentes e possibilitar a visualiza- ção destes pelos alunos. Exigir que eles saibam classificá-los é passar dos limites da sala de aula tanto no ensino fundamental como no médio. seispontopontotrês Por que trabalhar com textos?Por que trabalhar com textos? Trabalhar com a leitura, a compreensão e a produção textual deve ter sempre como meta primordial o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica de intera- ção humana. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 149a linguística tExtual E a sala dE aula Segundo Paula e Silva (2008, p. 123), algumas das habili- dades que devemos buscar em nosso aluno na disciplina de língua materna são: • • identificar os temas e a tese, bem como os argumentos ofere- cidos para sustentá-la; • • localizar informações e inferir as que estão implícitas; • • inferir o significado de uma palavra a partir do contexto; • • fazer distinção entre fatos e opiniões e reconhecer posições e/ ou opiniões distintas relativas a esses fatos ou temas; • • distinguir gêneros; • • localizar as partes principais e as secundárias; • • reconhecer diferentes formas de tratar o mesmo tema na comparação de textos que tratem de assunto similar, em fun- ção das condições de produção e de recepção; • • efetivar a leitura de propagandas, quadrinhos, fotos, tabelas etc.; • • estabelecer relações entre partes de dois ou mais textos, te- cendo comparações e diferenças; • • identificar as relações entre conjunções, advérbios, preposi- ções etc.; • • localizar efeitos de ironia, humor etc.; • • reconhecer os efeitos de sentido decorrentes do uso da pontua ção, recursos ortográficos, vocabulário etc.; • • identificar, a partir das marcas linguísticas, o locutor e o in- terlocutor do texto. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 150 rita do carmo polli da silva O professor de língua materna, hoje, não é mais visto, e não pode estar sendo visto, como um especialista em teoria literária e científica, tudo tão distante do que o dia a dia pede e traz. Não po- demos esquecer que nós e nossos alunos estamos inseridos nesse cotidiano e fechar os olhos para essa realidade e sacramentar o ódio e o descaso com que muitos veem as aulas de língua portuguesa. Trabalhar a língua materna a partir dos gêneros textuais é trazer para dentro da sala de aula a realidade lá de fora. Independente da série e do gênero, é possível promover estudos mediante oficinas de criação e análises. O diferencial é que os gêneros nos possibilitam sair do contexto do totalmente fictício, como já citado anterior- mente, para o real. Podemos, ao trabalhar com os gêneros carta ou bilhete (e-mails e demais interações eletrônicas), propiciar que esse material seja trocado entre os alunos, fazendo permuta entre eles. Se o gênero é texto instrucional, é possível propor aos alunos a cria- ção de um jogo ou algo similar e, depois de pronto, solicitar que façam o manual de instruções do produto criado. O mundo está acontecendo lá fora, não podemos fechar os olhos para ele. Há muitas datas comemorativas na vida dos alu- nos e nas nossas, e algumas que são de todos. Em vez de solicitar uma redação com o título “Minha mãe” ou “Minhas férias”, po- demos elaborar com eles um cartão comemorativo ou um cartão postal e fazer com que esse material tenha utilidade prática na vida dele. Podemos propiciar que ele perceba que gênero produzido é relevante, é útil, pode e deve ser visto por outras pessoas além das paredes da escola. Alémdisso, podemos propor a visualização de muitos trabalhos dentro do ambiente escolar, em murais no pátio Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 151a linguística tExtual E a sala dE aula externo ou nos murais internos de cada sala (no caso de estes não existirem, podem ser improvisados, não podem?). O principal foco deve ser a sociabilização do material produzido, pois é isso que vai ajudar a fazer a diferença. Atividades como essas e tantas outras possibilitam que nossos alunos interajam com seus familiares e a comunidade na qual vive. O conhecimento construído com essas atividades nos possibilita analisar junto com eles que um texto, para ser conside- rado bom, não precisa, por exemplo, ser literário ou fruto de uma grande inspiração; podemos mostrar que o bom texto é aquele que está perfeitamente adequado à situação para a qual foi pro- duzido. Chegar a esse entendimento nos exige trabalhar com eles a estrutura textual (forma), o conteúdo (léxico, construção fra- sal, informações), o estilo (formal, informal), entre outros pontos, no sentido de verificar se o conjunto está adequado ao gênero e ao leitor/ouvinte. O trabalho com a linguagem dessa forma dá oportunidade aos nossos alunos de se apropriarem dos mais diversos meios de comunicação, o que os coloca um passo à frente, por exemplo, no mercado de trabalho, pois as atividades oriundas dos gêneros tex- tuais trazem para ele o exercício de intercâmbio, possibilitando o ingresso em uma sociedade letrada. Talvez o mais importante seja o fato de que atividades com os gêneros textuais tendem a dessa- cralizar e democratizar o ensino, haja vista que o objetivo é fazer com que os alunos possam interagir mediante o uso dos gêneros textuais e entender, se não todos, muitos deles, pois são infinitos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 152 rita do carmo polli da silva seispontopontoquatro A linguística textual A linguística textual e os documentos oficiaise os documentos oficiais Um dos documentos oficiais de nosso país que objetiva parametri- zar a educação em língua materna chama-se Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)*. Esse documento, já na década de 1990, atrelou o ensino de língua portuguesa à linguística textual, entendendo e apresentando o sentido como algo que não está preso ao texto, mas na interação que existe entre as partes que o ligam: produtor-leitor/ ouvinte. Os PCN deram ênfase aos gêneros textuais, mas, ao apre- sentar sugestões de trabalho a partir deles, o fizeram considerando um número bastante reduzido. Inclusive, podia se verificar certa confusão terminológica acerca das nomenclaturas tipos e gêneros tex- tuais, que não raro são consideradas sinônimas. O documento pren- dia-se basicamente nos gêneros ditos formais e não contemplava as atividades linguísticas com gêneros mais próximos dos alunos. Outro fator interessante é que o documento sugere uma lista de gêneros típicos para interpretação e outra para a prática da pro- dução, como se aquilo que serve para uma atividade não servisse para a outra. A seguir, estão reproduzidas duas listas para que pos- samos compará-las. Comecemos pela listagem de gêneros sugeri- dos para atividades de escuta e leitura. * O PCN refere-se ao documento oficial em nosso país que se propôs a apresentar, como o próprio título diz, parâmetros para o ensino de todas as disciplinas em território brasileiro, com o objetivo de padronizar o que é trabalhado nas diferentes regiões do país. Depois dele, temos as Orientações Curriculares Nacionais (2006) e as Diretrizes Curriculares Estaduais, que você deve consultar. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 153a linguística tExtual E a sala dE aula Quadro 6.1 – Gêneros privilegiados para a prática de escuta e leitura de textos Linguagem oralLinguagem oral Linguagem escritaLinguagem escrita LiteráriosLiterários Cordel, causos e Cordel, causos e similaressimilares Textos dramáticosTextos dramáticos CançãoCanção LiteráriosLiterários ContoConto NovelaNovela RomanceRomance CrônicaCrônica PoemaPoema Texto dramáticoTexto dramático De imprensaDe imprensa Comentário Comentário radiofônicoradiofônico EntrevistaEntrevista DebateDebate DepoimentoDepoimento De imprensaDe imprensa NotíciaNotícia EditorialEditorial ArtigoArtigo ReportagemReportagem Carta ao leitorCarta ao leitor EntrevistaEntrevista Charge e tiraCharge e tira De divulgação De divulgação científicacientífica ExposiçãoExposição SeminárioSeminário DebateDebate PalestraPalestra De divulgação De divulgação científicacientífica Verbete enciclopédicoVerbete enciclopédico Relatório de Relatório de experiênciasexperiências Didático (textos, enunDidático (textos, enun-- ciados de questões)ciados de questões) ArtigoArtigo PublicidadePublicidade PropagandaPropaganda PublicidadePublicidade PropagandaPropaganda FontE: Brasil, 1998, p. 54. Na lista de textos para a prática de produção escrita, temos uma sensível redução das sugestões. Essa observação pode nos levar a concluir que as atividades de escuta e de leitura são mais numerosas do que as de produção textual, o que não precisa ser, necessariamente, verdade. Vejamos, então, as sugestões para o de- senvolvimento da produção escrita: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 154 rita do carmo polli da silva Quadro 6.2 – Gêneros sugeridos para a prática de produção de textos orais e escritos Linguagem oralLinguagem oral Linguagem escritaLinguagem escrita LiteráriosLiterários CançãoCanção Textos Textos dramáticosdramáticos LiteráriosLiterários CrônicaCrônica ContoConto PoemaPoema De imprensaDe imprensa NotíciaNotícia EntrevistaEntrevista DebateDebate DepoimentoDepoimento De imprensaDe imprensa NotíciaNotícia ArtigoArtigo Carta ao leitorCarta ao leitor EntrevistaEntrevista De De divulgação divulgação científicacientífica ExposiçãoExposiçãoSeminárioSeminário DebateDebate De divulgação De divulgação científicacientífica Relatório de Relatório de experiênciasexperiências Esquema e resumo Esquema e resumo de artigos ou verbetes de artigos ou verbetes de enciclopédiasde enciclopédias FontE: Brasil, 1998, p. 57. Além da sensível redução de gêneros, tinha-se a exclusão total das publicidades, das charges e das tiras, como se não fosse possível escrever com base nelas. Diante dessa redução e da visão ainda con- teudista trazida pelos PCN, Marcuschi ([200-], p. 39), a partir de análise de Dolz, Haller e Schneuwly (1998, p. 121), sugere os gêne- ros a seguir, apresentados como possibilidades de trabalho em sala de aula: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 155a linguística tExtual E a sala dE aula Quadro 6.3 – Gêneros sugeridos por Marcuschi para a prática de produção de textos orais e escritos Domínios sociais Domínios sociais de comunicaçãode comunicação Capacidades de linguagemCapacidades de linguagem Exemplos de gêneros orais e Exemplos de gêneros orais e escritosescritos Cultura literária Cultura literária ficcionalficcional NarrarNarrar Mímeses da ação através Mímeses da ação através da criação de intriga.da criação de intriga. Conto maravilhoso, fábula, Conto maravilhoso, fábula, lenda, narrativa de aventura, lenda, narrativa de aventura, narrativa de ficção científica, narrativa de ficção científica, narrativa de enigma, novela narrativa de enigma, novela fantástica, conto parodiado.fantástica, conto parodiado. Documentação e Documentação e memorização de memorização de ações humanasações humanas RelatarRelatar Representação pelo Representação pelo discurso de experiências discurso de experiências vividas situadas no tempo.vividas situadas no tempo. Relato de experiência vivida, Relato de experiência vivida, relato de viagem, testemunho, relato de viagem, testemunho, curriculumcurriculum vitaevitae, notícia, repor, notícia, repor-- tagem, crônica esportiva, ensaio tagem, crônica esportiva, ensaio biográfico.biográfico. Discussão de Discussão de problemas sociais problemas sociais controversoscontroversos ArgumentarArgumentar Sustentação, refutação e Sustentação, refutação e negociação de tomadas de negociação de tomadas de posição.posição. Texto de opinião, diálogo Texto de opinião, diálogo argumentativo, carta do leitor, argumentativo, carta do leitor, carta de reclamação, deliberacarta de reclamação, delibera-- ção informal, debate regrado, ção informal, debate regrado, discurso de defesa, discurso de discurso de defesa, discurso de acusação.acusação. Transmissão e Transmissão e construção de construção de saberessaberes ExporExpor Apresentação textual de Apresentação textual de diferentes formas dos diferentes formas dos saberes.saberes. Seminário, conferência, artigo Seminário, conferência, artigo ou verbete de enciclopédia, ou verbete de enciclopédia, entrevista de especialista, entrevista de especialista, tomada de notas, resumo de tomada de notas, resumo de textos explicativos, relatório textos explicativos, relatório científico, relato de experiência científico, relato de experiência científica.científica. Instruções e Instruções e prescriçõesprescrições Descrever açõesDescrever ações Regulação mútua de Regulação mútua de comportamentos.comportamentos. Instruções de montagem, receita, Instruções de montagem, receita, regulamento, regras de jogo, regulamento, regras de jogo, instruções de uso, instruções.instruções de uso, instruções. FontE: dolz; haller e schneuwly, citados por marcuschi, ([200-]), p. 39. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 156 rita do carmo polli da silva É possível perceber que os gêneros aqui dispostos mantêm a relação tipológica, ou seja, como já foi dito, existem, em cada gê- nero, trechos que representam os tipos textuais há muito há muito conhecidos –, descrição, narração e dissertação –, que serão trata- dos desta maneira: nos inúmeros gêneros do cotidiano. Os autores sugerem ainda uma distribuição dos gêneros por série*, com 35 sequências didáticas para expressão oral e escrita, assim distribuídas no quadro a seguir**. Quadro 6.4 – Sequências didáticas para expressão oral e escrita AgrupamentoAgrupamento CicloCiclo 1ª - 2ª1ª - 2ª 3ª - 4ª3ª - 4ª 5ª - 6ª5ª - 6ª 7ª - 8ª7ª - 8ª NarrarNarrar 1. O livro para 1. O livro para completar.completar. 1. O conto 1. O conto maravilhoso.maravilhoso. 2. A narrativa de 2. A narrativa de aventura.aventura. 1. O conto do 1. O conto do porquê porquê e doe do como. como. 2. A narrativa de 2. A narrativa de aventura.aventura. 1. A paródia do 1. A paródia do conto.conto. 2. A narrativa de 2. A narrativa de ficção científica.ficção científica. 3. A novela 3. A novela fantástica.fantástica. RelatarRelatar 1. O relato de 1. O relato de experiência experiência vivida*.vivida*. (Apresentação (Apresentação em áudio)em áudio) 1. O testemunho 1. O testemunho de uma de uma experiência experiência vivida.vivida. 1. A notícia.1. A notícia. 1. A nota 1. A nota biográfica.biográfica. 2. A reportagem 2. A reportagem radiofônica.radiofônica. * Marcuschi sugere que esses quadros talvez necessitem de uma adaptação para o português à medida que estiverem sendo trabalhados, haja vista que Dolz, Haller e Schneuwly (1998) os apresentaram para o ensino do francês como língua materna. ** Acrescido da 9ª série. (continua) Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 157a linguística tExtual E a sala dE aula ArgumentarArgumentar 1. Carta de 1. Carta de solicitaçãosolicitação 1. A carta de 1. A carta de resposta ao leitor.resposta ao leitor. 2. O debate 2. O debate regrado*.regrado*. 1. Carta ao leitor.1. Carta ao leitor. 2. Apresentação 2. Apresentação de um romance*.de um romance*. 1. A petição.1. A petição. 2. A nota crítica 2. A nota crítica de leitura.de leitura. 3. O ponto de 3. O ponto de vista.vista. 4. O debate 4. O debate público*.público*. Transmitir Transmitir conhecimentosconhecimentos 1. Como 1. Como funciona?funciona? (Apresentação (Apresentação de um de um brinquedo brinquedo e de seu e de seu funcionamento)funcionamento) 1. O artigo 1. O artigo enciclopédico.enciclopédico. 2. A entrevista 2. A entrevista radiofônica*.radiofônica*. 1. Exposição 1. Exposição escrita.escrita.2. Nota de 2. Nota de síntese para síntese para aprender.aprender. 3. Exposição 3. Exposição oral*.oral*. Apresentação de Apresentação de documentos.documentos. Relatório Relatório científico.científico. Exposição oral*.Exposição oral*. A entrevista A entrevista radiofônica*.radiofônica*. Regular Regular comportamentoscomportamentos 1. A receita de 1. A receita de cozinha*cozinha* (Apresentação (Apresentação em áudio)em áudio) 1. A descrição de 1. A descrição de um itinerário*.um itinerário*. 1. As regras do 1. As regras do jogo.jogo. 5 sequências 5 sequências (sendo 2 orais)(sendo 2 orais) 8 sequências 8 sequências (sendo 3 orais)(sendo 3 orais) 9 sequências (2 9 sequências (2 orais)orais) 13 sequências 13 sequências (sendo 4 orais)(sendo 4 orais) FontE: dolz; haller e schneuwly, citados por marcuschi, ([200-]), p. 40. Essa abordagem pode e deve ser flexibilizada o máximo possí- vel. Uma turma é diferente da outra, assim como uma comunidade também o é. Precisamos adaptar os gêneros de acordo com a nossa clientela, para que isso tenha significado para os alunos; de modo contrário, eles pouco perceberão que o objeto de estudo da disci- plina são os textos, os gêneros que existem fora da escola. Dessa forma, a análise do grupo de alunos com os quais vamos traba- lhar pode originar outros gêneros e outras metodologias. As pro- postas presentes nos quadros anteriores abarcam muito trabalho (Quadro 6.4 – conclusão) * Indicam produções orais* Indicam produções orais Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 158 rita do carmo polli da silva com a oralidade e com a escrita, mas são apenas exemplificativos. Trabalhar com os gêneros possibilita uma infinidade de metodo- logias e propicia que os alunos tenham uma perfeita noção do que seja língua, linguagem e texto na prática, e não na teoria. As formas e as nomenclaturas gramaticais, apesar de não serem o objetivo do ensino da língua materna, não precisam ser ignoradas; a linguística textual permite que elas sejam trabalhadas no contexto da produ- ção, depende de como cada profissional fará isso. seispontopontocinco Sugestões para a sala de aulaSugestões para a sala de aula Neste livro, vimos os recursos necessários para a construção dos sentidos. Se temos o interesse de fazer com que nossos alunos (ou futuros alunos) possam construir bons textos, precisamos levá- -los a isso, apresentando esse caminhar. A teoria vista aqui é da competência do professor saber. Não queira você, enquanto pro- fessor, querer que o aluno domine-a, bem como sua nomenclatura, independentemente da série. As expressões que nominam os fa- tores responsáveis pela construção dos sentidos possivelmente eles sabem, o que não devemos cobrar deles é a teoria que as envolve. Eles precisam saber como isso funciona na prática, o que eles in- concientemente sabem, mas não sabem que sabem. Por exemplo, dependendo da série, os alunos têm uma noção maior ou menor do que seja coerência. Lembre-se do detalhe de que não existe texto incoerente, sempre haverá coerência para alguém. Bastante interessante é mostrar aos alunos uma foto como a que segue: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 159a linguística tExtual E a sala dE aula Figura 6.1 - Exemplo de fotomontagem Im ag en s: C om st oc k e C li pa rt Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 160 rita do carmo polli da silva Na sequência, perguntamos a eles o que acham da foto. Há mui- tas chances de eles dizerem tratar-se de uma montagem fotográfica. Era o que precisávamos ouvir. A partir daí, perguntamos e discutimos sobre as pistas que os fizeram chegar a essa conclusão. Elas serão mui- tas. Vai depender da foto (da montagem) que for mostrada. O mais interessante é fazê-los perceber que fizeram a leitura de um texto não verbal e perceberam nele pistas que lhes permitiram identificar marcas, e estas os levaram a identificar o que viram como uma montagem. Em textos verbais, também temos pistas, mas pistas linguísticas, pois estes também têm uma coerência entre as partes. Teremos mais ou menos coerência dependendo da maneira que construímos o texto. Observem como o conhecimento de mundo é importante para que os alunos percebam que se trata de uma montagem. Faz-se ne- cessário que eles tenham conhecimento sobre fotos e sobre monta- gem. Esse conhecimento de mundo trará certa coerência ao texto e, quando esta parecer muito distante, também buscará sua viabilidade. É esse conhecimento que possibilita criarmos mundos possíveis para atribuir coerência ao que lemos, ouvimos ou vemos, e, portanto, a co- erência é estabelecida a partir dessa relação que fazemos entre o que sabemos do mundo e o texto, verbal ou não verbal. Para que a coerência ocorra, precisamos reunir pistas de acordo com as nossas experiências e ir construindo significações textuais, mas essas pistas nem sempre são textuais ou linguísticas. Pense nas muitas situações que vivemos no dia a dia em que não queremos ou não podemos nos expressar por palavras e o fazemos por gestos ou expressões faciais. Reunindo o que vimos até aqui, podemos dizer que a coerên- cia ocorre mediante uma espécie de quebra-cabeça, pois precisamos Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 161a linguística tExtual E a sala dE aula juntar informações daqui e dali para obter um bom resultado. Nesse sentido, temos, em sala de aula, boas oportunidades de fazer trabalhos que os alunos vão adorar, tais como os expostos a seguir: PantomimaPantomima Podemos trabalhar com mímica, por exemplo. Vale qualquer tema. Nesse jogo, a coerência é estabelecida a partir de uma soma de in- formações trazidas de diversas maneiras. Dependendo do tema, um gesto terá um ou outro significado, uma ou outra leitura. Quanto mais distante a mímica estiver do resultado pretendido, mais difícil será estabelecera coerência e chegar à resposta desejada. Quebra-cabeçasQuebra-cabeças As atividades de quebra-cabeça, que vão desde o exercício com ima- gens até textos complexos, dependem da fase e da idade dos alunos. Nas séries bem iniciais, é possível começar o trabalho sobre coe- rência textual a partir do quebra-cabeças de imagens. Os próprios alunos podem fazê-lo, partindo da colagem de uma imagem sobre uma cartolina e recortando-a em partes. Quanto menores as par- tes, maiores as dificuldades de estabelecer relação, e vice-versa. O importante é que eles percebam e comentem os motivos que os fi- zeram escolher determinadas peças para um lugar específico e não outras. A resposta apresentará a coerência estabelecida por eles, de acordo com o conhecimento de mundo de cada um. Você já viu aqueles passatempos do tipo “encontre o pedaço que falta”, “encon- tre a sombra da figura x”, “qual o nó que não vai desmanchar? ”? São exercícios similares aos dos quebra-cabeças, os quais exigem Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 162 rita do carmo polli da silva que se construa uma relação de sentidos que permitirá, por exem- plo, a exclusão de figuras que não correspondem à projeção que foi estabelecida mentalmente. Eles podem e devem ser levados para as salas de aula de séries iniciais, mas o professor não pode esquecer de fazer com que os alunos vejam que estão, sem saber, estabele- cendo uma relação de coerência, caso contrário, eles vão pensar que não estão tendo aulas, que só estão “matando o tempo”. Também é interessante montar quebra-cabeças a partir de textos, o que é bastante produtivo e pode ser feito com alunos de todas as idades e com todos os gêneros textuais, com as devidas adequações etárias (e até de série). Quanto menor a unidade de recorte, maior a dificuldade de remontagem do texto. Ao final de um tempo, o professor poderá propor que os alunos façam grupos de 3 ou 4 pessoas e comparem suas "remontagens" e depois apresen- tem para o resto da turma o que puderam perceber no trabalho em grupo. Além de eles estarem percebendo que as pessoas pensam e fazem leituras diferentes do mesmo objeto, treinarão a oralidade no momento de expor o que foi discutido entre eles. Para o ensino médio, é interessante recortar textos lon- gos, narrativos ou dissertativos e solicitar a remontagem coerente. Depois de comparações em grupos, os alunos podem apresentar as coerências que eles criaram (os mundos textuais) para as leituras (remontagens) diversificadas que sempre aparecem. O que é o que é...?O que é o que é...? O nosso conhecimento de mundo nos permite brincar com as possi- bilidades de construir realidades, por isso podemos brincar com a Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 163a linguística tExtual E a sala dE aula linguagem de modo a romper com a objetividade, com a rea lidade conhecida. Podemos brincar com essa construção de mundos ima- ginários e, consequentemente, com a quebra da coerência, a partir de adivinhas ou por meio de uma atividade de releitura de pro- vérbios. Atrás de cada atividade há uma coerência, literalmente. Observe, por exemplo, as adivinhas e as charadas a seguir: • • O que é que quanto mais cresce menos se vê? • • O que é que todos têm dois e você só tem um? • • O que é que tem leito, mas nunca dorme? • • O que é que quanto mais se tira mais se tem? Essas e tantas outras exigem que a pessoa que se propõe a respondê-las acesse rapidamente seu conhecimento de mundo e re- solva as aparentes incoerências estabelecidas pelas perguntas, como em: “O que é que quanto mais cresce menos se vê? ”. Pensemos, algo que cresce, aumenta, portanto, como pode ser menos visto? Se a se- gunda indagação engloba todas as pessoas de um lado e eu, de outro, então, o que é isso? Será que se faz referência à posse ou à palavra escrita? E por que a pessoa vai possuir um leito se nunca dorme? E, na última, pensamos: Tirar significa subtrair, então como pode estar somando? Perguntas semelhantes a essas são feitas rápida e inconscientemente. Se a pessoa consegue ir além da aparente in- coerência inicial, ela chegará a uma resposta, caso contrário, não. Algumas perguntas exigem que sejam acessadas informações espe- cíficas sobre linguagem, como, por exemplo, saber que leito tanto pode significar “cama” como “canal de um rio”, que tirar pode signi- ficar “subtrair”, mas também podemos relacionar com “tirar fotos” e, nesse caso, não se está subtraindo nada, e sim somando, e que crescer Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 164 rita do carmo polli da silva significa “aumentar”, mas também “tornar mais denso”, no caso da escuridão, que, quanto mais cresce, mais densa fica. PiadasPiadas É bem interessante pedir que os alunos tragam “piadas de salão”, ou seja, piadas que possam ser contadas a todos sem ofender, sem pa- lavras de baixo calão ou ainda expressões pejorativas, que envolvam situações linguísticas, como, por exemplo, a que vemos a seguir: O indivíduo foi ao médico porque estava com muita coceira e dor na sola do pé. O médico o examinou e falou: — O senhor tem olho de peixe! O paciente não gostou e respondeu rispidamente: — E o senhor tem cara de bobo. Observe que, para o humor ser entendido, é preciso que se conheça a expressão olho de peixe como designando um problema, uma espécie de infecção dos pés, e olho de peixe significando o olho do animal propriamente dito. Também é relevante conhecer a ex- pressão olho de peixe morto, que pode ter sido acessada na interpre- tação da compreensão da resposta do médico ao paciente, pois este não gostou nada do que ouviu, além de demonstrar não conhecer a expressão como designadora de uma doença. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 165a linguística tExtual E a sala dE aula Reconstruindo provérbiosReconstruindo provérbios É possível trabalhar uma releitura de provérbiosbem conhecidos como “Depois da tempestade vem a bonança”, “Quem ri por último, ri melhor”, “Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”, “Quem semeia ventos, colhe tempestades”, “Deus ajuda quem cedo madruga”, “Um é pouco, dois é bom, três é demais” e tantos ou- tros que os alunos mesmo podem sugerir. O importante é que eles conheçam a original e saibam o seu significado para que possam trabalhar com ele, reescrevendo-o com outro sentido, como, por exemplo: • • Depois da tempestade vem o resfriado. • • Quem ri por último ri atrasado. • • Quem nunca comeu melado não sabe o que está perdendo. • • Quem semeia ventos não sabe o que está fazendo. • • Deus ajuda quem chama por Ele. • • Um é pouco, dois é bom, três é número ímpar. IntertextualidadeIntertextualidade Podemos propor que nossos alunos produzam textos com persona- gens de histórias bastante diferentes, uma “salada” de personagens: Chapeuzinho Vermelho, Xuxa, a Mula sem Cabeça e o prefeito da cidade, por exemplo. Qualquer mistura é válida, de persona- gens dos contos de fábula, de filmes, da vida real, da política local, nacional e/ou internacional, de novelas, vale o que lembrar e achar relevante. O que importa mesmo é misturar as histórias e fazê-los Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 166 rita do carmo polli da silva perceber que, para a compreensão completa de cada produção feita por eles, o leitor/ouvinte terá que acessar os intertextos envolvidos, além de seu conhecimento de mundo. Continuando a históriaContinuando a história As pessoas pensam e decifram as pistas de um determinado con- texto, muitas vezes, de maneiras diversas. Para trabalhar isso com os alunos, podemos fazê-lo no nível da oralidade e da escrita. Na oralidade, podemos propor que uma história seja contada por todos os alunos da sala. Todos montam uma única história. Eles podem ficar sentados em círculos, na sala, no pátio, onde você puder e qui- ser levá-los; um começa a história e, a cada sinal (previamente com- binado), o aluno da direita (ou da esquerda) continua do ponto onde o colega parou. Cada um acaba levando a história para um lado diferente. É interessante o professor introduzir nessa prática algumas imagens ou palavras (que podem ser retiradas de revis- tas, jornais etc.) que devem ser imediatamente inseridas no con- texto em que está sendo apresentado. Muitas vezes, a tentativa de atribuir coerência resulta em situações engraçadas, e, não raro, al- guém, depois de terminada a história, quando o professor indaga sobre algum fato estranho que surgiu, atribui coerência, acessando as possibilidades que temos de “recriar” o mundo para estabelecê-la. É muito interessante. Na versão escrita dessa atividade, é possível colocar uma mú- sica bem suave na sala de aula. O professor pede que os alunos a ouçam por alguns instantes e depois que comecem a escrever suas sensações, impressões, o que quiserem, a partir da audição. Deve Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 167a linguística tExtual E a sala dE aula ser combinado que, a cada parada da música, o aluno passa sua folha para quem estiver ao seu lado. Este, por sua vez, deve ler o que o anterior escreveu e dar continuidade ao texto. Ao final do tempo estipulado pelo professor, ou ao final da música, quem esti- ver com o texto faz uma leitura silenciosa dele e uma análise sobre o que acontece com o texto nos momentos de troca. Quem quiser apresentar sua análise pode fazê-lo na sequência. Se ninguém se prontificar, talvez seja o caso de sugerir que eles formem pequenos grupos e, dentro deles, sociabilizem os textos, escolhendo um para ser apresentado para a sala toda. As histórias em quadrinhosAs histórias em quadrinhos Para que os alunos contextualizem informações incompletas atri- buindo-lhes coerência, podemos, também, trabalhar com pequenas histórias em quadrinhos. Uma primeira sugestão nesse sentido seria apresentar a eles uma pequena história na qual os diá logos de al- guns balões tivessem sido suprimidos para que eles os preenchessem coerentemente. Uma segunda sugestão é recortar todos os quadrinhos de uma história curta e pedir a eles que a remontem de maneira coe- rente. Interessante ainda é trabalhar com aquelas histórias bem curtinhas, com 3 ou 4 quadrinhos apenas, sem nenhum recurso linguístico, só o não verbal. Nesse caso, os alunos terão que “ler” as expressões, o entorno, as cores, todo o texto não verbal para definir qual é a ordem dos acontecimentos. Além de que, nesse caso, ainda é possível pedir a eles que verbalizem a narrativa. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 168 rita do carmo polli da silva Palavra puxa palavraPalavra puxa palavra Uma atividade bem rápida e prática de fazer com os alunos é a da “palavra puxa palavra”, que consiste em listar palavras (uma meia dúzia) que tenham alguma relação com as demais (anteriores e posteriores). O interessante a ser observado aqui é que, quando al- guém está lendo a sua lista e os demais acham que uma palavra não se relaciona com as outras, raras vezes o aluno que está apresen- tando não argumenta mostrando um mundo possível que atribui coerência para a sua visão. Vejamos, a partir da palavra fogo, podem ser inferidas outras, tais como: madeira, chama, água, calor, clarão, quente etc., mas tam- bém queimadura, dor, médico, hospital, gaze, soro etc. É um exercício de nível fácil, para os de menos idade. As charges na sala de aulaAs charges na sala de aula As charges propiciam tipos de trabalhos diferenciados entre si. Podemos simplesmente lê-las ou transformá-las em uma extensa e detalhada descrição, o que possibilita ao aluno visualizá-las e ex- plorá-las ao máximo, depende da charge e de nós. Geralmente, as charges exigem que acessemos muitos conhe- cimentos para serem integralmente interpretadas, e isso acontece com outros gêneros também. Dessa forma, ela nos possibilita, in- clusive, a interdisciplinaridade, e muitas também exigem uma lei- tura intertextual. Vejamos um exemplo de charge de autoria do jornalista Ricardo Borges, intitulada E o vento revelou: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza ção d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 169a linguística tExtual E a sala dE aula Figura 6.2 – E o vento revelou FontE: Borges, 2010. Para a interpretação, é preciso que se tenha conhecimento sobre os últimos acontecimentos políticos da época da criação da charge, observar os detalhes, como o furacão e o símbolo da justiça jogado ao chão. Além disso, é de extrema importância a interpreta- ção das duas intertextualidades que existem nessa charge: • • o título E o vento revelou te remete a um título de filme antigo, mas bastante conhecido: E o vento levou; • • a imagem feminina, do pescoço para baixo, remete a uma fa- mosa cena da atriz Marilyn Monroe, do filme The seven year itch (traduzido, no Brasil, como O pecado mora ao lado), uma comédia romântica de 1955. Sem a recuperação do intertexto, a interpretação fica muito comprometida. Cabe ao professor ir conduzindo os alunos na lei- tura desse tipo de texto, que, obviamente, terá maiores resultados se efetivada em turmas mais adiantadas. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 170 rita do carmo polli da silva seispontopontoseis A coesão em sala de aulaA coesão em sala de aula A coesão é tão importante quanto os alunos perceberem o que é e como pode ser restabelecida a coerência. Eles precisam ser levados a entender que esse recurso é de grande valia na produção textual. De início, precisamos mostrar a eles que todo texto é um “tecido costurado”, como já comentamos. A partir dessa metáfora do te- cido, podemos dizer que a costura se dá pela coesão, já que texto não é um mero conjunto de palavras ou frases. É importante fazê-los entender que algumas palavras são de extrema importância na organização das ideias de um texto. Um primeiro exercício a ser trabalhado pode ser o seguinte: o professor escreve na lousa seis perguntas e orienta que cada fila de alunos irá responder a apenas uma delas, que ele vai definir qual. De maneira bem simples, ele pode determinar que a primeira fila responde à primeira, a segunda, à segunda, e assim sucessivamente. As per- guntas são: 1. 1. Quem era? (escrever um nome) 2. 2. Onde estava? (escrever um lugar) 3. 3. O que fazia? (escrever uma ação) 4. 4. O que disse? (escrever uma fala individual) 5. 5. O que disseram as pessoas que viram? (escrever uma fala em grupo) 6. 6. Qual o desfecho? (escrever uma ação) Após terem escrito suas respostas, a leitura pode ser ini- ciada. Os primeiros alunos de cada fileira leem suas respostas na Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 171a linguística tExtual E a sala dE aula sequência, teremos aí uma primeira história. Depois, os segundos de cada fila leem as suas, e teremos uma segunda história, e assim até o final. É importante que se observe, ao término, que algumas histórias ficaram mais coerentes do que outras e que, em todas elas, falta ligar as afirmações, pois as frases estão soltas. Em um exercí- cio seguinte, é possível pedir que cada grupo de alunos que “cons- truiu” uma história se reúna e acrescente à história tudo o que faltar para que ela fique “perfeita”. No momento das demonstrações, pedir que eles justifiquem todos os recursos que utilizaram. Esse é um bom começo para o assunto coesão, não é? O professor dá assistência e, a partir das apresentações, acrescenta o que for relevante e se fizer necessário. Ratifico aqui que a nomenclatura, para eles, não é importante, o que importa mesmo é que eles sejam levados a perceber que as mesmas ideias podem ser expressas de diferentes maneiras e geral- mente estão ligadas por laços linguísticos que orientam a interpre- tação para um lado ou para outro, dependendo das intenções. descosturando um textodescosturando um texto Selecione um texto curto, ou um trecho de texto, e retire dele todas as conjunções e demais mecanismos de coesão para que os alunos o recosturem. Veja o exemplo no texto a seguir: segredos da sedasegredos da seda Cientistas desvendam parte do mistério dos bichos da seda e abrem caminho para a produção artificial de fios, tendões e coletes à prova de bala. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 172 rita do carmo polli da silva ElesEles são tão finos que mal podem ser vistos a olho nu. Mesmo Mesmo assimassim, são mais resistentes do que o aço. Se tecer esseesse fio é natural para os bichos da seda e as aranhas, há décadas a ciência tenta, sem sucesso, reproduzi-lolo em laboratório. Em experimentos anteriores, os cientistas jájá conseguiram purificar a sedaa seda, mas nunca foram ca- pazes de transformá-lala em material. Dessa vez pesquisadores ame- ricanos anunciaram ter desvendado parte do mistério envolvido no processo natural de fabricação da seda. O estudoO estudo deve se somar aos esforços para investigar como criar proteínas em laboratório e, assimassim, aprimorar as técnicas de produção de fios artificiais. Os fios da seda são constituídos por uma proteína queque se soli- difica em contato com o ar e é expelida por uma glândula localizada no abdome dos animais, cujocujo ciclo de vida é de 50 dias. O grande mistério da produção dos bichos da seda é a mudança da estrutura, textura e morfologia das proteínas para se tornarem fibras insolúveis. Pois foi justamente parte desse processodesse processo que os cientistas america- nos desvendaram. A chave está em entender como os bichos da seda e as aranhas equilibram a solubilidade da proteína da seda nas suassuas glândulas. Descobriu-se que todo o processo é controlado pela quan- tidade de água usada para evitar a cristalização prematura do fiodo fio. “A sedaA seda é composta de subunidades emendadas, como se como se fossefosse um colar de pérolas. AgoraAgora existe a possibilidade de produção em larga escala, o queo que deve baratear o preço da seda”. Uma vezUma vez des- coberto o segredo desses insetos, será possível fabricar desde fios de sutura médica atéaté linhas de anzol, tendões artificiais, equipamento esportivo, tecido ósseo e coletes à prova de balas. FontE: vasconcelos, 2008. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s erre pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 173a linguística tExtual E a sala dE aula Na sequência, peça aos alunos que o reestruturem com base na coe rência estabelecida pelo desenvolvimento do texto. Alguns podem ser escolhidos aleatoriamente para que leiam suas versões. O interessante seria ir acompanhando a tecitura deles e depois cha- mar os alunos (uns 3 ou 4) que produziram textos mais diferencia- dos entre si. Outra possibilidade, bem parecida com essa, é abordar com eles um trecho de texto sem alguns elementos de coesão e pedir que o interpretem dessa maneira. Veja um exemplo de texto já com os elementos retirados. Trecho de entrevista de Davis McGrath, professor e pesquisa- dor da Universidade Federal do Pará, à Revista Veja. VejaVeja – A expansão da cultura de soja é a nova ameaça para a Amazônia? McGrathMcGrath – É um caso complexo. Está constatado que o des- matamento na Amazônia seja resultado direto da expansão da soja. A preferência dos produtores é para as áreas já desmatadas. A soja é um elemento bastante interessante no cenário atual. Utiliza o plan- tio direto, ocupa apenas áreas planas, minimizando a erosão; não usa fogo, como a pecuária e outras atividades agrícolas, reduzindo o risco de incêndios florestais. A soja traz algumas das consequências ambientais mais graves da ocupação da Amazônia. FontE: mcgrath, 2003. Depois das exposições das impressões acerca do texto, infor- mar qual elemento está faltando em cada uma das partes: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 174 rita do carmo polli da silva Trecho de entrevista de Davis McGrath, professor e pesquisa- dor da Universidade Federal do Pará, à Revista Veja. VejaVeja – A expansão da cultura de soja é a nova ameaça para a Amazônia? McGrathMcGrath – É um caso complexo. NãoNão está constatado que o desmatamento na Amazônia seja resultado direto da expansão da soja. Em geralEm geral, a preferência dos produtores é para as áreas já des- matadas. MasMas a soja é um elemento bastante interessante no cenário atual. Utiliza o plantio direto e ocupa apenas áreas planas, minimi- zando a erosão; não usa fogo, como a pecuária e outras atividades agrícolas, reduzindo o risco de incêndios florestais. Nesse sentidoNesse sentido, a soja não traz algumas das consequências ambientais mais graves da ocupação da Amazônia. Nesse momento, é interessante debater sobre as diferenças entre as duas leituras. Essa atividade pode ser feita com qualquer gênero textual, se for utilizado um que esteja mais próximo da rea- lidade do aluno, melhor. Para debater diferenças de intenções a partir das mesmas ideias, ainda podemos lançar para os alunos algumas frases, apa- rentemente soltas, para que eles as unam em frases maiores. Koch (1989, p. 85) apresenta, para essa atividade, o seguinte texto, que você poderá usar como base para produzir outros, de acordo com a série com a qual trabalha: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 175a linguística tExtual E a sala dE aula Maria é minha irmã. Maria é bonita. Maria tem um cachorrinho. O cachorrinho é branco. Maria brinca com o cachorrinho. Maria é feliz. O aluno, de posse desse texto, deverá reescrevê-lo fa- zendo uso de diferentes elementos de coesão. Alguns exemplos de reescrita poderiam ser, ainda, segundo Koch: 1 . 1 . Maria é minha irmã e é bonita. Ela tem um cachorrinho branco com que brinca. Ela é feliz. 2 . 2 . Maria é minha irmã e é bonita. Ela tem um cachorrinho branco com que brinca, ficando feliz. 3 . 3 . Maria é minha irmã. Ela é bonita e fica feliz quando brinca com seu cachorrinho branco. 4 . 4 . Minha irmã Maria, que é bonita, tem um cachorrinho branco e fica feliz, quando brinca com ele. 5 . 5 . Maria é minha irmã. Ela é feliz porque é bonita e tem um cachorrinho branco com que brinca. 6 . 6 . Maria é minha irmã. Ela é feliz porque é bonita e brinca com cachorrinho branco. 7 . 7 . Eu tenho uma irmã que se chama Maria. Ela é bonita e tem um cachorrinho branco para brincar. Por tudo isso ela é feliz. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 176 rita do carmo polli da silva Na sala de aula, teremos um leque maior de possibilidades. Atividades como essa possibilitam que o aluno veja que é possí- vel relacionar as mesmas ideias de diferentes maneiras. O profes- sor deve levá-lo a observar que os textos não são todos iguais, dar ênfase aos conectores usados (de tempo, causa, finalidade etc.) e discutir as diferenças inerentes a cada um. Veja que, nos textos mostrados, hora a Maria é feliz porque é bonita, hora o é porque tem um cachorrinho, ou porque brinca com ele, ou por tudo isso junto. A maneira como as informações são “costuradas” altera a in- terpretação, ora se foca mais um elemento, ora, outro. As atividades em língua portuguesa precisam levar o aluno ao raciocínio, não mais a decorar nomenclaturas, listas etc. Essas propostas e tantas outras que devem ser introduzidas por você pre- cisam servir para, segundo Koch (1989, p. 86): Conscientizar o aluno de que o trabalho de produção de um texto é trabalho de escolha e utilização dos recursos linguísticos que permitam melhor viabilizar a intenção comunicativa que se tem, face a fatores textuais, ideacionais e interpessoais. Ainda, segundo a autora, atividades que promovam o racio- cínio e possibilitem vislumbrar as intenções por trás das palavras ajudarão também para tornar o aluno mais eficiente nas tarefas de compreensão de textos, já que, nas palavras da autora: “os dois pro- cessos praticamente representam o mesmo caminho percorrido em sentidos contrários” (Koch, 1989, p. 86). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra isé c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 177a linguística tExtual E a sala dE aula SínteseSíntese Neste capítulo, procuramos apenas mostrar algumas ideias de trabalho a serem desenvolvidos com os alunos a partir da linguís- tica textual. Trabalhar com a língua materna é algo que pode ser muito prazeroso, tanto para professores quanto para alunos. Mas, na maioria das vezes, o que se vê são crianças que já, nos primeiros anos escolares, dizem que não gostam de português. Não gostam como? Não gostam por quê? É triste dizer e entender que elas não gostam por causa de seus professores, daqueles que só querem “ensinar” as regras da lín- gua. Vimos neste capítulo que a gramática não deve, de forma al- guma, ser deixada de lado, mas que ela pode ser trazida para os textos, com os textos, a partir dos textos. Não só os textos en- contrados no imenso leque de gêneros textuais de que dispomos, mas, e principalmente, a partir dos textos produzidos pelos alunos. A gramática está aí. A linguística não a aboliu, muito pelo contrá- rio, até porque não é possível fazê-lo. O que a linguística propõe é um trabalho mais dinâmico, com a realidade da língua. Todos os conteúdos podem ser trabalhados, ninguém precisa se preocupar com isso, mas em outra ordem, com outro enfoque, com uma me- todologia mais eficiente, funcional. Vimos, ainda, que podemos literalmente brincar com as pa- lavras, brincar com a língua, brincar... E, assim, podemos levar os alunos a dominar saberes antes desconhecidos, antes despercebidos. Podemos tornar as aulas mais agradáveis e mais produtivas, lendo, fazendo ler, ouvindo, ensinando a ouvir, vendo, dirigindo olhares etc. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 178 rita do carmo polli da silva Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1 . 1 . De acordo com o que você estudou neste capítulo, avalie quais das proposições a seguir são corretas: I. I. Aluno proficiente é aquele capaz de desenvolver múltiplos gêneros textuais. II. II. As escolas, em sua grande maioria, nos dão os conteúdos prontos para cada série e não devemos nos afastar do que está escrito neles. III. III. É possível trabalhar gramática sem exigir que o aluno decore re- gras ou faça exercícios de preencher lacunas. IV. IV. Os alunos de hoje têm maior facilidade com a disciplina de Língua Portuguesa devido à multiplicidade de opções textuais a que eles têm acesso, por isso, a maioria gosta de estudar essa disciplina. V. V. Existem tipos de textos mais apropriados para as séries ini- ciais e os adequados para as séries mais adiantadas, devido à sua complexidade. As alternativas corretas são: a. a. I, II e III. b. b. II e IV. c. c. II e V. d. d. I e II. 2 . 2 . Assinale a alternativa correta: a. a. Com a linguística, as gramáticas foram deixadas de lado e o seu ensino não se faz mais necessário, pois não existe mais erro. b. b. A prática de longos anos de ensino gramatical mostrou que pri- meiro é preciso entendermos a gramática língua para depois co- nhecermos a língua. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 179a linguística tExtual E a sala dE aula c. c. O aluno tem o direito de ser familiarizado com o padrão da língua, pois é essa variedade que ele vai encontrar em muitos meios, e é ela que vai lhe abrir muitas portas. d. d. Por meio da tipologia textual, é possível apresentar aos alunos tex- tos extremamente formais e informais e explorar, inclusive, suas possibilidades gramaticais. 3 . 3 . Assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Depois, marque a opção que apresenta a sequência correta de respostas: ( ) ( ) Todos os gêneros são bons para o trabalho em sala de aula. Apesar disso, Bakhtin apresenta uma divisão em que os gêneros são divi- didos em dois grandes grupos: os gêneros comuns do cotidiano e os que advêm de contextos de comunicação mais complexos. ( ) ( ) O trabalho com os gêneros pode e deve ser feito de forma não li- near, ou seja, o trabalho pode contemplar um mesmo gênero em todas as séries, desde que com diferentes meios de abordagem e aprofundamento. ( ) ( ) Trabalhar a classificação dos gêneros, a leitura, a compreensão e a produção textual deve ter como meta o desenvolvimento no aluno das mais diversas habilidades. ( ) ( ) O trabalho com os diversos gêneros textuais, principalmente os do cotidiano do aluno, como receitas, e-mail, bilhetes etc., pode propiciar momentos muito agradáveis e produtivos de trabalho em sala de aula. ( ) ( ) A produção da redação em sala de aula é, geralmente, algo bas- tante gratificante; ela é um veículo de interação entre os alunos; eles promovem a troca de informações e sociabilizam o material produzido. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 180 rita do carmo polli da silva ( ) ( ) A linguística textual implementou o estudo a partir da tipologia textual. a. a. V, V, V, F, F, V. b. b. V, V, F, V, F, F. c. c. F, V, F, V, F, V. d. d. V, F, V, F, V, F. 4 . 4 . Leia as afirmações a seguir e assinale a que não corresponde ao que vimos no capítulo: a. a. O bom texto, a partir da teoria da linguística textual, é aquele que está perfeitamente adequado à situação para a qual foi produzido. b. b. Precisamos capacitar o aluno para ler além do explícito no texto, pois o sentido não está preso ao texto, mas na interação que existe entre as partes que o ligam: produtor/leitor/ouvinte. c. c. Precisamos adaptar os gêneros de acordo com a clientela com a qual trabalhamos, de modo a fazer com que o trabalho seja significativo. d. d. A literatura de cordel, bem como as publicidades e as propagan- das, são textos típicos para o trabalho com a oralidade, não sendo muito produtivos para a produção de textos. 5 . 5 . Nas proposições a seguir, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso. Depois, marque a opção que apresenta as respostas na ordem correta. ( ) ( ) Trabalhar com atividades de quebra-cabeças em sala de aula é bas- tante produtivo para todos, pois capacita o aluno a raciocinar, a es- tabelecer uma coerência, mesmo que não trabalhemos com textos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er ás er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 181a linguística tExtual E a sala dE aula ( ) ( ) Muitas vezes, a coerência é estabelecida a partir do conhecimento de mundo do leitor. Isso faz com que leitores diferentes atribuam coerência de maneira diferenciada, o que possibilita interpreta- ções variadas. ( ) ( ) Expressões faciais e gestos podem colaborar com a construção dos sentidos de uma determinada situação, pois ajudam a atribuir coe- rência textual. ( ) ( ) Podemos dizer que a coerência de um texto ou de uma situação é como um quebra-cabeça, pois precisamos ir juntar significados apropriados, pistas, para chegarmos a um resultado final. ( ) ( ) Dar títulos a textos e identificar o gênero a partir de trechos de um texto pode ser um exercício para a compreensão de como se constrói a coerência. ( ) ( ) As charges propiciam tipos de trabalhos diferenciados. Podemos simplesmente lê-las, ou explorá-las ao máximo. De qualquer forma, a partir delas, podemos desenvolver exercícios de nível fácil para os de menos idade. a. a. V, V, V, V, V, V. b. b. V, F, V, V, V, V. c. c. V, V, V, F, V, F. d. d. V, V, V, V, V, F. Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão 1 . 1 . Neste capítulo e em outros, falamos sobre o ensino da gramá- tica nas aulas de língua materna e sobre a necessidade de deixá-la Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 182 rita do carmo polli da silva acontecer a partir dos textos, nunca descontextualizada. Rodolfo Ilari, em 1985, escreveu o que segue. Leia com atenção e escreva uma interpretação para as palavras do autor: Haverá muito o que mudar antes que o ensino de português possa ser o que deve – um processo no qual o professor e os alunos entre si se enriquecem reciprocamente compartilhando sua experiência vivida de língua [...]. Mas a mudança virá daqueles que vivem o ensino, não daqueles que especulam sobre ele. De dentro. (Ilari, 1985, p. 45) 2 . 2 . Justifique a afirmação a seguir: “Quem lida com o ensino de lin- guagem tem que saber linguística” (Cagliari, 1996, p. 30). Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática 1 . 1 . Compare as tabelas dos PCN apresentadas neste capítulo, a dos “Gêneros privilegiados para a prática de escuta e leitura de textos” e a dos “Gêneros sugeridos para a prática de produção de textos orais e escritos”, e estabeleça diferenças entre elas. 2 . 2 . Releia com bastante atenção o quadro que mostra as 35 sequências didáticas para expressão oral e escrita (a partir de Dolz, Haller e Schneuwly, 1998), apresentado no capítulo, e escreva a sua análise da distribuição que consta no quadro. N en hu ma pa rte de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. ¶ ¶ v i m o s n E s t a o B r a v i m o s n E s t a o B r a um breve resumo da linguística textual e os fatores responsáveis pela construção dos sentidos. Não nos apro- fundamos no assunto, pois o objetivo da obra é apresentar uma fundamentação teórica. Trouxemos ideia de que o ensino da língua materna deveria ser feito através da análise textual foi trazida aqui, bem como a de que um bom texto deve apresentar coesão e coerên- cia. Com essa ideia, também veio a metodologia que orienta no sen- tido de expor aos alunos uma variedade grande de gêneros textuais. considerações finaisconsiderações finais Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 184 rita do carmo polli da silva A partir disso, podemos alçar grandes voos, depende muito de nós, de nossa concepção de língua e de ensino, mas principal- mente de nossa concepção de ensino de língua materna. O trabalho baseado na linguística textual nos traz diversas oportunidades de sairmos do marasmo, de ultrapassadas análises sintáticas, termi- nologias infindáveis e difíceis, listas de verbos (que nunca usamos, de tão raros), preenchimento de lacunas soltas, sem sentido para os alunos. Tais alunos até conseguem decorar o que era preciso ser decorado para as provas, mas na hora de produzir textos não usam tudo aquilo que decoraram. E sabe por quê? Porque eles sequer ti- nham uma leve noção de que o que tinham decorado para a prova teria uma utilidade prática, uma razão de ser. O problema não está no ensino da gramática, mas em como ela vem sendo trabalhada – o problema está no enfoque. A gra- mática está aí e precisa ser apresentada aos alunos. Eles precisam e têm o direito de se apropriarem da norma culta, de conhecê-la. Mas o pior de tudo é que ainda hoje, mesmo depois de tanto se falar e se ouvir sobre a linguística textual, ainda há muitos pro- fessores de língua materna que estão agarrados ao ensino antigo e ultrapassado. Você pode estar pensando que estou me referindo a professores mais velhos, não é mesmo? Não, não estou. É bem provável que existam alguns de mais idade sim, mas estou me re- ferindo a jovens professores e professoras, que fizeram bons cur- sos de graduação e especialização, que acham importante o aluno saber explicar tecnicamente o motivo de uma vírgula aqui ou ali, saber listinhas básicas disso ou daquilo, na pontinha da língua, bem decoradinho, que acham importante que o aluno saiba fazer análise sintática. Meu Deus! Importante para quê? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 185a linguística tExtual E a sala dE aula Para produzir bons textos? Será que ele vai ficar pensando nisso quando estiver escrevendo? Será? Não, ele não vai ficar pensando nisso, muito provavelmente porque não vai escrever, só se estivervalendo nota e na escola, por- que em outros ambientes ele dificilmente o fará, haja vista que aprendeu a não gostar da sua língua, visto que a considera difícil... mais que isso, ele “viu” o quanto ela é difícil... e é melhor deixar para lá. Ele pensa: “Um dia eu termino os estudos e nunca mais vou pre- cisar dela... me livrei!”. Livrou-se mesmo, livrou-se de ser apresen- tado à magia das palavras, dos textos, dos livros, da língua. E aquele professor (aquele das regrinhas) sempre estará achando que esses jovens estão cada vez mais desinteressados, que estão ficando burros, e agora então? Escrevem tudo errado por causa da internet. Agora não tem mais jeito, esses alunos não que- rem saber de estudar português. A linguística está aí, há algum tempo, assim como os PCN, livros e cursos com metodologias as mais diversas, sem falar da in- vasão tecnológica. Se tudo evoluiu para nós, para o aluno de hoje tudo é diferente do que era há uma década, por exemplo. As ino- vações vêm assim, num piscar de olhos. Se não corrermos atrás de novas metodologias e de nos aproximarmos do que realmente é im- portante, ficaremos vendo tudo, não só a banda, passar. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. glossárioglossário Conectores:Conectores: elementos que ligam partes das frases, que fazem a conexão. Cotexto:Cotexto: conjunto de elementos lin- guísticos (sintáticos, lexicais e morfológicos) que conduzem o en- tendimento dos termos no sintagma. É ele quem possibilita, restringe ou impede a substituição de lexemas. Refere-se ao que está ao redor, o que está escrito antes ou após um enun- ciado e que fornece subsídios para seu entendimento. É o termo usado na linguística para indicar partes específicas de um texto, próximas ou não da unidade que tem o foco de atenção do leitor/ouvinte. Contexto:Contexto: conjunto de elementos extralinguísticos, quaisquer que sejam eles, referentes à circunstân- cia em que o discurso se realiza e aos elementos sociais e culturais do mundo ao qual pertencem os inter- locutores, necessários para a produ- ção, a recepção e a interpretação de um texto. Estruturalismo:Estruturalismo: termo presente em vários campos de estudos (na Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 188 rita do carmo polli da silva sociologia, na astrologia, na filolo- gia, na psicanálise e na linguística), residindo na linguística o nosso in- teresse. Nesta área, o termo estrutu- ralismo foi inicialmente usado por Ferdinand de Saussure, no início do século XX, em seu livro Cours de linguistique générale (em português, Curso de linguística geral), publicado postumamente por dois de seus alunos, em 1916. Saussure propu- nha analisar como os elementos da língua se relacionavam entre si, quer por relações de correspondên- cia, quer por oposição em relação aos outros elementos da língua, a partir de uma análise sincrônica (focalizando fatos presentes) e não diacrônica (a partir de fatos his- tóricos). Para um estudo mais efi- caz, Saussure propõe dividir seu objeto de estudo em duas par- tes: langue (a língua propriamente dita, a que propicia a fala) e parole (grosso modo “a fala”, “a palavra”). Essa corrente linguística entende a língua como um conjunto de elementos interligados entre si, as estruturas da língua, daí estruturalismoestruturalismo. FramesFrames:: conjunto de conhecimen- tos guardados na memória, no qual as palavras são organizadas por uma relação de sentido de acordo com o contexto. Por exem- plo: fogofogo – fogão, fogueira, chama, queimadura, dor, hospital, médico, curativo ou, ainda, carnavalcarnaval – con- fete, serpentina, música, desfile, samba. Gerativismo:Gerativismo: movimento que se ori- ginou na segunda metade do sé- culo XX, também conhecido como teoria gerativa. Criado por Noam Chomsky, a teoria vem em contra- posição ao estruturalismo. Postula que todo falante dispõe de um co- nhecimento internalizado de lín- gua, uma gramática universal, a qual ele recorre objetivando efe- tivar seu desempenho linguístico. O gerativismo busca mostrar a competência do falante/ouvinte em combinar um número finito de Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 189a linguística tExtual E a sala dE aula regras para compreender e produ- zir um número infinito de frases de sua língua, mesmo que nunca as tenha ouvido. Interação:Interação: relação que envolve o es- critor/falante e o leitor/ouvinte, im- portante para a apreensão do sen- tido do texto, que não está nele, mas na interação estabelecida. Interlocutor:Interlocutor: cada uma das pessoas do discurso. Internetês:Internetês: linguagem típica da in- ternet, dos chats, Orkut, e-mails não formais, muito difundida entre os jovens. Tem como característica a abreviação das palavras. Intertexto:Intertexto: todo texto referido por outro na relação de intertex- tualidade. Léxico:Léxico: conjunto de palavras de uma língua; portanto, diferença lexical é uma diferença à nível vocabular. Locutor:Locutor: nesta obra, refere-se ao pro- dutor do texto, aquele que “fala” a partir do texto. Mnemônico:Mnemônico: que tem a ver com a me- mória, são relações mais fáceis de serem lembradas por razões de ou- tras que você já têm memorizadas. Reestruturação:Reestruturação: readequação, rees crita. Referente:Referente: o assunto do texto, aquilo do qual se está falando. Suporte:Suporte: suporte de um gênero é o local físico (jornal, embalagem, re- vista, livro) ou virtual (internet) no qual esse gênero está colocado; é o local que suporta o texto. O su- porte torna possível a visualização do texto. Variedade linguística:Variedade linguística: toda língua é constituída de muitasvarieda- des, ou seja, de falares que se di- ferenciam entre si, pela pronúncia, pelo léxico ou pela sintaxe. Cada “forma de falar” constitui uma va- riedade linguística da língua a que pertence. Grosso modo, todas as línguas têm as variedades culta e acoloquial. Estas, por sua vez, possuem muitas outras em seu es- copo. Por exemplo, no português, temos o falar caipira, baiano, pau- listano, curitibano, catarinense etc., e cada um ainda tem variedades Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 190 rita do carmo polli da silva diferentes, que dependem de di- versos fatores: sociais, escolaridade, sexo etc. Todas as variedades têm o mesmo valor, nenhuma é melhor que a outra – o falante que nas- ceu e mora em uma metrópole não possui uma variedade superior ou melhor do que a de um falante nas- cido e residente em uma cidade do interior; elas apenas são diferentes, cada uma com suas especificidades. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. referênciasreferências ALTMAN, M. C. F. S. Memórias da linguística na linguística brasileira. Revista da AnpollRevista da Anpoll, São Paulo, n. 2, p. 173-190, 1996. ______. A pesquisa linguística no Brasil (1968-1988)A pesquisa linguística no Brasil (1968-1988). São Paulo: Humanitas, 1998. BAKHTIN, M. Estética da criação verbalEstética da criação verbal. São Paulo: M. Fontes, 1994. ______. Marxismo e filosofia da linguagemMarxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004. BEAUGRANDE, R. A. de; DRESSLER, W. U. Introduction to text linIntroduction to text lin-- guisticsguistics. London: Longman, 1981. BELLERT, I. On a condition of the coherence of Texts. 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A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 194 rita do carmo polli da silva KOCH, I. V. O texto e a construção do sentidoO texto e a construção do sentido. Campinas, SP: Contexto, 1997. v. 2000. ______. Visão panorâmica das pesquisas sobre texto no Brasil. Ilha do desIlha do des-- terroterro, Florianópolis, SC, v. 27, 1992, p. 143-156. KOCH, I. V.; TRAVAGLIA, L. C. Texto e coerênciaTexto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989. ______. Coerência textualCoerência textual. São Paulo: Contexto, 1990. MACHADO DE ASSIS. Dom CasmurroDom Casmurro. Rio de Janeiro: Garnier, 1988. MARCUSCHI, L. A. Anáfora indireta: o barco textual e suas âncoras. Revista LetrasRevista Letras, Curitiba, n. 56, p. 217-258, jul./dez. 2001. ______. Análise da conversaçãoAnálise da conversação. 2. ed. São Paulo: Ática, 1988. ______. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. et al. 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São Paulo: Cortez, 2000. v. 1. No ultimo capítulo desta obra, em um texto relativamente curto, a autora apresenta um breve, mas bem estruturado resumo da linguística textual, de um percurso histórico voltado à aplicação prática, passando pelo conceito de texto, conceituação de coerência e coesão para a construção dos sentidos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 198 rita do carmo polli da silva KOCH, I.; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1990. Os dois pesquisadores, consagrados nessa área, apresentam nessa obra uma boa fun- damentação teórica a respeito dos conceitos básicos da linguística textual. Trata-se de uma leitura obrigatória para quem pretende se aprofundar na área. KOCH, I. A coesão textualA coesão textual. São Paulo: Contexto, 1999. Nesse livro, a autora inicia com uma apresentação da linguística textual a partir de uma objetiva revisão da literatura especializada da área. Na sequência, aborda a coe- são a partir da sequencial e da referencial. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. respostasrespostas um Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. b 2. b 3. c 4. d 5. a Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questõespara reflexãoQuestões para reflexão 1. A ideia é o leitor, em seu texto, mostrar que a fase transfrástica se propunha a analisar a relação que poderia existir entre as frases, que a gramática do texto apresentava um escopo maior, e que as teorias do texto chegaram a mencionar o entorno do texto, o que está fora dele, relevante tanto para a produ- ção como para interpretação. 2. Espera-se que o leitor entenda que a pragmática não mencionava os processos mentais, introduzidos pelas teorias cujo referencial teó- rico era a cognição. Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática 1. a) Pois; porque. Relação explicativa. b) Pois; porque. Relação explicativa. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 200 rita do carmo polli da silva c) Portanto; por isso. Relação conclu- siva. d) Mas; todavia; no entanto; porém. Relação adversativa e/ou explica- tiva. e) Porque; pois. Relação explicativa. 2. 1°) Eles – os brasileiros do Nordeste que são atraídos pela industria- lização e a urbanização de São Paulo. 2°) Seus – desafios dos brasileiros do Nordeste que são atraídos... 3°) Essa – Dadas às precárias condi- ções de vida no lugar de origem, eles continuam correndo atrás de uma vida melhor, alimentados pela ilusão de que São Paulo é a resposta a seus desafios. 4°) Disso – a interpretação da cidade como local do emprego e da boa qualidade de vida que começou a ruir anos atrás, fazendo com que parcela considerável dos migrantes passasse a observar melhor o des- tino de suas andanças antes de se aventurar na direção do Sudeste. dois Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. c 2. c 3. c 4. a 5. d Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questão para reflexãoQuestão para reflexão As respostas podem ser as mais di- versas, por exemplo: a) Falante A — Talvez esteja suge- rindo um convite. Falante B — Dentro dessa pers- pectiva, o ouvinte estaria se recusando. b) Falante A — Pedido para que al- guém atenda a campainha. Falante B — Recusa a justificativa. Falante A — Assentimento da justificativa. Falante B — Se for para mim, avise que vou demorar. Atividade aplicada: práticaAtividade aplicada: prática a) A coerência é estabelecida den- tro do mundo criado para esse texto. A intenção foi de criar algo Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 201a linguística tExtual E a sala dE aula impossível, fantástico. Lembrar que um texto deve ser coerente dentro de um mundo possível e é considerado bem formado quando seu sentido consegue ser recupe- rado pelos usuários. b) Imagine a situação em que Joãozinho fosse uma criança que está brincando de virar camba- lhotas e não está tendo muito su- cesso. Seu irmão mais velho avisa sua mãe que faça com que ele pare. Ela não reage, deixa o menino brincar como quiser. Depois de algum tempo, Joãozinho vem cho- rando que está com dor de cabeça, que já parou de brincar, e a cabeça não para de doer. Seu irmão mais velho diz: Joãozinho está com dor de cabeça (como eu falei que esta- ria). Dois mais dois são quatro (isto era sabido, era óbvio, era certo que aconteceria). três Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. c 2. d 3. c 4. b 5. c 6. a Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão 1. — Tudo o quê? A história toda que vem na sequência. — Qual portão? Portão da escola. — Ele quem, não quis ouvir? A quem se referem os termos lhe e ele no segundo parágrafo? E o o no terceiro? Qual rapaz havia se enga- nado? Quem é o referente de ele no final do terceiro parágrafo? Todas referem ao rapaz muito forte. — Essa história? Qual? A que está sendo contada no momento. — Que outra história? Uma nova história. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 202 rita do carmo polli da silva — Quem é o salvador? O jovem que deu um soco no rapaz forte do iní- cio da história. — Assim como, o namoro come- çou? Assim, da maneira que aca- bou de ser contada. 2. Esse , Não se trata apenas de um cabo, mas de um novo padrão de transmis- são de dados, -lo e Ele referem-se ao HDMI. O –os, por sua vez, refere- -se os cabos de áudio e vídeo. Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática Resposta pessoal. quatro Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. d 2. c 3. b 4. c 5. d Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questão para reflexãoQuestão para reflexão As questões aqui propostas admi- tem respostas pessoais, mas prova- velmente elas girem em torno de: a) talvez o garçom estivesse querendo demonstrar seu nervosismo ou apenas deixar claro o que estava pretendendo; b) podemos ter duas situações nesse caso: o garçom não entendeu, de fato, ou resolveu entrar na brin- cadeira. Assim, ou ele cansou de tentar se fazer entender, ou queria fazer o cliente “provar do próprio veneno”. Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática 1. A) Canção do Exílio – Gonçalves Dias. B) Vou me embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira. 2. A intertextualidade presente nesses textos é a implícita, pois não há ne- nhuma referência ao intertexto. cinco Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. d 2. c 3. a 4. b 5. b Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 203a linguística tExtual E a sala dE aula Atividades de aprendizagemAtividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão Respostas pessoais. Atividade aplicada: práticaAtividade aplicada: prática Respostas pessoais. seisseis Atividades de autoavaliaçãoAtividades de autoavaliação 1. a 2. c 3. b 4.d 5. d Atividades de aprendizagem Questões para reflexãoQuestões para reflexão Respostas pessoais. Atividades aplicadas: práticaAtividades aplicadas: prática Respostas pessoais. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. a autoraa autora ¶ ¶ r i t a d o c a r m o r i t a d o c a r m o p o l l i d a s i l v a cursou a faculdade de Letras – Licenciatura plena em Língua Portuguesa – na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Após a conclusão da graduação, iniciou carreira na Secretaria Estadual de Edu- cação do Estado do Paraná como professora, ministran- do dá aulas para o ensino médio. É professora da Faculdade Paranaense (Fapar) e dos cursos de graduação e pós-gra- duação a distância da Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter). Iniciou sua pós-graduação com o curso Especialização em Magistério de 1º e 2º Grau, pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (Ibpex). De 2003 a 2005, fez mestra- do em Estudos Linguísticos e, em 2006, iniciou o doutorado na mesma área, ambos pela UFPR. Seus estudos têm como foco a análise do português do Brasil. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Rita do Carmo Polli da Silva R ita d o C a r m o Po lli d a Silva A linguística textual e a sala de aula Pelos corredores das escolas brasileiras não é raro encontrar um ou outro aluno decorando regras e conceitos gramaticais para tirar uma boa nota na prova de Língua Portuguesa. Passado esse momento, ao produzir um texto, esse mesmo aluno acaba não usando boa parte daquilo que decorou. O motivo? Ele não tem noção de que o conteúdo decorado poderia ter uma utili- dade prática, uma razão de ser! Por meio de conceitos históricos, indicações de leitura e exemplos que englobam a realidade escolar dos dias atuais – influenciada pela mídia, pela escrita vigente na internet, dentre outros aspectos –, o conteúdo presente nestas páginas sugere novas práticas para o ensino de Língua Portuguesa. Aqui, cada professor é convidado a repensar sua prática docente, de modo que possibilite aos seus alunos a verdadeira compreensão do conteúdo que lhes é ensinado, além de introduzi-los na arte de trabalhar com as palavras, os textos, os livros e a nossa língua. Série Língua Portuguesa em Foco Série Língua Portuguesa em Foco SÉ R IE LÍ N G U A P O R T U G U ES A E M F O C O SÉ R IE LÍ N G U A P O R T U G U ES A E M F O C O Blank Page Blank Page