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AULA 3 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS PARA TOMADA DE DECISÃO Profª Lúcia Young 2 TEMA 1 – APURAÇÃO DE CUSTOS Para apurarmos os custos de uma empresa, é necessário conhecermos alguns elementos – sete, ao todo –, que veremos na sequência. 1.1 Matéria-prima aplicada Segundo Ferrari (2015, p. 91), a matéria-prima aplicada “[...] corresponde à matéria-prima retirada do estoque e aplicada na fabricação dos produtos, independentemente se esses produtos ficarão prontos ou não no período de aplicação dessas matérias-primas”. Você sabia? Para encontrar o valor da matéria-prima aplicada, utilizamos a seguinte fórmula: MPA = EIMP + CMP – EFMP, onde: MPA = matéria-prima aplicada; EIMP = estoque inicial de matérias-primas; CMP = compra de matérias-primas; EFMP = estoque final de matérias-primas. 1.2 Custo primário Ainda segundo Ferrari (2015, p. 92), custo primário “É o somatório da matéria prima [sic] aplicada (MPA) com a mão de obra direta.” A fórmula a ser aplicada é a seguinte: CPr = MPA + MOD, onde: CPr = custo primário; MPA = custo da matéria-prima aplicada; MOD = mão de obra direta. 1.3 Custo de transformação O custo de transformação pode ser obtido da seguinte fórmula: CTr = MOD + CIF, onde CTr = custo de transformação; MOD = mão de obra direta; CIF = custos indiretos de fabricação. 1.4 Custo de produção O custo de produção é encontrado levando-se em consideração todos os elementos que compõem o custo, com emprego da seguinte fórmula: CP = MPA + MOD + CIF, onde: CP = custo de produção; MPA = matéria-prima aplicada; MOD = mão de obra direta; CIF = custos indiretos de fabricação. 3 1.5 Custo da produção acabada O custo de produção acabada, também chamado de custo de fabricação, segundo Ferrari (2015, p. 94), “[...] representa o custo total de fabricação de todos os produtos que ficaram prontos no período ao qual se refere, independentemente de o início da fabricação desses produtos ter-se dado no período atual ou em períodos anteriores.” Esse custo é encontrado mediante a utilização da seguinte fórmula: CPA = EIPE + CP – EFPE. 1.6 Custo dos produtos disponíveis para venda Ferrari (2015, p. 95) estabelece que o custo dos produtos disponíveis para venda “[...] corresponde à soma dos produtos que foram terminados em períodos anteriores, o qual sabemos equivaler ao Estoque Inicial dos Produtos Prontos (EIPP), com os produtos que foram acabados no período atual, o qual sabemos que equivale ao Custo da Produção Acabada (CPA) no referido período.” 1.7 Custo dos produtos vendidos Por fim, temos o custo dos produtos vendidos, que encontrado se utilizando da seguinte fórmula: CPV = EIPP + CPA – EFPP. Existem autores que fazem uma substituição dessa fórmula anterior, desmembrando-a da seguinte forma, para a obtenção do mesmo resultado: CPV = EIPP + EIPE + MPA + MOD + CIF – EFPE – EFPP. TEMA 2 – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES Estoque é um item fundamental para quem estuda custos de uma empresa. É preciso conhecer os métodos de mensuração dos elementos que compõem o estoque. No livro Registo de Inventários é que devem constar matérias-primas e outros materiais utilizados no processo de produção. A conta Estoques precisa estar segregada em produtos em elaboração, produtos acabados, produtos de terceiros em poder da empresa, bens de uso e consumo. A empresa precisa estudar muito bem seu estoque para averiguar se há necessidade de comprar mais itens ou não para o seu processo produtivo, se há quantidade suficiente de produtos em estoque para um período x, se ela precisa produzir mais ou parar a produção. Um exemplo é uma montadora de veículos 4 que esteja com o pátio cheio. Seus gestores devem avaliar se é o momento de lançar um novo veículo ou de vender o que se tem no estoque, ou seja, como se livrar desse estoque sem ter prejuízo. Por outro lado, caso a empresa tenha comprado pouca matéria-prima, irá precisar fazer mais aquisição de matérias-primas cujo preço pode ter variado desde a compra anterior. Então, faz-se necessário ter um critério para mensuração desse estoque de matérias-primas. Os critérios mais relevantes para a avaliação de estoques são: a. primeiro que entra é o primeiro que sai (Peps); b. último a entrar é o primeiro a sair (Ueps); c. custo médio ponderado; d. preço de venda subtraído da margem de lucro. O autor Osni Moura Ribeiro (2009, p. 91) ainda cita o seguinte critério: “critério do custo ou preço específico”, segundo o qual se atribui a cada unidade do estoque o preço que foi efetivamente pago por ela. Ele argumenta que esse critério deve ser utilizado quando for fácil a identificação física do bem, como no caso de um veículo. 2.1 Peps Um dos critérios de avaliação de estoques é o Peps, também conhecido por first in, first out (Fifo), no inglês. Com esse critério, será atribuído aos produtos em estoque os custos mais recentes obtidos. O critério Peps pressupõe que itens de estoque comprados ou produzidos primeiro tenham preferência de venda e que, consequentemente, os itens que permaneçam em estoque, no fim de um período, sejam aqueles comprados ou produzidos de forma mais recente, conforme Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) 16 (R1), item 27; e Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral (NBC TG) 16 (R2), item 27 (CPC, 2009; CFC, 2017). Saiba mais Quer conhecer um modelo do método Peps? Se sim, então sugerimos que assista ao vídeo disponível no seguinte endereço: . Acesso em: 17 maio 2021 (Aula 5, 2019). 5 2.2 Ueps Pelo critério do Ueps, também conhecido como last in, first out (Lifo), o último item que entra no estoque é o primeiro a sair. Com esse método, a empresa atribui aos itens em estoque os custos mais antigos. Com isso, a tributação diminui e esse critério não é admitido pela legislação fiscal. No critério Ueps, os estoques são avaliados com base nos itens mais recentes, como se esses fossem os primeiros itens vendidos. Esse é um dos métodos de controle de estoque mais eficientes para o planejamento da produção, pois permite ajustes rápidos nos preços e quantidades de produtos, que passam a ser fabricados de acordo com o consumo real. Uma vez que os últimos itens adicionados são os primeiros a serem vendidos pela empresa, tem-se uma média do consumo de cada período, o que possibilita prever o consumo futuro à medida que novos produtos vão sendo acrescidos ao estoque. Esse método, porém, como já dito, não é admitido para fins fiscais – tampouco para fins contábeis. Entretanto, ele é útil para fins gerenciais. Saiba mais Quer conhecer um modelo do método Ueps? Se sim, então sugerimos que assista ao vídeo disponível no seguinte endereço: . Acesso em: 17 maio 2021 (Aula 6, 2019). 2.3 Custo ou preço médio ponderável Pelo critério do custo ou preço médio ponderável, os itens em estoque são avaliados pela média dos seus custos de aquisição. A cada aquisição, o valor dessa média é atualizado. Como isso, o custo de cada item é determinado pela média ponderada do custo de itens semelhantes comprados ou produzidos durante um dado período, consoante Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1), item 27; e NBC TG 16 (R2), item 27 (CPC, 2009; CFC, 2017). Saiba mais Quer conhecer um modelo do método do custo ou preço médio ponderado? Se sim, então sugerimos que assista ao vídeo disponível no seguinte endereço: . Acesso em: 17 maio 2021 (Aula 7, 2019). 6 2.4 Custo ou preço de venda subtraído da margem de lucro O critério do preço de venda subtraído da margem de lucro é uma opção prevista no Decreto n. 9.580/2018 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), art. 307 (Brasil, 2018). TEMA 3 – CUSTOS CONTROLÁVEIS E CUSTOS ESTIMADOS Para queuma empresa não compre demasiado ou lhe falte estoque, ela precisa fazer um planejamento para investir corretamente, evitando faltas e excessos. Devem ser elaboradas previsões, estimativas sobre vendas, também conhecidas como orçamentos. Esses orçamentos podem ser confeccionados por meio de médias, arbitramento, tendências, progressão aritmética, entre outras variáveis. Segundo Silva (2014, p. 144), “Os desejos de administração devem respaldar a elaboração dos orçamentos de maneira a permitir com que estes sejam adequados ao problema da empresa.” Com isso, ele indica que deve ser elaborado o orçamento da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e demais orçamentos de custos e produção. Por intermédio da DRE o gestor pode perceber se a receita está vindo da parte operacional ou de outras receitas da empresa, bem como controlar os seus custos e despesas, avaliando se são os custos das mercadorias vendidas ou se são as despesas de cunho administrativo, comercial ou financeiro que estão onerando mais a empresa. Muitas vezes, tem-se essas informações contábeis que auxiliam demais em uma tomada de decisões, mas elas não são valorizadas como deveriam e, com isso, as empresas acabam perecendo, com dados preciosos que não foram estudados com a profundidade com que deveriam ter sido, o que poderia evitar muitas situações desagradáveis e prejuízos para a empresa. Existem custos que as empresas podem estimar, pois são fixos, constantes, controláveis. As empresas precisam fazer de tudo para reduzir ao máximo esses custos fixos, sem, contudo, com isso, perder a qualidade da produção e de seus produtos. Temos como, com uso das peças contábeis, termos uma ideia do comportamento de uma empresa e, com isso, projetar valores com base em estudo de mercado, estudo comparativo e outras análises, não apenas por opinião ou achismo. Outro ponto é se verificar se a empresa possui capacidade de produção, levando-se em conta sua disponibilidade de mão de 7 obra, matérias-primas, maquinários, infraestrutura, logística, capital para encarar determinados pedidos ou demandas do mercado. Numa breve análise: caso ocorram mais custos do que os previstos e a empresa não tenha caixa para isso, não possua um planejamento estratégico para lidar com a situação, ela poderá, até mesmo, no limite, falir. Segundo Eliseu Martins (2018, p. 287): “Pode-se dizer que a empresa tem Controle dos seus Custos e Despesas quando conhece os que estão sendo incorridos, verifica se estão dentro do que era esperado, analisa as divergências e toma medidas para correção de tais desvios.” Ainda para o citado autor, os custos estimados são “[...] melhorias introduzidas nos custos médios passados em função de determinadas expectativas quanto ao futuro” (Martins, 2018, p. 294). Em suma, em relação aos custos controláveis, a empresa possui o controle sobre os seus custos quando tem uma previsão/estimativa do que eles deveriam ser e compara os custos reais com essa previsão/estimativa, possibilitando com isso a identificação de possíveis distorções e a sua imediata correção. Por sua vez, os custos não controláveis são aqueles que estão fora dessa sistemática. TEMA 4 – CONTROLE DE CUSTOS ADMINISTRATIVOS E COMERCIAIS Toda empresa precisa controlar o seu total de gastos periodicamente, seja com custos, seja com despesas. Em regra geral, os gastos administrativos e comerciais das empresas são classificados como despesas. Na DRE fica bem definido esse ponto. Conforme estabelece o art. 187 da Lei n. 6.404/1976 (Brasil, 1976), a DRE deve discriminar: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI - as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; e VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. (Brasil, 1976) 8 O assunto é abordado ainda na alínea c da citada lei. Já no Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), que trata da apresentação das demonstrações contábeis, vemos, em seu item 82, o seguinte: 82. Além dos itens requeridos em outros pronunciamentos, a demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas, obedecidas também às determinações legais: (a) receitas, apresentando separadamente receita de juros calculada utilizando o método de juros efetivos; (aa) ganhos e perdas decorrentes do desreconhecimento de ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado; (b) custos de financiamento; (ba) perda por redução ao valor recuperável (incluindo reversões de perdas por redução ao valor recuperável ou ganhos na redução ao valor recuperável), determinado de acordo com a Seção 5.5 do CPC 48; (c) parcela dos resultados de empresas investidas, reconhecida por meio do método da equivalência patrimonial; (ca) se o ativo financeiro for reclassificado da categoria de mensuração ao custo amortizado de modo que seja mensurado ao valor justo por meio do resultado, qualquer ganho ou perda decorrente da diferença entre o custo amortizado anterior do ativo financeiro e seu valor justo na data da reclassificação (conforme definido no CPC 48); (cb) se o ativo financeiro for reclassificado da categoria de mensuração ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes de modo que seja mensurado ao valor justo por meio do resultado, qualquer ganho ou perda acumulado reconhecido anteriormente em outros resultados abrangentes que sejam reclassificados para o resultado; (d) tributos sobre o lucro; (e) (eliminada); (ea) um único valor para o total de operações descontinuadas (ver Pronunciamento Técnico CPC 31); (f) em atendimento à legislação societária brasileira vigente na data da emissão deste Pronunciamento, a demonstração do resultado deve incluir ainda as seguintes rubricas: (i) custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos; (ii) lucro bruto; (iii) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais; (iv) resultado antes das receitas e despesas financeiras; (v) resultado antes dos tributos sobre o lucro; (vi) resultado líquido do período. (CPC, 2011) Com isso, podemos distinguir bem a abrangência de custos e de despesas na própria DRE, assim como o impacto que ambos causam para as empresas, lembrando que custo representa o gasto referente à aquisição ou produção de um bem de venda ou de uso e está ligado ao processo de produção, enquanto, por seu turno, a despesa é o gasto que a empresa tem, porém, não ligado intrinsecamente à sua produção, como com as vendas (comissões pagas a vendedores, fretes, marketing), com a administração da empresa (aluguel, água, luz, telefone), com os juros de empréstimos bancários (despesas financeiras) etc. A DRE evidencia a formação dos diversos níveis de resultados mediante o confronto entre as receitas e os seus correspondentes custos e despesas, 9 conforme Lei n. 6.404/1976, art. 187, com as alterações dadas pelas Leis n. 9.249/1995, 11.638/2007 e 11.941/2009 (Brasil, 1976, 1995, 2007, 2009). TEMA 5 – CUSTOS, PARA FINS FISCAIS Vimos que o custo da aquisição de mercadorias destinadas à venda deve incluir os valores que englobam desde o transporte e o seguro da mercadoria até que ela chegue ao estabelecimento do contribuinte, bem como, os tributos nãorecuperáveis devidos na aquisição ou importação. Ressalte-se que os gastos com desembaraço aduaneiro também integram esse custo de aquisição. Conforme o RIR/2018, Art. 302. O custo de produção dos bens ou dos serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I - o custo de aquisição de matérias-primas e de outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, [...] [inclusive os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos não recuperáveis devidos na aquisição ou importação]; II - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, na manutenção e na guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV - os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e V - os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. (Brasil, 2018) As pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no lucro real devem, ao final de cada período de apuração, proceder ao levantamento e à avaliação dos estoques existentes, devendo essa providência abranger, segundo os art. 276 e 304 do RIR/2018 (Brasil, 2018), os estoques de: a. mercadorias para revenda, nas empresas comerciais; b. matérias-primas; materiais auxiliares e outros materiais empregados na produção; e produtos acabados e em elaboração, nas empresas industriais; c. outros bens existentes em almoxarifado, em qualquer empresa. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, bem como o de matérias-primas e quaisquer outros bens utilizados ou consumidos na produção industrial, compreendem, além do preço pago ao fornecedor, as despesas de transporte e de seguro até a entrega dos bens no estabelecimento do adquirente, os impostos não recuperáveis pagos na aquisição ou na 10 importação e os gastos com desembaraço aduaneiro, conforme RIR/2018, art. 301, parágrafos 1º a 3º (Brasil, 2018). Impostos não recuperáveis são aqueles os quais o adquirente dos bens não pode creditar nos seus livros fiscais, por exemplo: a. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pago na aquisição de mercadorias, por comerciante varejista ou atacadista não equiparado a industrial; b. Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) pago na aquisição de mercadorias cuja saída do estabelecimento adquirente não gera débito desse imposto e para as quais não haja permissão legal para manutenção do crédito pela entrada. Quando aos critérios de avaliação de estoques, os estoques existentes na data do encerramento do período de apuração podem ser avaliados pelo seu custo médio ponderado de aquisição ou produção ou pelo custo dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente (Peps). Admite-se, ainda, a avaliação com base no seu preço de venda, subtraída a margem de lucro, conforme art. 307 do RIR/2018 (Brasil, 2018). O custo médio ponderado consiste em se avaliar o estoque pelo custo médio de aquisição apurado em cada entrada de material, ponderado pelas quantidades adicionadas e pelas anteriormente existentes. Por sua vez, o custo das aquisições mais recentes, no método conhecido como Peps, as saídas de estoque são avaliadas pelos respectivos custos de aquisição, pela ordem de entrada; dessa forma, o estoque sempre será avaliado pelos custos das aquisições mais recentes. Na avaliação de produtos acabados, o custo desses produtos deve ser determinado com observância do método conhecido como de custeio por absorção (também chamado de custeio pleno ou integral), não sendo admitida, para efeitos fiscais, a adoção do custeio direito ou variável. Sobre arbitramento do valor de estoques, se a empresa industrial não mantiver sistema de contabilidade de custos ou se o sistema por ela mantido não possuir os requisitos para ser considerado integrado e coordenado com o restante da escrituração, os estoques existentes no final do período de apuração deverão, obrigatoriamente, ser avaliados de acordo com as seguintes regras: 11 a. os produtos acabados serão avaliados em 70% do maior preço de venda verificado no período-base, sem a inclusão do IPI, quando for o caso; b. os materiais que se encontrarem em processamento no setor de produção (produtos em elaboração), na data de encerramento do período-base, deverão ser avaliados por um dos seguintes critérios: • uma vez e meia o maior custo de aquisição das matérias-primas adquiridas no período-base (excluídos o IPI, o ICMS, o Programa de Integração Social e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, quando recuperáveis); • ou 80% do valor-base para avaliação dos produtos acabados. Vários são os tributos incidentes em uma venda, tais como: ICMS, IPI, PIS, Cofins, Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB). O IPI e o ICMS incidentes sobre vendas são deduzidos da receita bruta na determinação da receita líquida de vendas, conforme já visto ao analisarmos a DRE. De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 47, item 47, os tributos que incidem proporcionalmente sobre o faturamento da empresa (vendas de mercadorias e produtos e prestação de serviços), tais como o ICMS, o ISS, a Cofins e a contribuição para PIS/Pasep, devem ser registrados em contas próprias de resultado, cujos saldos, na DRE, aparecem como parcelas redutoras da receita bruta para a determinação da receita líquida (CPC, 2016). 12 REFERÊNCIAS AULA 5: Peps (primeiro que entra, primeiro que sai). Professor Daniel Santana, 26 abr. 2019. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. AULA 6: Ueps (último que entra, primeiro que sai). Professor Daniel Santana, 6 jun. 2019. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. AULA 7: custo médio ponderado. Professor Daniel Santana, 13 ago. 2019. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. BRASIL. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 23 nov. 2018. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. _____. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Brasília, 17 dez. 2021. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. _____. Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Diário Oficial da União, Brasília, 27 dez. 1995. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. _____. Lei n. 11.638, de 27 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, 28 dez. 2007. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. _____. Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009. Diário Oficial da União, Brasília, 28 maio 2009. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC TG 16 (R2): estoques. Diário Oficial da União, Brasília, 22 dez. 2017. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. 13 CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1): estoques. Brasília, 8 set. 2009. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, 15 dez. 2011. Disponível em: .Acesso em: 3 maio 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 47: receita de contrato com cliente. Brasília, 22 dez. 2016. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2021. FERRARI, E. L. Contabilidade de custos: teoria facilitada e todas as questões resolvidas. Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2015. MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: GEN; Atlas, 2018. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos fácil. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. SILVA, R. A. C. da. Controle gerencial dos custos. Curitiba: Juruá Editora, 2014.