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Unidade I sobre Direito e políticas públicas para o agronegócio, com foco em legislação e normas técnicas. Inclui biografias das autoras, legenda de ícones e sumário com noções jurídicas, história e princípios do Direito Agrário, origem e fundamentos do agronegócio.

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Unidade I
Direito e políticas públicas para o 
Agronegócio 
Legislação e normas 
técnicas aplicadas 
ao Agronegócio
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
MARIA CLARA DONATO ALVES
MARTIELE CORTES BORGES
NATHALIA ELLEN SILVA BEZERRA
AUTORIA
Maria Clara Donato Alves
Olá. Sou advogada, graduada em Direito na Faculdade de Ciências 
Sociais e Aplicadas (Facisa), com bolsa integral fornecida pelo Programa 
Federal Universidade para Todos (Prouni), pós-graduada em Inteligência 
Policial pela Faculdade Campos Elíseos (FCE) e curso Pós-Graduação em 
Direito Penal e Criminologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio 
Grande do Sul (PUCRS). Atualmente, atuo como assistente administrativo 
na FiberHome. Além disso, faço pesquisa na área de Direito Penal, Perícia 
Criminal, Psicologia Forense, Criminalística, Direitos Humanos, LGPD e 
GDPR e Compliance em Proteção de Dados. Estou muito feliz em poder 
ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Martiele Cortes Borges
Olá. Sou graduada em Administração, especialização em 
Marketing, mestra em Agronegócios e doutoranda em Agronegócios pela 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além disso, participo 
dos grupos de pesquisa em Estratégia, Internacionalização e Inovação 
(Gpei-UFRGS) e de pesquisa em Sustentabilidade (GPS). Tenho experiência 
docente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-
Riograndense (IFSul), onde atuei como professora substituta, além de ter 
atuado como tutora a distância no curso de Desenvolvimento Rural pela 
UAB/Capes (2016) e facilitadora em maratonas de empreendedorismo 
em outras instituições.
Nathalia Ellen Silva Bezerra
Olá. Sou mestranda em Administração pela Universidade Federal 
de Campina Grande (UFCG); especialista em Direito do Trabalho e 
Previdenciário pelo Centro Universitário de Patos (Unifip); e bacharela em 
Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Além disso, atuo 
como conciliadora jurídica no Centro Judiciário de Solução de Conflitos 
V (CEJUSC V) do Tribunal de Justiça da Paraíba, na Comarca de Campina 
Grande (PB). Minhas principais áreas de interesse são: Direito Ambiental, 
Direitos Humanos, Direito Civil, Direito do Trabalho, Direito do Consumidor, 
Direito Previdenciário, Direito Constitucional e Direito Administrativo. 
Também atuo como advogada e sou membro da Comissão de Direito 
Previdenciário da Ordem dos Advogados do Brasil. Estou muito feliz em 
poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento;
REFLITA:
se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a ser 
refletido ou discutido;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada;
TESTANDO:
quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Noções gerais do direito aplicado ao agronegócio ..................... 12
O que é Agronegócio? ................................................................................................................. 12
Direito e Agronegócio .................................................................................................................. 17
Importância do Direito para o Agronegócio ................................................................ 19
Desenvolvimento histórico do direito no agronegócio ...............22
A história do Direito Agrário .....................................................................................................22
O surgimento do Direito Agrário no Brasil .....................................................................25
Princípios do Direito Agrário ....................................................................................................28
Origem do Agronegócio .............................................................................................................29
Percursos do Direito do Agronegócio .............................................................................. 31
Fundamentos do agronegócio e segmentos agroindustriais .. 33
Fundamentos econômicos do Agronegócio ..............................................................33
Sistemas agroindustriais ........................................................................................................... 39
Segmentos do sistema agroindustrial ............................................................................ 40
Segmentos antes da porteira ............................................................................. 40
Segmentos dentro da porteira ...........................................................................42
Segmentos depois da porteira ...........................................................................42
Governo e políticas agrícolas ................................................................44
Política agrícola: conceito, características e história .............................................44
Políticas agrícolas no Brasil .................................................................................................... 50
Instrumentos da política agrícola ........................................................................................53
9
UNIDADE
01
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
10
INTRODUÇÃO
Você sabia que a área da Agricultura é de extrema importância 
para o desenvolvimento da Economia presente tanto no meio mundial 
quanto no cenário nacional? Considerando a importância da agricultura 
e do Agronegócio, ao longo deste capítulo, iremos estudar quais são os 
principais direitos e políticas públicas voltados para esse campo do saber. 
Nessa perspectiva, ao longo da desta Unidade, teremos como intenção 
definir e debater de forma crítica acerca dos conceitos gerais que são 
aplicados ao Agronegócio. Também, estudaremos quais são os marcos 
históricos relativos à evolução do Direito presente no Agronegócio, tanto 
no Brasil quanto no mundo. Além disso, destinaremos atenção para os 
sistemas agroindustriais e as políticas agrárias com a intenção de ampliar 
os nossos conhecimentos sobre o tema em pauta. Entendeu? Ao longo 
desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Direito e políticas públicas 
para o Agronegócio. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento 
das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de 
estudos:
1. Definir e debater criticamente os conceitos gerais do Direito 
aplicado ao Agronegócio.
2. Identificar os marcos históricos da evolução do Direito relacionado 
ao Agronegócio no Brasil e no mundo.
3. Entender os segmentos dos sistemas agroindustriais à luz da 
classificação estabelecida pelas normas e pelo ordenamento 
jurídico.
4. Identificar e avaliar as políticas públicas e ações governamentais 
de fomento ao Agronegócio, compreendendo seus deveres e 
obrigações constitucionais. 
Legislação e normas técnicas aplicadas aonão tenham acesso ao crédito rural.
Outra política agrária que merece atenção faz menção à agroenergia, 
tendo como finalidade a intenção de diminuir o uso dos combustíveis 
fósseis, buscando, ainda, incentivas a utilização dos biocombustíveis, por 
meio dos programas envolvendo o etanol e o biodiesel.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
52
Figura 12 – O etanol deriva da cana-de-açúcar
 
Fonte: Freepik.
Isso implica dizer que por meio da agroenergia é possível que 
uma série de impactos que podem atingir o meio ambiente sejam 
implementados. Dessa forma, serão utilizadas fontes mais baratas de 
energia. Além disso, os produtos agrícolas são encarados na atualidade 
como a segunda maior fonte de energia a nível mundial.
Em terceiro lugar, são mencionadas as políticas agrícolas envolvendo 
o combate à seca, assim, existem vários tipos de métodos utilizados de 
maneira que os impactos relativos à seca sejam combatidos e dirimidos, 
sendo tais práticas aplicadas principalmente na região Nordeste. Algumas 
das medidas envolvem: linhas de crédito especial do Banco do Nordeste, 
bolsa de estiagem e a antecipação da garantia-safra, entre outros.
Além das já mencionadas, existem outras leis que são importantes 
para o âmbito e o desenvolvimento das políticas agrícolas nacionais, 
sendo essas:
 • Lei nº 10.246, de 2 julho de 2001.
 • Lei nº 10.298, de 30 de outubro de 2001.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
53
 • Lei nº 13.901, de 11 de novembro de 2019.
 • Decreto nº 4.623, de 21 de março de 2003.
Nessa perspectiva, destaca-se que também existem determinações 
constitucionais que se referem a tais políticas, sendo esse o caso do 
disposto no art. 174 da Constituição da República Federativa de 1988.
Instrumentos da política agrícola
O Mapa e a Secretaria de Agricultura Familiar e Corporativismo 
(SAF) efetuam publicações anuais acerca dos seus planos, assim, 
são consideradas as principais orientações para os produtores, 
sendo destinadas aos investimentos agropecuários. Entre alguns dos 
instrumentos é possível destacar:
O crédito rural é responsável por englobar os recursos que fazem 
menção tanto ao custeio quanto aos investimentos presentes no setor. 
Salienta-se que existem várias modalidades de crédito rural, sendo 
cada uma dessas relativas a um programa e ao atendimento de uma 
necessidade específica.
No que se refere ao zoneamento agrícola, este pode ser 
compreendido como um instrumento presente no Decreto n° 9.841, de 18 
de julho de 2019, que intenciona diminuir os riscos atrelados à agricultura, 
dando destaque para aqueles que mencionam questões climáticas.
Por sua vez, o seguro rural funciona como uma apólice direcionada 
para a diminuição das perdas produtivas, possibilitando que parte do que 
foi investido possa ser recuperado. Um exemplo de seguro que atende 
com essas expectativas recebe o nome de “Programa de Subvenção ao 
Prêmio do Seguro Rural (PSR)”.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
54
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que política agrícola, em conformidade com o exposto 
pela Lei nº 4.504/1964, é entendida como o conjunto de 
medidas que servem como orientadoras das atividades 
agropecuárias, levando em consideração os interesses 
da Economia Rural, a assistência ao produtor e o amparo 
à propriedade de terra. Aprendemos também que a Lei 
n° 8.171/1991 é a incumbida por dispor acerca da política 
agrícola. Diante disso, apresenta quais são os fundamentos, 
os objetivos e as competências institucionais atreladas a 
essas políticas, apresentando ainda quais são os recursos, 
as ações e os instrumentos específicos pertencentes a essas 
políticas e como elas se relacionam com questões relativas 
à agropecuária, às agroindústrias e ao planejamento das 
atividades pesqueira e florestal.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
55
REFERÊNCIAS
ARIEIRA, J. O. Fundamentos do Agronegócio. Indaial: Uniasselvi, 
2017.
BATALHA, M. O. Gestão agroindustrial. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
BELANDI, C. IBGE retrata cobertura natural dos biomas do país 
de 2000 a 2018. Agência IBGE Notícias, 2020. Disponível em: https://
agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-
noticias/noticias/28944-ibge-retrata-cobertura-natural-dos-biomas-do-
pais-de-2000-a-2018. Acesso em: 10 ago. 2022.
BRASIL. Lei n° 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção 
da vegetação nativa; altera as Leis n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, 
de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga 
as Leis n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, 
e a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras 
providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2012. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. 
Acesso em: 31 jul. 2022.
BRASIL. Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política 
agrícola. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1991. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8171.htm. Acesso em: 31 jul. 2022.
BURANELLO, R. Manual do Direito do Agronegócio. São Paulo: 
Saraiva, 2013.
CASTRO, A. C. S. O Direito é agro? uma análise sobre a produção 
do Direito do Agronegócio. Iesp, 2021. Disponível em: https://deciso-iesp.
com/2021/03/19/o-direito-e-agro-uma-analise-sobre-a-producao-do-
direito-do-agronegocio. Acesso em: 15 jun. 2022.
CAMACHO, Rodrigo Simão. Por uma Agricultura Camponesa. 
Cadernos de Agroecologia, v. 11, n. 2, 2016.
EXPORTAÇÃO do Agronegócio do Brasil tem recorde para mês de 
abril com alta de preços. Forbes, 2022. Disponível em: https://forbes.com.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
56
br/forbesagro/2022/05/exportacao-do-agronegocio-do-brasil-tem-
recorde-para-mes-de-abril-com-alta-de-precos. Acesso em: 31 jul. 2022.
MARQUES, B. F. Direito Agrário Brasileiro. 11. ed. São Paulo: Atlas, 
2015.
PARRA, R. A. Direito aplicado ao Agronegócio: uma análise 
multidisciplinar. Londrina: Thoth, 2018. 
TRATADO de Tordesilhas | o que foi? | história. [S. l.: s. n.], 2020. 1 
vídeo (4 min). Publicado pelo canal Professor Baglini. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=qV2y3s2v454. Acesso em: 31 jul. 2022.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao AgronegócioAgronegócio
12
Noções gerais do direito aplicado ao 
agronegócio
OBJETIVO:
Neste capítulo, vamos definir e debater criticamente os 
conceitos gerais do Direito aplicado ao Agronegócio. E 
então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Vamos lá. Avante!
O que é Agronegócio?
O Agronegócio é um setor pertencente ao campo da Economia, 
tido como de extrema importância no âmbito mundial, tendo em vista que 
por meio de sua aplicação, uma cadeia de produção alimentar surge e 
interliga setores como a agricultura, a pecuária e a indústria. Além disso, 
o comércio relativo aos produtos e aos serviços presentes nesse campo 
também são foco do Agronegócio.
Nessa perspectiva, o Agronegócio também é conhecido por 
meio de sua outra nomenclatura, sendo essa o “agrobusiness”. Assim, 
de maneira geral, as atividades econômicas estão ligadas ao âmbito da 
agropecuária, isso implica dizer que também faz menção ao manejo da 
floresta, bem como ao comércio, aos serviços e ao extrativismo vegetal.
VOCÊ SABIA?
Diante desse cenário, também se relaciona ao Agronegócio 
o comércio vinculado a esse campo, assim, os aspectos 
relativos ao armazenamento, à logística, à distribuição 
e até mesmo ao marketing também estão inclusas no 
Agronegócio, por isso é correta a afirmação de que esse 
campo se relaciona com vários setores pertencentes 
à Economia, sendo esse um critério responsável por 
demonstrar o quanto é forte e importante a nível 
socioeconômico.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
13
Conforme Camacho (2016), entre as principais características do 
Agronegócio, podem ser citadas as médias e as grandes propriedades 
rurais, que são dotadas de alta produtividade quanto aos seus campos de 
produção, sendo essa uma realidade aplicada tanto à agricultura quanto à 
pecuária. Atrelado a essa característica, está o fato de as médias e grandes 
propriedade rurais serem capazes de desempenhar a modernização dos 
campos, e esse avanço faz menção à utilização de máquinas, sementes 
modificadas, técnicas de cultivo e até mesmo à criação de animais, além 
da alteração de aspectos que possam afetar o desenvolvimento de 
produtos relativos ao ciclo natural do plantio e ao crescimento das plantas 
e do gado, como é o caso dos alimentos transgênicos. Além disso, o autor 
ainda destaca que o agronegócio também é marcado por características 
como a monocultura, fator que fragiliza a biodiversidade e pode aumentar 
as pragas, o que gera uma maior necessidade do uso de agrotóxicos.
O Agronegócio é marcado pela presença de três setores, conforme 
apresentado na Figura 1.
Figura 1 – Setores do Agronegócio
Setores do 
Agronegócio
Primário
Secundário
Terciário
Pecuária
Agroindústrias
Comércio: distribuição 
e venda dos produtos 
rurais
Agricultura
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Quanto ao seu ciclo, a divisão também ocorre em três etapas, 
sendo essas:
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
14
1. Produção rural.
2. Agroindústria.
3. Relação firmada com o setor de comércio e a logística.
Ao pensar no Agronegócio a nível mundial, verifica-se que este é 
considerado uma das atividades mais lucrativas. No Brasil, é considerado 
uma das suas atividades mais lucrativas, sendo capaz de proporcionar 
impactos até mesmo em um cenário mundial.
Figura 2 – Agronegócio
 
Fonte: Freepik.
Diversos são os produtos produzidos por meio do Agronegócio no 
Brasil, entre eles, aqueles que são dignos de maior destaque são:
 • Algodão.
 • Milho.
 • Soja.
 • Cana-de-açúcar.
 • Celulose, trigo e laranja.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
15
SAIBA MAIS:
Recentemente, a exportação do Agronegócio presente no 
Brasil bateu recordes, tendo atingido alta de preço. Dessa 
forma, tais exportações chegaram a totalizar 14,86 bilhões 
de dólares em abril, em decorrência do aumento de preços 
de produtos como a soja, o café, frango e a carne bovina, 
conforme o disposto no link a seguir. Para acessar, clique aqui .
Outro destaque importante a ser dado para o Agronegócio no 
cenário nacional dispõe sobre a pecuária, tendo em vista que o Brasil é 
tido como uma grande potência nesse assunto, pois por meio dela, cerca 
de um sexto da população mundial é devidamente alimentada.
O Agronegócio é capaz de implementar vantagens e desvantagens 
nos setores fundamentais para a sociedade. Assim, uma das principais 
vantagens relacionadas a esse campo faz menção à modernização do 
campo, bem como ao aumento da produção de alimentos e produtos 
relativos ao campo em questão.
No entanto, nem só de vantagens o Agronegócio é composto, 
sendo necessário também destacar alguns pontos negativos que estão 
relacionados aos impactos ambientais, visto que a maior parte destes são 
marcados por sua irreversibilidade, como é o caso de:
 • Desmatamento.
 • Queimadas nas áreas de preservação para que o pasto e a lavoura 
possam ser implementados.
 • Contaminação do solo em decorrência do uso excessivo de 
agrotóxicos e fertilizantes.
Outras desvantagens que também são relacionadas com impactos 
ambientais perigosos e decorrentes do Agronegócio envolvem questões 
como a degradação dos solos e os processos erosivos. Contudo, os 
impactos relacionados ao meio ambiente não são os únicos que podem 
ser provocados pelo Agronegócio, assim, também é válido mencionar os 
impactos sociais que podem decorrer deste. São exemplos as seguintes 
situações:
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
16
 • Desemprego e êxodo rural.
 • Doenças que tenham origem nos alimentos contaminados por 
agrotóxicos.
 • Aumento dos conflitos agrários em virtude da posse de terras.
 • Aumento da concentração de renda.
 • Aumento da desigualdade presente no meio rural.
Diante do exposto, entende-se que o Agronegócio não estabelece 
uma relação tão benéfica com a proteção destinada ao meio ambiente, 
por isso é preciso que o Agronegócio, no setor nacional, forneça uma 
maior atenção para as questões ambientais. Para tanto, faz-se preciso 
que ocorra uma readequação das regras internacionais e das práticas que 
envolvem tanto o cultivo quanto a produção.
Figura 3 – Relação entre Agronegócio e danos ambientais
 
Fonte: Freepik.
É fato que o Agronegócio é de extrema relevância para a vida 
humana e em sociedade, mas isso não implica dizer que ele pode ser 
praticado de qualquer maneira, pois deve objetivas o benefício de todos, 
e os seus danos podem gerar impactos negativos, como é o caso da 
ampliação do aquecimento global e dos impactos vinculados a ele.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
17
VOCÊ SABIA?
Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, entre os anos de 
2000 e 2018, os biomas brasileiros perderam cerca de 500 
mil km² de sua cobertura natural, sendo que parte dessa 
perda é impactada pelo avanços da agricultura, assim, o 
IBGE, por meio de sua gerente de Contas e Estatísticas 
Ambientais, aponta que o crescimento agrícola impactou, 
principalmente, os biomas da Amazônia e do Cerrado 
(BELANDI, 2020). 
Já no âmbito social, um dos seus principais danos faz menção 
ao aumento da desigualdade social dentro do país, pois o dinheiro que 
pertence a poucos permanece dessa maneira, assim, mais danos e 
dificuldades são gerados quando a intenção consiste em alcançar a 
qualidade e as condições de vida digna.
É importante destacar que, por mais que a agricultura e o Agronegócio 
estejam relacionados, não podem ser entendidas como a mesma coisa. 
Dessa forma, a agricultura tem relação com o setor produtivo, que tem 
como base a atividade rural, assim, faz menção ao cultivo dos campos 
e das terras; por sua vez, o Agronegócio envolve as empresas que têm 
a sua produção de insumos agrícolas, também fazendo menção ao seu 
processamento e distribuição. A construção desse conceito se deu pela 
primeira vez no ano de 1957.
Direito e Agronegócio
Agora que já entendemos o que é Agronegócio, podemos entendero que é e quais são os principais aspectos do Direito relacionado a esse 
campo.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
18
DEFINIÇÃO:
Buranello (2013, p. 35) define o Agronegócio como:
O conjunto organizado de atividades econômicas 
que envolve todas as etapas compreendidas entre 
o fornecimento de insumos para a produção até 
a distribuição para consumo final de produtos, 
subprodutos e resíduos de valor econômico relativos 
a alimentos, fibras naturais e bioenergia; também 
compreendidas as bolsas de mercadorias e futuros 
e as formas próprias de financiamento.
Quando falamos da relação firmada entre o Agronegócio e o Direito, 
é importante que seja destacada a incompatibilidade desse campo com 
o ramo do Direito Comercial, pois entende-se que essa área do Direito é 
a incumbida pela circulação, produção e distribuição de renda, contudo 
não contempla como foco de estudo a atividade agrícola, mesmo que a 
sua organização seja anterior à configuração do comércio ou da indústria.
Em um momento inicial, o Direito Comercial envolvia as atividades 
comerciais e, a partir de sua evolução, também passou a abranger as 
operações de caráter industrial. Por volta de 1882 uma nova ampliação 
garantiu que esse campo também destinasse atenção para a especulação 
imobiliária, mas em nenhum momento os assuntos relativos à lavoura 
foram assunto desse ramo jurídico.
Outro avanço importante foi a sua transformação de Direito 
Comercial para Direito Empresarial, o que acabou gerando uma certa 
aproximação com o Direito das Obrigações e, consequentemente, com 
o campo das atividades agrícolas e a sua vinculação com as atividades 
comerciais e industriais.
As atividades agrícolas também podem estar relacionadas, de certa 
forma, com a visão jurídica atrelada às novas realidades econômicas e 
que têm vínculo tanto com o Direito Civil quanto com o Direito Agrário.
A partir do exposto, afirma-se que à medida que a sociedade avança, 
o Direito tende a acompanhar esse percurso. Dessa forma, surgem ramos 
especializados do Direito com a intenção de atender a tais necessidades, 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
19
como exemplo desse cenário existem: o Direito do Trabalho e o Direito do 
Consumidor, que surgiram por volta do século XX, e o Direito Agrário, que 
surgiu na década de 1960.
IMPORTANTE:
Apesar da existência de um ramo jurídico destinado ao 
Direito Agrário, isso não implica dizer que o Direito do 
Agronegócio pode ser entendido como um ramo jurídico 
autônomo e independente, pois ainda não é dotado da 
devida autonomia didática, científica e até mesmo legislativa, 
segundo o apontando por Parra (2018). Nessa perspectiva, a 
autora defende que o mais correto é mencionar a existência 
do Direito aplicado ao Agronegócio do que nomear um 
ramo jurídico como Direito do Agronegócio.
Importância do Direito para o 
Agronegócio
O Agronegócio é um dos setores econômicos de maior destaque 
no Brasil, sendo que até mesmo em períodos difíceis, como foi o caso 
do proporcionado pela pandemia da covid-19, houve um certo avanço 
nesse campo. Então, o estabelecimento de mediações nas relações 
legais e empresariais presentes no âmbito do Agronegócio é tido como 
fundamental para o crescimento e avanços do setor econômico nacional.
Como o Agronegócio no Brasil só cresce, também é comum e até 
mesmo esperado que os investimentos e as exportações presentes nesse 
âmbito cresçam, em decorrência dessas movimentações, principalmente 
quando o foco passa a ser relação que pode ser firmada entre o 
Agronegócio e as normas de caráter ambiental, sanitário e trabalhista.
Mesmo que nem todos os doutrinadores entendam o Direito ao 
Agronegócio como um ramo jurídico, independente e autônomo, já 
existem aqueles que apoiam a sua relevância como um ramo que deriva 
do Direito Empresarial, tendo em vista criar regulamentações acerca das 
relações firmadas entre produtor rural, empresas agrícolas, fabricantes de 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
20
defensivos agrícolas, entre outros, tendo como objetivo proporcionar que 
nenhum dos envolvidos enfrente danos perante às suas negociações.
VOCÊ SABIA?
No Brasil existe um instituto que destina atenção específica 
ao Agronegócio, sendo este denominado Instituto Brasileiro 
de Direito do Agronegócio (IBDA), que foi criado com a 
intenção de estudar o Direito e a Economia, bem como 
as suas relações firmadas com a atividade agroindustrial, 
dando destaque para questões como o estudo, a 
regulamentação e a formulação das políticas públicas.
Então, o Direito do Agronegócio e o Direito Agrário não podem 
ser entendidos como a mesma coisa, já que têm focos distintos, assim, 
a atenção do Direito do Agronegócio é destinada principalmente às 
relações empresariais presentes nos setores, buscando estabelecer 
determinadas regulamentações e vínculos com as instituições financeiras, 
dando um maior destaque para aquelas que mencionam a exportação, o 
financiamento e o câmbio da moeda, entre outras.
Figura 4 – Direito Agrário e Direito do Agronegócio
Direito Agrário Direito do Agronegócio
Normas de Direito 
Público ou Privado.
Normas relativas 
à produção, ao 
armazenamento, à 
comercialização e 
ao financiamento.
Visam regular a 
atividade agrária.
Destina atenção 
para as relações 
empresariais.
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Segundo a definição apresentada por Buranello (2013, p. 46), o Direito 
do Agronegócio pode ser entendido como “o conjunto de normas jurídicas 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
21
que disciplinam as relações decorrentes da produção, armazenamento, 
comercialização e financiamento do complexo industrial”.
Enquanto isso, o Direito Agrário pode ser entendido como o conjunto 
de normas de Direito Privado e Público, que são responsáveis por regular 
as relações que decorram da atividade agrária, sendo que nestas estarão 
inclusas a produção, o processamento e a agroindustrialização dos 
produtos agrícolas. As atividades desempenhadas nesse campo também 
irão destinar atenção para as questões envolvendo o desenvolvimento 
agrário sustentável, englobando a Economia, bem como os aspectos 
sociais e ambientais.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que o Agronegócio é considerado uma das atividades que 
mais fornece lucros no mundo todo, sendo também um 
destaque no cenário nacional. Entre as principais produções 
do Agronegócio no Brasil envolvem: algodão, milho, carne, 
cana-de-açúcar, soja, celulose, trigo e laranja. Assim, o 
Agronegócio pode ser compreendido como a junção das 
inúmeras atividades que envolvem, de forma direta ou 
indireta, as cadeias produtivas tanto da agricultura quanto 
da pecuária. Ainda que já existam normas importantes e 
que fazem menção à agricultura e à pecuária no Brasil, não 
é possível afirmar a existência de um Direito voltado para o 
Agronegócio, mas sim o Direito aplicado ao Agronegócio, 
assim, é necessário um maior arcabouço científico e 
jurídico para que essa área do Direito seja devidamente 
implementada; por outro lado, já existem os doutrinadores 
que entendem esse campo como autônomo. Nessa 
perspectiva, também destinamos atenção para os 
pontos de distinção entre o Direito Agrário e o Direito do 
Agronegócio, afinal, mesmo que sejam semelhantes, não 
podem ser entendidos como a mesma coisa, já que têm 
foco de atuação distintos.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
22
Desenvolvimento histórico do direito no 
agronegócio
OBJETIVO:
Neste capítulo, vamos entender os marcos históricos da 
evolução do Direito relacionado ao Agronegócio no Brasil 
e no mundo. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá. Avante!
A história do Direito Agrário
Mesmoque o Direito do Agronegócio ou aplicação do Direito ao 
campo do Agronegócio não possa ser confundido com o ramo do Direito 
Agrário, as duas áreas se relacionam, por isso verifica-se a relevância do 
estudo da história e de alguns aspectos gerais sobre o Direito da Agricultura, 
para que a aplicação do Direito ao Agronegócio e a compreensão da 
possível área jurídica independente seja melhor analisada ao longo do 
nosso estudo.
Desde os primórdios, a agricultura exerce importância marcante 
para o desenvolvimento e o crescimento da humanidade e das relações 
humanas firmadas, além de proporcionar acesso às condições únicas para 
os seres humanos, como o fornecimento dos insumos para a alimentação.
Considerando a importância da temática relativa a essa discussão, 
compreende-se como imprescindível que sejam implementadas 
legislações na tentativa de regular as discussões e as problemáticas 
presentes nesse âmbito jurídico.
Assim, justifica-se o surgimento e o estabelecimento do Direito 
Agrário. Nessa perspectiva, é correta a afirmação que apresenta 
o surgimento desse ramo jurídico como relacionado ao início da 
humanidade, levando em consideração o aparecimento das regras e 
exigências de determinadas condutas.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
23
IMPORTANTE:
O tratamento destinado à terra, bem como a forma como 
se dá a sua utilização, quanto ao seu aproveitamento para 
a produção de riquezas, faz parte da agricultura, então, a 
origem do Direito Agrário pode ser confundida com a origem 
da própria humanidade, pois a agricultura e o homem 
sempre estiveram relacionados e, consequentemente, para 
o devido uso desse campo, também se faz necessário que 
sejam implementadas normas para a sua devida regulação.
Figura 5 – Código de Hamurabi
Fonte: Wikimedia Commons.
Em um momento inicial, as normas acerca do Direito Agrário eram 
tidas apenas como critérios destinados à distribuição do seu uso perante 
aqueles que realizavam a sua ocupação. Um dos códigos mais antigos 
responsáveis por disciplinar essa temática era o Código de Hamurabi. 
Nessa perspectiva, Alcir Gursen apud Marques (2015, p. 2) enfatiza que:
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
24
As primeiras normas reguladoras dos povos antigos foram 
normas diferenciadas e que a relação do homem com a 
terra excedia os limites do jurídico, chegou à conclusão 
de que o Código de Hamurabi, [...] (século XVII a. C.), 
organizado em 280 parágrafos, continha nada menos do 
que 65 temas específicos de conteúdo marcadamente 
agrarista, podendo-se destacar, entre eles, os seguintes: 
o Cap. V, que tratava da locação e cultivo dos fundos 
rústicos; o Cap. XII, que cuidava do empréstimo e locação 
de bois; o Cap. XIV, que se referia à tipificação delituosa 
da morte humana pela chifrada de um boi; o Cap. XVI, que 
regia a situação dos agricultores; e o Cap. XVII, que tratava 
dos pastore.
O Direito Agrário também tem relação com outras normas da 
Antiguidade, como é o caso das Leis Hebraicas, Leis de Licurgo na Grécia 
e a Lege Agrária, presente na Roma Antiga, entre outras legislações.
No entanto, a sistematização dessas normas só ocorreu em 
momento posterior a partir do Código de Napoleão, tendo em vista 
a própria relevância vinculada à tal norma e ao destaque que essas 
atividades passaram a desenvolver no âmbito econômico, bem como a 
sua vinculação tanto com o setor secundário quanto terciário presente no 
momento em questão.
Ainda que o surgimento da legislação agrária e do Direito Agrário 
estejam relacionadas com as mencionadas leis da antiguidade, não é 
possível dizer que a formação do Direito Agrário em seu sentido formal se 
deu nesse período, pois não existia um método científico apropriado para 
essa área, sendo que essa aplicação só surgiu durante a Modernidade.
Nessa perspectiva, ao pensar no surgimento real do Direito Agrário 
a nível internacional, este está vinculado ao surgimento da criação do 
Instituto de Direito Agrário Internacional e Comparado e da Revista de 
Direito Agrário.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
25
IMPORTANTE:
Já quanto a uma perspectiva nacional, esse surgimento 
se deu a partir da promulgação do Estatuto da Terra, 
implementado por meio da Lei n° 4.504, de 30 de novembro 
de 1964. A implementação dessa norma se deu poucos 
dias depois da inserção da Emenda Constitucional n° 10 
da Constituição de 1964, que foi a responsável por fixar a 
competência de legislar e dispor sobre as questões agrárias.
Assim, ao analisar a história do Direito Agrário, verifica-se que este 
surgiu a partir da necessidade de um ramo jurídico incumbido por regular 
a atividade agrária a partir das especificidades da atividade agrária, pois 
as normas vinculadas ao Direito Civil já não eram suficientes para dispor 
sobre essa matéria.
O berço do surgimento do Direito Agrário é a Itália, país no qual 
ocorreu pela primeira vez a ruptura do Direito Civil e Comercial para a 
formação do Direito Agrário como um ramo jurídico autônomo e, portanto, 
dotado de independência legislativa, didática e científica.
O surgimento do Direito Agrário no Brasil
Agora que já entendemos qual foi o cenário do surgimento do Direito 
Agrário no mundo, já podemos visualizá-lo de forma mais específica, 
tratando do seu nascimento no ordenamento jurídico brasileiro.
No Brasil, as primeiras evidências do Direito Agrário têm relação 
com o Tratado de Tordesilhas, pois desde esse momento já existia uma 
preocupação acerca das proteções relativas à terra e à sua divisão para 
que os países colonizadores tivessem direitos semelhantes e respeitados. 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
26
SAIBA MAIS:
O Tratado de Tordesilhas foi um acordo firmado entre 
Portugal e o reino de Castela, que foi celebrado em 1491. 
Por meio desse tratado ocorreu a divisão do mundo em um 
meridiano a 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo 
Verde, na África. Dessa forma, a parte oriental pertencia 
à Portugal, enquanto a fatia ocidental era pertencente à 
Espanha, assim, para compreender melhor os principais 
aspectos desse tratado, confira o vídeo a seguir. Para 
acessar, clique aqui . 
Em decorrência da implementação desse tratado, surgiram 
os primeiros latifúndios, que, no momento da colonização, foram 
fundamentais para a criação das léguas das sesmarias.
A colonização no Brasil foi marcada por um forte movimento de 
exploração, prova disso é que entre 1500 a 1530 os portugueses realizaram 
poucos investimentos e empreendimentos em nosso país, utilizando a 
nossa terra apenas para a realização de expedições no território litoral, 
ocorrendo a descoberta da presença do Pau-Brasil e da sua extração 
durante essas três décadas. Além disso, também foram feitas poucas 
feitorias a partir das expedições realizadas.
VOCÊ SABIA?
A partir de 1530, a ocupação dos portugueses passou a ganhar 
força no território brasileiro, sendo que a partir desse período 
o foco passou a ser o povoamento e a exploração, assim, um 
dos primeiros impactos provocados por essa mudança de 
pensamento foi a expulsão dos indígenas. Em decorrência 
dessa ocupação, eventos configuram um momento de 
intensas mudanças para o Brasil, sendo que muitas destas 
estavam ligadas à evolução histórica e ao fortalecimento do 
Direito Agrário presente nas terras nacionais.
Nessa perspectiva, se faz importante a compreensão e a discussão 
acerca de três regimes, sendo estes apresentados na Figura 6.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
27
Figura 6 – Regimes agrícolas no surgimento do Direito Agrícola brasileiro
Regime Sesmarial 
Regime de Posses (1822-1850)
Regime da Lei de Terras (1850)
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
O instituto das sesmarias foi criado em Portugal em 1375 em 
decorrência dos impactos que a peste negra promoveu na população rural e 
o consequente êxodo rural, assim, esse instituto tinha como principalintenção 
solucionar os problemas decorrentes da crise do abastecimento presente no 
reino. Diante disso, o cultivo passou a ser obrigatório em todas as herdades.
Esse instituto também foi utilizado durante a colonização no Brasil, 
nessa perspectiva, em 1534, D. João III fixou o sistema de administração 
territorial, conhecido como “capitanias hereditárias”, a partir do qual o 
território brasileiro ficou dividido em faixas de terra distribuídas para os 
particulares como uma forma de impulsionar e incentivar a ocupação 
das terras brasileiras, tendo em vista que nesse momento a Corte 
Portuguesa não contava com as condições necessárias para realizar essa 
ocupação de forma onerosa, uma vez que vinha de uma crise econômica 
em que não havia os recursos suficientes para a realização do devido 
investimento na colônia em questão, assim, os gastos com a terra eram 
de responsabilidade do donatário.
IMPORTANTE:
Salienta-se que mesmo com essa divisão, a terra continuava 
pertencendo a Portugal, assim, o donatário tinha apenas o 
direito de fazer uso daquela propriedade, mas não eram 
dotados dos direitos de donos, por isso que nesse aspecto 
dependia de obediência à Corte e estavam submetidos à 
monarquia absoluta. Assim, os capitães-donatários tinham 
o direito de cerca de de 20% da sua capitania, precisando 
distribuir os demais 80% em título de sesmarias, pois só 
assim seriam capazes de conservar os seus direitos sobre a 
capitania que havia lhe sido destinado.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
28
Então, diferentemente da aplicação das sesmarias em Portugal, no 
Brasil, não tinha como objetivo realizar o confisco das terras improdutivas, 
mas era visto como um mecanismo utilizado pela Coroa Portuguesa com 
a intenção de entregar o domínio útil da terra ao interessado sem que 
ficasse caracterizada a alienação dessa terra.
A utilização desse sistema no território nacional ocorreu em 1822, a 
partir da implementação da promessa de regularização da posse.
A partir de 1822 entrou em vigor o Regime de Posses, também 
conhecido como “Regime Extralegal”, tendo este sido o instituto 
responsável por substituir o Regime das Sesmarias ou Sesmarial. O novo 
sistema teve como principal característica a ocupação direta dos terrenos 
sem que houvesse a presença da regulamentação legal, tendo sido um 
dos grandes impulsionadores da marginalização das terras.
O último regime a ser destacado nesse percurso histórico é o 
relativo ao regime da Lei de Terra, estabelecida por meio da Lei n° 601, de 
18 de setembro de 1850, sendo essa a legislação incumbida por encerrar o 
caos que havia surgido perante o regime de posses, tendo como principal 
objetivo o apossamento das áreas, seja essa pública ou privada, sem que 
ocorra a devida regulamentação desse campo.
Princípios do Direito Agrário
Os ramos do jurídico são regidos por princípios, normas e costumes 
que podem estar tanto atrelados ao disposto na Constituição da República 
Federativa de 1988, quanto àquelas de caráter infraconstitucional 
relevantes para o campo específico. Nesse sentido, o Direito Agrário tem 
os seus princípios que derivam tanto do disposto na Lei Maior, quanto das 
disposições presentes no Estatuto da Terra.
São diversos os princípios relativos ao Direito Agrário, assim, cada 
doutrinador apresenta princípios que entendem como mais importantes 
para o entendimento desse ramo jurídico.
Além dos princípios mencionado, também é válido que seja 
ressaltada a presença e a importância do princípio da adequação da 
propriedade imobiliário ao progresso e ao desenvolvimento econômico, 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
29
sendo por meio deste que é determinado como o imóvel rural precisa 
e deve ser explorado; o outro princípio é relativo à redistribuição das 
propriedades imobiliárias inadequadas e a reestruturação das titularidades 
fundiárias do país.
Nessa perspectiva, iremos abordar alguns dos princípios entendidos 
como de maior relevância:
 • Monopólio legislativo da União.
 • Utilização da terra sobre a titulação dominical.
 • Propriedade condicionada à função.
 • Dicotomia do Direito Agrário.
 • Interesse público sobre o individual.
 • Proteção à propriedade familiar e à pequena e média propriedades.
 • Fortalecimento da empresa rural.
 • Conservação e preservação dos recursos naturais e do meio 
ambiente.
Outros princípios também relevantes para esse campo jurídico são 
listados a seguir:
 • Função social da propriedade.
 • Justiça social.
 • Prevalência do interesse coletivo sobre o interesse particular.
 • Reformulação da estrutura fundiária.
 • Progresso econômico e social.
 • Autonomia.
Origem do Agronegócio
A primeira menção feita ao termo “Agronegócio” ocorreu por volta do 
século XX nos Estados Unidos, e a intenção dessa implementação consistia 
na construção de uma política voltada para a participação da produção 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
30
familiar no mercado. Assim, um dos principais focos desse campo passou 
a ser a busca pelo desenvolvimento, tendo sido incorporada por meio dos 
interesses pertencentes às grandes empresas agroindustriais.
Em outras palavras, o termo “Agronegócio” foi uma nomenclatura 
distinta utilizada para identificar o modelo de desenvolvimento econômico 
da agropecuária que havia sido implantado desde 1950. Inicialmente, esse 
modelo destinava atenção para o sistema agroexportador, no qual as 
propriedades eram utilizadas na produção para exportação.
VOCÊ SABIA?
Ao longo do tempo, o modelo passou por uma 
série de evoluções e enfrentou diferentes fases de 
desenvolvimento, o que implicou em modificações e 
adaptações, demonstrando um potencial mais forte 
e marcado da exploração e do campesinato. Assim, o 
Agronegócio também é responsável por representar a fase 
mais capitalista da agropecuária, sendo esta caracterizada 
por meio do conhecimento estratégico, da produção e do 
mercado, levando em consideração os aspectos que giram 
em torno do uso de tecnologias avançadas.
Ainda que o Agronegócio e as noções em torno dele tenham 
surgido em um momento anterior, ele só começou a ser visto na América 
Latina em 1990, com a intenção de inserir mudanças quanto à imagem 
latifundiária que se fazia até então presente na Economia.
Então, assim como a sociedade passou por evoluções, os processos 
relativos à agricultura também foram modificados, o que intensificou 
a necessidade de uma modernização nesse campo, visto que esta de 
diversas formas está atrelada ao Agronegócio e ao que esse campo 
do saber objetiva alcançar e promover para as questões agrícolas e a 
Economia relacionada a esse setor.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
31
Percursos do Direito do Agronegócio 
Uma das atividades mais importantes no Brasil é a agricultura, assim, 
em 2013, o nosso país foi reconhecido como um dos maiores produtores 
e exportadores de alimentos a nível mundial, e boa parte dessa atribuição 
decorreu da implementação e da ampliação das funções relacionadas ao 
Agronegócio, que, diante desse cenário, poderia ficar conhecido como 
uma representação da “nova agricultura” no cenário nacional, conforme 
Castro (2021).
Todavia, enquadrar o Agronegócio apenas como símbolo da 
presença de uma nova agricultura é uma visão errônea e limitativa desse 
campo do saber. Dessa forma, esse campo também estabelece relação 
com a presença de processos técnicos e financeirização.
No Brasil, o Agronegócio ganhou mais relevância a partir de 1990, 
em decorrência de um projeto de caráter político-econômico que foi 
proposto e implementado por uma empresa brasileira, no qual, inspirado 
no modelo já existente nos Estados Unidos da América, as características 
do Agronegócio se relacionam com:
 • Determinismo tecnológico.
 • Complementariedade dos elos das cadeias produtivas. Em outras 
palavras, tem vínculo com a agricultura e outros campose setores 
vinculados ao aspecto econômico.
O Agronegócio presente no Brasil também passa a ser visto como 
o conjunto das cadeias produtivas que compõem a coluna dorsal da 
atividade agropecuária.
Salienta-se, ainda, que as mudanças e as evoluções relativas ao 
campo do Agronegócio ainda não acabaram, e que esse campo enfrenta 
constantes e frequentes modernizações, buscando integrar a cadeia 
agrícola e ser integrada às atividades do setor.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
32
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o 
surgimento da agricultura está relacionado com o próprio 
surgimento da humanidade, tendo em vista que os cuidados 
com a terra e as plantações são tidas como essenciais para a 
sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade, assim, 
ao ser reconhecida essa importância, foram implementadas 
legislações agrárias para a proteção e determinação do 
uso da terra, contudo as primeiras legislações por si só não 
podem estar vinculadas ao surgimento oficial do Direito 
Agrário como ramo jurídico autônomo, uma vez que esse 
aspecto só foi alcançado durante a modernidade, tendo 
como grandes impulsionadores ao surgimento da criação 
do Instituto de Direito Agrário Internacional e Comparado e 
da Revista de Direito Agrário. Já no Brasil, o Direito Agrário 
passou a ganhar força e a ser implementado por meio do 
Tratado de Tordesilhas, assim, os três regimes de destaque 
para a inserção desse ramo jurídico são: Regime Sesmarial, 
Regime de Posses e Regime da Lei de Terras.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
33
Fundamentos do agronegócio e segmentos 
agroindustriais
OBJETIVO:
Neste capítulo, vamos entender os segmentos dos 
sistemas agroindustriais à luz da classificação estabelecida 
pelas normas e o ordenamento jurídico. E então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
Fundamentos econômicos do Agronegócio
O Agronegócio influencia a Economia de forma marcante, assim, 
passaremos a estudar quais são os seus fundamentos econômicos. Nesse 
sentido, é necessário que possamos compreender o cenário anterior à 
Revolução Industrial e aos impactos causados por ela.
Antes da Revolução Industrial existiam apenas dois pilares principais 
no setor econômico, o primeiro referente à produção dos alimentos, ou 
seja, estava vinculado à agricultura; enquanto o segundo fazia menção 
ao comércio, sendo por meio deste que os produtos chegariam aos seus 
consumidores, assim, mesmo que a ideia da produção industrial ainda 
não estivesse difundida, existiam outras formas de processas os produtos, 
visto que essa etapa ocorria, predominantemente, por meio do artesanato 
e a sua venda ocorria em mercados públicos.
IMPORTANTE:
Diante das necessidades da época e até mesmo das 
limitações presentes na produção desse momento, a maior 
parte do processamento dos produtos de origem agrícola 
ocorria por meio destes, sendo exemplos: queijo, carnes, 
vinhos, cervejas, tecidos, produtos feitos com lã e couro, 
assim como outros produtos de caráter alimentício.
Outro aspecto que ganhava destaque era o processamento dos 
produtos extrativistas, por exemplo, os tecidos, as madeiras e os perfumes, 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
34
assim como aqueles produtos vinculados ao âmbito da metalurgia, como 
era o caso de facas, joias, ferramentas e metais preciosos, entre outros. 
O comércio dos mencionados produtos foi essencial para o comércio, 
sendo que por meio deles tornou-se impossível o estabelecimento da 
interação e da distribuição dos produtos, tendo em vista o fortalecimento 
do sistema econômico como um todo, bem como a obtenção de lucro.
Essa foi uma realidade que se estendeu durante vários anos, 
estando presente tanto no âmbito das economias locais quanto nacionais, 
em que as atividades principais partiam da exploração agrícola. No 
entanto, com a Revolução Industrial diversas foram as mudanças, assim, 
a industrialização implementou um novo setor no sistema, e este passaria 
a influenciar de forma determinante o setor econômico. Dessa forma, o 
setor derivado desse movimento é a indústria.
Figura 7 – Indústria
 
Fonte: Pixabay.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
35
VOCÊ SABIA?
A Revolução Industrial foi um período marcante para 
a história, já que por meio dela as relações sociais, de 
trabalho e o aspecto produtivo foram modificados. Além 
disso, a partir desse momento novos padrões de consumo 
e utilização dos recursos naturais foram fixados. Nesse 
sentido, muitas foram as consequências que derivaram 
da industrialização dos países. Salienta-se, ainda, que 
a Revolução Industrial ficou marcada por quatro fases, 
sendo que cada uma delas tem características especificas. 
Entre os impactos promovidos pela Primeira Revolução 
Industrial, menciona-se a substituição do trabalho humano 
por máquinas, o crescimento acelerado e desenfreado das 
cidades, o aumento significativo das indústrias e a divisão 
da sociedade em burguesia e proletariado. Já a segunda 
fase da Revolução Industrial tem como características o 
aumento da produção em massa e em um curto espaço 
de tempo, aumento de doenças, aumento do desemprego 
e de mão de obra barata, surgimento das grandes 
cidades, avanços nos setores como saúde, transporte 
e telecomunicação. Por sua vez, a terceira fase foi a 
responsável pela implementação de avanços no campo 
da Medicina, criação de robôs, aumento significativo da 
quantidade de empresas multinacionais, aumento dos 
impactos e danos promovidos ao meio ambiente, entre 
outros. Por fim, menciona-se que a quarta fase da Revolução 
Industrial está relacionada com a ideia de transformação 
radical da realidade, e está acontecendo nos dias atuais, 
sendo representada pelas implementações tecnológicas e 
pelas rápidas transformações inseridas no nosso cotidiano, 
bem como nos impactos que podem ser provocados no 
meio social, econômico e político.
Assim, quando falamos em indústria, estamos nos referindo ao 
conjunto de empresas e agentes econômicos cujo o objetivo consiste na 
transformação das matérias-primas básicas e componentes em produtos 
dotados de uma maior complexidade, também tendo como foco o 
atendimento das necessidades e dos interesses dos consumidores.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
36
Sob uma ótica geral, as indústrias podem ser entendidas como o 
conjunto de fábricas que são incumbidas pela produção e criação dos 
produtos por meio de um processo que agrega valores a estes.
O destaque relativo ao setor industrial ficou mais marcado a partir 
dos séculos XIX e XX, momento em que se tornou o responsável pelo 
desenvolvimento econômico presente no âmbito da indústria moderna, 
trazendo modificações e avanços relevantes para o campo da inovação 
tecnológica e o desenvolvimento de certos produtos, bem como para o 
estímulo da melhoria da qualidade da mão de obra.
A industrialização foi tão importante a nível mundial que passou 
a servir como critério de avaliação do desenvolvimento dos países. Isso 
implica dizer que quanto mais complexo for o setor industrial de um 
determinado Estado, mais desenvolvido ele será. Essa lógica também 
é utilizada no campo da Macroeconomia, como forma de fornecer uma 
explicação quanto à relação firmada entre o desenvolvimento econômico 
local e as suas respectivas consequências. Dessa noção, surgiu uma 
nova divisão a partir de estudos realizados por economistas, conforme o 
ambiente econômico passou a estar dividido em três setores.
Figura 8 – Setores da Economia
Setor primário
Setor secundário
Setor terciário
 • Vinculado à matéria-prima.
 • Agricultura, pecuária, extrativismo e mineração.
 • É o setor industrial.
 • Marcado por três momentos principais.• Setor de serviços.
 • Formado pelos prestadores de serviços e pelo 
comércio.
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
O primeiro setor é aquele que tem vínculo direto com a produção 
das matérias-primas que serão utilizadas e consumidas nos demais 
setores do sistema econômico. Dessa forma, fazem parte desses setores 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
37
a agricultura, a pecuária, o extrativismo e a mineração. A relação desse 
setor será firmada de forma direta com o setor secundário, por isso pode 
ser visto como motor essencial para que ocorra o desenvolvimento 
econômico e social.
Já o segundo setor corresponde ao setor industrial, uma vez que o 
seu foco, de forma primordial, consistirá na utilização e transformação das 
matérias-primas obtidas por meio do setor primário, tendo como intenção 
atender às necessidades e aos interesses da população, que cada vez 
mais aumenta a sua necessidade de consumo, sendo mais exigentes 
quanto a aspectos envolvendo qualidade, marketing e tecnologia.
IMPORTANTE:
Três são os momentos atrelados à indústria que merecem 
atenção e destaque. Assim, o primeiro período a ser 
mencionado faz menção ao processo de expansão das 
indústrias presentes nos Estados Unidos da América e na 
Europa, em que países mais ricos fizeram investimentos 
importantes quanto à criação de redes de transporte e 
distribuição dotados de características mais modernas e 
competitivas.
Já o segundo momento ocorreu no período entre as duas grandes 
guerras mundiais e depois da Segunda Guerra Mundial, pois em 
decorrência das consequências desses períodos catastróficos, alguns 
avanços e aspectos positivos também foram implementados, de maneira 
a proporcionar contribuições positivas para o campo dos processos 
industriais e do desenvolvimento da tecnologia, tendo como foco tanto 
questões bélicas, quanto evoluções e inovações aplicadas aos civis. 
Um destaque importante que decorreu desse cenário é a globalização 
e a expansão da industrialização para os países que ainda não eram 
industrializados no período anterior às guerras.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
38
Figura 9 – Mapa geopolítico da Guerra Fria
 
Fonte: Wikimedia Commons.
O terceiro momento a ser destacado se relaciona ao boom de 
desenvolvimento provocado pelas disputas no período da Guerra Fria 
(Figura 8), em que o lado capitalista, representado, principalmente, pelos 
Estados Unidos da América, e o lado socialista, representado de forma 
mais marcante pela União Soviética (URSS) competiam em busca de um 
maior destaque a nível mundial. Dessa guerra sem derramamento de 
sangue, importantes contribuições foram geradas para as pesquisas e o 
desenvolvimento da tecnologia, assim como para a sua aplicação no setor 
comercial. Mesmo que grande parte do foco dessa disputa tenha sido 
voltado para as questões bélicas e aeroespaciais, outras áreas também 
foram beneficiadas.
Por fim, o setor terciário é também denominado como o setor de 
serviços, sendo composto por prestadores de serviços diversos e pelo 
comércio como um todo. Desta feita, destaca-se que os interesses da 
sociedade do século XXI, em sua maioria, têm relação com o âmbito da 
tecnologia e da inovação, sem deixar de lado os serviços, as atividades 
e os projetos envolvendo softwares, internet e os diversos meios de 
comunicação.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
39
Salienta-se que durante muito tempo esses setores foram 
estudados de forma separada e sem muita relação atreladas a eles, mas 
na atualidade esse é um cenário que já não funciona, pois ainda que a 
independência desses setores seja mantida, também é crucial que ocorra 
um relacionamento comercial entre eles, e que uma troca de recursos seja 
devidamente estabelecida, pois só assim poderá haver uma dinâmicas 
no âmbito das relações internas e das operações desempenhadas pelos 
agentes econômicos no dia a dia.
IMPORTANTE:
O Agronegócio é um setor marcado por sua dinamicidade, 
sendo capaz de fornecer força para o desenvolvimento 
amplo da Economia no meio social. Então, o Agronegócio 
pode ser utilizado como um elemento estratégico quando 
o assunto é o alcance do desenvolvimento e da soberania 
das nações espalhados em todo o mundo, por isso também 
pode ser vinculado a questões culturais e econômicas que 
um povo exerce sobre o outro, conforme Arieira (2017).
Sistemas agroindustriais
Antes que possamos adentrar nos segmentos dos sistemas 
agroindustriais, é primordial que entendamos o que são esses sistemas. 
Nessa perspectiva, esse setor pode ser compreendido como o conjunto 
de seis grupos de atores econômicos distintos, sendo eles:
1. Agricultura e pesca.
2. Indústrias agroalimentares.
3. Distribuição agrícola e alimentar.
4. Consumidor final.
5. Comércio internacional.
6. Indústria e serviços de apoio.
O foco dos sistemas agroindustriais faz menções a aspectos 
presentes no âmbito das políticas públicas ao mesmo tempo em que 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
40
também trata da arquitetura das organizações e das formulações de 
estratégias corporativas.
IMPORTANTE:
Nesse sentido, Batalha (2010, p. 10) entende o sistema 
agroindustrial como “o conjunto de atividades que 
concorrem para a produção de produtos agroindustriais, 
desde a produção dos insumos (sementes, adubos, 
máquinas agrícolas etc.) até a chegada do produto final 
(queijo, biscoito, massas etc.) ao consumidor”. 
Isso implica dizer que o mencionado sistema se relaciona 
diretamente com o Agronegócio, já que pode ser encarado como a “soma 
integrada de todas as cadeias produtivas agroindustriais ou complexos 
agroindustriais presentes numa dada economia” (ARIEIRA, 2017, p. 189).
Segmentos do sistema agroindustrial
Três são os segmentos que compõem o sistema agroindustrial, 
sendo estes denominados como: segmentos antes da porteira; segmentos 
dentro da porteira; e segmentos depois da porteira.
Segmentos antes da porteira
O primeiro aspecto a ser destacado faz menção aos insumos 
agropecuários, sendo por meio destes que são apresentados quais 
são os insumos principais que são considerados como essenciais para 
a produção da agropecuária como um todo. Assim, nesse campo estão 
inseridos aspectos como:
 • Máquinas, implementos, equipamentos e complementos – as 
máquinas usadas com mais frequência no âmbito da agropecuária 
são tratores, colhedores e motores fixos, assim, cada uma delas 
têm os seus próprios implementos e complementos, que irão 
influenciar no exercício de suas funções. Diante disso, são vários 
os tipos e portes de equipamentos e máquinas que podem ser 
utilizadas. Assim, para que essa aplicação ocorra da forma correta, 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
41
é preciso envolver questões quanto à eficiência e à análise dos 
custos dos conjuntos, objetivando uma abordagem mais viável.
 • Água – insumo indispensável para a vida e o desenvolvimento da 
agropecuária. É importante que a sua utilização ocorra de forma 
consciente, para que os impactos ambientais não sejam tão 
severos.
 • Energia – aqui estão inclusas as diversas fontes de energia, como é 
o caso da energia solar, energia eólica, energia hidráulica, energia 
de biogás e energia térmica.
 • Corretivos de solos – utilizados com a intenção de que as 
deficiências nos solos possam ser corrigidas, tornando-o, assim, 
viável e eficaz para o âmbito da produção, bem como para 
as questões envolvendo as análises laboratoriais. São citados 
como exemplo: calcários agrícolas, gesso agrícola e adubos ou 
fertilizantes.
 • Fertilizantes.
 • Agroquímicos.
 • Compostos orgânicos.
 • Materiais genéticos – aqui estão inclusas as mudas e as sementes.
Além desses critérios, também é possível enfatizar a presença de 
questões relativas às rações, aos inoculantes, aos sais comuns e aos sais 
minerais, bem como os produtos veterinários.
Também é quanto aesses aspectos que são feitas interpelações com 
os fabricantes e os distribuidores dos insumos de natureza agropecuária.
Ainda no que se refere ao segmento antes da porteira, menciona-
se a atuação dos agentes econômicos, das empresas produtoras dos 
materiais genéticos e dos distribuidores dos insumos, bem como aquelas 
que fazem menção à presença dos serviços agropecuários, como é o 
caso das pesquisas agropecuárias, fomento, extensão rural e assistência 
técnica, envolvendo também os aspectos relativos à vigilância e à defesa 
agropecuária, o treinamento da mão de obra e aos incentivos fiscais etc.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
42
Segmentos dentro da porteira
Por sua vez, os segmentos dentro da porteira são aqueles que 
fazem menção à produção agropecuária propriamente dita, sendo que 
estas são divididas em agricultura ou produção agrícola e em pecuária, 
uma vez que esta faz menção à criação de animais.
IMPORTANTE:
A produção agrícola vai considerar uma série de fases 
essenciais para esse processo, correspondendo ao preparo 
do solo, aos tratos culturais, à colheita, ao transporte, 
ao armazenamento dos produtos, à administração e à 
gestão perante as unidades produtivas, sendo necessário 
mencionar também as questões relativas às culturas 
vegetais.
Já quanto à pecuária, algumas etapas e aspectos também precisam 
ser destacados, como é o caso das instalações, dos equipamentos 
e da produção dos alimentos, bem como aqueles cuidados que são 
necessários tanto para a manutenção quanto para a venda dos animais e 
dos produtos relacionados.
Segmentos depois da porteira
A última modalidade de segmento a ser destacada é a denominada 
como “segmentos depois da porteira”, que são formados pelas etapas 
ligadas ao processamento e à distribuição dos produtos agropecuários. 
Esse vínculo será observado até que os consumidores tenham acesso a 
esses produtos. Para tanto, tipos de agentes econômicos são analisados, 
bem como se leva em consideração aspectos vinculados ao comércio, à 
agroindústria, aos prestadores de serviço, ao Governo, entre outros.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
43
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que, em um momento inicial, a Economia era dividida e 
baseada em apenas dois setores, um derivado da agricultura 
e o outro do comércio atrelado a ele, contudo a Revolução 
Industrial foi um fenômeno incumbido pela inserção e 
implementação de diversas modificações na sociedade, 
mudando a forma de enxergar e de funcionamento do 
mundo. Dessa forma, também estudamos quais foram 
os principais impactos e consequências atrelados a cada 
fase da Revolução Industrial. Aprendemos também que o 
sistema agroindustrial é formado por um conjunto de seis 
grupos de atores econômicos, que incluem: agricultura 
e pesca; indústrias agroalimentares; distribuição agrícola 
e alimentar; consumidor final; comércio internacional; e 
indústria e serviço de apoio. Ao longo desta Unidade, 
destinamos atenção para o sistema agroindustrial e os seus 
segmentos. Dessa forma, pudemos entender que o sistema 
agroindustrial é composto pelo conjunto dos complexos 
agroindustriais que se fazem presentes em uma nação. Três 
são os segmentos que compõem o sistema agroindustrial, 
sendo eles denominados como: segmentos antes da 
porteira; segmentos dentro da porteira; e segmentos 
depois da porteira.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
44
Governo e políticas agrícolas
OBJETIVO
Neste capítulo, vamos identificar e avaliar as políticas 
públicas e as ações governamentais de fomento ao 
Agronegócio, compreendendo seus deveres e obrigações 
constitucionais. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá. Avante!
Política agrícola: conceito, características 
e história
A Lei n° 4.504, de 30 de novembro de 1964, é responsável por 
apresentar as normas relativas ao Estatuto da Terra. Dessa forma, dispõe 
que a política agrícola pode ser compreendida como o conjunto das 
medidas que servem como forma de orientar as atividades agropecuárias, 
tendo em vista os interesses relativos à Economia Rural. Além disso, essas 
políticas também têm como intenção prestar assistência ao produtor e 
amparar a propriedade de terra.
Isso implica dizer que a política pública tem em vista garantir o 
pleno uso da terra e a integração ao setor agropecuário, levando em 
consideração a presença e as relações que são firmadas perante o âmbito 
da Economia.
Assim, ao exercer o planejamento da política agrícola, o Estado 
atua de maneira a promover, regular, fiscalizar e controlar, assim como 
avaliar as atividades e suprir as necessidades e os interesses que estejam 
relacionados aos incrementos da produção e da produtividade.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
45
IMPORTANTE:
Também é correta a afirmação de que as políticas agrícolas 
intencionam dirimir e/ou eliminar as distorções que podem 
afetar o desempenho das funções econômicas e sociais 
vinculadas à agricultura, sem deixar de lado o atendimento 
da proteção e do meio ambiente, tanto na tentativa de 
evitar que danos importantes afetem o meio ambiente, 
quanto para garantir o seu uso racional e o estímulo da 
recuperação dos recursos naturais.
Nessa perspectiva, o mencionado Estatuto da Terra entende 
que para que ocorra o devido funcionamento das políticas agrícolas, 
é necessário que algumas providências sejam atendidas, assim, tais 
providências podem estar relacionadas a contrapartidas do Governo e, 
entre elas, podem ser citadas:
 • Assistência e acesso mais fáceis ao crédito.
 • Garantia relativa aos preços justos, fazendo com que estes 
apresentem compatibilidade com o mercado e as commodities.
 • Progresso técnico às lavouras e à produção.
 • Assistência médica.
 • Acesso aos meios de comunicação.
 • Apoio às atividades de comércio.
 • Criação de programas voltados tanto para a construção das 
moradias quanto das escolas rurais.
 • Difusão do escoamento da produção e das redes de 
armazenamento.
Ainda no que se refere a determinações e previsões legais, destaca-
se que a Lei n° 8.171, de 17 de janeiro de 1991 é a incumbida por dispor 
acerca das políticas agrícolas no território nacional, assim, por meio desse 
instrumento legal, são apresentados os objetivos e as competências 
institucionais, bem como os recursos, as ações e os instrumentos 
vinculados à ideia de política agrícola.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
46
Desta feita, o art. 2° da Lei n° 8.171/1991 determina quais são os 
pressupostos fundamentais para as políticas agrícolas. Dessa forma, 
dispõe que:
Art. 2° A política fundamenta-se nos seguintes pressupostos:
I – a atividade agrícola compreende processos físicos, 
químicos e biológicos, onde os recursos naturais envolvidos 
devem ser utilizados e gerenciados, subordinando-se às 
normas e princípios de interesse público, de forma que 
seja cumprida a função social e econômica da propriedade.
II – o setor agrícola é constituído por segmentos como: 
produção, insumos, agroindústria, comércio, abastecimento 
e afins, os quais respondem diferenciadamente às políticas 
públicas e às forças de mercado.
III – como atividade econômica, a agricultura deve 
proporcionar, aos que a ela se dediquem, rentabilidade 
compatível com a de outros setores da Economia.
IV – o adequado abastecimento alimentar é condição 
básica para garantir a tranquilidade social, a ordem pública 
e o processo de desenvolvimento econômico-social.
V – a produção agrícola ocorre em estabelecimentos rurais 
heterogêneos quanto à estrutura fundiária, condições 
edafoclimáticas, disponibilidade de infraestrutura, 
capacidade empresarial, níveis tecnológicos e condições 
sociais, econômicase culturais.
VI – o processo de desenvolvimento agrícola deve 
proporcionar ao homem do campo o acesso aos 
serviços essenciais: saúde, educação, segurança pública, 
transporte, eletrificação, comunicação, habitação, 
saneamento, lazer e outros benefícios sociais. (BRASIL, 
1991, on-line)
Já no que se refere aos seus objetivos, o art. 3° apresenta entre 
os objetivos dessa política: a) eliminação das distorções que afetam o 
desempenho das funções econômicas e social da agricultura; b) proteção 
ao meio ambiente, destinando atenção para a garantia do seu uso racional 
e estímulo da recuperação dos recursos naturais; c) estímulo ao processo 
da agroindustrialização perante as áreas de produção; d) promoção da 
saúde animal e da sanidade vegetal; e) fornecimento de apoio de caráter 
institucional ao produto rural, destacando a prioridade do atendimento 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
47
ao pequeno produtor e à sua família. Além disso, também são objetivos 
pertencentes à política agrícola a melhoria da renda e da qualidade de 
vida no meio rural e a promoção da concorrência leal entre os agentes 
que atuam nos setores rurais, bem como na proteção destes quanto à 
relação das práticas desleais e aos riscos das doenças e pragas exóticas 
do país, entre outros (BRASIL, 1991).
SAIBA MAIS:
Os objetivos abordados no presente tópico não são os 
únicos atrelados às políticas agrícolas, já que o dispositivo 
em destaque apresenta outras determinações que fazem 
menção a tais finalidades. Assim, para que você tenha uma 
compreensão mais completa sobre o assunto, faça a leitura 
completa do art. 3° da Lei n° 8.171/1991, presente no link a 
seguir. Para acessar, clique aqui .
Por sua vez, o art. 4° apresenta quais são as ações e os instrumentos 
de política agrícola abordados por esses instrumentos, sendo alguns 
exemplos: a) planejamento agrícola; b) pesquisa agrícola tecnológica; c) 
habitação rural; d) eletrificação rural; e) crédito fundiário; f) mecanização 
agrícola; g) formação profissional e educação rural; h) defesa da 
agropecuária, entre outros listados nesse artigo (BRASIL, 1991).
Diante desse contexto, muitas são as pessoas e os grupos que podem 
ser beneficiados por meio das políticas agrícolas, sendo que por meio delas é 
possível que alcançar um desenvolvimento sustentável de destaque. Assim, 
alguns desses beneficiários são apresentados na Figura 10.
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
48
Figura 10 – Beneficiários da política agrícola
Pequenos, 
médios e 
grandes 
produtores
População Governo
 • Todos são 
capazes de 
promover 
contribuições 
e, ao mesmo 
tempo, de 
usufruir do 
crescimeto 
econômico.
 • Benefi ciada 
por meio da 
segurança 
alimentar e 
consumo dos 
produtos de 
qualidade.
 • Busca diminuir 
os impactos 
ambientais, 
tendo em vista 
uma exploração 
mais consciente 
e responsável 
dos recursos 
naturais.
 • Integra as atividades 
agropecuárias 
com outras áreas 
importantes para a 
sociedade e o seu 
desenvolvimento, 
sendo esse o caso 
do ramo econômico.
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Também é importante que seja destacado qual é a história e a 
importância atrelada às políticas agrícolas. Nessa perspectiva, sabemos 
que as atividades agropecuárias estão presentes no mundo e são 
fundamentais para o desenvolvimento da vida e das relações presentes 
nesse centro de diversas formas, também já sabemos que tais atividades 
compõem o setor primário da Economia.
Um dos aspectos que tornam as atividades agropecuárias 
importantes a nível global e nacional fazem menção ao fato de que estas 
são capazes de alimentar bilhões de pessoas em todo o mundo, visto que 
servem como base de outros setores econômicos. 
Contudo, esses aspectos não reduzem e não limitam a importância 
da agropecuária, tendo em vista que por meio da prática dessa atividade 
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
49
também é possível que ocorra a diminuição das desigualdades, assim, é 
possível que a pobreza extrema seja combatida e que a proteção ao meio 
ambiente seja aplicada de forma mais efetiva, de maneira que a qualidade 
dos ecossistemas possa ser alcançada de forma mais plena.
IMPORTANTE:
Mesmo que a agricultura esteja presente desde a 
Antiguidade, um avanço marcante nesse setor só foi visto a 
partir da segunda metade do século passado, uma vez que 
a partir desse momento as políticas agrícolas passaram a 
ter mais relevância no cenário nacional.
Nesse cenário, a Comissão Nacional de Política Agrária foi criada 
por meio do Decreto n° 29.803, de 25 de julho de 1951, tendo esta sido 
implementada no segundo Governo de Getúlio Vargas, tendo como 
principal intenção e objetivo apresentar iniciativas voltadas para a 
organização e o auxílio no desenvolvimento da Economia agrícola e do 
bem-estar rural.
Posteriormente a esse decreto, foi implementado o Estatuto da 
Terra, que durante vários anos foi a norma mais importante na regulação 
das políticas agrícolas do país, sendo a responsável por inserir inovações 
nesse âmbito legislativo, como é o caso das primeiras agroindústrias e 
técnicas responsáveis pelo aumento da produtividade.
Outras mudanças e avanços foram registrados a partir do Estatuto 
da Terra, sendo exemplos:
 • Instituição do Sistema Nacional de Crédito Rural.
 • Ampliação da Política de Garantia de Preços Mínimos.
 • Criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
(Embrapa). 
Além disso, também foi por meio do Estatuto da Terra que foi 
elaborado o Código Florestal e que se deu a criação da Empresa Brasileira 
de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater).
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
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VOCÊ SABIA?
O Código Florestal foi instituído por meio da Lei n° 12.727, 
de 25 de maio de 2012, sendo a norma responsável pelo 
estabelecimento de normas gerais que abordem a proteção 
da vegetação, das áreas de preservação permanente e 
das áreas de reserva legal. Salienta-se também que essa 
legislação apresenta disposições acerca da exploração 
florestal, suprimento das matérias-primas florestais, a 
origem dos produtos florestais e o controle e a prevenção 
dos incêndios florestais, levando em consideração o 
objetivo primordial e o desenvolvimento sustentável.
Nessa perspectiva, um novo avanço para o campo do Direito 
Agrícola e das políticas agrícolas foi a criação da Lei da Política Agrícola de 
1991, que foi instaurada em decorrência da necessidade de atualizações 
e de reformulações imprescindíveis para esse campo. Essa norma é a 
incumbida por abordar as diretrizes e os objetivos dessa política até os dias 
atuais, sendo uma norma de extrema relevância dentro do ordenamento 
jurídico brasileiro.
Políticas agrícolas no Brasil
Diversas são as políticas agrícolas que se fazem presentes no 
Brasil, e cada uma delas pode ter os seus detalhes acompanhados, bem 
como as suas especificidades destacadas no site relativo ao Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Nessa perspectiva, serão destacadas as principais políticas agrárias 
brasileiras, sendo apresentadas as suas características de maior destaque 
(Figura 11).
Legislação e normas técnicas aplicadas ao Agronegócio
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Figura 11 – Tipos de políticas agrícolas brasileiras
Políticas agrícolas
Plano Safra
Agroenergia
Combate à seca
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
A primeira política agrícola brasileira a ser destacada é a denominada 
“Plano Safra”. Este consiste no apoio de crédito que tem como finalidade 
ajudar no desenvolvimento sustentável do setor agropecuário, uma vez 
que o seu objetivo está vinculado à intenção de modernizar o campo de 
forma tecnológica, levando em consideração a aplicação de técnicas 
mais inovadoras no mercado, devendo obediência às leis ambientais de 
caráter nacional.
O mencionado Plano pode ser adotado pelos pequenos produtores, 
mesmo que estes

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