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FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS PARA
AQUISIÇÃO DO
CONHECIMENTO LÓGICO-
MATEMÁTICO
AULA 1
Prof. Roberto José Medeiros Junior
2
CONVERSA INICIAL
Esta aula está estruturada em cinco temas inter-relacionados e tem como
objetivos apresentar a definição de linguagem no campo de estudo da
matemática, definir código na linguagem da matemática e diferenciar lógica
proposicional clássica de pensamento lógico-abstrato em matemática.
O tema 1 tratará da definição de linguagem no campo da matemática,
inter-relacionando os principais elementos formadores da linguagem
matemática, fundamentando-se nos preceitos da lógica e da ação didática do
professor.
No tema 2, vamos conceituar os diferentes códigos da matemática junto
a algumas noções de lógica em matemática.
No tema 3, vamos definir os eixos articuladores da matemática junto à
didática em matemática.
No tema 4, vamos discutir proposições matemáticas no campo da lógica
clássica.
Por fim, no tema 5, discutiremos a relação entre o concreto e o abstrato
em matemática lançando mão de eixos articuladores da própria matemática:
aritmética, álgebra e geometria.
TEMA 1 – LINGUAGEM MATEMÁTICA
A definição usual de linguagem repousa como sendo um sistema de
comunicação provido de símbolos ou sinais ou até mesmo de objetos instituídos
como signos (objetos que representam algum tipo de sinal e são carregados de
significado). Por vezes nos deparamos com representações em código que não
estão acessíveis a todos; talvez seja esse o caso da matemática, por isso é
necessária uma boa dose de aprendizado e desmitificação em relação aos
códigos da linguagem matemática. No caso dos seres humanos, a linguagem
encontra-se bem desenvolvida e é mais especializada se comparada com a de
outras espécies animais. Graças à linguagem, podemos abstrair e comunicar
conceitos usando o corpo e a fala (Weil; Tompakow, 2003).
De modo didático podemos separar em três dimensões o conceito de
linguagem (Silva, 2010): forma, conteúdo e uso. Em relação à forma, utiliza-se
da fonologia (estudo de como os sons se organizam dentro de uma língua),
morfologia (modo geral do estudo da estrutura e formação das palavras) e a
3
sintaxe (técnica de organização das sentenças linguísticas de maneira a
transmitir um significado completo a uma sentença). Em relação ao conteúdo,
cabe definir o campo da semântica na linguagem como sendo o estudo do
significado usado por seres humanos para se expressar por meio da linguagem
(Pires de Oliveira; Basso, 2007). Será precisamente nessa dimensão que vamos
direcionar nossos esforços para a compreensão dos fundamentos e
metodologias para aquisição do conhecimento lógico matemático. E, em relação
ao uso (a pragmática), essa dimensão prática da linguagem teoriza como se dá
a interação entre o locutor e o efeito que sua fala tem na pessoa que ouve, o
interlocutor. Aqui nasce a primeira estrutura didático-lógica em matemática,
vamos aprofundar essa temática adiante, mas já é válida a analogia:
Figura 1 – Analogia sobre a pragmática
Quais recursos são essenciais para que a mensagem (código) chegue ao
receptor da melhor maneira? Ou, ainda, a matemática tem caráter utilitarista?
Ambas percepções recaem em discussões por vezes superficiais. Dizer “se não
tem utilidade prática não deveria ser ensinado” pode causar mais ruídos e
obstáculos do que avelha regra de insistir que os códigos estejam bem escritos;
cabe ao(à) locutor(a) estudar bem os códigos para poder ensiná-los.
A questão-chave aqui é estruturar a Matemática como linguagem. Vamos
conhecer os diferentes tipos de raciocínios possíveis em matemática: o
raciocínio aritmético, o geométrico e o algébrico, próprios na formação do
pensamento lógico-abstrato em matemática, relacionando-os com as
abordagens de formação de padrões e de generalizações tidas como formadoras
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do pensamento lógico-matemático em algumas situações voltadas para a prática
de sala de aula.
Desde muito cedo nos deparamos com a necessidade de se comunicar
para que algum tipo de atenção seja concedido. Se pudéssemos (e vamos fazer
isso aqui) estender a analogia da necessidade versus concessão teríamos que
entender que no processo de comunicação existe sempre uma mensagem a ser
decodificada.
Quando o recém-nascido chora é sinal de que algo precisa ser feito ou se
o adulto responsável pelo ambiente autoriza que determinada ação seja
realizada. Os códigos podem ser simples, diretos como um “não”, independente
do que elegemos como valores o “não” é um código universal e independe de
qualquer contexto.
Como a matemática é a mesma em todo o mundo, ela até pode funcionar
como uma linguagem universal (no entanto, nesse quesito ainda existe muita
controvérsia, pois a matemática é linguagem num mundo predominantemente
escrito com símbolos). Uma equação (conhecida popularmente com uma
fórmula) tem o mesmo significado, independentemente do idioma que a
acompanha. Dessa forma, a matemática ajuda as pessoas a aprender e se
comunicar, mesmo existindo barreiras sociais, culturais e étnicas.
Segundo o dicionário on-line Priberam, linguagem é um substantivo
feminino definido como: “expressão do pensamento pela palavra, pela escrita ou
por meio de sinais”.
Nem todo mundo concorda que a matemática é uma linguagem. Algumas
definições de linguagem a descrevem como uma forma falada de comunicação
outras como uma forma escrita de comunicação (Ford; Peat, 1988) Embora
possa ser fácil ler uma declaração de adição simples em voz alta (por exemplo,
“um mais um é igual a dois”), é muito mais difícil ler outras equações em voz alta
(por exemplo, as equações de Maxwell, que têm aplicação direta nas leis do
eletromagnetismo em Física). Além disso, as declarações faladas seriam
reproduzidas na língua nativa do falante, não em uma língua universal.
No entanto, a linguagem de sinais também seria desqualificada com base
nesse critério. A maioria dos linguistas aceita a linguagem de sinais como uma
linguagem verdadeira. Há um punhado de línguas mortas que ninguém mais
sabe pronunciar ou ler (Costa, 1996).
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Um argumento forte para a matemática como língua é que os currículos
modernos da Educação Básica usam técnicas de ensino de línguas para o
ensino da matemática. O psicólogo educacional Paul Riccomini escreveu que os
alunos que aprendem e gostam de matemática exigem “uma base de
conhecimento de vocabulário robusta; flexibilidade; fluência e proficiência com
números, símbolos, palavras e diagramas; e habilidades de compreensão”
(Riccomini et al., 2015, p. 25).
TEMA 2 – LINGUAGEM MATEMÁTICA E LÓGICA
Algumas habilidades acabam sendo desenvolvidas no durante e depois
do estudo da matemática. Pode-se dizer que aquele ou aquela estão
desenvolvendo mais a capacidade de lidar com alguns atributos mentais, tais
como, senso numérico, raciocínio logico, algorítmico e espacial, entre outros,
pode ser um ganho cognitivo, mas não há prova cientifica de que aprender
matemática seja uma ferramenta indispensável para que se possa compreender
algo cientificamente.
Cabe uma pausa para refletir e bem definir. Se a matemática não é uma
linguagem usual, ou não tem intenção de transformar nem capacitar
cientificamente um indivíduo, então serve para quê?
Recorramos aos estudiosos. Uma definição de linguagem matemática e
suas singularidades fica bem exposta no trecho de Menezes (1999):
A propósito da Matemática é comum ouvirmos termos e expressões
como as que se seguem: “a matemática é uma linguagem abstrata”, “a
linguagem da matemática é de difícil compreensão aos alunos”, “a
linguagem da matemática é precisa e rigorosa”. Sendo a matemática
uma área do saber de enorme riqueza, é natural que seja pródiga em
inúmeras facetas; uma delas é, precisamente, ser possuidora de uma
linguagem própria, que em alguns casos e em certosestrutura lógica de
“verdadeiro” ou “falso”, o que necessariamente transforma a matemática em um
“ser” dotado de dois extremos bem demarcados: ou está certo ou está errado,
não tem meio termo. Arriscamos afirmar que é justamente essa característica
que a torna tão impopular e nefasta; todavia, dar a ela esse título implica negar
a existência de outro ramo, que é a lógica indutiva, em que as “leis” não são
assim tão rígidas.
Retomando o exemplo dos axiomas de Peano, em especial as deduções
lógicas sobre o conjunto dos números naturais, o método indutivo nos faria
pensar se o 0 é um número natural. Naturalmente, contamos 1, 2, 3, 4... Mas
contar o nada, somente se fosse por indução; note que soa “não lógico” contar
o nada. A própria axiomática de Peano sofreu interpretações dúbias (o que seria
no mínimo estranho, por se tratar de uma teoria lógica da matemática) no que
se refere ao zero como sendo ou não número natural (Ifrah, 2005).
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Do ponto de vista dedutivo, vamos excluir o zero como sendo um número
natural e apresentar o que seria a nossa primeira estrutura lógica dedutiva:
Figura 3 – Estrutura lógica dedutiva
Fonte: Lima, [S.d.].
É justamente essa a estrutura lógica de uma proposição matemática. Em
particular, nunca acreditei que essa linguagem é simples e usual, é justamente
essa decodificação que se faz necessária na matemática escolar.
De modo didático, podemos (e devemos) ao máximo entender essas
proposições e reescrevê-las didaticamente: reescrita da proposição A. Todo e
qualquer número natural possui um único sucessor, que também pertence ao
conjunto dos números naturais. Exemplo: o sucessor de 22 é 23, o sucessor de
23 é 24 na lógica do conjunto dos números naturais o próximo número na
sequência tem as mesmas características dos anteriores: “ser um número
natural”.
Reescrita da proposição B. Injetiva ou injetora é uma função matemática
que preserva a distinção: nunca aponta elementos distintos de um conjunto A
para o mesmo elemento de um conjunto B. No contexto do conjunto dos números
naturais, para cada elemento do conjunto N (naturais) diferentes em
correspondência existirá um sucessor diferente. Um diagrama facilita o
entendimento da correspondência do tipo injetora:
Figura 4 – Correspondência do tipo injetora
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Qual a “lógica” dessa correspondência? Vamos responder a seguir.
Em matemática, as relações entre elementos de conjuntos têm nome
específico: função. A relação entre os elementos pertencentes ao conjunto A e
os elementos do conjunto B é uma função injetora em que cada elemento de A
= {1, 2, 3} tem um elemento correspondente distinto em B = {2, 3, 4}, então, qual
a “lógica” de formação dos elementos pertencentes a B?
Lógica é uma lei geral, então, reformulamos a questão como sendo: qual
a lei de formação que corresponde elementos do conjunto “A” com os elementos
de “B”?
Resposta: pegue o elemento de A e adicione 1. Assim, você terá um
elemento distinto em B escrito aritmeticamente como: 1 + 1 = 2, que em
linguagem matemática é expresso como f(n) = n + 1.
Reescrita da proposição C. Existe um único número natural que não é
sucessor de nenhum outro. Este número é representado pelo símbolo 1 e
chamado de número um, o antecessor do número 1 é zero, o que é bastante
instrutivo na filosofia. Note que para os filósofos a unidade é entendida como
como uma entidade suprema, transcendente e que está além de todas as
categorias do “Ser e Não-ser” (Brito; Dinucci, 2019).
Reescrita da proposição D. Se um conjunto de números naturais contém
o número 1 e o sucessor de cada um de seus elementos (formando a sequência
s(n)), então esse conjunto coincide com o conjunto N dos números naturais.
Se lhe pareceram óbvias cada uma das proposições, então estamos no
caminho certo do entendimento da lógica matemática, objeto de estudo desse
material.
Deveria saltar aos olhos que naqueles escritos, usando notação
simbólica, o entendimento das proposições não seria fácil. Pensar didaticamente
a lógica significa usar a linguagem natural no lugar da simbólica. As tentativas
de tratar as operações da lógica formal de uma forma simbólica ou algébrica
foram feitas por alguns matemáticos que estavam também preocupados com a
filosofia, como é o caso de Gotfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) e de Johann
Heinrich Lambert (1728-1777), mas seus trabalhos permaneceram pouco
conhecidos e isolados. Foram George Boole e, depois, Augustus De Morgan, em
meados do século XIX, que apresentaram uma forma matemática sistemática de
encarar a lógica. A tradicional doutrina aristotélica da lógica foi reformada e
completada e a partir desse nascimento de uma “nova lógica” se desenvolveu
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um instrumento para investigar os conceitos fundamentais da matemática,
assunto do tema cinco.
TEMA 5 – ARITMÉTICA, ÁLGEBRA E GEOMETRIA: O CONCRETO E O
ABSTRATO EM MATEMÁTICA
Não seria arriscado afirmar que a lógica em matemática escolar serve a
dois propósitos: metodologia de ensino da matemática e a organização de uma
estrutura hierárquica.
Questões metodológicas são abordadas na área de ensino de matemática
pela via da resolução de problemas. Problemas de lógica são necessariamente
resolvidos com o desenho hierárquico (estrutura) de um algoritmo.
Existe vasta literatura a respeito da resolução de problemas em
matemática. Seria um tanto complexo escolher entre um e outro autor, mas tem
que ser feito. Para fundamentar a prática da resolução de problemas em
matemática, a escolha foi por um professor de matemática que propôs uma
metodologia adequada ao ensino de matemática: George Polya (1887-1985).
No clássico livro A arte de resolver problemas (1945), Polya dá conta de
apresentar e defender o ensino de matemática essencialmente pela prática da
resolução de problemas com alta carga metodológica. Seus escritos podem até
direcionar a uma “receita” de como se deve conduzir a resolução de problemas;
longe disso, Polya apresentou argumentos para que se fosse feito justamente o
contrário.
Questão de ordem. Polya utiliza a expressão grega hēurēka (descobri),
transformada em heurística para representar a prática de descobrir, seguindo
passos metodológicos, a solução de um problema especialmente de
matemática. É inerente aos estudos metodológicos que ensinar esses passos da
resolução de problemas é uma atividade de responsabilidade do professor, é
esse “ensinar a pensar problemas” a principal função do professor. Nas palavras
de Polya (1995):
A primeira obrigação de um professor de matemática é usar essa
grande oportunidade; ele deveria fazer o máximo possível para
desenvolver a habilidade de resolver problemas em seus alunos.
Primeiro, ele deveria estabelecer a classe certa de problemas para os
seus alunos: não muito difíceis, nem fáceis demais, naturais e
interessantes que desafiem sua curiosidade, adequados a seu
conhecimento. […] Depois, o professor deveria ajudar seus alunos
convenientemente. Não muito pouco, senão não há progresso. Não
demais, senão o aluno não terá o que fazer. Não ostensivamente,
13
senão os alunos adquirem aversão ao problema, em cuja solução o
professor ficou com a maior parte. (Polya, 1995, p. 23)
Para sistematizar a resolução de problemas primeiro, é preciso
“compreender o problema; segundo, procure encontrar a conexão entre os
dados e a incógnita – é preciso chegar afinal a um plano para a resolução;
terceiro, execute seu plano; quarto, examine a solução obtida” (Medeiros, 2007,
p. 53). Além dos “passos” propostos por Polya, cabe a organização hierárquica
dos eixos que estruturam “logicamente” a matemática: aritmética, álgebra e
geometria.
Problemas de matemática de aritmética são aqueles que envolvem
operações fundamentais, quais sejam, adição (contas de mais em que o
resultado é uma soma), subtração (contas de menos em que o resultado é a
diferença),multiplicação (contas de vezes que têm como resultado o produto) e
a divisão (uma razão, frações com resultado sendo um quociente).
Aritmeticamente, a representação de uma divisão é uma “conta de dividir”
e o método utilizado para se obter o resultado de uma divisão é o algoritmo da
divisão. Na matemática da escola, ensinamos o algoritmo (método) longo e o
curto:
Figura 5 – Algoritmos longo e curto
A estrutura lógica que generaliza a solução de um “problema” (a conta de
dividir) é uma equação matemática: D = d x q + r (Dividendo “D” é igual ao
produto entre o divisor “d” e o quociente “q” mais o resto “r”). Logicamente, o
resultado de “D” é o mesmo que o obtido em “d x q + r”; essa igualdade entre os
membros de uma equação é “lógica” porque retorna “V” verdadeiro
aritmeticamente: 13 = 5 x 2 + 3.
Na lógica proposicional escrevemos (o símbolo “→ ” é um operador
condicional, deve ser lido como “então”): 13 = 5 x 2 + 3 → 13 = 10 + 3 → 13 =
13. Uma vez que é verdade que “13 = 13”, podemos reescrever a equação com
o símbolo “” (deve ser lido como “implica que”): 13 = 5 x 2 + 3 13 = 10 + 3.
14
De concreto, segundo Piaget (1970), durante o estágio operacional
concreto, a criança atinge o uso das operações lógicas pela primeira vez.
Podemos tirar que se faz necessário abstrair a aritmética da divisão. Com esse
pensamento vamos apresentar o algoritmo da divisão sob uma perspectiva
didática:
Figura 6 – Linguagem concreta versus linguagem abstrata
Problemas de matemática de álgebra relacionam números, operações e
letras para representar situações de regra geral, ou de relação entre variáveis.
Problemas de matemática de geometria relacionam números, operações,
letras e formas geométricas para representar generalizações (fórmulas de
geometria. Por exemplo, uma equação matemática que representa as relações
entre arestas, faces e vértices numa figura geométrica é a relação de Euler V +
F = A + 2).
Vamos propor uma situação problema que envolve números, operações
e letras para representar uma “fórmula” (equação, regra geral) que relacione o
número de palitos ao número correspondente a figura formada:
Figura 7 – Palitos
A primeira figura é um quadrado, e foram utilizados quatro palitos para
formá-lo. No segundo quadrado foram utilizados sete palitos; no terceiro, 10
palitos, e assim por diante. Quantos palitos serão necessários até formar a 100ª
figura?
Para responder a essa pergunta é preciso ou contar de três em três até
chegar na centésima posição, ou logicamente montar uma regra geral que
responda a qualquer relação entre o número de palitos e a posição dos
15
quadrados. Notem que para cada quadrado formado são necessários mais três
palitos, mas no início já eram quatro palitos, generalizando a equação seria: a
posição “n” da figura (1ª, 2ª, 3ª, ...) vezes três mais um, que em linguagem
matemática algébrica seria expresso por 3n + 1. No caso da 100ª figura seriam
necessários 301 palitos pois 3 x 100 + 1 = 301.
NA PRÁTICA
Vamos propor uma situação problema que envolve números, operações
e letras para apresentar uma regra geral de formação que relacione o número
de palitos ao número correspondente a figura formada:
Figura 8 – Palitos
A primeira figura é um triângulo e foram utilizados três palitos para
formá-lo. Para o segundo triângulo, foram utilizados cinco palitos; para o terceiro,
sete palitos, e assim por diante. Quantos palitos serão necessários até formar a
1.000ª figura?
FINALIZANDO
Além de desenvolver técnicas de resolução de operações elementares em
matemática por meio da resolução de problemas como metodologia de ensino
de matemática, o uso de operadores lógicos, o reconhecimento de padrões,
relações e generalizações é uma habilidade essencial para as atividades lógicas
em matemática, seja para a ação didática em matemática, seja para a
compreensão da linguagem matemática no campo da abstração e da lógica.
16
REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretrizes curriculares nacionais gerais da educação Básica/
Ministério da Educação. Secretária de Educação Básica. Diretoria de currículos
e educação integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013.
BRITO, R. P.; DINUCCI, A. L. Tradução de Diógenes Daércio, Vitae
Philosophorum, livro IV (sobre os acadêmicos). Archai, n. 25, 2019.
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em revista, Curitiba, v. 12, p. 51-59, 1996. Disponível em:
. Acesso em: 19 abr. 2021.
FORD, A., PEAT, F. D. The role of language in science. Foundations of
Physics, v. 18, n. 12, 1988.
GUERIOS, E. C. Espaços oficiais e intersticiais da formação docente:
histórias de um grupo de professores na área de ciências e matemática.
Campinas: 2002.
IFRAH, G. Os números: a história de uma grande invenção. São Paulo: Globo,
2005.
LIMA, E. L. O princípio da indução. Disponível em:
. Acesso em: 19 abr. 2021.
MEDEIROS JR., R. J. Resolução de problemas e ação didática em
matemática no Ensino Fundamental. 2007. Dissertação (mestrado acadêmico
em educação) - Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
. Acesso em: 19 abr. 2021.
MENEZES, L. Matemática, linguagem e comunicação. 1999. Disponível em:
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mistérios. Revista Virtual de Estudos da Linguagem – Revel, v. 5, n. 8, 2007.
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https://doi.org/10.1007/BF01889434
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RICCOMINI, P. J. et al. The language of mathematics: the importance of teaching
and learning mathematical vocabulary. Reading & Writing Quarterly, n. 31, v. 3,
2015.
SILVA, P. N. da. Manual de introdução aos estudos linguísticos. Lisboa:
Universidade Aberta, 2010.
TARSKI, A. Introdução à lógica e à metodologia das ciências dedutivas.
Dover, 1965.
WEIL, P.; TOMPAKOW, R. O corpo fala: a linguagem silenciosa da
comunicação não verbal. Petrópolis: Vozes, 2003.
https://doi.org/10.1080/10573569.2015.1030995
https://doi.org/10.1080/10573569.2015.1030995multiplicação (contas de vezes que têm como resultado o produto) e
a divisão (uma razão, frações com resultado sendo um quociente).
Aritmeticamente, a representação de uma divisão é uma “conta de dividir”
e o método utilizado para se obter o resultado de uma divisão é o algoritmo da
divisão. Na matemática da escola, ensinamos o algoritmo (método) longo e o
curto:
Figura 5 – Algoritmos longo e curto
A estrutura lógica que generaliza a solução de um “problema” (a conta de
dividir) é uma equação matemática: D = d x q + r (Dividendo “D” é igual ao
produto entre o divisor “d” e o quociente “q” mais o resto “r”). Logicamente, o
resultado de “D” é o mesmo que o obtido em “d x q + r”; essa igualdade entre os
membros de uma equação é “lógica” porque retorna “V” verdadeiro
aritmeticamente: 13 = 5 x 2 + 3.
Na lógica proposicional escrevemos (o símbolo “→ ” é um operador
condicional, deve ser lido como “então”): 13 = 5 x 2 + 3 → 13 = 10 + 3 → 13 =
13. Uma vez que é verdade que “13 = 13”, podemos reescrever a equação com
o símbolo “” (deve ser lido como “implica que”): 13 = 5 x 2 + 3 13 = 10 + 3.
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De concreto, segundo Piaget (1970), durante o estágio operacional
concreto, a criança atinge o uso das operações lógicas pela primeira vez.
Podemos tirar que se faz necessário abstrair a aritmética da divisão. Com esse
pensamento vamos apresentar o algoritmo da divisão sob uma perspectiva
didática:
Figura 6 – Linguagem concreta versus linguagem abstrata
Problemas de matemática de álgebra relacionam números, operações e
letras para representar situações de regra geral, ou de relação entre variáveis.
Problemas de matemática de geometria relacionam números, operações,
letras e formas geométricas para representar generalizações (fórmulas de
geometria. Por exemplo, uma equação matemática que representa as relações
entre arestas, faces e vértices numa figura geométrica é a relação de Euler V +
F = A + 2).
Vamos propor uma situação problema que envolve números, operações
e letras para representar uma “fórmula” (equação, regra geral) que relacione o
número de palitos ao número correspondente a figura formada:
Figura 7 – Palitos
A primeira figura é um quadrado, e foram utilizados quatro palitos para
formá-lo. No segundo quadrado foram utilizados sete palitos; no terceiro, 10
palitos, e assim por diante. Quantos palitos serão necessários até formar a 100ª
figura?
Para responder a essa pergunta é preciso ou contar de três em três até
chegar na centésima posição, ou logicamente montar uma regra geral que
responda a qualquer relação entre o número de palitos e a posição dos
15
quadrados. Notem que para cada quadrado formado são necessários mais três
palitos, mas no início já eram quatro palitos, generalizando a equação seria: a
posição “n” da figura (1ª, 2ª, 3ª, ...) vezes três mais um, que em linguagem
matemática algébrica seria expresso por 3n + 1. No caso da 100ª figura seriam
necessários 301 palitos pois 3 x 100 + 1 = 301.
NA PRÁTICA
Vamos propor uma situação problema que envolve números, operações
e letras para apresentar uma regra geral de formação que relacione o número
de palitos ao número correspondente a figura formada:
Figura 8 – Palitos
A primeira figura é um triângulo e foram utilizados três palitos para
formá-lo. Para o segundo triângulo, foram utilizados cinco palitos; para o terceiro,
sete palitos, e assim por diante. Quantos palitos serão necessários até formar a
1.000ª figura?
FINALIZANDO
Além de desenvolver técnicas de resolução de operações elementares em
matemática por meio da resolução de problemas como metodologia de ensino
de matemática, o uso de operadores lógicos, o reconhecimento de padrões,
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compreensão da linguagem matemática no campo da abstração e da lógica.
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<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
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2005.
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<http://www.mat.uc.pt/~mat0829/A.Peano.htm>. Acesso em: 19 abr. 2021.
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em educação) - Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
<http://www.ppge.ufpr.br/teses/m07_medeirosjr.pdf>. Acesso em: 19 abr. 2021.
MENEZES, L. Matemática, linguagem e comunicação. 1999. Disponível em:
<https://www.researchgate.net/publication/270050659_Matematica_linguagem_
e_comunicacao>. Acesso em: 19 abr. 2021.
PIAGET, J. A conversation with Jean Piaget and Bärbel Inhelder. Psychology
Today, 1970.
PIRES DE OLIVEIRA, R.; BASSO, R. M. A semântica, a pragmática e os seus
mistérios. Revista Virtual de Estudos da Linguagem – Revel, v. 5, n. 8, 2007.
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Universidade Aberta, 2010.
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comunicação não verbal. Petrópolis: Vozes, 2003.
https://doi.org/10.1080/10573569.2015.1030995
https://doi.org/10.1080/10573569.2015.1030995