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Superior Tribunal de Justiça
AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 412.938 - SP (2013/0346080-9)
RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - 
SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - 
DF040428 
EMENTA
AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. 
MÚTUO VERBAL. ALEGADA OBRIGAÇÃO NATURAL. VALOR DE VULTO. REEXAME 
DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. CÓDIGO CIVIL. ART. 80, INCISO II. ART.1.793, §2º.
1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 
7/STJ).
2. A cessão de bem determinado pelo espólio deve ser feita com autorização do Juízo, 
mas dispensada a escritura pública, a qual é exigível para a alienação, pelo herdeiro, do 
quinhão de que é titular na universalidade da herança.
3. Agravo interno a que se nega provimento.
 
 
 ACÓRDÃO
 A Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, 
nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, 
Marco Buzzi (Presidente), Luis Felipe Salomão e Raul Araújo votaram com a Sra. 
Ministra Relatora. 
 
 Brasília (DF), 29 de outubro de 2019(Data do Julgamento)
Ministra Maria Isabel Gallotti 
Relatora
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 1 de 6
Superior Tribunal de Justiça
 
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
 
AgInt no
Número Registro: 2013/0346080-9 AREsp 412.938 / SP
Números Origem: 052142429 200500214242 52142429 5830020052142429 73069002 9234984922008 
92349849220088260000
EM MESA JULGADO: 10/10/2019
Relatora
Exma. Sra. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MARCO BUZZI
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. MARCELO ANTÔNIO MUSCOGLIATI
Secretária
Dra. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 MARCOS JOSÉ SANTOS MEIRA - PE017374 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - DF040428 
ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Títulos de Crédito - Cheque
AGRAVO INTERNO
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - DF040428 
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão 
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
O presente feito foi retirado de pauta por indicação da Sra. Ministra Relatora.
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 2 de 6
Superior Tribunal de Justiça
AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 412.938 - SP (2013/0346080-9)
 
RELATÓRIO
MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno 
interposto por EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO contra decisão mediante a qual 
neguei provimento a seu agravo em recurso especial, dada a incidência da Súmula 7 
desta Corte.
O acórdão recorrido tem a seguinte ementa:
Ação monitória - Ação fundada em cessão de crédito feita pelos 
herdeiros do mutuante à autora - Desnecessidade de a cessão ser 
feita por escritura pública, já que não estavam sendo transferidos 
direitos hereditários, mas sim um crédito determinado - 
Possibilidade de cessão através de instrumento particular - Mútuo 
realizado entre o "de cujus" e o réu que não pode ser considerado 
obrigação natural, já que plenamente possível sua exigibilidade 
através de ação judicial, o que não ocorreria se se tratasse de 
dívida de jogo ou dívida prescrita - Ação julgada improcedente em 
primeiro grau - Recurso provido.
O agravante afirma não buscar o reexame de prova. Sustenta ser omisso 
o acórdão recorrido; a nulidade da cessão de créditos feita à agravada, já que realizada 
por instrumento particular; e que a obrigação que contraiu junto ao de cujus é natural, 
não podendo ser exigida judicialmente.
Em sua impugnação, EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E 
PARTICIPAÇÕES alega que o Tribunal de origem entendeu que a obrigação do 
agravante não era natural, mas comum, e portanto exigível judicialmente. Afirma que 
entender de modo contrário implica, sim, incidência da Súmula 7/STJ. A Corte de 
origem ainda deixou claro que a cessão de crédito foi autorizada pelo Juízo das 
Sucessões, porque se tratava de crédito certo e determinado, consentida por todos os 
herdeiros e pela viúva meeira.
É o relatório.
 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 3 de 6
Superior Tribunal de Justiça
AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 412.938 - SP (2013/0346080-9)
 
RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - 
SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - 
DF040428 
EMENTA
AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. 
MÚTUO VERBAL. ALEGADA OBRIGAÇÃO NATURAL. VALOR DE VULTO. REEXAME 
DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. CÓDIGO CIVIL. ART. 80, INCISO II. ART.1.793, §2º.
1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 
7/STJ).
2. A cessão de bem determinado pelo espólio deve ser feita com autorização do Juízo, 
mas dispensada a escritura pública, a qual é exigível para a alienação, pelo herdeiro, do 
quinhão de que é titular na universalidade da herança.
3. Agravo interno a que se nega provimento.
 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 4 de 6
Superior Tribunal de Justiça
 
VOTO
MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): O agravo não 
prospera.
Consta dos autos que o agravante celebrou contrato verbal de mútuo com 
PEDRO CONDE, falecido. O espólio de Pedro cedeu o crédito correspondente à ora 
agravada EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, que ajuizou ação 
monitória em face do agravante, nos autos da qual foi proferido o acórdão recorrido. O 
agravante sustenta que o crédito cobrado pela agravada refere-se a obrigação natural, 
além de que a cessão de que se cuida deveria ter sido feita por instrumento público.
O acórdão recorrido se manifestou de forma suficiente e motivada sobre o 
tema em discussão nos autos. Ademais, não está o órgão julgador obrigado a se 
pronunciar sobre todos os argumentos apontados pelas partes, a fim de expressar o 
seu convencimento. No caso em exame, o pronunciamento acerca dos fatos 
controvertidos, a que está o magistrado obrigado, encontra-se objetivamente fixado nas 
razões do acórdão recorrido. Afasto, pois, a alegada violação do art. 535 do CPC.
Quanto à alegação de que se tratava de obrigação natural, o recurso não 
poderia ser acolhido sem reexame de prova. A respeito da matéria, confira-se o 
seguinte trecho do acórdão recorrido (e-STJ fl. 315):
Por outro lado, com a devida vênia do réu-apelado, o empréstimo 
ora discutido não pode ser considerado uma obrigação natural.
Da lição de Maria Helena Diniz, trazida aos autos pelo réu-apelado, 
em suas contra-razões, tem-se que "naobrigação natural tem-se 
um vinculum soliu aequitatis, em que o credor não possui o direito 
de ação para compelir o devedor a cumpri-la; logo, essa relação 
obrigacional não gera pretensão, faltando-lhe o vinculum juris" (fls. 
230/231).
Ocorre que a cessão de crédito, evidentemente, não se enquadra 
neste conceito, uma vez que pode ser exigida judicialmente, ao 
contrário do que ocorrem com as dívidas de jogo ou aposta e com 
as dívidas prescritas, estas sim obrigações realmente naturais.
E se realmente o "de cujus" não pretendia receber de volta o valor 
emprestado, cabia ao réu-apelado a prova efetiva desta intenção 
(artigo 333, II, do CPC), o que não ocorreu.
Aliás, o fato de o réu-apelado ter feito mais de uma proposta de 
pagamento de seu débito (fls. 227/228 das contra-razões - itens 
41/43) denota justamente o contrário, ou seja, que a dívida deveria 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 5 de 6
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ser paga.
Não há como afastar essas conclusões em recurso especial, consoante 
dispõe a Súmula 7 do STJ.
Realmente, dos fatos levados em consideração pelo acórdão recorrido 
não se pode concluir que a obrigação era natural. Ainda que o contrato de mútuo tenha 
sido feito de modo informal, verbalmente e sem maiores rigores quanto a prazo, 
garantias, cláusulas penais, etc, não se pode inferir das circunstâncias fáticas 
apresentadas pelo acórdão recorrido que a obrigação não era exigível.
Destaque-se que o valor é considerável, maior que R$ 1.500.000,00 (um 
milhão e quinhentos mil reais). Fosse uma quantia módica, poder-se-ia cogitar de 
doação, talvez até mesmo doação remuneratória, de modo que o reembolso do valor 
não seria mesmo exigível. Cuida-se, porém, de quantia expressiva; os elementos dos 
autos não permitem dizer com segurança que o valor tenha ultrapassado a parte 
disponível do autor da herança, mas é certo que o valor foi utilizado pelo espólio - que 
afinal cedeu o crédito - para pagar dívida que tinha com a sociedade agravada. Nesse 
contexto, não é razoável admitir que a benevolência do mutuante quanto a prazos e 
garantias seja tal que implique deixar seus herdeiros com enorme dívida e ao mesmo 
tempo configurar como natural a obrigação do mutuário.
Quanto às formalidades da cessão, tem-se que é o caso de se distinguir 
a cessão de direito hereditário feita por herdeiro da cessão de bem específico feita pelo 
próprio espólio para saldar dívidas do monte.
Com efeito, de acordo com o art. 80, II, do Código Civil, o direito à 
sucessão aberta é considerado bem imóvel, de modo que, em conformidade com o art. 
108 do mesmo diploma legal, seria necessária a escritura pública para a formalização 
da respectiva cessão pelo herdeiro.
Não é o que ocorre quando o próprio espólio, nos autos do inventário, 
aliena ativos com amparo em alvará judicial. Observe-se, a propósito, que, quando a 
doutrina trata da alienação de direitos hereditários, faz referência a cessão feita por 
herdeiro a título universal, destacando a ineficácia de transmissão de bem singular, 
dada a indivisibilidade da herança. Diferentemente, a transmissão de bem singular pelo 
espólio, além de válida e eficaz, é prática necessária e até corriqueira na administração 
da massa:
(...) a cessão de direitos sucessórios se opera após o óbito do 
autor da herança, em um momento em que o cedente se encontra 
investido na condição de herdeiro, após adquirir a propriedade e a 
posse indireta dos bens, por força da saisine. Antes da partilha, 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 6 de 6
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constituindo os bens uma universalidade de direito, possível é 
apenas a cessão do direito à sucessão aberta ou ao quinhão 
hereditário. O momento em que a cessão pode verificar-se é no 
interregno entre o óbito do autor da herança e a partilha. Antes do 
requerimento da abertura do inventário dos bens é possível a 
cessão, pois já efetivada a transmissão da propriedade e da posse 
indireta. Após a partilha a cessão é incabível, pois cada um dos 
herdeiros já possui conhecimento dos bens que lhe tocaram na 
herança, podendo, destarte, aliená-los diretamente aos 
interessados.
Quando o espólio carece de recursos financeiros para atender a 
obrigações prementes, o inventariante, ouvidos os interessados, 
pode requerer ao juiz, justificadamente, a venda de um 
determinado bem. Tal prática é comum nos inventários e se acha 
prevista no art. 619, inciso I, do Código de Processo Civil de 2015.
(...)
Gavião de Almeida, justificadamente, observa que a exigência de 
escritura pública não constitui óbice à validade da cessão feita nos 
autos de inventário, pois "o termo nos autos goza de publicidade e 
segurança, requisitos da existência dos registros públicos" (Paulo 
Nader, Direito das Sucessões, 7ª edição, Ed. Forense, p. 41)
O cedente não transfere um bem individuado, uma coisa certa 
integrante do espólio. O que ele transmite é o direito sobre sua 
quota ideal na unidade abstrata, indivisível, no todo unitário que é a 
herança. Daí a regra do art 1.793, § 2 º, do Código Civil: "É ineficaz 
a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre 
qualquer bem da herança considerado singularmente".
Mas o herdeiro pode pretender fazer a disposição de bem 
componente do acervo hereditário, pendente a indivisibilidade. O 
acordo dos interessados é necessário, naturalmente, e a alienação 
do bem depende da autorização do juiz da sucessão. Sem essa 
providência, a disposição é ineficaz (CC, art. 1.793, § 3º).
Essa situação não deve ser confundida com a venda de bem 
determinado feita pelo próprio espólio, em hasta pública ou 
mediante alvará judicial. A venda, no caso, não é realizada por um 
dos herdeiros. O preço vai para o acervo e será dividido, no lugar 
da coisa, entre todos os herdeiros, na proporção de suas quotas. 
Em muitas hipóteses, a venda de um bem do espólio pode ser 
autorizada: para pagamento de dívidas da herança, de custas, de 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 7 de 6
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imposto de transmissão mortis causa ou outros encargos, para 
atender a necessidade urgente dos herdeiros, por estar algum 
imóvel se deteriorando, sendo conveniente a sua alienação etc. 
Dispõe o CPC, art. 992, I, que incumbe ao inventariante, ouvidos os 
interessados e com autorização do juiz, alienar bens de qualquer 
espécie (Silvio Rodrigues, Direito das Sucessões, 26ª edição, Ed. 
Saraiva, p. 28).
No caso, o que se infere dos autos é que o espólio, devidamente 
representado pela inventariante, promoveu a alienação de crédito específico a fim de 
saldar dívida que tinha com a sociedade EQUITYCORP S/A, o que foi feito com alvará 
judicial. Confiram-se, a propósito, o seguinte trecho da sentença (e-STJ fl. 187):
Impugnando os embargos interpostos, o autor-embargado repisou 
suas alegações expendidas na inicial, defendendo a exigibilidade 
da dívida e a regularidade formal de sua cessão. 
E, do acórdão recorrido, tem-se que (e-STJ fl. 315):
Nos termos da petição xerocopiada às fl. 104/108, a viúva meeira e 
os herdeiros do falecido Pedro Conde, no item 4, denominado 
"bens móveis a serem partilhados", arrolaram o "crédito contra o Sr. 
Eduardo da Rocha Azevedo, brasileiro, empresário, inscrito no 
CPF/MF sob o nº 037.583.038-34, com endereço comercial na Rua 
Jerônimo da Veiga, nº 384, 9º andar, Itaim Bibi, São Paulo/SP, 
decorrente de mútuo firmado com o Espólio em 18/04/2000" (fls. 
108, item 4.2 - destacamos).
E, em seguida, requereram a "expedição de Alvará com a finalidade 
de cessão, autorização para transferência e transmissão do bem, a 
qualquer título, por conta e ordem do inventariante, 
comprometendo-se este, desde já, a prestar contas a este D. Juízo" 
(fls. 108, item 6 - destacamos).Portanto, rechaçado está o argumento do réu-apelado referente à 
ausência de autorização da viúva meeira e dos herdeiros do "de 
cujus".
Também não assiste razão ao réu-apelado no tocante à 
necessidade de escritura pública para a cessão do crédito "sub 
judice", uma vez que a questão aqui tratada não é de direito 
hereditário, mas sim de um crédito certo e determinado.
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 8 de 6
Superior Tribunal de Justiça
Trata-se, portanto, de alienação pelo espólio de um crédito específico, não 
de cessão pelo herdeiro de uma quota parte da herança. Não se enquadra o fato na 
hipótese acima descrita de alienação de "direito à sucessão aberta". Fato é que a 
alienação foi feita pelo espólio, já que providenciada pela inventariante com autorização 
da viúva meeira e dos herdeiros. Além disso, consta expressamente a necessidade de 
serem prestadas contas ao Juízo. Não é alienação de quota de um bem por um dos 
herdeiros, mas cessão de crédito pelo espólio - por intermédio de sua inventariante - em 
administração do monte no interesse de todos os herdeiros.
Desse modo, em não se tratando de direito à sucessão aberta, mas de 
bem específico, não se pode falar em alienação de bem imóvel.
Acrescente-se que sequer a alienação de bens móveis específicos por 
um ou alguns dos herdeiros necessitaria de escritura pública, bastando, para tanto, que 
cada bem tivesse sido atribuído ao respectivo herdeiro. Estabelecida a titularidade dos 
bens alienados, por acordo homologado, ainda que não concluído o inventário quanto a 
outros bens, a alienação seria válida e eficaz mesmo sem a escritura pública. Estaria, 
nesse caso, superada a hipótese prevista no art. 1.793, § 2º, do Código Civil, cuja ratio 
legis é preservar o direito dos outros co-herdeiros:
Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de 
que disponha o co-herdeiro, pode ser objeto de cessão por 
escritura pública.
(...)
§ 2º É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário 
sobre qualquer bem da herança considerado singularmente.
No caso concreto, se todos os herdeiros fazem a cessão do crédito, não 
há motivo para suscitar a invalidade, nem mesmo ineficácia, do ato. Veja-se que, 
estando de acordo os herdeiros, não se pode dizer que o crédito foi subtraído em 
detrimento de um deles.
Em conclusão, tem-se que a cessão de crédito específico do monte não 
pode ser considerada alienação de bem imóvel; a alienação de bem considerado 
singularmente, no caso, é válida e eficaz, dado o acordo de todos os herdeiros, de 
modo que não tem incidência o § 2º do art. 1.793 do Código Civil.
Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno.
É como voto.
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 9 de 6
Superior Tribunal de Justiça
 
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
 
AgInt no
Número Registro: 2013/0346080-9 PROCESSO ELETRÔNICO AREsp 412.938 / SP
Números Origem: 052142429 200500214242 52142429 5830020052142429 73069002 9234984922008 
92349849220088260000
EM MESA JULGADO: 29/10/2019
Relatora
Exma. Sra. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MARCO BUZZI
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS PESSOA LINS
Secretária
Dra. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 MARCOS JOSÉ SANTOS MEIRA - PE017374 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - DF040428 
ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Títulos de Crédito - Cheque
AGRAVO INTERNO
AGRAVANTE : EDUARDO DA ROCHA AZEVEDO 
ADVOGADO : MARCOS JORGE CALDAS PEREIRA - DF002475 
AGRAVADO : EQUITYCORP S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES 
ADVOGADOS : RUI GERALDO CAMARGO VIANA - SP014932 
 PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES E OUTRO(S) - SP098709 
 FABIO PLANTULLI - SP130798 
 THAIS DE VILHENA MORAES SILVA - SP221501 
 PATRICIA RIOS SALLES DE OLIVEIRA E OUTRO(S) - DF040428 
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Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão 
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do 
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 10 de 6
Superior Tribunal de Justiça
voto da Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi (Presidente), Luis Felipe 
Salomão e Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Documento: 1875197 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2019 Página 11 de 6

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