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WBA0925_v1.0 Recursos fisioterapêuticos aplicados ao paciente crítico Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia Bloco 1 Thaís Paes Oxigenoterapia Fonte: sabelskaya/iStock.com.br Fonte: ttsz/iStock.com.br Figura 1 – Inspiração e expiração Figura 2 – Troca gasosa Respiração Trocas gasosas Inspiração Expiração Células do sangue Oxigênio Gás carbônico Oxigenoterapia FATORES DETERMINANTES PARA OFERTA DE 02 Débito cardíaco (Q) Conteúdo arterial (CaO2) Q = volume sistólico (VS) x frequência cardíaca (FC) CaCO2 = quantidade de O2 transportada pela hemoglobina + quantidade de O2 dissolvida no plasma Alterações no débito cardíaco e no conteúdo arterial podem causar hipoxemia. Figura 3 – Fatores determinantes para oferta de O2 Fonte: Machado (2007). Oxigenoterapia O que é oxigenoterapia? • É a administração de oxigênio acima da concentração ambiental normal (21%), com a intenção de tratar ou prevenir a hipoxemia. • O O2 trata a hipoxemia, e não a causa da hipoxemia. • Altas doses por tempo prolongado podem causar efeitos colaterais. Oxigenoterapia Quando é recomendado o uso de O2 • Pacientes criticamente enfermos. • Paciente hipoxêmicos ou com risco de hipoxemia. • Pacientes não hipoxêmicos, mas que podem se beneficiar do uso de O2 – envenenamento por CO2. Hipóxia • É definida como um baixo teor de oxigênio nos tecidos. Hipoxemia • É caracterizada pela baixa concentração de oxigênio no sangue arterial. Oxigenoterapia Causas da hipoxemia • Trauma extensor. • Anestesia. • Pós-operatório. • Instabilidade hemodinâmica. • Cardiopatias. • Pneumopatias agudas e crônicas. • Altitude. • Shunts. • Alteração ventilação/perfusão. • Hipoventilação alveolar. • Difusão prejudicada. Oxigenoterapia Efeitos Riscos Sistema respiratório • Aumento da ventilação. • Vasoconstrição pulmonar. • Hipertensão pulmonar. Sistema cardiovascular • Vasodilatação coronariana. • Diminuição da resistência vascular periférica (transitório). • Aumento do débito cardíaco. • Taquicardia. • Isquemia miocárdio. • Isquemia de outro órgão. • Hipotensão. • Arritmias. Sistema metabólico • Aumento 2,3 DPG. • Maior transporte de CO2 (efeito Haldane). • Acúmulo de acido lático. Sistema neurológico Aumento do fluxo sanguíneo devido à vasodilatação • Confusão, delírio e coma. Sistema renal • Ativação do sistema renin- angiotensina. • Aumento da produção de eritropoietina. • Necrose tubular aguda. Fonte: elaborado pela autora. Quadro 1 – Efeitos da hipoxemia Oxigenoterapia Sinais sintomas Sistema nervoso central Excitação, cefaleia, convulsão e coma. Sistema cardiovascular Taquicardia, arritmias e hipertensão. Sistema respiratório Taquipneia e sinais de esforço. Outros Cianose, acidose metabólica e sudorese. Fonte: elaborado pela autora. Quadro 2 – Sinais e sintomas da hipoxemia Oxigenoterapia Causas de hipercapnia Definição Piora da relação ventilação/ perfusão (V/Q) Causada pela redução do estímulo vasoconstritor hipoxêmico, o que causa aumento do fluxo de sangue para áreas pouco ventiladas, aumentando a PaCO2. Efeito Haldan É a redução da capacidade de a hemoglobina carrear o CO2 quando a SpO2 está elevada. Atelectasia de absorção Alta FiO2 causa diminuição nos níveis de nitrogênio. O O2 se difunde rapidamente para o sangue e o alvéolo perde a fonte de estabilização. Redução da ventilação alveolar Causada pela redução dos estímulos hipóxicos em nível dos quimiorreceptores, quando a PaO2 é elevada e o paciente reduz a FR, gerando acúmulo de CO2. Retinopatia da prematuridade É causada pela interrupção do desenvolvimento vascular e pela obliteração dos vasos, levando à diminuição da perfusão e à isquemia da retina. Pode levar à cegueira. Fonte: adaptado de Machado (2007). Quadro 3 – Efeitos colaterais do oxigênio Oxigenoterapia Cálculo da PaO2 ideal Pacientes sentados: • PaO2 ideal = 104,2 – (0,27 * idade) • PaO2 ideal = 102 – (idade/3) Pacientes deitados: • PaO2 ideal = 109 – (0,43 * idade) Oxigenoterapia Cálculo da FiO2 ideal Após realizar o cálculo da PaO2 ideal, a FiO2 pode ser calculada da seguinte forma: • FiO2 ideal = (FiO2conhecida * PaO2 ideal) / PaO2 conhecida. Equação da relação PaO2/FiO2 usada em paciente em ventilação mecânica: • PaO2/FiO2. Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia Bloco 2 Thaís Paes Oxigenoterapia Baixo fluxo • Cânulas nasais. • Máscara simples. • Máscara com reservatório. • Tenda facial. • Colar de traqueostomia. Alto fluxo • Máscara de Venturi. • Ventilação não invasiva com pressão positiva por máscara. Oxigenoterapia Baixo fluxo Cânulas nasais • Plástico ou de silicone. • FiO2: 24 a 44%. • Fluxo: 1 a 6L/min. • Não apresenta risco de reinalação de CO2. • Primeira escolha. • Fluxo superior a 6L/min pode causar irritação, dermatite e lesões na mucosa. • FR alta e respiradores. Figura 4 – Cânula de O2 Fonte: Motortion/iStock.com Oxigenoterapia Baixo fluxo Máscara simples • Maior inalação de oxigênio. • Fluxo: 5-8L/min. • FiO2: 40-60% de FiO2. • Evitar fluxo menor que 5L/min – reinalação CO2. • Desconfortável. Figura 5 – Máscara simples Fonte: chingyunsong/iStock.com Oxigenoterapia Baixo fluxo Máscara com reservatório • Máscara com bolsa acoplada. Máscara sem reinalação • FiO2: 60 a 100%. • Fluxo: 10-15 L/min. Máscara com reinalação parcial. • FiO2: 60-80%. • Fluxo: 7-10 L/min. Figura 6 – Máscara com reservatório Fonte: ocskaymark/iStock.com Oxigenoterapia Baixo fluxo Tenda facial • Tenda facial ou macronebulizador. • Trauma de face ou que não tolera a máscara facial. • A tenda facial recobre toda a parte inferior do rosto (abaixo dos olhos); o contato é somente no contorno da mandíbula. • FiO2: 21 a 40%. • Fluxos de 6 a 15L/min. • Fluxos menores que 5L/min – risco de reinalação de CO2. Oxigenoterapia Baixo fluxo Colar ou máscara de traqueostomia • Traqueostomizados. • Cânula de traqueostomia. • FiO2: 35 a 60%. • Fluxos de 6 a 15L/min. Figura 7 – Máscara de traqueostomia Fonte: PonkMoji/iStock.com Oxigenoterapia Alto fluxo Venturi • Sistema de arrastamento de ar. • Concentração de oxigênio mais consistente e previsível. • FiO2: 24 e 50%. • Fluxos: 4 a 12 L/min. Figura 8 – Máscara de Venturi Fonte: ocskaymark/iStock.com Oxigenoterapia Alto fluxo VNI • Suporte pressórico. • Hipoxemia, atelectasias, esforço respiratório, edema agudo de pulmão e hipercapnia. • Misturador interno de O2 e ar comprimido – mais confiável. • Conexão direta com o fluxômetro de rede – menos confiável. Figura 9 – VNI Fonte: vladimir Kazakov/iStock.com Oxigenoterapia Alto fluxo Cânula nasal de alto fluxo • Recente. • Os efeitos são: aumento da FiO2, efeito CPAP e maior conforto para o paciente. • Fluxo: pelo menos 60 L/min. • Prongas nasais específicas. • Há poucos estudos. Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia e aerossolterapia Bloco 3 Thaís Paes Oxigenoterapia Avaliação da SpO2 e da PaO2 SpO2 = Saturação periférica de O2 PaO2 = Pressão arterial de O2 Figura 10 – Oxímetro Figura 11 – Gasometria Fonte:vgajic/iStock.com.br Fonte: jarun011/iStock.com.br Oxigenoterapia • Saudáveis Idade (anos) Média (DP) PaO2 (mmHg) PaO2 ±2DP Média SpO2 (%) SpO2 ±2DP 18-24 99.9 (5.3) 89.3–110.5 96.9 (0.40) 96.1–97.7 25-34 99.8 (4.9) 90–109.6 96.7 (0.7) 95.3–98.1 35-44 98.3 (7.6) 83.1–113.5 96.7 (0.6) 95.5–97.9 45-54 97.0 (8.0) 81–113 96.5 (1) 94.4–98.5 55-64 90.2 (4.5) 81.2–99.2 95.1 (0.7) 94.5–97.3 ≥ 65 88.7 (10.7) 67.3–110.1 95.5 (1.4) 92.7–98.3 Quadro 4 – Valores de referência Fonte: Crapo et al. (1999). Aerossolterapia (terapia inalatória) e umidificação das vias aéreas Inicialmente, é importante entender algumas definições que podem causar confusões: • A aerossolterapia é definida como a adição de partículas pequenas de água em um gás, que pode ser oxigênio ou ar comprimido. Além disso, permite o uso de medicaçõesassociadas à técnica de inalação. • A nebulização é o ato de espalhar um líquido em forma de vapor. • A inalação é a absorção de medicamentos ou drogas por via respiratória. Aerossolterapia (terapia inalatória) • Para a administração de medicamentos, é necessário realizar uma inalação por meio de aerossóis terapêuticos. • Ação terapêutica mais rápida e com maior eficácia. • Doses menores de medicação com menos efeitos adversos. • Corticosteroides, antibióticos, surfactantes, mucolíticos, prostaglandinas e broncodilatadores. Aerossolterapia (terapia inalatória) Nebulizadores (pneumático, ultrassónico e de nova geração) Os nebulizadores são aparelhos capazes de converter soluções e/ou suspensões aquosas em forma de aerossol de partículas de diferentes dimensões. Inaladores pressurizados de dose calibrada (Pressurised Metered Dose Inhaler – pMDI) Os pMDI são dispositivos de pequenas dimensões, pressurizados, que libertam uma dose fixa de fármaco (um ou dois fármacos) e propelente por meio de uma válvula de dose calibrada. Inaladores de pó seco (Dry Power Inhaler – DPI) Os DPI são dispositivos pequenos, discretos, facilmente transportáveis e ativados pela inspiração. Inaladores de névoa suave (Soft Mist Inhaler – SMI) Para gerar a nuvem de aerossol, este dispositivo utiliza a energia mecânica gerada por meio de um sistema de mola incorporado nele. Fonte: adaptado de Aguiar et al. (2017). Quadro 5 – Dispositivos para realizar a terapia inalatória Aerossolterapia (terapia inalatória) Medicação via inalatória no VM • Volume adequado – não muito baixo. • Fluxo entre 30-50 L/min. • Evitar atraso na atuação e na inalação. • Retirar o filtro de barreira proximal. • Desligar o umidificador 10 min. antes. • Instalar o gerador de aerossol a 15 cm da peça Y no ramo inspiratório. • Seguir as recomendações. • Espaçador. • Conector apropriado. Nebulização com fonte externa • Fluxo: 6-8 L/min. • 2,5 ml de soro fisiológico 0,9%. Umidificação das VVAA • Máscaras. • Copo adaptador para micronebulização. • Conectados à rede de gás ou ao aparelho. • Umidificar as VVAA. • Evitar ressecamento das VVAA e das secreções. Micronebulização utilizando nebulizadoresFigura 12 – Nebulizador Figura 13 – Máscara para nebulização Fonte: Laboko/iStock.com Fonte: AnderyPopov/iStock.com.br Umidificação das VVAA • Traqueostomia. • Tenda. • Umidificar (perde parte das VVAA superiores na TQT). • Evitar ressecamento das VVAA e das secreções. • O2 somente se necessário. Macronebulização contínua em pacientes traqueostomizados Figura 14 – Máscara traqueostomia Fonte: PonkMoji/iStock.com Fonte: Tonpor Kasa/Istock.com.br Figura 15 – Macronebulizador Umidificação • Cânula nasal e máscaras. • Umidificar as VVAA. • Quando o fluxo é alto, pode ressecar as VVAA (4 L/min). Umidificação associada ao uso do oxigênio Figura 16 – Máscara simples Figura 17 – Umidificador Fonte: chingyunsong/iStock.com Fonte:photoBeard /iStock.com. Umidificação Aquecimento e umidificação em ventilação mecânica • Filtro trocador de calor: • Baixo condutor térmico. • Impregnados por um sal higroscópico. • Reter mais calor e mais umidade. • Umidificação aquosa aquecida • Um recipiente aquecido que contém água. Teoria em Prática Bloco 4 Thaís Paes Reflita sobre a seguinte situação • Um paciente internado há 20 dias na UTI. • EADPOC. • Traqueostomia. • Desmame ventilatório difícil. • SpO2 de 85%. Qual a forma adequada de suplementar O2? Norte para a resolução... • Paciente traqueostomizado deve utilizar a máscara de traqueostomia conectada ao nebulizador. • O nebulizador deve estar conectado ao oxigênio, pois a SpO2 era de 85%. • O esperado para um paciente com doença crônica é uma SpO2 de 88%-92%. • A nebulização evita o ressecamento das VVAA e das secreções. Reflita sobre a seguinte situação Alguns dias depois, o paciente apresentou aumento da quantidade e espessamento da secreção, porém com SpO2 de 93%. Qual conduta você deve tomar nesse segundo momento? Norte para a resolução... • Paciente traqueostomizado deve utilizar a máscara de traqueostomia conectada ao nebulizador. • Não é mais necessário usar oxigênio. • Nebulização apenas com água destilada para auxiliar na fluidificação da secreção pulmonar. Dica do(a) Professor(a) Bloco 5 Thaís Paes Dica do(a) Professor(a) Figura 18 – Revista Thorax Fonte: O’Driscoll et al. (2017). Referências AGUIAR, R. et al. Inhaled therapy: Inhalation techniques and inhalation devices. Rev Port Imunoalergologia, [s.l.], v. 25, n. 1, p. 9-26, 2017. CRAPO, R. O. et al. Arterial blood gas reference values for sea level and an altitude of 1,400 meters. Am J Respir Crit Care Med., [s.l.], v. 160, n. 5, p. 1525-1531, 1999. MACHADO, M. G. R. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. O'DRISCOLL, B. R. et al. British Thoracic Society Guideline for oxygen use in adults in healthcare and emergency settings. Thorax, [s.l.], v. 72, p. i1-i90, 2017. NAKAGAWA, N. K. et al. Effects of a heat and moisture exchanger and a heated humidifier on respiratory mucus in patients undergoing mechanical ventilation. Crit Care Med, [s.l.], v. 28, n. 2, p. 312-317, 2000. PIRES, P.; MARQUES, C.; MASIP, J. Cânulas Nasais de Alto Fluxo: Uma Alternativa de Oxigenoterapia na Insuficiência Respiratória Aguda. Medicina Interna, Lisboa, v. 25, n. 2, 2018. PRESTO, B. Fisioterapia Respiratória: uma nova visão. 2. ed. Rio de Janeiro: BP, 2005. SANTOS, R. P. et al. Acesso endoscópico transnasal aos tumores selares. Rev. Bras. Otorrinolaringol, São Paulo, v. 73, n. 4, 2007. Bons estudos! Recursos fisioterapêuticos aplicados ao paciente crítico Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia e aerossolterapia Oxigenoterapia Oxigenoterapia Aerossolterapia (terapia inalatória) e umidificação das vias aéreas Aerossolterapia (terapia inalatória) Aerossolterapia (terapia inalatória) Aerossolterapia (terapia inalatória) Umidificação das VVAA Umidificação das VVAA Umidificação Umidificação Teoria em Prática Reflita sobre a seguinte situação Norte para a resolução... Reflita sobre a seguinte situação Norte para a resolução... Dica do(a) Professor(a) Dica do(a) Professor(a) Referências Bons estudos!