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ROTEIRO Ensino do Direito Civil: os desafios do ensino jurídico na era tecnológica Aluna: Camilla Alves Trotta Data: 30 de abril de 2025 Disciplina: Direito Civil Constitucional – JUR 2701 1. O direito que aplicamos e a forma de ensiná-lo A) INTRODUÇÃO: Formação do jurista deve seguir a fórmula individualização + evolução tecnológica variável Segundo PERLINGIERI: formação do jurista = individualização da juridicidade + variável (que é influenciada pela evolução de métodos cognitivos, os quais são influenciados pela tecnologia) – Perlingieri, p. 69 No mesmo sentido, diz Victor Cabral FONSECA: as novas dinâmicas tecnológicas > causam impacto nas relações sociais > que geram mudança no direito aplicável > e geram necessidade de mudança no ensino do direito – FONSECA, 2019 apud SERPA e RIBEIRO, p. 113 B) Fenômeno transformacional da tecnologia em relação ao direito Vivemos em um momento marcado “pela celeridade e intensidade de mudanças na vida humana, alterações essas decorrentes de novas dinâmicas baseadas na tecnologia da informação” – Feigelson, 2018, p. 163. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 115. Com o aumento das tecnologias, afetando os padrões sociais e econômicos, notório que presenciamos um período de efetivas alterações do status quo (Feigelson, 2018). E isso impacta significativamente o Direito e a formação de seus operadores, visto que “a tecnologia implica mudanças nas fontes e manifestações jurídicas como um todo” (Fonseca, 2019, p. 62). – SERPA e RIBEIRO, p. 115. Uma característica da sociedade atual é a instantaneidade de como são percebidas as consequências dos acontecimentos. – SERPA e RIBEIRO, p. 115. “Se mudam pessoas, muda-se o Direito. [...] É um ato fundamental para qualquer jurista desse século descer da falsa ideia de que o Direito, sua prática, seu ensino e tarefas correlatas são intocáveis demais para sofrerem mudanças.” – Fonseca, 2019, p. 15. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 115. “Debates legislativos e as decisões judiciais, por exemplo, nunca tiveram prazos de validade tão curtos na sociedade contemporânea. [...] Neste cenário, a segurança jurídica, paradigma essencial para a pacificação social, torna-se vulnerável, [...] permeada por incertezas” – Feigelson, 2018, p. 161. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 116. Mudanças no curso de direito no Brasil, adequando-o a vários momentos e etapas que refletem a cultura e história daquele tempo. – DUTRA, et. al. 2020, apud SERPA e RIBEIRO p. 113 Reprodução de práticas ideais de ensino anteriores já não fazem mais sentido considerando as necessidades sociais e políticas, assim, o ensino jurídico caminha para se alterar. Em outras palavras, o ordenamento jurídico atual se depara com o desafio de “oferecer respostas que ultrapassam seus objetivos iniciais. Novas demandas sociojurídicas vão surgindo”, conforme a complexidade social aumenta, o direito deve caminhar para atendê-las. – MOTA, 2014, p. 14- 16. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 113 O profissional do direito hoje deve ser diferente, logo, o ensino também - SERPA e RIBEIRO, p. 113 Tarefas repetitivas e volumosas sendo substituídas por máquinas e inteligência artificial. Surgimento de novas oportunidades de atuação para o profissional do direito. – SUSSKIND, 2017, apud SERPA e RIBEIRO, p. 113. > Em que medida estão os futuros profissionais do direito sendo preparados para atuar nesse novo cenário, que demanda os conhecimentos tradicionais e novas habilidades e competências relacionadas ao impacto das tecnologias? – SERPA e RIBEIRO, p. 114. 2. Adequação do direito às transformações tecnológicas Etapas: a) planejamento regulatório; b) judicialização; c) regulamentação do modelo disruptivo – FEIGELSON, 2018, p. 163, apud SERPA E RIBEIRO, p. 118 Se, por um lado, estamos em face de novos desafios relacionados às dificuldades envolvidas no processo de regulação jurídica desses novos acontecimentos e relações, por outro lado, estamos diante de novas oportunidades, como, por exemplo, antecipar e fomentar regulações visando tornar o país mais preparado e competitivo – Feigelson, 2018. apud SERPA E RIBEIRO, p. 117-118. “A relação entre modelos disruptivos e direito ocorre em três etapas distintas, que, diante da celeridade e da intensidade já expostas, podem ocorrer em espaço de tempo relativamente curto e de modo bem intenso” (Feigelson, 2018, p. 163). São elas as etapas de (i) planejamento regulatório, (ii) judicialização, e (iii) regulamentação do modelo disruptivo. – Feigelson, 2018. apud SERPA E RIBEIRO, p. 118 a) planejamento regulatório As inovações frutificam em zonas cinzentas de pouca regulamentação (Feigelson, 2018). Ou seja, as novas dinâmicas trazidas pelo desenvolvimento tecnológico geram modelos disruptivos que, até então, não tinham sido previstos nem regulados (Feigelson, 2018). Dessa forma, na primeira etapa do desafio do Direito da tecnologia, temos o surgimento de novos “modelos em lacunas legais” (Feigelson, 2018, p. 165), uma vez que as ideias inovadoras se concretizam e se espalham na sociedade, num primeiro momento, sem a devida regulação jurídica. Verifica-se, então, “um cenário de completa falta de regulamentação para o novo modelo, visto que não há como o legislador ou uma agência regu- ladora elaborarem uma norma para condutas e práticas ainda inexistentes” – Feigelson, 2018, p. 166. apud SERPA E RIBEIRO, p. 118 b) judicialização Uma segunda etapa na qual há “a tentativa de encaixar modelos disruptivos nas dinâmicas postas” (Feigelson, 2018, p. 167), ou seja, tentar enquadrar o novo à realidade jurídica já existente – o que ocorre por meio da judicialização das questões suscitadas. Frente ao choque entre as novas dinâmicas tecnológicas e os modelos já conhecidos e regulados, surgem tensões que serão levadas para apreciação do Poder Judiciário (Feigelson, 2018). E isso implica no aumento da relevância desse Poder diante do cenário de falta de normatização, o que resulta também em outros desafios complexos para os tribunais (Feigelson, 2018). – SERPA E RIBEIRO, p. 118/119 c) regulamentação do modelo disruptivo Na terceira etapa tem-se o momento de regulamentação do modelo disruptivo (Feigelson, 2018). Nela, “o Estado e o direito passam a se adaptar à nova realidade”, sendo criados “parâmetros normativos para a nova realidade da vida” (Feigelson, 2018, p. 164). Nesta etapa, a regulamentação da nova dinâmica traz consigo também a reflexão acerca do equilíbrio entre estabilidade e intervenção (Feigelson, 2018). Enquanto, por um lado, o estabelecimento de normas reguladoras figura como uma “forma de estabilizar um aspecto da vida” (Feigelson, 2018, p. 171), por outro pode acabar representando um “excesso de intervenção” (Feigelson, 2018, p. 171). Isso resulta num quadro no qual “a estabilidade e a segurança jurídica, princípios basilares de uma sociedade saudável, são colocadas em confronto com o princípio da liberdade” (Feigelson, 2018, p. 171). – SERPA E RIBEIRO, p. 119 3. A interação do jurista com a tecnologia Ideia de construção de novas propostas aptas a modificar o modelo de ensino jurídico. – MARTÍNEZ, 2006, p. 10. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 114. Assim, espera-se que o discente esteja preparado de forma interdisciplinar para exercer sua profissão de modo apto a resolução dos desafios contemporâneos. – RIOS, 2019, p. 46. Apud SERPA e Ribeiro, p. 114. Realidade traz à tona meios tecnológicos que se igualam em nível de importância com os meios tradicionais – Perlingieri, p. 70 A) Alguns conceitos do mundo digital que auxiliam no entendimento de como a tecnologia muda a forma de explorar fontes de saber: HIPERTEXTO: “os hipertextos são constituídos por um conjunto (teoricamente ilimitado) de informações e documentos que podem serconsultados seguindo as conexões estabelecidas entre os mesmos. No hipertexto, na verdade, os documentos são ligados entre eles por uma estrutura de nós. O leitor pode escolher seguir trajetórias diversas na consulta simplesmente decidindo alcançar um nó em vez de outro” – G. PASCUZZI, Ipertesto guiridico: riflessione su un nuovo genere letterario, in V. Rizzo (a cura di), Diritto e tecnologia dellínformazione, Napoli, 1998, p. 247. Apud Perlingieri, p. 70 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: A I.A, portanto, é um sistema dotado de dotado de capacidade de tomar decisões com base em análise de dados e de adquirir conhecimento por si mesmo, através das experiências com o meio no qual está inserido e a partir de uma complexa troca de dados provenientes da deep learning1 e das redes neurais2. Pretendemos esclarecer como a I.A, trabalhando em conjunto com um complexo banco de informações (Big Data) é capaz de aprender acerca das preferências dos cidadãos eleitores, tornando-se ferramenta potente e ao mesmo tempo perigosa para a manipulação do exercício de algumas liberdades democráticas, tal como o direito de livre escolha. FARAGE, Bruno.; MULHOLLAND, C.S., 2022, p.8. MACHINE LEARNING: capacidade de assimilação e de autotreinamento é essencial para que se chegue a uma máquina inteligente, segundo Peter Flach. Essa aptidão, chamada de aprendizado de máquina ou machine learning, contempla, de acordo com o autor, o estudo sistemático de algoritmos e sistemas que melhoram seu conhecimento ou performance por intermédio da experiência. O aprendizado de máquina, portanto, é a absorção de conhecimento pela própria máquina, enquanto a inteligência artificial abrange a atuação da máquina com base no conhecimento adquirido. “(...) já surgem questionamentos acerca da possível reprodução, pelas máquinas inteligentes, de vieses ou preconceitos absorvidos durante o processo de elaboração ou treinamento dos programas. Lyria Moses e Janet Chan24 realizam prognóstico neste sentido ao ressaltar que são humanos que definem os algoritmos, os bancos de dados que serão utilizados para treinamento da máquina, as hipóteses que devem ser levadas em consideração, entre outras questões relevantes para o funcionamento do software. – JOSÉ, Victor; TASSIGNY, Mônica Mota, p. 8/9 BIG DATA: Big Data é o termo utilizado para indicar a análise e a interpretação de grandes volumes de dados de ampla variedade3. Sabe-se que as ferramentas de Big Data são de extrema relevância na definição de estratégias de marketing, eis que com elas é possível o aumento da produtividade com a redução de custos, além de permitir a tomada decisões mais inteligentes na estratégia de negócios. Defenderemos que a Big Data também se apresenta como ferramenta diferencial na política, quando combinada com os conceitos de Nudging - enquanto termo indicador do ato de modificar comportamentos, sem o uso da força, por atores privados ou públicos - e arquitetura da escolha4. – FARAGE, Bruno.; MULHOLLAND, C.S., 2022, p.8. B) APROXIMAÇÃO DO JURISTA COM OUTROS CAMPOS DO SABER O profissional do direito não deve permanecer tão distante dos trabalhos de outros campos. – SCHWARCZ, 1993. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 114. Risco da obtenção de dados sem atividade hermenêutica por parte do jurista (mera literalidade dos dados). Risco do hipertexto é basear-se exclusivamente na análise da linguagem, assim será útil, mas insuficiente, até mesmo um desviante instrumento cognitivo. Deve o jurista COOPERAR COM O PROGRAMADOR. Deve o jurista fornecer dados lógicos, oriundos de interpretação e qualificação controláveis em sua formação, qual seja a interpretação lógica e axiológica. Pode o hipertexto ser um MICROSISTEMA desde que se tenha consciência de sua forma de criação e das escolhas discricionárias nas quais se funda. – Perlingieri, p. 71. “o desenvolvimento das tecnologias informáticas em campo jurídico mostrou uma espécie de revolução copernicana na relação entre o leitor e o texto, no sentido que começou uma nova era de estudos, aquela que se poderia chamar de ‘inteligência artificial aplicada ao direito’. Surge a passagem da leitura meramente informativa, permitida pelo texto em papel, àquela interativa, realizável com o texto eletrônico, a qual já está estruturada como um pensamento lógico.” – A.A. MARTINO, Intelligenza artificiale e diritto, in D.A. LIMONE (a cura di) Dalla giuritecnica all’informatica guiridica, Milano, 1995, p. 217, s. C) Afinal, como estudar o direito em movimento? Assim, entende-se que deve partir do conhecimento das leis e atos normativos com força de lei. Hoje isso se torna ainda mais difícil considerando a infinidade de normas sobre os temas nos mais variados campos do direito. Fontes internacionais ou mesmo privadas. Todavia, deve o jurista familiarizar-se desde o primeiro aprendizado com esses instrumentos de base. Necessário que sejam conhecidos com auxílio de interpretação em função aplicativa que deles propõem os operadores jurídicos. Fórmula: LEIS/ ATOS NORMATIVOS + Auxílio interpretativo em função aplicativa = núcleo de decisões jurisdicionais, atos administrativos e de autonomia negocial. Relevância do florescer de gêneros literários diversos, como comentários aos códigos e às leis (não se reduzindo a narrações), resenhas críticas da jurisprudência (aqui destaca-se a necessidade de tratar das evoluções e contrastes, explicar e justificar esses pela diversidade de casos singulares concretos. Importância: adquirir capacidade de argumentação e nota crítica à decisão jurisdicional em uma oportunidade de refletir sobre caso concreto, convidando o jurista em formação a voltar sua atenção ao papel prático da ciência jurídica. – Perlingieri, p. 72 D) O problema dos instrumentos “fórmula de bolo” Manuais com excessiva esquematização e conceitos. Reforma simplificadora dos estudos universitários. Diz-se que a problematização deve ser feita ainda que os seus argumentos sejam reduzidos. – perlingieri p. 78 Necessidade de uso de todas os instrumentos de ensino do direito: códigos, manuais, jurisprudências, formulários negociais ou ensaios críticos. Relevante a condução da leitura pelo docente e que a pluralidade de textos seja capaz de prover um estímulo culturalmente apreciável capaz de envolver o aluno. – perlingieri, p. 79 Método de induzir simpatia pela forte manifestação crítica/contestadora de texto; processo dialético com participação do aluno, existência de seminários. Convidar o aluno a se aventurar na escrita – análise de argumentos e sistematização de problemas visando desenvolver sensibilidade expressiva. Necessário individualizar os instrumentos para compatibilizar. – perlingieri, p. 79/80 Nesse sentido, no item 26, PERLINGIERI traz a introdução às ciências jurídicas no novo sistema inspirado na promoção da pessoa. JURISTA: “homem conhecedor dos problemas aplicativos da justiça, portanto homem com conhecimento dos valores jurídicos e aptos a medir a idoneidade dos mesmos para atender às exigências próprias dos diversos setores. Somente o conhecimento sistemático pode fornecer uma ideia adequada dos valores jurídicos e da íntima conexão entre os mesmos”. – G. FURGIUELE, Metodo, inseguramento e studio del diritto civile, in V. SCALISI (a cura di), Scienze e inseguramento, cit. P. 1361. Apud Perlingieri p. 74. Parte geral muitas vezes é reduzida e nivelada em manuais, diz Perlingieri (p. 74). Sua importância é tamanha enquanto expositora de princípios ordenadores e substanciais do ordenamento jurídico, chave da leitura do sistema na sua unidade. E) Didática não unilateral Necessidade de uma didática não unilateral: “(...) se a relação didática fosse unidirecional e implicasse simplesmente na transmissão de dados adquiridos para além da experiênciade quem ensina e se o discente estivesse destinado a receber passivamente aquilo que lhe é fornecido, sem propor indagações autônomas e sempre novas, a escola negaria qualquer formação cultural genuína, posto que não pode haver cultura (...) em um processo que se reduziria a uma mera repetitividade” – N. LIPARI, Sull’insegnamento del diritto civile, in. Riv. Dir. Civ., 2002, p. 333. Apud Perlingieri, p. 75. Passa-se a um sistema voltado a tutela da necessidade da pessoa. “a pessoa é pressuposto essencial de qualquer modo possível de compreender hoje o ordenamento jurídico. Se negasse a instrumentalidade do direito com relação à pessoa, acabar-se-ia obviamente por excluir qualquer validade do direito como valor.” – P. RESCIGNO, I manuali di diritto privato dopo la Costituizione, in Riv. Dir. Civ., 1998, I, p. 409 ss. Apud Perlingieri p. 76. O FENÔMENO JURÍDICO NADA MAIS É DO QUE UM ASPECTO DINÂMICO DA COMPLEXA CULTURA DE UMA COMUNIDADE. – perlingieri, p. 81. Necessidade de diminuir a incidência da tendência ao conceitualismo como hábito mental (G. GORLA, Il contratto. Problemi fondamentali trattati con il metodo comparativo e casistico, I, Lineamenti generali, Milano, 1995, p. VIII. Apud perlingieri, p. 81) Verificação do processo mental que leva juízes e legisladores a formularem abstrações de regras e princípios para retornarem ao problema concreto – G. GORLA, Il contratto, I, cit., p. VII. Apud Perlingieri, p. 81. Estudo de caso como método de ensino apto a comprovar para o jurista em formação que o direito não está todo nas sentenças de juízes ou que somente exista do ponto de vista das lides. A interpretação expressa princípios jurídicos, razões lógicas e axiológicas da solução. – Perlingieri, p. 81. FORMAÇÃO DO JURISTA CONDICIONADA PELA ESTRUTURA DO ORDENAMENTO, em particular pelo papel da docência e doutrina. – Perlingieri, p. 82. Necessário oferecer ao aluno vários instrumentos, oferecendo uma abordagem pedagógica gradual, condicionada pelo método pluralista, sem que signifique renúncia por parte do docente ao direito-dever de expressar preferências. – Perlingieri, p. 83. Didática deve andar junto da pesquisa. – Perlingieri, p. 85. 4. Estruturas e diretrizes curriculares brasileiras + parecer Cada vez mais novas habilidades são exigidas dos (futuros e atuais) profissionais jurídicos (Fonseca, 2019). E, em razão disso, é urgente a “adequação no ensino do Direito a este novo panorama[que] decorre da necessidade de um preparo individual para o enfrentamento de situações totalmente novas decorrentes da tecnologia, na própria profissão jurídica ou mesmo na sociedade da informação” (Fonseca, 2019, p. 72). – SERPA e RIBEIRO, p. 125. “espera-se mais de um profissional de Direito da atualidade do que se esperava antes” (Fonseca, 2019, p. 96). Além do conhecimento jurídico tradicional, diante dos novos eventos decorrentes desse cenário tecnológico, espera-se que os operadores jurídicos tenham também novos conhecimentos e novas competências (Fonseca, 2019). Por isso, é necessário o “desenvolvimento de habilidades no estudante de graduação para o desempenho do exercício profissional em consonância com as intensas transformações não lineares da inovação tecnológica” (Rios, 2019, p. 15).). – SERPA e RIBEIRO, p. 125. Ressalte-se, porém, que o modelo de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs)2 adotado nos cursos jurídicos visa, justamente, propiciar a formação de profissionais aptos às mudanças (Rios, 2019), ou seja, pessoas que saibam se adaptar frente aos novos cenários (Brasil, 2004). E isso sugere ser “bastante provável que este processo levará a profissionais cada vez menos determinados de forma pragmática, mas sintetizados e reconhecidos por valores agregados e habilidades subjetivas (soft skills)” (Fonseca, 2019, p. 95). – SERPA e RIBEIRO, p. 125/126 “exigirão uma transformação no perfil do profissional jurídico, que precisará estar apto a lidar com o novo cenário social e com as novas tecnologias” (Maranhão et al., 2021, p. 173). Esse perfil já é o adotado na Resolução CNE/CES nº 5/2018 – que instituiu as DCNs atualmente vigentes nos cursos de Direito –, e que “incluiu o domínio e conhecimento de novas tecnologias como elementos essenciais para o ensino do Direito na atualidade” (Fonseca, 2019, p. 18). Seu texto reflete uma “preocupação com a transversalidade entre as áreas jurídicas e a solução dos novos desafios que se apresentam ao egresso do curso” (Rios, 2019, p. 74). – SERPA e RIBEIRO, p. 126 Art. 4º O curso de graduação em Direito deverá possibilitar a formação profissional que revele, pelo menos, as competências cognitivas, instrumentais e interpessoais, que capacitem o graduando a: (...) XI - compreender o impacto das novas tecnologias na área jurídica; XII - possuir o domínio de tecnologias e métodos para permanente compreensão e aplicação do Direito; Art. 5º O curso de graduação em Direito, priorizando a interdisciplinaridade e a articulação de saberes, deverá incluir no PPC, conteúdos e atividades que atendam às seguintes perspectivas formativas: I - Formação geral, que tem por objetivo oferecer ao graduando os elementos fundamentais do Direito, em diálogo com as demais expressões do conhecimento filosófico e humanístico, das ciências sociais e das novas tecnologias da informação, abrangendo estudos que, em atenção ao PPC, envolvam saberes de outras áreas formativas, tais como: Antropologia, Ciência Política, Economia, Ética, Filosofia, História, Psicologia e Sociologia; Então, os questionamentos centrais de docentes e instituições deveriam ser: estamos formando alunos para realizarem tarefas que serão automatizadas? Se elaborar uma petição de litígio de massa que em breve será ou está sendo inserida num software, não estaríamos formando profissionais obsoletos? Estamos levando o Direito para outras pessoas, por exemplo, programadores que estão avançando a tecnologia? Os cursos jurídicos estão fomentando a desigualdade entre profissionais, criando uma massa de pessoas formadas que não encontrarão emprego nos escritórios no futuro? Eles estão inserindo os alunos na cultura das organizações? [...] E mais, estamos formando alunos para serem mais do que simples profissionais? (Feferbaum, 2019). – SERPA e RIBEIRO, p. 126/127 De todo modo, o que se percebe é que há uma nítida “ressignificação da profissão jurídica, que se desdobra cada vez mais no sentido de profissionais híbridos, munidos de conhecimentos diferentes e preparados para reagir de forma mais confortável diante de contextos antes desafiadores” (Susskind, 2013, p. 111 apud Fonseca, 2019, p. 96-97). – SERPA e RIBEIRO, p. 127 5. Debate sobre as mudanças no contexto social e a formação do jurista Mudança na sociedade, relações sociais e tecnologia > resultam na necessidade de atualizar a aplicação do direito > é necessário mudar a forma de ensinar o direito questionar a ideia de direito civil como processo lento construído por 2000 anos enquanto direito constitucional movido pela volatilidade social – é correto alterar a formação do jurista considerando as instabilidades? 6. Necessidades de mercado que exigem formação específica do discente – o problema da formação fundada na pura dogmática despida de problematizações da prática concreta – o encantamento do discente – prática de uso de IA em tribunais e por advogados Bibliografia BASTOS, Aurélio Wander. O novo currículo e as tendências do ensino jurídico no Brasil - das desilusões críticas às ilusões críticas às ilusões paradoxais. In: Faculdade de Direito da UFMG | CONPEDI: [s.n.], 1995. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2025. CENTRO DE ENSINO E PESQUISA EM INOVAÇÃO - CEPI(FGV DIREITO SP). O futuro das profissões jurídicas: você está preparad@? - Sumário executivo da pesquisa qualitativa “tecnologia, profissões e ensino jurídico”. Repositório FGV. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2025. CENTRO DE ENSINO E PESQUISA EM INOVAÇÃO - CEPI (FGV DIREITO SP). O futuro das profissões jurídicas: você está preparad@? - Sumário executivo da pesquisa quantitativa “tecnologia, profissões e ensino jurídico”. Repositório FGV. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2025. DUTRA, Deo Campos; PEREIRA, Humberto Gomes. DOMITH, Laira Carone Rachid. EDUCAÇÃO EM DIREITO: A CONTRIBUIÇÃO DO PROJETO INTEGRADOR PARA UMA EDUCAÇÃO INOVADORA. Florianópolis: Habitus, 2020. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2025. FARAGE, Bruno ; MULHOLLAND, Caitlin Sampaio. Vista do FILTRO BOLHA E BIG NUDGING. Rev. direitos fundam. democ. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2025. FEFERBAUM, Marina; LIMA, Stephane H. B. 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