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ROTEIRO 
 
Ensino do Direito Civil: os desafios do ensino jurídico na era tecnológica 
 
Aluna: Camilla Alves Trotta 
Data: 30 de abril de 2025 
Disciplina: Direito Civil Constitucional – JUR 2701 
 
1. O direito que aplicamos e a forma de ensiná-lo 
 
A) INTRODUÇÃO: 
 
Formação do jurista deve seguir a fórmula individualização + evolução 
tecnológica variável 
Segundo PERLINGIERI: formação do jurista = individualização da juridicidade + 
variável (que é influenciada pela evolução de métodos cognitivos, os quais são 
influenciados pela tecnologia) – Perlingieri, p. 69 
 
No mesmo sentido, diz Victor Cabral FONSECA: as novas dinâmicas 
tecnológicas > causam impacto nas relações sociais > que geram mudança no 
direito aplicável > e geram necessidade de mudança no ensino do direito – 
FONSECA, 2019 apud SERPA e RIBEIRO, p. 113 
 
B) Fenômeno transformacional da tecnologia em relação ao direito 
 
 
Vivemos em um momento marcado “pela celeridade e intensidade de mudanças 
na vida humana, alterações essas decorrentes de novas dinâmicas baseadas na 
tecnologia da informação” – Feigelson, 2018, p. 163. Apud SERPA e RIBEIRO, 
p. 115. 
 
Com o aumento das tecnologias, afetando os padrões sociais e econômicos, 
notório que presenciamos um período de efetivas alterações do status quo 
(Feigelson, 2018). E isso impacta significativamente o Direito e a formação de 
seus operadores, visto que “a tecnologia implica mudanças nas fontes e 
manifestações jurídicas como um todo” (Fonseca, 2019, p. 62). – SERPA e 
RIBEIRO, p. 115. 
 
Uma característica da sociedade atual é a instantaneidade de como são 
percebidas as consequências dos acontecimentos. – SERPA e RIBEIRO, p. 115. 
 
“Se mudam pessoas, muda-se o Direito. [...] É um ato fundamental para qualquer 
jurista desse século descer da falsa ideia de que o Direito, sua prática, seu 
ensino e tarefas correlatas são intocáveis demais para sofrerem mudanças.” – 
Fonseca, 2019, p. 15. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 115. 
 
“Debates legislativos e as decisões judiciais, por exemplo, nunca tiveram prazos 
de validade tão curtos na sociedade contemporânea. [...] Neste cenário, a 
segurança jurídica, paradigma essencial para a pacificação social, torna-se 
vulnerável, [...] permeada por incertezas” – Feigelson, 2018, p. 161. Apud 
SERPA e RIBEIRO, p. 116. 
 
 
Mudanças no curso de direito no Brasil, adequando-o a vários momentos e 
etapas que refletem a cultura e história daquele tempo. – DUTRA, et. al. 2020, 
apud SERPA e RIBEIRO p. 113 
Reprodução de práticas ideais de ensino anteriores já não fazem mais sentido 
considerando as necessidades sociais e políticas, assim, o ensino jurídico 
caminha para se alterar. Em outras palavras, o ordenamento jurídico atual se 
depara com o desafio de “oferecer respostas que ultrapassam seus objetivos 
iniciais. Novas demandas sociojurídicas vão surgindo”, conforme a 
complexidade social aumenta, o direito deve caminhar para atendê-las. – MOTA, 
2014, p. 14- 16. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 113 
 
O profissional do direito hoje deve ser diferente, logo, o ensino também - SERPA 
e RIBEIRO, p. 113 
 
Tarefas repetitivas e volumosas sendo substituídas por máquinas e inteligência 
artificial. Surgimento de novas oportunidades de atuação para o profissional do 
direito. – SUSSKIND, 2017, apud SERPA e RIBEIRO, p. 113. > Em que medida 
estão os futuros profissionais do direito sendo preparados para atuar nesse novo 
cenário, que demanda os conhecimentos tradicionais e novas habilidades e 
competências relacionadas ao impacto das tecnologias? – SERPA e RIBEIRO, 
p. 114. 
 
2. Adequação do direito às transformações tecnológicas 
 
Etapas: a) planejamento regulatório; b) judicialização; c) regulamentação do 
modelo disruptivo – FEIGELSON, 2018, p. 163, apud SERPA E RIBEIRO, p. 118 
 
 
Se, por um lado, estamos em face de novos desafios relacionados às 
dificuldades envolvidas no processo de regulação jurídica desses novos 
acontecimentos e relações, por outro lado, estamos diante de novas 
oportunidades, como, por exemplo, antecipar e fomentar regulações 
visando tornar o país mais preparado e competitivo – Feigelson, 2018. apud 
SERPA E RIBEIRO, p. 117-118. 
 
“A relação entre modelos disruptivos e direito ocorre em três etapas distintas, 
que, diante da celeridade e da intensidade já expostas, podem ocorrer em 
espaço de tempo relativamente curto e de modo bem intenso” (Feigelson, 2018, 
p. 163). São elas as etapas de (i) planejamento regulatório, (ii) judicialização, e 
(iii) regulamentação do modelo disruptivo. – Feigelson, 2018. apud SERPA E 
RIBEIRO, p. 118 
 
a) planejamento regulatório 
 
As inovações frutificam em zonas cinzentas de pouca regulamentação 
(Feigelson, 2018). Ou seja, as novas dinâmicas trazidas pelo desenvolvimento 
tecnológico geram modelos disruptivos que, até então, não tinham sido previstos 
nem regulados (Feigelson, 2018). Dessa forma, na primeira etapa do desafio do 
Direito da tecnologia, temos o surgimento de novos “modelos em lacunas legais” 
(Feigelson, 2018, p. 165), uma vez que as ideias inovadoras se concretizam e 
se espalham na sociedade, num primeiro momento, sem a devida regulação 
jurídica. Verifica-se, então, “um cenário de completa falta de regulamentação 
para o novo modelo, visto que não há como o legislador ou uma agência regu- 
ladora elaborarem uma norma para condutas e práticas ainda inexistentes” – 
Feigelson, 2018, p. 166. apud SERPA E RIBEIRO, p. 118 
 
 
b) judicialização 
 
Uma segunda etapa na qual há “a tentativa de encaixar modelos disruptivos nas 
dinâmicas postas” (Feigelson, 2018, p. 167), ou seja, tentar enquadrar o novo à 
realidade jurídica já existente – o que ocorre por meio da judicialização das 
questões suscitadas. Frente ao choque entre as novas dinâmicas tecnológicas 
e os modelos já conhecidos e regulados, surgem tensões que serão levadas 
para apreciação do Poder Judiciário (Feigelson, 2018). E isso implica no 
aumento da relevância desse Poder diante do cenário de falta de normatização, 
o que resulta também em outros desafios complexos para os tribunais 
(Feigelson, 2018). – SERPA E RIBEIRO, p. 118/119 
 
c) regulamentação do modelo disruptivo 
 
Na terceira etapa tem-se o momento de regulamentação do modelo disruptivo 
(Feigelson, 2018). Nela, “o Estado e o direito passam a se adaptar à nova 
realidade”, sendo criados “parâmetros normativos para a nova realidade da vida” 
(Feigelson, 2018, p. 164). Nesta etapa, a regulamentação da nova dinâmica traz 
consigo também a reflexão acerca do equilíbrio entre estabilidade e intervenção 
(Feigelson, 2018). Enquanto, por um lado, o estabelecimento de normas 
reguladoras figura como uma “forma de estabilizar um aspecto da vida” 
(Feigelson, 2018, p. 171), por outro pode acabar representando um “excesso de 
intervenção” (Feigelson, 2018, p. 171). Isso resulta num quadro no qual “a 
estabilidade e a segurança jurídica, princípios basilares de uma sociedade 
saudável, são colocadas em confronto com o princípio da liberdade” (Feigelson, 
2018, p. 171). – SERPA E RIBEIRO, p. 119 
 
 
 
3. A interação do jurista com a tecnologia 
 
Ideia de construção de novas propostas aptas a modificar o modelo de ensino 
jurídico. – MARTÍNEZ, 2006, p. 10. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 114. Assim, 
espera-se que o discente esteja preparado de forma interdisciplinar para exercer 
sua profissão de modo apto a resolução dos desafios contemporâneos. – RIOS, 
2019, p. 46. Apud SERPA e Ribeiro, p. 114. 
 
Realidade traz à tona meios tecnológicos que se igualam em nível de importância 
com os meios tradicionais – Perlingieri, p. 70 
 
A) Alguns conceitos do mundo digital que auxiliam no entendimento de 
como a tecnologia muda a forma de explorar fontes de saber: 
 
HIPERTEXTO: “os hipertextos são constituídos por um conjunto (teoricamente 
ilimitado) de informações e documentos que podem serconsultados seguindo as 
conexões estabelecidas entre os mesmos. No hipertexto, na verdade, os 
documentos são ligados entre eles por uma estrutura de nós. O leitor pode 
escolher seguir trajetórias diversas na consulta simplesmente decidindo alcançar 
um nó em vez de outro” – G. PASCUZZI, Ipertesto guiridico: riflessione su un 
nuovo genere letterario, in V. Rizzo (a cura di), Diritto e tecnologia 
dellínformazione, Napoli, 1998, p. 247. Apud Perlingieri, p. 70 
 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: A I.A, portanto, é um sistema dotado de dotado de 
capacidade de tomar decisões com base em análise de dados e de adquirir 
 
conhecimento por si mesmo, através das experiências com o meio no qual está 
inserido e a partir de uma complexa troca de dados provenientes da deep 
learning1 e das redes neurais2. Pretendemos esclarecer como a I.A, trabalhando 
em conjunto com um complexo banco de informações (Big Data) é capaz de 
aprender acerca das preferências dos cidadãos eleitores, tornando-se 
ferramenta potente e ao mesmo tempo perigosa para a manipulação do exercício 
de algumas liberdades democráticas, tal como o direito de livre escolha. 
FARAGE, Bruno.; MULHOLLAND, C.S., 2022, p.8. 
 
MACHINE LEARNING: capacidade de assimilação e de autotreinamento é 
essencial para que se chegue a uma máquina inteligente, segundo Peter Flach. 
Essa aptidão, chamada de aprendizado de máquina ou machine learning, 
contempla, de acordo com o autor, o estudo sistemático de algoritmos e sistemas 
que melhoram seu conhecimento ou performance por intermédio da experiência. 
O aprendizado de máquina, portanto, é a absorção de conhecimento pela própria 
máquina, enquanto a inteligência artificial abrange a atuação da máquina com 
base no conhecimento adquirido. 
“(...) já surgem questionamentos acerca da possível reprodução, pelas máquinas 
inteligentes, de vieses ou preconceitos absorvidos durante o processo de 
elaboração ou treinamento dos programas. Lyria Moses e Janet Chan24 
realizam prognóstico neste sentido ao ressaltar que são humanos que definem 
os algoritmos, os bancos de dados que serão utilizados para treinamento da 
máquina, as hipóteses que devem ser levadas em consideração, entre outras 
questões relevantes para o funcionamento do software. – JOSÉ, Victor; 
TASSIGNY, Mônica Mota, p. 8/9 
 
BIG DATA: Big Data é o termo utilizado para indicar a análise e a interpretação 
de grandes volumes de dados de ampla variedade3. Sabe-se que as ferramentas 
 
de Big Data são de extrema relevância na definição de estratégias de marketing, 
eis que com elas é possível o aumento da produtividade com a redução de 
custos, além de permitir a tomada decisões mais inteligentes na estratégia de 
negócios. Defenderemos que a Big Data também se apresenta como ferramenta 
diferencial na política, quando combinada com os conceitos de Nudging - 
enquanto termo indicador do ato de modificar comportamentos, sem o uso da 
força, por atores privados ou públicos - e arquitetura da escolha4. – FARAGE, 
Bruno.; MULHOLLAND, C.S., 2022, p.8. 
 
B) APROXIMAÇÃO DO JURISTA COM OUTROS CAMPOS DO SABER 
 
O profissional do direito não deve permanecer tão distante dos trabalhos de 
outros campos. – SCHWARCZ, 1993. Apud SERPA e RIBEIRO, p. 114. 
 
Risco da obtenção de dados sem atividade hermenêutica por parte do jurista 
(mera literalidade dos dados). Risco do hipertexto é basear-se exclusivamente 
na análise da linguagem, assim será útil, mas insuficiente, até mesmo um 
desviante instrumento cognitivo. Deve o jurista COOPERAR COM O 
PROGRAMADOR. Deve o jurista fornecer dados lógicos, oriundos de 
interpretação e qualificação controláveis em sua formação, qual seja a 
interpretação lógica e axiológica. Pode o hipertexto ser um MICROSISTEMA 
desde que se tenha consciência de sua forma de criação e das escolhas 
discricionárias nas quais se funda. – Perlingieri, p. 71. 
“o desenvolvimento das tecnologias informáticas em campo jurídico mostrou 
uma espécie de revolução copernicana na relação entre o leitor e o texto, no 
sentido que começou uma nova era de estudos, aquela que se poderia chamar 
de ‘inteligência artificial aplicada ao direito’. Surge a passagem da leitura 
meramente informativa, permitida pelo texto em papel, àquela interativa, 
 
realizável com o texto eletrônico, a qual já está estruturada como um 
pensamento lógico.” – A.A. MARTINO, Intelligenza artificiale e diritto, in D.A. 
LIMONE (a cura di) Dalla giuritecnica all’informatica guiridica, Milano, 1995, p. 
217, s. 
 
C) Afinal, como estudar o direito em movimento? 
 
Assim, entende-se que deve partir do conhecimento das leis e atos normativos 
com força de lei. Hoje isso se torna ainda mais difícil considerando a infinidade de 
normas sobre os temas nos mais variados campos do direito. Fontes internacionais 
ou mesmo privadas. Todavia, deve o jurista familiarizar-se desde o primeiro 
aprendizado com esses instrumentos de base. Necessário que sejam conhecidos 
com auxílio de interpretação em função aplicativa que deles propõem os 
operadores jurídicos. 
 
Fórmula: LEIS/ ATOS NORMATIVOS + Auxílio interpretativo em função aplicativa = 
núcleo de decisões jurisdicionais, atos administrativos e de autonomia negocial. 
 
Relevância do florescer de gêneros literários diversos, como comentários aos 
códigos e às leis (não se reduzindo a narrações), resenhas críticas da 
jurisprudência (aqui destaca-se a necessidade de tratar das evoluções e 
contrastes, explicar e justificar esses pela diversidade de casos singulares 
concretos. Importância: adquirir capacidade de argumentação e nota crítica à 
decisão jurisdicional em uma oportunidade de refletir sobre caso concreto, 
convidando o jurista em formação a voltar sua atenção ao papel prático da ciência 
jurídica. – Perlingieri, p. 72 
 
 
D) O problema dos instrumentos “fórmula de bolo” 
 
Manuais com excessiva esquematização e conceitos. Reforma simplificadora dos 
estudos universitários. Diz-se que a problematização deve ser feita ainda que os 
seus argumentos sejam reduzidos. – perlingieri p. 78 
 
Necessidade de uso de todas os instrumentos de ensino do direito: códigos, 
manuais, jurisprudências, formulários negociais ou ensaios críticos. Relevante a 
condução da leitura pelo docente e que a pluralidade de textos seja capaz de prover 
um estímulo culturalmente apreciável capaz de envolver o aluno. – perlingieri, p. 79 
 
Método de induzir simpatia pela forte manifestação crítica/contestadora de texto; 
processo dialético com participação do aluno, existência de seminários. Convidar 
o aluno a se aventurar na escrita – análise de argumentos e sistematização de 
problemas visando desenvolver sensibilidade expressiva. Necessário individualizar 
os instrumentos para compatibilizar. – perlingieri, p. 79/80 
 
Nesse sentido, no item 26, PERLINGIERI traz a introdução às ciências jurídicas no 
novo sistema inspirado na promoção da pessoa. 
 
JURISTA: “homem conhecedor dos problemas aplicativos da justiça, portanto 
homem com conhecimento dos valores jurídicos e aptos a medir a idoneidade dos 
mesmos para atender às exigências próprias dos diversos setores. Somente o 
conhecimento sistemático pode fornecer uma ideia adequada dos valores jurídicos 
 
e da íntima conexão entre os mesmos”. – G. FURGIUELE, Metodo, inseguramento e 
studio del diritto civile, in V. SCALISI (a cura di), Scienze e inseguramento, cit. P. 
1361. Apud Perlingieri p. 74. 
 
Parte geral muitas vezes é reduzida e nivelada em manuais, diz Perlingieri (p. 74). 
Sua importância é tamanha enquanto expositora de princípios ordenadores e 
substanciais do ordenamento jurídico, chave da leitura do sistema na sua unidade. 
 
E) Didática não unilateral 
 
Necessidade de uma didática não unilateral: “(...) se a relação didática fosse 
unidirecional e implicasse simplesmente na transmissão de dados adquiridos para 
além da experiênciade quem ensina e se o discente estivesse destinado a receber 
passivamente aquilo que lhe é fornecido, sem propor indagações autônomas e 
sempre novas, a escola negaria qualquer formação cultural genuína, posto que não 
pode haver cultura (...) em um processo que se reduziria a uma mera repetitividade” 
– N. LIPARI, Sull’insegnamento del diritto civile, in. Riv. Dir. Civ., 2002, p. 333. Apud 
Perlingieri, p. 75. 
 
Passa-se a um sistema voltado a tutela da necessidade da pessoa. “a pessoa é 
pressuposto essencial de qualquer modo possível de compreender hoje o 
ordenamento jurídico. Se negasse a instrumentalidade do direito com relação à 
pessoa, acabar-se-ia obviamente por excluir qualquer validade do direito como 
valor.” – P. RESCIGNO, I manuali di diritto privato dopo la Costituizione, in Riv. Dir. 
Civ., 1998, I, p. 409 ss. Apud Perlingieri p. 76. 
 
 
O FENÔMENO JURÍDICO NADA MAIS É DO QUE UM ASPECTO DINÂMICO DA 
COMPLEXA CULTURA DE UMA COMUNIDADE. – perlingieri, p. 81. 
Necessidade de diminuir a incidência da tendência ao conceitualismo como hábito 
mental (G. GORLA, Il contratto. Problemi fondamentali trattati con il metodo 
comparativo e casistico, I, Lineamenti generali, Milano, 1995, p. VIII. Apud 
perlingieri, p. 81) 
Verificação do processo mental que leva juízes e legisladores a formularem 
abstrações de regras e princípios para retornarem ao problema concreto – G. 
GORLA, Il contratto, I, cit., p. VII. Apud Perlingieri, p. 81. 
Estudo de caso como método de ensino apto a comprovar para o jurista em 
formação que o direito não está todo nas sentenças de juízes ou que somente exista 
do ponto de vista das lides. A interpretação expressa princípios jurídicos, razões 
lógicas e axiológicas da solução. – Perlingieri, p. 81. 
 
FORMAÇÃO DO JURISTA CONDICIONADA PELA ESTRUTURA DO ORDENAMENTO, 
em particular pelo papel da docência e doutrina. – Perlingieri, p. 82. 
 
Necessário oferecer ao aluno vários instrumentos, oferecendo uma abordagem 
pedagógica gradual, condicionada pelo método pluralista, sem que signifique 
renúncia por parte do docente ao direito-dever de expressar preferências. – 
Perlingieri, p. 83. 
 
Didática deve andar junto da pesquisa. – Perlingieri, p. 85. 
 
 
 
 
 
4. Estruturas e diretrizes curriculares brasileiras + parecer 
 
Cada vez mais novas habilidades são exigidas dos (futuros e atuais) 
profissionais jurídicos (Fonseca, 2019). E, em razão disso, é urgente a 
“adequação no ensino do Direito a este novo panorama[que] decorre da 
necessidade de um preparo individual para o enfrentamento de situações 
totalmente novas decorrentes da tecnologia, na própria profissão jurídica ou 
mesmo na sociedade da informação” (Fonseca, 2019, p. 72). – SERPA e 
RIBEIRO, p. 125. 
 
“espera-se mais de um profissional de Direito da atualidade do que se esperava 
antes” (Fonseca, 2019, p. 96). Além do conhecimento jurídico tradicional, diante 
dos novos eventos decorrentes desse cenário tecnológico, espera-se que os 
operadores jurídicos tenham também novos conhecimentos e novas 
competências (Fonseca, 2019). Por isso, é necessário o “desenvolvimento de 
habilidades no estudante de graduação para o desempenho do exercício 
profissional em consonância com as intensas transformações não lineares da 
inovação tecnológica” (Rios, 2019, p. 15).). – SERPA e RIBEIRO, p. 125. 
 
Ressalte-se, porém, que o modelo de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs)2 
adotado nos cursos jurídicos visa, justamente, propiciar a formação de 
profissionais aptos às mudanças (Rios, 2019), ou seja, pessoas que saibam se 
adaptar frente aos novos cenários (Brasil, 2004). E isso sugere ser “bastante 
provável que este processo levará a profissionais cada vez menos determinados 
de forma pragmática, mas sintetizados e reconhecidos por valores agregados e 
habilidades subjetivas (soft skills)” (Fonseca, 2019, p. 95). – SERPA e RIBEIRO, 
p. 125/126 
 
 
“exigirão uma transformação no perfil do profissional jurídico, que precisará estar 
apto a lidar com o novo cenário social e com as novas tecnologias” (Maranhão 
et al., 2021, p. 173). Esse perfil já é o adotado na Resolução CNE/CES nº 5/2018 
– que instituiu as DCNs atualmente vigentes nos cursos de Direito –, e que 
“incluiu o domínio e conhecimento de novas tecnologias como elementos 
essenciais para o ensino do Direito na atualidade” (Fonseca, 2019, p. 18). Seu 
texto reflete uma “preocupação com a transversalidade entre as áreas jurídicas 
e a solução dos novos desafios que se apresentam ao egresso do curso” (Rios, 
2019, p. 74). – SERPA e RIBEIRO, p. 126 
 
Art. 4º O curso de graduação em Direito deverá possibilitar a 
formação profissional que revele, pelo menos, as competências 
cognitivas, instrumentais e interpessoais, que capacitem o 
graduando a: (...) 
 
XI - compreender o impacto das novas tecnologias na área 
jurídica; 
XII - possuir o domínio de tecnologias e métodos para 
permanente compreensão e aplicação do Direito; 
Art. 5º O curso de graduação em Direito, priorizando a 
interdisciplinaridade e a articulação de saberes, deverá incluir no 
PPC, conteúdos e atividades que atendam às seguintes 
perspectivas formativas: 
I - Formação geral, que tem por objetivo oferecer ao graduando 
os elementos fundamentais do Direito, em diálogo com as 
demais expressões do conhecimento filosófico e humanístico, 
das ciências sociais e das novas tecnologias da informação, 
abrangendo estudos que, em atenção ao PPC, envolvam 
saberes de outras áreas formativas, tais como: Antropologia, 
Ciência Política, Economia, Ética, Filosofia, História, Psicologia 
e Sociologia; 
 
Então, os questionamentos centrais de docentes e instituições deveriam ser: 
estamos formando alunos para realizarem tarefas que serão automatizadas? Se 
 
elaborar uma petição de litígio de massa que em breve será ou está sendo 
inserida num software, não estaríamos formando profissionais obsoletos? 
Estamos levando o Direito para outras pessoas, por exemplo, programadores 
que estão avançando a tecnologia? Os cursos jurídicos estão fomentando a 
desigualdade entre profissionais, criando uma massa de pessoas formadas que 
não encontrarão emprego nos escritórios no futuro? Eles estão inserindo os 
alunos na cultura das organizações? [...] E mais, estamos formando alunos para 
serem mais do que simples profissionais? (Feferbaum, 2019). – SERPA e 
RIBEIRO, p. 126/127 
 
De todo modo, o que se percebe é que há uma nítida “ressignificação da 
profissão jurídica, que se desdobra cada vez mais no sentido de profissionais 
híbridos, munidos de conhecimentos diferentes e preparados para reagir de 
forma mais confortável diante de contextos antes desafiadores” (Susskind, 2013, 
p. 111 apud Fonseca, 2019, p. 96-97). – SERPA e RIBEIRO, p. 127 
 
5. Debate sobre as mudanças no contexto social e a formação do jurista 
 
Mudança na sociedade, relações sociais e tecnologia > resultam na 
necessidade de atualizar a aplicação do direito > é necessário mudar a 
forma de ensinar o direito 
 
questionar a ideia de direito civil como processo lento construído por 2000 
anos enquanto direito constitucional movido pela volatilidade social – é 
correto alterar a formação do jurista considerando as instabilidades? 
 
 
6. Necessidades de mercado que exigem formação específica do discente 
– o problema da formação fundada na pura dogmática despida de 
problematizações da prática concreta – o encantamento do discente – 
prática de uso de IA em tribunais e por advogados 
 
 
 
 
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