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O AUTISMO NA PERSPECTIVA DE UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Ana Laura Maia RESUMO Autismo hoje não é mais considerado uma desordem rara. Neste contexto, é fundamental a elaboração de diretrizes teóricas e práticas dirigidas especificamente aos educadores. O objetivo do presente trabalho é apresentar dados essenciais para que o educador compreenda melhor o que é autismo, quais são as peculiaridades cognitivas envolvidas neste diagnóstico e que assim consiga criar no dia-a-dia melhores estratégias de inclusão do portador de autismo na escola regular. Desse modo as pesquisas apontam para necessidades da formação pedagógica continuada dos docentes e também para crescente aceitação da inclusão como processo social. Ainda explicitaram que as estratégias pedagógicas utilizadas pelos docentes são o principal instrumento de interação social de alunos autistas no ambiente escolar. PALAVRAS CHAVE: Autismo- Inclusão Social- Inclusão Escolar INTRODUÇÃO A intolerância é responsável por grandes crimes cometidos pela humanidade. O preconceito, a arrogância e a incapacidade de aceitar diferenças são traços marcantes na história dos povos e dos homens. Mesmo após séculos de guerras - todas inflamadas pelos mais ínfimos motivos, ainda assistimos ao massacre terrível da própria condição humana. Ainda depois de construída uma civilização altamente complexa, tecnológica, racional, temos que conviver com a miséria absoluta e a violência explosiva. Parece que em algum ponto a humanidade insiste em errar. Se a filosofia conseguiu algum avanço neste século- permitida em grande parte pela derrocada da discussão ideológica, foi no sentido de afirmar o direito a pluralidade. Uma vitória considerável do humanismo, em contra posição ao erro secular de impor pontos de vista, culturas, religiões ou modelos sócio- econômicos. 12 Não é de se admirar a dificuldade em conviver com o que é diferente ou minoritário. O senso comum, vício de se abrigar na opinião da maioria, é forma covarde, mas eficiente de qualquer pessoa se manter incluído na família, no grupo e, até mesmo, na chamada civilização. Mas os sinais desse processo constante de assimilação e afirmação se manifestam de forma quase sempre sutil e silenciosa. O Brasil basta observar, é um país de excluídos. Milhões de pessoas sobrevivem à margem da sociedade, apartadas econômica, social e culturalmente. Mas, aos poucos, de forma muito tímida, uma de nossas maiores exclusões, a escolas, vai sendo combatida (embora ainda haja muito por fazer, até que a última das crianças tome assento em um banco escolar ). Inclusão, essa é uma palavra que precisa ser bem mais definida e mais praticada. Não há razão para que alguém seja de antemão descartado, isolado, oprimido ou negado. Que lugar reservamos para o pobre, a criança, o idoso, o negro, o doente, o portador de deficiência física ou mental? Quem tem autoridade para estabelecer a quem pertence este mundo que todos constroem ninguém pode ficar de fora. Neste sentido este pretende focalizar o trabalho realizado pelos professores na coordenação do processo de inclusão. Tendo como objetivo principal identificar e compreender a Legislação, os princípios, experiências e práticas formação de professores e outras especialidades da Educação Especial na realidade, contribuindo para o processo de inclusão da pessoa com necessidades na escola, na sociedade e na vida. Onde o professor irá disponibilizar informações sob forma de vídeos e material impresso para tais alunos, pois de acordo com o Projeto Político da Escola, a inclusão está inserida com o intuito que vai além de criar condições para alunos deficientes, tornando-se um desafio que modifica a postura da escola diante do aluno. A elaboração deste parte da problemática: Quais as dificuldades encontradas no processo de inclusão do aluno com deficiência de Autismo, que obstaculize seu acesso ao aprendizado de acordo com suas necessidades? Partindo deste pressuposto para que haja o acesso e a inclusão do autista nas escolas regulares é preciso inovar. Inovar não tem necessariamente o sentido inusitado. As grandes inovações estão muitas vezes na concretização do óbvio, do que é possível fazer, mas que precisa ser desvelado, para que possa ser compreendido por todos e aceito sem outras resistências, se não aquelas que dão brilho e vigor ao debate das novidades. 13 A inclusão de portadores de autismo é uma inovação, cujo movimento tem um aspecto muito polêmico nos meios educacionais e sociais, entretanto, inserir alunos autistas de qualquer grau, no ensino regular, é garantir o direito de todos à educação. A presença de alunos autistas, em uma sala de aula comum, é uma situação rara nas escolas de ensino regular, porém, as possibilidades de se conseguir progressos significativos desses alunos na educação por meio de adequação das práticas pedagógicas à diversidade dos aprendizes é bastante representativa. Entendemos como educação inclusiva, uma proposta de tornar a educação acessível a todas as pessoas, ou seja, refere-se à aceitação e à participação de todos, embora tenha, como prioridade, a inclusão de pessoas portadoras de autismo no contexto social. Observamos que, quando se fala em educação para portadores de necessidades educativas especiais, em especial o autismo, só se destacam escolas e instituições especializadas, tais como associação de pais e amigos dos excepcionais – APAE e a Sociedade Pestalozzi. O motivo do estudo sobre a inclusão de autistas é a qualidade de ensino nas escolas públicas e privadas e de que modo elas respondem as necessidade de cada um de seus alunos de acordo com suas especificidades, sem cair na teia da educação especial e suas modalidades de exclusão. Nosso esforço está concentrado no sentido de melhorar a adaptação de cada criança portadora de autismo numa escola inclusiva, visando o sentido da inclusão como uma inovação, tornando- o compreensivo aos que se interessam pela educação como um direito de todos. Temos observado nas escolas ditas “normais” a não inclusão de crianças portadores de autismo nas mesmas. Em virtude disso, a inclusão se torna uma inovação cujo sentido tem sido distorcido, sendo, portanto, muito polemizado pelos mais diferentes segmentos educacionais e sociais. Este problema motiva a busca de respostas para as seguintes questões: • Qual a importância da inclusão de portadores de autismo, nas escolas normais? • Quais as qualificações necessárias para o corpo docente atuarem na escola inclusiva? • Quais as dificuldades encontradas pelas escolas e pais em relação a esta inclusão. • Refletir sobre a importância da inclusão de portadores de autismo nas escolas normais, identificando as necessidades existentes dentro das escolas para a adaptação desses alunos. • Identificar e analisar a importância da inclusão de autistas nas escolas normais. 14 Neste sentido, o tema proposto é de suma importância na medida que contribui para um estudo sobre o autismo e a inclusão destes no ensino regular e a concepção dos professores e suas práticas pedagógicas. 1. O AUTISMO NA PERSPECTIVA DE UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 1.1 Breve histórico acerca do autismo O termo autismo segundo GAUDERER (1987) originalmente significa “voltado para si mesmo”, foi utilizado pela primeira vez na literatura psiquiátrica em 1906 por Ploullor, que na época estudava o processo de pensamento em pacientes psicóticos . Em 1911 Bleuler faz referência ao termo para designar um dos sintomas fundamentais da esquizofrenia. Para ele, “autismo” era a perda do contato com a realidade apresentada pelos esquizofrênicos em função de viver em um mundo imaginário. Todavia, o termo foi utilizado em sentidos muito amplos, referindo-se também a características que podem estar presentes em pessoas com desenvolvimento típico. Contrariamentea Bleuler, o psiquiatra norte-americano Léo Kanner em 1943 estabelece critérios diferenciais em relação à esquizofrenia, isolando o autismo infantil como uma entidade nosológica distinta. Descreve um grupo de 11 crianças que apresentavam em comum um padrão de comportamento, caracterizado principalmente pela incapacidade se relacionarem de maneira habitual com pessoas e situações desde o começo de vida, extremo isolamento, atraso na aquisição da fala e quando esta se estabelecia não tinha função comunicativa, excelente memória, comportamentos repetitivos, manutenção de rotinas e afinidade com gravuras. Conforme, WING (1996) essas características foram denominadas por ele de Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo. O termo autismo segundo KANNER se refere à característica de isolamento e auto- concentração. Na década de 50 os autores norte-americanos consideravam o autismo como desenvolvimento atípico. A partir de 60 definiram-se as psicoses infantis em dois tipos, as psicoses da primeira infância e as psicoses da segunda infância. 15 Já no final de 70 Rutter descreveu autismo como sendo uma síndrome Caracterizada pela precocidade de início, e perturbações das relações afetivas ou responder estímulos do meio. Mais tarde Dr.Christian Gauderer definiu "autismo" como uma doença grave, crônica, incapacitante que compromete o desenvolvimento normal de uma criança e se manifesta tipicamente antes do terceiro ano de vida. É caracterizada por lesar e diminuir o ritmo do desenvolvimento psicossocial e lingüístico. 1.2 Alguns Conceitos de Autismo No sentido etiológico da palavra “autismo”, e/ou “autista”, são palavras originadas do grego “autos”, que significa “próprio”. Segundo GAUDERER (1993) para a “Board of Directors of the National Society for Autistic Children”, atualmente denominada ASA, o Autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. É incapacitante e aparece nos três primeiros anos de vida. Acometendo cerca de cinco entre cada dez mil nascidos e é quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. É encontrada em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu provar até agora nenhuma causa psicológica no meio ambiente dessas crianças que possa causar a doença. Os sintomas são causados por disfunções físicas no cérebro, verificados pela anamnese ou presentes no exame ou na entrevista com o indivíduo”. Para SCHAWARTZMAN (1995) o Autismo é hoje considerado como uma síndrome comportamental com etiologias múltiplas e curso de um distúrbio de desenvolvimento. É caracterizado por um déficit na interação social visualizado pela inabilidade em relacionar-se com o outro, usualmente combinado com déficits de linguagem e alteração de comportamento. Partindo deste pressuposto são crianças de comportamento estranho incapazes de olhar as pessoas e isolam-se cada vez mais num mundo misterioso e impenetrável. Para KANNER (1997), as crianças autistas são aquelas que tem inaptidão para estabelecer relações normais com o outro; um atraso na aquisição da linguagem e, quando ela se desenvolve, uma incapacidade de lhe dar um valor de comunicação. A essa definição, junta-se o conceito discutido por LEBOYER (1987), afirmando que o autismo consiste em uma síndrome formada por um conjunto de alterações do comportamento 16 que embora não sejam exclusivas, constituem uma constelação clínica, não integralmente reproduzindo em nenhuma outra doença. Em ambas as definições notam-se a complexidade dos sintomas incidindo e comprometendo o desenvolvimento da criança em todas as áreas: social, psicológica, biológica e lingüística. E os pais precisam estar atentos ao desenvolvimento de seus filhos. Contudo, para TUSTIN (1981, p. 65), o autismo, literalmente, significa: Viver em termos do próprio eu, o que está de acordo com o fato, por demais constatado, de que uma criança em estado de autismo parece centrada em si mesma, já que pouco reage ou responde ao mundo que a rodeia. Mas paradoxalmente, uma criança nesse estado não se dá conta, em verdade, do que o seu eu significa... Dessas definições acima, pode-se identificar características relevantes e comuns para este estudo, como o fato da síndrome estar presente desde o nascimento; referir-se ao aparecimento de problemas de linguagens e de aparecer nos três primeiros anos de vida. O Autismo já foi visto e estudado através de diferentes áreas, afim de, se chegar a um diagnóstico, bem como conhecer as causas e as possibilidades de tratamento. A primeira tida inicialmente como um distúrbio psiquiátrico, em seguida constatamos que a síndrome passou a ser tratada como um problema psicológico e as literaturas mais atuais o Autismo está diretamente relacionado à parte neurológica. 1.3 – Características para o Diagnóstico de um Autista O portador de síndrome de autismo tem uma expectativa de vida normal. Estudos apontam inúmeras formas de desenvolvimento que caracterizam a criança com esta síndrome entre elas estão: Início dos sintomas antes dos três anos de idade; Falta persistente de respostas a outras pessoas; Comprometimento acentuado do desenvolvimento da linguagem; Fala (se ocorrer é com características peculiares, tais como: inversão de pronomes) Respostas bizarras à diversos aspectos do meio ambiente; Especial interesse ou ligação a objetos finos ou giratórios; Choro e riso incontroláveis sem causa aparente; Ausência de medos a perigos reais como altura, profundidade; Hábitos como auto- flagelação, como morder partes de seu corpo; Reações anormais a estímulos sensoriais, como reações anômalas a sons; 17 E geralmente coeficiente intelectual abaixo do normal. Atualmente, embora o Autismo seja bem mais conhecido, ele ainda surpreende pela diversidade de características que pode apresentar e pelo fato de, na maioria das vezes, a criança autista ter uma aparência bastante normal. É comum pais relatarem que a criança passou por um período de normalidade anterior à manifestação dos sintomas. Quando as crianças com autismo crescem, desenvolvem sua habilidade social em extensão variada. Alguns permanecem indiferentes, não entendendo muito bem o que se passa na vida social. Elas se comportam como se as outras pessoas não existissem, olham através delas como se não estivesse lá e não reagem a alguém que fale com elas ou as chame pelo nome. Frequentemente, suas faces mostram muito pouco de suas emoções, exceto se estiverem muito bravas ou agitadas. São indiferentes ou têm medo de seus colegas e, muitas vezes, usa o outro como objeto quando querem obter alguma coisa. Enfim, as pessoas com autismo, são, antes de qualquer coisa, pessoas como todas as outras. Possuem qualidades e fraquezas. O que as pessoas com autismo têm em comum é um transtorno do desenvolvimento, um distúrbio de comunicação, que se manifesta em cada um de maneira diferente. 1.4 – As Causas segundo a Associação Americana de Autismo (ASA) A Síndrome do Autismo jamais ocorre por bloqueios ou razões emocionais como insistiam alguns psicanalistas. O autismo não causa outras doenças, mas outras doenças podem favorecer seu desencadeamento. As causas são múltiplas, algumas já tem sido relacionadas com os fatores externos que causam o autismo são as doenças infecciosas durante a gestação principalmente durante os três (3) primeiros meses como: Citomegalovírus; a Rubéola, a Sífilis e a Toxoplasmose; Fenilcetonúria; Anoxia; Traumatismo no parto; As doenças infecciosas do cérebro, como a meningite; As lesões traumáticas; O uso de drogas pelos pais; Patrimônio genético, além de doenças genéticas que cursam com retardo mental. Ultimamente, pesquisas mostraram evidências de aparecimento do autismo após aplicaçãoda vacina tríplice. Segundo TUSTIN (1981) as estatísticas sobre a doença têm a prevalência de 1.150 a 250 da população. A incidência é de quatro a cinco homens para cada mulher, mas quando a doença se dá no sexo feminino é mais grave. O autor explica que em toda psiquiatria infantil as doenças acometem mais os meninos e, como regra geral, quando as meninas são http://www.indianopolis.com.br/si/site/1124 18 acometidas, são por quadros mais graves. Essa proporção seria mais um indicativo das questões genéticas. O autista pode ficar curado do ponto de vista funcional, mas dificilmente vai ter uma reabilitação completa do ponto de vista técnico. Conforme Tustin (1981, p. 67) "Aos olhos de um profissional da área o autista não pode ficar completamente reabilitado, mas do ponto de vista da população, sim.". Enfim, o Autismo é considerado uma síndrome, um conjunto de sintomas que pode ter mais de uma origem, e não uma doença. Pode-se entender Autismo como um distúrbio do desenvolvimento, uma deficiência nos sintomas que processam a informação sensorial recebida, fazendo a criança reagir a alguns estímulos de maneira excessiva, enquanto que a outros estímulos não. Portanto, a inclusão de portadores de autismo é uma inovação, cujo movimento tem um aspecto muito polêmico nos meios educacionais e sociais, entretanto, inserir alunos autistas de qualquer grau, no ensino regular, é garantir o direito de todos à educação. Favorecendo uma aprendizagem na qual se procure a melhor forma de cada um desenvolver suas capacidades. Nesse sentido, se expressa à relevância do tema inclusão escolar, na medida em que visa oportunizar a aprendizagem, preferencialmente na rede regular de ensino, respeitando e valorizando a diversidade das manifestações humanas. 2 O AUTISTA E A INCLUSÃO 2.1 A Educação Inclusiva e o Autista A história pessoal de cada um é determinada pelo inter-relacionamento com o meio. O estabelecimento de vínculos afetivos e uma disponibilidade inerente ao ser humano, mas em alguns casos, como de autistas, são necessárias diferentes estratégias. Neste sentido, convencer os pais a exporem seus filhos portadores de autismo à convivência com o meio ambiente escolar é sem dúvidas uma barreira a ser vencida, pois há sempre a questão do olhar e do pensamento alheio. Como será a reação dos pais de outras crianças em relação a esta criança que quase não corresponde a estímulos e não relaciona-se normalmente com os demais colegas?. Este é um grande problema na cabeça dos pais e que deve ser subsidiado por um trabalho de acompanhamento e preparação da comunidade escolar para receber esta criança. 19 Caso não haja este trabalho, os progressos em uma educação inclusiva poderão estar comprometidos, pois quanto mais cedo diagnosticada a doença, maiores serão as chances de progresso na educação inclusiva. Incluir uma criança autista em uma escola dita “normal” ou de classe comum de ensino regular é muito importante para o desenvolvimento da sua potencialidade. Por este motivo, buscamos não restringir seu ensino somente à instituições especializadas a este fim e sim à escolas de ensino regular comum. Para que isso possa ocorrer, é preciso desenvolver nas escolas de classes comuns um trabalho terapêutico em conjunto visando sempre o melhor e mais aceitável método para o desenvolvimento deste educando. Quando não há ambiente apropriado e condições adequadas à inclusão, a possibilidade de ganhos no desenvolvimento cede lugar ao prejuízo para todas as crianças. Isso aponta para a necessidade de reestruturação geral do sistema social e escolar para que a inclusão se efetive. Desse modo, STAINBACK E STAINBACK (1996) referem que, diante de uma inclusão adequada, mesmo que uma criança apresente deficiências cognitivas importantes e apresente dificuldades em relação aos conteúdos do currículo da educação comum, como pode ser o caso do autismo, ela pode beneficiar-se das experiências sociais. O objetivo do aprendizado de coisas simples do dia-a-dia ( conhecer-se, estabelecer relações) seria o de as tornarem mais autônomas e independentes possíveis, podendo conquistar seu lugar na família, na escola e na sociedade. Desse modo, “na medida em que esses ‘conteúdos’ vão sendo desenvolvidos e ‘aprendidos’ por esses alunos, torna-se possível a entrada de outros conteúdos, da alfabetização, da matemática, etc.” (ZILMER, 2003, p. 30). Os autistas possuem todas as variações possíveis de inteligência, mas nem todos estão aptos à inclusão escolar, que depende de uma série de condições da escola, de seus profissionais e da capacidade da criança. Alguns são muito inteligentes e se dão bem pedagogicamente em escolas regulares, apesar de não conseguirem se socializar, pois não entendem o mundo humano e social. Outros necessitam de outras escolas, e aqueles cuja inteligência é mais comprometida têm mais possibilidades em escolas especiais. Muitas pessoas acham estranho o comportamento dos autistas. Mas é importante integrá-los à sociedade, pois eles possuem dificuldades em fazê-lo. Há diversas técnicas para eles se sociabilizem e cada uma tem um nível de eficiência de acordo com o perfil psicossocial de cada um. Os autistas devem ser estimulados a desenvolverem todas as atividades, sem discriminação. 20 Com a educação de todas as crianças conjuntamente, aquelas que possuem alguma necessidade educativa especial, seja qual for, têm a oportunidade de preparar-se para a vida em comunidade, sendo que os professores melhoram suas habilidades profissionais e a sociedade funciona de acordo com o valor da igualdade de direitos para todas as pessoas. Em relação à inclusão de crianças com autismo, os estudos encontrados apontam os ganhos que essas crianças possuem diante das oportunidades de interação nos ambientes inclusivos. Por isso, o movimento inclusivo nas escolas, por mais que seja ainda muito contestado e de caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio educacional, é irresistível e convence a todos pela lógica de seu desenvolvimento social. Por tudo isso, se a inclusão é produto de uma educação plural, democrática e transgressora, como afirma Mantoan (2003), esta deve respeitar as individualidades e as possibilidades de cada um de estar, ou não, nas classes regulares. Diante desta perspectiva, o modelo de escola inclusiva demanda uma nova postura do sistema educacional. Porém, para que o modelo escolar inclusivo realmente se efetive é necessária à participação de todos os profissionais da escola. Sendo assim, o futuro de escolas inclusivas está dependendo de uma expansão rápida, para que a idéia de compromisso de transformação desta escola seja concretizado, para se adequar aos novos tempos. Em virtude disso, a nova Lei de Diretrizes e Bases Nº 9394/96, artigos 58, 59, 60 propõe que crianças excepcionais sejam aceitas nas classes comuns das escolas ditas “normais”, sejam elas públicas ou particulares e que as escolas ou instituições especiais sejam coadjuvantes no processo educacional destas crianças, portanto, incluir é lei, recusar um aluno portador de necessidades educativas especiais é crime. 2.2 A importância da Avaliação Pedagógica A avaliação do autismo deve ser fundamentalmente ideográfica, pois não se trata de descobrir e analisar as características de comportamento individual em interação com um determinado ambiente. Segundo GAUDERER (1993) entre os vários instrumentos que podem auxiliar neste aspecto, destaca-se o Programa da Escala Portage do Desenvolvimento (David Sherer 1969), que permite a avaliação nas áreas de linguagem, cognição, cuidados próprios, socialização e motora, fornecendo a idade de desenvolvimento em cada uma destas áreas e uma idade de desenvolvimento geral. 21 Os Currículos do programa foram assim organizados: • Maiorprecisão de responsabilidades, não dando lugar a improvisações. • Maior eficácia na hora de eliminar ou trocar condutas inadequadas. • Oportunidade para observar o desenvolvimento da aprendizagem do aluno. • Diminuição de aspectos pouco mensuráveis. • Contribuição à avaliação da aprendizagem do aluno. • Maior facilidade para relacionar a aprendizagem do aluno com os objetivos previstos no currículo. Nas últimas décadas, acumulou-se uma quantidade considerável de experiências em técnicas para o ensino de crianças autistas, desenvolvidas por educadores de vários países. A maioria delas aponta para os seguintes objetivos gerais de educação: • Prevenir ou reduzir deficiências secundárias. • Descobrir métodos para recuperar deficiências primárias. • Descobrir métodos para recuperar deficiências primárias e descobrir formas para ajudar a criança a desenvolver funções relacionadas às deficiências primárias. As crianças com autismo, regra geral, apresentam dificuldades em aprender a utilizar corretamente as palavras, mas se obtiverem um programa intenso de aulas haverá mudanças positivas nas habilidades de linguagem, motoras, interação social e aprendizagem é um trabalho árduo precisa muita dedicação e paciência da família e também dos professores. É vital que pessoas afetadas pelo autismo tenham acesso a informação confiável sobre os métodos educacionais que possam resolver suas necessidades individuais. A escola tem o seu papel no nível da educação. São elaboradas estratégias para que estes alunos consigam desenvolver capacidades de poderem se integrar com as outras crianças ditas "normais". Porém, a família tem também um papel crucial, porque são os que têm mais experiência em lidar com as crianças, principalmente, porque as crianças autistas necessitam de atenção redobrada, durante 24 horas. Muitas vezes, a profissão e o horário cotidiano não facilitam, mas é importante dispensar algumas horas para que as crianças possam se sentir queridas e mostrar o que aprenderam. Os pais podem encorajar a criança a comunicar espontaneamente, criando situações que provoquem a necessidade de comunicação. Não se deve antecipar tudo o que a criança precisa, deve - se criar momentos para que ela sinta a necessidade de pedir aquilo que precisa. Na realidade, os problemas encontrados na definição de autismo, refletem-se na dificuldade para a construção de instrumentos precisos e adequados para um processo de avaliação e condutas. Devem-se considerar as severas deficiências de interação, comunicação 22 e linguagem e as alterações da atenção e do comportamento que podem apresentar estas crianças, a sua programação psicopedagógica a ser traçada precisa está centrada em suas necessidades, tem que observar esse aluno para, se possível, quais canais de comunicação se incapacitavam. A partir daí, discutiu- se a forma pela qual se dará este processo, tais como a necessidade de preparação de professores e de outras crianças, visando evitar sempre esta discriminação. 2.3 Propostas Educacionais para o Autista É fundamental a preparação do educador através de um programa adequado de diagnose e avaliação dos resultados globais no processo de aprendizagem, já que a criança especial se caracteriza pela falta de uniformidade no seu rendimento, levando-se em consideração o nível de desenvolvimento da aprendizagem que geralmente é lenta e gradativa. Devido a esta problemática do ensino inclusivo, o educador torna-se incapaz, frustrado e freqüentemente encobre sensações, alegando que seu trabalho é o melhor e se fecha muita das vezes para experimentar outras formas de aprendizado. Se o trabalho multidiciplinar é difícil nesta área por causa dos poucos resultados satisfatórios, ele se torna ainda complexo e os atritos aos diferentes tipos de profissionais desta área mais freqüentes. Podemos perceber, entretanto que é considerável a resistência dos professores à mudança. Os professores acreditam ser utopia uma educação igualitária capaz de abranger tanto alunos “normais” quanto aos portadores de autismo. Um corpo técnico especializado e dedicado é o essencial para que o interesse e a moral alta sejam mantidas, apesar da necessidade grave dos educandos. Esta educação mais que uma tendência, é uma necessidade real para um melhor atendimento de todas as crianças, não apenas aos portadores de necessidades educativas especiais. Portanto, diversas são as propostas e os problemas que aparecem em torno desta educação inclusiva aos portadores de autismo, que requerem uma dupla assistência educativa, pois os mesmos possuem mais dificuldades em se adaptarem a ambientes que fujam da sua rotina, e vale ressaltar ainda que ao mesmo tempo em que se propõe a inclusão, teme-se que esta gere a segregação. Contudo, estas possibilidades não devem levar à estagnação e nem devem ser tomadas como limites, mas sim como desafios para novas propostas. E que estas possam ser 23 implantadas e planejadas com cuidado e preparação de todo o corpo técnico desta escola, para que, no futuro, se possa perceber que houve realmente a inclusão. Em virtude disso, devemos ter sempre em mente que as propostas e intervenções tem um efeito social que não podem ser desprezados. Assim poderemos fazer de forma com que os nossos ideais, enquanto professores de uma educação democrática (inclusiva) hoje, não se torne um grande instrumento de segregação mais tarde. Contudo, a inclusão como resultado de um ensino de qualidade para todos os alunos provoca e exigem das escolas novos posicionamentos a respeito da conduta da escola exigindo qualificação por parte do corpo docente e técnico- administrativo, afim de que seja capaz de receber e integrar o aluno autista. A problemática de se conseguir adequar os alunos autistas à diversidade dos conteúdos também está relacionada ao fato da escola regular assumir junto à sociedade sua imagem de escola inclusiva, comprometida com o ensino e aprendizagem, buscando trabalhar dentro de uma integração. A escola aberta para todos é a grande meta a ser alcançada, mas também um grande problema na educação inclusiva. Pensamos que uma escola inclusiva deve manter um quadro funcional qualificado e comprometido com esta educação, a fim de proporcionar ao aluno autista sempre que necessário um acompanhamento paralelo. Este acompanhamento deve acontecer com o objetivo de dar suporte aos conteúdos não assimilados pelos alunos, haja vista suas dificuldades de relacionamento que interferem na aprendizagem, visando sempre o nível de possibilidade de desenvolvimento de cada um, e explorando assim suas possibilidades por meio de atividades, sejam elas abertas ou medindo seus interesses. Existem muitas teorias sobre a forma de trabalhar a criança autista em termos educacionais. Dependendo da capacidade do educador e da criança alvo, alguns dão ênfase aos desejos e inclinações naturais da criança, enquanto outros procuram criar respostas comportamentais condicionadas por reforços positivos ou negativos. Segundo BARBOSA (2006, p. 114), define que: A preocupação não é ensinar o educador como se ensina, e sim oferecer um espaço para que ele experimente o seu aprender e, a partir dele, possa fazer as pontes necessárias entre o que viveu e o que seu aluno vivera naquele momento de aprendizagem, no qual ele será o maestro. Não são técnicas de ensinar que estão faltando; o que falta, sim, são vivencias profundas para que os educadores possam focar sua ação educativa no aprender. 24 No entanto, qualquer mudança exige um cuidado continuo e muita reflexão para que se fortaleça e resulte em ação efetiva. A aprendizagem significativa requer que as práticas pedagógicas satisfaçam as necessidades materiais e também as necessidades afetivas. Isso diz respeito inclusive ao aprender do professor, valorizam do e sensibilizando-opara suas possibilidades. Nessa ótica, a simples convivência com a criança enquanto ser humano e um relacionamento de pessoa para pessoa já possibilita o aprender. Partindo deste pressuposto o conceito atual de inclusão se refere à vida social e educativa e todos os alunos devem ser incluídos nas escolas regulares e não somente colocados na “corrente principal.” O objetivo primordial da educação inclusiva é desenvolver a atenção, escolhendo tarefas que as desenvolvam e, em seguida, cultivar a concentração, a persistência, a paciência como atributos da atenção, fazendo assim com que esta criança interaja com o mundo lá fora, dentro de uma escola normal. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todo o corpo técnico presente dentro da instituição, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo pesquisou-se a inclusão de crianças autistas em escolas regulares de ensino. Por se tratar de um assunto de grande complexidade e pouco explorado, buscou-se primeiramente esclarecer alguns conceitos sobre as bases de como se diagnostica uma criança com Síndrome do Autismo. Neste sentido, por se tratar de inclusão, os objetivos previstos não foram alcançados, uma vez que a não aceitação desta sociedade, o exclui de forma complexa o que dificulta cada vez mais a sua inclusão. 25 As reações inusitadas e bizarras vão se instalando no repertório comportamental da criança gradualmente, e a esse fator, percebe-se que se faz uma diferença significativa nas relações vinculadas a esta sociedade. Devemos assumir que essas crianças vieram ao mundo com inata inabilidade para travar contato afetivo normal, com pessoas, da mesma forma que outras crianças vêm ao mundo com inatas deficiências físicas ou intelectuais. Se essa conjuntura for correta, um novo estudo de nossas crianças autistas poderá ajudar-nos a fornecer critérios concretos relativos a questão desta inclusão. Portanto, em função das várias reflexões conclui-se que a Síndrome do Autismo, embora com muitas características comuns a outras síndromes, possui identidade muito diferenciada. Uma vez por possuir vários déficits, a escola de ensino regular sente-se de certa forma incapaz de desenvolver uma educação inclusiva, tanto pela necessidade de profissionais especializados, quanto pela reformulação de sua prática, como também pelo espaço físico que um autista precisa, haja vista suas necessidades de organização e rotina. É fundamental que os professores tenham conhecimento de Psicologia do Desenvolvimento e aprendizagem e que sejam orientados para uma atuação adequada nos graves distúrbios de comportamento que apresentam essas crianças. Em primeiro lugar, pelo fato de o problema ter deixado de ser considerado apenas do ponto de vista médico e terapêutico o pedagógico também faz parte da Equipe Multidisciplinar qualquer que seja o nível de funcionamento das crianças tem se valorizado por uma educação escolar mais estruturada. Com isso as crianças menos comprometidas têm se tornado mais sociável, usando construtivamente as habilidades aprendidas, apesar da persistência de alguns sintomas. Fazem-se necessárias classes especiais de verdade, com metodologia própria para as necessidades de cada aluno especial. O Diagnóstico é apenas o primeiro desafio que o Brasil está começando a utilizar e está dando um novo olhar para educação dessa década. E sabemos que o progresso do autista depende muito também da participação da família. Um dos principais objetivos é esse, a família e o trabalho na escola é a interação de ambos para estimular a criança, onde alcança total progresso e é dessa forma que as escolas estão realizando o seu trabalho. Concluindo, o trabalho com a criança autista impõe, ao profissional, desafios contundentes, dentre os quais, o de lidar com a questão do tempo e a sua articulação com a emergência do sujeito. O trabalho clínico demanda do profissional, em primeiro lugar, uma tolerância com respeito à temporalidade singular que caracteriza o mundo destas crianças. Quando existe informação a reação é oposta, a família ajuda e a Escola ajuda ao autista, todos trabalhando 26 juntos chegam a um trabalho singular, pois todo autista é único. Sabemos que o tratamento não esgota o problema porque não é doença, então não tem cura, é a partir dele que se começa um trabalho que irá ser para vida toda. Nas fases da vida do autista vai passar vários profissionais, vários educadores e de cada um, uma experiência. Esperamos que esta pesquisa contribua para que os professores desenvolvam seu trabalho na sala de aula com a criança autista. Sendo assim, se faz necessária uma ação educativa comprometedora com a cidadania e com a formação de uma sociedade mais democrática e menos excludente. Há uma grande necessidade de conscientização da sociedade em relação aos direitos destes portadores da síndrome de autismo, para que a sociedade exerça o processo de inclusão. Sabe- se que a escola inclusiva é uma tendência a ser efetivada neste novo século. Mas, para que o processo de inclusão dos portadores desta síndrome possa realmente acontecer é preciso que haja um comprometimento com a educação pelo governo assim como também por entidades não governamentais, só assim poderemos derrubar os preconceitos e entraves que abordam o desenvolvimento da cidadania para todos. 27 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BARBOSA, L. M. S. A psicopedagogia e o momento do aprender. São José dos Campos: Pulso, 2006. BRASIL.Ministério da Educação. Lei no. 9394, de 20 de dezembro de 1996 . Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 1996. GAUDERER. E. Christian. Autismo. Rio de Janeiro-RJ. Ed. Atheneu . 1993. GAUDERER; E.C. Autismo Infantil, década de 80: uma atualização para os que atuam na área: do especialista aos pais. São Paulo: Sarvi 1987 KANNER, L. Os distúrbios autísticos do contato afetivo. In Rocha, P.S. (org.) Autismos. S. Paulo: Editora Escuta. 1997. LEBOYER, M. Autismo infantil: fatos e modelos. 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